Informativo Eletrônico n.º 235   -   Ano 03   -   Curitiba (PR), 15 de setembro de 2006.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 15 de setembro de 2006 | Dinheiro
Emprego industrial no país cresce 0,3% em julho
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO

O emprego industrial cresceu 0,3% em julho em relação ao mesmo mês de 2005, a primeira alta após nove meses de queda. Em relação a junho, a expansão também foi de 0,3%.

Apesar do crescimento da oferta de vagas na indústria em julho, a expansão ainda não compensou a perda acumulada no ano, de 0,4%.

"O crescimento moderado verificado ainda não foi suficiente para reverter o quadro negativo acumulado do ano", diz André Macedo, economista da Coordenação de Indústria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado da pesquisa contrasta com os dados divulgados pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) nesta semana, de queda de 0,26% nos postos de trabalho da indústria em agosto.

Segundo Macedo, a pesquisa do IBGE captou os dados referentes ao mês anterior, e o instituto ainda não tem os dados fechados de agosto.

O avanço do emprego em julho foi puxado pelos setores de alimentos e bebidas (6,6%), com produtos voltados para exportação, como suco de laranja e açúcar, e refino de petróleo e produção de álcool (15,2%).

O aumento das contratações nesse setor está relacionado à safra de cana-de-açúcar, e parte das vagas é de trabalhadores temporários. "Tivemos uma safra maior do que a do ano passado e isso influenciou o resultado de julho. Pode ser algo que não tenha efeito permanente."

Outras atividades puxaram o resultado para baixo: calçados e artigos de couro (-11,5%) e máquinas e equipamentos (-4,9%) na comparação com julho de 2005. Entre os locais pesquisados, o emprego cresceu em 6 das 14 áreas, com destaque para a região Norte e Centro-Oeste, que teve alta de 9,2%, e São Paulo, com mais 1,4% em relação a julho de 2005.

Mais ousadia, pede Iedi

Para o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), os dados mostram que há espaço para mais ousadia na redução dos juros e na definição de uma taxa cambial mais competitiva para setores intensivos em mão-de-obra.

"Ainda não se pode dizer que está em curso uma melhora das contratações no setor com relação aos meses anteriores, quando os resultados foram de declínio de 0,1% em junho e variação nula em maio. Sinal de que a economia manteve-se fraca no mês inicial do terceiro trimestre deste ano e que os setores mais afetados pela valorização cambial, como têxtil e vestuário, calçados e couro, madeira e móveis, ainda estão em fase de redução de seus efetivos", afirma o instituto.

As horas pagas, que funcionam como um indicador antecedente de novas contratações, registraram queda de 1,2% em relação a junho. Quando há aumento da demanda, primeiro o empresariado estende o número de horas de trabalho; depois, quando a tendência se confirma, ele faz novas contratações. Na comparação com julho de 2005, houve alta de 0,1%.

A renda do trabalhador da indústria recuou 0,2% na comparação com junho, mas mantém resultados positivos de 1,9% em relação a julho de 2005 e de 0,9% no acumulado do ano.


JORNAL GAZETA DO POVO, 15 de setembro de 2006 | Economia
PESQUISA
Alimentos e bebidas puxaram contratações em três regiões

Rio – O nível de emprego na indústria brasileira apresentou em julho alta de 0,3% na série livre de efeitos sazonais, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No confronto com o mesmo mês do ano passado, o emprego também registrou avanço de 0,3%. No indicador acumulado no ano, a taxa ainda apresenta redução de 0,4% e, nos últimos 12 meses, de 0,4%.

De acordo com o IBGE, seis dos 14 locais pesquisados apresentaram alta no emprego e avanço foi registrado em sete dos 18 setores na comparação com o ano passado. A região Norte e Centro-Oeste (9,2%) e São Paulo (1,4%) apresentaram os melhores desempenhos, com impulso do ramo alimentos e bebidas.

Entre as áreas que reduziram o contingente de trabalhadores, as principais pressões negativas vieram do Rio Grande do Sul (-8,6%) e Paraná (-1,1%). Nesses locais, as principais contribuições vieram de calçados e artigos de couro e madeira.

Entre janeiro e julho, o nível de emprego na indústria foi 0,4% menor do que no mesmo período de 2005. Este resultado pode ser explicado, sobretudo, pelos recuos observados em oito dos 14 locais e em 11 dos 18 ramos. No total do país, os destaques negativos mais relevantes, em termos de participação, foram calçados e artigos de couro (-13,1%) e máquinas e equipamentos (-7,5%).

