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Agência Câmara, 12 de setembro
de 2006
Projeto regulamenta relatório sobre
trabalho insalubre
Tramita na Câmara o Projeto de
Lei 7083/06, do deputado Marco Maia (PT-RS), que estabelece os critérios
para a formulação do "perfil profissiográfico",
um documento elaborado pelas empresas que relaciona as atividades do
trabalhador e sua exposição a agentes nocivos prejudiciais
à saúde. Segundo a Lei 8213/91, a empresa deve fornecer
esse documento ao funcionário no momento da rescisão do
contrato de trabalho, para fins de comprovação de aposentadoria
especial perante o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O objetivo do projeto, segundo o deputado,
é garantir que o perfil profissiográfico tenha as informações
necessárias para que o trabalhador possa encaminhar com segurança
sua aposentadoria.
Requisitos
De acordo com a proposta, esse perfil
deverá:
- descrever as atividades executadas
pelo empregado e o ambiente onde foram realizadas;
- relacionar os agentes nocivos à
saúde a que o empregado estava exposto no ambiente de trabalho,
durante sua jornada de trabalho;
- transcrever a conclusão do laudo
técnico sobre as condições ambientais de trabalho,
avalizado e assinado por médico do trabalho ou engenheiro de
segurança do trabalho.
A proposta também exige que o
perfil profissiográfico seja assinado por médico do trabalho
ou engenheiro de segurança do trabalho escolhido em convenção
coletiva da respectiva categoria. Marco Maia afirma que essa medida
vai dar transparência à escolha do profissional, além
de compartilhar a responsabilidade entre sindicatos e empresas. Atualmente,
o Ministério da Previdência Social requisita no perfil
profissiográfico informações como a atividade que
o empregado exerce, o agente nocivo ao qual é exposto, a intensidade
e a concentração do agente, exames médicos e dados
referentes à empresa.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo
e será analisado pelas comissões de Seguridade Social
e Família; e de Constituição e Justiça e
de Cidadania.
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SFT, 12 de setembro de 2006
Governo de Sergipe ajuíza reclamação
contra decisão da Justiça trabalhista estadual
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu
Reclamação (RCL 4619) com pedido de liminar, ajuizada
pelo estado de Sergipe para que sejam suspensos atos processuais em
ação trabalhista ajuizada por ex-servidor efetivo do estado.
Com a ação, o governo sergipano pretende garantir a autoridade
do Supremo que, em decisão liminar deferida na Ação
Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3395, afastou a competência
da Justiça do Trabalho para solucionar qualquer conflito que
envolva o poder público e seus servidores.
Consta na ação que, no
julgamento da ADI 3395, o Plenário do Supremo suspendeu qualquer
interpretação do artigo 114, inciso I, da Constituição
Federal, com redação dada pela EC 45/2004, “que
inclua, na competência da Justiça do Trabalho, a apreciação
de causas instauradas entre o Poder Público e seus servidores,
com base em vínculo de ordem estatutária ou de caráter
jurídico-administrativo”.
Entretanto, o governo de Sergipe alega
que a Vara do Trabalho de Estância (SE) e o Tribunal Regional
do Trabalho da 20ª Região têm recebido, processado
e julgado dissídios instaurados por servidores públicos
estatutários, ocupantes de cargos efetivos do estado de Sergipe.
Assim, pede concessão de medida
liminar a fim de sustar imediatamente os atos processuais na ação
trabalhista, no âmbito do TRT da 20ª Região, contra
o Estado de Sergipe. A reclamação foi distribuída
para o ministro Carlos Ayres Britto.
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Folha
de São Paulo, 12 de setembro de 2006
Doação da Petrobras favorece
prefeituras do PT e de aliados
Cidades administradas pelo partido ficaram com
27,5% dos R$ 31 milhões repassados
Piauí, também governado por petistas,
foi o único Estado beneficiado; estatal diz que seleção
foi feita com base em projetos sociais
RUBENS VALENTE
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA
Entre outubro do ano passado e início
da campanha eleitoral, a Petrobras beneficiou prefeituras do PT e da
base aliada no financiamento de R$ 18,4 milhões de um total de
R$ 31,6 milhões em ações sociais para municípios.
O único repasse do gênero feito a um Estado, de R$ 1,25
milhão, também atendeu um reduto do PT, o Piauí.
A lista dos patrocinados pela Petrobras neste ano eleitoral inclui apoiadores
da campanha para reeleição do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores),
que receberá R$ 8,75 milhões para um programa de alfabetização,
e a UNE (União Nacional dos Estudantes), com R$ 130 mil. Adversária
da CUT, a Força Sindical recebeu apenas R$ 250 mil para um evento
de 1º de Maio.
Cerca de R$ 700 mil foram destinados
pela Petrobras a obras de melhoria de asfalto nas cidades de Maragogipe
(BA) e Alagoinhas (BA), também administradas pelo PT. Os repasses
aos municípios foram feitos às prefeituras ou a conselhos
municipais da infância e da adolescência. A Petrobras afirma
ter feito uma seleção dos projetos sociais. Do total de
208 municípios beneficiados com recursos da Petrobras entre outubro
de 2005 e junho último, 46 estão sob controle do PT. Os
municípios administrados pelo partido obtiveram R$ 8,6 milhões,
ou 27,5% do total dos recursos (o PT administra 7,4% das prefeituras
no país, segundo o resultado das eleições de 2004).
As cidades administradas por petistas
e atendidas pela Petrobras têm cerca de 11 milhões de habitantes.
