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DEPACOM, 07 de setembro
de 2006
FETICOM Ceará apresenta relatório
de atividades
A Federação dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
do Estado do Ceará, presidida pelo companheiro LUIS CARNEIRO
DA ROCHA, apresentou seu Relatório de Atividades do Exercício
de 2005. Caso haja interesse em conhecer esse trabalho, entrar
em contato com a federação.
Confira abaixo, os agradecimentos da
FETICOM/CE:
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LUIS
CARNEIRO DA ROCHA,
Presidente da FETICOM/CE |
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Endereço:
Avenida Wenefrido Melo, n.º 237 – Mondubin
Fortaleza/CE - Cep: 60.762-410
Fone: (85) 3296-6767 ou 3223-1594 | Fax: (85) 3298-2156
E-mail: feticomce@ig.com.br
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FETRACONSPAR,
07 de setembro de 2006
Eleições em Ponta Grossa/PR
Eleita nova diretoria do SOM PONTA
GROSSA
Foi realizada, dia 05 de setembro do corrente,
eleições para renovação da diretoria
do SINDICATO DOS OFICIAIS MARCENEIROS E TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS
DE SERRARIAS E DE MÓVEIS DE MADEIRA DE PONTA GROSSA, onde
foi eleita para o mandato de 2006/2010, a chapa única inscrita
encabeçada pelo companheiro JOSÉ ZIERHUT. |

JOSÉ
ZIERHUT, presidente
do SOM PONTA GROSSA
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Agência Senado, 6 de setembro de 2006
Bancos cooperativos poderão ter
acesso aos recursos do FAT
A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) aprovou
nesta terça-feira (5) projeto que permite aos bancos cooperativos
o acesso aos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) sem a
necessidade da utilização de intermediários financeiros
(PLS 320/03). De autoria da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), a proposta
visa a quebrar o monopólio de bancos oficiais, como o Banco do
Brasil, no repasse dos recursos do FAT.
A matéria altera a Lei 8.019/90
(que já modifica a legislação do FAT) - determinando
depósito especial, remunerado e disponível para movimentação
imediata também em bancos cooperativos, além das instituições
financeiras oficiais federais - e a Lei 8.325/91 (que dispõe
sobre as disponibilidades financeiras do FAT), autorizando bancos cooperativos,
além do BB, a utilizarem os recursos para conceder empréstimos
ao setor rural. O projeto foi relatado pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO).
Os senadores Flávio Arns (PT-PR) e Pedro Simon (PMDB-RS) manifestaram-se
favoravelmente à proposta:
- Esta é uma luta que não
consegui vencer quando ministro da Agricultura (na gestão do
presidente José Sarney). A guerra contrária era uma coisa
impressionante. Concordo que não há justificativa para
a intermediação com outros bancos - disse Simon.
A matéria será submetida
à análise da Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE), onde receberá decisão terminativa.
Outro projeto, de autoria do então
senador Wellington Roberto, trata da anistia de parte das dívidas
de pequenos produtores rurais, pescadores e suas cooperativas e colônias
junto aos Bancos do Nordeste do Brasil (BNB) e do Brasil (BB). De acordo
com o texto do PLS 200/02, as dívidas sofrerão redução
de 50% e o saldo devedor restante será refinanciado por dez anos,
com três de carência, a uma taxa de juros de 3% ao ano.
Serão beneficiados por essa lei
os mutuários adimplentes com suas obrigações ou
que se dirijam ao banco para repactuar as dívidas até
180 dias após a aprovação da lei. O relator, senador
Wellington Salgado (PMDB-MG), apresentou emenda corrigindo o período
de adesão do benefício, excluindo a data fixada, que já
foi ultrapassada. A matéria será encaminhada à
CAE e à Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania (CCJ), onde receberá decisão terminativa.
Também foi aprovada matéria
que permite às cooperativas de crédito, agrícolas
e agroindustriais, associações de produtores rurais e
demais pessoas jurídicas que operem no setoremitir títulos
da dívida de agronegócios no mercado financeiro nacional
(PLS 369/03). De acordo com o autor da proposta, senador Alvaro Dias
(PSDB-PR), a emissão dos papéis vai incrementar o financiamento
da expansão da produção, melhorar as condições
de comercialização e reduzir o custo financeiro dessa
cadeia produtiva.
Os títulos, com validade de três
anos, serão negociados mediante leilões públicos
anunciados por editais. O resgate, modificado por emenda do próprio
autor, poderá ser feito pelo valor nominal, na data do vencimento;
pelo valor nominal com rendimentos; ou ainda com a opção
de liquidação mediante a entrega de produtos agropecuários
in natura e previamente especificados (com média dos preços
dos produtos do semestre anterior). A matéria foi relatada pelo
senador Jonas Pinheiro (PFL-MT) e será encaminhada à CAE,
onde receberá decisão terminativa.
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Diário Vermelho, 6 de setembro de 2006
Banco Real é condenado a pagar
R$ 500 mil por danos morais
O ABN AMRO Real S/A foi condenado na última quinta-feira (31/8)
a pagar R$ 500 mil por danos morais causados aos direitos difusos e
coletivos dos trabalhadores em favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT). O Procurador do Trabalho José Fernando Ruiz Maturana,
da Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região, de Campinas
, ajuizou uma Ação Civil Pública contra a instituição
bancária por terceirização fraudulenta de atividade
fim através da empresa Transprev.
Diante da denúncia formulada pelo Sindicato dos Empregados em
Estabelecimentos Bancários e Financiários de Bauru e Região,
dando conta da prática de terceirização ilegal
e diversas outras irregularidades trabalhistas na instituição
bancária, o Ministério Público do Trabalho (MPT)
instaurou o Procedimento Investigatório e reuniu provas em conjunto
com auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
para fundamentar a ação.
Julgada improcedente em primeira instância pela 2ª Vara do
Trabalho de Bauru com base em um relatório de arquivamento do
MPT em Santa Catarina, o Procurador recorreu da decisão e novo
julgamento foi agendado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª
Região. Diante da defesa oral do Procurador Ronaldo José
de Lira, a Câmara presidida pelo Juiz Eurico Cruz Neto reformou
a sentença e decidiu, por unanimidade, pela condenação
do banco.
Segundo decisão judicial, a empresa deverá deixar de contratar
empregados por intermédio de empresa interposta para a realização
dos serviços de preparação de dados e documentos
bancários. As evidências coletadas e depoimentos de funcionários
da Transpev e do Banco Real revelaram que os terceirizados trabalhavam
no sistema de compensação bancária (atividade fim)
e tinham subordinação direta a superior hierárquico
funcionário do banco, embora recebessem por hora trabalhada e
tenham sido enquadrados como comerciários.
"Os trabalhos desempenhados pelos empregados da Transpev correspondem
à atividades inerentes ao serviço bancário, e de
acordo com a legislação vigente não podem ser transferidos
no processo de terceirização", argumentou o Procurador.
"Por derradeiro, ainda que se considerem os serviços de
preparação de dados e documentos atividades-meio, a existência
de subordinação direta à administração
do tomador, afronta o Enunciado 331 do TST, fulminando a avença
mantida entre o banco e a Transpev, eis que ilegal", conclui.
