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FETICOM/SP, 30 de agosto de 2006
Construção civil
de Sorocaba/SP
Cerca 3.000 (três mil) Trabalhadores nas Indústrias da
Construção Civil estão parados desde 2ª feira
na cidade de Sorocaba (90 Km de São Paulo), para obrigar as empresas
a negociar o piso salarial de R$ 620,00 (seiscentos e vinte reais) mensais,
estipulado nas convenções feitas pelo SINDUSCOM/SP com
a capital e cidades da grande São Paulo.
O SINDUSCOM/SP recusou estender o aumento
para o interior. A FETICOM – SP apoiando os movimentos grevistas
no interior está arrancando na greve o aumento. São José
do Rio Preto, Araraquara, Ribeirão Preto, Bauru, Botucatu, e
agora a vez de Sorocaba. Ontem à tarde (30/08) houve negociação
com a patronal.
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Diário Vermelho, 31 de agosto de 2006
Novas pesquisas causam pico de desânimo
na campanha de Alckmin
A campanha do médico Geraldo Alckmin à Presidência
da República atingiu um quadro clínico de desânimo
generalizado entre os aliados. As duas pesquisas divulgadas na terça-feira
(29) mostraram o candidato praticamente imóvel nas intenções
de voto e provocaram uma apatia sintomática na cúpula
de PFL e PSDB.
Sondagens do Datafolha e do Instituto Sensus apontaram um cenário
sem grandes alterações. Em ambos, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva ganharia a disputa no primeiro turno, já com 50
por cento dos votos. O plenário do Senado, um dos termômetros
para avaliar o ânimo da campanha nesta eleição,
mediu a frustração de parlamentares da oposição
ao longo do dia de ontem.
O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), incomodado
com o tom ameno de seu candidato, extrapolou nos ataques ao petista
e fez, da tribuna, o que disse esperar que Alckmin fizesse: dizer que
''o lugar de Lula era na cadeia''. ''Fiz o meu discurso mais duro hoje'',
disse ele sorrindo. ''Era assim que o Alckmin devia tratar'', completou.
O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), lamentou o crescimento
dos beneficiários do Bolsa Família às vésperas
das eleições, revelando a dificuldade de superar um adversário
que tem a ''máquina para conquistar votos''.
''Não existe paixão. Ao contrário, é uma
frieza total essa campanha. Não existe entusiasmo, dos dois lados.
A única coisa que me dá ânimo é que não
existe paixão pelo Lula'', desabafou o senador à imprensa.
À tarde, Jereissati tomava um café na companhia de jornalistas
quando ACM chegou. Convidado a juntar-se ao grupo, o senador baiano
começou a disparar, bem-humorado. ''Estou aqui falando na frente
dos jornalistas, como o melhor amigo que você tem aqui no Senado,
para dizer que Alckmin não empolgou porque não atacou'',
disse ACM ao dirigente tucano, falando no tempo pretérito, como
se a eleição já tivesse terminado.
''Eu não mando no programa (de TV)'', respondeu Tasso, visivelmente
constrangido. O diálogo, sempre esboçado com sorrisos
de canto de boca, refletiu, em público, a insatisfação
interna. O líder do PSDB prometeu um programa eleitoral mais
incisivo a partir da segunda quinzena de setembro. ACM reagiu com ironia:
''Aí dá tempo para virar''. Nos bastidores do Congresso,
as avaliações projetavam um prognóstico negativo,
mas ainda mantido em sigilo.
''O paciente está na UTI, e não dá sinais de que
quer sobreviver'', disse um deputado do PFL, ligado à cúpula
da campanha. Mesmo com o desânimo, aliados prometem não
abandonar o barco, mas suas declarações revelam que a
virada do candidato está condicionada a uma surpresa ou à
mudança de estratégia que Alckmin e seus auxiliares diretos
resistem em adotar.
''Acho que já tivemos surpresas em outras eleições.
Não há porque abandonarmos a luta. Temos um mês
para, quem sabe, mudar a estratégia, o discurso e a postura'',
afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos membros do conselho
político de Alckmin.
Lembo: Lula vai ganhar no primeiro turno
Outro integrante do PFL, o governador de São Paulo, Cláudio
Lembo, também lamentou a baixa performance de Alckmin, mas ao
contrário de seu desafeto, o senador ACM, Lembo elogiou o presidente
Lula. Em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim, o governador
reafirmou sua convicção na vitória do presidente
Lula e condenou as declarações do ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, que pediu, na última terça-feira, que
Alckmin baixasse o nível da campanha.
“Ele (FHC) atrapalha o Alckmin. Democracia não se faz com
agressividade”, disse Lembo. O governador disse também
que não concorda com a declaração de FHC de que
o marqueteiro de Alckmin precisaria “pôr fogo no palheiro”.
“Não precisa por fogo em nada”, completou o governador
na entrevista ao jornalista do site Conversa Afiada.
Além disso, Lembo, que foi vice-governador de Alckmin, durante
três anos e meio, afirmou que Lula deve vencer as eleições
no primeiro turno. “As pesquisas mostram que o presidente está
em uma situação privilegiada. Eu já havia dito
que se não houver nenhum fato novo ele vence no primeiro turno
e como até agora não houve o fato novo ele deve ser reeleito
no dia primeiro de outubro”, disse Lembo. Segundo o governador,
Lula tem raízes populares “e uma história épica,
muito bonita”.
Cientista político critica mudança de tática
O comportamento de FHC também foi criticado pelo cientista político
Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação
Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP). Segundo ele, a mudança
de tom do PSDB na campanha eleitoral, deixando de lado a postura branda,
para atacar ao PT no campo da ética e da corrupção,
materializada na quinta-feira pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
quando propôs ao partido "botar fogo no palheiro" e
que foi acompanhada pelo candidato Geraldo Alckmin, demonstra "desespero".
"O ex-presidente Fernando Henrique foi extremamente agressivo e
não é possível dizer se isso trará algum
benefício para a candidatura Alckmin", disse Teixeira à
Agência Estado. "É o desespero, pois quando soltou
a frase, FHC já sabia dos resultados da pesquisa CNT/Sensus,
mais tarde corroborados pelo Datafolha", complementou o especialista,
ao citar os números que indicam a consolidação
da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva já no primeiro turno da eleição.
Na visão do cientista político, o ex-presidente prestou
um "desserviço eleitoral ao País", acrescentando
que o PSDB parece ter sucumbido à proposta do PFL de que Alckmin
só crescerá na preferência do eleitorado quando
passar a atacar as deficiências de Lula e sua administração.
"O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o prefeito
do Rio, César Maia (PFL) defendiam há algum tempo a linha
de ataques e agora parece haver uma pefelização das teses
da campanha", observou.
Teixeira desconfia dos resultados que a postura conflituosa poderá
trazer à campanha tucana. Isso porque, alertou, a tentativa de
trazer o tema da ética e da corrupção de volta
à campanha provoca uma "sensação coletiva",
a ser identificada no eleitorado, de "chover no molhado".
"Se o presidente Lula esteve imune aos ataques até agora,
inclusive no momento de artilharia mais pesada, quando se falou em impeachment,
o que levaria o eleitor a mudar de idéia agora, a um mês
do voto?", indagou. "A campanha eleitoral está pautada
pela discussão de nomes e não de propostas. Ora, se é
para discutir nome, o eleitorado tende a preferir aquele que melhor
lhe agrada e as pesquisas confirmam ser Lula", justificou, acrescentando
que é "assustadora a incapacidade da oposição
em ser propositiva até o momento".
Para ele, caminho mais promissor para o futuro do PSDB nas urnas seria
o de apresentar um programa de governo alternativo ao PT. "Primeiro,
devemos deixar bem claro que é obrigação dos oposicionistas
apresentarem um programa alternativo, já que o governo pode perfeitamente
manter o discurso do mais do mesmo e manter a linha administrativa adotada
nos últimos quatro anos", ponderou. "Depois, porque,
de fato, FHC é um ator sem influência nessa eleição.
Alckmin deveria se mostrar como um projeto diferente de Lula e FHC,
com propostas próprias, inovadoras e sem comparação
com os antecessores", opinou.
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Nova Central, 31 de agosto
de 2006
Copom reduz mais uma vez a Taxa Selic
em 0,5%
O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou
ontem redução de 0,5 ponto percentual da taxa básica
de juros, a Selic, de 14,75% para 14,25%. A decisão confirma
a aposta do mercado de que o Banco Central iria promover um corte de
0,25 a 0,50 ponto percentual do juro neste mês. Esta é
a última decisão antes das eleições presidenciais
e ocorre um dia antes da divulgação do Produto Interno
Bruto do segundo trimestre.
