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FETRACONSPAR, 14 de agosto de 2006
Posse no SINTRACIMENTO
Tomou posse no último dia 11 de agosto, os diretores do SINDICATO
DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE LADRILHOS, HIDRÁULICOS,
PRODUTOS DE CIMENTO, FIBROCIMENTO E ARTEFATOS DE CIMENTO ARMADO DE CURITIBA
E REGIÃO - SINTRACIMENTO, eleitos dias 25 e 26/07/2005, para
o mandato de 2006/2010. Estiveram presentes na solenidade os senhores
GERALDO RAMTHUN, Presidente da FETRACONSPAR, Diretor
Secretário Regional da CNTI-PR e 3º Vice-Presidente da NCST
Nacional, JOÃO MARIA VIANA, Presidente do Sindicato
dos Oficiais e Marceneiro do Estado do Paraná, SIRLEI
CÉSAR DE OLIVEIRA, Presidente do STI da Construção
e do Mobiliário de Guarapuava, ILSON KONDRATOSKI,
Presidente do Sindimármore, PAULO DOS SANTOS FERREIRA,
Presidente do STI Cerâmicas de Campo Largo, ANTONIO LEMOS
DO PRADO, Presidente do Sindimont e MARIA NEUZA LIMA
DE OLIVEIRA, Diretora do Sintracon Curitiba.

GERALDO RAMTHUN, presidente da FETRACONSPAR,
empossou a nova diretoria do SINTRACIMENTO.
NILTON PEREIRA CAMPOS, presidente do SINTRACIMENTO
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DIRETORIA - 2006/2010
DIRETORIA
ADMINISTRATIVA - EFETIVOS
PRESIDENTE: Nilton Pereira Campos
SECRETÁRIO GERAL: Eduardo Rodrigues
SECRETÁRIO DE FINANÇAS: Marcos Antonio Pietrochinski
DIRETORIA ADMINISTRATIVA
– SUPLENTES
Leandro Pereira Campos
Agenor Rodrigues da Silva
Sergio Osni Kwiatkowski
CONSELHO FISCAL
– EFETIVOS
José Edílson Gonçalves
Rogério de Souza Nunes
Marcelo Cruvelo da Silva
CONSELHO FISCAL
– SUPLENTES
Carlos José da Silva
Gilberto Fernandes Jerônimo
Luiz César Bastos Gonçalves
DELEGADOS REPRESENTANTES
– EFETIVOS
Nilton Pereira Campos
Leandro Pereira Campos
DELEGADOS REPRESENTANTES
– SUPLENTES
Adilson Wujeczko
Arielson Lopes Rodrigues.
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AGÊNCIA
SENADO, 14 de agosto de 2006
Projeto pretende garantir adicional de periculosidade
a trabalhadores do setor de telefonia
O senador Paulo Paim (PT-RS) apresentou projeto de lei que modifica
artigo da Lei 7.369/85 a fim de incluir os profissionais que trabalham
nos setores de telefonia fixa ou móvel, em condições
de periculosidade, entre aqueles que têm direito a receber uma
remuneração adicional de 30% sobre o salário. A
lei garante atualmente o pagamento do benefício aos empregados
do setor de energia elétrica.
A proposta (PLS 187/06) altera também a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) com o objetivo de incluir no rol de operações
perigosas as atividades desenvolvidas em rede de energia elétrica
e em telefonia móvel ou fixa. Embora o adicional de periculosidade
já esteja assegurado aos que trabalham em redes de energia elétrica,
o setor não consta da relação da CLT.
O projeto tem como relator o senador Geraldo Mesquita
Júnior (PMDB-AC) e encontra-se na pauta de votações
da Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A proposição
será apreciada em decisão terminativa na Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE).
Com a alteração proposta pelo projeto,
o artigo 193 da CLT (Decreto-Lei 5.452/43) passaria a incluir as operações
em redes de energia elétrica e de telefonia móvel ou fixa
entre as atividades consideradas perigosas, ao lado de outras ações
que, por sua natureza ou método de trabalho, incluem contato
permanente com inflamáveis ou explosivos em condições
de risco acentuado.
Na justificativa do projeto, Paim alega que o Tribunal
Superior do Trabalho (TST) tem acórdão no sentido de que
o direito à percepção do adicional de periculosidade
relacionado à energia elétrica também pode ser
estendido aos empregados de empresa de telefonia, em razão da
utilização simultânea de rede elétrica e
telefônica no mesmo espaço físico.
Acidentes
Essa hipótese, segundo informa Paim, foi admitida
pela 2ª Turma do TST, conforme voto do ministro Renato de Lacerda
Paiva, ao negar provimento a um recurso de revista interposto pela Telecomunicações
de Minas Gerais (Telemar). O objetivo da empresa, explica o senador,
era o de reformar determinação anterior do Tribunal Regional
de Trabalho (TRT) de Minas Gerais que assegurou a um cabista - trabalhador
que realiza operações diárias junto às redes
aéreas de telefonias, instaladas em postes - o direito ao adicional
de periculosidade, conforme reconhece a Lei 7.369/85 em relação
aos empregados do setor de energia elétrica.
"Segundo os autos, a distância entre as redes
de telefonia e de energia elétrica variava de vinte centímetros
a um metro. Em favelas, o cabista operava em emaranhados de ligações
aéreas e clandestinas, onde fios e cabos elétricos se
confundem com caixas e cabos telefônicos. Verificou-se, também,
em vários pontos da rede de energia elétrica aérea,
a existência de transformadores abaixadores de tensão ou
corrente próximos à rede telefônica aérea",
explica Paulo Paim.
O senador argumenta que correspondências encaminhadas
por sindicatos dos trabalhadores da área telefônica apontam
também a ocorrência constante de acidentes de trabalho
provocados pela utilização simultânea de rede elétrica
e telefônica no mesmo espaço físico.
O projeto, de acordo com Paulo Paim, poderá favorecer
profissionais que atuam em reparos de defeitos provocados por descargas
elétricas em períodos chuvosos, por descargas elétricas
oriundas das linhas de distribuição em alta tensão,
por deterioração ou falta de aterramento da rede telefônica,
por falhas operacionais, por acidentes envolvendo veículos e
por vandalismo, entre outros.
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TRIBUNA CATARINENSE, 12 de
agosto de 2006
Comissão vai fiscalizar crescimento
da construção civil em Balneário Camboriú
Objetivo é organizar o setor para tornar
o município referência na construção civil
do Estado
Núcleo de Empreendedores e Fornecedores
da Construção Civil (Nefcon/Acibalc) pretende organizar
uma comissão para acompanhar o desenvolvimento da construção
civil em Balneário Camboriú. A proposta foi apresentada
na noite da última quarta-feira, durante reunião de trabalho
do setor de construção realizada na sede da Associação
Comercial e Industrial de Balneário Camboriú (Acibalc).
O objetivo é tornar o município referência na construção
civil do Estado.
A coordenadora do Nefcon, Ussama Abdallah,
destaca que o mercado da construção civil do município
cresce de maneira desordenada e informal. A comissão será
formada por representantes da Acibalc, Conselho Regional de Engenharia
Arquitetura e Agronomia (Crea) e do Sindicato da Construção
Civil.
Um estudo realizado pelo Nefcon em obras
de reforma e novas construções em duas das principais
avenidas de Balneário Camboriú, por exemplo, indica que
a falta de equipamentos de proteção individual (EPI) é
um dos principais problemas da construção civil do município.
”Noventa por cento das empresas fiscalizadas em Balneário
Camboriú são notificadas”, pontua o chefe do setor
de fiscalização do Ministério do Trabalho em Santa
Catarina, Roberto Cláudio Lodetti.
O estudo mostra que devido à ausência
de equipamentos de segurança, os trabalhadores chegam a fazer
verdadeiros malabarismos, pendurados em cordas, para realizar um serviço.
