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Agência Radiobrás, 10 de agosto
de 2006
Instituto de pesquisas do Ministério
do Planejamento sugere flexibilidade na legislação trabalhista
Edla Lula
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Estudo realizado pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sugere a flexibilidade
na aplicação da legislação trabalhista brasileira.
De acordo com o livro Brasil, o Estado de uma Nação, há
incoerências entre as regras impostas pela Constituição
de 1988 e o processo de abertura da economia que precisam ser ajustadas.
“No Brasil, as instituições
do mercado de trabalho não são compatíveis com
a necessária promoção do aumento dos investimentos
e da competitividade das empresas, para gerar empregos em quantidade
e qualidade adequados e para reduzir o grau de informalidade existente”,
diz o documento. O texto atribui o grau de informalidade hoje existente
no país à elevação do custo da mão-de-obra
e os encargos trabalhistas, especialmente das pequenas empresas.
O texto enfatiza “a necessidade
de ajustes institucionais de modo a dotar nosso mercado de trabalho
de flexibilidade que permita a nossas empresas disputarem em condições
de igualdade”. O estudo também cita uma pesquisa do Banco
Mundial feita com 155 países, em que o Brasil aparece entre os
10 países com maior número de procedimentos e os prazos
mais longos para se abrir uma empresa. Também é um dos
dez que mais regulamentam obtenção de alvará. O
Brasil também está entre os que impõem maiores
custos sobre as demissões e aquele de menor flexibilidade na
contratação.
O Ipea é vinculado ao Ministério
do Planejamento, Orçamento e Gestão, e produz pesquisas,
projeções e estudos macroeconômicos, setoriais e
temáticos para auxiliar o governo no planejamento e formulação
de políticas públicas.
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Agência Radiobrás,
10 de agosto de 2006
Trabalhador com mais de 45 anos ocupará
47% do mercado, aponta estudo do Ipea
Brasília - O mercado de trabalho brasileiro caminha para, num
futuro bem próximo, ser composto por trabalhadores mais envelhecidos.
É o que aponta estudo do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) divulgado hoje (9). De acordo com o documento –
intitulado Brasil, o estado de uma nação –, a população
com idade superior a 45 anos deverá responder por 47% da futura
População em Idade Ativa (PIA). A participação
da PIA, por sua vez, no total da população, passará
de 70% para 81%, mantendo a tendência de envelhecimento.
O estudo tem como base os dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) sobre a taxa de fecundidade,
que aponta para uma queda no ritmo de crescimento da população.
Segundo a Pnad, em 2030 a taxa de crescimento será de apenas
0,5% e a população se aproximará de 225,3 milhões.
Ao mesmo tempo, a taxa de mortalidade será reduzida. E a expectativa
de vida dos homens deverá chegar aos 77,3 anos nas áreas
urbanas e aos 72,6 anos na rural. Entre as mulheres, a expectativa é
de 86,1 anos na cidade e de 81,6 no campo.
“Esse envelhecimento da população
e, particularmente da População Economicamente Ativa (PEA)
exigirá, em futuro não muito distante, indispensáveis
ajustes em termos de flexibilidade do mercado de trabalho, de modo a
contemplar os requisitos necessários a uma PEA mais madura, mais
sujeita portanto a riscos físicos e com menores agilidade e força
física”, avalia o documento. Segundo os analistas do Ipea,
o país vive hoje o desafio de realizar “os ajustes institucionais”
no mercado de trabalho, incluindo mudanças no processo de aposentadoria.
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Folha
de São Paulo, 10 de agosto de 2006
Nova desoneração deve
começar pela construção civil
Fazenda indica que pacote de redução
de impostos não deve ser ambicioso por causa da perda de arrecadação
| Fazenda e Planejamento dizem que pacote anunciado por Furlan não
deve reduzir a arrecadação de impostos
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A nova rodada de desoneração
tributária anunciada pelo ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento)
em entrevista à Folha ontem deverá começar pelo
setor da construção civil. Mas, se depender da equipe
econômica, mais uma vez desagradará ao setor privado. Os
primeiros estudos feitos na área econômica indicam que
não há espaço na arrecadação para
um pacote ambicioso. O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) explicou
que a redução de tributos terá como objetivo melhorar
a competitividade das empresas sem, no entanto, afetar a arrecadação.
Furlan falou em incentivos à construção civil,
bens de capital (máquina e equipamentos) e produtos de tecnologia
avançada para a TV digital. "Nós temos uma carga
tributária elevada, mas não há condições
neste momento de reduzi-la. Entretanto, é possível fazer
reduções de tributos que aumentem a competitividade das
empresas brasileiras e que possam gerar empregos", disse.
Bernardo disse que os estudos para a
desoneração tributária ainda estão no começo
e que as medidas só devem ser anunciadas após o governo
concluir o projeto de financiamento da compra de imóveis com
desconto em folha. No pacote de desoneração para a construção
civil feito no início deste ano, a Fazenda escolheu a dedo os
produtos que tiveram a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados) zerada. A idéia foi limitar o benefício
a produtos usados em de moradias e excluir os utilizados em obras comerciais,
o que desagradou ao setor da construção civil. A idéia
agora é repetir a fórmula, até porque, argumentam
os técnicos, o impacto na arrecadação não
é desprezível: a desoneração feita no início
do ano, que incluiu 13 produtos e a redução da tributação
de outros 39 itens, custará ao governo R$ 1,4 bilhão por
ano.
A lista de máquinas e equipamentos
que deixarão de pagar o IPI deve ser ampliada. Hoje, já
são 672 produtos. O Ministério da Fazenda até gostaria
de suspender a cobrança do PIS e da Cofins, contribuições
cobradas pelo governo federal, na compra de máquinas e equipamentos,
mas isso custaria aproximadamente R$ 3,5 bilhões por ano. Essa
medida chegou a ser analisada no início deste ano e tinha parecer
favorável da equipe econômica, mas acabou sendo abandonada
em favor da correção da tabela do Imposto de Renda. A
necessidade de agradar à classe média, camada em que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu votos, acabou sendo
mais importante que a desoneração do investimento.
