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FETRACONSPAR, 07 de agosto de 2006
Audiência no Ministério
do Trabalho sobre o recadastramento sindical
No último dia 4, foi realizada
em Brasília/DF, audiência com o Secretário de Relações
do Trabalho, senhor Mário dos Santos Barbosa, para tratar de
questões pertinentes ao recadastramento sindical.
Estiveram presentes na audiência:
GERALDO RAMTHUN, presidente da FETRACONSPAR,Secretário
Regional da CNTI e 3º Vice-Presidente da NCST, EPITÁCIO
ANTONIO DOS SANTOS – presidente da FETROPAR e da NCST/PARANÁ,
ANTONIO LÚCIO ZARANTONELLO – FETAEP, MARISA
DE LIMA – Sindicato dos Empregados no Comércio
de Guarapuava, PAULO ROBERTO MORAIS – SINDEC
Cascavel, LUIZ ANTONIO FESTINO – FTTRESP/NCST-SP,
GINEUMAR GAEDICKE – Sindicato dos Empregados
Comércio de Foz do Iguaçu, CIRLENE MEDEIROS DE
CAMARGO – CNTTT, HAMILTON DIAS DE MOURA
– FETROMINAS, HÉLIO CARVALHO SANTANA –
CONTEC, MOACIR PAULA ROCHA – FETRAPARANÁ/CGT,
REMI STELMACH – FETRAPARANÁ/CGT, ERNANE
GARCIA FERREIRA – CFT-PR/FTIA-PR e ANA PAULA
CERCA – Chefe de Gabinete da Secretária de Relações
de Trabalho.
Abaixo seguem as principais informações:
As entidades sindicais que se cadastraram
junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, e que na época
não havia possibilidade de inserir mais de uma data-base, o MTE
abrirá um link posteriormente para que possa ser corrigido.
As entidades sindicais que não
conseguem localizar o primeiro estatuto para apresentar ao MTE após
o cadastramento, deverão justificar e o órgão irá
aceitar conforme memorando interno.
Os novos municípios criados por
desmembramento, continuarão pertencendo ao sindicato do município
desmembrado, e o MTE, mediante documentos corrigirá de ofício.
Quanto à cartilha e a publicação
que o Ministério iria fazer sobre as entidades, está suspenso
até que se corrijam as pendências.
O Ministério do Trabalho se prontificou
a deixar um canal aberto para que as federações possam
tirar as dúvidas.
Quanto a Instrução Normativa
nº. 2 de 01/12/2005, o MTE ficou de verificar sua possível
revogação.
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Diário Vermelho, 07
de agosto de 2006
Setor de construção
comemora anúncio de pacote habitacional do governo
O setor de construção civil comemorou, neste domingo,
a notícia de que o governo estaria preparando um sistema de crédito
consignado para a compra de imóveis. A informação
foi publicada hoje, com exclusividade, no jornal O Globo, em uma entrevista
do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo o vice-presidente da
Associação Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC), José Carlos Martins, com o desconto das prestações
na folha de pagamento o risco do empréstimo cairá e, junto
com ele, os juros sobre o valor financiado. ''A medida é uma
antiga reivindicação do setor e será muito bem-vinda'',
afirmou.
De acordo com o ministro da Fazenda,
além do crédito consignado, seria eliminada a TR (Taxa
Referencial) dos contratos habitacionais. Atualmente, 65% dos depósitos
em poupança têm de ser aplicados em habitação.
Deste total, 80% são aplicados a juros ''fixos'', que são
12% mais a TR. A questão é que a TR é um indexador
que varia.
Confira abaixo a íntegra da entrevista do ministro Guido Mantega:
Crédito consignado para casa própria
Formulador histórico de programas
econômicos para o PT, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já
pensa na agenda para eventual segundo mandato do presidente Lula. Sem
esconder as pretensões de continuar no cargo, afirma que a nova
tônica da economia deve ser o crescimento. Há quatro meses
no posto, diz que é com esta orientação que o governo
lançará, em 15 dias, um pacote de estímulo ao crédito
habitacional, com a criação do crédito consignado
para financiamento da casa própria. De formação
heterodoxa, surpreende ao defender que o Estado não tem necessariamente
que ampliar investimentos. Mas nega uma guinada em seu pensamento.
Flávia
Barbosa, Martha Beck e Sergio Fadul
Especialistas alertam que o controle das contas públicas está
sob riscos. O ritmo crescente dos gastos não é preocupante?
GUIDO MANTEGA:
A resposta é não. É natural que se tenha alguns
aumentos de despesas. O gasto com pessoal em relação ao
PIB está estável. Eu desafio vocês: olhem 2003,
2004 e 2005. Até caiu em relação ao PIB. Só
em 2006 vai subir um pouco. Estão criando falsas idéias.
Mesmo diante dos aumentos concedidos ao salário-mínimo
e aos servidores?
MANTEGA:
Mesmo com tudo isso, os gastos com o funcionalismo estão sob
controle. Não é possível imaginar que vai dar aumento
para o funcionalismo abaixo da inflação. Num governo que
se diz de centro-esquerda, num governo progressista como o nosso, arrochar
salário de funcionalismo... é só o que faltava.
O presidente Lula definiu um critério de política salarial
que diz: olha, no meu governo não tem sentido que eu tenha dado
aumentos abaixo da inflação.
Além disso, por exemplo, aumentamos
em 50% o efetivo da Polícia Federal e elevamos os vencimentos.
Você não tem um funcionário de alto nível
motivado se ele não ganhar mais e, portanto, sem estar sujeito
às tentações do vil metal. Isso deu resultado e
se deve a termos um funcionalismo mais robusto.
A oposição incluiu numa medida provisória um reajuste
de 16,5% para os aposentados que ganham acima do mínimo. Isso
gerou uma troca de acusações e aí foi a vez de
o governo dizer que o ajuste fiscal ficaria em perigo...
MANTEGA:
Tendo acabado de negociar 5% de aumento com os aposentados, vem uma
medida que foi gestada pela oposição, cujo único
objetivo não é beneficiar os aposentados, é criar
um constrangimento para o governo ou desequilibrar as contas públicas.
Acho engraçado ver a oposição falando em equilíbrio
fiscal e propor uma medida que, se efetivada, poderia desequilibrar
em R$ 8 bilhões as contas. Por isso que o presidente vetou e
vetará quantas vezes for preciso.
Analistas avaliam que a meta de superávit
primário está sendo alcançada às custas
dos lucros das estatais, mas nada garante que os resultados vão
se repetir. Eles estão corretos?
MANTEGA:
As estatais estão cumprindo a sua parte. Você viu como
está o preço do petróleo. É uma festa. Não
tem chance de a Petrobras ter redução de lucratividade.
Além do que, é vendedora dos novos tipos de energia. O
setor de gás e petróleo é o que mais investe e
vai continuar tendo lucros elevados. Não há nenhuma razão
para retirar do cálculo do resultado fiscal a performance das
estatais, que estão sob nova gestão.
Outro ponto de apoio do ajuste fiscal
é o aumento da carga tributária. É possível
mantê-la neste patamar?
MANTEGA: É
verdade que a carga fiscal cresceu expressivamente de 1995 a 2002 por
aumento de tributos. Só que a partir de 2003, 2004, o aumento
de arrecadação se deu por motivos virtuosos, que são
o aumento da atividade econômica, da formalização
da economia e da eficiência da máquina arrecadatória.
As empresas estão pagando mais Imposto de Renda, pois há
muito tempo não lucravam tanto. O governo está reduzindo
alíquotas, a renúncia fiscal entre 2003 e 2006 é
de R$ 19 bilhões. Houve uma elevação, porém
chegamos no topo da montanha e estamos descendo. Estamos na direção
certa, diminuindo tributos.
Então, não há risco de descumprimento da meta de
superávit de 4,25%?
MANTEGA:
Eu garanto que vamos fazer o primário porque eu tenho a chave
do cofre, eu controlo a receita todo dia. Se eu for responsável
pela política fiscal no próximo governo, continuarei entregando
os 4,25% do PIB nos próximos quatro anos. E o compromisso mais
importante é o de reduzir a relação dívida/PIB.
