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FETRACONSPAR, 01 de setembro de 2006
Posse da nova diretoria do SINDIMONT
Acontece hoje às 19:30 horas na Churrascaria Trocadeiro
em Araucária/PR, a solenidade de posse da nova diretoria
do SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS EMPRESAS DE MONTAGEM, MANUTENÇÃO
E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NAS ÁREAS
INDUSTRIAIS DO ESTADO DO PARANÁ – SINDIMONT, eleita
nos dias 26 e 27 de junho do corrente, para o mandato 2006/2010,
encabeçada pelo companheiro ANTONIO LEMOS DO PRADO.
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Antonio
Lemos do Prado
Presidente do SINDIMONT
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FETRACONSPAR, 01 de setembro
de 2006
Posse da nova diretoria do SINTIITEL
Acontece hoje às 19:00 horas no Auditório do Sintracon
em Curitiba/PR, a solenidade de posse da nova diretoria do SINDICATO
DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DAS INSTALAÇÕES
TELEFÔNICAS DO ESTADO DO PARANÁ - SINTIITEL, eleita nos
dias 21 e 22 agosto do corrente, encabeçada pelo senhor NEUDERLEI
GOMES BATISTA.
O Secretário Geral da FETRACONSPAR,
senhor REINALDIM BARBOZA PEREIRA, estará representando a federação
na solenidade.
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AGÊNCIA SENADO, 01 de setembro de 2006
Paim apresenta projeto para regulamentar
contribuição sindical

O senador Paulo Paim (PT-RS) apresentou projeto de lei (PLS 248/2006)
para regulamentar a contribuição sindical. A proposição
estabelece a obrigatoriedade de um desconto único anual de até
1% no salário bruto de cada trabalhador, sindicalizado ou não.
O percentual será fixado em assembléia geral da referida
categoria e o dinheiro deverá ser destinado ao financiamento
da negociação do acordo coletivo e a outras atividades
sindicais.
- Houve uma discussão no sentido
de que apenas os que quisessem efetivamente se associar ao sindicato
é que deveriam contribuir, e que os que preferissem não
contribuir não seriam beneficiados pelo acordo ou dissídio
coletivo. Achei legítimo o debate, mas preferi não optar
por esse ponto de vista pois terminaríamos caindo no sistema
europeu, onde uma única empresa tem até dez sindicatos
- afirmou Paim.
O senador registrou, em discurso no Plenário
nesta quinta-feira (31), que o texto final do seu projeto foi fruto
de uma audiência pública realizada no Senado da qual participaram
todas as centrais sindicais e confederações de trabalhadores
do país, além de representantes do Ministério do
Trabalho e do Ministério Público do Trabalho. Ele destacou
que sua proposta está aberta à negociação
e poderá ser alterada.
Outro assunto abordado por Paulo Paim
foi a 29ª Expointer, que está sendo realizada no Parque
Assis Brasil, em Porto Alegre, até o dia 3 de setembro. O senador
informou que cerca de 2.500 expositores estão participando e
mais de seis mil animais de raça foram colocados à venda.
Também estão sendo negociados máquinas, implementos
e insumos agrícolas, produtos veterinários e veículos.
Por fim, o senador gaúcho cobrou
mais uma vez do governo federal que renegocie as dívidas que
os estados mantêm com a União. Ele também pediu
a definição de uma nova política de câmbio
que não prejudique os exportadores e fez um apelo aos eleitores
para que, na próxima eleição, escolham um candidato
no qual confiem, em vez de optar pelo voto nulo ou em branco.
Roberto Homem / Repórter da
Agência Senado
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PORTAL ORM / PARÁ,
01 de setembro de 2006
Pará: Construção
Civil apresenta crescimento no emprego formal
O balanço sobre a flutuação
de postos de trabalho no setor formal da economia no Estado do Pará
no mês de julho de 2006, efetuado pelo Dieese (Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), com
base em dados do Caged (Ministério do Trabalho), mostra saldo
positivo de emprego no comparativo entre admitidos e desligados.
No referido mês foram feitas, em
todo o Estado, 20.597 admissões, contra 15.726 desligamentos
gerando um saldo positivo de 4.871 postos de trabalho. As análises
do Dieese/PA mostram também que no mês jul/2006 todos os
setores apresentaram resultado positivo de emprego formal no comparativo
entre admitidos e desligados.
As flutuações positivas
dos postos de trabalho, no setor formal da economia no Pará,
no mês de jul/06, foram mais significativas no setor da Construção
Civil com um saldo positivo de 1.624 postos de trabalho, com um crescimento
de 5,05 %; já no setor da Extrativa Mineral, o saldo positivo
foi de 194 postos de trabalho e um crescimento de 3,20 %; no setor da
Agropecuária, o saldo foi de 460 postos de trabalho, com crescimento
de 1,86 %; no setor da Indústria de Transformação,
de 1.725 postos e crescimento de 1,83 %; no setor Serviço da
Ind. Utilidade Publica, 40 postos e crescimento de 0,63%; no setor Comércio,
esse saldo foi de 612 postos e crescimento de 0,51 %; no setor Serviço,
foi de 211 postos, com crescimento de 0,13 %; e pra finalizar, com o
setor da Administração Pública, que teve saldo
positivo de 05 postos de trabalho e crescimento de 0,09 %.
Além do Estado do Pará
o Dieese/PA também analisou a flutuação de postos
de trabalho, nos últimos 12 meses, nos demais Estados que compõem
a Região Norte. O crescimento do emprego formal na região
norte no período foi de 4,56 %. Foram feitas 502.600 admissões
contra 455.928 desligamentos gerando um saldo positivo 46.672 postos
de trabalho, deste total 42,06% (19.632 postos de trabalho) foram gerados
no Pará.
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Agência Senado, 01
de setembro de 2006
Propostas
Projeto altera normas sobre adiantamento
do 13º salário
Já está na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e
aguarda recebimento de emendas projeto de lei do senador Antonio Carlos
Magalhães (PFL-BA) determinando que o adiantamento do pagamento
do 13º salário, para todos os trabalhadores, deverá
ser feito entre janeiro e junho de cada ano. Atualmente, de acordo com
a Lei 4.090/62 - que instituiu a gratificação natalina
- a primeira parcela é depositada até 30 de novembro.
A proposta de Antonio Carlos Magalhães,
entretanto, não altera a data limite para o pagamento da segunda
parcela do 13º salário - 20 de dezembro de cada ano. Pelo
projeto (PLS 246/06), para os empregados que recebam apenas salário
variável, o adiantamento será calculado na base da soma
das importâncias devidas nos meses trabalhados até o anterior
àquele em que se realizar o mesmo adiantamento.
Para o senador, a proposta vai permitir
alívio financeiro aos empregadores, já que terão
maior prazo para parcelar o 13º salário, além de
antecipar aos trabalhadores o dinheiro a que têm direito para
saldar dívidas e equilibrar as contas financeiras antes do primeiro
semestre de cada ano. É nesse período, lembra o autor
do projeto, que os bancos abrem linhas de crédito destinadas
a adiantar o pagamento do 13º salário para seus clientes,
mediante a cobrança de tarifas. O projeto receberá decisão
terminativa na CAS.
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Agência Diap, 01 de
setembro de 2006
Governabilidade do próximo presidente
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
Dos três recursos de poder utilizados
no presidencialismo de coalizão para formar maioria no Congresso:
negociação do conteúdo da política pública,
distribuição de cargos nos ministérios e liberação
de recursos do orçamento, o primeiro tende a ganhar importância
em razão dos recentes escândalos envolvendo os dois últimos.
