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Agência Diap, 28 de
setembro de 2006
Idoso
Hoje é comemorado o Dia Nacional
do Idoso; no domingo, três anos do estatuto do idoso
Destacamos na Agência DIAP de hoje, 27/09,
a comemoração, em todo o país, do Dia Nacional do
Idoso. Já no domingo, dia 1º de outubro, a data é comemorada
internacionalmente, bem como a sanção, há três
anos, do Estatuto do Idoso (Lei 10.741).
De autoria do então deputado
Paulo Paim, hoje senador pelo PT do Rio Grande do Sul, o projeto de
lei do Estatuto do Idoso tramitou no Congresso por mais de cinco anos
e é um marco na história de luta pelos direitos dos idosos.
Estrutura
Composto por 118 artigos, o Estatuto é dividido em capítulos
específicos dedicados aos direitos dos idosos. Os direitos à vida,
ao alimento, à saúde, à educação, à cultura,
ao esporte, ao lazer, à profissionalização e ao trabalho, à previdência
e à assistência social, à habitação e ao
transporte são contemplados na legislação.
No texto, há ainda capítulos
inteiros dedicados ao atendimento aos idosos tanto na própria
família como em entidades destinadas a esse fim, com normas
que determinam desde instalações físicas adequadas
até a fiscalização pelo Poder Público e
pela sociedade. Para proteger os direitos dos idosos estabelecidos
no Estatuto, estão previstas punições, que vão
desde pesadas multas até à pena de reclusão de
12 anos.
A perda da liberdade é aplicada
a quem provocar a morte de um idoso por submetê-lo a condições
desumanas ou degradantes ou privá-lo de alimentos e cuidados
indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou ainda sujeitá-lo
a trabalho excessivo ou inadequado, expondo a perigo a integridade
e a saúde, física ou psíquica, do idoso.
Quantitativo
Segundo Paim, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) apontam a existência hoje, no país, de cerca de 20 milhões
de pessoas com mais de 60 anos, o que corresponde a 11% da população
brasileira.
Ainda segundo o senador, em 2050, o
Brasil, será o quinto maior país em população
idosa do mundo, com cerca de 13,7 milhões de pessoas com mais
de 80 anos.
Cumprimento
do Estatuto
Para Paim, a Lei não é perfeita e ainda há muitas dificuldades
a serem enfrentadas para o efetivo cumprimento do Estatuto do Idoso. “Nosso
trabalho junto à sociedade é superá-las uma a uma. Acredito
sinceramente que no futuro, com certeza estes desafios estarão superados
e estaremos lutando por outros direitos ainda não conquistados.”
Quanto às questões ainda
não solucionadas, Paim demonstra-se preocupado e conclama toda
sociedade a fazer com que o Estatuto seja cumprido. “Toda sociedade
está convocada a fazer com que o Estatuto seja cumprido, mas
alguns atores e agências são fundamentais: os Conselhos
do Idoso, o Ministério Público, os profissionais de saúde,
de assistência social e a Justiça.”
A união de todos e o esforço
de cada um em favor desta luta, trilhada com dedicação
e garra, fará com que venhamos a colher os frutos merecidos.
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Correio Sindical, 28 de setembro de 2006
Trabalhadores unidos em suas campanhas
Mais de um milhão de trabalhadores
estão mobilizados nestes últimos dias em São
Paulo.
Trata-se das campanhas salariais do segundo
semestre que envolvem metalúrgicos, bancários, químicos,
comerciários, etc.
Há que se observar com muito interesse
e preocupação o estudo do DIEESE, que nos informa o vergonhoso índice
de 49,8% de desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos.
As entidades de classe, representativas
das diversas categorias em luta, têm o papel de organizar o movimento
dos trabalhadores com o objetivo de conquistar reajustes salariais, aumentos
reais, índices mais significativos a título de participação
nos lucros, além de ampliar ou, no mínimo manter, as cláusulas
sociais em vigor, mas também e paralelamente, precisam estar inseridas
na discussão de uma política economica capaz de retomar
o desenvolvimento e assegurar o emprego.
Importante bandeira dos sindicatos nesta
campanha salarial é o fim das terceirizações, o
que sem dúvida contribuirá, e muito, para a ampliação
das conquistas dos trabalhadores, pondo um fim à precarização
e diminuição dos avanços obtidos e consolidados.
