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FETRACONSPAR,
21 de agosto de 2006
Reunião do CPN dia 23/08
em São Paulo
Dia 23 de agosto de 2006, os componentes do
CPN estarão realizando reunião em São Paulo,
para discutir a pauta abaixo.
A CNTI e o DEPACOM estarão representados pelo companheiro
Jorge Moraes, diretor da FETRACONSPAR e Presidente do Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Maringá. |

Jorge Moraes
Presidente do STICM Maringá
e diretor da FETRACONSPAR |
Pauta
- Grau de Risco
Mário Bonciani - 09h00
- Inclusão no SIMPI/Informalidade
Ana Castelo - Setor de Economia Sinduscon-SP
- PAC (Programa de Ação em Construção)
Zuher Handar 14h00
- Apresentação do Texto aprovado e encaminhado pelo CPR-SP
(Cesto Aéreo)
Clique
e leia a íntegra do texto
- CIPA
- Encontro Nacional dos CPR´S
- PCMAT
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FETRACONSPAR, 21 de agosto de 2006
STICM de GUARAPUAVA, filiado a
FETRACONSPAR distribui cestas básicas a trabalhadores
da GVA e Madeirit
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Guarapuava, presidido pelo companheiro
César de Oliveira, fez a distribuição de
cestas básicas aos trabalhadores da empresa GVA Indústria
e Comércio S/A e Indústrias Madeirit S/A.
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A ação visa amenizar
a situação dos trabalhadores que estão sem receber
salários desde maio/2006 e já estão passando por
diversas dificuldades. A distribuição das cestas foi viabilizada
através de uma parceria entre a CNTI – Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria, FETRACONSPAR –
Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário do Estado do Paraná, Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
de Guarapuava, SINDUSMADEIRA - Sindicato das Indústrias de Madeira,
Serrarias, Beneficiamentos, Carpintarias e Marcenaria de Guarapuava
e da Prefeitura Municipal de Guarapuava, que fizeram a doação
das cestas básicas.
A distribuição continua,
e agora irá atender os trabalhadores do município de Inácio
Martins, onde as empresas também possuem unidades.

César
de Oliveira, Presidente do STICM de Guarapuava, fala aos trabalhadores

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DEPACOM, 21 de agosto de 2006
Sindicato
filiado a CUT denuncia a Força Sindical
A farsa da Força Sindical tenta
voltar nos braços do Sintepav
http://www.sintracom.org.br/capa7.html
Mais uma vez a farsa da Força
Sindical aparece e tenta voltar, com o outro lado da moeda. Ela, que
foi a grande propulsora das mazelas do movimento sindical e da retirada
de direitos trabalhistas. Que renegou nossas lutas e fez acordos com
o governo FHC para aprovar verdadeiros cânceres que só
prejudicam os trabalhadores, como o banco de horas, contrato temporário,
contrato por obra certa e outros. Agora, tenta voltar na Bahia, através
do Sintepav.
Esse sindicato nunca teve idoneidade,
nem representatividade, porque vive de sucessivos golpes entre a própria
diretoria. A cada seis meses, um ano, ou o tesoureiro toma o lugar do
presidente, ou o secretário passa a perna no tesoureiro!
Agora mesmo, foi o vice- presidente que
deu o golpe no presidente. Através de uma suposta assembléia,
que ninguém sabe se existiu ou não, destituiu o presidente,
que por sua vez tinha destituído o presidente anterior. É
uma verdadeira bagunça!
Oportunistas, que sempre estiveram à
frente de sindicatos “de fachada”, agora tentam atacar os
sindicatos de luta, querendo demonstrar que têm capacidade de
resolver problemas, que não tiveram interesse em resolver, quando
estiveram na direção de qualquer entidade sindical.
Oportunistas como são e não
tendo lugar no governo Lula para fazer suas manobras, se aproveitam
de uma situação momentânea, causada por uma certa
insatisfação na categoria, por não termos conseguido
o mesmo reajuste do salário mínimo.
Se fingem de “morto”, pra
não enxergar que, até o momento, o SINTRACOM-BA conquistou
os maiores índices de reajustes, de 9% a 14%, na capital e interior,
que até agora não foram alcançados por outra categoria
nas campanhas salariais de 2006!
Tentam desqualificar o trabalho dos sindicatos,
mesmo quando este é respaldado pela categoria. Insistem em tentar
desmoralizar nosso trabalho na construção civil, que há
16 anos tem o respaldo da categoria e que está sempre presente,
firme na luta classista e em defesa dos direitos dos trabalhadores da
construção e da madeira.
A luta do SINTRACOM-BA não pára!
Estamos buscando novas formas para avançar na luta e garantir
nossos direitos!
Não se enganem, companheiros! É a mesma turma que sempre
esteve ao lado de FHC, do PSDB, PFL e agora de Alkimin. São falsos
profetas que, de uma hora pra outra, chegam oferecendo milagres e pregando
o apocalipse.
Com certeza, quando passarem as eleições, vão voltar
para o lugar de sempre. Vão estar ao lado dos patrões,
prejudicando os trabalhadores, como sempre fizeram. Fora oportunistas!
Fora pelegada! O SINTRACOM é de luta!
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STIC CIVIL VOLTA REDONDA, 18 de agosto de
2006
Sem
Luta não há vitória
Organizando
a greve do
setor da Construção Civil
Novas assembléias com
a categoria: 22/08/2006 (terça-feira)
O Sindicato, acatando a deliberação dos trabalhadores
da construção civil nas assembléias da última
quarta-feira (16/08), convoca toda a categoria para as reuniões
que vão acontecer nesta segunda-feira (21/08), nas portarias
das indústrias, a partir das 17h30, visando a organização
da greve do setor.
A participação dos companheiros
nestas reuniões é de suma importância para que todos
tenham acesso as informações e as estratégias necessárias
caso o movimento grevista seja deflagrado nas novas assembléias
agendadas para o dia 22/08, às 18 horas, na passagem superior
da Usina Presidente Vargas, na Vila Santa Cecília, para os trabalhadores
de Volta Redonda; na Praça da Matriz, Centro, para os trabalhadores
de Barra Mansa, Rio Claro, Quatis e Porto Real; na sub-sede do Sindicato,
em Campos Elíseos, para os trabalhadores de Resende e Itatiaia.
Neste momento a categoria deve estar
atenta e apostar na organização para a conquista de um
acordo satisfatório que atenda as reivindicações
de todos. Sem participação não há organização.
Sem organização não há luta. Sem luta não
há vitória.
Reuniões
- de preparação do movimento grevista
Dia: 21/08/2006 (segunda-feira)
horário: a partir das 17h30
Locais: portarias das indústrias
Assembléias
- para definição da greve do setor
Dia: 22/08/2006 - (terça-feira) - horário: 18h
Locais:
• Passagem Superior da Usina Presidente
Vargas, na Vila Santa Cecília, para os trabalhadores de Volta
Redonda;
• Praça da Matriz, no Centro,
para os trabalhadores de Barra Mansa, Rio Claro, Quatis e Porto Real;
• Sub-Sede do Sindicato, em Campos
Elíseos, para os trabalhadores de Resende e Itatiaia.
Trabalhadores e Sindicato: juntos somos
sempre fortes!
A VOZ DA CIDADE / VOLTA REDONDA,
20 de agosto de 2006 | Economia
CONSTRUÇÃO CIVIL
Assembléia decisiva em Volta Redonda:
Trabalhadores decidem terça-feira
se entram em greve por tempo indeterminado
VOLTA REDONDA - A próxima semana será decisiva para os
trabalhadores da construção civil. O sindicato que representa
a categoria fará piquete segunda-feira, a partir das 6 horas,
em frente às principais empresas da região, para convocá-los
a fortalecer o movimento e participar das reuniões, que acontecerão
às 17h45min, nas proximidades da CSN, Saint Gobain, SBM e Volks.
Na ocasião, os funcionários
receberão o boletim do sindicato intitulado Organizando a Greve
e discutirão as estratégias de ação, caso
a paralisação seja aprovada pela categoria. Terça-feira,
os trabalhadores serão convocados para uma assembléia
geral às 17h45min, nas cidades da base sindical, onde vão
avaliar o andamento da mobilização e aprovar um indicativo
de greve a partir desse dia, se a representação das empresas
não se posicionar.
De acordo com o presidente do sindicato,
Dejair Martins, essas foram as deliberações da assembléia
realizada quarta-feira, diante da manutenção das propostas
anteriores pelo sindicato patronal. Ele afirma que “é hora
de conscientizar os trabalhadores de que é preciso união
para garantir seus direitos”. Na assembléia, a classe tomará
duas importantes decisões: ou aceitar a proposta patronal ou
deflagrar greve. Agora não é hora de ficar esperando.
O movimento está crescendo e precisamos de uma resposta”,
avisa o sindicalista, lembrando que é necessária a adesão
maciça da categoria, o que significa mais de 50% da classe trabalhadora.
De acordo com Dejair Martins, o impasse
nas negociações está em torno do reajuste salarial,
“cujo índice apresentado pelas empresas está aquém
das necessidades dos trabalhadores”. O sindicato entende que o
INPC do período de julho de 2005 a junho de 2006, calculado a
2,79%, que compreende a data-base da categoria, é muito baixo.
É grande a diferença entre
o nosso reajuste e a correção do salário mínimo,
que foi de 16%. Estamos em defasagem, por isso esperamos pelo menos
um aumento de 5%”, afirma Dejair Martins, lembrando que o valor
da cesta básica foi outro item da pauta que apresentou divergência
entre as partes. Defendemos o aumento do valor da cesta básica
de R$ 30 para R$ 40, pelo menos. Esses valores representam 9,5% do salário
do ajudante e 6% do salário do profissional, o que ajudará
bastante”, enfatiza.
Segundo o presidente do sindicato, a
representação patronal ficou de apresentar uma nova proposta
no mais tardar segunda-feira, quando será realizada uma possível
negociação na sede da entidade patronal. Nas negociações
anteriores, o sindicato patronal ofereceu 3,5% de reajuste salarial
e o fornecimento de cesta básica no valor de R$ 30 para os funcionários
que atuam dentro das indústrias e reajuste de 5,5%, sem cesta
básica, para os trabalhadores que prestam serviços para
obras particulares (fora das indústrias). As assembléias
gerais, terça-feira, serão realizadas na Passagem Superior
da Usina Presidente Vargas, na Vila Santa Cecília, para os trabalhadores
de Volta Redonda; na Praça da Matriz, no Centro, para os trabalhadores
de Barra Mansa, Rio Claro, Quatis e Porto Real; na Subsede do Sindicato
da Construção Civil, em Campos Elíseos, para os
trabalhadores de Resende e Itatiaia.
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DIÁRIO DO GRANDE
ABC, 19 de agosto de 2006
Câmara da construção
civil reivindica incentivo fiscal para materiais
A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria
da Construção) acompanha com atenção o desenrolar
das negociações na equipe econômica do governo,
que podem acarretar redução da carga tributária
para mais produtos usados em edificações, de modo a completar
uma lista de desonerações iniciada neste ano. Quem afirma
é o presidente da entidade, Paulo Safady Simão.
Em fevereiro, o governo eliminou o IPI
(Imposto sobre Produto Industrializado) de 13 itens utilizados na construção
civil e reduziu para 5% a carga tributária cobrada de outros
28 produtos, com renúncia fiscal estimada em R$ 1,35 bilhão/ano
pela Receita Federal. Há dois meses, o benefício foi estendido
a 11 produtos – oito com redução do IPI para 5%
e três com isenção total –, e a projeção
de renúncia fiscal aumentou para R$ 1,4 bilhão.
Agora, o setor reivindica a inclusão
de mais produtos para completar a lista de desonerações
na construção civil, como forma de incentivar a habitação
popular e estimular a oferta de crédito imobiliário mais
barato. “A redução ou simples isenção
de imposto é sempre bem-vinda”, comenta Simão.
Embora os técnicos dos ministérios
da Fazenda e do Desenvolvimento evitem antecipar comentários
sobre o estágio das negociações, o presidente da
CBIC prevê um desfecho favorável para a próxima
semana, com a inclusão de conexões de tubos plásticos,
argamassa não-refratária, ladrilhos e lajes não-esmaltadas,
válvulas hidráulicas, portas e janelas, dentre outros,
na lista de desonerações.
O setor também pede incentivos
fiscais para cimento, fechaduras, dobradiças, telas de aço
e material elétrico – enfim, tudo o que possa contribuir
para baratear os custos da construção. Mas, conforme enfatizou
o secretário-adjunto da Receita Federal, Ricardo Pinheiro, em
conversa com jornalistas na última quinta-feira, “a desoneração
em estudo, ainda de forma embrionária, não contempla produtos
usados pela indústria pesada, como cimento”.
Tanto a CBIC quanto a Abramat (Associação
Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)
prometem manter a discussão para beneficiar a totalidade dos
produtos usados pela construção, e sustentam que até
prova em contrário cimento também é usado em casas
populares, apesar de ser um dos insumos mais caros. “Por isso
mesmo, seu barateamento é necessário para o aumento de
investimentos e redução do déficit habitacional”,
diz Paulo Safady Simão.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20
de agosto de 2006 | Imóveis
MEIO AMBIENTE
Manual sobre resíduos da
construção
O Programa Nacional de Resíduos Sólidos, dos ministérios
das Cidades e do Meio Ambiente, lançou o “Manual de Recomendações
para o Licenciamento de Áreas de Manejo para Resíduos
da Construção e Demolição”. O guia
é resultado do Seminário de Licenciamento Ambiental de
Destinação Final de Resíduos Sólidos, realizado
em 2005, e busca promover e harmonizar procedimentos aplicados ao licenciamento
ambiental.
