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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de setembro de 2006 | Economia
HABITAÇÃO-Pacote anunciado
ontem pelo governo inclui crédito consignado para a compra
de imóvel
BNDES vai financiar casa própria
Brasília – A principal
novidade do pacote de medidas para baratear o preço dos imóveis
e facilitar as condições de pagamento – anunciada
ontem pelo governo federal – é a possibilidade de que
o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômica e Social (BNDES)
financie a construção de imóveis para funcionários
de empresas. Os projetos serão enquadrados na linha de investimentos
sociais do BNDES e terão taxa de juros de TJLP mais 1% ao ano.
Outra linha de crédito do banco,
no total de R$ 100 milhões, será destinada a investimentos
em inovação tecnológica do setor. Ela terá taxa
de juros de 6% e prazo de financiamento de até 12 anos. Também
faz parte do pacote de medidas uma linha de crédito de R$ 1
bilhão oferecida pela Caixa Econômica Federal (CEF) para
a construção de imóveis. Ela financiará até 85%
do custo da obra e terá taxa de juros de TR mais 9,56% ao ano
para imóveis de até R$ 130 mil, e de TR mais 11,38% ao
ano para imóveis entre R$ 130 mil e R$ 350 mil. Segundo nota à imprensa
divulgada pelo Palácio do Planalto, para 2007 a CEF já havia
previsto recursos de R$ 3,5 bilhões para o segmento habitacional.
A surpresa negativa foi a desistência
do governo de acabar com a Taxa Referencial (TR). No pacote, o governo
permitirá apenas que os bancos que desejarem deixar de indexar
seus empréstimos a essa taxa possam fazer isso utilizando recursos
da caderneta de poupança para oferecer crédito. A expectativa,
segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, é que ao longo
do tempo o valor das prestações passe a ficar próximo
ao aluguel de um imóvel, que hoje está entre 0,6% e 1%
do valor do imóvel.
Segundo o ministro, esse programa “vai
no sentido de atender à aspiração básica
do brasileiro, que é o acesso à casa própria.” Mantega
disse ainda que as medidas não têm caráter eleitoral,
e visam promover o desenvolvimento econômico.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13 de
setembro de 2006 | Economia
REPERCUSSÃO
Parcela fixa reduzirá custo
O diretor de Crédito Imobiliário
e Poupança da Federação Brasileira de Bancos (Febraban),
Natalino Gazonato, considera a criação do financiamento
imobiliário prefixado com recursos da poupança uma das
principais medidas do pacote habitacional divulgado ontem pelo governo. “Esse
era um pleito dos bancos que foi atendido.”
Para Gazonato, a possibilidade de os bancos
usarem os recursos da poupança nos empréstimos com prestações
fixas barateará o custo do crédito ao tomador final. “As
taxas deverão ficar abaixo do máximo permitido, que hoje
seria de cerca de 14% ao ano”, afirmou.
Ele também comemorou o fato de
as operações com juros prefixados terem sido incluídas
no cálculo da exigibilidade dos bancos para o crédito imobiliário.
Até agora, as instituições só poderiam considerar
nesse cálculo os empréstimos tradicionais, com a Taxa Referencial
(TR). Os financiamentos fixos não entravam no cumprimento da obrigação.
Apesar de elogiar as medidas, Gazonato
disse que uma série de outros pleitos do setor imobiliário
ficou de fora do pacote. “Faltou reduzir a burocracia e a carga
tributária, por exemplo. Mas, ainda assim, foi um avanço.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13 de
setembro de 2006 | Economia
HABITAÇÃO
Detalhes do pacote
Crédito do BNDES: Empresas poderão
tomar recursos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) e repassá-los para seus empregados para a construção
da casa própria. Os juros do crédito serão da Taxa
de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje em 7,5%, mais 1% ao ano.
Financiamento a construtoras: O governo
prevê liberar cerca de R$ 4,5 bilhões até o fim de
2007 – sendo R$ 1 bilhão em 2006- para financiar as construtoras
e a comercialização dos imóveis. O dinheiro virá da
Caixa Econômica Federal. Havia a expectativa que o financiamento
incluísse apenas as construtoras que levantassem moradias para
famílias de baixa renda, o que não aconteceu. A Caixa lidera
o financiamento imobiliário no Brasil, mas a maior parte dos recursos
são liberados para o comprador do imóvel, e não
para a construtora.
