 |
Diário Vermelho, 22 de agosto de 2006
Emprego cresce 31,4% em julho na
comparação com 2005
Foram criados no mês de julho 154.357 novos empregos com carteira
assinada, 31,4% a mais do que o registrado no mesmo período de
2005, com 117.473 empregos formais. As informações são
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta
segunda-feira (21/8) pelo Ministério do Trabalho.
Este é o segundo melhor resultado
para o mês atrás apenas de julho de 2004, quando foram
abertos 202.033 novos postos de trabalho. No acumulado deste ano, foram
gerados 1.078.155 novos empregos, resultado um pouco inferior ao de
2005, quando foram criados 1.083.776 empregos e de 2004, de 1.236,7
novas vagas. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em
julho, o saldo foi de 1.248.360 empregos.
Os setores de serviços, indústria
de transformação e agricultura foram os que mais contribuíram
para a abertura de novas vagas de trabalho nos sete primeiros meses
do ano. O setor de Serviços aumentou em 376.947 o número
de empregados de janeiro a julho. Esse é o segundo melhor desempenho
para o setor, sendo menor apenas que o registrado no mesmo período
de 2005.
Já a indústria de transformação
abriu 235.875 novos postos de trabalho, o segundo maior resultado para
o período, abaixo apenas do registrado de janeiro a julho de
2004. O setor agrícola criou 219.329 novos empregos formais no
período, resultado muito próximo do registrado no mesmo
período do ano passado, quando foram abertas 219.941 novas vagas.
Em relação a julho, ainda
segundo o Caged, além desses setores também contribuíram
para o resultado naquele mês os setores de comércio e construção
civil. O setor de serviços foi o que mais abriu novas vagas em
julho (52.118), seguido pelo comércio (28.085).
O setor agrícola abriu 27.748
novos empregos formais, enquanto que a construção
civil aumentou em 24.640 o número de empregados formais. A indústria
de transformação foi responsável pela contratação
de mais 20.993 novos empregados no mês de julho.
|
Nova Central, 22 de agosto
de 2006
Volkswagen confirma possibilidade de fechamento
de fábrica
A Volkswagen do Brasil confirmou hoje a possibilidade de fechar a fábrica
localizada em São Bernardo do Campo se não chegar a um
acordo com sindicatos para implementar seu plano de reestruturação
até 2008.
Inaugurada na segunda metade da década
de 50, durante o governo Juscelino Kubitschek, a fábrica do ABC
produz modelos como Kombi, Polo, Fox e Gol e conta com 12.400 funcionários.
Foi nessa fábrica que a Volks produziu seu primeiro veículo
no Brasil, uma Kombi, que tinha 50% de suas peças produzidas
no país --antes a empresa chegou a montar veículos em
um armazém na cidade de São Paulo, mas só com peças
importadas.
Hoje a unidade localizada na rodovia
Anchieta é a maior das cinco fábricas da montadora alemã
no país. A unidade, entretanto, é considerada pela direção
da empresa a 'mais problemática' --ou seja, a menos competitiva.
Durante reunião dos dirigentes
da Volks com representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do
ABC nesta manhã, "a empresa alertou que, sem acordo, a fábrica
Anchieta não terá condições de concorrer
a novos investimentos, o que inviabilizaria o futuro das suas operações
em curto prazo", diz nota da empresa.
No total, a Volks já havia informado
anteriormente que planejava demitir entre 4.000 e 6.000 funcionários
até 2008 nas unidades do ABC, Taubaté (SP) e São
José dos Pinhais (PR). Em São Bernardo, a Volks falava
em demitir 3.672 pessoas, mas informou hoje que poderão ser cortados
até 6.100 funcionários sem o acordo somente nessa unidade.
A montadora alemã afirma que em
setembro sua matriz na Alemanha vai decidir sobre locais onde serão
realizados novos investimentos, o que aumenta a importância do
acordo. Sem a redução de pessoal, a empresa acredita que
a produção diária de 900 veículos na unidade
terá uma queda de 300 a 400 unidades nos próximos anos.
"Com um nível de produção
bem inferior ao atual provocado pela ausência de investimentos,
os já elevados custos fixos da unidade se tornarão ainda
maiores. É difícil imaginar que um complexo industrial
do porte da Anchieta continue operando com um volume de produção
tão reduzido. Portanto, caso não tenhamos novos investimentos,
o risco da operação ser encerrada é real",
disse Josef-Fidelis Senn, vice presidente de Recursos Humanos da Volkswagen
do Brasil. Além das demissões, que prevêem um incentivo
financeiro para os que vierem a ser desligados, Volks quer que o acordo
inclua também ajustes na participação da empresa
no plano de saúde, no valor da participação nos
resultados pago aos trabalhadores e no sistema do banco de horas, entre
outras coisas.
A empresa justifica as demissões
com o prejuízo dos últimos oito anos e com a pressão
da valorização do real ante o dólar, que reduzirá
em 40% as exportações até 2008. As demissões
na fábrica da Anchieta apenas poderão ocorrer a partir
de 21 de novembro, quando termina o acordo de estabilidade de emprego
na unidade. O sindicato informou que vai fazer amanhã, às
14h30, uma assembléia na fábrica de São Bernardo
para decidir quais ações serão tomadas pelos metalúrgicos.
|
Nova Central, 22 de agosto
de 2006
Justiça pode anular escolha do
padrão japonês para TV Digital
O Ministério Público Federal de Minas Gerais ingressou
ontem com ação civil pública contra o decreto do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva que determinou a adoção
do padrão japonês de TV digital no País. O MPF quer
anular a decisão, alegando que o ato presidencial está
"repleto de ilegalidades".
Segundo a ação, entregue
à 20ª Vara da Justiça Federal, o decreto de Lula
incorreu em "cinco violações a diferentes leis e
à Constituição". Para o MPF, não há
motivação para a implantação do padrão
japonês; não houve consultas ao conselho criado pelo próprio
governo para definir o padrão; e o Executivo interferiu na competência
do Poder Legislativo para renovar concessões de radiodifusão.
Outras duas violações se
deram, de acordo com o MPF, em caráter técnico - a promotoria
discorda da alegada "outorga irrestrita e ilegal" de freqüência
de 6 megahertz aos concessionários, afirmando que a medida vai
inviabilizar "TVs comunitárias, educativas e outros canais
de relevante aspecto social" e reforçar a predominância
de emissoras privadas. Pelo decreto, todas as TVs terão faixa
adicional de 6 megahertz, como forma de possibilitar a exibição
de programação digital.