Tendo em vista as condições que o país estabeleceu,
muito mais sólidas, com redução do risco-país,
inflação baixa, teremos redução gradual
das taxas de juros, de modo que vamos chegar ao déficit nominal
zero.A relação dívida/PIB, hoje na casa dos 50,6%,
estará em 44,2% em 2009.
E o déficit na Previdência, como resolvê-lo?
MANTEGA:
As despesas de Previdência são as que mais vêm subindo
porque sofrem influência do mínimo. Agora, está
sendo feito um trabalho de gestão como nunca se fez no Brasil,
que consiste em reduzir os gastos, diminuir fraudes. No início
do ano, a previsão de déficit era de R$ 50 bilhões.
Mas agora já trabalhamos com R$ 41 bilhões.
Os investimentos não deveriam ser o destino de uma parte maior
dos impostos arrecadados?
MANTEGA:
O investimento público subiu muito este semestre em relação
ao passado. Em 2005 já foi maior do que em 2004. Temos procurado
fazer mais obras rodoviárias e na infra-estrutura portuária
porque são necessárias para viabilizar um crescimento
maior da economia. Agora, é um volume expressivo? Não
é. Mas estamos em outros tempos. O Estado vai diminuindo seu
papel como investidor e abrindo espaço para o setor privado.
Isso é uma tendência não só no Brasil, mas
em todos os países capitalistas.
O senhor acha que o Estado não
tem mais que investir tanto?
MANTEGA:
O Estado brasileiro investe menos da metade do que investia nos anos
60 e 70. Você tinha um capitalismo incipiente, sem condições
de fazer investimentos em infra-estrutura, então as estatais
faziam diretamente. Hoje, tem que abrir espaço e dar condições
para que o setor privado faça o investimento. O Estado tem que
fazer o que o setor privado não faz porque não tem condições
ou rapidez. O empresário administra bem concessões como
estradas e ferrovias, por exemplo.
O senhor está com um viés
neoliberal, defendendo um Estado menor...
MANTEGA:
Não tem nenhum viés neoliberal. Pode escrever aí
que eu sou um desenvolvimentista. Eu não falei que o Estado não
tem que investir. O Estado tem que recuperar rodovias e, muitas vezes,
tem que abrir novas em lugares onde o setor privado não faria,
como a BR-101 Norte. No dia em que o setor privado quiser fazer tudo
isso, o Estado não precisa fazer.
A economia praticamente se livrou da indexação dos preços.
A inflação não assusta mais?
MANTEGA:
Quando você passa a ter uma inflação abaixo de 5%,
ela deixa de ser relevante. O cidadão e o agente econômico
olham para outros parâmetros. Uma inflação de 4%,
3,5% significa que em alguns setores os preços não estão
subindo ou que há um barateamento. O grande avanço que
vamos ter na economia é deixar de nos preocuparmos com algumas
variáveis que foram um pesadelo para o país nos últimos
anos, como inflação, juros e dívida.
Os juros no Brasil estão entre
os mais altos do mundo, mesmo assim o senhor afirma que não são
mais um pesadelo?
MANTEGA:
Tudo isto vai saindo da pauta. Vamos olhar para outras coisas mais importantes.
Os juros também, à medida que vão baixando. Daqui
a pouco a questão dos juros vai deixar de ser o foco no noticiário.
A questão fiscal também é outra questão
que vai deixar de ser tema. As pessoas só falam dos assuntos
que são problemáticos. Então o pessoal vai ter
que inventar outros temas porque esses vão ficando velhos.
O que vai entrar na pauta?
MANTEGA:
A potencialização do crescimento. O Brasil deixa de ser
um país de crescimento de zero a 4% para ser um país de
crescimento de 5% a 10%. É como faixa de imposto. Só que
aqui é positiva. Estamos na iminência de mudar de país
emergente pouco dinâmico para mais dinâmico. A partir do
ano que vem, o Brasil está habilitado a crescer mais de 5%.
O senhor fala em potencializar o crescimento.
Que medidas a Fazenda tomará para apressar isso?
MANTEGA:
Estamos estudando um conjunto de medidas para impulsionar o crédito
habitacional. O setor está indo de vento em popa, mas muito aquém
daquilo que é feito em escala internacional. O volume de crédito
para construção civil hoje no Brasil chega a 2% ou 3%
do PIB. Em outros países, como a Espanha, chega a 30% ou 40%
do PIB.
Que medidas vão ser adotadas?
MANTEGA:
Vamos permitir a utilização do crédito consignado
(com desconto na folha de pagamento) para habitação. Isso
vai permitir que as pessoas façam contratos de longo prazo para
comprar a casa própria a custos menores porque a operação
terá menos risco. Além disso, vamos dar permissão
para os bancos operarem com taxas de juros fixas de fato, eliminando
a TR (Taxa Referencial) da correção dos financiamentos.
O senhor vem repetindo que é preciso
reduzir o spread bancário. Como fazer com que essa intenção
chegue aos consumidores?
MANTEGA:
O crédito impulsiona toda a economia e é fundamental para
manter o patamar de investimento acima de 20%, necessário a um
crescimento acima de 5%. Devemos anunciar medidas como o crédito
consignado para as pequenas empresas e estímulos à redução
dos spreads a partir de eficiência operacional. O Banco do Brasil
e a Caixa Econômica já foram orientados nesse sentido.
O cadastro positivo, que está no Congresso, também será
muito importante.
Quais as prioridades para a Fazenda na eventual reeleição
do presidente Lula?
MANTEGA:
Vamos dar continuidade à política econômica que
temos, porém numa nova fase, porque é bem-sucedida. A
primeira fase foi de consolidação da economia, e nela
o crescimento foi menos intenso porque você estava se ocupando
dos equilíbrios monetário e fiscal e da redução
da vulnerabilidade. Como tudo isso foi conquistado, agora entra uma
nova fase. Isso vale para qualquer governante que vem por aí:
é a fase de potencialização do crescimento.
O senhor mais uma vez vai escrever o
programa econômico para o candidato Lula. O que será prioridade?
MANTEGA:
Por ordem de importância, é a reforma tributária.
Temos muito a avançar, principalmente na área dos tributos
estaduais. Eu me dedicaria a isso. Existem conflitos, mas podemos contorná-los.
Criando o fundo de compensação de ICMS de exportações,
você poderia conseguir aprovar a reforma tributária. Isso
acaba com a guerra fiscal, que é muito nociva para o país.
Aí depois vem a reforma trabalhista. Agora, em primeiro lugar,
a reforma política, ela é fundamental.
E uma nova reforma da Previdência?
MANTEGA:
Neste momento, não. Vejo a necessidade de medidas de gestão
importantes que estão sendo tomadas. Vamos examinar adiante se
será preciso fazer reformas. Neste momento, eu não faria
essa proposição, mas isso não quer dizer que nos
anos futuros não se coloque essa necessidade. A realidade muda.
Para um segundo mandato do presidente Lula, o senhor apóia a
idéia de uma meta de crescimento?
MANTEGA:
Não é possível definir isso. Quando você
estabelece uma meta de inflação, já está
levando em consideração uma meta de crescimento, que está
implícita, só que você não pode fixar as
duas coisas porque uma amarra a outra. Quando definimos a meta de inflação,
poderíamos ter definido uma meta de 2%, aí estaria implícito
um crescimento menor. Definimos uma meta de 4,5%, então está
implícito um crescimento maior porque a política monetária
terá que ser menos austera. Em termos de crescimento, vamos ultrapassar
a barreira dos 5% a partir do ano que vem, pode ser até 6%.
Semana passada, o governo adotou mudanças
nas regras cambiais. Qual a expectativa para a cotação
do dólar?
MANTEGA: O conjunto de medidas vai ter
uma repercussão em 30, 60, 90 dias. O câmbio estar em R$
2,18 é virtude das exportações. É impossível
ter uma equação em que o país é muito bem-sucedido
na área comercial e nos fundamentos e achar que vai ter uma moeda
desvalorizada. O país tem uma moeda fraca quando ele é
fraco. Quando um país gera confiança a moeda se valoriza.
