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Folha de São Paulo,
14 de setembro de 2006
Crédito consignado para a
habitação terá limites
No caso de demissão ou troca de
emprego, banco reterá no máximo 30% da indenização
| Bancos estão livres para oferecer esse tipo de crédito,
mas empresas poderão negociar condições melhores
para empregados
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os bancos poderão usar até 30%
do dinheiro que o trabalhador receber se ele se desligar da empresa
para quitar, total ou parcialmente, um contrato de financiamento habitacional
feito com desconto direto na folha de pagamento.
Depois de dizer que toda a verba rescisória
poderia ser usada para honrar o compromisso assumido com a instituição
financeira, o secretário de Política Econômica
do Ministério da Fazenda, Júlio Sérgio Gomes de
Almeida, disse ontem que haverá limitação. O percentual
exato desses recursos que poderá ser usado deverá ser
fixado no contrato, na hora em que o mutuário tomar o empréstimo.
Como essa é uma das poucas restrições estabelecidas
na regulamentação, o trabalhador deverá analisar
com cuidado os termos do documento para evitar surpresas.
O contrato poderá, por exemplo,
estabelecer que as regras iniciais serão reavaliadas no caso
de perda do vínculo com a empresa ou ainda que elas valerão
por apenas dois anos ou qualquer outro período de tempo. Isso
inclui mudança na taxa de juros e no prazo do financiamento.
Convênio com empresas
Os bancos estão liberados para
oferecer livremente empréstimos habitacionais com desconto em
folha. No entanto, o secretário argumenta que, no início,
o mais provável é que essa linha de financiamento seja
disponibilizada por meio de convênios com as empresas.
Nesses casos, os empregadores também
poderão negociar condições mais vantajosas para
os seus empregados. Assim, seria possível estabelecer no contrato
que, se o trabalhador for demitido ou trocar de emprego, as regras
em vigor valerão por mais tempo ou simplesmente que elas poderão
mudar a partir dessa data. O trabalhador também deverá ficar
atento ao percentual de comprometimento da renda com a prestação.
Pela regra estabelecida pelo governo,
cada parcela do empréstimo não poderá ultrapassar
30% da renda. No entanto, isso vale na hora da contratação
do empréstimo. No caso de troca de emprego por outro com rendimento
mais baixo, ele poderá ter que comprometer uma parcela maior
do seu salário.
A escolha da forma de correção
das prestações será uma prerrogativa dos bancos.
Com a mudança anunciada nesta semana pelo governo, além
da correção prevista na lei atual, que considera a variação
da TR (Taxa Referencial) mais juros de 12% ao ano, esses empréstimos
poderão ser concedidos só com juros de 12% ao ano ou
ainda com um custo fixo equivalente a 12% ao ano mais uma média
da TR que será regulamentada no final deste mês pelo governo.
"A oferta será dos bancos,
que estabelecerão as condições para tomar os empréstimos",
explicou Almeida. "Hoje, os bancos já operam mais de uma
modalidade além do papai e mamãe", completou, referindo-se à correção
pela TR mais 12% ao ano. Até então, essa era a única
forma de correção possível nos empréstimos
feitos no âmbito do SFH (Sistema Financeiro de Habitação).
Forma de correção
Segundo o secretário, a
idéia é que, no futuro, o trabalhador possa exigir
do banco a forma de correção que deseja para o seu
financiamento habitacional, assim como se as prestações
serão abatidas diretamente do salário dele ou não.
Isso deverá, na avaliação dele, ser resultado
da concorrência. Ele defendeu ainda que, com as mudanças,
será possível aumentar dos atuais 3% da produção
nacional (PIB) para algo próximo a 7% do PIB o volume de crédito
habitacional. "A gente quer reviver, com um outro modelo, o
boom imobiliário que já tivemos no passado", lembrou
Almeida, citando a década de 70. " Aplicar em habitação
era algo malvisto [pelos bancos]. Agora, mudou", disse.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de
setembro de 2006 | Economia
SETOR IMOBILIÁRIO-Pacote de incentivos
anunciado pelo governo ainda depende de regulamentação
Caixa só terá novo crédito
em outubro
Rio de Janeiro – Só no mês
que vem a Caixa Econômica Federal terá novas linhas de crédito
habitacional baseadas nas novidades anunciadas anteontem pelo ministro
da Fazenda, Guido Mantega. A informação foi dada ontem
pelo vice-presidente de Finanças e Mercado de Capitais da instituição,
Fernando Nogueira, durante entrevista coletiva à imprensa. De
acordo com ele, a instituição está desenhando os
novos produtos e deve ter definições sobre eles “em
breve, talvez na semana que vem”. Lembrou, porém, que algumas
das novidades ainda precisam de alterações em decretos
e regulamentações e o lançamento dos produtos dependerá também
disso.