Outros 61 municípios de partidos aliados de Lula (PMDB, PSB,
PL, PP e PTB) ficaram com R$ 9,83 milhões. Em contrapartida,
prefeituras administradas pelos dois maiores partidos de oposição,
PSDB e PFL, obtiveram apenas R$ 4,47 milhões (14%). As duas siglas
comandam 29,9% das prefeituras brasileiras. Os recursos foram para fundos
municipais chamados FIA (Fundo da Infância e da Adolescência),
previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Segundo a empresa, foram doados, em 2001,
cerca de R$ 12 milhões, em 2002, R$ 9 milhões, em 2003,
R$ 31 milhões, e, em 2004, cerca de R$ 22 milhões. Os
repasses são autorizados por convênios, que não
seguem a lei de licitações. Entre janeiro de 2005 e junho
de 2006, o total de convênios assinados pela estatal foi de R$
353,61 milhões -sem contar outros braços da petroleira,
como a BR Distribuidora. Entre as capitais beneficiadas administradas
pelo PT estão Recife (PE), com R$ 380 mil, Aracaju (SE), com
R$ 440 mil, e Fortaleza (CE), com R$ 132 mil. Diadema (SP), cujo prefeito
licenciado é o atual tesoureiro da campanha de Lula, José
de Filippi Júnior (PT), recebeu R$ 339,6 mil, e Guarulhos, governada
por Elói Pietá (PT), outros R$ 233,88 mil. Nova Iguaçu
(RJ), administrada por Lindbergh Farias (PT), obteve R$ 457 mil.
O patrocínio à CUT é
o quinto mais alto entre os 363 convênios assinados pela Petrobras
no período 2005-2006. Acima da CUT, aparecem fundações
universitárias e centros de pesquisa. Um repasse anterior da
Petrobras à central sindical, de R$ 700 mil para um evento em
2003, sofreu objeção do TCU (Tribunal de Contas da União).
Em dezembro, o TCU orientou a estatal a "verificar o retorno obtido
pela companhia por meio da avaliação global de sua política
de patrocínio mediante pesquisas quantitativas que ponderem o
retorno e a aceitação do público em relação
aos patrocínios concedidos".
A Petrobras repassou ainda R$ 1,3 milhão
à Fundação José Sarney, no Maranhão,
que abriga acervo do senador e ex-presidente (1985-90), aliado de Lula
no Congresso. Distribuiu cerca de R$ 335 mil a sindicatos e organizações
de jornalistas, incluindo R$ 100 mil à Fenaj (Federação
Nacional dos Jornalistas), para financiar um prêmio e um congresso
nacional. E doou cerca de R$ 692 mil a sete associações
de juízes.
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Folha
de São Paulo, 12 de setembro de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Fui até limite da lei para ter PMDB,
diz Lula
Presidente atribui fracasso em acordo formal com
peemedebistas à "turma" do partido que era aliada do
governo FHC
Em evento em Goiânia para 4.500 simpatizantes
do PMDB, Lula pede empenho em campanha e diz temer que mentiras o prejudiquem
PEDRO DIAS LEITE
DO ENVIADO ESPECIAL A GOIÂNIA
Em comício realizado em um centro
de eventos, em Goiânia, onde recebeu apoio de parte do PMDB para
sua campanha à reeleição, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou ontem à noite que atuou até o limite
da lei para tentar fechar uma coligação formal com o partido,
que acabou não se concretizando. "Trabalhei para isso até
o limite do possível permitido pela lei", afirmou Lula a
cerca de 4.500 simpatizantes do PMDB, em Goiânia. No ato, o petista
recebeu apoios de 46 prefeitos do Estado, 220 ex-prefeitos e em torno
de 200 pastores evangélicos, além do senador Maguito Vilela
(PMDB), candidato a governador, e do prefeito da cidade, Iris Rezende
(PMDB).
O presidente, que agora já articula
para contar com o apoio do PMDB em um eventual segundo mandato, culpou
uma "turma" do partido pelo fracasso das negociações.
"Essa turma que não se separou ainda da viúva do
governo passado", disse Lula, em referência à parte
do PMDB que teria apoiado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
e que não aceitou formalizar o apoio a Lula. O ex-tesoureito
petista Delúbio Soares, que tinha base em Goiás, não
foi ao evento, mas seu irmão, Carlos Soares, sim.
Apesar de um discurso de que não
pode haver salto alto, o presidente fez uma das mais francas admissões
de que crê numa vitória no primeiro turno, enquanto analisava
que sua situação está "boa". Mesmo assim,
cobrou empenho da militância e utilizou mais uma de suas metáforas
futebolísticas. Comparou a eleição ao clássico
de anteontem, entre São Paulo e Corinthians, o seu time. Mesmo
com dois jogadores a menos a maior parte do jogo, os corintianos seguraram
um 0 a 0. "De vez em quando a gente acha que o jogo está
fácil." Ele disse temer que "mentiras" na TV possam
abalar sua candidatura e de seus aliados.
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Folha
de São Paulo, 12 de setembro de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Carta de FHC "desagrega", afirma
Aécio
Governador de Minas diz que campanha tem que ser
feita "olhando para a frente" e que texto de ex-presidente foi
"sobrevalorizado"
Alckmin, que fez campanha ontem ao lado de mineiro,
não quis polemizar, mas concordou que foco deve ser o futuro:
"Mas é óbvio"
Orlando Brito/ObritoNews/Divulgação
Geraldo Alckmin, entre Aécio Neves e o candidato ao Senado Eliseu
Rezende (PFL), acena durante carreata em Teófilo Otoni (MG)
PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM TEÓFILO OTONI
Ao lado do candidato do PSDB à
Presidência, Geraldo Alckmin, o governador de Minas Gerais e também
tucano, Aécio Neves, mostrou ontem em Teófilo Otoni (MG)
o seu descontentamento com a carta pública do ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso. Aécio afirmou que evitaria comentar coisas
"que mais desagregam do que agregam". Na carta, o ex-presidente
lista o que vê como erros do PSDB, inclusive o fato de o partido
ter "tapado o sol com a peneira" no episódio do caixa
dois da campanha do senador Eduardo Azeredo, presidente da sigla na
época da revelação.
