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Agência Diap, 6 de março de 2010
Senado: Convenção
151 aprovada na Comissão de Relações Exteriores
A capacidade de articulação e mobilização
das centrais resultou em mais um importante passo para a democratização
das relações de trabalho no Brasil.
Depois de audiência com integrantes da direção
executiva da CUT, o relator da ratificação da Convenção
151, da Organização Internacional do Trabalho (OIT),
senador Geraldo Mesquita (PMDB/AC) resolveu pautar o projeto (PDS
819/09) na Comissão de Relações Exteriores do
Senado.
O resultado foi a aprovação unânime do relatório
na manhã desta quinta-feira (4). O projeto vai agora ao plenário
do Senado e depois vai à promulgação, já
que se trata de ratificação de norma internacional.
Bandeira histórica
A Convenção 151 é uma das bandeiras das centrais
e faz parte a "pauta trabalhista" incluída agenda
da 6ª Marcha da Classe Trabalhadora, em novembro do ano passado,
em Brasília.
A Convenção 151 garante o direito de organização
e negociação dos servidores públicos e prevê
pontos como: proteção contra os atos de discriminação
que acarretem violação da liberdade sindical em matéria
de trabalho; independência das organizações de
trabalhadores da função pública face às
autoridades públicas e proteção contra atos de
ingerência das autoridades públicas na formação,
funcionamento e administração das organizações
de trabalhadores da função pública.
Luta histórica dos trabalhadores
A organização no local de trabalho é pauta histórica
da CUT, por exemplo, desde sua fundação. Em 2006, a
ratificação desta convenção foi uma das
deliberações do 9º Congresso Nacional da CUT (Concut).
No ano seguinte, em encontro com o presidente Lula ao final da 4ª
Marcha da Classe Trabalhadora, as centrais cobraram o envio da Convenção
151 para o Congresso, fato que ocorreu em 2008.
Para o presidente da CUT, Artur Henrique, a ratificação
iniciará uma grande discussão a respeito da organização
no local de trabalho. "Isso abre um debate sobre a forma de organização
do funcionalismo, não apenas em âmbito federal, mas também
nos estados e municípios".
Segundo Denise Motta Dau, secretária Nacional de Relações
de Trabalho da CUT e uma das representantes da central, com os diretores
executivos Pedro Armengol e Antônio Lisboa, o encontro com o
senador Geraldo Mesquita, foi decisivo para aprovação
do projeto de decreto legislativo.
Pressão total
Armengol acredita que mantida a mobilização dos trabalhadores,
a ratificação deve ser votada nos próximos 30
dias, no plenário do Senado.
"A aprovação da Convenção 151, na
Comissão de Relações é uma grande conquista
porque fica admitida a legitimidade da convenção. A
classe trabalhadora deve manter a pressão sobre os senadores
na Capital Federal para que aprovem ainda neste ano o direito de negociação
e organização dos servidores", comentou.
Desde o início da semana, as centrais promovem 'ocupação'
do Congresso Nacional em defesa de bandeiras como a Convenção
151 e a redução da jornada de trabalho.
Até o final de abril, os dirigentes estarão presentes
no aeroporto de Brasília e visitarão os gabinetes dos
parlamentares para entregar os pontos de pauta e destacar a necessidade
de avançar na construção de um Estado democrático,
algo sempre importante em anos eleitorais. (Com CUT)
Clique aqui
veja o relatório aprovado
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Agência Diap, 6 de
março de 2010
Estabilidade do dirigente: Mabel
é o relator do projeto de lei no Trabalho
O PL 6.706/09, já aprovado no Senado (PLS 177/07), do senador
Paulo Paim (PT/RS), cujo objetivo vedar a dispensa de empregado sindicalizado
que seja membro ou candidato de Conselho Fiscal, será relatado,
na Comissão de Trabalho, pelo deputado-empresário Sandro
Mabel (PR/GO).
Mabel é um dos 219 representantes dos empresários na
Câmara dos Deputados.
O projeto foi aprovado no Senado depois de ampla e intensa articulação
do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) e do autor naquela
Casa.
Na Câmara, a matéria vai ser examinada pelas comissões
de Trabalho; Finanças e Tributação; e de Constituição,
Justiça e Cidadania, antes de ser analisada no plenário
da Casa.
A Comissão de Trabalho é o principal colegiado por
onde tramitará o projeto, já que é principal
comissão de mérito da proposição.
