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JORNAL GAZETA DO POVO, 18
de setembro de 2006 | Economia
FAZENDA-Guido Mantega reafirma que PIB
crescerá acima das previsões e diz que reforma tributária
será prioridade
Ministro insiste em crescimento
de 4%
Cingapura – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve ontem a previsão
de que o Brasil crescerá 4% neste ano e afirmou que a “prioridade
máxima’’ de um eventual segundo mantado do presidente Lula
será a reforma tributária. “Existe uma grande pauta tributária
para o próximo governo. Assim que o Congresso voltar a funcionar, vou
comandar pessoalmente essa questão. É uma prioridade que temos’’,
disse ele no encontro do FMI em Cingapura. Segundo Mantega, se eleito no primeiro
turno, o governo terá um “grande capital político’’ para “mobilizar
o país’’ em torno do projeto. “As classes produtoras
vão apoiar. Haverá uma nova leva de parlamentares dispostos a
melhorar a imagem do Congresso e isso vai ajudar.’’
Previsões
Ao comentar o assunto, o ministro sinalizou sua expectativa de continuar no
comando da Fazenda. “Vou pessoalmente comandar essa reforma no Congresso
Nacional quando ele voltar a funcionar”, afirmou. Segundo ele, os novos
parlamentares que serão eleitos neste ano vão querer melhorar
a imagem do Congresso e isso poderá facilitar a aprovação
das reformas. “Se o presidente Lula for eleito no primeiro turno, como
parece, ele usará esse capital político forte para promover novas
reformas importantes ao país no primeiro ano”, disse.
Mantega afirmou que o objetivo do governo
será o de ampliar e aprovar as medidas contidas no pacote de
reforma tributária já apresentado ao Congresso. Mas ele
informou que governo poderá optar pela proposição
de um Imposto de Valor Agregado (IVA) ao invés da proposta já apresentada
de um ICMS homogêneo para todos os estados. Mantega disse também
que o governo pretende continuar o processo de redução
de tributação sobre bens de capital. “De fato a
carga tributária no país subiu muito e o objetivo central
das reformas será a maior racionalidade e redução
de custos”, disse.
Mantega disse que a reforma tributária
ajudará a compensar a perda de competitividade de setores exportadores
brasileiros causada pela valorização do real .”Não
se pode contar mais com um câmbio desvalorizado, a menos que
se recorresse ao artificialismo cambial promovido pela China, o que
não vai acontecer de maneira alguma no Brasil, onde o câmbio é livre
e flutuante”, disse. “Por isso, o caminho é a redução
do custo financeiro.”
Rebatendo críticas
Mantega reafirmou a previsão
oficial do governo de que a economia brasileira crescerá 4%
neste ano, um resultado inferior à expectativa da maioria dos
analistas do mercado e do Fundo Monetário Internacional (FMI),
que é de 2,6%. “Eu garanto que a economia vai crescer
em torno de 4%”, disse Mantega. Ele disse que o Fundo periodicamente
revisa suas previsões e isso vai ocorrer no caso do Brasil. “Não
me preocupo com esses detalhes pois a economia brasileira teve uma
desaceleração no segundo trimestre mas temos indicadores
fortes – como as vendas de automóveis – de que a
economia está crescendo”, disse. “Estou tranqüilo
que vamos continuar crescendo e chegar aos 4%.”
Mantega reconheceu, porém, que
a taxa de investimentos públicos e privados, hoje em torno de
20% do PIB é baixa no Brasil e que isso segura o crescimento.
Ele afirmou que o recente pacote para o setor da construção
civil tem o objetivo de acelerar os investimentos.
Juros
Mantega disse que a queda inflacionária
permitirá a continuidade do relaxamento monetário. “Os
juros no Brasil vão continuar caindo e isso terá um
impacto positivo na atividade”, afirmou.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 18 de
setembro de 2006 | Economia
“FMI está equivocado”,
diz Mantega
Cingapura – Guido Mantega contestou a crítica feita na semana
passada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo a qual o aumento
nos gastos públicos no Brasil não está sendo suficientemente
direcionado para investimentos na área social e de infra-estrutura. “O
FMI está equivocado”, disse. “O governo vem investindo mais
na área social, e o Bolsa-Família e o salário mínimo
são provas disso.” O ministro observou que no passado o Fundo
mostrava-se apreensivo com o déficit fiscal primário do país. “Agora
a preocupação é com a qualidade fiscal, veja só como
as coisas melhoraram”, disse.
Ironias
Além disso, o ministro recorreu
a várias tiradas irônicas para criticar a reforma do sistema
de cotas de participação do países membros do
FMI à qual o governo brasileiro se opõe (veja matéria
abaixo). Mantega disse que se a proposta do diretor-gerente do Fundo,
Rodrigo de Rato, for aprovada, a sigla em inglês da entidade,
IMF, passará a significar “I am finished”. Mantega
também disse que reforma pode acabar como uma “montanha
que pariu um rato (em alusão ao sobrenome do diretor do Fundo)”.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 18
de setembro de 2006 | Economia
GASTOS SOCIAIS
Emergentes sofrem derrota
e Brasil propõe criação do G4
Cingapura – Com piadas e trocadilhos, o ministro Guido Mantega reclamou
da derrota sofrida por Brasil, Argentina, Índia e Egito no processo
de reforma para aumentar a participação de emergentes no FMI.
Com uma votação que termina
oficialmente amanhã, os 184 países-membros do FMI devem
dar o pontapé inicial em um processo de reforma que beneficiará imediatamente
China, México, Turquia e Coréia, que têm 5,33% do
poder de voto e devem passar a ter 7%. O Brasil não discorda disso,
mas gostaria que o novo mecanismo de cálculo das cotas do FMI,
que ficará para uma segunda fase, usasse o chamado PIB per capita
PPC (Paridade de Poder de Compra) como critério. O PPC leva em
conta o poder aquisitivo dos habitantes de cada país em relação à sua
própria moeda. Por esse critério, o PIB do Brasil poderia
dobrar em relação aos atuais cerca de US$ 800 bilhões.
Como o Fundo não deu indicações
de que o critério será adotado, Brasil e outros países
resolveram votar contra. Mas é quase certo que o FMI terá os
85% mínimos necessários para levar o processo adiante.
Em seu discurso na reunião geral do FMI, Mantega disse que o Brasil
ficou “extremamente desapontado e frustrado a ponto de não
poder endossar’’ o processo.
Clube à parte
Mantega disse ainda que os ministros
de Brasil, China, Índia e África do Sul se reuniram em
Cingapura e avançaram na idéia de eventualmente criar
um G4 (paralelo ao G8, formado por Estados Unidos, Japão, Alemanha,
Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia).
Alguns emergentes, como o Brasil, o México e a África
do Sul, têm sido convidados para os encontros do G8, mas só participam
de alguns eventos abertos. A Alemanha assumirá a presidência
no fim do ano e já informou que não convidará países
de fora do grupo. Mantega minimizou a exclusão e disse que “convites
para o café da manhã” são insuficientes.
A saída seria organizar um clube próprio. China, Índia,
Brasil e África do Sul são grandes economias, argumentou
o ministro, e têm uma grande agenda de assuntos de interesse
comum. Faltou esclarecer se a ambição é criar
de um fundo monetário paralelo, como complemento do tal G4.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 17
de setembro de 2006
Peru e Chile são exemplos na América
Latina
Rio - Um exemplo pouco divulgado de país latino-americano que está fazendo
reformas e crescendo é o Peru. Na média dos últimos cino
anos, o Peru cresceu 4,2%, quase tanto como o Chile, que é disparado
o país mais bem-sucedido da América Latina nas últimas
décadas. Em 2006 e 2007, a previsão do Fundo Monetário
Internacional (FMI) é de que o Peru cresça 6% e 5%. O peruano
Gino Olivares, economista-chefe do Opportunity Asset Management, nota que o
Peru fez uma privatização da Previdência nos moldes chilenos,
tem inflação baixíssima há vários anos (menos
de 2% anuais atualmente), taxa básica de juros de país civilizado
(4,5%), e privatizou setores como aviação, siderurgia, petróleo
e mineração (o grande trunfo do país, que se tem beneficiado
do boom das matérias-primas). O país quase eliminou o déficit
fiscal e a dívida pública líquida caiu de 48% para 38%
do PIB durante o mandato do presidente Alejandro Toledo.