A imprensa, a sociedade e o Parlamento, especialmente os deputados e
senadores de oposição, vão ficar de olho no preenchimento
dos cargos públicos e na liberação de emendas do
orçamento para verificar se o interesse público foi observado.
O Governo, seja de que partido for, terá que ser absolutamente
rigoroso e transparente no emprego desses recursos de poder.
Se antes as nomeações dependiam
apenas do aval de um dos partidos da base, agora haverá exigências
em relação às credenciais para o exercício
do cargo público. A vida do indicado será investigada,
tanto pela mídia e entidades da sociedade civil, quanto pelos
órgãos de Governo. Requisitos como formação,
habilidade e experiência específica, além de probidade
e ética, serão exigidos de todos os nomeados para cargos
públicos por indicação partidária.
O candidato ao cargo, além das
exigências mencionadas, terá que ter vocação
para a vida pública e disposição para lidar com
dificuldades, especialmente se estiver entre suas atribuições
a de ordenador de despesas. Se antes dos escândalos o controle
interno já exercia enorme pressão sobre os gestores públicos,
imaginem o tamanho do rigor depois desses episódios.
Em relação à liberação
de emendas do orçamento, o cuidado terá que ser triplicado,
tanto do Governo Federal, a quem compete liberar os recursos, quanto
dos entes federativos a serem beneficiados com os recursos das emendas.
Poderá haver situações extremas em que prefeitos
e governadores peçam aos parlamentares para não apresentarem
emendas destinadas aos seus municípios e estados, temendo a fiscalização.
Aliás, a fiscalização
federal nos estados e municípios, que se dá por sorteio,
em razão do número limitado de fiscais da Controladoria-Geral
da União (CGU), deveria ser intensificada, até porque
a transparência nesses entes federativos é infinitamente
inferior à da União. Os estados e municípios estão
longe de alcançar o nível de controle existente no Governo
Federal, haja vista a bandalheira de Rondônia.
Ora, se dos três recursos de poder
do presidencialismo para constituir maioria no Congresso, dois sofrerão
profundas restrições porque não poderão
ser acionados sem critérios, restará ao Chefe do Poder
Executivo exercitar sua legitimidade e liderança, negociando
com os partidos políticos o conteúdo da política
pública. É da natureza da democracia que o Congresso participe
da formulação das políticas públicas, interferindo
em seu conteúdo em nome do povo e dos estados que representa,
contribuindo para seu aperfeiçoamento.
O argumento, antes invocado para impedir
alterações nas propostas governamentais, de que o Executivo
conhece melhor o "aparelho" de Estado e o conteúdo
das políticas públicas, já não se sustenta
mais. O Congresso dispõe de um corpo técnico, em sua maioria
saído da elite das carreiras do Poder Executivo, altamente especializado,
com todas as condições de assessorar os parlamentares
na tomada de decisão com segurança, responsabilidade e
espírito público. São as consultorias legislativas
da Câmara e do Senado, cujos integrantes foram recrutados em rigorosos
concursos de provas e títulos.
O futuro presidente da República
terá grandes desafios pela frente, que vão exigir uma
grande e coesa base de sustentação. Entres esses desafios
está o de aprovar reformas, notadamente as política e
a tributária. Para aprová-las, terá que ter humildade
e capacidade de diálogo, sem os quais dificilmente reunirá
quorum qualificado de 3/5 para aprovar Emenda à Constituição.
Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e Diretor de Documentação do
DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.
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Agência Diap, 01 de
setembro de 2006
A desilusão com a política
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
O déficit de quadros éticos,
competentes, com visão republicana e experientes dispostos a
ingressar na vida pública no Brasil, seja para ocupar cargos
relevantes de livre provimento no Executivo, seja para disputar mandatos
no Legislativo ou no Executivo, é preocupante. Se considerarmos
que os problemas da pobreza e da desigualdade não têm solução
fora da política, a situação se agrava ainda mais.
Quatro razões dificultam o recrutamento
de quadros qualificados para a política. O primeiro e principal
é o custo de imagem. O segundo é a desconfiança
e o risco de futuros processos. O terceiro é o fato inconteste
de que o governo paga mal. O quarto é que a imprensa só
destaca os aspectos negativos.
Os custos de imagem e o medo de traumas
por acusações infundadas afastam dos partidos e, principalmente,
da administração pública quadros da academia, executivos
do setor privado, empresários e sindicalistas, enfim, gente preparada
e bem-intencionada que poderia contribuir para o aperfeiçoamento
das políticas públicas.
O rigor do controle interno, que assusta
os ordenadores de despesas, combinado com a desconfiança generalizada
em relação aos agentes públicos, que leva à
invasão da vida privada, inclusive com a quebra de sigilos, é
outro fator de desestímulo às pessoas que estão
confortáveis em seus empregos ou empresas a deixá-los
para ingressar na vida pública.
A remuneração no serviço
público, especialmente para os cargos de alto escalão,
é muito baixa comparativamente com os salários pagos no
setor privado. A diária de um alto funcionário do governo
não permite que ele se hospede e se alimente decentemente. Em
tais condições, o exercício da função
pública é um convite à corrupção.
A imprensa, que faz um trabalho fundamental
para a democracia ao denunciar desvio de conduta e corrupção,
não resiste à tentação sensacionalista e,
em diversas situações, no afã de dar furos, tem
execrado a reputação de pessoas decentes que se colocaram
a serviço da administração pública. Ninguém
recebe elogio pelos acertos, mas invariavelmente ganha manchete quando
desconfiam que errou. É preciso distinguir entre os desonestos
e as pessoas decentes, sob pena de criar um sentimento generalizado
de que todos que vão ocupar cargos no serviço público
são corruptos e desonestos.
Quando se analisam os nomes dos que se
apresentaram para concorrer aos 1.627 cargos em disputa em 2006 (1 de
presidente, 27 governadores, 27 senadores, 513 deputados federais e
1.059 deputados estaduais) fica evidente que a esmagadora maioria é
de gente que já estava na vida pública, resultando numa
mera circulação no poder, sem renovação
real. O próximo presidente, assim como os governadores eleitos
neste pleito, muito provavelmente terão enorme dificuldade em
atrair bons quadros, salvo se houver mudança dessa cultura de
que tudo que é público/estatal é ruim.
Antônio Augusto de Queiroz é jornalista, analista político
e Diretor de Documentação do DIAP – Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar.
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STJ, 01 de setembro de 2006
DECISÃO
Titular de conta do FGTS pode propor ação
sem apresentar extratos
O autor de ação com o objetivo de receber a correção
monetária dos saldos das contas vinculadas ao Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS) pode apresentar o pedido sem os extratos
das contas. Com essa conclusão, o ministro Luiz Fux, do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou agravo (tipo de recurso)
interposto pela Caixa Econômica Federal (CEF).
O ministro aplicou a jurisprudência
(entendimento firmado) do STJ no sentido de caber à CEF “o
ônus de apresentar os documentos necessários ao julgamento
da causa”. A determinação à CEF deve-se ao
fato de a instituição ser a operadora do FGTS, “cabendo-lhe,
nessa qualidade, centralizar os recursos, emitir regularmente os extratos
individuais correspondentes às contas vinculadas”, de acordo
com a Lei nº 8.036/90.
Carlos Alberto Andrade e outros titulares
de contas do FGTS entraram com ação contra a CEF solicitando
a correção monetária das contas vinculadas ao Fundo.
Em sua decisão, o juízo de primeiro grau negou o pedido
de intimação da Caixa Econômica para que apresentasse
os extratos relativos às contas pertencentes aos autores da ação.