Entre as medidas anunciadas por Mantega,
está o crédito habitacional consignado, com desconto das
prestações no salário do mutuário, e o financiamento
com taxa de juros fixa, sem a Taxa Referencial de Juros (TR).
Nogueira disse que a Caixa alcançou
ontem a marca de R$ 10 bilhões em crédito imobiliário
contratado este ano e que “mantido esse ritmo, pode chegar a R$
13 bilhões”. O orçamento da instituição
era de R$ 10,3 bilhões para este ano para financiamento de 450
mil unidades habitacionais.
Se o volume de crédito alcançar
os R$ 13 bilhões, Nogueira acredita que será possível
financiar 580 mil residências, muito acima da média de 2003
a 2005, que foi de 408 mil unidades. De acordo com ele, a Caixa tem 65%
do mercado nacional de crédito imobiliário em valor e 90%
da quantidade de contratos do mercado.
O superintendente regional da Caixa no
Rio de Janeiro, José Domingos Vargas, afirmou que “o conjunto
de medidas anunciadas abrem um leque de possibilidades de produtos a
serem desenhados e customizados e vão gerar um movimento saudável
de competição”.
Segundo Vargas, “o crédito
consignado certamente irá reduzir juros no médio prazo”.
No entanto, em que porcentagem os juros serão reduzidos ou os
prazos poderão ser alongados com o conjunto de medidas, “dependerá do
ajuste que se dará pela competição (entre bancos)”.
Vargas afirmou ainda que as reduções do IPI sobre itens
típicos de material de construção, como chuveiros
e bidês, assim como a inclusão de micro e pequenas empresas
do setor no Simples, devem diminuir o custo das unidades habitacionais.
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CORREIO DO ESTADO / MATO GROSSO, 14 de setembro
de 2006
Pacote da habitação agrada
setor da construção em MS
O pacote da habitação do
Governo federal, lançado no final da tarde de terça-feira,
agradou o setor da construção civil em Mato Grosso do Sul.
Entre os vários pontos, a novidade é a opção
de os bancos aplicarem ou não a Taxa Referencial (TR). A ausência
da TR poderá diminuir em até 40% o valor total do financiamento.
Outros itens destacados no pacote são o pagamento das prestações
da casa própria através do débito consignado, redução
de 50% (de 10% para 5%) do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
O superintendente da Caixa Econômica
Federal (CEF), Maurício Quarezemin, destaca como positivo o repasse
no volume de recursos para financiamento às construtoras, anteriormente
de 30% para 85%. Com este aumento, as construtoras – que antes
precisavam entrar com 70% de recursos próprios, agora passam para
15%. A CEF não vai considerar apenas os financiamentos para as
construtoras, mas também as vendas diretas efetuadas por elas.
Já em relação à TR,
a decisão fica por conta dos bancos em aplicar ou não a
taxa. De acordo com Quarezemin a aplicação desta taxa ainda é objeto
de estudos da CEF.
Os financiamentos para crédito
consignado é outra novidade. O Governo vai alterar o prazo máximo
desta modalidade – que hoje é de 36 meses – para 20
anos e permitir que o comprador possa oferecer seu salário como
garantia do empréstimo. O crédito está direcionado
tanto para servidores públicos como para trabalhadores do setor
privado.
O BNDES também faz parte do pacote
e vai emprestar recursos às indústrias e estas poderão
repassá-las aos funcionários que desejam adquirir a casa
própria. Quarezemin explica que este empréstimo precisa
estar atrelado ao projeto da empresa. Também o BNDES vai financiar
projetos ligados à pesquisa de novos sistemas construtivos com
materiais alternativos. O valor disponível é de R$ 100
milhões, com juros de 6% a.a., mais TJLP que varia de 0,8% a 1,8%
com prazo de 12 anos.
Repercussão
Para o presidente do Sindimóveis/MS,
Gabriel Serafin da Silva, a liberação de mais recursos
para as construtoras é um ponto positivo e vem sanar parte de
um dos maiores problemas do País. "Espero que não
se faça estardalhaço no papel, como em tantos outros pacotes,
e no final não se chega à prática". Silva destaca
também que a redução de 50% no IPI vai baratear
parte do material de construção, reduzindo o custo final
da obra e tornando a habitação mais acessível ao
comprador.
Também para o presidente do Sinduscon/MS,
Alonso Resende do Nascimento, a liberação de recursos para
as construtoras vai aquecer o mercado, aumentar a oferta de imóveis
e de emprego. As construtoras poderão utilizar os recursos para
aumentar o número de habitações. Existe hoje em
Campo Grande, cerca de 30 construtoras.
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Folha de São Paulo,
14 de setembro de 2006
Brasil seguirá na lanterna
no crescimento latino-americano, afirma FMI
France Presse, em Cingapura
A economia mundial manterá neste
ano um forte crescimento, de 5,1%, e conservará esta tendência
em 2007 (4,9%). A América Latina crescerá um pouco menos:
4,8% neste ano e 4,2% em 2007. E, na América Latina, Brasil e
México crescerão menos do que todos.
