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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 29 de agosto de 2006
Cai índice de informalidade na
Construção
Em Londrina, parceria de diversas entidades
de classe orienta os responsáveis pelas obras
Sérgio Ranalli

João Joaquim e Salvador: ‘‘A gente sabe que está
difícil conseguir emprego com carteira assinada - que é
uma vantagem na hora de se aposentar’’
O Programa de Combate à Informalidade no Mercado de Trabalho
da Construção Civil - parceria entre diversas entidades
de classe e sindicatos do setor - tem dado bons resultados em Londrina.
Nos últimos seis meses, cerca de 150 trabalhadores conseguiram
o registro em carteira. O número pode parecer pequeno, dentro
do universo de quase 3 mil pessoas que trabalham informalmente na cidade,
mas para o comitê do programa trata-se de uma grande conquista.
''É um trabalho lento, gradual,
de orientação, mas que tem dado certo. Muitas pessoas
desconhecem seus direitos e suas responsabilidades'', disse Denise Salton,
engenheira de segurança do trabalho do Sindicato da Indústria
da Construção Civil (Sinduscon) em Londrina. Segundo ela,
o programa existe desde 2001, foi criado no município e tem como
objetivo verificar o cumprimento das condições básicas
de segurança e legislação trabalhistas, especialmente
o registro em carteira dos funcionários das obras. Depois de
2001, o programa se estendeu para os outros três Sinduscons do
Paraná.
Somente no primeiro semestre deste ano,
o comitê visitou 134 canteiros de obras da cidade e constatou
que dos 975 trabalhadores destas construções, 493 (50,56%)
possuíam carteira assinada. Dos outros 482 empregados, o comitê
conseguiu negociar a regularização de 153, cerca de 30%.
''As pessoas estão entendendo que registrar um funcionário
traz segurança para todas as partes envolvidas'', destacou a
engenheira. Sem o registro em carteira, o trabalhador não é
amparado pela legislação trabalhista e está excluído
da rede de proteção social garantida pela previdência.
O programa visita em média oito obras por semana.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores
das Indústrias da Construção e do Mobiliário
de Londrina e Região (Sintracon), Denílson Pestana, o
resultado do programa é positivo, mas ainda tem muito para se
fazer. Segundo ele, existem na cidade cerca de 6 mil trabalhadores na
construção, e metade está na informalidade.
Pestana destacou que o maior número
de empregados sem registros está em construções
independentes, localizadas nos bairros e de responsabilidade do próprio
dono da obra. A maioria das construtoras e empreiteiras da cidade está
em situação regular, informou ele. ''As obras se deslocaram
para os bairros, sabemos onde estão as irregularidades, mas ainda
é preciso uma fiscalização maior'', reiterou. Além
do Sinduscon e Sintracon, participam do comitê do programa representantes
do Crea-PR, Ministério do Trabalho, INSS e de outras 15 entidades.
Notificação Como o objetivo
principal do Comitê é o de verificar as condições
gerais de trabalho, quando se certifica que as normas de segurança
não estão sendo cumpridas e que existem trabalhadores
informais, o proprietário da obra (empresa ou pessoa física)
é notificado e tem um prazo de 10 dias para regularizar a situação
e avisar o Sinduscon.
Conforme a engenheira do Sinduscon,
em caso de insistência no descumprimento da legislação
de segurança, trabalhista e previdenciária, o Ministério
do Trabalho é notificado e pode multar e cobrar as contribuições
sociais do responsável ou até embargar a obra. Das 134
obras visitadas este ano, três paralisaram o serviço e
dispensaram os funcionários. Outras oito, com um total de 44
empregados, ainda estão no prazo para regularizar a situação
e avisar o Sinduscon.
Erika Zanon
Reportagem Local
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
29 de agosto de 2006
Ação garante mais segurança para os empregadores
Regularizar a situação da obra e registrar os trabalhadores
pode resultar em um custo maior para quem está construindo, mas
em contrapartida gera mais segurança tanto para o empregador
quanto para o empregado. ''É uma ação necessária,
o custo da obra se torna maior, mas a gente fica mais tranquilo, pois
se houver um acidente de trabalho, por exemplo, não há
o risco do trabalhador entrar na justiça pedindo indenização'',
disse o analista de sistema Adriano Vancheti.
A casa própria que ele começou
a construir em maio deste ano estava em situação irregular
até ser inspecionada pelo comitê do programa de combate
à informalidade. ''Depois da visita resolvi registrar os funionários'',
contou o analista. (E.Z.)
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
29 de agosto de 2006
Registro em carteira nem sempre é vantagem, dizem empregados
Para alguns trabalhadores da construção civil ter o registro
em carteira não significa muitas vantagens. Alguns trabalhadores
concordam que o contrato formal oferece mais segurança, em caso
de acidentes, e o direito à Previdência. Entretanto, apontam
que o salário fica mais baixo por causa dos descontos.
''Estou recebendo R$ 620 bruto. Com descontos
vai para R$ 550. Perco R$ 70. Sem contar que se não tivesse o
registro, dependendo da obra, poderia ganhar até R$ 1 mil'',
destacou João Joaquim da Silva Ferreira, que trabalha no setor
de construção há oito anos.
''A gente sabe que está difícil
conseguir emprego com carteira assinada - que é uma vantagem
na hora de se aposentar. Mas o salário fica muito baixo e, às
vezes, não compensa'', reforçou Salvador de Souza, que
trabalha no segmento há três anos.
Segundo o presidente do Sindicato dos
Trabalhadores das Indústrias da Construção e do
Mobiliário de Londrina e Região (Sintracon), Denílson
Pestana, é até possível que um trabalhador sem
registro em carteira ganhe R$ 1 mil em um mês, mas ele tem que
pensar que no mês seguinte o ganho pode não ser o mesmo.
''Também tem que lembrar que com carteira assinada ele tem direito
ao 13º salário, férias, direitos na hora de se aposentar,
vale-transporte, sem contar a segurança'', destacou.
Outro detalhe, conforme Pestana,
é que sem carteira assinada o trabalhador só ganha os
dias em que realmente trabalhar. ''Alguns sábados, domingos,
feriados em que ele não trabalhar ou não for possível
fazer serviços na obra, o trabalhador deixa de ganhar'', disse.
O presidente do Sintracon acrescentou que em Londrina o piso da categoria
é R$ 653,40 ou R$ 834,40 - com vale compra. (E.Z.)
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DIÁRIO DO NORDESTE,
29 de agosto de 2006
Construção Civil No Ceará
Ceará: Fundo imobiliário
busca ampliar competitividade
A estruturação do Fundo
Imobiliário do Nordeste (Fine) no Ceará irá contribuir
para fortalecer as construtoras locais e torná-las mais aptas
a competirem com as concorrentes de outros mercados.
A avaliação é do
presidente da Cooperativa da Construção Civil do Estado
do Ceará (Coopercon), Ricardo Cortez. A cooperativa, em parceria
com a Coin Valores, está trazendo para o Estado o fundo, que
será formatado a partir da próxima quinta-feira, dia 31,
durante workshop realizado na Bovespa (antiga Bolsa de Valores Regional)
sobre Securitização de Recebíveis Imobiliários.
A iniciativa, que faz parte da programação
dos dez anos de atuação da Coopercon, visa fortalecer
as construtoras com a negociação de seus recebíveis,
além de criar um papel com rentabilidade e liquidez para os investidores,
na outra ponta do processo.
As aplicações no fundo
terão lastro real em imóveis e vão operar sob a
supervisão da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Para viabilizar a implantação, a cooperativa contratou
a MV Consultoria Empresarial, especializada na gestão de operações
financeiras para o mercado da construção civil.
O presidente da Coopercon acredita que
a chegada do fundo de investimento ao Estado trará mudanças
favoráveis ao setor.
“Aplicar num papel como esse é
vantajoso porque a rentabilidade compensa a depreciação
do valor do imóvel, processo natural verificado nesse segmento”,
avalia.
A capitalização da construção
civil, por meio da securitização, também traz como
aspecto positivo a possibilidade de os prazos das obras ficarem menores.
Segundo Cortez, uma construção que leva 36 meses (a média
do mercado) sofre uma elevação de 20% nos custos, em média.