O juízo entendeu ser ônus da parte autora a juntada dos
documentos indispensáveis à promoção do
julgado. “Saliento, ainda, que somente em caso de comprovada negativa
da CEF em fornecer a documentação solicitada pela parte
autora é que este Juízo tomará as providências
cabíveis.”
Os titulares das contas apelaram ao Tribunal
Regional Federal (TRF) da 4ª Região, com sede no Rio Grande
do Sul, e conseguiram reverter a sentença. O TRF determinou à
CEF a apresentação dos extratos. Para o Tribunal, “em
se tratando de execução de sentença referente à
correção monetária de saldos de contas vinculadas
do FGTS, a Caixa Econômica Federal deve proporcionar ao exeqüente
os extratos necessários à elaboração da
memória do cálculo de liquidação do julgado
(cálculo da correção solicitada no processo)”.
A Caixa Econômica recorreu com
um agravo ao STJ afirmando que a obrigação de apresentar
os extratos das contas vinculadas é das partes autoras do processo.
A instituição ressaltou a inexistência de qualquer
previsão legal que determine a ela a apresentação
dos extratos, além de ela não deter poder sobre os procedimentos
dos bancos depositários dos valores do FGTS. A recorrente destacou
ainda que os extratos estão disponíveis, gratuitamente,
aos detentores das contas de FGTS na internet, no serviço de
auto-atendimento e também no atendimento normal nas agências
da CEF de todo o país. Na última opção,
segundo a Caixa, basta que o titular apresente o cartão do cidadão.
O ministro Luiz Fux negou o agravo, mantendo
a decisão do TRF da 4ª Região. Ele enfatizou o entendimento
já pacificado no STJ de que “os extratos das contas vinculadas
não constituem documento indispensável à propositura
da ação, uma vez que, nos termos do artigo 7º, I,
da Lei 8.036/90, compete à CEF emitir regularmente os extratos
individuais correspondentes à conta vinculada”.
O ministro destacou ainda que, “como
a CEF é agente operadora do Fundo, tem ela a prerrogativa de
exigir dos bancos depositários os extratos necessários
e, no caso de resistência, requerer ao magistrado sejam compelidos
os responsáveis a exibir os documentos em juízo”.
Com isso, está garantido à instituição o
acesso aos extratos para poder repassá-los aos titulares das
contas vinculadas ao Fundo.
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Folha de São Paulo,
1 de setembro de 2006
Leis amparam nepotismo em cidades do Paraná
DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA
As Câmaras Municipais de Toledo
e Guarapuava, no Paraná, aprovaram nesta semana leis amparando
a prática do nepotismo nas cidades. Em Toledo, o projeto que
regulamenta a prática da contratação de parentes
para cargos públicos é de autoria do prefeito José
Carlos Schiavinato (PP), cuja mulher, cunhada e irmão tem cargos
de confiança. O promotor de Defesa do Patrimônio Público
de Toledo, José Roberto Moreira, entrou com ação
pedindo a exoneração de dez parentes na prefeitura e quatro
na Câmara Municipal. A juíza da 2ª Vara Civil de Toledo,
Denise Correia de Melo Krueger, negou liminar.
O projeto prevê que os dez
casos de nepotismo no Executivo municipal sejam reduzidos para apenas
dois em 2009. Em Guarapuava, a lei do nepotismo aprovada prevê
que até 30% dos cargos comissionados na Câmara Municipal
sejam ocupados por parentes. O prefeito Fernando Ribas Carli (PP) não
decidiu ainda se veta o projeto, aprovado na terça. Moreira e
o promotor de Defesa do Patrimônio Público de Guarapuava,
Pedro Ivo de Andrade, solicitarão ao procurador-geral de Justiça
do Paraná que entre com ação de inconstitucionalidade
contra as leis aprovadas nas duas cidades.
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Folha de São Paulo,
01 de setembro de 2006
Carga tributária mantém
crescimento e bate recorde no semestre, diz instituto
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
As reduções tributárias
tão propaladas pelo governo Lula não chegaram ao bolso
dos consumidores brasileiros. Prova disso é que a carga tributária
do primeiro semestre cresceu e alcançou um novo recorde. Segundo
estudo divulgado ontem pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário), a carga fiscal entre janeiro e junho deste ano aumentou
para 39,41% do PIB (Produto Interno Bruto), superando em 0,25 ponto
percentual os 39,16% do primeiro semestre do ano passado. Para o advogado
Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, "tudo indica que 2006
registrará mais um recorde na cobrança de tributos. Essa
estupidez e hipocrisia tributária condena o Brasil ao atraso."
As reduções tributárias
divulgadas pelo governo são "um grande engodo", diz
Amaral. "Não adianta reduzir os tributos do arroz, do feijão
e da farinha e aumentar a taxação sobre energia, telecomunicações
e combustíveis, pois as pessoas precisam daqueles produtos para
comer e viver." Segundo cálculos do IBPT, foram arrecadados
R$ 392,78 bilhões no semestre -inclui as receitas da União,
dos Estados e dos municípios. Em valores nominais, a arrecadação
cresceu R$ 33,09 bilhões neste ano em relação a
2005. Descontada a inflação pelo IPCA, foram pagos mais
R$ 18,85 bilhões.
Desse total, a União ficou com
R$ 12,71 bilhões (mais 4,95%); os Estados levaram R$ 5 bilhões
(5,1%), e os municípios, R$ 1,14 bilhão (5,94%). A carga
per capita subiu 8,97%, para R$ 2.133 no semestre. No ano, deverá
ser de R$ 4.380, diz o IBPT. Os contribuintes pagaram R$ 2,17 bilhões
em tributos por dia, R$ 90,42 milhões por hora, R$ 1,5 milhão
por minuto ou R$ 25,11 mil por segundo.
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Folha
de São Paulo, 1 de setembro de 2006
PÉ NO FREIO
PIB tem expansão de apenas 0,5% no
2º tri
Sob efeito do câmbio desfavorável,
economia tem o pior desempenho desde o 3º trimestre do ano passado,
aponta IBGE | Resultado torna mais difícil para o governo atingir
a meta de crescimento de 4% proposta para este ano, afirmam especialistas
PEDRO SOARES, DA SUCURSAL DO RIO
FERNANDO CANZIAN, ENVIADO ESPECIAL AO RIO
Sob impacto do câmbio e de fatores
pontuais, como a greve da Receita Federal, a economia brasileira pisou
no freio no segundo trimestre: o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu
0,5% na comparação livre de influências sazonais
com o primeiro trimestre, quando a expansão havia sido maior
(1,3%). Foi o pior desempenho desde o terceiro trimestre do ano passado
(-1,2%), segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No primeiro semestre de 2006, a economia cresceu 2,2% -menos do que
em igual período de 2005 (3,4%) e com resultado semelhante ao
de todo o ano passado (2,3%).
Na média dos três primeiros
anos do governo Lula (2003-2005), o crescimento foi de 2,6%. Em relação
ao segundo trimestre de 2005, o PIB subiu 1,2%. Segundo especialistas,
os dados indicam que será bem mais difícil para o governo
alcançar a meta traçada para 2006 -4% de expansão.
O economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)
Estêvão Kopschitz disse que a instituição
irá rever para baixo a projeção de crescimento
de 3,8% do PIB neste ano. A consultoria LCA já reduziu sua estimativa
-de 3,7% para 3,5%.
