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DEPACOM, 16 de agosto de 2006
Parcelas extras do Seguro-Desemprego
CNTI encaminha correspondência solicitando
audiência com o Ministro
A Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Indústria - CNTI, encaminhou dia 09/08, ofício ao Ministro
do Trabalho, solicitando audiência, para que sejam revistas as Resoluções
500 e 501, a fim de ampliar a concessão dos benefícios,
inclusive levando em consideração os demitidos do ano de
2005.
Veja
o ofício protocolado pela CNTI
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DEPACOM, 16 de agosto de
2006
Parcelas extras do Seguro-Desemprego
Feticom Santa Catarina encaminhou correspondência
a DRT
A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da
Construção e do Mobiliário de Santa Catarina, presidida
pelo companheiro ALTAMIRO PERDONÁ, encaminhou dia 14/08, conforme
sugerido pelo Depacom, ofício a Delegacia Regional do Trabalho,
solicitando que seja revista a Resolução nº 501,
a fim de ampliar os benefícios para toda a cadeia produtiva do
mobiliário, inclusive levando em consideração os
demitidos do ano de 2005.
Orientamos a todas as federações
que também protocolem correspondência nas DRT de seus estados
e nos remetam a cópia para divulgação.
Veja
o ofício protocolado pela FETICOM/SC.
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FETRACONSPAR,
15 de agosto de 2006 Sindicato
dos Oficiais e Marceneiros de Ponta Grossa, organiza greve dos trabalhadores
da madeireira Wosgrau. Confira abaixo,
matéria do Jornal “Diário dos Campos”
sobre a greve
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José Zierhut,
Presidente do SOM Ponta Grossa
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Jornal Diário dos Campos, 15 de
agosto de 2006
Trabalhadores param madeireira em
PG
PONTA GROSSA – Cerca de 300 trabalhadores da Madeireira
Wosgrau em Ponta Grossa cruzaram os braços no dia de ontem.
A paralisação aconteceu em função
do atraso no pagamento do salário de julho. “Os funcionários
não tinham outra opção a não ser parar.
Hoje (ontem) já é dia 14 e o pagamento ainda não
saiu. Isto é contra a lei”, fala José Zierhut,
presidente do Sindicato da Madeira (Sintramadeira).
No final da tarde, a empresa pagou
os salários colocando um fim ao movimento. O turno da noite
não paralisou os trabalhos. De acordo com o presidente,
na última quinta-feira os funcionários haviam comandado
a primeira paralisação, porém sem a presença
do Sindicato. “Nós ficamos sabendo na sexta-feira
sobre este atraso”, afirma. Desta forma, a paralisação
de ontem foi organizada pelo Sintramadeira.
Segundo o presidente, o Sindicato
não irá mais aceitar à falta de pagamento
em dia. “Não vamos mais aceitar atrasos. Se até
o quinto dia útil do mês os salários não
estiverem pagos, então vamos parar”, alerta José.
Ele reconhece que o setor madeireiro passa por dificuldades. “Nós
queremos que a empresa cresça e continue gerando empregos,
porém os acordos trabalhistas precisam ser cumpridos”,
diz. Os funcionários do turno do dia deverão voltar
ao trabalho hoje. - L.R.B.
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JORNAL DO MEIO AMBIENTE
/ RIO DE JANEIRO, 16 de agosto de 2006
Construção civil é
a maior fonte geradora de lixo, diz especialista
Alguns números alarmantes mostram
que os resíduos provenientes da construção civil
são um grave problema para a sociedade e podem continuar sendo
se algumas medidas não forem tomadas. Segundo um artigo intitulado
"Gestão de Resíduos da Construção Civil",
do professor Pedro Carlos Schenini, da Universidade Federal de Santa
Catarina, a construção civil é a maior fonte geradora
de lixo de toda sociedade, já que seus entulhos podem chegar
a representar até 70% da massa total de resíduos sólidos
urbanos de uma cidade brasileira de médio e grande porte. Clique
aqui e dê sua opinião sobre esse assunto.
Tamanha geração de resíduos
resulta de um dos setores que mais movimentam dinheiro no mundo e que,
conseqüentemente, mais consomem matéria-prima também.
Ainda segundo o professor Schenini, 66% da madeira consumida de florestas
naturais - e que muitas vezes não sofrem remanejo adequado -
têm como destino a construção civil. O setor também
é o que mais consome recursos não-renováveis como
o cobre e o zinco, cujas reservas têm estimativa de durarem apenas
mais cerca de 60 anos.
Com tal volume de demandas, em breve,
o mundo não terá mais como sustentar tamanha farra de
uso de recursos e geração de lixo. Pior do que isso, as
construções podem ficar cada vez mais caras e inacessíveis
à população de baixa renda. As alternativas para
esse problema não são simples, mas o consumidor consciente
pode ajudar, adotando algumas medidas relativamente simples para minimizar
os resíduos de sua construção.
Reduzindo o desperdício
O professor Antônio Edésio
Jungles coordena o Grupo de Gestão de Construção
(GGC), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que tem como
objetivo exatamente estudar formas eficientes de gestão de materiais
na construção civil. Segundo ele, a reciclagem é
importante, porém, o melhor mesmo é estudar formas de
diminuir ao máximo a geração de resíduos.Ele
diz que há alguns caminhos que podem ajudar na minimização
de resíduos e o consumidor consciente deve ficar atento.
