 |
SITRACOCIFOZ,
23 de agosto de 2006
INTEGRAÇÃO DO VALE
COMPRAS
O companheiro Antonio Barros França, Presidente do SITRACOCIFOZ
- SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO
CIVIL E NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS,
PAVIMENTAÇÃO E OBRAS DE TERRAPLENAGEM EM GERAL DE
FOZ DO IGUAÇU, realizou dia 18.08.2006, assembléia
com os trabalhadores da empresa ROGÉRIO AUGUSTO CECCO (construção
civil), para discutir a integração do vale compras
nos salários, sendo aprovada por unanimidade para todos
os trabalhadores desta empresa, a partir de 1º de agosto
de 2006.
|
Antonio
Barros França
Presidente do SITRACOCIFOZ
|
|
SÓ NOTÍCIAS
/ MATO GROSSO, 23 de agosto de 2006
Sinop/MT: Reajuste salarial para funcionários
de madeireiras pode sair hoje
O aumento salarial para funcionários
de indústrias madeireiras de Sinop e região pode ser definido
hoje. Representantes dos sindicatos das duas categorias se reúnem,
daqui a pouco, às 09 horas, em Cuiabá, em uma audiência
com intervenção de um mediador do Ministério do
Trabalho, para tentar definir o reajuste, que está em negociação
há mais de um mês.
O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria,
Construção Civil e Mobiliário do Norte (Siticom)
cobra o aumento de 7%, mas o Sindicato das Indústrias Madeireiras
do Norte (Sindusmad) oferece 5%. O Siticom alega que outros segmentos
já definiram o reajuste e já houve uma redução
durante as negociações, já que inicialmente cobrava
15% de aumento.
O Sindusmad alega que não são
todas as empresas e setores que podem garantir o reajuste de 7%.
O aumento no piso salarial da categoria,
que varia conforme as funções (operadores, motoristas,
funcionários administrativos, entre outros), também gera
impasses. Pela proposta do Siticom, o nível 1 passaria de R$
342 para R$ 400. Auxiliares de nível 2 passariam a receber R$
465, o atual piso é de R$ 398. O cargo de operador, nível
3, passaria de R$ 438 para R$ 511, e os motoristas e que trabalham na
área administrativa, que tem piso de R$ 453, passaria R$ 530.
Já na proposta do Sindusmad, o
piso do nível 1 passaria para R$ 380, nível 2 para R$
425, R$ 465 para o nível 3 e R$ 480 ao nível 4.
|
Agência Senado, 23
de agosto de 2006
Paim quer criar Semana do Trabalhador

O senador Paulo Paim (PT-RS) deseja que a semana que antecede o dia
1º de maio seja denominada Semana do Trabalhador, período
que seria destinado a uma maior reflexão sobre a atividade profissional
e a ordem econômica do Brasil. Projeto nesse sentido (PLS 97/06),
apresentado pelo parlamentar, aguarda decisão na Comissão
de Constituição, Justiça e Cidadania, de onde seguirá
para a Comissão de Educação.
Paim quer instituir essa semana como
parte das comemorações do dia 1º de maio. Seu projeto
incumbe o Ministério do Trabalho de fornecer, nesse período,
a todos os sindicatos, escolas públicas e empresas, cartilhas
explicativas sobre os aspectos jurídicos da relação
de emprego, assim como a lista de todos os serviços prestados
por essa pasta do governo.
O mesmo projeto exige que a administração
direta da União, dos estados e dos municípios promova
um calendário de atividades que objetive a informação,
a especialização, a integração e a difusão
das experiências dos trabalhadores. Com essa proposição,
Paim disse esperar atender o interesse de milhões de brasileiros.
Na justificativa do projeto, Paim esclarece
que seu propósito não é o de criar mais um feriado,
licença, folga ou descanso em função do Dia do
Trabalho. O senador diz que sua intenção é proporcionar
uma reflexão maior sobre os complexos aspectos que envolvem a
atividade profissional e econômica do país.
"A proposição enseja
também uma atribuição pedagógica ao Ministério
do Trabalho, que passará a elaborar cartilhas elucidativas sobre
os direitos sociais do trabalhador", diz Paim. Ele defende que,
nessa semana, a discussão a respeito do trabalho seja intensificada,
aprofundando-se a busca de soluções que signifiquem melhores
condições de vida e maior desenvolvimento para o Brasil.
|
Agência Diap, 23 de
agosto de 2006
Relações de Trabalho
Conselho Nacional de Justiça lança
“Movimento pela Conciliação”
A presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra
Ellen Gracie, lança nesta quarta-feira, 23/08, em solenidade
no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, o Movimento pela Conciliação.
Trata-se de uma grande mobilização nacional de iniciativa
do CNJ em parceria com órgãos do Judiciário, Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Nacional do Ministério
Público (CNMP), além de associações de magistrados,
entidades, universidades, escolas de magistratura e outros setores da
sociedade civil.
O movimento, sob o slogan “Conciliar
é legal”, tem como objetivo promover, através da
cultura da conciliação, a mudança de comportamento
dos agentes da Justiça, de todos os seus usuários, dos
operadores de Direito e da sociedade. Além disso, pretende-se
mudar comportamentos e induzir na sociedade a cultura de que um entendimento
entre as partes e a conciliação é sempre o melhor
caminho para o encerramento de um processo jurídico.
O entendimento traz inúmeros benefícios
para todos os envolvidos, como uma maior satisfação do
usuário, diminuição do tempo do processo, economia
de recursos, integração entre a Justiça e a sociedade
civil, pacificação social e a construção
de um Judiciário mais acessível, eficiente e rápido.
Atualmente, a taxa de conciliação do país ainda
é baixa. Fica entre 30% e 35%, frente a um índice de cerca
de 70% nos países desenvolvidos.
O CNJ tem uma agenda de ações
pela conciliação desde o lançamento do movimento
até o Dia Nacional da Conciliação, marcado para
8 de Dezembro. Nesta ocasião, o Judiciário de todo o país
fará um grande mutirão, em todos os estados, promovendo
audiências de conciliação e divulgando a importância
do entendimento.
Movimento
O Movimento pela Conciliação
foi desenvolvido no âmbito da Comissão dos Juizados Especiais
do CNJ. Estão à frente da comissão os conselheiros
Eduardo Lorenzoni e Germana Moraes. Fazem parte da coordenação
do projeto o desembargador Marco Aurélio Buzzi, do Tribunal de
Justiça de Santa Catarina, e a juíza Mariella Nogueira,
do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Mariella explica que o movimento é
uma ação nacional e conjunta de todo o Judiciário.
“É uma grande iniciativa a caminho da pacificação
social”. Segundo a juíza, a conciliação busca
harmonizar interesses, fazendo com que as próprias partes construam
uma solução. “Quando um processo é concluído,
sempre há um perdedor e um ganhador e sempre há algo imposto.
Com a conciliação, chega-se a uma solução
que é boa para os dois lados”, afirma.
O desembargador Marco Aurélio
Buzzi lembra que para fazer conciliação não é
preciso fazer grandes investimentos nem contratar novos servidores,
beneficiando a parcela menos favorecida da população.
“O serviço de conciliação tem custo zero
para o estado, não depende de lei nem de reforma para acontecer
e atende aos anseios da população carente. Por isso, tem
tanta legitimidade junto à sociedade civil”, diz.
Participam do lançamento do movimento,
nesta quarta-feira, às 10h30, presidentes de tribunais de justiça,
tribunais do trabalho e tribunais regionais federais, tribunais superiores,
advogados, Ministério Público, defensorias, escolas de
magistratura, associações, universidade e entidades. A
solenidade será realizada na sala de sessões da Primeira
Turma do STF, no Anexo II B. Informações do STF.
|
Nova Central, 23 de agosto
de 2006
Digitador não tem direito à
carga horária reduzida
A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho deu provimento a um
recurso de revista da Companhia Brasileira de Bebidas isentando-a do
pagamento de duas horas extras diárias a um digitador que havia
obtido, nas instâncias inferiores, o direito à jornada
de trabalho reduzida de seis horas diárias.