“Uma obra erguida em 12 ou 15 meses
teria um custo menor e essa redução poderia ser repassada
ao preço final do imóvel”, projeta.
OPERAÇÃO -
De acordo com a sistemática de operação do fundo
imobiliário, os construtores cearenses e de todo o Nordeste serão
os originadores dos recebíveis a serem negociados, no mercado
de capitais. Segundo o diretor da MV Consultoria Empresarial, Henri
Koersen, a estabilidade econômica e a redução gradativa
do risco-País estão credenciando o cenário econômico
brasileiro para ampliar as negociações com papéis
dessa natureza. “O Brasil caminha para ser Investment Grade. O
mercado espera que isso aconteça em 1 ano ou 1 ano e meio”,
prevê Koersen.
O consultor estima que R$ 2,7 bilhões
estejam aplicados em fundos imobiliários, hoje, no Brasil. Outros
R$ 2 bilhões são referentes a ações de construtoras
negociadas na Bolsa de Valores. O montante ainda é pequeno, avalia.
No entanto, indica o início de um processo de capitalização
do setor, no País. “O grande diferencial da capitalização
na construção civil está na administração
voltada à rentabilidade”, avalia.
WORKSHOP - O workshop
Securitização de Recebíveis Imobiliários,
que conta com o apoio do Ibef, PUC/Rio e a entidade Acionistas.com.,
irá reunir especialistas em direito empresarial da Pinheiro Machado
Advogados e auditores da PricewaterhouseCoopers.
SERVIÇO: Workshop
Securitização de Recebíveis Imobiliários
Local: Bovespa
Data: 31 de agosto e 1º de setembro, às
8 horas.
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Nova Central, 29 de agosto
de 2006
Fiscais do trabalho são ameaçados
no Pará
Auditores fiscais do trabalho que, no início de agosto, faziam
fiscalização no município de Rondon do Pará
(PA) foram vítimas de ameaças e intimidações.
Segundo o chefe da seção de Policiamento e Fiscalização
da Polícia Rodoviária do Pará, Carlos Soares, o
serviço de inteligência do órgão investigou
denúncias recebidas enquanto o grupo de fiscalização
estava na cidade e confirmou as ameaças.
Ele explicou que, para garantir a segurança
e a integridade dos agentes do Ministério do Trabalho e Emprego,
os auditores foram retirados da cidade na ocasião. Entre os dias
7 e 18 deste mês, duas equipes do ministério foram ao município
de Rondon do Pará fiscalizar cerca de 30 madeireiras que atuam
na região. Durante as operações, máquinas
foram lacradas em 13 das 16 fazendas visitadas. Na ação,
também foram aplicadas multas trabalhistas.
De acordo com a presidente da Associação
dos Auditores Fiscais do Trabalho do Pará (Assintra), Rosângela
Rassy, depois das interdições, empresários e políticos
passaram a intimidar os fiscais por meio de artigos de jornais. “Alguns
empresários e o prefeito Edilson Oliveira Pererira também
se dirigiram várias vezes ao hotel em que os fiscais estavam
para pedir que os autos de infração fossem revistos, alegando
que o trabalho das equipes prejudicava a vida e a economia da cidade”,
contou.
De acordo com o chefe de policiamento
da Polícia Rodoviária, também foi articulada uma
manifestação, prevista para ocorrer dia 16 na BR 222 (que
dá acesso ao município). Segundo Soares, o objetivo era
pressionar os auditores e acabar com as ações de fiscalização.
O policial informou que, no laudo de apuração das denúncias,
consta que os empresários e políticos eram os responsáveis
pela organização do ato.
A região, afirma a presidente
da Assintra, “tem um histórico de violência e é
um local conhecido pelo uso de mão-de-obra escrava”. Ela
informou que uma carta denunciando as ameaças foi enviada ao
Ministério do Trabalho. A associação também
pretende enviar um documento à Organização Internacional
do Trabalho (OIT). “Se essa moda pega, não poderemos mais
fazer fiscalizações, porque nos locais onde os políticos
se acham donos, anunciam e afrontam o grupo do ministério, fica
difícil trabalhar”, afirmou Rassy.
O Ministério do Trabalho disse
que está investigando os acontecimentos e vai tomar as medidas
necessárias para dar segurança aos fiscais. Procurado
pela reportagem, o prefeito de Rondon do Pará, Edílson
Oliveira Pereira, não se manifestou a respeito. O gabinete da
prefeitura informou que enviaria ainda hoje (28) uma nota oficial em
resposta às acusações. No entanto, até as
19h o documento não foi recebido.
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Agência Brasil, 29
de agosto de 2006
CUT volta a defender redução
de horas extras para gerar empregos
Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - A secretária
de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho
e Emprego, Ruth Beatriz Vilela, alertou hoje no seminário Hora
Extra: O Que a CUT Tem a Dizer Sobre Isto, promovido pela central trabalhista,
que “o trabalho extraordinário tem sido um meio de complementação
da renda e que a simples mudança da lei não seria suficiente”.
Ela defende a necessidade de se aprofundar a questão do trabalho
extraordinário no país e que a recuperação
do valor do salário não pode ser dissociada da discussão
em torno da redução da hora extra.
A CUT promove uma campanha pela redução
da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais. “Não
basta reduzir a jornada, é preciso limitar a adoção
desse mecanismo da hora extra”, argumenta o presidente da CUT,
Artur Henrique. Ele adverte que “muitos patrões usam esse
recurso para burlar a legislação em relação
à jornada máxima”. Ele denunciou que o trabalho
extra está sendo incorporado (ao dia a dia) de tal forma que
passou a ser quase uma jornada integral.
De acordo com a proposta da CUT de redução
da carga horária, a média registrada hoje de 50 horas
extras por mês seria reduzida a 30 horas e, no semestre, a um
máximo de 110 horas. Para Artur Henrique, além dos benefícios
de melhor qualidade de vida e maior proteção à
saúde do trabalhador, essa redução da jornada possibilitaria
que fossem criados no país entre 2 a 3 milhões de novos
postos de trabalho no país.
O presidente da Associação
dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), José
Nilton Pandelot, disse que “o regime de horas extras tem sido
desvirtuado pelos empresários e precisa uma melhor regulamentação
e com um trabalho mais rigoroso na ação de coibir essa
ação”.
Com base em pesquisa realizada pela CUT
junto a 3 mil trabalhadores, a economista do Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Patrícia
Pelatieri, informou que quando há crescimento da economia, mais
da metade dos trabalhadores são submetidos, rotineiramente, à
hora extra, e mais de 70% deles acabam sofrendo algum tipo de distúrbio
físico ou psicológico. “São casos de depressão,
insônia. Mais da metade (dos trabalhadores) faz hora extra por
necessidade essencial de complementar a renda e mais de 20% por assumir
um compromisso com a empresa”, disse.
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STJ, 29 de agosto de 2006
DECISÃO
Empresa de transporte deve pagar indenização
à vítima de acidente de trânsito
A empresa de transporte rodoviário Expresso São Pedro
Ltda terá de pagar indenização a T. G. de A. N,
vítima de acidente de trânsito, que na ocasião teve
a mão esquerda amputada. A decisão foi mantida pela Quarta
Turma do Tribunal Superior de Justiça (STJ).
Segundo consta no processo, o acidente
ocorreu no dia 1º de agosto de 1985, quando a jovem se deslocava
para o município vizinho. O ônibus da empresa derrapou
na estrada molhada, desgovernou-se e colidiu com o automóvel
em que a garota viajava, causando a perda de uma mão e parte
do braço.
A defesa de T. G. de A. N. propôs
ação por danos morais e físicos contra a empresa.
Em primeira instância, o pedido foi julgado parcialmente provido
para condenar a Expresso São Pedro Ltda a pagar a ela indenização
de 130 salários mínimos por danos físicos e 100
salários mínimos por danos morais, além de pensão
vitalícia de 60% do salário mínimo.
Tanto a defesa quanto a empresa apelaram.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) não
acolheu a apelação da empresa e deu parcial provimento
ao recurso da autora para determinar o pagamento da prótese e
a incidência dos juros moratórios a partir da citação,
não do evento danoso. O TJ-RS entendeu, também, que o
dote tem a mesma natureza dos danos estéticos e morais e que
os danos estéticos já haviam sidos concedidos pela sentença,
embora sob a denominação de danos físicos.