O primeiro cuidado é a contratação
de profissionais qualificados. "Hoje, o maior desafio para evitar
os desperdícios na construção civil é encontrar
mão-de-obra qualificada", diz o professor. A segunda recomendação
diz respeito à compra de materiais de boa qualidade, usar material
muito barato pode trazer muitos prejuízos à construção
e ao meio ambiente. Finalmente, antes de começar a construir,
é preciso ter um projeto muito bem planejado. "Se você
parte de um projeto bem-feito, cerca de 70% do que será gasto
já está definido. Planejar bem garante a qualidade do
projeto, evita desperdícios e gastos inesperados", completa
o professor.
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Nova Central, 16 de agosto
de 2006
Salário profissional atrelado
ao mínimo afronta a Constituição
A estipulação do salário profissional em múltiplos
do salário mínimo não afronta à Constituição.
O que a Carta Magna não permite é a fixação
de correção automática do salário pelo reajuste
do salário mínimo. Com base nesse entendimento, de sua
Orientação Jurisprudencial n° 71, a Seção
de Dissídios Individuais 2 do Tribunal Superior do Trabalho julgou
parcialmente procedente o proposto pelo Município de Volta Redonda
(RJ).
Um empregado do Município ajuizou
reclamação trabalhista objetivando a concessão
de diferenças salariais e reflexos em decorrência da aplicação
da Lei 4.950-A, que fixou o piso salarial da categoria dos engenheiros
e arquitetos, tomando como referência o valor de seis salários
mínimos.
Em defesa, o Município requereu
a improcedência total da ação, fundamentando, entre
outros motivos, que a Constituição Federal, em seu artigo
7°, IV, veda a vinculação do salário mínimo
para qualquer fim, impedindo que sirva como indexador. Sustentou, ainda,
que os servidores municipais devem ter os seus vencimentos reajustados
por lei municipal. A sentença de primeiro grau foi favorável
ao empregado, tendo o Município interposto recurso ordinário,
que chegou ao TST por remessa de ofício. O ministro Ives Gandra
da Silva Martins Filho, relator do processo, explicou em seu voto que
a vedação constitucional foi criada com o intuito de valorizar
o salário mínimo, de modo que sua majoração
não implicasse o efeito cascata em outras obrigações.
“Dentre essas obrigações
estão, naturalmente, as trabalhistas, pois se os pisos salariais
das várias categorias estiverem atrelados ao salário mínimo,
haveria o desestímulo natural do legislador para majorá-lo,
pois o impacto geral na economia seria sensível, propiciando
um incremento na inflação”.
Segundo o voto do ministro, apenas os
indicadores não diretamente ensejadores de inflação
podem ser atrelados ao salário mínimo, tais como o valor
de alçada ou o da fixação do teto no rito sumaríssimo.
A solução encontrada
para o caso do empregado foi o de se fixar o piso salarial profissional
correspondente a seis salários mínimos à época
da contratação do reclamante, porém o reajuste
de tal salário obedeceria as normas gerais de reajuste salarial.
Foram excluídas da condenação, portanto, as diferenças
decorrentes do pagamento, a menor, do piso salarial profissional.
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Folha
de São Paulo, 16 de agosto de 2006
Lula e Alckmin estréiam na TV com
fórmulas parecidas
Programas destacam biografia de candidatos e prometem
governo para os pobres
Tucano e petista coincidem até no encerramento
de suas aparições no horário eleitoral com execução
de jingles em ritmo nordestino
MICHELE OLIVEIRA
DA REDAÇÃO
No primeiro dia de propaganda eleitoral
na TV, os dois principais candidatos à Presidência, Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), apresentaram
ontem à noite programas muito semelhantes na forma, no tom e
nos conteúdos veiculados. Os dois presidenciáveis privilegiaram
mostrar suas biografias e realizações na estréia
na TV. Em seguida, vieram os discursos em estúdio e o final com
um jingle de ritmo nordestino.
As duas falas promoveram o Bolsa-Família,
programa de transferência de renda do governo federal, e prometeram
governar para os pobres. Enquanto o petista repetiu a propaganda que
tinha exibido na hora do almoço, o tucano preferiu mudar e mostrou
um programa mais parecido com o de Lula. Incluiu um jingle, forma como
o presidente encerrou, e fez um discurso em estúdio diferente.
Seu marqueteiro é o jornalista Luiz Gonzalez.
Alckmin, que apareceu antes de Lula,
destacou seus "30 anos de vida pública, uma história
limpa". Falou da "família simples", da carreira
política, do trabalho ao lado do governador Mario Covas, morto
em 2001. Mostrou suas realizações no Estado de São
Paulo. À noite, as críticas ao mensalão e à
corrupção foram substituídas por um discurso contra
os juros altos. Também incluiu sua proposta para segurança
-a de integrar as polícias.
O programa de Lula, por último,
teve a mesma estrutura. Começou com imagens de obras para depois
contar sua biografia. Tanto à tarde como à noite, destacou
sua viagem "em cima do pau-de-arara". O marqueteiro João
Santana é o responsável pela TV.
