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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 25 de setembro de 2006 | Brasil
Lula se compara a Tiradentes e Jesus
e diz que vencerá dia 1º
Presidente afirma que adversários vão esperar até 2010,
pois "oncinha está com sede' | Candidato retoma discurso adotado
durante escândalo do mensalão, quando dizia ter sido traído,
mas não apontava os responsáveis
ROGÉRIO PAGNAN
ENVIADO ESPECIAL A SOROCABA (SP)
Em referência ao escândalo do dossiê contra tucanos,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comparou ontem a Jesus
Cristo e a Tiradentes, que foram mortos após a traição
de amigos. O petista, no entanto, previu um final feliz para ele mesmo,
ao afirmar que "matará" a eleição presidencial
em primeiro turno, no dia 1º.
"Se alguém achar que a campanha presidencial vai para o
segundo turno, vai ter de esperar para concorrer em 2010, porque esta
nós matamos é no dia 1º de outubro. Dia 1º de
outubro é dia de a onça beber água. Essa oncinha
está com sede", disse o presidente durante discurso em Sorocaba
(SP).
Dizendo não temer a "gritaria" e o "denuncismo" da
oposição, Lula afirmou que o PT não é o único
partido "a ter companheiros que cometem erros" e que isso faz
parte da "história da humanidade".
"A gente poderia pegar a história e iríamos perceber
que, numa mesa de 12, um traiu Jesus Cristo. Aí poderia pegar
a reunião dos Inconfidentes, um traiu Tiradentes. E nem por isso
Cristo seria menos importante, nem por isso Tiradentes deixou de ver
acontecer a Independência pela qual ele foi esquartejado, sua carne
salgada, pendurada nos postes", disse.
A crise do dossiê já atingiu oito petistas, entre eles,
Jorge Lorenzetti, amigo e churrasqueiro de Lula que atuava como analista
de risco e mídia do comitê presidencial, e Ricardo Berzoini,
que foi afastado da coordenação-geral da campanha. O presidente
perdeu ainda o assessor especial Freud Godoy, que era homem de confiança
do petista havia 17 anos.
Lula estava acompanhado do candidato do PT ao governo
paulista, Aloizio Mercadante, cujo coordenador de campanha, Hamilton
Lacerda, também
caiu após ser acusado de intermediar entrevista dos Vedoin contra
José Serra (PSDB).
No escândalo do mensalão, o presidente também afirmou
ter sido traído, mas nunca apontou alguém pelo feito. Ontem,
aproveitou o mesmo discurso para demonstrar otimismo sobre seu desempenho
eleitoral. "Eu nunca falei que ia ganhar as eleições
no primeiro turno, por modéstia. Nunca falei por respeito. Quero
dizer para vocês: nós vamos ganhar esta eleição
domingo", disse.
O presidente não comentou as pesquisas que confirmam sua vitória
no primeiro turno, mas registram também o crescimento do seu adversário
Geraldo Alckmin (PSDB).
Desafio
Muito aplaudido pelo público de cerca de 3.800 pessoas, estimativa
da Polícia Militar, Lula desafiou a oposição a investigá-lo
até quando estava na barriga da mãe. "Podem fazer
denúncia, façam o que quiser, podem até mandar fazer
exame para saber o que eu fazia de mau quando eu era feto. Não
tem problema. Vamos ganhar com a cara limpa que nós temos, com
os votos dos homens e das mulheres deste país."
Apesar de a crise do dossiê ter tomado boa parte do seu discurso,
Lula afirmou ser melhor não dedicar muito tempo aos ataques dos
adversários e lembrou do velho PT. "A gente não pode
dedicar muito tempo aos adversários que falam de nós, porque
durante muito tempo o PT também fez com eles o que eles fazem
conosco".
Mercadante, que falou antes de Lula, também rifou participação
na compra do dossiê. "Eu espero que os responsáveis
por essa atitude irresponsável assumam a sua responsabilidade,
para que não fique nas costas daqueles que jamais aceitariam iniciativa
dessa natureza."
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 25 de setembro de 2006 | Dinheiro.
País pode perder US$ 11 bi em exportações
Perda em receitas de vendas externas com
queda de cotações
internacionais de commodities pode chegar a 2,17% do PIB | Por enquanto,
não há sinais claros de que o novo cenário da economia
mundial vai ser de preços cadentes para as matérias-primas
MARCELO BILLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Ninguém se atreve, ainda, a projetar um futuro desastroso para
os mercados de matérias-primas, mas se os preços voltassem
aos patamares de 2003, quando já havia começado a escalada
de cotações que deu origem ao boom das commodities, o Brasil
perderia pouco mais de US$ 11 bilhões em receita de exportações,
cifra equivalente a nada menos do que 2,17% do PIB (Produto Interno Bruto)
brasileiro.
O boom das commodities, que já pode ter chegado ao fim se o nervosismo
nos mercados internacionais conta para algo, ajudou o Brasil a ter um
saldo 17% maior do que o que teria hoje caso os preços não
tivessem disparado a partir de 2002.
Os cálculos, feitos pela Folha, assumem a hipótese de
que o Brasil exportaria, em média, a mesma quantidade de produtos
que exportou no primeiro semestre deste ano, mas a preços de 2003.
Hipótese que pode não se concretizar no caso de um recuo
forte nas cotações, mas que dá uma idéia
da importância das exportações de matérias-primas
para a economia brasileira.
No primeiro semestre deste ano, as receitas com
vendas externas de commodities responderam por 40,9% das receitas totais
de exportação
do Brasil -ou aproximadamente 5,9% do PIB brasileiro. No mesmo período
de 2003, essa proporção era de 38,8%.
Comparadas com as exportações dos seis primeiros meses
de 2003, as vendas externas do primeiro trimestre deste ano cresceram
91%. Quase um terço desse crescimento é explicado apenas
pelo aumento dos preços das commodities.
Médias
Desde 2002 até julho deste ano, estima o FMI (Fundo Monetário
Internacional), os preços das commodities metálicas subiram
nada menos do que 180%. Já alimentos e outras matérias-primas
registraram altas de 20% e 4%, respectivamente.
As médias, claro, escondem desempenhos muito diversos. Os alimentos
exportados pelo Brasil, por exemplo, registraram altas mais significativas
que os 4% apurados pelo FMI. Os dados do Ministério do Desenvolvimento
mostram que o preço médio do café exportado pelo
Brasil subiu 96% entre os primeiros semestres de 2003 e 2006. A carne
(alta de 38%) e o açúcar (alta de 15%) também tiveram
valorizações maiores do que a média.