A Vara do Trabalho de São José
(SC), analisando as provas e ouvindo testemunhas, considerou que o trabalhador
tinha como atividade exclusiva a tarefa de digitação,
inserindo no sistema dados extraídos de notas fiscais de entregas
de mercadorias, vendas em consignação e empréstimos
de equipamentos. Diante disso, deferiu a jornada de seis horas por aplicação
analógica do artigo 227 da CLT, referente a serviços de
telefonia e radiotelegrafia. A sentença foi mantida pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina), no
julgamento do recurso ordinário.
Ao recorrer ao TST, a Companhia Brasileira
de Bebidas alegou que a analogia adotada pela Vara do Trabalho e pelo
TRT não estaria correta. O TRT adotou a aplicação
analógica “diante da indubitável penosidade com
que são desenvolvidas as atividades exclusivas de digitador,
quiçá maior que a dos serviços de telefonia e de
radiotelegrafia”. A empresa sustentava a ausência de semelhança
entre a função desempenhada pelo trabalhador – a
de digitador – e as mencionadas no artigo 227 da CLT.
O relator do recurso de revista, ministro
Lelio Bentes Corrêa, ressaltou em seu voto que “o referido
dispositivo legal destina-se aos empregados que desempenham atividades
nos serviços de telefonia, telegrafia submarina ou subfluvial,
radiotelegrafia ou, ainda, radiotelefonia, não sendo possível
sua aplicação analógica ao digitador, porque exerce
função totalmente distinta daquelas expressamente relacionadas”.
A aplicação analógica
só seria possível quando se constatasse a semelhança
entre as atividades – o que não era o caso. O ministro
Lelio Bentes citou decisões do TST em situações
semelhantes para destacar que a vantagem que a jurisprudência
tem concedido ao digitador é o direito ao intervalo de dez minutos
a cada 90 minutos de trabalho, previsto no artigo 72 da CLT para datilógrafos
e mecanógrafos.
|
Nova Central, 23 de agosto
de 2006
Empresa é obrigada a comunicar
acidente de trabalho
Caso isso não ocorra, o empregado pode
comunicar o fato à Previdência Social
Da Redação (Brasília)
- O trabalhador que sofre acidente durante o trajeto para o trabalho
ou dentro da empresa, ou ainda no caso de doença do trabalho,
deve exigir que o patrão comunique o fato à Previdência
Social até o primeiro dia útil seguinte da ocorrência.
Caso isso não aconteça, o empregado, seus dependentes
e os sindicatos podem registrar a ocorrência de acidente de trabalho.
Isso, no entanto, não isenta a empresa da responsabilidade e
ela é multada por não comunicar o acidente.
Para que o trabalhador faça o
cadastramento das ocorrências, ele precisa preencher a Comunicação
de Acidente de Trabalho (CAT). O registro da CAT pode ser feito pelo
site ou nas agências da Previdência Social. É importante
lembrar que o empregado acidentado e incapacitado para o trabalho por
mais de 15 dias não poderá solicitar o auxílio-doença
acidentário caso não haja a comunicação.
Como conseqüência, ele não terá a estabilidade
de um ano após a volta ao serviço.
A CAT preenchida pelo trabalhador, ou
pelos seus dependentes ou sindicatos, tem o mesmo valor da Comunicação
feita pelas empresas. Quando o acidente for comunicado pelo segurado
do INSS, será realizada uma perícia médica para
reconhecer se a lesão ou doença foi provocada por um acidente
de trabalho. Caso o segurado deseje, ele poderá requisitar a
cópia do laudo médico pericial no ato do exame.
Auxílio-doença
acidentário - É o benefício
pago ao segurado da Previdência Social incapacitado de exercer
sua atividade laboral em decorrência de acidente de trabalho ou
doença profissional. Considera-se acidente de trabalho aquele
ocorrido no exercício de atividades profissionais a serviço
da empresa (típico) ou ocorrido no trajeto casa-trabalho-casa
(de trajeto). O benefício deixa de ser pago quando o segurado
recupera a capacidade laboral e retorna ao trabalho ou quando é
transformado em aposentadoria por invalidez. Tem direito ao auxílio-doença
acidentário o trabalhador empregado, o segurado especial e o
trabalhador avulso. (Alessandra Pires)
|
Diário Vermelho,
23 de agosto de 2006
Mantega: tabalhador poderá escolher
banco para receber salário
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira
que o trabalhador vai poder transferir dinheiro da conta de onde recebe
seu salário para outra, em banco de sua escolha, sem pagar CPMF
ou tarifas bancárias. "Estamos dando ao trabalhador o direito
de escolher o banco com que quer trabalhar. Ele vai poder fazer isso
sem pagar CPMF e sem pagar tarifas", afirmou.
A decisão do governo faz parte
de um conjunto de medidas a serem anunciadas nos próximos dias.
O objetivo é promover a competitividade entre os bancos e, com
isso, reduzir os juros. "Queremos que os bancos corram atrás
do cliente e não que o cliente fique pedindo favores aos bancos",
disse o ministro, em entrevista à agência Radiobrás.
Com o novo pacote, o trabalhador também
poderá migrar o crédito consignado tomado em um banco,
caso outro estabelecimento ofereça custos menores. "O sujeito
que tem empréstimo num banco poderá transferir para outro
banco, se o outro banco oferecer juros mais baixos", exemplificou.
Mantega criticou o sistema atual,
em que a empresa decide qual o banco dos seus empregados, e freqüentemente
tira proveito disso. "Muitas vezes as empresas negociam a folha
de pagamento com o banco e têm alguma vantagem em troca. E aí
fica o compromisso de que essa conta não pode sair de lá.
Cria-se uma dificuldade, principalmente com tarifa elevada", comentou
o ministro.
|
Força Sindical, 23
de agosto de 2006
MP vai à Justiça contra
cobrança de taxa dos não-sindicalizados
Por Mariana Sallowicz
Cobrança assistencial é
incluída nas campanhas salariais
Procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) têm
travado uma batalha pelo fim da cobrança da contribuição
assistencial – taxa cobrada dos trabalhadores na data-base para
custear as negociações coletivas – dos não-sincalizados.
No Tribunal Superior do Trabalho (TST) as decisões têm
sido à favor dos trabalhadores. Segundo entendimento dos juízes,
a imposição de contribuição de empregados
não associados em favor do sindicato da categoria viola o princípio
da liberdade de associação assegurada no texto constitucional.
Por outro lado, os sindicatos vêem o fim da para os não-sindicalizados
negativamente. “Os sindicatos negociam por todos os trabalhadores
da categoria, sindicalizados ou não”, diz o presidente
da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.
Hoje, representantes das centrais se reúnem com o presidente
do TST, ministro Ronaldo Leal, para discutir os motivos para que a cobrança
seja mantida.
Em julho, o ministro anunciou que faria um estudo sobre o recolhimento
da taxa. Um dos objetivos é criar formas eficazes dos empregados
não sindicalizados contestarem a cobrança. “Inúmeras
disputas judiciais vêm sendo travadas entre trabalhadores e seus
sindicatos. O objetivo é obter declaração da nulidade
das cláusulas de acordo e convenção coletiva que
impõe a trabalhadores não-sindicalizados descontos a título
de contribuição assistencial e devolução
dos descontos de que foram objeto os salários dos empregados”,
constata Ronaldo Leal.
A contribuição assistencial é cobrada anualmente,
no mês da data-base, dos trabalhadores. O desconto só pode
ser feito quando a taxa for instituída em assembléia geral,
com ampla participação dos trabalhadores da categoria.
