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Dieese, 9 de março de 2010
Carestia eleva valor do salário
mínimo necessário a R$ 2 mil
A carestia elevou a jornada necessária para o trabalhador que
recebe o mínimo adquirir uma cesta básica de 86 horas
e 48 minutos em janeiro para 88 horas e 52 minutos em fevereiro, segundo
dados da PNCB
Dezesseis capitais brasileiras
registraram, em fevereiro, alta no preço dos gêneros alimentícios
essenciais, de acordo com dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica
divulgados nesta segunda-feira (8).
O valor do salário mínimo
no Brasil deveria subir a R$ 2 mil para contemplar as despesas previstas
na Constituição, de acordo com estimativas feitas pelo
Dieese com base na evolução do custo da cesta básica.
A pesquisa é realizada
mensalmente pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos). Apenas em Goiânia houve queda,
de 4,55%. Os aumentos mais significativos ocorreram em Recife (6,84%),
Salvador (6,71%), Belo Horizonte (5,26%) e João Pessoa (4,25%).
Pequenas variações ocorreram em Belém (0,15%),
Aracaju (0,26%), Fortaleza (0,59%) e Porto Alegre (0,81%).
A carestia elevou a jornada
necessária para o trabalhador que recebe o mínimo adquirir
uma cesta básica de 86 horas e 48 minutos em janeiro para 88
horas e 52 minutos em fevereiro.
A mais cara
Apesar do pequeno aumento registrado em fevereiro, a cesta básica
mais cara foi encontrada em Porto Alegre (R$ 238,46). O segundo maior
valor ocorreu em São Paulo (R$ 229,64), sendo seguido por Vitória
(R$ 224,74), Manaus (R$ 223,90) e Rio de Janeiro (R$ 221,80). Os menores
custos foram apurados em Aracaju (R$ 169,57), Fortaleza (R$ 176,89)
e João Pessoa (R$ 179,28).
Com base no valor da cesta observado
em Porto Alegre, e levando em consideração a determinação
constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria
suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação,
moradia, saúde, educação, vestuário, higiene,
transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o
valor do salário mínimo necessário.
Para fevereiro, o menor salário
deveria corresponder a R$ 2.003,30, o que corresponde a 3,92 vezes o
piso vigente (R$ 510), um pouco mais do que o registrado para janeiro,
que ficava em R$ 1. 987,26, ou 3,90 vezes o mínimo. Em fevereiro
de 2008, o mínimo necessário era de R$ 2.075,55, o que
representava 4,46 vezes o piso de então (R$ 465).
Décadas de arrocho salarial
fizeram o mínimo recuar para um valor bem aquém do que
foi estabelecido na Constituição. O salário mínimo
passou a ser valorizado no Governo Lula, que encaminhou ao Congresso
Nacional, a pedido das centrais sindicais, um projeto de lei que prevê
aumentos reais sucessivos até 2023 com base no crescimento do
PIB, de forma a aproximar o seu valor real às determinações
da Constituição promulgada em 1988.
Acumulado no ano
Nos dois primeiros meses deste ano, o custo da cesta básica subiu
em 14 das 17 cidades pesquisadas. As maiores variações
acumuladas foram anotadas em Salvador (8,24%), Recife (7,45%) e João
Pessoa (5,07%). As três localidades onde o preço da cesta
caiu foram: Brasília (-2,40%), Goiânia (-0,14%) e Fortaleza
(-0,04%).
Em comparação
com fevereiro de 2009, 13 capitais registraram queda no custo da cesta,
com destaque para Goiânia (-9,70%), Brasília (-6,16%),
Aracaju (-5,96%) e Curitiba (-5,59%). Recife (2,31%), Belém (1,64%)
e Salvador (0,59%) apresentaram aumento. Em João Pessoa, a variação
foi nula.
Cesta e jornada
Com a predominância de aumento no custo da cesta básica
- parte deles bastante elevada - a jornada de trabalho necessária
na média das 17 capitais para a compra da cesta básica
pelo trabalhador remunerado pelo salário mínimo subiu
de 86 horas e 48 minutos, em janeiro, para 88 horas e 52 minutos, em
fevereiro. Há um ano, o tempo de trabalho necessário chegava
a 100 horas e 21 minutos.
Estas diferenças também
aparecem quando se considera o percentual do salário mínimo
líquido - após o desconto da parcela correspondente à
Previdência - comprometido com a aquisição dos produtos
básicos.
Em fevereiro, a compra da cesta
demandava 43,91% do valor líquido recebido pelo trabalhador,
enquanto em janeiro exigia 42,88%. Em comparação com fevereiro
de 2009, a diferença é maior, já que naquele mês
era comprometida praticamente a metade (49,58%) do rendimento.
Alimentos mais caros
Os preços dos produtos da cesta básica apresentaram variação
mensal positiva generalizada, e apenas três itens tiveram retração
na maior parte das capitais pesquisadas.
O arroz encareceu em 15 localidades,
e as principais elevações ocorreram em Vitória
(6,90%), Florianópolis (6,19%), João Pessoa (5,85%), Rio
de Janeiro (5,81%) e Salvador (5,26%). Em Goiânia não houve
alteração de preço e apenas em Belém foi
anotada retração (-0,56%).
Em 12 meses, o arroz ficou mais
barato em 13 cidades, com destaque para Aracaju (-26,61%), Belém
(-18,63%), Goiânia (-12,75%) e Vitória (-11,43%). Os aumentos
foram apurados em São Paulo (8,16%), Porto Alegre (2,01%), Rio
de Janeiro (0,79%) e Belo Horizonte (0,49%).
Apesar de o produto estar em
período de safra, a alta mensal foi decorrência de fatores
climáticos em várias regiões, com chuvas que alagaram
áreas de plantio e escoamento prejudicado por falta de estradas
em condições de
tráfego.
Também em 15 capitais
foi verificada alta no açúcar, com os maiores aumentos
apurados em Aracaju (17,98%), Rio de Janeiro (15,84%), Manaus (15,76%),
Curitiba (14,51%) e Florianópolis (14,47%). Em Fortaleza (-2,34%)
e Brasília (-2,12%), os preços caíram.
Em comparação
com fevereiro de 2009, o açúcar ficou mais caro em todas
as 17 regiões pesquisadas, com taxas extraordinárias,
variando entre 25,56%, em Fortaleza e 79,33%, em Florianópolis.
A crise financeira chegou a
propiciar a redução dos preços devido à
queda nas exportações. No entanto, agora com o aumento
das vendas para o exterior, os produtores voltaram a praticar preços
mais elevados. O tomate, com alta em 14 capitais, tem seu preço
regulado pelo clima. A diminuição das chuvas e aumento
do calor provocou o amadurecimento mais rápido, com perdas na
colheita e no armazenamento agravadas pelas más condições
das estradas, e redução da oferta.
As maiores elevações
foram observadas em Recife (53,08%), Belo Horizonte (43,50%), Vitória
(39,77%) e Rio de Janeiro (39,34%). As três capitais onde os preços
caíram foram Goiânia (-6,06%), Belém (-4,24%) e
Fortaleza (-1,37%). Em comparação com fevereiro do ano
passado, os aumentos atingiram 12 regiões, mas com taxas menores.
Os aumentos mais significativos
ocorreram em Vitória (41,38%), Salvador (27,94%) e Recife (23,60%).
Entre as cidades onde houve recuo sobressaíram-se Aracaju (-25,81%)
e Goiânia (-19,69%). O leite (assim como seu derivado, a manteiga)
encareceu em 12 localidades.