Por enquanto, não há sinais claros de que o novo cenário
da economia mundial será de preços cadentes para esses
produtos. Quem tenta hoje prever o que ocorrerá com as cotações,
olha para a China e para os Estados Unidos.
A China tornou-se a grande consumidora mundial de
matérias-primas.
As compras chinesas explicam metade do crescimento do consumo mundial
de alumínio, cobre e aço entre 2002 e 2005.
Crescimento que não foi tímido, já que o consumo
das três commodities registrou, em média, taxas de crescimento
anuais robustas: de 3,8% no caso do cobre, de 7,6% no do alumínio
e de 9,2% no do aço.
No mesmo período, ou seja, entre 2002 e 2005, foi praticamente
só por causa dos chineses que cresceu a procura mundial por produtos
como chumbo, níquel, estanho e zinco.
Mistério chinês
Assim, só se arrisca a prever o que ocorrerá com o preço
das commodities quem já se arriscou pelo terreno das previsões
a respeito da economia chinesa: ela vai crescer menos? O quanto menos?
No caso dos EUA, a preocupação, para quem quer saber o
que vai acontecer não só com as commodities mas com a economia
mundial, é saber quando acabará o período de maior
prosperidade da economia norte-americana. Mais: é saber se ele
acabará em um pouso suave, o "soft landing" dos economistas,
ou em um desastre recessivo, o "hard landing".
China anda bem e pouso suave nos EUA é sinal de crescimento menor
do mundo e recuo não preocupante nos preços das commodities. "Hard
landing" e problemas na China correspondem ao cenário desastroso
para os exportadores de matérias-primas.
Por enquanto, o ciclo de alta das cotações dos produtos
básicos, junto com a discussão sobre seus preços,
conseguiu ressuscitar um antigo debate. Os países que os exportam
estão condenados a viver com as incertezas, oscilações
e humores dos mercados.
Flutuações
É verdade que o preço de todos os produtos flutuam, mas,
mostra levantamento do Fundo Monetário Internacional, as flutuações
tendem a ser mais aleatórias e acentuadas no caso das commodities,
especialmente das agrícolas.
Foi justamente o fato de os preços tenderem à montanha-russa
que levou os economistas a advogar que a única saída do
subdesenvolvimento era a industrialização. Da Cepal (Comissão
Econômica para a América Latina), saiu a tese de que os
exportadores de matérias-primas estavam condenados ao que os economistas
então chamaram de deterioração dos termos de troca:
os preços desses produtos tendem a uma queda secular, ainda que
subam e desçam no curto e médio prazo, dizia Raúl
Prebisch nos anos 50.
Trocando em miúdos, era preciso exportar cada vez mais para obter,
em troca, a mesma quantidade de produtos cada vez mais caros. O poder
de compra das exportações dos países exportadores
de commodities, previa, tendia sempre piorar. José Antonio Ocampo,
secretário-executivo da Cepal, estimou que, entre 1900 e 2000,
as matérias-primas se deram mal.
Tropeços
"É um fato que o preço relativo das matérias-primas
se deteriorou marcadamente durante o século 20", escreve
o economista em trabalho publicado pela Cepal.
Os investidores tentam agora saber o que ocorrerá no século
21. Para alguns, a entrada de gigantes como China, Índia e Rússia
no mercado mundial mudaram radicalmente as condições de
procura, o que pode manter os preços altos por um bom tempo ainda,
mesmo que eles recuem um pouco.
As últimas semanas foram de tropeços. Os preços
das matérias-primas, petróleo incluso, caíram sem
parar desde a primeira semana de setembro. Desde maio, quando o índice
de commodities CRB, o mais popular no mercado financeiro, atingiu seu
pico, eles já recuaram nada menos que 17%.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 23 de setembro de 2006 | Dinheiro
Mínimo ajuda os mais pobres,
diz pesquisadora
DA SUCURSAL DO RIO
A análise do papel do salário mínimo no combate à pobreza é tema
polêmico entre os economistas.
Na avaliação da pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal
do Rio de Janeiro) Lena Lavinas, a alta do mínimo atinge os brasileiros
que ganham menos por meio da indexação de salários
informais. Para ela, a conseqüência do abandono do mínimo
seria a perda do poder de barganha dos trabalhadores mais pobres, em
especial as mulheres.
Já Sonia Rocha, especialista em combate à pobreza, avalia
que a política de alta do mínimo pode ter conseqüências
negativas. Ela destaca o custo fiscal e também a eventual pressão
por trabalhadores mais qualificados em cenário de maior crescimento
econômico, o que pode resultar em maior diferença de salários
com prêmio para os mais qualificados.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 24 de setembro de 2006 | Dinheiro
Crise dificultará aprovação
de reformas
Mesmo que reeleito, Lula terá menos força política
para lidar com Congresso num segundo mandato, dizem analistas | Novo quadro
partidário devido à cláusula de barreira e boas relações
com parte dos tucanos, porém, podem ajudar na governabilidade
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A piora na situação política não será suficiente
para detonar uma crise econômica no ano que vem, mas vai comprometer
a capacidade de o governo aprovar as reformas das quais o país
precisa para ter crescimento maior. Esse cenário, partilhado hoje
por autoridades do governo e por economistas do mercado financeiro, significa
que o Brasil continuará numa trajetória de crescimento
inferior aos dos demais países emergentes.
A premissa para esse diagnóstico é que o escândalo
envolvendo a compra de dossiê contra tucanos pode até não
comprometer a reeleição do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, mas, se reeleito, ele terá muito menos força
política para negociar com o Congresso.
Para o governo, a principal fonte de turbulência será a
investigação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre
a participação da campanha de Lula no caso do dossiê.
Se for considerado culpado, o presidente pode ter seu diploma cassado
e ser obrigado a deixar o cargo.
Entre as autoridades, há esperanças de que projetos importantes
sejam aprovados. Contam com modificações no quadro partidário
como resultado da aplicação da cláusula de barreira.
A nova regra determina que os partidos tenham ao menos 5% dos votos nacionais
para ter direito a tempo na TV e recursos do fundo partidário.
Senão, o funcionamento do partido fica inviabilizado, o que deve
levar à fusão de siglas menores em 2007 e a chance de fortalecer
a base do governo.