As previsões estão no relatório
semestral do FMI (Fundo Monetário Internacional), divulgado nesta
quinta-feira em Cingapura. Segundo o relatório, o PIB (Produto
Interno Bruto) brasileiro deve crescer 3,6% em 2006 e 4,0% no ano que
vem. O crescimento do México também estará abaixo
da média latino-americano: 4,0% neste ano e 3,5% em 2007. Os dois
países são as duas maiores economias da região.
Segundo o relatório, a América
Latina conseguirá um ritmo elevado de crescimento graças às
altas cotações das matérias primas e à demanda
interna. O relatório divulgado em Cingapura aumenta em meio ponto
sua projeção de crescimento para a América Latina
em 2006, e em 0,6% a previsão para 2007, em relação
ao documento de abril passado.
A Argentina vai liderar o crescimento
da região, com aumento do PIB de 8% em 2006 e 6% em 2007, à frente
de Venezuela (7,5% e 3,7%), Peru (6% e 5%), Caribe (5,6% e 4,8%) e Chile
(5,2% e 5,5%).
Segundo o Fundo, "a demanda interna é o
principal motor do crescimento" na América Latina, apesar
da região também ser beneficiada pela atual alta nas cotações
das matérias primas no mercado mundial, impulsionada pela forte
demanda da China.
Receita
Apesar das previsões positivas,
o FMI adverte que o contexto mundial favorável à America
Latina pode mudar a qualquer momento, em conseqüência do "aumento
das taxas de juros, de preços menos elevados das matérias
primas e de um menor apetite por capitais de risco". Para enfrentar
este "desafio", o Fundo recomenda aos países da região
que mantenham "sua política de disciplina fiscal" e
aproveitem "o forte afluxo de capitais para aumentar o superávit
primário".
Estas medidas "ajudam a reduzir a
dívida do setor público e dão uma base mais forte
para um período de debilidade", afirma o Fundo. O FMI cita
como exemplo o Chile, que elevou seu superávit primário
a 6% do PIB em 2006, contribuindo assim para a queda da dívida
pública. O relatório alerta para a "alta" dívida
pública dos países da região, o que limita a margem
de manobra para "uma resposta em caso de debilidade do crescimento
no futuro".
O Fundo lembra que a região
segue registrando "o crescimento mais lento entre os mercados
emergentes e os países em desenvolvimento", apesar do forte
crescimento da América Latina desde 2004. A instituição
também destaca que "os lentos progressos na luta contra
a pobreza alimentaram a frustração do povo", e pede
aos países da região que adotem medidas "para garantir
que os benefícios do crescimento sejam amplamente compartilhados" pela
população.
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MARACAJU NEWS, 14 de setembro
de 2006
Sai decreto com desoneração
de IPI para construção civil
O presidente Lula assinou um Decreto ontem,
no Palácio do Planalto, com novas medidas para estimular o setor
da construção civil. É a terceira iniciativa de
redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados),
dando continuidade à desoneração dos materiais de
construção civil, iniciado no começo do ano.
Coube ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior) elaborar uma lista com sugestões
de desoneração de IPI de alguns materiais e enviar para
apreciação na Receita Federal.
O ministro Luiz Fernando Furlan ressalta
que toda vez que o pleito de um setor é levado à Receita
Federal, a análise é feita de forma responsável,
principalmente em relação à renúncia fiscal.
“Há diálogo
com os setores envolvidos, entidades representativas e governo federal.