Quando falou, citou indicadores econômicos,
prometeu educação de qualidade e disse que pretende "cuidar
ainda mais dos pobres", tom adotado seguido por Alckmin à
noite. Entre os que têm menos tempo, Heloísa Helena, do
PSOL, falou de mensalão e contou sua biografia. Cristovam Buarque
(PDT) começou homenageando Leonel Brizola (1922-2004) e falou
do seu único assunto: educação. Já Luciano
Bivar (PSL) usou todo o seu tempo para atacar a imprensa. José
Maria Eymael (PSDC) exibiu, à tarde, em suas legendas dois erros
de português: "empobresse" e "obcessão".
À noite, somente a primeira palavra foi corrigida.
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Folha
de São Paulo, 16 de agosto de 2006
Partidos possuem 11,6 milhões de
filiados; maioria está no PMDB
PT é o que mais cresceu desde posse de
Lula e tem mais filiações no exterior
SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Brasil têm 11.560 milhões
pessoas filiadas aos 29 partidos políticos -9,18% dos 125.913
milhões de eleitores inscritos para votar em outubro. A sigla
com maior número de filiações é o PMDB,
seguida por PP, PSDB, PT e PFL. Apesar de se manter na liderança,
com quase o dobro de adeptos que PP, PSDB, PT e PFL, o PMDB foi quem
mais perdeu filiados desde outubro de 2002, data das últimas
eleições presidenciais, caindo de 2.217 milhões
para 2.023 milhões em abril.
O PT foi o que mais cresceu após
a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em três anos e meio, saltou de 828.781 filiados para 1.091 milhão
(219.383 a mais). Outro partido que cresceu é o PTB, que era
presidido pelo deputado cassado Roberto Jefferson. A sigla tinha 985.204
filiados em abril deste ano, contra 823.178 em outubro de 2002. Entre
os dez partidos com maior número de filiados houve perda de adeptos
no PMDB, no PL e no PP, aumento no PT, no PTB e no PPS e estabilidade
no PSDB, no PFL, no PDT e no PSB. Entre os chamados "nanicos",
o PRB, do vice-presidente, José Alencar, registrou o menor número
de filiados: 3.295.
Já o PDT, do presidenciável
Cristovam Buarque, está em sétimo lugar em número
de filiações, com 957.711 nomes.
Os dados foram divulgados ontem pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral),
com base em informações prestadas pelos partidos em abril
deste ano. O número de filiações sofreu pequena
elevação em três anos e meio. Em outubro de 2002,
havia 11,131 milhões de inscritos.
Apesar de esses números serem
oficiais do TSE, os partidos políticos têm dificuldades
para contabilizar um número exato de filiados já que muitos
podem deixar o partido sem informar. Dos brasileiros filiados a partidos,
601 moram em outros países. O PT é a sigla que tem mais
adeptos nesse grupo (135 nomes), seguido pelo PMDB (79), PSDB (54) e
PFL (53). Na distribuição por Estados, 2,339 milhões
dos filiados estão em São Paulo, 1,283 milhão em
Minas Gerais, 1,063 milhão no Rio Grande do Sul, 832.019 no Rio
de Janeiro e 755.814 no Paraná. O Estado com menos filiados é
Roraima (24.645).
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JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de agosto de 2006 | Economia
DEBATE-Balança comercial é a
chave para segurar apreciação do real e aumentar competitivdade
brasileira
Importação maior
equilibraria câmbio
Importar é o que importa para o economista Gustavo Franco, ex-presidente
do Banco Central e diretor da empresa de gestão de recursos Rio
Bravo Serviços Financeiros. O câmbio apreciado, que incomoda
produtores agrícolas e exportadores de mercadorias têxteis,
calçados e artefatos de madeira, só vai ser resolvido
com medidas que equilibrem a balança comercial brasileira.
“O problema é apenas comercial.
Não se pode ter um superávit de mais de US$ 40 bilhões
e um câmbio favororável ao mesmo tempo. Alguém vai
ter de pagar essa conta”, resume. De janeiro a julho de 2006,
as exportações brasileiras somaram US$ 74,5 bilhões.
As importações ficaram em US$ 49,3 bilhões. O saldo
foi de US$ US$ 25,17 bilhões. Nos últimos 12 meses, o
superávit passa de US$ 45 bilhões. Em vez de apostar em
providências no âmbito do comércio, no entanto, o
governo federal criou um pacote que inclui a possibilidade de o importador
deixar fora do país o dinheiro proveniente de suas vendas, uma
idéia que o economista considera inócua.
Franco pode falar de cátedra sobre desequilíbrio cambial.
Ele pilotou a cadeira de Assuntos Internacionais do Banco Central de
1993 a 1997, período em que o real chegou a valer mais do que
o dólar. E foi presidente da instituição de agosto
de 1997 a início de março de 1999. Criticado por empresários
de várias áreas, que o acusam de ter-lhes roubado a competitividade,
e acossado pelo próprio mercado, que lançou ataques especulativos
contra a moeda, ele deixou o cargo e foi sucedido por Francisco Lopes
– aquele que tentou fazer uma desvalorização controlada
da moeda usando uma fórmula batizada de “banda diagonal
endógena”, que acabou por levar o real a perder valor rapidamente.
