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FETRACONSPAR,
11 de setembro de 2006
Posse no SINTRACON TOLEDO
Tomou posse no último dia 09 de setembro,
a diretoria do SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS
DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DE TOLEDO,
encabeçada pelo companheiro ANACIR ANTONIO DE ANDRADE,
eleita dia 04/07/2006, para o mandato de 2006/2010. Estiveram
presentes na solenidade os senhores GERALDO RAMTHUN,
Presidente da FETRACONSPAR, Diretor Secretário Regional
da CNTI-PR e 3º Vice-Presidente da NCST Nacional, LOTÁRIO
CLAAS, Presidente do STI da Construção
e do Mobiliário de Marechal Cândido Rondon, CLAUDIR
DOS SANTOS, Presidente do Sindicato dos Oficiais e Marceneiros
de Quedas do Iguaçu, JOÃO MARIA VIANA,
Presidente do Sindicato dos Oficiais e Marceneiros do Estado do
Paraná e ALMIR GUEDES FERNANDES, Presidente
do STI da Madeira e do Mobiliário de Cascavel.
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ANACIR
ANTONIO DE ANDRADE
presidente do SINTRACON TOLEDO |

Um
dos projetos da diretoria é a ampliação da Sede
recreativa do sindicato, que já está em andamento, conforme
foto da obra.
DIRETORIA - 2006/2010
Presidente: ANACIR ANTONIO DE
ANDRADE
Secretário Geral: ODACIR ANTONIO KLEIN
Secretário de Finanças: ADEMIR FOGAÇA
SUPLENTES
ANTENOR DE SOUZA
ANDRÉ JOACIR PEREIRA
JOÃO PEREIRA DE SOUZA
CONSELHO FISCAL – EFETIVOS
ALAOR DE LIMA
VALDIR DE OLIVEIRA SILVA
CLAUDEMIR DE OLIVEIRA SILVA
CONSELHO FISCAL – SUPLENTES
SEBASTIÃO OSVALDO JOSÉ
DE SOUZA
ILÁRIO DA CRUZ LIMA
GEVANILDO RODRIGUES MOREIRA
DELEGADOS REPRESENTANTES –
EFETIVOS
ANACIR ANTONIO DE ANDRADE
ADEMIR FOGAÇA
DELEGADOS REPRESENTANTES –
SUPLENTES
GONÇALO DOS SANTOS
VALDECIR DOS SANTOS CORDEIRO
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Folha de São Paulo,
11 de setembro de 2006
CONTA SALÁRIO
Pacote do governo legalizou venda de folha
de pagamento
SANDRA BALBI
DA REPORTAGEM LOCAL
O pacote de medidas para aumentar a concorrência
bancária e reduzir o custo dos empréstimos, anunciado
pelo governo na semana passada, acabou legalizando uma prática
questionável que vem se instalando desde o ano passado no país
-a do leilão das folhas de pagamentos de grandes empresas. Foram
aprovadas a obrigatoriedade da conta salário, o cadastro positivo
com perfil dos bons pagadores e a transferência de dívidas
dos clientes de um banco para outro, exceto dos empréstimos com
desconto em folha.
"O pacote oficializou os leilões
já realizados ao excluir da obrigatoriedade de abertura de conta
salário os contratos já firmados entre empresas e bancos
para efetuar o pagamento dos trabalhadores", diz Luiz Cláudio
Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São
Paulo.
Os bancos têm pago entre R$ 4 milhões
e R$ 50 milhões para ter a exclusividade do pagamento da folha
salarial de importantes empresas. "Se eles estão pagando,
é porque esperam lucrar com isso, vendendo produtos e serviços
aos trabalhadores. Isso é enriquecimento sem causa", afirma
o ex-presidente da OAB-São Paulo, João Roberto Piza. "Nada
legitima juridicamente uma empresa a negociar o que não é
dela, ou seja, o potencial de consumo de seus empregados", diz
José Eduardo Galdiano, especialista em direito público.
Para Edson Carminatti, analista
do Inepad (Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração),
"o objetivo do governo de aumentar a concorrência bancária
e reduzir o custo dos empréstimos ("spread") não
será atingido com o pacote. "São medidas inexpressivas."
Na sua opinião, só com a queda dos juros e a redução
do recolhimento compulsório de 45% dos depósitos à
vista ao Banco Central haverá queda do "spread". "Os
bancos seriam forçados a competir entre si, com taxas menores
nas operações de crédito, para dar vazão
aos recursos que ficariam disponíveis no sistema com a redução
do compulsório", diz.
O economista Roberto Luiz Troster diz que "as medidas vão
na direção certa mas seus resultados no sentido de reduzir
o "spread" serão pouco perceptíveis".
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Agência Câmara, 08 de setembro
de 2006
Projeto eleva juros do FGTS de 3% para
12% ao ano
O Projeto de Lei 7071/06, da deputada Dra. Clair (PT-PR), eleva para
12% o valor da taxa de juros que corrige anualmente os depósitos
das contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS). Atualmente, esses depósitos são remunerados por
uma taxa de 3% ao ano. A proposta mantém a correção
mensal das contas pelo valor da poupança. O projeto modifica
a Lei 8036/90, que disciplina o FGTS.
Dra. Clair argumenta que o objetivo do
projeto é repassar parte da rentabilidade do fundo, que apresenta
um patrimônio superior a R$ 150 bilhões, "aos verdadeiros
proprietários", que são os trabalhadores.
Objetivos
O FGTS foi instituído em 1966
e reformulado em 1990 pela Lei 8036. O fundo é formado pelas
contribuições compulsórias dos empregadores - que
depositam mensalmente na conta vinculada, na Caixa Econômica Federal,
o equivalente a 8% do provento do trabalhador. Os recursos são
aplicados em saneamento, habitação e infra-estrutura urbana.
Os programas de moradia popular ficam com pelo menos 60% do dinheiro.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo
e será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; Finanças e Tributação;
e Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Agência Câmara,
08 de setembro de 2006
Licença-maternidade pode ser prorrogada
por 60 dias
O Projeto de Lei 7070/06, do deputado Paulo Lima (PMDB-SP), permite
a prorrogação da licença-maternidade por 60 dias.
O benefício só será concedido se for previsto em
acordo ou convenção coletiva. No período extra
da licença, a trabalhadora receberá normalmente o salário.
Em compensação, o empregador poderá descontar o
valor do benefício do Imposto de Renda da empresa.
Segundo o deputado, a legislação
brasileira já avançou em relação à
proteção das mulheres durante a gravidez. Mas ele considera
que o período da licença-maternidade, atualmente fixado
em 120 dias, é insuficiente principalmente para as mães
que amamentam.
A Sociedade Brasileira de Pediatria,
como lembra o autor do projeto, avalia que a presença da mãe
nos primeiros seis meses de vida fortalece os vínculos entre
o bebê e a família, o que contribui para um melhor desenvolvimento
mental da criança. "Essa fase é de extrema dependência
para o bebê e nada substitui o contato com a mãe",
ressalta o parlamentar.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo
e será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; Finanças e Tributação;
e Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Folha
de São Paulo, 07 de setembro de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Alckmin agora diz ser contra a reeleição
Declaração é tida como um
agrado ao governador Aécio Neves (MG), potencial candidato tucano
à Presidência em 2010 | Para cúpula da campanha, um
"socorro" do mineiro pode ser a última chance de o ex-governador
de SP forçar ida ao segundo turno
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em meio ao desânimo de aliados
com a estagnação na pesquisa Datafolha, o presidenciável
Geraldo Alckmin (PSDB) resgatou ontem um dos temas mais polêmicos
de sua campanha e disse, espontaneamente, ser contra a reeleição.
A afirmação foi interpretada pelo comando da campanha
como um recado direto ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves
(PSDB), potencial candidato à Presidência em 2010.
Ao dizer que vai trabalhar contra a reeleição,
Alckmin agrada o governador mineiro pois na hipótese, ainda que
improvável, de o tucano vencer a eleição, Aécio
se tornaria um potencial candidato à vaga. "A reeleição
é um pouquinho mais do mesmo, por isso não acredito em
reeleição", disse ele, em evento da Associação
dos Magistrados Brasileiros. Depois, foi mais enfático: "A
reeleição é uma decisão do Congresso. Em
que puder ajudar, ajudarei para acabar".
O aceno ao governador mineiro havia sido
abordado em duas reuniões reservadas de Alckmin com a cúpula
do PSDB e, depois, do PFL, em Brasília. Em ambas as ocasiões,
a avaliação foi a de que um "socorro" de Aécio
pode ser a última saída para forçar o segundo turno.
Alckmin crê que ainda pode crescer nas intenções
de votos em MG. Também ontem, o candidato tucano atacou as declarações
de Lula de que democracia "não é só coisa
limpa". "É uma barbaridade. Quem pensa dessa forma
não deveria fazer política. Estamos descrendo de uma das
pedras basilares da organização da sociedade."
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Folha
de São Paulo, 07 de setembro de 2006
Ipea reduz a projeção do PIB
para 3,3%
Desempenho no 2º trimestre levou a revisão
para baixo nas projeções de crescimento, consumo das famílias
e investimentos
Para o instituto, país só terá
condições de crescer de forma sustentável (4,5%
a 5,0%) se conseguir elevar os investimentos públicos
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
O fraco desempenho do PIB (Produto Interno
Bruto) no segundo trimestre levou o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada), órgão ligado ao Ministério do Planejamento,
a rever para baixo (de 3,8% para 3,3%) as projeções de
crescimento da economia para 2006. A projeção do instituto
contrasta com a da equipe econômica do governo, que insistiu,
nos últimos dias, em afirmar que a taxa de crescimento de 4%
neste ano ainda é possível.
Para o Ipea, dois fatores levaram a uma
perspectiva mais pessimista de crescimento econômico: o comportamento
das exportações no segundo trimestre, influenciadas pelo
câmbio, e o desempenho do investimento, principalmente em razão
da desaceleração da construção civil. Fatores
pontuais também são citados como responsáveis pela
expansão de apenas 0,5% no segundo trimestre: a Copa do Mundo
em junho, que reduziu o número de dias úteis, a paralisação
de plataformas de petróleo para manutenção e a
greve da Receita Federal.