"Foi uma surpresa. Embora o espaço
para cortes ainda esteja aberto, o tom da última ata sugeria
a adoção de uma postura mais cautelosa", avaliou
o economista-chefe do Unibanco Asset Management, Alexandre Mathias.
"Provavelmente, o BC considerou que as informações
recentes sobre inflação e atividade aumentaram a convicção
sobre a continuidade de um cenário sem pressões relevantes
sobre os preços também em 2007." Em um breve comunicado,
o Copom afirmou ter tomado a decisão após avaliar "o
cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação".
A decisão foi unânime e
o Copom segue sem viés para o juro - mecanismo que permitiria
uma mudança antes da próxima reunião, agendada
para os dias 17 e 18 de outubro. Segundo especialistas, o Banco Central
diminuirá o ritmo do corte do juro a partir de agora, pois as
medidas terão impacto na economia apenas em 2007, quando o cenário
é menos certo que o deste ano. Isso justificaria a "maior
parcimônia" na flexibilização da política
monetária enfatizada na última ata do BC, em julho.
De 20 instituições financeiras consultadas pela Reuters
na semana passada, 16 projetaram redução de 0,25 ponto
percentual da Selic, para 14,50%. As outras quatro previram corte de
0,50 ponto percentual, para 14,25%. Mesmo prevendo baixa, alguns analistas
afirmaram que há espaço para uma redução
maior, mas que o BC não deveria fazer isso justamente por ter
deixado claro ao mercado que o afrouxamento seguiria em ritmo lento.
"O BC está vendo que
o nível de investimento está mais fraco e, portanto, a
expansão da oferta é menor. Ele está olhando apenas
por riscos de alguma pressão inflacionária", disse
Ricardo Amorim, economista-chefe para América Latina do WestLB.
Enquanto as previsões de inflação do mercado estão
abaixo do centro da meta deste ano, as projeções para
2007 encontram-se exatamente no alvo, de 4,5%.
"Os efeitos dessa redução
(dos juros, em agosto) terão um impacto maior na atividade econômica
e inflação de 2007, devendo então a autoridade
econômica ser mais cautelosa, pois o cenário benigno de
inflação não é tão certo quanto o
de 2006", afirmou Juan Jensen, economista-chefe da JS Consultores.
Para o encerramento do ano, os especialistas projetam a Selic entre
13,75% e 14,50%. Se a taxa encerrar 2006 em 14%, significará
uma redução de 0,25 ponto percentual em cada uma das três
reuniões do Copom até o fim do ano - agosto, outubro e
novembro.
Críticas
A queda de 0,5 ponto percentual na taxa
de juros provocou críticas da oposição, que considerou
a medida eleitoreira. Entre os governistas, a decisão do Banco
Central demonstra que a política econômica do governo está
no rumo certo e caminha para o crescimento sustentado. O líder
do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), ressaltou que a
notícia de queda na taxa de juros é sempre bem vinda,
mas ponderou que neste momento indica que o BC é mais um órgão
do governo a serviço da reeleição do presidente
Lula.
"Está cada vez mais claro
em todas as áreas do governo estão sendo utilizadas para
se tentar reeleger o presidente. Em alguns casos, como esse, o oportunismo
vem para o bem, mas o que o governo fez nos últimos três
anos e sete meses foi pagar a maior taxa de juros reais do mundo para
os banqueiros", condenou. Para Maia, se Lula for reeleito, os juros
voltarão a subir. "Tem muita gordura para queimar, mas enquanto
Lula for presidente, a taxa de juros vai ser alta porque a política
de Lula é privilegiar os banqueiros", considerou.
"É a mesmice de sempre com
uma pitada eleitoral", emendou o líder do PFL no Senado,
José Agripino Maia (RN). O líder do PT na Câmara,
deputado Henrique Fontana (RS), disse que a oposição achar
que o Copom trabalha pela reeleição de Lula demonstra
"delírio total". Segundo o líder petista, a
decisão do Copom demonstra que Lula acertou na política
econômica e que está levando o país a combinar crescimento
continuado e sustentado. "Aos meus opositores digo: 'Quem te viu
e quem te vê!' Em 2002, o cenário era bem diferente",
alfinetou.
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Nova Central, 31 de agosto
de 2006
Mulheres só terão salários
iguais aos dos homens, provavelmente, no ano 2081
Somente em 2081, mantida a evolução dos últimos
dez anos, as mulheres deverão passar a receber salários
iguais aos dos homens. A informação consta da publicação
“Visão do Desenvolvimento”, divulgada semanalmente
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A última publicação teve como tema “Mulheres
conquistam mercado, mas ganham menos” e foi coordenada pelo economista
da Secretaria de Assuntos Econômicos do banco, Antônio Marcos
Ambrozio
De acordo com o estudo, embora as mulheres
estejam cada vez mais ganhando espaço no mercado de trabalho
que demanda maior qualificação da mão-de-obra,
sua remuneração ainda é comparativamente inferior
à que recebem os homens nos postos com o mesmo grau de especificação.
Esta discrepância salarial por sexo verificada nos últimos
dez anos favoravelmente aos homens entre os trabalhadores mais escolarizados
pode, em princípio, ser explicada pela maior limitação
de acesso das mulheres a cargos de chefia ou, mais geralmente, a ocupações
bem remuneradas.
Em entrevista à Agência
Brasil, o economista atribuiu a desigualdade salarial “robusta”
entre mulheres e homens, em parte, às dificuldades e restrições
que o sexo feminino encontra para ocupar cargos de chefia. Para ele,
a disparidade salarial entre homens e mulheres reduziu-se de forma “muito
tímida” ao longo dos últimos dez anos. “A
persistir essa tendência, seriam necessários mais de 75
anos para eliminar completamente a desigualdade salarial por sexo”,
acredita.
As projeções, no entanto,
podem ser atropeladas pela constatação de que, em razão
das dificuldades decorrentes da realidade do mercado, as mulheres vem
buscando cada vez maior grau de especialização. Grau este
que poderá lhes dar maior capacidade de competição
em um mercado ainda favorável em nível salarial ao sexo
masculino. “O próprio fato de as mulheres estar tendo um
acesso crescente a mais educação e, conseqüentemente,
a empregos mais qualificados pode levar a um encurtamento deste diferencial
– do tempo de redução da diferença de remuneração
entre homens e mulheres”, admite Ambrozio.
O estudo leva em consideração
os indicadores da evolução do emprego e da renda nos últimos
dez anos, a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) e pela Relação Anual de Informações
Sociais (Rais) - uma base estatística do mercado de trabalho
formal, mas que engloba, além dos trabalhadores celetistas já
captados pelo Caged, também os estatutários, temporários
e avulsos.
Quanto maior o grau de instrução,
maior é a diferença salarial
De acordo com dados levantados durante
o estudo, quanto maior o nível de escolaridade, maior a diferença
salarial entre homens e mulheres. Esses dados constataram que o salário
médio real dos homens superou o feminino em todo os anos, entre
1996 e 2005. Os salários reais médios a preços
de 2005 dos homens admitidos entre 1996 e 2005 foram de R$ 614, enquanto
o das mulheres ficou em R$ 556.
Analisando o documento do ponto de vista
do grau de escolaridade, o rendimento médio tanto dos homens
como das mulheres mostra-se crescente com o avanço do nível
de instrução, embora o salário médio real
dos homens tenha superado o das mulheres em todos os níveis de
escolaridade considerados pelo estudo. O diferencial foi maior, no entanto,
para os trabalhadores com nível de escolaridade mais elevado:
acima do ensino médio as mulheres auferiram em média apenas
63% do salário real médio do dos homens, constata no estudo
o economista do BNDES.
Em contrapartida, é exatamente
entre os trabalhadores com menor grau de escolaridade que os vencimentos
de homens e mulheres mais se aproximam: entre o contingente de trabalhadores
com instrução até a quarta série, o rendimento
médio real das mulheres equivaleu, em média, a 82% da
remuneração dos homens. Já entre os analfabetos,
o rendimento médio real das mulheres foi em média superior
ao dos homens. Com base nos dados da Rais de 2004, o estudo concluiu
que, entre as ocupações com remuneração
média acima de R$ 3 mil, a participação feminina
estava “sub-representada”, com 26% do total das vagas.