Com Mabel na relatoria desta matéria, o movimento sindical
precisará redobrar a ação na Comissão
do Trabalho, já que o relator é mais que um adversário
político, é um inimigo de classe.
Aposentadoria especial do servidor
O projeto de lei complementar (PLP) 554/10, do Executivo, que regulamenta
o inciso II do parágrafo 4º do artigo 40 da Constituição,
que dispõe sobre a concessão de aposentadoria especial
a servidores públicos que exerçam atividade de risco
foi anexado à outra proposta, com tramitação
mais avançada na Casa.
Trata-se do PLP 330/06, que dispõe sobre a aposentadoria do
servidor público policial, nos termos do artigo 40, parágrafo
4º, inciso III, da Constituição, conforme redação
da Emenda Constitucional 47, de 5 de julho de 2005.
A matéria já tramitou nas comissões de Seguridade
Social e Família; e de Constituição, Justiça
e Cidadania, onde foi aprovada. A proposta aguarda a inclusão
na pauta do plenário da Câmara dos Deputados.
Desta forma, a proposta apresentada este ano poderá ser apreciada
direto no plenário da Casa. Se aprovada em dois turnos, as
duas proposições seguem para análise do Senado
Federal.
Adin do DEM
Proferido o "voto vista" do ministro Eros Grau na última
quarta-feira (3), no Supremo Tribunal Federal (STF), contra a Adin
do DEM que é contrário ao repasse de recursos da contribuição
sindical às centrais, a matéria retorna à pauta
do Supremo na próxima quarta-feira (10).
Agora, para concluir a apreciação da Adin falta o voto
quatro ministros: Gilmar Mendes (presidente), Ellen Gracie, Carlos
Britto e Celso de Mello. O ministro José Antonio Dias Toffoli
está impedido de votar, pois se posicionou contrário
à Adin quando era advogado-geral da União.
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O Outro Lado da Notícia,
6 de março de 2010
Cresce número de famílias
chefiadas por mulheres no Brasil, aponta OIT
As mulheres e os negros são mais presentes nas ocupações
informais e precárias e as mulheres negras são a grande
maioria no emprego doméstico, uma ocupação que
possui importantes déficits no que se refere ao respeito aos
direitos trabalhistas.
As mulheres representam quase metade dos trabalhadores do país,
estão cada vez mais participativas no orçamento familiar
- em 35% dos casos são as principais responsáveis -,
mas ainda enfrentam muitas desigualdades no mercado de trabalho, apresentou
estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho
(OIT) no Brasil nesta quinta-feira (4).
Entre 1998 e 2008, aumentou o número de mulheres chefes de
família. Em 1998, elas eram responsáveis financeiramente
em 25,9% dos lares. Em 2008, o percentual passou para 34,9%. A OIT
divulga os dados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Ainda conforme os dados da organização, as mulheres
no fim de 2008 representaram 43,7% das pessoas acima de 16 anos no
mercado de trabalho. Ou seja, eram 42,5 milhões entre os 97
milhões de trabalhadores do país.
Mesmo com a participação semelhante entre os trabalhadores,
as informações da OIT mostram que elas sofrem muito
mais com o desemprego do que os homens. A situação é
ainda pior entre as mulheres negras. Entre as negras a taxa de desemprego
atingiu 10,8% em 2008 e entre as mulheres brancas, 8,3%.
Entre os homens negros, a taxa de desemprego foi de 5,7% e entre
os brancos, 4,5%.
A OIT apresenta ainda a informação de que 15,8% das
mulheres ocupadas estão no trabalho doméstico, e a maioria,
em relação precária de trabalho: somente 26,8%
têm carteira assinada. Entre as mulheres negras, a situação
também piora: 76% das que atuam no trabalho doméstico
estavam na informalidade em 2008.
"As mulheres - principalmente as mulheres negras - possuem rendimentos
mais baixos que os dos homens e, ainda que em média tenham
níveis de escolaridade mais elevados, seguem enfrentando o
problema da segmentação ocupacional, que limita seu
leque de possibilidades de emprego. As mulheres e os negros são
mais presentes nas ocupações informais e precárias
e as mulheres negras são a grande maioria no emprego doméstico,
uma ocupação que possui importantes déficits
no que se refere ao respeito aos direitos trabalhistas", destaca
a OIT em comunicado.