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Folha
de São Paulo, 6 de setembro de 2006
Lula vence no 1º turno com 24 pontos
sobre Alckmin
A 25 dias das eleições, petista
tem 51%; tucano não cresce após ofensiva na TV
Ataques no horário eleitoral e más
notícias na área econômica não afetaram desempenho
do presidente, aponta pesquisa Datafolha
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Os ataques contra o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no horário eleitoral gratuito e as más notícias
na economia divulgadas nos últimos dias não abalaram a
candidatura do petista à reeleição. A 25 dias das
eleições, ele consolidou suas chances de vencer já
no primeiro turno. Pesquisa Datafolha divulgada ontem revela que, em
uma semana, Lula oscilou de 50% para 51% nas intenções
de voto. Seu principal adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), se
manteve com 27%. Nos votos válidos, que definirão a eleição,
Lula oscilou de 56% para 57%, um novo recorde. Alckmin ficou com 30%.
No conjunto, a taxa de votos em branco
ou nulos (4%) e de indecisos (6%) desceu ao seu menor patamar, 10%.
A pesquisa mostrou também um esvaziamento da candidatura de Heloísa
Helena (PSOL), que oscilou para baixo pela terceira vez seguida e agora
tem 9%. Grande parte de seus eleitores, principalmente os mais instruídos,
parece ter migrado para Lula. Embora os números gerais do levantamento
tenham mudado pouco, dentro da margem de erro, alguns pontos mostram
um novo fortalecimento do petista.
Na pesquisa espontânea, na qual
o eleitor cita sua preferência antes de receber a lista de candidatos,
o presidente atingiu o recorde de 41%. Lula também recuperou
boa parte do terreno que vinha perdendo, até uma semana atrás,
entre os eleitores mais ricos e escolarizados. Ganhou ainda novos pontos
na região Sul. Por fim, o petista teve um ganho expressivo, de
nove pontos percentuais, entre os eleitores de municípios que
têm entre 35 mil e 100 mil votantes.
Entre as más notícias econômicas
dos últimos dias que não afetaram a candidatura Lula constam:
a taxa de desemprego de julho (10,7%) subiu ao maior patamar em 15 meses;
o PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre cresceu pífio
0,5%; foram anunciadas, com grande repercussão, as demissões
de 1.800 operários da Volks em São Paulo (a empresa agora
recuou e voltou a negociar com os funcionários).
Escolaridade e renda
Lula ganhou seis pontos percentuais entre
os eleitores com escolaridade superior, passando de 28% para 34% das
intenções de voto. Aparentemente, o petista tirou votos
de Heloísa Helena, que passou de 20% para 15%, a menor taxa obtida
pela senadora nesse segmento desde junho. Alckmin apenas oscilou, de
37% para 36%. Com esse movimento, a vantagem do tucano sobre Lula entre
os eleitores mais escolarizados caiu, em uma semana, de nove pontos
percentuais para apenas dois.
Entre os eleitores mais ricos, com renda
familiar mensal acima de 10 salários mínimos, a vantagem
de Alckmin sobre o petista caiu de 13 para 3 pontos. Enquanto Lula passou
de 29% para 35%, o tucano caiu de 42% para 38%. Regionalmente, a variação
mais significativa se deu no Sul, onde se registra a menor diferença
entre os dois candidatos. Lula passou de 36% para 39%, enquanto Geraldo
Alckmin oscilou dois pontos para baixo, de 35% para 33%. Entre os demais
candidatos na disputa presidencial, apenas Cristovam Buarque (PDT) e
Ana Maria Rangel (PRP) pontuaram, com 1% cada.
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Folha
de São Paulo, 6 de setembro de 2006
Indústria patina e reforça
a expectativa de PIB fraco
Produção avança 0,6% em julho,
um "suave crescimento", de acordo com o IBGE
Bens duráveis caem pelo 3º mês;
analistas dizem que resultado põe em xeque meta do governo de
que o país vá crescer 4% no ano
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
Depois de cair 1,3% em junho (dado revisado),
a produção industrial avançou 0,6% em julho, na
série com ajuste sazonal, puxada pelo desempenho de bens de capital
e de insumos industriais. Apesar da recuperação, a indústria
ainda opera a um ritmo 0,8% inferior ao verificado em maio deste ano.
Em relação a julho de 2005, a indústria cresce
3,2%. Segundo analistas, o primeiro indicador do terceiro trimestre
confirmou as expectativas mais modestas do mercado sobre o crescimento
da economia. "O resultado reforça a tese de que o crescimento
da economia será inferior a 3,5% e põe em xeque a expectativa
de crescimento do governo de 4%", disse Alex Agostini, economista
da Austing Rating. A indústria foi apontada como um dos principais
fatores responsáveis pelo fraco desempenho da economia no segundo
trimestre, com expansão de 0,5%.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística) classificou o desempenho como "suave crescimento".
Segundo Silvio Salles, chefe do departamento da indústria do
IBGE, a taxa de 0,6% é uma conjugação de mercado
interno e câmbio. "O coeficiente de abertura da economia
brasileira ainda é relativamente baixo. Nesse sentido, os estímulos
do mercado interno tendem a prevalecer sobre o mercado externo. Setores
mais sensíveis a exportação e importação
vêm tendo desempenhos bastante negativos sem apresentar queda
no varejo, o que indica que há penetração de produtos
importados nessas áreas", disse. Salles destacou também
a estabilidade do crédito, após a expansão dos
últimos meses.
A produção cresceu em 17
dos 23 setores na comparação com o mês anterior.
A retomada da expansão industrial foi puxada por setores que
enfrentaram paradas para manutenção nos últimos
meses. A indústria extrativa cresceu 5,2% com o aumento da extração
de petróleo após parada para manutenção
de algumas plataformas em junho. A produção da metalurgia
básica cresceu 4,2%, impulsionada pela retomada das atividades
de um alto-forno da CSN. Outros setores tiveram impacto positivo, como
veículos (2,0%), outros produtos químicos (2,9%) e bebidas
(4,4%). Em compensação, setores como refino de petróleo
e produção de álcool recuaram 3,4%, e a farmacêutica
teve queda de 5,0%.
Entre as categorias, bens de capital
(máquinas e equipamentos) e bens intermediários (insumos)
lideraram a expansão, com crescimento em julho de 1% cada um.
Já os bens de consumo semi e não-duráveis (roupas
e alimentos) cresceram 0,4%, puxados pela alta da massa salarial e dos
programas de transferência de renda. O principal resultado negativo
veio da produção de bens duráveis, como móveis
e eletrodomésticos, que recuou 0,2% em julho. Trata-se do terceiro
recuo consecutivo do segmento, período em que acumula queda de
1,9%. Em julho, destaca-se o resultado negativo da produção
de celulares, com queda de 12,4% em julho na comparação
com igual mês do ano passado. A produção de mobiliário
recuou 7,9% na mesma base de comparação. A indústria
brasileira cresce 2,7% de janeiro a julho. Os bens duráveis lideram
a expansão, com alta de 6,6%.
Para Giovanna Rocca, economista
do Unibanco, o arrefecimento da produção de duráveis
é natural após a forte expansão do crédito.
"Chegamos a um ponto em que a capacidade do consumidor de tomar
mais crédito e comprar está mais reduzida, esse movimento
de ajuste deve continuar", disse. Na avaliação de
Guilherme Maia, da consultoria Tendências, o destaque positivo
do resultado é o crescimento dos bens de capital, o que pode
indicar uma retomada, ainda que em ritmo moderado, dos investimentos.
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Folha de São Paulo,
6 de setembro de 2006
PF prende 36 por comércio madeireiro
ilegal feito em Rondônia e Mato Grosso
RENATA BAPTISTA
DA AGÊNCIA FOLHA
A Polícia Federal realizou ontem,
em conjunto com o Ibama, uma operação para desarticular
uma organização criminosa que vinha promovendo, havia
cerca de dez anos, o comércio ilegal de madeira em Rondônia
e Mato Grosso. Até o início da noite de ontem, 36 pessoas
haviam sido presas -32 em dez municípios de Rondônia e
quatro em Rondonópolis (MT). Cerca de 250 policiais federais
de Rondônia, Roraima, Amazonas, Acre, Mato Grosso e do Distrito
Federal atuaram na operação, que foi chamada de "Daniel",
inspirada na passagem bíblica em que esse profeta é atirado
na cova dos leões e sobrevive ileso.