O governo vai continuar se esforçando para que o câmbio
não descambe para um patamar inadequado, mas dentro das regras
do câmbio flutuante. Fonte: O Globo
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Agência Senado, 07
de agosto de 2006
Proposta estende concessão de vale-transporte
a estagiários
A concessão do direito ao vale-transporte para estudantes envolvidos
em programas de estágio está sendo defendida pelo senador
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC). Apresentada em julho último
pelo parlamentar, a proposta prevê que o benefício seja
estendido a estagiários do ensino superior, do curso profissionalizante
do 2º Grau e do Supletivo.
Na justificativa ao projeto (PLS 216/06),
Mesquita Júnior classifica como inadmissível que o custeio
dos deslocamentos para o local do estágio seja atribuição
exclusiva do estudante. Até porque, como observa, o valor das
bolsas pagas normalmente é muito pequeno e, em muitos casos,
inexistente.
Por iniciativa do presidente da Comissão
de Educação (CE), senador Wellington Salgado (PMDB-MG),
foi apresentado ao Plenário requerimento para que esse colegiado
também delibere sobre a matéria. Inicialmente, a proposta
havia sido distribuída apenas para a Comissão de Assuntos
Sociais (CAS), onde receberia decisão terminativa. Aguardando
inclusão napauta do Plenário, o requerimento prevê
ainda a realização de audiência pública para
subsidiar a decisão da CE sobre a matéria, cujas disposições
alteram lei federal (L. 6.494/77) que regulamenta os estágios.
Mesquita Júnior, ainda na justificativa,
destaca que o vale-transporte poderá ser deduzido como despesa
operacional na determinação do lucro real, dentro do período-base
em que for realizada. Assim, observou, não haverá encargos
novos para as empresas.
Em defesa da proposta, o parlamentar
também afirma que estabelecimentos privados e órgãos
públicos que recrutam estagiários acabam contando com
mão-de-obra qualificada a um custo muito reduzido. Em muitos
casos, segundo ele, essa mão-de-obra substitui trabalhadores
com carteira assinada.
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Folha de São Paulo,
05 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Ao PIB, Lula promete reduzir impostos
Discurso que seria lido em jantar ontem diz
que esforço do ajuste fiscal não será jogado fora
caso presidente seja reeleito | "O nome do meu possível
segundo mandato será desenvolvimento", afirma petista, que
omitiu dados ruins sobre crescimento
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Sem citar medidas concretas, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva preparou um discurso para empresários
em que promete, em caso de segundo mandato, "uma qualificação
melhor dos gastos governamentais" e redução dos impostos.
Distribuído previamente pelo PT, o texto seria lido ontem à
noite em um jantar no Jockey Club de São Paulo. As quatro páginas
e meia reúnem tudo o que os empresários sempre gostam
de ouvir e procuram responder aos temores provocados pelo aumento de
gastos públicos neste ano eleitoral.
"Quero deixar claro para todos vocês
que não fiz todo o sacrifício do ajuste, neste meu primeiro
governo, para, na hipótese de ser reeleito, começar um
segundo mandato jogando fora as conquistas do Brasil", diz o texto.
Lula ainda não sinalizou qual será a orientação
da política fiscal caso permaneça no Planalto. No ano
passado, o presidente rejeitou a proposta apresentada pelo ex-ministro
Antonio Palocci (Fazenda) de um programa de longo prazo para a redução
das despesas permanentes do governo.
O plano implicaria corte de despesas
sociais, o que precipitou sua rejeição. O objetivo era
abrir caminho para a redução da carga tributária
e a ampliação dos investimentos -duas promessas incluídas
no texto, que, no entanto, não explica como elas serão
viabilizadas.
Desenvolvimento
"Não aumentei um único
imposto sequer em meu governo", afirma Lula no discurso, sem citar
que os tributos mais elevados pelo seu governo não foram impostos,
mas contribuições sociais como PIS e Cofins. O discurso
também maquia dados ao afirmar que "há 35 meses a
economia não sofre abalos" -foi convenientemente esquecida,
na frase, a queda de 0,9% do PIB no terceiro trimestre de 2005. O país,
portanto, não vive o "mais longo ciclo de crescimento dos
últimos 19 anos" propalado pelo texto.
Todo o resto segue ao gosto da platéia.
"O nome do meu possível segundo mandato será desenvolvimento",
diz Lula. "O Brasil pode estabelecer a meta de se tornar, em médio
prazo, uma potência em crescimento e ultrapassar o PIB de países
europeus importantes." A receita inclui também redução
de juros, abertura da economia em "setores indutores de avanços
tecnológicos", parcerias público-privadas, reforma
política, "revolução na educação"
etc.
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Folha de São Paulo,
05 de agosto de 2006
Lula se mantém estável e
vence eleições já no primeiro turno, diz pesquisa
Ibope
IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pesquisa do Ibope para a CNI (Confederação
Nacional de Indústria) divulgada ontem mostra quadro estável
para a sucessão presidencial. Luiz Inácio Lula da Silva
tem 44% das intenções de voto, contra 38% de seus oponentes.
O tucano Geraldo Alckmin ocupa a segunda posição com 25%
e Heloísa Helena (PSOL) atinge 11%. A pesquisa mostra que Lula
venceria no primeiro turno apesar de a confiança no presidente
ter caído em comparação com levantamentos anteriores.
Em junho 56% disseram confiar no presidente contra 52% na atual pesquisa.
Já o número dos que disseram não confiar nele passou
de 39% para 43%.
A desaprovação de 71% do
eleitorado sobre a política de segurança pública
e de 69% sobre os impostos foram as principais causas do desgaste, na
interpretação da CNI. Na intenção de voto
espontânea, quando o pesquisador não cita nome do candidato,
Lula está com 31%, contra 14% de Alckmin e 6% de Helena. O Ibope
ouviu 2.002 pessoas em 142 municípios do país nos dias
29 a 31 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Cristovam Buarque (PDT) e Luciano
Bivar (PSL) ficaram cada um com 1% das intenções de voto.
Já os candidatos José Maria Eymael (PDC) e Rui Costa Pimenta
(PCO) não receberam indicação. A pesquisa da CNI
não faz comparação com pesquisas anteriores em
relação ao primeiro turno porque é a primeira vez
que o Ibope utiliza a lista oficial de candidatos a presidente. O combate
à violência e à corrupção mostraram-se
as duas piores atuação de Lula no governo federal, na
avaliação dos pesquisados pelo Ibope.
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Folha de São Paulo,
05 de agosto de 2006
Produção industrial perde
fôlego em junho
Índice registra recuo de 1,7%
no mês; no segundo trimestre, produção cresceu 0,5%,
reduzindo ritmo do 1º tri (1%) | Real forte, estoques maiores e
problemas pontuais como greves e interrupções na produção
de petróleo explicam a retração
Depois de crescer com força em
maio (1,6%), a produção da indústria perdeu fôlego
e caiu 1,7% em junho (na comparação livre de efeitos sazonais)
sob efeito do câmbio valorizado, de estoques maiores e de problemas
pontuais como greves e interrupções na produção
de petróleo. Foi a maior redução desde setembro
de 2005 (-2%), disse o IBGE. Apesar do resultado de junho, a indústria
ainda manteve uma taxa positiva no segundo trimestre, mas em desaceleração.
A produção cresceu 0,5% ante o quarto trimestre de 2005,
reduzindo o ritmo do primeiro trimestre (alta de 1%).
Segundo o IBGE, a retração
de maio para junho foi generalizada, ao atingir 17 dos 23 setores pesquisados.
Na comparação com junho de 2005, a produção
da indústria também caiu -0,6%, após alta de 4,8%
em maio. No primeiro semestre, a indústria cresceu 2,6% na comparação
com igual período de 2005. Para Sílvio Sales, chefe da
Coordenação de Indústria do IBGE, a indústria
mais do que devolveu em junho o crescimento expressivo de julho. "A
dimensão da queda sugere que foi mais que uma acomodação."
Segundo o economista, o menor volume
de exportações em junho (afetado por greve de fiscais),
a paralisação programada em plataformas de petróleo,
o possível efeito da Copa do Mundo e greves da Receita e de montadoras
explicam o recuo. "Houve problemas técnicos como paralisação
em plataformas, greve em montadoras e provavelmente paralisações
informais [por causa dos jogos da Copa]", disse Sales. As interrupções
na produção de óleo fizeram com que a indústria
extrativa caísse 3,4% de maio para junho.