“Não queremos atacar nenhuma empresa, mas mostrar os problemas
que existem na construção civil de Balneário Camboriú”,
acrescenta Ussama Abdallah. As irregularidades identificadas pelo Nefcon
colocam em risco a segurança dos operários, da comunidade
e a qualidade do serviço oferecido.
Lodetti ressalta que no caso de
acidentes de trabalho com vítimas fatais em locais que apresentem
irregularidades, o Ministério do Trabalho está recomendando
à família ingressar com ações na justiça
contra a empresa e o contratante. Neste caso, a justiça tem condenado
o responsável a pagar um salário mensal à família
até o período em que a vítima completasse 65 anos.
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Diário Vermelho,
14 de agosto de 2006
Abuso de Poder, cárcere privado
e megaexploração no Wal-Mart
Promotores, repositores e demonstradores de
merchandising são constantemente vítimas de constrangimentos
no Wal-Mart, cujos gerentes “obrigam” esses profissionais,
que não são funcionários da multinacional, a trabalharem
nos horários e ocupações estipulados pelo Wal-Mart.
“L” por exemplo é
funcionário de uma empresa terceirizada, mas promove, demonstra
e repõe os produtos de uma multinacional de higiene e limpeza
e na prática cumpre a maior parte do expediente em outra multinacional,
o Wal-Mart. Apesar de receber da terceirizada, os gerentes das lojas
do Wal-Mart onde ele atua tentam impor horários que extrapolam
a jornada estabelecida e exigem que o trabalhador execute tarefas que
são de responsabilidade do supermercado e não do promotor.
A Wal-Mart, uma multinacional americana,
é conhecida nos EUA pelos processos de exploração
e opressão dos trabalhadores. Em 2004, comprou no Brasil a rede
de supermercados Bom Preço, antes propriedade do grupo holandês
Ahold. E passou a aplicar nas 118 unidades, concentradas principalmente
no Nordeste, os métodos que a celebrizaram.
Sem permissão do gerente ninguém
sai da loja
O compromisso dos promotores é
de duas horas de trabalho em cada loja, no entanto, são literalmente
obrigados a trabalhar o número de horas que o supermercado determinar,
cerceando o direito de ir e vir do trabalhador e o desempenho de suas
funções em outros locais.
Um promotor só pode deixar a loja
com autorização assinada pelo gerente do super ou hipermercado,
que não é seu chefe, mas faz tudo para utilizar seu trabalho
como mão-de-obra barata ou escrava. Sem autorização
do gerente, ninguém pode sair da loja, mesmo que seja aguardado
para trabalhar em outro supermercado, explica Francisco Vidal Coelho
(Tim Maia), diretor do SindProDem (Sindicato dos Trabalhadores Promotores,
Repositores e Demonstradores de Merchandising do Estado de SP). “Essa
atitude do Wal-Mart configura cárcere privado”, descreve
Valeir Ertle, tesoureiro da Contracs/CUT e bacharel em direito.
Punição para os "rebeldes"
Quando um promotor, repositor e/ou demonstrador
nega-se a cumprir a jornada absurda determinada pelo supermercado, que
não é seu contratante, ou nega-se a desempenhar funções
diferentes das suas, ele é expulso da loja onde isso aconteceu
e impedido de entrar nas outras lojas da rede. O que representa um passo
para a demissão.
No Wal-Mart de Osasco (Grande São
Paulo), por exemplo, o gerente de mercearia, só permite que promotores,
repositores e demonstradores saiam do supermercado para realizar seu
trabalho em outras lojas, com autorização por escrito,
o que só acontece depois do trabalhador ser exaustivamente explorado
pelo Wal-Mart em horários que extrapolam a jornada e em funções
que competem ao Wal-Mart suprir e não aos promotores.
A prática em Osasco gerou inúmeras
denúncias ao SindProDem que encaminhou denúncia ao Ministério
Público do Trabalho para fiscalizar e coibir os abusos. “Dialogamos
com o gerente de mercearia, informando da ilegalidade de sua ação,
no entanto, os problemas continuaram e agora estamos acionando e aguardando
o Ministério Público agir para garantir as condições
de trabalho dos promotores, repositores e demonstradores em todos os
Wal-Marts”, comenta Francisco Vidal.
A filosofia do grupo Wal-Mart
Faz parte da filosofia do grupo Wal-Mart
tentar impor seu ideal de altíssimo lucro com base na exploração
máxima dos trabalhadores. Mas, felizmente, algumas populações
não aceitam as imposições do grupo, como aconteceu
na Alemanha e na Coréia do Sul, locais em que o Wal-Mart desistiu
de atuar e teve grandes prejuízos, destaca Lucilene Binsfeld,
presidente da Contracs/CUT.
“Precisamos refletir sobre que
tipo de empresas queremos em nosso país. Nesse sentido, temos
muito a aprender com outros povos, que não aceitam esse tipo
de exploração”, encerra Lucilene.
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Nova Central, 14 de agosto
de 2006
Furto de resto de comida não gera
justa causa, define TST
A Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDI-1)
do Tribunal Superior do Trabalho manteve, em julgamento de embargos,
decisão que condenou o Serviço Social do Comércio
(SESC) do Paraná ao pagamento de verbas rescisórias a
uma ex-empregada inicialmente demitida por justa causa por ter sido
flagrada transportando sobras de comida retiradas da cozinha da instituição.
O fundamento da decisão da SDI-1
foi jurídico: o relator, ministro Aloysio Corrêa da Veiga,
verificou que a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª
Região (Paraná) abordou todas as questões pertinentes
ao caso, e que a sua alteração exigiria a reavaliação
de provas e fatos na instância superior, procedimento não
aceito pela jurisprudência do TST.
A alegação do SESC era
a de que tanto a Vara do Trabalho quanto o TRT paranaense não
teriam levado em consideração o fato de a ex-empregada
ter confessado a subtração de material pertencente à
cozinha do SESC. No julgamento do recurso de revista, no ano passado,
a Segunda Turma do TST já havia decidido no sentido de que o
TRT não deixou de considerar a confissão, ressaltando
que o ponto crítico discutido no caso era a gradação
do ato praticado pelo SESC, que teria agido com excessivo rigor. A confissão,
segundo esse entendimento, não é suficiente para caracterizar
a justa causa.
O ministro Aloysio Corrêa da Veiga
citou trechos do acórdão do TRT para afastar a tese de
negativa de prestação jurisdicional levantada pelo SESC.
“Ao argumentar sua defesa em audiência [a empregada] disse
que guardou os referidos restos em sua sacola e ao sair na portaria
disse ao vigia: ‘quer ver minha sacola?’. Que o vigia então
revistou sua sacola e, tendo encontrado os referidos restos, apreendeu-os
e não teve conversa; que a depoente foi embora e ao retornar
no dia seguinte foi dispensada.”
Tanto a Vara do Trabalho quanto o TRT
consideraram que o SESC “não se precaveu no sentido de
fazer prova concreta do ato lesivo”, tendo apenas constatado a
existência de materiais na bolsa da empregada para demiti-la por
justa causa, sem trazer prova aos autos da quantidade e principalmente
de quais produtos. "Os sucessivos desaparecimentos de produtos
simplesmente foram desconsiderados e perdoados. Todavia, no momento
de uma suposta apropriação de fatias de queijo, tornou-se
elemento suficiente para que o reclamado aplicasse a dispensa por justa
causa”, registrou o acórdão do TRT/PR.
Para o relator dos embargos na
SDI-1, a confissão “tornou-se irrelevante diante dos fundamentos
que serviram de suporte ao não reconhecimento de justa causa”
– o excesso de rigor por parte do SESC, que poderia ter aplicado
meios disciplinares de advertência ou suspensão, primeiramente,
para efetivar a justa causa só em caso de reincidência.