Segundo a ação do Ministério
Público Federal (MPF), a adoção da tecnologia japonesa
vai obrigar o consumidor a pagar por um decodificador mais caro que
as opções oferecidas por Estados Unidos e Europa - a escolha
do padrão japonês agradou à maioria das emissoras
brasileiras.
Reposta do governo Por meio de nota divulgada
na segunda-feira à noite, o Ministério das Comunicações
se dispôs a responder "quaisquer questionamentos", mas
adiantou que aguaradará pela notificação oficial
da Justiça para tomar medidas cabíveis. Segundo o ministério,
a adoção do padrão digital foi orientada por "aspectos
técnicos" e "fatores sócio-econômicos".
|
Nova
Central, 22 de agosto de 2006
Cobrança de impostos bate recorde
no governo Lula
"Taxação é recorde no
governo Lula: brasileiros já trabalham 142 dias por ano só
para financiar o Estado",
JOSÉ CASADO E MARIZA LOUVEN
Todo dia Efigênia Martins dos Santos
sai do Engenho Novo e viaja uma hora espremida num ônibus lotado
para chegar à Lagoa, na Zona Sul, onde trabalha cerca de dez
horas como empregada doméstica. Casada, ajuda a sustentar dois
filhos com R$ 879,45 mensais a maior parte (R$ 460) obtém como
diarista. Efigênia juntou seus recibos de despesas. E descobriu
que a cada R$ 10 em gastos, o governo leva R$ 3,40.
- O problema é que a gente paga
e não vê resultado reclama.
Em 2002, ela decidiu facilmente e cedo
o voto em Lula. Agora, faltando seis semanas para a eleição,
integra a legião de eleitores indecisos. Nenhum dos candidatos
à Presidência da República conseguiu impressionála.
Nem mesmo com promessas de "reforma tributária", como
todos fizeram na televisão na semana passada.
Os brasileiros trabalham cada vez mais
para pagar impostos: eram 89 dias, no início dos anos 80, subiu
para 106 dias em meados dos anos 90 e, agora, são 142 dias por
ano. É muito mais do que exigem países de médio
desenvolvimento como Rússia (114 dias), África do Sul
(104), Argentina (95), Peru (55), Chile (68).
Na cobrança de tributos, o Brasil
só se compara a nações ricas, como a Holanda. Os
holandeses pagam ao Estado o equivalente a 140 dias de trabalho por
ano, mas têm o dobro da renda brasileira e contam com serviços
públicos e uma previdência social sem paralelo na maior
parte da Europa.
Taxa rende mais do que imposto
Nos últimos 12 meses, o governo
Lula alcançou um novo recorde de aumento da carga tributária
ou seja, conseguiu aumentar a proporção de dinheiro extraído
da sociedade sob a forma de impostos, taxas e contribuições.
A arrecadação federal passou a ser equivalente a 38,9%
do Produto Interno Bruto (PIB). Significa que de cada R$ 100 produzidos
no país, R$ 38,9 foram destinados ao financiamento do Estado.
Dessa carga tributária, 65% têm
origem na taxação do trabalho assalariado e do consumo.
A tributação mais pesada é sobre o consumo. Por
exemplo: dos R$ 118,7 bilhões recolhidos pelo Tesouro entre janeiro
e abril, R$ 63 bilhões saíram do bolso dos consumidores.
É um recorde na década. Esse tipo de resultado fiscal
deixa o Brasil na singular posição de país que
passou a arrecadar mais por meios indiretos (taxas e contribuições)
do que por impostos tradicionais.
Nem sempre foi assim. Começou
há cerca de uma década e ganhou força no governo
Lula. A razão é política: para governantes é
mais fácil aumentar alíquotas de contribuições
como CPMF, PIS e Cofins, entre outros, do que negociar com o Congresso
sobre impostos. Isso porque aumentos nas contribuições
ficam embutidos no preço final dos produtos portanto, disfarçados
aos olhos de quem paga. Já as negociações com o
Legislativo são, sempre, visíveis para os eleitores.
Assim, nos últimos dez anos, o
Estado brasileiro não só realizou um extraordinário
aumento da carga tributária, como também intensificou
a transferência de renda dos mais pobres para os menos pobres,
aumentando aquilo que os economistas chamam de regressividade do sistema
tributário. Em 1996, famílias com renda equivalente a
até dois salários mínimos gastavam 26,5% do seu
orçamento com tributos indiretos informam o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatísticas (IBGE) e do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), ambos vinculados ao Ministério
do Planejamento. Em 2004, a fatia da renda dessas famílias pobres
tomada pelo governo subiu para 48,8%, segundo estudos da Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São
Paulo.
Enquanto a carga tributária total
aumentou 20,6 pontos percentuais para as famílias com renda de
até dois salários mínimos, subiu apenas 8,4 pontos
percentuais para as famílias com renda superior a 30 salários
mínimos. O governo atua com mão dupla: transfere dinheiro
às famílias pobres por programas assistenciais do tipo
Bolsa Família, mas, ao mesmo tempo, extrai quase metade da sua
renda por um sistema distorcido.
O Brasil cria 36 normas tributárias
por dia, mais de uma por hora. É uma aberração
jurídica, como demonstra um estudo da Federação
do Comércio de São Paulo concluído no mês
passado: desde a promulgação da Constituição,
em 1988, foram editadas mais de 3,3 milhões de normas em todas
as áreas de relacionamento do Estado com as empresas e 220 mil
somente na área tributária. São 27 estados e 5.562
municípios criando regras próprias, diariamente. Das regras
criadas na última década e meia, somente 12% (ou 422 mil)
estão em vigor. O problema dos contribuintes é identificar
quais são elas.
A anarquia fiscal tem aspectos ainda
mais sofisticados, como o fato de que o Estado cobra mais tributos sobre
a comida dos humanos (25% em média para alimentos) do que dos
quadrúpedes (18% em rações animais). Coisa semelhante
acontece entre remédios humanos e vacinas veterinárias,
em boa parte considerados insumos isentos de tributação.
O Fisco que cobra uma carga de até 25% de tributos sobre remédios
para diabéticos, por exemplo, isenta medicamentos de tratamento
de beleza. Como o Botox, muito popular entre candidatos que diariamente
aparecem na televisão. ","José Casado e Mariza
Louven
Partidos não priorizam reduzir
impostos
"Enquanto o corte de tributos fica
em segundo plano, eles dizem que vão atacar despesas com juros",
Mariza Louven
A campanha eleitoral está nas
ruas, mas os partidos continuam se esquivando de abordar temas polêmicos
relacionados à economia. Concordam que a carga tributária
é alta e inibidora de investimentos, mas dizem que a tramitação
no Congresso dificulta a realização de uma reforma mais
profunda, capaz de aliviar o bolso do contribuinte. Os responsáveis
pela elaboração dos programas de governo dos candidatos
à Presidência da República defendem atacar primeiro
o problema dos juros altos. Falam em simplificação, mas
faltam propostas para reduzir os impostos.
