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Carta Maior, 7 de março de 2010
Gilberto Maringoni:
o que querem Globo, Folha e Veja?
Vale a pena refletir mais
um pouco sobre os significados e consequências do 1º Fórum
Democracia e Liberdade de Expressão, realizado pelo
Instituto Millenium em São Paulo, na segunda-feira,
1º de março.
Por Gilberto Maringoni, na Carta
Maior
A grande questão é: por que os barões da mídia
resolveram convocar um evento público para discutir suas ideias?
Ta bom, vamos combinar. A R$ 500 por cabeça não é bem
um evento público. Mas era aberto a quem se dispusesse a pagar.
No subsolo do luxuoso hotel Golden Tulip estavam o que
se poderia chamar de agregados da Casa Grande dos monopólios
da informação, como intelectuais de programa
e jornalistas de vida fácil. Todos expuseram suas
vísceras, em um strip-tease político e moral
inigualável. Um espetáculo digno de nota.
Nauseabundo, mas revelador.
Uma observação preliminar: os donos, os
patrões, os proprietários enfim, tiveram
um comportamento discreto e comedido ao microfone. Não
xingaram e não partiram para a baixaria. Quem desempenhou
esse papel foram os seus funcionários.
Nisso seguem de perto um ensinamento de Nelson Rockfeller
(1908-1979), relatado em suas memórias. Quando resolveu
disputar as eleições para governador de Nova
York, em 1958, falou de seus planos à mãe,
Abby Aldrich Rockefeller. Na lata, ela lhe perguntou: “Meu
filho, isso não é coisa para nossos empregados?”.
Os patrões deixaram o serviço sujo para
os serviçais. Estes cumpriram o papel com entusiasmo.
Objetivos do convescote
Os propósitos do Fórum não são
claros. Formalmente é a defesa da liberdade de expressão,
sob o ponto de vista empresarial. Quem assistiu aos debates
não deixou de ficar preocupado. Aos arranques, os
pitbulls da grande mídia atacaram toda e qualquer
tentativa de se jogar luz no comportamento dos meios de
comunicação.
Talvez o maior significado do encontro esteja em sua própria
realização. Não é todo dia
que os donos da Folha, da Globo e da Abril se juntam, deixando
de lado arestas concorrenciais, para pensarem em táticas
comuns na cena política nacional.
Um alerta sobre articulações desse tipo
foi feita por Cláudio Abramo (1923-1987), em seu
livro A Regra do Jogo, publicado em 1988. A certa altura,
ele relata uma conversa mantida com Darcy Ribeiro (1922-1997),
no início de março de 1964. “Alertei-o
de que dias antes, o dr. Julinho [Mesquita, dono de O Estado
de S. Paulo] havia visitado Assis Chateubriand [dos Diários
Associados], e que aquilo era sinal seguro de que o golpe
estava na rua. Porque a burguesia é muito atilada
nessas coisas, não tem os preconceitos pueris da
esquerda. Na hora H ela se une”.
Pois no Instituto Millenium estavam unidos Roberto Civita
[Abril], Otávio Frias Filho [Folha] e Roberto Irineu
Marinho [Globo]. Sem mais nem porquê.
Não se pode dizer que a turma resolveu botar o
golpe na rua. Mas é sintomática a realização
do evento quase no mesmo dia em que a candidatura de Dilma
Roussef empatou com a de José Serra, de acordo com
o Datafolha. Ou que ele aconteça quando os partidos
conservadores – PSDB e DEM – estejam às
voltas com crises sérias.
O que isso quer dizer? Quer dizer que as representações
institucionais da direita brasileira estão se esfarelando.
Seu candidato não sabe se vai ou se não vai.
Apesar de o governo Lula garantir altos ganhos ao capital
financeiro, deixando intocada a política econômica
neoliberal, este não é o governo dos sonhos
da plutocracia pátria. Elas não suportam
conviver com a ala popular, minoritária na gestão
do ex-metalúrgico. Deploram a política externa,
a não-criminalização dos movimentos
sociais e a possibilidade de um governo Dilma acatar indicações
das várias conferências temáticas realizadas
nos últimos anos, como a de Direitos Humanos e a
de Comunicação (Confecom).
Incômodo com a Confecom
Falar nisso, há um nítido incômodo
com os resultados da Confecom. A grande mídia não
tolera que o tema da democratização das comunicações
tenha entrado na agenda nacional.
A reação a tais movimentações
sociais tem mudado substancialmente a imprensa brasileira.
Para pior, vale sublinhar. Para perceber isso, vale a pena
fazer uma brevíssima recuperação histórica.
Nos anos anteriores a 1964, a grande mídia – O
Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, Folha de
S.Paulo e Diários Associados, entre outros – tornou-se
propagandista e operadora do golpe militar. Colheu desgaste
e sofreu censura, anos depois.
O primeiro órgão a notar que, para viabilizar
seus propósitos empresariais, necessitava mudar
de comportamento foi a Folha de S.Paulo. Com um jornal
sem importância antes até o inícios
dos anos 1970 e acusado de auxiliar o aparato repressivo
da ditadura, seus proprietários perceberam que para
mudar sua inserção no mercado valeria a pena
abrir páginas para a oposição democrática.
O projeto editorial de 1984 do jornal dizia o seguinte:
“ A Folha é o meio de comunicação menos conservador
de toda a grande imprensa brasileira. (...) É com certeza o que encontra
maior repercussão entre os jovens. Foi o que primeiro compreendeu as possibilidades
da abertura política e o que mais se beneficiou com ela, beneficiando
a democratização. É o jornal pelo que a maioria dos intelectuais
optou. É o mais discutido nas escolas de comunicação e nos
debates sobre a imprensa brasileira”.
Ou seja, percebendo que a democratização
lhe granjeava dividendos comerciais, o jornal deu espaço
para lideranças, intelectuais e temas identificados
com a mudança, em tempos finais da ditadura.