Para Rebeca Palis, gerente da coordenação
de Contas Nacionais do IBGE, vários fatores contribuíram
para a desaceleração da economia no segundo trimestre,
como a greve na Receita, a Copa do Mundo (que reduziu o número
de dias úteis) e a valorização do real. "O
câmbio valorizado durante muito tempo acaba afetando o setor externo",
disse Palis. As exportações, em volume, caíram
5,1% na comparação com o primeiro trimestre. Em relação
ao segundo trimestre de 2006, a retração foi de 0,6%,
a primeira taxa negativa desde o terceiro trimestre de 2003.
Do lado da produção, foi
a indústria que teve o pior desempenho -queda de 0,3% do primeiro
para o segundo trimestre. Agropecuária e serviços foram
melhor -altas de 0,8% e de 0,6%, respectivamente. Sob a ótica
da demanda, os investimentos foram o destaque negativo (retração
de 2,2%), enquanto a expansão da massa salarial e do rendimento
assegurou o aumento do consumo das famílias (1,2%).
Para Edgard Pereira, economista do Iedi
(Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o câmbio
foi a "principal causa da desaceleração" do
PIB, ao reduzir a competitividade das exportações e fazer
a indústria trocar fornecedores locais por estrangeiros.
Já Bráulio Borges acredita
que o câmbio manteve sua influência negativa, mas a greve
na Receita Federal afetou não só as exportações
como as importações de insumos para a produção
doméstica. Kopschitz, do Ipea, disse que, se por um lado o câmbio
prejudicou o setor externo, por outro provocou queda de preços
e a conseqüente expansão do consumo interno.
Apesar do fraco desempenho no primeiro
semestre, economistas esperam aquecimento no segundo semestre. A LCA
projeta expansão de 5% contra o mesmo período de 2005,
graças à fraca base de comparação. "Vários
fatores para impulsionar a economia neste ano foram dados, como mais
crédito e emprego. A expectativa é que o ritmo volte a
aumentar no segundo semestre", disse Alex Agostini, da Austin Ratings.
Para Ana Maria Castelo, economista da GV Consult, "o resultado
tem de ser lido com cautela, pois não significa que a economia
embicou para baixo". "Temos de considerar que pesquisas de
confiança e de intenção de investimento mostram
algum otimismo", disse.
Para Celso Toledo, o PIB não
surpreende, dados os impeditivos ao crescimento já conhecidos,
como alta carga tributária e baixa taxa de investimento. "Do
ponto de vista qualitativo, o resultado não é surpreendente.
É a cara do Brasil que a gente conhece, com uma economia que
cresce pouco, com todos os seus óbices estruturais."
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JORNAL GAZETA DO POVO, 01
de setembro de 2006 | Economia
RESULTADO
Entre os setores, indústria
tem pior desempenho
Rio de Janeiro – A indústria teve o pior desempenho entre
os setores do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, com
uma queda de 0,3% na comparação com os três primeiros
meses do ano. No período, o PIB cresceu apenas 0,5% na comparação
com o primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período
do ano passado, o avanço foi de 1,2%.
As indústrias de siderurgia, metalurgia,
química, têxtil, calçados e madeira apresentaram
os piores resultados influenciados, sobretudo, pelo efeito cumulativo
da valorização do real, a paralisação de
plataforma da Petrobras, além da competição com
a indústria da China.
A indústria de transformação
apresentou uma queda de 0,4%. Por outro lado, a indústria extrativa
mineral registrou um avanço de 1,5%, enquanto a construção
civil avançou 2,6% e os serviços industriais de Utilidade
Pública subiram 1,5%.
O setor externo também teve papel
preponderante na desaceleração do crescimento econômico.
As exportações tiveram
queda de 5,1% na comparação com o primeiro trimestre do
ano, enquanto as importações apresentaram recuo de 0,1%.
Já o volume de bens exportados
registrou queda de 0,6% na comparação com o mesmo período
do ano passado -a menor desde o terceiro trimestre de 2003-, enquanto
o volume de bens importados subiu 12,1%.
O Indicador do Nível de Atividade
(INA) apurado pela Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp) e Centro das Indústrias do
Estado de São Paulo (Ciesp) caiu 1,8% em julho em relação
a junho, sem ajuste sazonal. O dado faz parte do Levantamento de Conjuntura,
divulgado ontem pelas duas instituições. Na comparação
com julho do ano passado, o INA cresceu 1,6%. De janeiro a julho, houve
crescimento de 3% em comparação ao ano passado.
Considerando o ajuste sazonal,
o INA oscilou -0,3% no período de julho em comparação
ao mês de junho. Por ter alterado este ano a metodologia de apuração
do INA, as duas instituições não compararam o dado
de julho com o verificado no mesmo mês em anos anteriores com
ajuste sazonal. O Levantamento de Conjuntura relata ainda que o nível
de utilização de capacidade instalada (Nuci) do total
da indústria paulista ficou em 80,1% em julho sobre junho, sem
ajuste sazonal, que estava em 82,5%.
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ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 01
de setembro de 2006 | Economia
Brasil foi país que menos cresceu
no 2º trimestre
É o que indica uma comparação
feita com base em dados compilados pela revista Economist
| RANKING
EMERGENTE |
China
Venezuela
Cingapura
Israel
Coréia do Sul
Indonésia
México
Taiwan
Chile
Colômbia
África do Sul
Hungria
|
11,3%
9,2%
8,1%
6,2%
5,3%
5,2%
4,7%
4,6%
4,5%
3,7%
3,6%
3,6%
|
| Economist |
LONDRES - O crescimento da economia brasileira no
segundo trimestre de 2006 deixa o Brasil na posição de
país com o pior desempenho entre os 28 que já divulgaram
esses resultados, indica uma comparação feita com base
em dados compilados pela revista Economist.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou
1,2% no segundo trimestre de 2006, quando comparado ao mesmo período
de 2005. Na comparação com o primeiro trimestre do ano,
o resultado foi mais baixo, de 0,5%.
A Economist reúne dados de emergentes
- categoria na qual o crescimento, geralmente, é mais elevado
-, mas também de países desenvolvidos, que costumam apresentar
taxas de evolução do PIB mais baixas por causa do tamanho
de suas economias.
Para Justine Thody, chefe do grupo de
analistas de América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU),
com o resultado desta quinta-feira, o crescimento que a consultoria
está projetando para o Brasil neste ano, de 3,4%, parece mais
difícil de ser atingido.
Contraste
Para o ano de 2006, o governo brasileiro
prevê crescimento entre 4% e 4,5%. Analistas, no entanto, fazem,
como a EIU, projeções mais modestas, e muitos já
começam a rever para baixo suas previsões.
"O resultado do segundo semestre
é, especialmente, decepcionante porque esperava-se que o ciclo
de afrouxamente monetário iniciado em setembro de 2005 galvanizasse
investimentos", disse Thody.
Ela explica que são exatamente
as baixas taxas de investimento no Brasil que estão por trás
do desempenho mais fraco do país em relação aos
emergentes.
Entre os 27 países considerados
emergentes (de acordo com a lista da revista Economist), 13, incluindo
o Brasil, já divulgaram o resultado do segundo trimestre.
A África do Sul, com crescimento
de 3,6% no período, é o país que está mais
perto do fraco crescimento brasileiro. Ainda assim, o resultado da economia
sul-africana é mais do que duas vezes superior ao da economia
brasileira. A Hungria também teve crescimento de 3,6% no período.
A China, que enfrenta o risco de superaquecimento
de sua economia, continua sendo o destaque positivo na comparação.
Cresceu 11,3% no segundo trimestre em comparação com o
mesmo período do ano anterior.
Entre os países desenvolvidos,
o Brasil também está na lanterninha.
Também com base em uma lista compilada
pela revista Economist, o crescimento brasileiro de 1,2% é o
menor de todos, quando comparado ao dos 13 países desenvolvidos
que já divulgaram o resultado do PIB no segundo trimestre do
ano.