Hoje, como nos tempos em que Franco estava
no BC, o real ganhou força porque há muita entrada de
dólares no mercado brasileiro. “No meu tempo esse excesso
de divisas foi provocado pela entrada de capitais, tanto que ensejou
políticas de restrição aos investimentos de curto
prazo. Hoje a questão é diferente – e, na minha
opinião, mais fácil de resolver.” Bastaria, para
o economista, cancelar barreiras diretas e indiretas à importação.
Uma decisão, portanto, que estaria na alçada dos ministros
da Fazenda, do Desenvolvimento e até da Vigilância Sanitáia
(que determina algumas barreiras não-tarifárias), e não
na área do Banco Central.
Uma política de elevar as
importações poderia gerar queixas de alguns setores industriais,
que enfrentariam um aumento na competição interna. Mas
teria suas vantagens. No início do Plano Real, a entrada de produtos
importados baratos foi um dos fatores que permitiram a queda da inflação.
Desta vez não seria diferente. “A concorrência com
importados tem um aspecto interessante. Ela favorece o consumidor e
não destrói empregos, apenas faz com que eles mudem de
lugar”, diz. No passado, o o dólar barato dos anos 90 levou
as empresas têxteis a deixarem São Paulo e se estabelecerem
no Nordeste, onde o custo de produção era mais baixo.
“Para São Paulo não teve graça, mas para
o Nordeste foi muito bom, e aquela é uma região carente
em investimentos. É interessante, mas doloroso. Economia implica
em escolher entre alternativas desagradáveis, e um dos problemas
desse governo é que ele é incapaz de fazer escolhas.”
Franco Iacomini
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JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de agosto de 2006 | Economia
ENTREVISTA-Hiperinflação mascarava
discussão sobre temas sociais
Crime e corrupção
afetam mas não evitam investimentos
Economia e crime andam cada vez mais próximos – ao menos
no que se refere à pesquisa acadêmica. Ex-professor da
PUC do Rio, que mantém ainda “alguma atividade acadêmica”,
segundo seu currículo, hospedado no site da universidade, Gustavo
Franco, que participou do Fórum da Liberdade, ontem. Abaixo,
alguns trechos da conversa com a Gazeta do Povo.
Gazeta do Povo – A violência
e a corrupção que dominam o noticiário interferem
nas decisões de investimento?
Gustavo Franco – Esses são temas que foram
muito comuns na discussão política dos Estados Unidos
no início do século passado. Todo país precisa
enfrentá-los em algum momento. E são questões que
têm efeitos econômicos e afetam mais ou menos o crescimento,
mas não creio que sejam decisivas para definir um investimento.
Mesmo assim, estão cada vez mais presentes nas discussões
acadêmicas.
Na área de Economia?
Sim. E é ótimo que tenhamos vencido o grande problema
do passado, que era a hiperinflação, que mascarava todos
os outros. Há dez, quinze anos, praticamente todas as teses nas
faculdades de economia eram sobre inflação. Hoje há
um interesse muito grande na pesquisa de temas sociais: saúde,
educação, crime.
Se o próximo presidente
da República lhe convidasse para voltar à vida pública,
o senhor toparia?
Eu estudei inflação alta durante vinte anos. Nunca imaginei
que um cenário como os que eu avaliei poderia ocorrer no Brasil,
mas aconteceu. Eu tive o privilégio de estar na cabine de comando
da equipe que atacou o monstro. Foi um fato histórico. Depois
dessa eu acho que já posso me aposentar. Agora eu vou viver de
escrever livros (Franco acaba de lançar “Crônicas
da convergência”, coletânea de artigos publicados
entre 1999 e 2005).
Para quem é sócio
de um banco de investimentos, “viver de escrever livros”
não é uma escolha de palavras romântica demais?
É, realmente não dá para viver de escrever livros.
Mas eu passei muito tempo no serviço público, e foi uma
época de muito aperto, porque o funcionário público
ganha mal, mesmo nos cargos mais altos. Eu estou certo de que ganhar
dinheiro não é errado. Errado é ganhar dinheiro
no serviço público, com ambulâncias superfaturadas.
(FI)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de agosto de 2006 | Economia
MERCADO
Responsabilidade ambiental é
estratégica para empresas
Além da viabilidade econômica, o futuro de uma empresa
está diretamente ligado a sua responsabilidade socioambiental.
Em um conceito mais amplo, a sobrevivência de toda sociedade depende
desta preocupação. “Não adianta brincar de
ganhar dinheiro se uma empresa não for ambientalmente sustentável.
Ou ela corre o risco ter um passivo ambiental muito maior do que foi
capaz de ganhar em dinheiro e, assim, desaparecer”, alerta o ecologista
Francisco Milanez, que trabalha como consultor de empresas para a área
ambiental. “Temos recursos finitos e isto deve ser a base da organização
de uma sociedade inteligente”, defendeu ele, ontem durante o segundo
e último dia do Fórum da Liberdade Paraná, realizado
no Cietep.
A importância da responsabilidade
socioambiental foi um dos debates. Além de Milanez, participaram
do painel o diretor-presidente da Suzano Holding S.A., David Feffer,
e o presidente do Grupo Orsa, Sérgio Amoroso.
Para Milanez, o desenvolvimento sustentável
pressupõe sustentabilidade ambiental e, principalmente, respeito,
por parte das empresas, à cultura de cada região onde
estão instaladas. “Companhias ambientalmente responsáveis
se adaptam ao lugar para saber como podem colaborar com aquela comunidade.