Depois da ameaça de cair
nas mãos do populista Olanta Humalla, nas eleições
de junho deste ano, o Peru tem como presidente agora Alan García
que, apesar do governo desastroso na década de 80, já mostrou
claramente que vai seguir uma linha ortodoxa e pró-mercado no
seu novo mandato. (F.D./AE)
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 17
de setembro de 2006
Sindicato da habitação
elogia pacote

São Paulo - O setor da construção civil gostou do pacote
anunciado na semana passada pelo governo Lula. ''Essas medidas não contêm
um item sequer que deva ser condenado'', diz, por exemplo, Romeu Chap Chap,
presidente do Sindicato da Habitação (Secovi). Nesta entrevista,
ele comenta o pacote e fala sobre os desafios para o segmento.
Agência Estado - O governo
Lula já baixou onze pacotes imobiliários mas, até agora,
o setor não decolou. Por quê?
Romeu Chap Chap - No início da
década de 80, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo
chegou a financiar 270 mil unidades por ano. Depois vieram as crises.
Nos anos 90, caíram para 50 mil e no começo desta década,
para 30 mil unidades. De um ano para cá, já estamos em
80 mil unidades anuais. É pouco, mas estamos crescendo.
Existem R$ 136 bilhões
em recursos das cadernetas de poupança para financiamento habitacional.
Por que, então, o setor não anda?
Enquanto a prioridade foi combater a inflação,
o governo evitava incentivar a construção civil porque
entendia que produziria inflação. Com juros lá em
cima e recessão, não havia como a construção
civil avançar. Os agentes financeiros esfriaram suas operações
por várias razões. Primeiro, porque a recessão tirou
poder aquisitivo da população. Segundo, por descasamento
técnico. Havia uma moeda (a TR) para fazer o financiamento e outra
(o IGP-M) para o pagamento da prestação. O IGP-M correu
muito acima da TR, o mutuário não aguentou pagar, a inadimplência
foi enorme. E, terceiro, pela insegurança judicial, o banco só conseguia
retomar o imóvel que deixara de ser pago depois de enorme e prolongada
batalha na Justiça.
Qual foi o papel dos juros altos
nessa paradeira?
O juro básico chegou a 45% ao ano,
foi para a TR, tornou inviável o pagamento da dívida habitacional
e a concessão de créditos. A Caixa Econômica Federal
já teve inadimplência de 35%. Teve também a quebra
da Encol e de um punhado de construtoras. Isso afugentou os bancos da
concessão de novos créditos.
O imóvel usado não
ficou mais barato do que o novo?
Você hoje encontra imóveis
usados por até menos de 50% do preço de imóvel novo
equivalente. Vários apartamentos que minha empresa construiu estão à venda,
com equipamento de primeira, armários embutidos e tal, mas é complicado
reunir todos essas ofertas de venda. Esta é uma grande distorção
que estamos tentando superar com melhor comunicação. Você passa
na frente de um prédio, vê o mesmo apartamento sendo vendido
por várias imobiliárias, isso aniquila a credibilidade
de um produto. A solução é a criação
de uma rede: você dá opção para a imobiliária
vender seu imóvel em 90 dias, esse imóvel vai para uma
rede onde os interessados podem escolher o que querem.
Mas não tem aí também
o problema do custo operacional alto demais das construtoras?
Se você descontar a inflação,
um grande número de imóveis novos está mais barato
por metro quadrado de área construída do que há dez
anos. E as condições de pagamento também melhoraram.
Novos projetos que lançam empreendimentos imobiliários
em larga escala, com 500, 600, 700 apartamentos, vêm reduzindo
os custos e provocando redução dos preços de lançamento.
Algumas construtoras também abriram seu capital; não dependem
mais dos bancos e, portanto, têm melhor condição
operacional do que antes.
Em que medida o último
pacote imobiliário é apenas eleitoral e em que medida
ajuda a empurrar a construção civil?
Mesmo com certo componente eleitoral,
essas medidas não contêm um item sequer que deva ser condenado.
Podemos criticar apenas o que não saiu. Não saiu autorização
para financiamento da compra do lote, que é a matéria-prima
da casa própria...
Mas um incentivo à compra
de lotes não favoreceria a especulação imobiliária?
O Brasil tem um déficit de 7 milhões
de moradias. Hoje estamos produzindo coisa de 100 mil por ano, o que
não é nada. O loteamento para moradias populares é muito
caro e quase não existe. O que existe é loteamento para
a classe alta e classe média. Nas classes baixas, o que há é invasão
de área e loteamento clandestino...
E o que mais faltou no pacote
da semana passada?
Faltaram recursos para financiamento de
moradia popular. A faixa da população com renda de até três
salários mínimos (até R$ 1.050 ao mês) não
tem poder aquisitivo para compra da casa própria. Tem de ser subsidiada.
No entanto, faltam recursos orçamentários para isso. Neste
ano, as disponibilidades não passam de R$ 1 bilhão, o que é uma
gota d’água, mas pode ser o começo.
Para isso, não existe o
patrimônio do Fundo de Garantia?
Isso é um absurdo. Não
tem dinheiro para habitação popular e o ministro anuncia
desvio de recursos do Fundo de Garantia.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 17
de setembro de 2006
Pacote terá baixo impacto
no mercado
São Paulo- O pacote habitacional anunciado pelo governo deve impulsionar
a compra de imóveis pela classe média, mas terá pouco
efeito no déficit de moradias, calculado em 7,8 milhões de unidades.
''Apesar de serem muito boas para a construção civil, as medidas
não solucionarão o problema da baixa renda'', afirma o diretor-superintendente
do Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais
de São Paulo (Inocoop), Richard Moreton Treacher.
Segundo estudo da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), para reduzir a carência de moradias
o País precisaria investir em habitação social cerca
de R$ 40 bilhões entre 2007 e 2010, sendo R$ 22,8 bilhões
na redução do déficit e R$ 17,9 bilhões em
novas moradias. Isso porque se estima que a demanda anual, advinda do
crescimento vegetativo, ficará entre 1,5 milhão e 1,6 milhão
de novas moradias.
De acordo com o trabalho, o não
atendimento dessa demanda pela oferta de novas habitações
engrossará as estatísticas de déficit habitacional,
seja na componente de inadequação ou coabitação.
Nesse sentido, o diretor do Secovi-SP, Fábio Rossi, alerta que
em São Paulo, por exemplo, não há nenhum empreendimento
voltado para públicos de mais baixa renda. ''Não existe
mais apartamento popular em São Paulo. É difícil
encontrar algum apartamento novo por menos de R$ 80 mil. É que
nem carro. Dá para dizer que um carro de R$ 25 mil é popular?
Quem supre essa oferta são os imóveis usados. Esse é o
segmento mais carente.''
A coordenadora do estudo da FGV, Ana Maria
Castelo, é mais otimista. Para ela, o pacote do governo traz alguns
avanços para a classe baixa, como o redução do Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI) de materiais de construção.
''Esse alívio na carga tributária atinge toda população,
em especial a de baixa renda.''
Mas Richard Treacher, da Inocoop, afirma
que as habitações de interesse social, na sua maioria,
não usam os materiais de acabamento atingidos pela desoneração,
ficando o benefício mais concentrado nos fabricantes e revendedores
de materiais para suprimento direto ao consumidor. ''Bidê, por
exemplo, não é para imóvel popular.''
O executivo diz ainda que o crédito
consignado dificilmente vai beneficiar as famílias mais necessitadas,
com renda de até cinco mínimos mensais, já que a
maioria é informal. No entanto trará maior segurança
aos bancos credores e para a classe média, que será beneficiada
com uma redução sutil na taxa de juros, que mesmo assim
continuará altíssima.