Nos últimos 12 meses,
o leite teve aumento em 11 capitais, principalmente em Vitória
(26,26%), Porto Alegre (21,88%), e Florianópolis (15,05%). Seis
outras regiões apresentaram recuo nos preços, com as maiores
taxas em Belém (-8,60%) e Recife (-6,60%).
Há um ano, o leite teve
forte alta, que não se sustentou, pois foi contestado pela população.
Atualmente o aumento está novamente sendo provocado, sem, no
entanto haver justificativa, uma vez que é época de safra
e as pastagens estão em boas condições.
Após sucessivas quedas,
o feijão teve alta em 10 capitais, em especial em Porto Alegre
(10,64%) e Belém (4,88%). Na comparação anual,
o produto barateou em todas as cidades, com variações
entre -18,60%, em Belém e -49,39% em Florianópolis e -49,88%,
em Vitória. A queda de produção do feijão,
em 2008, fez com que seu preço tivesse forte alta.
A safra seguinte foi boa e a
grande oferta derrubou os preços do produto. Em fevereiro começou
a entrar no mercado uma nova safra com preço elevado, mas ainda
há feijão mais barato no comércio.
Dez cidades registraram alta
no preço da carne, mas com taxas relativamente pequenas, como
ocorreu em João Pessoa (1,87%) e Natal (1,60%). As oscilações
no preço da carne resultaram de grande oferta, já que
as pastagens têm condições de manter o gado pronto
para o abate, atendendo ao mercado interno mesmo com bom volume sendo
exportado.
O óleo de soja foi o
produto que mais se destacou dentre os que tiveram predomíniode
queda nos preços em fevereiro, com retração em
14 localidades, as principais apuradas em Salvador (-7,06%) e João
Pessoa (-6,57%). Os aumentos ocorreram em Fortaleza (1,40%), Aracaju
(0,78%) e Manaus (0,38%). Também em 12 meses, o óleo de
soja teve recuo de preço em 14 cidades, em especial em João
Pessoa (-8,16%) e Salvador (-8,14%).
São Paulo
São Paulo registrou, em fevereiro, o segundo maior valor para
a cesta básica entre as 17 capitais acompanhadas pelo Dieese,
com o conjunto de 13 produtos alimentícios essenciais custando
R$ 229,64.
Este valor representou uma alta
de 2,05%, em relação a janeiro. Nos dois primeiros meses
do ano, na capital paulista, o custo dos produtos básicos subiu
0,64% e em relação a fevereiro de 2009 houve um recuo
de 3,24%.
Dos 13 produtos que compõem
a cesta básica pesquisada em São Paulo, sete tiveram aumento,
dois permaneceram estáveis e quatro caíram. As altas foram
apuradas para o tomate (17,03%); açúcar refinado (10,20%);
arroz agulhinha tipo 1 (4,95%); manteiga (2,03%); leite in natura integral
(1,50%); carne bovina de primeira (0,48%) e café
em pó (0,32%). Para a banana nanica e o pão francês,
os preços permaneceram estáveis.
Os recuos ocorreram nos preços
de óleo de soja (-2,52%); batata (-2,42%); feijão carioquinha
(-2,17%) e farinha de trigo (-0,38%).
Em comparação
com fevereiro de 2009, oito itens apresentaram variação
negativa: feijão (-42,79%), café (-19,01%), farinha de
trigo (-18,75%), banana (-13,84%), manteiga (-8,02%), óleo de
soja (-6,45%), pão (-3,02%) e carne (-2,69%). Os outros cinco
produtos subiram: açúcar (58,82%), batata (19,80%), tomate
(11,20%), leite (10,14%) e arroz (8,16%).
O trabalhador paulistano que
ganha salário mínimo comprometeu, em fevereiro, 99 oras
e 04 minutos na aquisição dos produtos alimentícios
essenciais. Em janeiro, a mesma compra necessitava o cumprimento de
uma jornada de 97 horas e 04 minutos, enquanto há um ano era
preciso trabalhar 112 horas e 17 minutos para adquirir os mesmos itens.
A mesma situação
é observada quando se leva em conta o valor do salário
mínimo líquido - após o desconto da parcela referente
à Previdência Social. Em fevereiro, a compra da cesta comprometia
48,94% do rendimento líquido, enquanto em janeiro eram necessários
47,96% do valor recebido pelo trabalhador. Em fevereiro de 2008 a compra
demandava 55,48% do salário líquido.
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de março de 2010 | Economia
Lula: prioridade é recuperar o
salário mínimo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que é
possível melhorar o ganho dos aposentados na medida em que a
receita da Previdência Social cresça. Em entrevista hoje
a uma rádio evangélica no Rio, a Melodia FM, o presidente
disse que "vai crescer a oferta de emprego e, certamente, a Previdência
vai ter mais dinheiro".
Uma parte desse acréscimo
de receita pode ser usado para ampliar os benefícios aos aposentados,
"até para que eles participem do crescimento do PIB brasileiro",
disse. No entanto, Lula também afirmou que o governo fez a "opção
primeira" de recuperar o salário mínimo.
Ele lembrou que em seu governo
o salário mínimo já subiu 68%."E vamos continuar
aumentando, porque na nossa proposta, até 2023, o salário
mínimo vai aumentando acima da inflação e vai aumentando,
também, combinado com o crescimento do PIB", disse o presidente.
A proposta de crescimento real
do salário mínimo até 2023 consta da Medida Provisória
474, de 23 dezembro, que está para ser votada pelo plenário
da Câmara dos Deputados. Os aposentados que ganham salário
mínimo aproveitariam esse crescimento. "E obviamente que
quando nós chegarmos a um nível de boa recuperação
do salário mínimo, (...) estão criadas as condições
para começar a recuperar e aumentar o salário dos aposentados",
afirmou o presidente, referindo-se aos que ganham mais de um salário
mínimo. Lula comparou que "só se pode dar para o
filho aquilo que a gente pode dar". Completou que "se a gente
não tiver dinheiro, não vai dar".
Fator previdenciário
Lula afirmou ainda que quer
"fazer um ajuste no fator previdenciário". O fator
previdenciário é um mecanismo que busca estimular o adiamento
da aposentadoria ao aumentar o porcentual do salário na ativa
que corresponderia ao benefício previdenciário, se o trabalhador
continuar em atividade por mais anos.
"O movimento sindical quer
que a gente acabe com o fator previdenciário. É preciso
saber se a gente vai ter condições políticas e
financeiras para acabar com isso. Mas, de qualquer forma, nós
achamos que tem sentido parte das reclamações dos trabalhadores",
disse.
Há em tramitação
no Congresso projeto de lei para acabar com o fator previdenciário,
de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). Paim também pretende
estender aos aposentados os reajustes do salário mínimo.
O fator previdenciário
foi criado durante o governo Fernando Henrique Cardoso para conter o
déficit de longo prazo na Previdência. De acordo com Lula,
o déficit da Previdência está diminuindo e não
deve ser considerado como tal.
"Se você hoje
pegar o que pagam os trabalhadores todos, e o que eles recebem, empata,
não há déficit. Mas quando você analisa tudo
aquilo que nós colocamos na Constituição; pagamento
para portador de deficiência física que não tem
renda; para o idoso; para os trabalhadores rurais, aí aparece
um déficit de R$ 45 bilhões, o que não é
déficit. Aquilo foi uma decisão do Estado brasileiro,
de fazer uma política de seguridade para o povo mais pobre",
afirmou.