Sales ressaltou ainda o efeito do câmbio,
que inibe exportações. "Alguns fatores são
pontuais, mas o efeito da redução do volume exportado
não é." Para justificar sua análise, ele citou
a redução dos embarques de produtos brasileiros de 2%
no semestre, contra um aumento de 19,1% das importações.
Os dados são da Funcex (Fundação Centro de Estudos
do Comércio Exterior). Segundo o IBGE, os setores mais voltados
às exportações cresceram menos no primeiro semestre
(2,3%) do que os centrados no mercado interno (2,9%). O economista disse
ainda que um nível mais alto de estoques também pode ter
influenciado o desempenho de junho.
Em sondagens da CNI (Confederação
Nacional da Indústria) em junho e da FGV (Fundação
Getulio Vargas) em julho, os empresários avaliaram que seus estoques
estavam mais elevados. "A partir de junho e julho, começaram
a surgir sinais de que a indústria começou a apontar uma
elevação de estoque inesperada", disse. Além
da indústria extrativa, os destaques negativos ficaram com veículos
(-4,6%) e outros produtos químicos (-4,8%), sob impacto da menor
fabricação de fertilizantes.
Pelos cálculos do IBGE,
se a indústria mantiver o mesmo nível de produção
atual sem crescer mais nada até dezembro, fechará 2006
com alta de 2%. Especialistas projetam, porém, uma aceleração
da produção no segundo semestre. Sales disse ainda que
o maior nível de utilização da capacidade instalada
-84,5% em julho, maior patamar para o mês desde 1985- "abre
uma oportunidade" de crescimento com mais investimentos.
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Folha de São Paulo,
05 de agosto de 2006
Empresa devedora do FGTS poderá
entrar no Refis 3
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As empresas que tiverem dívidas
com o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) poderão
participar do Refis 3, o programa de parcelamento de dívidas
com o governo federal. Até ontem só podiam aderir empresas
em dia com o FGTS. A alteração foi incluída na
medida provisória que regulamentou as medidas cambiais. O Refis
3 permite a renegociação de tributos vencidos até
dezembro de 2005. As dívidas em atraso até fevereiro de
2003 poderão ser pagas em até seis parcelas com desconto
de 30% nos juros e 80% da multa. Outra opção é
parcelar em até 130 meses com redução de metade
da multa. Os débitos de março de 2003 a dezembro de 2005
não terão desconto, mas podem ser pagos em 120 meses.
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Folha de São Paulo,
05 de agosto de 2006
TRABALHO
Para UE, empresa pode se recusar a contratar
fumante
DA REDAÇÃO
Uma empresa coloca um anúncio para recrutar funcionários,
mas já avisa que fumantes não serão aceitos. Discriminação?
A União Européia diz que não. A Comissão
Européia, o braço executivo do bloco, confirmou que a
lei que protege os trabalhadores de discriminação não
se aplica a fumantes.
Em uma resposta escrita a um questionamento
da parlamentar Catherine Stihler, o comissário europeu para Emprego
e Iguais Oportunidades, Vladimir Spidla, escreveu que "um anúncio
de emprego que diz que "fumantes não serão aceitos"
não parece estar dentro de nenhuma das situações
proibidas".
Ele disse que a lei só proíbe
a discriminação por "origem racial ou étnica,
deficiência, idade e orientação sexual ou religiosa"
no emprego. A pergunta da parlamentar teve origem com o caso de uma
empresa irlandesa de telemarketing, que colocou anúncio que excluía
fumantes. O governo irlandês decidiu que o anúncio era
legal. Philip Tobin, presidente da empresa em questão, a Dotcom
Directories, disse que os fumantes são anti-sociais e ficam doentes
com mais freqüência.
O grupo britânico Forest,
a favor do fumo, disse que a decisão era preocupante. "Se
as pessoas forem questionadas em uma entrevista de emprego sobre o fumo,
aconselhamos que elas mintam. Se você é um fumante social,
que fuma um cigarro no bar à noite, isso não deve ser
da conta do seu empregado.
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Folha de São Paulo,
07 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Lula gasta mais que o dobro do que Alckmin
no 1º mês
Campanha petista já consumiu R$ 4,2 milhões
contra R$ 1,9 milhão de tucano | Na primeira prestação
de contas ao TSE, comitê do presidente informa ter arrecadado
R$ 5,7 mi; PSDB teve R$ 1,3 mi em doações
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O comando da campanha de reeleição
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou ao TSE (Tribunal
Superior Eleitoral) ter gasto R$ 4,2 milhões no primeiro mês
da corrida eleitoral, valor que corresponde a mais que o dobro do montante
declarado pelo seu principal adversário, Geraldo Alckmin (PSDB),
cujas despesas foram de R$ 1,9 milhão. Os dados correspondem
à primeira prestação de contas oficial -do candidato
e do comitê financeiro- que os presidenciáveis foram obrigados
a apresentar ao TSE ontem. O próximo informe deverá ser
no dia 6 de setembro. As parciais, entretanto, relacionam despesas e
receitas das campanhas, mas não informam nomes de doadores. Esse
detalhamento só constará da declaração final,
30 dias após a eleição.
De acordo com o relatório da campanha
do presidente Lula, que lidera as pesquisas, o comitê financeiro
gastou até agora R$ 4.196.168,07, contra uma arrecadação
de R$ 5.686.558,00. Em tese, o comitê petista teria hoje R$ 1.490.389,93
em caixa, mas o tesoureiro da campanha, José de Filippi Júnior,
argumenta que esse valor já está comprometido para quitar
contas pendentes.
A discriminação das despesas
mostra que a maior parte da arrecadação foi gasta com
publicidade (faixas, folhetos e placas), gravação de programas
de rádio e TV e pesquisas eleitorais. O principal gasto, por
exemplo, aparece sob a rubrica "publicidade por materiais impressos":
R$ 1 milhão. "À medida que se aproxima o pleito e
as pesquisas indicam um candidato mais ou menos forte, independentemente
do candidato, o ritmo de arrecadação aumenta", disse
o advogado do PT Márcio Luiz Silva, que protocolou o documento.
No segundo relatório, que corresponde
somente ao candidato Lula, constam gastos de R$ 3.496.396,68 e arrecadação
de R$ 3.650.980,52. Segundo o partido, esses valores estão contidos
na prestação de contas do comitê. No caso da campanha
de Alckmin, todos os valores estão centralizados somente na prestação
do comitê.
Déficit
O tucano informou ter arrecadado R$ 1.322.697,68,
embora o comando da campanha afirme haver doações comprometidas
que somam R$ 15 milhões até o próximo dia 10. Pelos
números atuais, entretanto, há déficit de R$ 566.689,80.
A maior despesa dos tucanos foi com "serviços prestados
por terceiros": R$ 989.698,67. Há ainda R$ 172.272,88 de
"bens permanentes", a maior fatia usada para a compra de equipamentos
(computadores, mesas, telefones) do comitê central da campanha,
em Brasília.
Última candidata a apresentar
sua prestação de contas, às 18h14 de ontem, a senadora
Heloísa Helena, candidata pelo PSOL, informou que "estima"
ter arrecadado R$ 105.099,41. Mas, segundo o tesoureiro da campanha,
Martiniano Cavalcante, esse valor é referente a passagens aéreas,
hospedagem e alimentação "doados" à candidata,
ou seja, não entraram no caixa em espécie. Por isso, a
prestação da candidata diz não ter gasto nenhum
centavo.
"A despesa é exatamente o
que foi arrecadado. Quem solicita a Heloísa paga passagem, alimentação
etc", disse ele. O candidato do PDT, Cristovam Buarque (DF), informou
ter gasto R$ 70.209,72 até agora e arrecadado R$ 150 mil. O candidato
a presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, não havia entregue sua
prestação de contas até as 19h de ontem, horário
limite para o funcionamento do protocolo.
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Folha de São Paulo,
07 de agosto de 2006
Real forte impulsiona comércio
popular
Importação de produtos baratos
da China deve crescer 66% em volume neste ano, segundo associação
do setor | Faturamento estimado para este ano deve chegar a R$ 11 bilhões
contra os R$ 9 bilhões registrados pelo setor em 2005
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A valorização do real sobre
o dólar que tanto angustia os exportadores tem feito a alegria
dos importadores de produtos populares. A indústria dos "made
in China" deverá despejar no Brasil neste ano 200 milhões
de unidades que vão desde brinquedos a utensílios domésticos
e produtos de decoração. Isso representa 66% a mais do
que os 120 milhões registrados em 2005. Os cálculos são
da Abipp (Associação Brasileira de Importadores de Produtos
Populares).