A luta do movimento sindical tem dado
importantes frutos, na medida em que marchamos com unidade. Destaca-se
a derrota das medidas provisórias do governo, que pretendia por
uma camisa de força nas entidades, o que ocorreria caso fosse
aprovado o “conselhão” que tutelaria as entidades
sindicais.
Mais uma vêz fica demonstrado:
somente com organização e unidade de ação
poderemos conquistar melhores dias para todos os trabalhadores brasileiros.
Fonte: Correio Sindical
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Gazeta do Povo, 28 de setembro
de 2006
IBOPE E DATAFOLHA-Vantagem do presidente cai,
mas soma de votos dos adversários ainda é menor
A 3 dias das eleições,
pesquisas dão vitória a Lula no 1.º turno
São Paulo – Pesquisas Ibope e Datafolha
divulgadas ontem apontam para o mesmo cenário: o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva será eleito no primeiro turno.
A pesquisa Ibope mostra Lula com 48% das intenções de
voto. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, está com 32%; Heloísa
Helena, do PSol, tem 8%, enquanto Cristovam Buarque detém 2%.
Levando-se em conta apenas os votos válidos, Lula chega a 53%,
enquanto Alckmin tem 35%.
No Datafolha, Lula tem 49% das intenções de voto; Alckmin tem
33%; Heloísa Helena chega a 8% e Cristovam Buarque detém 2%.
Na comparação entre votos válidos, o resultado da pesquisa
Datafolha é exatamente igual ao do Ibope, com Lula totalizando 53% dos
votos e Alckmin, 35%. Ou seja, nas duas pesquisas, Lula venceria no primeiro
turno, já que para isso o candidato precisa de 50% dos válidos
no primeiro turno mais um voto.
O Datafolha mostra que a vantagem de Lula sobre seus adversários, que
era de oito pontos porcentuais no levantamento anterior, é hoje de cinco
pontos, e sua distância em relação ao segundo colocado
passou de 18 para 16 pontos. Lula obtinha 12 pontos a mais do que a soma dos
outros candidatos no início do mês, antes da descoberta do envolvimento
de petistas na negociação para a compra de um dossiê contra
o candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, no dia
15.
Lula manteve curva ascendente de meados de julho, quando tinha 44%, até o
início de setembro, quando pesquisa realizada nos dias 4 e 5 o mostrava
com 51% das intenções de voto, 12 pontos a mais do que a soma
de seus adversários e 24 pontos à frente de Geraldo Alckmin,
que, naquele momento, tinha 27%. A partir de então, no entanto, o petista
tem visto a vantagem em relação a seus oponentes recuar, especialmente
após o início da crise desencadeada pelo caso do dossiê.
Alckmin vem subindo na preferência do eleitorado desde o início
de agosto, quando tinha 24% das intenções de voto. Naquele momento,
o tucano estava 23 pontos porcentuais atrás de Lula, que atingia 47%
das intenções de voto. Heloísa Helena vivia então
seu melhor momento, com 12%. A partir de então, o candidato tucano foi
progressivamente ganhando pontos, enquanto Heloísa Helena oscilava para
baixo ou se mantinha na mesma.
A vantagem de Lula em relação a Alckmin na simulação
de um segundo turno entre os dois também vem diminuindo. Se houvesse
uma segunda votação apenas entre os dois candidatos, hoje, 52%
votariam no atual presidente e 41% dariam seu voto ao candidato tucano, uma
vantagem de 11 pontos para o petista, portanto. Na pesquisa da última
sexta-feira a diferença a favor do petista era de 15 pontos percentuais
(54% a 39%). O porcentual dos que consideram o desempenho do presidente Lula
no governo ótimo ou bom oscilou de 46% para 47%, e a dos que acham que
ele vem tendo uma atuação regular se manteve em 34%. A taxa dos
que acham que o petista vem fazendo um governo ruim ou péssimo oscilou
de 18% para 17%.

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Gazeta do Povo, 28 de setembro
de 2006
HABITAÇÃO - Pacote é aprovado
pelo Conselho Monetário Nacional
Liberada compra de imóvel sem uso
da TR
O pacote habitacional anunciado no último
dia 12 pelo governo federal foi regulamentado ontem em reunião
do Conselho Monetário Nacional (CMN). A partir de agora, os bancos
terão três formas de fixar juros para a correção
dos empréstimos habitacionais que utilizem recursos de caderneta
de poupança: mantendo, eliminando ou utilizando uma Taxa Referencial
(TR) “travada”.