Topo da pirâmide
Vinte e três anos depois, em 11 de novem,bro de
2007, a Folha publicaria uma pesquisa sobre seu público,
intitulada “Leitor da Folha está no topo da
pirâmide social brasileira”. Logo na abertura,
a matéria destaca:
“ O leitor da Folha está no topo da pirâmide
da população brasileira: 68% têm nível
superior (no país, só 11% passaram pela universidade)
e 90% pertencem às classes A e B (contra 18% dos
brasileiros). A maioria é branca, católica,
casada, tem filhos e um bicho de estimação”.
Saem de cena os “os intelectuais”, “os
debates sobre imprensa brasileira” e entram os endinheirados.
Do ponto de vista empresarial é isso mesmo. Jornal
tem de vender e veicular anúncios a quem tem alta
capacidade de consumo.
Mas para atender a essa lógica, movimentações
editoriais são feitas. Ao invés de se priorizar
um limitado pluralismo anterior, passam-se a criar cadernos
e atrações voltados para os novos desígnios
do público. E a linha editorial e os colunistas
passam a ser cada vez mais conservadores.
A Folha beneficiou-se e soube utilizar em proveito próprio
do formidável impulso democrático da sociedade
brasileira dos anos 1980. Quase três décadas
depois, percebe que a continuidade desse movimento não
lhe interessa. E se insurge contra ele, com seus pares
empresariais, entrando de cabeça nos fóruns
do Instituto Millenium.
Golpe em marcha?
Articulações desse tipo são geralmente
danosas à democracia. Sempre que ficam carentes
de representações, as classes dominantes
(chamemos as “elites” por seu nome real) entram
no jogo institucional de forma truculenta e atabalhoada.
Buscam impor sua vontade a ferro e fogo, uma vez que as
regras do convívio político não lhes
interessam mais. Seus impulsos são sempre pela ruptura
dessas regras. Pelo golpe.
Foi o que aconteceu na Venezuela, em 2002. Com a falência
dos partidos de direita e com a avassaladora legitimidade
do governo Hugo Chávez, as oligarquias locais – em
associação com a Casa Branca, com a cúpula
das forças armadas e com a grande mídia – partiram
para a ignorância. E se deram mal.
Não é pouca coisa a afirmação
do ex-filósofo Roberto Romano, durante o Fórum
do Instituto Millenium: “O aspecto ditatorial do
Plano Nacional dos Direitos Humanos passaria em branco,
não fosse o descontentamento manifestado pelos militares”.
Logo quem o professor de Ética (!) invoca como paladinos
da democracia...
A tática golpista vingará por aqui? Pouco
provável, pois seus defensores encontram-se isolados.
O destempero exibido por alguns palestrantes durante o
evento – notadamente Romano, Jabor, Reinaldo Azevedo,
Marcelo Madureira, Sidnei Basile, Denis Rosenfield e Demetrio
Magnoli – é uma patente demonstração
de seu reduzido apoio social.
No entanto, não se pode subestimar essa turma.
Como interpretar a delirante intervenção
de Arnaldo Jabor, ao dizer que “a questão é como
impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda
que não deveria mais existir no mundo”? Como
chegar a tal objetivo se não pela quebra da democracia?
* Gilberto Maringoni, jornalista
e cartunista, é doutor em História pela
Universidade de São Paulo (USP)
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Blog Escrevinhador, 7 de março de
2010
Rodrigo Vianna: DEM já vê Dilma
como "franca favorita"
O DEM não se preocupa
só com os panetones de Arruda — o governador
preso teria em mãos um dossiê que pode comprometer
a cúpula do partido.
Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador
O DEM não se preocupa só com a queda de popularidade
de Kassab — o prefeito chafurda nas enchentes, enquanto sua subprefeita
tira onda de garota gostosa nas páginas de Playboy.
O DEM tem preocupações ainda maiores com o quadro
político nacional. Análise que circula, de forma reservada,
na cúpula da legenda traz previsões ruins para os interesses
do partido.
O texto de Saulo Queiroz (tesoureiro do partido) prevê vitória
fácil de Dilma contra Serra, e defende que a oposição
aposte em Aécio — não para ganhar agora, mas
para garantir um nome competitivo em eleições futuras.
A análise ganhou destaque no Blog do Favre:
" No documento, Saulo, que também já integrou
a direção do PSDB, faz uma análise das eleições
em todas as regiões do país e nos estados do Sudeste,
e conclui: ‘Dilma é franca favorita na disputa contra
Serra’. Prevê um ‘arraso’ da candidatura
Dilma-Lula no Rio.
Atribui à petista uma vantagem ‘na casa de 20% em Minas’: ‘Dilma é mineira,
atiçará a mágoa pelo fato de Aécio ter
sido preterido pelo Serra, mais um paulista’. Saulo também
não crê em vitória se o candidato for Aécio,
mas nesse caso argumenta: ‘Aécio terá assegurado
um grande recall para pleitos futuros. É a vantagem dos seus
49 anos… Em 2014 Serra terá 72 anos’.
‘O processo de encarnação de Lula em Dilma está em
pleno andamento e tende a se completar ao longo do período
eleitoral” — diz Saulo Queiroz, tesoureiro do DEM."
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P.S.: Uma leitura menos descuidada de minha parte
revela que o Blog do Favre, na verdade, reproduziu informação
originalmente publicada por Ilimar Franco, em O Globo — o que
não diminui em nada a informação.
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Agência Diap, 7 de
março de 2010
MTE concede registro à Fites;
dos trabalhadores em entidades sindicais
Foi publicado, nesta sexta-feira (5), o registro sindical da Federação
Interestadual dos Trabalhadores em Entidades Sindicais (Fites).
São filiados à Federação os
sindicatos do Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande
do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Sergipe,
Rondônia, Goiás e Maranhão.
A Federação foi criada em 2003 e desde então
tem desenvolvido um trabalho de organização
nacional da categoria.
Uma das ações de maior destaque foi a conquista
obtida com a sanção da Lei 11.295/06, que
modificou o artigo 526 da CLT e assegurou o direito de
organização dos trabalhadores em entidades
sindicais.