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de março de 2010 | Economia
Mercado de trabalho se mostra aquecido
em 2010
Flávio Laginski
O ano de 2010 promete ser bom para quem está a procura de um
emprego no Paraná. As 252 Agências do Trabalhador do estado
registravam 14,1 mil oportunidades de trabalho. O motivo para euforia
é a retomada da economia brasileira, que está gerando
um crescimento no número de vagas.
De acordo com o diretor-geral
da Agência do Trabalhador, Fernando Peters, a tendência
é que este ano supere o número de pessoas colocadas no
ano passado.
“Mesmo com a crise, foram
preenchidas 160 mil vagas de emprego, fazendo da Agência do Trabalhador
do Paraná como a principal do país, superando, inclusive,
o estado de São Paulo, que fechou em 145 mil. Em janeiro e fevereiro
de 2010, já colocamos 26.171 profissionais, índice superior
ao do mesmo período em 2009, quando tivemos 22.064. Acreditamos
que se não tivermos nenhum percalço, fecharemos o ano
em 180 mil colocações no mercado de trabalho”, afirma.
O diretor-geral conta que houve
um aumento no número de vagas para operador de telemarketing,
serviços gerais e na construção civil. “No
caso para operador de telemarketing, as vagas não exigem experiência,
o que pode ser interessante para quem está atrás do primeiro
emprego. Para quem tem experiência em trabalho industrial, esse
ramo está bom. Uma única empresa em Curitiba deve entrevistar
e contratar 100 pessoas”, informa.
Ele alerta porém para
que as pessoas busquem sempre por qualificação. “Ficar
parado pode ser prejudicial ao candidato. É interessante que
ele busque tanto uma atualização nos conhecimentos profissionais
quanto nos escolares”, diz.
Peters conta que as vagas não
são apenas para Curitiba e região metropolitana. Ele garante
que há uma grande oferta de trabalho para quem mora no interior.
“Em Londrina há bastante vagas para serviços gerais,
em Maringá tem boas oportunidades no ramo de confecção
e enfermagem, em Umuarama há quase 250 vagas para trabalhar em
plantações de cana-de-açúcar e usinas de
álcool”.
Para fazer o cadastro, a pessoa
deve procurar uma agência mais próxima com sua carteira
de trabalho, identidade e CPF ou então por meio do site www.setp.pr.gov.br.
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de março de 2010 | Economia
Salário médio da mulher
é 27,7% inferior ao do homem
Mesmo com indicadores de escolaridade superiores aos apresentados pelo
sexo masculino, as mulheres ganham salários 27,7% inferiores
aos dos homens, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). O estudo divulgado hoje, para marcar o
Dia Internacional da Mulher, registrou que a diferença entre
os rendimentos é ainda maior entre trabalhadores de maior escolaridade.
Os dados, baseados na Pesquisa
Mensal do Emprego (PME) de 2009, mostram que a média salarial
das mulheres representa 72,3% da média dos homens. No caso de
trabalhadores com nível superior, no entanto, há uma discrepância
maior. No comércio, mulheres que concluíram cursos em
universidades ganham, em média, R$ 2.066 por mês - o equivalente
a 55,6% dos R$ 3.720 recebidos pelos homens com a mesma escolaridade.
O cenário é o mesmo para as profissionais de outros segmentos,
como construção (59,8% da média salarial dos homens),
indústria (60,9%) e administração pública
(62,6%).
Segundo o pesquisador Cimar
Azeredo, do IBGE, os números são um reflexo da atuação
de homens e mulheres em diferentes funções no mercado
de trabalho. "No setor de saúde, por exemplo, há
muitas mulheres trabalhando como enfermeiras e muito homens trabalhando
como médicos - profissão que dá um retorno financeiro
maior. Da mesma maneira, há muitas mulheres trabalhando como
professoras do ensino básico e muitos homens, como professores
universitários", explica. "Ainda há carreiras
em que mulher não está muito presente."
Considerando-se os trabalhadores
de todas as escolaridades e grupos de atividades, a diferença
entre as médias de rendimento de cada sexo apresentou apenas
uma leve queda entre 2003 e 2009, passando de 29,2% para 27,7%.
Em relação
à qualificação dos profissionais, o IBGE constatou
um aumento da escolaridade dos trabalhadores dos dois sexos, com vantagem
para as mulheres. No ano passado, 61,2% delas tinham, ao menos, o ensino
médio completo, contra 53,2% dos homens. A parcela de mulheres
no mercado de trabalho com nível superior era de 19,6%, superior
à dos homens (14,2%). "A mulher tem mais escolaridade do
que o homem por uma questão cultural. O homem sai mais cedo de
casa para trabalhar e a mulher tem a chance de estudar mais", afirma
Azeredo.
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Gazeta
do Povo, 9 de março de 2010
Trabalho
Afazeres do lar atrapalham o avanço
profissional das mulheres
Apesar das conquistas recentes, elas ainda dedicam
2,5 vezes mais tempo do que os homens em serviços domésticos
As mulheres estão ocupando
cada vez mais postos no mercado de trabalho, mas ao mesmo tempo ainda
são as maiores responsáveis pelos serviços domésticos.
Em média, elas dedicam quase 24 horas semanais aos afazeres da
casa – os homens, apenas 9,7 horas. Esse fenômeno, de acordo
com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), atrapalha
a ascensão das mulheres no mercado de trabalho.
A contradição
entre o crescente protagonismo feminino na economia e as atividades
do lar têm influência negativa na remuneração
média: mesmo com indicadores de escolaridade superiores aos do
sexo masculino, as mulheres ganham salários 27,7% inferiores,
segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Outro exemplo da desigualdade dos gêneros é que
as mulheres também estão mais inseridas em ocupações
consideradas precárias, de baixa remuneração: em
2008, 42,1% tinham esse tipo de emprego, frente 26% dos homens.
As mulheres são maioria
em dois dos três grupos sociais mais ricos da população,
diz um estudo da Serasa Experian
De acordo com a coordenadora
de igualdade e gênero do Ipea, Natália Fontoura, o crescimento
no número de profissionais liberais mais escolarizadas não
necessariamente muda o cenário – porque elas delegam as
responsabilidades da casa a outras mulheres, as empregadas domésticas.
“Isso cria um encadeamento perverso de mulheres ligadas a atribuições
que deveriam ser de todos”, diz.
O pesquisador Cimar Azeredo,
do IBGE, afirma que os números são um reflexo da atuação
de homens e mulheres em um mercado de trabalho de funções
heterogêneas. “No setor de saúde, por exemplo, há
muitas mulheres trabalhando como enfermeiras e muitos homens trabalhando
como médicos – profissão que dá um retorno
financeiro maior. Da mesma maneira, há muitas mulheres trabalhando
como professoras do ensino básico e muitos homens, como professores
universitários”, diz. “Ainda há carreiras
em que a mulher não está muito presente.”
Ascensão
Empregos que tradicionalmente
eram exclusivos de homens, no entanto, começaram a ser ocupados
por mulheres. É o caso da publicitária Maysa Simões,
que há quase dois anos trabalha como diretora de comunicação
e marketing da Associação Paranaense de Cultura (APC).
Com 13 anos de atuação executiva no currículo,
ela se tornou a primeira mulher em um cargo diretivo da entidade, principal
mantenedora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
(PUC-PR). “Faço parte de uma geração que
tem perspectivas de conquista, que não abre mão do trabalho,
mas também não quer abrir mão da educação
dos filhos”, diz. Quem perde espaço nessa disputa, então,
é o lazer. “A parte do descanso, ligado à criatividade,
sem dúvida está sendo suprimida.”