Ao comentar a carta, Aécio disse
que FHC terá sempre seu "espaço consolidado na história
do Brasil", mas emendou: "Agora, quando se faz uma campanha
política, se faz olhando para a frente. Ninguém faz uma
campanha política apenas olhando para trás". Ele
disse que o que move o partido agora é a campanha de Alckmin.
"O Geraldo vem lembrando sempre, com muita firmeza, os aspectos
positivos do governo FHC. Não acho que ele tenha sido deixado
de lado. Agora, o candidato é Geraldo Alckmin, e nós estamos
discutindo o governo a partir de 2007 e não governos passados."
Aécio disse que o ex-presidente
"teve lá as suas razões" e que "certamente
o documento tem aspectos positivos". Mas acrescentou: "Estou
envolvido em um projeto que é a eleição do Geraldo
Alckmin para a Presidência. Esse é o projeto que interessa
ao PSDB e ao Brasil. A melhor forma de contribuir para continuar avançando
nesse projeto é evitar comentar coisas que mais desagregam do
que agregam".
O mineiro disse que o ex-presidente não
pode ser "julgado por um documento", mas que, ao criar uma
"determinada polêmica" em ambiente eleitoral, foi "sobrevalorizado"
pela imprensa e que a contribuição que ele, Aécio,
dá é ajudar para que o texto "não seja mais
valorizado do que deve." Alckmin, questionado sobre a carta e Azeredo,
não polemizou mais: "A lógica da carta foi fazer
um chamamento, esse é o objetivo do [ex-]presidente". O
presidenciável disse concordar com Aécio quando indagado
se a campanha deve ser feita olhando para frente e não para trás.
"Mas é óbvio."
Segundo turno
Alckmin disse aos apoiadores de Aécio
que é "tarefa" de cada um deles fazer com que a eleição
vá para o segundo turno. Alckmin, que apresentará depoimento
de Aécio no seu programa eleitoral -o governador já gravou
participação-, espera conquistar pontos importantes em
Minas, segundo colégio eleitoral do país. Aécio
lidera com folga a campanha à reeleição, com 75%,
segundo o Datafolha. Já Alckmin só tem 26% das intenções
de voto no Estado, contra 54% de Luiz Inácio Lula da Silva.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 12
de setembro de 2006 | Economia
MERCADO FINANCEIRO
Mercado já reduz projeção
para juro e inflação em 2007
Brasília – A queda da inflação em agosto
levou o mercado financeiro a reduzir a projeção do Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2007 de 4,5% para 4,4%,
conforme pesquisa semanal realizada pelo Banco Central entre instituições
financeiras. Foi a primeira vez, depois de 55 semanas consecutivas,
que a previsão passou a ficar abaixo da meta oficial (4,5%).
Para 2006, a projeção do mercado caiu pela quarta semana
consecutiva, de 3,63% para 3,32%. O movimento, na opinião de
analistas, abre espaço para que o BC promova reduções
mais significativas das taxas de juros.
A pesquisa divulgada já mostrou
uma redução na expectativa do mercado quanto aos juros.
A maioria das instituições, que na semana passava esperava
que a Selic chegaria ao final do ano em 14%, reduziu a previsão
para 13,75%. As perspectivas para o crescimento econômico para
este e o próximo ano, entretanto, continuaram moderadas. O aumento
do Produto Interno Bruto (PIB), pelas projeções de mercado
contidas na pesquisa do BC, seria de 3,20% neste ano e de 3,50% em 2007.
As previsões são as mesmas da semana passada.
Já para a produção industrial, a projeção
do último levantamento do BC caiu de 4% para 3,81% para este
ano.
Em relação ao superávit
comercial ela foi elevada de US$ 42 bilhões para US$ 42,8 bilhões.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 12
de setembro de 2006 | Economia
CRISE-Sindicato aceita plano, mas trabalhadores
ainda farão assembléia
Volks fecha acordo para 3,6 mil
cortes no ABC
Mauricio Lima/AFP

Funcionários decidem na quinta-feira
se aprovam proposta
São Paulo – A Volkswagen melhorou sua proposta para a demissão
de 3,6 mil funcionários na fábrica de São Bernardo
do Campo (SP) até 2008 e conseguiu a aprovação
do plano pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A proposta ainda
será avaliada pelos trabalhadores, em assembléia que acontece
na próxima quinta-feira. A fábrica emprega 12,4 mil pessoas.
A Volks e o sindicato têm costurado
o acordo desde a semana passada, quando a montadora suspendeu 1,8 mil
demissões que já haviam sido comunicadas. Entre as principais
mudanças na proposta da empresa, estão melhorias nos benefícios
que serão pagos aos trabalhadores que decidirem aderir ao plano
de demissão voluntária. Há também a promessa
de que a fábrica de São Bernardo receberá dois
novos modelos até 2009. O Fox Europa deixará de ser produzido
no ABC até julho de 2007, mas a unidade passará a fabricar
uma picape e um carro que ainda está em projeto.
De acordo com o novo plano da montadora, o corte de 3,6 mil pessoas
será feito em 11 etapas, a primeira delas envolvendo 1,8 mil
funcionários. A empresa criou uma espécie de plano de
demissões voluntárias em que pagará 1,4 salário
por ano trabalhado aos funcionários que concordarem em ser dispensados
antes do dia 21 de novembro, data em que termina o acordo de estabilidade
de emprego.
