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JORNAL GAZETA DO POVO, 26
de setembro de 2006 | Brasil
CONGRESSO-Levantamento mostra a disputa pelo
Senado nos estados
Oposição deve
ampliar número de senadores
Brasília – Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sair
vitorioso da disputa pela reeleição, terá logo de cara
outro desafio desgastante pela frente: buscar alianças com desafetos
políticos e partidos adversários para conseguir maioria no Senado.
Caso sejam mantidas nas urnas as tendências apontadas nas pesquisas de
opinião realizadas nos estados, a oposição deve dominar
a maior parte das 27 cadeiras da Casa que estão em jogo nas eleições
do dia 1.° de outubro.
Levantamento do Congresso em Foco, com
base em sondagens regionais feitas pelos institutos Datafolha, VoxPopuli
e Ibope, mostra que os adversários do governo (PFL, PSDB, PPS
e parte do PMDB) caminham para a vitória em pelo menos 13 estados
e têm chances de eleger candidatos em outros quatro. Com isso,
a bancada de oposição no Senado na próxima legislatura
pode chegar a 43 dos 81 senadores, levando-se em conta os eleitos em
2002. Vale lembrar que, na corrida deste ano, apenas uma das três
vagas na Casa a que cada unidade da federação tem direito
está em disputa.
Dos 16 concorrentes que se encontram com vantagem de pelo menos 14 pontos porcentuais,
12 são da oposição e apenas quatro são governistas.
O que significa que o Senado deve ficar ainda mais oposicionista.
Maiores bancadas
As pesquisas indicam, de forma homogênea,
que PSDB, PFL e PMDB deverão ser os partidos de maior bancada
no Senado na próxima legislatura.
O PMDB, hoje com a bancada mais numerosa
na Casa, perdeu força e é pouquíssimo provável
que mantenha seus 20 senadores atuais.
O PFL, que agora ocupa 16 vagas no Senado,
deve manter o patamar. De acordo com as pesquisas, os pefelistas lideram
a disputa com vantagem de no mínimo 14 pontos porcentuais em
quatro estados (Minas, Santa Catarina, Mato Grosso e Tocantins).
A bancada do PSDB, também
com 16 parlamentares, deve oscilar entre 15 e 17.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 26 de
setembro de 2006 | Brasil
SANGUESSUGAS-Presidente garante que não
errou ao escolher os integrantes de sua campanha à reeleição
Lula põe culpa em Berzoini
por dossiê “aloprado”
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou
ontem o ex-coordenador nacional de sua campanha e presidente do PT, Ricardo
Berzoini, pela escolha dos envolvidos – que classificou de “bando
de aloprados” – no caso do dossiê contra os tucanos. Lula
não admitiu que errou ao escolher os integrantes de sua campanha.
“Não, não admito que
errei ao escolher os meus pares. Tem tanta gente que casa e depois de
um ano descobre que a mulher não era a mulher ideal, mas namorou
seis, sete, oito, nove, dez anos. Casa e depois descobre que não
deu certo. Isso faz parte da vida, assim que é a vida humana”,
disse o presidente.
Entre os envolvidos no caso estão dois amigos de Lula: Jorge Lorenzetti,
churrasqueiro de festas do presidente na Granja do Torto, e Oswaldo Bargas,
ex-secretário do Ministério do Trabalho, além de Freud
Godoy, um segurança com quase 20 anos de convivência próxima
com o petista.
Em entrevista a três rádios
populares, Lula buscou se afastar ainda mais do dossiê. “Você escolhe
um companheiro para determinada função, no caso do pessoal
que cuidava da ‘pseudo-inteligência’ da minha campanha
nem fui eu que escolhi, quem escolheu foi o presidente do partido (Ricardo
Berzoini), que era o coordenador da campanha eleitoral.”
O presidente disse que não tem
obrigação de saber tudo o que se passa no seu governo porque
o Brasil é “muito grande”, mas que sempre toma decisões
rápidas quando é informado. “As pessoas com muita
facilidade acham que o presidente da República tem obrigação
de saber tudo. (...) O presidente da República só pode
ficar sabendo se alguém contar as coisas para ele, porque o Brasil é muito
grande”, declarou.
“O que é importante é que,
quando houver a denúncia, você tem de tomar as decisões
rápido, porque é isso que o povo espera, e nós fizemos
isso. As pessoas que tinham de ser afastadas foram afastadas, as pessoas
que tinham de ser investigadas foram investigadas.”
O presidente cobrou, mais uma vez,
a divulgação do teor do dossiê. “O que eu
quero saber não é apenas de onde veio o dinheiro, eu
quero saber quem é que montou a engenharia política pra
essa barbárie que foi feita, eu quero saber quem é o
engenheiro que arquitetou uma loucura dessas. Porque, se um bando de
aloprados resolveu comprar um dossiê, é porque alguém
vendeu para eles que esse dossiê deve ter coisas do arco da velha.
Então eu não quero saber apenas de onde veio o dinheiro,
mas o conteúdo.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 26 de
setembro de 2006 | Brasil
SANGUESSUGAS
Bornhausen diz que Lula é o “chefe
dos aloprados”
São Paulo – O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen
(SC), classificou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição,
de “chefe dos aloprados”, numa alusão ao termo usado por
ele para criticar os companheiros de partido que tentaram comprar o suposto
dossiê que vincularia candidatos tucanos à máfia dos sanguessugas.
“O maior responsável (pelos
escândalos) é o Lula, e quem anda com aloprado, aloprado é”,
sustentou, ao chegar ao Clube Espéria para o ato Por um Brasil
Decente, que seria realizado ontem, nesta reta final das campanhas dos
candidatos a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) e a governador de São
Paulo José Serra (PSDB).