São mais de 5.000 tipos diferentes
de produtos. Todos fabricados na China, chegam por meio de empresas
importadoras para abastecer cerca de 50 mil lojinhas em todo país.
Esse comércio popular conquistou a simpatia dos consumidores,
há cerca de dez anos, com a oferta de bugigangas a R$ 1,99. De
lá para cá, o dólar subiu e o preço saltou
para uma média de entre R$ 3 e R$ 5.
Diante desse cenário, foi preciso
investir em itens de maior qualidade para reconquistar a clientela e
tentar reverter a fama de quinquilharias baratas e ruins. Nos últimos
dois anos, a valorização do real ajudou nessa estratégia.
Hoje, com a economia voltando a crescer, esse segmento comemora a conquista
de novos consumidores. "Hoje os produtos importados populares são
opção de compra não apenas para as classes C, D
e E [de renda mais baixa]. A classe B também começa a
buscá-los como alternativa de consumo", afirma Gustavo Dedivits,
presidente da Abipp, criada há um pouco mais de um ano.
Resultado: o faturamento anual de R$
9 bilhões em 2005 deverá alcançar R$ 11 bilhões
neste ano, segundo as projeções da entidade que conta
com 28 importadoras associadas. Com isso, as receitas do setor mantêm
o ritmo de crescimento de 20% ao ano, já que, em 2004, o faturamento
foi de R$ 7,5 bilhões. Isso leva o segmento de importados a representar
40% do faturamento do setor de produtos populares que movimenta cerca
de R$ 27,5 bilhões, segundo Dedivits. Em dezembro do ano passado,
esse percentual era de 35%.
A concorrência com os nacionais,
no entanto, não é nenhum problema. "Não compramos
produtos que são fabricados aqui no Brasil. Embalagens plásticas,
bacias e toda essa linha, por exemplo, não vale a pena trazer.
As produzidas no país são baratas e de boa qualidade",
diz ele. Neste ano, a Copa do Mundo e as eleições são
estímulos adicionais para o segmento que vive de datas comemorativas
como Dia das Mães, dos Pais, das Crianças e o Natal.
"Muitos apostaram alto na Copa e
investiram em cornetas, chapéus, bandeiras. Na época,
até um pau pintado de verde e amarelo vendia", afirma. Com
a saída do Brasil mais cedo do que o esperado, os produtos verde
e amarelo levaram números vermelhos para o balanço das
empresas, já que ficaram encalhados. Numa proporção
bem menor, a disputa eleitoral pode ajudar a recuperar parte desse prejuízo.
"A campanha política pode colaborar para venda de canetas
ou outros itens", diz Hélio Perazzolo, que também
integra a Abipp. Independentemente disso, a aposta agora é no
Dia das Crianças e nas festas de fim de ano, quando esses importadores
pretendem inundar o país de brinquedos e enfeites importados
e, para isso, reforçam as encomendas.
Cenário macroeconômico
Os sobressaltos no cenário internacional
ou mesmo as recentes medidas do governo para tentar conter a desvalorização
do real e até gerar uma apreciação do dólar
são acompanhados de perto mas não são vistos com
tanta preocupação. Se o real perder valor, os produtos
encomendados -que chegarão e serão pagos em etapas- ficarão
mais caros. Se não conseguirem repassar o aumento para o valor
cobrado dos consumidores, importadores e comerciantes terão prejuízo.
"Nossa preocupação é com a China. No mais,
o produto popular veio para potencializar o consumo das classes de renda
mais baixa, criar competição e inibir o aumento dos preços
no mercado interno", diz Dedivits.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
06 de agosto de 2006
Faltam comissões para prevenção
de acidentes
REDAÇÃO/O ESTADO DO
PARANÁ
Foto: Arquivo/O Estado
Geraldo Serathiuk, da DRT: aumento dos acidentes.
Reduzir os riscos da saúde e melhorar a segurança do trabalhador
no ambiente profissional é o objetivo da Comissão Interna
de Prevenção de Acidentes (Cipa). A instalação
das Cipas, em empresas acima de 20 empregados, é uma exigência
da Lei 6.514/77 e a Delegacia Regional do Trabalho (DRT/ PR) tem o papel
de verificar seu cumprimento.
No Paraná, 6.785 comissões estão ativas em empreendimentos
públicos, privados ou de economia mista. No entanto, de acordo
com a Relação Anual de Informações Sociais
(Rais), existem no Estado mais de 13,8 mil empresas que possuem mais
de 20 funcionários. Tal número indica que faltam Cipas
dentro de empresas do Estado.
Segundo o delegado regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk, tal indicativo
pode estar associado ao aumento da quantidade de acidentes de trabalho
que o Estado vem registrando nos últimos anos. De acordo com
o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, de 2003
para 2004 houve um aumento de mais de 4,3 mil acidentes de trabalho
no Paraná. Ao todo, 35.185 acidentes foram liquidados, cujos
processos foram encerrados pelo INSS depois de completado o tratamento
e indenizadas as seqüelas.
Para o chefe do Setor de Saúde e Segurança da DRT, Sérgio
Silveira de Barros, muitos empregadores não têm o interesse
em manter a Cipa em sua empresa. “Com ela, os trabalhadores passam
a questionar os aspectos de segurança e saúde ocupacional,
chamam o sindicato, enfim, lutam por melhores condições
no ambiente de trabalho. Em certos casos, o empregador considera, erroneamente,
a Cipa uma fonte de problemas”, diz.
A DRT atua fiscalizando as empresas, além de atender denúncias
sobre empresas que não mantêm a Cipa. Contudo, para Barros,
é necessário que os trabalhadores e empregadores tenham
consciência da importância da comissão. “É
uma oportunidade de melhorar a relação entre os empregados
e empregadores, aumentar a participação do trabalhador
e modernizar a empresa, que passará a ouvir seus colaboradores”
diz o chefe do setor.
Além da Cipa, existe o Serviço Especializado em Segurança
e Medicina do Trabalho (SESMT), que deve existir em empresas com mais
de 50 empregados. No Estado são 4.841 empresas, porém,
apenas 1.031 possuem o serviço.
Durante o segundo semestre, a DRT pretende aumentar o números
de fiscalizações. De acordo com o chefe do setor, a delegacia
irá intensificar as ações fiscais, visando atingir
mais empresas para que a segurança no ambiente de trabalho aumente.
Ao ser comprovado que a empresa não mantém a comissão
em seu ambiente de trabalho, a DRT irá autuá-la. O valor
da multa, que varia de R$ 699,60 a R$ 6.996,60, será aplicada
de acordo com o tamanho da empresa, número de funcionários
e a gravidade da infração.
Denúncia
Para denunciar a falta ou o não-funcionamento de Cipas em empresas
com mais de 20 funcionários, o trabalhador ou o sindicato que
o representa, devem comparecer na DRT/PR (Rua José Loureiro,
574, 1.º andar, Centro, em Curitiba) ou nas subdelegacias do Trabalho
de Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá e Ponta
Grossa. No entanto, elas não precisam ser feitas pessoalmente.
O denunciante pode fazê-la de forma anônima pelo telefone
(41) 3219-7721 ou pelo site www.mte.gov.com.br.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 06 de agosto
de 2006
Confederações sustentam
inconstitucionalidade de medidas provisórias sindicais no STF
Edésio Passos [06/08/2006]
Segundo informações do Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) foi ajuizada no Supremo
Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI) 3.761, com pedido de liminar, que contesta a legalidade das Medidas
Provisórias (MP) 293 e 294, que reconhece as Centrais Sindicais
e a criação do Conselho Nacional de Relações
do Trabalho.
A ação foi proposta em parceria pela Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), Confederação
Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT), Confederação
Nacional dos Profissionais Liberais (CNPL), Confederação
Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec),
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos
de Educação e Cultura (CNTEEC), Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) e Confederação
Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação
e Afins (CNTA).