Horas pagas

O número de horas pagas na indústria caiu 1,2% em julho na comparação com junho. Já ante a igual mês do ano anterior, o número de horas pagas ficou praticamente estável (0,1%).

A variação levemente positiva de 0,1% no número de horas pagas foi determinada pelo aumento na intensidade de trabalho em oito dos 14 locais e dez dos 18 ramos pesquisados.

Em termos setoriais, os maiores impactos positivos vieram de alimentos e bebidas (4,4%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (8,0%).

A folha de pagamento apontou queda de 0,2% em julho na comparação com junho.

 

JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 15 de setembro de 2006
Economia precisa crescer 5% ao ano
Redação O Estado do Paraná

Brasília (AE) - O economista Nelson Barbosa, assessor econômico da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela re-eleição e integrante licenciado da equipe do Ministério da Fazenda, afirmou ontem, em debate sobre os programas de governo dos candidatos à Presidência da República, que a economia do Brasil precisa crescer pelo menos 5% ao ano nos próximos anos. Barbosa voltou a dizer que o programa de Lula não fixa uma meta explícita de crescimento, mas afirmou que estão dadas todas as condições objetivas para que seja alcançada.

“A expectativa de mercado para a inflação mostra que estamos abaixo da meta. Não há necessidade de desinflação. Isso possibilita a redução da taxa de juros sem risco para a estabilidade”, avaliou o assessor.

Barbosa admitiu, entretanto, que o déficit da Previdência é hoje um dos grandes problemas fiscais do País, mas é de natureza estrutural, devido às pressões demográficas, que implicam crescimento vegetativo das despesas entre 3% e 4% ao ano. “Com mais crescimento, fica mais fácil fazer ajuste fiscal. Não existe ajuste fiscal bem-sucedido sem crescimento”, afirmou Barbosa.

 

JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 15 de setembro de 2006 | Brasil
Falha: Lula admite haver problemas em seu programa Primeiro Emprego

O presidente Lula admitiu em entrevista que uma de suas principais promessas de campanha, o programa Primeiro Emprego, "teve problemas". O projeto visa ajudar jovens a entrarem no mercado de trabalho, mas não atingiu os objetivos. Originalmente, o programa tinha como meta alcançar 250 mil jovens até o final de 2004. Até maio do ano passado apenas 5.300 jovens tinham sido inseridos no mercado.

 

ESTADÃO.COM /SÃO PAULO, 15 de setembro de 2006 | Nacional
Rendimento médio cresce mas não cobre perdas
Pesquisa do IBGE mostra também que a concentração de renda no País diminuiu e atingiu o menor nível desde o início das medições
Jacqueline Farid

RIO - O rendimento médio real do trabalhador brasileiro apresentou, em 2005, o primeiro crescimento (4,6%) ante o ano anterior, apurado pela Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) desde 1996. Mas o aumento não foi suficiente para recuperar as perdas acumuladas nos últimos anos. Desde 1996 até o ano passado, a renda acumulou queda de 15,1%. Segundo os dados divulgados nesta sexta-feira, 15, pelo IBGE, o rendimento médio apurado em 2005 foi de R$ 805, ou 4,6% a mais do que os R$ 770 apurados em 2004.

O rendimento médio real registrado em 2005 ainda ficou distante do ano de 1996 (R$ 948), quando foi apurado o último crescimento e em que a renda alcançou seu ponto máximo desde o início da década de 90.

No documento de divulgação da pesquisa, os técnicos do IBGE argumentam que a política de redução de juros iniciada no terceiro trimestre de 2003 contribuiu para impulsionar a atividade econômica em 2004, e o ano ficou marcado como o primeiro em que o rendimento não apresentou queda desde 1997.

Concentração de renda

A concentração de renda diminuiu no Brasil em 2005 e atingiu o menor nível em patamar histórico, segundo mostrou o IBGE. O índice de Gini (que mede a concentração de renda), no que diz respeito à distribuição dos rendimentos do trabalho, apresentou no País, no ano passado, o menor resultado apurado pelo IBGE desde 1981.

Segundo a PNAD, em 2005 o Gini foi de 0,544. Quanto mais próximo o índice está de zero, menor o nível de desigualdade; quanto mais próximo de um, maior a desigualdade. De acordo com a PNAD, o índice de Gini dos rendimentos em 2005 foi 7% inferior ao apurado em 1995, quando havia chegado a 0,585. A queda vem desde 1993.