Acreditamos que a desoneração de IPI irá impulsionar
o desenvolvimento da construção civil e, com certeza,
os consumidores, principalmente de baixa renda, serão beneficiados”,
destacou Furlan.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de
setembro de 2006 | Economia
MONTADORA 1
Trabalhadores da Volks avaliam proposta
hoje
Os trabalhadores da Volkswagem fazer
uma assembléia hoje, na unidade do ABC Paulista, para avaliar
a última proposta apresentada pela empresa. No dia 11, o Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC aprovou o plano de demissões
da montadora. Se a proposta for aprovada, a Volks cancela as 1,8 mil
cartas de demissão distribuídas e suspensas na semana
passada. Na primeira etapa do plano, a montadora vai abrir um Programa
de Demissões Voluntárias (PDV) com pagamento de 1,4 salário
extra por ano de serviço para quem aderir entre os dias 25 deste
mês e 21 de novembro. Para quem aderir entre 22 de novembro e
31 de janeiro, a empresa oferece 1 salário por ano trabalhado.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de
setembro de 2006 | Economia
MONTADORA 2
Funcionários da GM fazem paralisações
Os funcionários da General
Motors fizeram ontem uma paralisação de duas horas em
sua maior fábrica no Brasil, em São José dos Campos
(SP). Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, os funcionários
do turno da manhã paralisaram a produção da montadora
das 6 h às 8 h para pressionar a montadora a melhorar sua proposta
de reajuste salarial. Após quatro rodadas de negociação,
a empresa ofereceu na terça-feira um reajuste de 4,19% (aumento
real de 1,3%) mais um abono de R$ 650, proposta que foi considerada “indecente’’ pelo
sindicato. Os funcionários reivindicam reajuste de 13,8%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de
setembro de 2006 | Economia
PESQUISA
Jovens somam 45% dos desempregados
São Paulo – Pesquisa divulgada
ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) mostra que 45,5% do total de desempregados
brasileiros têm entre 16 e 24 anos. Ao mesmo tempo, os jovens representam
apenas 25% da população economicamente ativa. O levantamento,
feito com números de 2005, identificou 3,2 milhões de desempregados
entre a população ativa do Distrito Federal e nas regiões
metropolitanas de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife
e Salvador. Desse total, 1,5 milhão eram jovens de até 24
anos. Curitiba não faz parte da pesquisa.
Para o Dieese, os números mostram
a falta de oportunidade do jovem no mercado de trabalho, cujas taxas
de desemprego são bem superiores ao da população
com 25 anos ou mais. Em São Paulo, enquanto a taxa de desemprego é de
11,9% para maiores de 25 anos, alcança 29,89%, ou quase o triplo,
para as pessoas com 16 a 24 anos.
Em Salvador, região onde a taxa
de desemprego é a maior entre as seis pesquisadas, o índice
de desemprego do jovem alcança 41,4%. Para os demais, a taxa é de
18,3%.
Para o Dieese, o jovem enfrenta ainda
mais dificuldades em mercados de trabalho menos dinâmicos porque é obrigado
a concorrer com uma massa de pessoas que possuem maior experiência
profissional.
O Dieese lembra que, apesar de bastante
elevadas, as taxas de desemprego entre os jovens recuaram entre 2004
e 2005. Em São Paulo, a queda foi de 32,6% para 29,8%. Já em
Salvador a taxa caiu de 42,8% para 41,4%.
Entre os rendimentos, o menor salário
médio foi encontrado em Recife (R$ 318) e, o maior, no Distrito
Federal (R$ 573). Já em São Paulo o jovem recebeu em média
R$ 560 por mês no ano passado.
Escola
A pesquisa mostra também
que a maioria dos jovens ocupados não consegue conciliar a formação
escolar e a profissional. Em São Paulo, região onde o
problema é mais grave, 70,1% dos jovens ocupados só trabalham
e apenas 29,9% estudam e trabalham.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
14 de setembro de 2006
Dívida interna do Brasil chega
a R$ 1,039 trilhão
Brasília (ABr) - A dívida
interna do País, expressa em títulos públicos, aumentou
R$ 25,08 bilhões no mês passado, com elevação
de 2,47% na comparação com a dívida de julho, como
mostra o relatório de agosto sobre Dívida Pública
Mobiliária Federal Interna (DPMFi) e Mercado de Capitais. O relatório
foi divulgado ontem pelo Tesouro Nacional e Banco Central.
No total, o volume de títulos da
União em poder do público, interno e externo, soma agora
R$ 1,039 trilhão, estando, portanto, abaixo do intervalo definido
pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2006, entre R$ 1,13 trilhão
e R$ 1,2 trilhão, como destacou o coordenador de Operações
da Dívida Pública, do Tesouro, Manoel Augusto Silva.
Ele disse que o comportamento do mercado,
em agosto, se caracterizou pela queda da volatilidade externa, com redução
do ciclo de elevação da taxa de juros dos Estados Unidos,
e pelo “cenário doméstico bastante positivo”,
no qual destacou os baixos índices de inflação,
resultados favoráveis nas contas externas e melhoria da percepção
do risco Brasil.
Segundo ele, a conjugação
desses fatores favoráveis criou um “ambiente positivo para
o gerenciamento da dívida pública”. Tanto que o País
passou a emitir mais títulos com correção prefixada,
com maiores prazos de vencimento, e reduziu o volume dos títulos
indexados à taxa Selic, com melhora no perfil da dívida,
explicou Silva.
A emissão de títulos é o
principal componente para aumentar a dívida do País, juntamente
com os juros pagos pelo Tesouro para carregamento (rolagem) dessa dívida.
Em agosto, as emissões somaram R$ 36,76 bilhões, contra
resgates equivalentes a R$ 24,60 bilhões, diferença que
se somou aos mais de R$ 12,5 bilhões gastos com juros da dívida
no mês.