No mundo desenvolvido, o desempenho mais
próximo do brasileiro é o italiano. O país cresceu
apenas 1,5% no mesmo tipo de comparação (segundo trimestre
com mesmo período de 2005).
Os Estados Unidos revisaram o resultado
do PIB para o período. A economia americana cresceu 2,9% em relação
ao primeiro trimestre.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 01
de setembro de 2006 | Brasil
CONTAS PÚBLICAS-Proposta de gastos para
2007 chega ao Congresso
Governo vai contratar 46 mil, prevê
Orçamento
Brasília – A proposta de Orçamento da União
para 2007, encaminhada ontem pelo governo ao Congresso, prevê
a contratação de 46.652 servidores. Para o Executivo,
serão realizados concursos para contratação de
28.727 pessoas, 13.532 delas para substituir os terceirizados. No Judiciário,
serão contratados 14.936 servidores; no Legislativo, 799; e no
Ministério Público, 2.190.
O Orçamento destina R$ 796,7 milhões
para as contratações no Executivo, R$ 433,2 milhões
para o Judiciário, R$ 65,3 milhões para o Legislativo,
e R$ 103,8 milhões para o MP. O Orçamento, no entanto,
não prevê reajuste adicional para o funcionalismo no ano
que vem.
A proposta prevê ainda um aumento do salário mínimo
dos atuais R$ 350 para R$ 375. Diferentemente do que havido sido informado,
está previsto um reajuste real. Isso ocorre porque, ao prever
o reajuste pela variação do PIB per capita, o Orçamento
garante aumento acima da inflação. O Orçamento,
porém, não prevê nenhum reajuste acima do que determina
a lei: variação da inflação mais variação
do PIB per capita.
De acordo com a proposta orçamentária,
é esperada uma elevação do déficit da Previdência
de R$ 41 bilhões este ano (1,95% do PIB) para R$ 46,4 bilhões
em 2007 (2,02% do PIB). As despesas primárias devem atingir R$
547,7 bilhões e as financeiras, R$ 963,7 bilhões, totalizando
R$ 1,511 trilhão.
Está previsto ainda um crescimento
das receitas totais de R$ 549,4 bilhões este ano (26,14% do PIB)
para R$ 603,4 bilhões (26,24% do PIB) em 2007.
As receitas administradas pela Receita
Federal sobem de R$ 362,3 bilhões (17,24% do PIB) para R$ 400,3
bilhões (17,41% do PIB). Já as receitas líquidas,
sem as transferências para estados e municípios, sobem
de R$ 458,5 bilhões (21,82% do PIB) para R$ 501,6 bilhões
(21,81%) no ano que vem.
O governo deixou fora do projeto um dispositivo
de redução de 0,1 ponto porcentual do PIB nos gastos correntes,
como estava indicado na Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO).
Segundo o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, o ministério não pode chegar a um consenso sobre
a base de cálculo porque ainda há créditos pendentes
no Congresso, referente ao Orçamento deste ano.
Apesar disso, o ministro disse que o
governo defende a redução de gastos e está dialogando
com o Congresso para que o mecanismo seja incluído no Orçamento
ao longo do processo de aprovação.
Os gastos com servidores públicos
federais deverão ser de R$ 117,9 bilhões no ano que vem,
um aumento nominal de R$ 11,2 bilhões em relação
a 2006. A proposta indica ainda que o governo federal deve registrar
déficit nominal de 3,07% do PIB.
E, na composição do superávit
primário, o governo federal terá menos relevância
no ano que vem. O peso maior ficará com os estados e municípios.
Os investimentos públicos serão de R$ 17,6 bilhões
em 2007, frente a R$ 16,2 bilhões previstos para 2006.
As estatais federais investirão
outros R$ 49,4 bilhões no ano que vem, um aumento em relação
aos R$ 42,3 bilhões estimados para este ano. A maior parte dos
investimentos públicos irá para infra-estrutura –
com destaque para rodovias, que receberão R$ 4,6 bilhões
em 2007.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 01
de setembro de 2006 | Brasil
CONTAS PÚBLICAS
Mais recursos para a educação
Brasília – A educação e o Bolsa-Família,
um dos principais programas do governo Lula, serão os dois maiores
gastos na área social em 2007. Ao todo, os recursos somam R$
60,13 bilhões.
A área que receberá a maior
parte desse dinheiro é a educação, com R$ 11,121
bilhões. Os principais programas são os para o desenvolvimento
da educação básica (R$ 2,996 bilhões) e
do ensino superior e educação profissional (R$ 2,177 bilhões).
Além disso, estão previstos
recursos para a construção de quatro novas universidades
e 62 novos câmpus em universidades já existentes. O programa
do livro didático terá R$ 714,9 milhões.
As bolsas de fomento a pós-graduação
no Brasil e no exterior terão R$ 587,7 milhões. A previsão
do governo é destinar R$ 8,605 bilhões para o Bolsa-Família,
o que garante o atendimento de 11,1 milhões – o mesmo número
que será atendido neste ano.
Quase metade das famílias está
no Nordeste (49,77%). A Região Sudeste é a segunda que
mais receberá recursos (26,14%). Para o saneamento básico
serão destinados R$ 1,081 bilhão.
Segurança
Já a segurança pública
terá apenas R$ 1,704 bilhão. A Força Nacional de
Segurança Pública e as polícias Federal e Federal
Rodoviária receberão R$ 1,284 bilhão. Dentro disso,
o projeto “Segurança Cidadã” terá R$
100 milhões para fazer a segurança dos Jogos Pan-Americanos,
que serão realizados no ano que vem no Rio de Janeiro.
Os gastos para as penitenciárias
somam R$ 200 milhões.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 01 de setembro
de 2006
87% dos eleitores não confiam em
político
Redação/O Estado do
Paraná
Os eleitores brasileiros vão às
urnas exatamente dentro de um mês, no dia 1.º de outubro,
para escolher deputados, senadores, governadores e presidente da República.
Representantes do povo no Legislativo e no Executivo que, em muitos
casos, a população vota, mas não acredita. Uma
pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) revela
que 87% dos eleitores não confiam nos seus representantes e governantes.
O levantamento, realizado em junho no Distrito Federal, destaca que
a desconfiança é maior com relação aos deputados:
80,3% dos 593 eleitores entrevistados não acreditam neles. A
parcela dos que desconfiam dos senadores é menor: 70%. Os descrentes
com o governo são 60,5%. Enquanto isso, 73% não confiam
nos partidos e quase metade, 49,4%, acha que a Justiça não
merece crédito.
Segundo o coordenador do estudo, o professor do Instituto de Ciência
Política da Universidade de Brasília, Ricardo Caldas,
é preciso lembrar que a falta de confiança nos políticos
não é recente. “A classe política vem se
distanciando da sociedade há algum tempo, desde o movimento por
eleições diretas (em 1984). Isso foi agravado pelo impeachment
do ex-presidente Fernando Collor, em 1992, e não parou de crescer”,
diz ele. “Com as denúncias de corrupção do
ano passado e deste ano, a gente chegou ao fundo do poço.”
De acordo com o professor, o eleitorado não se sente representado
e muitas vezes não distingue entre bons e maus políticos.
“A população tem dificuldade para separar qual o
político correto, que atua, que trabalha, e qual é o político
oportunista, picareta, que só está se aproveitando da
situação para benefício próprio.”
Caldas acredita que, em função disso, muitos eleitores
vão abrir mão do voto. “Pode haver alto índice
de abstenção, votos brancos e votos nulos”, diz.