Ela deve estar prevista em convenção ou acordo coletivo
de trabalho. Também é necessário garantir ao trabalhador
não-sindicalizado o direito à oposição ao
desconto no salário. Segundo o presidente da Força Sindical
a cobrança chega a 23% do salário. “Neste caso,
a cobrança é abusiva”, afirma.
|
Superior Tribunal de Justiça,
23 de agosto de 2006
Fornecimento de energia pode ser suspenso
por falta de pagamento após prévio aviso
Como não pode a concessionária deixar de fornecer o serviço,
também não pode o usuário negar-se a pagar o que
consumiu sob pena de se admitir o enriquecimento sem causa, com a quebra
do princípio da igualdade de tratamento das partes. Com esse
entendimento, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça
(STJ), por unanimidade, manteve a decisão do Tribunal de Justiça
do Rio de Janeiro (TJRJ) que endossou o corte do fornecimento de energia
elétrica de usuário inadimplente no pagamento de suas
contas.
No caso, a Light Serviços de Eletricidade
S/A suspendeu, por falta de pagamento, o fornecimento de energia elétrica
à empresa Mottasport Academia Ltda. após prévio
aviso comprovado nos autos do processo. Inconformada com a decisão,
a empresa recorreu ao STJ alegando ilegalidade da suspensão devido
à violação dos princípios da continuidade
e da dignidade da pessoa humana. Acompanhando o voto da relatora, ministra
Eliana Calmon, a Turma negou provimento ao recurso especial e manteve
acórdão do TJRJ.
De acordo com a ministra, a paralisação
do serviço impõe-se quando houver inadimplência,
repudiando-se a interrupção abrupta, sem o aviso prévio,
como meio de pressão para o pagamento das contas em atraso. Ou
seja, é permitido o corte de serviço, mas com o precedente
aviso de advertência. Na hipótese dos autos, sustentou
a relatora, a suspensão ocorreu em virtude do inadimplemento
do recorrente no pagamento de suas contas, estando o consumidor avisado
previamente de que tal fornecimento seria interrompido.
Segundo a ministra Eliana Calmon, admitir
o inadimplemento por um período indeterminado sem a possibilidade
de suspensão do serviço é consentir com o enriquecimento
sem causa de uma das partes, fomentando a inadimplência generalizada
e comprometendo o equilíbrio financeiro da relação
e a própria continuidade do serviço, com reflexos, inclusive,
no princípio da modicidade. "O custo do serviço será
imensurável a partir do percentual de inadimplência, e
os usuários que pagam em dia serão penalizados com possíveis
aumentos de tarifa", sustentou a relatora.
Em seu voto, a ministra também
ressaltou que a política tarifária do setor de fornecimento
de energia é fortemente regulada e estabelecida pelo Poder Público,
tanto é que as tarifas têm valores diferenciados, sendo
classificadas por faixas distintas conforme a atividade ou nível
sócio-econômico do consumidor, estando fora de questão
admitir-se a prestação gratuita dos serviços.
"Se à prestadora do serviço
exige-se o fornecimento de serviço continuado e de boa qualidade,
respondendo ela pelos defeitos, acidentes ou paralisações,
pois é objetiva a sua responsabilidade civil; como então
aceitar-se a paralisação no cumprimento da obrigação
por parte do consumidor?", questiona a ministra em seu voto. Segundo
a ministra Eliana Calmon, tal aceitação levaria à
idéia de se ter como gratuito o serviço, o que não
pode ser suportado por quem fez enormes investimentos e conta com uma
receita compatível com o oferecimento dos serviços.
Para a ministra, na atualidade, os serviços
essenciais são prestados por empresas privadas que recompõem
os altos investimentos com o valor recebido dos usuários por
meio dos preços públicos ou tarifas, sendo certa a existência
de um contrato estabelecido entre concessionária e usuário
e não sendo possível a gratuidade de tais serviços.
A ministra Eliana Calmon concluiu o voto
explicando seu posicionamento em termos normativo, ontológico
e capitalista: "Sob o aspecto da norma específica, estão
as concessionárias autorizadas a suspender os serviços
quando não pagas as tarifas; sob o aspecto ontológico,
não se conhece contrato de prestação de serviço
firmado com empresa pública, cujo não-pagamento seja irrelevante
para o contratado; sob o ângulo da lógica capitalista,
é impossível a manutenção de serviço
gratuito por parte de grandes empresas que fazem altos investimentos".
Tema polêmico
Em seu voto, de nove páginas,
a ministra Eliana Calmon reconhece que a suspensão de serviço
público por falta de pagamento não constitui um direito
absoluto e admite que o tema encontra divergências no próprio
STJ, embora hoje, majoritariamente, colham-se depoimentos em favor da
legalidade do corte de fornecimento em razão do inadimplemento.
Citando vários autores e juristas,
a ministra ressalta que o que define a natureza jurídica da prestação
do serviço essencial é o seu do sistema de remuneração.
Assim, sustenta a ministra Eliana Calmon, não se há de
confundir taxa com tarifa ou preço público, como já
advertido pela Súmula 545/STF: se o serviço público
é remunerado por taxa, não podem as partes cessar a prestação
ou a contraprestação por conta própria; se for
por tarifa, que é uma remuneração facultativa oriunda
da relação contratual na qual impera a manifestação
da vontade, o particular pode interromper o contrato.
Segundo a ministra, doutrinariamente
ainda não há unidade sobre o tema, pois uma corrente defende
a aplicação do Código de Defesa do Consumidor (CDC)
somente aos serviços remunerados por tarifa e uma outra entende
que o CDC é aplicável indistintamente a todos os serviços,
sejam eles remunerados por taxa ou tarifa.
"Lamentavelmente o impasse doutrinário
não foi ainda solucionado pela jurisprudência, extremamente
vacilante nesse especial aspecto, inclusive nesta Corte de Justiça",
ressalta a ministra em seu voto, acrescentando que se filia à
primeira corrente.
Embora seja permitida a suspensão
do serviço público por falta de pagamento, a ministra
Eliana Calmon adverte que ela não constitui direito absoluto:
"o fornecedor tem o dever de colaborar para que o consumidor possa
adimplir o contrato, criando condições para o regular
pagamento".
Isso porque o pequeno inadimplemento
do consumidor se confunde com a mera impontualidade, sem gerar as conseqüências
de um corte de fornecimento. "Daí a obrigatoriedade de o
fornecedor estabelecer ao usuário datas opcionais para o vencimento
de seus débitos, além de prazo para proceder-se à
interrupção quando houver inadimplência".
|
Folha
de São Paulo, 23 de agosto de 2006
Lula tem avaliação
positiva recorde e reforça favoritismo
Governo é visto como bom ou ótimo
por 52%, aponta Datafolha; índice é o maior desde 1987
Em pouco mais de 30 dias, vantagem de Lula sobre
Alckmin subiu de 16 para 24 pontos; rejeição ao petista
caiu após propaganda na TV
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
A avaliação positiva do
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu sete pontos
nas duas últimas semanas e atingiu o recorde de 52%, consolidando
em várias frentes seu favoritismo à reeleição.
Se a votação de 1º de outubro fosse hoje, Lula venceria
com 56% dos votos válidos. Pesquisa Datafolha mostra que o início
do horário eleitoral na TV, na semana passada, teve pequeno impacto
sobre as intenções gerais de voto do eleitor.
Mas a TV serviu para reforçar
todos os indicadores que favorecem a candidatura Lula. Entre o dia 8
de agosto e ontem, Lula oscilou dois pontos, de 47% para 49%. Seu principal
adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), um ponto, de 24% para 25%.
As variações estão dentro da margem de erro do
levantamento, de dois pontos percentuais, para mais ou menos.