Renée Pereira e Patrícia Cançado
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 17 de setembro
de 2006
O que restou da reforma sindical
Edésio Passos
Rejeitadas as duas Medidas Provisórias,
encaminhadas ao Congresso Nacional pelo governo federal, em sessão
da Câmara dos Deputados no dia 4 de setembro e que iniciaram
o processo de reforma sindical: a MP 293 sobre as centrais sindicais
e a MP 294 sobre o Conselho Nacional de Relações
de Trabalho-CNRT. Assim como havia naufragado a tentativa de
travessia da unicidade para a pluralidade sindical via emendas
constitucionais e projetos de lei, também a opção
em dar início à proposta reformista através
de Medidas Provisórias, resultou em fracasso. A política
do Ministério do Trabalho e Emprego foi uma somatória
de erros a partir do momento em que, engessando o Fórum
Nacional do Trabalho aos interesses da Central Única dos
Trabalhadores e da Força Sindical, desconheceu a realidade
cristalizada durante mais de setenta anos de história
da luta dos trabalhadores através de suas organizações
sindicais ao longo desse período. A remessa das Medidas
Provisórias foi o erro final dessa orientação
equivocada, em especial ao desistir de debater as várias
proposições sobre a reforma sindical nos Estados,
em audiências públicas, como convencionado na Comissão
do Trabalho da Câmara dos Deputados entre todos os setores
do sindicalismo brasileiro com as representações
partidárias. Ao forçar a implantação
sua concepção pluralista e intervencionista via
Medidas Provisórias, a CUT e o Ministério do Trabalho
novamente subestimaram a capacidade de reação de
importantes segmentos do movimento sindical que desejam aprofundar
a análise das alterações necessárias
na legislação sindical. O que restou do debate
sobre a reforma sindical, entretanto, é significativo
(1) a importante lição de que, sem consenso de
todas as partes envolvidas, dos setores profissionais e econômicos,
a reforma é inviável (2) a necessidade da retomada
do diálogo em bases democráticas, inclusive com
a participação do Congresso Nacional, com sua nova
composição (3) a não reedição
das Medidas Provisórias referidas (4) a certeza da elaboração
de emenda constitucional e projeto de lei com base no consenso
necessário que sintetize os pontos de convergência
sobre a matéria (5) pela consciência que deve ter
o Ministro do Trabalho e Emprego em não permitir o reconhecimento
de entidades sindicais pluralistas, nascidas do interesse direto
da Central Única dos Trabalhadores visando enfraquecer
as Confederações de Trabalhadores. Caso o novo
governo venha a atentar para essas condições, entre
outras, será possível, em breve tempo, concluir
a primeira etapa da reforma sindical para, em seguida, traçar
o rumo do segundo momento reformista, mais amplo.
MUDAR AS RELAÇÕES DE TRABALHO? -
Relembramos o que escrevemos em nosso texto sobre a questão,
publicado em DIREITO E JUSTIÇA: “Mudar as relações
de trabalho? A concepção de que a mudança
nas relações sindicais ensejará mudança
nas relações de trabalho será colocada à prova.
O Ministério do Trabalho optou pelo caminho de desconstituir
o atual sistema sindical por acreditar que tal caminho possibilitaria
um avanço no campo das relações de trabalho.
Esta medida poderá ter seu significado maior na própria
composição do CNRT. Mas aqui também surgem
muitas dúvidas quanto a operacionalidade e agilidade
do novo organismo. Na complexa rede de relações
de trabalho no capitalismo dominado por grandes grupos econômicos
internacionais e nacionais e por uma pulverização
do capital no outro polo, qualquer proposta que queira induzir
a modificações no quadro das relações
do trabalho, demandará muito debate e experimentação.
Tarefa nada fácil” (25.06.2006).
ALMANAQUE DO TRABALHADOR – Informa o
dr. Silvonei Piovesan que a Editora Decisório Trabalhista
vai publicar o “Almanaque do Trabalhador”, apresentando
em termos simples e diretos os direitos e os deveres dos trabalhadores
com base na CLT e legislação complementar. Está solicitando
a cooperação dos operadores do Direito com o
envio de sugestões, temática e organização
do almanaque, que poderão ser encaminhadas para piovesan@otrabalho.com.br.
SER HUMANO, VIAS E VEÍCULOS – De
21 a 23 de setembro, no Centro Politécnico da UFPR,
o Instituto São Cristovão realizará o
Seminário sobre “Acidente de Trânsito: saúde
e segurança do trabalhador no transporte rodoviário”,
abordando temas de (a) Epidemiologia dos Acidentes do Trânsito
e SIATE no Paraná (b) Percepção de Risco, Ética
e Cidadania (c) Legislação Trabalhista, Previdenciária,Sanitária
e Fiscalização (d) Rede Nacional de Atenção à Saúde
do Trabalhador, Ergonomia, Saúde Mental (e) Acidente
de Trânsito, Situação das Rodovias, Vias
Urbanas, Legislação e Fiscalização
de Trânsito, Redução de Acidentes na BR-277
(Paranaguá-Curitiba) (f) Inspeção Veicular,
Veículos Especiais, Ergonomia, Cronotacógrafo,
rastreamento de veículos (g) Constituição
da Comissão Permanente, do Comitê Intersetorial
de Ensino e Pesquisa, I Congresso Interdisciplinar de Trânsito,2007
(h) Demonstração Técnico-Operacional de
Atendimento Pré-Hospitalar pelo Corpo de Bombeiros da
PMPR/SIATE/Blitz Educativa na BR-277 (informações:
41.3244.2523 - instituto@institutosc.org.br).
PRESCRIÇÃO EXTINTIVA – Questão
que suscita interesse no que se refere à prescrição
no caso de ação de trabalhador avulso, foi enfrentada
em decisão do TRT da 9.ª Região, em acórdão
da lavra da juíza Eneida Cornel, afirmando: “O
direito de ação do trabalhador avulso prescreve
em cinco anos e a ele não se aplica a prescrição
bienal (parte final do inciso XXIX do art. 7.º da CF)
porque não está vinculado a um contrato de emprego,
mas sim a relação de trabalho com o tomador de
serviços” (Ac. 23208/04, TRT PR 51737.2001.022.09.00.8).
DISSÍDIO COLETIVO. COMUM ACORDO – Ao
contrário do TRT da 9.ª Região, que tem
arquivado dissídios coletivos em que o setor patronal
alega discordância quanto ao ajuizamento da ação,
outros Tribunais têm examinado a questão face
a outra visão. Um dos primeiros acórdãos,
ainda em 2005, do TRT da 2.ª Região, destaca: “1.
Dissídio Coletivo. Ajuizamento de comum acordo. Ajuizamento
unilateral. Possibilidade. CF. Art. 8.º, III x EC.45/2004,
Art. 114, º 2.º. Compreensão. Possível
o ajuizamento unilateral do dissídio coletivo porque
foi mantido mais que o poder normativo, ou seja, o inciso III
do artigo 8.º da Constituição, quer dizer,
a defesa pelo sindicato de interesses e não de direitos
coletivos e não meramente individuais em questões
judiciais. Trocando em miúdos, dissídio coletivo
de iniciativa do sindicato para a defesa das reivindicações
da coletividade representada. Se o adversário recusa
a arbitragem privada e também a jurisdicional, o conflito
se mantém e os interesses dos trabalhadores, de melhores
condições de salário e de trabalho, com
apoio na ordem econômica, fundada na valorização
do trabalho e social, que tem como base o primado do trabalho
e como objetivo o bem-estar e a justiça social, são
lesados, sem que se permita o acesso ao Poder Judiciário
para defendê-las, como assegura a Constituição,
no inciso XXXV do artigo 5.º. 2. Dissídio Coletivo.
Poder Normativo. Princípio da isonomia. A solução
do conflito coletivo de trabalho deve necessariamente ter presente
o princípio de não se admitir desigualdade salarial
e de condições fundamentais de trabalho no seio
de uma mesma categoria profissional em idêntica região
geo-econômica” (Ac.2005001587, Proc.TRT 2.ª Região
20360.2004.000.02.00.9, Relator Juiz José Carlos da
Silva Arouca, DJSP 09/08/2005).
ASSÉDIO MORAL COLETIVO – O Consultor
Jurídico, de 23 de agosto, publicou o Acórdão
n.º 61.415, do Tribunal Regional do Trabalho da 21.ª Região,
do Rio Grande do Norte, referente a existência de assédio
moral coletivo. O Ministério Público do Trabalho
ingressou com ação civil pública contra
a AMBEV pela prática de condutas atentatórias à dignidade
dos trabalhadores, com condenação da empresa
em R$ 1 milhão. Parte da ementa assinala: “Assédio
Moral. Ocorrência. Indenização. Cabimento.