Impor uma mudança da cultura local pode até aumentar o
ganho financeiro da população, mas tira delas os valores
que permitem que elas sejam felizes.”
Recursos
Esta é a preocupação
do Grupo Orsa, segundo o seu diretor-presidente. As ações
se produzem em todos os locais onde a companhia atua mas, principalmente,
nos arredores da Jari Celulose, instalada na Amazônia, entre o
Pará e o Amapá, e comprada pelo grupo em 2000. Nas terras
compradas pela Orsa, vivem cerca de 14 mil pessoas, distribuídas
em 98 comunidades. “Nosso maior desafio é encontrar soluções
sociais e econômicas para essas comunidades e até para
as cidades vizinhas”, diz Amoroso. “Além disso, existe
uma degradação grande do meio ambiente por conta do extrativismo
irresponsável dos últimos 35 anos naquele espaço.”
Segundo Amoroso, o grupo destina 1% de
todo seu faturamento bruto para a Fundação Orsa, que centraliza
as ações socioambientais. “Assim podemos ter um
planejamento de médio e longo prazo.” Entre os anos de
1994 e 2005, este porcentual significou transferir para a fundação
R$ 113,5 milhões. Caso alguém entenda o investimento como
um gasto exagerado, o empresário justifica com uma comparação:
o PIB brasileiro cresceu, no mesmo período, 36%, enquanto o faturamento
da empresa aumentou 278%.
A Suzano Holding, segundo o seu presidente
David Feffer, adota um modelo de gestão que leva em consideração
três pontos-chave: inovação, governança corporativa
e responsabilidade socioambiental. Foi a partir deste tripé que
nasceu o “reciclato”, produzido através de papel
reciclado. “Podemos fabricar papel da celulose virgem (das árvores),
ou a partir da reciclagem”, explica. Até 1975, a empresa
comprava este insumo para produção de papel reciclado
das chamadas aparistas. Com a criação do Instituto Eco
Futuro, naquele ano, a Suzano incentivou a criação de
cooperativas para fazer a captação e venda destas sobras
de papel.
“Ajudamos a criá-las e fornecemos
equipamentos para tirar pessoas das ruas e garantir a elas uma inclusão
social de verdade.” Hoje a Suzano paga às cooperativas
o mesmo valor pago para as empresas, o que garante renda aos cooperados.
“Além disso, 2% do faturamento com o reciclato retorna
em investimentos no próprio instituto.” Cerca de 3,7 mil
pessoas já foram beneficiadas com o projeto, segundo Feffer.
Documento
O Fórum da Liberdade do
Paraná foi realizado neste ano pela primeira vez em Curitiba,
mas já é promovido desde 1988 pelo Instituto de Estudos
Empresariais (IEE) em Porto Alegre (RS). A partir dos debates, será
criada uma “agenda estratégica para o Brasil”, formatada
pelo programa Ação Política Empresarial da Rede
de Participação Política do Empresariado, ligada
ao Sistema Federação das Indústrias do Estado do
Paraná (Fiep). O documento – com propostas de reformas
política, fiscal e administrativa, infra-estrutura e educação
– deve ser entregue nos próximos dias aos candidatos a
cargos eletivos.
Cinthia Scheffer
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
16 de agosto de 2006
Chumbo põe em risco vida de trabalhadores
Elizangela Wroniski
Os trabalhadores que atuam nas
empresas de fundição de chumbo do Estado estão
contaminados pelo metal e correm o risco de desenvolver uma série
de doenças como o câncer. A constatação é
do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador (Cest), da Secretaria
de Estado da Saúde (Sesa), que vem realizando inspeções
no setor e verificou que as empresas não vêm dando a atenção
merecida à saúde do trabalhador.
Das 38 empresas que existem no Paraná, sete já foram inspecionadas
e todas elas apresentaram problemas. O técnico do Cest, João
Luiz Athayde, diz que do ponto de vista ambiental até que elas
estão de acordo com as normas do Instituto Ambiental do Paraná
(IAP), mas a saúde do trabalhador não vem recebendo a
mesma atenção.
Ele diz que durante a queima do chumbo, parte do material vira vapor
e ao entrar em contado com o ar se transforma em uma poeira bem fina.
É preciso que os fornos tenham um sistema de exaustão
para direcionar as partículas até um filtro, para depois
serem depositadas em um reservatório. O problema é que
a manutenção destes equipamentos não é feita
corretamente e muitas partículas acabam indo parar no meio ambiente.
Além disso, quando o reservatório está cheio, os
trabalhadores utilizam uma pá para retirar o material e levá-lo
de novo ao forno. “O ideal é que o trabalho seja automatizado”,
declara Athayde. O técnico diz ainda que é preciso ter
cuidado com a roupa dos trabalhadores.
Clandestinidade
Existem ainda aquelas empresas que são clandestinas. O Cest acabou
fechando uma que funcionava no centro do município de Assaí,
no norte do estado. Ela deveria apenas revender baterias, mas nos fundos
do estabelecimento cinco funcionários faziam a fundição
do chumbo sem nenhum equipamento de proteção. Inclusive
a mulher do proprietário, mesmo grávida, atendia no balcão.
O chumbo pode provocar, entre outros problemas, má formação
de feto, abortos e infertilidade.