No STJ, a autora alegou que o dano estético
não se confunde com o moral, de modo que não podem ser
reunidos, cabendo avaliação distinta e não em um
único valor englobado, como feito. Afirma, ainda, que os juros
moratórios são devidos a partir do evento danoso, nos
termos da Súmula nº 54 do STJ e que a situação
se enquadra, quanto ao dote, na regra do artigo 1.538, inciso II, do
Código Civil.
O relator do processo, ministro Aldir
Passarinho Junior entendeu que o dote é hoje compensado pelo
dano moral. Em relação ao dano estético, considerou-o
distinto do dano moral, mas somente haveria ofensa se ele tivesse sido
indeferido pelas instâncias ordinárias, o que não
aconteceu, e foi por elas devidamente valorado. Aos juros moratórios,
a responsabilidade civil, no caso, decorre de ato ilícito extracontratual
que se torna aplicável na Súmula nº 54, segundo a
qual “os juros moratórios fluem a partir do evento danoso,
em caso de responsabilidade extracontratual”.
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Folha
de São Paulo, 29 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula diz que ainda é "vermelho"
e associa crise a "jogo real da política"
"Se tem alguém que não precisa
de estrela no peito para dizer que é petista sou eu", afirma
presidente | Intelectuais convidados pelo PT para debater idéias
para um possível segundo governo eximiram Lula de participação
no escândalo
CATIA SEABRA, FÁBIO VICTOR
DA REPORTAGEM LOCAL
Após ouvir a lamentação
de intelectuais sobre a crise ética do governo, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu ontem à noite sua relação
com o Congresso Nacional, marcada pelo escândalo do mensalão,
ao "jogo real da política". "Política a
gente faz com que a gente tem. Não com o que a gente quer",
disse, justificando:"Maioria a gente constrói pelo o que
a gente tem ao nosso lado. Não pelo que a gente pensa que tem.
Esse é o jogo real da política que precisou ser feito
em quatro anos para que chegássemos a uma situação
altamente confortável".
Uma semana depois de artistas ligados
ao PT minimizarem a importância da ética na política
- sob a alegação de que é preciso "meter a
mão na merda" para governar - Lula disse, num encontro com
intelectuais, que só concordou com uma "transição
pacífica" em 2003 porque não achava correto "futucar
o passado" e depois não conseguir "governar o Brasil
porque a correlação de forças não era favorável".
Sem querer discutir a essência
do mensalão, o presidente admitiu que o governo ficou imobilizado
pela crise.
"Não vamos discutir se era verdade ou mentira, mas era uma
crise que truncou praticamente todo o ano de 2005 e uma boa parcela
de 2006. Por que sobrevivemos e como sobrevivemos?", questionou
ele, creditando seu desempenho ao fato de os pobres se sentirem representados
por ele.
No evento, realizado pelo PT num hotel
de São Paulo, Lula negou que, após os escândalos
de corrupção, esteja se distanciando da sigla. "Dizem
que o vermelho está sumido. O vermelho sou eu. Se tem uma pessoa
que não precisa de estrela no peito para dizer que é petista
sou eu", afirmou. Lula disse que o "PT pagou o preço".
Citando siglas de esquerda da Europa, afirmou que "só não
pagou quem não chegou ao poder". Ao descrever a crise, chegou
a se corrigir ao dizer .
O PT reuniu cerca de cem intelectuais,
alguns dizendo-se convidados pelo cerimonial da Presidência. Embora
dissessem que Em defesa de Lula, alguns disseram considerar que a figura
do presidente paira acima dos escândalos. "É possível
que no governo dele pessoas tenham feito coisas que o envergonham, mas
acredito que ele não sabia. Conheço Lula e sei que é
um homem honrado", declarou o escritor Ariano Suassuna. Ele contou
que não acompanhou a repercussão das declarações
do ator Paulo Betti, que disse que "não se faz política
sem sujar as mãos", e do músico Wagner Tiso, que
afirmou não se preocupar "com a ética do PT ou com
qualquer tipo de ética".
"Não vi, mas não concordo.
Acho que política tem a ver com a ética, claro. Sei que
a política é a arte do possível. Mas passar do
limite da ética, não. E acho que ele [Lula] nunca passou."
Leonel Itaussu de Almeida Mello, professor de ciência política
da USP, também saiu em defesa de Lula. "Escândalos
são coisas passageiras. Não são ligados às
pessoas, mas às instituições. O presidente Lula
é um político ético por excelência. Ele é
maior do que o partido."
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Folha de São Paulo,
29 de agosto de 2006
PRESIDÊNCIA 1
Cristovam Buarque admite não ter
chances de ganhar
DA SUCURSAL DO RIO
Cristovam Buarque, candidato do PDT à
Presidência da República, admitiu ontem, no Rio, que praticamente
não tem chances de chegar ao segundo turno e vencer as eleições.
Ele disse ser um "guerrilheiro", que marca posição
por uma boa causa, a educação, mas reconhece estar frustrado
por não passar de 1% nas intenções de voto. Ele
fez a afirmação durante sabatina no jornal "O Globo",
contrariando recomendação de assessores e reconhecendo
que pode perder mais votos ao falar nisso.
"Podem até morrer todos os
outros [em tom de brincadeira, e ri]. Sou guerrilheiro, não é
só para ganhar, é para marcar posição. O
cara com 1% falar em ganhar é mentira", disse, lembrando
que já é senador e continua com mandato, se perder. "Sou
vitorioso, por ter dois minutos diários para falar em educação
é uma vitória não eleitoral, mas política."
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Folha de São Paulo,
29 de agosto de 2006
Avanço da Ásia não
refletiu na renda, diz OIT
Número de pessoas que vivem com menos
de US$ 1 na região diminuiu, mas são dois terços
do total mundial
DA REDAÇÃO
Os altos índices de crescimento
do Leste Asiático não proporcionaram melhores salários
e condições de trabalho nem a criação de
melhores empregos, segundo estudo da OIT (Organização
Internacional do Trabalho). De acordo com o relatório, a região,
que inclui China, Mongólia, Coréia do Norte, Coréia
do Sul e Taiwan, teve o maior crescimento econômico mundial dos
últimos anos. No entanto, especialmente no caso chinês,
o avanço da economia não se traduziu em novos empregos
e melhora de salário.
O PIB (Produto Interno Bruto) da China
subiu 59%, e o aumento de produtividade, cerca de 40%, entre 2000 e
2004. Nesse mesmo período, o surgimento de novas vagas no mercado
de trabalho cresceu aproximadamente 5%.
"Se os países do Leste Asiático quiserem ter um crescimento
econômico sustentável, eles precisam garantir um equilíbrio
entre produtividade e aumento das vagas de trabalho", disse o analista
da OIT para a região Gyorgy Sziraczki.
Ainda de acordo com o mesmo estudo, o
crescimento de China e Índia foi o principal responsável
pela diminuição do número de pessoas que vivem
com menos de US$ 1 por dia na Ásia. Desde 1990, 250 milhões
de pessoas do continente melhoram suas condições de vida.
Ainda assim, mais de dois terços (600 milhões) das pessoas
que vivem abaixo da linha da pobreza -US$ 1 diário- moram na
Ásia. Caso o valor fosse aumentado para US$ 2, cerca de 1,9 bilhão
moraria na região -três quartos do total.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de agosto de 2006 | Economia
VEÍCULOS-Montadora negocia demissão
de 3,6 mil funcionários em São Bernardo e ameaça
fechar a fábrica
BNDES suspende empréstimo
à Volks
AFP
Funcionários fazem manifestação em frente à
fábrica de São Bernardo, a mais antiga da Volks.
Brasília – A Volkswagen só terá acesso ao
financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) após concluir a negociação com os
empregados da fábrica de São Bernardo do Campo (SP). “Enquanto
não for consolidado o acordo, o BNDES vai suspender e aguardar
[para liberar os recursos]”, disse ontem o ministro do Trabalho,
Luiz Marinho.