A inflação mais baixa, aliada ao reajuste do salário mínimo, fez com que os ganhos de renda mais expressivos ocorressem na "metade inferior" da distribuição dos rendimentos, ou seja, na camada dos que ganham menos.

´Desemprego positivo´

A taxa de desemprego subiu para 9,3% em 2005, ante 8,9% em 2004. A analista da pesquisa, Vandeli Guerra, explica que a taxa foi pressionada pelo maior número de pessoas à procura de uma vaga no mercado de trabalho.

Segundo ela, neste caso, o aumento do desemprego não deve ser avaliado como um dado negativo, já que o mercado de trabalho mais favorável - com aumento da ocupação e da renda - estimulou mais pessoas a retomarem a procura por emprego, elevando a taxa.

Educação

80,8% dos estudantes com 5 anos ou mais de idade estão em escolas públicas no País. Segundo a pesquisa, no ensino fundamental, 89,2% dos estudantes estão em escolas públicas. Freqüentavam a escola pública também 25,9% dos estudantes do ensino superior; 85,6% do ensino médio e 76,3% do pré-escolar.

A PNAD mostrou também que em 2005, na população com mais de 10 anos de idade, a proporção dos que alcançaram pelo menos 11 anos de estudo - ou seja, que concluíram pelo menos o ensino médio ou equivalente - ficou em 27,2%, sendo que em 2004 estava em 26,0%.

O porcentual de pessoas de 7 anos a 14 anos de idade que não freqüentavam escola caiu de 9,8% em 1995 para 2,6% em 2005. No caso do grupo de pessoas de 15 a 17 anos, o porcentual recuou de 33,4% para 18,0% no período, mas manteve-se em patamar elevado.

A taxa de analfabetismo das pessoas de 10 anos ou mais de idade caiu de 14,7% em 1995 para 10,1% em 2005.

Enquanto caiu o porcentual de analfabetos, aumentou a fatia das pessoas com maior escolarização. Segundo a PNAD, o porcentual de pessoas com 11 anos ou mais de estudo (que concluíram pelo menos o ensino médio) na população acima de 10 anos de idade subiu de 15,5% em 1995 para 27,6% em 2005.

Previdência

O número de contribuintes da Previdência Social cresceu 4,9% em 2005 ante o ano anterior. Além disso, a proporção de contribuintes para a Previdência, no total da população ocupada, passou de 46,3% em 2004 para 47,2% em 2005.

O aumento do emprego com carteira assinada em 2005 foi o principal fator responsável pela elevação no número de contribuintes. A pesquisa mostra também que o número de pessoas sindicalizadas subiu 5,1% de 2004 para 2005 e, desse modo, o nível de sindicalização passou de 18,0% para 18,4%.

Mulheres no trabalho

O processo de inserção cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho prosseguiu em 2005. Em números absolutos, de 2004 para 2005, a população ocupada aumentou perto de 2,5 milhões de pessoas, das quais 52% eram mulheres. De um ano para o outro, a população ocupada feminina teve aumento de 3,7% e a masculina, de 2,4%.

A pesquisa mostra também que o porcentual de pessoas ocupadas do sexo feminino que contribuíam para a Previdência Social cresceu muito mais entre 1995 (39,7%) e 2005 (47,0%) do que aumentou o porcentual dos ocupados do sexo masculino no período (de 45,5% para 48,8%).

Celulares e fixos

O número de moradias com telefone celular ultrapassou o porcentual das que tinham telefone fixo em 2005. De 2004 para 2005, o porcentual de moradias com linha fixa convencional diminuiu de 48,9% para 48,1%, enquanto o das que tinham linha móvel celular subiu de 47,8% para 59,3%.

Ainda sobre o acesso à telefonia móvel, o porcentual de domicílios somente com telefone celular subiu de 7,8% em 2001 para 23,6% em 2005. No caso dos domicílios somente com telefone fixo convencional, passou de 27,9% em 2001 para 12,5% em 2005. No porcentual das moradias com ambos os serviços, houve crescimento de 23,2% para 36,3% entre 2001 e 2005.

Internet

O uso da Internet nos domicílios manteve forte crescimento em 2005. Segundo o levantamento, o porcentual de moradias com computador ligado à Internet subiu de 12,2% (6.324.420 moradias) em 2004 para 13,7% (7.244.685) em 2005.

O IBGE verificou também que, no total da população de 10 anos ou mais de idade, 21,0% acessaram a Internet em algum local por meio de microcomputador pelo menos uma vez em 2005. O porcentual é menor na região Nordeste (11,9%) e o maior no Sudeste (26,3%).