- O crescimento sustentado vai criar
condições para a desoneração fiscal simplifica
o presidente do PT e coordenador do programa do partido, deputado Ricardo
Berzoini. Segundo Berzoini, o bom desempenho da economia vai abrir espaço
para as reformas microeconômicas que produziriam queda do spread
bancário e a desoneração tributária. Isso
significa, acrescenta, mais eficiência para arrecadar o mesmo.
O economista Samuel Pessoa, da Fundação
Getúlio Vargas, indicado pelo PSDB para falar sobre o tema, diz:
- No primeiro momento, a prioridade é
a redução dos juros, em conseqüência da queda
da inflação. Só aí pode-se ganhar 1% do
PIB de economia.
Quanto aos impostos, tem que simplificar
e não reduzir alíquotas. A idéia é transformar
o PIS, a Cofins, a contribuição sobre a folha de pagamentos
das empresas e a Cide em Imposto Único.
O candidato a vice na chapa de Heloísa
Helena a presidente, Cesar Benjamin (PSOL), a f i rm a :
- A carga tributária tem dois
problemas fundamentais: é regressiva e penaliza mais fortemente
os pobres e os assalariados do que os ricos porque metade dos tributos
é indireta.
Além de reforma tributária,
Benjamin defende o aumento dos imposto sobre patrimônio, capital
e herança e a correção pela inflação
da tabela do Imposto de Renda.
O s e n a d o r C r i s t o v a m Buarque,
candidato do PDT à Presidência, diz que não se pode
reduzir a arrecadação às custas de cortes nos gastos
com serviços essenciais como os de segurança. Sua proposta
é firmar um pacto com o Legislativo e o Judiciário, como
o que foi realizado no Rio Grande do Sul para o congelamento dos gastos
púb l i c o s .
Enquanto o corte de impostos fica em
segundo plano, os partidos dizem ser prioridade diminuir as despesas
com juros, que consumiram R$ 157,2 bilhões no ano passado. Este
valor correspondeu a 52,4 anos de gastos federais com segurança
pública ou 9,7 anos de despesas com educação, ou
ainda a 4,3 anos de saúde, calcula o professor do Instituto de
economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) João
Sicsú.
Para Ipea, corte de gastos deveria
ser prioridade
Mas o economista do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea) Fábio Giambiagi afirma que o
problema a ser tratado prioritariamente deveria ser o corte dos gastos
públicos.
- Em período eleitoral é
difícil abordar francamente o problema. O fato é que,
há 15 anos, os gastos do governo crescem acima do PIB e precisam
ter um limite. Isso tem a ver não com uma suposta agenda neoliberal
e sim com a matemática elementar afirma Giambiagi.
Giambiagi diz que ninguém vai
querer tratar disso agora. Mas que é necessário reavaliar
políticas como a do reajuste do salário mínimo
acima da inflação. O espaço para esse tipo de política
está se esgotando. O ex-secretário da Receita Federal
Everardo Maciel também considera uma hipocrisia falar de carga
tributária sem discutir as causas.
- Não há como diminuir
impostos sem reduzir gastos. Mas é mais difícil cortar
despesa, porque ela sempre tem dono acrescenta Mac i e l .
Para o vice-presidente do Conselho Regional
de Economia do Distrito Federal, Evilásio Salvador, a carga tributária
expressa o tipo de Estado que a sociedade deseja.
Há 4 ANOS
Há exatos quatro anos, a agenda
do então presidente Fernando Henrique Cardoso registrava um dia
inédito na História republicana. Em audiências com
os principais candidatos a sua sucessão, ele dava início
ao processo de transição. Luiz Inácio Lula da Silva
(PT), José Serra (PSDB), Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho
(PSB) ouviram más notícias, como um rombo de R$ 51,1 bilhões
na Previdência Social, e um pedido: compromisso com medidas de
austeridade fiscal.
Na pauta, o apoio dos candidatos ao acordo
com o Fundo Monetário Internacional e a propostas, especialmente
o fim do efeito cascata na cobrança do PIS/Cofins, criação
de previdência complementar privada para o servidor público
e regulamentação do sistema financeiro, com fim do tabelamento
dos juros a 12% e independência do Banco Central. Lula apoiou
o acordo com o FMI e prometeu que, se eleito, mudaria a política
econômica.
Quatro anos depois, a política
econômica não mudou tanto assim. A reforma tributária
patina no Congresso, mas os juros não são mais tabelados.
O projeto sobre a previdência não foi aprovado e as mudanças
no PIS/Cofins deram muita dor de cabeça a empresários
e ao governo. E o clima entre petistas e tucanos hoje parece tornar
impossível uma reunião como a de 2002.
|
Agência CUT, 22 de agosto de 2006
Greve do Sindimármore-ES
A partir de segunda-feira(21), o Sindimármore-ES inicia greve
por reivindicação de reajuste salarial de 7%.Segundo Gildo
Abreu, presidente do Sindimármore, a duração da
greve está prevista inicialmente para quatro dias. Manifestações
acontecem na Feira do Mármore em Cachoeiro do Itapemirim, no
dia 22 (terça-feira) a partir das 17h. A proposta dos empresários
do mármore, que arrotam lucros crescentes ano após ano,
é uma vergonha de 3.34% de aumento. Além disso, pretendem
reduzir benefícios conquistados em outras convenções.
|
Força Sindical, 22 de agosto de 2006
Contribuição assistencial
será tema da reunião entre centrais e TST
A contribuição assistencial será o tema da reunião
entre as centrais sindicais - Força Sindical, a CGT, SDS, CUT,
CGTB, NCST e CAT - com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho
(TST), Ronaldo Lopes Leal, hoje (dia 22 de agosto), às 11 horas,
na sede do TST, em Brasília.
Segundo João Carlos Gonçalves, Juruna, presidente da Força
Sindical, a Comissão de Jurisprudência do TST está
realizando estudo sobre a revisão da jurisprudência com
a alteração do dispositivo em seu Precedente Normativo
119, que trata do tema contribuição assistencial.