Um segundo plano de demissão,
que vai até 31 de janeiro, concederá um salário
para cada ano trabalhado. Com esses dois planos, a empresa espera demitir
1,3 mil pessoas. Se não alcançar esse número, a
montadora indicará os demais dispensados até o fim de
fevereiro, concedendo a eles 0,6 salário por ano trabalhado.
Na primeira proposta apresentada, cada funcionário demitido receberia
apenas 0,4 salário por ano trabalhado.
Segundo o sindicato do ABC, a empresa
concordou em rever o número de demissões se a situação
da fábrica tiver uma melhora substancial. Os funcionários
que continuarem na Volks também foram beneficiados. O desconto
no salário para o pagamento do plano de saúde, que subiria
de 1% para 3% pela proposta inicial da Volks, agora será de 2%.
Além disso, a empresa, que queria cortar em 35% os salários
dos novos funcionários, se comprometeu a rever esse porcentual,
mas ainda não há acordo sobre o novo índice. A
montadora também desistiu de cortar os intervalos de trabalho
no setor de pintura.
Para a fábrica de São
José dos Pinhais (PR), que emprega 3,8 mil pessoas, a Volks prevê
900 demissões a partir de janeiro de 2007. Em assembléia
realizada em junho, os trabalhadores não autorizaram o sindicato
local a negociar cortes ou flexibilização de direitos
trabalhistas, como previa o plano da montadora – e não
houve novas negociações com a empresa desde então.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 12
de setembro de 2006 | Economia
PREVIDÊNCIA
Comprovar doença de trabalho
ficará mais simples
Até o fim deste mês, ficará mais fácil para
o trabalhador comprovar doenças relacionadas ao ambiente de trabalho.
Deve entrar em vigor o Nexo Técnico Epidemiológico (NTE)
do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), informou ontem o secretário-geral
do Ministério da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas.
Ele participou em Curitiba do Seminário Estadual de Conselho
de Previdência Social, realizado pela Gerência-Executiva
do INSS no Paraná.
Na prática, o INSS passará
a ter um banco de dados em que cada categoria profissional será
relacionada às doenças estatisticamente mais freqüentes
a sua área. Quando o trabalhador fizer a consulta ao órgão,
o perito vai analisar se o caso está ou não na lista das
doenças peculiares a sua atividade. Em caso afirmativo, o trabalhador
passa a receber automaticamente o auxílio-doença acidentário,
que garante o depósito mensal do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS) durante todo o tempo em que estiver afastado e
mantém o vínculo com a empresa por pelo menos um ano após
a licença. Se a empresa não concordar com a decisão,
caberá a ela provar que a doença não é originária
do emprego.
Hoje, o trabalhador precisa apresentar a Comunicação de
Acidente de Trabalho (CAT), normalmente assinada por um médico
da empresa, para comprovar a relação da doença
com o ambiente de trabalho. “Em muitos casos, os trabalhadores
têm dificuldade em comprovar esse vínculo e acabam optando
pelo auxílio-doença”, explica o secretário-geral
Carlos Gabas.
A medida também visa incentivar
as empresas a garantirem um ambiente de trabalho adequado a seus funcionários.
“As empresas que reduzirem o número de acidentes de trabalho
vão pagar alíquotas menores”, diz Gabas. Atualmente,
as empresas pagam alíquotas do Seguro Acidente de Trabalho (SAT)
de 1%, 2% e 3% sobre a folha de pagamento, variando conforme o risco
da atividade. Mesmo aquelas que efetivam mudanças e baixam seus
números de acidentes continuam pagando o valor da alíquota
máxima. “A idéia é incentivar a melhoria
da segurança no trabalho. Por exemplo, se o número de
acidentes de trabalho aumentar, a empresa também vai passar a
pagar uma alíquota com valor maior”, explica Gabas.
Para o coordenador do curso de economia
da UniFAE, Gilmar Lourenço, a medida “faz parte do pacote
de bondades que o governo federal vem lançando para a sociedade
nesse ambiente eleitoral”. Para ele, os efeitos práticos
devem ser pouco significativos, e o NTE deveria fazer parte de uma “detalhada
reforma trabalhista, e não ser apenas uma medida pontual do governo,
que ainda pode ser desconsiderada pelo Congresso”.
O NTE está previsto na Medida
Provisória 316, editada pelo governo no mês passado, e
depende da publicação de um decreto para entrar em vigor.
No momento, o texto do decreto está sendo analisado pelo departamento
jurídico da Casa Civil. A partir da sua edição,
a medida provisória tem força de lei por 60 dias.
A MP 316 deve ser analisada pelo
Congresso até o próximo dia 25 de setembro, ou passará
a trancar a pauta de votações. Caso não seja aprovada,
os parlamentares terão que editar um decreto para disciplinar
os efeitos que tenha gerado durante sua vigência.
Breno Baldrati
Confira
a íntegra da MP nº 316, de 11 de agosto de 2006.

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 316, DE 11 DE AGOSTO DE
2006.
Altera
as Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, e 9.796, de
5 de maio de 1999, e aumenta o valor dos benefícios da previdência
social.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição
que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte
Medida Provisória, com força de lei:
Art. 1o O art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa
a vigorar acrescido do seguinte parágrafo:
“§ 14. Para os fins do disposto no inciso II do caput e no
art. 10 da Lei no 10.666, de 8 de maio de 2003, aplicar-se-á
um único grau de risco para todos os estabelecimentos da empresa,
na forma do regulamento.” (NR)
Art. 2o A Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar acrescida
dos seguintes artigos:
“Art. 21-A. Presume-se caracterizada incapacidade acidentária
quando estabelecido o nexo técnico epidemiológico entre
o trabalho e o agravo, decorrente da relação entre a atividade
da empresa e a entidade mórbida motivadora da incapacidade, em
conformidade com o que dispuser o regulamento.” (NR)
“Art. 41-A. O valor dos benefícios em manutenção
será reajustado, anualmente, na mesma data do reajuste do salário
mínimo, pro rata, de acordo com suas respectivas datas de início
ou do último reajustamento, com base no Índice Nacional
de Preços ao Consumidor - INPC, apurado pela Fundação
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.