Os resíduos da construção
civil têm impactado seriamente a qualidade ambiental das cidades
e com a aprovação pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente
(Conama) da Resolução 307/2002 e de novas normas brasileiras
o Brasil está mudando o modo de lidar com esses sedimentos.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20
de agosto de 2006 | Economia
CONSTRUÇÃO CIVIL-Medidas simples
de reciclagem e reaproveitamento de materiais minimizam impacto ambiental
Empresas reduzem volume de resíduos
A redução e a reciclagem de sobras de construções,
também presente no conceito de edifícios verdes, está
sendo implantada em Curitiba por algumas empresas. O engenheiro Marcelo
Vilas Boas, da empresa VB2, patenteou em 1997 um processo que recicla
tijolos, areia e concreto não utilizado em argamassa. “Para
metal, papel e alumínio, já existe uma estrutura de reciclagem
que nos permite apenas fazer uma coleta seletiva e vender a sobra”,
explica. Quanto à madeira, Vilas Boas diz que antes de vender
para indústrias que utilizam lenha, as sobras podem ser reaproveitadas
em outras obras. “Antes de reciclar, deve existir também
o reaproveitamento e a redução de resíduos”,
justifica o engenheiro. Após a implantação destes
conceitos, a VB2 diminuiu de 150 m• para 5m• o volume de
resíduo retirado de uma obra ao longo de 30 dias.
Outra empresa que investe na redução
de resíduos na cidade é a Hestia Construções
e Empreendimentos. A construtora recicla atualmente 98% dos resíduos
que produz, acumula mais de 15 toneladas de materiais reaproveitados
e garante uma taxa de desperdício de apenas 0,8%. “Não
achamos destino apenas para a madeira suja, a cerâmica e o gesso”,
afirma Gustavo Selig, proprietário da empresa. Os entulhos são
separados, analisados e, se possível, reutilizados na obra. “Antes,
um pedaço de PVC com 50 centímetros era descartado. Hoje
ele é armazenado, porque quando precisarmos de um cano desse
tamanho ou menor, não precisaremos cortar uma barra de 6 metros”,
explica.
De acordo com a Secretaria Estadual
do Meio Ambiente, em Curitiba são produzidas, em média,
74 mil toneladas de entulho por mês provenientes de diferentes
obras. O cálculo dos técnicos é de que 90% do total
poderia ser reciclado, mas não existem dados sobre quanto disso
acaba sendo transformado em material reaproveitável. N.º
Paraná, a Lei Estadual nº 12.496 torna a empresa cuja atividade
seja geradora de resíduos responsável pelo acondicionamento,
armazenamento, coleta, transporte, tratamento, disposição
final e pelo passivo ambiental oriundo da desativação
de sua fonte geradora, bem como pela recuperação de áreas
degradadas.
Marco Sanchotene
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20
de agosto de 2006 | Economia
CONSTRUÇÃO CIVIL-Chega ao país
o conceito dos edifícios ecologicamente corretos
Prédios verdes de bem com
a natureza
Começa a chegar ao Brasil um conceito que pretende abalar a estrutura
da construção civil nacional: o de “edifícios
verdes”, construções ecologicamente corretas, planejadas
para reduzir o desperdício de energia, minimizar o impacto sócio-ambiental
da atividade e garantir unidades habitacionais sustentáveis.
Forte nos Estados Unidos e na Europa, a idéia da sustentabilidade
na construção civil ainda engatinha no país. No
Paraná existem experiências na redução e
reciclagem de resíduos de obras e uma lei sobre coleta e armazenagem
de água da chuva – pontos que fazem parte do conceito de
edifício verde. Os projetos costumam custar um pouco mais caro
do que o normal, mas se pagam ao longo do tempo pela economia em energia
que oferecem.
O tema está em ascensão
nas discussões do meio, e conseguiu reunir em Curitiba na semana
passada cerca de 150 profissionais para a palestra do engenheiro canadense
Claude Ouimet, vice-presidente da empresa norte-americana de carpetes
Interface Flor e especialista no assunto. Ouimet expôs idéias
bem-sucedidas de biomimetização, processo que se inspira
nas soluções criadas pela natureza, que podem também
ser implantadas na construção civil. A visita do engenheiro
Ouimet ao Brasil – ele falou sobre o mesmo tema no Rio, São
Paulo e Brasília – também deu impulso aos debates
em torno da criação do Conselho Brasileiro de Edifícios
Sustentáveis, que deve entrar em operação ainda
neste semestre.
Um exemplo citado por ele traduziu o espírito do novo conceito:
“No Zimbábue, um arquiteto estudou um cupinzeiro, cujos
habitantes não sobrevivem a grandes variações de
temperatura, comuns no local onde estão. Mas então como
eles vivem? O arquiteto descobriu que dentro do cupinzeiro a temperatura
era sempre a mesma, por causa de um sistema de ventilação
natural, e projetou um prédio usando a mesma idéia”.
Ouimet se referia ao edifício Eastgate, construído em
Harare, capital do Zimbábue, que usa apenas 10% da energia consumida
por um edifício de mesmo porte. O projeto é do arquiteto
Michael Pearce, especialista no desenvolvimento de edifícios
que utilizam sistemas de climatização com energia renovável
e que têm baixo custo de manutenção e operação.
Segundo o arquiteto e urbanista de Curitiba
Roberto Sabatella Adam, autor do livro “Princípios do Ecoedifício:
Interação entre Ecologia, Consciência e Edifício”,
o conceito de edifício verde compreende uma visão “espiritual”
da ocupação do espaço. “Os ambientes que
estamos criando devem gerar qualidade de vida, e por isso devem ter
espaço para horta, árvores frutíferas e ervas medicinais.
Além disso, existem propostas de aumentar a cooperação
entre os vizinhos, com áreas de uso coletivo.”
Preocupação
Para o arquiteto Flávio Appel
Schiavon, o Paraná não tem edifícios verdes nem
no papel, mas alguns recursos já são aplicados. “Tentamos
reduzir o uso de materiais muito agressivos à saúde, como
o amianto em paredes, e diminuir a quantidade de resíduos das
construções.” O próprio Schiavon implantou
em um projeto seu a idéia de aumentar a iluminação
natural. O prédio Evolution Corporate, no bairro Batel, em Curitiba,
tem um vão central sob uma cúpula, o que permite a entrada
da luz solar e favorece a passagem de correntes de ar interno, para
garantir conforto térmico.
A economia de energia é especialmente
útil em um país que vive sob o fantasma do apagão.
Conforme levantamento da Eletrobrás, os edifícios comerciais
e residenciais são responsáveis por 48% do consumo de
energia elétrica no Brasil. Esse número poderia baixar,
porque o potencial de conservação de energia em prédios
já construídos chega a 30%. Nos novos é de 50%.
Outro arquiteto de Curitiba interessado
no conceito de prédios verdes, Waldeny Fiúza, diz que
há uma tendência de minimizar o impacto ambiental das obras,
mas tudo esbarra no custo inicial. “Até a implantação
de painéis solares para aquecimento de água, que é
bem difundida, sofre resistência dos clientes. Nós sabemos
que o retorno do investimento vem em três anos, o que é
muito pouco para um edifício, mas os clientes não gostam”,
diz. Segundo levantamento do USGBC, os prédios verdes geralmente
custam de 2,5% a 7% a mais do que os convecionais. No caso da reserva
de água da chuva, no entanto, a idéia já é
mais difundida. “Na minha casa, finalizada recentemente, coloquei
um reservatório com capacidade para 5 mil litros”, conta
Fiúza.
Marco Sanchotene
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Nova Central, 21 de agosto de 2006
NOVA CENTRAL DE TOCANTINS
Congresso instala a Nova Central do Estado
de Tocantins
A Nova Central passa a contar com mais uma organização
estadual, Desta vez será a NCST do Estado de Tocantins, cuja
fundação ocorreu no último dia 19, com as presenças
do presidente nacional, José Calixto; do secretário-geral,
Moacyr Roberto Tesch; do vice-presidente, Omar José e de outros
diretores.
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Nova Central, 20 de agosto de 2006
JT não é competente para
cobrar INSS em acordo feito na CCP
A Justiça do Trabalho não é competente para cobrar
e executar as contribuições previdenciárias decorrentes
de acordo celebrado perante Comissão de Conciliação
Prévia. Essa foi a decisão, unânime, proferida
pela Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho que, acompanhando
o voto do ministro relator Alberto Bresciani, negou provimento ao
recurso de Agravo de Instrumento interposto pelo Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS). Uma ex-empregada da Legião da Boa
Vontade (LBV) propôs reclamação trabalhista requerendo
o recebimento de verbas que lhe foram suprimidas durante o pacto laboral.
Perante a Comissão de Conciliação Prévia,
as partes fizeram acordo, no valor de RS 5.424,00 para pagamento em
dez parcelas. A LBV pagou oito das dez parcelas.
Descumprido parte do acordo, a empregada
iniciou processo de execução da quantia restante, perante
o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3ª Região (Minas
Gerais), firmando novo acordo, desta vez no valor de R$ 1.000,00. Oficiado
o INSS, este apresentou os cálculos das contribuições
devidas, no montante de R$ 337,50.
O juiz da primeira instância homologou
os cálculos apenas em relação ao acordo firmado
pelas partes litigantes, excluindo os valores a título de contribuição
ao INSS. O juiz entendeu pela incompetência da Justiça
do Trabalho para execução da verba previdenciária,
em obediência aos termos do artigo 114 da Constituição
Federal. O INSS levou a questão ao TST por meio de recurso de
Agravo de Instrumento. Argumentou que a interpretação
conferida pelo TRT mineiro não se coaduna com a finalidade da
Emenda Constitucional nº 20, que seria a de garantir o custeio
da seguridade social.
Os integrantes da Terceira Turma do TST
entenderam que apenas as contribuições previdenciárias
decorrentes de sentenças condenatórias e de acordos homologados
pela Justiça do Trabalho podem ser alcançadas pelo artigo
114, parágrafo 3º, da Constituição Federal.
“Assim não ocorre com as contribuições previdenciárias
decorrentes de parcelas inscritas em acordo firmado perante Comissão
de Conciliação Prévia, buscadas pelo INSS –
como ocorre no caso -, porque despido o ajuste da homologação
judicial”, justificou o voto do relator.
O ministro Alberto Bresciani explicou
que a situação seria diferente se houvesse acordo homologado
na Justiça do Trabalho, em execução do título
extrajudicial, ou mesmo em decorrência de homologação
de cálculos efetivados em processos dessa natureza.
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Agência Diap, 21 de
agosto de 2006
Produção legislativa no
Brasil
Autor (a): Por Antônio Augusto de Queiroz
A produção legislativa
no Brasil nos últimos 40 anos sempre teve a prevalência
do Poder Executivo, no período autoritário (1964-1985)
por força do Decreto-Lei e no último período democrático,
especialmente após a Constituição de 1988, em razão
das medidas provisórias.
Essa prevalência do Executivo sobre
o Legislativo, tanto na quantidade quanto no conteúdo das políticas
públicas, foi muito reduzida em 2005, entre outras, pelas seguintes
razões: i) mudança no critério de edição
de MP’s, ii) pela maior participação dos parlamentares
na modificação de MP’s e de projetos de iniciativa
privativa do Presidente da República, iii) pelo poder conclusivo
das comissões para aprovação de projetos de lei,
e iv) pela crise política e a conseqüente perda de apoio
do Governo no Congresso.
As mudanças introduzidas pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001, na edição de
medidas provisórias estão entre as razões da redução
do número de leis originárias do Poder Executivo. A limitação
temática, a proibição de reedição,
a perda de eficácia após 120 dias de vigência sem
aprovação e, principalmente, o bloqueio da pauta após
45 dias de sua edição foram decisivos para limitação
do número de leis de iniciativa do Presidente da República.
A participação dos parlamentares
na produção legislativa tem crescido nos últimos
anos, notadamente na modificação das matérias propostas
pelo Presidente da República. Das 36 medidas provisórias
editadas em 2005, somente 13 não foram transformadas em projeto
de lei de conversão e, ainda assim, porque a maioria delas tratavam
da abertura de crédito extraordinário, matéria
na qual os parlamentares possuem pouca margem de manobra. Quanto aos
projetos de lei, exceto aqueles cuja modificação significasse
aumento de despesa, todos foram aperfeiçoados.
O poder conclusivo das comissões
na apreciação de projetos de lei, especialmente no período
em que as pautas da Câmara e do Senado estiveram bloqueadas por
medidas provisórias, foi utilizado largamente pelos parlamentares,
que descobriram ser possível aprovar muitas leis de iniciativa
própria e também de outros poderes, se valendo dessa prerrogativa
constitucional. Para ilustrar, dos 76 projetos de lei aprovados pela
Câmara e Senado em 2005, 46 foram apreciados conclusivamente pelas
comissões, superando em 16 o número submetido aos plenários
das Casas do Congresso.
