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Vermelho, 12 de março de 2010
Empresários contestam IBGE e
dizem que construção cresceu em 2009
A Câmara Brasileira da
Indústria da Construção (CBIC) não concorda
com os números divulgados pelo IBGE para o Produto Interno Bruto
(PIB) do segmento da construção civil. Os dados apontam
queda de 6,3% para o setor no ano passado. Mas a entidade garante que
o resultado não condiz com a realidade vivenciada pelo setor
e defende reavaliação da metodologia utilizada pelo órgão.
"Afinal, em um ano em que o setor reuniu uma série de dados
positivos, como a expansão do emprego e do crédito imobiliário
e a estabilidade da venda de cimento, não pode ser registrada
uma queda tão acentuada na produção", diz
em nota. E acrescenta: "A CBIC concorda que houve uma desaceleração
em relação aos anos anteriores em função
da crise econômica, mas aposta em um número positivo, diferente
do que registrou o IBGE. Em 2008, o PIB da construção
cresceu 8,2%. De acordo com estimativas elaboradas pela FGV Projetos,
a expansão setorial em 2009 foi de 1%".
Metodologia
De acordo com a Cbic, a metodologia
para o cálculo do PIB (valor adicionado) trimestral do setor
é realizada com base na produção de materiais de
construção, que, "não por coincidência,
apresentou os mesmos 6,3% de queda (segundo a Pesquisa Industrial Mensal
do IBGE)". A explicação estaria no fato de que, quando
a crise econômica chegou ao comércio, as construtoras,
de uma forma geral, tinham estoques elevados, uma vez que o mercado
vinha em fase de expansão. "As indústrias seguraram
a fabricação dos insumos, mas o mercado da construção
permaneceu aquecido, o que não foi refletido nos cálculos
do IBGE" .
Em 2009, a construção
foi responsável por 18% dos empregos formais gerados no país,
segundo dados do Ministério do Trabalho. De janeiro a dezembro,
foram empregados 177.185 trabalhadores nos canteiros de obras, 9% mais
que no ano anterior, bem mais que o crescimento médio do mercado
de trabalho no período de 3%. Em 2010, a expectativa da Cbic
é que o crescimento do emprego no setor chegue a 8%.
Da redação, com agências
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Agência Diap, 12 de março de
2010
Em editorial, "Estadão"
ataca movimento sindical, centrais e seus “gastos”
A propósito, a ação do DEM no Supremo só
questiona o repasse do ministério às centrais. Não
menciona o repasse feito às confederações patronais.
Os patrões também recebem recursos "públicos",
todos se calam diante do fato
Num tom moralista, desses que
fazem desconfiar, jornal O Estado de S.Paulo publicou, nesta quinta-feira
(11), editoral em que volta a atacar o movimento sindical, em particular
as centrais, a quem o diário "acusa" que seus dirigentes
"gostam de viajar e têm viajado muito".
A crítica não
é nova. Em janeiro, a Folha de S.Paulo disparou contra as centrais
sobre o mesmo tema. Leia aqui
(http://www.diap.org.br/index.php/agencia-diap/11788-em-editorial-folha-ataca-centrais-sindicais-nenhuma-surpresa-ou-novidade)
Fingindo defender os trabalhadores
contra a cobrança da contribuição sindical, paga
pelos assalariados uma vez por ano, o equivalente a um dia de trabalho
de cada assalariado brasileiro para financiar a estrutura sindical,
o jornal ainda estimula desavenças entre as centrais acerca do
tema.
A "crítica",
para variar, não tem conteúdo e se vale do mesmo formato
que as elites econômicas e políticas do País gostavam
de criticar o presidente Lula, em tom jocoso, sobre suas viagens internacionais.
É a crítica pela crítica, nada mais.
Não se enganem, esta
e outras "críticas" não são para contribuir
e aperfeiçoar o sistema de representação dos trabalhadores.
Pelo contrário, o objetivo é tentar desmoralizar e arrefecer
o ânimo dos trabalhadores que travam intensa luta pela redução
da jornada de trabalho na Câmara dos Deputados.
E em outros momentos recentes
teve a capacidade de apresentar ao Governo, que encampou a atual política
de recuperação e valorização permanente
do salário mínimo, bem como a aprovação
de nova tabela de imposto de renda, com mais alíquotas, o que
beneficia os trabalhadores que ganham menos.
Por fim, ao criticar o repasse
de recursos às centrais sindicais e seu uso pelas entidades,
o jornal "esquece-se" de falar que os empresários também
cobram a contribuição sindical das empresas.
Ao lembrar este fato, não
o criticamos em si, pois o dinheiro é deles, os empresários,
assim, devem fazer dele o que achar mais conveniente; mas alertamos
para a permanente cobertura tendenciosa e preconceituosa com que grande
parte da imprensa retrata o movimento sindical e seus dirigentes.
A propósito, a ação
do DEM no Supremo só questiona o repasse do ministério
às centrais. Não menciona o repasse feito às confederações
patronais. É, os patrões também recebem recursos
"públicos", não se esqueçam. Veja aqui
(http://www.diap.org.br/images/stories/files/1736.doc) o conteúdo
da Adin; e aqui
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11648.htm)
o conteúdo da Lei 11.648,de 31 de março de 2008, que regulamentou
o funcionamento das centrais, bem como o repasse de recuros.
Leia abaixo a íntegra
do editorial:
Os gastos dos sindicalistas
Dirigentes das seis centrais
sindicais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho gostam de
viajar e têm viajado muito. Passagens aéreas, aluguel de
salas em hotéis, viagens para acompanhar congressos internacionais
estão entre as principais despesas efetuadas por essas centrais.
Quanto ao custeio das viagens, os sindicalistas não têm
motivos para se preocupar. O dinheiro para cobrir essas despesas, e
muitas outras, cai automaticamente nos cofres das centrais, sem que
seus dirigentes precisem fazer nenhum esforço.
Desde 2008, com a aprovação
da lei que as reconheceu como integrantes do sistema sindical nacional,
as centrais têm direito a 10% da arrecadação do
Imposto Sindical, que corresponde a um dia de salário de todo
empregado, descontado em março. É dessa forma que o trabalhador
paga queira ou não as viagens e outras despesas dos dirigentes
das centrais.
Embora recebam dinheiro
público, pois a contribuição é compulsória
e recolhida em favor do Ministério do Trabalho, que depois repassa
90% do valor arrecadado para as organizações sindicais,
as centrais não precisam prestar contas a nenhum órgão
oficial de controle e fiscalização.