A primeira fórmula mantém parcelas variáveis. Na segunda,
o banco usa juro máximo de 12% ao ano e ignora o valor da TR. Por fim,
tem a opção de fixar o teto de juros para os contratos de financiamento
imobiliário por meio da chamada “TR travada”, que leva em
conta o valor da taxa referencial dos últimos 90 dias, hoje em 2,2%,
acrescidos de no máximo 12%. A média da TR dos últimos
90 dias será divulgada mensalmente pelo Banco Central.
Em complemento à essa medida, o CMN autorizou os bancos a computarem
os recursos liberados nessa modalidade (com TR travada ou sem TR) dentro do
limite de 65% dos recursos da poupança, obrigatório para aplicação
no Sistema Financeiro de Habitação. O ministro Guido Mantega
disse acreditar que, com o tempo, os bancos poderão abrir mão
da TR para conquistar mais clientes, estimulando a queda de juros. Segundo
ele, já há instituições que descontam a TR no caso
do pagamento das prestações em dia. “A tendência
do mercado é de redução das taxas de juros. É um
mercado competitivo”, disse.
O pacote habitacional também prevê o financiamento do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a compra de imóveis,
a liberação de R$ 4,5 bilhões pela Caixa Econômica
Federal para financiar construtoras, a permissão para que bancos ofereçam
empréstimos com desconto em folha de pagamento para mutuários,
a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados para materiais
de construção civil (veja matéria abaixo), a inclusão
das empresas do setor na Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, a criação
de um site que reúna informações do setor imobiliário
e a liberação de recursos do BNDES para o desenvolvimento de
novos produtos e processos para construção.
Com isso, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança (Abecip) estima que o volume de empréstimos
bancários para a compra de imóveis salte de R$ 3 bilhões
em 2004 para quase R$ 9 bilhões neste ano, e que o crédito consignado
e a maior concorrência entre as instituições financeiras
públicas e privadas reduza as taxas em até 2%. Uma das intenções
do governo é que as classes mais baixas consigam se beneficiar e haja
redução do déficit habitacional, hoje de 7 milhões
no país. No Paraná faltam 260,6 mil moradias.
No entanto, mesmo com taxa de juros menor, a expectativa do mercado é que
as parcelas fiquem mais altas. “Na iniciativa privada ninguém
tem estabilidade no emprego, por isso o crédito consignado para contratos
de prazo muito longo não é tão seguro assim”, diz
o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Civil (Sinduscon), Érlon Rotta Ribeiro.
O setor de construção
também aguarda novas medidas de estímulo, como a lei
de parcelamento do solo, o financiamento de loteamentos e a portabilidade
de crédito imobiliário, que deve permitir a migração
de um tipo de financiamento imobiliário para outro. Com relação à TR
fixa ou nula, ele acredita que trará incremento ao setor de
construção. “A pessoa poderá planejar seu
gasto futuro”, diz.
Helena Carnieri com agências
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Gazeta
do Povo, 28 de setembro de 2006
HABITAÇÃO
Medidas só terão
efeito no longo prazo
O varejo curitibano de material de construção ainda não
aplicou a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
concedida a alguns produtos no último dia 12, a terceira do ano. A maior
parte dos comerciantes vai reduzir preços somente quando fizer novas compras
já com menos imposto, e não acredita que a medida irá aquecer
fortemente as vendas. Muitos não sabem ainda quais produtos foram desonerados
dessa vez. Para o presidente da Associação dos Comerciantes de
Material de Construção da Grande Curitiba (Acomac), Rogério
Martini, só no ano que vem os estoques devem ser totalmente renovados,
pois os produtos desonerados são de giro médio, ou seja, ficam
de 90 a 120 dias na loja antes de serem vendidos. “Mas nem isso vai aquecer
o setor, pois os dois pacotes de redução de imposto concedidos
este ano não aumentaram as vendas significativamente”, diz. O presidente
do conselho fiscal da Associação Nacional dos Comerciantes (Anamaco),
Hiroshi Shimuta, percebeu acréscimo nas vendas do setor de 10%. “Mas,
para o consumidor, o custo final da obra cai apenas 0,5%”, diz.
