Informativo Eletrônico n.º 245   -   Ano 03   -   Curitiba (PR), 27 de setembro de 2006.


GAZETA ONLINE, 27 de setembro de 2006
Nova modalidade de financimento de moradias vai beneficiar classe média e impulsionar o setor da construção civil
Alexandra Vianna

O novo modelo de finaciamento à produção, lançado pela Caixa Econômica, para as enpresas construtoras que antes era de apenas 30% passou para 85%. As taxas de juros variam de 6% a 12% ao ano. O recurso para esta linha de crédito chega a R$ 1 bilhão até o final do ano e está disponível para todo o país. Os recursos são do FGTS e da caderneta de poupança.

Na avaliação do presidente das construtoras do Espírito Santo, Aristóteles Passos, o produto lançado pela Caixa pode beneficiar a classe média. Além disso, o número de empregos no setor deve aumentar.

"O produto vai aquecer ainda mais o mercado deste setor. A grande dificuldade que hoje o mercado vive é a falta de financimento à produção. O financiamento aos compradores existem em grande escala. O que nós precisávamos era realmente fomento, recursos para que as empresas tomem, construam seus prédios e vendam", explicou.

O financiamento varia de acordo com a análise de risco de crédito. Com o novo produto a avaliação da capacidade de tomar crédito da empresa poderá levar em consideração a viabilidade comercial do empreendimento, o que antes não acontecia.

Para o superintendente regional da Caixa, Antônio Carlos Ferreira, 2007 será o ano para investimentos no setor da construção civil. Ele contou que o novo modelo é resultado de reivindicações antigas das construtoras.

"O que nós buscamos é fazer com que este produto dê apoio à construção civil e passe a responder por 50% do orçamento destinado a habitação de 2007. O próximo ano, com certeza será o ano da construção civil", disse.

Outro ponto do novo produto é que o percentual mínimo de 30% de comercialização das unidades pode também ser feito direto com as construtoras. Antes, as regras determinava que o percentual deveria ser financiado previamente pela Caixa.

 

SITE NCST, 27 de setembro de 2006
Quanto menor a renda, mais impostos, revela estudo

Os mais pobres realmente pagam a conta no Brasil. Pesquisa divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo (USP), comprovou a afirmação.

Segundo o levantamento, quase metade do que as famílias com renda até dois salários mínimos (atualmente R$ 700) ganham são abocanhados por impostos. Em outras palavras, quase R$ 350 men sais vão para o governo.

Disparidade

Que a carga tributária brasileira é uma das maiores do mundo, já é de conhecimento público. Conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Tributária (IBPT), é quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB), o que deixa o País atrás somente da Suécia - cuja qualidade de vida é extremamente superior à brasileira.

Porém, conforme o estudo da fundação, enquanto 48,8% do que os mais pobres ganham vão para o leão, na outra ponta, 26,3% do que as famílias com renda superior a 30 salários mínimo (atualmente a partir de R$ 10.500) recebem são convertidos em tributos.

A classe média, com renda de dez a 15 salários mínimo (R$ 3.500 a R$ 5.250), tem 30,5% do ganho comprometido com impostos.

Em suma: os mais pobres realmente pagam mais impostos. Mas por quê?

"O fato da arrecadação ser maior para os mais pobres é um assunto conhecido há mais de 40 anos. A questão é que todos os anos aumenta-se a carga e esse impacto não é corrigido, o que faz com que a diferença aumente", explicou a coordenadora da pesquisa, Maria Helena Zockun.

Embutidos

Segundo Maria Helena, a maior parte dos impostos são aqueles embutidos em produtos. "E como as pessoas de baixa renda consomem quase tudo o que ganham, e até mais, contraindo dívidas, acabam pagando mais tributos", explicou.

"Já a parcela mais rica da população poupa mais, o que faz com que não sejam recolhidos esses impostos", detalhou Maria Helena. "A forma de tributar deveria ser modificada, respeitando o fato de que a maioria da população é pobre", adicionou.

Segundo a professora, os tributos indiretos (exclusos o ISS e os encargos trabalhistas) acrescentam, em média, 37% de custo aos produtos. No caso do fumo, esse total chega a 3.000%. Na avaliação da professora, é exatamente esse o motivo da alta informalidade no País.

 

JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 27 de setembro de 2006 | Dinheiro
PRODUÇÃO
Planalto estuda desoneração em mais setores, diz ministro
SANDRA BALBI
DA REPORTAGEM LOCAL

O ministro da Fazenda Guido Mantega admitiu ontem que setores da indústria brasileira perderam competitividade internacional por conta do câmbio valorizado e afirmou que o governo "não está dormindo no ponto" e "vai continuar tomando medidas para compensar desvantagens cambiais reduzindo o custo tributário e financeiro das empresas".

Mantega fez as afirmações após mais de duas horas de reunião com representantes do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), em que discutiu com empresários os caminhos para o crescimento.