O levantamento abrange dirigentes de
empresas e organizações de quatro categorias profissionais
- que não de interesse público: pesquisadores, profissionais
de ciências exatas e de ciências jurídicas. Para
o economista do BNDES, no entanto, o acesso limitado a ocupações
mais bem remuneradas explica apenas “em parte” o diferencial
de rendimento: nas quatro ocupações consideradas no estudo,
o salário médio feminino como proporção
do salário médio masculino variou de 42%, no caso de dirigentes,
a 87% no dos profissionais de ciências jurídica.
Aumento da participação
das mulheres no mercado de trabalho
A participação das mulheres
no mercado formal de trabalho aumentou substancialmente na última
década, com ampliação crescente por nível
de escolaridade, particularmente no saldo de vagas geradas no período
para trabalhadores com nível superior. Apesar dos avanços,
persistem as diferenças importantes de remuneração
e de acesso limitado aos cargos de chefia e de gerência. Em conseqüência,
as mulheres continuam recebendo menos do que os homens - mesmo quando
ocupam cargos semelhantes.
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Folha
de São Paulo, 31 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Orçamento 2007 não reduz carga
tributária
Proposta a ser apresentada hoje prevê carga
de 26,19% do PIB, contra 26,14% da previsão que foi feita para
este ano
Em discurso, porém, os ministros da Fazenda
e do Planejamento reafirmam que governo vai trabalhar para diminuir
impostos
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA FOLHA ONLINE
Assim como o programa de governo de Luiz
Inácio Lula da Silva, o projeto de Orçamento da União
para 2007 também não prevê a redução
da carga tributária federal. Segundo a Folha apurou, as projeções
da área técnica apontam para uma carga de impostos, taxas
e contribuições de R$ 602 bilhões, equivalentes
a 26,19% da renda nacional -uma pequena elevação sobre
os 26,14% do PIB nas estimativas para este ano. O ministro Guido Mantega
(Fazenda) disse ontem que a redução do peso dos impostos
continua sendo uma meta do governo. Incluindo os tributos estaduais
e municipais, a carga tributária atingiu recorde de 37,37% do
PIB no ano passado.
"Já falei e repito: vamos
reduzir a carga tributária, vamos manter o superávit primário
em 4,25% do PIB, vamos continuar fazendo esforço fiscal, diminuindo
gastos de custeio", afirmou Mantega, que não falou em prazos
ou números. O projeto de Orçamento de 2007, a ser enviado
hoje ao Congresso, mostra por que o tema virou tabu na campanha. Se
a meta de superávit for mantida, só é possível
cortar tributos reduzindo as despesas. A área econômica,
porém, desistiu de cumprir integralmente o compromisso de reduzir
em 0,1 ponto percentual do PIB as despesas permanentes.
A medida foi fixada na Lei de Diretrizes
Orçamentárias para 2007, ainda não aprovada pelo
Congresso. Para contornar a restrição, os ministérios
da Fazenda e do Planejamento vão tirar programas sociais da lista
das despesas sujeitas à regra. A proposta orçamentária
prevê aumento dos gastos com pessoal de R$ 108 bilhões
para R$ 117 bilhões; com investimentos, de R$ 15,5 bilhões
para R$ 17,5 bilhões; e um salto de R$ 41 bilhões para
R$ 46 bilhões do déficit da Previdência.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo,
disse que o governo tomará medidas que não estão
previstas no programa. Entre elas, a redução gradual da
CPMF e da DRU (Desvinculação de Receitas da União).
"O programa não fala da DRU e não fala da CPMF, mas
a gente tem de resolver", afirmou. "Não vejo como podemos
fugir do debate", acrescentou ele, insistindo na proposta de redução
gradual da carga tributária. Bernardo diz que o prazo necessário
para redução seria de dez anos e que medidas de curto
prazo não são saudáveis. Ele defendeu uma redução
de 0,3 a 0,5 ponto percentual por ano da carga tributária em
relação ao PIB, podendo chegar a 3% em dez anos.
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Folha de São Paulo,
31 de agosto de 2006
VINICIUS TORRES FREIRE
O FGTS e os fundos de Lula 2006
Governo planeja aumentar investimento com dinheiro
do Fundo; problema é quem controla o risco do negócio
O DINHEIRO do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço é
barato. Relativamente barato para quem consegue um empréstimo
via FGTS. Caro para quem tem fundos trancados lá, corrigidos
à taxa de 3% mais TR (uns 2%). Por lei, o FGTS financia basicamente
habitação popular e saneamento. Desde junho, o governo
pensa em dirigir parte do Fundo para investimentos em ferrovias, estradas,
portos, aeroportos e energia elétrica. Anteontem, obteve um aval
simbólico do conselho curador do FGTS para um projeto de lei
que muda a destinação de parte dos recursos "livres"
para investimento do Fundo, cerca de R$ 21 bilhões. O programa
de governo de Lula menciona a criação de "fundos
setoriais" para bancar infra-estrutura e investimentos em indústrias
de longa maturação.
Se os fundos do FGTS financiam gente
pobre, o subsídio implícito é compreensível.
De outro modo, os empréstimos via Fundo teriam de render mais
para os trabalhadores, com garantia de risco ao menos semelhante à
dos empréstimos para casas e esgoto. O plano do governo Lula
é permitir que os trabalhadores virem cotistas de fundos de investimento
em negócios de infra-estrutura. Outra parte do dinheiro financiaria
30% dos empreendimentos. Motivo: os investimentos públicos estão
à míngua por causa do aumento de gastos, da lei fiscal
e do superávit primário. O FGTS seria uma alternativa
atraente para investimentos: não exigiria mais controle de despesas.
No caso de eventuais perdas, a conta
não cairia no Tesouro, mas na dos trabalhadores e de seu Fundo
de Garantia. Nos anos 80 e 90, empréstimos com dinheiro do FGTS
acabaram em calotes monstruosos, bancados pelo Tesouro. Subsidiaram
compra de casas pelo Sistema Financeiro da Habitação.
Estados e municípios tomaram recursos via FGTS. O calote, em
valores de 2001, foi de R$ 34 bilhões. Mas a polêmica não
pára aí.
Os representantes da Confederação
Nacional do Comércio e da Confederação Nacional
da Indústria (CNI) votaram contra a inovação do
governo no conselho curador (tripartite, composto de oito membros do
governo, quatro de associações empresariais e quatro de
centrais sindicais). Motivo: riscos financeiros e desvio de finalidade.
O representante da CNI vem sempre da construção civil.
Agora é Roberto Kaufmann, presidente do sindicato da indústria
da construção do Rio. Kaufmann diz que as garantias de
investimentos em infra-estrutura são menores que as das obras
em habitação, as quais de resto, seriam socialmente prioritárias.
O dinheiro do Fundo para crédito
imobiliário está dobrando este ano, para R$ 10 bilhões.
Foram de R$ 5 bilhões em 2005. A indústria da construção
civil está contente, mas quer R$ 15 bilhões anuais e que
a maior parte vá para obras novas, não para imóveis
usados e material de construção. Sobraria pouco para os
fundos de infra-estrutura de Lula. O problema é: quem banca e
controla o risco? A parte do FGTS que seria utilizada para o investimento
não compromete o dinheiro devido aos trabalhadores. Mas, se uma
ferrovia for à breca, como o foram algumas privatizadas? Vai
haver socialização de prejuízos?
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JORNAL GAZETA DO POVO, 31
de agosto de 2006 | Economia
CRISE-Funcionários podem parar estamparia
e prejudicar outras unidades
Trabalhadores pretendem flexibilizar
greve da Volks
Mauricio Lima/AFP

Funcionários parados fazem nova assembléia hoje
São Paulo – Os funcionários da Volkswagen em São
Bernardo do Campo (SP) decidiram ontem manter a greve iniciada na terça-feira
em protesto contra demissões. Eles admitem, no entanto, que pretendem
utilizar várias formas de protesto daqui em diante. Segundo o
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os funcionários do
turno da tarde continuarão na fábrica sem trabalhar. Porém,
parte da produção poderá ser retomada, ao contrário
do que aconteceu nas últimas 24 horas, quando todas as linhas
foram paralisadas.
O sindicato informou que os trabalhadores
planejam fazer vários tipos de manifestações até
o dia 21 de novembro, quando termina o acordo de estabilidade que impede
demissões na empresa. Eles podem, por exemplo, paralisar a área
de estamparia, o que prejudicaria a produção das outras
unidades da Volks que não estão em greve. Entre as possibilidades
também está a realização de passeatas.
A Volks já informou que vai demitir 1,8 mil funcionários
em novembro e que mais 1,8 mil deverão ser dispensados até
2008. Caso não haja um acordo para reduzir os direitos trabalhistas
dos que ficarem, outros 2,5 mil empregados poderão ser dispensados.