Gestão
Sexo feminino está à
frente de 11% das empresas
Menos de 5% das empresas do mundo são presididas por mulheres.
No Brasil, entretanto, a participação delas no comando
de companhias é maior: 11%. Os dados são do Relatório
de Desigualdade Corporativa entre os Gêneros, do Fórum
Econômico Mundial, que realizou o levantamento a partir de entrevistas
em 600 das maiores empresas de 16 atividades em 20 países. O
documento mostra que Finlândia (13%) e Noruega (12%) são
as nações com a maior proporção de executivas-chefes.
Além disso, em 11 dos países pesquisados – Bélgica,
Canadá, EUA, França, Reino Unido, Grécia, Índia,
México, Holanda, República Tcheca e Suíça
– nenhuma das empresas pesquisadas são chefiadas por mulheres.
O estudo também confirma ainda que mulheres tendem a se concentrar
nos cargos iniciais ou médios.
As melhores líderes
Outra pesquisa divulgada ontem
indica que as mulheres estão em 36% dos postos de liderança
das 100 empresas do ranking Melhores Empresas para Trabalhar, realizado
pela empresa de consultoria Great Place to Work. Em 1997, apenas 11%
dos cargos de liderança eram ocupados por mulheres, de acordo
com a pesquisa. Entre as companhias nacionais lideradas por elas, inclusive
na presidência, estão Brasilata, Byofórmula, Cultura
Inglesa, Ericsson, Instituto Itaú Cultural, Laboratório
Sabin, Magazine Luiza, Prezunic, Quintiles Brasil e Zanzini Móveis.(AL,
com agências)
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Gazeta do Povo, 9 de março
de 2010
Elas são maioria nas classes
mais ricas
As mulheres são maioria em dois dos três grupos sociais
mais ricos da população, diz um estudo da Serasa Experian
divulgado ontem. O trabalho define as classes sociais em dez grupos
(de A a J), subdivididos em 39 segmentos. Elas têm maior peso
numérico nos grupos B e C (moradores urbanos prósperos
e assalariados urbanos), enquanto a camada A, de maior renda (formada
por ricos, sofisticados e influentes), os homens ainda são maioria.
Nos grupos ricos e prósperos
(fatias A e B), as mulheres são 4,9 milhões e os homens,
4,7 milhões. “Os dados revelam que a mulher não
é apenas rica porque vive numa família com boas condições
financeiras, mas sim porque é agente econômica desse clã”,
afirmou o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro.
Investidoras
Além de dominarem boa
parte dos segmentos sociais mais ricos, o público feminino também
está ampliando a participação no mercado de investimentos.
O volume total ainda não é muito significativo, no entanto
a participação de mulheres na BM&FBovespa cresceu
quase 10% em 2009. Em janeiro de 2010, as mulheres corresponderam a
24,54% dos investidores individuais, ante 22,39% no mesmo período
do ano anterior. Em números absolutos, são 136,6 mil investidoras
ativas frente ao total de 556,8 mil.
Na Expo Money, evento de educação
financeira e formação de investidores da América
Latina, a participação desse público também
tem crescido – em 2004, elas representavam 15% dos inscritos,
enquanto em 2009 passaram a corresponder a 35% do público nas
dez capitais onde ocorre o evento.
De acordo com consultora financeira
Sandra Blanco, autora do título A Bolsa para Mulheres (Coleção
Expo Money/Campus-Elsevier), apesar de ainda preferirem a segurança
da poupança, agora as mulheres já buscam mais equilíbrio
entre rentabilidade e segurança. “A mulher entendeu que
é preciso correr mais risco para conseguir maior rentabilidade”,
afirma. (AL, com agências).
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AGÊNCIA BRASIL, 09
de março de 2010
CNI divulga Sondagem da Construção
Civil
Enviado por Graça Adjuto,
Da Agência Brasil
Brasília - A Confederação
Nacional da Indústria (CNI) divulga hoje (9), às 10h,
a Sondagem da Construção Civil de janeiro.
A pesquisa contém dados
do nível de atividade na construção civil e as
expectativas do empresariado para os próximos seis meses sobre
o desempenho do setor, as compras de matéria-prima e novos empreendimentos.
O gerente executivo da
Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, estará disponível
por telefone para esclarecimentos adicionais sobre a sondagem a partir
das 10h30.
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G1, 09 de março de
2010 | Economia
Construção civil
defende revisão na metodologia do PIB
Do Valor OnLine
BRASÍLIA - O setor da construção civil deve crescer
cerca de 9% em 2010, ante 8,1% em 2008 e depois de uma variação
negativa esperada para 2009. O presidente da Câmara Brasileira
da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady
Simão, defende uma revisão na metodologia do PIB, "
para captação da expansão correta do setor "
.
Simão disse que no próximo
dia 11, ao divulgar o Produto Interno Bruto (PIB) de 2009, o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve anunciar crescimento
negativo entre 3% e 4% para a construção civil.
" Nas nossas contas, seria
positivo em, no mínimo, 2% " , comentou ele. " Não
é que o cálculo esteja errado, mas há aí
uma distorção " , continuou ele, informando que essa
semana conversou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sugerindo
uma revisão de metodologia do IBGE para captar a contribuição
do setor à economia do país.
Simão disse que, na metodologia
atual, o IBGE foca apenas a produção de materiais, e não
o valor que se agrega à construção de imóveis,
como a mão de obra, por exemplo.
No caso dos números de
2009, a crise internacional obrigou muitas empresas a esgotar os insumos
que tinham em estoque. E a falta de aumento nessa variável levaria
o IBGE a divulgar um número negativo, segundo a Cbic. Simão
disse que o ministro Mantega autorizou negociações do
setor com o IBGE.
O presidente da Cbic falou ainda
sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2
que o governo Lula deve lançar até o fim do mês.
Um dos destaques do PAC 2 é a expansão do programa habitacional
de baixa renda, " Minha Casa, Minha vida " .
Para Simão, o governo
está usando esse programa como bandeira eleitoral: " Seria
ingênuo não pensar que é. Mas qualquer governo usaria
" , afirmou ele.
O presidente da Cbic disse também
que o governo deve usar o PAC 2 para corrigir erros do PAC original,
e avançar nas obras de infraestrutura de projetos importantes,
como a Copa do Mundo de Futebol 2014 e as Olimpíadas.
E chamou a atenção
para a necessidade de estruturação conjunta do setor público
com o setor privado, das estatais responsáveis por obras de saneamento
básico. " O país está matando criancinhas
todo dia por falta de saneamento básico " , criticou Simão.
(Azelma
Rodrigues | Valor)
|
Gazeta do Povo, 9 de março
de 2010
Polêmica
Com apoio do Planalto, base articula legalização
dos bingos
Líderes decidem hoje se colocam projeto
que libera os jogos de azar entre as prioridades da Câmara. Proposta
tem apoio da maioria dos governistas
Brasília - Três
anos após o fechamento das últimas casas de jogos no país,
a Câmara dos Deputados articula a retomada neste semestre da votação
da proposta que legaliza os bingos, videobingos e videoloterias no Brasil.
A decisão de levar o Projeto de Lei 2.257/07 ao plenário
pode ser tomada hoje, quando os líderes partidários se
reúnem para decidir as prioridades para os próximos meses.
A matéria conta com o apoio da maioria da base governista.