Jornada maior
Além da situação desigual no mercado de trabalho,
as mulheres trabalham cinco horas a mais por semana do que os homens,
considerando os afazeres domésticos.
A jornada semanal média no mercado de trabalho é de
34,8 horas semanas para a mulher e 42,7 horas semanais para o homem.
Quando considerados os afazeres domésticos, a carga de trabalho
feminina passa para 57,1 horas semanais contra 52,3 horas semanais
dos homens.
Mudanças nas famílias
Entre 1998 e 2008, o perfil das famílias apresentou mudanças,
segundo os dados da OIT. O percentual de casais sem filhos passou
de 13,3% para 16,6% dos casais do país.
Aumentou ainda de 16,7% para 17,2% as famílias com mulheres
sem cônjuges, mas com filhos. A taxa de fecundidade entre as
mulheres de 15 a 49 anos caiu de 2,9 para 1,95 por mulher.
Convenção 156
A OIT informou que atua para que o governo brasileiro ratifique a
Convenção 156 da OIT, que visa reduzir as desigualdades
de gênero no mercado de trabalho.
Segundo a organização, a convenção traz
"importantes orientações" para a elaboração
de políticas que promovam o compartilhamento de responsabilidades
entre homens e mulheres e a igualdade de oportunidades.
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Vermelho, 6 de março
de 2010
TSE divulga calendário eleitoral
com novos prazos e regras
Candidatos nas eleições de 2010 estão proibidos,
a partir de 3 de julho, de participar de inaugurações
de obras públicas. Antes, a Justiça Eleitoral proibia
apenas candidatos a presidente, governador e vice. O calendário
eleitoral foi publicado nesta sexta-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral
(TSE). O calendário também define que a propaganda eleitoral
só pode ser feita a partir de 6 de julho.
Já os registros de candidatura devem ser feitos pelos candidatos
até o dia 10 de julho. Antes, a Justiça Eleitoral concedia
ao candidato 48 horas para o registro depois do encerramento do prazo
dado aos partidos políticos. Este novo prazo passa a ser contado
a partir da publicação da lista de candidatos pela Justiça
Eleitoral.
Outra novidade é que os candidatos deverão apresentar
certidões criminais no ato de registro de sua candidatura para
as eleições de 2010. Além das certidões
criminais emitidas pelas Justiças Estadual e Federal de 1º
e 2º graus de seu Estado e do tribunal competente nos casos de
foro especial, a nova regra exige certidões criminais emitidas
pela Justiça Federal e pela Justiça do Distrito Federal
de 1º e 2º graus.
Outra novidade trazida pela Lei 12.034/09 e incorporada ao Calendário
Eleitoral é a possibilidade de o eleitor que estiver fora do
seu domicílio votar para presidente da República em
qualquer capital do país. Para tanto, o interessado deverá
informar à Justiça Eleitoral, entre 15 de julho a 15
de agosto, onde estará no dia das eleições.
A maioria das retificações foi necessária para
adequar datas e redação às novidades introduzidas
pela Lei 12.034/09.
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Vermelho, 6 de março
de 2010
Estudo mostra desigualdade entre
homens e mulheres no trabalho
No Dia Internacional da Mulher,
o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga comunicado
sobre a desigualdade de gênero no mercado e no trabalho doméstico.
Apesar de ocuparem cada vez mais postos no mercado de trabalho, as mulheres
ainda são responsáveis pela maior parte dos trabalhos
em casa.
Esta é uma das conclusões do Comunicado do Ipea "Mulheres
e trabalhos: avanços e persistências", que será
divulgado na próxima segunda-feira, dia 8 de março. O
estudo trata ainda das desigualdades no mercado de trabalho e nos rendimentos
e do papel das políticas públicas de igualdade de gênero.
As mudanças nos arranjos familiares, com mais mulheres chefes
de família; o tempo médio de estudo das mulheres, que
já é superior ao dos homens; e o percentual crescente
de mulheres que entram no mercado de trabalho são algumas das
principais mudanças registradas entre 1998 e 2008.
Apesar disso, o Comunicado mostra que praticamente nada mudou com
relação ao trabalho doméstico no que diz respeito
à distribuição dos afazeres entre homens e mulheres.
Em vez de uma divisão mais igual no trabalho em casa, há
a delegação das tarefas às trabalhadoras domésticas,
em sua maioria mulheres e negras.
A divulgação do estudo será feita pela coordenadora
de Igualdade de Gênero do Ipea, Natália Fontoura, no
auditório do Instituto em Brasília.