O governo tem tentado intermediar um
acordo entre a montadora e o sindicato, mas se posicionou ao lado dos
trabalhadores. O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) decidiu suspender a liberação de um empréstimo
de R$ 497 milhões já aprovado à montadora até
que haja um acordo com o sindicato.
Os dirigentes da Força Sindical,
Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e Social Democracia
Sindical (SDS) decidiram se solidarizar aos funcionários da Volkswagen
em São Bernardo do Campo. Eles participarão da assembléia,
marcada para às 14h15 de hoje, que o Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC fará na unidade. “Queremos mostrar que todas as
centrais sindicais estão com os metalúrgicos do ABC e,
ao mesmo tempo, posicionar a Volks da necessidade de haver responsabilidade
social com os empregos”, disse o presidente interino da Força
Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.
Prejuízo
Se permanecer totalmente parada, a Volkswagen
deixará de produzir até 940 veículos por dia –
volume diário de automóveis produzidos na unidade dos
modelos Gol, Saveiro, Polo, Polo Sedan, Kombi e do Fox exportado para
a Europa.
A fábrica de São
Bernardo, a maior das cinco da montadora alemã no Brasil, emprega
12,4 mil funcionários, mas só 8 mil estão na produção.
Os demais cumprem trabalhos administrativos, área que está
concentrada no ABC. Desde 2000, a unidade de São Bernardo recebeu
investimentos de R$ 2 bilhões, mas ainda é considerada
pouco competitiva em relação às demais fábricas.
A principal vantagem da unidade Anchieta é a proximidade do porto
de Santos, que facilita a exportação. Por outro lado,
as vendas ao exterior da montadora foram as mais afetadas pela desvalorização
do dólar.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 31
de agosto de 2006 | Economia
ANCHIETA
Decisão deve sair em 15
dias
A Volkswagen informou que a sua matriz, na Alemanha, vai decidir na
primeira quinzena de setembro sobre novos investimentos e a viabilidade
da unidade Anchieta. A empresa insistiu que, sem os cortes anunciados,
poderá fechar as portar em São Bernardo. A montadora disse
que ainda tem expectativa de fechar um acordo com o sindicato. “Desde
que anunciou em 3 de maio deste ano a segunda fase do plano de reestruturação
a Volkswagen do Brasil não tem medido esforços para chegar
a um entendimento com os representantes de seus empregados. Sem um acordo,
a fábrica Anchieta não terá condições
de atrair novos investimentos, o que pode inviabilizar o futuro das
suas operações”, informou a empresa.
As reuniões dos próximos
15 dias, na cidade de Wolfsburg, sede da empresa, devem decidir sobre
os novos investimentos para as operações da empresa no
Brasil. “Este, portanto, é o prazo final para a fábrica
Anchieta se adequar aos padrões de melhoria de produtividade
e redução de custos, incluindo custos com pessoal, exigidos
pela matriz para ser contemplada com investimentos em novos produtos.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 31
de agosto de 2006 | Economia
RECEITA-A partir de amanhã, devedores
podem solicitar refinanciamento em 6 meses
Dois atrasos no Refis 3 excluem
empresa de todos os programas
Começa amanhã o prazo para que empresas com dívidas
junto à Receita Federal (RF), Previdência Social (INSS)
ou Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) solicitem, pela internet,
o refinanciamento de seus débitos em até seis meses ou
o pagamento à vista. O programa Refis 3, criado pela Medida Provisória
(MP) número 303/2006, está em vigor desde o dia 1.º
de agosto. Especialistas em tributos, no entanto, alertam sobre pontos
negativos do programa, que é mais rigoroso que seus antecedentes
no que diz respeito à inadimplência. A adesão ao
Refis 3, segundo eles, precisa ser bem planejada para evitar que o refinanciamento
da dívida se transforme numa dor de cabeça maior ainda
para o empresário endividado.
Para débitos contraídos
até 28 de fevereiro de 2003, o Refis 3 oferece a possibilidade
de parcelamento em até 130 meses. Mas basta deixar de pagar as
parcelas por 2 vezes – consecutivas ou alternadas – para
ser excluído do programa. “Em 10 anos, você só
pode se atrasar duas vezes. Isso é um insulto. Até o atraso
do office boy na hora de ir ao banco pode prejudicar o empresário”,
considera Regina Zanchi, presidente do Movimento Nacional para Recuperação
das Empresas Brasileiras (MNREB).
O advogado tributarista Wolmar Francisco Esteves, da Pactum Consultoria
Empresarial, conta que mesmo mantendo o pagamento das parcelas em dia,
o atraso por duas vezes na contribuição do mês é
suficiente para que a empresa perca o refinanciamento. Ele lembra que
o Refis 3 abre a possibilidade de ser utilizado mesmo que a empresa
tenha aderido aos programas anteriores – o Refis, de 2000, e o
Paes, chamado de Refis 2, de 2003. “Mas ele impõe que se
você for excluído de qualquer programa, será excluído
de todos. A exclusão de um implica a perda de todos os parcelamentos
de uma vez só”, conta.
Outro problema é que o Refis 3
não contempla as dívidas entre janeiro e setembro deste
ano. “Depois que o empresário aderir ao Refis 3, não
vai poder parcelar as dívidas deste ano. O jeito é pagar
tudo o que deve deste ano antes, porque quem estiver vinculado ao Refis
3 não vai poder parcelar débitos futuros”, explica.
Regina Zanchi, do MNREB, critica também
o valor da parcela mínima para os pagamentos, que é de
R$ 2 mil, com exceção das empresas cadastradas no Simples,
cuja parcela mínima é de R$ 200. “Da forma como
está colocado, o Refis 3 não contempla empresas de pequeno
e médio porte, que são a maioria”, acredita Regina.
“Qual é a empresa que já está devendo, por
falta de dinheiro, que poderá pagar R$ 2 mil por mês? Isso
é imoral”, completa.
Sanção
Outro problema apontado pela presidente
do MNREB é que a MP que institui o Refis 3 ainda não foi
votada. “O governo obriga a adesão até 15 de setembro,
mas a MP só será votada depois. E aí o empresário
confessa suas dívidas, o programa pode mudar. Ou ele paga à
vista, ou aceita as condições impostas, ou o débito
será executado sumariamente”, alerta Regina Zanchi. O Movimento
está entrando na justiça com pedido de tutela antecipada
para que as empresas possam aderir ao programa somente após sua
sanção pelo presidente Lula. A assessoria de imprensa
do Ministério da Fazenda informa, no entanto, que a medida não
será alterada para votação.
Felipe Laufer

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JORNAL GAZETA DO POVO, 31
de agosto de 2006 | Economia
CASO A CASO
Adesão nem sempre é
vantajosa para a empresa
A opção de aderir ou não a um programa de refinancimento
de dívidas deve ser bem estudada, pois nem sempre resulta em
vantagem para o contribuinte. “É necessário analisar
caso a caso, tendo em vista que as vantagens são diferentes para
o período em que a dívida foi contraída”,
explica o advogado Wolmar Esteves, da Pactum Consultoria Empresarial.
Cristiane Ribas Machado, administradora da Guinchos Ribas, está
cadastrada no Refis 2 e tinha interesse em migrar para o Refis 3 para
quitar a dívida da empresa em 6 parcelas. “Mas a dívida
iria aumentar se eu fizesse isso”, conta. Isso porque, para calcular
o valor do débito, o governo utiliza o valor consolidado da dívida
e faz a correção até hoje, pela Selic. “Eu
optei por um parcelamento em 2003. Mas o que eles iriam me cobrar de
juros de 2003 a 2006 faria aumentar demais o valor a pagar”, diz
a administradora.
