 |
Valor Online, 1 de setembro de 2010
Queda da desigualdade de renda
no país coloca mais 31,9 mi no mercado
Por João Villaverde,
No Valor Online
"No futuro, as pessoas não olharão
Lula como o novo Getúlio Vargas. Mas entenderão Vargas
como o Lula do passado. O presidente encarna a principal mudança
por que passou o Brasil nos últimos anos, ele é a nova
classe média. Lula é o Nelson Mandela tupiniquim".
A análise é de Marcelo Néri,
economista da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro
(FGV-RJ) e um dos maiores especialistas em política social do
país.
"Na última década, a desigualdade
de renda caiu como nunca em nossa história. O equivalente a 31,9
milhões de pessoas ascenderam à classe C, ingressando
no mercado consumidor, ampliando a capacidade de nossa economia crescer",
avalia Neri, para quem, no entanto, o futuro do país está
nas classes A e B.
"Quando terminarmos o processo de transferir
pessoas das classes D e E para a C, passaremos a transferi-las da C
para cima, o que gerará maior pressão sobre os ricos".
A percepção de Neri não
é isolada. Durante seminário realizado ontem pela Fundação
Getulio Vargas, em São Paulo, economistas e cientistas políticos
configuraram o atual momento da economia brasileira como "privilegiado".
Para o cientista político André
Singer, as condições econômicas e sociais estão
próximas do período do New Deal, nos Estados Unidos, quando
o governo americano, por meio de gastos em programas de amparo social
e em obras de infraestrutura, impulsionou o crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB) após o "crash" de 1929. "Para ir além",
disse Singer, "é indispensável manter a elevação
do salário mínimo".
O processo virtuoso, conforme avaliação
dos participantes do debate, está assentado em "pontos-chave",
como denominou Neri. Segundo números do economista da FGV, a
renda oriunda do trabalho respondeu por 67% da redução
na desigualdade, a frente dos 17% oriundos de programas de transferência
direta de renda, como Bolsa Família, e dos 15,7% provenientes
da Previdência Social.
"O tripé é este", diz
Singer, "quer dizer, aumento do emprego, seguido de gastos com
pobreza extrema e aposentadorias".
Este quadro, no entanto, também revela
problemas. "Do ponto de vista do crescimento acelerado combinado
com redução da desigualdade, o jogo como está colocado
hoje é preocupante", avalia Mariano Laplane, economista
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
"Ficamos por quase 30 anos completamente
à margem do desenvolvimento. O mundo moveu seu eixo tecnológico
e industrial para os países asiáticos, ao longo dos anos
1970, e nós ficamos parados, assistindo isso tudo", afirma.
A lógica de Laplane, compartilhada por
outros economistas da FGV, é que o ritmo acelerado do PIB - que
neste ano, segundo estimativas do governo, deve passar por ampliação
de 7%, a maior em 24 anos - não se sustentará, uma vez
que o parque industrial brasileiro é pouco desenvolvido tecnologicamente,
quando comparado com outros países, como a China.
"Os ganhos de produtividade que nossa indústria
fez após a abertura comercial, em 1990, são claramente
incapazes de fazer frente aos competidores externos", avalia Laplane,
para quem a ampliação do mercado de trabalho passa, principalmente,
por maior oferta de empregos no setor industrial.
"Nos próximos dez anos, nosso crescimento
será focado no mercado interno. Se não quisermos que a
renda que estamos dividindo vaze para o exterior, por meio do consumo
de importados, é preciso atenção maior com a indústria",
raciocina Paulo Gala, economista da FGV-SP.
A pressão por mudanças, no entanto,
ocorrerá de forma difusa, avaliam Neri e Singer. Para este, a
nova classe média é "parcialmente conservadora",
uma vez que quer continuar ascendendo socialmente, mas deseja que isso
ocorra dentro da ordem, sem radicalizações.
"Seja para fortalecer o processo de redução
da pobreza, seja para efetuar mudanças do lado econômico,
como alterar o câmbio e reduzir os juros, o Estado têm diante
de si um novo proletariado, que está no setor de serviços,
como os operadores de telemarketing", diz Singer.
Para Neri, a nova classe média "não
precisa tanto do Estado quanto os mais pobres", assim, passa a
ser natural que o Estado "foque mais em políticas sociais
aos mais necessitados, deixando a classe ascendente com margem para
desenvolvimento próprio".
|
Agência Diap, 1 de setembro
de 2010
Metade dos trabalhadores com CTPS
são das micro e pequenas empresas
As micro e pequenas empresas
correspondem a mais de 99% dos 5,8 milhões de negócios
formais existentes no Brasil e empregam 52,3% dos 24,9 milhões
de trabalhadores com carteira assinada. Isso corresponde a 13,1 milhões
de empregados - destes, 8,5 milhões, ou 64,9%, vivem no interior
do País.
Os dados constam da terceira
edição do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena
Empresa, lançado, nesta terça-feira (31), pelo Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A
edição apresenta números de 2008 e 2009.
"As micro e pequenas empresas
são responsáveis por um volume expressivo dos empregos
e também por um volume e massa de rendimentos bastante relevantes",
avalia o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz, durante a apresentação
do anuário.
"Nossas empresas continuam
empregando boa parte das pessoas formalizadas e, além disso,
estão aumentando os salários. Isso é uma tendência
que vem se mantendo desde 2002", acrescentou o presidente do Sebrae,
Paulo Okamotto.
Emprego
por região
De acordo com o anuário, mais da metade dos 8,5 milhões
de empregos estão localizados no interior da Região Sudeste,
enquanto o interior da Região Sul registra 2,2 milhões
de empregos, e o Nordeste, 967,7 mil. No Centro-Oeste, são 449,3
mil, e na Região Norte, 246,5 mil empregos situados no interior
dos estados.
De 2000 a 2008, o número
de micro e pequenas empresas aumentou de 4,1 milhões para 5,7
milhões - um crescimento de 40%. No período, foi ampliado
em 4,5 milhões o número de empregados com carteira assinada,
que estava em 8,6 milhões e passou para 13,1 milhões.
Os homens continuam sendo maioria
entre os trabalhadores das micro e pequenas empresas. Em 2008, foram
3,7 milhões na microempresa e 4,5 milhões na pequena empresa.
No entanto, essas empresas ampliaram a contratação de
mulheres entre 2000 e 2008, passando de 1,5 milhão para mais
de 2,3 milhões nas microempresas e de 1,3 para 2,3 milhões
nas pequenas empresas.
Participação
feminina
Segundo o Sebrae, o aumento da contratação da mão
de obra feminina é registrado principalmente nos setores do comércio
e de serviços, seguido pela indústria.
As unidades federativas que
mais empregaram mulheres foram o Distrito Federal e as regiões
metropolitanas de Salvador (BA), Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre
(RS).
Já as regiões
metropolitanas de São Paulo e Recife foram as que apresentaram
a menor participação feminina no mercado de trabalho dos
micro e pequenos empreendimentos.
Instrução
Outra mudança apontada pelo anuário está relacionada
à escolaridade, com as micro e pequenas empresas passando a contratar
trabalhadores com grau de ensino mais elevado entre 2000 e 2008.