"O segundo trimestre provavelmente
representou o ponto ao longo do ciclo monetário em que os efeitos
da redução das taxas de juros reais (iniciada em setembro
do ano passado) ainda não se fizeram sentir com muita força
na economia, mas em que os efeitos do câmbio apreciado se mostraram
particularmente intensos", afirma o instituto em seu "Boletim
de Conjuntura". As projeções do Ipea consideram que
a substituição da demanda externa pela interna acabará
por estimular a atividade produtiva. O crescimento de 2006 deverá
ser sustentado pela expansão do investimento e do consumo das
famílias, embora a um ritmo menor do que se previa anteriormente.
A projeção de investimento recuou de 7,8% para 6,0%. A
expansão do consumo das famílias foi revista de 4,8% para
4,3%.
O comportamento das exportações
deverá ser guiado pelo preço e não pela quantidade
exportada. O Ipea projeta crescimento do saldo da balança comercial
de US$ 43,6 bilhões, acima dos US$ 40,4 bilhões projetados
anteriormente. A indústria deverá crescer menos. A projeção
passou de 4,5% para 3,5% na produção industrial mensal,
calculada pelo IBGE. O comportamento do setor foi um dos fatores responsáveis
pelo crescimento menor no segundo trimestre.
Para o Ipea, o real deve continuar valorizado
até o fim do ano. A projeção do câmbio médio
do último trimestre passou de R$ 2,30 para R$ 2,19. O efeito
benéfico da apreciação do real teve impacto também
sobre as projeções de inflação. Com inflação
mais baixa, o Ipea estima que os juros encerrem o ano em 14%, pouco
abaixo da taxa estimada em junho, de 14,2%.
Crescimento sustentável
Para 2007, o instituto prevê expansão
da economia de 3,6%. Segundo Fabio Giambiagi, economista do Ipea, o
país só poderá crescer de forma sustentável
a um ritmo de 4,5% ou 5% quando ampliar o investimento público.
Segundo o economista, nos três primeiros anos do governo Lula
o investimento foi de 0,45% do PIB. Em 2006, essa taxa será um
pouco superior, da ordem de 0,55% do PIB. "Deveríamos ter
como uma possível meta chegar a 1% a 1,5% do PIB até o
fim da década", disse.
Questionado sobre a revisão feita
pelo Ipea para o crescimento do PIB neste ano, o secretário de
Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio
Sérgio Gomes de Almeida, disse que ainda trabalha com uma estimativa
melhor. "Ainda mantemos a projeção de 4% [de crescimento].
Achamos que é um número factível."
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Folha
de São Paulo, 08 de setembro de 2006
PIB de 4% é ficção,
afirmam analistas
Crescimento derrapou no 2º tri e voltou
a andar no 3º tri, mas não terá fôlego para se
expandir como o governo espera
Na história recente do país, foram
raros os trimestres em que taxas próximas a 2% foram alcançadas;
a última vez foi no 2º tri de 1998
MARCELO BILLI
DA REPORTAGEM LOCAL
O desempenho da economia no segundo trimestre
sepultou as chances de o Brasil crescer os 4% esperados pelo governo.
Os primeiros indicadores do terceiro trimestre, é verdade, dão
sinais de que a atividade acelerou-se a partir de julho, mas não
em ritmo que seja suficiente para a economia crescer mais que 3%. "Crescer
4% me parece muito improvável", diz Luis Cezário,
economista do HSBC. Cezário lembra que, para que a economia termine
o ano crescendo a este ritmo, a taxa de expansão do PIB (Produto
Interno Bruto) dos próximos dois trimestres, em relação
ao trimestre imediatamente anterior, teria que girar em torno de 2%,
ritmo muito superior ao parco 0,5% do segundo trimestre. "Para
chegar lá [crescer 4%] teríamos que crescer muito acima
da média. 2% é uma taxa muito elevada [para as condições
atuais da economia brasileira]", diz Giovana Rocca, economista
do Unibanco.
Momentos raros
Na história recente da economia
brasileira, foram raros os trimestres em que taxas próximas a
2% foram alcançadas. A última vez foi no segundo trimestre
de 1998. Apenas em 8 dos 62 trimestres desde o primeiro de 1991 o Brasil
cresceu 2% ou mais. Dois trimestres consecutivos com taxas assim, só
em 1991, 1993 e 1994. "Na verdade, para chegar no resultado de
3%, crescimento médio deverá ficar próximo de 1%
nos próximos dois trimestres, é um crescimento bastante
robusto", diz Cezário.
O economista do HSBC chama a atenção
para o fato de que todas as projeções para crescimento
já levam em consideração um reaquecimento da economia.
"Há estímulos significativos para aceleração
da demanda doméstica, com expansão da massa salarial,
crédito. Ou seja, teremos crescimento robusto da demanda doméstica",
diz ele, fazendo a ressalva de que o impulso não será
suficiente para e economia crescer 4% como ainda insiste em projetar
o ministro Guido Mantega (Fazenda).
O crescimento da produção
industrial em julho, de 0,6%, também não é condizente
com projeções de crescimento anual muito superiores a
3%, diz Rocca, do Unibanco. "A atividade econômica no terceiro
trimestre está dando sinais relevantes de recuperação,
estamos vendo sim uma aceleração boa, inclusive o setor
externo está tendo um impacto positivo", diz Bráulio
Borges, da LCA Consultores. Ainda assim, a projeção dele
para o crescimento anual é de 3,5%, estimativa um pouco mais
otimista do que os 3,2% que, em média, os analistas do setor
privado têm previsto.
Os dados da produção industrial
de julho mostram, de acordo com a LCA, "sinais auspiciosos de recuperação",
inclusive do investimento, que no segundo trimestre caiu 2,2% em relação
ao primeiro. Nas contas da LCA, tudo indica que o investimento cresça
algo em torno de 1,3% neste trimestre. De novo, os sinais são
positivos, mas não o suficiente para que o nível de atividade
cresça os 4% esperados pelo governo. A economia derrapou no segundo
trimestre e voltou a crescer, mas não terá fôlego
para recuperar o terreno perdido entre abril e junho.
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Folha
de São Paulo, 09 de setembro de 2006
Carta de FHC é golpe contra Alckmin,
avaliam tucanos
Nos bastidores, grupo ligado ao candidato acha
que ex-presidente já pensa no pós-2006
Ex-governador disse apenas que considerou a carta
"correta" nas críticas ao PT; Serra, por sua vez, afirmou
não ter lido o texto de FHC
JOSÉ ALBERTO BOMBIG, DA
REPORTAGEM LOCAL
VERA MAGALHÃES, DO PAINEL, EM BRASÍLIA
O comando da campanha do candidato do
PSDB ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin, enxergou na carta
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso um gesto que aponta para
o cenário político pós-2006 e, nas entrelinhas,
rifa o tucano da disputa presidencial em curso, dando como praticamente
certa a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) já no primeiro turno. Apesar de FHC ter dedicado
elogios a Alckmin e atacado duramente a gestão Lula, a "Carta
aos Eleitores do PSDB" abriu nova crise na campanha do presidenciável
tucano, 24 pontos atrás do petista, segundo pesquisa Datafolha
desta semana.
Reservadamente, o candidato e seu grupo
político avaliaram que o ex-presidente agiu deliberadamente para
manter o espaço privilegiado na cúpula do partido e não
teve grandes pretensões de influir no resultado da disputa ainda
em curso. De imediato, na opinião de Alckmin e de seu grupo,
FHC, com o texto, estaria deixando claro que não pretende abrir
mão da posição de principal voz entre os tucanos,
conquistada com as duas vitórias em 1994 e 1998 à Presidência,
e não aceitará, pelo menos não sem colocar empecilhos,
uma negociação com Lula e o PT em torno de uma coalizão.
No entanto, caso Alckmin cresça
nas pesquisas e chegue ao segundo turno, o ex-presidente poderá
dizer que seus ataques a Lula o ajudaram. À noite, em Fortaleza,
Alckmin se limitou a dizer que achou a "carta correta" no
que diz respeito às críticas ao PT. "O Brasil no
governo do PT vive uma crise moral grave."
2010 no horizonte
A posição do ex-presidente
enfraquece o governador de Minas, Aécio Neves, entusiasta de
um diálogo entre PSDB e PT. Como José Serra, candidato
em São Paulo, e o mineiro podem ser eleitos já no primeiro
turno, o grupo mais próximo a FHC teme que os dois polarizem
as discussões e o debate com Lula. Outro aspecto que desagradou
o grupo de Alckmin foram as críticas de FHC à política
de segurança pública do governo paulista, um dos pontos
mais vulneráveis de sua campanha.
"Não li"
Serra se recusou a comentar a carta.
Mas disse: "O ex-presidente Fernando Henrique é um homem
de peso no partido, meu amigo. Todas as opiniões dele têm
muita importância. Mas só comento o que eu li". O
candidato a vice na chapa de Alckmin, José Jorge (PFL), que era
ministro de Minas e Energia na época do apagão, chamou
de "detalhe" a constatação, feita pelo ex-presidente,
de que seu governo fracassou no setor elétrico. "O que importa
é o ponto central da carta. O chamamento à sociedade."
José Jorge também refutou a análise de que o texto
de FHC praticamente dá como certa a reeleição de
Lula. "É uma reação no momento certo."
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Folha de São Paulo,
09 de setembro de 2006
MINERAÇÃO
Sindicato do Canadá se reúne
com trabalhadores da Vale
DA REUTERS
Uma delegação canadense
do sindicato USW chega ao Brasil na próxima semana para se reunir
com trabalhadores e sindicatos brasileiros da Companhia Vale do Rio
Doce, a única com oferta de aquisição ainda de
pé para a compra da canadense Inco. A delegação
participará de reuniões com sindicatos que representam
trabalhadores da Vale no Brasil.