Taxa Referencial: O
governo desistiu de acabar com a Taxa Referencial (TR), mas vai permitir
que os bancos que desejarem deixem de utilizá-la como indexador
de seus empréstimos. A medida vai permitir que o comprador do
imóvel tenha juros prefixados e possa saber qual o valor da prestação
que vai pagar do começo ao fim do financiamento, que pode ter
prazo de até 20 anos. A TR foi criada no governo Collor como um
indexador que refletia uma média de aplicações financeiras.
Durante o governo FHC, uma série de crises internacionais levou
a TR a patamares muito mais altos que a inflação. Como
a taxa é utilizada para corrigir os financiamentos habitacionais
com recursos da caderneta de poupança, houve nessa época
encarecimento do custo do crédito e aumento da inadimplência.
O governo FHC adotou então um redutor da TR para diminuir o impacto
da variação da taxa. Agora, com uma maior estabilidade
da economia, os bancos começaram a aceitar que o governo descase
a remuneração paga a quem aplica em caderneta de poupança
(TR mais uma parcela fixa) do empréstimo habitacional feito com
recursos da caderneta (somente a parcela fixa). Como o fim da TR permite
ao comprador avaliar melhor se sua capacidade de pagamento é suficiente
para a aquisição de um imóvel, a medida teria potencial
para reduzir a inadimplência.
Consignado da
habitação: Servidores públicos e trabalhadores
da iniciativa privada poderão oferecer ao banco como garantia
do pagamento de empréstimos o desconto direto da parcela no
holerite. O crédito consignado é a modalidade de empréstimo
para pessoa física que mais cresceno país desde que foi
criado. No entanto, essa modalidade tem limite de prazo de pagamento
de 36 meses. Como o crédito habitacional trabalha com prazos
bem mais longos, de até 20 anos, o governo vai alterar a lei
para permitir que o comprador do imóvel também possa
oferecer seu salário como garantia nesses empréstimos
com o objetivo de permitir a queda dos juros. A mudança deve
favorecer principalmente os servidores públicos e militares,
que têm maior estabilidade no emprego.
Desoneração: O
governo vai reduzir Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para
materiais de construção civil. A lista de produtos inclui
principalmente materiais de acabamento, como chuveiros, bidês,
sanitários, caixas de descarga, revestimentos de pavimentos e
plásticos, que terão alíquota de IPI reduzida de
10% para 5%. Neste ano o governo já tinha baixado o IPI de produtos
mais básicos, como tubos de plástico, portas, argamassas,
ladrilhos e cerâmica.
Lei Geral: As
empresas de construção civil serão incluídas
na Lei Geral de Micro e Pequenas Empresas, que simplifica e reduz a tributação
sobre empresas com faturamento de até R$ 2,4 milhões. O
governo ainda não especificou como essas empresas serão
tratadas na lei, que já foi votada pela Câmara e ainda precisa
ser analisada pelo Senado.
Site: Será criado
um site com informações sobre financiamento imobiliário
e prestação de serviços. Também haverá um
banco de dados com preços de imóveis. O objetivo é facilitar
a comparação entre imóveis parecidos e aumentar
a concorrência entre as construtoras, e assim, reduzir preços.
Inovação: O
BNDES vai colocar à disposição uma linha de crédito
de R$ 100 milhões para o desenvolvimento de novos produtos e
processos para construção civil. O objetivo é tornar
as empresas mais competitivas.
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AGÊNCIA RADIOBRÁS,
13 de setembro de 2006
Domésticos com carteira assinada
ganham financiamento para casa própria
Manoela Alcântara
Da Voz do Brasil
Brasília - No dia em que o governo
anunciou um pacote de incentivo ao setor habitacional, trabalhadores
domésticos, motoristas, caseiros e jardineiros de todo o país – em
suma, funcionários que costumam trabalhar e às vezes morar
na casa do patrão – ganharam facilidades para comprar a
casa própria.