O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), que
também participaria da ação, acusou Lula de ser “um
dedo-duro” por entregar os companheiros do partido sempre que eclode
um escândalo, como fez ontem ao responsabilizar o presidente nacional
do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), pela contratação
dos assessores de campanha que foram envolvidos no episódio da
compra do dossiê Vedoin.
“O que o Lula fez não é nenhuma
novidade. Lula entrega, Lula é dedo-duro. É uma falha de
caráter não ser solidário com os companheiros”,
emendou.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 26 de
setembro de 2006 | Economia
PROTESTO
Greve fecha hoje agências
bancárias de capitais
Praticamente todas as agências bancárias de Curitiba devem estar
fechadas hoje. A greve de 24 horas foi aprovada em assembléia na noite
de ontem, resultado que deveria se repetir em outras capitais cujos sindicatos
são ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores
do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que atua em 23 Estados e no Distrito Federal.
Na quarta-feira, haverá reunião dos bancários com a Federação
Nacional dos Bancos (Fenaban). As agências voltam a abrir neste dia,
mas os funcionários prometem parar por tempo indeterminado se não
houver acordo.
A Fenaban orienta que, se a greve paralisar
todo o sistema, os clientes devem utilizar meios alternativos como a
internet, telefone e correspondentes bancários.
Os bancários reivindicam aumento real de 7,05%, além da reposição
da inflação e participação maior nos lucros e resultados – de
5% do lucro líquido linear, mais um salário bruto acrescido de
R$ 1,5 mil. No ano passado, quando houve greve de seis dias, os bancários
receberam reajuste de 6% (1% de aumento real), mais R$ 1,7 mil de abono e participação
nos lucros e resultados (PLR) mínima de 80% do salário mais R$
800. Segundo o sindicatos, após mais de 40 dias de negociação,
não há proposta que preveja reajuste aos 400 mil bancários
do país.
A Fenaban informou, por meio de
sua assessoria de imprensa, que os bancos estão “demonstrando
disposição de negociar e construir um acordo factível
na mesa de negociações”.
Felipe Laufer com agências
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JORNAL GAZETA DO POVO, 26 de
setembro de 2006 | Economia
GREVE
Metalúrgicos devem
voltar ao trabalho
Em greve desde quarta-feira da semana passada, mais de 8 mil funcionários
de três montadoras de Curitiba e região metropolitana podem voltar
hoje ao trabalho. Metalúrgicos da Volkswagen/Audi e da Renault/Nissan,
ambas de São José dos Pinhais, fazem assembléia às
6 horas, antes do início do primeiro turno de produção.
Os operários da Volvo, da Cidade Industrial de Curitiba, reúnem-se
por volta de 7h30. A tendência é que a categoria aceite a proposta
apresentada ontem à tarde pelo Sindicato Nacional dos Fabricantes de
Veículos Automotores (Sinfavea), que representa as três empresas.
A nova proposta – a quinta desde
o início da campanha salarial, em meados de agosto – prevê aumento
de 4,19% a partir deste mês, de 0,78% em janeiro de 2007 e mais
um abono de R$ 700, a ser pago em 2 de outubro. A oferta anterior, rejeitada
na sexta-feira, era de reajuste imediato de 4,19%, mais 0,78% a partir
de março de 2007 e vale-mercado de R$ 400. A data-base é 1.º de
setembro.
De acordo com o vice-presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Nelson Silva de Souza,
a nova proposta se enquadra na reivindicação mínima
dos trabalhadores, referendada em assembléias na manhã de
ontem, que é de reajuste de 5% (já incluído o repasse
da inflação) e abono de R$ 700. A reivindicação
inicial dos metalúrgicos era de 2,85% de reposição
mais aumento real de 5%. As montadoras, por sua vez, iniciaram as negociações
com aumento real de 1,3%. Por duas vezes, o SMC ameaçou romper
o diálogo com o Sinfavea, mas deve fechará acordo com o
sindicato patronal pelo terceiro ano consecutivo. Os metalúrgicos
concordaram em repor os dias não trabalhados.
Na Volkswagen/Audi, que emprega
3,6 mil pessoas, e na Renault/Nissan (3,1 mil funcionários),
a paralisação completou ontem quatro dias. A greve dos
1,9 mil trabalhadores da Volvo – que não registrava paralisações
desde 2001 – chegou ao terceiro dia. Pelos cálculos do
SMC, a Volks deixou de produzir 3,2 mil veículos. Na Renault,
a perda de produção foi de 3,2 mil motores e 1,5 mil
carros. Já a Volvo deixou de fabricar 24 ônibus e 105
caminhões durante a paralisação.
Fernando Jasper
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 26 de setembro de 2006 | Economia
Congresso dos EUA deve votar lei
que prejudica Brasil e Índia
A proposta que será submetida aos
deputados americanos foi formulada pelo presidente do Comitê de
Orçamento do Congresso, Bill Thomas
Jamil Chade
GENEBRA - O Congresso norte-americano
deve votar nesta semana um projeto de lei desenhado cuidadosamente para
atingir as exportações de Brasil e Índia. A proposta
que será submetida aos deputados americanos foi formulada pelo
presidente do Comitê de Orçamento do Congresso, Bill Thomas.
Para diplomatas, trata-se de um sinal político negativo. Mas para
a Federação de Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp), o projeto apenas atingirá cerca de US$ 230 milhões
em vendas do País ao mercado americano.
Os americanos irão revisar até o
final do ano o mecanismo conhecido como Sistema Geral de Preferências
(SGP). O instrumento prevê a isenção de tarifas para
produtos de países em desenvolvimento que são exportados
aos Estados Unidos. No caso do Brasil, o volume de comércio que
se beneficia do sistema chega a US$ 3,5 bilhões por ano.