O BNDES aprovou um financiamento de R$
497 milhões para a montadora. O dinheiro, ainda não liberado,
deveria ser investido nas áreas de modernização
de fábricas, design e produção de modelos mais
atualizados. Ao mesmo tempo, a Volks tenta negociar com sindicatos a
demissão de no mínimo 3,6 mil trabalhadores no ABC e ameaça
até mesmo fechar a fábrica em São Bernardo, o que
elevaria os cortes para 6,1 mil.
O banco anunciou apenas ontem a suspensão da liberação
do dinheiro. Até a semana passada, o ministro do Desenvolvimento
Luiz Fernando Furlan e o presidente do BNDES, Demian Fiocca, afirmavam
que o empréstimo não tinha nenhuma relação
com as demissões. O primeiro a defender o corte dos recursos
foi Marinho, na quinta-feira. Ontem, o BNDES mudou de posição
após reunião de Fiocca, Marinho e da ministra chefe da
Casa Civil Dilma Rousseff com a diretoria da Volks no Palácio
do Planalto. “Nós esperamos que as partes concluam o processo
de negociação e o acordo seja bom para as partes e, especialmente,
para o Brasil”, disse Marinho.
Na semana passada, Marinho disse que
as demissões não condizem com o crescimento do mercado
interno de veículos (estimado em 7,1% para este ano) e as mudanças
nas regras cambiais que devem ajudar as empresas exportadoras –
as vendas ao exterior respondem por 42% da produção da
Volks no Brasil.
Demian Fiocca lembrou que os empréstimos
estão vinculados ao plano de investimento das empresas, mas que
como o fechamento da fábrica não foi citado no pedido
do empréstimo, o BNDES pode solicitar informações
adicionais e ver se o plano de investimento será mantido. “Vamos
ver o impacto das negociações [com os trabalhadores] na
estratégia de investimento.”
De acordo com Fiocca, a montadora compreendeu
a solicitação e avisou que já está na fase
final do acordo com os sindicatos.
Ameaças
No último dia 21, a Volks ameaçou
pela primeira vez fechar a fábrica de São Bernardo, a
primeira e maior das cinco unidades da empresa alemã no Brasil.
Com 12,4 mil funcionários, a fábrica é considerada
pela direção da Volks a “mais problemática”
– ou seja, a menos competitiva.
A empresa afirmava que apenas um acordo
com o sindicato poderia evitar o fechamento da fábrica. Esse
acordo, entretanto, previa a demissão de 3,6 mil e o corte de
direitos dos trabalhadores que ficarem. De acordo com o plano, aqueles
que saírem terão que aderir a um plano de demissão
voluntária. Cada um deles receberá 0,4 salário
por ano trabalhado na empresa, valor considerado baixo pelo sindicato.
Já os que permanecerem na Volks
terão que aceitar mudanças no banco de horas. A empresa
não pagaria nada àqueles que fizessem até 200 horas
extras em um ano e só pagaria hora cheia para os que trabalhassem
mais de 400 horas acima da jornada.
Funcionários que cometessem erros
na produção teriam que trabalhar até oito horas
gratuitas por semana para compensar a empresa. Além disso, o
desconto no salário para pagamento do plano de saúde subiria
de 1% para 3% da renda mensal.
Já os novos contratados teriam
redução média de salário de 35% em relação
aos vencimentos pagos hoje. Os planos de carreira também se tornariam
menos favoráveis aos trabalhadores, que demorariam mais tempo
para receber vencimentos correspondentes ao ápice da carreira.
Na sexta-feira, os funcionários da Volks decidiram em assembléia
não aceitar demissões nem cortes de direitos já
adquiridos.
A Volks culpa a desvalorização
do dólar pelas demissões. A empresa já havia informado
anteriormente que planejava demitir entre 4 mil e 6 mil funcionários
até 2008 nas unidades do ABC, Taubaté (SP) e São
José dos Pinhais (PR). Procurada, a assessoria de imprensa da
Volks informou que não iria se manifestar ontem.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de agosto de 2006 | Brasil
PREVIDÊNCIA
20,8 milhões receberão
13.º antecipado
O Ministério da Previdência vai pagar em setembro metade
do 13.º salário a 20,8 milhões de aposentados e pensionistas.
Os segurados que se aposentaram depois de janeiro deste ano terão
direito ao valor proporcional do benefício. Os segurados que
estão em auxílio-doença também receberão
uma parcela menor que 50%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de agosto de 2006 | Brasil
GOVERNADORES-Levantamento mostra as chances
de cada partido
PMDB é favorito para o governo
de 9 estados
Curitiba – O PMDB lidera as eleições para governador
em nove estados. O segundo lugar no ranking é do PSDB, favorito
em seis, seguido do PFL, provável vencedor em quatro unidades
da federação. O PT está em quarto lugar, na frente
em três estados, seguido do PPS e do PSB, líderes em dois,
e o PTB, em apenas um.
Se o quadro permanecer como está,
o PMDB terá o comando em mais dois estados em comparação
aos sete que governa hoje. E, mesmo sendo a maior bancada de um Congresso
desmoralizado com as crises de corrupção descobertas na
metade do ano passado, o partido deve ser de novo a maioria em 2007
graças à sua força política nas regiões.
“Os governadores são peças importantes no jogo político
brasileiro e, muitas vezes, têm capacidade de influenciar a bancada
respectiva do seu estado no Congresso”, lembra Maria D’alva
Kinzo, professora do departamento de ciência política da
Universidade de São Paulo (USP). “O PMDB é um partido
regional. Se por um lado não tem lideranças nacionais
capazes de conseguir fazer um presidente nacional, criou uma capilaridade
que favorece esse cenário”, continua.
Isso indica que o próximo presidente
não poderá dispensar a participação do PMDB
no governo para ter sustentação no jogo político.
“O PT, porque perdeu força política com a corrupção
da base aliada, terá de contar com a oposição.
O presidente Lula está preparado com o que ele chama de proposta
de governabilidade”, diz Roberto Romano, professor de Ética
Política da Universidade de Campinas (Unicamp). “E o PMDB,
se mantiver o prognóstico das pesquisas, é quem vai mandar
e essa proposta de governabilidade passará pela repartição
de cargos em ministérios, companhias estatais e outros cargos
de comissão”, lembra.
Lulismo
Levantamento publicado no site Congresso
em Foco, demonstrou que, enquanto o PT deverá vencer a eleição
em três estados (Acre, Piauí e Sergipe), o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, se reeleito, terá apoio em pelo
menos outras sete unidades da federação. Isso reforça
a tese de que o carisma do PT está ofuscado com os escândalos
de corrupção, enquanto o presidente é absolvido
pelo povo.
Entre os aliados políticos e prováveis
vencedores das eleições em outubro estão o governador
paranaense Roberto Requião (PMDB); Sérgio Cabral Filho
(PMDB), no Rio de Janeiro; Maguito Vilela (PMDB), em Goiás; Roseana
Sarney (PFL), no Maranhão; Paulo Hartung (PMDB), no Espírito
Santo; Eduardo Braga (PMDB), no Amazonas; João Lyra (PTB), em
Alagoas.
Outros candidatos, mesmo na oposição,
na prática não presentam esse perfil: Germano Rigotto
(PMDB-RS), Blairo Maggi (PPS-MT), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
e Siqueira Campos (PSDB-TO).
Os favoritos
Apenas cinco candidatos estão
na marca de 60% ou acima nas intenções de voto nos estados
e devem vencer as eleições no primeiro turnos: Aécio
Neves (PSDB), com 71% em Minas Gerais; Paulo Hartung (PMDB), com 65%
no Espírito Santo; Roseana Sarney, com 63% no Maranhão;
André Puccinelli (PMDB), com 62% no Mato Grosso do Sul e Blairo
Maggi (PPS), com 60% no Mato Grosso.
Denise Drechsel

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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de agosto de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006
Justiça eleitoral rejeita
1.535 candidaturas em todo o país
Brasília – Mais de 1.500 candidaturas foram indeferidas
nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) do país, segundo dados
divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De um total de 20.705
solicitações de candidaturas, 7,4%, ou 1.535 candidatos,
tiveram seus registros indeferidos.
Os dados mostram ainda que entre o requerimento
de registro e o julgamento do pedido, oito candidatos faleceram e 791
renunciaram.