A medida autorizada este mês abarca principalmente produtos populares,
como itens de plástico (bidês, sanitários, caixas de descarga
e artigos semelhantes, revestimentos de piso e parede) e chuveiros elétricos,
que tiveram o IPI reduzido de 10% para 5%.
Os gerentes de lojas ouvidos nesta semana não sabiam exatamente que produtos
serão desonerados. O vice-presidente da Associação Comercial
do Paraná, Élcio Ribeiro, diz que a lista se desdobra em cerca
de 50 subitens. “Mas a margem de lucro dos comerciantes já está pequena,
não deve haver maiores descontos”, acredita.
Maior rede de lojas da cidade, a Balaroti por enquanto só divulga os descontos
que já oferecia antes. Toda segunda-feira, um novo “pacote” de
produtos entra em promoção, na faixa de 5%. A Leroy Merlin baixou
preços de artigos para sanitários na última sexta-feira,
mesmo dia em que a redução de IPI foi oficializada pelo Diário
Oficial da União, mas diz tratar-se da promoção “Festival
do Banho”, que vai até 9 de outubro. De acordo com a rede, 600 itens
tiveram abatimentos, em geral de mais de 5%. A ducha elétrica da marca
Thermo, que com a redução de IPI custará R$ 86, sai por
R$ 75,90 na promoção.
Para o gerente da loja de Curitiba, Ricardo Mascio, o consumidor sente
pouco o efeito das reduções de preço porque não costuma
pesquisar muito antes de comprar, e as lojas, por sua vez, não divulgam
adequadamente suas promoções. “O setor precisa aprender a
fazer o mesmo barulho que o de eletrodomésticos”, concorda Martini.
(HC)
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Gazeta
do Povo, 28 de setembro de 2006
PROTESTO
Bancários podem fazer nova greve
a partir de quinta
Bancários de todo o país podem entrar em greve por tempo indeterminado
a partir da próxima quinta-feira. Ontem, eles receberam proposta de reajuste
de 2% da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) – a primeira
após quase 50 dias de negociações. “Está bem
abaixo daquilo que a gente gostaria”, destaca o secretário geral
do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, Antônio
Luiz Fermino. Na próxima quarta-feira, haverá assembléias
em todo o país para decidir se a greve será deflagrada ou não. “Se
não houver avanço na negociação até lá, é bom
informar a população que os bancos não devem funcionar a
partir de quinta”, avisa o secretário.
Os bancários afirmam que o aumento de 2% não repõe nem a
inflação do período – de 2,85% entre setembro do ano
passado e agosto deste ano, segundo o Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC), que serve de base para reajustes salariais.Durante reunião
realizada ontem, a Fenaban também propôs, além dos 2% de
reajuste, o pagamento de participação nos lucros e resultados (PLR)
de 80% do salário mais R$ 816 de parte fixa. Nos bancos em que o lucro
cresceu ao menos 25% neste ano, a PLR seria acrescida ainda de R$ 500.
O comando nacional dos bancários, que reúne representantes da Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), de federações
estaduais de bancários e dos dez maiores sindicatos, reuniu-se para avaliar
a realização de uma nova greve. Na terça-feira, 120 mil
bancários fizeram paralisação em 23 estados e no Distrito
Federal. Em Curitiba, 43 agências do centro (inclusive o atendimento nos
caixas eletrônicos) foram fechadas pelo Sindicato dos Bancários
da capital. Ontem a greve continuou, mas em apenas seis estados, nos quais o
Paraná não estava incluído.
Os bancários reivindicam aumento real de 7,05%,
além da reposição da inflação e participação
maior nos lucros e resultados – de 5% do lucro líquido linear,
mais um salário bruto acrescido de R$ 1,5 mil.
No ano passado, quando houve greve de seis dias, os bancários receberam
reajuste de 6% (1% de aumento real), mais R$ 1,7 mil de abono e PLR mínima
de 80% do salário mais R$ 800. “A proposta dos bancos é menor
que a do ano passado, mesmo com aumentos recordes de lucratividade”,
afirmou Vagner Freitas, presidente da Contraf-CUT.