A outra aposta é o apoio dos tucanos ligados ao governador de
Minas Gerais, Aécio Neves, e do próprio José Serra,
com grandes chances de se eleger governador paulista. Como as chances
de Lula, se reeleito, fazer seu sucessor são consideradas pequenas,
os estrategistas do governo crêem que a oposição
terá interesse em aprovar projetos que também beneficiem
o presidente seguinte.
Sem reformas
Não há dúvidas entre os analistas de que o próximo
presidente, seja Lula ou qualquer outro, manterá intactos os pilares
da política econômica, como o superávit primário,
o câmbio flutuante e a inflação sob controle. O que
anda em baixa entre os analistas é a possibilidade de reformas
na Previdência e nas leis tributárias.
As primeiras batalhas do governo na área econômica após
a eleição serão a prorrogação da CPMF,
que termina no fim de 2007, e da DRU (Desvinculação de
Receitas da União), mecanismo que permite ao governo usar livremente
20% da receita. As medidas devem ser aprovadas, mas desidratadas em relação
ao que o governo queria.
"Um eventual segundo mandato será muito mais difícil
do que seria até estourar esse escândalo. A aprovação
da DRU e da CPMF já vai exaurir a parca energia de um segundo
mandato. Vão ser quatro anos modorrentos", acredita Caio
Megale, da Mauá Investimentos.
Há também a possibilidade de o governo continuar fazendo
mudanças pontuais por meio de medidas provisórias. É o
que já vem sendo feito nos pacotes anunciados pelo ministro Guido
Mantega (Fazenda) para reduzir os juros nos empréstimos e estimular
a economia.
O problema é que essas mudanças não são
suficientes para elevar o potencial de crescimento. Para economistas, é preciso
reduzir o déficit da Previdência para poder abrir mão
de receitas e diminuir a carga tributária. Só assim a economia
terá como crescer mais.
"A falta de reformas não é um gatilho para piorar
a situação econômica, mas faz com que o crescimento
continue baixo. É mais do mesmo", avalia Zeina Latif, economista-chefe
do banco ABN Amro.
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SITE NCST, 25
de setembro de 2006
Minirreforma eleitoral diminuiu em 30%
venda da indústria de brindes
Os
fabricantes de brindes calculam recuo de 30% nas vendas do setor
deste ano em conseqüência das mudanças na Lei Eleitoral.
Aprovada em maio, a minirreforma proibiu os candidatos de distribuírem
presentes como camisetas, bonés, canetas, chaveiros e lixas de
unha aos eleitores.
Quem se programou para os ganhos que as eleições tradicionalmente
representam foi pego de surpresa. Com investimentos feitos e estoques
cheios, os empresários do setor--em geral, de pequeno porte--
se sentem traídos.
"Vai ser um ano catastrófico. Puxaram o nosso tapete. Vamos
levar dois anos para nos recuperar desse abalo", diz o presidente
da Associação Nacional das Indústrias de Bonés,
Brindes e Similares (Anibb), Valdenilson Vado Costa.
Segundo ele, a perspectiva de aumento de 50% nas
vendas de canetas, bonés e camisetas deste ano, em relação a 2005,
se converteu em prejuízo. Estimativa da Anibb indica recuo nas
vendas do setor de 30% neste ano. Só as 800 indústrias
de bonés no país deixarão de vender 20 milhões
de unidades para partidos políticos e comitês de campanha,
afirma Costa.
Correndo atrás do prejuízo
A empresária Nereide de Souza Brandalise calculava produzir 1
milhão de bonés para o período eleitoral, além
dos 500 mil que costuma vender em ações promocionais.
"Fizemos investimentos na estrutura. Só em maquinário
foram R$ 180 mil. Pedimos empréstimo para pagar as primeiras parcelas
e as demais esperávamos pagar com o lucro das vendas para as campanhas.
Agora, estamos tentando devolver equipamentos e negociar com fornecedores",
conta Brandalise, proprietária da Cara Metade, em Apucarana (PR).
"Tem gente fechando as portas com a mudança na lei eleitoral. É triste
que isso tenha acontecido. Muita gente tinha feito planos com as vendas
das eleições. Para gente de bem, é uma forma de
ganhar dinheiro e suja muito menos a cidade, os muros e as calçadas",
argumenta Suzana Helena da Cruz, da A Camiseta, empresa há 19
anos no mercado, com produção em Santa Catarina e revenda
em São Paulo.
Instante de ânimo
A Anibb recorreu ao TSE para tentar reverter a medida
da minirreforma que proíbe a distribuição de brindes na campanha,
mas a ação não foi acatada. A notícia sobre
a decisão do tribunal em liberar a divulgação das
pesquisas de intenção de voto 15 dias antes das eleições
chegou a animar os fabricantes de brindes, mas não por muito tempo.
Quanto às demais alterações realizadas pela minirreforma,
os ministros entenderam que "não modificam o processo eleitoral,
mas têm apenas caráter procedimental a fim de tornar mais
igualitária a disputa eleitoral".
Perspectivas frustradas
Com o objetivo de reduzir os custos de campanha
e aumentar a transparência
nos gastos, a reforma acabou lesando um setor que gera milhares de empregos
e tem, nas eleições, uma possibilidade de superar as adversidades
da economia, diz Costa.
"O setor já não ia bem. A agricultura, o comércio
e a indústria, que sempre foram nossos principais compradores,
passam por dificuldades. E há anos temos de competir com os produtos
chineses", diz Costa.
Para o presidente da Anibb, cabe buscar apoio de
empresas público
e privadas dispostas a investirem em ações promocionais
e contar com a boa vontade dos políticos a serem eleitos.
"O presidente Lula já foi o principal garoto-propaganda
dos bonés. Todos que ganhava botava na cabeça. O desfecho,
agora, não positivo. Esperamos que os políticos e os novos
eleitos revejam essa lei com carinho, se não, o marasmo vai continuar
e o nosso setor não vai agüentar", sentencia Costa.
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JORNAL FOLHA
DE LONDRINA, 24 de setembro de 2006
Crise pode afetar desempenho industrial
Temor de uma ingovernabilidade atingiu analistas
do mercado financeiro e reviveu nervosismo pré-eleitoral de
2002
Brasília - A crise política ameaça condenar o Brasil
a mais um período de baixo crescimento econômico, temem
representantes do setor produtivo. Até duas semanas atrás,
havia a expectativa de que o clima de disputa se acalmaria após
as eleições, qualquer que fosse o resultado, abrindo espaço
para o Legislativo retomar as votações das medidas necessárias
para destravar o crescimento. Agora, há risco de a crise se prolongar
e manter o Congresso paralisado.