Os trabalhadores com o ensino
médio completo passaram de 21,4% para 41,7%. As contratações
de empregados com o terceiro grau completo apresentaram uma leve subida,
passando de 3,4% para 4,7%.
Base
de dados
O anuário tem como base de dados diversos órgãos
públicos, entre eles a Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese,
a Relação Anual de Informações Sociais (Rais)
do Ministério do Trabalho e Emprego e a Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
O Sebrae também lançou,
nesta terça-feira (31), o MPE Data, um site que atualizará
constantemente informações sobre micro e pequenas empresas,
bem como sobre o trabalhador brasileiro.
A nova ferramenta pretende agregar
em um único ambiente dados que ajudem a entender a realidade
dos negócios no país e, dessa forma, facilitar o trabalho
de profissionais e estudiosos interessados em desenvolver políticas
públicas. (Fonte: Agência Brasil)
|
Agência Câmara,
1 de setembro de 2010
Orçamento chega ao Congresso
sem aumento real para o mínimo
A proposta orçamentária para 2011 (PLN 59/10) foi entregue
nesta terça-feira (31) ao Congresso. O salário mínimo,
que referencia a renda de 46 milhões de brasileiros, foi fixado
em R$ 538,15 — um aumento nominal de 5,52% frente ao valor atual
(R$ 510), vigente desde 1º de janeiro. Esse percentual refere-se
à previsão de inflação acumulada para 2010,
pelo INPCMede a variação de preços da cesta de
consumo das famílias de baixa renda, com salário de um
a seis mínimos, entre os dias 1º e 30 do mês de referência.
Abrange nove regiões metropolitanas do País (São
Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza,
Belém, Porto Alegre e Curitiba), além do município
de Goiânia e de Brasília. O índice é calculado
pelo IBGE desde 1979 e é muito utilizado como parâmetro
para reajustar salários em negociações trabalhistas..
É a primeira vez que o projeto orçamentário vem
sem aumento real desde que começou a ser adotada a atual sistemática
de reajuste, mesmo com o bom desempenho da economia neste ano e no próximo
(segundo a previsão do governo).
O ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, disse que o Executivo cumpriu as regras do acordo de
valorização do salário mínimo assinado com
as centrais sindicais em 2007. Por esse acordo, a política de
aumentos deve vigorar até 2023 baseada em dois pontos: a cada
ano, o mínimo recebe uma correção equivalente ao
INPC acumulado desde o último reajuste, acrescido de um aumento
real pela variação do PIBIndicador que mede a produção
total de bens e serviços finais de um país, levando em
conta três grupos principais: - agropecuária, formado por
agricultura extrativa vegetal e pecuária; - indústria,
que engloba áreas extrativa mineral, de transformação,
serviços industriais de utilidade pública e construção
civil; e - serviços, que incluem comércio, transporte,
comunicação, serviços da administração
pública e outros. A partir de uma comparação entre
a produção de um ano e do anterior, encontra-se a variação
anual do PIB. de dois anos anteriores.
Ou seja, para 2011 o aumento
deveria ser lastreado na previsão de INPC para o ano (5,52%)
mais o PIB de 2009. O problema é que a variação
desse PIB foi negativa (-0,2%) em consequência da crise financeira
mundial, e o mínimo chega ao Congresso sem reajuste real. “Estamos
apenas seguindo o acordo. Mandamos o Orçamento com um critério
técnico”, disse Bernardo.
Ele lembrou que caberá
aos deputados e senadores, em negociações com o governo
e as centrais sindicais, estabelecer o valor final do salário
na lei orçamentária, mas disse que não concorda
com mudanças no critério atual de reajustes. “As
centrais estão se precipitando quando querem mudar o acordo.
Fica parecendo um pouco casuístico”, afirmou o ministro,
referindo-se às manifestações de sindicalistas,
nesta terça, que defenderam aumento real no próximo ano.
As negociações
para o novo valor deverão ser conduzidas pelo relator-geral do
Orçamento, o senador Gim Argello (PTB-DF). No ano passado, o
mínimo veio do Executivo com o valor de R$ 505,55, mas foi aumentado
no Congresso para os atuais R$ 510. O próprio Paulo Bernardo
admitiu que o valor final será diferente, “redondo”,
como R$ 540, mas defendeu a manutenção da política
de reajustes. Cada real de aumento no salário provoca uma despesa
extra de R$ 286,4 milhões para os cofres federais.
Despesa
estável
A proposta orçamentária é a última do governo
Lula e vai passar pelo crivo do Congresso e da equipe de transição
do presidente eleito em outubro. As despesas somam R$ 1,94 trilhão
(mesmo valor das receitas), dos quais R$ 913,9 bilhões referem-se
às despesas primárias. O restante, pouco mais de R$ 1
trilhão, é referente a gastos com o pagamento da dívida
públicaDívida contraída pelo governo para financiar
gastos não cobertos pela arrecadação de impostos
e para alcançar objetivos da política econômica,
como controlar o nível de atividade, crédito, consumo
ou captar dólares no exterior. A dívida pública
pode ser interna ou externa. federal.
As despesas obrigatórias
devem alcançar, segundo a previsão do governo, R$ 551,2
bilhões, contra R$ 498,4 bilhões para este ano, com base
na última avaliação divulgada pelo ministério.
As despesas mantêm-se no mesmo patamar do PIB – 14,14% neste
ano e 14,16% em 2011.
No caso da receita líquida
da União – o que fica após as transferências
legais e constitucionais –, a variação é
mais significativa entre os dois anos. Para 2011 ela foi estimada em
R$ 802,8 bilhões na proposta orçamentária, ou 20,62%
do PIB; contra R$ 708,2 bilhões projetados para este ano (20,09%
do PIB).
Parâmetros
econômicos
A meta de resultado primário é a fixada pela Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDOLei que define as metas e prioridades
da administração pública federal, incluindo as
despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente,
orienta a elaboração da Lei Orçamentária
Anual, dispõe sobre as alterações na legislação
tributária e estabelece a política de aplicação
das agências financeiras oficiais de fomento. ): R$ 125,5 bilhões
para o setor público e R$ 81,8 bilhões para o governo
central (Tesouro Nacional e INSS). Esse número representa 3,22%
do PIB. Quando enviou o projeto da LDO, em abril, o mesmo valor equivalia
a 3,3%. A diferença (0,08 ponto percentual ou R$ 3,1 bilhões)
decorre da previsão de crescimento do PIB para o próximo
ano. A primeira estimativa, contida na LDO, era de R$ 3,802 trilhões.
A proposta orçamentária prevê R$ 3,892 trilhões.
Os investimentos públicos
também cresceram na proposta orçamentária e alcançaram
R$ 159,6 bilhões — R$ 52 bilhões dos orçamento
fiscal e da seguridade e R$ 107,5 bilhões das estatais. Em 2010,
o valor disponível para investimentos é de R$ 138,5 bilhões,
segundo o ministério.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
01 de setembro de 2010 | Economia
Bernardo vê precipitação
sobre critério para mínimo
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que as centrais sindicais
estão se precipitando quando dizem que pedirão ao governo
que mude o critério de reajuste do salário mínimo.