Ao reconhecer as centrais
como integrantes do sistema sindical, e por isso com direito a receber
parte do Imposto Sindical, o Congresso lhes impôs a obrigatoriedade
de prestação de contas ao Tribunal de Contas da União.
Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou essa parte do
texto aprovado pelo Congresso, argumentando que isso representaria "intervenção
na organização sindical" e feria o princípio
da autonomia sindical. Com o veto, as centrais e as demais entidades
sindicais sindicatos, federações e confederações
podem fazer o uso que quiserem do dinheiro público.
Não é pouco
dinheiro. Na maioria das centrais, o Imposto Sindical cobre 80%dos gastos.
A distribuição entre as centrais é, em tese, proporcional
ao número de sindicatos filiados a cada uma. Assim, a Central
Única dos Trabalhadores (CUT), com o maior número de filiados,
tem direito a 37,8% da fatia do Imposto Sindical que cabe às
centrais. Em 2009, a CUT recebeu R$ 26,7 milhões, ou 60% de seu
orçamento. Sem a contribuição sindical, o orçamento
da CUT seria de R$ 17,7 milhões; com ela, saltou para R$ 44,4
milhões. Embora tenha menos da metade da representatividade da
CUT, a Força Sindical teve direito a R$ 22milhões, quantia
que correspondeu a 80% de seu orçamento, porcentagem semelhante
à observada nas demais centrais.
Isso quer dizer que,graças
ao Imposto Sindical, as centrais mais do que duplicaram seus orçamentos.
Os objetivos de sua ação, como alegam os dirigentes, são
o fortalecimento da estrutura sindical, a ampliação da
representação dos trabalhadores e a coordenação
em nível nacional dos interesses dos assalariados. O dinheiro
adicional deveria fortalecer esses trabalhos. No entanto, como mostrou
o jornal Valor, a maneira como elas gastam o dinheiro que recebem dos
trabalhadores não justifica essas alegações.
"Nossa central viaja
muito, os dirigentes executivos vão muito aos estados para reuniões
com as regionais", alegou o secretário-geral da Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil, Carlos Alberto Pereira. Ricardo Patah,
presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), disse que
o dinheiro é aplicado em gastos estratégicos. "Conseguimos
levar membros da UGT para a conferência do clima em Copenhague",
citou, como exemplo de gasto estratégico de uma central sindical.
Já a Força
Sindical gastou a maior parte do dinheiro da contribuição
sindical na reforma e construção de sedes. Desde novembro
de 2008, pelo menos seis sedes foram inauguradas.
O presidente da CUT, Artur
Henrique afirmou que os sindicatos não podem depender da contribuição
compulsória e argumentou que o dinheiro do imposto deveria ser
usado para mudar essa forma de financiamento. Se é contra o imposto
e a favor de contribuições voluntárias, por que
a CUT não luta para extingui-lo, deixando o dinheiro correspondente
a ele no bolso do trabalhador, de onde não deveria ter saído.
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O ESTADO DO LPARANÁ,
12 de março de 2010 | Política
PR: Começa o debate do novo mínimo
regional
Elizabete Castro
A Comissão de Constituição e Justiça da
Assembleia Legislativa (CCJ) realiza hoje, 12, em Foz do Iguaçu,
a primeira audiência pública para debater o projeto de
reajuste do salário mínimo regional.
Apresentado pelo governo no
início deste mês, o projeto estabelece correções
que variam entre 9,25% a 21,5%, dependendo da faixa salarial. Concebido
para servir de referência para trabalhadores dos setores que não
dispõem convenção coletiva de trabalho, a nova
proposta de piso oscila entre R$ 663 e R$ 765.
Na próxima segunda-feira,
15, a proposta será debatida em Curitiba. Empresários
e representantes de sindicatos de trabalhadores são os convidados
das audiências, que serão encerradas na próxima
sexta-feira, dia 19, em Maringá e Londrina.
Depois das audiências,
o projeto será apreciado na CCJ e em seguida, será votado
em plenário. Entidades empresariais questionam a proposta do
governo, alegando que o índice supera os 4,18% correspondentes
à inflação do ano, medida pelo INPC.
Conforme o projeto, o reajuste
do mínimo regional seria feito a partir da variação
do Produto Interno Bruto (PIB) da economia paranaense nos dois anos
anteriores e da inflação do ano anterior.
Os deputados de oposição
pretendem apresentar emendas ao texto. Uma delas estende o índice
de reajuste do piso regional para os salários dos servidores
públicos estaduais, colidindo com o projeto do governo entregue
anteontem pelo vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), que corrige em
5% a remuneração de todas as categorias, a partir de maio.
Outra das propostas, já antecipada pelo deputado Reni Pereira
(PSB), cria o fundo estadual de amparo ao trabalhador, que responderia
pelo pagamento de seguro desemprego para os que recebem salário
mínimo regional e forem demitidos sem justa causa.
Pereira disse que já
foi alertado em reunião com empresários que o novo piso
pode gerar demissões, sobretudo entre as categorias contempladas
com os reajustes maiores.
Extensão
As audiências serão
coordenadas pelo presidente da CCJ, deputado Durval Amaral (DEM). Amaral
prevê que o governo vai ter dificuldades para neutralizar a emenda
da oposição aplicando os 21% de reajuste sobre os salários
dos servidores.
“Se o Estado impõe
que à iniciativa privada o reajuste no pagamento do piso, por
que não faz o mesmo com os funcionários públicos?
Não somos contra o aumento, mas que isso seja extensivo para
o funcionalismo público”, afirma o deputado.
Paralelamente ao novo
valor do piso regional, também será votada a Proposta
de Emenda Constitucional (PEC), que torna permanente a política
de reposição anual do valor do piso mínimo, implantado
em 2006. Os deputados também terão que votar o projeto
que obriga as empresas que prestam serviços ao governo a adotarem
o salário mínimo regional na remuneração
de seus empregados.
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Gazeta do Povo, 12 de março
de 2010
Produção e renda
PIB cai pela 1.ª vez em 17 anos
Retração da indústria e dos investimentos no início
do ano passado foi tão forte que não se compensou com
a retomada verificada nos meses seguintes. Por causa disso, a economia
do Brasil encolheu 0,2% em 2009 – a primeira queda desde 1992.
O consumo
A crise global restringiu investimentos,
reduziu exportações, abalou a indústria e desacelerou
o consumo em 2009. A turbulência empurrou a economia brasileira
para perto da estagnação: o Produto Interno Bruto (a medida
da produção e da renda nacional) registrou variação
negativa de 0,2% no ano passado, a primeira contração
desde 1992. Naquele ano, o país vivia ainda sob a hiperinflação
de mais de 20% ao mês e se via às voltas com o impeachment
do então presidente Fernando Collor de Mello.