A Justiça Federal de Ji-Paraná
(RO) expediu 58 mandados de prisão temporária (com prazo
de cinco dias, podendo se estender por mais cinco) e 63 de busca e apreensão.
Entre os acusados estão servidores do Ibama de Ji-Paraná
e Costa Marques (RO), agentes da Polícia Rodoviária Federal
em Rondonópolis (MT), um coordenador da Secretaria de Desenvolvimento
Ambiental de Rondônia e um ex-superintendente do Ibama no Estado,
além de empresários, advogados e contadores. Eles responderão
por delitos como formação de quadrilha, corrupção
e crimes ambientais.
De acordo com a PF, a quadrilha
usava declarações falsas de compra e venda de madeira
e reposição florestal e contava com o apoio dos policiais
rodoviários federais em Rondonópolis, que liberavam as
cargas retiradas de unidades de conservação de Rondônia
ou de áreas desmatadas ilegalmente. As investigações
começaram em março, após denúncia de um
funcionário do Ibama. Ele disse que foi pressionado por madeireiros
a liberar ATPFs (Autorização de Transporte de Produtos
Florestais) para empresas fantasmas. Teria recebido propostas de R$
2.000 a R$ 5.000 por ATPF. Com autorização judicial, a
PF filmou as propostas ao funcionário.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Economia
SISTEMA BANCÁRIO-Conselho Monetário
aprova pacote de medidas para reduzir custos
Conta e dívida poderão
ir para banco mais barato
Brasília – O governo federal anunciou ontem um pacote de
medidas que permitirá a redução dos custos dos
bancos, o aumento da competição entre as instituições
financeiras e a melhor análise de risco para empréstimos.
As medidas, regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)
em reunião extraordinária, dão ao cliente bancário
maior facilidade para transferir o salário e dívidas de
um banco para outro, o que, em tese, pode aumentar a concorrência
no setor.
Também reduzem os custos dos bancos
com a diminuição da alíquota do Fundo Garantidor
de Crédito e aumentam o número de informações
disponíveis sobre cada cliente, o que deve beneficiar os bons
pagadores: “O objetivo é criar condições
para maior competição no sistema financeiro, beneficiando
os tomadores de crédito de modo a reduzir as taxas de juros”,
afirmou o ministro da Fazenda Guido Mantega.
Ficaram de fora do pacote o fim
da TR e o crédito consignado para a compra de imóveis.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Economia
SISTEMA BANCÁRIO
Pacote para os bancos
As principais medidas anunciadas pelo governo são as seguintes:
Conta Salário
– As empresas serão obrigadas a partir de 1.º
de janeiro de 2007 a abrir uma conta salário para os funcionários,
que poderão depois transferir o dinheiro para o banco de sua
preferência sem nenhum custo. Embora já exista há
dois anos, a conta salário é hoje opcional e os bancos
criam dificuldades para transferir o dinheiro para a instituição
de sua escolha. Entre as dificuldades está a cobrança
de uma taxa de transferência. A mudança só valerá
a partir de janeiro porque os bancos precisam de tempo para adaptar
seus sistemas. No caso de convênios já firmados entre bancos
e empresas para que o salário dos funcionários seja depositado
em determinada instituição financeira, Mantega disse que
o CMN ainda vai decidir como implementar essa mudança.
Transferência
de dívidas – O governo autorizou que o cliente de
um banco transfira um empréstimo que ainda não terminou
de pagar para outra instituição financeira sem arcar com
custos de CPMF e IOF. Dessa forma, o cliente poderá sempre negociar
uma menor taxa de juros com os bancos. Hoje o devedor já pode
tomar um empréstimo em outro banco e pré-pagar uma dívida
que não venceu. Os bancos, entretanto, impõem dificuldades
para esse tipo de operação, como obrigar o cliente a procurar
uma agência distante, por exemplo. Agora o governo estabeleceu
que o cliente pode autorizar o banco que concedeu o novo empréstimo
a pagar o antigo. Além disso, a tarifa de pré-pagamento
será fixada pelo governo e vai cair à medida em que o
empréstimo estiver mais próximo de ser quitado. A portabilidade
das dívidas, entretanto, não valerá para o crédito
habitacional nem para empréstimos com desconto em folha de pagamento.
Cadastro positivo
– Medida provisória vai regulamentar a criação
de um cadastro do cliente e estabelecer que os bancos deverão
repassar essas informações para outra instituição
financeira caso essa pessoa deseje mudar de banco.
Central de risco
– O Banco Central vai ampliar o histórico de dados
de clientes de instituição financeiras. Até hoje
apenas as operações de crédito acima de R$ 5 mil
eram registradas no BC. A partir de março de 2007 operações
superiores a R$ 3 mil entrarão no cadastro, que continua a ser
disponível para consulta dos bancos. Já ao final de 2007
todas as operações acima de R$ 1 mil ficarão registradas.
A idéia é que o cliente com histórico de bom pagador
possa ser “disputado” pelas instituições financeiras
e tenha acesso a juros mais baixos. Mantega justificou os longos prazos
para a implementação da medida com a necessidade de sofisticar
os sistemas de armazenagem de dados do BC.
Fundo Garantidor
de Crédito – O governo reduziu a alíquota
de contribuição dos bancos ao Fundo Garantidor de Crédito
de 0,003% para 0,0015% do total de depósitos. Esse fundo foi
criado na década de 90, após a crise dos bancos Nacional
e Econômico, com o objetivo de ressarcir os clientes em caso de
quebra das instituições financeiras. Os clientes passaram
então a poder sacar até R$ 20 mil em caso de crise de
liquidez do banco onde têm conta. Como o fundo já dispõe
de cerca de R$ 10 bilhões em caixa e como o sistema financeiro
é hoje considerado mais maduro, o governo entendeu que era possível
baixar a alíquota. Além disso, o governo elevou de R$
20 mil para R$ 60 mil o limite de saque se o banco quebrar. Como a medida
reduz os custos dos bancos, tem potencial para levar à queda
dos juros.
O pacote não incluiu outras duas
medidas que foram bastante discutidas pelo governo nas últimas
semanas:
Fim da TR
– O governo quer acabar com a TR (taxa referencial) como indexador
de empréstimos para a compra de imóveis. Hoje está
em cerca de 3% e é utilizada pelos bancos para corrigir empréstimos
habitacionais concedidos com recursos depositados na caderneta de poupança.
Como a poupança está indexada à TR, a idéia
é manter o casamento dessa remuneração com os juros
cobrados no crédito habitacional como forma de reduzir os riscos
dos bancos. O governo, entretanto, avalia que com a estabilidade da
economia o risco para o banco com o descasamento é baixo. Já
o cliente ganha em previsibilidade com o fim da TR porque os juros dos
empréstimos passam a ser prefixados. Dessa forma, o comprador
do imóvel pode saber a prestação que vai pagar
do começo ao fim do financiamento e pode avaliar melhor o negócio
de acordo com sua capacidade de pagamento. No longo prazo, a medida
pode contribuir para baixar a inadimplência.