A principal preocupação manifestada pelos empresários durante a reunião foi com a questão cambial. Eles também reivindicaram a redução da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para 5,5% ao ano. A taxa encontra-se em 7,5% e hoje o CMN (Conselho Monetário Nacional) deverá definir seu novo patamar. Essa é a taxa que baliza os investimentos do setor produtivo.

Mantega considerou "ousada" a proposta de redução de dois pontos percentuais na TJLP, mas não arriscou nenhum palpite sobre a decisão do CMN, hoje.

Segundo o ministro, o Banco Central vai continuar comprando reservas para que o câmbio não siga se valorizando, e o governo adotará novas medidas para compensar o custo cambial das empresas.

Mantega lembrou que há dois ou três anos a economia brasileira tinha uma vantagem cambial que encobria os elevados custos financeiros, tributários e de energia. "O câmbio partiu para um patamar mais realista e perdeu a vantagem que dava. Vamos continuar reduzindo a taxa de juros e o custo tributário de alguns setores que ainda têm impostos altos", acrescentou o ministro.

A desoneração feita no setor da construção civil, segundo Mantega, deverá ser estendida a outros setores de modo a dar competitividade à indústria. Um desses setores para o qual o governo já prepara medidas nesse sentido é o de bens de capital.

Mantega também negou que a renegociação da dívida dos agricultores do Nordeste, regulamentada ontem pelo CMN, tenha caráter eleitoral. O governo abre mão de R$ 1 bilhão, em conseqüência da medida, beneficiando os agricultores da região.


DCI – COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS, 27 de setembro de 2006
Exportações de serviços evoluem, mas falta incentivo
Janaína Demarque

Há um grande potencial de crescimento para a exportação de serviços do Brasil. O setor já representa cerca de 60% do PIB brasileiro, mas no tocante às exportações, a participação é pequena se comparado com o potencial do País, segundo analistas. Menos de 25% do comércio internacional brasileiro provém dessa área. Apesar de estar crescendo, esse número ainda é baixo, impulsionado por construção civil e software.

Por vários anos consecutivos, até 1996, as exportações brasileiras de serviços não ultrapassaram a marca de 10% do valor das exportações de bens. No ano passado, no entanto, as exportações brasileiras apresentaram uma evolução de 28,4% em relação a 2004, representando 0,6% do total mundial.

Mas, segundo especialista, o Brasil ainda precisa superar alguns entraves. Os principais obstáculos são a falta de conhecimento, tanto das etapas que envolvem o processo de exportação, como da própria educação dos profissionais (exigência de qualificação), e a cultura arraigada no Brasil de exportação de bens. Renata Sanches, coordenadora de projetos da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), atribui esses baixos índices à complexidade do processo de exportação de serviços.“Quando você exporta um calçado, por exemplo, a pessoa compra e usa, o negócio acaba aí. Mas quando você exporta um serviço, a venda é só o início, em alguns casos há a necessidade de assistência técnica”, afirma. O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, agrega a essas barreiras o fato de que a exportação de serviços ainda não possui legislação específica e também não apresenta um índice que a quantifique, como ocorre com a exportação de bens por meio do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).

Castro alerta para alguns setores que ainda são pouco explorados, como a publicidade brasileira, serviços médico-hospitalares e a tecnologia usada nas urnas eletrônicas.

Construção

O setor que mais se destaca é o da construção civil. O presidente da Comissão de Obras Públicas da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC), Arlindo Moura, aponta que o Brasil tem condições de enfrentar a concorrência. “Nossa engenharia é muito valorizada e já competimos no mercado em igualdade de conhecimento”. O melhor exemplo é a construtora Odebrecht. Desde que se internacionalizou, a empresa já executou mais de 500 obras fora do Brasil e atingiu um faturamento acumulado, no exterior, na ordem de US$ 16 bilhões. Hoje, cerca de 80% de sua receita bruta anual é resultante de obras realizadas fora do País. Além de infra-estrutura, Moura destaca que: “para criar condições de competitividade, tem de criar também linhas de financiamento entre os países”, comenta. Falta de incentivos governamentais também são apontados como problema. Mas há divergências. Para o vice-presidente da AEB, o ministério até está tentando buscar soluções para criar o suporte que as exportações de serviços precisam.

O ramo dos softwares, considerado um dos promissores, recebeu apoio do governo Lula logo no início de seu mandato. Isso garantiu ao setor uma linha de financiamento. Mas para Jorge Sukarie, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), a ajuda poderia ter sido melhor. Outro ponto diz respeito a atuação das embaixadas brasileiras, que, para Arlindo Moura, têm que atuar como escritórios avançados de negócios.

A tendência é que o setor de exportação de serviços continue crescendo, mas não é possível apresentar projeções numéricas, pois, conforme aponta Renata Sanches, às vezes o país pode exportar pouco e ganhar em valor agregado.