Aparelhamento

Quase a totalidade (92%) dos domicílios brasileiros tinha aparelho de televisão em 2005. Em 2001, essa fatia era de 88%. O menor porcentual de moradias com televisão foi apurado na região Nordeste (83,3%) e o maior na região Sudeste (96,1%).

Houve evolução importante no período também no porcentual de domicílios que dispunham de microcomputador, que passou de 12,6% em 2001 para 18,8% em 2005. Também neste caso, o menor porcentual está na região Nordeste (7,8%) e o maior no Sudeste (24,8%).

A distância entre o Nordeste e o Sudeste é ainda maior, no caso dos bens duráveis, no que diz respeito aos domicílios com máquina de lavar roupa, cujo porcentual, em 2005, era respectivamente de 10,6% e 47,9%.

No caso das geladeiras, o porcentual de domicílios com esse bem subiu de 85,1% em 2001 para 88,6% em 2005. Mais uma vez, o menor porcentual estava no Nordeste (71,8% das moradias com geladeira em 2005) e os maiores no Sudeste (95,5%) e no Sul (95,7%).

Longevidade

O processo de transformação da estrutura etária do País, de uma população mais jovem para mais envelhecida, prosseguiu em 2005 e é conseqüência da redução da taxa de fecundidade e da queda da mortalidade registradas nas últimas décadas.

Segundo a pesquisa, o porcentual de pessoas com menos de 25 anos de idade no total da população residente passou de 58,2% em 1981 para 45,3% em 2005. Por outro lado, o grupo de idosos de 60 anos ou mais continuou aumentando a sua participação na população, passando de 6,4% em 1981 para 9,9% em 2005.

A analista da pesquisa, Vandeli Guerra, observou que "a pirâmide está se invertendo" e lembrou que no Brasil, segundo os demógrafos, a mudança na estrutura etária da população foi muito mais acelerada do que na Europa, por exemplo.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 15 de setembro de 2006 | Dinheiro
CASA PRÓPRIA
Governo estuda mais medidas para estimular a habitação
SANDRA BALBI
DA REPORTAGEM LOCAL

O governo tem mais medidas de incentivo à construção civil "na agulha", além das que foram anunciadas nesta semana para baratear o crédito imobiliário, segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Sérgio Gomes de Almeida.

Estão em estudos a portabilidade do crédito imobiliário, que permitirá aos mutuários transferir suas dívidas de um banco para outro, e o financiamento de loteamentos.

Ontem, falando a empresários do setor imobiliário durante a 3ª Convenção Secovi 2006, Gomes de Almeida disse que o governo espera que a construção civil lidere o crescimento econômico no ano que vem. "Não temos dúvidas que esse pode ser o setor capaz de alavancar o crescimento", disse.

Para o presidente do Secovi, Romeu Chap Chap, o pacote imobiliário deverá baratear o custo do crédito imobiliário. "Há uma tendência de queda das taxas de juros no crédito imobiliário desde 2004, quando o governo fez uma série de melhorias na legislação do setor", disse.

Ele lembra resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional), de 2005, permitindo que as instituições que financiarem imóveis no valor de R$ 60 mil a R$ 80 mil computem o dobro disso para atingir os 65% de recursos da poupança que devem destinar ao crédito imobiliário.

Segundo Chap Chap, as medidas levaram a um aumento de 92% na oferta de crédito de janeiro a julho deste ano e à redução dos juros no SFH de 12% ao ano para 8% a 9% ao ano, mais TR.

ESTADÃO.COM /SÃO PAULO, 15 de setembro de 2006 | Economia
Ford anuncia corte de 14 mil postos de trabalho nos EUA
De acordo com o plano de reestruturação da empresa anunciado nesta sexta, a montadora precisa reduzir em US$ 5 bilhões seus custos anuais até 2008
EFE

NOVA YORK - A Ford anunciou nesta sexta-feira um plano de reestruturação mais agressivo que o divulgado em janeiro, com o qual pretende reduzir seus custos anuais nos Estados Unidos e no Canadá em US$ 5 bilhões até 2008. Segundo comunicado, o plano incluirá o corte de um terço de seu pessoal administrativo - 14 mil postos de trabalho -, assim como um plano de aposentadorias e demissões voluntárias para 75 mil operários nos Estados Unidos.

Desta maneira, afirma a empresa, o corte de 25 mil a 30 mil postos de trabalho que se pensava fazer na equipe assalariada até 2012, segundo o plano anunciado em janeiro, será concluído em 2008.