Crédito consignado para
a habitação – Compradores
de imóveis poderiam utilizar o próprio salário
como garantia ao banco de que vão pagar as prestações
do empréstimo. O crédito com desconto em folha só
está hoje disponível para empréstimos com prazo
de pagamento de até 36 meses, mas o crédito habitacional
se estende por até 20 anos. Ao permitir que o banco desconte
da folha de pagamento a parcela do empréstimo habitacional, o
governo espera criar condições para que as instituições
financeiras reduzam os juros. O tomador do crédito, entretanto,
deve estar ciente de que não poderá utilizar aquela parcela
do empréstimo comprometida com o banco por um longo período.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Brasil
CONGRESSO-Deputados aprovam votação
aberta para todas as deliberações do Congresso
Câmara dá o 1.º
passo para acabar com voto secreto
Brasília – A Câmara
dos Deputados aprovou em primeiro turno a emenda à Constituição
que acaba com o voto secreto em todas as deliberações
do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e das Câmaras
Municipais, o que inclui as sessões de cassação
de mandato.
Foram 383 votos a favor, 75 a mais do
que o mínimo necessário para aprovação de
uma modificação na Constituição. Outros
4 deputados se abstiveram. Não houve voto contra.
Dos 67 deputados federais que sofrem processo de cassação
de mandato por suposta participação na máfia dos
sanguessugas, 28 não compareceram à sessão de ontem.
Dos que estiveram presentes, todos votaram favoravelmente à emenda,
à exceção de Wanderval Santos (PL-SP), Adelor Vieira
(PMDB-SC) e Reinaldo Betão (PL-RJ), que se abstiveram.
Segundo turno
A emenda tem que ser aprovada ainda em
segundo turno e passar por outras duas votações no Senado.
Como o Congresso retoma a partir desta quinta-feira o chamado “recesso
branco” até as eleições, a tendência
é que as outras votações só ocorram após
1.º de outubro.
“Essa votação constitui
uma vitória da democracia, da população. A Câmara,
Casa de representação do povo, se aproxima da vontade
da sociedade quando toma decisões como essa”, afirmou Aldo
Rebelo (PC do B-SP), presidente da Câmara. “É importante
vir à tribuna hoje para registrar um dia histórico. Um
dia em que o Congresso interrompe sua marcha rumo à autodestruição”,
discursou antes da votação o deputado Fernando Gabeira
(PV-RJ), da CPI dos Sanguessugas.
PFL, PSDB e PL tentaram até o
último momento incluir na emenda a exceção para
as eleição das Mesas (presidentes, vices e secretários),
que continuariam secretas, mas PT e outros partidos romperam acordo
esboçado no dia anterior.
Em tese, os deputados processados
por suposto envolvimento com a fraude dos sanguessugas são os
principais prejudicados caso a medida entre em vigor, já que
os deputados tendem a sofrer grande pressão da opinião
pública e de suas bases políticas para votar favoravelmente
à punição.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Brasil
RESISTÊNCIA
Senado protesta e pode limitar
proposta de voto aberto
Brasília – A exigência do voto aberto para todo tipo
de sessão, aprovada na Câmara, gerou protestos ontem no
plenário do Senado. Vários senadores foram à tribuna
reclamar que só abrem mão do fim do sigilo para votar
cassações de mandato. O principal argumento dos senadores
é que haveria constrangimento da Casa para vetar nomeações
de autoridades, incumbência exclusiva do Senado. Cabe à
Casa chancelar a indicação de embaixadores e indicados
para cargos do Judiciário.
Presidente da Comissão de
Constituição e Justiça, que deve analisar a proposta
de emenda, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) foi um dos
mais enfáticos ao criticar a proposta: “Confesso, com toda
a coragem, que, voto aberto para tudo, sou contra. É o princípio
da ditadura que o Lula quer implantar no país”, disse.
As críticas não se restringiram à oposição.
“A Câmara, lamentavelmente, mantém esse muro com
o Senado, não dialogou”, afirmou Tião Viana (PT-AC).
O líder da oposição, José Carlos Aleluia
(PFL-BA), disse que o Senado alterará vários pontos na
proposta, o que vai atrasar a sua entrada em vigor.
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 06 de setembro de 2006 | Economia
DINHEIRO NO DESVIO-As despesas do governo
central devem atingir 19,4% do PIB e exigir arrecadação
tributária maior
Gasto público sobe pelo 5.º
ano seguido
“O governo gasta muito, e gasta mal.”
Não importa quem vença a eleição presidencial,
o tradicional discurso da oposição tende a ganhar reforço
no ano que vem, ao menos no que se refere à quantidade gasta pela
União: as despesas do governo central deverão subir pelo
quinto ano consecutivo, atingindo 19,4% do Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro, segundo projeção da consultoria paulista Rosenberg
& Associados. Há nove anos, esse porcentual estava em 15%.
Boa parte do incremento se dará
em despesas que não podem ser eliminadas, caso dos salários
do funcionalismo, das aposentadorias e pensões. Para compensar
o novo aumento dos gastos, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT) prevê que são grandes as chances de que a carga
tributária do país cresça pelo quarto ano seguido
em 2007, principalmente se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
se reeleger. Pior para empresas e trabalhadores que contribuem com o
Fisco, que novamente terão de bancar essa conta.
Em abril, o governo até incluiu em seu projeto de Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO) enviado ao Congresso a meta de reduzir
as despesas em 0,1% do PIB a cada ano pelos próximos 10 anos.
Mas agora, às vésperas das eleições, o Executivo
ignorou completamente essa idéia, a julgar pela proposta orçamentária
que acaba de preparar – que prevê aumento das despesas em
todas as áreas.
Mesmo se o governo estivesse de fato
comprometido em reduzir a sangria, especialistas advertem que o puro
e simples corte de gastos não é suficiente. “O ideal
é fazer mais com menos, e não fazer menos”, diz
Caio Marini, professor da Fundação Dom Cabral e pesquisador
do Instituto Publix. “Quando o governo faz ajuste fiscal sem critério,
reduz ainda mais a qualidade de seus serviços.”
Para o economista Otávio Aidar,
da Rosenberg & Associados, o crescimento dos gastos com salários
e programas sociais “assistencialistas”, compensado pela
redução dos investimentos públicos, é um
dos mais importantes gargalos da economia brasileira. “O Estado
não investe em capacidade produtiva e infra-estrutura e não
deixa o mercado fazê-lo”, escreveu o economista em relatório
divulgado na última segunda-feira, citando que a alta carga tributária
impede o setor privado de fazer os investimentos que o governo deixou
de lado.
O economista Raul Velloso, especialista
em finanças públicas, segue essa mesma linha. Segundo
ele, os gastos são muito altos porque, a partir da Constituição
de 1988, o Estado passou a ser encarado como um “resolvedor das
mazelas sociais”.
“O setor público investidor,
existente até os anos 70, ficou para trás. Hoje a idéia
é de que se resolve tudo gastando mais, principalmente na área
social. Basta constatar que as áreas da previdência, assistência
social e saúde dominam as despesas”, diz Velloso. “E
nessas áreas o potencial de desperdício e fraude é
muito grande. Por exemplo: a despesa com auxílio-doença
passou de R$ 3 bilhões para R$ 11 bilhões em cinco anos,
sem que haja indício de que a população ficou mais
doente nesse período.”
A tão disseminada idéia
de corte nos gastos com políticas sociais, no entanto, tem opositores.
“Sempre que se fala em economizar, é nos gastos sociais.
Mas na verdade eles precisam ser ampliados, e não reduzidos”,
diz o sociólogo Ricardo Costa de Oliveira, professor da Universidade
Federal do Paraná. “O que deve ocorrer é uma distribuição
mais justa da tributação, e não necessariamente
o corte desses repasses para reduzir os tributos, como têm defendido
alguns candidatos da oposição.”