Comprovado o cometimento, pelo empregador, de atos de constrangimento
a seus empregados, consistentes na submissão destes
a situação vexatória, com utilização
de camisetas, pelos vendedores, com apelidos jocosos, além
de “brincadeiras” humilhantes, está patente
o assédio moral autorizador do deferimento de indenização
por danos morais” (TRT RN RO 01034.2005.001.21.00.6,
relatora Juíza Joseane Dantas dos Santos).
ANOTE – O Conselho Superior da Justiça
do Trabalho vai expandir nacionalmente o programa de educação à distância
implantado pela Secretaria de Informática do TRT.SC.
No dia 25 de agosto o juiz Edson Mendes de Oliveira foi o primeiro
juiz a ministrar aula assistida quer na sala do instrutor,
como a 500 quilômetros, nos computadores das Varas do
Trabalho *** Concluída a proposta de refundação
da Universidade Popular do Trabalho a ser implementada pelo
governo do Estado, via Secretaria do Trabalho. Trata-se de
projeto baseado na experiência desenvolvida há cerca
de 15 anos com amplo sucesso. *** Divulgado pela Secretaria
do Trabalho o estudo sobre a variação do salário
médio dos admitidos no Brasil, Paraná e Região
Metropolitana de Curitiba do período de janeiro a junho
de 2006.
ELEIÇÕES – (1) O Presidente
do Tribunal Superior Eleitoral, Ministro Marco Aurélio,
esclareceu a diferença entre voto nulo e a nulidade
da eleição. No caso do primeiro, ainda que superior
a 50%, mesmo assim será eleito o candidato que obtiver
a maioria dos votos válidos mais um. No segundo caso,
a nulidade decorre de atos ilícitos, como fraude que
enseja a anulação do pleito. Em resumo: a campanha
pelo voto nulo, branco ou abstenção somente favorece
aos candidatos que forem votados, que não serão
atingidos pelo protesto do eleitor. Conclui-se que o mais importante é o
eleitor escolher o candidato que mais se aproxima do seu ideal
político, econômico e social (2) “Vínculo
empregatício.Trabalho voluntário em campanha
eleitoral. O trabalho em campanha eleitoral não gera
vínculo empregatício com o candidato ou partido,
nos exatos termos do art.100, da Lei 9.504/97. Trata-se de
restabelecimento, por lei especial, de disciplina de trabalho
subordinado, do velho regime de locação de serviço,
estranho à normatização da relação
de emprego. Recurso não provido” (PROC.00445.2005.023.
15.00.4, TRT 15.ª Região, in Decisório Trabalhista,
junho 2006, pág. 250).
E.mail: edesiopassos@terra.com.br
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 18 de setembro de 2006 | Dinheiro
FMI: Fundo defende "precarização'
do emprego, afirma Argentina
DO ENVIADO ESPECIAL
A ministra da Economia da Argentina, Felisa
Miceli, acusou o Fundo de ser um "instrumento" da precarização
do emprego no mundo ao cobrar de seus países-membros a chamada "flexibilização" do
trabalho -o enxugamento de leis que muitas vezes garantem direitos trabalhistas.
"Antes de advogar mais "flexibilização",
o FMI deveria se conformar com as leis locais e consultar a OIT (Organização
Internacional do Trabalho). Isso até ajudaria o Fundo a ganhar
uma legitimidade maior", disse, em discurso no Comitê Monetário
e Financeiro Internacional do FMI.
Para a ministra, o propósito da
redução das leis trabalhistas é maximizar ganhos
das empresas internacionais.
Miceli atacou ainda o recente discurso
do FMI de que estaria havendo um "retorno ao protecionismo" em
vários países. "O grande volume de desequilíbrios
comerciais que vemos hoje só revela a falta de efetividade das
ações de monitoramento do Fundo em relação
a taxas de câmbio em vários países. Se o problema
não é atacado, alguém propõe outra solução.
Não surpreende a volta do protecionismo, principalmente nos países
que têm a chave para o sucesso das negociações comerciais
agora em curso."
Há anos o Fundo vem sugerindo que
a China, por exemplo, valorize a sua moeda, o yuan, para exportar menos
e importar mais. As cobranças, porém, são sempre
indiretas e diplomáticas.
Sobre os chamados desequilíbrios
globais, Miceli disse que o FMI deveria "dar mais ênfase
a políticas que promovam mais distribuição de
riquezas a países que ainda estão privados dos benefícios
da globalização". (FCZ)
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 17 de setembro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006 / USO DA MÁQUINA
Primeiro Emprego beneficia ONGs de
petistas
Programa do governo federal fez repasses
de R$ 56,6 milhões a 13 entidades que têm dirigentes
ligados ao partido do presidente | Nas outras 16 entidades em que
petistas não aparecem como dirigentes, bolo foi de R$ 39,6
mi; governo nega favorecimento na escolha
ROGÉRIO PAGNAN
LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL Considerada um fracasso
como política de inserção de jovens no mercado de
trabalho, o Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego
do governo Lula se revela um sucesso como fonte de recursos para ONGs
ligadas ao PT. Dos R$ 96,2 milhões repassados pelo governo federal
entre 2004 e 2006, 59% foram para entidades representadas por petistas.
As 13 ONGs ligadas ao partido do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva receberam R$ 56,6 milhões para
capacitar e inserir jovens de 16 a 24 anos no mercado de trabalho. Outras
16 entidades, em que petistas não estão como dirigentes,
receberam R$ 39,6 milhões.
O Ministério do Trabalho e Emprego
informou que esse programa capacitou 62.992 jovens, entre 2003 e 2006,
dos quais 12.249 foram inseridos no mercado de trabalho. O Ministério
se negou, entretanto, a fornecer a lista desses jovens.
O levantamento feito pela Folha tomou
como base as entidades "âncoras" divulgadas pelo Ministério
do Trabalho como as responsáveis pelo gerenciamento dos recursos
do programa nos Estados. A informação dos repasses de verbas é do
site Contas Abertas. Cada "âncora" reúne pelo
menos outras dez ONGs nos Consórcios Sociais da Juventude.
O secretário de Políticas
Públicas de Emprego, Remígio Todeschini, nega haver distinção
na escolha das entidades, e diz que os critérios para assinatura
de convênios no governo Lula são mais rigorosos que no anterior. "Eu
não peço filiação partidária. Eu abro
até meu sigilo telefônico aqui da secretaria para poder
ver isso", disse.
Amigos
O líder no ranking de repasses
do Ministério do Trabalho, com R$ 10,38 milhões, é o
Juventude Sampa, que atua na cidade de São Paulo. O consórcio é liderado
pelo Instituto do Grêmio Politécnico para Desenvolvimento
da Educação, que tinha como diretor o petista Gilberto Álvares
Giusepone Júnior, candidato a deputado federal como Prof. Giba.
O petista se afastou do instituto para
disputar as eleições, segundo a assessoria da Poli.
Em terceiro lugar das entidades que mais
receberam recursos está a Oxigênio, dirigida pelo companheiro
de Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Francisco Dias Barbosa,
o Chicão. A ONG recebeu R$ 7,4 milhões, entre 2004 e 2005.
No consórcio Geração
Cidadã, liderado pela Asmoreji (Associação dos Moradores
da Região do Jardim Independência), de Embu (SP), a ex-presidente
e hoje tesoureira da entidade, Tereza Ruas Amorim, é fundadora
do PT na cidade.
A Asmoreji, que tenta construir uma quadra
de esportes há 25 anos, recebeu R$ 3,9 milhões em 2005.
Webdesigner e telemarketing foram dois cursos oferecidos pelo consórcio.
Uma das monitoras contratadas para a capacitação
dos jovens em informática foi a doméstica Ana Paula da
Silva, 27, que confessou nunca ter dado aula. "Eu sei ligar e desligar
o computador", disse.
Ana Paula disse ter fornecido seus dados
para que o consórcio justificasse o pagamento de uma empresa de
informática, a Microlins, que aparece no site da Asmoreji como "parceira".