 

ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 27 de setembro de 2006 | Economia
Brasil cai nove posições no índice de competitividade mundial
A Suíça foi considerado o país mais competitivo entre os 125 avaliados pelo estudo
João Caminoto/AE

LONDRES - O Brasil caiu da 57a para a 66a colocação no Índice de Competitividade Global 2006-2007 do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), ficando abaixo dos demais países que compõem o grupo BRIC - Rússia, Índia e China - e de vários outros importantes mercados emergentes. A queda do Brasil, segundo o economista-chefe do WEF, Augusto Lopez-Claros, se deve principalmente a seu fraco desempenho em dois dos nove "pilares" de critérios do ranking: fatores macroeconômicos e institucionais.

A Suíça foi considerado o país mais competitivo entre os 125 avaliados pelo estudo. Finlândia, Suécia, Dinamarca, Cingapura, Estados Unidos, Japão, Alemanha, Holanda e Reino Unido completam o grupo dos dez melhores colocados. Os Estados Unidos caíram do primeiro lugar na edição do ano passado para sexto nesse ano.

Entre os grandes países emergentes, a Índia ocupa a 43a posição, África do Sul a 45a, a China a 54a, o México a 58a e a Rússia a 62a. Na América do Sul, o Chile é o melhor posicionado, no 27o lugar. Até a competitividade da Colômbia, 65a, supera a do Brasil. A Argentina está logo atrás, na 69a posição.

Brasil

Lopez-Claros destacou o déficit público brasileiro no ano passado, que ficou em 3,3% do PIB, o que fez com que o país caísse da 68a para 83a posição nesse critério "Isso pode parecer estranho para um brasileiro, que percebe uma nítida melhora das finanças do país nos últimos anos", disse Lopez-Claros. "Mas o problema é que nosso levantamento faz uma comparação entre outros países e muito deles melhoraram mais do que o Brasil nessa área". Ele observou que quando instituições o Fundo Monetário Internacional "(FMI) atestam a melhora dos fundamentos da economia brasileira, "Elas não estão estabelecendo uma comparação com outros países, como o Chile, por exemplo, mas com o passado do próprio Brasil".

Segundo o Lopez-Claros, o Brasil também registra um crescente nível de endividamento público. "Ao longo do tempo, a menos que a economia cresça rapidamente, o que não está acontecendo, o nível de endividamento deve aumentar", disse. Segundo ele, o alto volume de dívida do governo e um spread grande na taxa de juros indicam um alto custo de intermediação no setor bancário brasileiro, que gera efeitos negativos sobre investimentos no setor privado e contribui para menor crescimento econômico. O economista também mencionou a inflação "muito alta" do Brasil no ano passado, que o posicionou na 83a posição nesse critério.

Lopez-Claros explicou que no critério relacionado às instituições, que avalia dados como o direito á propriedade, confiança nos políticos, polícia e Justiça, além da corrupção, o Brasil ocupa a 91a posição. "As recentes notícias que chegam do Brasil, como por exemplo as recentes informações sobre o número de parlamentares sob investigação criminal, não ajudam a imagem do País", disse.

´Vontade política´

O Brasil, segundo Lopez-Claros, possuiu uma série de características que oferecem a perspectiva um potencial de maior crescimento econômico e melhora das condições sociais nas próximas décadas. "Trata-se de um país com uma tendência demográfica positiva, com uma população jovem que vai engrossar a massa de consumidores, uma economia sofisticada e que atrai substanciais investimentos diretos estrangeiros", disse. "Sou mais otimista com o Brasil do que por exemplo com a Rússia, cujos níveis de corrupção são endêmicos, a população está encolhendo e a economia depende principalmente do petróleo."

A exemplo da maioria dos analistas internacionais, ele acredita que a melhora da competitividade brasileira requer a implementação de reformas macro e micro-econômicas que aceleram o potencial de crescimento e a situação fiscal, fortalecimento das instituições e maior eficiência na máquina administrativa pública. Ele citou o exemplo do Chile, que ao longo da última década alcançou significativos avanços nessas áreas. "O Brasil pode fazer o mesmo? É óbvio que sim, tem uma população educada, um setor empresarial muito sofisticado.", disse. "Tudo depende da vontade política."

Para a elaboração do ranking, o WEF utiliza, além de indicadores , os resultados da "Pesquisa de Opinião de Executivos, seu estudo realizado anualmente. Esse ano, mais de 11.000 líderes corporativos nos 125 países incluídos no ranking participaram da pesquisa. No Brasil, aproximadamente 200 líderes empresariais foram entrevistados.


ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 27 de setembro de 2006 | Economia
Desemprego na Grande SP é o menor desde agosto de 1998
O índice ficou em 16%, ante 16,7% no mês passado; rendimento médio teve alta de 5,1% em relação a junho
Jander Ramon

SÃO PAULO - AA taxa de desemprego nos 39 municípios que compõem a região metropolitana de São Paulo ficou em 16% da População Economicamente Ativa (PEA), retrocedendo em relação aos 16,7% verificados em julho. Em agosto do ano passado, a taxa era de 17,1%. Os dados fazem parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada nesta terça-feira pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que revela que a taxa de desemprego 16% é a menor verificada para o mês de agosto desde 1998.