Serviço:
Na edição de amanhã, a série Dinheiro no
Desvio traz a última reportagem sobre o sistema tributário
brasileiro.
Fernando Jasper

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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Economia
DINHEIRO NO DESVIO
Maior pressão vem de reajuste
salarial
O recente aumento do salário mínimo e dos vencimentos
do funcionalismo público federal estão entre os principais
fatores que sugerem “um processo de profundo desgaste das contas
públicas” a partir de 2007, na avaliação
da consultoria Rosenberg & Associados. Somente o aumento de 16,7%
do salário mínimo elevou em 8,4% os valores destinados
a benefícios previdenciários, nas contas da consultoria.
O quesito “pessoal e encargos”, por sua vez, tende a terminar
2006 com crescimento de 9% sobre o ano passado, em função
dos reajustes concedidos ao funcionalismo público.
Depois dos chamados “encargos especiais”
– transferências constitucionais a estados e municípios
e pagamento de juros da dívida pública, que consomem mais
de 60% da arrecadação –, a Previdência Social
é o maior desembolso do governo. No ano passado, 17% das despesas
totais foram destinadas ao pagamento de pensões e aposentadorias,
com crescimento de quase 14% em relação ao ano anterior,
segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira
do Governo Federal (Siafi).
“Existe solução para
o problema da Previdência, mas somente com medidas drásticas,
que são impopulares. E nenhum político quer, ou tem a
coragem de implementá-las”, afirma Luiz Afonso Cerqueira,
vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças
(Ibef-PR).
Além do reajuste do funcionalismo,
outro fator que é alvo de críticas de economistas é
o aumento do número de servidores. Para 2007, a proposta orçamentária
do governo autoriza a contratação de nada menos que 46
mil funcionários públicos. Mas, para Blênio Severo
Peixe, especialista em planejamento e orçamento e professor da
Universidade Federal do Paraná, não se pode chamar de
problema a crescente contratação de servidores ou os reajustes
concedidos a eles.
“O dinheiro aplicado nos
servidores tem bom retorno. Basta observar que, nos últimos 15
anos, a prestação de serviços públicos evoluiu
muito”, diz Peixe. “Ruim é o excesso de cargos comissionados,
aqueles que os governantes destinam a quem quiser, e que estão
no centro de muitos escândalos, como o que deu origem à
CPI dos Correios.” (FJ)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Economia
DINHEIRO NO DESVIO
Movimentos exigem mais eficiência
O brasileiro só vai exigir mais qualidade na aplicação
do dinheiro público no momento em que souber o quanto paga em
impostos. Foi com essa idéia que o movimento “De olho no
imposto” conseguiu coletar 1,56 milhão de assinaturas e
entregar ao Congresso um projeto de lei que, se aprovado, obrigará
a inclusão do valor dos tributos na nota fiscal de produtos e
serviços. O projeto regulamenta o parágrafo 5.º do
artigo 150 da Constituição, que prevê que os consumidores
devem ser esclarecidos sobre os impostos que incidam sobre mercadorias
e serviços.
Foram esses impostos – embutidos
em 20% do preço da farinha de trigo e quase 50% da fatura de
energia elétrica, por exemplo –, que mais cresceram no
Brasil desde a Constituição de 1988. Como, do ponto de
vista político, é mais complicado elevar tributos sobre
renda e patrimônio – mais facilmente detectáveis
pelo cidadão –, os governos preferem mexer nos chamados
impostos sobre consumo.
Capitaneado pela Associação
Comercial de São Paulo (ACSP) e pelo Instituto Brasileiro de
Planejamento Tributário (IBPT), o “De olho no imposto”
tem a companhia do “Quero Mais Brasil”, que pede “menos
impostos, mais cuidado com o gasto público, mais investimento
nos brasileiros, menos corrupção”. Com o apoio do
instituto de pesquisas independentes Millenium e de figuras conhecidas
do público – como o publicitário Washington Olivetto
e a dupla Sandy & Júnior –, o “Quero Mais Brasil”
aposta em mensagens enviadas pela população e por entidades
de classe, que serão encaminhadas a governantes como forma de
pressioná-los a “influenciar o país na direção
certa”. (FJ)
Serviço:
www.deolhonoimposto.org.br e www.queromaisbrasil.com.br
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Brasil
CONGRESSO-Lei que unifica a cobrança
de oito tributos é aprovada na Câmara e segue para o senado
Proposta para pequena empresa avança
Brasília – O Plenário da Câmara dos Deputados
aprovou ontem o texto básico da Lei Geral das Micro e Pequenas
Empresas (PLP 123/04), que simplifica impostos e reduz a burocracia
para empresas que faturam até R$ 2,4 milhões por ano.
Foram 308 votos favoráveis, 6 contra e 3 abstenções.
Agora, o texto segue para votação no Senado.
A lei prevê, entre outras coisas,
a unificação de oito tributos, inclusive o ISS e o ICMS.
Segundo o relator, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), o faturamento
das empresas deve crescer em ate 20% com a unificação
dos impostos.
Além dessas medidas, a proposta também estabelece que
será instituída a pré-empresa, para regularizar
a situação de empresas que faturam até R$ 36 mil
anuais, que terão a possibilidade de recolhimento menor à
Previdência (11%, contra os atuais 25%). Com a pré-empresa,
serão beneficiados 9,5 milhões de brasileiros autônomos,
segundo o Sebrae, que poderão ter INSS, mas com aposentadoria
por idade, e não por tempo de serviço.
A renúncia fiscal do governo federal,
apenas da Receita Federal, é de R$ 5,3 bilhões.
Informalidade
O presidente do Sebrae, Paulo Okamotto,
comemorou a decisão e disse que 5 milhões de empreendimentos
poderão sair da informalidade nos próximos cinco anos.
Segundo ele, deverão ser gerados
no país 2 milhões de empregos com carteira assinada nos
próximos dois anos.
“A semana da Independência
do Brasil começou com o pé direito. Os parlamentares deram
um presente extraordinário as micro e pequenas empresas”,
disse Okamotto, que acompanhou a votação.
O relator do projeto afirmou que a aprovação
do texto no Plenário da Câmara representa um momento histórico
para o país e consolida uma luta que começou há
15 anos. “É um dos maiores avanços no caminho de
uma reforma tributária que assegure um ambiente favorável
para este segmento”, segundo Luiz Carlos Haully.
Ele disse que não acredita em
mudanças quando a Lei Geral chegar ao Senado.
O parlamentar afirmou que os deputados
conversarão com os senadores para que o texto aprovado na Câmara
também seja referendado naquela Casa legislativa.
Carga tributária
O líder do PT na Câmara,
Henrique Fontana, destacou que a aprovação da Lei Geral
vai possibilitar uma redução para as pequenas empresas
de até 50% da carga tributária atual.
Ele disse, ainda, que o texto aprovado
não fere direitos trabalhistas: “Eles serão reforçados
porque milhões de trabalhadores serão incorporados ao
trabalho formal.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Brasil
PROPOSTA
A nova lei
Como é hoje
• As microempresas são aquelas
com renda bruta anual igual ou inferior a R$ 240 mil, e as pequenas,
a R$ 2,4 milhões.
• Para elas, um único tributo,
o Simples, substitui seis tributos federais (Imposto de Renda, CSLL,
Cofins, PIS/Pasep, IPI e contribuição previdenciária
patronal).
• As alíquotas básicas
variam de 3% a 12,6%, dependendo da faixa de renda bruta.