As centrais sindicais consideram que a representação da
entidade sindical não se limita aos filiados do quadro associativo
e, sim, contempla todos os empregados do setor, ramo ou mesmo atividade,
ou seja, todos empregados indistintamente. “A cláusula
da contribuição assistencial é constitucional e
legítima, considerando ainda, a prevalência das convenções
e acordos coletivos de trabalho como instrumentos de negociação,
e a exigência legal para sua validade, que é a realização
de assembléia com a categoria profissional, sendo esta o órgão
de deliberação soberano da entidade, em conformidade inclusive
com o disposto nos Estatutos Sociais”.
|
Folha
de São Paulo, 22 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula muda agenda para tentar "salvar"
PT
Reformulação de material gráfico,
gravação de inserções e presença de
ministros fazem parte da estratégia nos Estados
Presidente grava inserções para os
programas de TV de todos os candidatos a governador; sigla é
favorita só em Sergipe, Acre e Piauí
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em situação confortável
nas pesquisas e já fazendo planos para o segundo mandato, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva vai mudar sua campanha a partir de
setembro para tentar evitar um vexame de seu partido nas disputas estaduais.
A 40 dias da eleição, os candidatos a governador do PT
não decolaram. São a dor de cabeça de uma campanha
que é mais tranqüila do que as mais otimistas projeções
petistas previam. Em apenas três Estados periféricos o
PT é favorito: Acre, Sergipe e Piauí.
Juntos, são meros 2,9% do eleitorado.
Muito pouco para um partido que almeja, além de eleger o presidente,
fazer uma bancada de 80 deputados federais e elevar os senadores de
12 para 15. A mudança virá na agenda de Lula, na participação
de ministros nas campanhas estaduais e na reformulação
do material gráfico. "O que o nosso pessoal nos Estados
precisa para crescer é vitamina L [de Lula]", diz Romênio
Pereira, que cuida da estratégia no interior do Brasil.
Até agora, Lula privilegiou grandes
centros populacionais do Sul e Sudeste, onde sua dianteira sobre Geraldo
Alckmin é menor. E ignorou Norte e Centro-Oeste. Isso agora mudará.
O PT calcula que tem grande possibilidade de chegar a um segundo turno
em mais quatro Estados: Rio Grande do Sul, Pernambuco, Pará e
Rondônia. Há chances menores em Mato Grosso do Sul, São
Paulo e Bahia. No resto, fará figuração.
"A presença de Lula pode
fazer a diferença entre haver segundo turno aqui ou não",
diz Charles Alcântara, da campanha de Ana Júlia no Pará.
O último Ibope deu a ela 26% das intenções de voto,
20 pontos atrás de Almir Gabriel (PSDB). Lula deve ir ao Pará
em setembro. Incluirá Piauí e Sergipe na agenda. O presidente
termina nessa semana de gravar inserções para os programas
de TV de todos os petistas. Ministros como Dilma Rousseff, Fernando
Haddad, Marina Silva e Tarso Genro foram escalados, além do vice
José Alencar. Há ainda orientação para aumentar
o destaque dado ao nome de Lula, à sua imagem e ao número
13 no material gráfico.
|
Nova
Central, 22 de agosto de 2006
Luz é mais cara no Brasil do que
nos EUA
83,8% da energia no país vem de hidrelétricas,
que é mais barata que a produzida por termelétricas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os brasileiros pagam tarifas de energia
mais altas do que as cobradas nos Estados Unidos e no México,
países que usam proporcionalmente mais termelétricas,
usinas que produzem energia mais cara que hidrelétricas, utilizadas
para gerar a maior parte da energia consumida no Brasil. De acordo com
ranking, feito em 2005 pela Agência Internacional de Energia (IEA,
na sigla em Inglês), o Brasil estaria em 19º lugar em uma
lista que elenca as tarifas cobradas em 29 países. O ranking
originalmente não inclui o Brasil. O país foi posicionado
no ranking pela reportagem, considerando a tarifa média oficial
calculada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)
e a taxa média de câmbio do ano passado.
Em 2005, de acordo com a Aneel, o consumidor
residencial pagou, em média, R$ 0,291 por kWh (quilowatt-hora).
Usando a taxa média de câmbio do ano passado (R$ 2,43,
segundo o Banco Central), resulta que a tarifa média no Brasil
foi de US$ 0,1198 por kWh, a mesma cobrada na Turquia. O ranking dos
maiores preços é liderado pela Dinamarca (US$ 0,3036 por
kWh). De acordo com a pesquisa da IEA, o Brasil é o segundo maior
produtor de energia hidrelétrica do mundo, atrás apenas
do Canadá -país que detém a terceira energia elétrica
mais barata da lista.
Em relação à participação
da energia hidrelétrica, o Brasil também está em
segundo lugar, com 83,8% da energia gerada por hidrelétricas.
Em primeiro lugar está a Noruega (98,9%), que aparece, no ranking
de preços, com a segunda energia mais barata do mundo (US$ 0,0672
por kWh), ficando à frente apenas da África do Sul no
ranking elaborado pela IEA.
Análises
Para o presidente da EPE (Empresa de
Pesquisa Energética, estatal que planeja o setor), Maurício
Tolmasquim,o Brasil está bem posicionado no ranking. Ele calculou
a posição do Brasil no ranking de 2004 e chegou à
conclusão de que o país ocupou, naquele ano, a 15ª
posição em uma lista com 29 países. "É
uma posição boa. Ainda é preciso considerar que
há uma sobrevalorização do câmbio",
disse. Por esse raciocínio, se a taxa de câmbio não
estivesse sobrevalorizada, o dólar custaria mais caro e, na conversão
do valor em reais para o preço em dólares, o Brasil ficaria
com uma tarifa menor.
Para Fernando Maia, diretor técnico-regulatório
da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de
Energia Elétrica), um dos motivos que explicam o nível
tarifário do Brasil é a quantidade de encargos cobrados
dos consumidores.
"Os encargos representam aproximadamente 20% da tarifa", afirmou.
Encargos são partes da tarifa paga pelo consumidor que servem
para subsidiar políticas de governo, como tarifa social de baixa
renda, geração por fontes alternativas de energia ou compra
de óleo combustível para as termelétricas da região
Norte. "Não faz sentido o consumidor pagar, por exemplo,
para financiar a construção de um gasoduto. Esse custo
deveria sair da tarifa e passar a ser um subsídio direto",
disse.
|
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
22 de agosto de 2006
PIB vai crescer acima de 4% este ano
Redação/O Estado do
Paraná
Foto: Ciciro Back/O Estado
Luiz Fernando Furlan: influência de eventos de curto prazo.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Luiz Fernando Furlan, disse ontem que o Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro neste ano vai crescer ao redor ou acima de 4%. Ele rebateu
informações divulgadas neste final de semana na imprensa
segundo as quais a atividade está se desacelerando. “Somos
muito influenciados por eventos de curtíssimo prazo”, disse
o ministro.