No fim da semana passada, o temor de uma crise de
governabilidade atingiu os analistas do mercado financeiro e reviveu-se
por alguns momentos o
nervosismo pré-eleitoral de 2002. Na tarde de sexta-feira, o clima
já estava mais calmo. ''Não sabemos como ficará o
cenário político'', disse o presidente em exercício
da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos
Eduardo Moreira Ferreira. ''Mas precisamos ter esperança. O Brasil é maior
do que os buracos que surgem no caminho e a gente renasce dos desastres.''
As entidades da indústria elaboraram uma espécie de roteiro
a ser seguido pelo novo presidente, para a economia voltar a crescer.
Boa parte das medidas já está no Congresso, sem conseguir
avançar por causa da paralisia provocada pela crise do mensalão,
pela desarticulação da base governista e, em alguns casos,
pela oposição do próprio governo. O roteiro foi
transformado em um documento chamado ''Crescimento - A Visão da
Indústria'', entregue aos os candidatos. São dez prioridades:
redução do gasto público, tributação,
infra-estrutura, financiamento, relações de trabalho, desburocratização,
inovação, educação, política comercial
e acesso a mercados e meio ambiente.
Quando não se ataca um problema como o excesso de gastos públicos,
sobretudo os gastos correntes (como salário de funcionários,
benefícios previdenciários, bolsas e custeio da máquina
pública), geram-se duas leituras para os investidores e empresários,
segundo Martus Tavares. A primeira é que a carga tributária
não vai cair, pois é necessário arrecadar para cobrir
esses gastos. Por causa dos impostos pesados, as empresas brasileiras
levam desvantagem em relação a seus concorrentes. A segunda é que
haverá poucos investimentos públicos em infra-estrutura,
tornando mais agudos os gargalos da economia brasileira.
O mesmo vale para a questão ambiental. A demora nos órgãos
do meio ambiente em conceder licenças para construção
de novas usinas hidrelétricas aumenta o risco de escassez de energia,
sobretudo se a economia acelerar. Segundo o documento da CNI, a demanda
por energia subiu 4,5% a 5% ao ano, mas a oferta cresceu apenas 1,4%
ao ano, em média.
Caso o presidente Lula seja reeleito,
o cenário político
conturbado será o menor dos empecilhos para a agenda do crescimento,
na avaliação do economista Roberto Iglesias, ex-secretário
adjunto de Política Econômica e diretor do Centro de Estudos
de Integração e Desenvolvimento (Cindes). Ele avalia que
muitos dos itens da agenda da CNI não avançaram porque
o governo de Lula tem opiniões divididas. Num eventual segundo
mandato, Lula comporá sua base com o PMDB, que tampouco tem idéias
definidas sobre os temas da agenda.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 24 de setembro
de 2006
“ Somos modeladores da história que se constrói
e se renova”
Edésio Passos
Presidida pela juíza Wanda Santi Cardoso da Silva e com a presença
do ministro do TST João Oreste Dalazen, da procuradora-chefe Lair
Carmen Guimarães, do presidente da OAB-PR Manoel Antônio
de Oliveira Franco e do presidente da AMATRA-IX juiz José Mário
Koh-ler, a sessão solene comemorativa dos 30 anos de instalação
do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná foi bela e emocionante.
Estavam reunidos os ex-presidentes e seus familiares na homenagem aos
juízes e juízas que dirigiram a construção
da Justiça do Trabalho em nosso Estado. A homenagem se estendeu
aos procuradores, advogados e servidores que, com a magistratura, consolidaram
esse edifício de nossa Democracia e Justiça. As músicas,
as poesias e as flores quebraram a sisudez do tradicional ambiente de
decisões e o transformaram em um momento de memória alegre
e de afirmação serena. Neste ambiente, assinalou, em sua
oração, a juíza Wanda: “Uma vez que a cada
desfecho de história reabre-se um começo, comemoramos esses
trinta anos, projetando para o futuro um novo e amadurecido trilhar,
sempre com a responsabilidade de que somos, em parte, os modeladores
da história que se constrói e se renova, como o renovar
das estações”.
30 anos
A 9.ª Região foi criada pela Lei 6.241, de 22.09.1975, desmembrada
da 2.ª Região-SP, instalada em 17.09.1976, integrada pelos
organismos judiciários do Paraná e Santa Catarina, com
08 juizes do TRT, 08 JCJs-PR e 09 JCJs-SC e a Procuradoria Regional do
Trabalho. Nesses 30 anos foi criada a 12.ª Região em Santa
Catarina (1981). O TRT-PR foi ampliado para 28 magistrados, mais 63 juízes
e juízas titulares e 60 juízes e juízas substitutos
das Varas do Trabalho que se estendem por todo o Paraná, completando
a missão jurisdicional de atender a toda a coletividade paranaense.
A sessão de instalação foi presidida pelo Ministro
do TST Rezende Puech, em solenidade na primeira sede do TRT à Rua
24 de maio. Além da sessão solene do dia 13 de setembro,
no dia 14 realizou-se jantar de confraternização e ainda
nos dias 14 e 15 efetivou-se o II Encontro dos Magistrados e Gestores
da Justiça do Trabalho. No hall de acesso à biblioteca
do TRT poderão ser vistos a mostra fotográfica e o acervo
histórico. Significativo marco, também, a Revista do TRT,
que adentra nos 31 anos de circulação, com 56 edições
(jan-jun-2006), agora editada pela Escola de Administração
Judiciária. Como organismos fundamentais na história da
Justiça do Trabalho devem ser destacados a Procuradoria Regional
do Trabalho da 9.ª Região, que também comemorou seus
trinta anos de instalação, a Associação dos
Magistrados Trabalhistas do Paraná, a Associação
dos Advogados Trabalhistas do Paraná e o Sindicato dos Servidores
da Justiça do Trabalho.