A avaliação positiva de
52% do governo Lula é a maior desde maio de 1987, quando o Datafolha
iniciou esse tipo de levantamento, ainda no mandato do ex-presidente
José Sarney.
O recorde de ótimo/bom obtido
antes era do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em dezembro de
1996 (47%).
A nota média atribuída à gestão Lula subiu
de 6,3 para 6,7 desde a pesquisa anterior -46% dos eleitores dão
nota igual ou superior a 8. Na atual corrida, Lula também atingiu
o recorde de 37% nas intenções de voto espontâneas
(quando o eleitor é questionado em quem ele vai votar sem que
as opções sejam apresentadas). Em duas semanas, o petista
subiu quatro pontos nesse quesito. Alckmin tem 13% (oscilou um para
cima).
A taxa de rejeição ao presidente
também caiu ao seu nível mais baixo, recuando de 29% para
26%. Ela praticamente igualou-se à de Alckmin (24%). Por fim,
entre os eleitores que assistiram ao horário eleitoral, o programa
de Lula foi o de maior audiência (46%), contra 43% para o de Alckmin
e 40% da candidata à Presidência pelo PSOL, Heloísa
Helena. Na pesquisa, Heloísa Helena oscilou negativamente um
ponto e tem agora 11% das intenções de voto. Os demais
candidatos atingiram um ponto ou não pontuaram.
Em termos regionais, duas mudanças
importantes foram captadas no levantamento, realizado em parceria entre
a Folha e a TV Globo. No Sul, Alckmin recuperou perdas sofridas nos
últimos dias e subiu 11 pontos (leia texto na página A6).
Ele, porém, não tirou votos de Lula, mas dos que votariam
em branco ou nulo e dos indecisos. No Centro-Oeste, o tucano perdeu
cinco pontos e Lula subiu sete. Todas essas tendências somadas
fizeram com que, em pouco mais de 30 dias, Lula aumentasse de 16 para
24 pontos a diferença sobre Alckmin.
"O horário eleitoral ajudou
Lula, que mostrou mais ritmo na TV e conseguiu reforçar os pontos
positivos de seu governo", afirma Mauro Paulino, diretor-geral
do Datafolha.
Repetindo FHC
A melhora na avaliação
de Lula segue a mesma tendência captada pelo Datafolha na reeleição
de FHC, em 1998. Em agosto de 1998, logo após o início
do horário eleitoral, FHC subiu seis pontos ao mostrar suas realizações
e chegou às vésperas da eleição com 49%
das intenções de voto -mesmo percentual que Lula tem hoje.
Na comparação com a campanha de 2002, o horário
eleitoral agora teve bem menos influência. Há quatro anos,
a TV teve forte impacto sobre as candidaturas de José Serra (PSDB)
e de Ciro Gomes (então no PPS). Usando negativamente uma entrevista
em que Ciro chamou um eleitor de "burro", Serra passou a "desconstruir"
o adversário. Em alguns dias, cortou de 14 para 1 ponto a distância
que o separava de Ciro.
SEGUNDO TURNO:
Vantagem de petista contra
tucano cresce para 21 pontos
A vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação
a Geraldo Alckmin (PSDB) em uma simulação de 2º turno
dobrou em um mês. Na pesquisa Datafolha de 17 e 18 de julho, o
petista tinha 50% contra 40% do tucano. No levantamento de 7 e 8 de
agosto, o presidente estava 17 pontos à frente (54% a 37%). Agora,
Lula tem 56%, e Alckmin, 35%. Em eventual disputa de 2º turno com
Heloísa Helena (PSOL), Lula teria 57%, e a senadora, 31%.

Fonte Gráfico: Gazeta do Povo, 23 de agosto de 2006.
|
Folha
de São Paulo, 23 de agosto de 2006
Renda cresce com eleição,
mas depois cai
Em anos eleitorais, rendimento aumenta 12,1% desde
1982; ganho, porém, é diluído no ano seguinte, aponta
estudo da FGV
Ciclo se deve a lançamento de "pacotes
de bondades" seguidos por medidas menos populares após a
votação, diz pesquisador
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
A renda do brasileiro cresce em anos
eleitorais, mas o efeito não dura mais do que um ano. Estudo
elaborado pelo Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação
Getulio Vargas) mostra que a renda mediana cresceu 12,1% em anos de
eleições desde 1982. Nos anos seguintes às disputas
eleitorais, a renda caiu 11,9%. A volatilidade da renda nesse período
está relacionada ao lançamento de pacotes econômicos
com implicações fiscais, salariais e cambiais em sintonia
com o calendário eleitoral.
Pacotes de bondades ou programas de combate
à inflação como os planos Cruzado, Verão
e Real foram elaborados antes de períodos de votação.
Já os programas que trazem custos imediatos com aumento do desemprego
são lançados em anos posteriores às eleições,
como o Cruzado Dois e o Plano Collor. Esse "ciclo político
de negócios" no Brasil, que infla os níveis de emprego
e renda em anos de disputa eleitoral, está perdendo força
nas últimas votações, embora ainda faça
parte da política brasileira.
Considerando apenas as duas últimas
eleições, a renda mediana cresceu 3% em 1998 e em 2002.
No ano seguinte à votação, houve queda de 2% na
renda. A renda mediana é a linha que separa os 50% mais pobres
dos 50% mais ricos da população brasileira. "Época
de eleição é quando as boas notícias são
entregues. Quem paga a conta é a instabilidade da sociedade.
O Brasil ainda é uma democracia jovem, sujeita a políticas
oportunistas de aquecimento da economia antes das eleições
para gerar resultado favorável", afirmou Marcelo Néri,
autor do estudo.
O levantamento foi feito com base em
dados da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio),
elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em razão disso, o estudo não inclui dados sobre o ano
de 1994, quando a PNAD não foi feita.
A miséria também tende
a cair temporariamente em anos de eleição, mas volta a
crescer no ano posterior. O número de pessoas que viviam na miséria
caiu de 28,72% em 2001 para 26,23% em 2002, ano de eleição.
Em 2003, ela subiu novamente e ficou em 27,26%. Segundo a pesquisa,
a renda de todas as fontes dos eleitores cresce 4,28% em anos de eleição.
A maior parte do crescimento, porém, vem de itens como programas
assistenciais e juros de aplicações financeiras.
Este segmento registra alta de 24% em
ano de votação. A partir dos dados da PNAD, a renda dos
brasileiros chega a R$ 436,79 em anos de eleição e fica
em R$ 410,37 em anos sem disputa eleitoral. O aumento da fatia de rendimentos
é maior para os eleitores. A renda deles cresce 1% a mais do
que a dos demais. Essa taxa de expansão é motivada pelo
aumento de 5,4% a mais nos programas de transferência de renda
e nos juros de aplicações financeiras.
Funcionalismo
Segundo a pesquisa, o funcionalismo
público exemplifica a perpetuação do ciclo eleitoral.
As chances de ocupação neste segmento são menores
em anos eleitorais, em razão das restrições à
contratação de funcionários seis meses antes das
eleições. Por outro lado, há um esforço
adicional dos governos para conceder reajustes. O funcionário
público federal obtém ganhos de 3,63% em anos eleitorais
e os estaduais, de 8,1%, aponta a pesquisa da FGV.
|
Folha
de São Paulo, 23 de agosto de 2006
Sindicato aceita negociar com VW, mas recusa
corte
Montadora anunciou que pode demitir 6.100 e fechar
fábrica se não chegar a acordo | Trabalhadores aprovam em
assembléia retomada de negociações, mas não
abrem mão de empregos nem de direitos trabalhistas
Jorge Araújo/Folha Imagem

Trabalhadores da Volkswagen durante assembléia na fábrica
de São Bernardo do Campo (SP)
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Os funcionários da Volkswagen
de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, decidiram que vão
negociar o plano de reestruturação da montadora para reduzir
custos e atrair investimentos para a fábrica, mas recusam demissões
e corte de direitos trabalhistas, como já propôs a empresa.