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Nova Central, 14 de agosto
de 2006
MP estabelece vínculo para doenças
em ambiente de trabalho
A nova medida provisória editada hoje pelo governo, além
de garantir um reajuste de 5,01% para os aposentados e pensionistas
do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), vai facilitar a comprovação
de doenças vinculadas ao ambiente de trabalho. Hoje, os trabalhadores
têm dificuldade de comprovar que doenças como a LER (Lesão
por Esforço Repetitivo), por exemplo, foram causadas pelo trabalho.
Com isso, eles acabam recorrendo ao INSS
por meio do auxílio doença, quando deveriam ter direito
ao auxílio doença acidentário, o que garante o
depósito mensal do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
e estabilidade de 12 meses no emprego após a licença.
O ministro interino da Previdência
Social, Carlos Eduardo Gabas, afirmou que um estudo do ministério
estabeleceu a ligação entre algumas doenças e o
ambiente de trabalho. Segundo ele, uma lista de enfermidades deverá
ser regulamentada por meio de decreto presidencial nos próximos
dias.
A medida, de acordo com o ministro interino,
tem como objetivo também incentivar as empresas que conseguirem
reduzir os níveis de acidentes com alíquotas menores do
SAT (Seguro de Acidentes de Trabalho), que hoje é de 1% a 3%
sobre a folha de pagamento.
Pelas regras atuais, as empresas continuam
pagando a alíquota máxima mesmo depois de promover investimentos
e reduzir os níveis de mortes ou acidentes que levam à
incapacidade. O governo quer que a empresa que apresentar melhora nos
índices de acidente pague uma alíquota de seguro menor.
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Agência Brasil, 12
de agosto de 2006
Novo mecanismo traz justiça às
empresas que investem na saúde do trabalhador, diz secretário
da Previdência
IOLANDO LOURENÇO
REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL
Brasília - A Medida Provisória
316, anunciada dia 11, pelo governo, penaliza as empresas que não
oferecerem condições seguras no ambiente de trabalho,
analisa o secretário-executivo do Ministério da Previdência
Social, Carlos Eduardo Gabas. Em entrevista à Agência Brasil,
ele explicou que, “antes, a Previdência Social cobrava o
seguro de acidentes de trabalho (SAT) baseado em um risco potencial
de acidentes, que não era um risco efetivo. Agora vamos cobrar
o SAT através da medição dos acidentes ocorridos”,
informou o secretário executivo da Previdência.
A MP divulgada ontem revoga dispositivos
nos quais cabia a Previdência Social indenizar trabalhadores pela
perda da capacidade de trabalho em virtude de acidentes de trabalho.
“A MP impõe regras e privilegia empresas que investem na
revenção da saúde do trabalhador e que investem
em ambiente seguros de trabalho”, disse o secretário-executivo.
Segundo ele, há empresas que investem
na proteção da saúde do trabalhador e não
incorrem em acidentes, mas continuam pagando alíquotas iguais
às empresas que não investem na saúde do trabalhador
e continuam tendo inúmeros acidentes do trabalho. “Isso
é injusto. O novo mecanismo traz justiça na cobrança
das alíquotas. Queremos proporcionar ambientes de trabalho seguros
para que o trabalhador possa desenvolver o trabalho de forma segura”,
disse.
“Empresas com risco leve muitas vezes causam muitos acidentes
e, para elas, é mais barato pagar o SAT do que investir na qualidade
de trabalho”, afirmou. Ele acrescentou que as novas regras vão
fazer com que as empresas tenham mais responsabilidade pelo ambiente
de trabalho seguro e que o Estado tenha uma intervenção
favorável à proteção a saúde do trabalhador
e à prevenção de doenças, "e não
apenas a indenização pela perda da sua atividade laboral”.
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Folha de São Paulo,
12 de agosto de 2006
Comprovar doença ligada ao trabalho
ficará mais fácil
DA FOLHA ONLINE
A nova MP editada ontem vai facilitar
a comprovação de doenças vinculadas ao trabalho.
Hoje, os trabalhadores têm dificuldades para comprovar que doenças
como a LER (lesão por esforço repetitivo) foram causadas
pelo trabalho. Com isso, eles acabam recorrendo ao INSS por meio do
auxílio-doença, quando deveriam ter direito ao auxílio-doença
acidentário, o que garante o depósito mensal do FGTS e
estabilidade de 12 meses no emprego após a licença.
O ministro interino da Previdência
Social, Carlos Eduardo Gabas, afirmou que um estudo do ministério
estabeleceu a ligação entre algumas doenças e o
ambiente de trabalho. Segundo ele, uma lista de enfermidades deverá
ser regulamentada por decreto nos próximos dias. A medida tem
o objetivo de incentivar as empresas a reduzir os níveis de acidentes
com alíquotas menores do Seguro de Acidentes de Trabalho. Hoje,
as alíquotas vão de 1% a 3% sobre a folha de pagamentos.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 12 de agosto de 2006
Jornalistas relativizam o poder político
da mídia
Debate conclui que imprensa não influencia
votos
DA SUCURSAL DO RIO
O poder da mídia é menor do que se pensa. Este foi o denominador
comum entre os quatro expositores da mesa "A Cultura Midiática:
Persuasão e Poder?", realizada na noite de quinta-feira
dentro do seminário "Brasil, Brasil", da Academia Brasileira
de Letras.
Josias de Souza, da Folha, José Nêumanne Pinto, do "Jornal
da Tarde" e de "O Estado de S. Paulo", Merval Pereira,
de "O Globo", CBN e Globonews, e Tereza Cruvinel, de "O
Globo", procuraram mostrar como as transformações
da sociedade, em especial por causa da internet, relativizaram a capacidade
da imprensa de "fazer cabeças", expressão que
havia sido usada no início pelo acadêmico Domício
Proença Filho.
Desinformação
"A sociedade da informação já era. Vivemos
a sociedade da desinformação. É o primado da versão",
afirmou Nêumanne.
Para ele, a internet é o "grande arauto" dessa sociedade.
Como exemplos de desinformação, citou os falsos textos
atribuídos a autores famosos e à Wikipedia, a enciclopédia
da rede em que todos escrevem, podendo dar suas versões sobre
pessoas, fatos e qualquer outro assunto.
"É uma sociedade que estabelece o primado da canalhice",
disse ele, descrente da força da imprensa: "Se informação
valesse alguma coisa, Lula estaria preso, e não reeleito".
"Não combinam"
Josias concordou nesse aspecto e ressaltou que "as pesquisas [eleitorais]
não combinam com o cenário que vivenciamos", referindo-se
ao fato de meses de reportagens sobre escândalos envolvendo o
governo não terem abalado a popularidade do presidente.
"O poder que a nós é atribuído não
existe", disse ele, para quem um programa como o Bolsa-Família
influencia mais o eleitor do que as investigações da imprensa:
"Imaginava-se que o episódio Collor teria um efeito didático.
Mas os escândalos foram se sucedendo, e as pessoas foram ficando
anestesiadas."
Merval lembrou, entre outros exemplos, que o referendo do desarmamento,
realizado no ano passado, foi uma prova do papel frágil da mídia
e dos chamados formadores de opinião, já que venceu a
corrente contrária a eles -a da manutenção da venda
de armas.
"[As pessoas] passaram ao largo das mídias tradicionais
e dos partidos políticos", observou Merval.
Na abertura da mesa, coordenada pelo acadêmico e jornalista Arnaldo
Niskier, o presidente da ABL, Marcos Vilaça, registrou os 85
anos de fundação da Folha.
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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 13 de agosto
de 2006
Minissérie vai mobilizar metade
da Globo
Cerca de 200 atores, ou a metade de todo o elenco da Globo, foram convocados
para gravar "Amazônia, de Galvez a Chico Mendes", minissérie
que irá contar a história do Acre.