A outra proposta que já foi defendida
pelo Ministério do Desenvolvimento -de suspender a cobrança
do PIS e da Cofins sobre os produtos usados na construção
civil- também deve continuar na gaveta por causa da redução
na arrecadação. As novas desonerações também
vão incluir incentivos para a instalação de fábricas
de microprocessadores no Brasil. O governo quer incentivar a exportação
desses produtos e, ao mesmo tempo, suprir a demanda que será
gerada com a TV digital. O governo já negocia a instalação
no país de uma unidade desse setor. A expectativa é atrair
uma etapa de produção de chip da Intel na Costa Rica,
investimento que o Brasil tentou trazer mas acabou perdendo nos anos
1990 por causa do "custo Brasil": tributos altos e infra-estrutura
ruim.
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Folha
de São Paulo, 10 de agosto de 2006
Informalidade se consolidou, diz Ipea
Estudo mostra que, desde 1995, criação
de vagas com carteira assinada já não reflete na redução
do índice de trabalho informal | Outra conclusão é
que multinacionais empregam mais e dão melhor salário do
que empresas de capital integralmente nacional
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA SUCURSAL DO RIO
Um dos efeitos colaterais do Plano Real
na economia foi a consolidação do mercado informal de
trabalho na economia brasileira, de acordo com um estudo divulgado ontem
pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O estudo
mostra que, até 1995, cada aumento na oferta de emprego formal
correspondia a uma redução do índice de trabalhadores
na informalidade. Desde então, a lógica mudou, e a tendência
hoje mostra que a criação de novos empregos com carteira
assinada não causa mais esse impacto.
"A informalidade passou a ser um
traço estrutural do desempenho do mercado de trabalho a partir
de 1995", diagnosticou o economista Paulo Tafner, um dos editores
do livro "Brasil: o Estado de uma Nação 2006".
A exigência de uma maior carga tributária para manter o
equilíbrio fiscal, um processo de ajustamento do setor produtivo,
com elevação das terceirizações, entre outros
fatores, explicariam a mudança. A maior competitividade da economia
e a pouca flexibilidade da regulamentação do modo de trabalho
completariam o quadro, na avaliação dos pesquisadores.
A burocracia estatal para os negócios,
com regulamentos excessivos para a obtenção de alvarás,
prazos para pagamento de impostos e pouca flexibilidade para contratar
e demitir agravam a situação. De acordo com o Ipea, subiu
de 43%, em 1986, para 57%, em 1995, a relação entre os
encargos trabalhistas e o rendimento da indústria. Outra característica
verificada no levantamento foi o descolamento entre as remunerações
do trabalhador formal e do informal. Desde 2001, o aumento nos salários
dos que têm carteira assinada não significa maior renda
dos trabalhadores informais.
"A informalidade não é
desemprego, a informalidade é problemática para os trabalhadores,
pela menor remuneração e segurança, e é
problemática para o governo porque a baixa remuneração
se afasta do setor previdenciário, o governo tem perda de arrecadação",
afirmou ontem o presidente do Ipea, Luiz Henrique Proença Soares.
Inovação
A pesquisa mostra ainda que há
uma relação entre as estratégias empregadas pelo
setor produtivo e o desempenho do emprego. Segundo a pesquisadora do
Ipea Fernanda De Negri, as empresas com melhor desempenho competitivo
por inserção no mercado externo ou por inovação
tecnológica cresceram mais em termos de geração
de emprego e de remuneração do que as demais empresas.
"Exportações e inovação não
geram somente divisas, mas têm impacto positivo no emprego."
De acordo com Negri, apesar de o aumento
de produtividade ter um impacto inicial negativo sobre o emprego, as
empresas que fazem inovação ou recorrem ao mercado externo
ganham mais mercado do que as outras, o que permite a abertura de novos
postos de trabalho. As inovadoras são na sua maioria empresas
com mais de 500 funcionários. Existem diferenças também
em relação à origem da empresa. As multinacionais
costumam empregar mais e com melhor remuneração do que
empresas de capital integralmente nacional. Segundo Negri, o cálculo
avalia funções iguais nos dois modelos de empresas.
De 2000 a 2004, as multinacionais tiveram
um crescimento médio de emprego de 7,63% contra 6,52% das industriais.
As empresas estrangeiras do setor industrial pagam 38,3% a mais do que
uma firma idêntica controlada por capital nacional. A diferença
salarial favorece principalmente os trabalhadores administrativos. No
setor de serviços, as multinacionais também oferecem melhor
remuneração, embora em percentual menor: 31,5%. Segundo
a pesquisa, firmas exportadoras pagam salários 24,7% superiores
aos das não exportadoras.
Na prática, se um trabalhador
recebe R$ 10 por hora em uma empresa voltada para o mercado interno,
vai receber R$ 12,47 pela mesma hora de trabalho em uma exportadora.
Entre as regiões, o Centro-Oeste oferece melhor remuneração.
O resultado é influenciado pela concentração de
serviços de administração pública. O Sudeste
aparece em segundo devido à concentração de mais
de 55% da indústria.
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A VOZ DA CIDADE / VOLTA
REDONDA (RJ), 10 de agosto de 2006
CONSTRUÇÃO CIVIL
Greve é iminente
Trabalhadores da região recusam
em assembléia proposta de 3,5% de reajuste salarial
VOLTA REDONDA - Em assembléia
geral realizada na tarde de ontem, os trabalhadores da construção
civil rejeitaram as novas propostas do sindicato patronal, que ofereceu
3,5% de reajuste salarial e o fornecimento de cesta básica no
valor de R$ 30 para os funcionários que atuam dentro das indústrias
e reajuste de 5,5%, sem cesta básica, para os trabalhadores que
prestam serviços em obras particulares (fora das indústrias).
Cerca de 450 trabalhadores participaram
da assembléia, na Passagem Superior da CSN. Em Barra Mansa, mais
de 60 pessoas foram à Praça da Matriz para deliberar um
indicativo de greve caso não haja melhoria nas propostas. No
município de Resende, participaram da assembléia cerca
de 80 trabalhadores. Todos recusaram as ofertas das empresas, alegando
estar aquém de suas necessidades.
No encontro com a representação
patronal, o presidente do sindicato dos trabalhadores, Dejair Martins,
tentou entrar num consenso com a direção das empresas
sobre uma proposta mais vantajosa para os trabalhadores, mas não
conseguiu. O patronal manteve o valor da cesta básica e ofereceu
mais 0,5% de correção salarial para os profissionais dos
dois níveis.