A montadora anunciou na segunda-feira aos sindicalistas que, se não
aceitarem negociar medidas para reduzir os custos em 15% e aumentar
a competitividade da fábrica, o grupo pode demitir 6.100 dos
12,4 mil empregados e fechar a unidade do ABC. Um dos marcos da industrialização
do país, a fábrica chegou a empregar 42 mil pessoas no
final dos anos 70.
A empresa estaria preparando uma lista
dos demitidos para pressionar e forçar o sindicato a fechar um
acordo, segundo informaram dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC (CUT). Pelo menos 1.800 nomes estariam selecionados. A montadora
não confirma. Os trabalhadores sabem que podem ser dispensados
a partir de novembro, quando acaba acordo de estabilidade negociado
em 2001 na Alemanha por Luiz Marinho (ministro do Trabalho e, na ocasião,
presidente do sindicato). Há cinco anos a VW tenta redimensionar
suas atividades, mas enfrenta resistência do sindicato.
A Volks afirma que precisa fechar até
sexta-feira um acordo sobre a reestruturação porque a
matriz alemã cobra uma posição da filial para definir,
em reunião marcada para setembro, na Alemanha, novos investimentos.
Com o acordo, a VW afirma que precisa demitir 3.672 empregados para
compensar a queda nas exportações em razão da desvalorização
do dólar. Sem o acordo, o número de dispensas subiria
para 6.100.
A retomada das negociações
foi aprovada ontem em assembléia com cerca de 10 mil trabalhadores,
segundo o sindicato. No sábado, os empregados fazem nova assembléia
para avaliar o rumo das negociações e podem definir protestos,
manifestações e até mesmo paralisações,
caso não saia um acordo.
"Não podemos abrir mão
de negociar. Mas será um desafio, porque não vamos aceitar
que se arranquem direitos (como redução salarial dos novos
contratados em 35%) nem demissões", afirma José Lopez
Feijóo, presidente do sindicato.
O dirigente descartou ainda negociar
um acordo como o realizado na Volks de Taubaté -a empresa indicará
700 demitidos nessa unidade até 2008 e concede incentivo de 0,4
salário por ano trabalhado. O sindicato atribui as dificuldades
que a VW enfrenta à má administração da
empresa. "A fábrica cometeu uma série de erros administrativos,
investiu em carros que não deram certo no mercado e agora quer
chamar o trabalhador para pagar a conta?", questiona Feijóo.
Ele cita, por exemplo, que a empresa
estimava, quando iniciou a produção do Fox no país,
exportar 140 mil modelos do carro em 2006. "Agora, esses números
estão revistos para 60 mil neste ano, 30 mil em 2007 e 7.000
em 2008." Para os funcionários, a empresa está fazendo
"terrorismo" ao anunciar o fechamento da fábrica. "Isso
aqui dá lucro.
Não há carro suficiente
no mercado, a Volks está vendendo, e estamos cansados de ser
convocados para trabalhar fora do horário para dar conta da demanda",
diz André Rodrigues Linhares, 48, há 28 anos na VW. "A
empresa nos pressiona, deixa nossas famílias preocupadas dizendo
que vai fechar. Duvido que faça isso. O que ela faz, mesmo, é
terrorismo", diz André, 45, que prefere não revelar
o sobrenome por temer represálias.
|
Folha de São Paulo,
23 de agosto de 2006
INDÚSTRIA
Stora Enso compra fábrica de papel
no PR
DA FOLHA ONLINE
A fabricante sueco-finlandesa Stora Enso
comprou as subsidiárias da International Paper no Brasil, a Vinson
Indústria de Papel Arapoti e a Vinson Empreendimentos Agrícolas,
ambas em Arapoti (PR), por US$ 415 milhões. Entre os ativos adquiridos
estão uma fábrica de papel (com capacidade de produção
de 205 mil toneladas por ano), uma serraria (com capacidade de corte
de 150 mil metros cúbicos por ano) e cerca de 50 mil hectares
de terras.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de agosto de 2006 | Brasil
PREVIDÊNCIA-Acordo fechado em abril garante
antecipação
Aposentados vão receber
50% do 13.º em setembro
Rio de Janeiro – Em programa de rádio no Rio, cujo público-alvo
é composto por idosos, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva disse que neste ano o governo irá antecipar o pagamento
de 50% do 13.º salário dos aposentados e pensionistas da
Previdência. O pagamento da primeira parcela do abono será
em setembro (referente ao benefício de agosto) e foi fruto de
acordo fechado em abril por governo, centrais sindicais e representantes
de inativos, segundo o Ministério da Previdência.
Essa é a primeira vez nos 83 anos
de história da Previdência Social do país que os
beneficiários receberão antes do fim do ano.
Para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a antecipação
do pagamento do benefício não fere a regra legal que impede
reajustes ao funcionalismo três meses antes das eleições.
Por causa de uma manobra da oposição,
o governo foi obrigado neste mês a vetar uma medida provisória
alterada pelo Congresso, que passou a prever reajuste de 16% para os
aposentados que recebem mais do que o salário mínimo.
Para assegurar reajuste de 5% aos aposentados com salários maiores
do que o piso, o governo teve de editar uma nova MP com conteúdo
semelhante.
Lula disse não ter titubeado em
vetar a medida: “Eu não tive dúvida nenhuma. Quando
percebi que aquilo era um jogo político na perspectiva de me
desgastar e, como tenho responsabilidade e consciência que o Brasil
tem de agir com seriedade, vetei. Os aposentados poderiam ter perdido
tudo”, disse.
Social
Ainda durante a entrevista ao radialista
Roberto Canázio, da Rádio Tupi do Rio, Lula disse que
os programas de transferência de renda não são a
solução definitiva. Afirmou, porém, que não
pode “deixar as pessoas morrendo de fome” enquanto esperam
por um emprego. “O sonho das pessoas que recebem o Bolsa-Família
é deixar de recebê-lo no momento em que tiverem oportunidade
de emprego.”
Corrupção
Durante a entrevista, transmitida
ao vivo de um hotel, Lula disse ainda que costura “um pacto com
os governadores para tirar o Imposto sobre Circulação
de Mercadorais e Serviços do gás (de botijão),
que poderia ficar muito mais barato”. O presidente afirmou ainda
que não vai ficar “pedra sobre pedra” no combate
à corrupção durante seu governo, exaltando o trabalho
da Polícia Federal.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Só um candidato apresentou
plano de governo
Brasília – A 40 dias das eleições, apenas
um dos seis concorrentes a presidente da República divulgou oficialmente
sua proposta de programa de governo. José Maria Eymael (PSDC)
lançou seu programa durante a convenção que o indicou
candidato, no dia 17 de junho. Com 27 itens, em alusão ao número
do seu partido, o candidato diz que o programa consiste em “uma
visão sintetizada de grandes idéias”.
O PT do presidente e candidato a reeleição
Luiz Inácio Lula da Silva tinha inicialmente previsto a divulgação
de seu plano de governo para hoje, mas adiou para terça-feira
da semana que vem. Segundo a assessoria de imprensa do partido, por
questões de agenda a primeira data foi inviabilizada.
Já o PSDB de Geraldo Alckmin informou
através da assessoria de imprensa da campanha que não
vai apresentar “por agora” um programa fechado. O candidato
vem apresentando publicamente propostas pontuais. À medida que
Alckmin for divulgando os pontos do seu programa – que tem mais
de 30 temas –, eles serão disponibilizados no site do candidato.