Tudo na minissérie, que começa a ser gravada no final
deste mês, é superlativo. "Amazônia" deverá
ser a minissérie mais cara da história. Cada um de seus
48 capítulos custará no mínimo R$ 400 mil, o dobro
de um episódio de novela.
Atualmente, cinco empreiteiras constroem três cidades cenográficas
no Acre e no Amazonas _e uma quarta será erguida no Rio. Só
numa dessas cidades, a maior delas, há 300 operários trabalhando.
Do Rio, nos próximos dias, partirão para Manaus e Rio
Branco três caminhões com figurinos e cenografia. Ao todo,
a Globo enviará 20 toneladas de equipamentos para a floresta.
Para atender aos 200 profissionais que trabalharão na Amazônia,
entre técnicos e atores, a Globo comprou 720 frascos de repelentes
de insetos e outros 720 de filtros solares, além de 200 capas
de chuvas.
As primeiras equipes da Globo chegarão à região
Norte no próximo domingo. As últimas só sairão
de lá no final de novembro. A epopéia de Glória
Perez, que estréia em janeiro, misturará história
(como a integração do Acre ao território brasileiro
e o esplendor do ciclo da borracha) com muita ficção,
incorporando lendas indígenas às tramas folhetinescas.
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Folha
de São Paulo, 13 de agosto de 2006
47% do eleitorado diz ter posição
política de direita
Pesquisa Datafolha mostra que perfil conservador
do brasileiro continua forte
Questões sobre aborto, pena de morte, maconha
e maioridade penal revelam mentalidade ainda mais fortemente conservadora
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Pesquisa Datafolha revela que 47% do
eleitorado brasileiro se define com sendo de "direita". Outros
23% de "centro" e apenas 30% de "esquerda". Apesar
de menos da metade se definir como de "direita", é
esmagadora a maioria que adota posições geralmente associadas
ao conservadorismo, como a condenação ao aborto, às
drogas e a defesa de medidas mais duras de combate ao crime.
A pesquisa mostra que são contra
a descriminalização da maconha 79%. Do aborto, 63%. Outros
84% defendem a redução da maioridade penal de 18 para
16 anos e 51% querem a instituição da pena de morte. Os
percentuais gerais acima não diferem muito mesmo isoladamente
em cada um dos grupos de eleitores ("direita", "centro"
e "esquerda"). Exemplo: entre os que se dizem de "esquerda",
87% (mais do que a média) são favoráveis à
redução da maioridade penal.
Em alguns temas, como aborto, drogas
e pena de morte, os eleitores mais jovens se mostram até um pouco
mais conservadores que os mais velhos. No geral, também são
pequenas as diferenças de opinião entre os eleitores de
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Geraldo Alckmin (PSDB). Os
simpatizantes ao tucano são ligeiramente mais conservadores apenas
em relação à maioridade penal e à pena de
morte.
A pesquisa, feita na semana passada,
ouviu 6.969 eleitores pelo país. Comparados aos resultados de
levantamentos semelhantes nos últimos anos, os dados mostram
que o perfil conservador do eleitor permanece forte desde a década
de 90. Para o cientista político Leôncio Martins Rodrigues,
embora boa parte do eleitorado não consiga discernir exatamente
o que vem a ser "esquerda" ou "direita", o posicionamento
mais conservador do brasileiro "faz sentido". "Há
elementos culturais que mudam com muita dificuldade no Brasil. Entre
as pessoas menos sofisticadas, a busca de "soluções
simples", como a redução da maioridade penal, têm
muitos atrativos", afirma.
Walter Maierovitch, ex-secretário
nacional antidrogas no governo FHC e especialista em assuntos de segurança,
vê nos resultados da pesquisa "uma falta de informação
generalizada" entre a população. "O brasileiro
é muito mal informado sobre esses temas polêmicos e geralmente
acaba se alinhando com posições que emanam dos EUA, onde
essas discussões são mais profundas e conservadoras",
diz. O cientista político norte-americano David Fleischer, professor
da Universidade de Brasília, concorda. "A televisão
é a grande fonte de informação do brasileiro. O
imperialismo cultural e de costumes norte-americano, que ficou muito
conservador nos últimos 20 anos, é uma forte referência."
Newton Bignotto, professor de filosofia
da Universidade Federal de Minas Gerais, afirma que os resultados contraditórios
da pesquisa atestam "a cacofonia da sociedade brasileira".
"Causa perplexidade a desconexão entre a percepção
sobre os costumes, os costumes de fato e a cultura política."
Para o psicanalista e colunista da Folha Contardo Calligaris "causa
surpresa" o alto percentual (47%) dos que se dizem de "direita".
"Ser de "esquerda" geralmente traz uma posição
mais gloriosa de si mesmo. Mas, que o brasileiro seja conservador, apenas
confirma o fato de ele, em geral, não tomar posições
de enfrentamento."
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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 14 de agosto
de 2006
TENDÊNCIAS/DEBATES
Pensando em Cuba
OSCAR NIEMEYER
Recordo que, na conversa com os amigos, as figuras de Fidel e Che Guevara
nos levavam a pensar que, um dia, o mundo seria melhor.
HOJE RECEBI um telegrama de Havana. Era o meu amigo Ricardo Ventura.
Ele está em Cuba trabalhando na instalação de uma
escultura que presenteei a Fidel e que está sendo colocada numa
nova praça em construção naquela capital.
É a figura de um dragão, que representa o império
de Bush, a ameaçar o povo cubano, que, pequenino, com uma bandeira
na mão, corajosamente o repele.
"Oscar", disse-me Ricardo, "estamos trabalhando muito.
Todos estão gostando da escultura, que vai ficar muito bonita."
Não era apenas a realização desse sonho de ver
uma escultura minha em Cuba que me agradava. Com maior satisfação
ainda eu sentia que, nesse momento de expectativa que vivem os cubanos,
a vida no país continua tranqüila, e o governo, voltado
para os problemas desse povo tão ameaçado e destemido.
E fiquei a lembrar dos meus primeiros contatos com Cuba: estava na França,
recebia convites para ir àquele país -o que com pesar
protelava, pensando nas viagens de avião que tinha de enfrentar.
Teria de viajar até a Espanha para pegar um avião soviético.
Mas a vitória da revolução cubana me absorvia,
e recordo que, na conversa com os amigos, as figuras de Fidel Castro
e Che Guevara nos levavam a pensar que, um dia, o mundo seria muito
melhor.
E assinávamos manifestos, rebatendo com vigor tudo que surgia
contra a revolução cubana.
Como de longe os atentados contra Cuba nos revoltavam -principalmente
o cerco odioso que os Estados Unidos organizaram contra esse país!
E era com orgulho, como se fosse coisa nossa, que víamos como
a figura de Fidel se destacava nos encontros internacionais.
Um dia, ele veio ao Rio de Janeiro.
Foi visitar-me no meu escritório, em Copacabana, a conversar
com os meus amigos que, para aquela reunião, eu convidara.
Lembro-me de um episódio engraçado que vale a pena contar:
Fidel se despediu, o elevador social não funcionava, e, para
pegar o elevador de serviço, teria de passar com os seus seguranças
por um apartamento. Não havia alternativa, e o seu proprietário
se viu forçado a aceitar aquela invasão inesperada que,
altas horas da noite, lhe solicitávamos.
Ah, como a personalidade de Fidel se impõe!
Ao que eu saiba, era o único morador comunista naquele edifício.
Mesmo assim, lá estava o prédio todo iluminado, com gente
às janelas, a celebrar a visita do líder cubano. E, no
dia seguinte, o meu vizinho apareceu, a contar o que ocorrera, nos mostrando,
orgulhoso, o charuto que Fidel amavelmente lhe havia oferecido.