Embora tenha vindo com sinal
negativo, o resultado de 2009 é encarado mais como de interrupção
do crescimento do que de encolhimento, pelo IBGE. “Variações
entre mais meio ponto e menos meio ponto são equivalentes a zero”,
afirmou Rebeca Palis, gerente de contas nacionais do IBGE, ao anunciar
o PIB.
A avaliação é
compartilhada por analistas. “O fato econômico relevante
é que houve estagnação. Essencialmente, a economia
em 2009 foi igual a 2008, ou seja, um ano perdido”, disse o economista
Armando Castelar, analista da Gávea Investimentos.
Desde o fim do ano passado,
o cenário mudou: a economia está aquecida e cresce atualmente
num ritmo entre 5% e 6% anuais, segundo especialistas. “Esse crescimento
para 2010 está dado até por causa da fraca base de comparação”,
avaliou Sérgio Vale, economista da MB Associados.
Já no quarto trimestre,
o PIB avançou 2% na comparação livre de influências
sazonais com o terceiro trimestre. Para este ano, está prevista
uma forte recuperação da indústria – que
teve queda recorde de 5,5% em 2009, a maior da nova série do
PIB, iniciada em 1996 – e dos investimentos – com retração
de 9,9%, também a mais expressiva da nova série.
Causas
Olhando para o retrovisor, a
economia padeceu em 2009 com a redução extrema do crédito,
a fraca demanda mundial e o menor otimismo de empresários –
e de consumidores, em menor escala. Medidas como a desoneração
de tributos em artigos como carros, geladeiras, fogões e móveis,
e a expansão do crédito em bancos públicos conseguiram
atenuar esses efeitos e impulsionar o consumo das famílias –
que cresceu 4,1%, o menor nível desde 2004 (3,8%).
Foi esse consumo, mesmo abaixo
da média recente, que impediu uma freada mais forte da economia.
O governo também ampliou gastos como forma de fazer política
anticíclica: seu consumo aumentou 3,7% em 2009.
Sob a óptica da produção,
o setor de serviços, menos sujeito às crises e embalados
pelo consumo interno, avançou 2,6% em 2009 e atenuou a queda
do PIB.
A crise travou também
o comércio exterior do país: as exportações
recuaram 10,3%. As importações cederam com mais intensidade:
11,4%. Desse modo, o país teve a primeira contribuição
positiva do setor externo para a economia desde 2005, com acréscimo
de 0,1 ponto porcentual.
Indústria e investimentos
Já a queda da indústria
foi tão forte que o setor perdeu peso no PIB: de 27,3% em 2008
para 25,4% em 2009. O mesmo ocorreu com os investimentos – cuja
taxa como proporção do PIB cedeu de 18,7% em 2008 para
16,7% em 2009.
Para 2010, por outro lado, a
indústria e os investimentos devem liderar o crescimento, em
boa medida graças à enfraquecida base de comparação.
Nem mesmo a prevista alta da taxa básica de juros, dizem especialistas,
vai abortar o crescimento deste ano.
“O consumo ainda deve
permanecer forte, mas não vai sustentar o nível do último
trimestre, quando tivemos antecipação de consumo por conta
da expectativa do fim dos incentivos fiscais. Permanece elevado, porém,
porque vem sustentado por uma classe média emergente, que quer
consumir e que não teve a renda abalada pela crise”, avalia
Bernardo Wjuniski, economista da Tendências Consultoria.

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Gazeta do Povo, 12 de março de 2010
Para Mantega, país fecha ano com
“chave de ouro”
Seguindo fielmente o “script” segundo o qual o cenário
apresentado pelo IBGE é um retrato do passado, o governo adotou
o discurso de que o importante é que a economia brasileira já
se recuperou da crise mundial e deve crescer mais de 5% em 2010. O ministro
da Fazenda, Guido Mantega, salientou que o país “fechou
2009 com chave de ouro”.
“Mesmo sendo uma retração 0,2%, foi um bom desempenho
porque a maioria esmagadora dos países teve crescimento negativo
forte. O Brasil teve um resultado razoável levando em conta que
houve a maior crise do capitalismo dos últimos 80 anos.”
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que os
números foram reflexo do primeiro semestre de 2009, que sofreu
os impactos da crise. Ele ressaltou, porém, que o segundo semestre
foi bom e que a expectativa é que o país cresça,
neste ano, entre 5,2% e 5,5%. Mantega foi mais otimista e apostou num
crescimento sustentado de 5,7% lembrando que “a crise ficou para
trás”.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou, por meio
de nota, que a economia brasileira entrou em fase de expansão
vigorosa, após breve processo recessivo. Bernardo e Mantega também
disseram que o presidente Lula ficou satisfeito com o resultado e agora
está mais preocupado com o comportamento da economia em 2010.
Segundo técnicos da área econômica, o presidente
também teria dito que espera que nas próximas revisões
de dados que o IBGE fizer, o número negativo do ano passado seja
revisto.
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Folha de S.Paulo, 12 de
março de 2010
Economia se recupera no final de 2009
PIB ficou estagnado no ano passado, com queda
de 0,2%, mas avançou 2% no quarto trimestre na comparação
com o 3º | Consumo, estimulado por desonerações e
crédito, atenuou a crise; queda no investimento e na indústria
segurou a economia
PEDRO SOARES
SAMANTHA LIMA
DA SUCURSAL DO RIO
A crise global restringiu investimentos,
reduziu exportações, abalou a indústria e desacelerou
o consumo em 2009.
A turbulência empurrou a economia brasileira para perto da estagnação:
o Produto Interno Bruto (a medida da produção e da renda
nacional) registrou variação negativa de 0,2% no ano passado,
a primeira contração desde 1992.
Naquele ano, o país vivia ainda sob a hiperinflação
de mais de 20% ao mês e se via às voltas com o impeachment
do então presidente Fernando Collor de Mello -evitado pela renúncia
do mandatário.
Embora tenha vindo com sinal negativo, o resultado de 2009 é
encarado mais como de interrupção do crescimento do que
de encolhimento, pelo IBGE. "Variações entre mais
meio ponto e menos meio ponto são equivalentes a zero",
afirmou Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, ao anunciar
o PIB.
A avaliação é compartilhada por analistas. "O
fato econômico relevante é que houve estagnação.
Essencialmente, a economia em 2009 foi igual à de 2008, ou seja,
um ano perdido", disse o economista Armando Castelar, analista
da Gávea Investimentos.
Desde o fim do ano passado, o cenário mudou: a economia está
aquecida e cresce atualmente num ritmo entre 5% e 6% anuais, segundo
especialistas. "Esse crescimento para 2010 está dado até
por conta da fraca base de comparação", avaliou Sérgio
Vale, economista da MB Associados.
