GAZETA DO POVO, 17 de agosto de 2006
GOVERNO | Para ministro, mudança
não pode tirar benefícios do trabalhador
Marinho defende reforma trabalhista
com garantias
Curitiba – O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou ontem
em Curitiba que o governo defende uma flexibilização dos
direitos trabalhistas, mas sem a perda dos benefícios. Marinho
disse que a lei tem de garantir o direito do trabalhador e liberar a
negociação da forma de usufruir o benefício no
acordo coletivo de trabalho.
O ministro alega ainda que o país
necessita com urgência, independentemente de qual seja o próximo
governo, fazer uma reforma trabalhista e sindical. “A legislação
trabalhista protege o indivíduo, mas não tem nenhuma proteção
coletiva. É preciso criar esta proteção coletiva
para encorajar as lideranças trabalhistas para uma reforma trabalhista.”
Segundo Marinho, a reforma sindical vai
aumentar a representatividade dos sindicatos brasileiros, melhorando
as relações entre trabalhadores e empresários e
diminuindo a interferência da Justiça trabalhista.
O ministro participou ontem de um café
da manhã com empresários e sindicalistas no Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). O encontro foi fechado à
imprensa. Depois, Marinho almoçou com empresários e à
tarde conheceu a instalação do Programa de Formação
de Deficientes no banco HSBC. No início da noite, o ministro
foi ao lançamento do Plano Setorial de Qualificação
(Planseq) de software.
Campanha
Apesar da agenda cheia, Luiz Marinho
negou que tenha vindo fazer campanha para o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. “A minha vinda a Curitiba é meramente para
atividade de governo. Não vim fazer atividade de campanha. Os
ministros estão participando de atividades de campanha após
o expediente, na hora do almoço ou nos sábados e domingos.
Aqui só terei tempo para atividades do governo”, alega
o ministro.
Questionado sobre a divulgação,
por parte do comitê de Lula, que a visita dele faria parte da
programação da campanha do presidente à reeleição,
Marinho afirmou que não tinha conhecimento, mas que a presença
de ministros apresentando programas e entregando obras acaba ajudando
o candidato à reeleição.
O ministro disse que os compromissos
de ontem estavam planejados há mais de um mês e que não
sabia da vinda de Lula para Foz do Iguaçu, no dia 24 de agosto.
O presidente participa da convenção anual da Federação
das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná
(Faciap) e de um encontro organizado pela Associação dos
Municípios do Paraná (AMP) com os prefeitos paranaenses.
Lula deve visitar o parque tecnológico
de Itaipu, local onde está sendo desenvolvido o carro movido
a energia elétrica e que pode ser escolhido como sede da Universidade
do Mercosul. “Minha vinda a Curitiba está totalmente desvinculada
da agenda de campanha do presidente”, afirmou Marinho. Ricardo
Marques de Medeiros
GAZETA DO POVO, 17 de agosto de 2006
GOVERNO - AS PROPOSTAS
• FGTS
Desoneração progressiva
da contribuição patronal, criando um sistema semelhante
ao que já existe para o Simples das microempresas.
• Flexibilização
Construir “um meio termo”
entre a informalização galopante e a contratação
na carteira, preservando esta última. Uma das idéias é
flexibilizar segundo o porte da empresa e reduzir o “custo indireto”
do emprego.
• Horas extras
29 milhões de pessoas ficam no
trabalho depois do expediente. Para reduzir esse fenômeno, que
suprime 4 milhões de vagas no mercado de trabalho, a reforma
vai incentivar o pagamento da hora extra em folga, não em dinheiro.
* As propostas foram elaboradas no Fórum Nacional
do Trabalho, instância de negociação envolvendo
empresários, trabalhadores e representantes do governo federal.
JORNAL GAZETA DO POVO, 12 de agosto de 2006
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