Segundo Dejair Martins, a categoria aprovou
em assembléia uma contraproposta de reajuste salarial de 7%,
com base no INPC do período de 1º de julho de 2005 a 30
de junho de 2006, mais aumento real e uma cesta básica de R$
40, a ser entregue a partir de setembro. O documento será entregue
amanhã à representação do sindicato patronal
e pode haver uma negociação entre as partes.
Eles estão muito intransigentes.
Foram cinco reuniões e o máximo que eles conseguiram avançar
foi um reajuste de 3,75%, o que significa 0,71% de aumento real. É
muito pouco. Se não avançarem nas propostas vamos deflagrar
greve”, enfatiza Dejair Martins, informando que encaminhará
para publicação neste final de semana um edital de convocação
para uma assembléia geral, prevista para a próxima quarta-feira,
às 18 horas, nas cidades da base sindical.
No edital, o sindicato dará às
empresas um prazo para que se posicionem e apresentem novas propostas.
Caso contrário, a categoria decretará greve por tempo
indeterminado.
As assembléias gerais serão
realizadas na Passagem Superior da Usina Presidente Vargas, na Vila
Santa Cecília, para os trabalhadores de Volta Redonda; na Praça
da Matriz, no Centro, para os trabalhadores de Barra Mansa, Rio Claro,
Quatis e Porto Real; na Subsede do Sindicato da Construção
Civil, em Campos Elíseos, para os trabalhadores de Resende e
Itatiaia.
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AGÊNCIA
SENADO, 10 de agosto de 2006
CAS deve analisar projetos que beneficiam
trabalhadores
Em sua próxima reunião, a Comissão de Assuntos Sociais
(CAS) deverá apreciar, em caráter terminativo, dois projetos
de lei que poderão beneficiar trabalhadores de todas as categorias
profissionais. O primeiro (PLS 267/05), de autoria do presidente da comissão,
senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), institui a gratificação
de adicional por tempo de serviço aos funcionários com baixa
remuneração contratados sob o regime da Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT).
A outra proposição (PLS 108/03), de autoria
do senador Paulo Paim (PT-RS), dispõe sobre o cálculo,
para fins de pagamento da indenização por dispensa sem
justa causa, dos complementos de atualização monetária
das contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS), mencionados na Lei Complementar nº 110/01, bem assim como
os decorrentes de decisão judicial.
A votação das duas proposições
foi adiada na última reunião da CAS, no dia 2 deste mês.
Em março último, o senador
Flexa Ribeiro (PSDB-PA) requereu vista do PLS 267/05 e o devolveu à
comissão com voto em separado pela rejeição da
proposta. Na avaliação do senador pelo PSDB do Pará,
a gratificação vai onerar as empresas, já sobrecarregadas
pela carga de impostos. O projeto, no entanto, conta com parecer favorável
do relator da matéria, Paulo Paim, que apresentou uma emenda
à proposição.
O PLS 108/03 também recebeu parecer
favorável do relator do projeto, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG),
na forma de substitutivo.
Gratificação
O PLS 267/05 pretende estabelecer o pagamento
de adicional por tempo de serviço para todos os trabalhadores
celetistas que tenham remuneração mensal igual ou inferior
ao teto máximo do salário-família, atualmente em
torno de R$ 414,78, segundo Paim. O adicional será devido na
proporção de 5% da remuneração do empregado,
por cada três anos de serviço prestados à mesma
empresa, passando a integrar, para todos os fins, a remuneração
do trabalhador.
" Por exemplo: um empregado que
recebe um salário mínimo mensal, hoje no valor de R$ 300,00,
após três anos de trabalho na mesma empresa passará
a receber o adicional de R$ 15,00, correspondente a 5% da sua remuneração
", explica Antônio Carlos Valadares na justificativa da proposição.
A emenda apresentada por Paulo Paim ao
projeto suprime o parágrafo único da proposição,
que proibia a demissão do empregado nos seis meses anteriores
à aquisição do direito ao adicional, ressalvadas
as hipóteses de cometimento de falta grave, reestruturação
administrativa da empresa ou mútuo consentimento. Segundo o senador
do PT gaúcho, a Constituição determina que matéria
relativa à proteção contra despedida imotivada
deverá ser regulamentada por lei complementar, e não por
meio de projeto de lei ordinária.
Complementos
Na justificativa do PLS 108/03, Paim
explica que a Lei Complementar nº 110/01 assegurou a todos os trabalhadores,
cujas contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) estavam ativas por ocasião dos planos Verão e Collor
I, o direito aos complementos de atualização monetária
referentes à diferença entre os percentuais de correção
oficiais e aqueles definidos em decisão do Supremo Tribunal Federal
(STF), em agosto de 2000.
No entanto, ainda de acordo com a justificativa
de Paim, a Lei Complementar nº 110/01 não tratou do direito
líquido e certo dos trabalhadores a terem computados tais percentuais
no cálculo da multa rescisória que, de acordo com o parágrafo
1º do artigo 18 da Lei 8.036/90, que dispõe sobre o FGTS,
incide sobre o montante de todos os depósitos realizados na conta
vinculada durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados
monetariamente e acrescidos dos respectivos juros.
O substitutivo apresentado ao projeto
por Eduardo Azeredo e que será votado pela CAS pretende, na avaliação
do senador pelo PSDB mineiro, preencher um vazio jurídico sobre
o direito de o empregado dispensado imotivadamente, por culpa recíproca
ou força maior, ver considerado, na base de cálculo que
serve de parâmetro para a incidência da multa de 40 % do
FGTS, os percentuais contidos na Lei Complementar nº 110/01.
A Lei Complementar nº 110/01, que
institui contribuições sociais e autoriza créditos
de complementos de atualização monetária em contas
vinculadas do FGTS, define os índices de correção
de 16.64%, referente a dezembro de 1988 a 28 de fevereiro de 1989, e
de 44,08%, referente ao mês de abril de 1990.
Paulo Sérgio Vasco / Repórter
da Agência Senado
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Superior Tribunal de Justiça,
10 de agosto de 2006
Entidades continuam obrigadas a publicar
editais de cobrança de contribuição sindical
As entidades sindicais continuam obrigadas a cumprir o artigo 605 da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e publicar, durante
três dias, os editais de cobrança da contribuição
sindical nos jornais de maior circulação local. Essa publicação
deverá ser promovida em até dez dias antes da data fixada
para o depósito bancário. A ausência desse requisito
invalida a cobrança, ainda que os sindicatos tenham realizado
a publicação no Diário Oficial da União
ou no Diário Oficial do estado. A questão foi decidida
à unanimidade pelos membros da Segunda Turma do Superior Tribunal
de Justiça (STJ), seguindo o voto do relator, ministro Castro
Meira.