Já no quarto trimestre, o PIB avançou 2% na comparação
livre de influências sazonais com o terceiro trimestre. Ante o
mesmo período de 2009, o crescimento foi de 4,3%.
Para este ano, está prevista uma forte recuperação
da indústria -que teve queda recorde de 5,5% em 2009, a maior
da nova série do PIB, iniciada em 1996- e dos investimentos -com
retração de 9,9%, também a mais expressiva da nova
série.
Olhando para o retrovisor, a economia padeceu em 2009 com a redução
extrema do crédito, a fraca demanda mundial e o menor otimismo
de empresários -e de consumidores, em menor escala.
Consumo
Medidas como a desoneração de tributos em artigos como
carros, geladeiras, fogões e móveis e a expansão
do crédito em bancos públicos conseguiram atenuar esses
efeitos e impulsionar o consumo das famílias -que cresceu 4,1%,
o menor nível desde 2004 (3,8%).
Foi esse consumo, mesmo abaixo da média recente, que impediu
uma freada mais forte da economia. O governo também ampliou gastos
como forma de fazer política anticíclica: seu consumo
aumentou 3,7% em 2009.
Sob a ótica da produção, o setor de serviços,
menos sujeito às crises e embalado pelo consumo interno, avançou
2,6% em 2009 e atenuou a queda do PIB.
A crise travou também o comércio exterior do país:
as exportações recuaram 10,3%. As importações
cederam com mais intensidade: 11,4%. Desse modo, o país teve
a primeira contribuição positiva do setor externo para
a economia desde 2005, com acréscimo de 0,1 ponto percentual.
Indústria
e investimentos
Já a queda da indústria foi tão forte que o setor
perdeu peso no PIB: de 27,3% em 2008 para 25,4% em 2009. O mesmo ocorreu
com os investimentos -cuja taxa como proporção do PIB
cedeu de 18,7% em 2008 para 16,7% em 2009.
No sentido inverso, serviços e consumo das famílias ganharam
participação na economia do país.
Para 2010, a indústria e os investimentos devem liderar o crescimento,
em boa medida graças à enfraquecida base de comparação.
Nem mesmo a prevista alta da taxa básica de juros, dizem especialistas,
vai abortar o crescimento deste ano -seus efeitos, preveem, serão
mais notados em 2011.
"O consumo ainda deve permanecer forte, mas não vai sustentar
o nível do último trimestre, quando tivemos antecipação
de consumo por conta da expectativa do fim dos incentivos fiscais. Permanece
elevado, porém, porque vem sustentado por uma classe média
emergente, que quer consumir e que não teve a renda abalada pela
crise", avalia Bernardo Wjuniski, economista da Tendências
Consultoria.
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Agência
Diap, 12 de março de 2010
Mantega: economia vai crescer acima de 5,7%
em 2010, em níveis de 2008
Por Renata Veríssimo e Fabio Graner,
Na Agência Estado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevê que a economia brasileira
crescerá acima de 5,7% em 2010. Segundo ele, se nada mais ocorresse
na economia, o crescimento do PIB já seria de 2,7%, por causa do
efeito carregamento de 2009.
Ele considerou que, embora negativo (-0,2%),
o resultado do PIB em 2009 foi "razoável" porque o
mundo viveu a maior crise do capitalismo nos últimos anos. Ele
destacou que a indústria e os investimentos puxaram a expansão
do PIB no quarto trimestre do ano passado.
"Aquele vigor que a economia tinha antes
da crise foi retomado. O crescimento é de boa qualidade",
disse o ministro, destacando que a alta dos investimentos tem sido maior
do que o consumo, o que é salutar para a economia. "A economia
brasileira já deixou a crise para trás. O resultado do
quarto trimestre demonstra isso", afirmou.
Mantega disse que o Brasil teve o melhor desempenho
do que a maioria dos países do mundo. Segundo ele, os dados do
quarto trimestre anualizados só não foram melhores que
os da China, Rússia, Indonésia e México dentre
os países que compõem o G-20.
Ele destacou ainda o crescimento da demanda
não só pelo aumento do consumo das famílias, mas
também pela alta das vendas do comércio varejista.
"2010 começou muito bem, com a demanda
aquecida", disse, ao citar o setor de móveis, que recebeu
incentivo fiscal do governo, e de hipermercados e supermercados. "Janeiro
foi um mês forte de crescimento da demanda e certamente será
dos investimentos", declarou.
O ministro também ressaltou que o Brasil
foi um dos poucos países que geraram emprego durante a crise,
com quase um milhão de novos postos de trabalho com carteira
assinada, o que explica porque o mercado consumidor continua crescendo.
Mantega disse ainda que as medidas adotadas
pelo governo para superar a crise foram muito eficazes, tanto na reativação
do crédito quanto na redução de tributos para alguns
setores.
"A redução dos tributos está
sendo retirada porque a economia está recuperada e não
precisa desses empurrões do Governo", acrescentou.
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FOLHA DE LONDRINA, 12 de
março de 2010 | Economia
Brasil tem o 4º melhor desempenho
do mundo
Apesar da queda do PIB, economia teve forte
evolução no último trimestre de 2009
Rio de Janeiro - O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 0,2% em
2009, o primeiro resultado negativo desde 1992, sob o impacto da crise
financeira internacional. Apesar da queda, o resultado foi o quarto
melhor entre os 20 países da América e da Europa que já
anunciaram o desempenho de suas economias no ano passado e, entre os
países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China),
o País superou o desempenho da Rússia. Além disso,
segundo economistas, houve forte desempenho da economia no quatro trimestre
do ano passado, garantindo um crescimento (carry over) de pelo menos
de 2,7% a 3% em 2010 mesmo se a economia fique estagnada. Na segunda-feira
passada, a mediana das projeções de mercado estava em
5,50%.
''O mais provável é
que o mercado revise para cima suas projeções para o PIB
em 2010'', disse o economista da MCM, Antonio Madeira, para quem os
dados divulgados ontem, também pelo IBGE, sobre as vendas no
varejo, mostram que a atividade está muito longe da estagnação.
Ao contrário, o ritmo de recuperação nos primeiros
meses mostra-se forte e, o que é mais importante, sustentado
por fundamentos como mercado de trabalho e renda, e não mais
por estímulos fiscais. Ele aposta num carry over de 3% no ano.
Já o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges,
já começa o ano projetando um crescimento de 2,7% para
o encerramento do exercício, que também constatou ser
esta herança estatística a maior já registrada
no País desde a passagem 1994 para 1995. Naquele momento, o carryover
chegou a 6%.