Nos últimos meses, porém,
cresce a percepção entre os deputados e senadores americanos
de que Brasil e Índia devem ser retirados do mecanismo. Para alguns,
como o senador Charles Grassley, presidente do Comitê de Finanças
do Congresso americano, os dois países em desenvolvimento deveriam
ser punidos com a exclusão do sistema por não colaborarem
nas negociações da Organização Mundial do
Comércio (OMC). O senador Saxby Chambliss, presidente do Comitê de
Agricultura, também deixou claro que quer o Brasil fora das preferências.
Tendo isso em vista, Thomas, deputado republicano da Califórnia, elaborou
um novo programa em sua lei que atinge diretamente indianos e brasileiros.
O projeto de lei estipula que países que tenham exportações
de um único produto acima de US$ 1,5 bilhão e que seja beneficiado
do sistema de isenção de tarifas sejam retirados do mecanismo.
Curiosamente, a Índia é o único que cai dentro dessa categoria.
O país exporta anualmente cerca de US$ 1,6 bilhão em jóias
para o mercado americano. Se o setor de fato for retirado do mecanismo, a perda
será equivalente a 39% das vendas da Índia dentro do SGP.
O outro ponto da lei estipula que países
com renda média per capta acima de US$ 3,4 mil também deixem
de fazer parte de certos benefícios do SGP. Pelos cálculos
do Banco Mundial, a renda brasileira é de US$ 3,460 mil por ano.
Para Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento
de Relações Internacionais da Fiesp, as perdas não
são tão significativas como a da Índia. Isso porque
vários setores que se beneficiavam do mecanismo de isenção
de impostos já não o utilizam desde o ano passado. Segundo
ele, que acaba de voltar de uma viagem por Washington para tentar sensibilizar
os congressistas americanos, apenas o setor de autopeças seria
atingido. Com uma aprovação na Câmara de Deputados,
a lei então será enviada ao senado para uma votação
em novembro.
Venezuela
A missão enviada pela Fiesp ainda
deixou os Estados Unidos com uma surpresa: a imagem negativa que a entrada
da Venezuela estaria causando para os interesses comerciais do Brasil. "Assunto
da Venezuela está contaminando agenda comercial. É muito
grave o que ocorre. Os deputados e senadores americanos estão
preocupados com a relação do Brasil com Chavez, com a iniciativa
de trazer Caracas para o Mercosul", afirmou Cavalcanti.
Na mesma semana em que os deputados
estavam debatendo o SGP, o presidente venezuelano Hugo Chavez estava
discursando na ONU e chamando o presidente George W. Bush de "diabo".
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 26 de setembro de 2006 | Economia
Juro bancário para pessoa física é o
menor da história
A taxa recuou de 54,3% para 53,9% em agosto,
ante julho, atingindo o menor porcentual da série histórica
do BC
Gustavo Freire
BRASÍLIA - A taxa média
de juros dos empréstimos bancários sem direcionamento obrigatório
(livres) caiu 0,4 ponto porcentual, em agosto, ante julho - de 42,2%
para 41,8% ao ano, segundo o Depec. No ano, a taxa de juros do crédito
livre acumula uma redução de 4,1 ponto porcentual. Nas
operações com pessoas físicas, a taxa média
de juros recuou, em agosto, ante julho, de 54,3% para 53,9% ao ano, atingindo
o menor porcentual da série histórica do BC.
Nos empréstimos para pessoas jurídicas,
a taxa caiu de 28,3% para 27,9% ao ano, em agosto, na comparação
com os dados de julho. O spread do crédito livre, em contrapartida,
permaneceu estável, em agosto, em 27,5 pontos porcentuais. No
ano, o spread livre ainda tem uma queda acumulada de 1,3 ponto porcentual.
Nas operações com pessoas físicas, o spread recuou,
em agosto, ante julho, de 39,7 pontos porcentuais para 39,6 pontos porcentuais.
Nos empréstimos para pessoas jurídicas,
o spread aumentou, em agosto, ante julho, de 13,4 pontos porcentuais
para 13,5 pontos porcentuais. A taxa média de juros ao ano para
pessoas jurídicas, na comparação de agosto com julho, é a
menor desde outubro de 2002.
Crédito
As operações de crédito
do sistema financeiro tiveram um crescimento de 0,8% em agosto ante julho,
de acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira
pelo Departamento Econômico (Depec) do Banco Central. Com a expansão,
o estoque dos empréstimos bancários aumentou em agosto
contra julho de R$ 668,711 bilhões para R$ 674,281 bilhões.
Apesar deste crescimento, o crédito em relação ao
Produto Interno Bruto (PIB) manteve-se estável em 32,8%.
No acumulado do ano, o crédito
já experimenta aumento de 11,1% até agosto. Em 12 meses
até agosto, a expansão do crédito está em
20,9%. Em julho, o crédito tinha apresentado alta de 1,5% em relação
a junho.
Base monetária
A base monetária (papel-moeda emitido,
mais reservas bancárias) teve em agosto uma expansão de
0,5%, na média dos saldos diários. Com a variação,
o saldo da base subiu de R$ 95,528 bilhões para R$ 96,009 bilhões.
O valor ainda se encontra dentro do intervalo de variação
da base monetária, fixado pelo Conselho Monetário Nacional
(CMN) para o terceiro trimestre do ano, entre R$ 81,6 bilhões
e R$ 110,4 bilhões.
No acumulado em 12 meses, até agosto,
a base monetária, pelo conceito de média, teve uma expansão
de 17%.
No conceito de ponta (final do período),
a base monetária teve expansão de 5,6% em agosto. Com isso,
o estoque da base no final do período aumentou de R$ 94,592 bilhões
para R$ 99,861 bilhões.
No acumulado em 12 meses até agosto,
a base monetária teve expansão de 25,1% no conceito de
ponta.
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FISCOSOFT, 26 de setembro
de 2006
Produtos da construção
civil que tiveram alíquota de IPI reduzida
a) Posição 3918 da TIPI.