A crise política, que reduziu
muito a legitimidade do Poder Executivo e dos principais líderes
dos partidos de sustentação do Governo, praticamente paralisou
as atividades de plenário. Como não havia maioria para
aprovar as medidas provisórias que bloqueavam a pauta das Casas
do Congresso, Governo e oposição se revezavam na obstrução.
Com isto ganhavam impulso os projetos que tramitavam conclusivamente
pelas comissões, sem a necessidade de apreciação
pelos plenários das Casas.
Segundo o “Anuário Estatístico
do Processo Legislativo”, publicado pela Câmara dos Deputados,
das 112 leis aprovadas em 2005, 64 são oriundas da Presidência
da República (projetos e MP’s), 45 de iniciativa de parlamentares,
sendo 33 de deputados e 12 de senadores, e três de outros poderes,
sendo duas dos Tribunais Superiores e uma da Procuradoria Geral da República.
Isto significa que, sem contar as modificações feitas
na maioria das proposições oriundas do Poder Executivo,
40,17% das leis foram de iniciativa de parlamentar. Se considerarmos
que, entre as 64 leis de iniciativa do Poder Executivo, 46 são
originárias de medidas provisórias, cuja edição
é privativa do presidente da República, e pelo menos mais
10 leis trataram de créditos extraordinários, matéria
também de iniciativa privativa do Executivo, a produção
própria do Congresso foi muito grande.
Já de acordo com levantamento
do Senado, publicado no Relatório da Presidência de 2005,
a situação é mais favorável ainda aos parlamentares.
Pela primeira vez nos últimos 16 anos, excluídas as proposições
sobre orçamento (créditos adicionais e abertura de créditos
extraordinários), segundo a compilação de dados
feita pelo Senado, o Congresso superou o Poder Executivo na produção
legislativa. Das 112 leis, 66 são de iniciativa de parlamentares,
sendo 54 de deputados e 12 de senadores, e 39 do Presidente da República,
sendo 10 oriundas de projeto de lei e 29 de medidas provisórias.
Independentemente dos fatores conjunturais
e da divergência de dados extraídos das publicações
das duas Casas do Congresso, o fato é que o Poder Legislativo
tem agido de modo mais afirmativo na produção legislativa,
seja modificando matérias de iniciativa privava do Presidente
da República, como nos casos de medidas provisórias e
projetos de exclusiva competência do Executivo, seja aprovando
projeto de iniciativa de parlamentares. Como as contribuições
do Legislativo às proposições do Executivo aperfeiçoaram
o conteúdo das políticas públicas, a tendência
é que essa maior participação do Legislativo se
afirme cada vez mais. Antônio Augusto de
Queiroz é jornalista, analista político e Diretor de Documentação
do DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.
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Diário Vermelho,
20 de agosto de 2006
Consumo de energia no primeiro semestre
de 2006 cresceu 3,1%
O consumo de eletricidade subiu 3,1% no país de janeiro a junho
deste ano, na comparação com o mesmo período do
ano anterior. A expansão significa que o Brasil utilizou 171.982
mil gigawatts-hora no primeiro semestre do ano. Os dados estão
no levantamento divulgado esta semana pelo presidente da Empresa de
Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.
Os setores que lideram o crescimento
são o comercial (aumento de 4,3%), seguido do residencial, com
alta de 3,5%. Nos três primeiros meses do ano, o consumo de energia
em todos os setores cresceu 4,5%. No último trimestre, entretanto,
houve uma desaceleração e o consumo de energia cresceu
apenas 1,7%.
Segundo Tolmasquim, a queda foi causada
pelas baixas temperaturas, os feriados e os jogos da Copa do Mundo.
As baixas temperaturas reduziram o uso de ar condicionado. Já
os feriados e a Copa do Mundo afetaram a atividade industrial e o consumo
de energia no comércio. Nesse período, as classes comercial
e industrial apresentaram crescimento pouco significativo, com 1,6%
e 1,1% respectivamente. Segundo o presidente da EPE, o recuo na produção
industrial e a estiagem que atingiu o sul do Brasil também afetaram
o consumo de energia elétrica.
Tolmasquim afirmou que está otimista
sobre a reação dos setores produtivos e o conseqüente
aumento do consumo neste segundo semestre. “Nós deveremos
ter um reaquecimento porque a previsão é de uma atividade
industrial mais intensa. Estamos projetando, ainda, um crescimento da
economia entre 4% e 4,5%, e um crescimento no consumo de energia em
torno de 4,4% a 5% no ano”, afirmou.
No primeiro semestre, foram incorporados
aos sistemas de distribuição das concessionárias
998 mil novos consumidores, com uma média de 165 mil ligações
por mês. O Programa Luz para Todos do Governo Federal foi responsável
por 283 mil ligações.
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Agência Radiobrás,
19 de agosto de 2006
Indústria paga menos por energia
que o consumidor residencial
Irene Lôbo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O setor industrial
brasileiro paga menos pela energia elétrica que o setor residencial.
Segundo o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Luiz Pinguelli Rosa. Pinguelli, ex-presidente da Eletrobrás,
as empresas pagam aproximadamente R$ 50 o megawatt-hora. Os consumidores
residenciais chegam a desembolsar até R$ 400 pela mesma quantia
de energia elétrica.
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética
(EPE), Maurício Tolmasquim, explica que, historicamente, sempre
existiu um subsídio cruzado no Brasil. “As tarifas do setor
residencial são mais altas de maneira a subsidiar o setor industrial.
Desde 2003, esse subsídio está sendo paulatinamente eliminado
ao ritmo de 25% ao ano. Então, está havendo aumentos menores
no setor residencial e aumentos maiores no setor industrial”.
Outra explicação, dada
por Pinguelli para justificar a diferença entre as tarifas, é
o fato de as indústrias também terem um custo de produção
menor, já que adquirem energia a uma voltagem muito elevada e
exigem menos transformadores, rebaixamento, menos rede de distribuição.
“Apesar da lógica, acho que é excessiva essa diferença
de preço”, afirma Pinguelli. Ele sugere que o assunto seja
discutido, aproveitando-se momento eleitoral do país. Na avaliação
dele, o governo deveria fazer o mesmo que fez com o petróleo,
ou seja, aproveitar as empresas federais para atrair investimentos para
o setor elétrico.
Veja as etapas de produção da energia elétrica
Para explicar como é cobrada a
energia elétrica, a Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) publicou um exemplo em sua página na internet. No exemplo,
um cidadão que consumiu 183 quilowatts em um mês (pagando
cerca de R$ 0,54 por quilowatt) pagou R$ 100 de conta de luz. Essa conta
é dividida da seguinte maneira:
Etapa 1: Para
produzir a energia elétrica, no caso da hidrelétrica,
por exemplo, o consumidor paga 37,95% do valor total da conta de luz.
Etapa 2:
Na etapa da transmissão, que é o deslocamento da energia
pelas linhas de transmissão da hidrelétrica para as concessionárias,
o consumidor paga 4,56%.
Etapa 3:
Quando a energia chega nas concessionárias, vem a etapa da distribuição.
Por esse serviço, o consumidor paga 30,18% mais os encargos setoriais
no valor de 7,83% da tarifa final.
Etapa 4:
Cada região cobra, ainda, os seus tributos. No exemplo da Aneel,
o custo dos tributos é de 19,48% no valor final da conta.
Etapa 5:
No preço da luz está embutido ainda a contribuição
de Iluminação Pública. No exemplo do governo, o
valor fixado foi de R$ 3,83.
Valor total da conta de luz: R$ 100,00
mais R$ 3,83 = R$ 103,83.
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STJ, 21 de agosto de 2006
Corte de linha telefônica usada
para conexão à internet não gera dano moral
O corte de linha telefônica residencial utilizada para conexão
à internet não causa, por si só, dano moral. Com
essa conclusão, o ministro Humberto Gomes de Barros, do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), acolheu o recurso da Telemar Norte
Leste S/A contra o pedido de indenização movido por Etelson
Lima, assinante de linha telefônica da empresa. "Não
vejo como atribuir dano moral por esse evento. Não houve efetivo
prejuízo à imagem, à credibilidade ou à
honra objetiva" do proprietário da linha.
Humberto Gomes de Barros lembrou casos
semelhantes decididos pelo STJ no mesmo sentido de que "o tão-só
fato da interrupção dos serviços telefônicos
não é o bastante para automaticamente inferir-se a ocorrência
do alegado dano moral". Um dos precedentes citados ressalta que,
"apesar da obrigação da recorrente de prestar o serviço
com continuidade, sem paralisações injustificadas, o desgosto
pelo não-funcionamento do telefone não induz, automaticamente,
a configuração de ofensa moral".
O processo teve início quando
Etelson Lima, proprietário de uma linha telefônica da Telemar,
teve o acesso ao serviço cortado no ano de 2001. A linha telefônica
era utilizada para acesso à internet para pesquisas do trabalho
e da pós-graduação que o proprietário cursa.
Ele contatou a empresa e recebeu como justificativa pelo corte a existência
de débito de R$ 330,10, datado de 1996.
Etelson Lima questionou a empresa destacando
que não poderia arcar com os débitos, pois o contrato
do serviço somente teria sido assinado em 1999 – três
anos após o registro da dívida –, mas não
obteve êxito. Por esse motivo, decidiu acionar a Telemar na Justiça
argumentando ter sofrido danos morais e materiais.
A falta de acesso à internet,
segundo o autor da ação, causou-lhe prejuízos na
sua profissão e no curso de pós-graduação,
pois ele ficou "impedido de fornecer seu e-mail para contato com
professores, acarretando-lhe constrangimento entre seus colegas e mestres".
Além disso, segundo o proprietário, com o cancelamento
da linha, ele "passou a ser considerado pela empresa Telemar como
um usuário irresponsável, inadimplente, o que não
é verdade e mancha seu caráter e ofende sua dignidade
e sua honra".
A Telemar contestou a ação
afirmando que o dever de arcar com os débitos pretéritos
(de 1996 – data anterior à assinatura do contrato) está
previsto no contrato assinado e é de responsabilidade do assinante.
Segundo a empresa, a linha telefônica pertencia a José
Oliveira e tinha o registro de débitos que foram informados a
Etelson Lima quando da transferência para o seu nome.
A empresa ressaltou ter informado ao
proprietário o débito e enfatizou que a suspensão
do serviço e a rescisão do contrato por inadimplência
estão resguardadas pela Resolução 85/98 da Anatel.
Etelson Lima contestou a defesa da Telemar; afirmou ter quitado os débitos
na data da assinatura do contrato.
O Juízo de primeiro grau acolheu
o pedido de Etelson Lima e determinou à Telemar o pagamento de
uma indenização no valor de R$ 13 mil. De acordo com a
sentença, o dano está evidenciado, pois o proprietário
ficou impossibilitado de utilizar o serviço contratado com a
Telemar. A empresa de telefonia apelou, mas o Tribunal de Justiça
do Maranhão (TJ-MA) manteve a indenização, apenas
reduzindo o valor a ser pago para R$ 5 mil.
Segundo o TJ-MA, "o apelado (Etelson
Lima), enquanto consumidor cumpridor de suas obrigações,
tem o direito de usufruir de comunicação telefônica
regular, serviço este com que se comprometeu a apelante (Telemar)".
Por esse motivo, de acordo com o Tribunal, ficou "evidenciado que
o recorrido foi vítima de aborrecimentos, transtornos e chateações,
tendo em vista que ficou impossibilitado de utilizar o serviço
que contratou, por culpa exclusiva da apelante, deixando de cumprir
satisfatoriamente seus trabalhos profissionais, principalmente por ser
promotor de justiça e estudante de curso de pós-graduação,
necessitando do computador diariamente para se atualizar, pesquisar
e emitir seus pareceres de maneira eficiente".
A Telemar encaminhou recurso especial,
que não foi admitido pelo TJ-MA e, por isso, não subiu
para análise do STJ. Tentando levar a questão ao Superior
Tribunal, a empresa de telefonia entrou com um agravo (tipo de recurso)
para ter a autorização de subida do recurso especial.
O pedido foi negado pelo ministro Humberto Gomes de Barros devido à
falta de uma cópia de certidão indispensável ao
processo.
A empresa reiterou o pedido, novamente
no STJ, com outro agravo. No processo, a defesa afirmou que a cópia
estaria nos autos. O ministro verificou a razão da Telemar e
acolheu o pedido determinando a subida do recurso especial. O ministro
Gomes de Barros, então, passou a analisar as alegações
do recurso especial contra o pagamento da indenização
ou, pelo menos, a redução do valor.
No recurso, a Telemar reiterou a alegação
de não ter o dever de indenizar Etelson Lima por não haver
prova do dano moral e também por não ter praticado ato
ilícito. A empresa destacou diversos julgados do Superior Tribunal
afirmando que o bloqueio da linha não causa dano moral indenizável,
mas mero aborrecimento.
O ministro Gomes de Barros analisou a
questão sobre a existência do dano moral por causa do corte
da linha e entendeu "improcedente o pedido de indenização
por dano moral". O relator acolheu o pedido da Telemar e, por ter
modificado a decisão do TJ-MA, inverteu a obrigação
de pagamento das custas processuais e de honorários advocatícios.
Os valores terão de ser pagos pelo proprietário da linha
telefônica, que solicitava a indenização negada.
O ministro Gomes de Barros fixou o montante a ser pago em mil reais,
com base no artigo 20, parágrafo 4º, do Código de
Processo Civil.