Modeladores da história
O pronunciamento da juíza-presidente Wanda Santi Cardoso da Silva
marcou de modo expressivo o momento histórico vivido pela Justiça
do Trabalho no Paraná, que transcrevemos na íntegra:
“Excelentíssimo Ministro João Oreste Dalazen, na
pessoa de quem cumprimento todos os integrantes da mesa; Excelentíssimos
Juízes deste TRT, integrantes desta Casa e do Primeiro Grau; Excelentíssimos
Membros do Ministério Público; Excelentíssimos Advogados;
Excelentíssimas autoridades homenageadas e autoridades já nominadas;
Senhores Servidores; Senhoras e Senhores.
Agradecemos sensibilizados a presença de todos, sem a qual essa
singela solenidade careceria de sentido. Quando imaginamos festejar o
transcurso dos 30 anos três décadas da instalação
do Tribunal Regional do Trabalho da 9.ª Região, a idéia
foi congregar, em uma primeira solenidade, os senhores juízes
e homenagear aqueles que haviam presidido esta Corte. Mas, logo percebemos
que não haveria como rememorar a trajetória deste Tribunal
sem incluir os demais atores que lograram, em trabalho conjunto e diário,
ao cabo, concretizar uma bela e honrosa história. Falamos, como
não poderia deixar de ser: dos Senhores Procuradores do Trabalho,
dos Senhores Advogados e dos Senhores Servidores. Em ocasiões
como esta, devemos deixar a alma falar, pois é ela que nos humaniza
e é nessa condição que participamos da história
que ora brindamos. O dia-a-dia, que nos envolve, faz com que muitas vezes
deixemos de perceber o tempo passar. E ele voa...
Porém, quando nos permitimos um momento de reflexão, voltamos
o olhar para o ontem e, por vezes, até assombrados, percebemos
o quanto foi feito, resultado de trabalho individual e, por vezes até anônimo,
mas que adquire, na soma e no conjunto, a indispensabilidade como significado.
Compartilhamos todos, neste momento singelo, como aqueles que, em cumplicidade,
sentam-se à mesa para uma refeição, de rico momento
de devaneio, para rememorar a história construída. Na história
deste Tribunal entrelaçam-se diversas outras estórias...
A história de nosso país, que nesses trinta anos percorre
um lento e penoso processo de democratização, paralelo à necessidade
de fortalecimento de sua identidade, para participar de forma digna do
mundo globalizado.
A história deste Estado, inicialmente agrícola, que, pouco
a pouco, muda de paradigma. Vemos, junto à modernização
do campo e à industrialização, um espantoso crescimento
populacional urbano.
A história do nosso Direito, que ganhou nova luz com a Constituição
de 1988 e redefine seus contornos. Todo aquele formalismo radicado na
norma posta e a priori é substituído por uma construção
cotidiana do direito, que exige dos julgadores, na ponderação
de princípios, uma necessária aproximação
com a realidade.
A história da Justiça do Trabalho, que reflete as políticas
nacionais e assume as transformações do mundo do trabalho.
Transformações que, em sua complexidade, reafirmam o papel
desta Justiça no equilíbrio da relação capital-trabalho,
quando da ampliação de sua competência material.
A nossa história individual: juízes, procuradores, advogados
e servidores ... definimos aqui bons anos de nossas vidas. Talvez os
melhores! Tão rápido as novas gerações trilham
sua própria história. Mais do que as marcas físicas
do tempo, é no amadurecimento das novas gerações
que nos damos conta do tempo que passou.
Finalmente, e acima de tudo, as histórias que se descortinam
nos frios autos do processo. Histórias que cotidianamente são
aqui trazidas para desfecho selado pelas mãos da justiça.
Por vezes, são histórias de toda uma vida...
Assim, o Tribunal deixa sua marca na vida das partes,
na nossa vida e na construção de um estado democrático de direito,
pela concretização de seus fundamentos.
Como membros de um mundo, que ultrapassa em tempo
e em sentido a importância
de nossas existências individuais, encontramos na lida diária,
um espaço para fazer de nosso viver aquele bem-viver que os gregos
descobriram na possibilidade de os seres humanos - mortais - deixarem
feitos imorredouros.
É por isso que, aqui, temos o privilégio de dar à nossa
existência singular um sentido especial. Estou certa de que cada
um que por aqui passou - juízes, procuradores do trabalho, advogados,
servidores - deixou sua marca, e é assim que este Tribunal cumpre
sua função na sociedade, legando realizações
que permanecem à curta passagem de cada um de nós.
Uma vez que a cada desfecho de história reabre-se um começo,
comemoramos esses trinta anos, projetando para o futuro um novo e amadurecido
trilhar, sempre com a responsabilidade de que somos, em parte, os modeladores
da história que se constrói e se renova, como o renovar
das estações, tão bem retratado por Helena Kolody: “Caem
as folhas... de repente / Brotam outras pelos ramos / Murcham flores,
surgem pomos / E a planta volta a semente.” Novamente, obrigada
a todos pela presença e obrigada a todos que propiciaram a realização
desta solenidade”.
Edésio Passos é advogado e membro da Comissão Nacional
do Direito e Relações do Trabalho do Ministério
do Trabalho e Emprego. E.mail:edesiopassos@terra.com.br
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ESTADÃO.COM
/ SÃO PAULO, 23 de setembro de 2006 | Economia
Computadores respondem por 25% do crescimento industrial
Não fosse o crescimento de quase 60% na produção deste
segmento, o modesto desempenho da indústria geral, de 2,73% de
janeiro a julho, teria se limitado a 2%
Nilson Brandão Junior
RIO
- O segmento de computadores e monitores de vídeo é responsável
por um quarto de todo o crescimento industrial do País este ano.
Não fosse o crescimento de quase 60% na produção
deste segmento, o modesto desempenho da indústria geral, de 2,73%
de janeiro a julho, teria se limitado a 2%. Financiamentos do governo
e o câmbio baixo beneficiaram o segmento.
O programa do governo de incentivo à venda de computadores populares
e os efeitos do câmbio baixo na importação de insumos
explicam o fato de o setor ter ultrapassado o peso de outros, tradicionalmente
mais expressivos, como extrativo mineral, refino de petróleo e
indústria automobilística, no crescimento da indústria
brasileira este ano.
Só o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
liberou R$ 180 milhões dos R$ 300 milhões previstos para
2006 numa linha de financiamento dentro do programa Computador para Todos,
que também tem financiamentos da Caixa Econômica Federal
(CEF) e do Banco do Brasil (BB). O programa, lançado ano passado
e regulamentado esse ano, faz parte do pacote de bondades do governo
para incentivar a atividade econômica.