Ele também prevê que a renovação do Congresso,
que tradicionalmente fica em torno dos 40%, pode chegar este ano a 60%.
O cientista acredita que, de modo geral, a opinião do brasiliense
expressa a avaliação média do brasileiro sobre
os políticos. “A pesquisa, em termos gerais, reflete a
opinião do eleitor em todo o país, o que se pode confirmar
por outras pesquisas sobre o mesmo assunto.”
O assessor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar Marcos
Verlaine faz estimativa semelhante. Os dois analistas alertam que a
renovação não significa necessariamente sinônimo
de qualidade. Basta lembrar que 24 dos 69 deputados acusados até
agora de envolvimento com o escândalo dos “sanguessugas”
estão no primeiro mandato.
“A renovação é boa porque renovar é
bom, mas muitas vezes os novos políticos não têm
compromisso com a vida pública, com a sociedade”, diz Verlaine.
“A renovação nem sempre aponta para o melhor caminho.”
Promessas
Os deputados estão entre os políticos nos quais os eleitores
menos acreditam. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Brasília
(UnB), 80,3% dos 593 eleitores entrevistados no Distrito Federal não
confiam nos próprios representantes nas assembléias legislativas
e Câmara Federal. Com relação aos senadores, esse
índice é 10 pontos percentuais menor.
Para os especialistas, além da decepção com esquemas
de corrupção, o eleitorado também enfrenta dificuldades
para entender as funções de um deputado. Durante a campanha,
os candidatos ao cargo costumam fazer promessas que não podem
cumprir e que acabam por gerar falsas expectativas entre os eleitores.
Integrante de uma associação de moradores de bairro em
Sobradinho (DF), o segurança Liomar Gomes de Souza conta que
a entidade costuma enviar pedidos de melhorias à Câmara
Legislativa, mas que na maioria das vezes eles não saem do papel.
“A gente se reúne, aprova, manda para a Câmara para
gerar lei, mas não sai. Lá (no bairro Canela de Emas,
em Sobradinho) não tem água, o asfalto é pouco”,
reclama Souza.
A consultora da Câmara Legislativa do Distrito Federal Ana Cristina
Resende explica que os deputados, na verdade, pouco podem fazer para
melhorar os bairros. A maioria das obras depende de iniciativa do governador.
“O deputado pode fazer sugestões. Instalação
de quebra-molas, passarelas, reforma de escolas, hospitais, construção
de delegacias, por exemplo, são atividades típicas do
executivo e não necessariamente tem de ter projeto de lei sobre
isso.”
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
01 de setembro de 2006
Informalidade é reflexo do desenvolvimento
precário
Ligia Martoni
O desenvolvimento econômico
precário do Brasil tem prejudicado, além da produtividade
e da visibilidade do País no âmbito internacional, as relações
de trabalho. É a avaliação que faz o ministro do
Tribunal Superior do Trabalho, Lélio Bentes Corrêa, a respeito
dos desafios vividos pelo Ministério Público do Trabalho
(MPT), setor responsável pela proteção do trabalhador
como parte fundamental da engrenagem que move o País. O ministro
esteve em Curitiba, ontem, para abrir um ciclo de conferências
realizado pela Procuradoria do Trabalho no Paraná em comemoração
aos trinta anos da instituição no Estado.
O prejuízo vivido neste campo, destaca o ministro, se evidencia
no grande número de empregos informais que o País acumula.
“Hoje, mais de 50% da mão-de-obra nacional trabalha neste
mercado. Daí a preocupação com nossas taxas de
crescimento, que hoje variam entre 1,5% a 2,5%, quando, segundo os economistas,
precisariam estar entre 6% e 7% para absorver todo o contigente de trabalhadores”,
avalia.
Com base neste retardo, ele explora um dado digno de atenção:
atualmente, mais da metade dos lucros das empresas sediadas no Brasil
é proveniente de aplicações, e não da produtividade,
empatada pelas altas taxas de juros e elevada carga tributária.
“O problema é que, diferentemente da produção,
as aplicações não geram mais empregos.” Fator
agravado com a desculpa das empresas em manterem seus colaboradores
na informalidade, por falta de recursos para arcar com as despesas implicadas
pelo registro em carteira.
“Não são as garantias trabalhistas que encarecem
o custo da mão-de-obra, que é barata no Brasil”,
lembra o ministro, exemplificando que a produção de um
carro destina ao trabalhador apenas 3% de seu custo final. “O
que dificulta a performance das empresas são os altos custos
financeiros para se sustentar. Só que, na medida em que mantêm
os trabalhadores na informalidade, criam um passivo muito maior; preferem,
em vez de comprar uma briga com o governo, descontar o prejuízo
na parte mais fraca.”
Mesmo as novas vagas criadas no mercado formal - o Departamento Intersindical
de Pesquisas Sócio-Econômicas (Dieese) divulgou recentemente
que o Paraná superará o número do ano passado,
terminando o ano com 85 mil novos empregos com carteira assinada contra
os 72 mil de 2005 - não são suficientes, do ponto de vista
de Corrêa, para superar o problema vivido no País. “É
que a maioria se refere a empregos de baixa remuneração.
O emprego formal é bom para o País; o que não é
bom são os dados que demonstram que temos um grande contingente
de mão-de-obra pouco qualificada, sem acesso à educação
básica”, diz ele.
O ministro argumenta que, para tanto, é necessário inverter
as prioridades. “Ou seja, promover a qualificação
para obter maior produtividade e, assim, retomar a competitividade no
mercado internacional.” Segundo Corrêa, a cultura da informalidade
- que ganhou força na Europa e se disseminou em outros pontos
do mundo - tem sofrido recuo em suas origens e nos países em
que a estrutura econômica tem-se mostrado mais democrática.
“Não é diminuindo os direitos trabalhistas que vamos
alcançar produtividade e o tão sonhado desenvolvimento
por aqui”, conclui.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
01 de setembro de 2006
Funcionários da VW param hoje e
amanhã
Lyrian Saiki
Foto: Arquivo/O Estado
Metalúrgicos parados em São Bernardo do Campo, São
Paulo.
Funcionários da Volkswagen em São José dos Pinhais,
que planejavam realizar paralisações de uma hora em cada
turno a partir de ontem - em repúdio às 1,8 mil demissões
na unidade de São Bernardo do Campo (SP) -, mudaram de estratégia.
Eles vão parar hoje e amanhã e compensar os dois dias
de folga trabalhando um único dia: 30 de setembro. A proposta
foi aprovada ontem por funcionários de dois turnos, durante assembléia
no portão da fábrica.
De acordo com o diretor e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba (SMC), Nelson Silva de Souza, por volta do meio-dia
de ontem, a direção da empresa procurou o sindicato e
propôs a paralisação de um dia de trabalho, que
seria compensado em outro dia. “A proposta inicial era de um para
um, mas não aceitamos. Ficou acertado, então, dois dias
de folga e um de trabalho”, explicou.
Segundo ele, a greve dos funcionários na unidade de São
Bernardo do Campo - iniciada na última terça-feira - já
está provocando a falta de algumas peças na montadora
do Paraná, o que levou o sindicato a desistir da idéia
de paralisação de uma hora por turno. “Se fizéssemos
isso, estaríamos beneficiando a empresa e prejudicando os companheiros
de São Bernardo”, disse Nelson de Souza. “Com a compensação
de apenas um dia, a empresa vai ficar no prejuízo porque deixam
de ser fabricados 730 carros”, disse Souza. “Foi uma medida
inteligente.”