Diz o informativo do DIAP que “as entidades alegam que as medidas
provisórias são inconstitucionais porque não obedecem
aos requisitos de urgência e relevância necessários
para que sejam editadas. Alegam ainda que a medida provisória
não pode ser um ato administrativo, uma vez que a lei pode criar
inovações originárias, regra que não tem
base em qualquer disposição anterior, enquanto o ato administrativo
não pode criar nada que não esteja na lei. A medida provisória
não pode ser um ato administrativo, primeiro porque inova originariamente
a ordem jurídica e segundo, porque tendo força de lei,
pode revogar outra lei.
A ADI sustenta que as medidas provisórias contrariam o artigo
8º, caput, da Constituição Federal que define os
sindicatos como entidades sindicais de primeiro grau, enquanto as federações
e as confederações são entidades sindicais de segundo
grau. Ao introduzir a central sindical como de terceiro grau, de acordo
com as confederações, as MPs contrariam frontalmente a
disposição constitucional assinalada e que somente poderia
ser adicionada mediante uma alteração da Constituição
Federal e nunca por meio de uma medida provisória, constituindo-se
esta em verdadeira inconstitucionalidade.
Além das inconstitucionalidades assinaladas, configura-se, de
forma cristalina, sem sombras de dúvidas, a inexistência
de relevância e a urgência da medida adotada para o reconhecimento
das centrais sindicais”.
A ADI 3.761 será julgada diretamente no mérito, sem apreciação
do pedido de liminar. A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministra Ellen Gracie, decidiu julgar o mérito, com base no artigo
12 da Lei das ADIs (Lei n.º 9.868/99), no qual está previsto
que, levada em consideração a relevância da matéria,
as ações podem ser julgadas definitivamente sem apreciação
de liminar.
A ministra Ellen Gracie, em seu despacho, solicitou informações
ao presidente da República, que deverão ser prestadas
no prazo de dez dias, a vencer em sete de agosto.
Em texto anterior publicado neste caderno (“Medidas Provisórias
iniciam reforma sindical”, 25/06/2006), afirmamos: “Entretanto,
ao adotar o caminho das Medidas Provisórias, o Ministro do Trabalho
buscou meio inadequado. Além de romper com o compromisso assumido
de debater as questões sindicais nos Estados, via Parlamento,
encaminhou medidas que, embora relevantes, não são urgentes.
Eis que a matéria relativamente às Centrais Sindicais
é anterior à Constituição Federal de 1988
e vem sendo submetida a ampla análise de todos os setores interessados
durante um largo período. Certamente, a conclusão desse
debate impõe fosse efetuado de modo democrático e aprofundado.
No mesmo sentido, a proposição de criar um Conselho Nacional
de Relações de Trabalho, também relevante, não
é urgente, aliás tema pouco aprofundado anteriormente.
Portanto, ao propor as Medidas Provisórias, o Ministro do Trabalho
violou não apenas a Constituição, como retirou
o tema da análise a ser realizada nas audiências públicas
da Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados”.
Além disso, acentuamos que: “Mas não estamos livres
de um embate judicial após a aprovação das Medidas
Provisórias, no caso de ações diretas de inconstitucionalidade
que venham a ser propostas. Mas este é um universo ainda não
visível, pois esta faculdade repousa nas mãos das Confederações
de Trabalhadores. Como a maioria delas compõe as Centrais a serem
reconhecidas, poderão não acionar os instrumentos jurídicos
visando confrontações no campo do Judiciário. Mas
mesmo que não visem a inconstitucionalidade na criação
das Centrais, poderão atacar a formação do CNRT
sob alegação de interferência/intervenção
na organização sindical. Caso aconteçam essas medidas,
prazo razoável transcorrerá até a definição
do quadro sindical. Caso não se efetivem, estará consolidado
o caminho a ser percorrido”.
Cautelar concedida à CNTI
No dia 25 de julho, a Juíza Mara Cristina Pereira Castilho, da
47.ª Vara do Trabalho de São Paulo, decidiu sobre a medida
cautelar proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Indústria (CNTI) contra a Comissão Pró-Fundação
da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção, da Madeira e Assemelhados, proferindo a
seguinte sentença: “A Requerente interpõe a presente
Medida Cautelar Inominada requerendo a sustação da reunião
marcada para o dia 7.04.2006 pela Requerida. Alega a Requerente que
se trata de entidade de grau superior e que coordena o plano de trabalhadores
na indústria, atuando em todo o Brasil; que a entidade abrange
diversos grupos de enquadramento sindical, dentre eles o dos trabalhadores
nas indústrias da construção e do mobiliário.
Relata que a Requerida publicou edital de convocação com
o objetivo de fundar a Confederação Nacional dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção, da Madeira e Assemelhados.
Argumenta, apresentando diversas razões, que referido edital
está eivado de ilegalidades. A liminar requerida foi concedida
parcialmente, inaudita altera pars, para sustar os efeitos da reunião
a ser realizada em 7/4/2006. Em sua defesa, a Requerida alegou que a
suspensão do direito de reunião afronta princípios
constitucionais; que a presente medida possui natureza satisfativa.
Afirma não estarem presentes os requisitos para a interposição
da medida cautelar. Apresenta demais razões e requer a reconsideração
da decisão que determinou a sustação dos efeitos
da reunião já realizada (em 7/4/2006). Inconciliados.
Decide-se. A presente medida intentava a sustação da reunião
marcada pela Requerida que deveria ser realizada em 7/4/2006. Foi deferido,
liminarmente, sustação dos efeitos da mencionada reunião.
De acordo com o entendimento exposto por Manoel Antonio Teixeira Filho
em sua obra As Ações Cautelares no Processo do Trabalho,
Editora LTr, 4.ª edição: “Nos procedimentos
cautelares, o interesse do requerente se relaciona à necessidade
de ver assegurados os resultados práticos que visou ou visará
a obter com a provocação do exercício da função
jurisdicional do Estado. Não se trata, por isso, de um interesse
que tenha como fim o direito material, vez que o próprio objeto
das medidas acautelatórias é a tutela do processo.”
Sendo assim, tem-se que o Requerente alcançou o resultado prático
almejado, para que, em ação própria, possa discutir
as razões que o levaram a impugnar a pretensão da Requerida
de fundar entidade confederativa. A manutenção da concessão
da liminar se torna imprescindível para que a Requerente tenha
assegurado o resultado útil do provimento, eventualmente concedido
em processo principal. E, diga-se, as razões apresentadas pela
Requerente se escoram em preceitos legais, demonstrando a existência
do “fumus boni iuris”, bem como, do perigo da demora, já
que, durante o lapso temporal que discorrer entre a realização
da reunião e julgamento da ação principal, a Requerente
poderá sofrer grandes alterações em seu quadro
de representados, além de outras conseqüências. Diante
do exposto, julgo parcialmente procedente a presente Medida Cautelar
para, nos termos da fundamentação, manter a sustação
dos efeitos da assembléia realizada em 7/4/2006. Custas pela
Requerida sobre o valor ora arbitrado em R$ 1.000,00, no importe de
R$ 20,00. Intimem-se as partes. Nada mais. Mara Cristina Pereira Castilho.Juíza
do Trabalho”.
Edésio Passos é advogado, consultor jurídico de
entidades sindicais de trabalhadores, ex-deputado federal (PT/PR). E.mail:
edesiopassos@terra.com.br
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 05 de agosto de 2006 | Economia
Desemprego nos Estados Unidos é
o maior em cinco meses
Com apenas 113 mil postos criados em julho,
o Fed agora tem um dilema pela frente: continuar contendo a inflação
ou liberar a expansão
EFE
WASHINGTON - A economia americana criou
apenas 113 mil postos de trabalho em julho, o que deixou a taxa de desemprego
em 4,8% - o nível mais alto dos últimos cinco meses. O
indicador, divulgado nesta sexta-feira pelo Departamento de Trabalho,
está alinhado com outros dados publicados nas últimas
semanas que indicam uma desaceleração econômica
e uma alta inflacionária.
Essa combinação de fatores
representa um difícil dilema para o Federal Reserve (Fed, banco
central americano), que se reúne na semana que vem para decidir
se aumenta ou não as taxas de juros de referência.
O número de novos postos de trabalho
ficou abaixo dos 124 mil de junho e representa o nível mais baixo
desde maio, quando a economia criou 100 mil empregos.