Das emissões, R$ 16,9 bilhões
(46%) se referem a títulos com remuneração prefixada;
R$ 13,3 bilhões (36%) são de títulos atrelados à taxa
básica de juros e R$ 6,5 bilhões (18%) indexados por índices
de preços. Quanto aos resgates, o Tesouro comprou R$ 14,8 bilhões
em títulos vencidos no mês e antecipou R$ 9,8 bilhões
em operações de compra/troca de vencimentos futuros.
O prazo médio das emissões
em ofertas públicas aumentou de 28,5 meses, em julho, para 38,5
meses, em agosto, por causa do crescimento dos títulos atrelados
a índices de preços, que têm prazo de vencimento
mais longo. Isso contribuiu para reduzir de 41,2% para 39,19% o estoque
da dívida com vencimento nos próximos 12 meses, o que equivale
a R$ 407,18 bilhões.
A DPMFi não inclui a dívida
externa, nem os empréstimos feitos por estados, municípios
e empresas estatais. É apenas o que o governo deve em títulos
públicos, nas mãos de investidores, que são remunerados
por comprarem papéis com vencimento prévio, que ajudam
o País a administrar a dívida.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
14 de setembro de 2006
Médicos peritos do INSS no
Paraná aderem hoje à paralisação
Roger Pereira
A greve dos médicos peritos da
Previdência Social -que praticamente parou o atendimento nos postos
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o País -
não atingiu o Paraná ontem. No entanto, a expectativa é que
hoje o movimento tenha quase 100% de adesão no Estado.
Reivindicando melhores condições
e, principalmente, segurança no trabalho, os peritos de todo o
País iniciaram ontem uma greve de dois dias como forma de alertar
a população e a direção do INSS sobre os
seguidos casos de violência que vêm sofrendo por parte de
pacientes que têm o benefício negado, além de pedir
melhorias nas condições de trabalho, como a construção
de novos consultórios e a contratação de mais profissionais.
O médico perito de Curitiba, Chil
Zunsztern, que coordena o movimento, explicou que os peritos paranaenses
só não pararam ontem porque a orientação
para a greve nacional chegou a eles apenas na noite de terça-feira
e não houve tempo para a mobilização. Já para
hoje, Chil previa uma adesão quase que total ao movimento. “Amanhã (hoje),
devemos parar quase que 100%, tanto aqui quanto em todo o Brasil, principalmente
depois do assassinato de uma colega de Governador Valadares (RJ), morta
em serviço ao negar um benefício”, comentou.
Zunsztern explicou que a greve foi
o último recurso encontrado pelos peritos para alertar sobre
o risco a que estão expostos. “Apesar de não estarmos
plenamente satisfeitos com nossa remuneração, essa paralisação
não pede melhores salários. É uma greve de advertência,
pois a situação está ficando insustentável,
os índices de violência estão cada vez maiores”,
comentou. Para ele, a violência tem crescido porque muitas pessoas
recorrem ao INSS como a última esperança e se desesperam
quando a invalidez não é comprovada pela perícia
e o benefício é negado. “Além de médicos,
somos juízes. Temos que decidir o futuro das pessoas e estamos
ficando sem condições de exercer nosso trabalho com excelência”,
comentou.
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Agência Senado, 14
de Setembro de 2006
Paim elogia pacote habitacional, mas
critica novo uso dos recursos do FGTS

Embora tenha elogiado o recém-anunciado pacote de medidas do governo
na área habitacional, o senador Paulo Paim (PT-RS) condenou a edição
de resolução que possibilitaria o uso de recursos do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em grandes obras de infra-estrutura
no país. Na sua opinião, devem ser mantidas as regras originais
para resgate do fundo, possível apenas em caso de demissão do
trabalhador e para a aquisição da casa própria.
Os quase R$ 176 bilhões do FGTS
devem ser usados para a construção de moradias para trabalhadores
de baixa renda e da classe média - defendeu.
Em relação ao pacote habitacional
- que permite a substituição da Taxa Referencial (TR) por
outro índice de reajuste e o desconto da prestação
direto na folha de pagamento -, Paim acredita que irá estimular
a concorrência bancária, trazendo, assim, vantagens para
o mutuário.
Em aparte, o senador Roberto Cavalcanti
(PRB-PB) disse que toda medida em prol da construção civil é benéfica,
mas ponderou que a adoção de prestações fixas
- também prevista - pode trazer mais prejuízos que vantagens
ao cidadão.
Ainda sobre os bancos, Paim reclamou
do considera excessos praticados contra clientes, como a chamada "venda
casada" (vincular a venda de um produto à de outro) e a
cobrança de taxas abusivas. O parlamentar também se disse
preocupado com abusos cometidos pelos planos de saúde no reajuste
de contratos de usuários idosos. Como esses aumentos estariam
desrespeitando o Estatuto do Idoso, que proíbe a fixação
de reajuste discriminado por idade, Paim decidiu apresentar emenda
ao estatuto para punir as empresas que descumprirem esse dispositivo.