Na semana passada, o líder
do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-RS), defendeu o texto
e disse que pretendia convencer mais colegas a aprová-lo. Em
fevereiro, o líder do PMDB, Henrique Alves (RN), já havia
defendido que a Casa não poderia evitar o tema, por mais polêmica
que ele envolva. Nos bastidores, o principal obstáculo para o
reinício da discussão é a falta de consenso sobre
o impacto eleitoral da matéria.
“Os deputados que
são contra estão diminuindo porque o projeto está
bem redondo”, diz o relator da proposta, Régis de Oliveira
(PSC-SP). Na última etapa de tramitação, em setembro
de 2009, o texto foi aprovado por 40 votos a 7 na Comissão de
Constituição e Justiça
(CCJ). Os votos contrários foram liderados pelos petistas Antonio
Carlos Biscaia (RJ) e José Eduardo Cardozo (SP)
e por setores da bancada evangélica.
“Há certa pressão,
principalmente por parte dos religiosos, mas se os líderes decidirem
colocar em pauta, o texto vai ser aprovado. E eu diria que até
bem facilmente”, ressalta Oliveira. Entre outras regras, o projeto
prevê uma série de restrições às novas
casas de jogo. Proíbe, por exemplo, a criação de
estabelecimentos a uma distância inferior a 500 metros de escolas
e igrejas. Além disso, assegura a cobrança de royalties
destinados a investimentos públicos em saúde, cultura,
esportes e segurança pública (leia mais no quadro ao lado).
A possibilidade de aumentar
a arrecadação de impostos criou simpatia à proposta
dentro do governo. A expectativa é de que o volume de tributos
pagos pelo setor chegue a R$ 6,5 bilhões ao ano. Além
disso, a Força Sindical (um dos padrinhos mais fortes do texto)
estima a criação de pelo menos 250 mil novos postos de
trabalho.
“Eu diria que o governo
não tem nada contra o projeto e até tem torcido discretamente
pela aprovação”, afirma o presidente
da Associação Brasileira de Bingos (Abrabin), Olavo Sales
de Oliveira. Ele próprio, entretanto, não acredita que
os líderes aceitarão colocar o tema em votação.
“Todo mundo é simpático à ideia, mas ninguém
assume a responsabilidade para si.”
Oliveira disse que outras propostas
prontas para serem apreciadas em plenário teriam mais impacto
no eleitorado, como a que amplia a licença-maternidade de 120
para 180 dias e a que aumenta o piso salarial dos policiais militares
para R$ 3,5 mil, que já começou a ser votada na semana
passada. Além disso, há o histórico de os bingos
serem ligados à lavagem de dinheiro.
Nessa linha, as críticas
mais duras ao projeto têm sido feitas pelo deputado José
Eduardo Cardozo. Segundo ele, só será possível
coibir a lavagem de dinheiro com a divulgação dos ganhadores
e respectivos números no Cadastro de Pessoas Físicas na
internet – dispositivo que não está contemplado
no texto. Apesar do posicionamento duro de Cardozo e de Biscaia, petistas
históricos como o deputado José Genoino (SP) tem engrossado
o grupo a favor da legalização.
Entre os deputados do PT que
mudaram recentemente de lado está o paranaense Dr. Rosinha. Ele
disse que a proposta mudou de figura a partir do momento em que ficou
definido que as apostas serão monitoradas diretamente pela Receita
Federal.
“Com todo esse controle,
não há porque votar contra. Aí acaba a lavanderia
de dinheiro, o incentivo à criminalidade”, explica Rosinha.

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Agência Brasil, 9
de março de 2010
Eleição de 2010 será
a mais feminina da história brasileira
As eleições gerais deste ano deverão ser marcadas
pela maior participação das mulheres nos resultados. Isso
porque o Brasil tem mais eleitoras do que eleitores, é provável
que haja maior número de candidatas do que nas últimas
eleições e a disputa ao cargo de presidente da República
tende a ter entre os principais candidatos duas mulheres com grande
visibilidade nacional.
Desde o início deste século, as mulheres se tornaram maioria
no eleitorado. No pleito municipal de 2008 havia quase 5 milhões
de eleitoras a mais do que eleitores, um percentual de quase 4% em favor
das mulheres, proporção que pode ser decisiva em disputas
acirradas. A maior participação das mulheres tem sido
observada desde as eleições parlamentares de 1974, ainda
à época do regime militar, quando também se verificou
o aumento da participação feminina no mercado de trabalho.
Essas dinâmicas, no entanto,
não favoreceram a eleição de mais mulheres. Se
elas hoje são maioria no eleitorado, estão sub-representadas
em todos os cargos eletivos. O Brasil tem apenas três governadoras,
dez senadoras, 45 deputadas federais, 106 deputadas estaduais, 505 prefeitas
e 6.512 vereadoras. O país ocupa o 142º lugar em representação
feminina, segundo a Inter-Parliamentary Union, atrás dos países
desenvolvidos, de quase todos os latino-americanos e de outras nações
de língua portuguesa como Angola e Moçambique.
O quadro de baixa representação
poderá, no entanto, começar a ser alterado a partir de
outubro, com uma ligeira mudança na legislação
eleitoral. A partir de agora, os partidos são obrigados a "preencher"
e não apenas a "reservar" 30% das candidaturas para
as mulheres.
"Mudar a semântica
pode fazer toda a diferença", diz Marlise Matos, chefe do
Departamento de Ciência Política da Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG). A professora espera que a obrigação
legal mude a cultura partidária. "As lideranças partidárias
costumavam dizer que não conseguiam completar as cotas porque
as mulheres não têm ambição política",
afirma.
"Nossas pesquisas comprovam
que é um argumento completamente falacioso. As mulheres participam
politicamente, elas são filiadas em maior número a partidos
políticos do que os homens e estão nas bases dos movimentos
sociais", diz a acadêmica.
O aumento do número de
candidatas pode levar à eleição de mais mulheres,
espera o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves,
professor titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas,
ligada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para ele, o aumento de candidatas e de eleitas vai "refletir o
emponderamento das mulheres".
Além de mais candidaturas
para todos os cargos em disputa, as eleições de 2010 chamam
a atenção pela provável presença de duas
mulheres entre os principais candidatos à Presidência da
República.
Na avaliação de
analistas, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) forçarão
a discussão em torno de assuntos que mobilizem mais as mulheres.
"Com duas candidatas, duas mulheres notórias, certamente
a questão de gênero estará mais presente no debate
eleitoral", diz Neuma Aguiar, professora de sociologia da UFMG.
"Os candidatos vão
ter que tocar nessa questão de gênero e como vão
ser formuladas as políticas para que haja melhoria na vida das
mulheres", afirma.
Para Antônio Lavareda, que preside uma empresa de consultoria
especializada em marketing político, as mulheres tendem a ter
um comportamento eleitoral pragmático. "São eleitoras
mais focadas em temas concretos e menos afetadas por temas de cunho
político e ideológico. Elas dão mais atenção
a assuntos como educação, saúde das crianças,
segurança pública, preço dos alimentos e custo
de vida porque estão às voltas com o abastecimento de
bens e serviços de sua casa", diz.
Segundo Lavareda, as mulheres
têm mais facilidade para mudar a intenção de voto
durante a campanha eleitoral ou esperar mais tempo para tomar a decisão.
"Parece que as mulheres votam com mais cuidado, observando e avaliando
mais e decidindo seu voto mais tardiamente", afirma.