Em Ponta Grossa, foram feitos exames e em apenas alguns meses de atividade
cinco funcionários de uma empresa já estavam envenenados
pelo metal, o que é chamado de plumbismo ou saturnismo.
Segundo Athayde, a intenção não é fechar
estas fábricas. Elas são importantes porque atuam na reciclagem
de baterias e se isto não for feito o chumbo vai parar no meio
ambiente. O Cest vem trabalhando para que as empresas protejam os trabalhadores.
Três delas que não cumpriram o termo de ajuste de conduta
foram acionadas pelo Ministério Público, que passa a fiscalizar
a implementação das mudanças e as demais estão
se adequando. Outras três vão começar a ser inspecionadas.
Calcula-se que o setor possui aproximadamente 1.400 funcionários
no Estado.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
16 de agosto de 2006
Países limitados pela dívida
pública
Redação/O Estado do Paraná
Londres (AE) - Um estudo do Departamento
Fiscal do Fundo Monetário Internacional (FMI) constatou que a
eficácia da política monetária em países
emergentes pode ser limitada pelo elevado endividamento do setor público.
Os autores do levantamento - Taimur Baig, Manmohan Kumar, Garima Vasishtha
e Edda Zoli - também usaram dados do Brasil, Turquia e Polônia
para analisar como variáveis macroeconômicas determinadas
pelo mercado desses países reagem ao noticiário.
Segundo os economistas, “quando as vulnerabilidades são
elevadas, notícias relacionadas ao orçamento têm
o impacto mais significativo sobre os spreads e as taxas de juros, e
o impacto da política monetária é enfraquecido”.
Esse efeito foi constatado mais claramente na Turquia entre 2001 e 2002.
“Como o ambiente fiscal pode exercer um impacto significativo
sobre a eficácia da política monetária diretamente
ou através das expectativas, a elevada dívida do setor
público poderia reduzir a independência da política
monetária, como também do mecanismo de transmissão”,
afirmaram.
Segundo eles, a redução da dívida pública
além de diminuir as vulnerabilidades do país e oferecer
maior flexibilidade ao orçamento pode também fortalecer
a eficácia dos instrumentos da política monetária.
No caso do Brasil, o levantamento, que se baseou em dados coletados
entre 1992 e 2005, constatou que a divulgação de indicadores
fiscais parece não ter um impacto relevante sobre os spreads
soberanos do País. Mas notícias relacionadas a ações
na política fiscal têm um efeito relevante sobre os spreads.
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SÓ NOTÍCIAS
/ MATO GROSSO, 16 de agosto de 2006 | Economia
Mato Grosso: Aumento para funcionários
de madeireiras deve sair na 3ª
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores
na Indústria, Construção Civil e Mobiliário
do Norte (Siticom) e do Sindicato das Indústrias Madeireiras
do Norte (Sindusmad) participarão, na próxima terça-feira,
de uma audiência com intervenção de um mediador
do Ministério do Trabalho, em Cuiabá, para tentar definir
o reajuste salarial para os trabalhadores do setor.
As negociações começaram
há cerca de um mês e os dois sindicatos ainda não
entraram em acordo. Enquanto o Siticom cobra o aumento de 7%, o Sindusmad
oferece 5%.
O vice-presidente do Siticom, Eder Pessine,
espera que possam entrar em um acordo para definir o reajuste durante
a audiência, mas confessa que ainda não há nada
definido sobre as negociações. Uma das alternativas que
o sindicato está buscando é a conversação
direta com as madeireiras, já que, segundo Pessine, muitas concordam
em conceder o aumento de 7%.
O presidente do Sindusmad, Jaldes Langer,
também espera que a audiência com a mediação
do Ministério do Trabalho traga bons resultados. O aumento no
piso salarial da categoria, que varia conforme as funções
(operadores, motoristas, funcionários administrativos, entre
outros) também gera impasses.
Pela proposta do Siticom, o nível
1 passaria de R$ 342 para R$ 400. Auxiliares de nível 2 passariam
a receber R$ 465, o atual piso é de R$ 398. O cargo de operador,
nível 3, passaria de R$ 438 para R$ 511, e os motoristas e que
trabalham na área administrativa, que tem piso de R$ 453, passaria
R$ 530.
Já na proposta do Sindusmad, o
piso do nível 1 passaria para R$ 380, nível 2 para R$
425, R$ 465 para o nível 3 e R$ 480 ao nível 4.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 16 de agosto de 2006 | Economia
Faturamento de mercado de títulos
de capitalização cresce 2%
São Paulo é o Estado campeão
de faturamento no setor, com R$ 1,2 bilhão no primeiro semestre
e 37,2% de participação
Carolina Ruhman
SÃO PAULO - O mercado de títulos
de capitalização fechou o primeiro semestre com faturamento
acumulado de R$ 3,38 bilhões, um resultado 2% superior ao verificado
nos primeiros seis meses de 2005, segundo balanço divulgado nesta
terça-feira pela Federação Nacional das Empresas
de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg). As reservas
do setor cresceram 11% na mesma base de comparação, e
atingiram em junho o total de R$ 10,8 bilhões. No entanto, a
receita mensal do setor caiu 2,6% em junho, passando de R$ 619,5 milhões
em maio para R$ 603,1 milhões em junho.