"O USW possui uma relação em evolução
com a CUT [Central Única dos Trabalhadores]", afirmou o
diretor da USW, Wayne Fraser.
"Essa viagem é parte de um
esforço de preparação para a possível compra
da Inco. Nós não pretendemos sentar e esperar que alguém
decida nosso futuro. Não importa quem ou que empresa ganhe o
controle da Inco, o sindicato saberá com quem está lidando",
disse. Os sindicatos devem discutir condições de trabalho
e relações das uniões trabalhistas com a Vale no
Brasil.
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Folha
de São Paulo, 10 de setembro de 2006
Eleitor liga Lula à defesa dos pobres
e Alckmin à dos ricos
No Datafolha, 48% associam presidente aos de baixa renda; 32% vêem
tucano pró-ricos
Para 44% dos eleitores, petista é o mais preparado
para o cargo de presidente; candidato do PSDB recebe tal qualificação
de 31%
MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL
A polaridade que a campanha de Luiz Inácio
Lula da Silva tenta estabelecer com o PSDB na sucessão presidencial,
visível a partir do slogan do petista, -"Lula de novo com
a força do povo"- tem eco no eleitorado. Pesquisa Datafolha,
realizada nos dias 4 e 5, investigou alguns perfis que os eleitores
traçam dos presidenciáveis. Quando questionados sobre
qual candidato, se eleito, mais defenderá os pobres, Lula foi
apontado por 48%; Alckmin, por 19%, e Heloísa Helena, por 11%.
Na pergunta sobre quem mais defenderá
os ricos, o tucano lidera com 32%, o dobro de Lula (16%). Somente nesse
aspecto e na avaliação sobre "inteligência"
o tucano supera Lula. Para 34%, Alckmin é o mais inteligente.
Outros 31% acham que é o presidente petista. "É [a
polaridade] o que pauta o eleitor. O eleitor de baixa renda vota no
Lula porque considera que ele é o candidato que o defenderá",
diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.
Preparo e corrupção
De modo geral, o petista foi escolhido
por 44% dos eleitores como o mais preparado para ser presidente e o
tucano recebe tal qualificação de 31%. Lula, porém,
é considerado o presidenciável mais corrupto (25%). Alckmin
fica com 9% das intenções nesse quesito, e Heloísa
Helena, com 2%. Na avaliação geral sobre o preparo do
candidato, a vantagem de Lula sobre Alckmin (44% a 31%) é bem
menos expressiva que a intenção de votos (51% a 27%).
Além de ser considerado o mais
corrupto, Lula é apontado como o que mais faz promessas sem condições
de cumpri-las (26%) e o mais autoritário (27%). Mas é
também escolhido como o mais honesto, mais democrático
e mais realizador entre os candidatos. A maior parte do eleitorado demonstra
dificuldade de relacionar os candidatos com o atributo corrupção:
41% não souberam dizer quem é o presidenciável
mais corrupto.
"O conceito de corrupto é
algo que as pessoas entendem bem. Mas têm dificuldade de associar
nomes de candidatos a esse conceito", afirma Paulino. Isso explicaria,
segundo ele, porque escândalos como o do mensalão não
"colaram" na imagem do presidente Lula. Mauro Paulino explica
que "há uma tendência de o eleitor apontar o seu candidato
com atributos positivos". No Nordeste, por exemplo, onde Lula tem
o melhor desempenho eleitoral, 60% o apontam como o candidato mais preparado.
Entre os que ganham até dois salários
mínimos, só 18% citam o petista como o mais corrupto.
Na faixa de eleitores que recebem mais de dez salários, esse
percentual sobe para 45%. Nos estratos mais escolarizados e de maior
renda, Lula tem as piores avaliações. Já Alckmin
tem as melhores "notas" do eleitor que recebe mais de dez
salários mínimos e concluiu nível superior. É
na região Sul e no Estado de São Paulo que o eleitor mais
identifica Lula com a corrupção. Para 30% dos eleitores
sulistas, Lula é o candidato mais corrupto. O percentual sobe
para 35% em São Paulo.
Líder nas intenções
de voto em São Paulo, Alckmin foi apontado como o mais inteligente
entre 49% dos eleitores do Estado. Segundo 42% dos paulistas, o tucano
também é o mais preparado para combater a violência.
Lula recebeu essa avaliação de 22% dos eleitores. Apesar
de seus adversários o acusarem de "conservador" e candidato
da direita, na opinião do eleitor Geraldo Alckmin é tão
moderno quanto Lula. Os dois têm o mesmo percentual (31%) de eleitores
que os consideram o candidato mais moderno e mais inovador. O Datafolha
entrevistou 7.724 eleitores, em 349 municípios do país.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para
menos. O levantamento foi encomendado pela Folha e pela TV Globo.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 11
de setembro de 2006 | Economia
PACOTE IMOBILIÁRIO
Governo deve financiar construtoras
O financiamento direto das construtoras, por meio de recursos de fundos
federais e orçamentários, deve ser a medida de maior impacto
do “pacote imobiliário” que o governo pretende anunciar
a partir de terça-feira. Desta forma, o crédito com origem
em recursos públicos não financiaria apenas os compradores
individuais mas também as construtoras, que ofereceriam imóveis
a famílias de baixa renda (até três salários
mínimos). O governo trabalha com o total de R$ 5 bilhões,
mas as empresas esperam receber R$ 10 bilhões no ano que vem.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 08 de setembro de 2006
| Brasil
TRÂNSITO-Prefeituras terão de se
adaptar às novas regras até dezembro
Sinalização de radar
será obrigatória em todo o país
Jonathan Campos/GP
Radar em rua de Curitiba, onde deste janeiro de 2005 foram pintadas
faixas no asfalto para indicar aos motoristas a localização
dos aparelhos.
Brasília – Os cerca de 3 mil radares
que controlam a velocidade nas avenidas e estradas do país terão
de estar sinalizados e visíveis a partir de 6 de dezembro. No
local onde isso não ocorrer, a multa recebida poderá ser
anulada.
A nova resolução do Conselho Nacional de
Trânsito (Contran) está publicada hoje no Diário
Oficial da União. A decisão foi tomada em uma reunião
extraordinária do conselho e, segundo o ministro das Cidades
do governo Lula, Márcio Fortes, foi motivada pelo recente acidente
no Rio que causou a morte de cinco jovens. “O acidente no Rio
foi a gota d’água. O objetivo do radar só pode ser
um: evitar acidentes e salvar vidas. Precisamos acabar com a indústria
das multas”, justificou o ministro, que teve um filho morto num
acidente de trânsito em 2004. “O que ficou constatado é
que, sem sinalização, deixa de haver o elemento inibidor”,
afirmou o presidente do Contran, Alfredo Peres da Silva, autor da deliberação.
A obrigatoriedade de sinalização para os equipamentos
de fiscalização existiu até 2003, quando o próprio
governo Lula alterou a resolução do Contran. À
época, o então diretor do Departamento Nacional de Trânsito
(Denatran), Aílton Brasiliense Pires, afirmou não ver
motivo para sinalizar a presença do radar, pois “o motorista
precisa cumprir a lei em toda a via” e não só onde
há fiscalização. Ontem, ele não foi localizado
para comentar a volta da obrigatoriedade.
O entendimento do governo, em 2003, era
a de que as placas não diminuíam os acidentes, já
que o motorista, muitas vezes, reduzia a velocidade próximo do
radar, mas voltava a trafegar acima do limite permitido. O atual presidente
do Contran afirmou que não há um levantamento nacional
que mostre que a medida tenha aumentado ou diminuído o número
de acidentes.
O Contran também recomenda que
em locais onde o radar não reduza a ocorrência de acidentes
ou onde já houver um número elevado sejam instaladas lombadas
eletrônicas. Para completar, a deliberação do conselho
estabelece a obrigatoriedade de estudos técnicos para a instalação
de novos radares. Serão levados em conta, por exemplo, o número
de acidentes no local, a quantidade de pistas, a presença de
cercas e o fluxo de veículos.
Os radares que já estão
instalados terão que passar por esses mesmos estudos num prazo
máximo de um ano. O governo alega que o objetivo é fazer
com que haja mais transparência na escolha do local onde serão
instalados os radares para evitar que se concentrem em lugares onde
há poucos acidentes, mas grande possibilidade de multas.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 08
de setembro de 2006 | Brasil
TRÂNSITO
Idas e vindas
O que dizia o governo
• Em julho de 2003, o governo revogou
a obrigatoriedade de placas que alertavam sobre radares. A intenção
era acabar com o que considerava uma ingerência sobre os contratos
entre empresas de radares e órgãos que administravam as
vias.
• Na ocasião, foi anulada
uma resolução que invalidava as multas de radares cujo
contrato estivesse baseado na “produtividade” (a empresa
recebia conforme o número de multas registradas).
• O diretor do Denatran Aílton
Brasiliense Pires já havia defendido em janeiro do mesmo ano
o fim das placas: “Não vejo por que é preciso anunciar
que em um determinado ponto da via a lei deve ser cumprida, quando a
obrigação do motorista é cumprir a lei em toda
a via”.
O que o governo diz agora
• As placas sinalizando radares
passam a ser obrigatórias. O ministro das Cidades, Márcio
Fortes, diz que a medida visa a acabar com a “indústria
das multas”.
• Para Fortes, as placas levarão
à redução da velocidade e também dos acidentes.
“O objetivo do radar só pode ser um: evitar acidentes e
salvar vidas”.
• A deliberação estabelece
ainda a obrigatoriedade de estudos técnicos para a instalação
de novos radares. Esses estudos levarão em conta por exemplo,
o número de acidentes no local.
• Os Detrans têm prazo
de 360 dias para elaborar e disponibilizar os estudos técnicos
sobre os “pardais” já instalados. Para a implantação
de placas e dar visibilidade ao equipamento o prazo é de 90 dias.