Ele lembrou que os últimos números da produção
industrial (-1,7% em junho, na comparação com maio, pelo
IBGE) foram afetados, por exemplo, pela Copa do Mundo, quando indústria
e comércio demitiram funcionários, e também pelo
“frio que não veio” e limitou as vendas de alguns
setores. As projeções do mercado financeiro para a economia,
no entanto, são inferiores às do ministro. A pesquisa
semanal Focus de hoje trouxe estimativa de expansão do PIB em
3,53% este ano, ante 3,55% no levantamento anterior.
“Temos sim uma base de crescimento consistente e as variações
sazonais serão compensadas. Para isso, precisamos manter a redução
dos juros e desonerar a produção”, afirmou. Furlan
participou de encontro com empresários em São Paulo.
Furlan disse ainda que o mês de agosto terá recordes nas
exportações e na conta corrente de comércio. As
vendas externas devem ultrapassar US$ 13 bilhões neste mês,
segundo estimativa do ministro a partir dos números divulgados
até agora, o que significará que, pela segunda vez na
história, as exportações ficarão acima desse
valor.
O ministro rebateu que o desempenho do setor externo seja responsável
pelas projeções de queda na atividade nos próximos
meses, e por uma eventual redução nas projeções
de alta do PIB em 2006. “Os números do setor externo mostram
uma vitalidade e um dinamismo muito grandes. As exportações
crescerão acima de US$ 130 bilhões neste ano, e, no acumulado
de 12 meses, já registram alta de 15%”, afirmou.
Furlan admitiu que alguns setores, como têxteis, calçados
e móveis, têm desempenho pior que em anos anteriores, mas
disse que há uma série de outros setores com forte crescimento,
que continuam a puxar as exportações.
Perguntado sobre eventuais divergências entre ele e o Ministério
da Fazenda, Furlan respondeu: “Não há divergência,
mas busca de convergência”.
Há duas semanas, o secretário de Política Econômica,
Julio Sergio Gomes de Almeida, veio a público rebater afirmações
anteriores de Furlan sobre redução de impostos. O secretário
foi desautorizado pelo seu superior, o ministro Guido Mantega, e Furlan,
em férias, ainda não havia falado sobre o assunto.
|
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 22 de agosto
de 2006
Desconto sem autorização
O Ministério Público do Trabalho está recebendo
denúncias sobre desconto ilegal, na folha de pagamentos ou aposentadorias,
para sindicato representativo. É que o desconto só pode
ser feito mediante autorização expressa do trabalhador.
Quem também deve ficar atento são os empresários,
para que não acabem recolhendo taxas - como a contribuição
sindical - para sindicato ou federação que não
lhe atende. Sem autorização, cobrança de qualquer
taxa ou contribuição na folha de pagamentos é ilegal.
Denuncie ao MPT (em Curitiba, Rua Vicente Machado, 84).
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
22 de agosto de 2006
Lei garante liberação de
servidores sindicalistas
Curitiba - Os deputados estaduais aprovaram ontem, em segunda discussão,
um projeto de lei, de autoria do deputado Tadeu Veneri (PT), que acaba
com a restrição na liberação de servidores
públicos para atividades sindicais. O projeto aprovado, na verdade,
prevê a exclusão do parágrafo único do artigo
3º da Lei Estadual 10.891/94, que previa que a liberação
do trabalho para exercer função sindical corresponderia
à duração de um único mandato à frente
do sindicato e permitia uma única prorrogação consecutiva.
Com a mudança a manutenção
dos dirigentes nos cargos de direção de suas entidades
é reconhecida como uma prerrogativa dos servidores públicos
sindicalizados, sem tempo determinado portanto. O projeto de lei atende
a um impasse recente entre o governo do Estado e o Sindicato dos Professores
do Paraná (APP-Sindicato). O governo estadual determinou, no
início do ano, que oito dirigentes da APP retomassem seus postos
de trabalho porque estão há mais de dois mandatos na entidade.
Os dirigentes entraram na Justiça, porém não obtiveram
sucesso.
A justificativa de Veneri para
o projeto é de que a vigência do dispositivo ''afrontava
a Constituição Federal que, em seu artigo 37, assegurou
aos servidores públicos o direito à livre organização
sindical''. ''A duração dos mandatos dos dirigentes sindicais
e o período de liberação são previstos no
estatuto sindical, sem depender de uma autorização do
Executivo'', explicou. O projeto vai agora passar por uma terceira votação
e cabe ao governador Roberto Requião (PMDB) sancioná-lo
ou não.
Andréa Bordinhão
Equipe da Folha
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 22 de agosto de 2006 | Economia
Nível de emprego nas MPEs em junho
é o menor em 16 meses
A informação é de um estudo
divulgado nesta segunda-feira pelo Sebrae-SP
Flavio Leonel
SÃO PAULO - O nível de
emprego das micro e pequenas empresas (MPEs) do Estado de São
Paulo apresentou queda em junho, conforme estudo divulgado pelo Sebrae-SP
nesta segunda-feira. As companhias encerraram o primeiro semestre do
ano com 130 mil postos de trabalho a menos que em junho de 2005 (-2,2%)
e 76 vagas a menos (-1,3%) que em maio de 2006. De acordo com a instituição,
as MPEs proporcionaram ocupação para 5,734 milhões
de pessoas no Estado (4,32 por empresa), o que representou o menor nível
dos últimos 16 meses.
O Sebrae-SP destacou que, dos 130 mil
postos de trabalho eliminados em junho de 2006, 104 mil foram de empregados
diretos e de terceiros e 26 mil de familiares. Na média de janeiro
a junho de 2006, as MPEs operaram com um total de 5,787 milhões
de pessoas, índice 0,4% inferior à média do primeiro
semestre de 2005 (5,807 milhões de pessoas).
Segundo a instituição,
a queda no quadro de pessoal foi motivada por um ajuste das empresas
a um nível de vendas "surpreendentemente fraco", verificado
no primeiro semestre. "Na virada de 2005 para 2006, muitos empresários
realizaram novas contratações e mantiveram esse pessoal
na esperança de que as vendas continuassem aquecidas, o que acabou
por não se concretizar, uma vez que o faturamento do setor ficou
2,8% abaixo do primeiro semestre do ano passado", disse, em comunicado
à imprensa, o diretor-superintendente do Sebrae-SP, José
Luiz Ricca. "Como conseqüência, as MPEs tiveram de fazer
um forte ajuste no seu quadro de pessoal, atingindo não apenas
trabalhadores como também familiares que ajudavam no negócio",
acrescentou.