A queda da taxa está dentro da expectativa que vinha sendo mantida pelos técnicos da Fundação Seade e do Dieese, conforme informaram os especialistas das duas instituições. "O que estranhamos foi a demora de tanto tempo para o emprego crescer e o desemprego diminuir", declarou o coordenador de Análises da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) pela Fundação Seade, Alexandre Loloian.

O contingente de desempregados da região foi estimado em 1,60 milhão de pessoas, uma queda de 71 mil em relação a julho ocasionada, principalmente, graças a geração de 67 mil ocupações e também da saída de 4 mil pessoas do mercado de trabalho.

O nível de ocupação teve alta de 0,8%, em agosto ante julho, resultado de 45 mil postos criados em serviços; 33 mil, em outros setores (concentrado em serviços domésticos e construção civil); e "relativas estabilidades" na indústria e no comércio, com os respectivos cortes de 4 mil e 7 mil ocupações.

A PED demonstra ainda que houve crescimento dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores entre junho e julho. No total dos ocupados, o rendimento médio real correspondeu a R$ 1.119, alta de 5,1% em julho ante junho. Na mesma base comparativa, o conjunto dos assalariados registrou alta de 5%, com o rendimento equivalendo a R$ 1.179.

Os especialistas estimam que a taxa de desemprego deverá cair nos próximos meses. "Embora o cenário não seja dos mais favoráveis, o fato é que, no segundo semestre, tudo melhora e mantemos a previsão que a taxa de desemprego cederá mais", disse Loloian.

O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, ressalvou, entretanto, que a Região Metropolitana de São Paulo se encontra num "patamar elevado" de ocupação, o que poderia diminuir o ritmo de queda do índice do desemprego.

PIB

Além disso, os especialistas observaram ser "preocupante" as recentes revisões para baixo nas previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2006, trazendo, assim, influência direta nas expectativas empresariais e, conseqüentemente, na intenção de criar postos de trabalho. "As indicações são de um crescimento econômico muito localizado em alguns setores produtivos e algumas regiões do País. Enfrentamos ainda o problema do câmbio sobrevalorizado e juros ainda em patamares elevados, não obstante a crescentes e constantes revisões para baixo da inflação", listou Loloian.

Outra dúvida sobre o comportamento do mercado de trabalho na Grande São Paulo está ainda na baixa taxa de participação da PEA. Conforme a pesquisa, considerando-se toda a População em Idade Ativa (PIA), ou seja, correspondente a dez anos ou mais de idade, 62,7% estão no mercado de trabalho, índice considerado baixo, na mesma proporção verificada durante a década de 90. "Se houver expansão da PEA, com mais pessoas procurando emprego, pode ser que a taxa de desemprego até aumente neste resto de ano", ponderou Ganz Lúcio.

Teoricamente, entretanto, os especialistas lembraram que, por dois meses consecutivos, em junho e julho, tanto o rendimento médio real do total dos ocupados, como também a massa de rendimentos, apresentaram crescimento, o que poderia estimular as famílias a postergarem o ingresso de jovens no mercado de trabalho e também desestimularem idosos a procurarem trabalho. "Pode ser que as famílias segurem seus jovens e velhos e a taxa de participação se mantenha estável, favorecendo a queda da taxa de desemprego", ponderou Loloian.


CAMPO GRANDE NEWS / MS, 27 de setembro de 2006
Pedidos de auxílio-doença aumentam 400% em 9 anos em MS

O volume de pedidos de auxílio doença nas agências do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) em Mato Grosso do Sul aumentou aproximadamente 400% em 9 anos, passando de 6,4 mil em 1996 para 25,9 mil em 2005. Até o mês de agosto, a Previdência tinha concedido 22 mil benefícios no ano, o que para o chefe do Serviço do Benefício do INSS no Estado, Nivaldo Zuardi é o reflexo de dois fatores, o aumento de contribuintes, ou seja, mais pessoas no mercado de trabalho, e a incidência de doenças cada vez mais presentes, como LER (Lesões por Esforços Repetitivos), Dort (Distúrbios Ostomoleculares) e depressão. “Hoje, 75% dos pedidos de auxílio-doença são por doenças ocupacionais e uma pesquisa realizada pelo INSS há aproximadamente 2 anos demonstra que 22% dos benefícios requeridos estão relacionados a LER e DORT. Acredito que não houve mudanças hoje”, explica.