O pesquisador do Instituto de Economia da UFRJ Paulo
Gonzaga explica que a produção do segmento de máquinas para escritórios
e equipamentos de informática (basicamente computadores e monitores)
cresceu 56,8% este ano e gerou uma contribuição de 0,64
ponto porcentual para o crescimento da indústria brasileira até julho, último
dado disponível do IBGE. "É o segmento de maior influência
isolada. Impressiona esse resultado", diz o economista.
Apenas para exemplificar, o segmento extrativo mineral
contribuiu com 0,43 ponto para o avanço da indústria no acumulado do ano,
refino de máquinas e equipamentos elétricos com 0,38 ponto,
petróleo, 0,32 ponto e veículos automotores, 0,15 ponto.
Gonzaga lembra que o real valorizado barateia a compra de insumos importados
e destaca a importância do Computador para Todos.
Enquanto o BNDES financia o varejo para a compra
de computadores a custos menores, CEF e BB financiam o consumidor.
Na prática, o banco
de fomento financia uma rede de varejo para a compra de computadores
a preço de custo, mas exige que as vantagens sejam repassadas
no financiamento ao consumidor. Por isso, uma das exigências da
linha é a apresentação de relatório de auditoria
externa sobre a operação.
O chefe do departamento de operações indiretas do BNDES,
Cláudio Leal, destaca que o programa do governo está ajudando
a formalizar as vendas do produto. Segundo Leal, pesquisas indicam que
ano passado cerca de 70% das vendas de computadores eram irregulares,
sem nota fiscal, patamar que já caiu para perto de 50% este ano.
No início de agosto, a rede de lojas Magazine Luiza recebeu um
financiamento de R$ 50 milhões do BNDES para a compra de computadores.
O anúncio da liberação foi feito junto com a divulgação
de um financiamento de R$ 1,74 bilhão para as indústrias
de papel Klabin, em audiência com a presença do presidente
da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao todo, a Magazine Luiza recebeu financiamento
do BNDES de R$ 80 milhões
(em quatro operações), Ponto Frio R$ 45 milhões
e Pão de Açúcar, R$ 20 milhões.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 23 de setembro de 2006 | Dinheiro
Pobreza cai, mas ainda atinge 42,6
milhões de brasileiros, diz FGV
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
O nível de pobreza teve uma queda
significativa durante os três primeiros anos do governo Luiz Inácio
Lula da Silva, mas ainda atinge 42,570 milhões de brasileiros,
segundo pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
A pesquisa, coordenada por Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas
Sociais da FGV, mostra que a pobreza, que atingia 28,2% dos brasileiros
em 2003, passou a englobar 22,77% em 2005 --ou 42,570 milhões
de pessoas. Esse é o menor patamar desde que a pesquisa começou
a ser feita, em 1992.
O levantamento foi feito a partir dos
dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada
pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na
semana passada, e considera pobre todo brasileiro com renda individual
de até R$ 121 por mês.
Segundo Neri, a queda significativa na
pobreza pode ser explicada por fatores como a estabilização
econômica, proporcionada pelo Plano Real, conjugadas com o aumento
do salário mínimo e programas de redistribuição
de renda, sobretudo, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
A FGV compara em estudo o período de 2003 a 2005, do governo Lula,
a 1993-1995, quando o Plano Real derrubou os índices de pobreza
de patamares de 35% para 28%. O levantamento mostra que a pobreza recuou
19,18% entre 2003 e 2005 e 18,24% entre 1993 a 1995. A pesquisa considera
1993 e não 1994 como início do Plano Real para efeitos
estatísticos, uma vez que a Pnad não foi realizada em 1994.
Segundo a pesquisa, nos quatro primeiros
anos do governo FHC, a queda da pobreza foi de 5,1% ao ano. Já os
três primeiros anos de Lula promoveram uma redução
de 5,2% ao ano na pobreza. Neri faz uma distinção entre
os governos de Lula e FHC. Segundo ele, o Plano Real possibilitou uma
melhora generalizada da população, enquanto que, no governo
Lula, houve melhora mais significativa para os mais pobres."[O Plano
Real] propiciou a estabilização para aumentar as políticas
públicas e o criou um 'boom' do consumo", disse ele.
De acordo com Neri, entre 2001 e 2004,
os 10% mais ricos tiveram uma queda de 7,5% na renda domiciliar per capita
enquanto os 10% mais pobres tiveram um incremento de 23,5% nessa renda.O
economista faz elogios ao Bolsa Família, principal programa de
transferência do governo federal. Ele diz que é um programa
mais eficiente para combate à pobreza a um custo mais baixo que
o aumento do salário mínimo."Perde-se qualidade de
política social com aumento do salário mínimo. Chegamos
ao limite da carga tributária."
Ele afirma, no entanto, que esse
programa chegou ao limite em termos de famílias assistidas --
11,1 milhões-- e que agora precisa ser aprimorado, como o monitoramento
dos beneficiados pelo programa etc.
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ESTADÃO.COM
/SÃO PAULO, 23 de setembro de 2006 | Economia
Decreto reduz IPI para cesta básica da habitação
A medida complementa desonerações realizadas em fevereiro
deste ano e tem renúncia estimada em R$ 37 milhões por
ano
Renata Veríssimo
BRASÍLIA - Dez dias após o anúncio do pacote habitacional
pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governo publicou nesta sexta-feira
no Diário Oficial um decreto reduzindo o Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) para alguns produtos da cesta básica da
construção civil. A medida complementa desonerações
realizadas em fevereiro deste ano e tem renúncia estimada em R$
37 milhões por ano, segundo anunciou o ministro na semana passada.
Os produtos que tiveram alíquota de IPI reduzida de 10% para
5% são: chuveiros elétricos, caixas de descarga para
sanitários e artigos semelhantes para usos sanitários
ou higiênicos de plástico e bidês e revestimentos
de pavimentos, de plásticos, mesmo auto-adesivas, em rolos ou
em forma de ladrilhos ou de mosaicos. O decreto também desonera
de IPI, máquinas de lavar roupa, armação de óculos,
agulhas para hemodiálise e máquina de escrever em braile.