O Sebrae-SP constatou também que
cerca de 60% das dispensas dos últimos 12 meses aconteceram no
mês de junho. Outros fatores apontados como prejudiciais para
o conjunto do primeiro semestre foram as paradas para os jogos da seleção
brasileira e o fato de junho apresentar um dia útil a menos que
maio.
Setores e regiões
Na análise por setor, tanto Indústria
(-1,1%), como Comércio (-0,7%) e Serviços (-5,1%) apresentaram
baixa no total de ocupações, na comparação
com junho do ano passado. A variação também foi
negativa, nos três setores, na comparação com maio
de 2006, com recuos de 0,1% na Indústria, 1,1% nas MPEs de Serviços
e 1,9% nas do Comércio. Nesse último setor, em especial,
parte da queda no pessoal ocupado foi motivada pela dispensa de temporários,
contratados por causa do Dia das Mães.
Por região, o município
de São Paulo foi o que mais eliminou vagas em 12 meses, com redução
de 4,8% sobre junho de 2005, enquanto as MPEs do Grande ABC foram as
menos afetadas, com variação positiva de 0,3%. No interior
do Estado e na Região Metropolitana de São Paulo, foram
constatadas baixas de 2,4% e 2,1%, respectivamente.
Rendimentos
Quanto ao rendimento médio (R$
684) dos empregados diretos das MPEs em junho de 2006, o levantamento
do Sebrae-SP apontou que houve crescimento de 5,8% sobre junho de 2005,
resultado motivado, principalmente, pelas recuperações
obtidas nos dissídios do período. Na comparação
com maio, a variação negativa de 0,6% mostrou, segundo
a instituição, "desaquecimento" no final do
semestre.
O Sebrae-SP informou também que
rendimento médio de junho de 2006 foi o melhor já pago
em um mês de junho, nos últimos quatro anos, mas ainda
encontra-se 0,5% abaixo do rendimento do mesmo mês de 2002, de
R$ 687, e 7,3% abaixo do melhor mês de junho da série,
registrado em 2000, de R$ 738.
Segundo a instituição,
mereceu destaque o rendimento dos trabalhadores de MPEs no Grande ABC,
com crescimento de 15,4% (acima da inflação) sobre junho
de 2005, favorecidos também pelos dissídios do período,
beneficiando, em especial, as MPEs da indústria e serviços,
que fornecem para as grandes empresas da região, e para a cadeia
automobilística. O rendimento chegou a R$ 809, maior valor registrado
ao longo da série em um mês de junho, superando o rendimento
médio pago aos trabalhadores das MPEs na capital (R$ 773) e do
interior (R$ 618).
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 22 de agosto de 2006 | Economia
Exportações caem 2,2% na
terceira semana do mês
Brasília, 21 - As exportações
brasileiras na terceira semana de agosto apresentaram um recuo de 2,2%
em comparação com a média acumulada até
a segunda semana do mês. Nesse período, as vendas de produtos
manufaturados caíram 5%, com a redução dos embarques
de automóveis, autopeças, motores para veículos,
açúcar refinado, gasolina e óleos combustíveis.
Já as exportações de produtos básicos tiveram
uma queda de 2,9%, puxada por menores embarques de minério de
ferro, soja em grão, petróleo em bruto e farelo de soja.
Por outro lado, as vendas de produtos semimanufaturados cresceram 12,6%
na terceira semana. Esse aumento refletiu maiores vendas de celulose,
alumínio em bruto, ferro fundido, couros e peles e semimanufaturados
de ferro e aço.
De acordo com dados divulgados, há
pouco, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior (MDIC), as exportações acumuladas
até a terceira semana registram crescimento de 23,9% em relação
à média de agosto do ano passado. Em todas as categorias
de produtos, houve expansão das vendas: semimanufaturados (70,2%),
manufaturados (22,7%) e básicos (12,8%). As exportações
de semimanufaturados foram puxadas pelas vendas de açúcar
em bruto, produtos semimanufaturados de ferro/aço, alumínio
em bruto, celulose, couros e peles e ferro fundido. As exportações
de manufaturados aumentaram por conta dos embarques de álcool
etílico, aparelhos transmissores e receptores, gasolina, óleos
combustíveis, motores para veículos, autopeças
e automóveis.
Em relação aos produtos
básicos, houve aumento nas vendas externas de fumo em folhas,
farelo de soja, carnes bovina, suína e de frango, minério
de ferro, milho em grão e mármores e granitos. Em comparação
com o mês de julho deste ano, as exportações até
a terceira semana de agosto apresentaram retração de 5,8%.
|
JORNAL O GLOBO, 22 de agosto
de 2006 | Plantão
Negociação trabalhista
trava e maior mina de cobre do mundo pára
Reuters
ANTOFAGASTA, Chile - A mina chilena de
cobre Escondida, a maior do mundo em produção, informou
que está suspendendo operações e interrompendo
negociações trabalhistas, num momento em que a greve de
seus trabalhadores entra no 12º dia.
A companhia afirmou em comunicado, na
noite de quinta-feira, que tomou a decisão de interromper a operação
porque os trabalhadores bloquearam ilegalmente o acesso a estradas que
levam à mina, por dois dias, e tinham colocado em risco a saúde
e a segurança das pessoas que trabalhavam no local.
"A companhia quer reabrir suas operações
o mais rápido possível, assim que a polícia puder
assegurar a total segurança das pessoas que trabalham na empresa",
informou a empresa em comunicado. A mina, que produz 8% do cobre do
mundo, é controlada pela mineradora BHP Billiton. A greve tem
agitado os preços do cobre há dias, com os investidores
especulando sobre quando a paralisação poderá acabar.
Até a decisão de parada
da mina, a administração de Escondida informava que estava
produzindo mais de metade de sua produção normal de quase
3.500 toneladas de cobre por dia e perdendo cerca de 16 milhões
de dólares de lucro líquido diariamente.
O presidente do sindicato dos trabalhadores
da mina, Luis Troncoso, disse à agência Reuters que a companhia
está tentando enfraquecer o sindicato ao declarar a suspensão
do processamento de minério.
- Após o 15º dia de greve,
a companhia pode negociar individualmente com os trabalhadores. Eles
sabem que não há mais nenhuma produção na
mina neste momento, então, a única saída para eles
agora é suspender as operações - afirmou Troncoso.
Ele se referia à lei trabalhista
chilena, que permite que os trabalhadores voltem ao trabalho se uma
greve durar mais de duas semanas e eles fizeram acordos individuais
com a empresa.
Em 7 de agosto, 2.045 trabalhadores de
Escondida entraram em greve, demandando substancial aumento salarial
e bônus especial por trabalhador de 30 mil dólares, relativo
aos preços recordes do cobre.