Fonte: Conselho Nacional de Trânsito.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
10 de setembro de 2006
País pode sofrer crise fiscal em
2007
Advogado tributarista orienta empresários
a fazer planejamento para garantir a estabilidade do negócio
no próximo ano.
Paulo Wolfgang
Falar que a carga tributária brasileira tem inibido o crescimento
da economia do País não é novidade e tem sido destaque
frequente nos noticiários. O problema, no entanto, poderá
ficar ainda mais grave para o segmento empresarial, em 2007, conforme
afirma o advogado tributarista Nelson Rocha, em entrevista para a Folha
de Londrina. Segundo ele, a política fiscal do governo federal,
que objetiva o aumento da arrecadação, poderá mergulhar
o Brasil numa série crise fiscal e prejudicar, significativamente,
as empresas locais. Para sobreviver, empresários terão
que fazer um planejamento tributário.
''Na semana passada, o governo anunciou
o orçamento para 2007, prevendo um aumento da arrecadação
de 10,5%, o que seria normal se a economia estivesse crescendo, mas
não está. E, se a economia está assim, o governo
vai aumentar a arrecadação, aumentando a tributação'',
alerta o especialista. O problema, conforme ele, vai acontecer, principalmente,
porque o governo tem desperdiçado muito dinheiro - com excesso
de gastos públicos, desvio de dinheiro, entre outros - pensando
num crescimento da economia que, na verdade, não vai ocorrer,
tomando por base o crescimento pífio do Produto Interno Bruto
(PIB), do último trimestre, o qual foi de apenas 0,5%.
''O governo não vai ter por onde
sair e terá que aumentar os tributos para pagar as contas'',
ressaltou Rocha. Nesse momento, então, será fundamental
que as empresas façam um planejamento tributário para
garantir a estabilidade no mercado e sobreviver diante da crise, recomenda
o especialista. De acordo com ele, uma empresa tem condições
de se organizar, obter redução dos gastos tributários,
melhorar a competitividade e conseguir a segurança do cumprimento
das obrigações tributária, através de um
planejamento.
''O planejamento se faz através
de um diagnóstico, como um tratamento médico, que tem
por objetivo examinar as atuais operações tributadas e
verificar a possibilidade de a empresa funcionar por modalidades legais
menos tributadas'', frisa Rocha. Conforme explica, a escolha do regime
tributário para fins de imposto de renda é democrática,
no Brasil. Então, o empresário pode optar entre as formas
de pagamento de lucro real, presumido ou a modalidade simples. ''Todas
as empresas podem optar pelo lucro real, quase todas pelo presumido,
e algumas pelo Simples - que tem alguns limites de enquadramento'',
esclarece o tributarista.
Uma diferença significativa entre
o lucro real e o presumido, como exemplifica Rocha, é que se
a empresa estiver optando pelo primeiro e não obter lucro durante
o ano, ela não vai pagar nada de imposto de renda e contribuições
sociais sobre o ganho líquido. Mas, se estiver no presumido,
o empresário é obrigado a pagar um percentual sobre a
receita, pagar imposto de renda sobre uma renda, mesmo que tenha sofrido
prejuízo.
Outra forma para combater o problema
de impostos excessivos, segundo o advogado, é o empresário
fazer uma reorganização ou reestrutaração
societária, através de cisão ou incorporação
de empresas, e assim aumentar a eficiência da empresa e reduzir
custos. Como exemplo, Rocha cita a cisão de uma empresa que é
comercial, mas também presta serviços: se a alíquota
estiver pesando muito, é possível dividi-las e escolher
modalidades diferentes de cobrança de tributo para amenizar os
gastos.
No caso da incorporação,
isso ocorre normalmente em grandes grupos, quando uma empresa está
dando prejuízo e a outra obtendo lucro. ''Eu compenso o prejuízo
de uma com o lucros futuros'', diz o advogado. É possível
realizar essa reestruturação também entre sociedades
diferentes. Todas as mudanças devem ser realizadas com a assessoria
de um tributarista e um contador, destaca Rocha. Ele ainda acrescenta
que é preciso realizar todo o planejamento tributário
em sintonia com a legislação.
Erika Zanon
Reportagem Local
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
10 de setembro de 2006
Com queda da inflação empresariado
quer redução de impostos
Brasília - Durante décadas, a inflação foi
o maior fator de desorganização da economia brasileira.
Agora que ela está praticamente fora do radar, outros obstáculos
ao crescimento ganham a atenção de empresários
e analistas: o aumento das despesas do governo, a falta de investimentos
públicos e privados em infra-estrutura, a elevada carga tributária,
os juros reais ainda elevados, a falta de regras claras e estáveis,
o risco de uma crise internacional. É por causa de problemas
como esses que a economia brasileira deverá fechar o ano com
um crescimento abaixo de 4%.
''A queda da inflação permite
que a política de juros seja mais branda, mas é preciso
que outros pilares macroeconômicos sejam fortalecidos para assegurar
uma estabilidade mais ampla'', disse o gerente-executivo da Unidade
de Política Econômica da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. O principal
ponto de fragilidade, na avaliação dele, é a forma
como o setor público arrecada e gasta dinheiro, a chamada política
fiscal. Este ano, de janeiro a julho, o governo já elevou suas
despesas em 14,8% na comparação com o ano passado. Quanto
mais a máquina pública gasta, mais ela tem de arrecadar
para cobrir as despesas. Resultado: a carga tributária sobe,
dificultando a vida das empresas.
Outro problema que tira o sono de parte
do empresariado é o dólar barato. Ao mesmo tempo em que
o câmbio faz baixar o preço dos alimentos e mantém
a inflação controlada, ela retira ganhos dos setores exportadores
brasileiros e puxa para baixo o crescimento. Especialistas apontam o
juro alto como a principal causa do dólar barato.
A taxa de juros brasileira completou
um ano de quedas sucessivas, mas ainda é um fator que inibe novos
investimentos das empresas e, por isso, funciona como um obstáculo
ao crescimento econômico. O professor Paulo Pichetti, da Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), acha que haveria mais
espaço para queda se o Banco Central modificasse o índice
de inflação que utiliza como referência para fixar
o juro.
Hoje, o governo utiliza o Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) como parâmetro. Os
juros sobem ou descem para manter o IPCA dentro da meta. O juro serve
para segurar o consumo e assim sufocar os reajustes de preços,
contendo a inflação. Ocorre que o IPCA pode subir por
causa do reajuste das tarifas, da alta do dólar e outros fatores
(chamados de choque de oferta) que não têm nada a ver com
o aumento do consumo. Ainda assim, se o IPCA der sinais que vai aumentar,
o Banco Central tem de elevar o juro. Pichetti acha que deveria ser
adotado como referência um outro índice, que deixasse os
choques de oferta de fora.
Compromisso - Os empresários vêm
cobrando do governo uma atenção especial a políticas
que permitam ao País crescer de forma sustentada a taxas superiores
a 5% ao ano. ''Uma vez que o próprio presidente do Banco Central
(Henrique Meirelles) considera que a inércia inflacionária
foi derrotada, o governo precisa se convencer de que a prioridade agora
passa a ser o crescimento'', diz o presidente da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.
Para ele, o País só
crescerá a taxas bem maiores que as dos últimos anos depois
que promover as reformas ainda pendentes, como a previdenciária
e a tributária, além de dar um choque de gestão
nos gastos públicos. ''E não podemos mais ter em mente
que sempre que a demanda sinaliza positivamente haja uma política
monetária e uma taxa de juros absurda que a matem''.
Lu Aiko Ottae Marcelo Rehder
Agência Estado
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
10 de setembro de 2006
Participação nos lucros
evita gastos com tributos
Outra forma que o empresário tem para economizar com tributos
e se equilibrar diante da possível crise fiscal, em 2007, é
aumentar a remuneração dos funcionários através
da participação destes empregados nos lucros ou resultados
das empresas. ''Essa modalidade não constitui base de incidência
de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário, podendo ainda,
os valores pagos a esses títulos serem deduzidos do imposto de
renda da empresa, na forma de despesas operacionais'', salienta o advogado
tributarista Nelson Rocha.
Pagar a previdência privada para
o funcionário é outra alternativa para remunerá-lo
melhor e não ter incidido tributo nesses valores. ''A previdência
privada seria um complemento, um ganho a mais para o funcionário,
uma opção do empresário, já que a previdência
oficial a empresa é obrigada a pagar'', lembra o tributarista.
Além disso, segundo ele,
os empresários também podem reduzir gastos, evitando as
ações trabalhistas, que atualmente consomem até
7% do faturamento das empresas industriais e até 4% nas comerciais.
''A orientação é para que o empresário preste
mais atenção nas leis trabalhistas e evite ações
futuras'', destaca Rocha. É importante ainda, conforme ele, que
seja feita uma seleção mais criteriosa de funcionários,
para não ter que dispensá-los em seguida, por falta de
perfil, por exemplo. ''Essa rotação de pessoal também
gera um custo para a empresa'', acrescenta o advogado. (E.Z.)
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
10 de setembro de 2006
LER-DORT, privatização,
assédio moral e dano moral
Edésio Passos
Decisão do TRT do Paraná
sobre doença profissional LER/DORT- analisa a questão
das condições de trabalho inadequadas em empresas da administração
pública, a aquisição de moléstia profissional,
os efeitos do processo de privatização, a caracterização
do assédio moral e a conseqüente reparação
pelos danos morais. Estes e outros pontos são enfrentados no
acórdão da lavra da juíza Marlene Teresinha Fuverki
Suguimatsu, do qual transcrevemos somente a ementa tendo em vista a
limitação de espaço. Entretanto, dada a importância
fundamental sobre o tema, hoje um dos mais estudados em Direito do Trabalho,
vale a consulta a seu inteiro teor. Cabe assinalar, ainda, que da lavra
da juíza Marlene Suguimatsu são encontrados outros sete
acórdãos sobre a matéria no site do TRT 9.ª
que adicionam, à perfeição, novos fundamentos para
a análise da matéria em foco. Eis a ementa do acórdão
referido: “DOENÇA PROFISSIONAL. (LESÃO POR ESFORÇOS
REPETITIVOS). ASSÉDIO MORAL. DANO MORAL COMPROVADO. A exemplo
de milhares de trabalhadores que prestaram serviços a empresas
integrantes da Administração Pública em condições
absolutamente inadequadas e adquiriram moléstias profissionais,
a autora foi tratada como um resíduo indesejável do conjunto
de bens e direitos adquiridos pelo particular, no processo de “privatização”.