Cristovam Buarque (PDT) deve lançar
o seu programa no dia 1.º de setembro. De acordo com um dos coordenadores
do programa de governo do partido, Elimar Pinheiro do Nascimento, o
documento é dividido em duas partes. A primeira contém
as diretrizes e está em fase final de revisão. A segunda,
que aponta como executar essas diretrizes, está sendo finalizada.
O PSL de Luciano Bivar disponibilizou 13 propostas no site do candidato
(www.lucianobivar17.can.br). Já o PSol de Heloísa Helena
deve apresentar o seu programa de governo no fim do mês.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Central ligada a tucanos decide
apoiar candidato petista
Brasília – A Social Democracia Sindical (SDS), central
sindical formada em 1997 por tucanos e pefelistas, decidiu pela primeira
vez não apoiar um candidato a presidente do PSDB e oficialmente
está reforçando a campanha pela reeleição
de Luiz Inácio Lula da Silva.
“É a primeira vez que não
apoiaremos o candidato do PSDB, pois tivemos muitos problemas com Alckmin
enquanto governador, principalmente no processo de privatização
das empresas de energia. Decidimos oficializar o apoio ao Lula”,
afirmou o presidente da SDS, Enilson Simões de Moura, o Alemão.
Com este apoio inusitado, o atual presidente
conta agora com o apoio oficial de três centrais sindicais: Central
Única dos Trabalhadores (CUT) – que representa 22,5 milhões
de trabalhadores; a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB),
que reúne 4,8 milhões de trabalhadores; e a SDS, que representa
4,2 milhões de pessoas.
Já o candidato tucano Geraldo
Alckmin, que oficialmente não recebe o apoio de nenhuma central,
tem a simpatia da maior parte dos sindicalizados da Confederação
Geral dos Trabalhadores (CGT), que tem 2,6 milhões de sindicalizados.
A Força Sindical, a segunda maior
central do país com 7,1 milhões de trabalhadores na base,
se diz oficialmente neutra, porém a maior parte de seus dirigentes
e militantes apóia Cristovam Buarque (PDT).
Heloísa Helena (Psol) conta
com o apoio informal da Coordenação Nacional de Lutas
(Conlutas), central sindical de extrema esquerda com cerca de 1,8 milhão
de trabalhadores na base.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de agosto de 2006 | Economia
INVESTIMENTO
Crescimento do setor de base florestal
depende de aumento da área plantada
Novos investimentos privados no setor de base florestal paranaense,
como o realizado pela Stora Enso com a compra da fábrica de papéis
Vinson, em Arapoti (norte pioneiro), dependem do crescimento da disponibilidade
de matéria-prima, considerada barata porém escassa. O
negócio da madeira de reflorestamento é responsável
por 8% do PIB do estado, mas seu crescimento requer a ampliação
da área de floresta plantada. Essa é a expectativa das
empresas fornecedoras do setor, que participaram de feira promovida
nesta semana pela UFPR. O evento reuniu fabricantes de equipamentos
e especialistas em manejo até ontem no centro de eventos do Sistema
Fiep, em Curitiba.
Na palestra de abertura, Miguel Sampol
Pou, diretor-geral da fabricante de papel, cartão e embalagens
Klabin disse acreditar que a área plantada no estado vai dobrar
no período de dez anos. Hoje são 870 mil hectares com
pinus e eucalipto. As regiões que ainda podem receber plantio
são o Vale do Ribeira, Telêmaco Borba (nos Campos Gerais)
e Guarapuava (centro do estado), de acordo com o coordenador do evento,
Jorge Malinovski.
Em todo o Brasil as empresas do setor prevêem investimentos de
US$ 8 bilhões em plantio até 2012. Com 5,2 milhões
de hectares plantados, o país é o sétimo produtor
mundial. A líder é a China.
A presença dos maiores fabricantes
de máquinas e equipamentos para o setor, como Caterpillar, New
Holland e Volvo, garantiu fechamento de vendas durante a feira. Foi
o caso da fabricante japonesa Komatsu, com sede brasileira em Curitiba.
A empresa vendeu pelo menos três unidades do trator pós-colheita,
que retira as toras já desbastadas e cortadas do campo de plantio,
ao preço de cerca de US$ 350 mil. “Tivemos este ano um
público muito interessado”, diz o diretor de marketing
da Komatsu, Lonard Santos, referindo-se aos 900 visitantes.
A feira também foi a oportunidade
para o lançamento de novas tecnologias, como o sistema de tranporte
por cabo aéreo para regiões montanhosas vendido pela austríaco-brasileira
Penz-Saur. (HC)
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 23 de agosto de 2006

|
PONTA PORÃ NEWS,
23 de agosto de 2006
Em SP, encontrados cerca de 430 trabalhadores
escravos
Fiscais do Ministério do Trabalho
encontraram nesta segunda-feira no interior de São Paulo cerca
de 430 cortadores de cana trabalhando em condições subumanas
e passando fome. Os trabalhadores estavam em canaviais de Lençóis
Paulista e Pederneiras, na região de Bauru.
De acordo com a assessoria de imprensa
do ministério, no município de Pederneiras, 30 lavradores
trabalhavam para a BR Prestadora de Serviço. A empresa fornecia
mão-de-obra para a Usina São José, pertencente
ao Grupo Zillo Lorenzetti, segundo denúncia da Federação
dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo.
Os lavradores foram encontrados em pequenos
cômodos, em condições precárias de higiene,
dormindo em colchonetes no chão, recebendo pagamentos abaixo
do salário mínimo.
Os 400 cortadores de cana encontrados
na Fazenda Velha, da Usina Barra Grande, que pertence ao mesmo grupo,
em Lençóis Paulista, trabalhavam 10 horas por dia e exerciam
a atividade em total desacordo com a Norma Reguladora 31, que trata
especificamente da garantia dos direitos básicos dos trabalhadores
rurais.
Os fiscais exigiram o envio na segunda-feira
de 10 cestas básicas aos alojamentos, com 22 quilos de alimentos
cada. A comida seria dividida entre os trabalhadores. Para os cortadores
de cana, o ministério exigiu o pagamento.
|
BBC BRASIL.COM, 23 de agosto
de 2006
Combate ao trabalho infantil 'avançou
no Brasil', diz especialista
O ativista indiano Kailash Satyarthi,
especialista em trabalho infantil, diz que o Brasil avançou no
combate ao problema, mas afirma que ainda falta investimento em educação
para melhorar ainda mais a situação das crianças
que trabalham no país.

Além da agricultura, empresas também empregam crianças
“O Brasil é um dos países onde o combate ao trabalho
infantil está avançando. Mas é preciso investir
mais em educação, não só garantindo que
as crianças tenham acesso à escola, mas também
que a escola tenha qualidade”, afirma.
Programas de governo – como o Bolsa-Escola
e o Bolsa-Família – ajudam a combater o problema, segundo
ele, mas é preciso de mais ações para enfrentar
a pobreza das famílias.
Segundo ele, o trabalho infantil é
grave tanto na agricultura como nas cidades, onde ainda há crianças
sendo empregadas por empresas.
Centros de educação
Ganhador de vários prêmios
por seu trabalho ligado ao combate ao trabalho infantil, Satyarthi é
um dos indicados para o Prêmio Nobel da Paz deste ano. Ele está
em Brasília como um dos convidados do Seminário Internacional
Educação, Pobreza e Desenvolvimento, que acontece na cidade
de terça a sexta-feira desta semana.
Satyarthi organiza ações
de fiscalização e “libertação”
de crianças em trabalho perigosos em todo o mundo e criou na
Índia três centros de educação e reabilitação
para crianças retiradas do trabalho infantil.
No mundo todo, o problema tem sido enfrentado
nos últimos anos. O número de crianças que trabalham
diminuiu de 246 milhões em 2000 para 218 milhões neste
ano, de acordo com um relatório divulgado recentemente.
“Está melhorando, mas ainda
é preciso fazer mais”, afirma.