A maioria dos economistas tinha previsto
aumento de 145 mil postos de trabalho, e que a taxa de desemprego ficaria
em 4,6%.
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DIÁRIO ONLINE / ABC
PAULISTA, 07 de agosto de 2006
Quase 80 trabalhadores escravos são
libertados na última semana
Setenta e oito trabalhadores em condições
análogas à de escravo foram libertados na última
semana pelas equipes de fiscalização do Ministério
do Trabalho em Minas Gerais, Pará e Tocantins. Minas foi o Estado
que mais empregou mão de obra escrava: 39 pessoas.
No município de Luz, no centro-oeste
de Minas, 24 trabalhadores foram libertados. Vieram do Ceará
trabalhar na colheita do café, mas não recebiam salário
há três meses. Viviam em alojamentos precários,
a água era imprópria para consumo e a alimentação
insuficiente. Eram obrigados também a comprar os equipamentos
de segurança do trabalho.
O proprietário da fazenda Luís
Antônio Fernandes terá que pagar R$ 30 mil em indenizações
trabalhistas. Os trabalhadores foram levados de volta ao Ceará.
Eles receberão, por três meses, o seguro-desemprego no
valor de R$ 350 e serão incluídos no programa da Bolsa
Família.
Também em Minas, outros 15 trabalhadores
em situação análoga à escravidão
foram libertados no município de Córrego Danta. Eles trabalhavam
na Fazenda Planalto colhendo café e no Condomínio Casa
Branca cortando madeira. Estavam sem carteira assinada, com o salário
atrasado e dormindo num espaço de 1,6 m² em alojamentos
improvisados. Há relatos de um trabalhador que diz ter sido obrigado
a dormir em um banheiro construído no meio do mato, já
que não havia espaço no alojamento. Entre os agricultores,
foi encontrada uma mulher que dormia no mesmo espaço com mais
11 homens.
No Pará, 12 trabalhadores foram
encontrados alojados em barracas de lona sem proteção
lateral e dormindo em redes. A comida era pouca, a água imprópria
para consumo e não havia saneamento. Eles trabalhavam no desmatamento
da fazenda Ouro Preto para o plantio de grãos. Não havia
equipamentos individuais de proteção e as carteiras de
trabalham não estavam assinadas. Os salários eram retidos
pelo proprietário da fazenda, que deverá pagar R$ 14.
721 em indenizações. Os trabalhadores também receberão
o seguro-desemprego e serão incluídos no programa Bolsa-Família.
A fazenda Areia, em Tocantins,
mantinha 27 trabalhadores. O crime é reincidente no local. Os
trabalhadores não recebiam salário há seis meses
e as carteiras não estavam assinadas. Os alojamentos eram improvisados,
não havia instalação para higiene e a fonte de
água era distante. O proprietário terá que pagar
R$ 100 mil em indenizações e reparação de
danos morais individuais.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
06 de agosto de 2006
Justiça do Trabalho determina indenização
de R$ 20 mil a vigias
O vigia portuário deve receber
remuneração pertinente, no prazo de 48 horas após
a conclusão do serviço, conforme estabelece a Lei dos
Portos. Com esse entendimento, o juiz Gilson Ildefonso de Oliveira,
titular da 2ª Vara do Trabalho de Santos (SP), concedeu, nesta
sexta-feira (4/8), liminar ao Sindicato dos Vigias Portuários
do Estado de São Paulo, estabelecendo um prazo de 24 horas para
que o Ogmo (Orgão Gestor de Mão-de-Obra) efetue o depósito
judicial de R$ 20.266,46 devido aos associados, além de encargos
trabalhistas.
Segundo a Justiça do Trabalho
paulista, o sindicato apresentou pedido de liminar na 2ª Vara do
Trabalho de Santos, alegando que o Ogmo reteve remuneração
devida aos seus associados, por serviços requisitados e já
executados e que chegaram a tentar negociação na subdelegacia
local do Ministério do Trabalho, sem sucesso.
Para o juiz Gilson Ildefonso "não
se justifica a retenção dos valores devidos aos vigias
portuários regularmente escalados pelo requerido, que já
prestaram os seus serviços, sob o argumento de que aguardam posicionamento
do Ministério Público do Trabalho, conforme explanado
pelo representante do Ogmo, ao comparecer perante a Subdelegacia do
Trabalho Local".
O juiz Gilson considerou que "o
requerido (Ogmo) utiliza-se abusivamente do procedimento de retenção
da remuneração devida aos associados do requerente."
E ainda: "obstar-se a pretensão do sindicato autor, em sede
de medida liminar, certamente redundaria em um dano irreparável
ou de difícil reparação".
O juiz estabeleceu multa diária
de R$ 10 mil, por vigia portuário prejudicado, caso o órgão
não cumpra as determinações da liminar.
Foi designada audiência entre representantes
do Ogmo e do sindicato para o dia 15 de agosto.
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de agosto de 2006
Pauta do TST
Pleno vai julgar se Legislativo pode criar
gratificação
O Pleno do Tribunal Superior do Trabalho
vai analisar a constitucionalidade da Lei Orgânica do Município
de Pelotas (RS), que instituiu a gratificação de 30% para
professores que trabalham na zona rural com turmas de alunos de mais
de uma série na mesma sala de aula, chamada de classe multisseriada.
A questão foi enviada para análise
do Pleno pela 4ª Turma do tribunal, que sinalizou pela inconstitucionalidade
da regra. O recurso foi ajuizado pelo município de Pelotas contra
decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região.
A segunda instância manteve a obrigação de o município
pagar o benefício a uma professora. O município sustenta
que, de acordo com a Constituição Federal, o Legislativo
não tem competência para criar gratificações.
O fundamento adotado pelo TRT ao manter
a gratificação foi o fato de ser incontroverso que a professora
desempenhava atividades docentes em classes multisseriadas e que o artigo
35 da Lei Orgânica Municipal garante, nessas circunstâncias,
o pagamento de gratificação de 30% sobre o total da remuneração.
Sobre a constitucionalidade da lei, os
juízes entenderam que, embora seja da competência do Executivo
a criação de cargos, “não se trata de aumento
de remuneração na expressão do texto constitucional,
porquanto tem como fato gerador a circunstância de que a professora
sempre lecionou na zona rural, para mais de uma série, numa mesma
sala de aula (classe multisseriada)”.
O ministro Milton de Moura França,
relator do caso na 4ª Turma, votou em sentido contrário.
Para ele, “a hipótese demonstra típica inconstitucionalidade
formal, na medida em que a criação de cargos, empregos
e funções, bem como sua remuneração, é
matéria de iniciativa do Poder Executivo, por força do
que dispõe a Constituição Federal (artigo 61, parágrafo
1º, II, “a”), de observância obrigatória
pelos Estados-membros, pelo Distrito Federal e municípios”.
RR 925/2001-102-04-40.3
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de agosto de 2006
Equiparação salarial
Justiça não pode criar obstáculo
à produção de prova
A Justiça não pode criar
obstáculo à produção de prova pela parte.
O entendimento é do ministro João Orestes Dalazen, da
1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. A Turma reconheceu os
direitos de um trabalhador e anulou decisão da Justiça
catarinense, que negou o pedido de perícia contábil para
equiparação salarial. O ministro determinou, ainda, que
o processo seja retomado à primeira instância.
A ação foi ajuizada pelo
empregado da empresa Centrais Geradoras do Sul do Brasil para tentar
obter a equiparação salarial com um outro funcionário
da empresa. Ele pretendia demonstrar, por meio da perícia contábil,
que o plano de cargos e salários da empresa estava em desacordo
com o artigo 461, parágrafo 2º, da CLT – que prevê
promoções pelos critérios de antigüidade e
merecimento em empresas organizadas em quadros de carreira.
O pedido de perícia foi negado
pela primeira instância, que também rejeitou o pedido de
diferenças salariais. Posteriormente, o levantamento contábil
foi novamente refutado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª
Região, Santa Catarina. “O indeferimento da prova pericial
em nada altera o julgamento do processo, porquanto cabe ao Judiciário
verificar se o Plano de Cargos e Salários atende ou não
às exigências contidas na lei, não dependendo de
perícia contábil”, considerou a segunda instância.