"Fica parecendo casuístico", afirmou. Pelo critério
de aumento do salário são considerados a inflação
e o resultado do PIB de dois anos anteriores.
A reclamação dos
sindicatos é porque o crescimento da economia brasileira foi
prejudicado pelo impacto da crise financeira internacional. Bernardo
argumentou, no entanto, que a escolha pelo PIB de dois anos atrás
foi porque é o dado disponível, que está em mãos.
Isso porque que, apesar do resultado da economia em 2009 já ter
sido calculado pelo IBGE, o instituto costumeiramente revisa os dados.
No caso do PIB de 2009, isso se dará em novembro próximo.
"O aumento de 2012 (do salário mínimo) já
está garantido que será parrudo", afirmou o ministro,
lembrando que a projeção do Ministério da Fazenda
para o PIB de 2010 e que será usada como referência para
daqui a dois anos é de 7%.
Bernardo acredita que o melhor que o governo tem a fazer é insistir
no critério que tem sido usado nos últimos cinco anos.
"Quando está bom (o crescimento do PIB), está ótimo
(o aumento do salário). Quando está ruim, queremos mudar?",
questionou. De qualquer forma, ele salientou que está prevista
a realização de uma revisão dos critérios
a partir do próximo ano. Para o ministro, elevar o salário
mínimo para R$ 550,00 é uma arbitrariedade. "Parece
que querem fazer uma bondade", comentou.
Ele salientou ainda que dificilmente
o salário a ser aprovado pelo Congresso será o da proposta
calculada pelo governo, que é de R$ 538,15. "É evidente
que não vai ficar desse jeito. Nem tem como pagar pela maquininha",
disse, acrescentando que, segundo ele, será de bom senso se o
parlamentar decidir arrendondar esse número.
Judiciário
O ministro Paulo Bernardo considerou
"esquisito" o projeto do Supremo Tribunal Federal (STF) que
permite que os próprios ministros da Corte reajustem seus salários.
A avaliação foi feita em entrevista após o anúncio
do projeto de lei orçamentária para 2011. Segundo Bernardo,
o projeto da lei orçamentária enviado hoje ao Congresso
não prevê novos reajustes para o funcionalismo público.
O Ministério do Planejamento
informou também que, em termos nominais, o déficit da
Previdência para 2011 será de R$ 41,258 bilhões,
o equivalente a 1,1% do PIB.
|
Agência Brasil, 1 de
setembro de 2010
Dilma diz que, se eleita, vai negociar
mínimo com centrais sindicais
Presidenciável petista defendeu ainda
que a base para a negociação com as centrais é
o critério de formação do valor do mínimo
praticado hoje, que considera a inflação do ano anterior
mais o percentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos
dois últimos anos
Por Luciana Lima,
Na Agência Brasil
A candidata do PT à Presidência
da República, Dilma Rousseff, disse que pretende discutir com
as centrais sindicais o valor do salário mínimo para 2011,
caso seja eleita. O valor de R$ 538,15, encaminhado pelo Governo, nesta
terça-feira (31), ao Congresso Nacional hoje, de acordo com Dilma,
é apenas uma "referência".
"Acho que eles [o Governo]
deram uma proposta de referência. Agora, nós vamos ter
de sentar e fazer o mesmo processo que o Governo Lula fez com as centrais.
Caso seja eleita, eu farei isso, ou seja, vou discutir com as centrais
uma proposta de longo prazo, que a gente considera no período
do Governo, de 2011 a 2014, para um critério de reajuste",
afirmou.
Dilma ainda defendeu que a base
para a negociação com as centrais é o critério
de formação do valor do mínimo praticado hoje,
que considera a inflação do ano anterior mais o percentual
do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois últimos
anos.
A candidata disse ainda que
pretende dar continuidade à política de valorização
do salário mínimo a longo prazo, iniciada no Governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma, no entanto, evitou
falar em valores, considerando que seria "leviandade" projetar
o salário até 2014.
O Governo propôs por meio
de um projeto de lei uma política de valorização,
contudo, a proposta nunca foi apreciada pelo Congresso. Diante do impasse,
a solução encontrada pelo Governo foi a edição
de medidas provisórias para estabelecer o valor do salário
mínimo a cada ano.
A candidata petista negou que
teria recebido do Governo proposta para uma reforma na Previdência.
"Se existe essa proposta, não chegou até mim",
disse. Mas se posicionou contrária a uma reforma e defendeu ajustes
pontuais.
Dilma considerou que o déficit
previdenciário não representa um fator tão grave
hoje no Brasil e justificou que a parte paga aos aposentados rurais,
por exemplo, deve ser considerada "mais uma política social
do Governo". "É como o Bolsa Família",
comparou a candidata. "Não acho que a questão do
déficit da Previdência seja tão séria",
completou.
Dilma Rousseff considerou "estranhíssimos"
os boatos de que pretende promover um ajustes fiscal nas contas do Governo,
caso seja eleita. "Sou a favor de uma política de crescimento
para o Brasil. Com o ajuste fiscal você desmonta o Estado executor
e fortalece o Estado fiscalizador".
Segundo Dilma, pensar em ajuste
fiscal é pensar com a cabeça no Brasil antes do Governo
do presidente Lula. "É pensar como se o Brasil fosse o mesmo
de 2002. E aí, eu sinto muito, mas o Brasil de 2002 não
existe mais, acabou", disse a candidata.
Ao detalhar as mudanças
ocorridas no Brasil, Dilma ressaltou os avanços na área
econômica. "O Brasil nunca cresceu 7% desde 1986. Olhar o
Brasil daqui para a frente e achar que é menos que nós
fizemos está errado. O Brasil daqui para a frente é mais
do que nós fizemos. Daqui para a frente temos mais oportunidades,
e não menos. Nosso horizonte abriu. Não somos aquele país
de 2002, por isso acho estranhíssimas as propostas de ajuste
fiscal", afirmou.
Dilma ainda assegurou que nenhuma
proposta de ajuste fiscal foi defendida para ela por um dos seus coordenadores
de campanha, o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "É
melhor perguntar para ele o que ele pensa, mas comigo ele nunca falou
em ajuste fiscal. Eu acho que a gente pensa da mesma forma", disse
a candidata.
Pela manhã, Dilma se
reuniu com o presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Robson Braga, com quem discutiu propostas na área de formação
profissional, educação voltada para o ensino profissionalizante,
expansão de escolas técnicas e a criação
de um selo para identificar empresas que investem em inovação
tecnológica.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
01 de setembro de 2010 | Economia
Ritmo da atividade industrial deve se
fortalecer
O aumento de 0,40% na produção industrial de julho contra
junho foi considerado um bom sinal pelo economista da Fundação
Getúlio Vargas (FGV) e ex-coordenador de Indústria do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio
Sales. "Tudo indica que esta elevação no ritmo de
atividade industrial vai se fortalecer ao longo do segundo semestre",
afirmou o especialista.
Ele lembrou que, normalmente
no segundo semestre, a economia encontra-se quase sempre mais aquecida
em comparação com o primeiro semestre. O consumo aumenta
nos últimos meses do ano por causa das vendas relacionadas ao
Natal, e a indústria costuma se preparar para atender ao aumento
no ritmo das encomendas. Com isso, o nível de atividade industrial
já começa a acelerar antes do último trimestre
do ano, historicamente, o que ajuda a estimular a produção.