§ 1o Nenhum benefício reajustado poderá exceder o
limite máximo do salário-de-benefício na data do
reajustamento, respeitados os direitos adquiridos.
§ 2o Os benefícios serão pagos do primeiro ao quinto
dia útil do mês seguinte ao de sua competência, observada
a distribuição proporcional do número de beneficiários
por dia de pagamento.
§ 3o O primeiro pagamento de renda mensal do benefício será
efetuado até quarenta e cinco dias após a data da apresentação,
pelo segurado, da documentação necessária a sua
concessão.
§ 4o Para os benefícios que tenham sido majorados devido
à elevação do salário mínimo, o referido
aumento deverá ser compensado quando da aplicação
do disposto no caput, de acordo com normas a serem baixadas pelo Ministério
da Previdência Social.” (NR)
Art. 3o O art. 3o da Lei no 9.796, de 5 de maio de 1999, passa a vigorar
acrescido do seguinte parágrafo:
“§ 6o Aplica-se o disposto neste artigo aos períodos
de contribuição utilizados para fins de concessão
de aposentadoria pelo INSS em decorrência de acordos internacionais.”
(NR)
Art. 4o Em 1o de agosto de 2006, os benefícios mantidos pela
previdência social em 31 de março de 2006, com data de
início igual ou anterior a 30 de abril de 2005, terão
aumento de cinco inteiros e um centésimo por cento, incidente
sobre as respectivas rendas mensais no mês de março de
2006, sendo:
I - três inteiros e duzentos e treze milésimos por cento,
a título de reajustamento, para fins do § 4o do art.
201 da Constituição; e
II - um inteiro, setecentos e quarenta e dois milésimos por cento,
a título de aumento real, incidente sobre as respectivas rendas
mensais no mês de março de 2006, após a aplicação
do reajuste de que trata o inciso I.
§ 1o Aos benefícios concedidos de 1o de maio de 2005 a 31
de março de 2006 aplica-se o disposto no inciso I, pro rata,
de acordo com as respectivas datas de início, e o valor integral
estabelecido no inciso II.
§ 2o O disposto no caput e no § 1o aplica-se aos valores expressos
em unidade monetária na legislação previdenciária.
§ 3o Para os benefícios que tenham sido majorados em razão
do reajuste do salário mínimo em 1o de abril de 2006,
o referido aumento deverá ser compensado quando da aplicação
do disposto no caput, de acordo com normas a serem estabelecidas pelo
Ministério da Previdência Social.
§ 4o O aumento de que trata este artigo substitui, para todos os
fins, o referido no § 4º do art. 201 da Constituição,
relativamente ao ano de 2006, e, a partir de 1o de agosto de 2006, o
referido na Medida Provisória no 291, de 13 de abril de 2006.
§ 5o O Poder Executivo regulamentará o disposto neste artigo.
Art. 5o Para fins do reajuste no ano de 2007, com fundamento no art.
41-A da Lei nº 8.213, de 1991, considerar-se-á o dia
1o de abril de 2006 como data do último reajuste dos benefícios
referidos no caput do art. 4o.
Art. 6o Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua
publicação.
Art. 7o Ficam revogados:
I - o art. 41 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991;
II - os arts. 3o e 4º da Lei nº 8.444, de 20 de julho de
1992;
III - o art. 4o da Medida Provisória no 2.187-13, de 24 de
agosto de 2001, no ponto em que dá nova redação
ao art. 41 da Lei no 8.213, de 1991; e
IV - a Lei no 10.699, de 9 de julho de 2003.
Brasília, 11 de agosto de 2006; 185o da Independência e
118o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Carlos Eduardo Gabas
Este texto não substitui
o publicado no D.O.U. de 11.8.2006
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JORNAL GAZETA DO POVO, 12
de setembro de 2006 | Economia
CASA PRÓPRIA-Pacote imobiliário
prevê Taxa Referencial facultativa e recursos para construtoras
Governo anuncia hoje crédito
consignado para habitação
Brasília – O governo federal deve anunciar hoje as medidas
do pacote habitacional para estimular o crescimento do setor, considerado
crucial para dinamizar o crescimento do país. Entre elas deve
estar um decreto autorizando o crédito consignado – com
desconto no contracheque do mutuário – para habitação.
A expectativa do mercado é que as prestações fiquem
limitadas a 30% da renda do mutuário. Mas, como acontece hoje
no crédito consignado tradicional, o comprometimento da renda,
na prática, ficará a 20%. Também devem ser permitidas
prestações variáveis, diferentemente do que ocorre
com o consignado tradicional.
A maior aposta do governo, no entanto,
é a permissão para que as instituições financeiras
ofereçam crédito imobiliário com taxa de juros
prefixada, tornando, através de Medida Provisória, facultativo
o uso da Taxa Referencial (TR).
Os empréstimos sem TR poderão ser contabilizados dentro
do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Segundo fonte
do setor, não há preocupação de que a modalidade
de empréstimo prefixado cause descasamento entre os ativos (os
empréstimos, que terão juros fixos) e os passivos (os
depósitos em poupança, com juro variável) dos bancos.