Como suas condições de saúde já não
permitiam a produtividade nos níveis almejados, o que, por certo,
comprometeria os lucros, a solução encontrada foi tornar
o ambiente de trabalho insuportável a ponto de levar ao pedido
de desligamento e, assim, evitar os custos da dispensa sem justa causa.
As atitudes descritas nos autos tipificam o assédio moral, praticado
até mesmo pelos próprios colegas que, certamente, prestigiados
pelo novo empregador, a ele se aliaram no comportamento opressivo e
humilhante. Dano moral caracterizado e que merece reparação
pecuniária voltada à amenização do sofrimento
da autora e à prevenção de reincidência na
conduta, pelo réu” (TRT 9.ª RO 23044-2001-012-09-00-8,
Ac.3097/2006 Marilene da Silva Iano x Banco Itaú S.A-Banestado
- Rel. Marlene Teresinha Fuverki Suguimatsu , 2.ª Turma, DJ 03/02/2006).
ATUAÇÃO DO MPT
Ao comemorar os trinta anos de atuação no Paraná
(Lei n.º 6.341, de 22.09.1975), o Ministério Público
do Trabalho contabiliza 4.137 investigações em andamento,
em especial sobre irregularidades no ambiente de trabalho, combate ao
trabalho infantil, discriminação, irregularidades na administração
pública, no trabalho rural, nas terceirizações,
pela falta de registro em carteira de trabalho, jornada de trabalho
excessiva. Há 12 anos, o total de procedimentos investigatórios
era de apenas 285. Recentemente, concedendo liminar em Ação
Civil Pública, o juiz da 5.ª Vara do Trabalho de Londrina,
determinou ao Banco Mercantil do Brasil SA, a realizar estudo técnico
do ambiente do trabalho que aponte as irregularidades e indique as medidas
necessárias à adequação da agência.
Além de Curitiba, o MPT está presente em Cascavel, Londrina,
Maringá, Toledo e Umuarama e prevê a instalação
das regionais em Guarapuava, Foz do Iguaçu, Campo Mourão
e Ponta Grossa. Segundo a procuradora-chefe Lair Carmem Guimarães
“esta expansão é a resposta do MPT às atribuições
que a sociedade lhe confiou, por meio da Constituição
Federal de 1988, especialmente a de defender os direitos dos trabalhadores”.
DIREITO SINDICAL -
O juiz Luiz Eduardo Gunther, corregedor do TRTPR, em sua exposição
no IV Seminário Jurídico da Federação dos
Trabalhadores Rodoviários do Paraná, em 2 de setembro,
abordou novos temas relacionados com o Direito Sindical, desde a afirmação
da prática da solidariedade e fraternidade no plano internacional,
a perspectiva das negociações coletivas transnacionais,
a importância da atuação da Organização
Internacional do Trabalho, a necessidade de legislação
que regulamenta a questão da conduta anti-sindical com a apresentação
de projeto de lei específico e, finalmente, as novas questões
face a competência da Justiça do Trabalho em relação
a matéria sindical. O IV Seminário ainda abordou temas
relacionados com a patologia ocupacional (dra. Aline Pereira), perspectivas
da previdência social (Dr.Celso Pimenta, advogado em Minas Gerais),
competência da Justiça do Trabalho face a indenizações
por dano moral e material derivado de acidentes do trabalho (Procurador
do Trabalho Ricardo Bruel da Silveira), atualidade das leis do trânsito
(Dr. Marcelo Araújo) e a aplicação do artigo 297
do Código Penal no âmbito trabalhista (Dra. Lúcia
Correa Dias).
SEGURO-DESEMPREGO -
O presidente da Fetraconspar Geraldo Ramthun informa que a entidade
e a CNTI encaminharam expediente ao MTE solicitando a extensão
do benefício do pagamento do Seguro-Desemprego em mais dois meses,
além dos trabalhadores na fabricação de móveis
e calçados, aos trabalhadores nas madeireiras, em favor dos demitidos
no período de 01.01. a 30.06 de 2006, em decorrência da
crise nesses setores econômicos, com o crescimento das dispensas
dos trabalhadores. Trata-se de medida justa de equiparação
a todos os trabalhadores de setores econômicos homogêneos.
PL 248/2006
- O senador Paulo Paim, atendendo à reivindicação
do movimento sindical, apresentou o projeto de lei n.º 248/2006
que regulamenta a contribuição assistencial em favor das
entidades sindicais de trabalhadores, fixando sua obrigatoriedade a
todos os empregados e servidores públicos, sindicalizados ou
não, com o desconto em folha até o percentual de 1% da
remuneração bruta anual, fixado pela assembléia
sindical. O projeto de lei se baseia nos permissivos do art. 513, e,
da CLT, e art.240,c, da Lei n.º 8.112/90. As Confederações
Sindicais de trabalhadores recentemente, em audiência com o Presidente
do TST, solicitaram a revogação do precedente normativo
119, que trata das contribuições assistenciais. Ao mesmo
tempo, em decisão publicada em abril de 2006, o Supremo Tribunal
Federal confirmou a possibilidade do desconto salarial da contribuição
assistencial de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não,
desde que garantido o direito de oposição.
VOLKS - Assinalando
que “a culpa da crise é da direção da Volkswagen”,
pois a empresa descuidou do mercado interno e não modernizou
sua linha de produção, o professor Mauro Zilbovicius,
da Escola Politécnica da UPS, autor de “De JK a FHC: a
reinvenção dos carros”, afirma: “A Volkswagen
vai perder boa parte de sua competência com essas demissões.
A maioria dos dispensados é formada por trabalhadores experientes,
gente da área de engenharia, de alto nível técnico.
A ferramentaria da Volks é a melhor do país. Ao optar
pelas demissões e pelo encolhimento, a empresa segue o caminho
dos erros anteriores. É preciso trazer produtos novos, recuperar
a presença no mercado interno e, em parte, deve-se exportar.
Mas não se pode depender das exportações. Deve-se
optar pelo caminho do crescimento” (fonte: Carta Maior, 2/9/06).
PRESTES NA POESIA - O advogado Laércio
Souto Maior, em concorrido evento nas Livrarias Ghignone, lançou
sua obra “Luiz Carlos Prestes na Poesia”, excelente edição
da paranaense Travessa dos Editores. O livro contém estudo da
saga de Prestes, em especial sua Coluna, marcha pelo território
brasileiro de outubro de 1924 a março de 1927, inédita
antologia poética internacional (Paul Eluard e Pablo Neruda)
e nacional sobre o líder político comunista, e a literatura
de cordel. A iconografia com fotos, ilustrações e gravuras
é ampla. Trata-se de uma obra em que a cuidadosa e extensa pesquisa
se une com a sensibilidade do autor, pois Laércio Souto Maior,
além de sua capacidade profissional, possui uma história
de lutas em favor da liberdade, da democracia e da justiça.
ANOTE - A edição de agosto
do “Cepat Informa” trata da economia solidária, divulgando
entrevistas do professor Armando de Melo Lisboa, da UFSC, e da professora
Heloísa Primavera, da USP, entre outras (41.33495343) *** A Revista
Bonijuris lançou novo CD com a doutrina publicada nas suas edições,
com bônus sobre Juizado Especial (41.33234020) *** Inscrições
abertas para o Seminário sobre “Acidente de Trânsito:saúde
e segurança do trabalhador no transporte rodoviário”,
do Instituto São Cristovão, dias 21,22,23 de setembro,
em Curitiba (41.32442523) **** “Assédio Moral:uma forma
extrema de violência psicológica no trabalho”, de
autoria da professora Lis Andréa P.Soboll, da UFPR, incluído
no site do advogado Luiz Salvador, www.defesadotrabalhador.com.br ***
Nota triste: nosso amigo e colega Euclides Panazzolo, advogado em Cascavel,
faleceu vítima de acidente de veículo quando se dirigia
para atender um grupo de trabalhadores em Francisco Beltrão.
Euclides sempre dignificou nossa profissão pela sua capacidade
e firmeza de atitudes. Nossa saudade.
ELEIÇÕES: (1)
“Não anule seu protesto. Não anule seu voto”
(da campanha da Associação dos Magistrados Brasileiros
contra o voto nulo). (2) “A pregação do voto nulo
está na praça. Seus defensores aparentam ser os mais radicais
dos inconformados. Mas apenas incentivam a despolitização,
descartam um direito duramente conquistado e fazem coro com a intolerância
conservadora. O voto nulo é a anulação da política.
Ninguém tem a obrigação de gostar dela. Mas é
bom nunca esquecer uma frase de Platão: “A desgraça
de quem não gosta de política é ser governado por
quem gosta” (Gilberto Maringoni, Carta Maior, 31.08.06)
E.mail:edesiopassos@terra.com.br
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
08 de setembro de 2006
China crescerá 10,4% em 2006
Redação O Estado do
Paraná
Taiwan (AE) - O Banco de Desenvolvimento
Asiático (ADB, na sigla em inglês) elevou sua projeção
de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) da China de 9,5% para
10,4% em 2006. O banco atribuiu a continuidade do espetáculo
do crescimento do dragão asiático ao forte aumento dos
investimentos em ativos fixos e das exportações, mas expressou
seu temor em relação à possibilidade de o país
se confrontar com uma “superprodução crônica”.
A economia chinesa registrou um rápido crescimento no primeiro
semestre deste ano devido ao notável aumento dos investimentos
em ativos fixos e à significativa subida das exportações
e das importações frente ao mesmo período do ano
passado, frisou Ifzal Ali, economista-chefe do ADB, ao justificar a
revisão da projeção divulgada pelo banco em abril.