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AGÊNCIA
BRASIL, 24 de setembro de 2006 | Economia
Construção civil contribui para aumento de 6,6% na produção
de aço em agosto
O setor da
construção civil foi um dos responsáveis
pelo aumento de 6,6% da produção de aço bruto em
agosto, comparado com o mesmo mês do ano passado. Números
divulgados pelo Instituto Brasileiro de Siderurgia revelam que as usinas
instaladas no país produziram 2,8 milhões de toneladas
em agosto, superando também em 3,2% a produção alcançada
em julho passado.
No acumulado do ano, entretanto, o volume de aço produzido pelo
setor (20,015 milhões de toneladas) mostrou queda de 4,9%, devido à paralisação
de um alto forno da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no início
de 2006. Mas o Brasil se mantém na liderança entre os países
produtores da América Latina, seguido do México, Argentina
e Venezuela. Em nível mundial, a China está em primeiro
lugar – responde por 18,9% do total produzido até julho
deste ano.
O vice-presidente executivo do IBS, Marco Pólo de Mello Lopes,
disse hoje (21) que a previsão, com a retomada do ritmo de produção
da CSN, é de fechar o ano com produção de 31,1 milhões
de toneladas de aço. É esperado um decréscimo de
1,8%, o que segundo Lopes significará que o setor “recuperará a
perda ocorrida com a paralisação do alto forno e terminará o
ano equilibrado”. Em 2005, a produção registrada
pelas usinas foi de 31,6 milhões de toneladas.
A produção de laminados planos registrou em agosto o recorde
de 1,311 milhão de toneladas e o dirigente atribuiu o resultado à elevação
da demanda de setores como construção civil industrial,
utilidades domésticas e setor automotivo, que cresceu 14,6%. Para
laminados longos, a produção também registrou crescimento,
de 16%.
Marco Polo Lopes informou que as vendas de aço para o mercado
interno cresceram em volume 14,5% em agosto e 5,5% no acumulado do ano.
As exportações aumentaram 1,7% nos oito primeiros meses
do ano e 43% em agosto. A expectativa é fechar o ano com vendas
totais internas de 17,9 milhões de toneladas (11,3% acima das
de 2005), e exportações com queda de 1,6%, devido à maior
demanda interna.
Minas Gerais é o estado responsável pela maior produção
de aço no país, com 7,973 milhões de toneladas no
acumulado do ano e participação de 39,8% do total, seguido
por São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
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CAMPO GRANDE
NEWS, 24 de setembro de 2006
Trabalhadores demitidos podem sacar FGTS direto no caixa
Trabalhadores demitidos sem justa
causa e que tenham saldo de até R$
600 de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para
receber poderão sacar o valor diretamente nos caixas eletrônicos
da CEF (Caixa Econômica Federal) ou nos correspondentes bancários.
Além da demissão sem justa causa, são contemplados
os trabalhadores que concluíram contratos de trabalho ou que
aqueles que atuavam em empresas que foram extintas.
Segundo a assessoria de imprensa da CEF, as
situações
previstas representam 80% dos 1,9 milhões de saques do FGTS
mensalmente. Para sacar os valores é preciso ter o cartão
cidadão fornecido pela CEF.
Há dois anos, os trabalhadores que precisavam sacar o FGTS
tinham que ir mais de uma vez a uma agência da CEF. Na primeira,
entregava a documentação de afastamento da empresa
e marcava a data de seu retorno para receber os valores (após
5 dias úteis). Esse sistema ainda é válido para
os empregados de empresas que não aderiram ao programa de
facilidade da CEF.
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DIREITO NET,
25 de setembro de 2006
Hora extra: uma proposta de alteração
do artigo 59 da CLT
Pretende discorrer sobre a situação atual da hora extra no
Brasil, tanto no aspecto legal como social. Também faz referência à uma
proposta da Central Única dos Trabalhadores (CUT) para a alteração
do artigo 59 da CLT, para limitar a hora extra.
Maria da Consolação Vegi da Conceição
e Rosane da Silva
A conquista da redução de jornada de trabalho sem redução
de salário é uma bandeira de luta sempre presente nas campanhas
realizadas pela CUT, como forma de gerar mais empregos e melhorar as
condições de vida da classe trabalhadora. Mas a vitória
desta luta deve vir acompanhada da redução das horas extras.
Do contrário, corre-se o sério risco da redução
da jornada ser seguida do incremento do trabalho extraordinário.
Com este propósito a CUT lançou uma publicação
intitulada “Hora extra: o que a CUT tem a dizer sobre isto” [1].
A obra, resultado do trabalho de diversas mãos, realiza uma ampla
abordagem, explorando diversos aspectos, isto é, a questão
da saúde, de gênero, do assédio moral, do lazer,
da educação, da remuneração, do emprego,
do tempo de trabalho, do ritmo de trabalho, dos acordos e convenções
coletivas, a experiência internacional, dentre outros.
O estudo traz ainda uma pesquisa nacional realizada
com trabalhadores de diversas categorias profissionais. Além disso, sugere uma alteração
no artigo 59 da CLT para que a realização de jornada suplementar
seja limitada quantitativamente. A proposta incentiva a negociação
coletiva, na medida em que permite um controle mais eficaz da utilização
das horas extras.
Em 1988, quando se aprovou a diminuição da jornada semanal
de 48 para 44 horas, observou-se um aumento do número de trabalhadores
que trabalhavam em regime de horas extras. Segundo dados do DIEESE, entre
1985 e 1988, a média de assalariado que trabalhavam acima da jornada
constitucional na Grande São Paulo era de 20%. No ano de 2003,
no entanto, este contingente passou para o alarmante índice de
44%. É evidente que em conseqüência disto, não
se obteve o impacto esperado na geração de novos postos
de trabalho.
Na recente pesquisa realizada pela CUT, sob a coordenação
do DIEESE, abrangendo diversos ramos de atividade [2], 77,8% dos pesquisados
afirmaram que fazem horas extras, ou seja, de cada 10 trabalhadores 8
realizam horas extras. Deste total, 25% fazem jornadas extraordinárias
freqüentemente. Um outro dado interessante da pesquisa indica que
59,4% defendem que haja limite para a prática das horas extras.
[3]
A atual legislação sobre horas suplementares, expressa
no artigo 59 da CLT, permite a realização de até 2
horas extras diárias, mediante acordo com o empregado ou com o
sindicato profissional. A proibição restringe-se ao trabalho
em tempo parcial, bem como, a realização de horas extras
em atividades insalubres, que também está condicionada à autorização
do Ministério do Trabalho.