No Brasil, de acordo com a Organização
Internacional do Trabalho (OIT), 2,4 milhões de crianças
de cinco a 15 anos trabalham, o que equivale a 6,5% da população
dessa faixa etária. Incluindo todas as crianças e adolescentes
de até 17 anos, a proporção sobe para 11%, com
4,78 milhões de pessoas envolvidas.
A situação é mais
grave na Ásia, seguida da África e da América Latina.
Mas Satyarthi e outros especialistas no assunto já denunciaram
trabalho infantil em países desenvolvidos, como os Estados Unidos,
especialmente entre famílias de imigrantes que trabalham na agricultura.
|
TI INSIDE ONLINE, 23 de
agosto de 2006
Infra Estrutura
Tribunal Superior do Trabalho inicia uso
da certificação digital
O presidente do Tribunal Superior do
Trabalho, ministro Ronaldo Lopes Leal, foi o primeiro usuário
a ser cadastrado nesta segunda-feira (21/8) no sistema de certificação
digital da Justiça do Trabalho. Com o cadastro dos ministros
do TST e juízes do trabalho no sistema, os documentos digitais
passam a ter valor legal, devido à garantia da identidade virtual
do usuário.
A Justiça do Trabalho espera realizar
38 mil cadastros no sistema de certificação digital até
outubro em todo o órgão. A certificação
digital é fruto de convênio firmado entre o Tribunal Superior
do Trabalho e a Caixa Econômica Federal, instituição
capacitada para emitir os certificados.
O TST iniciou o processo de licitação
para adquirir os cartões (smart cards) e as leitoras ópticas.
Segundo o representante da CEF, Jacob Batista Júnior, “é
impossível o cartão ser duplicado, porque nele há
um dispositivo que impede a sua clonagem”. Os primeiros habilitados
a usar o sistema serão os ministros do TST, em seguida os juízes
dos Tribunais Regionais do Trabalho e juízes de primeiro grau.
A entidade oficial de certificação
digital no Brasil, o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação
(ITI), é um órgão da Presidência da República
que dá validade aos certificados digitais, conferindo-lhe o mesmo
valor da assinatura do usuário. O sistema já funciona
no STF, STJ, TRF-1ª Região, Conselho Nacional da Justiça,
TJDFT .
|
CONSULTOR JURÍDICO,
23 de agosto de 2006
Segredo aberto
Banco é condenado por divulgar
critérios de demissão
Banco público que divulga para
a imprensa motivos da demissão de funcionário tem de pagar
indenização por danos morais. O entendimento é
da 5ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros condenaram
o Banestes — Banco do Estado do Espírito Santo a indenizar
uma ex-funcionária por divulgar os critérios de demissão
dos empregados.
De acordo com o processo, a funcionária
foi admitida por concurso público em 1979 e demitida, sem justa
causa, em 1996. O banco alegou que a rescisão do contrato se
deu por motivos de reestruturação das agências.
No entanto, um dos dirigentes do banco disse para a imprensa que as
demissões ocorreram por motivos disciplinares, como a emissão
de cheques sem fundo.
A empregada ajuizou reclamação
trabalhista e pediu indenização por danos morais. O Tribunal
Regional do Trabalho da 17ª Região concluiu que houve dano.
Para os juízes, “o empregador não pode anunciar
ainda que para dar satisfações à mídia,
por ser empresa do governo, critérios de demissão que
desabonem publicamente os demitidos”. A indenização
foi fixada em três vezes o valor do último salário
recebido pela empregada.
O banco recorreu ao TST. Afirmou, inicialmente,
a incompetência da Justiça do Trabalho para julgar ação
envolvendo dano moral. Argumentou, ainda, não existir prova dos
danos alegados.
O juiz convocado José Pedro de
Camargo, relator do processo, decidiu pela competência da Justiça
do Trabalho, com base na Súmula 392 do TST. Pelo texto, “nos
termos do artigo 114 da CF/88, a Justiça do Trabalho é
competente para dirimir controvérsias referentes à indenização
por dano moral, quando decorrente da relação de trabalho”.
O relator concluiu que ficou comprovada
a existência das declarações difundidas pela imprensa
que atingiram a empregada e geraram danos morais.
RR-726.448/2001.2
|
CONSULTOR JURÍDICO,
23 de agosto de 2006
Demissão confirmada
TST mantém justa causa a empregado
da Sadia
O Tribunal Superior do Trabalho manteve
a demissão por justa causa de um empregado da Sadia por faltas
injustificadas e brincadeiras inapropriadas na hora do serviço.
A decisão é da 4ª Turma do TST. Os ministros mantiveram
o entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(Paraná).
O empregado ajuizou a reclamação
trabalhista pedindo a nulidade da demissão e a reintegração.
Disse que foi dispensado sem fazer qualquer exame demissional. Também
afirmou que tinha direito a indenização por danos morais
e estéticos por ser vítima de Lesão por Esforço
Repetitivo, o que diminuiu sua capacidade de trabalhar.
Em defesa, a Sadia sustentou que o empregado,
além da falta injustificada, tinha uma longa ficha de atraso
no serviço, além de ser autor de brincadeiras que não
eram apropriadas para o ambiente de trabalho.
O TRT paranaense acolheu os argumentos
da empresa. Entendeu que o laudo pericial apontou que o empregado está
apto para o exercício de suas funções e que não
há nexo entre a doença e o trabalho desempenhado.
O empregado recorreu ao TST, que manteve
a decisão. O relator do processo, ministro Barros Levenhagen,
justificou seu voto no sentido de que a reforma do julgado demandaria
o exame de provas, procedimento não permitido ao Tribunal Superior
do Trabalho.
Quanto à justa causa, o ministro
afirmou que o empregado não conseguiu demonstrar as divergências
de julgados, pois nenhuma das decisões apresentadas para o confronto
demonstrou a mesma realidade da retratada nos autos.
RR-672/2003-094-09-00.8
|
CONSULTOR JURÍDICO,
23 de agosto de 2006
Fino trato
Dono de empresa não pode falar
palavrão a funcionárias
por Priscyla Costa
Dono de empresa não pode tratar empregada como trata outros funcionários
do sexo masculino e falar palavrões. O entendimento é
da 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.
Os juízes condenaram uma loja de carros a indenizar uma ex-empregada,
que ouvia de seu patrão palavras de baixo calão.
A ação foi ajuizada na
62ª Vara do Trabalho de São Paulo. A trabalhadora afirmou
que o proprietário da empresa a tratava com palavras agressivas
e que ela chegou a chorar, por todo o constrangimento sofrido. Testemunhas
ouvidas no processo confirmaram a versão.
A primeira instância acolheu o
pedido de indenização por dano moral. O valor foi fixado
em seis meses de salário da empregada. A empresa recorreu. Alegou
cerceamento de defesa porque uma das principais testemunhas não
foi ouvida no processo e que o outro depoimento estava “repletos
de vícios ou inverdades”.
O juiz Sergio Pinto Martins, relator
do caso, não acolheu o argumento. Para ele, apesar dos vícios,
a palavra da testemunha “foi condizente com a realidade dos fatos”.
Também “ficou demonstrado
o dano moral sofrido pela autora” que, inclusive, chorava escondido,
de acordo com a decisão. “O dono da empresa não
poderia tratar a autora como tratar outros funcionários do sexo
masculino, falando palavrões”, considerou.
A 2ª Turma, por unanimidade, manteve
a sentença. As partes podem recorrer.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
23 de agosto de 2006
Arrependimento não basta para cancelar
demissão voluntária, decide TRT-SP
Seja nos casos de rescisão por
aviso prévio, seja nas adesões a plano de demissão
voluntária, o arrependimento deve ser exercido dentro do período
correspondente ao aviso, mas só surte efeito se a parte que recebeu
o aviso concordar com a reconsideração. Com este entendimento,
os juízes da 9ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho)
da 2ª Região (São Paulo) negaram em decisão
unânime pedido de ex-funcionário da Bicicletas Monark S/A,
que pretendia anular os termos de conciliação feita com
a empresa, e ser reintegrado à sua função de pintor.