Segundo dados do processo, a ação
movida pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA)
e outro contra a Nona Câmara Cível do Tribunal de Alçada
do Estado do Paraná fundamenta-se no argumento de que o Decreto-Lei
nº 1.166/71 e a Lei nº 8.847/94 tornariam desnecessária
a publicação dos referidos editais em jornais locais.
A unanimidade dos ministros, no entanto, mantém o entendimento
de que a ausência de tal requisito afronta o princípio
constitucional da publicidade dos atos da administração
pública, além de violar o princípio da não-surpresa,
previsto no direito tributário.
Para o relator, ministro Castro Meira,
o princípio da publicidade dos atos está consagrado no
ordenamento jurídico, como formalidade legal para a eficácia
do ato. Ele ressalta que inexiste no DL 1.166/71 e na Lei nº 8.022/90
qualquer disposição nova a respeito da revogação
do artigo 605 da CLT ou de publicação de editais ou mesmo
sobre sua desnecessidade. "Assim, ausente requisito que a lei reputa
como indispensável à validade do lançamento, deve
ser reconhecida a ilegalidade da cobrança", conclui.
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Supremo Tribunal Federal,
10 de agosto de 2006
Plenário arquiva agravo contra
pagamento de precatórios trabalhistas para idoso
Por unanimidade, os ministros do Supremo Tribunal Federal negaram seguimento
[arquivaram] ao Agravo Regimental na Reclamação (Rcl)
4070, interposto pelo Estado do Espírito Santo contra decisões
da Justiça trabalhista daquele Estado. A 2ª Vara do Trabalho
de Vitória determinou – e o Tribunal Regional do Trabalho
(TRT) da 17ª Região confirmou – a decisão de
seqüestrar 30% de créditos a Adércio José
Borges referentes às diferenças salariais do Plano Bresser,
de junho de 1987. Segundo os autos, Adércio é pessoa idosa
e acometida de doença grave.
No julgamento da Reclamação
4070, em abril deste ano, o relator negou seguimento ao pedido do Espírito
Santo que alegava violação, nas decisões trabalhistas
de primeira e segunda instâncias, do julgado na Ação
Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 1662. Insatisfeito, o governo
capixaba apresentou o agravo regimental nessa reclamação
para levá-la a julgamento pelo Plenário.
No agravo regimental, a Procuradoria
Geral do Espírito Santo alegou que a ação havia
sido instruída com os documentos indispensáveis à
sua propositura, tendo juntado novas peças aos autos. Hoje, os
outros 10 ministros da Corte acompanharam o voto do relator, ministro
Sepúlveda Pertence. Com base em parecer da Procuradoria Geral
da República, o ministro argumenta que, independentemente das
novas peças processuais, o mérito não assiste ao
Estado do Espírito Santo. De acordo com Sepúlveda Pertence,
o próprio Estado, ao argumentar sua reclamação,
não seguiu resolução do Tribunal Superior do Trabalho
que disciplina o pagamento de precatórios.
“A partir da argumentação
deduzida pelo próprio recorrente pode-se concluir que o provimento
jurisdicional reclamado não se baseou, sequer implicitamente,
em qualquer dos itens da Instrução Normativa 11/97, aprovada
pela resolução tal do Tribunal Superior do Trabalho, que
disciplinou os procedimentos de expedição de precatório
estritamente no âmbito da Justiça do Trabalho”, concluiu
o relator do agravo regimental, ao citar pronunciamento do Ministério
Público, pelo desprovimento.
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Diário Vermelho,
10 de agosto de 2006
Para analistas, candidatura de Lula parece
imbatível
Parece cada vez mais difícil derrotar o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva na eleição presidencial, dizem especialistas,
depois que novas pesquisas mostraram vantagem ainda maior do petista
sobre o principal adversário, o tucano Geraldo Alckmin. Mas a
divulgação deste tipo de opinião, apesar de soar
como uma notícia alvissareira, é o tipo de discurso que
Lula e a coordenação de sua campanha querem evitar. Temem
que o clima de “já ganhou” desmobilize a militância
e abra o flanco para novas investidas dos adversários.
Duas pesquisas apuradas no início
do mês e divulgadas na terça-feira apontaram que Lula tinha
vantagem entre 23 e 28 pontos percentuais sobre Alckmin. Anteriormente,
o candidato à reeleição estava 16 pontos à
frente. Lula agora teria maioria confortável dos votos para evitar
o segundo turno. "As pesquisas são uma surpresa e um desapontamento",
disse o deputado tucano Gustavo Fruet (PR). As sondagens indicaram um
retrocesso para a campanha do ex-governador de São Paulo, cujas
intenções de voto recuaram apesar das expectativas de
que sua candidatura ganharia impulso.
"A corrida está quase terminada, será muito difícil
para Alckmin reverter isso", afirmou Ricardo Ribeiro, analista
político da consultoria MCM, em São Paulo. Analistas dizem
que a queda de 7,5 pontos de Alckmin na pesquisa CNT/Sensus se deve
parcialmente ao avanço da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL),
cujas intenções de voto subiram de 5,4 para 9,3 por cento.
De acordo com o Datafolha, ela foi de 10 para 12 por cento da preferência
dos eleitores, dentro da margem de erro.
A senadora, que foi expulsa do PT por criticar reformas propostas pelo
governo, era considerada uma ameaça maior a Lula do que a Alckmin.
No entanto, as pesquisas mostraram que Heloísa Helena ganha mais
terreno entre os eleitores mais bem educados e de maior renda que apoiariam
o tucano. Segundo analistas, enquanto Lula colhe frutos do avanço
real do salário mínimo e do crescimento econômico,
Alckmin perde muitos eleitores indecisos e "votos de protesto"
que tinha atraído na televisão.
Apesar da forte presença na televisão em junho, a queda
de Alckmin se deve, em parte, ao fato de ter conseguido divulgar seu
nome mas não ter conquistado eleitores fiéis. Para Chris
Garman, analista político da consultoria Eurasia Group, em Nova
York, a onda de violência em São Paulo no mês passado
pode ter afetado a imagem de Alckmin como governador eficiente.