Segundo o artigo 526 da CLT, "os empregados do sindicato
serão nomeados pela diretoria respectiva ad referendum,
da Assembléia Geral, não podendo recair tal
nomeação nos que estiverem nas condições
previstas nos itens II, IV, V, Vl, VII e VlIl do artigo
530 e, na hipótese de o nomeador haver sido dirigente
sindical, também nas do item I do mesmo artigo.
(Redação dada pelo Decreto-lei 925, de 10.10.1969)
A conquista do registro sindical representa um marco na
organização dos trabalhadores em entidades
sindicais e um importante momento para o movimento sindical
brasileiro.
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MTE, 7 de março de 2010
Número de mulheres no mercado
de trabalho cresceu 40,9% em 7 anos
Dados da Rais mostram aumento da participação feminina
acima da média masculina. Mais de 16 mi delas, que comemoram,
segunda-feira (8), Dia Internacional, estão no mercado de trabalho
formal no Brasil
Entre 2002 e 2008, 4.788.023 mulheres assumiram postos no mercado
de trabalho formal em todo o Brasil. O volume, que equivale à soma
das populações de Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG)
mostra que as empresas estão abrindo suas portas para a mão-de-obra
feminina.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE),
em 2002 havia 11.418.562 mulheres trabalhando formalmente no país;
em 2008 o número chegou a 16.206.585, crescimento de 40,9%
no período. Entre os homens, o crescimento foi de 34,5%: de
17.265.351 milhões em 2002 para 23.234.981 em 2008.
E o número de mulheres - que comemoram seu Dia Internacional
nesta segunda-feira, 8 de março - no mercado de trabalho tem
crescimento contínuo, não sazonal, conforme apontam
os dados da Relação Anual de Informações
Sociais (Rais) do MTE.
Em 2003 havia 11,8 milhões delas formalmente empregadas,
em 2004 12,5 milhões, em 2005 13,4 milhões, em 2006
havia 14,2 milhões e em 2007 15,3 milhões.
Em relação aos rendimentos, a faixa etária
que atualmente apresenta a melhor remuneração, segundo
a Rais, é entre 50 a 64 anos, com média de R$ 1.757,51,
seguida de 65 anos ou mais, com R$ 1.713,77 e 40 a 49 anos, R$ 1.594,43.
Na comparação entre estados e setores de ocupação,
o estado do Amazonas obteve a maior remuneração para
a mulher, no setor de Extração Mineral, com R$ 8.755,23;
seguido pelo Rio de Janeiro, com R$ 7.849,80; e Sergipe, com R$ 6.113,08.
O setor de Serviços e Indústria de Utilidade Pública
também tem se mostrado auspicioso para as mulheres: o Distrito
Federal rendeu a melhor remuneração do país
para as mulheres neste setor, com R$ 4.812,18; seguido do Piauí,
com R$ 3.499,61; e Rondônia, com R$ 3.349,18.
Licença-maternidade
Instituída desde 1943, a licença-maternidade é garantida
pelo artigo 7º, inciso XVII, da Constituição Federal.
No início, a licença-maternidade era de apenas 84 dias,
mas muitos empresários demitiam suas funcionárias nesse
período, devido aos altos custos com as despesas.
O passar dos anos foi marcado pelas conquistas das mulheres em termos
de liberdade e espaço profissional. Os movimentos sindicais,
inclusive, começaram a se mobilizar para garantir mais direitos
para a mulher e o próprio governo foi buscando novas soluções.
A mais recente delas foi a ampliação da licença-maternidade
de 120 para 180 dias. A aprovação da Lei 11.770 passou
a valer para o setor público desde setembro do ano passado
e também beneficiará o setor privado a partir de 2010,
de forma facultativa.
Os estabelecimentos que abraçarem essa idéia farão
parte do Programa Empresa Cidadã, onde poderão deduzir
de seu imposto o total da remuneração paga à funcionária
no período adicional.
No caso da empregada celetista, deverá haver um acordo com
a empresa, já que é uma lei facultativa para o setor
privado. Durante a licença, a empresa pagará diretamente à mãe
a remuneração integral, mas esta, por sua vez, não
poderá colocar a criança na creche nesse período.
Como proceder
O primeiro passo para a empregada requerer seu direito é, mediante
atestado médico, notificar o seu empregador a data do início
do afastamento do emprego.
As mães adotivas, contribuintes individuais, facultativas
e empregadas domésticas têm que requerer o benefício,
que varia de acordo com a condição de cada empregada,
nas Agências da Previdência Social ou no sítio
da Previdência Social. (Fonte: MTE)
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ES Hoje, 7 de março
de 2010
Dieese: pelo menos 15%
das domésticas têm ensino médio completo
Por Redação
Multimídia ES Hoje
Apesar do predomínio de trabalhadoras menos escolarizadas
entre as empregadas domésticas, a participação
daquelas com ensino médio completo ou superior incompleto
fica próxima de 15% em Recife e Porto Alegre, de
17% em Fortaleza e Belo Horizonte e ultrapassa 20% em São
Paulo, Salvador e Distrito Federal.
Apesar do predomínio de trabalhadoras menos escolarizadas
entre as empregadas domésticas, a participação
daquelas com ensino médio completo ou superior incompleto
fica próxima de 15% em Recife e Porto Alegre, de
17% em Fortaleza e Belo Horizonte e ultrapassa 20% em São
Paulo, Salvador e Distrito Federal.
Os números referentes ao ano passado constam em
uma pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos) e da Fundação
Seade divulgada, na última quinta-feira (4), sobre
as características do trabalho doméstico
remunerado.
Além de apontar a melhora do nível de escolaridade
da população, o dado indica, segundo as entidades,
uma importante diferenciação entre as ocupações
exercidas nos chamados serviços domésticos.
A tendência é de expansão da participação
de ocupações que são exercidas por
pessoas com maior grau de instrução, como
babás e acompanhantes de idosos.
A pesquisa engloba também cozinheiras, governantas,
lavadeiras, vigias, motoristas, jardineiros e caseiros,
entre outros.
A pesquisa detectou ainda a proporção de
famílias chefiadas por mulheres, variando entre
27,2% no Distrito Federal e 35,3% em Porto Alegre.