• Cada estado e município
pode estabelecer seus próprios critérios de tributação
e definição de micro e pequena empresa.
• Indústria e comércio
participam do sistema, mas há restrições ao setor
de serviços.
Como fica
• Os limites de renda para a definição
de micro e pequena empresa não mudam.
• O novo Simples, ou Supersimples,
substitui, além dos seis tributos federais, o ICMS (principal
tributo estadual) e o ISS (principal tributo federal).
• As alíquotas básicas
vão de 4% a 11,61%, mas as possibilidades de variação
se ampliam, dependendo do setor e do número de empregados.
• A definição de
micro e pequena empresa passa a ser a mesma em todo o país. Estados
mais pobres podem aplicar o Supersimples gradualmente.
• Amplia-se a participação
do setor de serviços no sistema.
Fonte: Projeto aprovado pela Câmara dos Deputados.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Economia
RECUPERAÇÃO
Produção de veículos
cresceu em agosto
São Paulo – A produção de veículos
registrou alta de 9% em agosto na comparação com o mês
anterior. O aumento, segundo a Associação Nacional dos
Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), compensou a queda
da produção de julho, quando as montadoras trabalharam
para esvaziar os estoques. Em agosto, foram fabricados 242 mil veículos,
contra 222,8 mil em julho. No acumulado do ano, a produção
chegou a 1,765 milhão de veículos.
Em agosto as exportações
registraram alta de 0,9% em relação a julho e atingiram
US$ 1,068 bilhão. No acumulado do ano, as vendas externas atingiram
US$ 7,7 bilhões, 5,5% acima do registrado no mesmo período
de 2005.
Em relação a vendas
internas, agosto registrou alta de 7,7% na comparação
com o mês anterior. Neste ano foram comercializados 1,2 milhão
de veículos (alta de 10,5% sobre o mesmo período de 2005).
Para 2006, a Anfavea espera um crescimento de 7,1% nas vendas para o
mercado interno, que devem atingir 1,84 mi-lhão de veículos.
Para a produção, a projeção é de
expansão de 4,5%, com 2,64 milhão de unidades.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Economia
PROTESTO
Setor têxtil pede ajuste
tributário e ajuste no câmbio
São Paulo – Pela primeira vez, empresários e trabalhadores
da indústria têxtil e de confecção dividiram
o mesmo palanque para protestar contra a política econômica.
Entidades representativas do setor realizaram ontem pela manhã
manifestação públicas em mais de 20 cidades brasileiras.
Em São Paulo, o ato foi realizado no vão livre do Masp
e reuniu cerca de mil pessoas. Segundo as entidades, por causa das sucessivas
crises, o setor têxtil já demitiu mais de 260 mil pessoas
desde 2002.
“Quermos mostrar as dificuldades
que o setor enfrenta e que precisamos ter condições igualitárias
às de nossos concorrentes estrangeiros para disputar o mercado
em pé de igualdade”, disse o diretor-superintendente da
Associação Brasileira da Indústria Têxtil
e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. Segundo ele,
o setor voltará a apresentar déficit este ano em sua balança
comercial, depois de cinco anos seguidos de superávits. “Esse
quadro é decorrente da carga tributária asfixiante, câmbio
sobrevalorizado, legislação trabalhista ultrapassada,
importações ilegais e os maiores juros do mundo.
Entre outras medidas, o setor propõe a centralização
das importações de produtos têxteis e confecções
em apenas cinco portos do país e a possibilidade de as empresas
compensarem parte do pagamento dos encargos trabalhistas como crédito
para recolhimento do PIS e da Cofins.
O presidente licenciado da Força
Sindical, Paulo Pereira da Silva, defendeu que empresários e
trabalhadores invadam o Porto de Santos para impedir a entrada de produtos
chineses no país, caso o governo não resolva os problemas
que afetam o setor. Pimentel disse que a indústria é competitiva
e não quer proteção artificial, mas exige equilíbrio
na competição com outros países. Ele defendeu acordos
internacionais com grandes blocos econômicos e o fim das importações
ilegais.
Segundo dados do Sinditêxtil-SP,
as exportações do setor em agosto caíram 21% em
relação ao mesmo mês de 2005, para US$ 170,5 milhões.
Em volume, a queda foi ainda maior (42,5%), para US$ 51,8 mil toneladas.
No acumulado do ano, a queda nas exportações foi de 1,1%
e o volume exportado foi praticamente o mesmo, após a indústria,
por cinco anos seguidos, ter alcançado superávits crescentes
na balança comercial e dobrado o volume das vendas.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06 de setembro de 2006
| Imóveis
CONSTRUÇÃO CIVIL
Maior representatividade no Congresso
O setor da construção civil, que responde por 13% do PIB
nacional, não deve ficar à margem das políticas
públicas. Foi com base nessa argumentação que o
presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC), Paulo Safady Simão, defendeu maior representatividade
da construção civil e do mercado imobiliário no
Congresso Nacional, durante encontro realizado na semana passada pelo
Sinduscon-PR, em Curitiba. Para Simão, é a hora de apoiar
quem se identifica com as propostas do setor e está comprometido
com o crescimento do país.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Imóveis
CONSTRUÇÃO CIVIL-Empresas investem
na especialização de seus funcionários para garantir
qualidade da obra
Em dia com a profissão
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Alvino Belgamann (ao centro): curso de mestre-de-obras aumentou os conhecimentos
práticos sobre a profissão.
A construção civil ainda é conhecida como a área
que mais facilmente emprega. Isso porque quem não tem muita qualificação
busca na profissão de servente da construção uma
opção para ganhar dinheiro. Essa é uma realidade
apontada pela maioria das construtoras de Curitiba, que nos últimos
anos luta diariamente para acabar com a falta de qualificação
profissional nos canteiros de obras.
A preocupação com o tipo
de serviço prestado é confirmada por uma pesquisa realizada
no Paraná pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro
e Pequenas Empresas (Sebrae). Ela mostra que os consumidores estão
cada vez mais exigentes em relação à qualidade
dos serviços. Na decisão da contratação
da empresa, a qualidade aparece como o item mais importante para quem
irá reformar. Já para quem vai construir, a qualidade
do serviço perde apenas para o preço na hora de fechar
negócio.
Esses dados refletem na forma de pensar das construtoras. Atualmente,
muitas decidiram investir na qualificação dos funcionários
para valorizar a mão-de-obra.
Na construtora Laguna, o projeto Canteiro
da Educação é o primeiro passo para capacitar os
profissionais. “Existem muitas pessoas que trabalham em obras
e não sabem ler ou escrever, o que dificulta até mesmo
a comunicação entre engenheiros e funcionários”,
afirma o mestre-de-obras da empresa, Alvino Belgamann. O projeto consiste
em aulas de 1.ª à 8.ª série do ensino fundamental
e de inglês para quem já avançou nos estudos.
A construtora também dá
aos funcionários cursos profissionalizantes, em parceria com
o Sebrae. Belgamann se formou recentemente no curso de aperfeiçoamento
em mestre-de-obras e diz estar satisfeito com os resultados. “Comecei
como servente quando tinha 18 anos, por falta de opção
de serviço. Como precisava trabalhar, tive de abandonar os estudos
na 5.ª série e de lá para cá não consegui
mais retornar à sala de aula. O curso que finalizei agora ampliou
meus conhecimentos sobre o meu trabalho”, afirma.