O Ipea, fundação pública vinculada à
Secretaria de Assuntos Estratégicos, fornece suporte técnico
e institucional às ações governamentais - possibilitando
a formulação de inúmeras políticas públicas
e programas de desenvolvimento brasileiro - e disponibiliza, para
a sociedade, pesquisas e estudos realizados por seus técnicos.
Da sucursal de Brasília
Com informações do Ipea
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Vermelho, 6 de março
de 2010
Juruna: jornada de 40 horas pode
criar até 2 milhões de empregos
A redução da jornada, como
pensamos, fortalece o mercado interno e faz parte do movimento pró-cíclico
pelo desenvolvimento econômico, com distribuição
de renda, porque é um importante mecanismo para se repartir parte
dos ganhos de produtividade acumulados pelo capital.
Por João Carlos Gonçalves,
o Juruna*, no Valor Econômico
“Na realidade não havia horas regulares: os mestres e
os gerentes faziam conosco o que desejavam. Os relógios nas
fábricas eram frequentemente adiantados de manhã e atrasados
à noite; em vez de serem instrumentos para medir o tempo, eram
usados como disfarces para encobrir o engano e a opressão.
Embora isso fosse do conhecimento dos trabalhadores, todos tinham
medo de falar, e o trabalhador tinha medo de usar relógio,
pois não era incomum despedirem aqueles que ousavam saber demais
sobre a ciência das horas” (Chapters in the life of a
Dundee factory boy (Dundee, 1887) apud Thompson, E.P. Costumes em
Comum, SP: Cia. das Letras, 1998. p.290)
A luta dos trabalhadores pela redução da jornada de
trabalho acontece desde os primórdios do capitalismo. No início
era quase uma questão de sobrevivência dos operários
nas fábricas, que trabalhavam jornadas exaustivas e extenuantes,
chegando ao absurdo de 18 horas diárias.
Com o passar do tempo, o fortalecimento das organizações
dos trabalhadores, um significativo aumento das mobilizações
e as negociações entre capital e trabalho acontecendo
de forma mais democrática fizeram com que a pauta por melhores
condições de trabalho passasse a conter um item extremamente
importante, que se traduzia (e ainda se traduz) na forma de redução
da jornada.
Todas as modificações ao longo dos anos ocorreram devido
à mobilização dos trabalhadores. No Brasil, a
redução da jornada de trabalho sempre fez parte da luta
sindical, e já produziu efeitos positivos. A intensa luta levou,
na década de 30, à primeira lei nacional, que a limitava
em 48 horas semanais. No início do século, com as jornadas
insuportáveis, as primeiras manifestações contrárias
à carga excessiva não tardaram a acontecer. Temos registros,
do fim do século 19, de lutas por uma jornada menor travadas
pelos comerciários na cidade do Rio de Janeiro.
No início da década de 1980, também como resultado
da movimentação sindical, várias categorias conquistaram
jornadas que variavam entre 40 e 44 horas por semana, fortalecendo
as lutas dos trabalhadores e sensibilizando a sociedade para que fosse
garantido um teto de 44 horas semanais na Constituição
Federal de 1988.
Nestes 22 anos que se seguiram, a bandeira da redução
da jornada sempre esteve na ordem do dia das entidades sindicais.
E novamente estamos diante de um embate para reduzir a carga horária
semanal. O processo de discussão não está somente
no Congresso Nacional, que debate a PEC 231/95, de autoria dos senadores
Inácio Arruda (PCdoB) e Paulo Paim (PT), relatada na Câmara
pelo deputado Vicentinho (PT). Essa PEC reduz a jornada semanal de
44 para 40 horas, sem diminuir os salários, além de
aumentar o valor das horas-extras de 50% para 75%.
O presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT-SP),
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, junto com sindicalistas de todo
o Brasil, está mobilizando a todos no Congresso e nos locais
de trabalho visando esclarecer e conquistar apoio para a redução
da jornada de trabalho. As mobilizações ocorrem nas
empresas, nas ruas e nas entidades de classe. Há toda uma pressão
para colocarmos em votação no plenário ainda
neste semestre. Vários partidos, entre eles o PDT, já
fecharam questão em favor da aprovação da matéria.