Segundo a gerente de contas
trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, os investimentos foram os principais
responsáveis pela variação negativa do PIB. Ela
fez uma abertura dos dados do PIB do ano passado, em termos de contribuições
pelo lado da demanda, mostrando que os investimentos e os baixos estoques
derrubaram a economia.
Os investimentos, ou Formação
Bruta de Capital Fixo (FBCF), caíram 9,9% em relação
a 2008. A taxa de investimento (FBCF/PIB) total de 2009 ficou em 16,7%
ante 18,7% em 2008. A taxa de investimento do ano passado foi a menor
desde 2006, quando ela ficou em 16,4%. A formação bruta
de capital fixo é constituída principalmente por máquinas
e equipamentos e pela construção civil.
Já atividade da indústria
teve queda de 5,5%, a agropecuária recuou 5,2%, enquanto o setor
de serviços cresceu 2,6%. Mas o consumo das famílias subiu
4,1% e, do governo, 3,7%. ''A queda dos investimentos foi o principal
fator responsável pela queda do PIB, além da variação
dos estoques, que caíram porque a produção da indústria
diminuiu, apesar do aumento do consumo das famílias'', explicou
Rebeca.
Para a queda de 0,2% do PIB,
a demanda interna contribuiu com -0,3 ponto porcentual, apesar da contribuição
positiva do consumo das famílias (2,4 ponto porcentual) e do
consumo do governo (0,7 pp). Ainda do lado da demanda interna, a FBCF
teve uma contribuição negativa no dado final do PIB de
-1,9 pp, enquanto a variação de estoques contribuiu, também
negativamente, com -1,6 pp.
O setor externo, por sua vez,
deu a primeira contribuição positiva para o PIB desde
2005, com 0,1 pp em 2009. Em 2009, as exportações tiveram
queda de 10,3% em relação a 2008. Já as importações
caíram 11,4%. Segundo Rebeca, as contas abertas do PIB pelas
contribuições não fecha exatamente em 0,2% porque
houve arredondamentos e o objetivo é mostrar as principais influências,
em termos da demanda, na composição da taxa.
Juros
O economista da MCM destaca
que, mais importante do que a expansão do PIB em si, é
o fato de o crescimento ter sido sustentado, no segundo semestre de
2009, pelos investimentos. A Formação Bruta de Capital
Fixo (FBCF) cresceu 6,60% no quarto trimestre na margem e 6,30% no terceiro
trimestre ante o segundo. ''Isso é bom, porque indica que haverá
expansão da capacidade produtiva lá na frente'', afirma.
O resultado vigoroso das vendas
no varejo, de 2,70% em janeiro ante dezembro, é mais um dado
positivo sobre o crescimento da atividade. E reforça, em sua
opinião, a expectativa de aumento de juros no curto prazo, em
março ou em abril. Mais forte do que o mercado esperava, essa
expansão foi balanceada entre os diferentes segmentos, mostrando
que a recuperação já não depende mais dos
estímulos do governo.
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 12 de março de 2010
Sob Lula, país cresceu mais que
nos anos FHC
DA SUCURSAL DO RIO
No embate numérico dos PIBs, o crescimento médio da economia
durante o período do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) supera o exibido nos anos sob governo de Fernando Henrique Cardoso
(PSDB) -mesmo com a estagnação econômica de 2009.
No primeiro mandato de FHC (1995-1998), o crescimento médio da
economia foi de 2,5% ao ano. O último ano do período teve
expansão nula, quase equivalente ao índice registrado
em 2009 (-0,2%), segundo dados do IBGE.
Naquele período, a média de crescimento da economia mundial
por ano estava em 3,4%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional.
Nos quatro anos seguintes, 1999 a 2002, a expansão média
anual foi de 2,2% -os maiores impactos foram o racionamento, em 2001
(com PIB de 1,3%), e a crise cambial de 2002 (PIB de 2,7%).
Nesse intervalo, o mundo crescia a 3,4%, segundo o FMI.
Nos primeiros quatro anos de Lula, de 2003 a 2006, a economia cresceu,
em média, 3,5% -com destaque para a expansão de 5,7% em
2004. Enquanto isso, o mundo cresceu 4,5% por ano, em média,
de acordo com o FMI.
Na média dos três anos decorridos no segundo mandato de
Lula, o PIB brasileiro teve expansão de 3,7%. Foi o primeiro
mandato em que a economia brasileira superou a expansão mundial,
abatida pela crise -que emitiu os primeiros sinais em 2007 e avançou
em 2008 (com a quebra do banco Lehman Brothers nos EUA) e 2009. Nesse
triênio, a economia mundial deverá ter crescimento de 2,3%,
segundo dados do FMI com base em projeções para 2009.
Para o economista Bernardo Wjuniski, da Tendências Consultoria,
a comparação não pode desconsiderar as conjunturas
brasileira e mundial.
"Fernando Henrique teve que fazer reformas estruturais que deram
a Lula condições para que tivesse boa média e avançasse
em programas sociais. Não é historicamente justo creditar
apenas a Lula o crescimento recente. Ele se beneficiou também
da conjuntura externa, antes da crise. Mas seus méritos são
inegáveis, porque ele manteve a estabilidade e criou uma nova
classe média", afirma Wjuniski.
(SAMANTHA LIMA E PEDRO SOARES)
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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de março de 2010 | Economia
Sindicatos debatem redução
da jornada amanhã na Fiesp
Sindicalistas representantes de várias categorias reúnem-se
amanhã com dirigentes patronais na Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para negociar
a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais,
sem corte de salários. O encontro está previsto para as
10h30. Devem participar representantes de sindicatos dos metalúrgicos,
químicos, da indústria de alimentos, construção
civil e vestuário.
A redução da jornada
de trabalho para 40 horas tramita há 15 anos no Congresso e,
neste ano, as centrais e os sindicatos aumentaram a pressão pela
votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 231/95,
que trata do assunto. As centrais argumentam que com menos horas trabalhadas
cerca de dois milhões de empregos serão criados. A proposta
já foi aprovada por uma comissão especial da Câmara
e precisa ser votada em dois turnos pelo plenário.
"Enquanto o Congresso Nacional
não vota a redução da jornada, estamos mobilizando
os trabalhadores em todo Estado de São Paulo e buscando a negociação
direta com os sindicatos patronais e as fábricas", afirma
Claudio Magrão, presidente da Federação dos Metalúrgicos
do Estado de São Paulo.
A PEC que trata da redução
enfrenta resistência no Legislativo e das empresas. O presidente
da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), defende uma proposta
intermediária: redução para 43 horas em 2011 e
para 42 horas em 2012.