O governo deve anunciar também,
como parte do pacote, a criação de linha de crédito
para financiar a construção de imóveis –
serão R$ 2,5 bilhões emprestados pela Caixa Econômica
Federal às construtoras até 2007. Outras três medidas
compõem o pacote: a desoneração de Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) para materiais de acabamento da construção
civil; a criação de um portal de financiamento imobiliário
e a inclusão de empresas do setor de construção
civil no Simples, o imposto das micro e pequenas empresas. Esta última
já está prevista na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa,
aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados.
“Estamos no melhor dos mundos”,
resume o presidente Secovi-SP, Romeu Chap Chap. “Desde 2003 o
terreno já vinha sendo pavimentado”, diz o presidente do
Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado
de São Paulo (Sinduscon-SP), João Claudio Robusti. Na
sua opinião, a possibilidade de financiamentos com prestação
fixa, sem a TR, deve impulsionar as vendas porque o comprador irá
se sentir mais seguro na hora de assumir a dívida, caso venha
a perde o emprego.
Além das construtoras, a indústria
e o comércio de materiais de construção estão
satisfeitos com as medidas de incentivo. O presidente da Associação
Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco),
Claudio Conz, acredita que mais dez novos produtos serão adicionados
à lista de 40 que tiveram as alíquotas de Imposto sobre
Produto Industrializado (IPI) reduzida ou zerada. Nessa nova relação,
constariam chuveiro, piso, vidro, entre outros. Com essa nova lista,
será a terceira vez neste ano que o governo desonera de IPI os
materiais de construção. Conz acredita que, com isso,
as revendas vão fechar o ano com crescimento de 8% no faturamento.
Até julho o acréscimo foi de 6,5%.
O presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Materiais de Construção
(Abramat), Melvyn Fox, diz que as vendas de itens que tiveram o IPI
reduzido ou zerado cresceram 10% no primeiro semestre deste ano ante
o mesmo período de 2005, enquanto a receita da indústria
como um todo aumentou só 3% no período.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 12 de setembro de 2006 | Economia
Entre emergentes, Brasil é o 3º
país mais aberto, aponta CNI
O Brasil é um dos três países
relativamente mais abertos em termos de comércio num grupo de
nove emergentes, selecionados em levantamento da Confederação
Nacional da Indústria
RIO - O Brasil é um dos três
países relativamente mais abertos em termos de comércio
num grupo de nove emergentes, selecionados em levantamento da Confederação
Nacional da Indústria (CNI). A tarifa média de importação
aplicada pelo País é de 10,8%, abaixo da média
de 15,1% do grupo. Os dados também refletem a diferença
com relação ao grau de abertura da Índia, cuja
tarifa de importação média é de 29,9%, quase
o triplo da brasileira.
A comparação levou em conta
países em desenvolvimento "relevantes em termos de expressão
econômica" e também inclui China, Coréia, México,
Rússia, Tailândia, Venezuela e Vietnã. As duas menores
tarifas médias aplicadas são das economias russa (9,8%)
e chinesa (10,4%). Apesar de estar na terceira colocação
no grupo, o Brasil tem uma tarifa média superior à dos
Estados Unidos e União Européia, que não ultrapassam
os 5%.
A gerente executiva da Unidade de Negociações
Internacionais da CNI, Soraya Rosar, comenta que o País é
um dos mais abertos dentre os emergentes. Mas reconhece que o fato de
o Brasil estar abaixo da média dos países em desenvolvimento
não significa que o País é "super aberto"
pelo fato de que há outros "bem mais fechados que a gente".
Levando em conta apenas a tarifa média industrial, a Coréia
tem a tarifa média aplicada menor, de 7,4%.
Na comparação, chama a
atenção as diferenças entre Brasil e Índia,
países que se reúnem hoje, em Brasília, para um
entendimento bilateral. "Na realidade, Brasil e Índia têm
trabalhado em conjunto (na Rodada de Doha), mas têm posições
que não são comuns. O interessante é que apesar
disso os dois países tenham conseguido pontos comuns para trabalhar
juntos no G20 (grupo integrado por 23 da África, Ásia
e América Latina). O bonito do grupo está aí",
disse Soraya.
Postura agressiva
Apenas para exemplificar, o Brasil tem
uma postura mais agressiva em termos de produtos agrícolas, até
mesmo com relação ao seu próprio mercado, "até
porque sabemos que somos muito competitivos nesse setor", diz a
especialista. Mas é defensivo nas negociações sobre
o setor de serviços, área em que a Índia desponta
e indica sinal mais claro de avanço. Já com relação
à agricultura, os indianos são muito mais cautelosos.
De maneira geral, a Índia tem
pelo menos 600 milhões de pessoas em atividades ligadas à
agricultura de subsistência e uma eventual abertura, na visão
do país, geraria efeitos diretos sobre o trabalho e a pobreza
da economia local.
Nesse fim de semana, durante reunião
G20 no Rio, o ministro de Comércio da Índia, Kamal Nath,
indicou que a importância de discutir o "comércio
justo" e não apenas livre. No evento, Brasil e Índia
defenderam que justamente a diversidade interna gera credibilidade ao
grupo de emergentes.
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EXPORT NEWS / AGÊNCIA
DE NOTÍCIAS, 12 de setembro de 2006
Importações aumentam 45,6%
e exportações crescem 18,9%
Mantendo o ritmo de crescimento observado
desde o início do ano, a média diária das importações
brasileiras chegou a US$ 459,5 milhões na segunda semana de setembro,
registrando o maior valor da história. No acumulado do mês,
com cinco dias úteis, a média diária das compras
do mercado internacional atingiu US$ 437,8 milhões, 45,6% maior
que em setembro do ano passado.