Segundo o TSE, 754 candidatos e o Ministério
Público já protocolaram recursos tanto contra o indeferimento,
como contra o deferimento das candidaturas.
O levantamento destaca que, dos que renunciaram,
465 eram candidatos a deputado estadual, 234 a deputado federal, 30
a segundo suplente de senador, 18 a primeiro suplente a senador, 14
a vice-governador, 13 a deputado distrital e 10 a senador.
Os estados com os maiores números
de candidaturas impugnadas até o momento são São
Paulo (449), Minas Gerais (121) e Maranhão (99). Já os
menores números de impugnações foram verificados
na Paraíba (11), em Roraima (11), Alagoas (15), Santa Catarina
(17),e Mato Grosso (18) .
No Paraná foram pedidos 919 registros
de candidaturas. Destes, 28 foram impugnados.
O TSE tem prazo até o dia 20 de
setembro para julgar todos os recursos contra indeferimento e contra
o deferimento de candidaturas.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 29 de agosto de 2006 | Economia
Governo adia pacote de redução
do custo do crédito imobiliário
Enquanto instrumentos legais para a sua implantação
não estiverem incluídos, Governo não anunciará
pacote; semana que vem é o novo prazo
Vânia Cristino e Adriana Fernandes
BRASÍLIA - O ministério
da Fazenda decidiu adiar para a próxima semana o anúncio
das medidas de redução do custo do crédito imobiliário
e do spread bancário porque enfrenta a resistência dos
bancos e não superou as dificuldades técnicas e jurídicas.
O governo não quer repetir o que
aconteceu como pacote de bondades na área de câmbio, quando
as medidas foram anunciadas sem que os instrumentos legais para sua
implantação estivessem concluídos. "Queremos
diminuir esse gap e deixar as medidas prontas", afirmou um assessor
ouvido nesta segunda-feira, pelo Estado.
O maior obstáculo é matemático.
"A conta não fecha para os bancos", admitiu um técnico.
A pretensão do governo de fixar em 12% a parcela dos juros incidentes
sobre novos financiamentos habitacionais, eliminando a correção
da TR, representa um risco que as instituições financeiras
privadas não estão dispostas a correr. O governo não
pretende obrigar os bancos a operar com a nova sistemática. Apenas
adotaria uma medida para autorizá-los a oferecerem uma linha
de financiamento, que poderia estar atrelado ao crédito consignado,
mas com os juros tabelados. E é contra esse tabelamento que os
bancos estão reagindo. "Como a medida será autorizativa,
com uma taxa dessas nós não trabalhamos", disse um
executivo do mercado financeiro.
O sistema financeiro já trabalha
com juros fixos para uma pequena parcela do empréstimo habitacional,
feito fora do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e
com taxas de mercado. Como a taxa básica é a Selic, os
juros fixos para a habitação giram em torno de 15% ao
ano. No SFH, a taxa máxima que pode ser cobrada pelos bancos
é 12% ao ano, acima da Taxa Referencial de Juros (TR), mesmo
indexador das cadernetas de poupança.
No SFH o indexador da taxa de captação
é o mesmo do empréstimo habitacional. O governo, segundo
o mercado, pode autorizar via CMN que uma parcela dos recursos captados
junto aos poupadores possa ser aplicado com taxa fixa. Mas, se quiser
mudar a regra de todo o sistema, será preciso mudar a lei. Dependendo
de como fará as mudanças, várias propostas terão
que vir na forma de Medida Provisória para poderem entrar em
vigor rapidamente.
Essa não é a primeira vez
que se tenta eliminar a variação da TR no financiamento
habitacional. No governo Fernando Henrique Cardoso, a proposta foi estudada
e até mesmo uma minuta de medida provisória chegou a ser
redigida. O governo desistiu da iniciativa e concordou, na época,
com o alerta técnico de que o governo estaria causando um sério
transtorno no ativo das instituições, devido ao chamado
descasamento das operações. Ou seja, o banco toma recursos
a um determinado custo e o repassa ao mutuário a um custo mais
baixo. O resultado: os esqueletos que foram gerados nos financiamentos
que tinham suas prestações corrigidas pela variação
dos salários.
A proposta de redução do
spread também enfrenta a resistência dos bancos e problemas
técnicos para sua implantação. Não é
tão simples permitir a livre movimentação das contas
bancárias com a garantia de que não haverá ônus
tributário e financeiro a ser assumido pelos correntistas. A
concorrência, de fato, seria estimulada mas o que não está
quantificado é o risco de uma migração, por exemplo,
dos correntistas de bancos públicos para bancos privados.
No pacote em estudo pelo governo
ainda está previsto recursos para o financiamento de lotes urbanizados
e a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) e vários materiais de construção considerados
básicos. Trata-se, na verdade, de uma possível ampliação
da lista divulgada em março pelo governo. No caso dos lotes urbanizados,
as incorporadoras e construtoras garantiram ao governo que têm
interesse em contribuir para o crescimento ordenado dos grandes centros
urbanos. Para isso e, se tiver financiamento, estão dispostos
a adquirir grandes glebas de terra para revenderem para os mutuários
finais como lotes urbanizados.
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MS NOTÍCIAS, 29 de
agosto de 2006
CNTC teme que MPs levem o sindicalismo
ao extermínio
A Confederação Nacional
dos Trabalhadores no Comércio - CNTC está convocando todos
os sindicatos e federações a ela vinculada, de todo o
País, para participar de uma marcha a Brasília no próximo
sábado (2) para manter vigília a partir do dia 3 na Câmara
Federal e impedir a votação das MPs 293 e 294, da maneira
como estão redigidas, pois podem levar o sindicalismo brasileiro
ao extermínio. O diretor da CNTC José Carlos Perret Shullte
enviou correspondência a todos os sindicatos e federações
explicando o caso e convocando todos à luta a partir da próxima
semana em Brasília.
O presidente da Federação
dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias - Feintramag,
José Lucas da Silva, coordenador geral do FST/MS (Fórum
Sindical dos Trabalhadores) e membro da CNTC, também segue a
Brasília no sábado levando dezenas de sindicalistas do
Estado ao Distrito Federal. Ele diz que o momento é decisivo
e que o sindicalismo brasileiro, de fato, está em jogo.
Veja, na íntegra, a mensagem
de Shculte aos sindicalistas de todo o Brasil:
Prezados Companheiros,
Conforme nossa circular anterior, nos
dias 01 a 04 deste mês de agosto estivemos mobilizados, no âmbito
do Congresso Nacional, para contato pessoal com os Deputados Federais
visando municiá-los de informações, as quais, resumidamente,
justificam os motivos para a não aprovação da MP
293/06 ("Reconhecimento das centrais sindicais") e da MP 294/06
(que cria Conselho Nacional de Relações do Trabalho -
CNRT e dá outras providências) mostrando-lhes, dessa forma,
a real intenção do governo de promover por outras vias
a tão propalada, perniciosa e prejudicial Reforma Sindical.
O resultado desse trabalho estratégico
de "corpo a corpo", surtiu seu efeito imediato prático
dando-nos mais tempo para lutar, uma vez que a discussão da matéria
foi adiada para o mês de setembro próximo, quando nos dias
04, 05 e 06 o Congresso estará reunido em esforço concentrado
para a votação das matérias mais prioritárias,
como é para nós o caso das Medidas Provisórias
293/06 e 294/06. Todavia, apesar de conseguirmos "barrar"
a reforma sindical, na prática o que ainda prevalece oficialmente
é o texto do Projeto de Lei de Conversão, elaborado no
âmbito da 'Comissão Especial Mista destinada à apreciação
da MP nº. 293, de 2006', cuja relatoria ficou a cargo do Deputado
Medeiros (PL/SP), e que de forma alguma representa o consenso geral
do movimento sindical.