A exceção às regras acima descritas ocorre apenas
quando há uma necessidade imperiosa, compreendendo as seguintes
situações: por motivo de força maior ou causas acidentais;
realização ou conclusão de serviços inadiáveis;
realização ou conclusão de serviços cuja
inexecução possa causar prejuízo manifesto. Nestas
hipóteses, basta apenas a comunicação dos fatos
ao Ministério do Trabalho. Todavia, a jornada suplementar, por
motivo de força maior ou causas acidentais, está limitada
a duas horas diárias, e desde que a jornada diária não
exceda a 10 horas. Nos demais casos, a jornada diária poderá ser
de até 12 horas diárias.
Cabe notar, no entanto, que a lei autoriza um exagerado
número
de horas extras. A permissão de 2 horas extras por dia significa,
potencialmente, um volume de até 50 horas extras por mês,
ou 552 horas extras por ano. Em outras palavras, pode-se realizar 27%
a mais do volume da jornada normal de trabalho. Ressalte-se que na prática
esse limite de 2 horas diárias nem sempre é respeitado,
o que acarreta uma quantidade ainda maior de jornada suplementar.
O pagamento de adicional de 50% sobre o valor da
hora normal, instituído
pela Constituição Federal (art. 7º, XVI), também
não tem sido eficaz ao combate do trabalho extraordinário.
O mero incremento no adicional das horas extras também pode ter
um efeito inverso ao pretendido: em virtude dos baixos salários,
os empregados tenderiam a buscar a realização de horas
extras.
Assim, se por um lado os empresários continuam realizando horas
extras e repassando o seu custo para o produto, por outro, os trabalhadores,
por causa dos baixos salários, consideram a hora extra uma oportunidade
de aumentar o rendimento mensal. O inevitável acontece: aumentam-se
as horas extras. Há ainda aqueles que temem perder o emprego como
represália da empresa caso se neguem a trabalhar além da
jornada.
Diante deste quadro e, considerando que tramitam
atualmente no Congresso Nacional vários projetos de emenda constitucional (PEC) dispondo
sobre a redução de jornada que, espera-se, sejam levados à votação
brevemente, a CUT defende que a nova legislação fixe os
seguintes totais máximos de horas extras:
2 horas extras por dia;
30 horas extras por mês;
110 horas extras por semestre.
Destarte, por dia a jornada suplementar estaria
limitada a 27% sobre a jornada normal de trabalho; por mês, a 16% e; por semestre, a
10%. Com efeito, a limitação nos parâmetros acima
significa uma queda dos atuais 27% para 10% sobre o volume de horas extras
anual. Assim, quanto mais tempo a empresa utilizar-se do regime de jornada
suplementar, menor quantidade de horas extras terá à sua
disposição.
Essas horas extras deverão ser remuneradas com adicional de no
mínimo 75% superior à hora normal. Ainda assim, as horas
extras nos domingos, feriados e dias já compensados somente seriam
admitidas mediante acordo coletivo, com remuneração superior
em no mínimo 100%.
A legislação também deve prever que somente nos
casos de incremento de produção não habituais e
inadiáveis, e mediante negociação coletiva com a
entidade sindical, o limite acima estabelecido poderá ser ultrapassado.
Com isto, as entidades sindicais passam a ter um controle na realização
de horas extras, sempre que a empresa pretendesse aumentar o volume de
jornada para além dos patamares descritos. O acordo, nestes casos,
deverá prever adicional sobre a jornada suplementar de no mínimo
100%, como também, a negociação coletiva estará obrigada
a estabelecer cláusula de contratação de novos empregados,
caso a situação perdura por mais de três meses sucessivos.
Por fim, a lei deve proibir a realização de horas extras
de empregados contratados sob regime de tempo parcial; aposentados; trabalhadores
que apresentem restrições físicas ou psíquicas
comprovadas; mulheres gestantes e lactantes.
A proposta sugere que todas as alterações sejam realizadas
no artigo 59 da CLT, com supressão de alguns dispositivos e acréscimos
de outros.
Um projeto como este, contudo, deve ser amplamente
debatido com outros segmentos da sociedade, como o Legislativo, o Ministério do Trabalho,
Ministério da Justiça, TST, ANAMATRA, OAB, outras centrais
sindicais e representações patronais. Somente com um diálogo
franco e aberto com a sociedade é que teremos condições
de construir um projeto de lei a ser levado para o Congresso Nacional.
Não se deve olvidar da importância da fiscalização
do Ministério do Trabalho para que a disposição
legal seja aplicada. É notório que muitas empresas realizam
jornadas suplementares obrigando os trabalhadores ao controle à parte
destas jornadas, os conhecidos “cartão por fora”.
Um projeto como este estaria fadado ao insucesso se estas mazelas não
forem combatidas.
Não menos importante é o acompanhamento das entidades
sindicais para que a empresa respeite a disposição legal.
Pelo projeto, os sindicatos poderão ingressar com ações
na qualidade de substituto processual, se for o caso, para obrigar o
cumprimento da lei. Essas ações poderiam, inclusive, consistir
em uma obrigação de fazer, qual seja, a negociação
prévia das horas extras.
A elaboração de um projeto consensual poderá beneficiar
tanto os trabalhadores quanto os empresários e a sociedade em
geral. A extenuante jornada prejudica diretamente a saúde e a
qualidade de vida dos trabalhadores e aumenta o custo da atividade empresarial,
com o aumento de adicionais, queda da produtividade, aumento de acidentes
de trabalho e processos trabalhistas. A sociedade no final é quem
paga a conta, com a queda no nível de emprego, concessões
de benefícios previdenciários e aumento do custo da saúde
pública.
A proposta acima é apenas um ponta pé para a iniciarmos
a discussão sobre o grave problema das horas extras e a CUT não
irá furtar-se ao debate e aos desafios produzidos pelo tema.
[1] Secretaria de Política Sindical da CUT. Hora extra: o que
a CUT tem a dizer sobre isto. São Paulo: CUT Brasil, 2006.
[2] Ramos: comércio e serviços, metalúrgicos, químicos,
transporte e vestuário.
[3] Deste percentual, 26,8% desejam que
seja mantida a legislação
atual e 22,6% gostariam que a jornada extraordinário fosse mais
limitada. Saliente-se que 13,7% dos trabalhadores pesquisados querem
a proibição das horas extras e um percentual significativo,
13,1%, não responderam a questão da proposta.

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