As centrais sindicais (Força Sindical, CUT, CGTB, UGT, CTB
e Nova Central), na chamada Unidade de Ação, estão
mobilizadas, atuando conjuntamente e construindo uma agenda pela aprovação
da PEC. Como símbolo da vontade popular, as centrais entregaram
ao Congresso, em 2008, 1,5 milhão de assinaturas reivindicando
a redução da jornada.
Recentemente, o presidente da Câmara Federal, Michel Temer,
apresentou uma proposta de reduzir a jornada para 42 horas semanais
em 2011, com a perspectiva de uma nova negociação em
2013. É muito louvável o gesto do presidente da Câmara
em buscar um bom entendimento entre capital e trabalho. A Força
Sindical está realizando uma consulta sobre o tema entre suas
entidades filiadas e os trabalhadores da base. Podemos ter a vitória
da redução.
Vale destacar que a implementação da medida tem o potencial
de criar, em uma primeira etapa, cerca de 2 milhões de postos
de trabalho (dados do Dieese). Mas, além dessa questão
devemos também refletir sobre as vantagens sociais, já
que o trabalhador passará a ter mais tempo para a família,
para o lazer e para a sua própria qualificação
profissional. A medida também vai contribuir para a diminuição
dos problemas de saúde e acidentes de trabalho, resultantes
das jornadas exaustivas.
Não podemos nos calar diante da falácia empresarial
de que a medida irá encarecer a produção nacional.
Dados do Dieese mostram que a produtividade das empresas, de 2000
até agora, cresceu 27%, enquanto o custo com redução
da jornada deverá aumentar apenas 1,99%. Como a produtividade
nas empresas tem crescido constantemente, em menos de seis meses o
aumento do custo seria compensado.
Como podemos perceber, os números revelam um brutal aumento
dos ganhos de produtividade. E esses ganhos, oriundos das inovações
tecnológicas e arranjos organizacionais, não podem ficar
só com o capital. Eles também são frutos da dedicação
da classe trabalhadora, e, portanto, devem ser estendidos a todos.
A redução da jornada, como pensamos, fortalece o mercado
interno e faz parte do movimento pró-cíclico pelo desenvolvimento
econômico, com distribuição de renda, porque é
um importante mecanismo para se repartir parte dos ganhos de produtividade
acumulados pelo capital.
Da mesma forma que os operários ingleses convenceram a sociedade
britânica da importância de se reduzir a jornada, e hoje
trabalham 37 horas semanais, nós, brasileiros, com a busca
incessante por negociações de forma democrática
e com a mudança da lei, também vamos conseguir o nosso
objetivo de uma sociedade mais justa, com emprego, dignidade e renda
para todos.
* João Carlos Gonçalves (Juruna)
é metalúrgico, secretário-geral da Força
Sindical e ex-presidente do Dieese
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Gazeta do Povo, 6 de março
de 2010
Minha Casa, Minha Vida
Lula vai cumprir só 25%
da meta de moradias populares
Rio de Janeiro - Um dos principais programas do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva – o Minha Casa, Minha Vida–vai
ficar longe da meta de construção de 1 milhão de
unidades habitacionais populares até o fim do ano. A constatação
é do ministro das Cidades, Márcio Fortes. Suas estimativas
são de que o total de unidades entregues até o fim do
mandato de Lula não ultrapassará 250 mil.
O ministro explicou ontem que o intervalo entre o início das
obras e a disponibilização das chaves para os moradores
tem variado entre 12 e 14 meses. Como em dezembro passado a Caixa
Econômica Federal tinha contratado projetos imobiliários
que totalizavam apenas 250 mil unidades, o presidente Lula vai encerrar
seu mandato entregando, no máximo, 25% do total previsto. A
maior parte dessas unidades estará concluída a partir
de outubro ou novembro, segundo Márcio Fortes.
Apesar de o presidente Lula ter afirmado em diversas ocasiões
que a meta do programa era entregar um milhão de unidades até
o fim de seu mandato, o ministro defendeu que a iniciativa nunca teve
um prazo estabelecido. Segundo ele, o importante é avaliar
o número de contratações de projetos pela Caixa.
Nesse caso, os números do programa devem saltar para 1,039
milhão de unidades até julho e podem ultrapassar 1,2
milhão até o fim do ano.
Márcio Fortes responsabilizou os atrasos pelas dificuldades
técnicas encontradas nos primeiros seis meses do projeto por
empresas privadas, o governo e a Caixa. Segundo ele, foi necessária
uma readaptação de todos os participantes para que o
programa começasse a sair do papel.