Trata-se de revestimentos de pavimentos, de plásticos, mesmo auto-adesivos,
em rolos ou em forma de ladrilhos ou de mosaicos; revestimentos de paredes
ou de tetos, de plásticos, utilizados em construção
civil, de forma a baratear o custo da construção civil.
A alíquota fica reduzida de 10% para 5 %.
b) Código 3922.90.00. Trata-se
de material de construção (descargas de plástico,
etc), de forma a baratear o custo da construção civil.
Neste caso a alíquota fica reduzida de 10% para 5 %.
c) Código 8516.10.00. Trata-se
de chuveiros elétricos, usados em construção civil,
em especial pelas camadas mais pobres da população. Redução
de alíquota de 10% para 5%.
d) Posição 90.03. Trata-se
de armações para óculos. Reduz-se a alíquota
de 10% para 5%. Justifica-se porque se os óculos for montado mediante
receita (óculos de grau) é excluído do conceito
de industrialização, e não há tributação.
Se for na indústria, apenas haverá diminuição
do saldo credor porque a alíquota dos óculos é de
5% (em geral óculos de sol). Trata-se de equalização
de alíquotas.
e) Código 9018.39.91. Trata-se
de agulhas utilizadas em hemodiálise. Redução de
8% para 0%. Já havia sido criado um "Ex" na posição
com alíquota zero para contemplar o produto. Ocorre que o Ex não
atingiu seu objetivo por ter sido criada uma classificação
específica para o produto implicando uma tributação
de 8% (vigente anteriormente). Com a alteração proposta
fica assegurado que não haverá tributação
para esses produtos que são utilizados por portadores de doenças
renais crônicas.
f) Código 8450.19.00 - Ex 01.Trata-se
dos chamados tanquinhos de lavar roupa, utilizados, em geral, pela população
de baixa renda. A alíquota é reduzida de 20% para 10%.
g) Código 8450.20.90. Aqui há uma
recomposição da tributação original de máquinas
de lavar para uso doméstico de grande capacidade (superior a 10
kg) que vem sendo tributada como as de uso industrial, que tem tributação
reduzida. Assim, a alíquota volta a ser de 20 por cento. Desta
forma retoma-se o mesmo patamar do IPI para as lavadoras de uso doméstico
de menor capacidade. Mera correção de distorção
da Tabela (TIPI). Concomitantemente, cria-se um "ex" (01 -
De capacidade superior a 15 Kg, em peso de roupa seca) mantendo-se em
ZERO por cento a alíquota para as máquinas de lavar para
uso industrial.
h) Código 8469.30.90. Reduz-se
a alíquota de 20% para 0%, por meio da criação
de um "ex" (01 - Em Braille) para a posição
de máquinas de escrever, de forma que as máquinas de
escrever utilizado por deficientes visuais sejam desoneradas da tributação,
o que se justifica por motivos sociais.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 26 de setembro de 2006 | Dinheiro
Após elevar gastos, governo
corta R$ 1,6 bi do Orçamento
Medida atípica nesta época
ocorre após aumento de despesas em ano eleitoral | Mesmo
assim, União não deve cumprir meta fiscal estipulada
para este ano, o que acontece pela primeira vez no governo Lula
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois da expansão generalizada
de gastos no ano eleitoral, o governo divulgou ontem, a seis dias da
votação, que promoverá um corte de R$ 1,6 bilhão
no Orçamento até dezembro e, ainda assim, não cumprirá a
meta fiscal inicialmente fixada para o ano.
A decisão é atípica
para esta época do ano. Normalmente, há um bloqueio preventivo
de gastos no primeiro bimestre, seguido de liberações graduais à medida
que se confirmam as expectativas de arrecadação.
Entre as justificativas para o corte,
está a redução da estimativa oficial para o crescimento
do PIB (Produto Interno Bruto), de 4,5% para 4%. Não se trata
de novidade real: a área econômica já vinha trabalhando
com um cenário menos favorável -o mercado projeta expansão
de apenas 3,09%.
No pacote reeleitoral do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva foram concedidos, para o salário mínimo
e os servidores federais, os reajustes mais generosos em pelo menos dez
anos. Como resultado, as despesas obrigatórias da União
dispararam.
No Orçamento de 2006, sancionado
em maio, calculavam-se despesas obrigatórias do Tesouro Nacional
de R$ 150,8 bilhões, além de um déficit de R$ 39,1
bilhões na Previdência. Agora, na avaliação
relativa ao quarto bimestre, as previsões saltaram para, respectivamente,
R$ 160 bilhões e R$ 41,6 bilhões.
Não por acaso, o documento revela
que o governo federal reduziu sua meta de superávit primário
(a economia de receitas destinada ao abatimento da dívida pública),
dos 2,45% previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias
para 2,4% do PIB, embora não tenha sido reduzida da meta para
todo o setor público, de 4,25% do PIB.
O novo superávit previsto é o
menor do governo Lula, que em 2004 chegou a fazer uma economia de 2,97%
do PIB. Neste ano, pela primeira vez na gestão petista, as despesas
passaram a crescer mais que as receitas, a despeito do aumento da carga
tributária.
Segundo o Ministério do Planejamento,
comandado por Paulo Bernardo, o superávit menor do governo federal
(incluindo Tesouro e Previdência Social) será compensado
por resultados acima do esperado nas estatais, nos Estados e nos municípios.
Decisões erráticas
Desde a sanção do Orçamento,
o governo tem tomado decisões erráticas, mas coerentes
com o calendário eleitoral, nas avaliações bimestrais
que definem cortes e liberações de gastos públicos.
Em maio, com base nos resultados do segundo
bimestre, foi promovido um bloqueio -ou contingenciamento, no jargão
da tecnocracia- de R$ 14,2 bilhões nas despesas autorizadas para
o ano. Embora aparentemente elevado, o valor ficou abaixo das expectativas
do mercado, que chegavam à casa dos R$ 20 bilhões.