Há duas possibilidades. Uma delas é o
programa Crédito Solidário, que financia casas de até R$
20 mil em 20 anos, sem juros e com parcelas de cerca de R$ 83. A outra é a
Resolução 460, que financia imóveis de até R$
14 mil com recursos do Fundo de Garantia sobre o Tempo de Serviço,
sem exigir contrapartida do beneficiário.
Para participar dos programas, é necessário
estar empregado com carteira assinada, como determina o acordo firmado
entre os ministérios das Cidades e do Trabalho e Emprego, a Secretaria
de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e a
Caixa Econômica Federal.
O anúncio foi feito pelo ministro
das Cidades, Marcio Fortes. “Muitas vezes, o trabalhador doméstico
mora na casa do patrão por anos e anos. Um belo dia deixa a casa,
por qualquer motivo, e não tem onde morar”, disse. Ele acredita
que a exigência da carteira assinada vai forçar empregadores
a regularizar a situação dos empregados.
Segundo Fortes, cerca de mil famílias
serão atendidas pelo projeto–piloto, que deve começar
por Campinas, Pernambuco, Salvador, São Luiz, São Paulo,
Sergipe e Rio de Janeiro, através de associações
e sindicatos. Um comitê executivo vai definir, em 30 dias, se
os trabalhadores individuais podem participar, quanto será investido
e as regras gerais para inscrição e funcionamento.
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SITE DA NCST, 13 de setembro
de 2006
Segundo IBGE, 53% dos formados no Brasil
trabalham em outra área
Todo ano, milhões de jovens brasileiros
se deparam com a difícil escolha de uma carreira ao se inscreverem
num vestibular. O que poucos sabem, no entanto, é que muitos provavelmente
trabalharão numa área que pouco ou nada tem a ver com o
curso escolhido, como mostra um estudo feito pelo instituto de pesquisa
Observatório Universitário.
Ao comparar, a partir dos microdados do
Censo do IBGE de 2000, a profissão de 3,5 milhões de trabalhadores
formados em 21 áreas diferentes, os pesquisadores descobriram
que a maioria deles, mais precisamente 53%, está hoje numa profissão
distinta daquela para a qual se preparou. A situação varia
conforme a carreira. Em enfermagem, o índice é de 84%.
Em geografia, é de só 1%.
A baixa correlação entre
a área de formação e a de trabalho levou os pesquisadores
Edson Nunes e Márcia de Carvalho a definir, no título do
trabalho, esse quadro como "A Grande Besteira Educacional Brasileira:
um Ensino Profissional que Não se Aplica às Profissões
que o Defendem".
Na avaliação de Nunes, coordenador
do observatório e presidente do Conselho Nacional de Educação,
isso ocorre porque o Brasil escolheu "o pior dos mundos" na
elaboração de seu modelo de ensino.
"O Brasil oferece uma educação
secundária de péssima qualidade e uma profissional muito
precoce, o que faz com que nossos filhos tenham sua vida de estudantes
secundários pautada por vestibulares. Meninos de 16 anos já têm
que começar a decidir se vão ser médicos ou advogados,
o que faz com que deixem de ter uma formação e passem a
se preocupar com uma angústia. Muitos serão profissionais
frustrados."
Nunes defende a tese de que o objetivo
maior do ensino superior é preparar pessoas competentes e com
formação sólida o suficiente para dominar linguagens
que as permitam aprender qualquer profissão.
"O grosso das profissões no
setor terciário se aprende em um ano e meio ou dois. Grande parte
poderia ser aprendida em ciclos de pós-graduação
curtos. Essa discussão está ausente no debate sobre a reforma
universitária proposta pelo governo, que é mais uma discussão
de processos de regulação do sistema que de conteúdo
e aprendizado", diz.
Para ele, um dos elementos que engessam
a educação é a pressão das corporações
profissionais para limitar a atuação no mercado, regulamentar
as profissões e interferir na definição dos conteúdos
ensinados.
"Há 43 profissões de
nível superior reguladas por lei e uns 14 pedidos para outras.
Essas profissões respondem pela vasta maioria dos universitários,
que estudam hoje para fazer concursos, participar de concorrências
ou ter o diploma."