No primeiro semestre deste ano, o lucro
líquido da mina Escondida subiu para US$ 2,9 bilhões,
devido à alta prolongada dos preços do cobre gerada pela
forte demanda da China e do novo interesse dos investidores em commodities.
Ambos os lados da disputa travaram difíceis
negociações esta semana, com a companhia acusando o sindicato
de quebrar regras ao promover manifestações contínuas
durante as discussões.
A televisão chilena divulgou que
policiais e sindicalistas entraram em confronto do lado de fora da mina,
localizada nas montanhas do deserto do Atacama, quando o sindicato tentou
evitar que funcionários terceirizados entrassem nas instalações.
O sindicato afirma que a empresa está
sendo inflexível e que não melhorou sua oferta apesar
dos trabalhadores moderarem suas exigências de aumento. Quando
o contrato trabalhista anterior foi assinado, em 2003, os preços
do cobre eram um quinto do que são atualmente.
Escondida, também operada
pela Rio Tinto, produz cerca de 1,3 milhão de toneladas de cobre
por ano, mais de 20% da produção anual do Chile, país
que mais extrai cobre no mundo.
|
AMAZONIA
HOJE, 22 de agosto de 2006
Indústria do Pará cresce e
aparece
Indústria paraense registra o maior crescimento
do País no 1º semestre
Aretha Souza
Da Redação
O Pará apresentou o maior crescimento
industrial do País no primeiro semestre deste ano. Com 13,5%,
o Estado ficou a frente do Ceará (7,2%) e da Bahia (5,5%). O
índice foi revelado na última Pesquisa Industrial Mensal
de Produção Física - Regional feita pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 14 áreas.
A maioria apresentou queda no setor. No Pará, a indústria
de alimentos e bebidas ganhou destaque ao alcançar o índice
de 35,5%. Acredita-se que esse crescimento tenha relação
com a instalação de fábricas nos municípios
de Castanhal e Benevides, no nordeste paraense, que têm aumentado
a linha de produtos. O consumidor pode optar pelos produtos regionais,
que já são mais fáceis de encontrar nos supermercados.
Os produtos da indústria paraense também são mais
baratos em relação a similares vindos de outros Estados.
Em contrapartida, o saldo negativo ficou
com o setor madeireiro (-8,7%), com destaque para o produto de madeira
compensada. O recuo da madeira também foi observado na comparação
entre junho de 2006 e junho de 2005 (-13,4%). O estudo apontou ainda
o desempenho favorável na indústria extrativista (18,3%)
e na metalurgia básica (16,3%). De acordo com o instituto, o
crescimento se deve ao dinamismo das exportações de minério
de ferro, produtos siderúrgicos, celulose, açúcar
e à produção de bens de consumo.
No País, a indústria registrou
o crescimento de 2,6%. O índice revelou a desaceleração
no segmento, uma vez que o percentual gerado no primeiro trimestre foi
de 4,6%, e no segundo, de 0,8%. Segundo o IBGE, a retração
ocorreu em nove das 14 áreas estudadas. O Amazonas saiu na frente
com o prejuízo, com o saldo negativo de 12,1% nos últimos
três meses. Acredita-se que este recuo tenha origem na queda da
produção de material eletrônico e equipamentos de
comunicação, que registrou baixa de 22,4% nesse período.
Analistas de mercado acreditam que os números positivos podem
estimular a credibilidade do consumidor local quanto à produção
regional. Ao menos foi o que adiantou Carlos Limão, presidente
da Associação Paraense de Supermercados (Aspas). Até
cinco anos atrás, não era comum observar nas prateleiras
das grandes redes de supermercados a variedade de produtos fabricados
no Estado como nos dias atuais. Limão afirma que essas mercadorias
já concorrem de igual para igual, tanto na qualidade quanto no
preço, com as produzidas no Sul e Sudeste do País, principais
regiões fornecedoras de alimentos e bebidas do Pará. Ao
abocanhar mais um mercado, a produção paraense quase sempre
beneficia o bolso da população. Não porque o produto
seja mais barato, mas porque acentua a diversidade nas prateleiras,
gerando a concorrência. Resultado: quanto mais ofertas, mais barato
e mais se vende. A escolha fica por conta do consumidor.
As principais causas desse crescimento,
apontou, seriam o crescimento da economia do Estado, o espírito
empreendedor do empresariado e os incentivos fiscais concedidos pelo
governo estadual para que as fábricas se instalem na região.
O que também melhora os índices de emprego e renda para
a população. 'Mas ainda estamos aquém do que poderíamos
fazer. A produção do óleo de soja já deveria
ser feita no Pará, uma vez que temos dois grandes pólos
de produção de grãos - um em Santarém e
o outro em Paragominas', revelou o empresário.
Incentivo diferenciado
Para o secretário de Indústria
e Comércio do Estado, Ramiro Bentes, foram as melhorias na infra-estrutura,
a ampliação do fornecimento de energia elétrica,
os investimentos em rodovias e a recuperação de áreas
urbanas que renderam os índices favoráveis ao Pará.
Porém, o principal destaque desse modelo de desenvolvimento seria
a descentralização da produção da região
metropolitana.
'A produção é disseminada
pelo Estado. Apenas um terço se concentra na Região Metropolitana
de Belém. Isso é positivo porque não provoca o
inchaço da área e impede também a criação
de favelas e áreas de ocupações. O desemprego em
outros estados está muito ligado a esse aspecto, a exemplo do
Amazonas, onde a produção é quase totalmente feita
na Zona Franca de Manaus. Temos que tratar a população
no seu lugar de origem', analisou o secretário.
Além disso, embora pouco tenha
mudado a legislação estadual quando o Supremo Tribunal
Federal considerou inconstitucional a lei de incentivos fiscais no Pará,
a preocupação ambiental se tornou uma exigência.
'Agora ela é fundamental porque leva em conta o macrozoneamento.
A intenção é desenvolver sem devastar e cuidar
ao máximo do ordenamento, levando em conta os eixos prioritários
da atual gestão - turismo, agroindústria e verticalização
do setor mineral'.
Leite é beneficiado
Entre os beneficiados pelos incentivos
fiscais estão os produtores de leite do sul e sudeste paraense.
De acordo com dados do SindLeite, entidade que congrega 20 fabricantes
de laticínios da região, mensalmente, o grupo é
responsável pela produção de cerca de 32 milhões
litros de leite, mais de 3 mil toneladas de queijos e pela geração
de 1.435 empregos diretos. Somente 30% dessa produção
ficam no Pará. O restante é comercializado nos estados
do Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Ceará,
Pernambuco, Paraíba, São Paulo e Rio de Janeiro.