Após ser demitido e receber R$
30 mil após acordo em Comissão de Conciliação
Prévia, o pintor recorreu à 48ª Vara do Trabalho
de São Paulo e, depois de ter seu pedido negado, ao TRT-SP. Segundo
ele, houve coação para que se conciliasse com a empresa
sem ter sido avisado de que não poderia mais recorrer para receber
outros benefícios trabalhistas que seriam superiores ao obtido
no acordo.
Testemunhas confirmaram que ele concordou
com o valor da indenização e foi avisado de que perderia
o direito a ações posteriores por estabilidade na Justiça
do Trabalho.
O juiz Luiz Edgar Ferraz de Oliveira,
relator do recurso no tribunal, considerou que o ex-funcionário
tinha consciência da abrangência do acordo e, além
disso, outros empregados se conciliaram nos mesmos termos que ele, demonstrando
que o acordo administrativo era vantajoso, cerca de 50 vezes do valor
do seu salário.
Para o juiz, “representa simples
conjectura afirmar que, com o ajuizamento da reclamação,
receberia valor superior ao recebido perante a Comissão de Conciliação”,
afinal, “conjectura não serve para alterar a validade dos
atos jurídicos”.
“A conciliação é
válida e produz efeitos legítimos, conforme artigos 625-E,
parágrafo único, e 831 da CLT. Seja nos casos de rescisão
por meio de aviso prévio ou nos casos de transação
por adesão a plano de demissão voluntária, o arrependimento
deve ser exercido dentro do período correspondente ao aviso,
conforme artigo 489 da CLT, mas só surte efeito se a parte que
recebeu o aviso concordar com a reconsideração”,
considerou o juiz.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/08/2006
Cancelada sessão extraordinária
da SDC
Foi cancelada, a pedido do presidente
do TST, ministro Ronaldo Lopes Leal, a sessão extraordinária
da Seção de Dissídios Coletivos (SDC), marcada
para hoje (23), às 14h.
|
23/08/2006
SDC examinará reformulação
do Precedente nº 119
A Seção de Dissídios
Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho reúne-se, logo
mais, a partir das 14h, em sessão extraordinária convocada
pelo ministro Ronaldo Lopes Leal, para examinar proposta formulada pelas
cinco maiores centrais sindicais do País em torno do Precedente
Normativo nº 119 da SDC.
O item trata da cobrança de contribuições
assistenciais instituídas por meio de negociação
coletiva. A jurisprudência do TST prevê a inviabilidade
do recolhimento da contribuição sobre os não sindicalizados.
Apesar disso, a cobrança tem ocorrido e, atualmente, há
um reconhecimento da necessidade de assegurar o exercício do
direito de oposição do trabalhador, fixando a forma e
o prazo para essa manifestação, além da necessária
publicidade sobre a instituição de determinada contribuição.
Após audiência com o presidente
do TST nesta terça-feira (22), os representantes das centrais
sindicais formularam a seguinte sugestão de redação:
”A contribuição assistencial definida pela assembléia
dos trabalhadores, sempre em condições de razoabilidade,
poderá ser objeto de oposição individual do trabalhador
manifestada no seu sindicato no prazo de 10 (dez) dias úteis
após a data-base. A divulgação do prazo de oposição
deverá ser ampla e feita pelas entidades representantes das categorias
profissional e patronal”.
|
23/08/2006
Centrais sindicais propõem reformulação
do Precedente nº 119
O direito do trabalhador de se opor ao
recolhimento da contribuição sindical será objeto
de nova análise pela Seção de Dissídios
Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho. Uma proposta de solução
para o polêmico tema foi formulada por representantes das principais
centrais sindicais do País após audiência concedida
pelo presidente do TST, ministro Ronaldo Lopes Leal, e o corregedor-geral
da Justiça do Trabalho, ministro Luciano de Castilho.
Durante o encontro, o presidente do TST
frisou a importância de assegurar o direito do trabalhador. “É
preciso garantir a manifestação de oposição,
que é legítima, o problema está em como possibilitar
de forma adequada essa manifestação do trabalhador”,
afirmou Ronaldo Leal, ao se dirigir aos representantes da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Social Democracia Sindical
(SDS), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e Nova Central
Sindical de Trabalhadores (NCST).
O entendimento do TST sobre o tema está
consolidado no Precedente nº 119. "A Constituição,
em seus arts. 5º, XX e 8º, V, assegura o direito de livre
associação e sindicalização. É ofensiva
a essa modalidade de liberdade cláusula constante de acordo,
convenção coletiva ou sentença normativa estabelecendo
contribuição em favor de entidade sindical a título
de taxa para custeio do sistema confederativo, assistencial, revigoramento
ou fortalecimento sindical e outras da mesma espécie, obrigando
trabalhadores não sindicalizados. Sendo nulas as estipulações
que inobservem tal restrição, tornam-se passíveis
de devolução os valores irregularmente descontados".
Apesar do Precedente 119, com redação
firmada desde junho de 1998, acordos e convenções coletivas
de trabalho têm sido invariavelmente firmados com o estabelecimento
da contribuição assistencial, com a incidência estendida
aos não sindicalizados. Daí a importância de assegurar
o direito de oposição dos empregados e a divulgação
dessa prerrogativa aos interessados (trabalhadores).
Às dificuldades de regulamentação
sobre o tema soma-se a conduta adotada por empresas interessadas no
enfraquecimento financeiro dos sindicatos, sobretudo as pequenas e médias
agremiações de trabalhadores. Esses patrões estimulam
e pressionam seus empregados para que não aceitem a cobrança
da contribuição.
Na tentativa de solucionar o problema,
os sindicalistas aceitaram a sugestão do presidente do TST e
redigiram, de forma rápida e consensual, uma nova proposta de
redação para o Precedente nº 119 do TST. “A
contribuição assistencial definida pela assembléia
dos trabalhadores, sempre em condições de razoabilidade,
poderá ser objeto de oposição individual do trabalhador
manifestada no prazo de dez dias úteis, após a data-base.
A divulgação do prazo de oposição deverá
ser ampla e feita pelas entidades representantes das categorias profissional
e patronal”.
Ronaldo Leal pretende dar um encaminhamento
rápido ao assunto e anunciou aos representantes das centrais
a intenção de convocar sessão da Seção
de Dissídios Coletivos (SDC) do TST, em caráter extraordinário,
para deliberar sobre a proposta dos sindicalistas, nesta quarta-feira
(23) à tarde.
|
23/08/2006
Centrais formulam proposta sobre contribuição
assistencial
Representantes das principais centrais
sindicais do País (CUT, Força Sindical, CGTB, SDS e NSCT)
estão reunidos na Presidência do Tribunal Superior do Trabalho
em Brasília. O objetivo é o de buscar uma solução
relacionada ao direito do trabalhador se opor à cobrança
da contribuição sindical. O debate em torno do tema foi
estimulado pelo presidente do TST, ministro Ronaldo Lopes Leal, que
recebeu os líderes sindicais em audiência. Ainda hoje,
os sindicalistas entregam ao presidente do TST uma proposta que resulte
na reformulação do Precedente nº 119 do TST, que
contém o posicionamento do órgão judicial sobre
o tema. O documento trará uma proposta de regulamentação
do direito do trabalhador, além da forma e prazo de exercê-lo.
A sugestão das centrais deverá ser examinada pelo Tribunal
de forma rápida em sessão de sua Seção de
Dissídios Coletivos (SDC) a ser convocada, extraordinariamente,
para amanhã à tarde.


|