“O projeto pegou velocidade a partir dos seis meses, quando
você teve dificuldades iniciais”, disse Forte. “As
próprias empresas tiveram que se adaptar. Nós ainda
tivemos que passar projetos pelo Congresso e a Caixa teve que normatizar.”
Projetos contratados
O ministro citou números oficiais da Caixa para reforçar
seus argumentos. Até o fim de fevereiro, os projetos contratados
haviam chegado a 327,1 mil unidades. Outros 712 mil projetos ainda
estavam sendo avaliados pelo corpo técnico do banco estatal.
Caso estejam com toda a documentação em ordem e as empresas
demonstrem lastro financeiro para construir as unidades propostas,
todos esses projetos devem estar aprovados até o meio do ano.
“Tem tanto projeto chegando que nós já ampliamos
(o número de unidades) em 20% para cada faixa de renda”,
comemorou Márcio Fortes.
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Gazeta do Povo, 6 de março
de 2010
presidência
Serra dá mais sinais de
que será candidato
Avaré (SP) - Em ato falho, o governador de São
Paulo, José Serra (PSDB), deu sinais de que sairá do governo
para concorrer à Presidência da República. Ao participar
da assinatura de contratos do programa Vila Dignidade,
ontem à tarde, em Avaré, no sudoeste de São Paulo.
Discursando de improviso sobre programas de seu governo,
ele falou como se estivesse em fim de gestão. “Pegamos
o Dose Certa com menos de 40 medicamentos e vamos deixar com mais de
70.” Ao ser perguntado se deixaria o governo, corrigiu. “Eu
quis dizer no período deste governo.”
Esse não foi o único sinal de que o governador está
prestes a anunciar sua pré-candidatura a presidente. Durante
o evento que reuniu os idosos moradores do núcleo de Avaré,
inaugurado no mês passado, Serra se comportou como candidato,
abraçando os velhinhos e posando para filmagens de sua equipe
de assessores.
O governador de São Paulo tem sido pressionado por integrantes
do PSDB e de partidos aliados a assumir publicamente a sua candidatura
à Presidência. A pressão sobre ele ainda maior
após a divulgação das últimas pesquisas
eleitorais, que demonstram um avanço da ministra Dilma Rousseff,
pré-candidata anunciada do PT. Até agora, Serra tem
evitado falar como candidato e ainda não foi lançado,
oficialmente, como pré-candidato tucano. A demora para assumir
a candidatura seria uma estratégia do governado de São
Paulo para se preservar dos ataques de opositores, mas tem causado
desconfiança entre os aliados, que temem que ele desista de
concorrer.
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Folha de S.Paulo, 6 de março
de 2010
RETRAÇÃO
IBGE deve apontar recuo de 4%
na construção civil, diz entidade
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar dos programas do governo federal -PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) e Minha Casa, Minha Vida-, os dados do IBGE devem
apontar que a construção civil encolheu cerca de 4%
em 2009, segundo projeção da CBIC (Câmara Brasileira
da Indústria da Construção), que discorda da
metodologia usada pelo instituto de pesquisa. Para a CBIC, o setor
apresentou expansão de 2% a 3% em 2009.
O presidente da entidade, Paulo Safady, disse que a queda deverá
ser apresentada nos próximos dias, quando o IBGE divulgar os
dados do PIB (Produto Interno Bruto) do ano passado. O setor não
concorda com a metodologia usada pelo instituto para auferir o desempenho
da construção civil e pediu mudanças ao governo.
"Estivemos reunidos com o ministro Guido Mantega [Fazenda] e
conversamos sobre os números do IBGE, que devem vir muito ruins.
Não podemos ver motivo para isso. O modelo do IBGE não
é bom. Não considera o valor agregado pelas empresas
de construção", disse Safady.
As perspectivas da entidade para 2010 é de crescimento de 9%
para o setor e de 6% para a economia.