Segundo pesquisa de opinião
do Instituto Datafolha, de 24 e 25 de fevereiro, o percentual de homens
indecisos quanto às candidaturas à Presidência da
República é de 15%, enquanto entre as mulheres é
de 23%.
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Valor Econômico, 9
de março de 2010
Tendência, no TSE, é aceitar
até debates sem restrições na internet
Por Juliano Basile,
Valor Econômico
Após ensaiar um rigor
com a campanha na internet, com a ameaça de tirar blogs e sites
do ar, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá adotar posição
mais liberal nas eleições deste ano.
Seguindo as determinações
da reforma eleitoral, aprovada no ano passado, os ministros deverão
reconhecer, de maneira geral, o ambiente de liberdade de opinião
na rede. Por outro lado, casos específicos de abusos deverão
levar à aplicação de multas. Na hipótese
de prática ostensiva de ofensas, o site pode, sim, ser retirado
do ar.
A venda de cadastros eletrônicos
de eleitores a partidos e candidatos está proibida. O envio de
mensagens eletrônicas para eleitores, que estava proibido em 2008,
foi autorizado. Mas o e-mail deve ser cancelado em 48 horas, sob pena
de multa de R$ 100,00 por mensagem remetida.
A regra geral, para os ministros,
é que a rede é um ambiente livre, mas sujeito a punições
em casos específicos de abusos.
Em 2008, o tribunal chegou a
discutir meios para regulamentar todo o ato de campanha na rede, e houve
a proposta de vetar a criação de comunidades de apoio
aos candidatos bem como o uso do You Tube e de links patrocinados por
candidatos e partidos.
Porém, naquela ocasião,
acabou prevalecendo o entendimento de que a campanha na internet deveria
ser, em tese, aberta, pois seria muito difícil verificar abusos
e aplicar punições. O tribunal acabou optando por não
especificar os casos de punição, na esperança de
o Congresso fazer essa tarefa com uma nova lei.
A lei aprovada, no ano passado,
acabou funcionando para dar aos ministros os parâmetros básicos
para que eles possam decidir a respeito de possíveis abusos de
campanha.
"A nova lei melhorou muito
a situação", afirmou o presidente do TSE, ministro
Carlos Ayres Britto. Ele sempre defendeu que o tribunal não crie
empecilhos para a campanha na rede por considerá-la um ambiente
aberto para todo o tipo de discussões.
Com a aprovação
da nova lei, a tendência é a de os ministros aceitarem
debates sobre os candidatos nos ambientes da rede. Os debates no rádio
e na televisão, por exemplo, devem seguir alguns requisitos,
como a participação de candidatos adversários.
Na internet, não há essa restrição.
"Eu acho que a campanha
na rede deve ser livre", disse o ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) José Antonio Dias Toffoli, que é especialista em
direito eleitoral e poderá atuar no TSE neste ano como ministro
substituto daquela Corte.
Para o ministro Marco Aurélio
Mello, que presidiu o TSE, durante as eleições de 2006
e voltará a integrar a Corte neste ano, a campanha que deverá
começar oficialmente em 6 de junho vai trazer novas questões
no campo da internet. "Vamos lidar com novos problemas", resumiu
o ministro.
A censura prévia é
um deles. A nova lei proíbe a censura sobre a propaganda eleitoral
a ser veiculada na internet. Por outro lado, a Justiça terá
de verificar os casos ilegais, como ofensas, e decidir sobre o direito
de resposta que, neste ano, deverá ser julgado com prioridade
pelo TSE para todos os meios de comunicação.
Para a advogada Patricia Peck
Pinheiro, autora do livro "Direito Digital", haverá
sim maior abertura para as eleições deste ano no que se
refere à internet. Ela explicou que a propaganda política
na rede "deve ser gratuita e pode ser feita de forma bem ampla".
"Mas devemos diferenciar
propaganda de ato de vontade", advertiu a advogada. "A busca
por informação de um candidato em um buscador é
considerado ato de vontade, e não propaganda", esclareceu
Patricia. "Mas se ele participar de um chat e pedir votos, aí
já é propaganda", continuou a advogada.
Os primeiros processos contestando
o uso de meios eletrônicos na campanha devem chegar ao tribunal
antes mesmo do início da campanha. Em fevereiro, o Ministério
Público da Bahia aceitou representação feita pelo
PMDB contra o governador do estado, Jaques Wagner, por causa do uso
do twitter.
Assessores do governador postaram
no microblog mensagens de apoio à candidatura de Wagner à
reeleição, o que seria proibido antes do início
oficial da campanha. Por esse motivo, o MP quer que Wagner seja condenado
a pagar multa que varia de R$ 5 mil e R$ 25 mil.
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24 Horas News, 9 de março
de 2010
Maioria dos trabalhadores deve
apoiar Dilma, diz Paulinho da Força
A grande maioria dos trabalhadores filiados à Força Sindical
deve apoiar a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na
campanha à Presidência da República, disse o presidente
da central, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), o Paulinho da
Força.
"Eu vou apoiar a Dilma.
Mas o meu vice-presidente, por exemplo, apoia o Serra", disse ele,
durante a inauguração da nova sede da Força Sindical,
em São Paulo.
Apesar disso, Paulinho acredita
que o governador paulista deve desistir de se candidatar à Presidência
para tentar se reeleger governador.
"Ele tem o governo do Estado
praticamente ganho. Eu acho que ele não deve ser candidato [à
Presidência da República]. O único candidato do
PSDB é o Aécio Neves [governador de Minas Gerais]",
afirmou o deputado.
Paulinho também afirmou
que, em junho, representantes de todas as centrais sindicais do país
vão se reunir em uma grande assembleia no estádio do Pacaembu,
em São Paulo.
Na ocasião, será
redigido um documento único com propostas e metas para o próximo
governo no que diz respeito aos trabalhadores.
Segundo o deputado, o documento
será entregue para todos os candidatos ao Palácio do Planalto.
"Quem assumir os compromissos terá o voto dos trabalhadores.
Quem não assumir não terá o nosso apoio",
disse.
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Blog do Josias, 9 de março
de 2010
Aécio admite retomar candidatura
caso Serra desista
Divulgação
Aécio Neves reuniu-se reservadamente,
em Belo Horizonte, com dois caciques da oposição –um
do PSDB e outro do DEM.
A conversa ocorreu há
seis dias, no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro.
Girou em torno da sucessão de Lula.
Os interlocutores de Aécio
perguntaram se a recusa dele em aceitar a posição de vice
na chapa de José Serra era uma decisão irrevogável.
O governador mineiro respondeu
afirmativamente. Vice de Serra não será. De jeito nenhum.
Ponto. Aécio foi, então, confrontado com uma segunda pergunta.
Reassumiria a candidatura presidencial
em caso de desistência de Serra? A resposta foi, de novo, afirmativa.
Sim, voltaria à disputa.
Aécio esclareceu: tendo
se retirado do ringue nacional, não seria adequado que sua volta
resultasse de qualquer tipo de maquinação contra Serra.
Porém, havendo uma desistência
formal do governador tucano de São Paulo, Aécio não
se constrangeria em medir forças com Dilma Rousseff.
O diálogo travado em
Minas, por revelador, ilumina a encruzilhada a que chegaram os adversários
de Lula e Dilma.
Em teoria, a oposição
continua dispondo de dois presidenciáveis potenciais. Na prática,
não dispões de nenhum candidato.
O impasse tem nome: José
Serra. Entre quatro paredes, ele se diz candidato. Mas recusa-se a antecipar
o anúncio formal da candidatura.