Apenas dois meses depois, graças
a um aumento repentino da expectativa de arrecadação tributária,
a área econômica viu espaço para uma megaliberação
de gastos de R$ 4,8 bilhões. Agora, um terço desse valor
volta a ser bloqueado pelo Planejamento.
O novo corte equivale a 3,33% da parcela
dos gastos manejáveis pelo governo. As despesas não-obrigatórias,
que incluem investimentos e parte do custeio, somam R$ 47,966 bilhões,
para um Orçamento total de R$ 494,640 bilhões (excluindo
juros da dívida federal).
Tal comportamento é inédito
no governo Lula. Em 2004 e 2005, seguiu-se a praxe de liberar gastos
ao longo do ano. Em 2003, houve um corte modesto após o quarto
bimestre, de R$ 320 milhões, em razão da queda nas expectativas
de inflação -que também influencia a arrecadação
de impostos.
2002
Em 2002, quando também houve eleição
presidencial, o governo Fernando Henrique Cardoso promoveu aperto de
gastos no final do ano, mas a meta de superávit primário
havia sido elevada de 3,75% para 3,88% do PIB.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 26 de setembro de 2006 | Dinheiro
Arrecadação tributária
federal ficou abaixo do esperado em julho e agosto
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar dos sucessivos recordes na arrecadação,
as receitas do governo federal estão crescendo abaixo do que era
esperado pela equipe econômica. A Folha apurou que, em julho, a
arrecadação ficou R$ 1,5 bilhão abaixo das projeções
internas usadas pelo governo para estabelecer os limites de gastos dos
ministérios. O governo esperava ter cerca de R$ 32 bilhões
em caixa, mas o total arrecadado ficou em R$ 30,745 bilhões, sem
incluir royalties e outras receitas sem origem em impostos.
A frustração na receita,
porém, ainda não é suficiente para colocar em risco
o cumprimento do superávit primário do governo, mas já deixou
a equipe econômica em alerta. O desempenho da arrecadação
abaixo do esperado tem sido um dos principais argumentos para barrar
novos aumentos de gastos neste ano. Para evitar qualquer desequilíbrio
nas contas, o governo contingenciou ontem R$ 1,6 bilhão do Orçamento
deste ano.
Em agosto, a meta do mês só foi
cumprida por causa da receita extra de R$ 647 milhões com o Refis
3 (programa de parcelamento de dívidas com a União). Até o
meio do mês passado, o pagamento de impostos estava cerca de R$
700 milhões abaixo da meta. Mas, com o aumento na adesão
das empresas ao Refis, foi possível atingir as previsões.
Neste mês, a arrecadação vem se comportando de acordo
com as metas internas do governo.
A aparente contradição entre
os recordes mensais de arrecadação anunciados pela Receita
Federal, comandada por Jorge Rachid, e o que está acontecendo
na prática nos últimos meses é explicada pela diferença
entre as projeções feitas pela equipe econômica e
o histórico do recolhimento de impostos.
Com o crescimento da economia e o aumento
da carga tributária, é natural que a arrecadação
melhore e bata recordes sucessivos em relação ao que foi
pago no passado. Mas, para fixar o volume de dinheiro que será liberado
para cada ministério, o governo se baseia nas suas projeções.
No caso de julho e agosto, a expectativa do governo era mais otimista.
É comum que aconteçam diferenças
entre as previsões e o que é efetivamente arrecadado. Normalmente,
a frustração de receitas num mês é compensada
em outros. Mas, neste ano, a preocupação dos técnicos é maior
devido ao aumento acentuado das despesas obrigatórias, como o
reajuste do funcionalismo público e o pagamento de aposentadorias
em razão do reajuste do salário mínimo.
Neste mês, apesar de a receita estar
em linha com as previsões até agora, haverá uma
concentração de gastos que deverá reduzir o superávit
do governo. Esse resultado já é esperado, uma vez que o
Tesouro Nacional começa a pagar o 13º dos aposentados e o
gasto com a folha de pagamentos subirá, já que alguns acordos
de reajuste salarial começam a ser pagos ao longo deste semestre.
A meta de superávit primário
-diferença entre a arrecadação e os gastos, excluído
o pagamento de juros- é de 4,25% do PIB neste ano para todo o
setor público. O secretário do Tesouro Nacional, Carlos
Kawall, tem dito em entrevistas que a meta será cumprida.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 26 de setembro de 2006 | Dinheiro
COMÉRCIO
Alta das importações segue
maior que a das exportações
O ritmo de crescimento das importações
continua acima do registrado pelas exportações. No ano,
as compras de produtos importados apresentaram um aumento de 22,8% e
totalizam US$ 64,578 bilhões. Já a venda de produtos brasileiros
ao exterior cresceu 15,2% e chegou a R$ 97,294 bilhões.
No acumulado do ano, o superávit
atingiu US$ 32,716 bilhões, um crescimento de 2,7% na comparação
com o mesmo período do ano passado (US$ 31,85 bilhões),
de acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento.
Formaram o superávit de US$ 984
milhões na quarta semana de setembro (entre os dias 18 a 24) as
exportações, que somaram US$ 3,001 bilhões, e as
importações, de US$ 2,017 bilhões no período.
No acumulado do mês, o superávit é de
US$ 3,088 bilhões, com exportações de US$ 9,130
bilhões e importações de US$ 6,042 bilhões.
Na comparação pela média
diária -total negociado por dia útil-, as exportações
apresentam uma alta de 20,2% em setembro na comparação
com o mesmo mês do ano passado, com um movimento de US$ 608,7 milhões
por dia.
O desempenho foi positivo em relação
a setembro do ano passado nas três categorias de produtos: semimanufaturados
(46,9%, principalmente catodos de cobre, celulose e açúcar),
manufaturados (18,1%, com destaque para gasolina, óxidos e hidróxido
de alumínio) e itens básicos (16,2%, especialmente milho
em grão, carne bovina e suína e fumo em folhas).