O TRT catarinense confirmou a determinação
desfavorável ao trabalhador e afirmou que o empregado não
conseguiu comprovar sua alegação de que o plano de cargos
e salários não atendia aos requisitos do artigo 461, parágrafo
2º da CLT. De acordo com o TRT catarinense, a parte deveria ter
trazido uma cópia, na íntegra, do plano de cargos e salários
a fim de provar a alegação.
A decisão do TRT-SC foi reformada
pelo Tribunal Superior do Trabalho. Segundo o ministro Dalazen, “a
forma clássica de configuração de nulidade, por
cerceamento de defesa, dá-se em caso de indeferimento de prova
e posterior rejeição do pedido objeto da prova indeferida,
precisamente por falta de prova, como ocorreu na presente hipótese”.
O ministro explicou que resultou em “nulidade
processual o indeferimento de realização de perícia
contábil mediante a qual se pretendia apurar se o Plano de Cargos
e Salários da empresa atende ao disposto no parágrafo
2º do artigo 461 da CLT, seguido de declaração de
improcedência total do pedido de equiparação em
virtude de o empregado não trazer aos autos a íntegra
do referido Plano”.
Com a decisão do TST, fica anulada
a decisão da Justiça do Trabalho catarinense e os autos
retornarão à primeira instância para que o processo
seja retomado a partir do momento processual em que foi negado pedido
de perícia contábil, que terá de ser feita.
RR 628.800/2000.4
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de agosto de 2006
Justiça gratuita
Não cabe ao juiz contestar declaração
de pobreza
Não cabe ao juiz contestar declaração
de pobreza, se ela respeita o que a lei determina. O entendimento é
da Seção Especializada em Dissídios Individuais
do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Os juízes
acolheram o pedido de justiça gratuita de ex-trabalhador da Codesp
— Companhia Docas do Estado de São Paulo.
O trabalhador entrou com ação
na 4ª Vara do Trabalho de Santos (SP), que contestou a declaração
de pobreza e rejeitou o pedido. Ele recorreu ao TRT paulista com Mandado
de Segurança. Pediu a suspensão da cobrança das
custas processuais, que seriam de sua responsabilidade por ter perdido
a ação.
Para o juiz Marcelo Freire Gonçalves,
ao negar a justiça gratuita ao trabalhador, o direito líquido
e certo estaria sendo atacado. Ele observou que, conforme o parágrafo
único do artigo 2º da Lei 1.060/50, "considera-se necessitado
para os fins legais todo aquele cuja situação econômica
não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários
do advogado, sem prejuízo do sustento da própria família".
Além disso, juiz destacou que
"a declaração destinada a fazer prova de pobreza,
quando firmada pelo próprio interessado, presume-se verdadeira,
sujeitando-se o declarante às sanções civis e criminais
previstas na legislação aplicável".
O relator afirmou juiz não pode
indeferir requerimento que tem amparo legal.
Processo 10341.2005.000.02.00-5
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/08/2006
Empresa de RH paga dano moral por manter
lista negra
A Justiça do Trabalho condenou
a empresa Employer – Organização de Recursos Humanos
Ltda. ao pagamento de indenização por dano moral a um
trabalhador que teve seu nome incluído numa “lista negra”.
A condenação, decidida pela Vara do Trabalho de Campo
Mourão (PR) e mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª
Região (Paraná), manteve sua validade após a Quarta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho não conhecer (rejeitar)
o recurso de revista de ambas as partes.
A reclamação trabalhista
foi inicialmente ajuizada por um trabalhador rural contra a Employer
e a Cooperativa Agropecuária Mourãoense Ltda. (Coamo),
para quem tinha prestado serviços, como mão-de-obra contratada
pela primeira, em três ocasiões. Segundo afirmou na inicial,
o mercado de trabalho de Campo Mourão e dos municípios
adjacentes é dominado pelas duas empresas. Depois do último
contrato, em 1997, o trabalhador não conseguiu mais emprego e
passou a vender sorvetes para sustentar a família.
Pouco depois, ficou sabendo da existência
de uma lista, preparada pela Employer com a colaboração
da Coamo, com o nome de ex-empregados “que, segundo seu ponto
de vista, de uma forma ou de outra tivessem causado ou pudessem causar
qualquer tipo de problema para elas – em especial aqueles que
tivessem ação ou participassem como testemunha na Justiça
do Trabalho ou tivessem qualquer tipo de demanda judicial”.
De acordo com documentos e depoimentos
constantes nos autos, a lista era distribuída pela Employer às
empresas que contratavam seus serviços “como um diferencial
a seus clientes, de modo a assegurar que não teriam problemas
trabalhistas com seus empregados”. O caso foi denunciado pelo
Ministério Público do Trabalho.
A sentença da Vara do Trabalho
condenou a Employer ao pagamento de indenização por dano
moral no valor de R$ 20 mil. No julgamento do recurso ordinário,
o TRT do Paraná reduziu a condenação a R$ 2 mil.
As duas partes recorreram ao TST: o trabalhador, pretendendo aumentar
o valor da indenização; e a empresa, alegando prescrição
do direito e incompetência da Justiça do Trabalho, como
preliminares, além de insistir na inexistência do dano
moral.
O relator do recurso, ministro Barros
Levenhagen, examinou todos os pontos questionados tanto pelo trabalhador
quanto pela empresa. Sobre o valor da indenização, ressaltou
que a decisão do TRT observou “os princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade na avaliação da situação
econômica da vítima e do agente causador da ofensa, bem
como a ausência de comprovação de a lista ter acarretado
a ausência de contratação do reclamante”.
Como a matéria se baseia na avaliação dos fatos
e provas do processo, e esse procedimento é vedado pela jurisprudência
do TST, o recurso do trabalhador não foi conhecido.
Sobre a prescrição, a empresa
alegou em seu recurso que a ação foi ajuizada depois de
transcorridos dois anos da extinção do contrato de trabalho
– o trabalhador foi demitido, na terceira contratação,
em junho de 1997, e a reclamação ajuizada em junho de
2003. O ministro Levenhagen, porém, ressaltou que o prazo prescricional
de dois anos após a extinção do contrato de trabalho
“refere-se apenas aos direitos que coexistiam com a duração
do pacto laboral, e não aos que nasceram posteriormente a ele”,
como no caso.
De acordo com o acórdão
do TRT, o trabalhador tomou conhecimento da inclusão de seu nome
na lista no início de 2002, mas não conseguiu provar a
alegação. O Regional, então, considerou a contagem
do prazo prescricional a data de emissão da lista – junho
de 2001. A ação, portanto, foi proposta dentro do limite.
O ministro Levenhagen, ao analisar o tema, lembrou que “à
época da dispensa ainda não existia a ‘lista negra’
que originou o pedido de indenização. Daí porque,
naquele momento, não poderia o trabalhador pleitear o objeto
da ação”.
Em seu recurso, a Employer sustentou
que nos autos não havia prova da relação entre
a existência da “lista negra” e o suposto dano provocado.
O argumento, porém, foi refutado pelo relator e pelos demais
ministros da Turma. “Sabe-se que o dano moral constitui lesão
a direitos de personalidade, que, no caso desse processo, são
a honra e a imagem do trabalhador”, afirmou o ministro Barros
Levenhagen. “A sua configuração se efetiva com o
abalo sentimental da pessoa em sua consideração pessoal
ou social”.
O ministro assinalou que o próprio
TRT consignava que “o dano ao trabalhador ocorre no momento em
que seu nome é incluído na lista”, independentemente
do resultado, “sendo latente a agressão à sua honra
e imagem”. O ministro Milton de Moura França, presidente
da Quarta Turma do TST, reforçou esse entendimento. “Os
valores da dignidade humana – éticos, pessoais, morais,
religiosos – têm de ser preservados, e a ofensa a esses
valores, no caso, é um fato objetivo. A lista existia, e isso
é inquestionável.”
Este não foi o primeiro caso de
dano moral envolvendo a Employer e a Coamo e sua lista negra. Em junho,
a mesma Quarta Turma julgou processo idêntico. Na ocasião,
porém, foi mantida decisão regional que considerou prescrito
o direito do trabalhador, uma vez que a ação só
foi ajuizada em 2004, e a lista elaborada em 2001. (RR 335/2003-091-09-00.1)
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