A demora de Serra, antes vista
como estratégia de político experiente, agora é
tomada pelos seus próprios aliados como temosia.
Uma birra que, confrontada com
o crescimento de Dilma nas pesquisas, passou a ser interpretada como
hesitação.
O incômodo, antes restrito
ao DEM, espraiou-se também pelo tucanato. Em privado, o próprio
presidente do PSDB, Sérgio Guerra, diz estar com Serra pela tampa.
No início da semana passada,
Guerra dissera que, antes do sábado, Serra já freqüentaria
o noticiário com uma cara de candidato irreversível.
Os fatos o desmentiram. Sempre
passou por Brasília e Belo Horizonte. Espremido pelos repórteres
sobre a sucessão, recorreu à desconversa.
Em privado, oposicionistas que
sempre defenderam a opção por Serra encontram-se à
beira de um ataque de nervos.
Um exemplo: líder do
DEM no Senado, José Agripino Maia (RN) disse privadamente a Sérgio
Guerra que a situação chegara a um limite.
Longe dos holofotes, Agripino
ponderou a Guerra que Serra tem de levar a candidatura à vitrine
ainda nesta semana.
Sob pena de a oposição
flertar com o imponderável. Sérgio Guerra pôs-se
inteiramente de acordo. Disse que voltaria a Serra.
O diabo é que, a despeito
da impaciência que o cerca, Serra não parece minimamente
disposto a ceder aos apelos antecipatórios.
Na semana passada, no mesmo
dia em que Aécio admitia voltar à disputa em caso de desistência
do rival, Serra trocou um telefonema com Jarbas Vasconcelos.
Dissidente do PMDB, Jarbas estivera
com Serra, em São Paulo, há dois meses. Ouviu dele um
apelo para que aceitasse disputar o governo de Pernambuco.
Desde então, Jarbas condiciona
a montagem de um palanque pernambucano para a oposição
ao calendário de Serra.
Incomodado com a demora, tocou
o telefone para o amigo. Para tranquilizá-lo, Serra disse que
continuava candidato.
Lero vai, lero vem Serra queixou-se
dos que cobram dele a antecipação do calendário.
Mencionou o grão-tucano Tasso Jereissati (CE).
Depois, em entrevista ao Globo,
o próprio Jarbas ecoaria Tasso. Disse que passa da hora de Serra
retirar a candidatura do armário.
No curso da conversa telefônica,
Jarbas pedira a Serra um encontro pessoal. Combinou-se que ocorreria
no início desta semana.
Jarbas se dispôs a voar
para São Paulo. Serra aquiesceu. E ficou de ligar de volta, marcando
dia e hora. Veio o final de semana. E nada.
Chegou a segunda-feira. E, até
a noite passada, um Jarbas cada vez mais impaciente continuava esperando
o telefonema do amigo.
Além de facilitar a vida
de Dilma, em ascensão nas pesquisas, a demora de Serra paralisa
todos os movimentos da oposição.
O PT já providencia o
aluguel de um comitê para Dilma. E quanto ao PSDB? O blog ouviu
um dirigente tucano. Disse o seguinte:
“As pessoas que têm
juízo, não podem deixar de buscar alternativas para essa
questão [logística]. Mas, enquanto não tiver o
candidato, não podemos avançar”.
A paralisia alcança também
a seara política. Vive-se em São Paulo um drama. As pesquisas
apontam o tucano Geraldo Alckmin como favorito à sucessão
de Serra.
Mas o partido vê-se como
que manietado. Presidente do diretório paulista do PSDB, o deputado
Mendes Thame resume a encrenca:
“Definir agora a candidatura
do Geraldo é como dizer que o Serra, mesmo que queira sair candidato
à reeleição em São Paulo, não vai
ter essa chance”.
No final do ano passado, alheio
às pressões, Serra evocara Lupcínio Rodrigues.
Dissera ter “nervos de aço”.
O diabo é que os nervos
de Lula parecem feitos de elástico. Enquanto Serra impõe
aos aliados a pasmaceira do samba-canção, o presidente
faz Dilma dançar no ritmo frenético do frevo.
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MS NOTÍCIAS, 09 de
março de 2010
Dirigente da UGT defende criação
de mínimo regional no MS
Desde de 2007, São Paulo adotou o um salário mínimo
regional a exemplo do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do
Sul e do Paraná, o piso mais alto do país, de R$ 605,52
para os trabalhadores rurais e de R$ 610,12 para empregados domésticos
e dos setores de comércio e serviços.
Na avaliação do
movimento sindical da UGT (Uniãoi Geral dos Trabalhadores), Mato
Grosso do Sul tem todas as condições para implantar o
piso regional quem sabe no valor de R$ 550,00 mensal. Para o dirigente
da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e secretário geral
do Sindmassa-MS, Fábio Alex Bezerra Salomão, iniciativa
semelhante poderia ser adotado pelo atual governador ou ser proposto
pela Assembléia Legislativa do Estado. Na avaliação
do dirigente, a medida contribuíria para uma melhor distribuição
de renda em Mato Grosso do Sul, funcionando como compensão a
renúncia fiscal superior a R$ 2,5 milhões de reais previstas
este ano. A medida também possilitaria ganhos reais de sálario,
pois o mínimo regional serviria de referencia nos acordos ou
convenções coletivas de trabalho, que sempre tem como
balizamento o piso nacional, não importando as condições
de trabalho regional . "As centrais sindicais do Estado e os parlamentares
devem cobrar esta bandeira, já ventilada na gestão do
ex-governador Zeca do PT, mas que ficou fora da pauta política
em razão da pressão do setor empresarial", comenta.
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PBAGORA, 09 de março
de 2010
Paraíba/Greve: Construção
Civil está paralisada
Quatro mil trabalhadores param as atividades em 50 obras da Grande JP
As principais obras públicas e privadas da Grande João
Pessoa amanheceram paradas nesta segunda-feira, dia 8, pela manhã.
São pelo menos quatro mil trabalhadores do setor, envolvendo
50 obras públicas e privadas da região metropolitana que
estão sem atividades. O Sindicato dos Trabalhadores da Indústrias
da Construção e do Mobiliário (Sintricom) está
à frente da mobilização, mas o Sindicato da Indústria
da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon),
que representa os empresários da construção, informou
que só retomará as negociações com a volta
dos trabalhadores ao serviço.
“O movimento é
forte e estaremos visitando as obras na cidade, além de uma assembleia
que devemos fazer aqui na sede do sindicato”, disse o presidente
do Sintricom, Paulo Marcelo, que afirma que a decisão pela greve
foi tomada em assembleia, quando mil operários recusaram a proposta
oferecida pelo sindicato patronal.
Os trabalhadores reivindicam
um ajuste no valor do salário base para R$ 575, mas atualmente
esse repasse é no valor de R$ 510. “A categoria não
aceitou a proposta dos empresários e por isso estamos em greve
por tempo indeterminado”, disse Paulo Marcelo.
Já o representante do
Sinduscon, Irenaldo Quintans, disse que a proposta dos empresários
foi feita com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC). Ele afirma que o valor referente ao ano passado foi de 4,18%,
e que o reajuste proposto foi de 9,68% para todas as categorias, desde
o servente até o encarregado de obras: “Poucas categorias
tiveram esse aumento e nós estamos protocolando um pedido de
dissídio na Justiça do Trabalho para que a Justiça
dê uma posição sobre a legalidade do movimento”,
disse o presidente, acrescentando que deve retomar as negociações
assim que os trabalhadores voltarem a trabalhar.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
09/03/2010
Considerada culpada pela morte de motorista
em acidente, empresa indenizará herdeiros
A empresa goiana Transboi –
Transportes Morrinhos foi condenada a pagar indenização
por danos morais e materiais aos herdeiros de um motorista de caminhão
de transporte de gado, que faleceu ao cair da carroçaria do veículo.