Presidente do Instituto de Estudos
do Trabalho e Sociedade e ex-presidente do IBGE, o sociólogo
Simon Schwartzman concorda com a necessidade de flexibilizar o ensino. "Em
geral, o mercado de trabalho requer uma formação muito
menos específica que as carreiras que existem nas universidades.
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SITE VERMELHO, 13 de setembro
de 2006
Argentina pode ter o maior crescimento
dos últimos 100 anos
O chanceler argentino Jorge Taiana disse
nesta segunda-feira (11/9) que as taxas de crescimento do país
são as mais altas dos últimos cem anos. Além disso,
durante um encontro com empresário japoneses ele antecipou que
a economia crescerá 40% em 2006 em relação a 2002.
Segundo o ministro, o Produto Interno
Bruto real passará este ano dos US$ 200 bilhões, o equivalente
a um crescimento de 40% em relação a 2002.
A economia argentina manteve um vigoroso
crescimento depois dos 9,2% em 2005, 9,0% em 2004 e 8,7% em 2003, tudo
isso após a queda histórica de 10,9% em 2002. Taiana antecipou
ainda que este ano deve registrar uma exportação de bens
e serviços de mais de US$ 50 bilhões e importações
perto dos US$ 40 bilhões, dados que praticamente duplicam os níveis
alcançados em 2002.
Além disso, o comportamento
da indústria continua sendo favorável, com um avanço
de 11,6% em julho com relação ao mesmo mês de 2005,
segundo a Universidade Argentina da Empresa (UADE).
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 13 de setembro de 2006 | Dinheiro
MONTADORAS 2
PDV da Volks é criticado por
centrais sindicais
DA REPORTAGEM LOCAL
A proposta de programa de demissão
voluntária para demitir 3.600 da Volks de São Bernardo
do Campo foi criticada por centrais sindicais.
"Na falta de capacidade para competir,
a Volks utiliza o mecanismo da demissão incentivada, como uma
arma de destruição em massa", disse Canindé Pegado,
presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores).
Para Eleno José Bezerra,
presidente da confederação dos metalúrgicos da
Força Sindical, Volks e governo "pisaram na bola". "Ao
insistir na política desmiolada dos juros altos, câmbio
valorizado e alta carga tributária, o governo continua demonstrando
sua total incompetência para conduzir a economia do país." (CR)
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 13 de setembro de 2006 | Dinheiro
REINO UNIDO
Blair é vaiado em discurso
para sindicatos
DA REDAÇÃO
O premiê britânico,
Tony Blair, foi vaiado durante seu discurso em um congresso de sindicalistas
em Brighton (sul da Inglaterra). Uma dezena de participantes deixaram
o local em protesto contra seu plano de privatizar os serviços
públicos, e muitos levavam cartazes dizendo "saia já". É a
segunda vez nesta semana que Blair tem essa recepção.
Anteontem, em Beirute, ele enfrentou protestos nas ruas, e ministros
libaneses se recusaram a recebê-lo.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
13 de setembro de 2006 | Economia
Economista da UFRJ descarta desindustrialização
no Brasil
BELO HORIZONTE - A possibilidade de uma
desindustrialização precoce no Brasil foi decartada durante
análise do economista André Nassif, pós-graduado
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Ele participou, na noite de segunda-feira,
da reunião do Conselho de Política Econômica e Industrial
da Fiemg, reunião que foi transmitida para todas as Regionais
da entidade no interior do Estado.
Segundo o economista, a desindustrialização
ocorre em países mais desenvolvidos, quando a mão-de-obra
intensiva desloca-se para o setor de serviços. Ocorre também
quando há uma renda per capita superior a US$ 20 mil.
“Nenhum dos dois fatores estão
presentes atualmente na economia brasileira”, disse Nassif, referindo à parca
queda de 8%, em 8 anos, da participação da indústria
no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
A renda per capita também não
chegou aos níveis de primeiro mundo, segundo lembrou Nassif. O
processo de desindustrialização precoce no Brasil foi levantado
por alguns estudiosos, como o brasileiro Gabriel Palma, professor em
Cambridge.
Para este economista, o país sofre
uma apreciação de sua moeda em função de
fortes investimentos em produtos naturais. O resultado disso é chamado
de “doença holandesa”, quando aquele país descobriu,
na década de 70, grande quantidade de gás natural.