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Agência Radiobrás,
14 de Setembro de 2006
Cooperativismo emprega 200 mil pessoas
em todo o país
Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O cooperativismo emprega
cerca de 200 mil pessoas em todo o Brasil nas 7.500 cooperativas cadastradas
na Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). O número
de empregados é ainda maior se acrescidos os prestadores de serviços
aos cooperados, que não trabalham com carteira assinada, informou
o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas.
As cooperativas vêm ganhando força
na economia nacional. Atualmente 33% da produção agropecuária
brasileira passa pelas cooperativas. O faturamento anual delas é de
cerca de R$ 90 bilhões e os números refletem na vida dos
trabalhadores agregando renda, disse Freitas. “Agricultores ligados às
cooperativas têm renda duas vezes e meia maior do que os que não
participam desse tipo de arranjo”.
O presidente da Cooperforte, José Valdir
Ribeiro, observou, no entanto, que essa forma de economia solidária
enfrenta desafios para se expandir. Os principais, segundo ele, são
a necessidade de uma legislação atualizada e a capacitação
de gestores.
O presidente da OCB concorda com Ribeiro,
e lembra que a lei das cooperativas é de 1971, e há cerca
de 18 anos tramita no Congresso Nacional projeto para que a lei seja
atualizada. “O cooperativismo mudou, deixou o setor rural e hoje
vive nos grandes centros urbanos. A lei hoje é impeditiva”,
disse Freitas.
O presidente da Cooperforte destaca a
importância das cooperativas para os municípios. “Os
recursos gerados pela comunidade são aplicados na própria
comunidade, gerando renda e emprego para o local. Se fizer uma movimentação
com bancos, os recursos serão colocados onde existe uma demanda
maior, que são os grandes centros”, explica Freitas.
A região do país que
concentra o maior número de cooperativas é a Sudeste,
seguida por Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte.
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Folha de São Paulo,
14 de setembro de 2006
ELEIÇÕES 2006 / RUMO A 2010
Alckmin e Aécio se unem contra
Serra e FHC
Para alckmistas, carta de ex-presidente seria
reação à união de presidenciável
e governador, que têm trocado afagos em público | Candidato
a presidente precisa de Minas para tentar 2º turno; Aécio
depende de fatia do PSDB em SP para se lançar à Presidência
em 2010
DA REPORTAGEM LOCAL
O candidato do PSDB à Presidência,
Geraldo Alckmin, e o governador de Minas, Aécio Neves, candidato à reeleição,
estarão juntos de novo hoje em Juiz de Fora, numa dobradinha que
promete sobreviver às eleições. Alckmistas apostam
numa aliança entre os dois para buscar o controle do PSDB ou ao
menos preservar o espaço do ex-governador paulista no partido,
caso ele perca as eleições.
Na lógica de tucanos ligados a
Alckmin e Aécio, no cenário de hoje, o acordo seria conveniente
para os dois. Enquanto Alckmin depende de apoio significativo em Minas
agora, ainda na esperança de assegurar um lugar no segundo turno,
Aécio terá que atrair uma parcela do PSDB de São
Paulo para conquistar o direito de representar o partido nas eleições
presidenciais de 2010. Futuramente, Alckmin poderia contar com Aécio
numa disputa pela presidência nacional do partido.
Para tucanos mineiros, em 2010, Aécio
dependerá de todo o PSDB de Minas e de pelo menos uma fatia do
partido em São Paulo. Mas, confirmada sua eleição
para o Palácio dos Bandeirantes, o ex-prefeito José Serra é quem
controlará o partido no Estado. Por isso, é preciso cooptar
uma ala em São Paulo. Hoje, seu trunfo seria o mapa eleitoral
de Minas. "Há, na verdade, um favoritismo do presidente Lula,
mas começa a haver uma curva de aproximação do candidato
Alckmin, inclusive aqui em Minas, e o que eu puder fazer, da forma como
eu ajo, com firmeza e com seriedade, mas sem ofensas pessoais a alguém
só porque é meu adversário, eu vou fazer",
disse ontem Aécio, em entrevistas.
Os dois têm trocado afagos, como
a enfática defesa que Alckmin fez ao fim da reeleição.
Como o fim da reeleição agrada a Aécio, alckmistas
atribuem a isso a controversa carta em que FHC insinua que a corrida
presidencial está encerrada. O documento seria uma reação
de FHC e Serra à idéia de Alckmin e Aécio se unirem
para comandar o partido.
Coordenador de campanha de Serra, o secretário
de Governo de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, nega: "Vi
muita especulação. Mas FHC não falou com ninguém.
Até nos surpreendeu", disse ele.
Para alckmistas, a disputa entre Aécio
e Serra é benéfica para o ex-governador de São Paulo.