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Gazeta
do Povo, 28 de setembro de 2006
INVESTIMENTOS-Queda no risco-país e inflação
baixa permitiram novo corte na TJLP
Setor produtivo tem a menor taxa de juros
no país desde 1994
Brasília – A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), cobrada do setor
produtivo do país, caiu para seu patamar mais baixo (6,85%) desde sua
criação, em 1994. O corte foi anunciado ontem pelo ministro da
Fazenda, Guido Mantega, depois de aprovado pelo Conselho Monetário Nacional
(CMN). A nova taxa vai vigorar de outubro até dezembro.
A TJLP é utilizada como referência para empréstimos do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor produtivo.
Geralmente, o BNDES cobra uma sobretaxa, de acordo com o setor que pega o empréstimo,
acima do valor da TJLP. Quando há orientação do governo
federal de estímulo a determinado setor, a sobretaxa não é aplicada,
ou é menor.
Mantega afirmou que o objetivo do governo é estimular investimentos privados
na economia brasileira. “Com esta nova queda na TJLP, o Brasil está próximo
ao patamar de juros para investimentos praticado por países desenvolvidos”,
afirmou ele. Queremos que a taxa de investimentos, atualmente em cerca de 20%
do PIB [Produto Interno Bruto], suba para 24% ou 25%”. Segundo ele, de
janeiro a julho de 2006, os investimentos aumentaram em 5,7% em relação
ao ano anterior. Entre agosto de 2005 e julho de 2006, o crescimento foi 9,8%.
Composição
A fórmula para estabelecer a TJLP leva em conta a expectativa
de inflação para os próximos 12 meses e o risco-país
do Brasil. A queda no risco é um dos motivos explicados pelo ministro
para a redução da taxa. Mantega disse que o CMN considerou
o valor de 4,5% para a meta de inflação, e mais entre 2,2%
a 2,3% para o risco-país. A soma dos dois componentes culminou
no corte da TJLP para 6,85% ao ano.
A taxa que vigorou entre abril de 2004 e dezembro de 2005 foi de 9,75%
ao ano.
Na reunião de dezembro do CMN, ela foi reduzida para 9% ao ano, em março,
para 8,15% e na reunião de junho, para 7,5% ao ano. A Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu positivamente
o anúncio. “Desde março deste ano, quando Mantega assumiu
o Ministério da Fazenda, a taxa caiu de 9% para 6,85% ao ano. Enfim, uma
boa notícia para quem trabalha e produz, quem acredita no desenvolvimento
do Brasil”, comemorou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
Para a Associação Brasileira da Infra-estrutura
e Indústrias de Base (Abdib), a decisão irá incentivar
o investimento e que há chances de uma migração
dos recursos da renda fixa para ativos reais. “Entendemos que a
infra-estrutura, diante da carência de investimentos e, portanto,
do enorme potencial de crescimento, poderá ser um porto seguro
e atrativo para os aplicadores que atualmente investem em renda fixa”,
disse o presidente da entidade, Paulo Godoy, por meio de nota. A entidade
acredita que, com a redução dos juros e uma melhoria no
ambiente de negócios, a infra-estrutura poderá, no curto
prazo, atrair cerca de 10% do capital hoje investido em renda fixa – o
total hoje é de aproximadamente R$ 800 bilhões.
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Gazeta
do Povo, 28 de setembro de 2006
MARINGÁ
Empresa terá de pagar indenização
de R$ 500 MIL
A dona de casa maringaense Clara Espiguel de Oliveira,
já falecida, ganhou
uma ação por danos morais contra a Souza Cruz, no valor de R$ 500
mil. A sentença foi assinada pela juíza Liéje Aparecida
de Souza Gouveia Bonetti, da 5.ª Vara Cível de Maringá,
com data de 19 de setembro de 2006. Ainda cabe recurso por parte da empresa.
Clara morreu em setembro do ano passado, aos 85 anos. Segundo o advogado
da família,
Carlos Alexandre Moraes, a certidão de óbito atesta morte súbita,
insuficiência respiratória, insuficiência vascular periférica
e tabagismo, o que caracterizaria a falta de oxigênio no sangue e problemas
circulatórios nos membros inferiores e superiores.
Clara fumava desde 1960. No fim da vida, ela chegou
a ter parte das pernas amputadas. Segundo Moraes, foi o primeiro caso
de vitória judicial sobre uma empresa de cigarros no Paraná.