Já a média das importações,
de US$ 402,8 milhões, cresceu 33,9% na mesma comparação.
Os gastos que mais crescem são os com produtos farmacêuticos
(64,3%) e veículos (43,5%).
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
26 de setembro de 2006 | Economia
Incentivo vai mais que dobrar procura
por crédito imobiliário
BRASÍLIA - O crédito imobiliário
com recursos da poupança dará este ano um salto em mais
de 100% em relação ao ano passado. A previsão é da
Associação Brasileira de Empresas de Crédito Imobiliário
e Poupança (Abecip).
O incremento se deve, segundo a instituição, à série
de medidas de estímulo ao setor, adotadas pelo governo desde fevereiro.
O crescimento, no entanto, acontece sobre uma base pequena, uma vez que
desde 1997 o setor amargava uma crise que fez o crédito imobiliário
estagnar em R$ 1,8 bilhão em 2002.
A projeção para este ano é de
valores entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões, ante a aplicação
de R$ 4,7 bilhões em 2005. Em 2004 o setor já havia alcançado
crescimento de 50% em relação ao ano anterior, quando o
crédito atingiu R$ 2,2 bilhões.
Para o diretor geral da Abecip, Oswaldo
Fonseca, as recentes medidas, anunciadas no dia 12 de setembro pelo ministro
da Fazenda, Guido Mantega, devem estimular ainda mais a compra de imóveis, "não
neste patamar de 100% porque a base aumentou, mas de maneira robusta,
dando consistência nesse crescimento atual".
Entre as principais medidas, Fonseca considera
a criação da prestação prefixada, sem variação
da Taxa Referencial (TR) como a que vai estimular consumidores inseguros
a lançar mão do financiamento.
"Temos uma possibilidade de fazer
os juros fixos, que era uma demanda daqueles que têm um pouco de
receio do indexador não acompanhar o salário e ele ter
uma dívida maior do que o próprio valor do imóvel".
Embora a modalidade de juros prefixados
já existisse, Fonseca lembra que não era atraente, porque
as taxas eram elevadas. "Agora tempos o casamento dos juros prefixados
e juros baixos". Para o empresário, não vai demorar
para que os bancos cobrem taxas inferiores ao limite de 12% ao ano, mesmo
sem a utilização da TR.
"Os bancos vão aderir e vão
fazer concorrência entre si para manter o market share (participação
no mercado). Não tenho dúvida", aposta. Ele lembra
que se hoje já há bancos que oferecem juros de 8% mais
TR, que varia até 2,5% ao ano, não é difícil
fixar em 10,5% ao ano.
"Eventualmente o banco pode até criar
dois produtos, os que já estão abaixo de 12% hoje na somatória
da TR e os que outro, com acima dos 12%, com TR fixa".
Outra vantagem do incentivo ao setor, é o
financiamento que a Caixa Econômica Federal está oferecendo às
construtoras. Os recursos disponíveis para esse tipo de operação,
ainda no ano de 2006, são de R$ 1 bilhão. Para 2007, já foram
previstos recursos da ordem de R$ 3,5 bilhões.
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AGÊNCIA CÂMARA,
26 de setembro de 2006
Tempo de prescrição do
direito a férias pode ser ampliado
Em análise na Câmara, o Projeto
de Lei 7334/06, do Senado, altera a Consolidação das Leis
do Trabalho (Decreto-Lei 5452/43) e aumenta o prazo para a prescrição
do direito de reclamar o gozo e o pagamento das férias anuais.
De acordo com a proposta, o prazo de prescrição do direito às
férias começa a ser contado 12 meses após a aquisição
desse direito.
Atualmente, a CLT estipula que o prazo
para prescrição do direito de reclamar férias ou
seu pagamento começará a ser contado a partir da aquisição
do direito, o que ocorre após 12 meses trabalhados.
Tramitação
O projeto, que tramita em regime de prioridade,
será analisado em caráter conclusivo pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
26 de setembro de 2006
Projeto autoriza uso do processo civil
para agilizar tramitação trabalhista
O Projeto de Lei 7152/06, do deputado
Fleury (PTB-SP), autoriza a Justiça do Trabalho a utilizar as
normas do direito processual comum quando sua aplicação
tornar o desfecho da ação mais rápido do que a legislação
processual trabalhista. A proposta,em tramitação na Câmara
dos Deputados, acrescenta um parágrafo ao artigo 769 da CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho).
O artigo já permite que o direito
processual comum —que rege as ações cíveis— seja
usado no processo trabalhista, mas apenas como fonte subsidiária.
Ou seja, as normas do processo civil só são empregadas
no caso de omissão da legislação trabalhista.
Com o PL 7152, diz Fleury, a Justiça
Trabalhista poderá optar por usar o processo comum sempre que
for mais conveniente para a celeridade da ação em julgamento,
tanto na fase recursal como na de execução.
"Deste modo, o processo do trabalho
também poderá se utilizar dos avanços conseguidos
pelo processo comum, sem necessidade de outras tantas alterações
legislativas", disse o deputado.
Atualmente, as ações que
tramitam na Justiça do Trabalho seguem o rito previsto na CLT,
que em sete capítulos trata do processo laboral.
O PL tramita em caráter conclusivo
e será analisado pelas comissões de Trabalho, Administração
e Serviço Público; e Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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CONSULTOR JURÍDICO,
26 de setembro de 2006
Trabalhador estrangeiro
Naturais do Mercosul têm direitos
trabalhistas no país
Argentinos, paraguaios e uruguaios com
relação de emprego no Brasil, mesmo não tendo visto
de residência regular, podem usufruir os direitos trabalhistas
previstos na lei brasileira. O entendimento é da 6ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho. O relator do caso, ministro Horário
Senna Pires, esclareceu que há dispositivos na Constituição
Federal e no Protocolo de Cooperação do Mercosul, que prevêem
tratamento igualitário entre os nascidos nos países que
firmaram o pacto (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), nos respectivos
territórios.