Ela explica ainda que teve de aumentar
o valor das parcelas do Refis 2, porque a dívida estava crescendo,
e não diminuindo. Hoje a Guinchos Ribas paga R$ 10 mil por mês
para quitar o débito, contraído em 1998 numa época
de crise. “Pela correção que eles fazem, o juro
vai se acumulando e o débito só aumenta ao invés
de diminuir”, lamenta Cristiane. Ela alerta outros empresários
a estudarem bem o caso da empresa antes de aderir ao programa. “Tem
gente que acaba ‘levando bomba’, porque assume uma dívida
que até então o governo não conhece, e depois não
consegue pagar”, afirma. “É preciso tomar cuidado,
principalmente com o valor das parcelas.” (FL)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 31
de agosto de 2006 | Economia
CRÍTICA
Programa pode incentivar inadimplência
Esta é a terceira vez em seis anos que o governo federal oferece
benefícios para o pagamento de dívidas tributárias
atrasadas. A edição de sucessivas medidas deste tipo é
considerada um incentivo à inadimplência pelos principais
críticos deste tipo de programa. “De três em três
anos surge um Refis para cobrir uma falha do próprio governo,
que cobra muito imposto. As empresas param para pensar: será
que eu devo continuar pagando o imposto ou investir esse dinheiro e
esperar três anos para jogar a dívida no próximo
Refis que aparecer?”, avalia o advogado tributarista Wolmar Francisco
Esteves. “Não que ele incentive a empresa a ficar devedora,
mas faz com que ela repense sua estratégia.” No Refis 1,
lançado em 2000, o contribuinte pessoa jurídica podia
negociar as dívidas num prazo de acordo com a capacidade mensal
de pagamento baseado no seu faturamento, correção pela
TJLP e desconto de 50% da multa. Já o Paes, chamado de Refis
2, de 2003, abriu o parcelamento para empresas e pessoas físicas
com prazo até 180 meses, redução de 50% da multa
e correção pela TJLP. (FL)
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
31 de agosto de 2006
Administrador cria Associação
de Desempregados
Inusitada entidade pretende lutar por mais vagas
no mercado de trabalho e combater o preconceito de empresários
Eduardo Anizelli

Luiz Agnelo Pitta: ‘‘Tenho experiência, estou sempre
me atualizando. Mas o mercado não dá oportunidade por
preconceito’’
Há poucas cenas tão tristes quanto ver uma pessoa que
pode e quer trabalhar, mas não consegue emprego. Cansado de passar
quase dois anos ouvindo ''não'' ao procurar trabalho em Londrina,
o professor e administrador de empresas Luiz Agnelo Pitta, 51 anos,
não cedeu ao desânimo e resolveu criar a Associação
de Apoio ao Desempregado Discriminado do Paraná.
Cidadãos habilitados a se associar
não faltam. Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), em 2004 havia 344
mil desempregados no Paraná, uma taxa de 6,15%. Em Londrina,
16 mil pessoas procuram o Sistema Nacional de Emprego (Sine) mensalmente,
o que leva o órgão a estimar que 6,5% da população
economicamente ativa do município esteja desempregada.
Mas por que ''desempregado discriminado''?
Pitta explica a partir do próprio exemplo: com 20 anos de experiência
em gerência em lojas e empresas, ele acredita que não consegue
mais trabalho apenas por causa de sua idade. ''Tenho experiência,
estou sempre me atualizando, fiz vários cursos. Mas o mercado
não dá oportunidade por preconceito'', afirma.
O professor conta que em várias
ocasiões correu atrás de vagas encontradas no site do
Sine mas, ao procurar a Agência do Trabalhador, era informado
de que havia um limite de idade exigido pela empresa. ''Eles nem me
encaminhavam, eu não conseguia sequer chegar até o empresário
para apresentar meu currículo. Fiz denúncia à Procuradoria
do Trabalho, pois a lei proíbe discriminação por
idade'', frisa.
O gerente geral da Agência do Trabalhador
em Londrina, Mauro Viecili, diz que tem alertado as empresas de que
não pode impor limite de idade, mas que alguns contratantes insistem
e avisam ''que o candidato vai perder viagem'' se estiver fora dos pré-requisitos.
''Eu nem abro mais a vaga quando a empresa faz isso. Por outro lado,
acho que aqueles que buscam emprego têm de tomar cuidado para
não se acomodar. Acima dos 35 anos, as pessoas deixam de se requalificar,
não acompanham a evolução do mercado'', observa.
Pitta concorda. Por isso, além
de defender os desempregados contra o preconceito, quer fazer da associação
um meio de conseguir apoio da iniciativa pública e privada para
qualificação profissional. O projeto ainda é tímido:
nas duas primeiras reuniões realizadas para falar da associação,
houve 20 adesões. ''Foi um número até razoável,
considerando que quase não fizemos divulgação'',
considera.
Uma das pessoas que atendeu à
convocação foi Eber Campregher Martins, desempregado há
seis anos. ''Fui demitido de uma construtora em 1996 e trabalhei como
autônomo até 2000. Desde então, não consigo
mais nada'', relata, ressaltando que um acidente sofrido em 1999 tirou
um pouco de sua aptidão física. Nada que interfira, contudo,
nas áreas em que busca emprego: informática e auxiliar
de escritório.
Com 36 anos, Martins também acredita
que sua idade já é obstáculo no mercado. A maior
angústia, diz, é não receber qualquer resposta
das empresas que procura. ''Elas deveriam pelo menos dar uma satisfação,
dizer por que não estão te contratando.'' Entre buscas
incessantes a classificados e sites de empregos, ele garante que ainda
não perdeu a esperança de deixar as estatísticas
do desemprego.
SERVIÇO:
Quem quiser apoiar ou participar da Associação de Apoio
ao Desempregado Discriminado do Paraná pode entrar em contato
com o professor Luiz Agnelo Pitta pelo telefone (43)9933-6864 ou o e-mail
luizagnelopitta@gmail.com
Vanessa Navarro
Reportagem Local
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 31 de agosto de 2006 | Economia
Déficit da Previdência em
2007 será de R$ 45 bi, diz Bernardo
"Vamos ter de achar uma forma de reduzir
este déficit", afirmou o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo
Paula Puliti
SÃO PAULO - O ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, disse nesta quarta-feira que o déficit da Previdência
no ano que vem será de R$ 45 bilhões, acima do estimado
para este ano, de R$ 41 bilhões. "Vamos ter de achar uma
forma de reduzir este déficit", afirmou.
Segundo ele, o tema da Previdência
é "espinhoso" e uma das formas de lidar com o déficit
crescente é regulamentar a Previdência do setor público,
um processo que já está maduro e que será encaminhado
ao Congresso no ano que vem. "Uma proposta como essa não
seria votada num ano eleitoral. Por isso, o momento oportuno será
no ano que vem, porque também serão debatidas a DRU (Desvinculação
de Receitas da União) e a CPMF", explicou.
Bernardo ressaltou, no entanto, que os
R$ 41 bilhões de déficit em 2006 são inferiores
à projeção inicial do governo, de R$ 44 bilhões.
Carga tributária
Bernardo afirmou também que o
governo quer reduzir a carga tributária, mas não tem como
fazê-la "imediatamente". "Tem de ser gradual",
afirmou. Bernardo acredita que é possível fazer o ajuste
fiscal em um período de dez a 15 anos, com reduções
graduais na relação da carga tributária sobre o
Produto Interno Bruto (PIB). O ministro preferiu não definir
uma meta para esse corte gradual. Apenas exemplificou, dizendo que poderia
se pensar em cortes entre 0,3 e 0,5 ponto porcentual ao ano.
Ele reiterou que o governo tem todas
as condições de fazer ajustes fiscais de longo prazo,
mas não será possível realizar esses ajustes com
propostas para o ano que vem ou o seguinte. Essa afirmação
foi um recado direto ao ex-ministro Delfim Netto, presente no seminário
Brasil: Perspectivas e Propostas 2007-2010, que apresentou proposta
ao governo para a obtenção de um superávit nominal
no curto prazo.
Superávit primário
O governo Luiz Inácio Lula da
Silva assumiu em seu programa de governo o compromisso de realizar superávits
primários anuais de 4,25% ao ano até 2009, afirmou o ministro.
"Esse é o nosso objetivo e está sinalizado no programa
de um segundo mandato do presidente Lula."
Bernardo manteve sua projeção
de alta do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano entre 4% e 4,5% e rebateu
previsões da indústria paulista de que a economia crescerá,
no máximo, 3,6% em 2006. "A indústria de São
Paulo tem como base para essa afirmação os números
da produção industrial de junho (-1,7% ante maio), mas
é preciso ressaltar que houve menos dias úteis, por conta
da Copa do Mundo. Por isso, as pessoas esperam um resultado menor também
para o PIB, mas só vamos conhecer esse resultado amanhã",
afirmou.
DRU
De acordo com Bernardo, "não
é possível abrir mão da DRU (Desvinculação
de Receitas da União)", que expira em dezembro de 2007.
Bernardo defendeu que, no ano que vem, faça-se um debate para
a criação de uma regra mais estável para desvinculação
de receitas, que dure entre dez e 15 anos - na última vez, o
mecanismo foi renovado por quatro anos. Ele também defendeu a
ampliação da DRU para as receitas estaduais.