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STF, 21 de agosto de 2006
Denunciado por crime de calúnia
no ambiente de trabalho pede habeas corpus no STF
R.A.C.B. impetrou no Supremo Tribunal Federal (STF) Habeas Corpus (HC
89495), com pedido de liminar, contra decisão do Tribunal de
Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A Primeira Turma
Recursal Criminal daquele Tribunal negou provimento ao seu pedido para
suspender ação de calúnia naquele Tribunal.
A causa teve início porque R.A.
acusou, perante colegas de trabalho, o funcionário L.S.P. de
ter furtado uma máquina fotográfica do gerente da empresa
onde trabalham. Esse fato gerou uma ocorrência policial que resultou
em processo aberto junto ao Juizado Especial Criminal de Campos dos
Goytacazes (RJ).
Para a defesa de R.A., a ação
se baseou, apenas, “nos registros de ocorrência (prova unilateral)
em que registra a pretensa calúnia e na queixa do sumiço
de pertences dentro da empresa”. Para suspender o processo, a
defesa impetrou um HC no TJ-RJ onde, embora a relatora tenha dado um
parecer favorável ao trancamento da ação por falta
de justa causa, ela prosseguiu, o que levou a defesa a impetrar o HC
no Supremo. O advogado de R.A. pede a concessão da liminar para
suspender o processo que tramita no juizado de Campos e, no mérito,
a ordem para trancar a ação penal ajuizada por falta de
justa causa. O ministro Gilmar Mendes é relator do HC.
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Folha
de São Paulo, 19 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Ibope mostra quadro estável, com
vitória de Lula no 1º turno
Vantagem do petista sobre seu principal adversário
é de 26 pontos percentuais; 41% consideram governo ótimo
ou bom | Segundo o instituto, presidente tem 47% das intenções
de voto, contra 21% de Alckmin e 12% de Heloísa Helena
DA REPORTAGEM LOCAL
DA REDAÇÃO
Pesquisa Ibope/Rede Globo divulgada ontem
no "Jornal Nacional" mostra que se manteve praticamente estável
a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre
seus oponentes na corrida ao Planalto, mesmo após o início
do horário eleitoral gratuito. Segundo o levantamento, Lula obteve
47% das intenções de voto, um ponto acima da marca alcançada
por ele na pesquisa anterior da série, divulgada dia 11 deste
mês. O petista oscilou positivamente dentro da margem de erro,
de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O presidenciável tucano Geraldo
Alckmin está com 21%, e a candidata do PSOL, Heloísa Helena,
com 12%, os mesmos índices apresentados por eles na pesquisa
anterior. Dessa forma, Lula seria eleito ainda no primeiro turno, com
57% dos votos válidos. A pesquisa Ibope foi realizada entre terça-feira,
dia em que teve início a propaganda para presidente, e ontem,
segunda rodada de programas. Foram ouvidas 2002 pessoas em 140 municípios.
O levantamento está registrado no TSE sob o número 13.290.
De acordo com Márcia Cavallari,
diretora-executiva do Ibope, ainda é cedo para afirmar se houve
influência da TV no resultado. Mas já é possível
avaliar o impacto das entrevistas feitas na semana passada com os candidatos
no "JN" e do debate realizada na segunda-feira pela TV Bandeirantes,
ao qual Lula não compareceu. Em um eventual segundo turno, Lula
bateria Alckmin por 53% a 32%. Cristovam Buarque (PTB), Luciano Bivar
(PSL) e José Maria Eymael (PSDC) obtiveram 1% cada um. A soma
de votos brancos, nulos e de eleitores indecisos alcançou 17%.
Frustração
Reservadamente, integrantes do comando
da campanha de Alckmin ficaram frustrados com o resultado, ainda que,
em público, todos façam a ressalva de que ainda é
muito cedo para avaliar o impacto da TV. Havia uma expectativa entre
os tucanos de que o desempenho de Lula no "JN", considerado
por eles "ruim", ajudasse Alckmin a diminuir a vantagem. Lapsos
do petista, como a afirmação de que "combateu a ética",
foram repetidos nas entrevistas do candidato do PSDB e no site de sua
campanha.
Para os petistas, o quadro estável
de Lula deve-se em parte à boa avaliação de seu
governo. Segundo a pesquisa do Ibope, 41% dos entrevistados acham a
administração atual ótima ou boa, mesmo índice
do levantamento anterior. Já o índice dos que a consideram
regular subiu de 35% para 37%. (JOSÉ ALBERTO BOMBIG E RODRIGO
RÖTZSCH)
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Folha de São Paulo, 20 de agosto
de 2006 ELEIÇÕES
2006 / PRESIDÊNCIA Lula
já pensa como eleito e quer menos PT no 2º governo
Se reeleito, presidente pretende montar
ministério com mais peemedebistas; Mantega deve ser mantido
na Fazenda Dilma, Fernando Haddad
e Paulo Bernardo estão entre os atuais ministros que devem
permanecer no governo em caso de vitória
Caio Guatelli/Folha Imagem
Lula segura a menina Giovana Carvalho Picin, de sete meses, durante
evento com cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras, em
Resende (RJ)
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em conversas reservadas, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva já fala como reeleito
no primeiro turno e faz planos para um segundo mandato. Diz que
não pagará "pedágio" para formar
o novo ministério, o que pretende "fazer sozinho",
e que diminuirá o poder do PT, que tem hoje 18 dos 34 ministros.
"Pagar pedágio" é expressão que
Lula usa quando toma decisões com relutância para
atender pressões políticas. Em 2002, nomeou candidatos
do PT derrotados nas eleições.
Lula deve aumentar a participação
do PMDB na equipe. Com a possível redução
das bancadas do PT e dos aliados PL, PP e PTB -todos atingidos
pela crise do mensalão-, é com os peemedebistas
que ele conta para montar uma base de sustentação
no Congresso. A Folha apurou que Lula não pretende mudar
a equipe econômica. Planeja dar mais força à
pasta da Educação e reformular a da Saúde,
por avaliar que teve política errática nessa área.
Dilma Rousseff (Casa Civil) desponta
como o nome mais forte de uma segunda etapa no Palácio
do Planalto, segundo demonstrações de prestígio
dadas por Lula nas reuniões. Visto como revelação,
Fernando Haddad (Educação) tem conquistado espaço.
Guido Mantega (Fazenda) é uma grata surpresa, nas palavras
de Lula, que não pretende tirá-lo da pasta.
Paulo Bernardo (Planejamento) também deve ficar. Mantega
obedece à risca ao presidente e estabeleceu aliança
com Dilma. Lula aprova o rigor de Dilma no trato com os ministros.
Ele justifica o "estilo Dilma" dizendo que é
eficiente e faz com que suas ordens sejam cumpridas.
Na área econômica,
deverá mudar um pouco o discurso, mas não a prática.
Lula avalia que o maior sacrifício foi feito no primeiro
mandato e que haverá espaço para o PIB (Produto
Interno Bruto) crescer a taxas de 4% sem novo aperto monetário
ou redução da meta de superávit primário
-esta será mantida em 4,25% do PIB. O presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles, deve ser convidado a continuar, bem
como o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento).
Se o ministro da Justiça,
Márcio Thomaz Bastos, não recuar do desejo de deixar
a pasta, há dois candidatos na agenda de Lula, nessa ordem:
o peemedebista Nelson Jobim, ex-presidente do STF (Supremo Tribunal
Federal), e o petista Tarso Genro, hoje ministro das Relações
Institucionais. O general Jorge Armando Félix deverá
sair do Gabinete de Segurança Institucional. Lula julga
fraco seu desempenho.
Ciro
A ex-prefeita de São
Paulo Marta Suplicy é um dos poucos nomes do PT que poderão
estrear no primeiro escalão. Lula pretende trabalhar para
que o ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE), candidato a deputado federal,
presida a Câmara em 2007. O atual presidente, Aldo Rebelo
(PC do B-SP), voltaria à liderança do governo na
Casa. Ciro, aliás, é uma aposta de Lula para 2010.
Na lista de eventuais candidatos petistas constam Marta, Tarso,
Dilma e Aloizio Mercadante -este último é opção
para a Saúde, não mais para a Fazenda.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 21 de agosto
de 2006
“Política não é
só arte de engolir sapos. É também a arte de pedir
votos aos pobres, pedir recursos financeiros aos ricos e mentir para
ambos, depois”.
Antônio Ermírio de Moraes, empresário,
há décadas espectador da cena brasileira
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de agosto de 2006
Internet ajuda eleitor a fiscalizar e
escolher em quem votar
Exercício da cidadania ganha sites
especializados que acompanham candidatos e instituições
por BIA MORAES especial para a Gazeta
do Povo Online
Dezesseis anos depois da primeira eleição
direta para presidente, após a redemocratização
do país, os brasileiros são mais uma vez chamados para
ir às urnas. Desta vez, com uma diferença. O movimento
pelo “voto consciente” sai do plano do discurso e ganha
contornos práticos. As informações e a fiscalização
estão ao alcance de todos que tenham aceso à internet.
Para as eleições 2006,
o eleitor já dispõe de ferramentas eficientes para fiscalizar
e acompanhar a vida política dos candidatos e instituições
públicas. Agora, é possível escolher em quem votar
levando em conta critérios bem definidos, e checar como os políticos
estão se comportando – em resumo, encontrar diferenças
entre o que falam e prometem, e o que realmente fazem e já realizaram.
É na internet que o eleitor pode
encontrar ajuda, e também se manifestar. Bastam alguns cliques
para entrar no mundo do voto consciente. Entidades da sociedade civil,
formadas por líderes empresariais, jornalistas, estudantes, representantes
classistas e formadores de opinião, arregaçaram as mangas
e foram à luta. Surgiram sites apartidários, criados especialmente
para essa
finalidade, que oferecem dados, acompanhamento da carreira de políticos
e partidos, abrem espaço para discussões e promovem a
prática da cidadania.
Dá para saber, por exemplo, qual
o patrimônio declarado de um determinado candidato, o que ele
fez durante seu mandato, quais projetos apresentou, se participou das
sessões de votação, e quem doou dinheiro para campanhas
passadas dele; acompanhar o calendário eleitoral enotícias
sobre política; ganhar um guia sobre o voto consciente e aprender
como funcionam as instituições.
Histórico
Um desses sites, e que mais vem ganhando
repercussão, é o Transparência Brasil. Nele, foi
implantado recentemente o projeto Excelências, que oferece ao
internauta o histórico completo de políticos que se candidatam
à eleição para deputado federal este ano.
O Transparência Brasil é
uma entidade fundada no Brasil em 2000, ligada ao movimento mundial
Transparency International, cujo mote é o combate à corrupção.
No início de 2006, o jornalista gaúcho Marcelo Soares
– que atuava no escritório da Associação
Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) - foi convidado pelo
diretor-executivo do Transparência, o jornalista Claudio Weber
Abramo, e começou a trabalhar no levantamento de informações
sobre políticos. No início de agosto, foi inaugurado o
Projeto Excelências. Nele, o eleitor pode conhecer o perfil e
a vida pregressa dos parlamentares de seu estado que concorrem à
reeleição na Câmara federal.
Também entram no site do Excelências
ex-ministros, ex-senadores, ex-governadores e ex-prefeitos que concorrem
a vaga de deputado federal. As informações incluem dados
pessoais básicos e funções públicas que
os candidatos exerceram; informações sobre o desempenho
legislativo (faltas, votações, uso de verbas de gabinete,
emendas ao Orçamento apresentadas); declaração
de bens; os doadores das campanhas eleitorais passadas; e ainda, menções
publicadas na imprensa, em que o candidato aparece ligado a algum caso
de corrupção.
O site também informa processos
judiciais, a partir da segunda instância, em que o candidato é
indiciado como réu. Todas as informações foram
recolhidas a partir de bancos de dados públicos.
Guia do voto
Outro site inaugurado recentemente, por
entidades representativas da sociedade civil, também com o objetivo
de promover a cidadania e incentivar o voto consciente, é o Portal
da Democracia, sediado no Paraná. Nele, é possível
baixar um manual bastante prático com orientações
sobre as eleições 2006. O “Guia Voto Responsável”
aparece em um link logo na página de abertura do portal. O download
é rápido: vale a pena baixar e imprimir.
O Portal da Democracia se apresenta como
apartidário, e “um espaço para o diálogo
sobre a melhoria das práticas políticas do país”.
Um dos objetivos é apresentar propostas e projetos para saúde,
educação, infra-estrutura, reforma política e reforma
administrativa. As entidades participantes são a Associação
Médica do Paraná, Associação Comercial do
Paraná, conselhos regionais de Contabilidade, Corretores de Imóveis
e Odontologia, Federações das Indústrias e das
Associações Comerciais e Empresariais do Paraná,
o Instituto de Engenharia do Paraná e a Ordem dos Advogados do
Paraná.
Verbas públicas
Outro endereço interessante na
web é o Contas Abertas. Nele também é possível
acompanhar orçamentos de verbas públicas federais e saber
como estão sendo aplicados os recursos. O site traz notícias
sobre políticos e corrupção acompanhando os acontecimentos
mais recentes.