Para impedir uma aliança com Aécio e a configuração
de uma disputa entre ele e FHC pela presidência do partido no ano
que vem, Serra terá que ser generoso com Alckmin, respeitando
sua liderança, inclusive na composição do governo.
Só que, para isso, Alckmin
terá que sair das eleições com força pelo
menos em São Paulo. Daí, a decisão de investir
em São Paulo: além de dar sinais de ânimo na campanha,
a idéia é preservar seu patrimônio no Estado. Como
toda essa manobra seria uma demonstração de que alckmistas
admitem, sim, o risco de derrota, alguns aliados de Alckmin nem gostam
de tocar no assunto.
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CONSULTOR JURÍDICO,
14 de setembro de 2006
Chefe errado
Justiça do Trabalho não
pode mandar demitir servidor
A Justiça do Trabalho não é competente
para julgar ações de servidores. Portanto, não pode
determinar a demissão destes. O entendimento foi reafirmado pelo
Plenário do Supremo Tribunal Federal, que suspender a demissão
de servidores de Natividade (TO) contratados sem concurso público.
A 2ª Vara do Trabalho de Palmas havia fixado o prazo de 60 dias
para as demissões.
A relatora, ministra Cármen Lúcia,
afirmou que decisão da Justiça do Trabalho contraria o
decisão do STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade
3.395. Na ocasião, o Supremo entendeu que ação de
servidor deve ser analisada pela Justiça comum.
De acordo com o voto da ministra, o Ministério
Público do Trabalho e o município de Natividade haviam
firmado acordo para que os trabalhadores sem concurso público
fossem desligados das funções gradativamente. Como o município
não cumpriu o acordo, o MPT apresentou ação na Justiça
do Trabalho.
RCL 4.592
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
14/09/2006
TST nega pedido inespecífico de ex-empregada
de indústria
“Não há como se deferir
o que não foi pedido”. Sob esse entendimento, previsto nos
artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil (CPC), a Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) rejeitou recurso
de trabalhadora que pedia reintegração ao emprego sem fazer
referência que esta poderia ocorrer em local diverso de onde trabalhava.
No TST, a trabalhadora requereu a nulidade
da decisão regional que não concedeu a sua readmissão
em outra unidade da empresa. Mas o relator do processo no TST, ministro
Carlos Alberto Reis de Paula, afirmou que “a reintegração
da Autora em outra unidade da Reclamada configurava julgamento extra
petita, já que não foi requerido na petição
inicial, tampouco na manifestação posterior ao laudo pericial”.
A ex-empregada foi contratada como aprendiz
de embalagens da empresa Van Leer Embalagens Industriais, em São
Bernardo do Campo. Após dois anos como “embaladora”,
passou a ocupar o cargo de operadora de máquina. Afirmou que desenvolveu
LER (lesão por esforços repetitivos), além de ter
sofrido um acidente enquanto operava uma prensa, o que a impossibilitou
de continuar a manusear a máquina. Licenciada durante três
anos, voltou a trabalhar no setor de embalagens até ser demitida.
Alega que não poderia ter sido dispensada, pois a convenção
coletiva existente garantia-lhe estabilidade em razão do acidente
sofrido.
A trabalhadora pediu sua reintegração
na empresa numa função compatível com o seu estado
de saúde. Pleiteou também as verbas rescisórias
relativas à demissão, bem como o salário do período
em que esteve dispensada, porém, laudo pericial informou que a
empresa fora extinta. A Junta de Conciliação e Julgamento
de São Bernardo do Campo (atual Vara do Trabalho), afirmou que “tendo
havido a desativação do local do trabalho de empregado,
não subsiste a pretendida garantia de emprego” e concedeu-lhe
as verbas trabalhistas atualizadas relativas à dispensa. O Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo) manteve
a sentença e não autorizou a reintegração.
Segundo o ministro Carlos Alberto, “os
fundamentos lançados pelo Regional foram no sentido de que o fechamento
da empresa foi noticiado” e a trabalhadora não formulou
o pedido da sua reintegração à outra unidade da
Van Leer. A decisão do TST esclareceu que, mesmo tendo ela inicialmente
requerido a reintegração ao emprego, não houve manifestação
depois de confirmado por perícia que a empresa havia fechado. “Está claro
que a Reclamante teve oportunidade para se manifestar quanto ao fechamento
da empresa, noticiado pelo laudo pericial, no momento oportuno, contudo,
nada requereu”.
Segundo a decisão da SDI – 1,
que consagrou tese da Quarta Turma, “o Regional, ao negar o pedido
de reintegração em unidade diversa da empresa, observou
os limites da lide, nos moldes do artigo 128 e 460 do CPC”. A decisão
ressaltou ainda que, nos termos da doutrina processualista dominante,
o pedido tem que ser certo e determinado, não se admitindo, em
regra, o pedido implícito nem se permitindo a sua interpretação
extensiva.