Ele reiterou sua defesa de tornar a CPMF
um imposto permanente. "Acho que é irrealista dizer que
vamos acabar com ela", afirmou.O ministro defende uma redução
gradativa da alíquota, dos atuais 0,38% para 0,08% num período
de dez anos, acompanhado de um processo de ajuste fiscal, do qual, tanto
a DRU quanto a CPMF farão parte.
Somado às discussões de
DRU e CPMF e a redução dos gastos públicos em relação
ao PIB, além de um tratamento mais vigoroso nos gastos com pessoal,
será possível ao governo viabilizar a redução
gradativa da carga tributária.
O ministro ressaltou ainda que o programa
de governo de um eventual segundo mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, lançado ontem, não fala nem de DRU, nem
de CPMF. Isso porque, segundo ele, está implícito que
essas duas questões terão de ser abordadas logo no início
do próximo mandato.
Só a CPMF arrecadou aos cofres
públicos neste ano R$ 32 bilhões. "Teremos inapelavelmente
de tratar essas questões e nem precisamos colocá-las no
programa", justificou.
Questionado sobre se ministra-chefe da
Casa Civil, Dilma Rousseff, concordava com a necessidade de modificar
as regras da DRU e da CPMF, Bernardo afirmou que ela terá peso
no formato de como serão definidas as medidas. "Não
vejo como fugir desse debate, até porque hoje há uma grau
maior de consenso sobre a necessidade de se fazer o ajuste fiscal",
disse. E ressaltou em seguida: "Se não houver consenso,
teremos de dar uma solução provisória e de curto
prazo a esses mecanismos."
Salário mínimo
Bernardo afirmou ainda que o governo
federal criou uma comissão especial para formular políticas
de mais longo prazo para o reajuste do salário mínimo,
que acontece anualmente.
Segundo ele, o objetivo do grupo é
elaborar uma legislação que definirá como serão
realizados os reajustes do mínimo a cada ano e isso permitirá
colocar os valores já no Orçamento. "Será
uma política estabelecida em lei e é isso o que entrará
no Orçamento", explicou.
Reforma tributária
O ministro lembrou ainda que a segunda
fase da reforma tributária, que unifica os impostos estaduais
(hoje são 27 diferentes) está pronta desde 2004 e que
ela abre espaço para a criação do Imposto Sobre
Valor Agregado (IVA). Mas, segundo ele, a proposta ainda não
foi votada por questões políticas.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 31 de agosto de 2006 | Economia
Receita lança operação
para autuar os contribuintes irregulares do PIS
Irregularidade pode chegar a R$ 10 bilhões,
diz Receita
Solange Spigliatti e Cley Scholz
SÃO PAULO - Agentes da Receita
Federal no Estado de São Paulo deflagraram na manhã desta
quarta-feira, a Operação Eclipse, com o objetivo de autuar
os contribuintes que apresentaram irregularidades no recolhimento da
Contribuição para o Programa de Integração
Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade
Social (Cofins). Só na Capital, seis mil empresas serão
intimadas a prestar esclarecimentos. Segundo a Receita Federal, estima-se
que as diferenças encontradas podem chegar a cerca de R$ 10 bilhões.
De acordo com a Delegada da Delegacia
de Fiscalização da Receita Federal de São Paulo,
Dra. Roseli Mitsui Tomikawa, trata-se de uma operação
de fiscalização, com previsão de término
até o fim deste ano.
A Receita Federal mobilizou 200 fiscais
para iniciar nesta quarta a visita a milhares de empresas do Estado
de São Paulo suspeitas de fraude no recolhimento de Contribuição
para o PIS e para a Cofins. Só na Capital, seis mil empresas
serão intimadas a prestar esclarecimentos.
Segundo a delegada, a lista de empresas
suspeitas na Operação Eclipse foi elaborada a partir do
cruzamento de informações fornecidas pelas próprias
companhias com a base de dados da Receita e de outros fiscos. "São
suspeitas todas as empresas que apresentam informações
divergentes de forma reiterada sobre o cálculo dos impostos",
explica a delegada.
Segundo ela, os valores são expressivos
pois os dois impostos incidem sobre o faturamento total. As empresas
serão intimadas a prestar esclarecimentos sobre os valores e
as multas variam de 75% a 225% da contribuição devida.
A delegada diz que a fraude é
grave pois as duas contribuições financiam a seguridade
social. O PIS financia o Seguro Desemprego e a Cofins, a saúde
e a assistência social.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
31 de agosto de 2006
Ação do Ministério
Público solta 114 trabalhadores em condições subumanas
Operação do grupo móvel
de combate ao trabalho escravo libertou 114 trabalhadores rurais confinados
em condições subumanas em um conjunto de três fazendas,
na região de Ulianópolis (Pará), entre elas, dez
crianças, acompanhantes dos pais.
O procurador do trabalho José
Pedro dos Reis, integrante da operação, classificou a
situação dos trabalhadores como a de completo abandono
com os elementos típicos de trabalho escravo. “Eles estavam
isolados. Tinham como abrigo barracos improvisados de lona plástica
em trechos de difícil acesso nas fazendas, não tinham
acesso a água potável, a alimentação era
escassa, não tinham equipamentos de proteção individual
e ainda estavam com salários atrasados. Alguns disseram que nunca
haviam recebido”, afirmou.
Segundo o procurador, o grupo móvel
constatou outro elemento que caracteriza o trabalho escravo, o endividamento
dos trabalhadores no sistema de barracão. Tudo o que consumiam
na fazenda era anotado em caderneta.
O dono das fazendas, David Rezende,
foi identificado como o empregador e deverá arcar com as despesas
referentes à quitação das verbas rescisórias.
O fazendeiro deve responder à ação civil pública
com pedido de indenização por dano moral coletivo, que
será ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
31 de agosto de 2006
Contagem de prazos é suspenso com
férias coletivas nos tribunais, decide STJ
Havendo férias coletivas nos tribunais,
devem-se suspender os prazos nos termos do artigo 179 do Código
de Processo Civil, independentemente da existência de turma plantonista
para medidas urgentes ou do funcionamento dos cartórios para
atendimento ao público.
Foi com esse entendimento que a 2ª
Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) deu provimento ao
recurso da AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia S/A para determinar
o processamento e conhecimento do agravo de instrumento interposto pela
empresa no TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região
(Brasília).
A empresa recorreu de decisão
do tribunal regional que determinava que o prazo para interposição
de agravo de instrumento de decisão proferida pela Justiça
Federal no TRF não se suspende no período de férias
do referido tribunal. Para isso, sustentou que o artigo 179 do CPC estabelece,
de forma cristalina, que o período de férias determina
a suspensão da contagem dos prazos processuais.
“Considerando, portanto, que o
período de 2 a 31 de julho é período de férias
no TRF da 1ª Região, a contagem do prazo para recurso da
decisão publicada no dia 29 de julho de 2003 apenas poderia se
iniciar a partir do dia 1º de agosto de 2003. A decisão
recorrida, ao afirmar que as férias do tribunal não suspendem
o prazo para a interposição de agravo de instrumento perante
o próprio tribunal, nesta medida, contraria frontalmente os dispositivos
em comento”, alegou a empresa.
Para a relatora do caso no STJ, ministra
Eliana Calmon, o posicionamento do tribunal de origem não encontra
guarida no CPC. “A lei é pontual, restringindo-se a tratar
simplesmente de férias”, considerou a ministra. Segundo
ela, a turma especial de férias não fazia com que o TRF
da 1ª Região funcionasse normalmente, porque se destinava
a processar e julgar os feitos que reclamem urgência.
“Como a hipótese dos autos
não ensejava urgência, não há como se aceitar
o entendimento de que, com a turma especial de férias, a corte
apresentava-se em pleno funcionamento e com a normal fluência
dos prazos processuais”, afirmou.
O STJ ressalta que o entendimento só
deve ser aplicado aos recursos interpostos antes da vigência da
Reforma do Judiciário (emenda constitucional 45/2004), que acabou,
nas primeiras e segundas instâncias, com as férias coletivas
forenses.
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CONSULTOR JURÍDICO,
31 de agosto de 2006
Remuneração ilegal
Governo federal quer suspender resolução
do TRT-13
A Presidência da República
quer derrubar a resolução administrativa do Tribunal Regional
do Trabalho da 13ª Região que incorporou aos salários
de todos os funcionários os quintos adquiridos pelo exercício
de função comissionada. Por esse motivo, a Presidência
propôs Ação Direita de Inconstitucionalidade no
Supremo Tribunal Federal.
O Advogado-Geral da União argumenta
que a resolução causa aumento de remuneração
sem autorização legal e sem previsão orçamentária
(como prevê a Lei de Diretrizes Orçamentárias),
configurando ofensa a Constituição Federal.