A Ford acrescentou ainda que fechará a fábrica de Maumee (Ohio, EUA) em 2008 e a de motores em Essex (Ontário, Canadá) em 2007.

Este é o terceiro plano de reestruturação apresentado em cinco anos pela empresa para a área da América do Norte, que nos últimos meses está sofrendo grandes perdas.

A companhia registrou no primeiro semestre de 2006 perdas de US$ 1,4 bilhão e, segundo um relatório interno divulgado nesta quinta-feira pelo jornal Detroit News, os números vermelhos podem chegar aos US$ 9 bilhões este ano.

No entanto, apesar destas medidas, a direção da empresa acha que a problemática unidade da América do Norte não registrará lucro pelo menos até 2009, um ano depois do previsto inicialmente.

Este plano de reestruturação foi anunciado oficialmente nesta sexta, após a reunião de dois dias realizada pelo conselho de administração. "Estas medidas têm conseqüências dolorosas para a comunidade e para muitos de nossos leais empregados", reconheceu o presidente da empresa, Bill Ford.

"No entanto, as rápidas mudanças na demanda dos consumidores e os altos preços das matérias-primas nos obrigam a tomar medidas rápidas e decisivas para canalizar nosso negócio", acrescentou.


AGÊNCIA CÂMARA, 15 de setembro de 2006
Aposentado que recebe o mínimo pode ter perdão de dívida

O Projeto de Lei 7145/06, do deputado Gonzaga Mota (PSDB-CE), autoriza o Tesouro Nacional a assumir as dívidas oriundas de empréstimos consignados feitos por aposentados da Previdência Social e trabalhadores que ganham até um salário mínimo (R$ 350).

Na prática, a proposta institui o perdão total para este patamar de renda. O empréstimo consignado é uma modalidade de financiamento em que o saldo devedor é descontado diretamente da folha de pagamento do tomador, como determina a Lei 10820/03.

O projeto também autoriza o perdão de parte da dívida de empréstimo consignado de pessoas com renda até dez salários mínimos. Nesse caso, a proposta sugere nove faixas de perdão, dependendo da renda. Por exemplo, para quem ganha de um a dois mínimos, haverá remissão de 90% das parcelas a vencer. Para rendas entre cinco e seis mínimos, o perdão será de 50% sobre a dívida vincenda.

Para evitar prejuízos ao sistema bancário, o PL 7145 autoriza o Tesouro Nacional a emitir títulos públicos, a serem transferidos para as instituições credoras, com valor de face equivalente ao do montante das dívidas perdoadas. "As instituições consignatárias não terão prejuízo com a repactuação", disse Gonzaga Mota.

Problema financeiro

Segundo o deputado, o empréstimo consignado em folha, que surgiu como uma possibilidade de ofertar recursos bancários a custo baixo, tornou-se um problema financeiro para milhares de famílias brasileiras. "Milhões de mutuários foram levados a adquirir empréstimos consignados iludidos pela promessa de crédito barato. O que parecia uma boa alternativa, especialmente para a população de mais baixa renda, tornou-se, em muitos casos, um sério problema para o orçamento das famílias", disse o deputado.

Ele recorda que os sucessivos governos brasileiros sempre adotaram medidas de perdão ou renegociação de dívidas para diversos setores, como o rural. "Essa é uma das socialmente mais justas porque beneficia mais quem tem menos renda", afirmou.

De acordo com o Banco Central, em junho deste ano a taxa de juros anual cobrada pelos bancos nas operações de empréstimos consignados chegava a 35,8%, em média. Este tipo de financiamento respondeu, naquele mês, por 49,9% das operações de crédito pessoal no País, alcançando um valor de R$ 40,5 bilhões.

Tramitação

O PL 7145 tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; Trabalho, Administração e Serviço Público; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania.


JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 15 de setembro de 2006
CUT debate nova campanha unificada
Redação O Estado do Paraná

O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique Santos, esteve reunido com dirigentes estaduais e representantes dos sindicatos filiados no Paraná. Além de discutirem a nova campanha unificada e as expectativas quanto à reforma sindical para o próximo governo, ontem, em Curitiba, Santos teve acesso a alguns problemas que enfrentam a regional. Segundo ele, a principal reclamação é quanto à dificuldade financeira que enfrentam alguns sindicatos no Estado.