O bom desempenho das importações
nesta semana se deveu, principalmente, a três categorias de produtos:
aeronaves, combustíveis e cereais e produtos de moagem. Se comparado
com setembro do ano passado, o crescimento nos gastos destes grupos
foi de: aeronaves e partes (+169,9%), combustíveis e lubrificantes
(+149,4%) e cereais e produtos de moagem (+73,1%).
Nas exportações, a média
diária da semana atingiu US$ 566 milhões e a do mês
US$ 602 milhões. No acumulado de setembro, as vendas para o mercado
externo estão 18,9% maiores que em setembro do ano passado, devido
ao crescimento nas exportações das três categorias
de produtos: semimanufaturas (+49%, principalmente catodos de cobre,
celulose e ferro fundido), manufaturas (+21,9%, principalmente, gasolina,
hidrocarbonetos e seus derivados e álcool etílico) e básicos
(+5,9%, principalmente milho em grão, fumo em folhas e carne
bovina).
No resultado geral da semana, as exportações
alcançaram US$ 2,264 bilhões e as importações,
US$ 1,838 bilhão, gerando um saldo positivo (exportação
menos importação) de US$ 426 milhões. No mês,
o superávit ficou em US$ 821 milhões, resultado de vendas
para o mercado externo de US$ 3,010 bilhões superando as compras
do mercado internacional de US$ 2,189 bilhões.
No ano, a balança comercial atinge
valores recordes com exportações em US$ 91,174 bilhões
e importações em US$ 60,725 bilhões, o que resulta
num superávit de US$ 30,449 bilhões. A corrente de comércio
(exportação + importação) também
acumula número histórico de US$ 151 bilhões, 18,3%
maior que no mesmo período do ano passado.
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JORNAL DE NOTÍCIAS
/ PORTUGAL, 12 de setembro de 2006
Um em cada cinco trabalhadores vive com
emprego temporário
Alexandra Figueira
Portugal e Espanha são os dois
países da União Europeia (UE) a 15 com mais trabalhadores
precários. E, na comunidade a 25 países, só a Polónia
ultrapassa a Península Ibérica na precariedade no trabalho.
Os mais recentes dados do Eurostat sobre a força de trabalho
europeia mostram que, em matéria laboral, Portugal continua atrás
da maioria dos parceiros comunitários numa série de indicadores,
desde a segurança do posto de trabalho, até ao número
médio de horas trabalhadas, onde ocupa o quarto lugar na UE a
15.
A instabilidade no emprego é um
dos indicadores em que Portugal se destaca pela negativa. Um em cada
cinco portugueses assinou um contrato a prazo (a termo certo) ou temporário
com a entidade empregadora. A Espanha é, de longe, o país
onde a precariedade mais atinge a mão-de- -obra, com um em cada
três espanhóis a trabalhar nessas circunstâncias.
Também a Polónia - cuja economia só recentemente
se converteu ao sistema capitalista e entrou na UE - aparece nos lugares
cimeiros.
A par da precariedade, também
na carga de trabalho Portugal sobressai no panorama comunitário,
situando-se no quarto lugar entre os Quinze no que toca a número
médio de horas trabalhadas. Só o Reino Unido (42,6 horas),
a Áustria (42,4 horas) e a Grécia e Espanha (41 horas)
ultrapassam Portugal no que toca ao tempo passado no posto de emprego
(40,2 horas, o mesmo que no Luxemburgo). Os portugueses passam, assim,
mais tempo no trabalho do que a maior parte dos europeus, mas apesar
disso a sua produtividade é inferior em um terço à
média comunitária.
Uma das várias razões pelas
quais a produtividade nacional é tão baixa é a
qualificação dos trabalhadores e, aqui, Portugal está
novamente mal colocado. Em Junho do ano passado, só 4,6% dos
portugueses declararam ter participado em acções de formação
profissional ou educativa - a percentagem mais baixa de toda a União
a Quinze. Na UE a 25, só a Hungria dá menos formação
aos seus trabalhadores.
Um décimo na agricultura
Portugal ainda é um país
de agricultores. O Eurostat indicou que 11,8% dos trabalhadores estão
no sector agrícola. Entre a União Europeia a Quinze, o
primeiro lugar é ocupado pela Grécia, com 12,4% da mão-de-obra
dedicados ao sector primário.
No global da União Europeia, a
agricultura tem um peso ainda maior. Na Polónia, 17,4% dos trabalhadores
são agricultores, seguida da Lituânia (14%) e da Letónia
(11,8%).
Luxemburgo, Bélgica e Alemanha
são os países com menor percentagem de agricultores, abaixo
dos 3%.
Legislação mais dura
A proposta socialista que mudará
a lei que rege o trabalho temporário será discutida amanhã
em concertação social, mas já mereceu críticas
pela Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado
de Emprego (APESPE). À Lusa, o presidente Marcelino Pena Costa
criticou a "carga burocrática inacreditável"
que será exigida no processo de licenciamento e a manutenção
do Instituto de Emprego e Formação Profissional como entidade
responsável pelo processo de licenciamento. Em alternativa, Pena
Costa defende a criação de uma comissão tripartida,
com dois membros da Inspecção-Geral do Trabalho, dois
das centrais sindicais e dois das patronais, entre os quais a própria
APESPE. No parecer que enviou ao Governo, parceiros sociais e partidos
políticos, a associação sugere que a licença
de actividade seja renovada de três em três anos e não
anualmente, como proposto, e aplaudiu o facto de passarem a ser permitidos
contratos de trabalho durante três anos, tal como previsto na
lei geral.