Nesta semana, por exemplo, o mestre em
Direito Administrativo e especialista em licitações, Edgar
Guimarães, explica, em entrevista ao Contas Abertas, que o país
não precisa de novas leis para combater a corrupção
na administração pública. Analisando a máfia
das sanguessugas – “o maior esquema de corrupção
da história brasileira” – Guimarães afirma
que o caso mostrou a fragilidade do sistema administrativo público
do país. O motivo de tantas irregularidades, defende o especialista,
está na “cultura da corrupção” presente
na administração pública e não na falta
de lei. Ele sugere medidas práticas para reduzir as fraudes em
processos licitatórios.
Outra notícia do Contas
Abertas informa, ironicamente, que “fazer sauna é recomendado
a quem deseja relaxar” e mostra que a Presidência da República
empenhou cerca de R$ 8 mil para a aquisição e instalação
de um gerador de vapor para saunas. “O gerador tem capacidade
de aquecer saunas de até 24m2. A metragem é cerca de seis
vezes maior do que o recomendado para saunas residenciais”, aponta
a notícia.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
21 de agosto de 2006
Brasil tem 11,5 milhões de filiados
a partidos
Brasília - Cerca de um a cada dez
eleitores brasileiros é filiado a um partido político.
O levantamento divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela
que há 11,560 milhões de eleitores filiados a partidos
no Brasil e no exterior. O número de brasileiros filiados a partidos
aumentou em 429 mil nos últimos quatros anos. Em relação
ao total de eleitores, a parcela de filiados diminuiu.
O número corresponde a 9,18% do
total de eleitores habilitados a votar neste ano: 125,91 milhões.
Em 2002, quando 115,25 milhões de eleitores estavam aptos a votar
nas eleições gerais, o número de eleitores filiados
era de 11,131 milhões (9,65%).
O PMDB detém o maior número
de filiados: são 2,02 milhões (17,5% do total). Em segundo
lugar, aparece o PP, com 1,26 milhão de filiados, seguido pelo
PSDB, que apresentou 1,09 milhão. O PT surge em quarto lugar,
com 1,04 milhão e, em quinto, vem o PFL, que registrou 1,02 milhão.
Em contrapartida, o PRB tem a menor quantidade
de filiados, apenas 3.295, ou 0,02% do total. Na penúltima colocação,
está o Partido da Causa Operária (PCO), com 3.414 eleitores.
O Psol tem 5.556 filiados. Logo em seguida, aparece o PSTU, que tem
13.621 eleitores. O PCB tem 13.917 filiados.
A estatística também
mostrou que 601 eleitores que moram fora do país são filiados
a partidos políticos. Desse total, o PT é a legenda que
mais possui filiados: são 135. Já o PCO, o Partido Republicano
Brasileiro (PRB) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) não
registraram filiados no exterior.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
20 de agosto de 2006
FGTS pode ser usado para infra-estrutura
Redação/O Estado do
Paraná
Foto: Arquivo /O Estado
Marinho: projeto de lei será enviado ao Congresso.
O governo quer permitir aos trabalhadores que detêm contas do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a utilização
de parte do saldo para a aquisição de cotas do fundo de
investimento de infra-estrutura a ser criado via projeto de lei, a ser
encaminhado ao Congresso Nacional depois das eleições.
A informação é do ministro do Trabalho, Luiz Marinho,
durante encontro nesta quinta-feira com empresários do setor
de infra-estrutura na Associação Brasileira de Infra-Estrutura
e Indústrias de Base (Abdib), na capital paulista.
“Além de financiarmos novos projetos de infra-estrutura
que o País necessita para se desenvolver, o trabalhador também
terá uma melhora de rentabilidade de sua conta de FGTS”,
disse o ministro, em entrevista à imprensa, revelando que a operação
seguiria os modelos já utilizados para compra de ações
da Petrobras, Vale do Rio Doce e Banco do Brasil. Hoje, as contas do
FGTS são remuneradas pela correção da Taxa Referencial
(TR) e até 6% ao ano.
Informalmente, dirigentes da Abdib estimam que, com a participação
dos correntistas, o fundo de infra-estrutura poderá superar,
em cinco anos, o volume de recursos disponibilizado pelo Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o financiamento
do setor, hoje em R$ 60 bilhões. Assim, empresários admitem
que o País poderá dobrar, em cinco anos, a oferta de receita
para o financiamento de projetos de infra-estrutura.
O projeto que cria o fundo de investimento com dotação
de verbas do FGTS será apresentado ao Conselho Curador do FGTS
na reunião ordinária agendada para o próximo dia
29. A proposta é de que o governo repasse até 80% do patrimônio
líquido do FGTS (hoje em R$ 20 bilhões) para o fundo de
infra-estrutura, o que permitiria investimentos até R$ 16 bilhões
em novos empreendimentos de saneamento básico, portos, rodovias,
ferrovias e do setor de energia elétrica.
A disponibilidade inicial do novo fundo proposta pelo governo será
de R$ 5 bilhões, podendo atingir até os R$ 16 bilhões,
e a participação no financiamento será de até
30% do custo total do projeto, por meio de aquisição de
ações ou debêntures.
A concessão de uso de parcela do saldo do FGTS pelo trabalhador
para aquisição de cotas do fundo enfrenta resistência
do setor da construção civil, temeroso de que diminua
a disponibilidade de verbas do fundo para o financiamento do setor.
“O Conselho Curador é quem irá delimitar esse volume
de investimento do correntista. Temos que ter clareza para não
descaracterizar a missão do FGTS, de investir em construção
civil e saneamento básico”, salientou Marinho.
A proposta recebeu apoio integral da Abdib. “É um projeto
inovador e que cria um novo tipo de ‘funding’ para a infra-estrutura.
Apoiamos a iniciativa e a forma como poderá ser montada”,
declarou o presidente da Abdib, Paulo Godoy. “A proposta é
de aplicação de governança moderna e eficiente,
que atinja o objetivo de gerar desenvolvimento e emprego”, adicionou.
Marinho e Godoy admitiram que, a depender da velocidade de tramitação
do projeto de lei no Congresso, os primeiros contratos poderão
ser assinados ainda em 2007. “Queremos que os empreendimentos
aconteçam e olharemos a seriedade da governança dos empreendimentos,
com regras claras e seguras. Aventureiros não terão acesso
a esses recursos”, afirmou o ministro.
Existe, inclusive, a possibilidade de a rentabilidade obtida pelo fundo
de infra-estrutura ser repassada para o conjunto dos correntistas, segundo
Marinho. Em princípio, o ministro ressalvou que os ganhos serão
mantidos no próprio fundo, como forma de expandir a oferta de
crédito para financiamento dos projetos.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
20 de agosto de 2006
Maioria das empresas tem passivo trabalhista
Redação/O Estado do
Paraná
Foto: Arquivo/O Estado
Cláudia Salles Vianna: processos têm alto custo.
Um relatório com os resultados da fiscalização
do Ministério do Trabalho e Emprego -MTE, no período entre
janeiro e junho deste ano, aponta que 86,92% dos estabelecimentos fiscalizados
estão irregulares. Entre as mais de 170 mil empresas fiscalizadas,
cerca de 29 mil foram autuadas por irregularidades trabalhistas, totalizando
mais de R$ 3 milhões em indenizações. Os casos
irregulares mais recorrentes nas empresas, constatados pela fiscalização
do MTE, são a falta de registro de empregados e débitos
em relação aos depósitos de FGTS devidos.
Os processos com reclamatórias trabalhistas são de alto
custo para as empresas e acarretam prejuízos institucionais e
financeiros, diz a consultora jurídica Cláudia Salles
Vilela Vianna. As multas nos casos de irregularidades trabalhistas variam
entre R$ 170,25 por empregador - no caso de uma empresa primária
e R$ 115.683,40 - por não contratar pessoas portadoras de deficiência,
como prevê a lei. “Este número poderia ser bem menor
se as empresas agissem de forma preventiva e criteriosa”, alerta
a consultora.
Ela explica que um ex-empregado, quando procura um advogado para reclamar
contra a antiga empresa, muitas vezes é motivado por questões
pessoais, geralmente com seu superior imediato. “A partir dali,
ele e o advogado irão buscar outros itens que irão engrossar
o rol das reclamações como horas-extras, desvios de função,
descontos indevidos ou pagamentos equivocados. Se a empresa não
estiver com a documentação e seus procedimentos internos
devidamente regulares, terá dificuldades na defesa e acabará
por pagar um preço elevado por isso”, alerta Cláudia.
De acordo com Luiz Fernando Busnardo, chefe da Seção de
Inspeção da Delegacia Regional do Trabalho do Paraná
DRT/PR, as pequenas empresas são as que mais cometem infrações
trabalhistas. “Muitas acreditam que é mais barato se manter
na irregularidade e acabam incorrendo em grandes despesas caso queiram
reabilitar-se perante os órgãos competentes, pois sujeitam-se
a ações trabalhistas e execuções judiciais,
ficando ainda privadas das certidões negativas, para a baixa
da empresa ou mesmo para efetivação da transição
de seu controle ou patrimônio”, explica.
Reação
Segundo dados do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, em
2005 as varas do trabalho do Estado receberam mais de 100 mil reclamatórias
trabalhistas. As razões disso, segundo a advogada Flávia
Guaraldi Irion, especialista em direito previdenciário e trabalhista,
são as mais diversas, “as relações de trabalho
são mais dinâmicas que a legislação trabalhista,
que está defasada e engessa as empresas. As pessoas estão
buscando cada vez mais seus direitos e as empresas continuam com a postura
de agirem somente quando acionadas”, aponta.
A advogada defende que é necessário e urgente fazer uma
reforma trabalhista, mas que as empresas devem se preocupar em reduzir
as reclamatórias. “Acreditamos que um trabalho preventivo
efetivo seja extremamente importante e um primeiro passo pode ser uma
auditoria interna que aponte as não-conformidades e que possibilite
sua correção”, finaliza a advogada.
Selo de regularidade
O aumento das reclamatórias trabalhistas e a dificuldade das
empresas em seguir as exigências legais levou a empresa de auditoria
trabalhista Vilela Vianna, em Curitiba, a criar um Selo de Regularidade
Trabalhista para seus clientes. “As empresas auditadas recebem
um treinamento específico e auxílio nas correções
necessárias. Depois disso, são certificadas quanto à
Regularidade Trabalhista” explica Anderson Vianna, sócio
da empresa.
Após a verificação dos itens que comprovam a legalidade
em sua atuação, a auditoria fornece um selo que vai creditá-la
como empresa em conformidade com as questões trabalhistas. “Nosso
objetivo é trabalhar junto às empresas com uma efetiva
atuação preventiva, minimizando as reclamatórias
e as autuações fiscais, além do forte valor institucional
conferido pelo selo”, finaliza Anderson.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
19 de agosto de 2006
INSS terá unidades exclusivas para
perícia
Redação/O Estado do
Paraná
Brasília (AE) - O Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) promete acabar com a demora no atendimento
dos segurados que necessitam de perícia médica. O presidente
do INSS, Valdir Moysés Simão, disse que até o final
de setembro será inaugurada, em São Paulo, a primeira
agência exclusiva de benefícios por incapacidade. Nessa
agência serão atendidos apenas os segurados que agendarem
a consulta por telefone ou internet.
De acordo com Simão, a cidade de São Paulo foi escolhida
porque em alguns postos do INSS a perícia médica está
lotada até o mês de novembro. Na cidade a procura por perícia
médica é maior do que a média nacional. “Em
São Paulo 70% da lotação das agências é
por esse motivo”, explicou.
Mais agências
Até o final do ano, segundo Simão, mais quatro agências
para atendimento exclusivo dos benefícios por incapacidade serão
abertas no Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre e Belo Horizonte.
Mensalmente, cerca de 600 mil segurados procuram os 1.200 postos do
INSS em busca de uma perícia médica.
Na média, o INSS nega cerca de 25% dos pedidos. “O auxílio-doença
só é devido quando a doença é incapacitante
para o trabalho”, explica Simão.
O presidente do INSS destaca que, apesar do aumento do volume de requerimentos
por auxílio-doença - em 2001 a média era de 245
mil por mês - o estoque desse tipo de benefícios vem caindo
ao longo do tempo.
Em outubro do ano passado, por exemplo, o INSS estava pagando R$ 1,66
milhão de benefícios por incapacidade. Em julho último
R$ 1,4 milhão. O motivo da queda foi a mudança de procedimento.
O INSS passou a fazer a perícia apenas com os médicos
da casa e, agora, o segurado já sai da consulta sabendo quanto
tempo poderá ficar ausente do serviço. Antes, o segurado
tinha que marcar nova perícia para ter alta da licença.
Judicial
Outra novidade é que o INSS passará a ter agências
de demanda judicial. Dezessete unidades serão criadas dentro
de 30 dias. Simão explicou que essas agências não
são de atendimento ao público mas, para elas, serão
encaminhadas todas as demandas judiciais do INSS.
Contra o instituto correm em diversas varas federais do País,
especialmente nos juizados especiais de pequenas causas, 2,5 milhões
de processos, 900 mil deles em São Paulo. “Precisávamos
ter um canal exclusivo de atendimento das demandas judiciais para retirar
esses procedimentos das agências, que devem estar voltadas exclusivamente
para o atendimento aos segurados”, disse Simão.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
19 de agosto de 2006
Economia favorece os salários
Redação/O Estado do
Paraná
Rio (ABr) - O ministro do Trabalho
e Emprego, Luiz Marinho, disse ontem que o resultado da pesquisa sobre
reajuste salarial não surpreendeu. O estudo, divulgado anteontem
pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), revelou que os acordos de negociações salariais
realizados de janeiro a junho deste ano alcançaram os melhores
resultados na correção de salários desde 1996,
data em que teve início a pesquisa.