O tucano está convencido de que pode se recuperar porque tem
42 por cento mais de tempo de televisão do que Lula na propaganda
eleitoral gratuita, que terá início dia 15. O tempo de
cada candidato é concedido de acordo com o tamanho da bancada
da sua aliança no Congresso."A corrida ainda não
acabou", disse Fruet. A televisão é a única
forma de atingir a maioria dos 125 milhões de eleitores e boa
parte dos analistas acredita que essa exposição pode dar
uma ajuda a um candidato numa disputa apertada, mas não determina
o resultado de uma eleição.
A TV não reverteu nenhuma das três eleições
anteriores, diz a Arko Advice, consultoria de Brasília. "Depender
apenas da campanha no rádio e na TV não é suficiente
para vencer", escreveu a consultoria em um relatório desta
semana. A campanha televisiva nas próximas semanas deve ajudar
Alckmin e prejudicar Heloísa Helena, que tem apenas 10 por cento
do tempo de televisão do tucano, mas não será suficiente
para ameaçar Lula, segundo Garman.
"Seja no primeiro ou no segundo turno, Lula deve vencer. As pessoas
estão numa situação melhor do que há quatro
anos e isso é difícil de superar", disse o analista.
Arrecadação e expectativa de vitória
O comentarista político do Jornal O Globo, Ilmar Franco, publicou
ontem (8) em seu blog no portal Globo.com que corrobora para esta avaliação
otimista. Segundo o jornalista, um bom indicativo para apontar quem
são os candidatos com mais chances de ganhar a eleição
é o nível de arrecadação de recursos para
a campanha. “Como todos sabem são as grandes corporações
empresariais que fazem as doações mais gordas para os
candidatos. Estas não costumam jogar dinheiro fora e avaliam
o atendimento dos pedidos, de contribuições, pelos resultados
das pesquisas de opinião. Não é à toa que
a derrota eleitoral sempre vem acompanhada do dissabor das dívidas
de campanha.”, diz Ilmar.
Ele listou as informações sobre arrecadação
de campanha divulgadas pelo TSE nesta primeira fase da disputa eleitoral.
Nas eleições presidenciais, o presidente Lula arrecadou
R$ 5,6 milhões, o tucano Geraldo Alckmin R$ 1,3 milhão.
O candidato favorito ao governo de São Paulo, o tucano José
Serra arrecadou R$ 3,6 milhões. O candidato à reeleição
ao governo de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, também
favorito, já arrecadou R$ 2,4 milhões. A lista dos candidatos
que mais receberam contribuições revela que as doações,
de forma geral, acompanham a liderança nas pesquisas e a maior
probabilidade de vitória: Sérgio Cabral (PMDB-RJ) R$ 2,1
milhões, Roseana Sarney (PFL-MA) R$ 1,9 milhão, Paulo
Souto (PFL-BA) R$ 1,8 milhão, André Puccinelli (PMDB-MS)
R$ 1,4 milhão, Eduardo Braga (PMDB-AM) R$ 1,2 milhão.
O jornalista também faz comparações de pesquisas
eleitorais das últimas quatro disputas para a presidência
da República (1989, 1994, 1998 e 2002). Ele apresenta os dados
das pesquisas divulgadas no mês de agosto de cada um destes anos
e conclui que o candidato que chega na frente no início da propaganda
eleitoral obrigatória em geral vence as eleições.
Confira abaixo
os números:
1989 (Entrevistas realizadas nos dias 19 e 20 de agosto)
Fernando Collor – 41
Leonel Brizola – 14
Luiz Inácio Lula da Silva – 8
Mario Covas –
Ulysses Guimarães - 5
1994 (Entrevistas realizadas nos dias 16, 17 e 18 de agosto)
Fernando Henrique Cardoso – 41
Luiz Inácio Lula da Silva – 24
Leonel Brizola – 5
Orestes Quércia - 5
1998 (Entrevistas realizadas no dia 14 de agosto)
Fernando Henrique Cardoso – 42
Luiz Inácio Lula da Silva – 26
Ciro Gomes – 7
Enéas Carneiro - 4
2002 (Entrevistas realizadas nos dias 15 e 16 de agosto)
Luiz Inácio Lula da Silva – 37
Ciro Gomes – 27
José Serra – 13
Anthony Garotinho - 12
2006 (pesquisas realizadas em agosto.)
Sensus (Entrevistas realizadas nos dias 1, 2, 3 e 4 de agosto)
Luiz Inácio Lula da Silva - 47,9
Geraldo Alckmin - 19,7
Heloísa Helena - 9,3
Cristovam Buarque - 0,6
Datafolha (Entrevistas realizadas nos dias 7 e 8 de agosto)
Luiz Inácio Lula da Silva – 47
Geraldo Alckmin – 24
Heloísa Helena – 12
Cristovam Buarque – 1
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Nova Central, 10 de agosto
de 2006
Crédito consignado para compra
de imóvel só beneficia trabalhadores que ganham acima
de mil reais
A possibilidade de tomar um empréstimo consignado (com desconto
em folha de pagamento) para a compra da casa própria só
deverá beneficiar trabalhadores que ganham acima de cinco salários
mínimos (hoje R$ 1.750). A informação foi divulgada
pelo ministro Márcio Fortes de Almeida (Cidades) por meio de
sua assessoria de imprensa. O ministro informou que a medida, que ainda
está em estudo pela equipe econômica, valerá para
funcionários públicos e também privados, que fechariam
convênios com os sindicatos e entidades de classe para viabilizar
a abertura do crédito.
A medida tem como objetivo reduzir os
juros do crédito habitacional para a classe média. No
entanto, se por um lado o banco ganha uma garantia adicional de que
vai receber parcelas do empréstimo em dia, o trabalhador vai
ficar amarrado ao desconto direto em seu holerite por prazos longos
--hoje há alternativas de crédito habitacional com prazo
de pagamento de 20 anos enquanto o crédito consignado está
limitado a 36 meses. João Claudio Robusti, presidente do Sinduscon-SP
(Sindicato da Indústria da Construção Civil de
São Paulo), elogiou o regulamentação do crédito
consignado para a habitação, mas afirmou que ainda falta
ao Brasil uma política mais agressiva capaz de atender a população
de baixa renda.