A maior parte das empregadas exerceu o trabalho como mensalista,
representando proporções acima de 67% em
todas as regiões metropolitanas analisadas - as
diaristas possuem uma situação mais instável
e precária já que não têm direito
a férias e não recebem se ficarem doentes.
Tempo
O tempo médio de permanência no emprego foi alto em todas
as regiões pesquisadas. O menor período (3 anos e 11
meses) foi encontrado em Fortaleza e o maior, em Belo Horizonte (5
anos e 4 meses).
As maiores jornadas foram verificadas nas regiões
metropolitanas do Nordeste, com 54 horas semanais em média,
em Recife, 50 horas semanais, em Fortaleza, e 45 horas,
em Salvador.
O valor por hora médio obtido pelas diaristas chegou
a ser 47,2% maior do que o das mensalistas no ano passado
em Fortaleza e 38,3% superior no Distrito Federal.
A análise, no entanto, desconsidera outros benefícios
que as mensalistas com carteira assinada podem ter, como
descanso semanal remunerado, férias e 13º terceiro
salário.
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Gazeta do Povo, 7 de março de 2010
Desigualdade
O verdadeiro peso do Bolsa Família
Programa tem menos impacto na redução
da pobreza do que outros de transferência de renda como a
Previdência Rural
Brasília - Ao contrário do que o governo costuma divulgar,
o Bolsa Família, apesar de ser uma importante ferramenta de
combate à pobreza, não é o maior e mais importante
programa de distribuição de renda do país. Os
programas de transferência de renda garantidos pela Constituição
de 1988 – como a Previdência Rural e o Benefício
de Prestação Continuada (BPC-Loas) – têm
um impacto mais significativo na redução da pobreza.
O terceiro em impacto social é o Bolsa Família.
Atualmente, 12,6% da população brasileira vive em
situação de indigência (renda inferior a ¼ do
salário mínimo) e outros 32% em situação
de pobreza (renda menor do que meio salário mínimo).
Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
mostra que, se fosse retirado o Bolsa Família dessa conta,
a indigência saltaria para 13,9% e a pobreza para 33%.
Mas a situação fica muito pior quando o cálculo
desconsidera não só o Bolsa Família como também
benefícios previdenciários e o BPC. Nesse caso, a indigência
e a pobreza passariam a representar 23,4% e 43,7% da população
brasileira, respectivamente. “Isso mostra que a Previdência
Social e o BPC conseguem retirar uma parcela maior da população
da indigência, permitindo uma mobilidade maior do que o Bolsa
Família”, afirmou a pesquisada do Ipea, Luciana Jaccoud.
Funrural
A Previdência Rural foi criada ainda no regime militar, em
1971, com o nome de Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural
(Funrural), que anos depois passou a atender também os pescadores
(1972) e os garimpeiros (1975). Era quase uma esmola, sem impacto
na redução de pobreza e transferência de renda
porque pagava benefícios de apenas meio salário mínimo
ao cabeça do casal, com 65 anos. As pensões eram limitadas
a 30% do benefício.
A Constituição de 1988 aprovou e o governo Fernando
Henrique Cardoso (1995-2002) pôs em prática a universalização
previdenciária com a ampliação dos benefícios
para um salário mínimo, acesso de homens e mulheres
idosos à Previdência Rural e redução da
idade de aposentadoria (60 para homens e 55 para mulheres).
Os benefícios pagos pela Previdência Rural e o BPC-Loas
lideram o volume de recursos destinados pelo governo para reduzir
as desigualdades. Só no ano passado foram mais de R$ 40 bilhões
desembolsados para pagamento de mais de 11 milhões de benefícios.
Esse valor corresponde, sozinho, a todo o déficit da Previdência
Rural em 2009. Isso porque, a contribuição paga pelos
trabalhadores rurais com base na produção é insuficiente
para bancar as aposentadorias.
Somente com o o BPC-Loas, que está incorporado às
contas do Instituto Nacional do Serviço Social (INSS), é liberado
R$ 1,4 bilhão para atender 3,1 milhões de pessoas.
Recebem o BPC 1,5 milhão de idosos com mais de 65 anos e 1,6
milhão de pessoas com deficiência. No caso do Bolsa
Família, está prevista a liberação de
R$13,1 bilhões para atender 12,9 milhões de famílias
neste ano. Em 2009, foram gastos R$12,4 bilhões.
Mudar de patamar
Para o secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer,
os programas têm focos diferentes, mas os três têm
impacto relevante na diminuição das desigualdades. “A
taxa de pobreza entre os idosos é de algo em torno de 10%.
Eles estão comparativamente bem em relação à sociedade”,
disse Schwarzer.
E a justificativa é simples. No caso da Previdência
Social – maior parte dos benefícios pagos é para
o trabalhador rural – e BPC, o valor do benefício corresponde
a um salário mínimo (R$510). Já no Bolsa Família,
essa assistência varia de R$ 22 a R$200. “Quem recebe
a Previdência Rural e BPC tem mais condições
de mudar de patamar. Com essa determinação constitucional,
o índice de pobreza entre os idosos é extremamente
baixo. É um ganho social enorme para o país”,
destacou a pesquisadora Luciana Jaccoud.
Apesar de ter um peso menor na redução das desigualdades,
Luciana explicou que o Bolsa Família também é um
programa fundamental porque atende um público diferenciado,
famílias com crianças que vivem em situação
de extrema pobreza. “Contempla um público que está excluído
das determinações constitucionais”, disse.
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Gazeta do Povo, 7 de março
de 2010
Trabalho
Troca de funcionários
chega a 40% ao ano
Levantamento mostra que dificuldade
em segurar mão de obra é maior quando a economia
está aquecida
De cada 100 funcionários que iniciam o ano em uma
empresa, mais de 40 são substituídos ao longo
de 12 meses. A alta rotatividade, mostra uma pesquisa recente
da seção paranaense da Associação
Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-PR), é um dos
maiores problemas enfrentados pelos departamentos de RH.