Outro ponto destacado
por Sales foi o comportamento de bens intermediários, cuja produção
subiu 0,9% em julho contra junho. "É o setor de maior peso
dentro da indústria, e é um crescimento relacionado a
aumento na demanda por matéria-prima", afirmou, acrescentando
que uma possível elevação na procura por matéria-prima
pode indicar aumentos futuros nas produções industriais
relacionadas a bens finais. Ele não descartou a possibilidade
de a produção industrial em 2010 encerrar o ano com alta
entre 10,5% e 11%, em consonância com as projeções
de mercado.
|
BEM PARANÁ, 01 de setembro
de 2010 | Economia
Retomada
Indústria brasileira ainda não
se recuperou da crise econômica mundial, diz CNI
Os quatro países do Bric estão
apresentando comportamento diferenciado de suas economias na retomada
da atividade industrial
Agência Brasil
O Brasil deverá retomar
em, no máximo, três meses os níveis de crescimento
da indústria anteriores ao período pré-crise financeira
mundial, em 2008, em razão das medidas anticíclicas e
das desonerações tributárias adotadas pelo governo.
A avaliação é do economista da Confederação
Nacional da Indústria (CNI) Marcelo de Ávila. Os quatro
países do chamado Bric - acrônimo que representa o grupo
de países emergentes integrado por Brasil, Rússia, Índia
e China - estão apresentando comportamento diferenciado de suas
economias na retomada da atividade industrial depois da crise mundial,
de acordo com última edição da revista Indústria
Brasileira em Foco, lançada nesta terça-feira (31/8) pela
CNI.
A Rússia foi a mais afetada
dos Bric, com queda de 32,1% na produção industrial, seguida
do Brasil, que registrou redução de 2,5% no ritmo da atividade
industrial entre setembro de 2008, quando se iniciou a crise, e junho
deste ano. A Índia cresceu 14,7% e a China 24,3% no período
da crise.
A Rússia figura no momento
como o país, entre os quatro, que mais enfrenta dificuldades
para se recuperar. A razão, de acordo com Marcelo Ávila,
é "a alta insegurança jurídica existente no
país e também os efeitos da transição política
que o país viveu, que provocou a fuga de investimentos internacionais
para cobrir perdas no mercado externo".
O impacto da crise mundial na
indústria brasileira, segundo o documento divulgado pela CNI,
"foi muito mais intenso do que na China e na Índia".
A China foi o país
menos afetado, explicou Marcelo de Avila, por causa da adoção
do câmbio desvalorizado que favoreceu as exportações
e permitiu aos chineses ofertar ao mundo produtos a preços mais
baixos. Ele avalia que o Brasil, a China e a Índia lideram o
crescimento econômico em nível mundial. "As três
economias serão preponderantes no cenário futuro, não
só pelo ritmo mais forte de crescimento, mas pela robustez que
têm adquirido no cenário econômico mundial. Enquanto
isso, os países desenvolvidos ainda não se recuperaram",
afirma.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
01 de setembro de 2010 | Economia
Orçamento prevê R$ 43,5 bi
para o PAC no próximo ano
Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) no próximo ano somarão R$ 43,519 bilhões,
segundo dados divulgados hoje pelo Ministério do Planejamento
e que constam do projeto de lei orçamentária de 2011.
Pelo documento, R$ 25,206 bilhões serão destinados a infraestrutura
social e urbana e R$ 17,959 bilhões serão aplicados em
infraestrutura logística. O PAC contará ainda com R$ 354
milhões para infraestrutura energética.
O saldo para o PAC no próximo
ano é quase R$ 12 bilhões maior do que o valor disponível
em 2010, de R$ 31,850 bilhões. Esses recursos devem ser distribuídos
da seguinte forma: R$ 15,464 bilhões para logística; R$
15,937 bilhões para infraestrutura social e urbana; e R$ 448
milhões para infraestrutura energética. No ano passado,
foram empenhados R$ 27,123 bilhões para obras do PAC.
O projeto prevê ainda
que R$ 444,1 milhões serão destinados já no próximo
ano para obras relativas à Copa do Mundo de 2014, como ações
na área de segurança, apoio a realização
do evento e controle de acesso e monitoramento nos estádios.
O documento contempla ainda
investimentos, já no próximo ano, para os jogos olímpicos
e paraolímpicos que ocorrerão no Rio de Janeiro em 2016,
no total de R$ 1,105 bilhão.
Previdência
O déficit da Previdência
Social do próximo ano deve atingir 1,1% do PIB na avaliação
do Ministério do Planejamento, segundo o projeto de lei orçamentária
enviado hoje ao Congresso Nacional. O porcentual projetado é
inferior ao previsto para este ano, de 1,3% do PIB. Se o porcentual
de 2010 for confirmado, ele também será menor que a taxa
de 1,4% do PIB verificada ao final do ano passado.
Despesas
O projeto de lei orçamentária
para 2011 prevê despesas obrigatórias para a União
de R$ 551,2 bilhões, o equivalente a 14,16% do PIB. No orçamento
de 2010 essa despesas estão previstas em R$ 493,7 bilhões,
o equivalente a 14,84% do PIB.
As despesas discricionárias
(aquelas que o governo pode alocar livremente) para 2011 estão
previstas em R$ 201,8 bilhões, ou 5,18% do PIB. NO orçamento
de 2010, esses gastos estão previstos em R$ 194,3 bilhões,
5,84% do PIB.
A despesa com pessoal está
prevista em R$ 182,8 bilhões, ou 4,70% do PIB. No orçamento
de 2010, as despesas com pessoal estão previstas em R$ 169 bilhões,
5,08% do PIB.
A despesa total da União
somará R$ 913,9 bilhões em 2011, 23,5% do PIB.
|
Gazeta do Povo, 1 de setembro
de 2010
Empréstimos
Mais de 50% das famílias do país
estão endividadas
Um quarto dessas pessoas deve o dobro da renda
familiar mensal; ainda assim, especialistas dizem que o atual nível
de endividamento é “benéfico”
Cerca de um quarto das famílias
brasileiras que estão endividadas têm débitos que
superam de uma a duas vezes a renda familiar mensal, segundo pesquisa
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Apesar desse
dado, o nível de endividamento do brasileiro ainda é considerado
baixo pelos economistas. O levantamento do Ipea também apontou
que 54% das famílias têm alguma dívida a pagar.
Em média, essas pessoas devem R$ 5.427.
Na opinião do advogado
Luciano Salamacha, doutorando em Administração e professor
da Fundação Getúlio Vargas, o endividamento atual
é benéfico e dá força para a economia. “As
dívidas das famílias neste momento mostram que há
um ponto de equilíbrio e que o brasileiro aprendeu a lidar com
o crédito no longo prazo”, avalia.
A família da cabeleireira
Nadia Solange Neves, de Ponta Grossa, está no nível dos
23,5% que devem o dobro da renda familiar. “Hoje pago dois financiamentos
de automóveis e isso consome boa parte da renda familiar. Mas
é um investimento. Foi a maneira que encontrei para em alguns
anos comprar a casa própria. Quando terminar de pagar as parcelas
dos carros, vou dá-los como entrada na casa”, relata. Ela
também considera que está muito endividada, mas que a
situação deve melhorar em 2012, quando os seus financiamentos
forem quitados.