Diretamente ligado ao aumento de benefícios concedidos por auxílio-doença está o desembolso da Previdência para ressarcir os trabalhadores. Enquanto em 1996 o INSS desembolsou R$ 1,2 milhão para os 6,4 mil benefícios, em 2005 foram R$ 13 milhões para ressarcir 25,9 mil trabalhadores. Nos nove anos avaliados, o INSS liberou R$ 48,6 milhões para o pagamento de auxílios-doença.

Segundo Zuardi, os benefícios são concedidos até que a pessoa esteja em plenas condições de retornar ao trabalho. “Se não houver como adaptar-se e voltar ao mercado pela perda da capacidade laborativa a pessoa permanece”. Há casos de trabalhadores que ficam até 6 anos em licença, sem condições de retornar à atividade.

O chefe do setor explica que há vários fatores que são considerados para a concessão do auxílio-doença, e a avaliação completa do histórico da patologia que deve levar ao afastamento é o principal. Hoje, explica, os 62 peritos depuram ao máximo o histórico clinico do trabalhador, chegando a pedir exames complementares. “Isso é necessário para uma avaliação completa”, ressalta.

Os critérios dos médicos peritos nem sempre são aceitos por quem busca o auxílio, como explica a assessora do Sindicato dos Bancários de Mato Grosso do Sul, Giselle Fernandes Barros, 30 anos. Na área de abrangência da entidade, que Campo Grande, Sidrolândia, Maracajú e Bonito, ao menos 200 bancários entraram na Justiça pedindo a revisão da perícia. Vítimas de LER e DORT, os trabalhadores não conseguiram provar, por meio dos exames, que as doenças os limitava no trabalho. O sindicato tem hoje 2,3 mil filiados, o que demonstra que quase 10% tem algum tipo de doença ocupacional.

Desconforto- Entre as pessoas que pediram judicialmente a revisão da perícia está a própria Giselle, que sofre de limitações motoras ocupacionais desde 2000. “A doença tem vários estágios. Hoje preciso até tomar anti-depressivos”, revela. Conforme Giselli, os anti-depressivos foram introduzidos em seu tratamento em conseqüência das chacotas que ouviu no trabalho depois que pediu o auxílio-doença. “Hoje, as pessoas têm vergonha de requerer o benefício por vergonha, medo de perder o emprego. Muitos têm a doença, mas falta coragem de assumir”.

Zuardi afirma que os médicos peritos exigem a maior gama possível de exames para garantir que realmente o trabalhador necessita ficar afastado do trabalho para ser enquadrado no benefício de auxílio-doença. O afastamento nem sempre é o desejo dos trabalhadores, como explica a comerciária Alba Regina Lira, 46 anos, que deve ficar 120 dias em casa por conta de uma cirurgia no tendão do pé. “Eu quero que seja menos. É horrível ficar parada”, lamenta.

Para o motorista Edjelson Garcdia, 42 anos, vítima de um tumor na coluna e hérnia, não poder trabalhar inclui em fatores fortes psicologicamente. Ele é arrimo de família, mas não suportou as dores na coluna, advindas do trabalho e, agora, vai ser submetido a uma cirurgia. “É terrível, gera uma insegurança muito grande”. Além da insegurança, o trabalhador ainda recebe menos que o salário, já que o benefício corresponde a 90% do vencimento. O trabalhador tem direito a décimo-terceiro, se afastado, pelas normas da Previdência.


CONGRESSO EM FOCO, 27 de setembro de 2006
CNT/Sensus: Lula continua ganhando no 1º turno

A cinco dias das eleições, o presidente Lula mantém o favoritismo e pode vencer o pleito ainda no primeiro turno. Pesquisa do instituto Sensus, realizada entre os dias 22 e 24 deste mês, revela que o candidato petista tem, agora, 51,1% das intenções de voto, contra 35,5% da soma dos índices de votos dos outros candidatos. Apesar do favoritismo, Lula oscilou 0,3 ponto percentual para baixo.

Já o ex-governador de São Paulo e candidato pelo PSDB, Geraldo Alckmin, foi a 27,5%, ganhando 7,9 pontos percentuais. De acordo com a sondagem, a diferença entre os candidatos chegou a 23,6 pontos percentuais. Em comparação com o último levantamento, Lula se mantém estável, quando obteve 51,4%. Na época, Alckmin teve 19,6%.

Na terceira posição, aparece a candidata Heloísa Helena (Psol) com 5,7%. O ex-ministro da Educação Cristovam Buarque (PDT) tem 1,6% da preferência do eleitorado. Os candidatos Ana Maria Rangel (0,6%) , Eymael (0,1%), Rui Costa (0,1%) e Luciano Bivar (0,1%) não chegaram a 1%. Indecisos e votos brancos e nulos chegam a 13,5%.

Se somados os votos válidos (descontados nulos, brancos e indecisos), a vantagem de Lula sobre os demais candidatos é de nove pontos percentuais. Neste caso, Lula tem 59% e Alckmin, 31,8%. Heloísa Helena vem com 6,6% e Cristovam com 1,6%. Pode-se afirmar que Lula está próximo do percentual de votos que obteve no segundo turno da eleição de 2002, quando foi a 61,3%.