Em declaração
recente, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, argumentou que diversas
experiências internacionais mostram que objetivo do projeto -
aumento dos postos de trabalho - não será alcançado.
Também disse que a redução do período semanal
de trabalho de 48 para 44 horas, estabelecida pela Constituição
de 1988, "não criou um emprego sequer".
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Agência Diap, 12 de
março de 2010
Ipea: Brasil deve ter excedente de trabalhadores
qualificados em 2010
Um contingente de quase 653 mil profissionais com experiência
e qualificados terá dificuldade para se inserir no mercado de
trabalho em 2010. Situação, contudo, não tão
ruim quanto à do exército de 5,5 milhões de brasileiros
sem qualificação, dentro de um universo de 24,8 milhões
de pessoas disponíveis para a potencial demanda de 18,6 milhões
de postos de trabalho.
É o que consta no Comunicado
41 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado,
na última quarta-feira (10), em São Paulo: Emprego e Oferta
Qualificada de Mão de Obra no Brasil - Impactos do Crescimento
Econômico Pós-crise.
O texto traz dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE; da Relação
Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE).
Demanda
A estimativa da demanda de 18,6 milhões de ocupações
para 2010 divide-se em cerca de 11% de abertura líquida (pouco
mais de 2 milhões de novas vagas) e quase 90% advindos de demissões
(rotatividade), estimados pelo número de pessoas admitidas e
demitidas entre 2004 e 2008. Leva em conta ainda um crescimento de 5,5%
do PIB (a projeção não é a oficial do Ipea,
apenas um parâmetro técnico).
"Vivemos uma fase de recuperação
muito forte, superamos a contaminação da crise de 2008
e a expectativa, de maneira geral, é de um ano muito melhor do
que foram o ano passado e 2007", disse o presidente do Ipea, Marcio
Pochmann. Porém, acrescentou, "5,5 milhões de pessoas
dificilmente vão conseguir emprego pelo baixíssimo nível
de educação, e outros 653 mil trabalhadores vão
'sobrar', a despeito de terem qualificação".
Oferta
Essas estimativas nacionais, no entanto, escondem realidades diversas
nas projeções regionais e por setores da economia. Paraná,
com saldo de -18.441 entre a oferta e a demanda de trabalhadores, Santa
Catarina (-13.300) e Rondônia (-4.531) poderão sofrer escassez
de mão de obra qualificada.
Já quanto aos setores,
comércio e reparação (-187.580), e educação,
saúde e serviços sociais (-50.086) seriam os mais atingidos
pela falta de trabalhadores com formação adequada.
Para o presidente do Ipea, este
é um "problema bom", já que o Brasil ainda possui
um elevado excedente de mão de obra e acostumou-se a ele. "A
última vez que o País teve escassez assim foi no milagre
econômico [nos anos 1970]", lembrou.
Segundo o estudo, a ação
de políticas públicas de promoção de qualificação
dos trabalhadores poderia não apenas minorar essa escassez, mas
também reverter a baixa remuneração nas ofertas
de emprego.
O Comunicado do Ipea 41: Emprego
e Oferta Qualificada de Mão de Obra no Brasil - Impactos do Crescimento
Econômico Pós-crise foi lançado em São Paulo,
nas dependências da Caixa Econômica Federal da Praça
da Sé.
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Agência Diap, 12 de
março de 2010
Sobrecarga no lar impacta ascensão
feminina no trabalho, segundo Ipea
A persistente responsabilização
das mulheres pelos trabalhos domésticos não remunerados
é apontada como fator preponderante na desigualdade entre homens
e mulheres no mercado de trabalho. Essa é uma das conclusões
do Comunicado do Ipea 40, Mulheres e trabalhos: avanços e continuidades,
que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou,
na última segunda-feira (8), Dia Internacional da Mulher.
Apesar de ocuparem cada vez
mais postos no mercado de trabalho, 86% das mulheres ainda são
responsáveis pelos trabalhos em casa, enquanto os homens são
45%, segundo dados de 2008 do IBGE. Elas dedicam em média quase
24 horas por semana aos afazeres domésticos. E os homens, apenas
9,7 horas.
O estudo trata, ainda, das consequências
dessa naturalidade em atribuir às mulheres os afazeres domésticos.
Os efeitos vão desde a menor disponibilidade da mulher às
jornadas de trabalho que exijam mais tempo, à ação
dos estereótipos e a ocupação de 42% das mulheres
em posições precárias, em comparação
com 26% dos homens.
A coordenadora de Igualdade
e Gênero do Ipea, Natália Fontoura, afirmou que, se de
um lado há muitas trabalhadoras precarizadas, no outro extremo
há um crescente grupo de profissionais liberais mais escolarizadas
e bem remuneradas que podem se lançar no mercado de trabalho
porque delegam as responsabilidades familiares a outras mulheres, as
empregadas domésticas.
"Isso cria um encadeamento
perverso de mulheres ligadas às atribuições que
deveriam ser de todos, independentemente de ser homem ou mulher",
disse a técnica.
Políticas
públicas
As mudanças nos arranjos familiares, com quase 35% de mulheres
chefes de família, o tempo médio de estudo das mulheres
de 7,6 anos - que já é superior ao dos homens (7,2 anos)
-, e o percentual crescente de mulheres que entram no mercado de trabalho
são algumas das principais mudanças registradas entre
1998 e 2008 no Brasil.
Apesar disso, o Comunicado mostra
que praticamente nada mudou com relação ao trabalho doméstico
no que diz respeito à distribuição dos afazeres
entre homens e mulheres.
Natália Fontoura alertou
para o papel das políticas públicas e das instituições
no sentido de promover uma mudança cultural e estimular o compartilhamento
de atividades domésticas. A pesquisadora sugeriu uma licença
paternidade maior e também licenças paternais que tanto
mulheres quanto homens poderiam usar para resolver emergências
dos filhos.
"Isso muda a visão
do empregador. Se qualquer um pode tirar essa licença, na hora
de escolher entre uma mulher ou um homem, a mulher não será
mais discriminada, além de o pai ganhar mais tempo para a família",
concluiu.
Leia
Comunicado do Ipea 40 na íntegra
Veja
os gráficos de apresentação do comunicado
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TEM, 12 de março
de 2010
Empresas brasileiras suspeitas de não
pagar R$ 20,3 bi em horas-extras
Levantamento da Secretaria de Inspeção do Trabalho, do
Ministério do Trabalho e Emprego, mostra que R$ 20,3 bilhões
referentes a horas-extras podem estar deixando de ser pagas aos trabalhadores
brasileiros anualmente.