O tempo correu. Veio a invasão do Iraque, e agora a do Líbano.
Um sentimento de revolta se fortalece por toda parte, e até os
países mais pobres sentem a necessidade de se reorganizar; a
ambição e a arrogância de Bush não têm
limites. As forças populares começam a se mobilizar, como
se verifica na América Latina.
São muitos os camaradas cubanos que me procuram no Rio de Janeiro,
contentes com a vida em Havana, apaixonados pelo comandante Fidel, de
quem falam com o mais vivo entusiasmo. E me espanta ver como são
politicamente atualizados, conscientes das ameaças que se multiplicam
contra Cuba, convictos de que irão defender a sua soberania de
qualquer forma.
E fico a ouvi-los, pensando que o mesmo ocorre com o nosso país
e toda a América Latina, que chegou o momento de falarmos de
tudo isso, de levarmos às escolas essas idéias -um pouco
esquecidas entre nós- de pátria e soberania.
A propósito, dias atrás fui convidado para receber uma
medalha no Corpo de Bombeiros e me surpreendi ao me sentir emocionado
naquele ambiente festivo, todo feito de entusiasmo e patriotismo.
OSCAR NIEMEYER , 98, arquiteto, é
um dos criadores de Brasília (DF). Tem obras edificadas na Alemanha,
Argélia, EUA, França, Israel, Itália, Líbano
e Portugal, entre outros países.
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Folha
de São Paulo, 14 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006/CAMPANHA
Sem a presença de artistas, público
em comícios mingua
Campanhas de Lula e de Alckmin têm dificuldade
de atrair pessoas em eventos, mesmo oferecendo comida e transporte
Segundo cientista político, apesar de showmício reunir público
artificial, candidatos conseguiam transmitir alguma mensagem política
FÁBIO ZANINI, SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A nova lei eleitoral transformou os comícios,
que já foram considerados a alma das disputas presidenciais,
em eventos frios, rápidos e pequenos. No primeiro mês de
campanha nas ruas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin
(PSDB) tiveram dificuldades para atrair público.
Acabaram optando por muitos eventos fechados
e recorreram ao que é chamado eufemisticamente de "mobilização
estimulada" -desde passar ônibus arrebanhando militantes
a, no caso de aliados dos tucanos em Brasília, dar lanche.
A média de público dos sete primeiros comícios
de Lula ficou em 3.600 pessoas, de acordo com levantamentos da Polícia
Militar. Os petistas prometiam tirar o atraso em uma série de
eventos neste final de semana. Anteontem, Lula reuniu 3.500 pessoas
em Salvador e 5.000 em Fortaleza, segundo a PM. Alckmin se saiu melhor,
com média de 9.600 até agora.
São sombras distantes dos números
registrados em 2002. Lula chegou a colocar 150 mil pessoas em Salvador.
José Serra, o tucano de então, pôs 120 mil em Ananindeua
(PA). Há consenso entre os partidos de que a responsável
pela decadência dos comícios é a proibição
de artistas. Para baratear campanhas, a nova legislação
vetou showmícios. Em 2002, os megacomícios de Lula pelo
Brasil eram "escada" para shows da dupla sertaneja Zezé
di Camargo & Luciano, que entrava no palco após os discursos
políticos. Serra arrebanhava multidões com o grupo adolescente
KLB.
Entre os coordenadores das campanhas
de Lula e Alckmin, o discurso é de que a nova lei eleitoral é
positiva. "O fim do showmício favorece candidatos mais pobres,
é mais discussão", diz o coordenador da campanha
tucana, Sérgio Guerra. Mas existe a preocupação,
entre tucanos e petistas, em levar mais gente para os comícios,
que costumam ser vistos como termômetros das campanhas. "Temos
o desafio de bolar novas estratégias de atingir a militância",
diz João Felício, responsável pela mobilização
na campanha de Lula.
Para o cientista político David
Fleischer, da Universidade de Brasília, os showmícios
atraíam um público "artificial", mas que ainda
assim acabava assimilando algo da mensagem política. "Ainda
que o comparecimento fosse devido à música, o recado dos
candidatos era recebido." Ele prevê um teto de no máximo
30 mil pessoas, com a nova realidade. "Em cidades do interior,
os comícios continuarão a ter certa importância,
até como evento social", diz. Em 24 de julho, prevendo problemas
com o quórum de um evento em Brasília com Lula, o PT do
Distrito Federal correu ônibus pelas cidades satélite com
o modesto objetivo de arrebanhar 5.000 pessoas. Conseguiu só
2.800.
A campanha de Alckmin tem optado
por reuniões em auditórios e caminhadas em locais que
atraem público, como feiras livres e praças. Dois grandes
comícios ocorreram no Distrito Federal, onde o tucano deparou-se
com multidões de 30 mil pessoas: em Taguatinga, com militantes
do ex-governador Joaquim Roriz (PMDB), e no Parque da Cidade, no ato
com José Roberto Arruda (PFL). Nos dois casos, os militantes
ganharam lanche e transporte.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 13 de agosto
de 2006
Reflexões para o debate eleitoral:
reforma política, constituinte e pacto social
Edésio Passos [13/08/2006]
Os fatos relacionados com o processo de corrupção
em setores essenciais da vida nacional e a crise política-partidária-eleitoral,
remetem o país para um esforço coletivo que permita viabilizar
a abertura para novo patamar de afirmação democrática.
A imprensa desempenha papel relevante, possibilitando o conhecimento
minucioso das questões, interpretações e posicionamentos
sobre tais fatos. A somatória de centenas de vigorosas ações
do Ministério Público e da Polícia Federal no combate
à corrupção generalizada, com a ação
do Judiciário, em especial do Supremo Tribunal Federal, e do
Congresso Nacional, formam um quadro que enseja a reflexão sobre
a necessidade de ações da sociedade civil organizada no
enfrentamento da crise. E as eleições de outubro são
parte, necessariamente, desse canal condutor da reação
a este estado das coisas.
As ações organizadas da sociedade civil atualmente têm
como alvo (1) o sistema partidário, eleitoral e de representação
parlamentar (2) o sistema democrático de representação
e implementação administrativa do setor público
(3) o sistema de um efetivo controle das contas, gastos e investimentos
públicos e a destinação dos recursos públicos
(4) o sistema de controle da participação dos grandes
grupos econômicos na vida político-partidária (5)
o sistema de organização da empresa, dos trabalhadores
e de suas organizações representativas (6) o aperfeiçoamento
do sistema no plano do Judiciário. Diante dos obstáculos
existentes, já se tem ciência que será necessária
ampla e profunda ação contra vícios histórico-estruturais
que debilitam os sistemas apontados. Trata-se de reconstruir o conjunto
desses sistemas, de modo a extrair da velha condição o
que se provou de saudável e de introduzir o novo colhido das
experiências do mundo em transformação. A análise
teórico-prática de cada setor se impõe como condição
necessária ao diagnóstico social. Pesquisa do Ibope (agosto/2005)
assinalava a fragilidade das instituições diante dos olhos
do povo: 9% confiavam nos políticos, rejeitados por 90% da população;
os partidos políticos rejeitados por 88%; a Câmara dos
Deputados por 81%; o Senado Federal por 76% e o Poder Judiciário
por 51%.
Novo pacto social
Há indicativos visíveis pela implementação
de fórum nacional de todos os setores sociais no debate destas
questões que indique as bases de novo pacto social. Pode-se considerar
que o pacto nacional, com contrato social, foi alcançado parcialmente
com a promulgação da Constituição de 05
de outubro de 1988. Ao definir juridicamente a constituição
da “nova” sociedade, isto é, a sociedade que emergiu
de 25 anos de ditadura militar, a Carta de 88 estabeleceu, em todos
os campos, os parâmetros da convivência nacional e os direitos
e deveres sociais, recompondo e finalizando a primeira etapa do processo
iniciado com a lei da anistia política de 1979 e abrindo caminho
que possibilitasse um novo acerto entre as classes sociais.