A campanha unificada dos trabalhadores da CUT, aprovada recentemente, trabalha em seis eixos principais, que dizem respeito a necessidades comuns a todas as categorias: salário; emprego; jornada de trabalho; saúde e segurança; políticas públicas; e democratização. “Pela primeira vez estamos apresentando uma pauta de reivindicação que atende todo conjunto das categorias. Historicamente, cada categoria tem sua campanha. Decidimos que é preciso superar esse cooperativismo. A CUT precisa pegar o que é essencial para todos os trabalhadores e apresentar pautas gerais, assim tendo mais força”, explica o dirigente.

Sobre a reforma sindical, Santos diz que espera que aconteça no próximo governo, o que não aconteceu no atual. “Já que na última semana as duas medidas provisórias - a 293, que reconhece as centrais sindicais, e a 294, que cria o conselho nacional de relações do trabalho - foram derrubadas, ainda esperamos que esse tema entre com bastante força no Congresso Nacional”, afirma.


JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 15 de setembro de 2006
Metalúrgicos aceitam acordo com a Volks
Redação O Estado do Paraná

São Paulo (AE) - Os trabalhadores da Volkswagen aprovaram ontem, em assembléia, um acordo costurado entre empresa e sindicato que permitirá a demissão de 3.600 dos 12.400 funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo (SP). No entanto, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, e representantes da comissão de fábrica receberam muitas vaias dos funcionários da empresa durante a assembléia.

O acordo para a demissão tem dois pontos principais. O primeiro é a concessão de um pacote de incentivos para a demissão voluntária, que varia de 0,3 a 1,4 salário adicional por ano trabalhado, conforme a data de adesão. O plano será feito em 11 etapas, e as demissões ocorrerão entre o próximo mês de novembro até dezembro de 2008.

O segundo ponto-chave é a promessa de que na fábrica de São Bernardo serão fabricados dois novos modelos até 2009.

Fox Europa

O início das vendas do compacto Fox para a Europa, no ano passado, foi visto como uma nova etapa da indústria automotiva brasileira. Pela primeira vez, um carro desenvolvido no Brasil seria vendido em volume significativo para aquele continente. O projeto da Volkswagen era exportar 100 mil unidades ao ano para vários países europeus. Passado pouco mais de um ano desde o lançamento em Copenhague, na Dinamarca, a montadora decretou o fim da exportação do Fox Europa.

O presidente da Volkswagen, Hans-Christian Maergner, disse que o câmbio valorizado acabou com a competitividade do veículo. “A matriz alemã vai substituir o Fox pelo Polo que será fabricado na Rússia em 2009.” O carro brasileiro é vendido por cerca de 10 mil euros, mas deixou de ser atraente para os consumidores da região.

Nos próximos três anos, o envio de Fox será reduzido gradativamente. Este ano devem ser exportadas 60 mil unidades, no próximo serão 30 mil e em 2009 as últimas 7 mil unidades.

A fábrica do ABC paulista produz só a versão européia, que exigiu investimentos de R$ 99 milhões. A unidade do Paraná concentra a produção para o mercado interno, América Latina e parte destinada à Europa. Para obter aval da matriz para produzir o Fox, a Volks do Brasil disputou com outros países. Até o presidente Lula fez coro com trabalhadores do ABC para que a fábrica ficasse com o projeto.

Outras montadoras apontam a política cambial e altos custos de produção no Brasil como responsáveis pela suspensão de vendas externas. A GM perdeu contrato de 25 mil Corsas e Astras que iriam para a Venezuela, Equador e Colômbia, mas encontraram preços melhores na Coréia. Só em unidades desmontadas, a GM deve reduzir as vendas em 30% este ano. Outro contrato de 12 mil Merivas para o México saiu do Brasil e foi para a Espanha.

Maergner calcula que as exportações da Volks, que até o ano passado correspondiam a 42% da produção, deverão baixar para 32% este ano e continuarão caindo em 2007.

Nos anos 90s, o Brasil atraiu montadoras que pretendiam estabelecer bases de exportação no País. “Agora isso é cada vez menos provável”, disse o diretor da consultoria A.T.Kearney, Richard Dubois. Segundo ele, os sinais do governo são de poucas mudanças na política cambial. Além disso, não há empenho em acordos bilaterais.

 

       JORNAL GAZETA DO POVO, 15 de setembro de 2006 | Política

 

 

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       Campanhas Milionárias

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 15 de setembro de 2006 | Brasil
TRAGÉDIA
Rapaz sobrevive a explosão em andaime no vigésimo-quinto andar

São Paulo – Um rapaz de 19 anos sobreviveu ontem a uma explosão em um andaime que estava na altura do 25.º andar de um prédio no bairro do Morumbi (zona oeste de SP). Ele conseguiu se salvar descendo por uma corda até o 7.º andar, quando caiu de uma altura de 25 metros. No acidente, um operário morreu e outros dois ficaram feridos.