A empresa havia recorrido, mas a Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou seu agravo de instrumento, o que, na prática,
mantém a decisão do 18º Tribunal Regional do Trabalho
(GO), favorável à indenização aos herdeiros.
O acidente aconteceu quando
o motorista subiu na carroceria-gaiola para destravar uma de suas portas
internas. A corda à qual a porta estava presa arrebentou e o
trabalhador se desequilibrou e sofreu uma queda de três metros
de altura. O tombo provocou a sua morte, que, segundo provas pericial
e oral, decorreu de negligência da empresa.
Condenada em primeira instância,
a empresa recorreu ao TRT. Entre outros argumentos, sustentou que sua
condenação não se baseou em provas concretas, já
que o laudo pericial não teria sido conclusivo e as testemunhas
teriam apresentado depoimentos frágeis e contraditórios.
Esses argumentos foram refutados pelo Regional, que negou seguimento
ao recurso de revista, por entender que a condenação baseou-se
em provas robustas “que conduzem à firme convicção
de que o acidente decorreu da negligência” da empresa, pois,
no momento do acidente, o empregado realizava sua atividade em condições
inadequadas: havia um defeito no sistema de cordas e roldanas que impedia
a porta de ser acionada do lado externo do caminhão.
Inconformada com o trancamento
do recurso, a empresa recorreu ao TST. Preliminarmente, sustentou haver
negativa de prestação jurisdicional, e insistiu na mesma
argumentação sobre a suposta fragilidade das provas. O
relator do processo na Segunda turma, ministro Renato de Lacerda Paiva,
observou que a Corte Regional “examinou e fundamentou, em profundidade
e extensão, toda a matéria que lhe foi devolvida, não
havendo que se falar em negativa da prestação jurisdicional.
E acrescentou que as provas postas à disposição
do julgador foram consideradas em sua integralidade, valorando as que
poderiam gerar eficácia.”
Por unanimidade, os ministros
da Segunda Turma decidiram pelo não conhecimento do agravo de
instrumento. Além da condenação por dano moral,
a empresa foi punida com multa por ter insistido com embargos considerados
protelatórios. (AIRR-44840-67.2006.5.18.0161)
(Mário Correia)
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09/03/2010
Descanso não concedido reverte-se
em hora extra
Nos casos de prorrogação
de jornada, a mulher tem direito a intervalo de quinze minutos para
descanso antes de iniciar o tempo de trabalho extraordinário.
O descumprimento da norma prevista na CLT importa pagamento do período
como trabalho extra. Nesse sentido foi a decisão do Tribunal
Superior do Trabalho, especificamente da Sexta Turma, em relação
a uma ex-funcionária da Brasil Telecom S.A. – Telepar,
que obteve o pagamento dos quinze minutos, acrescidos de adicional,
legal ou convencional, em todos os dias em que houve trabalho além
da jornada normal.
Apesar de ter posicionamento
diverso quanto à questão, por considerar a regra discriminatória
e redutora do mercado de trabalho da mulher, o ministro Mauricio Godinho
Delgado, relator do recurso de revista da trabalhadora, adota o entendimento
do Pleno do TST e lista precedentes em que são citados os fundamentos
para a concessão dos quinze minutos de descanso para a mulher
antes do trabalho extraordinário.
Pelos argumentos expostos, a
norma do artigo 384 da CLT tanto representa uma medida de higiene, saúde
e segurança, quanto é um dos benefícios em decorrência
do ônus da dupla missão, familiar e profissional, a que
corresponde o bônus da aposentadoria antecipada e da concessão
de vantagens específicas. Há ainda o aspecto de proteção
da natureza fisiológica da mulher.
A Sexta Turma reforma acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), que
manteve sentença indeferindo o pagamento como extra do intervalo
suprimido, entendendo que acarretaria violação do artigo
5º, I, da Constituição Federal. A mudança
decorre da decisão, em 17/11/08, do Pleno do TST, de que “a
norma não ofende o princípio da igualdade e foi recepcionada
pela Constituição Federal, em decorrência das desigualdades
inerentes à jornada da trabalhadora em relação
ao trabalhador”, esclarece o ministro Godinho Delgado. (RR - 4289600-54.2002.5.09.0900)
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09/03/2010
Empresa de vigilância não consegue
excluir contratação de deficiente físico em percentual
fixado em lei
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou (não conheceu) recurso de revista da Protege
- Proteção e Transporte de Valores contra a obrigação
de contratar 5% de empregados com deficiência física, nos
termos do artigo 93, IV, da Lei nº 8.213/91. Na prática,
com esse julgamento, ficou mantida a decisão do Tribunal do Trabalho
paulista (2ª Região) que condenara a empresa a cumprir a
cota estabelecida na lei.
A empresa alegou que a decisão
do TRT violava literalmente o artigo 16 da Lei nº 7.102/83, que
dispõe sobre os requisitos para o exercício da profissão
de vigilante. Disse ainda que a natureza e as peculiaridades da sua
atividade-fim, por exemplo, a vigilância e o transporte de valores,
exige aptidão física e mental dos trabalhadores.
No entanto, como observou a
relatora e presidente da Turma, ministra Maria Cristina Peduzzi, o quadro
fático revelado pelo Regional comprovava que é possível
pessoa portadora de deficiência física participar de cursos
de formação de vigilantes e, a depender do tipo de deficiência,
exercer a função. Assim, não era possível
excluir, em princípio, os profissionais com deficiência
da base de cálculo dos percentuais previstos na lei.
Segundo a relatora, portanto,
a alteração do julgado envolveria reexame de fatos e provas
que não podem ocorrer no âmbito do TST. No mais, o Regional
já havia esclarecido que a Protege mantinha mais de seis mil
empregados e apenas 54 portadores de deficiência (valor inferior
aos 5% obrigatórios), na época em que o Ministério
Público do Trabalho paulista iniciou a ação contra
a empresa.
O TRT também apurou que
deficiências menores, tais como a perda de um dedo ou encurtamento
de uma perna, não impedem o trabalhador de prestar serviços
de vigilância. Sem falar na possibilidade de emprego em locais
com circuito fechado de TV. A conclusão do Regional foi no sentido
de que não haveria razões técnicas ou jurídicas
para excluir os vigilantes da base de cálculo para aplicação
da reserva legal de emprego para deficientes.
Durante o julgamento, o ministro
Márcio Eurico destacou que a empresa poderá avaliar, em
cada caso, o tipo de deficiência do profissional e, se for o caso,
excluir determinados candidatos. Além do mais, na opinião
do ministro, a empresa ainda tem a opção de admitir empregados
deficientes para exercer atividades que não sejam propriamente
de vigilância.
Por fim, em decisão
unânime, os ministros da Turma acompanharam o entendimento da
relatora de rejeitar o recurso da empresa contra a aplicação
da cota para deficientes. Porém, como o TRT, além de ter
determinado o cumprimento da reserva legal de 5%, imprimiu efeito nacional
à decisão, os ministros limitaram ao Estado de São
Paulo o alcance da condenação. (RR – 129600-12.2006.5.02.0090)
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