Todos os grandes investimentos passaram
para a prospecção do gás natural, deixando outros
setores sem investimentos.
“No Brasil, a busca por minério
de ferro, soja, e outros produtos acabados, como veículos, não
se deve a um fator interno, mas à grande demanda que existe por
parte de países que estão crescendo, como a própria
China”, alegou Nassif.
O presidente do Conselho de Política
Econômica da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes, aproveitou
a reunião para traçar um quadro pouco favorável
dos setores com mão-de-obra intensiva no Brasil, como calçados
e confecção.
Lincoln conclamou os empresários
e pediu ao economista mais ingerência no governo, para a aplicação
de medidas protetoras a esses segmentos.
“Precisamos de uma cesta de
medidas, como salvaguardas, etc, para reduzir a carga tributária
de alguns produtos, sobretudo os que estão sofrendo concorrência
direta com a China, e um pouco de controle sobre a taxa de câmbio”,
concluiu.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
13 de setembro de 2006 | Economia
Associação cria proposta
para Previdência
Os jovens de baixa renda que ainda vão
entrar no sistema de contribuição previdenciária
poderão sofrer no futuro com suas aposentadorias. O “Novo
Plano de Previdência Social para o Brasil”, elaborado pelo
setor privado para ser apresentado ao próximo presidente da República,
sugere aumento de 65 para 67 anos para a aposentaria por idade.
Outra mudança é a inclusão
de uma faixa de benefício entre meio e um salário mínimo,
justamente para as pessoas que nunca contribuíram ou não
têm tempo suficiente de contribuição para o Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS). Atualmente, elas têm direito
a um salário mínimo.
Ontem, o presidente da Associação
Nacional da Previdência Privada (Anapp), Osvaldo Nascimento, esteve
em Belo Horizonte em um seminário promovido pela ACMinas, divulgando
o plano a empresários do mercado de seguros.
“A sociedade brasileira terá que
decidir se vai querer pagar por benefício maior para quem não
contribui.” O objetivo principal é levar adiante a difícil
tarefa de equilibrar as contas do INSS. As novas normas, se aprovadas,
só valerão para as pessoas que ainda não ingressaram
na Previdência.
Para os atuais contribuintes, afirma Nascimento,
devem ser alterados somente os limites de idade e o fim da correção
com base no salário mínimo. A principal premissa do sistema
atual, o financiamento das aposentadorias pelos contribuintes ativos,
seria modificada.
No lugar, cada trabalhador pagaria, além
da contribuição costumeira, um percentual para a Previdência
Complementar Obrigatória. Conforme esclarece Osvaldo Nascimento,
os valores recolhidos não aumentariam, só seriam redivididos.
“Um trabalhador que recolhe 8% para
o INSS passaria a pagar 5% para o ‘bolo’ e outros 3% para
sua conta individual.” Além deste valor, a proposta contempla
uma nova modalidade: a previdência suplementar opcional, uma oportunidade
para guardar mais dinheiro.
Para as seguradoras, seria o ouro, uma
vez que os recursos das contas de investimento seriam operadas por elas.
Caso a proposta seja implementada em sua totalidade, a previsão é que
em 30 ou 40 anos seja alcançado o equilíbrio das contas
da Previdência.
Hoje, os gastos com pagamento de
benefícios representam 13% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Para entrar em vigor, é necessário seguir todo o trâmite
no Congresso para aprovação de uma nova lei.
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CONSULTOR JURÍDICO,
13 de setembro de 2006
União estável
Companheira tem mesmo direito de viúva
de trabalhador
Companheira tem o mesmo direito da viúva
de trabalhador, conforme a regra constitucional que reconheceu a união
estável como entidade familiar a exemplo do casamento. O entendimento
foi reafirmado pela 5ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. A
Turma confirmou o direito da companheira de um trabalhador morto ao pagamento
de complementação de aposentadoria.
A SPTrans — São Paulo Transportes
recorreu ao TST depois de o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
ter determinado o pagamento. A argumentação da empresa
era de que seu regulamento interno restringia a concessão do benefício
previdenciário às viúvas dos ex-empregados.