Nenhum familiar quis comentar o caso, mas o dinheiro deverá ficar
com os três filhos dela. A família entrou com a ação
em 2001. A assessoria de imprensa da Souza Cruz, no Rio de Janeiro, informou
que a empresa só vai comentar o caso quando a sentença
for oficializada.
Andye Iore
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Gazeta do Povo, 28 de setembro
de 2006
FRAUDE
AUDITORIA EM 75 CIDADES DO PR SERÁ CONCLUÍDA
AMANHÃ
Ponta Grossa – Todas as 75 cidades paranaenses que adquiriram veículos
da máfia dos sanguessugas serão visitadas, até amanhã,
por auditores do Ministério da Saúde e da Controladoria-Geral
da União (CGU). Um batalhão, formado por 450 técnicos,
tem a missão de recolher documentos e vistoriar ambulâncias, vans
e ônibus em 591 municípios brasileiros e elaborar um relatório
que será entregue até a terceira semana de outubro.
Uma varredura nas negociações entre a prefeitura e as empresas
ligadas aos empresários mato-grossenses Luiz Antônio e Darci Vedoin
foi realizada em São Mateus do Sul, nos dias 25 e 26 deste mês.
Os técnicos buscam saber absolutamente tudo sobre as licitações.
Querem saber se os veículos existem realmente, se servem a população,
se foram entregues nas mesmas especificações da nota de compra,
quais empresas participaram do processo licitatório e quanto foi pago. “A
ambulância está funcionando, mas o ônibus estava sem condições
de uso”, conta o prefeito Francisco Luiz Ulbrich.
A pequena cidade ao Sul do Paraná, que tem pouco mais de 38 mil habitantes,
recebeu a visita do próprio Luiz Antônio Vedoin, durante a licitação
de um ônibus odontológico em 2001.
Convênios
Ao todo, devem ser analisados cerca de 1.600 convênios,
em 24 estados. Também poderão ser fiscalizados outros contratos
para aquisição de unidades móveis de saúde
celebrados com outras empresas. Além disso, poderão também
ser analisados convênios da área de inclusão digital,
onde houver.
Os relatórios serão encaminhados para o Tribunal de Contas da
União. Na preparação do cronograma de fiscalizações,
a CGU realizou cinco pilotos em municípios próximos a Brasília
e nos estados do Paraná, Espírito Santo, Rondônia e Bahia
para testar os procedimentos adotados.
O Paraná é o segundo estado em número de localidades envolvidas
no esquema, atrás apenas de Mato Grosso.
Em território paranaense seriam 84 contratos com indícios de
irregularidades. O valor médio de R$ 60 mil por venda, estipulado pela
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas, leva
ao cálculo que a máfia movimentou cerca de R$ 5 milhões
no Paraná.
Katia Brembatti
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Gazeta do Povo, 28 de setembro
de 2006
EMPREGO
POUCAS VAGAS EM 2005
O Paraná foi o estado brasileiro com o terceiro pior desempenho na geração
de empregos no ano passado, em números relativos. As 76.578 vagas criadas
elevaram em 3,77% o número de postos de trabalho ocupados no estado
em 2005, para 2,1 milhões. Esta variação só é melhor
que a de Mato Grosso (3,7%) e do Rio Grande do Sul (1,92%). No país,
o emprego formal cresceu 5,83%, com a abertura de 1,831 milhão vagas,
de acordo com os dados da Relação Anual de Informações
Sociais (Rais) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho.
Embora o resultado tenha sido positivo na maioria dos setores, o Paraná perdeu
2.038 vagas na agropecuária, uma variação negativa de
2,19% em relação a 2004. Também houve queda de 5,79% na
atividade extrativa mineral. Por outro lado, o setor do comércio contratou
27.464 pessoas, um acréscimo de 6,79% nos números de 2004. No
setor de serviços, houve a contratação de 24.804 pessoas
a mais em 2005, crescimento de 4,02%.
A categoria “serviços industriais de utilidade pública”,
que compreende vagas em companhias de eletricidade e água e esgoto,
por exemplo, teve o melhor desempenho relativo (acréscimo de 8,09%),
com criação de 1.543 postos de trabalho. A renda média
do trabalhador paranaense cresceu 3,15% de 2004 para 2005, saltando de R$ 988,18
para R$ 1.019,30 no período. O aumento verificado no Paraná é acima
da média nacional, mas fica atrás do registrado em outros 13
estados.