Segundo turno

Em um eventual segundo turno, Lula bateria Alckmin com mais de 20 pontos de folga. O petista aparece com 55,6% e Alckmin com 33,7% das intenções de voto. A porcentagem de indecisos, de votos nulos e brancos chega a 10,8%.

Dossiê

Na sondagem, os entrevistadores também perguntavam aos eleitores se eles tinham conhecimento do caso do dossiê contra políticos tucanos e se isso mudaria a intenção de voto para presidente da República. Segundo a pesquisa, 59,1% tiveram conhecimento do caso. Desses, 3,2% não devem mais votar em Lula por causa do escândalo. Sobre o envolvimento de assessores do presidente, 26,1% atribuem a negociação a assessores do presidente e 13,6% ao PT. Somente 17% atribuem a Lula a responsabilidade pelo episódio.


JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de setembro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Em Alagoas, Collor lidera corrida por vaga no Senado

Santa Luzia do Norte, AL – “Collor vem aí” – berrava o locutor no alto do trio elétrico que ontem à tarde puxava uma carreta pela pequena e pobre cidade de Santa Luzia do Norte, na região metropolitana de Maceió. E dessa vez ele não estava exagerando. O ex-presidente Fernando Collor de Mello, que deixou o cargo sob acusações de corrupção e teve os direitos políticos cassados por oito anos em 1992, está mesmo na iminência de retornar a Brasília. Dessa vez ocupando o cargo de senador por Alagoas.

Numa manobra que desorientou seus opositores, ele desembarcou na campanha muito tardiamente, no dia 3 deste mês. Uma semana depois, segundo o Ibope, tinha 26% das intenções de voto, enquanto o franco favorito na corrida para o Senado, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), seguia com 35%. Hoje o quadro está invertido, com 36% para Collor e 31% para Lessa.

Os expedientes de campanha de Collor, que se autodenominava defensor dos descamisados e caçador de marajás, são idênticos aos do passado. Concorre por um partido pequeno e desconhecido, o PRTB; concentra suas ações nos lugares mais pobres do estado; e também recorre a um novo título de tom populista. Agora ele é o senador do povo.

Com o apoio de um helicóptero, chega a percorrer até dez municípios do interior em apenas um dia. Ontem foram sete. A reportagem acompanhou sua passagem por três deles, em áreas vizinhas a Maceió. Collor chegou a Santa Luzia às 15h30 e percorreu a cidade na carroceria de uma camioneta. Os sorrisos e acenos eram mecânicos porque num momento em que o veículo passou por uma área sem habitantes, cercada por mato, o ex-presidente continuou acenando e sorrindo.

Dali a carreata seguiu para a vizinha Coqueiro Seco e, finalmente, no começo da noite, para Marechal Deodoro, a maior das três cidades visitadas ontem. Entre uma e outra, em áreas distantes do olhar do eleitor, o senador do povo descia da camioneta e entrava em outro carro para ficar protegido da poeira.


JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de setembro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Escândalo não interfere nos votos

Brasília – O Instituto Sensus questionou os entrevistados sobre o impacto do dossiê contra tucanos na corrida eleitoral. No total, 59,1% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento dos fatos. O escândalo, entretanto, não interfere nas intenções de voto, conforme a pesquisa: apenas 3,2% dos entrevistados disseram que mudarão seu voto por conta do que ocorreu.

O levantamento questionou sobre a responsabilidade de compra do dossiê. Para 26,1%, a responsabilidade é de “assessores do presidente”; outros 13,6% disseram que é do PT e 10,1% apontaram o nome do próprio presidente.

Propaganda

A pesquisa analisou também a audiência dos programas eleitorais no rádio e na tevê. As campanhas de Lula e Alckmin tiveram avaliações similares: 26% disseram achar o programa petista melhor e 20,4% optaram pelo tucano.


JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de setembro de 2006 | Economia
MERCADO-Fundos que aplicam FGTS nas ações das empresas têm queda de mais de 10% no semestre
Papéis da Vale e Petrobras em queda

Os fundos de investimento que aplicam recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ações da Companhia Vale do Rio Doce e da Petrobras estão sofrendo com a recente desvalorização desses papéis. No segundo semestre até o último dia 21, os fundos de privatização FGTS-Vale têm perdas de 14,85%, enquanto os FGTS-Petrobras tiveram prejuízo de 12,14%, segundo dados do site financeiro Fortuna. Em 2006, os da mineradora têm rentabilidade de -7,61%, mas os da petrolífera ainda acumulam ganhos de 4,44%.

O Ibovespa – principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo – tem queda de 4,92% no semestre até o dia 21 de setembro e alta de 4,12% no ano. As ações preferenciais da Vale e da Petrobras são as mais negociadas do pregão, por isso o seu desempenho afeta bastante o índice.