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Folha de S.Paulo, 6 de março
de 2010
Boom imobiliário na China
pressagia bolha
Em Xangai, a mais rica e deslumbrante
das cidades chinesas, os preços dos imóveis subiram mais
de 150% desde 2003
Autoridades de Pequim já tomaram medidas
para restringir crédito; em 2009, o mercado movimentou 80%
mais, US$ 560 bilhões
DAVID BARBOZA
DO "NEW YORK TIMES", EM XANGAI
O espaçoso dúplex vem com cama cujo dossel é
sustentado por colunas revestidas em couro de crocodilo, portas de
bronze esculpidas à mão -e enfeitadas com cristais Swarovski-
e custa US$ 45 milhões. O apartamento ainda está no
mercado, mas Charles Tong, o incorporador imobiliário do Tomson
Riviera, um luxuoso complexo à beira-rio no coração
do distrito financeiro de Xangai, diz que não tem problemas
para atrair compradores e que vende "de três a quatro apartamentos
por mês". "Agora, as pessoas aqui desejam algo mais
luxuoso; gostariam de um novo estilo de vida."
Todo mundo concorda que a China atravessa um boom imobiliário;
a questão é determinar se o país também
está em meio a uma bolha imobiliária em rápido
crescimento -cujo estouro poderia afetar boa parte do mundo. A China
é a grande economia de mais rápido crescimento e o principal
propulsor para que a economia mundial saia da recessão.
Pequim está claramente preocupada. As autoridades recentemente
tomaram medidas para restringir o crédito fácil que
ajudou a financiar o desenvolvimento excessivo de projetos imobiliários
chineses, entre elas dificultar a obtenção de uma segunda
hipoteca pelos proprietários de residências.
No ano passado, o recorde de US$ 560 bilhões em propriedades
residenciais foi vendido na China, uma alta de 80% ante 2008, segundo
estatísticas governamentais. Em meio à disparada dos
preços, os incorporadores correm para construir mais empreendimentos
de luxo que ostentam nomes como Rich Gate e Palais de Fortune.
Os sinais de exuberância são onipresentes. Um investidor
de Xangai recentemente adquiriu 54 apartamentos em um único
dia, uma casa de campo foi vendida por US$ 30 milhões no ano
passado e um consórcio de incorporadores pagou mais de US$
3,5 bilhões por um imenso terreno em Guangzhou.
Os especuladores vêm abocanhando imóveis na expectativa
de que os preços continuem a subir, como vem acontecendo praticamente
a cada ano há mais de uma década. E poderosos incorporadores
imobiliários estão trabalhando com governos locais a
fim de transformar velhas cidades em paisagens urbanas oníricas.
Xangai, a mais rica e deslumbrante das cidades chinesas, é
o epicentro do boom. Os preços subiram mais de 150% desde 2003.
Em seu esforço para tentar modular o mercado, os governos local
e central precisam encontrar um ponto delicado de equilíbrio.
As vendas de terrenos são importante fonte de receita para
o governo e respondem por cerca de metade do custo do programa de
estímulo chinês de US$ 500 bilhões.
Determinar se o país vive bolha se tornou tema de debate. Alguns
economistas dizem que o boom está sendo alimentado por uma
grande campanha de urbanização, que resulta em casas
caras. Outros dizem que os preços vêm sendo empurrados
por incorporadores gananciosos e políticas governamentais que
tornam os imóveis menos acessíveis à massa migrante.
Os apartamentos mais recentes do Tomson Riviera foram vendidos por
US$ 25 mil o m2. Um apartamento de luxo médio em Manhattan
valia pouco menos de US$ 21 mil o m2 no fim de 2009.
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Folha de S.Paulo, 6 de março
de 2010
País prevê crescimento
de 8% do PIB
DA REDAÇÃO
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse que a meta do
governo para o crescimento do PIB neste ano é de 8% -a mesma
estabelecida nos últimos anos e inferior à expansão
prevista por diversos órgãos internacionais.
A meta deve ser facilmente atingida pela terceira maior economia global,
que, com esse resultado, deve ultrapassar o Japão, ficando
atrás apenas dos EUA. Em 2009, ano da pior crise global em
mais de 60 anos, o PIB chinês cresceu 8,7%, impulsionado pelo
programa de estímulo de US$ 586 bilhões bancado por
Pequim.
Neste ano, porém, o foco do governo passou da retomada econômica
para as pressões inflacionárias e a formação
de bolhas. Com o temor de que o aquecimento da economia esteja inflando
as Bolsas e o mercado imobiliário, Pequim vem tomando medidas
como a elevação do compulsório bancário,
visando esfriar o setor de crédito.
"Este é um ano crucial para continuar a lidar com a crise
financeira global, manter o desenvolvimento econômico rápido
e estável e acelerar a transformação do padrão
de desenvolvimento econômico", disse Wen ao Congresso Nacional
do Povo.
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