Casos como esse foram relatados pelo TCU
(Tribunal de Contas da União) em 2004. O tribunal recomendou na época
uma fiscalização mais rígida por parte do Ministério.
Um dos poucos casos que o TCU investigou
e apontou irregularidades também envolvia petistas. O Consórcio
Social da Juventude de Curitiba (PR) tinha como entidade "âncora" a
Fundação Estadual da Cidadania, dirigida por um ex-chefe-de-gabinete
e um ex-tesoureiro do deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT). A
entidade foi acusada de reter quase 87% dos R$ 2 milhões enviados
pelo governo para que fossem compartilhados com ONGs parceiras. Os documentos
estão sob análise do Ministério do Trabalho.
Outra investigada foi a Ágora (Associação
para Projetos de Combate à Fome), que coordenava o consórcio
no Distrito Federal e foi fundada por petistas. O tribunal apontou irregularidades
e pediu a devolução do dinheiro aos cofres públicos.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 17 de setembro de 2006 | Dinheiro
Sem sonegação e calote,
carga fiscal é de 59% do PIB
Sociedade paga mais tributos para compensar
informalidade e inadimplência | No ano passado, R$ 470 bi
deixaram de entrar nos cofres públicos devido a "economia
subterrânea" e não-pagamento de tributos
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
Se todos os contribuintes -pessoas físicas
e empresas- pagassem todos os tributos corretamente, como manda a lei,
sem sonegação e calote, qual seria a carga tributária
no país?
Um estudo feito pelo IBPT (Instituto Brasileiro
de Planejamento Tributário) revela que a carga tributária
potencial, nesse caso, é de 59,38% do PIB (Produto Interno Bruto).
O índice considera a carga tributária
de 2005, quando foram arrecadados R$ 732,87 bilhões em impostos
e contribuições -incluindo os governos federal, estaduais
e municipais.
Segundo o advogado Gilberto Luiz do Amaral,
presidente do IBPT e um dos autores do estudo, o sistema tributário
brasileiro onera demais a produção e os salários
-somente essas duas bases representam mais de 76% da arrecadação
total. "Isso gera uma enorme injustiça fiscal, inibe o crescimento
econômico e é a principal razão da economia informal."
O sistema tributário onera demais
a atividade produtiva e os salários e muito pouco os ganhos financeiros
(a taxa de juros reais está em torno de 10%).
Os números da Receita comprovam
a forte taxação sobre empresas e salários. Em 2005,
a receita total do Imposto de Renda (R$ 124,7 bilhões) representou
34,21% do PIB. As empresas pagaram o equivalente a R$ 51,2 bilhões,
sendo R$ 7,33 bilhões das entidades financeiras e R$ 43,87 bilhões
das demais empresas.
O IR retido mensalmente na fonte somou
R$ 66,19 bilhões, sendo R$ 35,85 bilhões dos rendimentos
do trabalho (leiam-se salários) e R$ 20 bilhões dos rendimentos
de capital (leiam-se aplicações financeiras). E mais: o
IR sobre as remessas para o exterior gerou receita de apenas R$ 6,19
bilhões.
Carga potencial
Para chegar aos 59,38% da carga potencial,
o estudo do IBPT parte da carga tributária efetiva (soma de todos
os tributos pagos dividida pelo PIB), que foi de 37,82% no ano passado
(os 37,82% são resultado dos R$ 732,87 bilhões em relação
ao PIB de R$ 1,937 trilhão).
Para chegar aos 59,38% da carga potencial,
o IBPT exclui da receita total o valor de multas, juros e correção
e inclui o que foi sonegado e a inadimplência (ver quadro à pág.
B3).
Segundo estudo do instituto sobre evasão
fiscal no país, 39,11% de toda a arrecadação tributária
não entra nos cofres públicos devido à sonegação
e à informalidade. Como a receita foi de R$ 732,87 bilhões,
o IBPT chegou a R$ 286,63 bilhões.
O IBPT considera como inadimplência
os tributos declarados pelas empresas e pessoas físicas, mas que
não são pagos no prazo legal (R$ 183,32 bilhões).
No total, R$ 469,95 bilhões.
Já sonegação e informalidade
referem-se a atividades que não passam pelo controle dos fiscos
(venda sem nota fiscal, pirataria, contrabando, empregados não
registrados etc.).
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 17 de setembro de 2006 | Dinheiro
Salário do brasileiro só é menos
taxado que o do dinamarquês
DA REPORTAGEM LOCAL
A carga tributária sobre o salário
do brasileiro é uma das maiores do mundo, só perdendo para
a taxação do trabalhador dinamarquês. A tributação é suportada
tanto pelo empregado como pelo patrão.
A forte taxação é um
dos fatores que alimentam a informalidade no país, segundo o IBPT
(Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), entidade que
reúne profissionais do setor que se dedicam a estudos tributários
de natureza institucional, setorial e empresarial.
Outro estudo do instituto mostra que,
em 2005, a média da tributação sobre os salários
no Brasil ficou em 42,50%. Em 2003 era de 42,15% e, um ano antes, de
41,71% (ver quadro acima). Na Dinamarca, a carga média foi de
42,9% em 2004 (último dado disponível).
O estudo do IBPT considera a tributação
suportada pelos empregados (contribuição ao INSS ou aos
institutos de previdência dos Estados e dos municípios e
o IR da pessoa física retido mensalmente na fonte).
No caso das empresas, são considerados
os encargos sobre a folha de salários, como a contribuição
ao INSS e as referentes ao Sesi, Senai, Sesc, Senac, seguro de acidentes
do trabalho, salário-educação etc.
O estudo é feito por faixa salarial,
em número de salários mínimos. Para uma renda mensal
de dois mínimos (hoje, R$ 700), o trabalhador tem o desconto apenas
da contribuição ao INSS, que é de 7,65%.
Já o patrão tem de arcar
com uma carga bem maior, de 39,15%. Assim, o empregado tem desconto de
R$ 53,55, recebendo R$ 646,45, enquanto o patrão terá de
pagar R$ 220,50 de tributos.
Riqueza adicional
Segundo Gilberto Luiz do Amaral, presidente
do IBPT, com a carga tributária de 37,5% do PIB registrada em
2005, uma pessoa precisa gerar riqueza de R$ 32 mil para comprar um bem
de R$ 20 mil.
Para facilitar o cálculo, ele usa
a média entre os 37,82% da carga calculada pelo IBPT e os 37,37%
da Receita Federal. Como a taxação é de 37,5%, é preciso
ganhar R$ 32 mil (geração de riqueza) para ficar com R$
20 mil líquidos -os restantes R$ 12 mil vão para os fiscos.
Para comprar um imóvel de R$ 100 mil, será preciso gerar
uma riqueza de R$ 160 mil. (MC)
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 16 de setembro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula diz que seu governo dá "surra" no
de FHC
Presidente afirma em comício no
Rio Grande do Norte que o que mais machuca oposição é a
comparação entre as gestões | Para petista,
governantes que os antecederam não conheceram o "Brasil
dos grotões" e governaram para apenas 30% da população
DO ENVIADO ESPECIAL A NATAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em discurso ontem à noite em Natal
(RN), a cerca de 10 mil pessoas ensopadas por uma tempestade que caiu
no momento da sua chegada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
voltou a atacar as "elites" e a se colocar como defensor dos
pobres. "Damos uma surra neles em todos os itens", disse, antes
de completar: "O que mais os machuca é comparar 44 meses
do governo".
Lula também voltou a falar mal
do legado da gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Citou o risco-Brasil de 2002, que chegou a níveis recordes justamente
pelo temor de que Lula fosse alterar radicalmente o rumo da economia,
e falta de crédito. "Não fiz nenhuma bravata, agi
como um presidente de país grande, que deve ter responsabilidade."
Insistiu na estratégia de dizer
que foi vítima de preconceito durante o mensalão. "Apanhamos.
Ouvia na tribuna do Senado a transmissão do ódio, até do ódio
de classe de quem não suportava esse operário metalúrgico,
filho de nordestino, que não poderia ser presidente e deveria
estar dentro de uma fábrica", disse.
"Tem uma elite que nunca suportou
um governante que fizesse as coisas para os pobres. Para eles, pobre
só tem importância na época das eleições."