Na realidade, o que realmente quer o
relator Medeiros e as centrais sindicais, ao incluir no seu Projeto
de Conversão a necessidade do Sindicato declarar a filiação
à Federação, para efeito da distribuição
da quota parte da verba da contribuição sindical, é
quebrar o princípio do sistema de representação
sindical por categoria profissional, com vinculação automática
às entidades de grau superior, para instituir o sistema de representação
por associação, uma vez que no caso as Federações
passarão a representar somente os sindicatos associados; levando-nos
a crer que num futuro muito próximo, também os Sindicatos
passarão a representar somente os trabalhadores associados. E
exemplo prático disso não nos falta, pois de concreto
temos o caso das contribuições assistenciais que, devido
o entendimento e a intervenção do Ministério Público,
estão limitadas apenas aos associados e não mais para
toda a categoria.
Tudo isso é a preparação
para que as centrais sindicais sejam reconhecidas e se tornem as comandantes
do processo de flexibilização (reforma trabalhista), que
é a maior e mais direta ameaça para os trabalhadores,
tendo em vista o maior poder que lhes está sendo atribuído
ao legitimá-las para a proposição e elaboração
de legislação, conforme determina o Inciso II do artigo
10 da MP 294/06, que institui o Conselho Nacional de Relações
do Trabalho.
Desta forma, para nós está
mais do que óbvia a oportunidade para o governo cumprir com o
compromisso assumido com a CIOLS e a OIT, de instituir a pluralidade
sindical no Brasil, enfraquecendo e esfacelando as entidades sindicais
defensoras dos direitos dos trabalhadores, conforme determinam as práticas
neoliberais da prevalência do capital sobre o social.
E, é para impedir que toda essa
trama maquiavélica tenha desfecho positivo que continuaremos
a luta! Para isso, nos manteremos unidos e permanentemente mobilizados,
pois sabemos que o Congresso Nacional é uma instituição
que funciona sobre a pressão popular do rufar dos tambores. Por
isso, temos que sair à frente para dar o compasso das batidas
e não corrermos o sério risco de marcharmos à cadência
dos tambores daqueles que nos querem ver destruídos. Por isso,
estamos conclamando os companheiros para atuarem e trabalharem nas ações
deliberadas pelos participantes da última mobilização
em Brasília, em reunião realizada na CNTC no dia 03 de
agosto, as quais são as seguintes:
1. Promover trabalho em conjunto com
as entidades sindicais de todas as categorias em suas regiões,
remetendo documentos aprovados via fax, telegrama e e-mail para os gabinetes
dos deputados, mostrando contrariedade à aprovação
das MPs 293/06 e 294/06;
2. Buscar discussão com parlamentares
que estão em campanha, tendo em vista as eleições;
3. Se possível, buscar conscientização
e apoio da sociedade local, com a realização de reuniões
e/ou eventos que oportunizem tais discussões; 4. Convocar o maior
número possível de companheiros dos sindicatos, formando
caravanas através das Federações filiadas, para
estarem presentes em Brasília no dia 03 (três) de setembro,
às 14:00h, para participarem de Seminário sobre as Medidas
Provisórias em questão, bem como de reunião de
trabalho e estratégia de ação a ser adotada durante
os dias 4, 5 e 6 de setembro no Congresso Nacional; 5. Incentivar as
entidades sindicais de outras categorias em suas regiões para
a importância de somarem esforços e estarem presentes na
mobilização em Brasília nas datas acima citadas;
6. A exemplo das convocações
anteriores, a CNTC arcará com as despesas de alojamento, alimentação
e transporte local, além de todo material didático e apoio
administrativo necessários.
Reafirmamos a importância da participação
de todos e, neste sentido, enfatizamos esta convocação,
lembrando que a mobilização dos dias 3 a 6 de setembro
próximo poderá vir a ser nossa última oportunidade
de brigarmos pela preservação da estrutura e organização
sindical vigentes, como legítimos instrumentos de resistência
a serviço das conquistas e preservação dos direitos
dos trabalhadores brasileiros.
Finalizando, estamos certos de que os
companheiros compreendem estarmos no final de uma batalha que estamos
travando há algum tempo, com significativas vitórias,
uma vez que desde os dois mandatos do governo FHC e do atual governo
Lula vimos lutando e impedindo a aprovação de tais reformas,
que não atendem aos interesses dos trabalhadores.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
29 de agosto de 2006
Receita espera 63 milhões de declarações
de Isento em 2006
BRASÍLIA - A partir de 1º
de setembro, a Receita Federal vai começar a receber a Declaração
de Isento 2006. O prazo termina em 30 de novembro. A expectativa da
Receita é receber 63 milhões de declarações,
ante 61 milhões no ano passado.
Deve declarar quem teve rendimento tributável
inferior a R$ 13.968,00 em 2005. As regras deste ano são as mesmas
em relação a 2005, conforme Instrução Normativa
671, publicada na edição desta sexta-feira do Diário
Oficial da União.
Até mesmo os custos de entrega
no Banco do Brasil, Caixa Econômica (Caixa Aqui), Correios e lotéricas
foram mantidos. Além dessas opções, que inclui
o Banco Popular do Brasil, os contribuintes podem utilizar a internet
(www.receita.fazenda.gov.br) para declarar.
Em 2005, lotéricas e internet
foram os meios preferidos dos contribuintes isentos. Foram entregues
mais de 58 milhões de declarações, o equivalente
a 95% do total entregue.
Segundo o supervisor nacional do Imposto
de Renda, Joaquim Adir, a entrega da Declaração de Isento
permite que o contribuinte mantenha a regularidade do CPF (Cadastro
da Pessoa Física) e tenha a certeza de que seu documento não
está sendo usado por terceiros.
O contribuinte que deixar de declarar
por dois anos seguidos tem a inscrição suspensa. Caso
a omissão ocorra por um ano o documento passa à condição
"pendente de regularização".
Em ambas as situações,
no entanto, o contribuinte poderá enfrentar problemas no momento
de usar o CPF. O documento é exigido na maioria das operações
no mercado, como abrir conta em banco, pedir crediário, tirar
passaporte, participar de concursos públicos, receber benefícios
da Previdência, participar de transações em cartórios,
entre outras.
A Declaração de Isento
foi criada em 1998 para limpar o cadastro do CPF. O objetivo é
excluir inscrições de contribuintes mortos, duplos e falsos.
"Ao fazer a declaração o contribuinte, além
de estar prestando contas ao fisco, tem a garantia de que seu documento
não está sendo usado por terceiros", comenta o supervisor.
Na base do CPF da Receita existem 159,7
milhões de inscrições, das quais 105,1 milhões
regulares. Há ainda 36,9 milhões suspensas e 1,4 milhão
de documentos cancelados ou anulados.
A Receita informa ainda que 16,2 milhões
de inscrições apresentam pendências. Caso seus donos
não apresentem a Declaração de Isento ou a do Imposto
de Renda em 2006, terão o documento suspenso a partir do ano
que vem.
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JORNAL
O LIBERAL / BELÉM, 29 de agosto de 2006
Pesquisa mostra que faltam empregos
e sobram vagas
O motivo Dieese constata que menos postos de trabalho
foram gerados
Irna Cavalcante
Da Redação
Edvaldo Borges das Neves, tem 30 anos, fácil comunicação,
ensino médio completo, experiência na área de informática.
Características que fazem dele uma pessoa em potencial para contribuir
ativamente para o crescimento da balança econômica do país.
Mas não, há pelo menos um ano e meio, ele não consegue
vaga em nenhuma empresa. 'Já espalhei meu currículo em
vários lugares, mas não tive nenhuma resposta. Acho que
hoje as coisas estão difíceis mesmo, tenho a sensação
que não tem vaga em lugar nenhum', afirmou Edvaldo, enquanto
encaminhava seu currículo para um banco de empregos.
Esta condição faz com que
ele, assim como muitos em todo Pará, se encaixe num grupo que,
segundo estimativas do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas
Socioeconômicas (Dieese) do Pará, já ultrapassa
a faixa dos 400 mil desempregados. São pessoas que apesar de
estarem na idade produtiva, terem vontade e necessidade de trabalhar,
continuam fora do mercado de trabalho.
O Pará, apesar das dificuldades,
registrou um saldo positivo no número de empregos de 1,65% entre
admitidos e desligados, nos últimos seis meses. Entretanto, a
‘sensação de que não há vagas’
que Edvaldo disse ter pode ser um reflexo de uma projeção
que começa a ser ameaçada. Ainda que positivo, o crescimento
registrado no primeiro semestre deste ano, segundo o Dieese, foi 27%
menor do que em 2005. O que significa dizer que menos postos de trabalho
foram gerados este ano.