A decisão do TST reformou o acórdão
firmado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região
(Mato Grosso do Sul). A segunda instância declarou a nulidade de
uma relação de emprego de mais de 17 anos entre um eletricista
paraguaio e a Comercial Eletromotores Radar. O posicionamento impediu
o exame do direito do estrangeiro às verbas trabalhistas que afirmou
não ter recebido ao longo de sua prestação de serviços.
Segundo o TRT do Mato Grosso do Sul, o
contrato seria nulo porque o trabalhador, na condição de “paraguaio
fronteiriço”, não possuía documento especial
de estrangeiro, previsto no artigo 21, parágrafo 1º, da Lei
6.815 de 1980. O dispositivo prevê o fornecimento de documento
especial de identificação ao natural de país fronteiriço
que exerça atividade remunerada no Brasil. Já o artigo
359 da CLT afirma que “nenhuma empresa poderá admitir a
seu serviço empregado estrangeiro sem que este exiba a carteira
de identidade de estrangeiro devidamente anotada”.
O entendimento foi considerado equivocado
pelo TST. Horácio Pires destacou a prevalência dos princípios
da dignidade da pessoa humana, dos valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa, da promoção do bem de todos, sem preconceitos
de origem, raça, sexo, cor e idade e o princípio da isonomia
conferido a brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil.
“Feitas essas considerações,
e tendo-se em vista que seria absolutamente inconcebível que um
contrato de trabalho envolvendo trabalhador brasileiro pudesse vir a
ser judicialmente declarado nulo por causa da mera inexistência
de um documento de identidade, é inequívoca a conclusão
de que assiste razão ao trabalhador”, afirmou.
RR 750.094/2001.2
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/09/2006
TST firma precedente sobre condição
para dissídio coletivo
O exame da Justiça do Trabalho
(JT) sobre os processos de dissídio coletivo depende do preenchimento
de condição estabelecida pela Emenda Constitucional nº 45
de 2004: o comum acordo entre as partes a fim de que a JT solucione a
controvérsia. Esse importante precedente foi firmado, conforme
voto do ministro Carlos Alberto Reis de Paula (relator), pela Seção
de Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho
ao determinar a extinção, sem exame de mérito, de
dissídio coletivo proposto pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas
contra a Varig Logística S/A, que apresentou – expressamente – sua
oposição à iniciativa sindical.
“Não demonstrado o ‘comum
acordo’, exigido para o ajuizamento do dissídio coletivo,
conforme a diretriz constitucional (artigo 114, parágrafo 2º,
CF), evidencia-se a inviabilidade do exame do mérito da questão
controvertida, por ausência de condição da ação”,
disse Carlos Alberto, ao votar pela extinção do dissídio
proposto pelo sindicato segundo regra da legislação comum
(artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil).
Segundo o relator, o tema do comum acordo
entre as partes tem gerado diversas interpretações dos
especialistas em Direito do Trabalho. De acordo com a norma constitucional, “recusando-se
qualquer das partes à negociação ou à arbitragem, é facultado
aos respectivos sindicatos ajuizar dissídio coletivo, podendo
a Justiça do Trabalho estabelecer normas e condições
respeitadas as disposições convencionais e legais mínimas
de proteção ao trabalho”. Um dos aspectos da discussão
corresponde à forma pela qual as partes podem manifestar sua concordância
ou recusa ao exame judicial do dissídio.
Segundo as considerações
do corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro Luciano de
Castilho, citadas no voto do ministro Carlos Alberto, a expressão “comum
acordo” não pode implicar necessidade de apresentação
de uma petição conjunta. O ‘acordo comum’ não
precisaria ser prévio e poderia ser confirmado sob a forma expressa
ou tácita. Uma vez suscitado um dissídio coletivo, sem
a manifestação de anuência da outra parte, o corregedor
entende que caberia à Justiça determinar a citação
da parte e, apenas se houvesse recusa formal ao dissídio, o processo
deveria ser extinto sem resolução do mérito.
Outros estudiosos têm afirmado a
obrigatoriedade do mútuo consentimento para que a Justiça
do Trabalho possa solucionar o conflito coletivo. A observância
dessa regra deve ser interpretada como uma condição da
ação e não pode ser interpretada como uma norma
que afasta ou restringe a atuação do Judiciário,
mas uma exigência a ser cumprida como diversas outras presentes
na legislação processual.
No julgamento do TST, o sindicato alegou
a inconstitucionalidade da exigência do comum acordo e, no caso
concreto, sustentou que encaminhou correspondência à empresa
requerendo manifestação sobre as tentativas de negociação
empreendidas sob pena de anuência tácita à proposta
do dissídio coletivo.
“Na hipótese, a Varig Logística
S/A se opôs expressamente à propositura da ação
coletiva”, ressaltou o ministro Carlos Alberto, ao votar pela extinção
da causa e ser acompanhado pelos demais integrantes da SDC, com ressalva
de fundamentação manifestada pelo ministro João
Oreste Dalazen.
O relator reconheceu que uma futura
definição judicial sobre o tema caberá ao órgão
de cúpula do Judiciário. “De qualquer forma, a
norma submete-se ao controle da constitucionalidade, pelo que entendo
objetivamente aplicável a literalidade da diretriz constitucional,
até que venha a ocorrer a oportuna manifestação
do Supremo Tribunal Federal”, afirmou. Tramitam, atualmente no
STF, quatro ações diretas de inconstitucionalidade questionando
a redação do artigo 114, parágrafo 2º, da
CF. (DC 165049/2005-000-00-00.4)
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26/09/2006
Empregado paraplégico ganha R$ 80
mil por dano moral
A Quarta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho considerou razoável o valor de R$ 80 mil, a título
de indenização por danos morais, para empregado contratado
para retirada de telhas de um galpão, que caiu de uma altura de
8 metros e ficou paraplégico.