Os investimentos em ativos fixos aumentaram 29,8% no primeiro semestre
deste ano na comparação com o mesmo período do
ano passado. As exportações, por outro lado, subiram 25%,
enquanto as importações cresceram 21,3%, originando um
superávit comercial de US$ 61,4 bilhões. “Esses
resultados foram determinantes para a expansão de 10,9% do PIB
no período janeiro-junho”, disse Ali.
Ali previu um “modesto esfriamento da economia chinesa”
ao lembrar as medidas monetárias e administrativas adotadas pelo
governo para frear o alucinante ritmo de crescimento da economia nacional.
“Haverá uma superprodução crônica,
se a atual febre de investimentos em ativos fixos continuar”,
disse.
O ADB também criticou duramente o comportamento econômico
dos governos locais em relação à questão
dos investimentos em ativos fixos. “Não é possível
que alguns governos locais continuem investindo em rodovias ou parques
industriais que ninguém utiliza”, disse o economista-chefe
do banco na China, Tang Ming.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
08 de setembro de 2006
Mínimo ineficaz contra pobreza
Redação O Estado do
Paraná
Rio (AE) - O salário mínimo
é um “instrumento muito pouco efetivo” no combate
à pobreza. A conclusão é de um trabalho divulgado
ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão
do Ministério do Planejamento. No fim de agosto, estudo da Fundação
Getúlio Vargas (FGV) chegou a conclusão semelhante, contestada,
no dia seguinte, pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos socio-econômicos (Dieese).
O trabalho compara a eficácia do mínimo em relação
ao Bolsa Família, principal programa de transferência de
renda do governo. Os resultados mostram que o Bolsa Família é
duas vezes e meia mais eficiente do que o mínimo para reduzir
a pobreza e sete vezes mais eficaz para diminuir a chamada extrema pobreza.
De maneira simplificada, o trabalho usa uma média das diferentes
linhas de pobreza e extrema pobreza, com valores de renda mensal de
R$ 154 e de R$ 77, respectivamente. O estudo realizado pelos economistas
Ricardo Paes de Barros, Mirela de Carvalho e Samuel Franco parte da
comparação do custo de um aumento hipotético de
10% no salário mínimo com o de expansões no Bolsa
Família capazes de alcançar o mesmo impacto sobre a pobreza.
O estudo mostra que, com 40% dos gastos com um aumento do salário
mínimo, “o Bolsa Família é capaz de alcançar
a mesma redução na pobreza”. Já no caso da
extrema pobreza, prossegue o estudo, o Bolsa Família precisaria
de apenas 15% dos recursos gastos com um aumento do mínimo para
produzir os mesmos efeitos.
Segundo os autores, a “baixa efetividade” do mínimo
não surpreende. “Uma vez que, entre as famílias
pobres, menos de 15% têm ao menos um empregado formal ou informal
com remuneração próxima ao salário mínimo
e apenas 6% têm um idoso, como poderia ter o salário mínimo
um impacto significativo sobre a pobreza?”, questiona o trabalho,
que se baseia nos últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (PNAD), de 2004 - a pesquisa é nacional
e inclui, além do rendimento de trabalho, outras fontes de renda,
como transferências governamentais.
O estudo da FGV usou informações de renda do trabalho
da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, em seis regiões
metropolitanas, disponíveis até julho deste ano. Mostra
que a maior parte da queda da desigualdade na renda do trabalho se deu
no primeiro semestre de 2004, quando não houve reajuste do mínimo.
E mostra que a queda dessa desigualdade perdeu ritmo entre 2005 e 2006,
apesar dos ganhos reais do mínimo nesses dois anos.
Segundo o chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo
Neri, os efeitos negativos do aumento do mínimo, como desemprego
e aumento da informalidade, colaboram para anular impactos positivos.
Segundo o Dieese, levando em conta o total de salários pagos
no País, o reajuste do mínimo fica diluído, mas
considerando quem recebe até dois mínimos, “a política
de aumento real do mínimo tem efeitos imensos”.
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DIÁRIO DO NORDESTE,
11 de setembro de 2006
Especialista Aconselha
Trabalhador deve estar atento às
mudanças
Para acompanhar ou implementar as mudanças
que o cenário econômico adverso e cada vez mais competitivo
exige, aponta Marco Aurélio Ferreira Viana, as pessoas devem
se preparar cotidianamente, e não apenas na área específica
de atuação ou trabalho.
As transformações pelas
quais passam o País e o mundo, em virtude dos avanços
tecnológicos, da globalização da economia e da
evoluções sócioculturais, vêm exigindo mudanças
de comportamento, de atitudes e ações cada vez mais rápidas
nas pessoas, nas empresas e corporações (públicas
e privadas). O próprio conceito de mudanças também
sugere alterações cotidianas nos indivíduos —
sejam empregados, empreendedores ou empresários —, na medida
em que, antes de qualquer nova atitude, devem estar conscientes de como,
onde, quando e para que mudar.
As observações são
do economista, escritor, consultor de empresas e presidente do Instituto
MVC Estratégia e Humanismo, Marco Aurélio Ferreira Viana,
ao alertar a necessidade das pessoas, dos profissionais buscarem se
preparar para as mudanças e evoluções do dia a
dia das empresas. De acordo com Viana, ao contrário do que muitos
pensam, as mudanças devem advir quando o indivíduo, o
profissional, as empresas estão no seu melhor momento.
“As mudanças devem ser feitas
com o cérebro da vitória. Deve-se mudar quando se está
bem e não quando se está por baixo, derrotado. Precisamos
estar motivados para a mudança”, orienta o consultor. Autor
de 37 livros sobre administração, políticas nacional
e internacional, planejamento estratégico, educação,
liderança, dentre outros temas, Viana explica que o ato de mudar
é um processo que começa com um “choque de consciência”.
CHOQUES
- Para acompanhar ou implementar as mudanças que o cenário
econômico adverso e cada vez mais competitivo exige, aponta Viana,
as pessoas devem se preparar cotidianamente, e não apenas na
área específica de atuação ou trabalho.
“E esse choque de consciência, só acontece se o indivíduo
souber ouvir muito, ler muito, profundamente, jornais, revistas e livros”,
ressalta o economista.
“O conhecimento é essencial
para se chegar ao segundo choque, que é a sensibilização,
momento em que o indivíduo percebe que precisa mudar, que está
na hora de mudar, para poder acompanhar a evolução do
mundo”, defende Viana. Segundo ele, se uma pessoa não se
atualizar devidamente, em um ano ela perde 50% de sua capacidade de
atualização.
Ele reconhece que, apesar de consciente
e preparado, o indivíduo deve estar motivado para mudar ou para
implementar mudanças. Nesse aspecto, avalia, as organizações,
as empresas e o próprio conceito de crescimento do indivíduo
são fundamentais para motivar.
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AGÊNCIA ESTADO, 11
de setembro de 2006
Casa própria a juro zero vai beneficiar
trabalhador doméstico em várias cidades brasileiras
Depois de criar incentivos de financiamento
habitacional destinados a militares, o Ministério das Cidades
decidiu focar os esforços nos trabalhadores domésticos.
O ministro da pasta, Márcio Fortes de Almeida, assinou nesta
semana um acordo para liberar R$ 15 milhões que deverão
beneficiar mil famílias, distribuídas em diversas cidades
do país. Resta apenas definir as formas de concessão da
verba para a compra da casa própria.
Esse dinheiro não vai beneficiar
apenas as empregadas domésticas tradicionais, mas também
qualquer profissional que desempenhe funções em residências
familiares. "A proposta inclui liberar os recursos para jardineiros,
motoristas particulares, mordomos e caseiros", enumerou o ministro.
Porém, para que o dinheiro possa
ser liberado, falta ainda definir algumas questões operacionais
entre o governo e a Caixa Econômica Federal. De acordo com Fortes,
será criado nos próximos dias um Comitê Técnico,
que vai avaliar as propostas e terá 30 dias para elaborar um
relatório.
Com o documento em mãos, o governo
vai definir como o dinheiro será distribuído entre as
famílias. A hipótese mais provável é de
que o ministério deverá adaptar dois projetos já
existentes.
Um deles é o Crédito Solidário,
destinado a famílias com renda mensal de três a cinco salários
mínimos (R$ 1.050 a R$ 1.750), que permite o financiamento do
valor do empréstimo em até 240 meses e sem a cobrança
de juros. Porém, para ter acesso ao dinheiro pelo Crédito
Solidário, é necessário que os interessados se
filiem a cooperativas ou associações de moradores.
Outro programa que poderá ser
adaptado para a distribuição da nova verba está
previsto na Resolução 460, destinado a famílias
com renda de até três salários. Neste caso, seria
permitido utilizar como subsídio para a compra da casa própria
os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Contudo, a legislação determina que o dinheiro só
pode ser aplicado em cidades onde há parceria com o governo federal.
Fortes ressaltou que, caso o Comitê
Técnico julgue necessário, será criado um novo
programa social apenas para atender os trabalhadores domésticos
beneficiados pelos R$ 15 milhões. "Também não
descartamos a possibilidade de permitir o pleito individual do dinheiro,
ou seja, para pessoas que não estejam ligadas a nenhuma entidade."
O projeto-piloto do governo vai beneficiar
mil famílias distribuídas na Capital e Campinas, além
de cinco outras cidades brasileiras. O ministro ressaltou que, em breve,
o ministério poderá criar novos programas habitacionais
voltados a outras categorias de trabalhadores.
A parceria foi assinada entre os
ministérios das Cidades e Trabalho, Secretaria Especial de Políticas
para Mulheres, Caixa e Federação Nacional das Trabalhadores
Domésticas.