Para ele, os trabalhadores com renda
inferior a cinco salários mínimos só terão
condição de comprar a casa própria com subsídios
do governo. Robusti cita o PAR (Programa de Arrendamento Residencial)
como iniciativa que poderia ser ampliada. Nesse programa o governo utiliza
recursos do Orçamento para pagar parte da dívida do trabalhador
na compra do imóvel.
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Folha
de São Paulo, 10 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / ESTADOS
Estável, Serra tem 61% dos válidos
e vence no 1º turno
Datafolha indica que tucano estancou perda de
pontos revelada em pesquisas anteriores | Levantamento mostra que Mercadante
continua com dificuldades para ter sua imagem associada à do presidente
Lula em SP
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
O ex-prefeito José Serra (PSDB)
continua liderando a corrida eleitoral no Estado de São Paulo.
Se a eleição fosse hoje, Serra venceria no 1º turno
com 61% dos votos válidos, revela pesquisa Datafolha realizada
nos dias 7 e 8 de agosto. A pesquisa mostra que Serra estancou a perda
de pontos revelada nos dois levantamentos anteriores. Hoje, o tucano
aparece com 49% das intenções de voto, contra 48% em pesquisa
feita em julho. Ele chegou a ter 52% em maio e 59% em abril.
Aloizio Mercadante (PT) aparece em segundo
lugar na pesquisa, com 17%. Ele tinha 15% em julho. O novo levantamento
mostra um distanciamento do petista em relação ao terceiro
colocado, Orestes Quércia (PMDB), que oscilou um ponto para baixo,
passando de 11% para 10%. Na pesquisa anterior, Mercadante e Quércia
estavam empatados nos limites da margem de erro de dois pontos percentuais
para mais ou para menos.
Carlos Apolinário (PDT) se mantém
com 2% das intenções de voto. Os demais 12 concorrentes
não atingiram 1% das menções entre os eleitores.
O Datafolha entrevistou 1.908 eleitores em 56 municípios paulistas.
A pesquisa foi feita em parceria entre a Folha e a TV Globo. Serra se
disse "contente" com o resultado. "Evidentemente, eu
fico muito contente, mas volto a dizer que a pesquisa não reflete
a urna e eu não vou ficar dando a eleição por favas
contadas. Tenho adversários organizados, o Estado é grande,
os problemas são complexos e eu vou continuar trabalhando muito
para levar a minha mensagem."
Segundo turno
Na simulação de segundo
turno, o tucano atinge 61%, contra 26% de Mercadante. A pesquisa mostrou
ainda que o petista continua com dificuldades para associar sua imagem
à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em julho, os
eleitores de Lula se dividiam no voto para governador: 32% escolhiam
Mercadante, e idêntico percentual optava por Serra. Hoje, a taxa
dos que votam em Lula e em Serra é de 35%. Já a dos que
preferem votar nos candidatos do PT tanto para a Presidência quanto
para o Estado oscilou para 30%. Para o Senado, Eduardo Suplicy (PT)
segue favorito e oscilou de 37% para 35%. Ele segue bem à frente
do segundo colocado, Guilherme Afif Domingos (PFL), que foi de 4% a
3%.
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Folha
de São Paulo, 10 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / ESTADOS
Cabral vai a 42% e pode vencer no 1º
turno no Rio
Peemedebista sobe, mas não supera o empate
técnico com o total de seus adversários | Na disputa pela
única vaga do Rio ao Senado, Jandira Feghali (PC do B) lidera com
21%; Francisco Dornelles (PP), 14%, está em segundo
PLÍNIO FRAGA
DA SUCURSAL DO RIO
A uma semana do início do horário
eleitoral gratuito no rádio e na TV, o candidato do PMDB ao governo
do Rio, Sérgio Cabral, está 23 pontos à frente
do segundo colocado -Marcelo Crivella (PRB), com 19%- e atinge 42% das
intenções de voto contra 37% da soma total de seus adversários,
mostra o Datafolha. Na pesquisa anterior, a vantagem de Cabral era de
21 pontos. Como a margem de erro é de três pontos percentuais,
Cabral pode ter entre 39% e 45%, e seus concorrentes somados, entre
34% e 40%. Ou seja, não é certo hoje que seus votos superem
os dos adversários, condição para vencer no primeiro
turno. Mas sua situação melhorou. Em julho, Cabral tinha
41% contra 39% dos demais.
Descontados os votos nulos, brancos e
indecisos, Cabral atinge 53% dos votos válidos. Depois de Cabral
e Crivella, aparecem Denise Frossard (PPS), com 9%; Eduardo Paes (PSDB),
3%; Vladimir Palmeira (PT) e Luiz Novaes (PSDC), 2%; e Carlos Lupi (PDT)
e Milton Temer (PSOL), com 1%. Dos entrevistados, 53% afirmaram não
ter nenhum interesse em assistir ao horário eleitoral que começa
na próxima terça-feira, contra 46% que dizem ter algum
interesse.
A pesquisa mostra que é alto o
índice de eleitores (55%) que declaram não saber em quem
votar, quando não é apresentado um cartão com os
nomes dos candidatos. Na chamada pesquisa espontânea, Cabral tem
20% contra 5% de Crivella. Na disputa pela única vaga do Rio
ao Senado, Jandira Feghali (PC do B) segue à frente, com 21%,
seguida por Francisco Dornelles (PP), que tem 14%. O Datafolha ouviu
1.246 eleitores nos dias 7 e 8 de agosto. A pesquisa foi registrada
no TRE-RJ sob o número 51816/2006.
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Folha
de São Paulo, 10 de agosto de 2006
Risco-país é o menor, ao contrário
de 2002
Indicador de solvência cai 3,7% e vai a
208 pontos, em contraste com pico de 2.436 do período pré-eleitoral
passado | Apesar de ter atingido o seu mais baixo nível histórico,
risco brasileiro continua acima do de outros latinos, como México
e Venezuela
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
A parada no processo de alta da taxa
básica de juros nos EUA deu novo ânimo ao mercado de títulos
de dívidas de emergentes. O movimento permitiu que o risco-país
do Brasil recuasse consideravelmente ontem, para alcançar seu
mais baixo nível histórico -em contraste gritante com
o período pré-eleitoral de 2002, quando bateu sua alta
histórica de 2.436 pontos. No fim das operações,
o risco-país brasileiro marcava queda de 3,7%, a 208 pontos,
patamar nunca antes registrado. Para os grandes investidores internacionais,
risco menor indica que encolheram as chances de determinado país
dar calote em suas dívidas. Assim, torna-se menos arriscado emprestar
para países com risco mais baixo.