O presidente rebateu as críticas
do FMI, que afirmou que o crescimento do Brasil é desapontador. "Precisamos
construir tijolo por tijolo para que a gente pudesse chegar no ano passado
e dizer ao FMI: "Não precisamos mais de vocês, tchau
e benção, nós vamos cuidar do nosso país"."
Ele também reagiu à propaganda
do adversário Geraldo Alckmin sobre a má condição
das estradas do país. "Se tiver de escolher entre um metro
de estrada e encher a barriga de uma criança pobre, vou encher
a barriga da criança pobre."
Ao final, pediu aos eleitores que não
vacilem na reta final da disputa. "Nada de vacilar, falta pouco
tempo, vamos pra rua. Um abraço e até a vitória,
se Deus quiser, em 1º de outubro."
Mais cedo, em Brasília, Lula havia
afirmado que os presidentes que vieram antes dele não conheciam "o
Brasil dos grotões" e governavam sempre para "30% da
população".
"As pessoas que governam o Brasil
conhecem pouco o Brasil. Não são muitos os governantes
que adquiriram o hábito de andar o Brasil, o Brasil dos grotões,
o Brasil da periferia, fora de época de ano eleitoral", disse,
na cerimônia de sanção da Lei Orgânica de Segurança
Alimentar e Nutricional.
Educação "de berço"
Em Aracaju, na noite de ontem, Lula lançou
duro ataque conta seu antecessor no cargo, FHC, em comício para
cerca de 20 mil pessoas. "Vocês vejam como o ex-presidente
[FHC] fala, como me ofende. Fico lendo aquelas cartas que ele escreve
e penso: puxa vida, é como minha mãe dizia, educação
não vem da escola. Vem de berço", declarou.
Lula disse que Fernando Henrique "fica
nervoso" porque as comparações entre os dois governos
seriam desfavoráveis ao tucano. "Ele pode entender mais
de sociologia que eu, mas entendo mais da alma do meu povo. Ele pode
ter lido muito mais que eu, mas eu li a consciência das pessoas." Exaltado,
atacou os opositores várias vezes. "O chefe da direita
dizia que eu tinha que sangrar, mas ele não sabia que eu fiz
uma transfusão de sangue direto com o povo."
(EDUARDO SCOLESE E PEDRO DIAS LEITE, FÁBIO
ZANINI)
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 16 de setembro de 2006 | Dinheiro
PREVIDÊNCIA SOCIAL
INSS diz que greve dos peritos foi
total em 42% das agências
DA FOLHA ONLINE
A paralisação dos médicos
peritos foi apenas parcial nos dois dias em que realizaram a greve de
alerta -dias 13 e 14. Segundo levantamento do INSS (Instituto Nacional
do Seguro Social), em 48% das agências as perícias foram
realizadas normalmente e em 10%, de forma parcial. A greve foi total
em 42% dos locais de atendimento.
Os médicos peritos entraram ontem
em greve por tempo indeterminado. Em São Paulo, a greve atingiu,
de forma total ou parcial, 61% das agências, disse o INSS.
O estopim para o movimento foi o assassinato,
na quarta-feira, da chefe da perícia médica de Governador
Valadares (MG), Maria Cristina Souza da Silva. Eles reivindicam, entre
outras coisas, maior segurança para o exercício da profissão.
O Ministério da Previdência
diz que o governo já tem atendido as reivindicações
dos peritos e, a partir de 16 de outubro, começará a enviar
o resultado das perícias por meio de carta registrada.
A Justiça determinou na quinta
que ao menos 30% dos peritos trabalhem durante o período de greve.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 16 de setembro de 2006 | Dinheiro
Renda aumenta pela 1ª vez desde
1996
Valor dos ganhos do trabalhador sobe 4,6%
em 2005, mas em nove anos perda acumulada ainda é de 15,1%,
aponta Pnad | Especialistas creditam avanço à formalização
do emprego, à inflação menor e ao reajuste
do mínimo; sob Lula, ainda há recuo de 3,36%
ANTÔNIO GOIS
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
Depois de praticamente uma década
de perdas sucessivas, a renda do trabalhador brasileiro cresceu em 2005
(4,6%) e chegou a R$ 805. Trata-se da primeira expansão desde
1996.
Apesar do sinal positivo, o avanço
não foi suficiente para compensar as quedas acumuladas, e o rendimento
ainda é 15,1% inferior ao verificado em 1996 (R$ 948). Essa é uma
das principais conclusões da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios) de 2005, divulgada ontem pelo IBGE.
Apesar do crescimento em 2005, a renda
tem caído a um ritmo anual de 1,12% no governo Luiz Inácio
Lula da Silva. A comparação entre o valor herdado do governo
anterior e o de 2005 mostra uma queda de 3,36%. No segundo mandato de
Fernando Henrique Cardoso, o ritmo de queda do rendimento foi mais intenso,
de 2,71% ao ano. O período foi marcado por crises externas e pela
adoção do câmbio flutuante.
O último ciclo de crescimento da
renda ocorreu no primeiro mandato de FHC, quando a expansão foi
da ordem de 5,39% ao ano, com os efeitos do Plano Real. Em relação à renda
herdada do governo Itamar Franco, a primeira gestão de FHC terminou
com aumento no rendimento de 29,93%. O cálculo compara a renda
de 1998 com a de 1993. A Pnad não foi realizada em 1994, último
ano do governo de Itamar.
O resultado da Pnad surpreendeu especialistas
em razão do contraste com o crescimento da economia no ano passado,
de 2,3%. "Não sabemos se estamos no Haiti, como apontavam
os dados do PIB, ou na Índia, como indicam os dados de renda da
Pnad", afirmou Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas
Sociais da FGV (Fundação Getulio Vargas).
De acordo com dados calculados por Néri
a partir dos microdados da Pnad, a renda domiciliar per capita (que inclui
as pessoas que não têm renda) cresceu 6,6% em 2005, contra
uma expansão de 3,1% em 2004. "O rendimento do trabalho cresceu
4,6%, mas muita gente que não tinha renda nenhuma passou a ter
com os programas de transferência de renda, mas o crescimento do
trabalho foi muito forte", disse.
Em 2005, o rendimento médio dos
domicílios chegou a R$ 1.536, contra R$ 1.462 em 2004. O valor
inclui as rendas do trabalho e de outras fontes, como aposentadorias,
pensões, aluguéis, aplicações e programas
de transferência de renda.
Da última vez em que a renda cresceu
no país, o trabalhador ainda se beneficiava dos ganhos de estabilidade
proporcionados pelo Plano Real.
Carteira assinada
Segundo especialistas, na prática,
a conta passou a incluir menos pessoas com remuneração
baixa, o que foi o principal fator a inflar a renda do trabalho em 2005. "O
trabalho com carteira assinada cresceu muito e, em geral, tem um nível
de remuneração mais alta", disse João Sabóia,
diretor do Instituto de Economia da UFRJ.
Em 2005, o crescimento da renda, especialmente
entre os mais pobres, foi impulsionado pelo aumento em termos reais de
9,9% do salário mínimo. Além disso, o dólar
em baixa ajudou a reduzir os preços dos alimentos, e o índice
oficial de inflação, o IPCA (Índice de Preços
ao Consumidor Amplo), recuou para 5,69% no ano, o menor patamar desde
1998.
Para Marcelo de Ávila, economista
do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os dados indicam
que a Pnad de 2006 deve mostrar novo crescimento da renda, amparado no
aumento dos trabalhadores formais e do salário mínimo.
Desigualdade
A Pnad confirmou a tendência de
redução da desigualdade verificada nos últimos anos.
O índice de Gini das rendas do trabalho apresentou um ligeiro
recuo, de 0,547 para 0,544, o mais baixo desde 1981, no cálculo.
O índice varia de 0 a 1 -quanto mais próximo de 1, maior
a desigualdade. A concentração de renda não cresce
no país desde 1993.
Segundo Néri, o bem-estar social
(combinação da renda per capita domiciliar e da desigualdade)
cresceu 7,6% em 2005, contra uma expansão de 5,9% em 2004. Apesar
disso, o economista classifica a redução da desigualdade
de 2005 como "frustrante" porque havia a expectativa de um
recuo maior.