A explosão, segundo testemunhas, teve início quando o operário José Roberto da Conceição Santos, 36, acendeu um cigarro no andaime, onde havia latas do produto inflamável tíner. Ele caiu de uma altura de 86 metros e morreu.

Santos trabalhava em um andaime com outro operário. Com a explosão, esse segundo funcionário, também em chamas, decidiu pular até o outro andaime, mais abaixo, onde estavam dois funcionários e mais latas de material inflamável.

Um novo incêndio então teve início, atingindo os dois funcionários e tomando conta das paredes externas do prédio. Os quatro funcionários faziam o serviço de impermeabilização do edifício.

De acordo com testemunhas, a brigada de incêndio foi acionada para socorrer as vítimas e, da cobertura do prédio, controlou o fogo com extintores. Cordas foram jogadas até o andaime, resgatando Gildete Cunha Fagundes, 23, e Sebastião Fabiano Nunes, 48.


Notícias do Tribunal Superior do Trabalho

15/09/2006
Decisão do TST mantém condenação por abuso em revista íntima

A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho – por unanimidade – confirmou o direito de um trabalhador paulista ao pagamento de indenização por danos morais decorrentes de revista íntima, em que tinha de ficar completamente nu. O órgão do TST negou agravo de instrumento à Distribuidora Farmacêutica Panarello Ltda, diante da inviabilidade do exame de fatos e provas que integraram a causa, procedimento vedado pela Súmula nº 126 do TST. A decisão, relatada pelo juiz convocado Ronald Soares, manteve decisão favorável a um ex-empregado.

Entre dezembro de 2002 e março do ano seguinte, o trabalhador atuou nas tarefas de embalagem e carregamento de remédios (ajudante geral). Segundo os autos, o trabalhador era submetido a duas revistas diárias na Panarello. Em 08 de março de 2003 contudo o empregado teve de retirar sua cueca durante a revista íntima, o mesmo acontecendo com outros empregados. Ofendido, o ajudante geral registrou o fato em delegacia policial e, logo após, foi demitido pela empresa.

Uma vez desligado do emprego, o trabalhador requereu a indenização por danos morais, que tramitou originalmente na 69ª Vara do Trabalho da capital paulista. O pedido foi indeferido pela primeira instância, sob o entendimento de que a empresa não exorbitou seus poderes com o procedimento adotado.

Inconformado, o trabalhador recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo). “O fato de se despir constrange inclusive num exame médico rotineiro – que dirá então ficar pelado na frente de outras pessoas, agachando-se e levantando-se para ser submetido à revista vexatória?”, indagou a defesa do trabalhador.

A conduta da empresa foi considerada irregular pelo TRT/SP. “Não somente ele, mas outros colegas, no mesmo dia, se dizem submetidos ao mesmo constrangimento, ou seja, no dia 8 de março houve violação de intimidade porque determinada a retirada da cueca. Esse fato foi confirmado por sua testemunha”, decidiu o Tribunal Regional, que também fixou o valor da condenação em R$ 10 mil.

Outro trecho da manifestação regional sobre o caso confirmou a ocorrência do dano moral. “Resulta da análise fria e objetiva dos fatos que a empresa, através de seu preposto, praticou ato que violou a intimidade do trabalhador, ficando sua honra e imagem prejudicadas, na medida que houve divulgação no ambiente de trabalho, pois a própria testemunha da empregadora se incumbiu de mencionar que, embora não estivesse presente, soube por comentários do que teria ocorrido”, registrou o TRT.

Avaliar as circunstâncias dessa decisão, segundo o juiz convocado Ronald Soares, dependeria da análise das provas e dos fatos que envolveram o caso, o que é vedado ao TST por sua Súmula nº 126. (AIRR 1852/2003-069-02-40.0)


15/09/2006
TST confirma direito de eletricitário ao adicional de sobreaviso

A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em julgamento unânime, confirmou o direito de um ex-empregado da Espírito Santo Centrais Elétricas S/A (Escelsa) ao pagamento do adicional de sobreaviso. A decisão negou recurso de revista à empresa, nesse ponto, conforme voto da relatora, ministra Rosa Maria Weber Candiota da Rosa, que constatou a restrição imposta pela empregadora ao direito do então empregado à livre utilização das suas horas de descanso.