Ao deixar de registrar o trabalho
adicional de seus empregados, a sonegação à Previdência
Social pode chegar a R$ 4,1 bilhões, e ao Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço mais R$ 1,6 bilhão.
Somadas, as horas-extras trabalhadas
e não pagas no Brasil equivalem à carga horária
referente a 956,8 mil empregos, que poderiam ser gerados em lugar do
trabalho extra não remunerado. O estudo tem como base o Relatório
Anual de Informações Sociais (Rais) do MTE.
Para evitar que os empregados
continuem trabalhando de graça para as empresas, o MTE publicou
em agosto de 2009 a Portaria 1.510, que disciplina o registro eletrônico
de ponto e a utilização do Sistema de Registro Eletrônico
de Ponto pelas empresas.
O novo modo eletrônico
de marcação de entrada e saída dos trabalhadores
entrará em vigor em agosto de 2010. Segundo o ministro do Trabalho
e Emprego, Carlos Lupi, a portaria não tolhe outras formas de
marcação de ponto.
"O controle eletrônico
de ponto é opcional. As empresas que não quiserem utilizar
o novo sistema poderão utilizar o sistema antigo", informa
Lupi, referindo ao artigo 74 da CLT, que faculta o uso de registro de
ponto manual ou mecânico. Contudo, se o meio eletrônico
for adotado, deverão ser seguidas as instruções
da Portaria 1.510.
A principal intenção
do novo controle de jornada de trabalho é impedir que os horários
anotados na entrada e saída do expediente de trabalho sejam alterados,
como possibilitam alguns programas de computador disponíveis
no mercado atualmente.
Os novos relógios de
ponto devem emitir comprovante da marcação a cada registro
efetuado, para que os trabalhadores tenham comprovação
do horário de início e fim do expediente.
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Folha de S.Paulo, 12 de março
de 2010
Seguro Acidente
Fiesp suspende contribuição
A Fiesp conseguiu obter uma
liminar no TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região
para suspender, para os sindicatos filiados, o pagamento do seguro de
acidentes de trabalho segundo a nova metodologia, pelo FAP (Fator Acidentário
de Prevenção). O governo diz que as suspensões
tendem a ser revogadas e que o pagamento, então, terá
de ser feito de modo retroativo.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
12/03/2010
Trabalhador avulso não tem direito
a férias em dobro
Embora a Constituição
Federal garanta igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo
permanente e o trabalhador avulso, essa igualdade não permite
o pagamento em dobro das férias vencidas. Por isso, a Quinta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho não conheceu recurso de
portuário com o objetivo de reformar decisão do Tribunal
Regional da 12ª Região (SC) favorável ao Órgão
de Gestão de Mão-de-Obra Portuária de Imbituba
– OGMS.
O OGMS é uma entidade
sem fins lucrativos que intermedeia a mão de obra nos portos
e, nessa condição, repassa ao trabalhador o pagamento
feito pelas empresas tomadoras de serviço. O valor referente
às férias é repassado mensalmente, segundo acordos
coletivos como os sindicatos da categoria. No caso do processo, o TRT
entendeu que, devido à peculiaridade da relação
de trabalho, o portuário não teria direito a férias
em dobro.
Inconformado, ele recorreu ao
TST.
No entanto, para o ministro João Batista Brito Pereira, relator
do processo na Quinta Turma, o artigo 137 da Consolidação
das Leis Trabalhista do Trabalho (CLT), que determina o pagamento em
dobro das férias vencidas, tem por destino o empregador, que
está obrigado a estabelecer a época das férias
do empregado dentro do período legal.
“Com efeito, não há vínculo de emprego entre
trabalhador avulso e órgão gestor, de forma que ele não
pode atribuir responsabilidade pela não concessão de férias”,
concluiu o relator. Assim, não poderia haver a penalidade de
férias em dobro para o órgão de gestão da
mão de obra do porto.
Com esse entendimento, a Quinta
Turma não reconheceu recurso do portuário e, na prática,
manteve o julgamento do TRT da 12ª Região favorável
à empresa. (RR-924/2007-043-12-00.3)
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12/03/2010
Quinta Turma: equiparação salarial
não se aplica à mesma empresa mas em diferentes localidades
Idêntica função,
único empregador, mesma localidade: igual salário, sem
distinção de sexo, nacionalidade ou idade. Essa é
a fórmula da isonomia salarial estabelecida pelo artigo 461 da
CLT. No entanto, faltando um dos critérios, a equiparação
encontra obstáculos para ser concedida. Foi o que aconteceu no
caso de uma gerente que pretendia isonomia com colega da mesma empresa,
mas de outra localidade - na verdade, de outro Estado. Pela ausência
do critério de mesma localidade, a Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho julgou improcedente o pedido da trabalhadora.
A definição de
mesma localidade refere-se ao mesmo município, ou a municípios
distintos que, comprovadamente, pertençam à mesma região
metropolitana. Com base nesse conceito, o ministro Emmanoel Pereira,
relator do recurso de revista, ressalvou que, ainda que a atividade
desenvolvida seja igual e prestada à mesma empregadora, o disposto
no artigo 461 da CLT não se aplica quando o trabalho é
realizado em localidades diferentes, “em decorrência das
peculiaridades de cada região”.
O relator esclarece que o pressuposto
da localidade estabelecido na CLT se justifica porque “não
há como se assegurar que dois empregados que trabalham em regiões
distintas, embora em uma mesma empresa, possam ter atribuições
e funções absolutamente idênticas, com igual produtividade
e mesma perfeição técnica”. Acrescenta, ainda,
o ministro, que “o custo de vida da região, o grau de responsabilidade,
as diversas atribuições que se diferenciam de acordo com
as exigências, como no caso do mercado de trabalho, requerem tratamento
diferenciado, e, assim, afigura-se razoável a discriminação
de gratificação gerencial quando não preenchidos
tais requisitos”.
Ao julgar improcedente o pedido
de equiparação feito pela gerente, a Quinta Turma reforma
acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região
(PB), que havia reconhecido a existência de isonomia salarial.
Entre outros fundamentos, o TRT/PB considerou que a empregadora não
obedeceu ao princípio da proibição de práticas
discriminatórias e que a norma interna da empresa, ao estipular
as atribuições ao cargo em comissão de gerência,
foi genérica, e não criou os aspectos distintivos relativos
à predominância dos fatores sociais e econômicos
de cada município onde tem sede de escritórios de negócios.
Para o ministro Emmanoel, foi
comprovada a utilização de critérios objetivos
para a distinção do pagamento de gratificação
de função, o que o faz reconhecer que não há,
no procedimento em exame, afronta ao princípio de isonomia. Destaca,
inclusive, que a empresa possui quadro organizado, “que, em regra,
impede a configuração de equiparação salarial”.