Argumenta, ainda, que a medida possui
evidente caráter normativo, uma vez que contempla, de maneira
indistinta, todos os servidores do TRT-13. Portanto, só seria
permitido o aumento mediante autorização por lei específica
aprovada pelo Poder Legislativo.
No pedido de liminar, a Presidência
da República lembra, para fim de suspensão provisória
da resolução, que considerando o caráter alimentar
dos valores relativos ao reajuste dos servidores do TRT-13, uma vez
pagos, dificilmente retornarão aos cofres públicos, caso
seja declarada a inconstitucionalidade da norma.
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CONSULTOR JURÍDICO,
31 de agosto de 2006
Fórmula de pagamento
STJ suspende portaria que reduziu auxílio-invalidez
O pagamento de auxílio-invalidez
a militares reformados deve ser feito como ocorria antes da edição
da Portaria Normativa 931 do Ministério de Estado da Defesa,
que reduziu o valor desse benefício. A decisão é
da 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça,
que concedeu o direito a um militar após julgar um Mandado de
Segurança contra ato do ministro da Defesa.
O militar foi considerado inválido
para o serviço em decorrência de insuficiência respiratória
crônica, secundária à fibrose pulmonar. Passou,
então, para a reserva remunerada. Recebia o auxílio-invalidez
no valor de R$ 876.
Em agosto de 2005, no entanto, recebeu
a quantia de R$ 123 como auxílio. Posteriormente, foi informado
de que a Portaria 931 revogou a Portaria 406, segundo a qual o auxílio
não poderia ser pago em valor inferior ao recebido por cabo engajado.
No Mandado de Segurança, ele alegou que não foi informado
da medida para contestar o conteúdo nem para se adaptar à
perda financeira.
O Ministério informou que a alteração
do regime de pagamento do auxílio-invalidez ocorreu após
estudo que concluiu pela ilegalidade da fórmula até então
aplicada com a Portaria 406. Segundo o Ministério, é dever
da Administração Pública zelar pela moralidade
e legalidade de seus atos e não há outra solução
senão o restabelecimento da legalidade, ocorrida com a edição
da Portaria 931.
A 3ª Seção concedeu
o pedido do militar. “Em momento algum, a autoridade coatora demonstrou
que houvesse instaurado um processo administrativo para tal fim”,
ressaltou o ministro Felix Fischer, que já havia concedido liminar
para suspender a redução. “Os afetados por tal medida
– alteração da fórmula de pagamento do auxílio-invalidez
– não foram ouvidos antes que o ato contestado fosse adotado”,
afirmou.
De acordo com o ministro, é obrigatória
a instauração de um processo administrativo quando o administrado
puder ser afetado com a revisão de determinado ato da Administração
Pública. “A garantia da observância desse devido
processo legal, o qual decorre de preceito fundamental da Constituição
da República (artigo 5º, LV), não pode ser desconsiderada
pelo Poder Judiciário”, ressaltou.
O relator observou, ainda, que o militar
sofre de doença grave e, de um mês para outro, passou a
ter apenas 14% do que vinha recebendo. “Por todo o exposto, concedo
a ordem para que seja restabelecida a fórmula de pagamento do
auxílio-invalidez como ocorria antes da edição
do ato contestado neste processo”, concluiu o Felix Fischer. A
Terceira Seção, por unanimidade, concordou com o relator.
MS 11.003
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CONSULTOR JURÍDICO,
31 de agosto de 2006
Salários atrasados
TST concede Habeas Corpus a prefeita alagoana
O descumprimento de uma ordem judicial
para pagamento de salário não gera prisão. A decisão
é da Seção de Dissídios Individuais 2, do
Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros concederam Habeas Corpus
para a prefeita do município de Joaquim Gomes, de Alagoas, com
esse entendimento.
O Sindicato dos Servidores Públicos
do Município de Joaquim Gomes ajuizou reclamação
trabalhista, com pedido de Antecipação de Tutela, contra
o município. Pediu o pagamento dos salários atrasados
dos servidores de outubro a dezembro de 2004.
A Vara do Trabalho de União dos
Palmares atendeu o pedido de Antecipação de Tutela e determinou
o pagamento dos salários no prazo de 48 horas, sob pena de seqüestro
do valor na conta do Fundo de Participação dos Municípios,
multa de um salário mínimo por cada servidor em caso de
descumprimento da decisão e prisão por desobediência.
A prefeita entrou com pedido de Habeas
Corpus preventivo no Tribunal Regional Federal da 5ª Região
(Recife), contra o ato da primeira instância. Com base na Emenda
Constitucional 45/04 (Reforma do Judiciário), o TRF se declarou
incompetente para apreciar o pedido. Assim, remeteu os autos para o
Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (Alagoas).
O TRT alagoano, invocando o princípio
que remete ao caráter alimentar do salário, manteve a
ordem e considerou o Habeas Corpus improcedente. A prefeita recorreu,
então, ao TST.
O relator do processo, ministro Antônio
Barros Levenhagen, acolheu o recurso da prefeita. Considerou que a prisão
civil somente pode ser decretada nos casos de inadimplemento “voluntário
e inescusável” de obrigação alimentícia
e depositário infiel, conforme determina o inciso LXVII do artigo
5º da Constituição Federal.
“O eventual descumprimento
da ordem de pagamento de salários ensejaria apenas a imposição
de astreintes, fixadas pelo juiz no valor de um salário mínimo
por cada servidor”, concluiu.
ROHC-155/2005-000-19-00.5
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CONSULTOR JURÍDICO,
31 de agosto de 2006
É automático
TRT pode apreciar argumento não
examinado antes
O Recurso Ordinário transfere
automaticamente para o Tribunal Regional do Trabalho a apreciação
de argumento de defesa não examinado na primeira instância.
O entendimento é da 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
Os ministros rejeitaram o Recurso de Revista de uma ex-auxiliar administrativa
do BNDES, demitida durante o governo Collor.
Eles mantiveram a decisão do TRT
da 1ª Região (Rio de Janeiro) e negaram o pedido de reintegração.
Consideraram que a demissão ocorreu quando a ex-funcionária
aderiu ao plano de demissão voluntária instituído
pelo banco.
A alegação da trabalhadora
foi a de que a adesão ao plano não foi apreciada pela
primeira instância no julgamento da reclamação trabalhista.
Por isso, não poderia ser adotado como razão de decidir
pelo TRT.
O relator do recurso no TST, ministro
Horácio de Senna Pires, no entanto, considerou as alegações
“incompreensíveis” porque a jurisprudência
do TST (Súmula 393) prevê que o recurso ordinário,
por ter efeito devolutivo, “transfere automaticamente ao TRT a
apreciação de fundamento da defesa não examinado
pela sentença”.
RR 541.300/99.1
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CONSULTOR JURÍDICO,
31 de agosto de 2006
Na forma da lei
Terceirizaçao é legal e
emprega milhões, diz sindicalista
“O setor de terceirização
exerce atividade idônea e legal, é responsável pelo
emprego de mais de 4 milhões de pessoas e está comprometido
com os direitos do trabalhador”. Esta é a opinião
de Aldo de Avila Junior, presidente do Sindicato das Empresas de Asseio
e Conservação no Estado de São Paulo, que enviou
nota de esclarecimento à Consultor Jurídico contestando
afirmações do juiz do Trabalho Marcos Fava feitas na reportagem
Nove em cada dez casos de terceirização são fraudes.
Para Avila, longe de ser um artifício
para reduzir custos das empresas, a terceirização é
um importante meio de “inserção no mercado de trabalho
daqueles que possuem menor grau de instrução”; já
que emprega grande massa de trabalhadores dos setores de portaria, construção
civil e de limpeza.
Diz ainda que “generalizar o processo
de Terceirização como sendo fraudulento em sua maioria
constitui uma injustiça, pois ele se apresenta como forma legalizada
de contratação de mão-de-obra, regulamentada pelo
Enunciado 331 do Tribunal Superior do Trabalho”.
Avila concorda com o juiz, no entanto,
quando, em outra suposta generalização, se refere às
cooperativas de trabalho: "Nossa contrariedade se volta para a
participação de cooperativas de mão-de-obra em
licitações, por entendermos que se trata de uma fraude
às leis do trabalho, porque tais entidades não garantem
o registro do “cooperado” em Carteira de Trabalho nem os
benefícios previstos na CLT. Organizações deste
tipo são usadas para mascarar o vínculo empregatício.
Não podemos e nem devemos ser confundidos com falsas cooperativas
de trabalho".