Então, levando em consideração,
o contexto apresentado, supõe-se que as vagas que aparecem no
mercado são logo preenchidas, obedecendo a lógica de procura
e oferta, certo? Errado. Um levantamento do órgão com
base na balança de intermediação de mão-de-obra
feito pelo Sistema Nacional de Empregos (Sine) do Pará apontou
uma direção contrária. Pelo menos 20% das vagas
que são captadas não estão sendo preenchidas.
Mas então, se houve uma redução
do número de postos de trabalho, e se há um contingente
cada vez maior de pessoas desempregadas, como explicar vagas que apesar
de serem procuradas, por pelo menos o dobro de candidatos, não
são ocupadas?
Para o supervisor técnico do Dieese,
Roberto Sena, a explicação para este contexto está
num chavão, cada vez mais recorrente no Brasil, o de que ‘falta
trabalho e sobra emprego’. 'Esta situação ocorre
em função da baixa qualificação da mão-de-obra
no Pará. O nível de educação na População
Economicamente Ativa (PEA) não chega a 3,5 anos e os recursos
para qualificação são poucos', afirmou Sena.
Pesquisa
Para chegar a esta dicotomia, Sena explica
que trabalhou em cima de duas tabelas, uma que mede a evolução
do emprego formal feita com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e outra que
é a balança do Sine, responsável por grande parte
das intermediações de mão-de-obra em todo Brasil.
Na primeira, o Dieese constatou que foi
feito no primeiro semestre deste ano, em todo Estado, 103.522 admissões
contra 96.204 desligamentos, gerando um saldo positivo de 7.318 postos
de trabalho, o que resultaria em crescimento de 1,65%. Número
que, comparado ao mesmo período do ano passado, é inferior
à taxa de 2,50% registrada em 2005, quando foram feitas 106.134
admissões contra 96.084 desligamentos, gerando um saldo positivo
de 10.050 postos de trabalho. 'Em outras palavras: comparando os dois
semestres foram gerados a menos este ano 2.732 postos de trabalho e
esta redução aconteceu em setores importantes como a construção
civil, indústria, agropecuária e comércio', avaliou
o coordenador do Dieese, destacando que o pior desta situação
é que mesmo com a falta de emprego, sobram vagas no mercado formal,
situação observada ao trabalhar a segunda planilha, a
do Sine.
Nela, o Dieese observou que, nos mesmos
seis meses do ano, de um total de 12.299 vagas captadas pelo Sine, só
conseguiram colocação no mercado de trabalho 9.765 trabalhadores.
Sobraram 2534 vagas, ou seja, cerca de 20% dos postos de trabalho captados.
No mesmo período de 2005 de um total de 13.694 vagas captadas
e disponibilizadas só conseguiram colocação 11.753
trabalhadores, sobraram, portanto, 1941 vagas, ou seja, 14,17% dos postos
captados.
Sena destaca que esta situação
de falta de empregos formais no Pará e sobra de vagas não
aconteceu só no comparativo entre os dois semestres. A análise
feita pelo Dieese para o ano de 2005 (jan-dez) mostra um quadro muito
parecido com o que aconteceu nos dois semestres analisados anteriormente.
No ano de 2005 foram inscritos no balcão de intermediação
do Sine 80.906 trabalhadores, sendo que o número de vagas captadas
para o período foi de 27.071, e para preencher estas vagas o
sistema encaminhou 43.366 pessoas. Destas, apenas 23.493 trabalhadores,
conseguiram colocação, sobrando, portanto, 3578 vagas,
cerca de 15% dos postos de trabalho captados.
A solução apontada por
Sena seria uma reformulação abrangente das políticas
de geração de emprego e renda no Estado. 'Os recursos
para educação profissional em todas as instâncias
públicas ainda são pequenos frente ao número de
pessoas que precisam se qualificar. Por outro lado, cabe também
ao setor empresarial, que na maioria das vezes fica só cobrando
mão-de-obra qualificada, participar desta situação
fomentando educação para seus empregados', enfatizou,
lembrando que é somente com o crescimento da nossa economia e
com reais investimentos na educação e na qualificação
da nossa mão-de-obra é que se vai poder melhorar esta
situação.
Acordos estão mais concentrados
na indústria
O diretor do Sine/PA, Edílson
Gonçalves, vê os dados de um outro prisma. Para ele, os
dados do Caged apontam para uma flutuação de mercado,
em que os índices de contratados e desligados são muito
parecidos, o que evidenciam uma reposição de mão-de-obra.
'Percebo que as pessoas entram e saem muito rapidamente do mercado de
trabalho, o fato delas estarem conseguindo emprego não quer dizer
que permaneçam por muito tempo no cargo, o que nos leva a supor
que não está havendo uma retração, mais
sim uma reposição de vagas', defendeu.
Já sobre as vagas do Sine, ele
atribui a ociosidade, a não-exclusividade do sistema. 'Muito
pelo contrário, observamos em muitos casos, que mais de 80% das
vagas que são captadas foram preenchidas, o que é muito
bom. Agora, o que acontece, é que as empresas não destinam
as vagas só para o Sine, então, ao mesmo tempo em que
encaminhamos gente para lá, outras pessoas também já
foram atrás das vagas, e aí prevalece a velocidade do
mercado e o interesse do contratante.', explicou Edílson.
Entretanto, ele reconhece e confirma
que a falta de qualificação profissional é um dos
principais fatores para a exclusão no mercado de trabalho. 'Existe
hoje uma exigência muito acentuada por parte das empresas. Por
outro lado, é cada vez menor o número de pessoas preparadas
para atendê-las', contou.
Segundo ele, geralmente, as empresas
pedem um profissional que já tenha, entre outras coisas, o ensino
médio completo, de preferência o superior; em média
entre 25 e 35 anos; experiência no cargo de 2 anos ou mais; e
quando se trata de comércio e serviço, possua noção
de informática. 'Isso para ocupar cargos básicos, e é
aí que muita gente fica de fora', afirmou Edilson, lembrando
que pelo menos metade das pessoas que procura o Sine, diariamente, está
fora desses padrões. 'Geralmente, são pessoas que têm
o ensino médio incompleto, ou nem tem o fundamental, não
tem experiência profissional e nenhum curso profissionalizante.
Essas pessoas são cadastradas, mas não têm garantias
de entrar no mercado', disse. 'Mas é bom que elas apareçam,
mostrem que estão aí, que querem trabalhar, porque muitas
vezes a gente consegue intermediar algum curso de qualificação
para ela', ressaltou.
Para ele, o grande desafio é alargar
cada vez mais este foco de trabalhadores. 'É preciso garantir
vaga para mulher que é chefe de família, para o portador
de necessidades especiais, para o jovem do primeiro emprego, mas sabemos
que não é fácil', disse.
Na avaliação da diretora
da Universidade do Trabalho, Edinéa Ruth Campos, só a
qualificação profissional não basta para assegurar
vaga. Segundo ela, a realidade constatada através do trabalho
de intermediação de qualificação profissional
para estas pessoas que estão justamente fora das exigências
de mercado, feito pela universidade, órgão ligado à
Secretaria de Trabalho e Promoção Social (Seteps) do Governo
Estado, comprova isso. 'Quem dera que todo mundo que tivesse curso,
estivesse empregado. Sei que a qualificação tem uma parcela
alta de contribuição, mas sozinha não faz nada.
É preciso aumentar a escolaridade dessas pessoas e gerar mais
empregos, que só os que estão disponíveis já
não dão conta', lamentou.
E é justamente contra esta maré,
que a estudante Bruna Renata da Costa, de 18 anos, está tentando
remar. Apesar de já estar num curso superior, ela batalha agora
para estrear a carteira de trabalho. 'É a primeira vez que procuro
um emprego, sei que é difícil, mas estou correndo atrás.
Acho que também faltam pessoas capacitadas para cargos melhores,
mas para isso é preciso dar oportunidades', afirmou.