"A desigualdade está diminuindo
muito lentamente, mas de forma contínua", afirmou Vandeli
Guerra, do IBGE. Todas as classes de renda registraram ganhos pela primeira
vez desde 1996. A desigualdade caiu por causa dos ganhos um pouco maior
dos mais pobres.
A análise com base na renda mensal
de todos os trabalhos mostra que os 50% mais pobres tiveram alta de 6,5%
nos rendimentos. Já os 10% mais ricos registraram alta de 4,9%.
A mudança na apropriação da renda, no entanto, ainda
caminha a passos lentos. Em 2004, os 50% mais pobres detinham 16% da
renda total. Em 2005, esse percentual subiu para 16,3%.
Sob a ótica do rendimento
do trabalho, o ganho foi maior na faixa de renda próxima do
salário mínimo, com alta de 10,3%. Quando se incluem
na conta rendimentos provenientes de pensões ou de programas
de transferência de renda, o crescimento da renda é mais
intenso entre os 10% mais pobres, com alta de 14,8%.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 16 de setembro de 2006 | Dinheiro
Há mais ocupados, mas desemprego
resiste
Número de vagas criadas cresceu
no ano passado, levando mais pessoas ao mercado em busca de trabalho,
diz o IBGE | Total de pessoas ocupadas no país avançou
2,9% em 2005, elevando a taxa de desemprego para 9,4%, o maior
nível desde 2003
DA SUCURSAL DO RIO
O número de pessoas ocupadas no
país cresceu 2,9% em 2005, o equivalente a mais 2,5 milhões
de vagas. A melhora do mercado de trabalho, no entanto, acabou se traduzindo
em aumento da taxa de desemprego. Isso ocorre porque, quando há expansão
na geração de vagas, aumenta o número de pessoas
em busca de trabalho.
Em 2005, a taxa de desemprego subiu para
9,4%, de acordo com a série harmonizada, que exclui as áreas
rurais da região Norte. Trata-se da maior taxa desde 2003.
O principal sinal de avanço no
mercado de trabalho no ano passado foi o aumento, pelo segundo ano seguido,
do nível de ocupação. O indicador relaciona o total
de postos de trabalho com a população de potenciais trabalhadores,
ou seja, quem conseguiu emprego em relação ao total da
população que poderia estar inserida no mercado de trabalho.
O indicador passou de 56,3% em 2004 para 56,8% em 2005, a maior taxa
desde 1995, de acordo com a série harmonizada.
Segundo o IBGE, o crescimento da população
ocupada foi significativo porque superou a expansão demográfica
da população de dez anos ou mais (2,0%). O movimento foi
ditado pelo aumento das mulheres à procura de trabalho.
Segundo o IBGE, os dados da pesquisa confirmam
a inserção contínua da mulher no mercado de trabalho
nos últimos anos. O nível de ocupação feminino
subiu de 45,6% em 2004 para 46,4% em 2005. Já o nível de
ocupação masculino ficou praticamente estável e
passou de 68,2% para 68,3%.
Entre as regiões, o Sudeste apresentou
a maior taxa de crescimento da população ocupada, com alta
de 3,9%, seguido do Nordeste (3,4%). A região Sul apresentou crescimento
pouco expressivo, de 0,7%. A região Centro-Oeste teve expansão
de 1,7% e a Norte, de 2,3%.
Formalização
Segundo especialistas, o principal aspecto
positivo do comportamento do mercado de trabalho foi o aumento da formalização,
que teve impactos favoráveis sobre o rendimento.
Os trabalhadores formais registraram crescimento
de 5,3%. O número de trabalhadores sem carteira ficou praticamente
estável, com alta de 0,1%. Os militares e funcionários
públicos apresentaram queda de 1,4%. Os empregados sem registro
tiveram alta de 0,1%.
A tendência de formalização
atingiu também os trabalhadores domésticos. Eles registraram
alta de 4,5% para os que tinham carteira assinada contra 2,3% de expansão
para os não-registrados.
Segundo João Sabóia, diretor
do Instituto de Economia da UFRJ, a melhora do mercado de trabalho tem
sido o principal fator responsável pela redução
da desigualdade no país. "O rendimento do trabalho é incomparavelmente
maior do que o dos programas sociais. A mudança é importante
porque ainda somos campeões em desigualdade", disse.
Para Marcelo Néri, da FGV, os ganhos
atuais da economia podem ser permanentes por conta do crescimento da
renda do trabalho. "Isso é mais interessante do que a transferência
de renda do governo porque confere maior sustentabilidade à economia",
disse.
Previdência ganha
O crescimento do trabalho formal levou
também ao aumento no número de contribuintes para a Previdência
Social. O total de contribuintes da população ocupada passou
de 47% em 2004 para 47,8% em 2005, a maior proporção desde
o início da década de 1990.
Entre as regiões, o Sudeste tem
a maior proporção de trabalhadores que contribuem para
a Previdência (58,8%) em razão da concentração
do percentual mais alto de empregados registrados. As regiões
com menores percentuais de contribuintes foram a Nordeste (28,7%) e a
Norte (33,6%).
A pesquisa mostra que o mercado está exigindo
maior grau de instrução para contratar. Segundo a pesquisa,
o número médio de anos de estudo da população
ocupada chegou a 7,5 anos. Em 1995, o número médio de anos
de estudo era de 5,7 anos.
Em termos percentuais, o maior aumento
de pessoas ocupadas ocorreu na categoria de trabalhadores na produção
para o próprio consumo (15,0%) e de construção para
uso próprio (23,0%), mas elas representam uma parcela mínima
da população ocupada.
O número de empregadores cresceu
5,9%, o de empregados, 2,8%, e o de trabalhadores domésticos,
2,9%.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 16 de setembro de 2006 | Dinheiro
Redução do analfabetismo
e acesso à escola regridem
Pnad mostra pequeno aumento no número
de brasileiros de 15 a 17 anos fora da escola | Ministério
da Educação diz que foco da alfabetização
agora está nos mais excluídos e que espera ter mais
fundos para escolas
DA SUCURSAL DO RIO
O Brasil continua vencendo algumas batalhas
educacionais importantes, como a universalização do ensino
de 7 a 14 anos e o aumento da escolarização de 5 e 6 anos,
mas dá sinais preocupantes de estagnação no acesso
de jovens à escola e na redução do analfabetismo.
A Pnad indica que, pelo segundo ano consecutivo,
há um pequeno aumento no percentual de brasileiros de 15 a 17
anos que não estudavam. Ele vinha caindo desde 1993, quando estava
em 38,1%, até 2003, quando chegou a 17,6%. De lá para cá,
no entanto, a taxa aumentou 0,2 ponto percentual por duas vezes consecutivas,
chegando 18,0% em 2005.
Isso significa que, no ano passado, 1,9
milhão de adolescentes de 15 a 17 anos não estudavam. É praticamente
o mesmo contingente de 2002.
Para o presidente do IBGE, Eduardo Nunes,
esse indicador, somado ao fato de que 30% dos jovens trabalham, mostra
que é preciso discutir formas de manter o jovem na escola com
alguma ajuda financeira. "O trabalho de 15 a 17 anos é de
baixa remuneração. Esse jovem está deixando de estudar
e melhorar sua inserção no mercado de trabalho no futuro."
Jorge Werthein, assessor especial da OEI
(Organização dos Estados Ibero-Americanos), concorda com
Nunes e acrescenta que a escola também não está conseguindo
ser um ambiente mais agradável.
"Essa população jovem
hoje é a mais vulnerável, mas a escola não está conseguindo
retê-la. É preciso melhorar a escola e dar estímulo
econômico para que o jovem não a troque pelo trabalho".
Outra preocupação que a
Pnad traz na educação é que o analfabetismo está caindo
em ritmo mais lento. O PT assumiu o governo em 2003 com a promessa de
erradicar o analfabetismo adulto alfabetizando 20 milhões de brasileiros.
O indicador de 2005, no entanto, mostra que essa será uma promessa
de campanha que não será cumprida. Lula herdou de FHC em
2002 uma taxa de 11,8% e um número total de analfabetos com mais
de 15 anos de idade de 14,8 milhões. Três anos depois, a
taxa caiu para 10,9% e o número se reduziu em apenas 213 mil.