O temor de desaceleração da economia mundial derrubou os preços dos minérios, daí a baixa das ações da Vale. As preferenciais atingiram a cotação máxima de R$ 49,55 em 11 de maio, segundo a consultoria Economática, mas têm desvalorização acumulada de 9,6% no ano e eram negociadas a R$ 38,50 na Bovespa na tarde de ontem. As ordinárias chegaram a R$ 59,99 em 9 de maio, têm queda de 7,41% em 2006 e eram vendidas a R$ 45,25.

Os papéis preferenciais da Petrobras ainda têm elevação de 5,97% e os ordinários, de 5,97% no ano. As ações da companhia atingiram as máximas de R$ 48,39 em 11 de maio e R$ 55,40 em 9 de maio, respectivamente, e eram negociadas a R$ 39,20 e R$ 43,44 ontem.

Os analistas avaliam que as pessoas que têm recursos aplicados nesses papéis e em fundos de investimento não devem abandoná-los agora. Ao contrário, o momento pode ser de aproveitar os preços relativamente baixos para comprar tais ações.

“É provável que os investidores voltem a olhar para elas [as ações] como boas opções, afinal, trata-se de empresas de primeira linha”, diz o consultor financeiro e professor Ricardo Fontes. “Existe o temor de um forte desaquecimento da economia mundial, mas muitos especialistas já dizem que a redução do ritmo de crescimento não vai ser tão trágica.”

Criados em março de 2002, os fundos FGTS-Vale acumulam rendimento de 428% desde então. Os FGTS-Petrobras, que nasceram em agosto de 2000, registram ganho total de 503%.


JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de setembro de 2006 | Economia
PROTESTO-Trabalhadores consideram satisfatório o acordo fechado com as montadoras
Metalúrgicos encerram greve no Paraná

Os mais de 8 mil metalúrgicos das montadoras Volkswagen/Audi, Renault/Nissan e Volvo, na grande Curitiba, encerraram ontem a greve iniciada na semana passada. Em assembléia realizada de manhã, eles decidiram aceitar a proposta feita pelas montadoras – a quinta desde que a campanha salarial começou, em meados de agosto. Eles vão receber 4,19% de reajuste em setembro, 0,78% em janeiro e R$ 700 de abono, que será pago na próxima segunda-feira.

Os dias parados por conta da greve não serão descontados, mas terão de ser compensados pelos trabalhadores. Cada montadora irá convocar os funcionários para uma escala diferenciada, de acordo com a demanda de produção.

O reajuste conseguido pelos trabalhadores ficou abaixo do pedido inicial, que era de 5% de aumento real, além de 2,85% de reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Ainda assim, ficou acima do aumento real de 1,3% oferecido inicialmente pelo Sindicado Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea), que representa as empresas.

“Tivemos avanço significativo em comparação à proposta inicial. Estamos satisfeitos com o acordo”, avalia o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e região (SMC), Sérgio Butka. Por duas vezes durante a negociação, o SMC ameaçou romper o diálogo com o Sinfavea, mas acabou fechando acordo com a entidade pelo terceiro ano consecutivo.

Na Volkswagen/Audi, que emprega 3,6 mil pessoas, e na Renault/Nissan, que tem 3,1 mil funcionários, a paralisação começou na última quarta-feira. Já a greve dos 1,9 mil trabalhadores da Volvo – que não registrava paralisações desde 2001 – teve início um dia depois, na quinta-feira.

Saldo

O sindicato dos metalúrgicos estima que, durante a greve, a Volks/Audi deixou de produzir aproximadamente 3,2 mil automóveis dos modelos Fox, Golf e Audi A3. A Renault/Nissan, por sua vez, teria deixado de fabricar 3,2 mil motores e 1,5 mil automóveis e utilitários dos modelos Clio, Scenic, Megane, Máster e Frontier. Já a Volvo, na Cidade Industrial de Curitiba, deixou de produzir 24 ônibus e 105 caminhões.

Felipe Laufer


JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de setembro de 2006 | Economia
FÓRUM ECONÔMICO
Brasil cai em ranking de competitividade

São Paulo – O Brasil perdeu nove posições no ranking de competitividade global do Fórum Econômico Mundial deste ano, ficando em 66.º (57.º no ano passado) entre 125 países, segundo dados divulgados ontem. A posição do Brasil no ranking é um reflexo da colocação “particularmente pobre’’ (114.º) na categoria Macroeconomia (em 2005, o país havia ficado em 91.º lugar). “Isso é resultado do grande déficit orçamentário em relação aos de outros países, se não pelo desempenho historicamente pobre do Brasil’’, diz o boletim do Fórum. O documento ainda destaca como razões da queda de posição do Brasil os altos níveis de endividamento do governo e o spread dos juros, o que evidencia “os pesados custos de intermediação do setor bancário brasileiro’’, que afetam de modo negativo os investimentos do setor privado e contribuem para um crescimento econômico mais baixo.