Esse acerto foi gradativamente se tornando cada vez mais difícil,
diante do avanço do neoliberalismo, gestando uma sociedade em
que as diferenças econômicas, sociais e culturais foram
o predominante na década de noventa. O acervo negativo herdado
pelo governo do Presidente Lula obrigou a adotar série de medidas
corretivas particularmente no campo econômico, visando o equilíbrio
das contas públicas, o controle dos gastos, o combate da inflação,
a retomada dos índices da produção e exportação,
a geração de mais empregos e atividades geradoras de ganhos,
o incentivo aos investimentos locais e internacionais, o fortalecimento
da moeda, os programas sociais às camadas pobres da sociedade.
Atingido este patamar de crescimento, inesperadamente a sociedade é
marcada pela crise de ordem moral no campo político e de diversas
operações fraudulentas no campo econômico. Tratando-se
de uma crise profunda, embora sem atingir a base econômica sustentada
pela política do governo federal, passou-se a refletir sobre
a necessidade de uma efetiva ação transformadora global.
Por isso, ao se trabalhar sobre a idéia de uma ação
transformadora integral e de assinalar a necessidade das bases de um
novo pacto social e/ou nacional, primeiro há que se verificar
em que sociedade vivemos e que, diante de diferenças profundas
e do momento de crise, qual acerto será possível. Tarefa
complexa a que são chamados os homens de boa vontade em um momento
excepcional da vida brasileira. Desafio colocado às nossas principais
lideranças que terão a grande oportunidade de demonstrar
que a experiência acumulada neste recente período democrático
e as lições colhidas do processo eleitoral serão
aplicadas em benefício do conjunto de nosso povo.
Reforma política e Constituinte
Neste complexo quadro, há consciência de que uma das prioridades
é a reforma política. Mas as iniciativas da atual composição
do Congresso Nacional restaram improdutivas. Somos, então, colocados
diante de um novo-velho processo eleitoral, em que o sistema político-partidário
não foi reformulado, nem o próprio sistema eleitoral.
Poderá resultar dele, no plano do Legislativo, pouca ou nenhuma
alteração fundamental. Por isso, no bojo da campanha,
foi colocada a idéia de Assembléia Nacional Constituinte
convocada especificamente para implementar a reforma do Poder Legislativo
e do sistema partidário-eleitoral.
Trata-se de idéia nascida de que a próxima composição
do Congresso Nacional não sofrerá alterações
substanciais e será incapaz de promover as mudanças necessárias
neste campo. Desde a Legislatura 91/94 sucedem-se as proposições
de emendas constitucionais da reforma política, sem qualquer
êxito. E o debate não apenas tem sido distante da sociedade,
como viciado por muitos interesses ilegítimos, pessoais ou grupais.
A objeção principal é de que a Constituinte deve
ser convocada quando necessário um novo e amplo pacto social
e/ou nacional, diante do esgotamento do modelo político-administrativo
como um todo. Não é possível a especificação
de apenas um tema para a convocação da Constituinte, eis
que esta tarefa já está prevista na formulação
de emenda constitucional pelo Congresso Nacional. Mesmo assim, o debate
não será inócuo, em especial neste momento eleitoral
em que as pessoas se encontram abertas a analisar as contradições
sociais, econômicas e políticas.
Por isso, caso não se consiga a formulação final
de uma proposta constituinte, a composição do Legislativo
Federal a ser formatada a 1º de outubro terá que responder
a esta questão. Se não souber fazê-lo com a urgência
que a matéria determina, creditará aos que defendem a
tese constituinte a possibilidade de levar à frente a idéia.
A experiência histórica
Relembramos nossas afirmações em texto anterior: “a
experiência histórica de pactos, na Europa e na América
Latina, permite avançar para alguns parâmetros que poderão
ajudar nessa caminhada. O primeiro, e mais significativo, é o
de que nenhum grupo, segmento ou representação social
poderá estar fora da conversação e dos encaminhamentos
concretos. O segundo, de grande valia, a capacidade dos mediadores,
lastreados em conhecimentos teóricos e de vida para bem manejar
os procedimentos. O terceiro, de igual importância, saber indicar
as metas factíveis e o período em que as mesmas deverão
ser alcançadas. Por certo, a estes elementos outros serão
somados, colhidos das lições já apreendidas por
outras sociedades nas suas tentativas de encontrar pontos de identificação
sobre os quais foram erguidas as bases de um entendimento duradouro.
Missão difícil, mas necessária, diante dos acontecimentos
atuais que abalam a nossa sociedade, mas que levam a refletir sobre
a necessidade de reconstrução que irá atingir,
não apenas o campo da organização política,
mas da organização econômico-social”.
A crise política não é apenas de conduta, no âmbito
parlamentar, mas vai muito além, pois envolve o conjunto do sistema
político-partidário-eleitoral, assim como o sistema de
organização econômico-social.Os cenários
que devem ser avaliados indicam que as organizações da
sociedade civil, em especial as representações dos empresários
e dos trabalhadores, deverão se movimentar rumo a propostas que
possibilitem a formação de um fórum nacional que
implemente as idéias da reconstrução nacional,
como sólidas bases econômico-sociais e de firme sustentação
política.
Os dias seguintes demarcam a linha de construção a ser
adotada pela sociedade civil. Nossa imperfeita Democracia tem tido seus
instrumentos institucionais testados diariamente. O encontro do povo
como a ação político-eleitoral sempre tem sido
uma escola de ensinamentos. Um deles é o que estamos diante da
necessidade da quebra de barreiras corporativas, possibilitando identidades
básicas das representações de todos os segmentos
sociais.
Sabemos que o novo nasce do velho. Ao focar a necessária ultrapassagem
do velho, para seguir a transformação para o novo, citamos
novamente a velha lição de Maquiavel: “Costumam
dizer os homens prudentes, e não é por acaso nem sem mérito,
que quem deseje ver aquilo que há de ser, considere aquilo que
foi porque todas as coisas do mundo, em cada tempo, têm seu próprio
embate com os antigos tempos.,O que nasce porque, sendo elas operadas
pelos homens, que têm e tiveram sempre as mesmas paixões,
convém por necessidade que lhe suscitem o mesmo efeito”.
É o que se tem denominado de aprender com as lições
emanadas de nossos erros.
Edésio Passos é advogado
é ex-deputado federal (PT/PR).
E.mail: edesiopassos@terra.com.br
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REVISTA ISTO É, 14
de agosto de 2006
Eleições 2006
O dinheiro sumiu
Nova legislação eleitoral e crise
política deixam partidos na pendura
Composta para o Carnaval de 1959, a marchinha “Ei, você
aí/ me dá um dinheiro aí/me dá um dinheiro
aí”, do trio Ivan, Homero e Glauco Ferreira, bem que poderia
ser a trilha sonora oficial das próximas eleições.
A nova legislação eleitoral, que endureceu as regras para
doações financeiras às candidaturas, aliada à
descrença causada pelos escândalos políticos, está
secando os cofres dos grandes partidos. No domingo 6, o Tribunal Superior
Eleitoral divulgou a primeira parcial sobre as doações
e gastos da campanha 2006. O campeão de arrecadação
até aqui é o comitê do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, que contabilizou R$ 5.686.558,00. Mas nem o líder
nas pesquisas e na captação de recursos parece satisfeito
com o dinheiro que entrou em sua conta.