Dessa forma, quanto menor é o
risco-país, menores são as taxas pagas pelo governo (e
também pelo setor privado) na hora de captar recursos no mercado
internacional. A oferta de recursos também tende a se ampliar
nesse contexto. O risco-país é calculado pelo banco de
investimentos americano JP Morgan desde 1994. Para calcular o indicador,
o banco leva em consideração uma cesta de títulos
da dívida de um país. Nos momentos em que esses títulos
são comprados com maior interesse -como ontem- e o valor deles
sobe, o risco recua. E vice-versa.
No período pré-eleitoral
de 2002, quando as incertezas em relação ao futuro do
país eram grandes no exterior, os investidores se desfizeram
dos títulos da dívida brasileira, o que levou o risco-país
a 2.436 pontos. "A decisão do Fed ajudou a acalmar um pouco
o mercado, o que beneficiou os emergentes. A tendência é
a de o risco-país continuar melhorando no curto prazo",
disse Maristella Ansanelli, do banco Fibra.
O Fed (o BC dos EUA) decidiu na terça
manter os juros básicos do país em 5,25% anuais, interrompendo
um ciclo de alta que durou mais de dois anos. Se os juros pagos pelos
papéis do Tesouro dos EUA deixam de subir, os títulos
de emergentes (como o Brasil), que pagam mais, ganham atratividade.
"A decisão do Fed em manter a taxa de juros básica
estável refletiu diretamente sobre os ativos financeiros dos
países emergentes, como Bolsa, moedas, juros e títulos
soberanos, e, conseqüentemente, no risco país", analisa
Alex Agostini, economista da consultoria Austing Rating.
Latinos melhores
Mas, apesar de ter atingido seu
mais baixo nível, o risco-país brasileiro ainda é
superior ao de outros latino-americanos. Aos olhos dos grandes investidores,
é menos arriscado emprestar para o México (risco de 116
pontos), o Peru (135 pontos) ou mesmo a Venezuela (190 pontos).
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10
de agosto de 2006 | Brasil
PREVIDÊNCIA-Governo quer garantir aumento
de 5% aos segurados que ganham mais do que o salário mínimo
Lula editará nova MP a aposentados
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
deverá editar, segundo fontes do Palácio do Planalto,
até amanhã, uma nova medida repondo o reajuste de 5% aos
aposentados e pensionistas que ganham mais de um salário mínimo.
O aumento cairá por decurso de prazo no Congresso, diante da
insistência da oposição em aprovar um reajuste de
16,6%, igual ao concedido para o salário mínimo.
Mas para reeditar uma medida provisória
que caducou, o presidente terá que recorrer a um artifício
diferenciador, já que a Constituição proíbe
reedição de mesmo teor. Assim, o reajuste pode ser tanto
de 4,99% como de 5,1%, por exemplo. Não pode ser exatamente de
5%.
Se editar a MP, portanto, os aposentados que ganham mais de um salário
mínimo não ficarão apenas com a reposição
inflacionária de 3,14% garantida por lei, tal como insinuara
o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na manhã de ontem.
“A lei prevê que deve haver um reajuste pelo menos equivalente
ao INPC. Acho que há consenso entre nossos técnicos que
nós podemos fazer isso por decreto presidencial”, afirmou
Paulo Bernardo.
O ministro dissera, porém, que
o governo ainda estuda uma forma de conceder a diferença para
chegar aos 5% que estavam na MP, aos aposentados, mas ainda não
sabe como fazer. “O governo, que fez uma negociação
com as entidades envolvidas, assumiu o compromisso de dar os 5%. Temos
de garantir os 5%. Mas ainda não sei qual o mecanismo. Vamos
ter que nos reunir para discutir isso melhor”, disse.
Desde 7 de junho, a pauta da Câmara
está trancada por causa desta MP. A oposição insistindo
em votar nominalmente o aumento de 16,67% e o governo obstruindo as
votações. A idéia dos partidos de oposição
era deixar o presidente Lula com o ônus de vetar o reajuste maior.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10
de agosto de 2006 | Paraná
INFÂNCIA-Famílias serão
inseridas em projetos sociais
MT combate trabalho infantil em
assentamento
Reprodução TV Paranaense
Matéria mostrou que crianças vivem em situação
de risco.
A denúncia de trabalho infantil no assentamento 12 de Abril,
em Bituruna (Região Sul do estado), vinculada na terça-feira
em reportagem da RPC-TV Guairacá (de Guarapuava), começou
a ser investigada ontem. Representantes do Conselho Tutelar de Bituruna,
fiscais do Ministério do Trabalho e técnicos do Incra
(Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária)
estiveram no assentamento para averiguar a situação das
crianças.
De acordo com os órgãos
envolvidos, essa é a primeira denúncia de trabalho infantil
em assentamentos de sem-terra do Paraná. “Trabalhamos com
esse assentamento há anos, nosso técnicos fazem visitas
freqüentes e nunca receberam essa informação”,
afirma o superintendente do Incra no Paraná, Celso de Lacerda.
O promotor da Vara da Infância e Juventude de União da
Vitória, Júlio Ribeiro de Campos Neto, disse que já
recebeu várias denúncias, mas nenhuma em área rural.
Segundo Lacerda, a família mostrada na reportagem não
é assentada do 12 de Abril. Maria Madalena Ribeiro e os filhos,
um de 5 e outra de 11 anos, foram acolhidos por parentes. De acordo
com o promotor Campos Neto, se isso for comprovado, o proprietário
do lote pode responder criminalmente pelo uso das crianças como
mão-de-obra barata. “Isso significa que alguém está
lucrando com a miséria e ignorância alheia. A questão
deixa de ser uma necessidade da família”, diz. O promotor
solicitou ao Incra a identificação da propriedade para
intimar o dono a depor.