Valdemar Antonio Mortari, da construtora
Casteval, é outro mestre-de-obras recém-formado. “A
qualidade da obra aumentou com a qualificação da equipe,
que inclusive passou a se relacionar melhor depois dos cursos”,
diz. Mortari aconselha aos novos profissionais buscar qualificações
por áreas. “Hoje, as grandes empresas setorizaram as funções,
o que contribui com a qualidade dos serviços. Existe uma pessoa
somente para assentar tijolos e outra para pintar”, explica. Ele
ainda faz uma advertência: “a facilidade que tive para começar
não existe mais hoje. Quem não estudar, dificilmente vai
conseguir um bom emprego nessa área”.
Pollianna Milan
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Imóveis
INFORMALIDADE
Sem registro em carteira
A informalidade é um dos principais fatores que incentiva a falta
de qualificação profissional, segundo Volmir Selig, diretor
do Sindicato da Indústria da Construção Civil do
Paraná (Sinduscon-PR) e da Associação dos Dirigentes
de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PR). “O funcionário
não irá investir em cursos se não tiver estímulos.
O registro em carteira é importante para que ele busque aperfeiçoamento.”
O maior problema, de acordo com
Selig, é que pedreiros e serventes, por falta de opção,
trabalham sem registro e depois não têm como comprovar
experiência. “É preciso acabar com esse descrédito.
É como um ciclo: hoje eu treino um funcionário e amanhã
ele vai, já treinado, para outra construtora. Da mesma forma,
também posso receber de outras empresas funcionários qualificados
.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Imóveis
HISTÓRICO
Crise na década de 80 evidencia
a falta de qualificação
O engenheiro civil Fabio Frahm, da Construtora Casteval, conta que a
falta de profissionais qualificados começou a aparecer na década
de 80 com a grande crise nacional na construção civil.
“Na época os imigrantes poloneses, italianos e alemães,
que eram artistas natos, deixaram o canteiro de obras para trabalhar
nas indústrias, que forneciam melhores condições
de emprego e salário. Com isso, sobraram vagas de emprego na
construção, que infelizmente foram ocupadas pela mão-de-obra
sem a mesma habilidade”, afirma.
Para ele, foi nesse período
que as construtoras começaram a perceber a necessidade de treinamentos
e cursos de aperfeiçoamento. “Hoje dificilmente se encontra
servente de obra que sabe dar o ponto da argamassa apenas com a enxada.
Esse profissional não existe mais, até porque atualmente
os produtos vêm prontos”, analisa.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de setembro de 2006 | Imóveis
Opções de Cursos
O Sebrae tem cursos na área da construção civil.
Veja quais são:
* Dosagem de concreto
* Auto Cad 2D
* Tecnologia em materiais de concreto
* Carpinteiro telhadista
* Instalador de construção a seco
* Instalador hidráulico
* Leitura e interpretação de projetos da construção
civil
* Metodologia básica para elaboração de orçamento
de obras
* Operador de elevador de obras
* Operador de serra circular
* Pintor
* Pintura decorativa
* Serralheiro de alumínio
* Aperfeiçoamento para azulejista
* Aperfeiçoamento para mestre-de-obras
* Calfinador de paredes
* Manutenção predial
* Sistema de impermeabilização.
Para a matrícula é
exigido RG, comprovante de residência e pagamento da primeira
parcela do curso. O preço varia R$ 15 (azulejista) a R$ 840 (mestre
de obras). Informações: (41) 3271-7777 ou 3271-8550.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 06 de setembro de 2006 | Economia
Número de horas trabalhadas na
indústria cresce 1,4%
Além disso, o emprego e as vendas reais
da indústria apresentaram crescimento em julho, ante mesmo mês
de 2005
Gustavo Freire
BRASÍLIA - O número de
horas trabalhadas na produção industrial cresceu 1,4%
em julho em comparação com julho do ano passado, enquanto
o emprego na indústria teve uma expansão de 2,01% em julho
em relação ao mesmo mês de 2005. Além disso,
as vendas reais da indústria cresceram 2,69% no mesmo período.
As informações são da pesquisa divulgada pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira.
Ante junho, o crescimento nas horas de
trabalho foi de 1,03%. O índice dessazonalizado apontou para
uma expansão de 1,20% no mesmo período de comparação.
"Os juros mais baixos, que contribuem
para a elevação do crédito, e aumentos na massa
real de salários e dos recebimentos de benefícios sociais,
que aumentam a renda das famílias, estimulam o consumo com reflexos
positivos na produção da indústria", diz a
CNI, em nota.
A expansão de janeiro a julho
deste ano, em comparação com o mesmo período do
ano passado foi de 0,84% de acordo com os dados da CNI.
Emprego
O emprego na indústria teve um
crescimento de 0,31% em julho em relação a junho. O índice
dessazonalizado apontou para uma expansão do emprego no mesmo
período de 0,40%. "Trata-se de um ritmo de expansão
forte, que se assemelha ao observado em 2004 e início de 2005",
disse nota da CNI.
Na mesma nota, a CNI ressalta que julho
foi o terceiro mês consecutivo de crescimento do emprego industrial
pelo índice dessazonalizado. Na comparação de janeiro
a julho deste ano com igual período do ano passado, o aumento
do emprego na indústria foi de 4,52%.
Vendas
De acordo com as informações
do CNI, as vendas reais da indústria caíram 1,6% em julho,
em relação a junho. "Essa queda deveu-se não
só à apreciação do câmbio como também
ao efeito calendário", avaliou a entidade em nota distribuída
à imprensa.
A CNI destacou que o mês de julho
teve menos dias úteis do que o usual pelo fato de ter havido
com cinco sábados e cinco domingos. Por esse motivo, o índice
dessazonalizado para as vendas reais da indústria ainda mostrou
crescimento de 0,94% na comparação entre julho e junho.
De acordo com a CNI, este é o terceiro mês consecutivo
de crescimento do indicador dessazonalizado.
Já na comparação
do período de janeiro a julho ante igual período de 2005,
as vendas da indústria apresentaram queda de 0,68%.
Capacidade instalada
O índice de utilização
da capacidade instalada da indústria ficou em 81,6% em julho.
O índice é menor que os 82,4% de junho deste ano, e igual
aos 81,6% de julho de 2005.
"A combinação de aumento
na atividade industrial com a manutenção do índice
de utilização da capacidade instalada só foi possível
com a maturação de investimentos no parque produtivo",
afirma a nota distribuída pela CNI.
Com a dessazonalização,
o índice ficou nos mesmos 81,6%. Em junho, estava em 82%. Em
julho do ano passado, o porcentual da capacidade instalada estava nos
mesmos 81,6%.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 06 de setembro de 2006 | Economia
Greve de 24 horas limita atendimento no
INSS
Entre as 26 agências da Previdência
Social na cidade de São Paulo, apenas 14 funcionaram normalmente,
segundo balanço divulgado na manhã desta terça-feira
Solange Spigliatti
SÃO PAULO - Entre as 26 agências
da Previdência Social na cidade de São Paulo, 14 funcionaram
normalmente, 9 têm o atendimento limitado a exames de perícia
médica já marcados e 3 realizam apenas exames médico-periciais,
além de outros serviços pré-agendados, segundo
o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O balanço da paralisação
de 24 horas dos servidores do órgão na Capital e Grande
São Paulo foi divulgado na manhã desta terça-feira,
5.
Na Grande São Paulo, de um total
de 17 unidades, 10 prestam seus serviços sem interrupção,
6 mantêm apenas o atendimento de perícias já marcadas
e uma realiza outros atendimentos pré-agendados, além
dos exames periciais.
Das 127 agências do Interior, 116
atendem normalmente, 8 mantêm apenas o atendimento de perícias
já marcadas e 3 estão com atendimento restrito a perícias
médicas e outros serviços pré-agendados.