EUA e Europa
O presidente do Ipea, Marcio
Pochmann, analisa que o nível de endividamento mostrado pela
pesquisa ainda é “extremamente baixo” se comparado
ao dos Estados Unidos e ao de alguns países europeus. Segundo
ele, diante da expansão econômica e do aumento de renda,
a tendência é que as dívidas cresçam. “As
famílias de menor renda têm um grau de exclusão
bancária maior. À medida que ganham mais, passam a ter
mais acesso a crédito.”
O economista Alex Agostini,
da consultoria Austin Rating, concorda que o volume de crédito
no país ainda tem bastante espaço para crescer. Ele também
destaca que, apesar de a concessão de crédito ter se acelerado,
a inadimplência está controlada. Mesmo endividada, a maior
parte dos brasileiros – 73% – avalia estar em melhor situação
financeira do que há um ano. A região Centro-Oeste apresenta
a maior pontuação de otimismo das famílias em relação
aos próximos 12 meses (68,14 pontos), enquanto a região
Sudeste registra a menor (59,09 pontos).
Mesmo levando em conta somente
o seu caso e acreditando que sua situação econômica
deva melhorar nos próximos anos, a cabeleireira Nadia não
vê motivos para euforia. “Eu venho da lavoura e quando eu
era criança a situação era a mesma. Acho que isso
não muda nunca, agora é a mesma situação;
tem de trabalhar noite e dia para ter alguma coisa”, diz.
De acordo com o professor Salamacha,
o otimismo ocorre por causa de uma acomodação da cultura
econômica das pessoas. “Viemos de um período, no
começo dos anos 90, quando o brasileiro não tinha a menor
ideia de sua capacidade de pagamento quando fazia uma dívida”,
analisa.
Expectativa
Brasileiro está otimista
Os brasileiros estão
otimistas em relação à situação socioeconômica
do país, revelou o Índice de Expectativas das Famílias
(IEF), divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea). O índice foi apurado através de pesquisa domiciliar
inédita realizada em 3.810 domicílios distribuídos
por 214 municípios, em todas as unidades da federação.
O índice ficou em 62,75 pontos em agosto numa escala de 0 a 100.
Para o mês de agosto, a expectativa média das famílias
no que diz respeito à situação econômica
do país no curto prazo aponta que 58,03% delas acreditam que
o Brasil passará por melhores momentos nos próximos 12
meses. Além disso, 55,4% das famílias creem no mesmo para
os próximos cinco anos. A proporção de famílias
que acredita que o país passará por piores momentos é
de 19,24% e 15,9%, para o curto e médio prazos, respectivamente.
|
Folha de S.Paulo, 1 de setembro
de 2010
China como ''império do
mal''
A China tem ambições
imperiais, quase colonialistas - até o Brasil está ameaçado.
A China frauda regras do comércio mundial. Recorre a seu peso
econômico, político e militar para calar represálias
em organizações multilaterais. Sua moeda é artificialmente
desvalorizada, o que barateia seus produtos por meio de uma espécie
de subsídio, com o qual compra fatias de mercado global. A China
não apenas ocupa o mercado da indústria brasileira em
solo nacional como expulsa as empresas nacionais de terceiros mercados.
A China foi, enfim, pintada
como o império do mal econômico num seminário do
7º Fórum de Economia da FGV, ontem em São Paulo.
Com a ironia de costume e seu
hiperrealismo político, Delfim Netto diz que o projeto de crescimento
da China não cabe em seu território. A fim de manter taxas
de crescimento compatíveis com o que a elite chinesa chama de
estabilidade política (9% ao ano), a China precisa praticamente
colonizar países-fonte de recursos naturais e derivados. Compra
partes da África. Mas não só.
"O Brasil tem de saber
aproveitar essa complementaridade com a China. O problema é a
subordinação" diz Delfim. O Brasil "não
pode aceitar" que instituições do governo chinês
(empresas ou fundos) comprem parte do país, terras inclusive.
Quanto à invasão
da manufatura chinesa, o ex-ministro e professor emérito da USP
diz que o problema não está nas empresas, tão produtivas
quanto as chinesas, mas sim no governo e seus impostos, na infraestrutura
ruim e no câmbio.
Vera Thorstensen elencou os
dados da invasão chinesa e desancou o "unfair play"
da China no comércio mundial. Thorstensen, assessora econômica
da missão brasileira na OMC, de 1995 a 2010, é agora professora
da FGV. Na relação comercial direta com o Brasil, a invasão
não parece tão chocante. No ano 2000, 2% das exportações
brasileiras iam para a China, de onde vinham também 2% das importações.
Em 2009, tais valores eram, respectivamente, 13% e 12%.
No ano 2000, 68% da exportação
brasileira era de produtos básicos (minério, soja, combustível
etc.); em 2009, 77%. No caso das vendas chinesas, 91% eram de manufaturados
em 2000 e 98% em 2009. Como se diz, a China "commoditiza"
o comércio exterior do Brasil.
Além disso, a China avança
cada vez mais em mercados antigos ou potenciais de manufaturas brasileiras,
como EUA, Argentina e México. A fatia de mercado chinesa na Argentina
é 2,5 vezes a do Brasil; no México, 9 vezes; nos EUA,
13 vezes. Afora o caso argentino, a fatia do Brasil ficou estagnada.
O economista Roberto Giannetti
da Fonseca, da Fiesp, diz que governo e empresas têm de aprender
a reagir ao massacre chinês, que também se dá por
meio de contrabando, pirataria, dumping, barreiras não tarifárias
irregulares e fraude de origem dos produtos (a China exporta por meio
de terceiros países a fim de burlar controles brasileiros).
Vera diz que o câmbio
chinês burla as regras da OMC e está "minando os alicerces
do sistema multilateral de comércio". O Brasil, diz a professora,
é tímido na reação. De 1980 a 2010, houve
820 investigações antidumping contra a China (em especial
em químicos, metais e têxteis). O Brasil pediu 47 investigações,
menos que México e Argentina.
|
Folha de S.Paulo, 1 de setembro
de 2010
Dilma arrecada R$ 50 mi, e Serra,
R$ 29 mi
Tesoureiro do PT espera alcançar R$ 110
mi até o final do 1º turno; campanha gastou de R$ 12 mi
a R$ 14 mi com TV | Apesar da queda do tucano nas pesquisas, o caixa
do PSDB cresceu 706% em relação ao valor obtido até
julho
BRENO COSTA
DE SÃO PAULO
RANIER BRAGON
DE BRASÍLIA
A pouco mais de um mês
para o primeiro turno da eleição, a campanha de Dilma
Rousseff (PT) arrecadou cerca de 70% a mais que a de seu principal adversário,
José Serra (PSDB).
A equipe da petista afirmou ter recebido nos dois primeiros meses de
campanha cerca de R$ 50 milhões, de 180 empresas, valor que representa
um crescimento de 330% em relação ao que disse ter obtido
até o início de agosto -na primeira parcial, a arrecadação
declarada havia sido de R$ 11,6 milhões.