A comparação do ritmo de
queda anual da taxa nos governos mostra também que, na gestão
Lula, a proporção de analfabetos caiu num ritmo menor do
que sob FHC.
No primeiro mandato de FHC, o analfabetismo
caiu num ritmo de 3,5% ao ano. No segundo, 3,8% ao ano. Nos três
primeiros anos de Lula, a taxa caiu, em média, 2,6% ao ano.
Ministro de FHC, Paulo Renato Souza critica
o atual governo por não ter, segundo ele, dado continuidade às
ações do Alfabetização Solidária.
Para Werthein, é correta a estratégia
do governo de, desde 2005, tentar focar o trabalho de combate ao analfabetismo
nas populações mais excluídas.
MEC
Por meio de sua assessoria, o Ministério
da Educação disse que mudou sua estratégia de combate
ao perceber que o programa Brasil Alfabetizado, lançado em 2003,
atingia principalmente o analfabeto funcional (com sérias dificuldades
de leitura e escrita), mas não chegava ao analfabeto absoluto,
ou seja, aquele que não sabe ler nem escrever.
Ainda de acordo com a assessoria, foi
essa a razão que levou o MEC a redesenhar o programa privilegiando
linhas de financiamento para projetos que combatam o analfabetismo em
bolsões de pobreza, como comunidades quilombolas, catadores de
lixo ou presos.
Sobre a evasão escolar de 15 a
17 anos, o MEC diz que um dos instrumentos que pretende usar para reverter
o quadro de evasão escolar é o Fundeb, ainda em discussão
no Congresso.
O Fundeb substitui o Fundef, em
vigor atualmente e restrito ao ensino fundamental. Ele colocará novos
recursos de municípios, Estados e União também
no financiamento da educação infantil (até cinco
anos) e do ensino médio (15 a 17).
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SITE DA FORÇA SINDICAL,
18 de setembro de 2006
Dirigente da Força Sindical é o novo presidente da CNTQ
15/09/2006 - 17h09
A Confederação Nacional
dos Trabalhadores Químicos (CNTQ) foi oficialmente criada hoje,
dia 15 de setembro, em assembléia realizada às 10:00h,
na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, na Rua
Tabatinguera nº 192. Lideranças e dirigentes sindicais do
setor químico de todo o País estiveram no evento que marcou
a eleição da diretoria e de Antônio Silvan, presidente
do sindicato dos Químicos de Guarulhos, que foi eleito por aclamação
presidente da Confederação.
O presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores da Industria, José Calixto Ramos fez
parte da mesa e deu posse a nova diretoria da entidade. O presidente
da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, Juruna,
Eunice Cabral, presidente do sindicato das Costureiras, João Inocentini,
presidente do sindicato Nacional dos Aposentados, Geraldino dos Santos,
Secretário de Relações Sindicais, Sergio Marques,
presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Têxteis
de São Paulo e Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários
de São Paulo.
As entidades sindicais que participaram
da Comissão de instituição e que integram a nova
Confederação, que representa cerca 647 mil trabalhadores
em todo o País, são:
•
Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas
e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar), filiada
a Força Sindical e a Secretaria Nacional dos Setores Químicos
da Força Sindical (SNQ) e presidida por Danilo Pereira da Silva,
que também é o presidente da Força Sindical do
Estado de São Paulo;
• Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas
e Farmacêuticas do Estado do Rio Grande do Sul, que não está filiada
a nenhuma central, presidida por Orlando Machado Salvador;
• Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas
e Farmacêuticas do Estado do Rio de Janeiro, filiada a CUT e a CNQ–CUT,
que está sendo presidida por Aurélio Antônio de Medeiros
e
• Além de diversos Sindicatos independentes.
As categorias representadas pela CNTQ estão distribuídas nos
seguintes ramos de atividade:
• Indústrias Químicas
para fins industriais;
• Produtos Farmacêuticos;
• Preparação de Óleos Vegetais e Animais;
• Perfumaria e Artigos de Toucador;
• Resinas Sintéticas;
• Sabão e Velas;
• Fabricação do Álcool;
• Explosivos;
• Tintas e Vernizes;
• Fósforos;
• Adubos e Corretivos Agrícolas;
• Defensivos Agrícolas;
• Destilação e Refinação de Petróleo,
Tinturaria, Material Plástico (inclusive da Produção de
laminados plásticos);
• Matérias Primas para Inseticidas e Fertilizantes;
• Abrasivos;
• Álcalis;
• Petroquímica;
• Lápis, Canetas e Material de Escritório;
• Defensivos Animais;
• Re-refino de óleos Minerais e Produtos para Limpeza.
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Boletín
de la Federación Latinoamericana de Trabajadores de las Industrias
y la Construcción Año 3 – Nº 128
Director: Carlos Gaitán
Editado con el apoyo de CNV-Internationaal de Holanda
EL SALVADOR
El Gobierno ratifica convenios con la OIT
Una de las manifestaciones realizadas en pro de la firma de los convenios con
al OIT.
Nueva Época Semanal, 15/09/06> Finalmente, luego de acaloradas discusiones,
donde tampoco faltaron las presiones ejercidas por el movimiento sindical nacional
e internacional, el primer mandatario salvadoreño, Elías Antonio
Saca, ratificó cuatro convenios con la Organización Internacional
del Trabajo (OIT).
En primera instancia la Asamblea Legislativa los ratificó el 24 de agosto
en una votación donde los 84 diputados dieron su aprobación por
unanimidad. Luego, el día 29, hizo lo propio el presidente de la república,
de lo contrario, el país perdería los beneficios otorgados por
el reglamento del Sistema Generalizado de Preferencias Plus (SGP +) establecido
por la Unión Europea (UE) en su última reforma del año 2005.
En el mismo se estipula que los países que deseen gozar de dichas preferencias,
deben haber ratificado una serie de 23 instrumentos internacionales, entre
ellos, los ocho convenios fundamentales de la OIT.
Conocida la información, Willy Thys, Secretario General de la CMT destacó: "Esta
decisión es oportuna en un momento en que se han entablado negociaciones
por un acuerdo entre la UE y los países de América Central. Este
acuerdo debe girar en torno a la dimensión social y el empleo decente".
Por su parte, Guy Ryder, Secretario General de la CIOSL subrayó: "Los
convenios fundamentales de la OIT no son negociables. No hay ninguna excusa que
justifique no aplicarlos. No es aceptable que, para intervenir en la carrera
de la competitividad, un país abarate el precio de sus trabajadores sacrificando
sus derechos esenciales".
Los convenios
El convenio 87 se refiere a "la libertad sindical y la protección
del derecho de sindicación", aprobado en 1948 por la OIT y que garantiza
el "derecho de los trabajadores a formar y juntarse con organizaciones que
escojan sin autorización previa y sin interferencia de autoridades públicas".
El 98 garantiza "el derecho de sindicación y de negociación
colectiva", incluso en instituciones públicas, y fue aprobado en
1949.
El convenio 135 se refiere "a la protección y facilidades que deben
otorgarse a los representantes de los trabajadores en la empresa" y data
desde 1971.
Y el 151, creado en 1978, establece "la protección del derecho de
sindicación y los procedimientos para determinar las condiciones de empleo
en la administración pública".
El Sistema de Preferencias Generalizadas (SPG), es un esquema arancelario preferencial
autónomo y temporal, por medio del cual la Unión Europea otorga
franquicia total o parcial a las importaciones procedentes de los países
y territorios en desarrollo. El sistema de la Unión Europea ofrece beneficios
especiales a los países menos desarrollados y a los países que
cumplen determinadas normas básicas en el ámbito laboral y en
el del medio ambiente.
En el caso de El Salvador, la premura consistía en que el país
tenía un acceso preferencial al mercado de la UE por un tiempo limitado,
transcurrido el mes de diciembre y, de no ratificarse los instrumentos apuntados,
perdería una oportunidad comercial que el propio gobierno supo interpretar
a tiempo y de esta forma, trabajadores y sindicatos salvadoreños obtuvieron
un logro largamente esperado.
Envíenos sus comentarios y aportes a nuevaepoca@ciudad.com.ar
__________ Informação do NOD32 1.1759 (20060916)
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