Antes do início da corrida eleitoral, o PT definiu que o teto
de gastos de sua candidatura à Presidência seria de R$
89 milhões. Mas nem em delírio a legenda espera levantar
esse dinheiro. O PT trabalha com a expectativa de arrecadar para o primeiro
turno cerca de R$ 45 milhões. Mas o encarregado de passar o chapéu
não parece muito otimista com a meta. “Não vai ser
fácil chegar a esse valor. Nossa arrecadação está
um pouco abaixo do esperado”, admite o tesoureiro petista José
di Filippi Júnior. O problema do PT é que muitas de suas
fontes secaram. Empresários que apoiaram Lula em 2002 não
subiram no barco da reeleição. Entre os poderosos que
se distanciaram do presidente estão Eugênio Staub, da Gradiente
e Ivo Rosset, dono das marcas Valisère e Cia Marítima.
Ninguém assume, mas os últimos escândalos tiveram
papel decisivo na debandada.
O cofre petista não é o único a sofrer de inanição.
Até mesmo o PSDB, um partido com forte vinculação
com a elite econômica do País, passa por sufoco. Na primeira
prestação de contas, a campanha de Geraldo Alckmin arrecadou
R$ 1.322.697,68 e gastou R$ 1.889.387,48, um déficit de R$ 566.689,80.
O rombo, no entanto, não chega a desplumar os tucanos. O comando
da campanha informa que nos próximos dias deverão desembarcar
R$ 15 milhões nas contas de Alckmin. Enquanto o dinheiro não
chega, só resta lamentar. “Até agora arrecadamos
só a metade do que esperávamos. Parece que o pessoal (empresários)
está com receio de doar”, diz um dos assessores próximos
ao presidenciável.
A pendura está produzindo situações curiosas. Na
primeira parcial, o comitê da campanha de José Serra, candidato
a governador em São Paulo, arrecadou R$ 4,4 milhões, mais
que o dobro do de Geraldo Alckmin. Nem mesmo Ronaldo Cézar Coelho
(PSDB), candidato ao Senado pelo Rio e o mais rico participante da campanha,
segundo dados do TSE, está disposto a abrir a mão. “Dinheiro
eu não ponho. O que faço é colaborar indiretamente,
financiando comitês de campanha conjuntos e auxiliando os candidatos
a deputado que me ajudam”, diz Coelho.
Se a coisa está difícil no andar de cima da campanha dos
presidenciáveis, no andar de baixo a situação é
crítica. O candidato do PDT, Cristovam Buarque, arrecadou até
agora R$ 150 mil. Já o colega do PSDC, José Maria Eymael,
obteve a franciscana quantia de R$ 16,5 mil. Luciano Bivar, do nanico
PSL, registra melhores resultados. Já declarou R$ 260 mil de
doação, bem mais do que o valor arrecadado por Heloísa
Helena, terceira colocada na corrida pela Presidência da República.
No entanto, o PSOL da senadora transforma a dureza em instrumento de
divulgação de princípios e ética política.
Até aqui, Heloísa Helena gastou módicos R$ 105
mil. Martiniano Cavalcante, tesoureiro da legenda, dá o tom da
campanha. “Não queremos o dinheiro de banqueiros e grandes
empreiteiras. O abuso do poder econômico é o grande gerador
de corrupção. Faremos uma campanha decente, humilde e
sem comprometimentos”, brada Cavalcante. A dureza beneficiará
as cidades, que finalmente se verão livres do lixo que entupia
seus bueiros e da poluição visual que irritava seus habitantes.
Eleitores ou não.
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REVISTA ISTO É, 14 de agosto de 2006
Meio ambiente
Os bilhões do carbono
Dólares da onda verde começam
a chegar às empresas brasileiras
Por Milton Gamez
Colaboraram: Rodrigo Rangel
e Francisco Alves Filho
O pequeno criador de porcos Valdecir Heemann, fornecedor da Sadia em
Santa Catarina, nunca imaginou que pudesse contribuir para reduzir o
aquecimento global do planeta e, de quebra, receber dinheiro por isso.
Ele cuida de cerca de 750 suínos na granja do sogro, em Ipumirim,
cidade com menos de sete mil habitantes encravada no Meio-Oeste catarinense,
a 550 km de Florianópolis. Até março passado, Valdecir
e sua família, como de costume, suportavam o cheiro ruim da criação
e os insetos típicos dos chiqueiros. Mas a instalação
de um biodigestor – tipo de tanque coberto que recebe os dejetos
dos suínos e captura o gás metano gerado por sua fermentação
– mudou muito as coisas por lá. “O odor e as moscas
diminuíram”, comemora.
A propriedade rural é uma das 280 granjas independentes que criam
animais para a Sadia e receberam a instalação de biodigestores
nos últimos meses. Elas aderiram voluntariamente ao programa
de suinocultura sustentável da empresa, que pretende instalar
mais mil biodigestores até o final do ano e, no futuro, atingir
todos os 3.500 produtores. O ganho ambiental é notável:
o gás metano, ao ser capturado e queimado, transforma-se em gás
carbônico, que é 21 vezes menos poluente. Com isso, a Sadia
melhora a qualidade do ar e gera créditos de carbono, uma espécie
de moeda ambiental internacional, criada em 1997 com o Procotolo de
Kyoto. Parece estranho, mas é isso mesmo: a poluição
“seqüestrada” pode virar dinheiro vivo.
Diversas empresas brasileiras estão aproveitando a atual onda
verde para levantar recursos e recuperar investimentos em projetos ambientais.
A Klabin, gigante florestal e industrial, percebeu o potencial do mercado
de carbono e investe na substituição de combustíveis
em suas unidades industriais. “Estamos reduzindo o consumo do
óleo em nossa matriz energética”, diz José
Oscival dos Santos, diretor da Klabin.
Os projetos da companhia poderão gerar o equivalente a um milhão
de toneladas de carbono. No mais adiantado deles, a troca de óleo
pesado por gás natural na Klabin Embalagens, em Piracicaba (SP),
irá gerar 150 mil toneladas. Outra frente é o uso de resíduos
florestais e industriais para produzir biomassa e usá-la como
fonte de energia. As florestas de eucalipto da empresa também
contribuem com o “seqüestro” do carbono e rendem créditos
para negociação na Chicago Climate Exchange. São
mais 700 mil toneladas de carbono, que irão render dólares
um dia.
Pelo Protocolo de Kyoto, países desenvolvidos comprometeram-se
a reduzir as emissões de gases geradores do efeito estufa, como
o carbono e o metano. Esses gases são calculados e convertidos
em toneladas equivalentes de carbono. Durante a primeira fase do acordo,
de 2008 a 2012, quem não cumprir com suas metas de redução
pode comprar o direito de poluir. Como? Adquirindo créditos gerados
por projetos ambientais de empresas de países em desenvolvimento.
Cada tonelada equivalente de carbono rende um crédito, que pode
ser negociado. Hoje, na Europa, obtém-se de 10 a 20 euros por
tonelada. Nos Estados Unidos, que não aderiram ao acordo, elas
têm sido negociadas por até US$ 4,50.

Na floresta: Garnero defende o debate sobre a Amazônia; Meire
e Adriana tocam projetos de sustentabilidade
Estima-se que o mercado de créditos de carbono irá movimentar
pelo menos 30 bilhões de euros (cerca de R$ 90 bilhões)
até 2007. Parte desse dinheiro já começa a chegar
ao Brasil graças aos projetos ambientais de empresas como Sadia,
Klabin, Camil e NovaGerar. Somente a Sadia irá receber até
R$ 90 milhões pela venda de 2,7 milhões de toneladas equivalentes
de carbono ao European Carbon Fund. O contrato foi fechado em maio passado.
Os recursos excedentes aos custos do projeto, que contou com financiamento
de R$ 60 milhões do BNDES, serão repassados aos produtores
rurais. “O projeto reforça nossa política de desenvolvimento
sustentável”, diz Meire Ferreira, coordenadora de sustentabilidade.