Os funcionários da Volks no Paraná não descartam,
porém, a tomada de outras atitudes para protestar contra a empresa
e demonstrar a solidariedade aos que receberam cartas de dispensa em
São Paulo. “Cada dia é um dia”, salientou
o diretor.
São Bernardo
Em São Bernardo do Campo, os funcionários da Volkswagen
decidiram ontem em assembléia manter a greve geral. Os grevistas
decidiram continuar com a estratégia de entrar na fábrica,
mas não ligar as máquinas, a mesma adotada desde o início
da greve, na terça-feira.
Somente na próxima segunda-feira, dia 4, haverá assembléia
para decidir se a estratégia de paralisação será
alterada ou não. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC, além da fábrica de São José dos
Pinhais, a unidade de Taubaté (SP) também deve paralisar
as atividades hoje por falta de componentes que são fabricados
na unidade do ABC.
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AGÊNCIA REUTERS BRASIL,
01 de setembro de 2006
Trabalhadores acabam com greve na maior
mina de cobre do mundo
SANTIAGO (Reuters) - Os trabalhadores
de Escondida no Chile, a maior mina de cobre do mundo, aprovaram em
assembléia na quinta-feira aumento salarial e benefícios
acertados com a empresa, colocando fim à greve mais longa dos
últimos anos na mina chilena.
"A maioria dos trabalhadores aprovou.
Amanhã se espera assinar o acordo (com a empresa)", disse
à Reuters Francisco Aedo, um dos porta-vozes do sindicato, referindo-se
ao término do conflito, que desde 7 de agosto causou inquietação
nos mercados internacionais de cobre.
Depois de várias propostas, os
trabalhadores de Escondida aprovaram em votação e por
uma ampla vantagem um reajuste salarial de 5 por cento, além
de um bônus em pesos pelo término do movimento equivalente
a 17 mil dólares.
Após 25 jornadas de paralisação,
a mina controlada pela BHP Billiton espera retomar gradualmente suas
atividades nos próximos dias.
(Por Pav Jordan)
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AGÊNCIA BRASIL, 01
de setembro de 2006
Empresas devem comunicar ao SUS lista
de trabalhadores que manipulam amianto
O ministro da Saúde, Agenor Álvares,
assinou portaria que define critérios e procedimentos para que
as empresas comuniquem ao Sistema Único de Saúde a lista
dos trabalhadores que manipulam o amianto. As regras foram definidas
na Portaria 1851, publicada no Diário Oficial da União.
A nova regra determina que as indústrias
também devem comunicar a listagem dos trabalhadores que, no passado,
tiveram contato ou ficaram expostos ao amianto, substância considerada
carcinogênica pela Organização Mundial de Saúde
e pela Organização Internacional do Trabalho.
"O amianto, em todos os seus tipos,
causa agravos à saúde do trabalhador. Provoca doenças
como a asbestose, que pode levar à morte por insuficiência
respiratória, o endurecimento da pleura e tipos de câncer
como o carcinoma broncogênico de pulmão e o mesotelioma
de pleura", explica o coordenador da Área Técnica
de Saúde do Trabalhador, Marco Antônio Pérez.
A portaria ministerial dá início
ao acompanhamento sistematizado da ocorrência de doenças
provocadas pela substância. A coordenadora da Associação
Brasileira dos Expostos ao Amianto, Fernanda Giannasi, revela que o
número de doentes do amianto tem crescido.
A maioria dos profissionais de saúde
desconhece os prejuízos causados pela exposição
à fibra. Além da publicação da portaria,
o Ministério da Saúde vai promover capacitação
desses profissionais para que saibam identificar e lidar com o problema.
Substância proibida
O amianto é vedado no país
desde 1995. No entanto, diante das propriedades de alta resistência
da fibra ao calor e a impactos diversos, a variedade chamada crisotila
foi permitida a partir do Decreto 2.350, de 1997. A substância
é utilizada na fabricação de telhas e pastilhas
de freio.
Há normas para uso seguro do produto,
como o cumprimento das condições estabelecidas por leis
federais, estaduais e municipais relativas ao controle ambiental, de
saúde e segurança no trabalho e de saúde pública.
É necessário também o registro no cadastro de usuário
no Ministério do Trabalho.
Informações completas e
anuais - As empresas serão obrigadas a informar anualmente a
listagem de trabalhadores expostos às atividades de extração,
industrialização, utilização, manipulação,
comercialização, transporte e destinação
final de resíduos do amianto, assim como aos produtos e equipamentos
que contenham a substância. "Com as informações,
vai ser possível ao SUS o acompanhamento das pessoas submetidas
ao amianto, melhorando a prevenção e o tratamento de doenças
que vierem a ocorrer", prevê o coordenador de Saúde
do Trabalhador.
A lista deve conter informações
como dados da empresa e do empregado, além dos exames realizados,
incluindo radiografia de tórax e prova de função
pulmonar, com o diagnóstico do profissional de saúde.
Ela deve ser enviada pelas empresas, preferencialmente por meio eletrônico,
até o primeiro dia útil do mês de julho. Receberão
os dados a Secretaria Municipal de Saúde, o Centro de Referência
em Saúde do Trabalhador ou o Serviço de Vigilância
à Saúde do SUS, onde a empresa está situada.
As empresas que descumprirem as
normas de segurança terão o alvará de funcionamento
automaticamente cancelado e paralisado o fornecimento de materiais.
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CONSULTOR JURÍDICO,
01 de setembro de 2006
Análise adiada
Suspenso julgamento sobre revisão
de pensões por morte
Está suspenso no Supremo Tribunal
Federal o julgamento do recurso que discute a revisão do benefício
mensal de pensão por morte, com elevação do seu
coeficiente, a partir da Lei 9.032/95, independentemente da data da
morte do segurado. O ministro Carlos Ayres Britto pediu vista e o julgamento
foi adiado.
A lei dispõe sobre o valor do
salário mínimo. De acordo com o artigo 75, “o valor
mensal da pensão por morte, inclusive a decorrente de acidente
do trabalho, consistirá numa renda mensal correspondente a 100%
(cem por cento) do salário-de-benefício, observado o disposto
na Seção III, especialmente no artigo 33 desta Lei.”
O relator, ministro Gilmar Mendes, acolheu
o recurso do INSS, para suspender o aumento. Os ministros Ricardo Lewandowski,
Joaquim Barbosa e Cármen Lúcia acompanharam o relator.
O ministro Eros Grau rejeitou os recursos
e abriu divergência. Afirmou que a aplicação imediata
da Lei 9.032/95 não afetará as condições
de validade de qualquer ato passado, nem alterará as conseqüências
de um direito já realizado.
Faltam votar os ministros Cezar Peluso,
Marco Aurélio, Celso de Mello, Sepúlveda Pertence e a
ministra Ellen Gracie.
O caso
O INSS entrou com Recurso Extraordinário
contra acórdão da Turma Recursal dos Juizados Especiais
Federais de Santa Catarina, que determinou a revisão do benefício
de pensão por morte, com efeitos financeiros correspondentes
à integralidade do salário de benefício da previdência
social geral, a partir da vigência da Lei 9.032, independentemente
da norma vigente ao tempo do óbito do segurado.
De acordo com a assessoria jurídica
do INSS, caso o recurso não seja aceito pelo Supremo, o impacto
orçamentário imediato seria de R$ 7,8 bilhões.
Nos próximos 20 anos, seria algo em torno de R$ 40 bilhões.
Se a tese repercurtir em outros benefícios, o impacto seria de
aproximadamente R$ 120 bilhões para as próximas duas décadas.