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JORNAL O ESTADO DE SÃO
PAULO, 10 de setembro de 2006 | Economia
'Morte' da inflação abre
espaço para o Brasil voltar a crescer
Estabilidade dos preços é o 1.º
passo para a retomada do crescimento; ainda é preciso combater
outras frentes
Lu Aiko Otta
O velho dragão da inflação
está morto. O veredicto foi reforçado na semana passada,
quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
divulgou o resultado do Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), usado pelo governo em seu sistema de metas. Em agosto,
a inflação foi de 0,05%, acumulando 1,78% no ano. A avaliação
unânime dos analistas é que a inflação de
2006 ficará abaixo da meta de 4,5%. Melhor: deve ficar na casa
dos 3% a 4% pelo menos até 2010.
Com isso, abre-se espaço para
seguir com o corte de juros e, assim, animar a economia real, afrouxando
uma das amarras ao crescimento econômico. Sem esquecer que há
ainda outros dragões que precisam ser combatidos como o alto
gasto público, a falta de investimentos em infra-estrutura, a
elevada carga tributária e os juros reais elevados.
"A inflação está
morta. Não vou falar sobre cadáveres", diz o secretário
de Política Econômica do Ministério da Fazenda,
Júlio Sérgio Gomes de Almeida. "A inflação
foi derrotada definitivamente", concorda o ex-ministro da Fazenda
Mailson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria.
Há, porém, controvérsias
quanto as chances de recuperação da inflação.
O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC)
da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe),
Paulo Picchetti, acha que há muito a comemorar, mas é
cedo para dizer que o Brasil está livre do problema.
Ele alerta que, se a economia internacional
entrar em crise, a inflação poderá voltar. E não
é possibilidade distante. O Fundo Monetário Internacional,
em documento a ser divulgado esta semana, deve dizer que as chances
de desaceleração no crescimento mundial são mais
fortes hoje que em qualquer outro momento desde os ataques terroristas
de 2001.
Para o gerente-executivo da Unidade de
Política Econômica da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, a inflação
está apenas morna, mas goza de boa saúde. Ele acha que
o próprio governo a mantém viva quando permite o aumento
das despesas públicas. "A inflação se alimenta
de desequilíbrios macroeconômicos e esse é um deles."
Ninguém discorda, porém,
que a inflação está controlada como há décadas
não se via no Brasil. Picchetti explica que a queda foi ajudada
por uma série de fatores, principalmente o dólar barato,
que reduziu os custos da importação. Ao mesmo tempo, produtores
agrícolas viram pouca vantagem em exportar e, não tendo
condições financeiras de manter estoques, despejaram a
produção no mercado interno, baixando ainda mais os preços
dos alimentos. A inflação despencou.
O dólar barato teve ainda outro
efeito: ajudou a baixar os preços no atacado, onde se concentram
as importações. O atacado, por sua vez, influencia o Índice
Geral de Preços (IGP), usado para corrigir as tarifas de eletricidade
e telefonia, por exemplo. Resultado: em 2005 e 2006 os preços
públicos tiveram até reajuste negativo.
O fenômeno que ocorreu com o IGP
e os preços públicos inverteu o giro da espiral inflacionária,
segundo Picchetti. Até dois anos atrás, o IGP fazia subir
as tarifas, que faziam subir a inflação e assim havia
um ciclo que puxava tudo para cima. Agora, o IGP caiu, as tarifas caíram,
a inflação foi para baixo e assim sucessivamente.
INÉRCIA
Quebrou-se o que os economistas chamam
de inércia inflacionária, um conjunto de mecanismos e
regras que ajudam a inflação a se perpetuar. Esse é
o fenômeno para o qual o presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, chamou atenção na entrevista que deu ao Estado
no fim de agosto. Ele disse que o País vive momento inédito,
de romper com a inércia inflacionária, abrindo a perspectiva
de estabilidade de preços por um longo período. Manter
a inflação "consistentemente dentro da meta"
por muito tempo é, na avaliação de Meirelles, a
única forma de baixar juros até os níveis de países
desenvolvidos.
É, porém, um fenômeno
que ainda precisa amadurecer. Na sexta-feira, o BC divulgou a ata da
última reunião do Comitê de Política Monetária,
quando o juro caiu para 14,25%, um corte de 0,5 ponto porcentual. No
documento, os diretores do BC informam que foi analisada a possibilidade
de cortar o juro em apenas 0,25 ponto, mas optou-se por 0,5 porque os
dados mais recentes da economia eram favoráveis.
Deixam claro, porém, que
podem frear a queda dos juros a qualquer momento, porque estão
preocupados com o aumento do consumo e conseqüente aceleração
da inflação. Ela seria provocada por dois movimentos:
o próprio corte de juros, que leva tempo para se refletir na
economia real, e os chamados impulsos fiscais, injeções
de dinheiro a partir dos cofres públicos como aumento do salário
mínimo, Bolsa-Família e gastos do setor público
em investimentos, tradicionalmente maiores em ano eleitoral.
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JORNAL DA PARAÍBA,
10 de setembro de 2006
Paraíba: Sindicato diz que falta
ânimo para setor em JP
O Índice Nacional da Construção
Civil na Paraíba teve uma variação de apenas 0,20%
em agosto. O percentual foi menor que as médias do Nordeste (0,26%)
e do País (0,28). No entanto, no acumulado do ano o Estado com
4,99% continua com um índice maior que o da média da região
(4,62%) e (3,82%) do País. Mesmo assim, o preço do metro
quadrado na Paraíba que custa agora R$ 503,46 é inferior
ao do Nordeste (R$ 520,73) e do País (R$ 563,88).
Para o presidente do Sindicato da Construção
Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP), Stelo Queiroga, o índice
da construção civil é apenas um reflexo do desaquecimento
em toda a cadeia do setor. “A cobrança da Outorga Onerosa
neste ano e a baixa oferta de créditos dos bancos para a compra
de imóveis novos são os principais fatores para o desaquecimento”,
frisou. Segundo ele, os níveis de emprego na construção
já caíram no comparativo com o ano passado, pois os gastos
com a construção aumentaram e têm desestimulado
o início de novos projetos devido à cobrança da
taxa. “A falta de um maior volume de construções
tem elevado o valor dos imóveis na capital. Como a procura está
maior que a oferta, isso acaba refletindo no preço final”,
explicou. Ele informou que os valores da outorga dependem da área
e local e chegam a variar de R$ 20 mil a 300 mil.
Previsto no Plano Diretor de João
Pessoa, a outorga onerosa é uma espécie de taxa que o
construtor terá de pagar se quiser ultrapassar o coeficiente
básico definido para a localidade. Isso significa que os imóveis
que venham a ser construídos em áreas dotadas de infra-estrutura
como esgotamento sanitário, drenagem e pavimentação
só poderão exceder o limite de área construída
se pagarem uma taxa calculada sobre o valor venal do terreno.
Segundo a Secretaria de Habitação
da Prefeitura de João Pessoa, os recursos da outorga estão
sendo investidos para a construção de moradias de população
de baixa renda. Já a Caixa Econômica Federal informou que
mais de R$ 73,4 milhões foram investidos em crédito habitacional
neste ano, envolvendo reforma, ampliação, compra de imóveis
novos e usados, além de terrenos.
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CIDADE VERDE.COM / PIAUÍ,
11 de setembro de 2006
Pensionistas têm receio de casar
de novo e perder aposentadoria
INSS assegura ao dependente do segurado
já falecido, que recebe pensão por morte e que tenha se
casado de novo, escolher a pensão de maior valor, caso o novo
companheiro também venha a falecer. Isso vale tanto para homens
quanto para mulheres. Em geral, eles não oficializam a união
com receio de deixar de receber o benefício de pensão
por morte.
Mesmo contraindo um novo casamento, o
pensionista do INSS não perde o direito de continuar recebendo
a pensão. A Previdência Social assegura que o dependente
escolha a pensão de maior valor, caso o novo companheiro venha
a falecer. A pensão por morte tem por objetivo assegurar uma
renda mensal aos dependentes do segurado quando do seu falecimento.
Outra vantagem é que a Previdência
Social não exige carência para a concessão do benefício
de pensão por morte. No entanto, é necessário que
o trabalhador, na data do seu óbito, tenha a qualidade de segurado,
ou seja, não tenha deixado de contribuir por um período
maior que o permitido pela legislação previdenciária.
A Previdência ainda garante o recebimento
da pensão por morte aos dependentes do segurado que venha a falecer
após a perda da qualidade, mas que cumpriu, até o dia
da sua morte, os requisitos para a obtenção da aposentadoria.
O direito à qualidade de segurado é mantida por um período
de 12 a 36 meses, dependendo do tempo de contribuição
do segurado e também do fato de ele ter recebido ou não
o seguro-desemprego.
Dependentes
- São dependentes do segurado o cônjuge ou companheiro;
filhos menores de 21 anos, não-emancipados ou inválidos;
pais e irmãos menores de 21 anos, não-emancipados ou inválidos.
União
estável - A Previdência Social reconhece o direito,
para os óbitos ocorridos a partir de 5 de abril de 1991, ao benefício
de pensão por morte aos parceiros homossexuais que comprovem
união estável. Nesse caso, a documentação
exigida pela Previdência Social é a mesma, tanto para beneficiários
heterossexuais como para homossexuais. O dependente deve apresentar,
além dos documentos pessoais, três provas materiais, como
mesmo endereço, conta bancária conjunta, seguro de vida,
seguro saúde, bens imóveis ou outros documentos que comprovem
a união do casal.
Requerimento
pela Internet - O benefício da pensão por morte,
precedida de aposentadoria ou auxílio-doença, pode ser
requerido via Internet, no endereço eletrônico www.previdencia.gov.br.
Trata-se de um serviço auto-explicativo, bastando apenas seguir
as instruções. Após preencher o requerimento, o
dependente deve imprimi-lo, assiná-lo, anexar os documentos listados
(sempre cópias autenticadas) e colocá-lo dentro do envelope,
que também será impresso já com o endereço
da Agência da Previdência Social, e postá-lo nos
Correios.
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CONSULTOR JURÍDICO,
09 de setembro de 2006
Dano moral trabalhista
Indenização não prescreve
em dois anos, decide TRT-RS
As ações de indenização
por dano moral trabalhista não obedecem ao prazo de prescrição
de dois anos estabelecido para a Justiça do Trabalho. Essas ações
são regidas pelo Código Civil. O entendimento, por maioria,
é da 7ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande
do Sul.