O país tem um potencial para captar cerca de 20% do mercado de
poluição, estima o consultor Antonio Carlos Porto Araújo,
da Trevisan Consult. “É possível trabalhar o conceito
ambiental dentro da lógica empresarial de geração
de grandes negócios”, afirma. Os euros do carbono estão
chegando para projetos em várias regiões do País.
O projeto NovaGerar, de tratamento de lixo em Nova Iguaçu (RJ),
obteve em julho a primeira parcela dos 13,3 milhões de euros
provenientes da venda de créditos de carbono ao governo da Holanda.
“A venda do carbono dá um bom retorno, mas não deve
ser vista como uma mina de ouro”, pondera a coordenadora do projeto,
Adriana Felipeto. “É necessário que o projeto seja
auto-sustentável.” No Rio Grande do Sul, a Camil recebeu,
em julho, 1,5 milhão de euros. Em troca, vendeu à holandesa
BioHeat International créditos de carbono obtidos com a instalação
de uma usina termelétrica que utiliza casca de arroz para produzir
energia.
Enquanto os negócios florescem ao redor do Protocolo de Kyoto,
já se começa a discutir o que será da questão
ambiental no mundo após 2012. Em vez de aceitar a redução
obrigatória das emissões, alguns países não-signatários,
como os Estados Unidos e o Japão, têm preferido estimular
a geração de energia limpa.
O governo Bush estimular as montadoras a adotarem novas tecnologias,
como o álcool e o hidrogênio.
“O Brasil precisa ficar atento, pois foi o primeiro no mundo a
usar o etanol e hoje corre o risco de ser suplantado nesse mercado pelos
produtores americanos”, alerta Mário Garnero, presidente
do Grupo Brasilinvest. Na década de 70, quando presidiu a Anfavea,
Garnero foi um dos incentivadores da busca de combustíveis alternativos
para o Brasil. Segundo ele, o País precisa aprofundar os estudos
sobre a exploração sustentável da Amazônia.
“Não podemos ignorar essa questão”, afirma.
Para estimular a discussão, Garnero irá promover, em abril
de 2007, em Nova York, o evento “Beyond 2012”. Já
estão confirmadas a presença dos ex-presidentes George
Bush e Bill Clinton. O debate deve pegar fogo – até porque
os dois são aguerridos adversários quando o assunto é
meio ambiente.
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AGÊNCIA ESTADO DE NOTÍCIAS,
14 de agosto de 2006
249 trabalhadores encontrados em condição
de escravidão
A fiscalização do Ministério
do Trabalho realizou nesta quinta-feira (10), a maior operação
de resgate de trabalhadores em situação análoga
à de escravos. Foram libertados 249 trabalhadores mantidos em
cárcere privado, na Fazenda Agropecuária Por do Sol, na
fronteira com a Bolívia, no município Campos de Julho,
a cerca de 600 quilômetros de Cuiabá (MT).
A fazenda está em nome da gerente
do Banco do Brasil em Cuiabá, Leny Oliva Artmann, mas, segundo
informações obtidas pela fiscalização no
local, a propriedade é administrada pelo marido da gerente, Nery
Guilherme Artmann. Toda a produção da agropecuária
é vendida para a Usimat Destilaria de Álcool, próxima
à fazenda.
Segundo o auditor fiscal que comandou
o grupo móvel de fiscalização, Humberto Célio
Pereira, se for comprovado que a usina tinha conhecimento da exploração
de mão-de-obra escrava pelos fornecedores, ela também
será autuada.
Situação - Pereira disse
que em seus cinco anos de atuação, nunca havia visto situação
tão degradante como a encontrada na Agropecuária Por do
Sol. Os trabalhadores estavam sem receber salário desde o início
do ano. Os alojamentos estavam em péssima situação
de higiene, a comida era estragada e muitos trabalhadores estavam doentes.
Essa foi a maior operação
do grupo móvel de fiscalização do Ministério
do Trabalho desde o primeiro semestre de 2005, tanto em número
de trabalhadores libertos como em valor de indenização,
que atingirá cerca de R$ 530 mil.
A equipe de fiscalização,
composta também por policiais federais e procuradores do trabalho,
chegou à fazenda após denúncia de três trabalhadores
que conseguiram fugir, andaram 100 quilômetros a pé, pegaram
uma carona e chegaram a Cuiabá dias depois.
Os trabalhadores foram aliciados no Nordeste,
nos Estados do Maranhão, Piauí, Paraíba, Alagoas
e Pernambuco. Eles eram obrigados a pagar R$ 35 - valor anotado em caderno
- se quisessem ir até a cidade de Campos de Julho, que fica a
80 quilômetros da fazenda, único lugar onde podiam fazer
contatos telefônicos com parentes. "As dívidas se
tornaram impagáveis, inclusive com os gastos na cantina da fazenda",
disse Humberto Pereira.
Segundo o auditor, até mesmo o
equipamento de proteção individual era vendido. "Os
trabalhadores se amontoavam para descansar após onze horas de
trabalho sob sol escaldante, na plantação, corte e colheita
de cana", relatou.
A fiscalização encontrou
muitos trabalhadores - todos homens - doentes, com infecção
intestinal, provocada pelas péssimas condições
do alojamento, com esgoto a céu aberto, comida distribuída
azeda e em recipientes impróprios.
Os fiscais iniciaram nesta quinta-feira
a regularização trabalhista dos libertos. Todos serão
encaminhados para as cidades de origem. A Polícia Federal instaurou
inquérito policial e, o Ministério Público do Trabalho,
ação civil pública por danos morais aos trabalhadores.
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CONSULTOR
JURÍDICO, 13 de agosto de 2006
Novidade no Judiciário
Juiz fixa honorário de sucumbência
em causa trabalhista
por Aline Pinheiro
Seria mais uma briga na Justiça
entre patrão e funcionário se não fosse um detalhe:
o juiz determinou que a empresa, perdedora da causa, pagasse honorários
de sucumbência para o advogado do trabalhador. Sucumbência
é tão rara em ação trabalhista que pegou
a advogada da causa em questão, Tânia Reis, de surpresa.
“Não é comum fixar
honorários de sucumbência em causa trabalhista. Isto é
uma novidade”, comemora ela, que já tem outro processo
com a mesma determinação.
A política de não pagamento
de sucumbência para os advogados em processos trabalhistas se
explica pelo princípio do jus postulandi, que permite que o trabalhador
ingresse na Justiça sem a necessidade de contratar um profissional.
“Antigamente, as causas eram mais simples. Hoje, a Justiça
trabalhista está cada vez mais técnica e a necessidade
de um advogado é cada vez maior”, explica Tânia.
Na decisão em questão,
o juiz substituto André Luiz da Costa Carvalho, do Tribunal Regional
do Trabalho da 1ª Região, considerou que, cada vez mais,
quem procura o Judiciário sem o auxílio de um profissional
perde sua causa. “O alto grau de especialização
e complexidade contábil do direito material do trabalho é
absolutamente incompatível com a falaciosa e pretensiosa sustentação
de que o jus postulandi subsiste no âmbito da Justiça do
Trabalho”, disse.
“Ademais, é notório
que praticamente nenhum juízo desta região aceita partes
sem patrocínio de advogados, sendo um contra-senso o indeferimento
de tal parcela”, completou. O juiz lembrou que a fixação
de honorários de sucumbência em causas trabalhistas não
viola a Constituição.
Para a advogada Tânia Reis, a posição
do juiz é um vitória para os trabalhadores, pois acaba
barateando a contratação de um advogado, que passa a contar
também com a expectativa de não só ganhar o dinheiro
da causa com seu cliente como a sucumbência.
Para o juiz André Carvalho,
sua posição é não só uma revisão
no seu próprio entendimento como na jurisprudência que
há muito vem sendo adotada.
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 12 de agosto de 2006 | Paraná
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