A dificuldade em segurar a mão de obra é maior
quando a economia está aquecida, como no primeiro
semestre de 2008, e se concentra nas funções
que exigem menor qualificação.
A pesquisa da ABRH-PR ouviu 101 empresas e apurou que elas
tiveram uma rotatividade média anual de 42,9% em 2008.
O porcentual, considerado alto por especialistas, é similar
ao mostrado por pesquisas nacionais e é apontado como
uma variável que eleva os custos com seleção
e treinamento de pessoal. Esse problema se soma a outra constatação
da pesquisa: a retenção de funcionários
por mais de 90 dias está em 90% – ou seja, 10%
dos contratados não passam do período de experiência. “Há um
desperdício de tempo e dinheiro. Muitas empresas pecam
na seleção, o que fica claro no indicador de
retenção, e depois na estratégia para
manter os que ficam na companhia”, analisa Sônia
Gurgel, presidente da ABRH-PR.
A Exal, uma empresa de alimentação empresarial
com sede em Curitiba, começou a lidar com esse desperdício
há oito anos. Na época, a rotatividade era
de 7% ao mês e a companhia decidiu que precisava atacar
o problema. “O índice até estava abaixo
da média do segmento, que é de 10%, mas não
estávamos satisfeitos”, lembra Anderson Ribas
de Pontes, coordenador de recursos humanos. “Investimos
em treinamento dos gestores para que eles aprendessem a fortalecer
as equipes. Também fizemos o possível para
nosso pacote de benefícios ser atraente e conhecido
pelos funcionários”, conta.
A estratégia deu resultado e hoje a rotatividade
está em 4% ao mês, mesmo em um momento de crescimento
do quadro de funcionários e em um mercado aquecido – nos últimos
três anos, a Exal contratou 250 pessoas e tem hoje
700 colaboradores. “Temos funcionários com oito,
dez anos de casa, e tentamos valorizá-los. Nossa meta é chegar
a uma rotatividade de 2%”, diz Pontes.
A rotatividade é natural dentro de qualquer companhia – por
questões de carreira, adaptação ou de
demandas do mercado, as pessoas mudam de emprego durante
a vida produtiva, o que provoca uma troca de experiências
que é saudável para as organizações.
Ela se torna um problema, no entanto, quando é rápida
e não permite a consolidação de uma
cultura dentro da empresa. “Valores, conhecimento e
cultura ajudam no desempenho das companhias, mas só se
formam com o tempo. O giro de pessoas, mesmo que nas funções
mais simples, atrapalha no desenvolvimento de uma estratégia
empresarial”, explica Sônia.
Liderança
Apesar de a rotatividade ser maior entre funcionários
com pouca qualificação, é preciso olhar
para o topo da hierarquia da organização para
solucionar o problema. “As empresas no Brasil têm
a cultura de focar no resultado e, para isso, colocam em
primeiro lugar a capacitação técnica”,
diz a especialista em gestão de recursos humanos Nancy
Malschitzky, professora da FAE Centro Universitário. “Quando
isso acontece, o fato de as pessoas serem a fonte dos resultados
fica em segundo plano. É preciso enfatizar a capacitação
para lidar com pessoas.”
A identificação e treinamento de lideranças
capazes de criar laços de confiança em suas
equipes é uma das sugestões dos especialistas
para superar a rotatividade. O conselho vale para empresas
de todos os portes e todos os níveis hierárquicos.
Tanto supervisores de chão de fábrica quanto
executivos precisam acomodar demandas e expressar com clareza
o que esperam dos funcionários. “Hoje muitas
empresas têm dificuldade em fazer isso com as gerações
mais novas, que querem mudanças mais rápidas
e são mais curiosas”, conta Nancy.
Método está disponível
Para as empresas interessadas em fazer uma comparação
com companhias do mesmo setor, a ABRH-PR e a Bachmann & Associados
deixam à disposição em seus sites na
internet a metodologia usada na pesquisa referente a 2008.
Ela mede, além da rotatividade e da retenção
por mais de 90 dias, itens como absenteísmo, grau
de escolaridade, taxas de acidentes e de afastamento médico,
entre outros. A associação também está organizando
a pesquisa referente a 2009, e ainda aceita a adesão
de empresas que queiram fornecer seus dados para o levantamento.
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Gazeta do Povo, 7 de março de 2010
Rotatividade
Problema varia conforme
o setor
A rotatividade tende a ser maior em funções
de baixa capacitação, nas quais os salários
são menores, e se acelera em momentos de maior
aquecimento do mercado de trabalho. O indicador mensal
de rotatividade da mão de obra apresentado pelo
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
do Ministério do Trabalho passou por uma fase
de aceleração no primeiro semestre de 2008,
antes de a crise abalar as contratações.
O índice médio naquele ano foi de 4,42%,
meio ponto porcentual acima do visto em 2007, refletindo
a maior oferta de vagas até outubro. No ano passado,
o indicador voltou a recuar. Segundo os dados do Caged,
os setores com maior rotatividade são a construção
civil e o varejo – área que ficou em primeiro
lugar na pesquisa da ABRH-PR referente a 2008.
Na prática, os indicadores de rotatividade servem para que
as empresas guiem suas ações. Segundo Dorian Bachmann,
da consultoria Bachmann & Associados, que organizou a pesquisa
da ABRH-PR, os departamentos de recursos humanos precisam ficar atentos
ao comportamento de empresas do mesmo segmento para entender melhor
seus próprios indicadores. “Notamos, por exemplo, uma
rotatividade muito alta no setor de varejo. Mas parece que é uma área
que naturalmente convive com um índice alto. Já na área
de educação, que depende muito da capacitação
dos profissionais, o indicador tende a ser mais baixo”, explica.
No setor de educação, a empresa com maior rotatividade
na pesquisa apresentou uma taxa anual de 53%, contra uma média
de 31%. “É um ponto de partida importante para essa
empresa analisar o que está ocorrendo.”