Na avaliação da Fenaseg,
a estabilidade econômica brasileira "vem consolidando os
títulos de capitalização como uma opção
segura e programada aos interessados em guardar dinheiro e acumular
recursos financeiros em um determinado período". A entidade
ainda estima que a diversificação dos títulos oferecidos
pelas empresas impulsiona a demanda do produto, uma vez que atendem
a diferentes perfis de consumidor.
São Paulo é o Estado
campeão de faturamento no setor, com R$ 1,2 bilhão no
primeiro semestre e 37,2% de participação. Em segundo
lugar vem o Rio, com R$ 360,9 milhões de receita e 10,6% de presença.
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RÁDIO FANDANGO /
RIO GRANDE DO SUL, 16 de agosto de 2006
Compra da casa poderá ficar livre
de CPMF e IOF
Para estimular o crédito habitacional,
os bancos negociam com o governo a retirada da cobrança da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF)
e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) do financiamento
habitacional. Segundo o diretor de crédito imobiliário
da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Natalino
Gazonato, a idéia seria eliminar estes impostos para reduzir
o custo do financiamento. A proposta já foi entregue à
área econômica do governo.
Hoje, a CPMF (de 0,38% ao mês)
incide sobre o valor das prestações e o IOF (1,5%) é
cobrado sobre o seguro para imóveis residenciais e sobre o valor
financiado para imóveis comerciais. Sem os dois encargos, a economia
por ano é de cerca de 5% sobre o valor financiado, de acordo
com Gazonato.
– São medidas para melhorar
as condições do crédito habitacional – destaca
o diretor de crédito imobiliário da Febraban.
A principal medida que deverá
ser anunciada pelo governo nos próximos dias, dentro de um pacote
para o setor, é o crédito consignado para a habitação.
A idéia, segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria
da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, é
antiga e precisará de algumas adaptações antes
de ser colocada em prática.
– Por serem contratos longos, a
regra atual da consignação em folha terá de ser
adaptada – explica Simão.
Hoje, o crédito consignado só
permite o financiamento em até 36 meses – regra estabelecida
para o empréstimo com desconto em folha para os trabalhadores
e aposentados e pensionistas, por exemplo.
– O crédito consignado vai
ajudar o financiamento, principalmente para a classe média –
diz o presidente interino do Secovi-SP, Lair Krähenbühl.
Outra medida que está sendo analisada
pelos técnicos do Ministério da Fazenda é a eliminar
a Taxa Referencial (TR) da correção dos empréstimos.
Hoje, a TR está em 3% ao ano. Como contrapartida para o fim da
correção, o governo poderá autorizar que os empréstimos
imobiliários feitos com prestações fixas e sem
a TR sejam compensados do montante que as instituições
são obrigadas a depositar no Banco Central (BC), o chamado compulsório.
– Provavelmente, a taxa fixa aumente
um pouco – afirma o consultor financeiro Mauro Halfeld.
Para um valor financiado de R$ 100 mil,
pago em 15 anos, a economia no final do empréstimo imobiliário
pode chegar a R$ 41,9 mil, segundo cálculos do vice-presidente
da Associação Nacional dos Executivos de Finanças
(Anefac), Miguel de Oliveira.
Além do crédito consignado
e do fim da TR nos contratos, também está em discussão
a possibilidade de o sistema ser estendido à reforma da residência
e à aquisição de materiais de construção.
Para permitir o maior acesso da população
de baixa renda ao financiamento da casa própria, os prazos de
pagamento dos empréstimos deveriam ser alongados para 30 ou até
40 anos, segundo o presidente da Associação Brasileira
da Indústria de Materiais de Construção (Abramat),
Melvyn Fox.
– O crédito consignado não
vai chegar a esse público. Por isso, o governo precisa adotar
algum mecanismo que também estimule o acesso dessa população
ao crédito imobiliário – explica Fox.
Outra proposta também defendida
pelo presidente da Abramat é a redução dos custos
com a documentação nos cartórios.
– Quem compra um imóvel
popular paga proporcionalmente o mesmo que alguém que adquire
um imóvel de luxo. Uma distorção como essa não
pode continuar – afirma.
Para trabalhadores com renda abaixo
de cinco pisos (R$ 1.750), o governo pretende ampliar os recursos destinados
à habitação com a utilização de recursos
do FGTS. O crédito consignado só deverá beneficiar
quem tem acima desta renda mensal. A comprovação de renda,
que hoje pode ser familiar, ainda não foi definida para o empréstimo
com desconto em folha.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
16 de agosto de 2006
Caixa pede na Justiça reintegração
de posse de conjunto habitacional
Advogados da Superintendência da
Caixa Econômica Federal em Pernambuco vão ingressar nesta
quarta-feira (15/8) com uma ação na justiça para
assegurar a reintegração de posse de um conjunto habitacional
localizado na praia de Pau Amarelo, no município de Paulista,
região metropolitana do Recife.
O imóvel, do PAR (Programa de
Arrendamento Residencial), foi ocupado na noite do último sábado
por cerca de 300 famílias de ex-moradores de duas comunidades
de Paulista.
O coordenador da invasão, Cosmo
Alexandre, justificou que as famílias decidiram invadir o prédio
porque não tinham mais condições de pagar aluguel.