A posição do Brasil também é a mais baixa entre os BRICs (termo cunhado pelo banco de investimentos Goldman Sachs para denominar o grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China). As outras oito categorias são: Instituições; Infra-estrutura; Saúde e educação básica; educação superior e Treinamento; Eficiência de mercados; Disponibilidade tecnológica; Sofisticação de negócios; e Inovação.

Na América Latina, o país mais competitivo, segundo o ranking, é o Chile, que ficou em 27.º lugar – o mesmo ocupado em 2005. Sistemas regulatórios, instituições sólidas (com um grau de transparência que supera a média da União Européia) e mercados relativamente livres de distorções mostram que o país se manteve estável, segundo o Fórum.


JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de setembro de 2006 | Economia
SUPERÁVIT
Economia supera meta

Os gastos do governo continuam a crescer mais que as receitas, mas o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) conseguiu superar a meta de superávit primário até agosto. Até este mês, a economia feita para o pagamento de juros foi de R$ 47,879 bilhões, enquanto a meta é de R$ 42,9 bilhões. Neste período, as receitas totais do governo cresceram 11,7% na comparação com igual período do ano passado, para R$ 351,424 bilhões. A receita líquida – que exclui repasses a estados e municípios – somou R$ 290,49 bilhões. Já as despesas aumentaram 13,9%, para R$ 242,611 bilhões. O resultado primário é equivalente a 3,59% do PIB, contra 3,75% no mesmo período do ano passado. A meta de superávit primário como um todo – incluindo estatais e governos regionais – é de 4,25%.


AGÊNCIA CÂMARA, 27 de setembro de 2006
Projeto cria programa de estímulo à profissionalização

O Projeto de Lei 7280/06, do deputado Josias Quintal (PSB-RJ), cria um programa de estímulo à implantação de núcleos de formação profissional, que deverão ser prioritariamente implantados nas periferias e bolsões de pobreza dos grandes centros urbanos e no meio rural. Se o projeto for aprovado, o novo programa será voltado para jovens de 14 a 29 anos, matriculados em escolas públicas, que só poderão se matricular no programa em turno diferente daquele em que freqüentam o ensino regular.

Os cursos oferecidos deverão ser relacionados às atividades econômicas predominantes em cada região. Outra prioridade do projeto será atender jovens de famílias carentes, com renda per capita de até um salário mínimo (R$ 350).

Para Josias Quintal, uma das estratégias mais importantes para reduzir as desigualdades econômicas e sociais é a educação profissionalizante, voltada para a população jovem. "Assim se combate, de modo positivo e estrutural, as condições que encaminham a juventude para a marginalidade, em particular nas periferias e bolsões de miséria".

Pela proposta, o programa será mantido com recursos das três esferas de governo (federal, estadual e municipal), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e com os programas de instrução militar desenvolvidos pelas Forças Armadas.

Bolsas

O parlamentar reconhece que os serviços nacionais de aprendizagem e os programas de profissionalização das Forças Armadas podem contribuir para a profissionalização dos jovens, mas ressalta que o projeto proposto avança, ao combinar ensino regular, formação profissional em tempo quase integral e uma política de auxílio financeiro que estimula o estudo e o emprego.

Além do estímulo à profissionalização, o projeto prevê a concessão de bolsas aos estudantes, que poderão acumular mais de um tipo de bolsa ou acumular o valor recebido pela bolsa com a remuneração por seu trabalho, caso estejam empregados. "Ultrapassa-se uma importante deficiência de diversos programas de transferência de renda, de que para receber o benefício não se pode melhorar de vida", salienta o deputado.

As modalidades de auxílio serão as seguintes:

- permanência, para estimular a freqüência aos cursos de formação profissional;
- auxílio-didático, destinada à aquisição de materiais escolares;
- auxílio-deslocamento, para cobrir despesas de transporte dos estudantes.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


CONSULTOR JURÍDICO, 27 de setembro de 2006
Reforço do Natal
Saiba quais são os direitos do empregado temporário

As lojas e empresas que precisam contratar trabalhadores temporários para dar conta das vendas no período que antecede o Dia das Crianças e o Natal precisam ficar atentas aos direitos do trabalhador temporário.

Os profissionais contratados para o final do ano devem ter registro na carteira de trabalho, férias proporcionais, 13º salário, FGTS, jornada máxima de 8 horas diárias e 44 semanais. Além de horas extras remuneradas com no mínimo 50% sobre o valor da hora normal, repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, adicional noturno, benefícios e serviços da Previdência Social, inclusive por acidente do trabalho, seguro-desemprego e vale-transporte.

Para esse tipo de contratação é necessário que a empresa faça um contrato escrito que não poderá ultrapassar três meses, salvo autorização pelo órgão local do Ministério do Trabalho e desde que o período total não exceda a seis meses.