O argumento foi afastado pelo relator
do tema no TST, juiz convocado Walmir Oliveira da Costa. “O Tribunal
Regional proferiu decisão em sintonia com a atual Constituição
da República que, em seu artigo 226 e parágrafos, prestigia
a união estável, ao entender que a companheira do empregado
falecido faz jus, também, ao benefício da complementação
de aposentadoria”, explicou.
Walmir Oliveira da Costa acrescentou a
seu voto trecho de um outro julgamento do TST sobre o tema, relatado
pela ministra Maria Cristina Peduzzi. Nesse acórdão é lembrado
que o Regime Geral de Previdência Social (artigo 16, inciso I,
da Lei 8.213/91) coloca a companheira na condição de dependente
do segurado, como se fosse viúva, para todos os efeitos.
AIRR 2.180/2002-026-02-40.0
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
11/09/2006
Proposta sugerida ao TST pelas centrais
será aproveitada por Paim
O senador Paulo Paim (PT/RS) incluirá no
projeto de lei que regulamenta o desconto e a abrangência das contribuições
assistenciais (PLS nº 248 de 2006) a proposta apresentada ao Tribunal
Superior do Trabalho pelas centrais sindicais a respeito do direito o
trabalhador se opor à cobrança. O senador gaúcho
foi recebido hoje (11) em audiência pelo presidente do TST, ministro
Ronaldo Lopes Leal, que conduziu o diálogo com as centrais a respeito
do tema.
Paim entregou uma cópia do projeto
de lei ao presidente do TST e formulou convite para que o ministro Ronaldo
Leal participe de uma audiência pública, em data a ser marcada,
para discutir o projeto. “Apresentei um projeto preliminar, que
poderá ser discutido e emendado a partir de contribuições
vindas das centrais e de parceiros importantes como o presidente do TST”,
disse o senador.
De acordo com o projeto, a contribuição
assistencial destinada ao financiamento das negociações
coletivas e de outras atividades sindicais será descontada compulsoriamente
de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não. O percentual
será fixado em assembléia e não poderá exceder
1% da remuneração bruta anual do empregado em atividade.
Na redação original, o projeto
não trata do direito de oposição do trabalhador à cobrança
da contribuição. O senador afirmou que preferiu obter das
centrais a proposta sobre o tema. Ao ser informado pelo presidente do
TST da existência da proposta formulada pela Força Sindical,
SDS, CUT, CGTB e NCST, Paim decidiu incluí-la no projeto sob a
forma de emenda.
De acordo com a proposta das centrais
sindicais “a contribuição assistencial definida pela
assembléia dos trabalhadores, sempre em condições
de razoabilidade, poderá ser objeto de oposição
individual do trabalhador manifestada no seu sindicato no prazo de 10
(dez) dias úteis após a data-base. A divulgação
do prazo de oposição deverá ser ampla e feita pelas
entidades representantes das categorias profissional e patronal”.
Outro assunto tratado na audiência
foi a estabilidade provisória no emprego assegurada pela Constituição
aos dirigentes sindicais. Decisões do TST têm negado o direito à estabilidade
aos integrantes de conselho fiscal de sindicato. A CLT (artigo 522) estabelece
que a administração do sindicato será exercida por
uma diretoria constituída, no máximo, de sete e no mínimo
de três membros e de um conselho fiscal composto de três
membros.
As decisões que negam o direito
de integrantes de conselhos ficais baseiam-se no mesmo dispositivo da
CLT, segundo o qual a competência do conselho fiscal é limitada à fiscalização
da gestão financeira do sindicato. O entendimento de alguns ministros é o
de que, por não exercer qualquer função de direção
ou de representação, o conselheiro fiscal não possui
as mesmas garantias dos dirigentes sindicais na medida em que não
atua na defesa direta dos interesses da categoria profissional.
Paim discorda do entendimento e
poderá apresentar novo projeto de lei que garanta estabilidade
aos membros dos conselhos fiscal. O ministro Ronaldo Leal lembrou que
são comuns os casos de sindicatos com 50, 60 e até mesmo
70 dirigentes, configurando verdadeiro abuso de direito.
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13/09/2006
Demissão durante auxílio-doença
não garante reintegração
O fato de o empregado estar em gozo de
auxílio-doença não impede que o empregador o dispense
sob a alegação de prática de ato de improbidade.