Com 160 apartamentos divididos em cinco
blocos, o conjunto estava sendo construído com recursos do FGTS.
O conjunto habitacional se destina a famílias com renda de até
seis salários mínimos. A Caixa criou uma comissão
de trabalho para tratar do assunto.
De acordo com o superintendente
de negócios da Caixa, Alex Norat, a obra estava paralisada por
problemas financeiros da construtora, mas seria retomada na próxima
semana, depois de uma negociação entre a instituição
financeira e a seguradora.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
16/08/2006
TST confirma pagamento de indenização
a trabalhador inventor
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho confirmou, por unanimidade, o direito de um ferroviário
a ser indenizado pela autoria de inventos utilizados nas atividades
da empresa. “Em caso de ‘invenção de empresa’
de autoria do empregado, no curso da relação de emprego,
embora seja comum a propriedade e exclusiva a exploração
do invento pelo empregador, a lei assegura ao empregado o direito a
uma justa remuneração resultante de sua contribuição
pessoal e engenhosidade”, afirmou o ministro João Oreste
Dalazen, relator da questão, examinada em recurso de revista
negado à Rede Ferroviária Federal e Ferrovia Centro Atlântica
(concessionária).
“Pouco importa que o invento haja
sido propiciado, mediante recursos, meios, dados e materiais, nas instalações
da empresa”, acrescentou o relator, ao manter decisão do
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais),
favorável ao trabalhador, que inventou ferramentas a partir de
material de sucata da própria empregadora.
Após treze anos de serviços
prestados à Rede Ferroviária (de 1983 a 1996), o trabalhador
(artífice de mecânico) foi dispensado sem justa causa pela
empresa sucessora, Centro Atlântica – que continuou a utilizar
os inventos. O ferroviário ingressou na Justiça do Trabalho
de Divinópolis (MG) reivindicando, dentre outras verbas, indenização
diante da ausência de qualquer contrapartida pelo uso das invenções,
copiadas e usadas pela empregadora sem o pagamento de royalties.
A 2ª Vara do Trabalho de Divinópolis
determinou a realização de perícia onde foi confirmada
a invenção de dispositivo para remoção e
montagem de peça (excitratiz) de locomotivas, ferramenta para
sacar e montar intercambiador de calor de locomotivas e peça
de sustentação de acoplamento de locomotivas. O laudo
técnico apontou que as inovações resultaram em
redução da mão-de-obra, do tempo gasto nas tarefas,
do custo operacional e ainda trouxeram maior segurança ao ambiente
de trabalho.
A constatação levou à
concessão da indenização judicial fixada em R$
7.831,20, valor alcançado a partir de meia remuneração
do ferroviário multiplicada pelo número de anos da relação
de trabalho (a partir das invenções) para cada um dos
três inventos. Também foi deferido o pagamento do adicional
de periculosidade e o fornecimento de guias internas correspondentes
ao tempo de serviço para fins de aposentadoria. A sentença
foi mantida, em seguida, pelo TRT mineiro.
Inconformadas, as empresas alegaram,
no TST, a incompetência da Justiça do Trabalho para o exame
do tema, a incidência de prescrição sobre a indenização,
a inexistência do direito do ferroviário, além de
questionar a autoria dos inventos, dentre outros tópicos. Todos
os argumentos foram refutados.
O relator do recurso explicou que a disputa
judicial nasceu da relação de trabalho. “Conquanto
não tenha por objeto prestação tipicamente trabalhista
inequivocamente o processo guarda relação de causalidade
com o contrato de emprego”, disse o ministro Dalazen, que também
negou a prescrição. Quanto à autoria, lembrou que
a própria Centro Atlântica afirmou, nos autos, que “alguns
equipamentos inventados pelo reclamante (trabalhador) continuam a ser
utilizados, outros não”.
Em seu minucioso voto, o ministro Dalazen
distinguiu as três formas de invenções que envolvem
o trabalho do empregado: invenção de serviço, invenção
livre e invenção de empresa. A primeira é a que
decorre da atividade do trabalhador contratado para a função
de inventor. A invenção livre provém da atividade
criativa do trabalhador sem qualquer vínculo com a existência
e execução do contrato de emprego.
Um meio termo entre as duas modalidades
é a invenção de empresa, que pode resultar de invento
criado pelo esforço intelectivo de determinado empregado em situação
não prevista no contrato de trabalho. “O caso concreto
qualifica-se como ‘invenção de empresa’, já
que os inventos criados no curso da relação contratual
não decorreram da natureza das atividades desenvolvidas pelo
artífice de mecânico”.
A ausência de patentes para as
invenções também não pode impedir o ressarcimento
do trabalhador. “O trabalhador não foi contratado para
o exercício de atividade inventiva, mas apenas e tão-somente
desenvolveu projeto para suprir as necessidades diárias que o
serviço reclamava, não tendo visado ao mercado nem à
obtenção de lucro”, observou o ministro Dalazen.
“Diante da prova testemunhal
e pericial colhida, no sentido da existência de lucro pelas empresas
com a utilização dos inventos (quer em mão de obra,
tempo despendido, melhorias técnicas ou vantagens econômicas,
bem como à medicina e segurança do trabalho), entendo
que a falta do requisito formal (expedição de carta patente),
não pode servir ao indeferimento da indenização”,
concluiu. (RR 749341/2001.5)
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