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AGÊNCIA BRASIL, 12
de setembro de 2006
Trabalhadores resgatados da condição
de escravos serão alfabetizados
Rosamélia de Abreu
Repórter da Voz do Brasil
Brasília - Os ministérios
do Trabalho e Emprego e da Educação decidiram fazer uma
parceria para alfabetizar 450 trabalhadores resgatadas da condição
de escravos em dez municípios do Pará, Tocantins, Piauí
e Maranhão. As cidades foram selecionadas no banco de dados do
Ministério do Trabalho e Emprego, que permite consultar entidades
parceiras no combate ao trabalho escravo.
Foram usados também informações
do Ministério Público Federal, que relaciona os municípios
de origem dos trabalhadores libertados e aqueles onde ocorre aliciamento
de pessoas para esse tipo de trabalho.
De acordo com o assessor da Secretaria
de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho
e Emprego, Luciano Maduro, o governo federal trabalha na linha de reintegração
social. “Nós avançamos nas ações de
repressão ao trabalho escravo e agora a idéia é
dar início a uma série de medidas que vão favorecer
a reintegração social".
As prefeituras e secretarias estaduais
de Educação também estão envolvidos no processo
de alfabetização, com a responsabilidade de criar turmas
nos municípios onde moram esses trabalhadores. Os cursos de alfabetização
devem ter início ainda neste ano.
Maduro informou que após a libertação,
os trabalhadores resgatados têm direito a receber três parcelas
do seguro-desemprego, no valor de um salário mínimo cada
e são incluídos no Bolsa Família, desde que cumpram
as exigências do programa.
Segundo Luciano Maduro, o ministério
do Desenvolvimento Agrário lançou o projeto “Terra
para a Liberdade”, destinado exclusivamente a trabalhadores libertados.
O projeto, de acordo com Maduro, conta com uma linha de crédito
especial para garantir aos resgatados o seu sustento como produtores
rurais em terras desapropriadas para fins de reforma agrária.
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CORREIO DO ESTADO / CAMPO
GRANDE, 12 de setembro de 2006
Greve pode parar INSS, DRT e Funasa
Servidores públicos federais podem
suspender o atendimento aos beneficiados do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e da Fundação
Nacionalde Saúde (Funasa) por 48 horas e ainda estudam iniciar
greve por tempo indeterminado ainda neste mês. A paralisação
poderá ocorrer nos dias 20 e 21 de setembro em todo o País,
prejudicando mais uma vez, cerca de 2 mil usuários por dia somente
do INSS.
Segundo o diretor depolíticas
sindicais do Sindicato dos Trabalhadores da Previdência Social
(Sindstprev), Élio Araújo de Oliveira, os protestos acontecerão
durante a campanha eleitoral porque o Governo federal não cumpriu
o acordo firmado no ano passado com os ministros do Trabalho, Previdência
Social, Saúde e Planejamento, que era a implantação
do Plano de Carreira, a equiparação dos salários
dos inativos e ativos, entre outros pontos.
Conforme Oliveira, em assembléia
nacional, os sindicalistas aprovaram a paralisação de
48 horas na próxima semana, quarta e quinta-feira, e nova reunião,
dia 23, para deliberar sobre greve por tempo indeterminado. Neste semana,
os trabalhadores de Mato Grosso do Sul decidem se fecham as agências
do INSS, da Delegacia Regional do Trabalho, da Funasa, da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério
da Saúde.
PSOL
Élio Araújo de Oliveira
admitiu que a população será prejudicada com a
paralisação temporária ou permanente. Somente no
INSS, são 2 mil segurados atendidos por dia. A DRT recebe 350
trabalhadores em busca do seguro desemprego e carteira de trabalho por
dia. A Funasa realiza 700 visitas domiciliares por dia e ainda é
responsável pelo atendimento à população
indígena.
Oliveira nega caráter político
na mobilização dos servidores públicos federais.
Contudo, sindicalistas ligados ao Sindtsprev disputam as eleições
no Estado pelo PSOL, partido da candidata a presidência da República,
Heloísa Helena. Anita Borba disputa o Senado e Henrique Martini,
uma vaga na Câmara dos Deputados.
No ano passado, os servidores do
INSS cruzaram os braços por 72 dias, deixando 81 mil idosos aposentados
e trabalhadores doentes sem atendimento. (EB)
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INFOMONEY PESSOAL, 12 de
setembro de 2006
Horas extras trabalhadas logo após
período noturno podem receber adicional
SÃO PAULO - As horas extras trabalhadas
durante o dia, mas logo após a jornada cumprida no período
noturno, poderão receber adicional como se tivessem sido executadas
no horário noturno.
Trata-se de uma proposta que consta no
Projeto de Lei 7019/06, do deputado Ivo José (PT-MG), que também
considera a hora de trabalho reduzida.
Hora noturna corresponde a 52 minutos
e 30 segundos
A Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT) define como noturno o trabalho executado entre 22
horas de um dia e 5 horas do dia seguinte. A legislação
também prevê o pagamento de adicional noturno de pelo menos
20% sobre a hora diurna e estabelece que a hora noturna corresponde
a 52 minutos e 30 segundos.
Ivo José lembra que a CLT determina
que se aplique às prorrogações do trabalho noturno
aquilo que é previsto para esse tipo de horário, mas isso
não tem evitado as ações na Justiça que
questionam os direitos que incidem sobre as horas extras diurnas prestadas
imediatamente após a jornada noturna.
Projeto contempla decisões
judiciais
"Os tribunais trabalhistas têm
pacificado o entendimento de que nessas situações prevalece
o direito à percepção dos direitos noturnos no
período equivalente à prorrogação da jornada",
diz o deputado.
A proposta, diz ele, tornaria mais evidente
esse entendimento ao prevê-lo na lei, evitando o acumulo de processos
trabalhistas.
Tramitação
Segundo a Agência Câmara,
o projeto, que já tramita em caráter conclusivo, passará
pela análise das comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.

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