De acordo com o tesoureiro da campanha, José de Filippi Jr.,
a expectativa é chegar a R$ 110 milhões até o final
do primeiro turno, R$ 47 milhões a menos do que o PT estipulou
como previsão de gasto para toda a campanha.
A segunda prestação parcial de contas será enviada
à Justiça Eleitoral ainda nesta semana e será divulgada
oficialmente na segunda-feira.
CAMPANHA
TUCANA
O caixa da candidatura de Serra à Presidência também
deu um salto no mês de agosto, período em que o tucano
caiu nas pesquisas de intenção de voto.
A receita do comitê financeiro da campanha deve ficar em R$ 29
milhões, uma variação de 706% em relação
aos R$ 3,6 milhões arrecadados até o fim de julho.
O crescimento no segundo mês de campanha já era esperado
pelo coordenador financeiro da campanha de Serra, José Gregori,
mas ainda está aquém dos estimados R$ 180 milhões.
Os dados tucanos ainda estavam sendo consolidados até ontem à
noite, e devem ser entregues ao TSE até amanhã.
Na campanha de 2006, houve um crescimento semelhante na arrecadação
entre o primeiro e o segundo mês de campanha. Um dirigente tucano
ouvido pela reportagem afirma que o dinheiro arrecadado em agosto ainda
é insuficiente para sustentar uma campanha presidencial vitoriosa.
Falta de recursos, que se reflete no baixo volume de materiais de campanha
de Serra pelo país, vem sendo motivo de crítica entre
aliados do tucano.
GASTOS
Segundo o tesoureiro da campanha petista, o principal gasto de Dilma
foi com produção do programa de TV (entre R$ 12 milhões
e R$ 14 milhões), material gráfico (R$ 7 milhões
a R$ 8 milhões) e realização de comícios
(cerca de R$ 4 milhões).
O reembolso aos cofres públicos pelos eventos do presidente Lula
ao lado de Dilma ficou em R$ 280 mil até a primeira quinzena
de agosto.
Filippi disse ainda que a arrecadação pela internet chegou
a apenas cerca de R$ 90 mil, vindos de 830 pessoas (média de
R$ 108 por pessoa), valor que ainda não estará listada
nesta prestação de contas.
Segundo ele, o partido fará uma campanha nos próximos
dias para tentar elevar o número de doadores para cerca de 10
mil pessoas.
A diferença entre os dois principais candidatos reflete a distância
que os separa nas pesquisas. De acordo com o último Datafolha,
a petista lidera a corrida presidencial, com 49% e possibilidade de
vencer no primeiro turno. O tucano soma 29%. Marina Silva (PV) tem 9%.
|
Gazeta do Povo, 1 de setembro de 2010
Investigação
Vereador é suspeito de fraudar
sindicato

Denílson Pires e mais três funcionários
do Sindicato dos Motoristas e Cobradores são presos acusados
de desviar dinheiro da entidade | Agentes do Gaeco apreenderam R$ 120
mil em dinheiro na sede do sindicato presidido por Denílson Pires
O vereador Denílson Pires
(DEM), presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores das Empresas
de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana
(Sindimoc), foi preso ontem por suspeita de desvio de dinheiro da entidade
e formação de quadrilha. Também foram detidos o
advogado e ex-vereador Valdenir Dielle Dias, e o tesoureiro do Sindimoc,
Valdecir Boleti. Segundo o Grupo de Atuação Especial de
Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público
Estadual, responsável pela investigação, ainda
não há um levantamento do tamanho do rombo. Márcio
Ramos, funcionários do Sindimoc, está foragido.
Os agentes cumpriram 17 mandados
de busca e apreensão e três de prisão temporária
de cinco dias. Foram apreendidos documentos, celulares, livros de contabilidade
e computadores. Segundo o coordenador do Gaeco, procurador Leonir Batisti,
um registro de contabilidade datado do último dia 27 marcava
um saldo de R$ 10 mil no caixa do sindicato. Porém, dentro da
entidade, os agentes do Gaeco apreenderam R$ 120 mil em dinheiro sem
registro de origem até o momento. Outros R$ 15 mil foram achados
na casa de Boleti.
Nereide de Fátima Butinhoni,
esposa de Ramos e funcionária do gabinete de Denílson
na Câmara Municipal, também foi presa, mas por posse ilegal
de arma. Ela foi liberada à tarde após pagar fiança.
Boleti e Pires devem ficar detidos
no Centro de Triagem 2, em Piraquara. Dias está no quartel da
Polícia Militar, local destinado para advogados detidos. O Gaeco
investiga o caso há cerca de dois meses, após receber
uma denúncia do Ministério Público do Trabalho.
Segundo Batisti, a contratação
de funcionários “laranjas” seria uma das formas de
desviar dinheiro da entidade. Há suspeitas ainda que o grupo
usaria notas frias para simular pagamentos de serviços não
existentes. O coordenador do Gaeco informou ainda que parentes da diretoria
recebiam salários sem trabalhar no Sindimoc. Um fato chamou a
atenção de Batisti: 10% da receita anual de R$ 10 milhões
do sindicato seriam usados para pagar honorários da assessoria
jurídica.
Carreira
Cobrador de ônibus, Denílson
Pires, 42 anos, assumiu a presidência do sindicato interinamente
em 1994, após a morte do ex-presidente Aristides da Silva, mais
conhecido como Tigrinho. Quatro anos depois foi eleito para o cargo
que ocupa até hoje. Um ano depois o sindicato comprou a sede
própria no centro de Curitiba, onde são oferecidos serviços
de advogados e farmácia. Em 2007, Pires se elegeu vereador.
Em entrevista à RPCTV,
no momento da prisão, ele declarou desconhecer as acusações
e disse que trabalha em favor da classe. Nos dois gabinetes do parlamentar,
na Câmara e no bairro Sítio Cercado, funcionários
se mostraram surpresos com a prisão e não comentaram a
situação.
Pires não pretende se
candidatar a mais uma gestão no Sindimoc. Ele apoiaria Boleti
na eleição marcada para 30 de setembro. Desde o último
dia 18, quando se aprovou o regulamento do pleito, o sindicato vive
um clima de tensão. A reunião foi tumultuada e foi preciso
chamar a polícia para controlar os mais exaltados.
Ontem, após as prisões,
o diretor de eventos da entidade, Dirceu Galvão, trocou socos
em frente à sede do Sindimoc com um associado, que tentava gravar
a movimentação no local com o celular. Galvão afirma
que ele tentou colocar o celular em seu rosto e acabou brigando por
conta disso.
O grupo de oposição
a Pires, liderado por Anderson Teixeira, estuda a possibilidade de pedir
uma intervenção no Sindimoc e antecipar as eleições.
Fotos:
Hedeson Alves/Gazeta do Povo

O diretor Dirceu Galvão (de branco)
brigou em plena rua com um associado do Sindimoc: tensão às
vésperas da eleição
Histórico
Em 20 anos, duas mortes e uma cassação
Paola Carriel
A prisão de Pires é
mais um episódio turbulento nos 20 anos de existência do
Sindimoc. Criado em 1990, o sindicato tem 4 mil associados entre os
12,5 mil profissionais da categoria. Os sindicalizados contribuem com
cerca de R$ 50 por mês, o que gera uma receita de R$ 200 mil mensais.