A empresa foi condenada pela Justiça do Trabalho da 17ª Região (Espírito Santo) a indenizar o trabalhador com o pagamento do adicional de sobreaviso e seus reflexos em outras verbas, tendo como base o período entre as 17h30 de um dia e as 8h do dia seguinte. A condenação também alcançou o período das 17h30 das sextas-feiras até as 8h das segundas. O cálculo do adicional teve como referência um terço do salário recebido pelo então empregado.

Segundo os autos, houve restrição ao direito do eletricitário às horas de descanso, bem como a seu direito de locomoção, uma vez que a empresa instalou uma linha telefônica em sua residência. O trabalhador era o responsável pelo atendimento dos clientes – consumidores de energia elétrica -, após o expediente e nos finais de semana.

“O único meio de contato entre os consumidores e a empresa, fora do expediente normal, eram os terminais telefônicos instalados na residência do autor, que permanecia com a incumbência de acionar os eletricistas de plantão”, registrou a decisão tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho capixaba.

A empresa recorreu ao TST sob a alegação de que o fato do empregado poder ser chamado para trabalhar por telefone celular, bip, rádio ou qualquer outro meio de comunicação não configura o regime de sobreaviso, pois não limitaria sua locomoção, uma vez que não estaria obrigado a permanecer em casa aguardando o chamado da empregadora. Acrescentou que o trabalhador não estava obrigado a permanecer em casa, exceto quando se encontrava na escala de sobreaviso nos fins de semana.

Em seu exame sobre o caso, a ministra Rosa Maria Weber esclareceu que o direito à remuneração das horas de sobreaviso está previsto no artigo 244, parágrafo 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que previu o adicional para os ferroviários. A norma, frisou a relatora, tem sido aplicada a outras espécies de empregados desde que caracterizada a “circunstância de o empregado permanecer em casa, em função de possível chamado para o serviço, impedido de desenvolver atividades outras, tomar providências ou assumir compromissos fora do âmbito de sua residência”.

No caso concreto, a relatora observou que cabia ao trabalhador permanecer em casa, onde foi instalada linha telefônica da empresa, para atender eventuais clientes. “A restrição ao direito do autor de livre disposição das horas de descanso, nos intervalos interjornadas e repousos compulsórios, e à sua liberdade de locomoção, leva ao reconhecimento de que configurada a hipótese de trabalho em regime de sobreaviso”, afirmou.

No mesmo julgamento, a Sexta Turma manteve a condenação ao pagamento de horas extras, mas deferiu parcialmente o recurso da Escelsa para isentá-la do pagamento dos honorários advocatícios e determinar os descontos fiscais sobre o valor a ser pago ao trabalhador. (RR 1145/2001-141-17-00.8)


15/09/2006
Turma afirma que base de cálculo de insalubridade é o mínimo

A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho afirmou que o cálculo do adicional de insalubridade deve ser feito sobre o salário mínimo do trabalhador. O relator do recurso no TST, ministro Simpliciano Fernandes, explicou que “no âmbito desta Corte, a matéria já se encontra pacificada por meio da Súmula nº 228”.

Apesar de o Supremo Tribunal Federal afirmar que, após a Constituição Federal de 1988, o trabalho insalubre não poderia mais ser remunerado com base no salário mínimo, o entendimento não obriga a sua adoção pelos demais órgãos do Judiciário, “por não se tratar de decisões proferidas em ADIN (Ação Direta de inconstitucionalidade)”, afirmou o relator.

No caso, a auxiliar de enfermagem da Santa Casa de Misericórdia de Araçatuba (SP) pleiteou na justiça trabalhista o cálculo do adicional de insalubridade sobre seu salário-base, bem como a sua incorporação aos proventos. A empregada pediu ainda o pagamento de multa normativa pelo empregador.

O juiz da Vara do Trabalho acatou o pedido quanto ao cálculo do adicional sobre o valor do salário da empregada, o que foi mantido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP), o TRT excluiu a multa normativa adotada pelo juiz.

A decisão do TST esclareceu que a tese regional contrariou a Súmula nº 228 e as Orientações Jurisprudenciais 02, 47 e 103 do TST, violando ainda os artigos 192 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), 7º e 59º da Constituição Federal.

A Súmula 228 determina que o percentual do adicional de insalubridade deve incidir sobre o salário mínimo, com exceção apenas das hipóteses previstas pela Súmula nº 17. A Súmula estabelece que o cálculo do valor do adicional deverá ser feito sobre o salário profissional fixado por lei, convenção coletiva ou sentença normativa. (RR- 621/2000-019-15-00.4)