(RR - 75940-30.2007.5.13.0004)
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12/03/2010
SDI-1: base de cálculo de adicional
para eletricista em risco é a mesma do eletricitário
A exposição a
condições de risco equiparado ao dos eletricitários
- que operam sistema elétrico de potência - foi o que garantiu
a um eletricista o direito a receber o adicional de periculosidade sobre
todas as parcelas de natureza salarial, e não apenas sobre o
seu salário básico. A decisão é da Seção
I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal
Superior do Trabalho, que aplicou a um operador de bombas da Companhia
de Abastecimento d’Água e Saneamento do Estado de Alagoas
(Casal) a mesma norma especial destinada aos eletricitários.
O direito a receber o adicional
de periculosidade se estende ao eletricista exposto ao risco de choque
elétrico, mesmo que o trabalhador não atue em distribuidora
de energia elétrica. No entanto, a base de cálculo do
adicional é um tema polêmico: o pagamento para o eletricista
não eletricitário deve ser feito apenas sobre o salário
básico ou sobre o conjunto de parcelas de natureza salarial,
como outros adicionais?
Para o ministro Augusto César
Leite de Carvalho, relator dos embargos, apesar das inúmeras
controvérsias a respeito do tema, envolvendo cabistas, instaladores
e reparadores de linhas e aparelhos de empresas de telefonia, a jurisprudência
do TST, conforme a Orientação Jurisprudencial 324 da SDI-1,
“assegurou o mesmo direito ao adicional de periculosidade a esses
empregados desde que, no exercício de suas funções,
fiquem expostos a condições de risco equivalente ao do
trabalho daqueles que operam sistema elétrico de potência”.
A decisão da SDI-1 recupera
a sentença de primeira instância, que deferira o pedido
ao trabalhador, retirado posteriormente pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 19ª Região (AL), com entendimento no mesmo sentido da
Quarta Turma do TST. Diante desse resultado, o eletricista recorreu
à Seção Especializada, alegando, entre outras razões,
violação do artigo 1º da Lei 7.369/85 e contrariedade
à Súmula 191 do TST, motivo, pelo qual, o ministro Augusto
César entendeu que procedia o inconformismo do trabalhador.
O relator informa que o artigo
1º da Lei 7.369/85 estabelece, como um dos requisitos para se caracterizar
o direito ao adicional, as condições de periculosidade
em que são exercidas as atividades. Esclarece, ainda, que a Casal
expressamente confessou ser devido o adicional de periculosidade à
base de 30%, admitindo, inclusive, que o empregado exerceu função
de operador de bombas na companhia. Além disso, o relator agrega
à sua fundamentação a jurisprudência quanto
ao artigo 1º da Lei 7.369/85, que vem, segundo ele, interpretando-o
no sentido de não restringir o adicional de periculosidade aos
empregados que trabalham no setor de energia elétrica.
Diante disso, o ministro Augusto
Cesar entendeu “razoável aplicar o mesmo tratamento com
relação à base de cálculo, não havendo
porque negar a base de cálculo prevista no mesmo texto legal,
sob o argumento de que se está diante de empregado eletricista
que labora em empresa que não seja de distribuição
de energia elétrica”.
Seguindo o voto do relator,
a SDI-1 deu provimento aos embargos para determinar que a base de cálculo
do adicional de periculosidade é o salário-base do eletricista,
acrescido das demais verbas de natureza salarial. E-RR - 250500-33.2005.5.19.0010
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12/03/2010
Sexta Turma: tempo gasto em cursos e palestras
fora da jornada de trabalho configura hora extra
Por unanimidade, a Sexta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou (não conheceu) recurso
de revista da Braskem S.A. contra a condenação de pagar
como hora extra o tempo gasto pelos empregados em cursos e palestras
oferecidos pela empresa fora do horário de trabalho.
Com esse julgamento, na prática,
ficou mantida a decisão do Tribunal do Trabalho de Alagoas (19ª
Região) que determinara o pagamento das horas extras, conforme
pedido do Sindicato da categoria, excluído o tempo despendido
em programas estranhos ao interesse da empresa.
O relator e presidente do colegiado,
ministro Aloysio Corrêa da Veiga, explicou que a decisão
regional deveria ser mantida porque fora baseada no exame do conjunto
probatório dos autos, que não pode ser revisto no TST
(Súmula nº 126/TST). Ainda segundo o relator, a parte apresentou
exemplos de julgados inespecíficos para confronto de teses (incidência
da Súmula nº 296/TST).
De acordo com o Regional, testemunhas
confirmaram que a participação nos cursos e palestras
oferecidos pela empresa era importante na avaliação dos
trabalhadores. Daí a conclusão do TRT de que a falta de
participação nessas atividades causaria prejuízos
aos empregados, tais como: redução na participação
nos lucros e resultados e preterição no momento das promoções.
Na opinião do TRT, as
atividades programadas pela empresa fora da jornada de trabalho era
elogiável, pois o aperfeiçoamento profissional é
responsabilidade de todo empregador. Mas, por outro lado, era inadmissível
que a participação nesses eventos não fosse remunerada
como horas extras, uma vez que tinham por finalidade melhorar a produtividade
dos profissionais da empresa. A exceção seria no caso
dos programas sem relação com a atividade empresarial
desenvolvida, a exemplo dos cursos de apicultura e hidroponia.
No TST, a empresa argumentou
que o interesse na capacitação é do empregado e
que os cursos não eram obrigatórios, e sim facultativos.
Disse que, na medida em que o Tribunal alagoano excluíra da condenação
as horas relativas à participação em cursos que
não guardavam relação com as atividades da empresa,
reconheceu a natureza facultativa dos cursos oferecidos aos empregados.
Destacou também que,
durante a realização de cursos de aperfeiçoamento,
os empregados não se encontravam efetivamente trabalhando ou
à disposição para o trabalho. Além do mais,
faltou ao Sindicato provar que a não participação
nos cursos sujeitaria os trabalhadores a retaliação ou
punição.
Entretanto, diferentemente
do sustentado pela empresa, na interpretação do ministro
Aloysio, não houve violação do artigo 4º da
CLT (que trata do tempo que o empregado se encontra à disposição
do empregador), diante da constatação, por meio de prova,
de que a não participação nos cursos oferecidos
trazia prejuízos aos empregados. Da mesma forma, concluiu o relator,
a parte não teve o seu direito constitucional de ampla defesa
e contraditório prejudicado. (RR – 1500- 66.2005.5.19.0004)
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