De acordo com o ministro, os acordos coletivos acompanham o desempenho
da economia brasileira, que está em rota de crescimento. “Isso
é muito bom, porque indica que teremos mais consumo, e vai rodar
positivamente a roda da economia”, afirmou Marinho, que participou
do lançamento do Programa Aprendiz Legal, do governo federal,
em parceria com a Petrobras.
Marinho destacou que o aumento no salário mínimo tem contribuído
para o bom resultado das negociações, já que eleva
o poder de compra e pressiona para cima o piso salarial de cada categoria.
O ministro afirmou que, embora a maior parte dos acordos tenha sofrido
reajustes que oscilaram de 1,01% até 2% acima da taxa inflacionária,
esse não é um resultado negativo.
“Se tivéssemos uma inflação de 19% ao ano,
esses reajustes seriam praticamente inexistentes, mas com a taxa inflacionária
em cerca de 4% anual é bastante razoável. É melhor
ter um aumento baixo sobre uma inflação baixa do que um
eventual aumento elevado sobre uma inflação alta. Neste
caso, a inflação certamente vai comer esse aumento, e
ele vai desaparecer ao longo do tempo”, explicou.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20 de agosto de 2006
| Economia
HABITAÇÃO
União libera R$ 530 mi para
moradia
O governo federal ampliou em R$ 530 milhões os recursos disponíveis
neste ano para o financiamento de moradias de baixa renda. A linha de
crédito é com dinheiro subsidiado do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS) para a construção de
casas para famílias com renda de até cinco salários
mínimos. O Ministério das Cidades estima que 90 mil famílias
sejam atendidas com esses recursos. O Orçamento da União
de 2006 previa um aporte de R$ 1,3 bilhão para essa linha. Segundo
dados do Ministério das Cidades, até o fim de julho, R$
1,1 bilhão já haviam sido contratados. Com a ampliação
de R$ 530 milhões, o montante disponível subiu para R$
1,83 bilhão.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 19 de agosto de 2006
Sociólogo traça a história
do Brasil pós-PT
DA REPORTAGEM LOCAL
Em seu verbete "Brasil" para a "Latinoamericana",
Francisco de Oliveira escreve a história do Brasil pós-PT.
Faz isso em três frentes: ao reavaliar a história dos partidos
de esquerda e do sindicalismo no século 20, ao rever a história
e o significado do próprio PT e ao realizar a crítica
(final) a qualquer esperança desenvolvimentista, quer dizer,
o sonho que embalou o país entre as décadas de 30 e 80.
A primeira parte se dá, antes de tudo, no resgate da importância
do PCB para a história da esquerda no país. Oliveira afirma
que a Intentona Comunista, de 1935, longe de ser "uma aventura
desatinada, movida por poucos e isolados militantes", como geralmente
é apresentada, se deu numa "conjuntura [que] poderia ser,
realmente, revolucionária".
Lembra da força do partido no período entre 1945 e 1947
e diz que ele emergiu fortemente "no mesmo triângulo operário
que seria o berço do PT", o ABC paulista. "É
claro que os "intérpretes" da novidade do PT fingiram
desconhecer essa história, até para tornar o PT o inventor
da roda da história operária no Brasil."
Finalmente, o sociólogo faz referência à nova bibliografia
historiográfica que nega o suposto e amplo "peleguismo"
sindical no período varguista e populista.
Ao tratar do sindicalismo dos anos 70 e do surgimento do partido de
Lula, diz que o PT não nasce como partido de esquerda.
"É evidente que a ausência de uma cultura de esquerda
no meio operário hegemonizado pelo sindicalismo do ABCD refletiu-se
na clara direitização do partido. A crise geral da ditadura
e o movimento de redemocratização é que empurraram
o PT para a esquerda", escreve o sociólogo.
O "fim da história" para o país à moda
de Oliveira se dá no que ele chama de "adeus do futuro ao
país do futuro". A rigor, a expressão se refere à
inviabilidade do sonho desenvolvimentista, de que o país poderia
crescer economicamente e superar seu atraso e suas desigualdades sociais.
Ocorre que o capitalismo contemporâneo permite e mantém
o mais "atrasado" e o mais "avançado" em
perfeita sintonia e convivência. "Não há mais
futuro porque ele já está aí. Há uma simultaneidade
entre todas as "idades geológicas" do capitalismo.
Ou, aproveitando Marx, se é a anatomia do homem que explica a
do macaco, neste caso é a anatomia do capitalismo mais avançado
que explica as infinitas combinações esdrúxulas
presentes na economia e na sociedade brasileira."
(RC)
Frase
"É evidente que a ausência
de uma cultura de esquerda no meio operário hegemonizado pelo
sindicalismo do ABCD refletiu-se na clara direitização
do partido. A crise geral da ditadura e o movimento de redemocratização
é que empurraram 0 o PT para a esquerda"
FRANCISCO DE OLIVEIRA
sociólogo, ao defender que o PT não nasceu como um partido
de esquerda
OBRA SERÁ VERTIDA
PARA O ESPANHOL E VENDIDA NA AL
A editora da Boitempo, Ivana Jinkings, afirma que os textos da enciclopédia
já estão sendo traduzidos para o espanhol e que há
negociações com editoras latino-americanas para a definição
da casa editorial que, independentemente ou em parceria, assumirá
o projeto para o resto da região.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
20 de agosto de 2006
TST confirma decisão regional sobre
dano moral
Edésio Passos
O site do Tribunal Superior do Trabalho
de 7.8.2006 publicou nota sobre julgamento, efetivado a 2 de agosto,
da ação movida por Dirceu Santos, pela sua advogada Marisa
Simone Ferreira, referente a lista negra mantida pela empresa Employer,
confirmando as decisões da Vara de Trabalho de Campo Mourão
e do TRT da 9.ª Região em favor do trabalhador, embora não
conhecendo os recursos de revista. Pela sua importância, face
a abordagem de diversas questões suscitadas sobre a aplicação
de normas relativas à condenação por dano moral,
transcrevemos alguns dados do processo.
Sentença
A sentença é da lavra do juiz José Márcio
Mantovani, então respondendo pela Vara do Trabalho de Campo Mourão,
data de 01.08.2003 e assinala: “Tal como exposto acima, não
havendo razão legal para a existência de cadastro de PIS
na primeira ré, o contexto dos autos orienta convicção
no sentido de que, embora o depoimento da testemunha não tenha
sido totalmente isento de ânimo, existe um fundo de verdade nos
fatos relatados, pois havia uma lista cuja finalidade era a de obstar
uma nova contratação do trabalhador dela constante. Delineia
e robustece essa convicção o fato de a contratação
do Sr. Benedito Aparecido da Silva ter ficado dependente de liberação
por parte da segunda ré, conforme documentos de fls. 50/51, cujo
conteúdo não foi impugnado. No caso dos autos não
há prova robusta de que as rés tenham dado publicidade
da lista a outros empregadores, embora seja presumível que o
tenham feito, já que, decorridos vários anos, o autor
não conseguiu reinserir-se no mercado de trabalho, sendo que,
no plano local, a experiência subministrada a partir de outros
processos relacionados à mesma atividade, é no sentido
de ocorrerem sucessivas contratações, motivadas pelo incremento
da produção agrícola nas safras. Os empregos são
de curta duração, mas existem. A partir da ponderação
retro, pode-se dizer que houve discriminação em relação
ao autor, visto que não mais houve contratação
pela primeira ré após a inserção de seu
nome da “lista” (documento de fl. 17), e anteriormente fora
contratado por três vezes, as duas últimas em safras anuais
subseqüentes. O direito ao trabalho insere-se dentre os direitos
fundamentais assegurados pela Constituição da República
(artigo 5.º, inc. XIII). Obstar o acesso ao trabalho atinge a dignidade
do trabalhador, bem como os valores sociais do trabalho e, em conseqüência,
os fundamentos da República e o Estado Democrático de
Direito (artigo 1.º) O trabalho é a fonte de sustento do
trabalhador e de sua família. Obstar o direito ao trabalho, sem
sombra de dúvidas atinge-lhe a intimidade, a honra e causa-lhe
dor moral. Ao inserir o nome do autor na lista “PIS-MEL”,
a primeira ré, em conduta comissiva e voluntária, obstou
o acesso ao emprego, cometeu ato ilícito e causou dano moral
ao autor (NCCB, art. 186), ficando obrigada a repará-lo (NCCB,
art. 927). Assim, levando-se em conta as necessidades do autor, as possibilidades
da parte ré e a finalidade educativa e correcional da pena, condena-se
a primeira ré a indenizar o dano moral causado ao autor, arbitrado
em R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Tendo em vista que a prova testemunhal
produzida pelo autor foi no sentido de a iniciativa de inserção
de seu nome do autor na lista ter partido da primeira ré, em
razão de propositura de ação relacionada a acidente
do trabalho (fl. 56), rejeita-se a pretensão em face da segunda
ré”.
Acórdão do TRT 9.ª Região
O acórdão, da lavra do juiz do TRT Ney Fernando Olive
Malhadas, tem a seguinte ementa: “Lista Negra”. Inclusão
do nome do trabalhador. Dano moral.
1. Competência: A inclusão do nome do trabalhador em “lista
negra” confeccionada pelo seu ex-empregador, ainda que ocorrida
muito depois da rescisão, não afasta a competência
desta Justiça especializada, pois o ato ilícito guarda
relação direta com o extinto contrato de trabalho.
2. Prescrição: A contagem da prescrição
tem início no momento em que o titular do direito toma ciência
de sua violação, pois aquela decorre da inércia
de quem, tendo tal conhecimento, não exerceu o respectivo direito
de ação oportunamente. No caso dos autos, a lesão
foi provocada por ato praticado bem depois da rescisão. 3. Ocorrência
do dano: A elaboração e propagação das chamadas
“listas negras” constitui ato ilícito, tratando-se
de prática discriminatória repudiada no ordenamento jurídico.
Destinando-se a lista à sua exibição (porque não
se elabora esse tipo de documento para não ser mostrado a ninguém)-
o dano ao trabalhador ocorre no momento em que seu nome é nela
incluído, assim como os crimes de perigo consumam-se com a exposição
da vítima, independentemente do resultado.” (Acórdão
17.616/2004, DJPR 20.8.2004).
Julgamento no TST
Da informação do julgamento constante do site do TST,
extraímos alguns pontos: “A Justiça do Trabalho
condenou a empresa Employer Organização de Recursos Humanos
Ltda. ao pagamento de indenização por dano moral a um
trabalhador que teve seu nome incluído numa “lista negra”.
A condenação, decidida pela Vara do Trabalho de Campo
Mourão (PR) e mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9.ª
Região (Paraná), manteve sua validade após a Quarta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho não conhecer (rejeitar)
o recurso de revista de ambas as partes. A reclamação
trabalhista foi inicialmente ajuizada por um trabalhador rural contra
a Employer e a Cooperativa Agropecuária Mourãoense Ltda.
(Coamo), para quem tinha prestado serviços, como mão-de-obra
contratada pela primeira, em três ocasiões. Segundo afirmou
na inicial, o mercado de trabalho de Campo Mourão e dos municípios
adjacentes é dominado pelas duas empresas. Depois do último
contrato, em 1997, o trabalhador não conseguiu mais emprego e
passou a vender sorvetes para sustentar a família. Pouco depois,
ficou sabendo da existência de uma lista, preparada pela Employer
com a colaboração da Coamo, com o nome de ex-empregados
“que, segundo seu ponto de vista, de uma forma ou de outra tivessem
causado ou pudessem causar qualquer tipo de problema para elas em especial
aqueles que tivessem ação ou participassem como testemunha
na Justiça do Trabalho ou tivessem qualquer tipo de demanda judicial”.
De acordo com documentos e depoimentos constantes nos autos, a lista
era distribuída pela Employer às empresas que contratavam
seus serviços “como um diferencial a seus clientes, de
modo a assegurar que não teriam problemas trabalhistas com seus
empregados”. O caso foi denunciado pelo Ministério Público
do Trabalho. A sentença da Vara do Trabalho condenou a Employer
ao pagamento de indenização por dano moral no valor de
R$ 20 mil. No julgamento do recurso ordinário, o TRT do Paraná
reduziu a condenação a R$ 2 mil. O relator do recurso,
ministro Barros Levenhagen, sobre o valor da indenização,
ressaltou que a decisão do TRT observou “os princípios
da proporcionalidade e da razoabilidade na avaliação da
situação econômica da vítima e do agente
causador da ofensa, bem como a ausência de comprovação
de a lista ter acarretado a ausência de contratação
do reclamante”. Sobre a prescrição, o ministro Levenhagen
ressaltou que o prazo prescricional de dois anos após a extinção
do contrato de trabalho “refere-se apenas aos direitos que coexistiam
com a duração do pacto laboral, e não aos que nasceram
posteriormente a ele”, como no caso. Sobre o mérito, afirmou:
“Sabe-se que o dano moral constitui lesão a direitos de
personalidade, que, no caso desse processo, são a honra e a imagem
do trabalhador. A sua configuração se efetiva com o abalo
sentimental da pessoa em sua consideração pessoal ou social”.