O Sindimoc ainda recebe das empresas R$ 41 por funcionário atendido
na clínica médica mantidade pela entidade.
O primeiro presidente, o motorista
José Martins Costa, foi cassado em 1994 sob acusação
de irregularidades. Em 1998, o presidente Aristides da Silva, conhecido
como Tigrinho, que havia substituído Costa, foi executado com
sete tiros em Itapoá, Santa Catarina. Ele estava em um bar de
propriedade da família quando dois homens começaram a
atirar. Até hoje os assassinos não foram identificados.
Em janeiro do ano passado, o
secretário-geral da instituição, Alcir Teixeira,
conhecido como “Zico”, foi morto ao chegar em casa em uma
suposta tentativa de assalto. O inquérito policial jamais foi
concluído. Na época, a família chegou a suspeitar
que o crime tivesse envolvimento com o sindicato.
Ontem, a equipe do Gaeco informou
que na investigação que resultou nas prisões não
há nada vinculado à morte de Teixeira, mas os policiais
buscam elementos que possam ajudar no caso. O filho de “Zico”,
Anderson Teixeira, é candidato a presidente do Sindimoc pela
oposição.
|
Agência Senado, 1 de
setembro de 2010
José Nery destaca seminário
internacional sobre males do amianto
Durante a sessão deliberativa
desta terça-feira (31), o senador José Nery (PSOL-PA)
registrou a presença em Plenário de uma comitiva de especialistas
que participaram do seminário internacional "Amianto e seus
males: uma abordagem sociojurídica", em Brasília.
O senador saudou o vice-presidente
da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT),
Carlos Eduardo de Azevedo Lima; o escritor italiano Giampiero Rossi,
autor do livro A Lã da Salamandra - A Verdadeira História
da Catástrofe do Amianto em Casale Monferrato; os sindicalistas
italianos Bruno Pesce e Nicola Pondrano; os representantes do Ministério
do Trabalho brasileiro Sérgio Bonetto e Fernanda Giannasi; a
assessora de Assuntos Legislativos da ANPT, Maria Cristina Leão;
e representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
José Nery explicou que
os debates do seminário internacional giraram em torno dos danos
provocados pelo amianto, que já foi banido em 58 países.
- De acordo com a Organização
Mundial de Saúde, em nota técnica emitida em maio deste
ano, a maneira mais eficiente de eliminar as doenças relacionadas
ao amianto é interromper o uso de todos os tipos da substância,
uma vez que podem causar doenças gravíssimas, entre as
quais vários tipos de câncer - informou o senador.
O seminário internacional
sobre os males do amianto foi organizado pela ANPT em conjunto com a
Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra), a Associação Brasileira dos Expostos
ao Amianto (Abrea), a Associação Brasileira de Advogados
Trabalhistas (Abrat), a Associação Luso-Brasileira dos
Juristas do Trabalho (Jutra), a Associação Latino-Americana
de Advogados Trabalhistas (Alal) e entidades sindicais brasileiras.
O senador disse que os especialistas
estiveram no Congresso Nacional para chamar atenção para
o assunto e trazer subsídios aos legisladores, magistrados e
procuradores do país, de forma que o tema possa "ser tratado
com a seriedade e a gravidade merecidas". José Nery informou
ainda que os participantes do seminário concluíram o encontro
divulgando a Carta
de Brasília, documento que pede o banimento total das fibras
e produtos de amianto no território brasileiro.
Da Redação / Agência
Senado
(Reprodução autorizada mediante citação
da Agência Senado)
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
01/09/2010
Equipamento via satélite de monitoração
de veículo comprova hora extra de motorista
A instalação de
equipamentos de última geração, para monitoramento
de veículos, feita pela Empresa de Transportes e Logística
Paraná Ltda., possibilitou que seu ex-empregado, motorista de
carreta, comprovasse a realização de horas extras. A empresa,
apesar de alegar que a atividade externa desenvolvida pelo trabalhador
seria incompatível com a fixação de horário
de trabalho, não conseguiu convencer a 6ª Turma do Tribunal
Superior do Trabalho de que o motorista não tinha direito às
horas extras.
O motorista da empresa, responsável
por fazer transportes intermunicipais e interestaduais, recorreu à
Justiça do Trabalho para receber as horas excedentes às
permitidas legalmente. Na fase probatória, o preposto da empresa
confirmou em juízo que os veículos da transportadora eram
dotados de um equipamento de monitoração denominado “auto
track”, cuja função era de fornecer informações
sobre todas as paradas e trajetos percorridos pelo veículo.
De acordo com o preposto, a
empresa tinha profissionais exclusivamente contratados para operar um
computador capaz de monitorar os veículos, enviando e recebendo
mensagens sobre rotas e paradas, com atualização dos dados
relativos a cada caminhão de 69 em 69 minutos, 24 horas por dia.
Segundo ele, os motoristas, toda vez que parassem os veículos,
tinham que mandar uma mensagem pelo auto-track informando que estavam
parando e para qual finalidade. Pelas normas da empresa, os motoristas
tinham que remeter mensagens quando iniciassem a viagem, quando paravam
para almoço, e quando terminassem a viagem. Além disso,
tinham que informar a necessidade de parar em função de
a pista estar interrompida ou em função de quebra do veículo.
Apesar desse depoimento, a Vara
do Trabalho negou o pedido do motorista por entender ser impossível
o controle da jornada para o tipo de trabalho executado, externamente.
Contra tal decisão, o motorista recorreu ao TRT/PR, que reformou
a sentença. De acordo com o entendimento no Regional, ficou patente
a possibilidade de controle de jornada por meio das fichas de monitoramento
via satélite. As horas extras foram concedidas.
Insatisfeita, a empresa recorreu,
sem sucesso, ao TST. O relator do acórdão, ministro Maurício
Godinho Delgado, destacou em seu voto que o motorista carreteiro, trabalhando
em atividade externa, tendencialmente enquadra-se na exceção
do art. 62, I, da CLT, que determina que a atividade externa é
incompatível com a fixação de horário de
trabalho. Destacou, ainda, que a circunstância de haver no caminhão
um tacógrafo não traduz, segundo a jurisprudência
do TST, a presença de real controle da jornada de trabalho (OJ
332, SDI-1/TST). No entanto, disse ele, “havendo no caminhão
e no sistema empresarial outros equipamentos tecnológicos de
acompanhamento da rota cumprida pelo veículo, com assinalação
dos períodos de parada e de movimento do caminhão, esvai-se
a presunção excetiva do art. 62, I, da CLT, emergindo
a regra geral da Constituição e do diploma celetista no
tocante à direção da prestação de
serviços e do controle da jornada contratual pelo respectivo
empregador”.
Segundo o relator, o TRT
concluiu que havia o efetivo controle de jornada de trabalho do motorista.