O Conselho Tutelar não aplicou
punições durante a visita ao assentamento, mas adotou
medidas preventivas para proteger as crianças. A de cinco anos
teve matrícula e transporte assegurado para freqüentar a
escola. A irmã, de 11 anos, já frequenta a escola. Um
menino de 13 anos que ajudava o pai no carregamento de madeira e que
também foi mostrado na reportagem, será inserido num programa
de contraturno escolar. As famílias do adolescente e de Maria
Madalena serão inseridas em programas sociais. Uma audiência
está marcada para a próxima segunda-feira, no Ministério
do Público do Trabalho, para discutir o problema.
Érica Busnardo e Breno Baldrati.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10
de agosto de 2006 | Economia
CRESCIMENTO
Bancos prevêem PIB de 3,6%
em 2006
O Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 3,61% em 2006, em um cenário
no qual a taxa Selic chegaria a 14,14% no fim do ano, segundo a média
das expectativas de 49 instituições bancárias ouvidas
pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entre
os dias 2 e 8 deste mês. O desempenho industrial de junho foi
divulgado durante a realização da pesquisa e, portanto,
não está computado nas projeções de todas
as instituições consultadas. A queda de 1,7% em junho
em relação a maio e 0,6%, em comparação
com junho de 2005, levou algumas instituições do mercado
a reduzirem suas expectativas para o PIB total do ano. A média
das projeções da Febraban para a taxa básica de
juros encerrando o ano permanece, contudo, em linha com a pesquisa Focus
divulgada segunda-feira (7), que manteve a expectativa da Selic em 14%.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
10 de agosto de 2006
Abono do PIS/Pasep para trabalhadores
Redação/O Estado do
Paraná
Brasília (ABr) - Desde ontem,
mais de 11 milhões de trabalhadores podem sacar o abono salarial
do PIS/Pasep. Os primeiros pagamentos do PIS serão para os trabalhadores
da iniciativa privada nascidos no mês de julho. Eles podem receber
nas agências da Caixa Econômica Federal, nas casas lotéricas
ou nos postos Caixa Aqui, com o Cartão do Cidadão.
Os funcionários públicos poderão sacar o Pasep
nas agências do Banco do Brasil. Os rendimentos podem ser recolhidos
por todos os trabalhadores cadastrados antes de 1988.
O secretário de Políticas Públicas de Emprego do
Ministério do Trabalho e Emprego, Remígio Todeschini,
explica que tem direito a receber o benefício quem está
cadastrado no PIS e no Pasep há pelo menos cinco anos, ou seja,
desde 2001.
“A pessoa deve ter trabalhado pelo menos 30 dias em 2005 com carteira
assinada ou ter sido nomeada para cargo público; ter recebido
em média até dois salários mínimos de remuneração
mensal no período trabalhado, e estar declarado pelo empregador
na Relação Anual de Informação Social (Rais),
no ano base 2005.”
Todeschini disse ainda que tem aumentado o número de pessoas
que sacam o dinheiro: nos últimos dois anos, foram mais de 94%
dos empregados. O prazo para retirar o dinheiro termina em 29 de junho
de 2007 e quem não sacar o abono até essa data perde o
benefício, que retorna ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
O calendário de pagamento está disponível na página
do Ministério do Trabalho e Emprego na internet (www.mte.gov.br).
Quem tem direito
Têm direito ao PIS os trabalhadores cadastrados no programa PIS/Pasep
até 4 de outubro de 1988. Os recursos são disponibilizados
anualmente e correspondem aos rendimentos calculados sobre o saldo atualizado
do trabalhador.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/08/2006
Negada validade a acordo que flexibilizou
registro de ponto
O direito ao reconhecimento da validade
das convenções e acordos coletivos de trabalho não
é absoluto. “Não pode, portanto, ser utilizado como
mecanismo prejudicial àqueles que objetiva proteger”. Com
essa tese do ministro Carlos Alberto Reis de Paula (relator), a Terceira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou recurso de revista à
Continental Tobaccos Alliance S/A (CTA), condenada ao pagamento de horas
extras a um ex-empregado, decorrentes de flexibilização
considerada inválida.
O objetivo da empresa era o de reformular
decisão anterior do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª
Região (Rio Grande do Sul), que considerou inválida cláusula
de norma coletiva, ajustada entre os sindicatos patronal e de trabalhadores,
que flexibilizou o registro de ponto dos trabalhadores da indústria
de fumo da cidade de Venâncio Aires (RS).
“As empresas poderão adotar,
de forma alternativa ou substitutiva aos/dos sistemas convencionais
de controle de horário, o registro somente das exceções
verificadas nas jornadas de trabalho, garantindo o acesso, pelos empregados,
às informações”, previu a norma coletiva.
À mesma regra, foi acrescentado que “periodicamente, nos
meses em que houver exceção registrada, as empresas emitirão
relatório individualizado, submetendo-o à aprovação
do respectivo empregado”.
Para o TRT/RS, a norma coletiva violou
o artigo 74, parágrafo 2º, da CLT, que prevê a obrigatoriedade
da anotação dos horários de entrada e saída
dos empregados. “Deve ser mantida a invalidade do sistema de registro
de ponto por exceção, que afronta comando expresso de
lei, já que procedimentos destinados a simplificar o controle
de jornada não se confundem com procedimentos que eliminem este
controle, como é o caso”, ressaltou a decisão regional.
Para o TRT gaúcho, “o procedimento
que exclui, deliberadamente, o direito de o próprio empregado
registrar sua entrada e saída do trabalho permite a ocorrência
de fraudes e não merece a tutela jurisdicional” No TST,
a empresa defendeu a validade do sistema de ponto adotado, uma vez que
foi fruto da negociação coletiva, cujo respeito é
imposto pelo artigo 7º, inciso XXVI, do texto constitucional. Também
alegou que a forma de controle da jornada de trabalho pode ser objeto
de negociação coletiva, em que são fixadas concessões
mútuas.
O relator do recurso no TST observou,
contudo, a correta fundamentação adotada pelo TRT/RS.
“No caso, o TRT verificou, a partir das provas, das particularidades
do caso e da interpretação das normas coletivas, a submissão
nelas prevista ao disposto em lei; a ocorrência, na prática,
da supressão do controle de jornada, em vez da alegada simplificação
da forma de controle da jornada, e a supressão do direito de
o próprio empregado registrar sua entrada e saída do trabalho,
este último aspecto como ensejador de fraude”, registrou
Carlos Alberto. (RR 990/2002-731-04-00.0)

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