O ministro assinalou que o próprio TRT consignava que “o
dano ao trabalhador ocorre no momento em que seu nome é incluído
na lista”, independentemente do resultado, “sendo latente
a agressão à sua honra e imagem”. O ministro Milton
de Moura França, presidente da Quarta Turma do TST, reforçou
esse entendimento. “Os valores da dignidade humana éticos,
pessoais, morais, religiosos têm de ser preservados, e a ofensa
a esses valores, no caso, é um fato objetivo. A lista existia,
e isso é inquestionável”. Este não foi o
primeiro caso de dano moral envolvendo a Employer e a Coamo e sua lista
negra. Em junho, a mesma Quarta Turma julgou processo idêntico.
Na ocasião, porém, foi mantida decisão regional
que considerou prescrito o direito do trabalhador, uma vez que a ação
só foi ajuizada em 2004, e a lista elaborada em 2001 (RR 335.2003.091)”.
Edésio Passos é assessor jurídico
de entidades sindicais de trabalhadores e ex-deputado federal (PT/PR).
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 21 de agosto de 2006 | Economia
Indústria pisa no freio e crescimentodo
PIB pode ficar abaixo de 3,5%
Queda nas vendas provoca antecipação
de férias coletivas e consultorias já revisam projeções
do PIB para baixo
Márcia De Chiara
O ritmo de atividade da indústria
e do comércio começou o segundo semestre com o freio de
mão puxado. Há fabricantes de TVs e fogões dando
férias coletivas neste mês para enxugar os estoques no
comércio e nas fábricas.
Uma conjugação negativa
de fatores, como juros reais elevados, crise agrícola, perda
de dinamismo do setor exportador e aumento da inadimplência, jogou
um balde de água fria nas expectativas positivas dos empresários
para este semestre. Eles apostavam que a Copa do Mundo, seguida das
eleições, e o impacto da redução dos juros
básicos, iniciada em setembro do ano passado iriam desembocar
no aquecimento significativo das vendas na virada do segundo semestre.
Na prática, o ritmo de produção
e vendas de julho e agosto indica que a expansão de 4% do Produto
Interno Bruto (PIB), prevista pelo governo para 2006 é cada vez
mais uma miragem. Em junho, a produção da indústria
medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
recuou 1,7% na comparação com maio, descontados os efeitos
típicos do período, por causa do menor número de
dias úteis e as paralisações provocadas pela Copa
e pelos ataques do PCC.
Neste mês, houve reação
positiva em relação a junho e julho, dizem os empresários,
mas ainda insuficiente para elevar a produção ao nível
inicialmente previsto. Por isso, as consultorias reduzem as projeções
tanto de produção industrial como do PIB deste ano. O
mercado já trabalha com a previsão de crescimento de 3,5%,
segundo o Boletim Focus do Banco Central. Há quem acredite que
o PIB cresça 3%.
A Philips, uma das maiores fabricantes
de eletroeletrônicos, já pisou no freio. A partir de amanhã,
dá férias coletivas de 10 dias a 680 funcionários
da linha de TVs da fábrica de Manaus. “Estamos antecipando
parte das férias coletivas do fim do ano”, diz o vice-presidente
de Eletrônicos de Consumo da Philips do Brasil, José Fuentes.
Segundo ele, os estoques estão
desregulados tanto no varejo como na indústria para alguns modelos
de TVs. “Houve excesso de otimismo por causa da Copa.” No
primeiro semestre, as vendas da empresa cresceram 45%, acima da média
do mercado, que foi de 37,8%.
REVISÃO
Em julho, as vendas da indústria
de TVs caíram 35% ante junho e a Philips sentiu o baque. Tanto
é que a empresa espera repetir neste Natal o desempenho de 2005.
Por causa da freada, o setor reviu de 11 milhões para 10 milhões
de aparelhos a produção deste ano.
A Mabe Eletrodomésticos, dona
das marcas GE e Dako, também vai dar férias aos empregados
da produção de fogões, em Campinas (SP), que já
estão com férias vencidas. Segundo o vice-presidente do
Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, João
Francisco Carlota, as férias começam no dia 28. “Calculamos
que 160 trabalhadores têm férias vencidas.”
Ele conta que, no início do mês,
a companhia havia concedido férias coletivas de 10 dias para
1,5 mil trabalhadores da linha de produção de fogões.
“Os depósitos estão cheios e as férias coletivas
não reduziram os estoques.”
Desde o dia 14, a Atlas, fabricante de
fogões, deu férias coletivas de 15 dias aos cerca de 600
trabalhadores da fábrica de Pato Branco (PR), conta o diretor
do Sindicato dos Metalúrgicos de Pato Branco, Ari Martins. Procuradas
pelo Estado, a Mabe e a Atlas não responderam as ligações.
Férias para enxugar estoques
não é algo recente. Mais de 3 mil trabalhadores de Manaus
tiveram férias coletivas nos últimos dois meses, diz o
presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Distrito Industrial do
Amazonas, Valdemir Santana.
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AGÊNCIA CÂMARA,
21 de agosto de 2006
Plebiscito pode decidir sobre criação
do Estado de Carajás
A Câmara analisa o Projeto de Decreto
Legislativo 2265/06, do deputado Zé Lima (PP-PA), que convoca
plesbiscito sobre a criação do Estado de Carajás.
Os eleitores decidirão sobre a possibilidade de alguns municípios
serem desmembrados do Pará para constituir o novo Estado.
De acordo com a proposta, participarão
do plebiscito os eleitores dos seguintes municípios: Água
Azul do Norte, Bannach, Bom Jesus do Tocantins, Brejo Grande do Araguaia,
Canaã dos Carajás, Conceição do Araguaia,
Cumaru do Norte, Curionópolis, Eldorado dos Carajás, Floresta
do Araguaia, Itupiranga, Marabá, Nova Ipixuna, Ourilândia
do Norte, Palestina do Pará, Parauapebas, Pau D´Arco, Piçarra,
Redenção, Rio Maria, Santa Maria das Barreiras, Santana
do Araguaia, São Domingos do Araguaia, São Félix
do Xingu, São Geraldo do Araguaia, São João do
Araguaia, Sapucaia, Tucumã, Xinguara, Tucuruí, Novo Repartimento,
Breu Branco, Goianésia do Pará, Rondon do Pará,
Dom Eliseu, Abel Figueiredo, Ulianópolis e Jacundá.
Tramitação
A proposta foi apensada ao Projeto de
Decreto Legislativo 1217/04, do deputado José Roberto Arruda
(PFL-DF), que prevê a realização de plebiscitos
para a criação de diversos Estados, entre eles o de Carajás.
Os projetos serão analisados pela
Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania e, se aprovados, seguirão para o plenário.
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CONSULTOR JURÍDICO, 19 de agosto de
2006
Entrave da celeridade
Taxa de congestionamento de 63% no TST
é debatida
por Maria Fernanda Erdelyi
O andamento da Justiça do Trabalho esbarra em dois grandes gargalos.
O primeiro é a taxa de congestionamento de 63% no Tribunal Superior
do Trabalho. O segundo ponto de estrangulamento na Justiça trabalhista
acontece na fase de execução. Há uma taxa de congestionamento
de 75%.
As conclusões foram apresentadas pelo ministro do TST, Ives Gandra
da Silva Martins Filho, na abertura do II Simpósio Nacional de
Direito do Trabalho em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O simpósio
começou na quinta-feira (17/8) e termina no sábado (19/8).
Os pontos de estrangulamento e soluções serão alguns
dos problemas discutidos no evento, que reúne advogados, juizes,
procuradores do trabalho e ministros. A intenção é
discutir as melhores formas de modernizar a Justiça do Trabalho.
O ministro Ives Gandra sugere a transformação do direito
e do processo do trabalho a partir de três eixos: o legislativo,
o negocial e o judicial.
No eixo judicial, ele chama a atenção para os objetivos
de uma reforma processual que facilite o acesso à Justiça,
simplifique o sistema recursal, ofereça segurança jurídica
e dê celeridade ao processo, além de melhorar a qualidade
da prestação jurisdicional. No legislativo, Ives Gandra
sugere a modernização da CLT. No negocial, ele defende
a valorização da negociação coletiva e uma
discussão sobre os limites da autonomia negocial.
Terceirização
Dados do IBGE de 2004 apontam uma taxa de 12,6% de desemprego e 53,7%
de informalidade. Ives Gandra questiona: pode-se reduzir a informalidade
e o desemprego por meio da legislação?
Ele apresenta outros números como os da participação
do setor de serviços, que representa 47% da atividade econômica
do país. Daí a importância de disciplinar adequadamente
o fenômeno da terceirização que, segundo o ministro,
também poderia ser pela via legislativa.
Ives Gandra lembra de 10 projetos de lei da Reforma Trabalhista, que
ainda estão em trâmite no Legislativo. Dois deles são:
o PL 4.302/98, que regulamenta a terceirização, e o PL
6542/06 que delimita a relação de trabalho.
Fórmulas do progresso
O ministro propôs a discussão de alguns mecanismos de simplificação,
celeridade e segurança na prestação jurisdicional
como a regulamentação do critério de transcendência
para admissão de recurso de revista.
Outra sugestão é o aperfeiçoamento do sistema Bacen-Jud
de penhora online para a segurança do devedor. A edição
sistemática de súmulas e orientações jurisprudenciais
também está entre os ingredientes para uma boa prestação
jurisdicional.
Ives Gandra sugere também o estímulo ao peticionamento
eletrônico com limitação de páginas e a instauração
do processo totalmente virtual.
Confira os números apresentados
na palestra
| Justiça
do Trabalho |
Resíduo
2004 |
Recebidos
2005 |
Julgados
2005 |
Taxas |
| TST |
236.120 |
127.826 |
134.269 |
63% |
| TRTs |
188.791 |
548.550 |
503.955 |
31% |
Varas
(conhecimento) |
778.820 |
1.933.657 |
1.816.620 |
33% |
Varas
(execução) |
1.538.100 |
975.229 |
568.632 |
75% |
| TOTAL |
2.741.831 |
3.585.262 |
3.023.476 |
51% |
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CONSULTOR JURÍDICO,
19 de agosto de 2006
Falta de racionalidade
Para Gilmar Mendes, Súmula Vinculante
chegou tarde
por Maria Fernanda Erdelyi
O Brasil assiste a um brutal aumento
no volume de ações e à falta de racionalidade nos
julgamentos. Há crise no modelo porque cultiva-se o hábito
de criar novos processos. O Judiciário cultiva controvérsias
ao passo que deveria ser o solucionador delas.
A análise do ministro Gilmar Mendes,
do Supremo Tribunal Federal, abriu a discussão sobre “Mecanismos
de celeridade e simplificação da prestação
jurisdicional” — a primeira palestra do II Simpósio
Nacional de Direito do Trabalho em Angra dos Reis (RJ).
Entre as soluções para
enfrentar o problema do excesso de demanda, o ministro apontou a seleção
dos processos a serem julgados pelo STF. Gilmar Mendes citou também
dois instrumentos que agora estão prontos para florescer: a Súmula
Vinculante e a Repercussão Geral. O ministro considera que a
Súmula até chegou tarde.
“Desde que começou a ser
discutida e arquitetada em 1992 até sua formalização
em 2004, ironicamente podemos dizer que a Súmula Vinculante chegou
tarde, uma vez que foram encontradas outras fórmulas para driblar
o contingente de processos. A ADC, a ADPF e a ADI já são
dotadas de efeito vinculante.”
Gilmar Mendes defende a criação
de novos mecanismos para que o Judiciário entre de forma adequada
no século 21: “com certeza, as roupas e métodos
que estamos usando não estão adequados”.
Reinvenção da Justiça
Para o professor de Direito do Trabalho
da USP, Estevão Mallet, segundo painelista desta manhã,
não é preciso novas leis ou nova jurisprudência.
“Algumas soluções estão ao alcance de nossas
mãos sem que seja preciso qualquer reforma legislativa ou jurisprudencial.
Um caminho é a racionalidade no tratamento dos processos”,
afirma.
Segundo o professor, é preciso
contrariar interesses, principalmente do Estado, ter um pouco de criatividade
e reexaminar a estrutura do Poder Judiciário para se chegar a
um processo mais rápido. “Temos um Judiciário anterior
a 1988 para lidar com um ordenamento jurídico diferente.”
Em sua exposição, Mallet
se deteve a um grande e antigo tema: a morosidade do Judiciário.
“Processo moroso é denegação de Justiça.
Tempo razoável de solução de conflito é
direito fundamental do cidadão.” O professor responsabilizou
abertamente o Estado pela situação calamitosa de atraso
em que vive todo o Judiciário brasileiro.
Ele defende a responsabilização
civil do Estado em caso de morosidade. “O Estado não tem
apenas o dever de propiciar a solução de litígios
em prazo razoável como tem também tem de responder pela
morosidade.”
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de agosto de 2006
Saída legislativa
Questionada a relação de
trabalho de pessoa jurídica
por Maria Fernanda Erdelyi
Não cabe à Justiça
do Trabalho examinar conflitos resultantes de contratos entre pessoas
jurídicas. A caracterização de uma relação
de trabalho nesses contratos pode ser observada apenas quando houver
tentativa de fraudar ou desvirtuar os direitos protegidos por lei, comprovada
na análise do caso concreto. O entendimento é do corregedor-geral
da Justiça do Trabalho, Luciano de Castilho.