Inserido em um dos segmentos com maior rotatividade, o da construção
civil, o diretor da Nakid Construções, Nelson Elias
Nakid, diz encontrar dificuldade em segurar profissionais que já estão
em falta, como carpinteiros, pedreiros de acabamento e operadores
de equipamentos. “Tentamos inventar maneiras de dar algum benefício
a mais, um vale alimentação melhor, um salário
um pouco melhor. Mas muita gente troca de trabalho por pouca coisa
e temos uma limitação muito grande por causa dos encargos.”
Na rede de hotéis Mabu, que tem 400 funcionários e
opera em outro segmento com rotatividade alta, a estratégia
foi melhorar o processo de seleção e admissão. “Isso
aumenta as chances de adaptação dos funcionários,
que desde o começo precisam saber que queremos que eles cresçam
na empresa”, comenta Denise Mauad Abujamra, diretora de recursos
humanos do Mabu. Ela conta que também são feitos programas
de treinamento das chefias para melhorar a gestão das equipes. “Temos
vários casos de pessoas que passaram de mensageiros a gerentes.”
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Folha de S.Paulo, 7 de
março de 2010
Lula impõe aliança
com o PMDB em MG para eleger Dilma
Presidente comunica Fernando
Pimentel e Patrus Ananias que eles devem buscar composição
na chapa de Hélio Costa
Apesar de roteiro para o apoiar a candidatura
do ministro já estar traçado, petistas manterão
discurso de que são pré-candidatos
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Lula avisou os petistas mineiros que, em
nome do projeto de fazer Dilma Rousseff sua sucessora,
irá apoiar a candidatura do ministro peemedebista
Hélio Costa (Comunicações) ao governo.
Segundo a Folha apurou, Lula pediu aos dois pré-candidatos
do PT em Minas, o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ministro
Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), que montem estratégia
para fazer aliança com o PMDB mineiro, indicando
o nome do vice na chapa de Hélio Costa.
Pimentel, favorito para ser um futuro candidato do PT no Estado, foi
convocado recentemente para uma conversa com Lula. Na ocasião,
o presidente disse que precisava dele na campanha da ministra Dilma
e que ele deveria desistir da disputa pelo governo mineiro. Em uma
das conversas com o ex-prefeito, Lula chegou a dizer em tom de convocação: "Se
você quiser jogar o Campeonato Mineiro, tudo bem, mas a Copa
do Mundo é aqui".
Pimentel e Patrus sabem, porém, que não podem simplesmente
desistir da candidatura petista em Minas. Publicamente, vão
continuar reafirmando que ainda são candidatos, mas o roteiro
para a aliança com o PMDB já está traçado.
Os grupos dos dois já acertaram que farão uma escolha
entre Pimentel e Patrus até o final de abril. O ministro prefere
que a definição seja em março, com base em pesquisas.
No caso, o ex-prefeito deve ser o escolhido, pois leva vantagem nas
pesquisas de intenção de voto.
O segundo passo, então, seria o congresso petista em Minas,
que definiria a posição do partido na eleição
estadual. Ele já foi, estrategicamente, adiado de abril para
maio. Antes dele, PT e PMDB, seguindo determinação de
Lula, vão sentar para definir uma aliança e quem seria
o cabeça de chapa. Os dois partidos elaboraram um modelo, com
base em dados de pesquisas, para definir o melhor candidato.
Segundo relato de petistas e peemedebistas ouvidos pela Folha, a tendência é que
Pimentel e Hélio Costa fiquem empatados. Aí, caberia
ao presidente Lula dar a palavra final. Decisão que já estaria
tomada em favor do peemedebista. Dentro do PT, ainda há uma última
esperança de o presidente mudar de ideia e defender uma candidatura
petista em Minas. Bastaria Dilma abrir uma diferença em relação
a José Serra nas pesquisas para Lula ser convencido de que poderia
forçar o PMDB a inverter o jogo: apoiar um petista em MG.
No comando da campanha de Dilma, porém, a desistência
de Pimentel é dada como certa. Se dependesse somente dele, o
ex-prefeito manteria sua candidatura. Mas reconheceu nos últimos
dias a aliados que deve realmente optar por integrar a equipe de campanha.
Esse cenário já é dado como certo também
no PSDB. O governador Aécio Neves disse nos últimos dias
a interlocutores que foi informado de que Pimentel, seu aliado na última
disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, não será candidato.
Para Aécio, essa é a melhor composição.
Segundo ele, Pimentel seria um candidato mais forte, pois poderia se
lançar com o apoio de Lula e Dilma, além de ter trânsito
com os tucanos do Estado.
Dentro do PMDB, há quem defenda o nome de Patrus como vice,
mas ele dificilmente aceitaria. Seu caminho deve ser a disputa pelo
Senado, caso José Alencar não dispute a eleição,
ou a permanência no ministério até o fim do governo.
O deputado federal petista Virgílio Guimarães é citado
como possível vice de Costa.
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Folha de S.Paulo, 7 de março de
2010
PSDB tenta impedir queda
de Serra em SP
Partido convoca força-tarefa
para deter desgaste do governador paulista em sua base
eleitoral e impedir avanço petista
Tucano participou ontem da Festa da Uva, em Caxias
do Sul; ele falou com eleitores e teve de desfilar ao lado da governadora
Yeda Crusius
DA REPORTAGEM LOCAL
O PSDB de São Paulo convocou uma força-tarefa com
a missão de estancar a queda do potencial candidato do partido à Presidência,
José Serra, e ampliar sua vantagem sobre a petista Dilma Rousseff
no Estado. O grupo -composto por 47 coordenadores regionais- terá sua
primeira reunião amanhã.
Segundo o presidente do diretório paulista, Mendes Thame, a
intenção é "definir uma estratégia
de ação para o buraco negro que vai de 2 de abril até junho".
Mas não é só: o partido quer unificar o discurso
de combate à candidatura Dilma. De acordo com textos que já estão
sendo discutidos pelo partido, o PSDB deverá explorar medidas
propostas pelo PT -como controle de conteúdo de TV e proibição
de símbolos religiosos em repartições públicas-
para falar em ameaça às liberdades individuais.