Segundo o ministro Carlos Alberto, “ao
tomar conhecimento, por meio do laudo pericial, de que o estabelecimento
no qual trabalhava foi extinto, tinha que ter solicitado a reintegração
em unidade diversa da que trabalhava. Não há como se
deferir o que não foi pedido, sob pena de se extrapolar os limites
da lide”, finalizou. (E-RR-728770/2001.6)
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14/09/2006
Veículo indispensável ao trabalho
não tem natureza salarial
A habitação, a energia elétrica
e o veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis
para a realização do trabalho, não têm natureza
salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo
empregado também em atividades particulares. Com esse entendimento,
expresso na redação da Súmula nº 367 do Tribunal
Superior do Trabalho, sua Sexta Turma deferiu recurso de revista à Casa
Sendas Comércio e Indústria S/A. A decisão relatada
pela ministra Rosa Maria Weber Candiota da Rosa afastou a natureza salarial
do fornecimento de veículo.
A empresa foi condenada ao pagamento dos
reflexos decorrentes do enquadramento do fornecimento do veículo
como salário-utilidade. Posteriormente, a natureza salarial da
vantagem foi confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(São Paulo). “Todas as benesses concedidas pelo empregador,
que não sejam destinadas a execução dos serviços
ou à sua viabilização, têm natureza salarial
pois resultam em considerável ganho indireto”, registrou
o TRT-SP.
No caso concreto, verificou-se que o ex-empregado
da Sendas utilizava o veículo “para o trabalho e pelo trabalho”,
situação considerada como de natureza híbrida. Houve
proposta a fim de atribuir caráter salarial parcial à vantagem,
com o pagamento de 50% do valor do benefício. Prevaleceu no TRT,
contudo, o entendimento de que o trabalhador tinha direito ao reflexo
integral do benefício nas demais parcelas salariais.
O posicionamento regional, contudo, resultou
em contrariedade à jurisprudência do TST sobre o tema. “A
Súmula 367, em seu item I, fruto da conversão das Orientações
Jurisprudenciais 131 e 246 da SDI-1, ambas desta Corte (TST), consubstancia
o entendimento de que, quando indispensável à execução
do trabalho, ainda que também utilizado em atividades particulares
pelo empregado, o veículo fornecido pelo empregador não
ostenta natureza salarial”, explicou a relatora ao deferir o recurso.
(RR 35991/2002-900-02-00.4)
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14/09/2006
SDC definirá representação
de trabalhadores em alimentação
A Seção de Dissídios
Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho julgará o dissídio
suscitado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores
nas Indústrias de Alimentação junto ao TST para
a definição da representação sindical dos
trabalhadores das várias categorias em São Paulo. No prosseguimento
da audiência de conciliação e instrução
do dissídio, realizada hoje (13) no TST sob a presidência
do ministro Rider Nogueira de Brito, vice-presidente do Tribunal, foi
sorteado o relator do processo – o ministro Gelson de Azevedo.
Trata-se de um dissídio coletivo
de natureza jurídica, no qual a Confederação visa
a manifestação do TST quanto à representatividade
sindical. Do outro lado, como suscitados, estão o Sindicato da
Indústria de Panificação e Confeitaria de Bauru
e Região, Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de
Alimentação e Afins de Araçatuba, Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bauru
e Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro e Similares de
Araçatuba.
O impasse teve início no acordo
coletivo de 2004, que dividiu a categoria. Na ocasião, decidiu-se
que os trabalhadores nas funções de chapeiro, cozinheiro,
auxiliar de cozinha, garçom e garçonete seriam representados
pelo Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro, enquanto
os demais, inclusive balconistas, estariam ligados ao Sindicato dos Trabalhadores
em Alimentação. Com isso, criou-se a situação
de, num mesmo estabelecimento (uma padaria, por exemplo), haver trabalhadores
sujeitos a diferentes normas ou acordos coletivos de trabalho. A Confederação
questiona a legalidade do acordo.
Nas três audiências
de conciliação e instrução realizadas no
TST desde a instauração do dissídio em abril,
o ministro Rider Nogueira de Brito chegou a propor que a representação
seja definida pela atividade preponderante dos estabelecimentos: nos
estabelecimentos que se dediquem primordialmente à fabricação
de alimentos (pães, por exemplo), a representação
caberia ao sindicato da área de alimentação. Naqueles
voltados preferencialmente para a comercialização – como
uma lanchonete –, a representação da categoria
caberia ao sindicato do comércio hoteleiro. O impasse, porém,
não se resolveu na audiência de hoje. Após a juntada
aos autos de nove pastas de documentos por parte da Confederação,
o ministro deu prazo até o dia 22/09 para a apresentação
de razões finais e determinou o sorteio do relator. (DC 168801/2006-000-00-00.0).

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