Segundo Jorge Alcides, secretário
executivo do sindicato, nos últimos anos, a produção
foi diversificada a partir da ampliação das empresas,
da aquisição de equipamentos e da contratação
de funcionários. No entanto, a concorrência no mercado
com fábricas irregulares ainda é um grande empecilho.
'Muitas empresas sem registro comercializam no mercado ao nosso lado.
Isso atrapalha a venda de quem trabalha bem', pontuou.
Apesar das melhorias destacadas pelo
titular da Seicom, Ramiro Bentes, a má condição
de algumas estradas prejudica a qualidade de laticínios. 'O governo
precisa melhorar as estradas. Caso contrário, alguns produtores
vão continuar a tirar o leite e ter dificuldade para entregar
o produto no horário correto. Tudo isso diminui a qualidade do
produto final'.
Preço mais em conta
Uma pesquisa feita pelo Amazônia
Hoje em dois grandes supermercados da capital apontou que o crescimento
da indústria ainda não saltou aos olhos do consumidor
paraense. Na hora da compra, a maioria corre atrás das marcas
mais conhecidas no mercado e deixa de fora a experiência com o
novo. Dos sete entrevistados, apenas o comerciante Ademir Pires, 49
anos, revelou que presta atenção na produção
local.
'Como trabalho com refeição
popular, tenho que estar atento às marcas. Os produtos daqui
geralmente saem mais em conta. Há cinco anos percebi isso fazendo
pesquisa. Eles são bons. Têm o mesmo efeito que os de fora',
brinca. 'Mas já está na hora de ter mais fábricas
aqui, por exemplo, produção de ervilha, milho verde e
polpa de tomate. Isso faria com que o Norte se tornasse referência
tanto dentro quanto fora do mercado local', analisou o comerciante.
Já a técnica em Enfermagem
Carmem Célia Vacelar, 45 anos, apesar de ser dona de um restaurante,
afirma não 'se ligar' nos produtos regionais e optar quase sempre
pelos preços.
A xará dela, a doméstica
Carmem Rodrigues, 48, também não se habituou a procurar
produtos da terra. 'Como faço compras pensando nas crianças
da casa, pouco olho para coisas novas. Não dá para ficar
experimentado produtos ou escolhendo o que é mais barato. Não
se brinca com o organismo dos pequenos'.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
22 de agosto de 2006
Demissão voluntária
Empresa deve ressarcir por desconto indevido
de IR
A empresa ALL América Latina Logística
está obrigada a restituir a um ex-empregado o Imposto de Renda
descontado da indenização que recebeu para aderir ao Plano
de Demissão Voluntária. A decisão é da 1ª
Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
O TST modificou acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande
do Sul), que negou recurso ao trabalhador. A segunda instância
entendeu que “os valores retidos pela empresa, a título
de imposto de renda, já foram recolhidos à Receita Federal,
e o ressarcimento pretendido somente pode ser postulado diretamente
junto àquele órgão mediante remédio próprio”.
No TST, o ex-empregado insistiu na devolução
dos descontos. O pedido foi baseado na Orientação Jurisprudencial
207 do TST, que estabelece que a indenização paga por
conta de adesão ao PDV não está sujeita à
incidência de imposto de renda por não se tratar de parcela
de natureza salarial e sim indenizatória. Segundo ele, caberia
à empresa o dever de reembolsar valores indevidamente abatidos
do crédito trabalhista.
O relator, ministro João Oreste
Dalazen, deu razão ao empregado. “A decisão do TRT,
nos termos em que se pronunciou, isentou de responsabilidade o empregador
pelos descontos indevidos na verba trabalhista, contrariando a Orientação
Jurisprudencial 207 do TST”, observou. “Ao efetivar o desconto
ilícito, o empregador assume a responsabilidade pela restituição
do respectivo valor junto ao empregado”.
O ministro ressaltou, também,
que “cabe ao empregador, assim, causador do prejuízo, e
não ao empregado, encetar esforços para a obtenção,
na via administrativa ou na via judicial, da repetição
do indébito referente ao imposto de renda indevidamente descontado
e recolhido”.
RR 82679/2003-900-04-00.0
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
22/08/2006
Mudança na carga horária não
provoca redução salarial
A variação salarial decorrente
da alteração da carga horária de professor não
resulta em afronta à legislação trabalhista por
não se configurar a hipótese de redução
salarial. Com apoio nessa tese, a Sexta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho negou recurso de revista a um professor universitário
carioca, conforme voto do ministro Horácio Senna Pires (relator).
A decisão tomou como base a jurisprudência consolidada
na Orientação Jurisprudencial nº 244 da Seção
Especializada em Dissídios Individuais – 1 (SDI-1) do TST.
“A redução da carga
horária do professor, em virtude da diminuição
do número de alunos, não constitui alteração
contratual, uma vez que não implica redução do
valor da hora-aula”, prevê o item da jurisprudência.
O posicionamento adotado pelo TST confirmou
manifestação das duas instâncias da Justiça
do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), ambas contrárias
à pretensão do um ex-professor da Sociedade de Ensino
Superior Estácio de Sá. O trabalhador requeria o pagamento
de diferenças salariais sob a alegação de que sua
remuneração sofreu redução no curso do contrato
de trabalho.
O Tribunal Regional do Trabalho fluminense
considerou a variação salarial como lícita “em
razão da justificada alteração do número
de aulas ministradas, fato que é da essência do próprio
contrato de trabalho da categoria. O que não pode ser alterado
é o valor da remuneração da hora-aula, porque isso
sim, implicaria redução salarial ilícita, nos termos
da Constituição Federal”.
Também foi consignado nos autos
que houve variação de horas-aula ao longo da relação
de emprego e que o próprio trabalhador reconheceu a redução
salarial a partir da supressão de duas disciplinas que ministrava
na faculdade - Técnicas de Entrevista Jornalística I e
II - e da redução geral da carga horária de cada
disciplina do curso.
No TST, o professor alegou que a redução
de carga horária e salário teria resultado em alteração
contratual prejudicial, o que violaria os artigos 468 da CLT e 7º,
inciso VI, da Constituição. Sob esses argumentos pediu
o pagamento das aulas suprimidas com reflexo nas parcelas rescisórias.
A decisão regional foi considerada
acertada pela Sexta Turma. De acordo com Horácio Pires, “efetivamente
não houve redução salarial, já que o valor
da hora-aula continuou intacto, tendo ocorrido apenas diminuição
da quantidade de aulas ministradas pelo professor”.(RR 763435/2001.7)

|