Outro argumento será o de que, desconhecida, Dilma será refém
de petistas como o ex-ministro José Dirceu. Segundo Thame, a
coordenação de campanha no Estado tem como meta garantir
que Serra vença as eleições em São Paulo
com diferença superior à obtida pelo ex-governador Geraldo
Alckmin contra Lula em 2006: um milhão de votos. Os tucanos
sonham com uma margem de 4 milhões de votos.
Com a tarefa de evitar a queda de Serra, o PSDB de São Paulo
decidiu antecipar, para o fim deste mês, as inserções
na TV que seriam em junho. No último Datafolha, o tucano caiu
de 41% para 38% na Região Sudeste, enquanto Dilma subiu de 19%
para 24%.
Essa mobilização serviria de antídoto para o impacto
das enchentes no Estado e para as crises enfrentadas pelo prefeito
de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), como o anúncio do
aumento do IPTU e das tarifas de ônibus e a recente cassação
(atualmente suspensa).
Festa da uva
Ontem, Serra encerrou uma semana em que já ensaiou uma agenda
de candidato visitando a Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS). Aparentando
certo constrangimento ao lado da governadora tucana Yeda Crusius, que
enfrentou uma CPI por denúncias de corrupção em
seu governo, Serra posou para fotos ao lado das Princesas da Uva e
conversou com eleitores.
Um militante do PSDB observou que, na campanha, Serra terá de
viajar muito. "Claro!", anuiu o tucano. A uma mulher que
se identificou como sua eleitora e perguntou o que ele fará,
se eleito presidente, para os deficientes físicos, ele respondeu: "Veja
o que eu fiz em São Paulo". Quando uma jornalista quis
saber o que espera do eleitorado gaúcho, Serra disse: "Que
continue combativo".
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Folha de S.Paulo, 7 de
março de 2010
Escassez de terreno
trava Minha Casa, Minha Vida
Dificuldade é sentida
principalmente em grandes cidades, que têm preços
mais altos
Da meta inicial de 1 milhão de
casas a serem construídas até o fim deste
ano, apenas 327 mil unidades já tiveram os seus
contratos assinados
FELIPE BÄCHTOLD
DA AGÊNCIA FOLHA
Uma das principais bandeiras do governo Lula, o programa
Minha Casa, Minha Vida enfrenta dificuldades para ser executado
em capitais por falta de terrenos para a construção
de casas. Devido ao alto custo dos lotes em metrópoles,
construtoras e prefeituras não conseguem achar áreas,
e os planos acabam transferidos para municípios
periféricos.
Florianópolis (SC), que não teve unidades do programa
construídas ainda, e Vitória (ES) flexibilizaram leis
municipais para viabilizar os projetos. Na faixa de renda familiar
de até três salários mínimos -principal
foco do programa-, o custo do imóvel pode ser de até R$
52 mil. Estados e municípios consideram o valor baixo para custear
habitação popular. Passado quase um ano do lançamento
do programa, foram contratadas (mutuários ou construtoras já assinaram
contratos) 327 mil unidades no país -a previsão inicial
do programa é construir 1 milhão de casas até o
fim de 2010.
Algumas das cidades apontadas como mais problemáticas são
Belo Horizonte e São Paulo. Na capital mineira, até agora
não foi contratada nenhuma unidade na faixa de renda familiar
até três salários mínimos. As vizinhas Contagem
e Betim, juntas, já somam 952.
Em Florianópolis, segundo a Secretaria Municipal da Habitação, áreas
já mapeadas "ou são muito caras ou são inviáveis
do ponto de vista ambiental ou o proprietário não está interessado" em
vender. O governo da Bahia diz que "somente agora" conseguiu
superar o problema de disponibilidade de terrenos em Salvador. "A
gente sabia de antemão que na região metropolitana, principalmente
em Salvador, iria ter dificuldade para achar", diz Liana Viveiros,
superintendente da Habitação. Ela atribui a dificuldade à "própria
configuração geográfica" do município.
A Prefeitura de Vitória conseguiu na Câmara Municipal
mudanças na legislação que regulava índices
de aproveitamento do solo -a porcentagem máxima de área
que uma construção pode ter dentro de um terreno. "A
gente simplificou alguns índices para reduzir o custo",
diz o secretário municipal de Habitação, Sérgio
Sá.
De acordo com ele, municípios vizinhos, com espaço territorial
muito maior, devem receber mais unidades. Florianópolis, que
fica em parte localizada em uma ilha, quer mudar a legislação
para que construções de quatro pavimentos sejam permitidas
em áreas onde só as de dois são autorizadas. A
justificativa também é a de viabilizar economicamente
as moradias.
Mais terrenos
Segundo o Ministério das Cidades, responsável pelo Minha
Casa, Minha Vida, se o programa se desenvolve com mais velocidade em
cidades de regiões metropolitanas, isso ocorre porque lá há "propostas
articuladas pelo setor público ou privado", e não
por migração de projetos.
Para o presidente da Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação)
da Prefeitura de São Paulo, Ricardo Pereira Leite, as outras
cidades da Grande SP têm mais facilidade para tocar projetos
do tipo porque "têm mais terrenos". "São
mais longe [do centro urbano] e são mais baratos", afirma.
Segundo ele, a saída para municípios como São
Paulo, que estão com o espaço físico quase todo
ocupado, é tornar as construções mais "verticalizadas".
Hoje, os prédios de moradia popular costumam ser configurados
para cinco pavimentos. O ideal, diz, é projetar mais unidades
em um mesmo terreno. " A forma que a gente vai ter para gerar áreas
em São Paulo é verticalizar mais", afirma ele.
Sem escritura
Brasília é outra grande cidade que ainda não teve
nenhuma unidade contratada. O governo do DF diz que o problema ocorria
por conta de uma exigência da Caixa Econômica Federal,
que opera o programa, de entrega imediata da escritura ao beneficiário.
Uma lei local, já alterada, determinava que o documento só fosse
emitido após dez anos de ocupação, como forma
de evitar irregularidades.