Os servidores prometem parar uma
vez por semana por 24 horas para protestar contra o Plano de Carreiras,
Cargos e Salários apresentado pelo governo e também cobrar
a definição do índice de reajuste salarial válido
para 2007.
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CONSULTOR JURÍDICO,
06 de setembro de 2006
Débito trabalhista: Mais de mil
empresas cadastram contas para bloqueio
O cadastro aberto pela Corregedoria-Geral
da Justiça do Trabalho para que os empregadores indiquem em qual
conta bancária preferem sofrer bloqueio para pagamento de débitos
trabalhistas já conta com 1.610 empresas inscritas. O cadastro
foi aberto, em julho de 2003, por determinação do então
corregedor e hoje presidente do TST, ministro Ronaldo Lopes Leal.
Dados da comissão do Bacen-Jud
informam que cerca de 60% das execuções são inferiores
a R$ 10 mil e menos de 5% ultrapassam R$ 100 mil.
O Bacen-Jud é um sistema eletrônico
desenvolvido em 2002 pelo Banco Central para atender as solicitações
de todo o Poder Judiciário referentes a bloqueio de contas correntes
de pessoas físicas ou jurídicas com débito na Justiça.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
06/09/2006
Aposentadoria: multa do FGTS só incide
sobre período posterior
O empregado que se aposenta voluntariamente
mas permanece no emprego não tem direito à multa de 40%
sobre os depósitos do FGTS em relação ao período
anterior à jubilação. Ao ser demitido sem justa
causa, a multa incidirá apenas sobre o período posterior
à aposentadoria, uma vez que já conta com fonte de renda
para fazer frente à inatividade. A decisão é da
Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho no julgamento de recurso
de revista de três ex-empregados da Companhia Estadual de Energia
Elétrica (CEEE).
O entendimento adotado pelo ministro
relator, Ives Gandra Martins Filho, e seguido pelos demais integrantes
da Turma, foi o de que a solução pedida pelos ex-empregados
– a incidência da multa sobre o saldo total dos depósitos
– “desvirtuaria a finalidade pela qual o FGTS e sua suplementação
foram instituídos, que é o provimento de recursos financeiros
para o período de inatividade do trabalhador, até obter
nova colocação”.
O ministro Ives ressaltou em seu voto
que o FGTS foi instituído pela Lei nº 5.107/66 para substituir
a indenização devida ao empregado estável, quando
dispensado injustamente. Tanto o FGTS quanto a indenização
de 40%, explicou o relator, têm por finalidade garantir recursos
ao trabalhador até que este obtenha novo emprego. “Nesse
contexto, o empregado aposentado voluntariamente, que permanece no emprego,
não tem direito à multa”, concluiu.
Os trabalhadores foram admitidos em 1953,
1959 e 1985. Em 1994, 1995 e 1996, respectivamente, a CEE extinguiu
os contratos de trabalho sob a alegação de “aposentadoria
espontânea”. A aposentadoria junto ao INSS, porém,
ocorreu bem antes, com o conhecimento da empresa, e os funcionários
continuaram trabalhando normalmente. Considerando não ter havido
interrupção do contrato de trabalho, os trabalhadores
pediram em reclamação trabalhista as parcelas rescisórias
e a multa sobre os depósitos do FGTS desde a opção
por este regime.
A Vara do Trabalho de Canoas (RS) julgou
o pedido procedente. Mas no julgamento de recurso ordinário,
o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande
do Sul) adotou entendimento contrário: reconheceu a extinção
dos contratos com a aposentadoria e o estabelecimento de novos, limitando
a condenação da multa aos depósitos relativos ao
segundo contrato.
O processo veio para o TST como recurso
de revista dos empregados, e o entendimento foi mantido pela Quarta
Turma e pela Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1), que negou provimento a embargos. Ainda inconformados, os ex-empregados
recorreram ao Supremo Tribunal Federal. Por despacho, o ministro Sepúlveda
Pertence deferiu o recurso na parte relativa à extinção
do contrato de trabalho em razão de aposentadoria espontânea,
uma vez que o STF já havia decidido, no julgamento do RE 449.429,
em 16/08/2005, no sentido da continuidade do contrato. “A aposentadoria
espontânea pode ou não ser acompanhada do afastamento do
empregado de seu trabalho”, registrou o ministro Pertence. “Só
haveria readmissão quando o trabalhador aposentado tivesse encerrado
a relação anterior de trabalho e posteriormente iniciado
outra; caso haja continuidade do trabalho, mesmo após a aposentadoria
espontânea, não se pode falar em extinção
do contrato de trabalho e, portanto, em readmissão”.
Com isso, determinou-se a volta
do processo à Quarta Turma para que prosseguisse o julgamento
sem a premissa da existência de dois contratos. Mesmo considerando
a existência de um único contrato, porém, a Turma
baseou-se na finalidade do FGTS para decidir que a multa só incide
sobre os depósitos posteriores à aposentadoria. (RR 616084/1999.9)
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06/09/2006
Perícia médica após
demissão não impede estabilidade
Uma vez constatado o nexo de causalidade
entre a doença profissional e a atividade desempenhada pelo trabalhador,
é devida a estabilidade prevista na legislação
previdenciária (Lei nº 8.213 de 1991), mesmo que a perícia
médica ocorra após a extinção do contrato
de trabalho. Esse entendimento, consolidado na Súmula 378, II,
do Tribunal Superior do Trabalho foi manifestado pela ministra Maria
Cristina Peduzzi, relatora dos embargos em recurso de revista deferidos
pela Seção Especializada em Dissídios Individuais–1
(SDI-1) do TST a uma ex-empregada da Chocolates Garoto S/A.
A decisão da SDI-1 reforma manifestação
anterior da Quinta Turma do TST, que havia acolhido recurso de revista
da empresa, isentando-a do pagamento de indenização correspondente
ao período de estabilidade temporária a que a trabalhadora
teria direito. A Turma entendeu que o reconhecimento da moléstia
profissional após o término do contrato inviabilizaria
o direito, conforme interpretação do artigo 118 da Lei
nº 8213/91.
“O segurado que sofreu acidente
do trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a
manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após
a cessação do auxílio-doença acidentário,
independentemente de percepção de auxílio-acidente”,
estabelece a norma, também aplicada aos casos de doença
adquirida no trabalho.
A ex-empregada sustentou, na SDI-1, que
a doença ocupacional (lesão por esforço repetitivo
– LER) possuía nexo causal com os serviços prestados
à empresa. Também sustentou que a moléstia teve
início durante a relação de emprego e pediu o restabelecimento
de decisão tomada anteriormente pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 17ª Região (Espírito Santo), que lhe foi favorável.
Ao examinar a questão, Cristina
Peduzzi verificou que a decisão regional baseou-se em perícia
médica, presente aos autos, que confirmou o surgimento da doença
durante o contrato de trabalho, em janeiro de 1993, e motivada pelas
atividades exercidas. Como a dispensa ocorreu em abril de 1994, foi
reconhecido o direito.
As circunstâncias do caso levaram
a relatora a votar pela concessão dos embargos uma vez que o
TST, após a revisão de suas súmulas em 2005, “evoluiu
na jurisprudência no sentido de reconhecer a estabilidade acidentária
mesmo à revelia da percepção do auxílio
previdenciário correspondente, desde que comprovada a doença
e o nexo causal”.
De acordo com o item II da Súmula
378, “são pressupostos para a concessão da estabilidade
o afastamento superior a 15 dias e a conseqüente percepção
do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada,
após a despedida, doença profissional que guarde relação
de causalidade com a execução do contrato de emprego”.
(ERR 423348/1998.1)

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