“Nos contratos desse gênero
temos uma empresa contratando outra empresa. Então qual é
o direito trabalhista do contratado? Nenhum”, afirma o corregedor.
Castilho defende a necessidade de uma saída legislativa que proteja
aquele que trabalha.
O corregedor-geral atenta ainda para
um aspecto, o tipo de pessoa que abraçam esses contratos. Para
ilustrar, exemplificou a situação em que o apresentador
e humorista Jô Soares firme contrato como pessoa jurídica
com a Rede Globo e coloca o questionamento: “Jô Soares assinaria
um contrato desses, sem nenhum direito trabalhista sem saber de suas
implicações e conseqüências?”, pergunta
Castilho, propondo uma reflexão.
Dados de 2002, apresentados pelo corregedor-geral
no II Simpósio Nacional de Direito do Trabalho, dão conta
de mais de três milhões de pessoas físicas no Brasil
prestando serviço como pessoas jurídicas. Alguns fatos
explicam o número de acordo com o também palestrante no
painel, o advogado trabalhista Victor Russomano Jr.
De acordo com o advogado a opção
pelo contrato abre a possibilidade de escapar do que ele chamou de “sanha
tributária do governo”. Na prestação de serviço,
a pessoa física está sujeita à alíquota
de 27% para o imposto de renda enquanto a pessoa jurídica é
tributada em 12%.
Diante do quadro, o advogado defende
a necessidade de constante adaptação pelos operadores
do Direito das propostas da legislação em sua aplicação
através dos tempos desde a sua criação. Russomano
reconhece a possibilidade de contratação de trabalho entre
pessoas jurídicas, mas ressalta que o limite dessa contratação
é a fraude.
“O limite é a fraude, que
tem de ser comprovada não podendo ser utilizado o arquétipo
do trabalhador hipossuficiente”, afirma. Segundo Russomano, nesses
casos a fraude não pode ser presumida porque a ausência
de vínculo empregatício não significa trabalho
indigno ou informal.
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de agosto de 2006
Negociação coletiva
Constituição comporta relações
mais flexíveis no trabalho
por Maria Fernanda Erdelyi
Direitos trabalhistas de natureza patrimonial
podem ser transacionados e estão dentro das hipóteses
de flexibilização passíveis de uma ampliação
na Justiça do Trabalho no âmbito da negociação
coletiva. Já os direitos de natureza não-patrimoniais,
como os que envolvem a segurança e a saúde física,
são inegociáveis. O entendimento é do ministro
Gelson de Azevedo, do Tribunal Superior do Trabalho, para quem a possibilidade
de ampliação das hipóteses de flexibilização
dos direitos trabalhistas não depende de lei. Segundo ele, a
Constituição já estabelece os parâmetros
e limites necessários.
Para o ministro, há três
linhas de interpretação sobre as hipóteses e limites
da flexibilização. A primeira reconhece a ampla possibilidade
de negociação, levando em consideração que
há permissão para se negociar itens essenciais como o
salário e jornada de trabalho. Direitos de menor importância
também podem ser transacionados. A segunda corrente restringe
a flexibilização na duração da jornada de
trabalho normal de oito horas diárias e na de seis horas para
turnos ininterruptos de revezamento. E, por fim, a última linha
defende a possibilidade de acordos e convenções sobre
direitos estabelecidos apenas em lei e não na Constituição.
Gelson de Azevedo lembrou dos três
grandes princípios do Direito do Trabalho e criticou a interpretação
restritiva a eles o que limita as hipóteses de flexibilização.
Quanto ao primeiro princípio, o da irrenunciabilidade dos direitos
trabalhistas o ministro afirma que ele não deve ser confundido
com a inviabilidade de negociação ou intransacionalidade
de direitos. No segundo princípio, o do vício presumido
de consentimento, Azevedo pondera que não se pode presumir a
renúncia viciada de um benefício a não ser nas
relações individuais de trabalho. E no terceiro princípio,
o da norma mais benéfica — quando um julgador se depara
com duas normas a serem aplicadas, deve usar a mais benéfica
para o trabalhador — onde muitas vezes o juiz não leva
em conta o interesse do trabalhador.
O ministro ilustra a interpretação
restritiva do terceiro princípio. Em um caso submetido a um Tribunal
Regional do Trabalho, trabalhadores de uma empresa em situação
pré-falimentar aceitaram a proposta de abrir mão da segunda
parcela do décimo terceiro salário em troca da garantia
do emprego por seis meses. Expondo o caso, Azevedo questiona: “por
que não deixar que o trabalhador faça o que quiser com
seu décimo terceiro salário, inclusive trocá-lo
por seis meses de garantia?”.
Para Azevedo, soa surrealista que o juiz,
ao examinar um direito que é patrimonial, imponha o recebimento
da segunda parcela do décimo terceiro em vez dos seis meses de
garantia. “E se essa empresa fecha amanhã? Os trabalhadores
ficariam sem a parcela e sem a garantia”, observa o ministro.
O ministro proferiu palestra no II Simpósio
Nacional de Direito do Trabalho ao lado do vice-procurador-geral do
Trabalho, Otávio Brito Lopes sobre “Os limites da flexibilização
das normas legais trabalhistas”.
Brito Lopes criticou abertamente a flexibilização
do salário na nova Lei de Falências onde, segundo ele,
a proteção do salário do trabalhador foi praticamente
anulada. “A flexibilização do salário na
nova Lei de Falências é um retrocesso em relação
a um direito assegurado ao trabalhador pela Constituição”,
acredita.
Segundo o vice-procurador, os incisos
que prevêem as hipóteses de flexibilização
no artigo 7º da Constituição devem ser interpretados
de acordo com o caput do dispositivo.
O vice-procurador também questionou
a atuação dos sindicatos. De acordo com Brito Lopes, essas
entidades estão muito mais voltadas para a discussão de
reajustes salariais e a instituição de contribuições,
do que para as condições de trabalho e direitos dos seus
filiados.
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de agosto de 2006
Escala de poder
STJ não reconhece novas competências
da Justiça trabalhista
por Maria Fernanda Erdelyi
Mesmo após a Emenda Constitucional
45 (Reforma do Judiciário), o Superior Tribunal de Justiça
persiste identificando a competência da Justiça do Trabalho
–- referida no inciso I do artigo 114 da Constituição
Federal –- apenas para as lides decorrentes de relação
de emprego. A observação é do ministro do Tribunal
Superior do Trabalho, João Oreste Dalazen.
O ministro reuniu algumas das decisões
mais importantes do STJ sobre o tema neste ano e em 2005 chamando a
atenção para a formação de uma jurisprudência
na Corte infraconstitucional que, segundo ele, mina as novas competências
atribuídas à Justiça do Trabalho pela EC 45/2004.
Ele defendeu a tese em sua palestra “Relações de
trabalho passíveis de apreciação pela Justiça
do Trabalho” no II Simpósio Nacional de Direito do Trabalho
que termina neste sábado (19/8) em Agra dos Reis (RJ).
Julgando conflito de competência
suscitado por uma vara do Trabalho, o STJ concluiu que “a simples
prestação de serviço por si só não
caracteriza relação de trabalho para efeito de definir
a competência em favor da Justiça de Trabalho”. No
caso tratava-se de ação proposta em vara cível
por pessoa física contra pessoa jurídica, uma empresa
de instalação de gás. Segundo definiu o STJ, a
solução de conflito apresentado em pedido de indenização
por rescisão de contrato de prestação de serviço
cabe à Justiça Comum.
“Com todo respeito, essa jurisprudência
do STJ está solapando em grande medida o revigoramento outorgado
à Justiça do Trabalho pela EC 45. Data vênia esta
não é a melhor linha interpretativa da Constituição
Federal”, afirma o ministro.
Dalazen defende que a intenção
do legislador com a reforma imprimida pela EC 45 foi clara em alargar
os horizontes da Justiça do Trabalho e atribuir sentido mais
amplo à locução “relação de
trabalho”.
“A Justiça do Trabalho precisa
evoluir e acompanhar o dinamismo da sociedade sob pena de soçobrar
ante os novos tempos de modernidade. Não se quis mais uma Justiça
do Trabalho da CLT pura e simplesmente”.
De acordo com Dalazen, decorridos quase
dois anos da promulgação da EC 45/2004 delinearam-se duas
vertentes na doutrina e na jurisprudência abraçando posições
opostas no que tange ao artigo 114 inciso I. A primeira vertente, que
chama de restritiva, identifica na locução relação
de trabalho uma relação de emprego deixando sob a responsabilidade
da Justiça do Trabalho as lides entre empregado e empregador.
A segunda vertente, que denomina de expansionista,
defendida majoritariamente pelos juízes do trabalho e pela doutrina
trabalhista, sustenta que a competência do artigo 114 inciso I
alcançaria também as lides envolvendo o trabalho autônomo.
“Este é um dos aspectos mais controvertidos e intrincados
da nova competência material da Justiça do Trabalho”,
afirma o ministro do TST.
Limites da competência
Para o ministro o inciso I do artigo
114 confiou a Justiça do Trabalho dois gêneros básicos
de dissídios individuais oriundos do que ela denominou de relação
do trabalho. No primeiro gênero estão incluídos
os conflitos trabalhistas emergentes da relação de emprego
e, agora, os conflitos entre empregados e os dissídios interpatronais.
O segundo gênero, segundo Dalazen, inclui toda lide advinha de
uma relação do trabalho em sentido amplo.
No entendimento de Dalazen não
estariam na órbita da Justiça do Trabalho os litígios
decorrentes de contratos firmados por pessoas jurídicas na condição
de prestadoras de serviço.
Dalazen sugere que o TST, a Academia
Nacional do Direito do Trabalho a Associação Nacional
dos Magistrados do Trabalho que lutassem pela aprovação
de um Projeto de Lei que disciplinasse as relações de
trabalho de que cogita o inciso I do artigo 114 da CF.
Georgenor de Souza Franco Filho, juiz
do Tribunal Regional do Trabalho da 8 Região e também
painelista neste quadro das novas competências faz um apelo aos
ministros do TST presentes que urgentemente atribuam aos juízes
do trabalho a competência de que precisam. Pede ainda que o TST
esclareça os incisos I e IX do artigo 114 e diga ao STJ “que
o TST não concorda com ele e que nós, juízes do
Trabalho, temos o poder que eles acham que nós não temos”.
Franco Filho, que também
é presidente da ANDT criticou a decisão do Supremo Tribunal
Federal que não reconheceu a competência da Justiça
do Trabalho para julgar servidores públicos. “Não
concordo com a decisão do STF. Quem cuida do trabalhador, de
prestação de trabalho por pessoa física é
a Justiça do Trabalho. Não importa se ela é estatutária
ou seletista”, conclui. Para o juiz ninguém está
mais preparado para cuidar de questões sociais do que a Justiça
do Trabalho.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
21/08/2006
Empresa é condenada a manter
salário de sindicalista
A Seção Especializada em
Dissídios Individuais 2, do Tribunal Superior do Trabalho, manteve
a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3a Região
(Minas Gerais), que considerou ilegal a exigência de retorno ao
trabalho de representante sindical, afastado por mais de 10 anos do
emprego, recebendo normalmente os salários pagos pelo empregador.
O empregado foi contratado pela empresa
em 1987, como aprendiz de laboratorista. No ano seguinte foi promovido
a laboratorista físico. Em 1990, foi eleito para o cargo de presidente
do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Refratários
de Betim (MG), permanecendo nessa condição por mais de
dez anos.
Os donos da empresa concordaram com o
afastamento do empregado para exercer as atividades sindicais, com o
pagamento normal do salário constante de seu contrato de trabalho.
Após dez anos pagando ao empregado, que estava à disposição
do sindicato, a empresa exigiu o seu retorno, sob pena de ter suspenso
o salário e considerado abandono de emprego.
O empregado, então, ajuizou reclamação
trabalhista alegando alteração unilateral do contrato
de trabalho, pedindo que lhe fossem asseguradas as condições
de trabalho ajustadas tacitamente, quais sejam, continuar à disposição
do sindicato e recebendo salário.
A ação foi julgada improcedente
na primeira instância. O empregado recorreu ao TRT que reformou
a sentença, dando provimento ao pedido, determinando o retorno
das condições ajustadas tacitamente. A empresa, então,
recorreu ao TST. Alegou que ocorreu interrupção do contrato
de trabalho e não suspensão, sendo equivocada a tese de
alteração contratual.
Disse que na época em que o empregado
foi eleito para o sindicato, possuía em seu quadro cerca de 1.200
funcionários. Porém, com a crise financeira que abateu
a empresa, foi obrigada a reduzir o quadro de funcionários para
240, sendo inviável continuar pagando um empregado que não
comparecia ao emprego.
A SDI-2, acompanhando o voto do ministro
Emmanoel Pereira, relator do processo, manteve a decisão do TRT/MG.
O ministro justificou seu voto considerando a liberalidade da empresa
em efetuar pagamento de salários ao empregado, na qualidade de
dirigente sindical, por mais de dez anos, condição mais
benéfica que aderiu ao contrato de trabalho.
“A empregadora assentiu com
a licença remunerada do empregado, portanto renunciou ao dispositivo
legal no qual lhe era garantido o não pagamento de salários
a dirigente sindical. Assim, ao criar condição mais favorável
ao contrato de trabalho, não poderia alterá-lo uniletaralmente”,
disse o relator. (ROAR-491/2004-000-03-00.4)

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