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EXPORT
NEWS / PORTAL DO EXPORTADOR, 29 de agosto de 2006
Exportações acumuladas em
agosto têm crescimento de 22,5%
• ANÁLISE DO MÊS
Nas exportações, comparadas
as médias até a 4ª semana de agosto/2006 (US$ 604,5
milhões) com a de agosto/2005 (US$ 493,3 milhões), houve
crescimento de 22,5%, motivado pelo aumento das três categorias
de produtos: semimanufaturados (+62,8%, de US$ 53,7 milhões para
US$ 87,4 milhões, com acréscimos, principalmente, nas
exportações de alumínio em bruto, produtos semimanufaturados
de ferro/aço, ligas de alumínio, açúcar
em bruto, celulose, couros e peles, ferro-ligas e madeira serrada),
manufaturados (+20,3%, de US$ 259,2 milhões para US$ 311,8 milhões,
por conta de álcool etílico, óleos combustíveis,
gasolina, aparelhos transmissores e receptores, chassis com motor, polímeros
plásticos, motores para veículos, bombas e compressores,
açúcar refinado e autopeças) e básicos (+14,8%,
de US$ 166,9 milhões para US$ 191,7 milhões, por conta
de minério de ferro, fumo em folhas, carnes bovina, suína
e de frango, café em grão, petróleo em bruto e
farelo de soja). Relativamente a julho/2006, as exportações
apresentaram retração de 6,8% (de US$ 648,7 milhões
para US$ 604,5 milhões), devido à redução
nas vendas de básicos (-13,5%, de US$ 221,7 milhões para
US$ 191,7 milhões), manufaturados (-3,5%, de US$ 323,0 milhões
para US$ 311,8 milhões) e semimanufaturados (-2,8%, de US$ 89,9
milhões para US$ 87,4 milhões).
A média das exportações
da 4ª semana chegou a US$ 586,2 milhões, 4,1% inferior à
média de US$ 611,0 milhões até a 3ª semana.
Na semana, retraíram-se as vendas de produtos semimanufaturados
(-16,6%, de US$ 91,4 milhões para US$ 76,2 milhões, por
conta de óleo de soja em bruto, madeira serrada, ferro fundido,
couros e peles, celulose, semimanufaturados de ferro/aço e açúcar
em bruto) e manufaturados (-7,2%, de US$ 317,9 milhões para US$
294,9 milhões, por conta de motores e geradores elétricos,
gasolina, óleos combustíveis, álcool etílico,
veículos de carga, calçados e automóveis de passageiros),
enquanto os produtos básicos apresentaram crescimento de 7,0%,
de US$ 188,2 milhões para US$ 201,4 milhões, principalmente,
petróleo em bruto, minério de ferro, café em grão,
minério de cobre e algodão em bruto. Do lado das importações,
houve aumento de 13,2%, sobre igual período comparativo (média
da 4ªsemana/média do acumulado até a 3ªsemana),
motivada, principalmente, pelas maiores compras de combustíveis
e lubrificantes, equipamentos elétricos/eletrônicos, instrumentos
de ótica e precisão, plásticos e obras, farmacêuticos
e siderúrgicos.
Nas importações, a média
diária até a 4ª semana de agosto/2006, de US$ 401,0
milhões, ficou 19,9% acima da média de agosto/2005 (US$
334,6 milhões) e 5,5% superior a julho/2006 (US$ 380,2 milhões).
No comparativo com agosto/2005, aumentaram os gastos, principalmente,
de cobre e suas obras (+166,5%), adubos e fertilizantes (+64,0%), siderúrgicos
(+55,4%), farmacêuticos (+50,6%), veículos automóveis
e partes (+29,8%), plásticos e obras (+19,3%) e equipamentos
elétricos e eletrônicos (+16,5%). Em relação
a julho/2006, houve aumento nos seguintes produtos: adubos e fertilizantes
(+108,7%), cobres e suas obras (+24,2%) e combustíveis e lubrificantes
(+19,0%), farmacêuticos (+16,1%).
Fonte: MDIC
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
28/08/2006
Vantuil debate nova legislação
sobre hora extra em evento da CUT
O ministro decano do Tribunal Superior
do Trabalho, Vantuil Abdala, participa esta manhã em São
Paulo de seminário promovido pela Central Única dos Trabalhadores
(CUT) sobre horas extras e uma nova proposta de legislação.
A Constituição de 1988 estabeleceu jornada de trabalho
de 44 horas semanais, mas autoriza a prestação de duas
horas extras por dia. Abdala defende o fim da prestação
de horas extras como forma de estimular a geração de emprego
e preservar um direito internacionalmente conquistado pelo trabalhador
que é a jornada de oito horas diárias.
Segundo a CUT, a prestação
das duas horas extras diárias tornou-se prática “contínua
e abusiva” por parte das empresas, sendo determinante para inibir
novas contratações e principal causa das doenças
ocupacionais. A central dispõe de dados apontando que a proporção
dos trabalhadores com jornada efetiva acima da legal, que era de 41,9%
no início de 2001, subiu para 46,3% em maio de 2004. Pesquisa
realizada pela CUT em parceria com o Dieese com o objetivo de verificar
as causas e conseqüências das extensas jornadas na vida do
trabalhador revelou que 78% dos entrevistados fazem hora extra.
Para o ministro Vantuil Abdala,
a prestação de horas extras de forma habitual rompe com
uma conquista internacional da classe trabalhadora, que é a jornada
de oito horas. Segundo ele, se a legislação admite e permite
a constante prestação de horas extras e o trabalhador,
premido pela necessidade econômica, dispõe-se a fazer horas
extras diariamente, semanalmente e mensalmente durante anos a fio, na
realidade sua jornada de trabalho nunca mais será de oito horas,
o que se choca com o dispositivos da Organização Internacional
do Trabalho (OIT). O seminário está sendo realizado no
Shelton Inn Hotel (Avenida Casper Líbero, 115, Centro).
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29/08/2006
TST garante pagamento de direito suprimido
por acordo coletivo
“Não se admite a flexibilização
de direito garantido por preceito legal ou constitucional, quando da
negociação coletiva decorre a desregulamentação
ou negativa do direito”. Apoiada nessa frase do ministro José
Simpliciano Fernandes (relator), a Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho deferiu, por unanimidade, recurso de revista a um ex-empregado
da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). A decisão
garantiu ao trabalhador o pagamento do adicional de horas extras (50%),
que havia sido suprimido.
A decisão do TST modifica acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina),
que havia entendido como válida a negociação coletiva
estabelecida entre a Celesc e o sindicato local dos eletricitários.
Segundo o TRT, a supressão do adicional para a remuneração
das horas extras, decorrente da autonomia da negociação
coletiva, “não gera o pagamento de indenização
por absoluta falta de amparo legal”.
“A não-incidência
do adicional de 50% decorreu de disposição das partes
em acordo coletivo de trabalho (cláusula 19 do acordo coletivo),
em conformidade com o que dispõe a Constituição
Federal (artigo 7º, inciso XIV), realizado através da entidade
sindical”, acrescentou o TRT catarinense.
Durante o exame do recurso do trabalhador,
contudo, o TST verificou que a negociação coletiva estipulou
a remuneração da hora extra como se normal fosse e, ao
mesmo tempo, negou vigência à determinação
legal que instituiu o adicional de no mínimo 50% sobre a hora
cumprida além da jornada regular de trabalho. “Trata-se
claramente de negação a um direito assegurado aos trabalhadores
pela Constituição (artigo 7º, inciso XVI)”,
verificou Simpliciano Fernandes.
O relator do recurso também explicou
que a prevalência da autonomia das partes para firmar as negociações
coletivas encontra limites previstos nos princípios e normas
que compõem o ordenamento jurídico. “Desta forma,
na medida em que se privilegia a negociação coletiva,
a flexibilização das normas encontra limites no sistema
jurídico, garantindo-se direitos e benefícios básicos
ao trabalhador”, sustentou.
“A elasticidade da norma
coletiva é autorizada desde que não tenha como conseqüência
a desregulamentação ou negativa do direito instituído
por norma legal”, completou Simpliciano Fernandes, ao reconhecer
como inválida a cláusula coletiva que havia suprimido
o adicional de 50%, o que garantiu essa remuneração ao
trabalhador.
(RR 1201/2001-006-12-00.0)
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