Em Florianópolis, segundo a Secretaria da Habitação,
uma dificuldade é a resistência de moradores de áreas
vizinhas às destinadas à habitação popular
a aceitar o projeto. A discussão de alteração
na lei acaba virando um "jogo de forças" entre as
comunidades, diz a prefeitura.
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Folha de S.Paulo, 7 de março de
2010
Trabalhadores ganham mais
benefícios
Com a retomada econômica,
sindicatos ampliam reivindicações e obtêm
direitos como cesta básica e plano de saúde
Avanço ocorre sobretudo nos setores mais
dinâmicos, como a construção civil, que tem demanda
aquecida e escassez de profissionais
VERENA FORNETTI
DA REDAÇÃO
Passada a crise econômica, os trabalhadores têm conseguido
ampliar os benefícios obtidos nas negociações
com os empregadores. Sindicatos que fizeram acordo coletivo no final
do ano passado ou no início deste ano melhoraram itens como
auxílio-creche e vale-alimentação, reduziram
a fatia descontada do salário para o vale-transporte e, em
alguns casos, pela primeira vez, asseguraram cesta básica
e plano de saúde.
O avanço ocorre principalmente nos segmentos da economia que
estão mais dinâmicos, como a construção
civil, impulsionada pelas obras de infraestrutura, pela recuperação
do crédito e pelo programa habitacional do governo. Em algumas
cidades, com a demanda por pedreiros, carpinteiros e ferreiros em alta
e a escassez de profissionais para preencher as vagas disponíveis,
os sindicalistas afirmam que ficou bem mais fácil negociar.
" Com a chegada das grandes construtoras para as obras das hidrelétricas
do rio Madeira, conseguimos aumentar os benefícios. E, depois disso, mesmo
as empresas da cidade que não fazem parte da obra tiveram que conceder
benefícios para não perder os trabalhadores", afirma Clébio
Roberto Lobato, assessor-executivo do sindicato dos trabalhadores da construção
civil de Porto Velho, em Rondônia.
No ano passado, pela primeira vez, o sindicato garantiu cesta básica
e plano de saúde para os trabalhadores da construção
pesada. O sindicato também melhorou as condições
do plano de saúde oferecido aos trabalhadores da construção
leve. Em Salvador e na Bahia, os trabalhadores da construção
pesada conseguiram a inclusão do plano de saúde em acordo
coletivo.
José Silvestre de Oliveira, coordenador de relações
sindicais do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos), afirma que a pauta de reivindicações
dos sindicatos se diversificou nos anos 2000, incluindo de distribuição
de protetor solar para trabalhadores que atuam em ambientes externos
a políticas específicas para mulheres e negros. Silvestre
destaca que os trabalhadores ganharam poder de barganha com o crescimento
econômico do país, a partir de 2004.
Durante a crise, porém, a discussão dessas chamadas cláusulas
sociais se estagnou. "Em 2009, negociamos no auge da crise e não
conseguimos nada de cláusula social", diz Romildo Miranda,
do sindicato dos comerciários de Fortaleza. A retomada da economia
ajudou as negociações dos empregados da indústria
de calçados. Paulo Ribeiro, do sindicato de Franca (SP), fechou
no mês passado acordo com pequenas empresas para reduzir o tempo
do contrato de experiência.
Organização sindical
O número e a diversidade de benefícios nas convenções
coletivas estão relacionados a quão antigo e forte é o
sindicato da categoria. Os que representam os metalúrgicos,
por exemplo, incluem cláusulas sociais na negociação
pelo menos desde os anos 60. Miguel Torres, do Sindicato dos Metalúrgicos
de São Paulo, lembra que em 1961 os metalúrgicos paulistas
fizeram greve pelo então abono de Natal, que depois foi estendido
a todos no país na forma de 13º salário.
Desde o fim do ano passado, mesmo metalúrgicos que já têm
diversos benefícios garantidos em convenção coletiva
conseguiram melhorar algumas cláusulas. Entretanto, em algumas
regiões ainda há categorias com dificuldades de negociar
tanto a melhora dos benefícios sociais quanto reajustes salariais.
Em Ipatinga (MG), o sindicato que representa os metalúrgicos
da Usiminas tenta acordo desde novembro.
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Folha de S.Paulo, 7 de
março de 2010
Sindicatos ampliam ganho
acima da inflação neste ano
DA REDAÇÃO
Sindicatos que no início de 2009 tiveram dificuldades para
obter reajustes salariais acima da inflação aumentaram
os ganhos neste ano. Sindicalistas afirmam que, na época, os
empresários estavam relutantes em negociar, por medo da recessão
que estava por vir. Poucos sindicatos fecham acordo nos meses de janeiro
e fevereiro, mas muitos dos que já assinaram a convenção
obtiveram resultados favoráveis.
No primeiro semestre do ano passado, em cerca de metade das negociações
os sindicatos só conseguiram aumentos reais de até 1%,
segundo o Dieese. O sindicato que representa trabalhadores da indústria
de alimentação do Rio Grande do Sul, por exemplo, que
em janeiro do ano passado só repôs a inflação
no acordo coletivo, em 2010 obteve 1,39% de aumento real para os funcionários
da indústria de rações que ganham o piso e cerca
de 2% para os que ganham acima do valor base.
Na Bahia, o sindicato dos trabalhadores da construção
civil fechou, em janeiro, aumento real de 6,65% para quem ganha o piso
salarial e de 3,65% para os que recebem acima disso. O reajuste vale
para trabalhadores do Estado, com exceção de Camaçari,
cidade onde a negociação está em curso. Em 2009,
o ganho real foi de cerca de 2%.
Mesmo algumas das categorias que negociaram os reajustes salariais
no final do ano passado aumentaram os ganhos com a melhora nas perspectivas
para a economia do país.
Em novembro, o sindicato dos trabalhadores da indústria têxtil
de São Paulo conquistou 2,1% de aumento acima da inflação.
Na data-base de 2008, o reajuste real foi de 1,7%. Os trabalhadores
na indústria paulista do vidro também elevaram o ganho
real. Em dezembro de 2009, conseguiram 1,72% acima da inflação,
ante aumento real de 1,30% no ano anterior.
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