Leia a nota de esclarecimento
Em função das informações
incorretas e interpretação errônea a respeito da
Terceirização de Serviços em nosso país,
por parte do juiz do Trabalho Marcos Fava, do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região, solicitamos registrar a nossa visão
a respeito do setor de serviços terceirizados, amparada estritamente
nos estatutos legais que o regem e em respeito à Justiça
de nosso país.
Ao contrário do que foi publicado
na matéria “Nove em cada dez casos de terceirização
são fraudes” (Conjur, 26/08/06, repórter Aline Pinheiro),
o setor da Terceirização tem se apresentado como atividade
idônea, legal, cumpridora de todos os direitos inerentes ao trabalhador
e comprometida com a empregabilidade, a partir do contingente empregado
de mais de 4 milhões de pessoas, conforme dados oficiais divulgados
esta semana.
A Terceirização consolida-se
no Brasil na esteira da modernização das cadeias produtivas
que consolidam as economias contemporâneas. Muito mais do que
“um mecanismo de redução de custos para as empresas”,
conceito de Terceirização dado pela reportagem, esta atividade
desempenha um importante papel social, pois promove a inserção
no mercado de trabalho daqueles que possuem menor grau de instrução;
emprega grande massa de trabalhadores dos setores de portaria, construção
civil e de limpeza, este último no qual atuam as empresas filiadas/associadas
ao Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado
de São Paulo (SEAC-SP).
A Terceirização se insere
nas estratégias de competitividade empresarial, cujos efeitos
emergem a partir da eficiência e eficácia dos serviços,
flexibilização dos modelos administrativos e relação
adequada na equação custo/benefício.
Generalizar o processo de Terceirização
como sendo fraudulento em sua maioria constitui uma injustiça,
pois ele se apresenta como forma legalizada de contratação
de mão-de-obra, regulamentada pelo Enunciado 331 do Tribunal
Superior do Trabalho (TST). No campo da terceirização
sob controle, a terceirização de serviços de asseio
e conservação, desenvolve-se um dos mais dinâmicos
segmentos do setor. Emprega 1,5 milhão de pessoas, contingente
que atua principalmente nas indústrias alimentícia, química
e automotiva, em shopping-centers e no sistema hospitalar. No Estado
de São Paulo, o poder público é um dos principais
contratantes dos serviços terceirizados de limpeza, ao lado dos
hospitais, shoppings e indústrias.
Trata-se de um ramo dos serviços
terceirizáveis de grande importância social por promover
o asseio e a saúde em ambientes públicos e privados e
especialmente por inserir no mercado um contingente de mão-de-obra
que, muitas vezes, não consegue colocação em outras
atividades. Cerca de 75% dos trabalhadores em limpeza ambiental e 72%
em limpeza urbana cursaram, no máximo, até a 8a série
do ensino fundamental.
O setor possui 11 mil empresas em todo
o Brasil, sendo a maior parte composta por empreendimentos (quase 70%
do total) que empregam menos de 20 funcionários. A massa salarial
dos trabalhadores – agentes de limpeza, encarregados, supervisores
etc - é de R$ 7,5 bilhões e o recolhimento de impostos
(PIS, Cofins, CSLL, IRPJ, CPMF, ISS) ultrapassa os R$ 3 bilhões
ao ano.
A Justiça do Trabalho —
conforme consta na matéria veiculada — entende por terceirização
de mão de obra toda a contratação de serviços
e não de pessoas. Também entendemos assim. Nossa contrariedade,
essa sim, se volta para a participação de cooperativas
de mão-de-obra em licitações, por entendermos que
se trata de uma fraude às leis do trabalho, porque tais entidades
não garantem o registro do “cooperado” em Carteira
de Trabalho nem os benefícios previstos na CLT. Organizações
deste tipo são usadas para mascarar o vínculo empregatício.
Não podemos e nem devemos ser confundidos com falsas cooperativas
de trabalho.
O SEAC-SP, vale lembrar, obteve uma vitória
contra organizações que não cumprem os ideais cooperativistas,
e que se valem deles para trabalhar de forma fraudulenta. O Sindicato
conseguiu, por via jurídica, anular contratos que algumas falsas
cooperativas haviam firmado para prestarem serviços de limpeza
em órgãos estatais.
Para o governo, incentivar a contratação
de empresas de Terceirização é a alternativa viável
para prevenir a precarização da mão-de-obra, principalmente
nos níveis operacionais, e garantir a arrecadação
de encargos, contribuições e tributos, visto que nessas
empresas o recolhimento destes impostos se dá na fonte. Ou seja,
por ocasião do pagamento da fatura, os valores devidos são
retidos e repassados ao governo.
Inibir a Terceirização
é inibir o empreendedorismo e a abertura de postos formais de
trabalho, prejudicando diretamente a arrecadação de contribuições
sociais e de impostos.Por esses motivos, a Terceirização
de Serviços se apresenta como ferramenta importante para a Administração
Empresarial e para a Gestão de Recursos Humanos, abrindo nichos
de atuação empresarial, gerando empregos e colaborando
para a empregabilidade e o crescimento do País.
Aldo de Avila Jr.
Presidente do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação
no Estado de São Paulo
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
31/08/2006
Alcoolismo não pode levar à
demissão por justa causa
O alcoolismo, classificado como patologia
pela Organização Mundial de Saúde, não pode
servir como fundamento para a dispensa do trabalhador por justa causa.
Esse posicionamento foi defendido pela Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho ao negar de recurso de revista à Eletropaulo S/A.
A decisão do TST teve como base o voto do ministro e atual corregedor-geral
da Justiça do Trabalho, Luciano de Castilho (relator), que ressaltou
a diferença entre o alcoolismo e a chamada “embriaguez
habitual”, termo apontado pela CLT como uma das hipóteses
para a demissão por justa causa.
“Acredito que, nos dias de hoje,
não mais deve se falar em alcoolismo como motivo da ruptura do
vínculo de emprego”, afirmou Luciano de Castilho. “O
alcoolismo é doença catalogada no Código Internacional
de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde
(OMS), sob o título de síndrome de dependência do
álcool (referência F-10.2)”, acrescentou o relator.
Em seu voto, Luciano de Castilho reproduziu
entendimento expresso, em outro processo, pelo também ministro
do TST, João Oreste Dalazen. O argumento citado afirma que “a
embriaguez habitual deve ser vista como aquela consciente, em que o
empregado recorre ao álcool (ou outra substância tóxica)
por livre vontade ou total responsabilidade, o que não ocorre
no caso do alcoólatra, em que o consumo da substância é
inconsciente, compulsivo, incontrolável”.
O posicionamento defende que uma “interpretação
nesse sentido se faz necessária, inclusive, porque não
seria razoável que o empregado fosse despedido imotivadamente
em decorrência de atos causados pela sua doença e praticados
inconscientemente, sem qualquer intenção (dolo ou culpa)”.
No caso concreto, a caracterização
da justa causa já tinha sido afastada pela primeira instância,
que determinou a reintegração do trabalhador aos quadros
da empresa. Posteriormente, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª
Região (São Paulo) afastou o retorno do trabalhador, pois
caracterizada a inviabilidade da medida. O TRT, porém, reconheceu
o caráter injusto da dispensa, o que resultou na condenação
da Eletropaulo ao pagamento das verbas rescisórias e FGTS acrescido
da multa de 40%, conforme pedido apresentado pelo trabalhador como alternativa
à reintegração.
A empresa sustentou que o pedido alternativo
não foi objeto de análise pela primeira instância,
o que impediria o exame da matéria pelo TRT paulista, sob pena
de supressão de instância. A decisão regional teria
incorrido ainda, segundo a Eletropaulo, em violação aos
princípios constitucionais do duplo grau de jurisdição
e ampla defesa.
“Não há qualquer
nulidade a pronunciar porquanto, afastada a justa causa, fundamentadamente,
a conseqüência lógica é a condenação
em verbas rescisórias, razão pela qual não havia
motivo para que se determinasse o retorno dos autos à primeira
instância”, observou Luciano de Castilho.
O relator também confirmou a validade
da decisão regional que concluiu não ser o trabalhador
um “doente crônico, não merecendo a pecha de mau
profissional mas, sim, de um desafortunado, de uma pessoa solapada pelo
vício”.
Em sua consideração final,
o corregedor defendeu para os casos de alcoolismo do trabalhador que
o empregador, “ao invés de optar pela resolução
do contrato de emprego, afaste ou mantenha afastado do serviço
o empregado portador dessa doença, a fim de que se submeta a
tratamento médico visando recuperá-lo.(RR 813281/2001.6)

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