O TRT gaúcho julgou ação
de um ex-empregado da Expresso Medianeira, de Santa Maria (RS), após
decorridos oito anos do término de seu contrato de trabalho.
A controvérsia ocorreu por que
o prazo para pleitear os direitos trabalhistas extinguem-se dois anos
após o término do contrato. Já o prazo previsto
no Código Civil anterior para prescrição da ação
de indenização por danos morais é de 20 anos.
A relatora, juíza Maria Inês
Cunha Dorneles, considerou tratar-se de pretensão indenizatória
de natureza civil. E, segundo ela, o fato de a circunstância que
dá razão ao pedido ter ocorrido durante a vigência
do contrato de trabalho não modifica a natureza do direito, que
transcende a condição de trabalhador.
A relatora citou acórdão
do ministro João Oreste Dalazen, do Tribunal Superior do Trabalho,
sobre o tema – "embora o dano moral trabalhista encontre
matizes específicos no Direito do Trabalho, a indenização
propriamente dita resulta de normas de Direito Civil, ostentando, portanto,
natureza de crédito não-trabalhista".
00241-2005-701-04-003 RO
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CONSULTOR JURÍDICO,
08 de setembro de 2006
Benefício temporário
Acordo coletivo não integra contrato
de trabalho
As condições de trabalho
ou benefícios previstos em acordos coletivos não integram
definitivamente o contrato. Vigoram apenas durante o prazo previsto
no acordo. Com esse entendimento, a ministra Maria Cristina Peduzzi,
da 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, acolheu o recurso
da Ferroban — Ferrovias Bandeirantes e negou a integração
de cláusula coletiva ao contrato de um empregado.
A decisão modifica determinação
do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas,
SP), que foi favorável ao funcionário. O TRT entendeu
que a parcela intitulada “gratificação de férias”,
objeto de sucessivos acordos coletivos, passou a integrar a remuneração
do trabalhador.
De acordo com o TRT de Campinas, a vantagem
foi paga por mais de 14 anos e suprimida em março de 2000, quando
não estava prevista em norma coletiva. “Os fatos teriam
levado à sua incorporação”, decidiram os
juízes de segunda instância.
No recurso, a Ferroban alegou que a decisão
violou a Constituição Federal e a Súmula 277 do
TST. Argumentou que a verba não possuía natureza salarial
e que só poderia ser objeto de pagamento enquanto essa mesma
parcela estivesse prevista em norma coletiva.
A relatora, ministra Maria Cristina Peduzzi,
afirmou que a manutenção do pagamento da gratificação
após a vigência do acordo dependeria de manifestação
expressa das partes, o que não ocorreu. Esclareceu que o silêncio
deve ser interpretado como um interesse em limitar a validade da cláusula
ao período de vigência da norma coletiva.
“Dessa forma, a cessação
do pagamento da parcela em questão, dois meses após o
término da vigência do acordo coletivo, não constituiu
alteração lesiva, nos termos do artigo 468 da CLT”,
concluiu ao acolher o recurso da empresa.
RR 2.813/2004-067-15-00.6
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de setembro de 2006
Fatos e provas
Falta de atestado médico não
justifica demissão
Se a empresa tem provas de que o empregado
está afastado por motivo de saúde, não pode demiti-lo
por abandono de emprego ou pela falta de apresentação
de atestado médico. O entendimento é da 3ª Turma
do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo). Assim, os juízes mudaram a classificação
da demissão de uma ex-empregada da NET São Paulo. Cabe
recurso.
A trabalhadora foi demitida por justa
causa sob alegação de abandono de emprego. Ela estava
afastada para tratar de uma lesão por esforço repetitivo,
mas não apresentou atestado médico. A 52ª Vara do
Trabalho de São Paulo não acolheu o pedido da ex-empregada
porque seus atestados médicos originais não foram entregues
à empresa.
O relator do caso no TRT paulista, juiz
Rovirso Aparecido Boldo, mudou o entendimento. Considerou que a NET
tinha consciência do problema, constatado por exames periódicos
feitos pela própria empresa, que verificaram “riscos de
exposição ergonômica — movimentos de repetição”,
e que não poderia concluir pelo abandono enquanto houvesse um
tratamento médico pendente.
Boldo considerou, ainda, que a ausência
de documentos originais não podia valer como prova de abandono
de emprego. Motivo: existiam outras formas que comprovavam a doença.
A decisão da 3ª Turma foi unânime.
Recurso Ordinário 01.240.2003.05202000
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de setembro de 2006
FGTS em questão
FGTS: Aposentado que fica no emprego não
tem direito à multa
O empregado que se aposenta voluntariamente,
mas permanece no emprego, não tem direito à multa de 40%
sobre os depósitos do FGTS em relação ao período
trabalhado antes da aposentadoria. O entendimento é da 4ª
Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros negaram o Recurso
de Revista de três ex-empregados da CEEE — Companhia Estadual
de Energia Elétrica.
A Turma esclareceu que a incidência
da multa sobre o saldo total dos depósitos “desvirtuaria
a finalidade pela qual o FGTS e sua suplementação foram
instituídos, que é o provimento de recursos financeiros
para o período de inatividade do trabalhador, até obter
nova colocação”. O relator do processo foi o ministro
Ives Gandra Martins Filho.
O ministro ressaltou que o FGTS foi instituído
pela Lei 5.107/66 para substituir a indenização devida
ao empregado estável, quando dispensado injustamente. Tanto o
FGTS quanto a indenização de 40%, têm por finalidade
garantir recursos ao trabalhador até que este obtenha novo emprego.
“Nesse contexto, o empregado aposentado voluntariamente, que permanece
no emprego, não tem direito à multa”, concluiu.
Caso concreto
Os trabalhadores foram admitidos em 1953,
1959 e 1985. Em 1994, 1995 e 1996, respectivamente, a CEE extinguiu
os contratos de trabalho sob a alegação de “aposentadoria
espontânea”. A aposentadoria junto ao INSS, porém,
ocorreu bem antes, com o conhecimento da empresa. Os funcionários
continuaram trabalhando normalmente.
Por considerar que não houve interrupção
do contrato de trabalho, os funcionários pediram em reclamação
trabalhista as parcelas rescisórias e a multa sobre os depósitos
do FGTS desde a opção por este regime.
A Vara do Trabalho de Canoas (RS) julgou
o pedido procedente. O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(Rio Grande do Sul), no entanto, adotou entendimento contrário.
O processo foi para o TST. A decisão da segunda instância
foi mantida pela 4ª Turma e pela Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1), que negou os embargos.
Ainda inconformados, os ex-empregados
recorreram ao Supremo Tribunal Federal. Por despacho, o ministro Sepúlveda
Pertence deferiu o recurso na parte relativa à extinção
do contrato de trabalho em razão de aposentadoria espontânea,
uma vez que o STF já decidiu, no julgamento do RE 449.429, em
agosto de 2005, no sentido da continuidade do contrato.
“A aposentadoria espontânea
pode ou não ser acompanhada do afastamento do empregado de seu
trabalho”, registrou o ministro Pertence. “Só haveria
readmissão quando o trabalhador aposentado tivesse encerrado
a relação anterior de trabalho e posteriormente iniciado
outra; caso haja continuidade do trabalho, mesmo após a aposentadoria
espontânea, não se pode falar em extinção
do contrato de trabalho e, portanto, em readmissão”.
Com isso, determinou-se a volta do processo
à 4ª Turma para que prosseguisse o julgamento sem a premissa
da existência de dois contratos. Ainda assim, considerando a existência
de um único contrato, a Turma se baseou na finalidade do FGTS
para decidir que a multa só incide sobre os depósitos
posteriores à aposentadoria.
RR 616.084/1999.9
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de setembro de 2006
‘Aplicação da justiça’
Imunidade da ONU é derrubada em
ação trabalhista
A imunidade de jurisdição
conferida aos Estados estrangeiros e aos organismos internacionais é
relativa. O entendimento é da 4ª Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, que afastou a imunidade absoluta de jurisdição
da ONU/Pnud — Organização das Nações
Unidas/Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
A ação trabalhista é movida por uma ex-empregada,
contratada em 1995 como auxiliar administrativo e demitida sem justa
causa em 2004.
A empregada alegou, na reclamação
trabalhista, que o organismo internacional não assinou sua carteira
de trabalho nem recolheu o FGTS, além de demiti-la sem pagar
as verbas a que tinha direito.
O Pnud, pessoa jurídica de Direito
Público Internacional, invocou a imunidade de jurisdição
para se livrar da condenação trabalhista. Argumentou que
a prerrogativa o torna imune contra qualquer tipo de processo judicial
ou administrativo, conforme previsto em convenções internacionais
firmadas com o Brasil.
A preliminar de imunidade foi acolhida
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (Distrito
Federal e Tocantins), que extinguiu o processo sem julgamento do mérito.
A empregada recorreu ao TST.
O ministro Barros Levenhagen, relator
do processo, reformou a decisão da segunda instância. Segundo
o ministro, o princípio costumeiro da imunidade absoluta do Estado
estrangeiro está em desuso. Ao justificar seu posicionamento,
Levenhagen fez menção a um voto do ministro Celso de Mello,
do Supremo Tribunal Federal, destacando a “insurreição
ética” contra privilégios diplomáticos usados
para mascarar o enriquecimento sem causa dos Estados estrangeiros em
detrimento dos trabalhadores residentes no território brasileiro.
“Não é mais o jurista
lidando com regras e normas de Direito Internacional Público,
mas a humanidade que o vivifica clamando pela aplicação
da justiça”, destacou Levenhagen.
O TST, em diversos julgados que tratam
do tema, tem firmado tese de ser relativa e não absoluta a imunidade
de jurisdição conferida indistintamente aos Estados estrangeiros
e aos organismos internacionais.
RR-1.260/2004-019-10-00.4

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