O benefício apenas suspende os efeitos da dispensa até o
fim do período de licença. Não sendo provada a acusação,
são devidas as verbas decorrentes da dispensa imotivada, mas não
há previsão legal que garanta a reintegração
do trabalhador no emprego, ainda que se trate de sociedade de economia
mista.
Estes esclarecimentos foram prestados
pelo ministro Milton de Moura França, da Quarta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, no julgamento de processo envolvendo a Petrobrás
e um ex-empregado. O trabalhador foi admitido em 1989 mediante concurso
público. Em 1998, foi demitido por justa causa, quando se encontrava
afastado por auxílio-doença, sob a acusação
de praticar extorsão de empresa contratada, recebendo valores
e superfaturando mercadorias em proveito próprio.
Ajuizou então reclamação
trabalhista visando a descaracterização da justa causa
e a reintegração no emprego. O pedido foi julgado procedente,
em grau de recurso, pelo Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região
(Ceará), que considerou não haver comprovação
nos autos da alegada extorsão e reconheceu o direito à reintegração.
A Petrobrás recorreu ao Tribunal
Superior do Trabalho contra a reintegração, sustentando
que, como sociedade de economia mista que explora atividade econômica,
não precisa motivar suas demissões, e que seus empregados,
regidos pela CLT, não são detentores de estabilidade. A
Quarta Turma deu provimento parcial ao recurso de revista e declarou
indevida a reintegração.
O ministro Moura França explicou
que, “o ente público, quando contrata seus empregados sob
a égide da CLT, despe-se do poder de império a que está vinculado
e equipara-se inteiramente ao empregador comum trabalhista”, e
concluiu que “é notório que a reclamada poderia dispensar
imotivadamente ou sem justa causa seus empregados, pagando-lhes as verbas
indenizatórias que o ordenamento jurídico contempla para
essa hipótese”. Em embargos de declaração,
o trabalhador questionou o fato de o recurso de revista não ter
examinado a questão relativa ao auxílio-doença,
que lhe garantiria a estabilidade e impediria a demissão.
O relator, acolhendo os embargos,
prestou os esclarecimentos sobre o tema. “Pouco importa que estivesse
em gozo de auxílio-doença o reclamante”, explicou
o ministro Moura França. “O fato é que sua dispensa
poderia ser feita pela reclamada, certamente com os ônus decorrentes
de uma dispensa imotivada, e, conseqüentemente, com o dever de
pagar as parcelas e valores resultantes do ilícito trabalhista
que praticou [demitir por justa causa sem a devida comprovação].
Ressalte-se que apenas os efeitos da dispensa, certamente, protraem-se
até a data de cessação do benefício. Mas
desse fato extrair-se a conclusão pretendida pelo reclamante,
de que deve ser reintegrado no emprego, data venia, é equivocada”,
concluiu. (ED-ED-RR 1030/1999-008-07-00.0)
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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
Decreto
nº 5.892, de 12 de setembro de 2006.
Acresce parágrafo ao art. 4o do Decreto no 4.840, de 17 de setembro
de 2003, que regulamenta a Medida Provisória no 130, de 17 de setembro
de 2003, que dispõe sobre a autorização para desconto
de prestações em folha de pagamento.
O PRESIDENTE
DA REPÚBLICA, no uso da atribuição
que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição,
e tendo em vista o disposto na Lei no 10.820, de 17 de dezembro de
2003,
DECRETA:
Art.
1o O art. 4o do Decreto no 4.840, de 17 de setembro de 2003, passa
a vigorar acrescido do seguinte parágrafo:
“§ 7o-A.
Nas hipóteses de concessão, ao amparo deste Decreto,
de empréstimo ou financiamento imobiliário no âmbito
do Sistema Financeiro da Habitação ou de outros sistemas
ou programas destinados à aquisição de imóveis
residenciais, as prestações e seus reajustamentos obedecerão às
disposições contratuais celebradas entre as partes, sendo
permitida a estipulação de prestações variáveis.” (NR)
Art.
2o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 12 de setembro de 2006; 185o da Independência e 118o
da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Guido Mantega
Este
texto não substitui o publicado no D.O.U. de 13.9.2006.

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