RE 416.827
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CONSULTOR JURÍDICO,
01 de setembro de 2006
Nada de burocracia
Ausência de cópia de auto
de penhora não barra recurso
A ausência da cópia do auto
de penhora, no Agravo de Instrumento em fase de execução,
não é suficiente para impedir o seguimento do recurso.
O entendimento é da Seção de Dissídios Individuais
1, do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros negaram os Embargos
em Agravo de Instrumento da empresa Cobra Tecnologia.
A empresa teve o Agravo de Instrumento
rejeitado. O fundamento foi o de que, em processo em fase de execução,
a ausência do translado da cópia do auto de penhora impossibilita
a verificação do preparo do recurso de revista.
O ministro Milton de Moura França,
relator do caso, esclareceu que não é juridicamente correta
a exigência de cópia reprográfica de auto de penhora
para instruir o Agravo de Instrumento quando o Tribunal Regional do
Trabalho conheceu do agravo de petição e não questionou
a garantia do juízo da execução.
“Se é desnecessária
a juntada de comprovante de recolhimento de custas e de depósito
recursal referente ao recurso ordinário, quando na revista não
se questiona a validade de ambos os recolhimentos, o mesmo fundamento
lógico-jurídico se aplica à penhora, quando não
se discute sua efetivação e muito menos sua regularidade
na revista”, decidiu o relator. O voto foi acompanhado pela maioria
dos ministros da SDI-1.
E-A-AIRR-1.784/1993-026-01-40.3
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
01/09/2006
Salário-base pode ser inferior ao
valor do salário mínimo
Se a soma de todas as parcelas que possuem
natureza salarial e compõem a remuneração do trabalhador
for superior ao valor fixado para o salário mínimo, está
assegurado o respeito ao artigo 7º, inciso IV do texto constitucional,
que prevê essa garantia. A tese foi fixada pela Primeira Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, ao acompanhar o ministro Lelio Bentes
Corrêa, relator de recurso de revista negado a um grupo de ex-empregados
do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto da Universidade de São Paulo.
A decisão unânime resultou
na manutenção de acórdão firmado pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas – SP)
que, a exemplo da primeira instância (Vara do Trabalho), negou
o pedido dos trabalhadores. Eles pretendiam o pagamento das diferenças
entre o salário-base que recebiam e o valor do salário
mínimo. “A modalidade de fixação dos salários
pode ser mista; não há ilicitude nesse procedimento”,
registrou o TRT.
“Os trabalhadores recebiam como
contra-prestação pelo trabalho, uma parcela denominada
salário-base; outra denominada Gratificação Especial
de Atividade – GEA; outra denominada Gratificação
Fixa; outra denominada Gratificação Extra e finalmente
uma última denominada Gratificação Executiva, todas
mediante previsão da lei”, acrescentou a decisão
regional.
No TST, os trabalhadores voltaram a insistir
no pagamento das diferenças, sob o argumento de desrespeito à
norma da Constituição que estabelece o salário
mínimo. Os autores do recurso de revista sustentaram a inviabilidade
do salário básico apresentar um valor inferior ao salário
mínimo legal.
As alegações foram
rebatidas pelo TST. Segundo Lelio Bentes, dispositivos da CLT reconhecem
o salário como um conjunto de parcelas, recebidas como contraprestação
de serviços pelo trabalhador. “Não se pode restringir
essa interpretação a tal ponto de vincular o salário
básico do empregado ao valor do salário mínimo
legal quando este percebe, no conjunto de parcelas que formam o salário,
valor superior ao legalmente fixado para o mínimo”, esclareceu
o relator.
“Esse entendimento não atenta contra a definição
de salário mínimo, nem é incompatível com
o disposto no artigo 7º, IV, da Constituição Federal”,
concluiu. (RR 792074/2001.5)
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01/09/2006
Publicada decisão sobre turnos ininterruptos
e horas extras
O Diário de Justiça traz
na edição de hoje (1º),a publicação
da decisão do processo que originou um dos principais entendimentos
adotados, no ano, pelo Tribunal Superior do Trabalho. Redigido pelo
ministro João Batista Brito Pereira, o acórdão
consolida o posicionamento do TST sobre a viabilidade e validade da
negociação coletiva que resulta na fixação
do regime de turno ininterrupto de revezamento de oito horas sem o pagamento,
como extra, do período excedente à sexta hora.
“Há que se admitir como
excludente do direito ao pagamento como extras das horas excedentes
à sexta diária a expressa previsão normativa de
fixação de jornada de oito horas e desde que observado
esse limite e o de quarenta e quatro horas semanais”, explica
o ministro Brito Pereira na ementa da decisão. “Do contrário,
estar-se-ia negando vigência ao texto constitucional inscrito
no artigo 7º, inciso XIV, no que excepciona a jornada de seis horas
na hipótese de negociação coletiva, sem cogitar
de qualquer compensação”, acrescenta.
O acórdão publicado diz
respeito aos embargos em recurso de revista interpostos na Seção
Especializada em Dissídios Individuais – 1 (SDI-1) do Tribunal
Superior do Trabalho pela Alcoa Alumínio S/A. O recurso questionou
decisão anterior da Primeira Turma do TST, que tinha reconhecido
a um ex-empregado o direito ao pagamento de horas extras, decorrentes
de jornada de oito horas diárias em turno ininterrupto de revezamento.
O Diário de Justiça traz a decisão unânime
da SDI-1, conforme o voto de Brito Pereira (relator), que resultou na
concessão os embargos à empresa, isentando-a do pagamento
das horas extras.
“Embora o sistema de trabalho em
turnos ininterruptos de revezamento possa, em tese, prejudicar a integridade
física e mental do empregado, comprometendo sua saúde
e até seu convívio social, essa modalidade se situa no
âmbito da flexibilização balizada pelos próprios
limites da Constituição que, no artigo 7º, cuidou
de discriminar aspectos do contrato de trabalho que podem ser flexibilizados:
salários (inciso VI), duração da jornada normal
(compensação e elastecimento, inciso XIII) e duração
da jornada nos turnos ininterruptos de revezamento (inciso XIV)”,
argumenta Brito Pereira.
Antes desse pronunciamento, porém,
o processo foi objeto de polêmica na SDI-1, que resolveu suscitar
um incidente de uniformização de jurisprudência
(IUJ) para que o Pleno do TST colocasse fim às divergências
internas sobre o tema. Posições opostas decorriam da interpretação
da antiga Orientação Jurisprudencial nº 169, em que
a SDI-1 apenas considerava válida a fixação de
jornada superior a seis horas mediante a negociação coletiva
quando houvesse na empresa o turno ininterrupto de revezamento. A omissão
em relação às horas extras levou a duas interpretações,
uma favorável à supressão da remuneração
extraordinária, e outra, contrária.
A maioria do Pleno reconheceu a possibilidade
da negociação, desde que válida, para a exclusão
do pagamento das horas extras, conforme o voto do relator dos embargos.
Também decidiram pela redação de súmula
sobre um assunto de ampla repercussão nas relações
de trabalho no País. O futuro item da jurisprudência dirá
que “uma vez estabelecida jornada de trabalho superior a seis
horas diárias por meio de regular negociação coletiva,
os empregados submetidos ao regime de turno ininterrupto de revezamento
não têm o direito ao pagamento das sétima e oitava
horas como extras”.
A edição da futura
súmula ainda depende da apreciação final de sua
redação pelo Pleno do TST, o que deve ocorrer em breve.
A interpretação do TST sobre dispositivos constitucionais
que estabelecem limites à duração do trabalho e
as situações que admitem a flexibilização
já pode ser conhecida no acórdão dos embargos julgados
pela SDI-1 e publicado hoje no Diário da Justiça. (ERR
576619/1999.9)
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