Para se concluir de forma diversa, seria necessário rever fatos
e provas, hipótese vedada na instância extraordinária,
de acordo com a Súmula 126/TST. (AIRR - 26040-64.2008.5.05.0134)
|
01/09/2010
Vigia ganha como extras as horas noturnas
pagas sem a redução prevista na CLT
Por considerar a redução
da hora noturna uma norma de proteção à saúde
do trabalhador, a Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho deferiu
a um vigia horas extras relativas à diferença entre a
hora normal, de 60 minutos, e a hora reduzida, de 52 minutos e 30 segundos,
prevista na CLT.
O empregado, contratado por
empresa de prestação de serviços, trabalhava como
vigia na Companhia Vale do Rio Doce. Submetia-se ao regime ininterrupto
de revezamento de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, das
18h às 6h, com adicional noturno de 40%, valor acima do mínimo
legal de 20% previsto na CLT. Contrariando a previsão da CLT,
o acordo coletivo da categoria estabeleceu como 60 minutos a duração
da hora noturna.
Ao propor ação
trabalhista contra a prestadora de serviços, o trabalhador requereu,
entre outros direitos, o recebimento, como horas extras, da diferença
de minutos entre a duração legal estabelecida no parágrafo
primeiro do artigo 73 da CLT e a duração normal da hora,
ou seja, pediu os sete minutos e 30 segundos por hora de diferença
na jornada .
Contudo, as instâncias
ordinárias (Vara do Trabalho e Tribunal Regional da 17ª
Região - ES) rejeitaram o pedido do trabalhador por entenderem
plenamente válida a cláusula do acordo coletivo.
Segundo o TRT, a redução
prevista na CLT representa “uma ficção jurídica
legal que não deve ser estendida aos trabalhadores que possuem
uma escala já certa e determinada, fixada em convenção
coletiva, em que, inclusive, se prevê a remuneração
do trabalho noturno com adicional superior ao fixado em lei”,
o que seria o caso do vigia.
Diante disso, o trabalhador
interpôs recurso de revista ao TST, sustentando que a duração
reduzida da hora noturna da CLT não poderia ser objeto de negociação
entre as partes.
O relator do recurso na Quinta
Turma, ministro Emmanoel Pereira, deu razão ao vigia. Segundo
ele, a aplicação da norma do artigo 73 da CLT não
fez exceção quanto ao tipo de jornada especial do trabalhador.
“É norma de saúde, segurança e medicina do
trabalho, de caráter imperativo e, que, portanto, não
pode variar em função do tipo de jornada”, destacou
o relator.
O ministro salientou, ainda,
que pelo caráter de indisponibilidade, a norma nem sequer poderia
ser objeto de pactuação em norma coletiva, sendo, portanto,
inválida a cláusula que estabeleceu a duração
da hora noturna de 60 minutos.
A ministra Kátia Arruda,
que também integra a 5ª Turma, entende de forma diferente.
Para a ministra, o trabalhador foi beneficiado com a cláusula
coletiva, que aumentou a hora noturna para 60 minutos, mas estabeleceu
o adicional noturno em 40%. Segundo ela, essa condição
mostrou-se mais benéfica para o trabalhador, pois o empregado
estaria recebendo mais com a regra da norma coletiva do que com a redução
da hora noturna. A ministra ainda destacou a existência de decisões
do TST nesse mesmo sentido.
Prevaleceu, no entanto,
a tese do relator, e a Quinta Turma, por maioria, reformou a decisão
do Tribunal Regional da 17ª Região (ES) e determinou o pagamento
das horas extras em conformidade com a CLT. (RR-75100-19.2006.5.17.0012)
|
01/09/2010
Laudo ambiental não exclui
empregador do pagamento de adicional de insalubridade
Não conformado em efetuar
o pagamento de adicional de insalubridade em grau médio a uma
empregada, o Município de Penha (SC) interpôs recurso de
revista para obter a reforma da sentença inicial que o condenara.
Dentre seus argumentos, o Município
ateve-se ao laudo ambiental, produzido por empresa que ele mesmo contratou,
cuja conclusão caracterizava a atividade desempenhada pela empregada
como atividade salubre, e não periculosa. Dada a conclusão
do laudo ambiental, não havia necessidade de pagamento de adicional,
entendeu o empregador.
A funcionária foi admitida
como servente/merendeira. Na condição de merendeira, trabalhava
no preparo de refeições numa creche; cuidava também
da limpeza do material utilizado e das instalações da
cozinha. Segundo destacou o Tribunal Regional do Trabalho da 12.ª
Região (SC), as atividades desempenhadas eram insalubres, em
grau médio, “por manuseio de álcalis cáusticos
sem a proteção necessária (...)”, conforme
atestado em prova pericial.
Na Terceira Turma, sob o entendimento
da relatora, ministra Rosa Maria Weber, o município não
conseguiu demonstrar a alegada ofensa ao art. 190 da CLT, visto que
o colegiado de origem não se manifestou quanto à classificação
da atividade da empregada na relação oficial elaborada
pelo Ministério do Trabalho nem a tanto foi provocado com interposição
de embargos declaratórios, sendo, portanto, inviável a
análise do recurso com tal enfoque.
Desse modo, com ressalvas
de entendimento do ministro Horácio de Senna Pires, a Terceira
Turma não conheceu do recurso de revista do Município
de Penha. (RR-347800-46-2008.5.12.0022)
|
01/09/2010
Acordo coletivo tem força de
lei para ampliar jornada de trabalho
O mesmo dispositivo constitucional
que estabelece jornada de seis horas de trabalho para turno de revezamento
permite que a jornada seja elastecida, por meio de negociação
coletiva. Foi esse o entendimento da Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho para reformar decisão regional que condenou a Concessionária
Ecovias dos Imigrantes S. A., ao pagamento de horas extraordinárias
a um empregado que reclamou ter trabalhado além do horário.
O empregado era operador de
tráfego na Rodovia dos Imigrantes e trabalhava na função
de socorro eletromecânico. O julgamento do primeiro grau lhe negou
o pedido das horas extras, reconhecendo a validade da norma coletiva,
mas o Tribunal Regional da 2ª Região (SP), avaliando que
o acordo lhe era prejudicial, reformou a sentença e condenou
a empresa ao pagamento da 7ª e 8ª horas trabalhadas por ele
como extraordinárias.
A empresa recorreu, alegando
que a referida jornada estava legalmente amparada por negociação
coletiva, referente ao período de 1999/2001. Ao examinar o recurso
de revista, a relatora na Quarta Turma, ministra Maria de Assis Calsing,
manifestou que o acordo coletivo celebrado entre as partes tem força
de lei e deve ser respeitado, esclarecendo que o artigo 7º, XIV,
da Constituição de 1988, estabelece a referida jornada
em seis horas, “mas permite que a empresa fixe jornada superior,
mediante negociação coletiva”.
A relatora informou ainda
que a jurisprudência sumulada do TST (Súmula nº 423)
destaca a possibilidade de majoração da jornada de seis
horas para até oito horas, prestadas em regime de turnos ininterruptos
de revezamento, “afastando do direito a percepção
de pagamento da 7ª e 8ª horas como extraordinárias”.
Citou diversos precedentes e retirou a condenação da empresa.
Seu voto foi aprovado por unanimidade. (RR-19100-17.2002.5.02.0251)
|