O empregado, de 23 anos, foi contratado
como servente pela empresa Transpezia Ltda, no dia 21 de setembro de
2002. No dia 9 de outubro do mesmo ano, ao subir no telhado de um galpão
para retirar telhas, sem o equipamento de proteção individual,
caiu de uma altura de cerca de 8 metros, atingindo a coluna vertebral.
Durante três meses o empregado permaneceu hospitalizado, ocasião
em que foi submetido a várias intervenções cirúrgicas.
Paraplégico, condenado a passar
o resto da vida em uma cadeira de rodas, ajuizou reclamação
trabalhista pleiteando, dentre outros, indenização por
danos morais no valor de R$ 800 mil, danos estéticos no valor
de R$ 1,6 milhão, pensão mensal vitalícia de R$
390,00, indenização pela perda da capacidade laborativa
em R$ 234.430,00, mais despesas com cadeira de rodas, tratamento psicológico,
fisioterapeuta, contratação de enfermeira e medicamentos.
A Vara do Trabalho de Jaraguá (SC)
condenou a empresa a pagar ao empregado R$ 80 mil pelos danos morais
mais R$ 40 mil pelos danos materiais, absolvendo-a quanto aos pedidos
de renda vitalícia e do custeio do tratamento médico, fisioterapeuta,
psicológico e de enfermagem, por entender que tais despesas deveriam
ser surportadas pelo INSS.
Insatisfeitas, as partes recorreram ao
Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina).
A empresa pediu a diminuição do valor dos danos morais
e o empregado pleiteou o aumento, não só do valor dos danos
morais como também do relativo aos danos materiais. O TRT decidiu
manter o valor dos danos morais e aumentar a indenização
dos danos materiais para R$ 128.812,11, concedendo, ainda, uma renda
mensal de três salários mínimos até que o
empregado completasse 65 anos de idade.
Ambas as partes recorreram ao TST. A empresa
alegou que acidentes de trabalho são comuns no País, não
ensejando indenização por danos morais, mas tão-somente
o pagamento da indenização pelo INSS. O empregado, por
sua vez, achou injusto o valor de R$ 80 mil pelos danos morais tendo
em vista a gravidade da lesão sofrida.
O relator do processo no TST, ministro
Antônio Barros Levenhagen, manteve valores arbitrados pelo TRT/SC.
Segundo ele, a indenização por dano moral deve observar
o critério estimativo, diferentemente do dano material, cujo cálculo
deve observar o critério aritmético. “Na fixação
da indenização do dano moral, deve o juiz se nortear por
dois vetores: a reparação do dano causado e a prevenção
da reincidência patronal. Ou seja, além de estimar o valor
indenizatório, tendo em conta a situação econômica
do ofensor, esse deve servir como inibidor de futuras ações
lesivas à honra e boa fama dos empregados, afigurando-se bem enquadrada
nesses dois vetores a indenização fixada”, destacou.
No caso, o ministro considerou razoável
a condenação em R$ 80 mil pelos danos morais, o que significa
209,9 vezes o salário contratual do empregado.
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26/09/2006
Controvérsia afasta multa por atraso
na quitação da rescisão
A existência de controvérsia
em torno das parcelas rescisórias decorrentes do término
do contrato de trabalho impede a aplicação da multa prevista
no artigo 477, parágrafo 8º, da Consolidação
das Leis do Trabalho, destinada à punição do empregador
que, sem justificativa, deixa de quitar as parcelas decorrentes da rescisão.
Com esse esclarecimento do ministro Milton de Moura França (relator),
a Seção Especializada em Dissídios Individuais – 1
(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho deferiu, por unanimidade, embargos
em recurso de revista à Xerox do Brasil Ltda.
“Havendo controvérsia sobre
as parcelas, na medida em que sua exigibilidade depende do exame da causa
extintiva do contrato de trabalho, a ser declarada por decisão
judicial, é juridicamente razoável a não-aplicação
da multa, por não configurada a mora do empregador, mas seu regular
exercício do direito de defesa”, explicou o relator dos
embargos.
A decisão da SDI-1 modifica pronunciamento
anterior da Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho que havia
mantido a condenação da empresa ao pagamento da multa,
equivalente a um salário, a um representante comercial. A multa
foi originalmente imposta pela Justiça do Trabalho da 3ª Região
(Minas Gerais).
“Não existindo prova de que
tenha o trabalhador colaborado para o atraso no pagamento dos verbas
rescisórias, a multa haverá de ser deferida, como o foi”,
entendeu a Segunda Turma do TST. “Ademais, o empregador, ao não
admitir o vínculo de emprego, aguardando a decisão judicial,
correu o risco de pagar a multa prevista para a quitação
atrasada das verbas rescisórias”, acrescentou o acórdão.
A Xerox questionou esse posicionamento
por meio de embargos, sob o argumento de violação aos dispositivos
da legislação que tratam da quitação das
verbas rescisórias (parágrafos 6º e 8º do artigo
477 da CLT). O pagamento das parcelas, segundo a lei, deve ocorrer até o
primeiro dia útil imediato ao término do contrato; ou até o
décimo dia, contado da data da notificação da demissão,
quando da ausência, indenização ou dispensa do aviso
prévio. A inobservância à regra acarreta a multa.
O exame do tema pela SDI-1 levou
ao reconhecimento de que a multa, em razão da controvérsia
em torno do vínculo de emprego entre as partes, não poderia
ser aplicada no caso concreto. “Entendimento contrário
resultaria em menosprezo ao real sentido e alcance da norma, que foi
o de impedir o injustificado atraso na satisfação das
verbas incontroversas, e não restringir o direito de o empregador
discutir a pertinência ou não de sua exigibilidade pelo
empregado”, afirmou Milton de Moura França. (EEDRR 715835/2000.8)

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