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G1, 28 de setembro de 2006
DENÚNCIA DE SEXO NO TRABALHO
PRECISA SER PROVADA, DIZ TRIBUNAL
Demitida sob a acusação de beber e manter relações
no ambiente de trabalho, C. M. S., funcionária da Guarda Civil
Municipal (GCM) de Ferraz de Vasconcelos, na região metropolitana
de São Paulo, conseguiu reverter na Justiça a sua demissão.
Ela foi expulsa da GCM depois de ter sido acusada pelo ex-namorado
de fazer sexo com colegas durante o expediente.
A decisão da 2ª turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(TRT-SP), divulgada nesta quarta-feira (27), retirou o título de "justa
causa" da demissão e determinou o pagamento da recisão contratual.
Os juízes que avaliaram o processo afirmaram que a justa causa não
pode ser aplicada se não houver comprovação indiscutível
do fato.
Na sentença, os juízes consideram que o depoimento do ex-namorado
foi contraditório. O acusador também omitiu que manteve relacionamento
com a funcionária. De acordo com a legislação trabalhista,
a dispensa por justa causa precisa ser provada pelo empregador.
A Prefeitura decidiu demitir C. M. S. baseada nos relatos de que ela
tinha encontros íntimos
com guardas sobre a mesa do refeitório e no banheiro da base. A funcionária
entrou com recurso contra a expulsão em 2004, mas o processo foi julgado
em segunda instância em julho deste ano. A publicação do
edital no Diário Oficil do Estado ocorreu em agosto e até o momento,
a Prefeitura não recorreu da decisão.
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G1, 28 de setembro de 2006
TSE INFORMA QUE CUSTO DAS ELEIÇÕES
SERÁ DE R$ 600 MILHÕES
A Justiça Eleitoral pode gastar até R$ 600 milhões nas eleições
se houver segundo turno em todo o País. O custo é 25% superior
ao das eleições de 2002. Se houver segundo turno para governador
em pelo menos 14 estados, o gasto será de R$ 550 milhões. A estimativa
foi divulgada nesta quarta-feira (27) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo o diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho, o aumento do
custo ocorreu
por fatores como o acréscimo do número de eleitores e de urnas.“A
divisão de algumas seções aumentou o número de urnas
e também houve aumento de 4,5% no número de eleitores em relação à eleição
passada”, explicou.
Urnas apuradas
O TSE espera que, até a meia-noite de domingo, quase todas as urnas estejam
apuradas. Na primeira parcial após o encerramento da votação, às
19h, a expectativa é que a apuração seja de pelo menos 30%
das urnas. “Temos tudo para chegar à meia-noite com 90% das urnas
apuradas”, garantiu Athayde Fontoura Filho.
O diretor do TSE explicou que divulgação dos votos nos estados,
para o cargo de governador, vai começar às 17h, quando termina
a votação. Para presidente, a divulgação começará às
19h, por causa do fuso horário. Em alguns estados, como o Acre, o atraso
em relação ao horário de Brasília chega a duas
horas.
Ele informou também que as urnas passaram de 320 mil em 2002 para 380
mil atualmente. O tribunal preparou 50 mil urnas reservas, em caso de emergência.
A preparação para o pleito já está quase concluída:
90% das urnas já foram carregadas e distribuídas para os cartórios
eleitorais. Por medida de segurança, o transporte será feito de
sábado para domingo. A maior dificuldade é em relação à região
amazônica, onde o transporte das urnas pode levar até dois dias.
Ao todo, três milhões de pessoas vão trabalhar nestas eleições,
direta ou indiretamente – 1,6 milhão serão mesários
e 13 mil pessoas foram contratadas só para este pleito.
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G1, 28 de setembro de 2006
TSE INFORMA QUE CUSTO DAS ELEIÇÕES
SERÁ DE R$ 600 MILHÕES
A Justiça Eleitoral pode gastar até R$ 600 milhões nas eleições
se houver segundo turno em todo o País. O custo é 25% superior
ao das eleições de 2002. Se houver segundo turno para governador
em pelo menos 14 estados, o gasto será de R$ 550 milhões. A estimativa
foi divulgada nesta quarta-feira (27) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo o diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho, o aumento do
custo ocorreu
por fatores como o acréscimo do número de eleitores e de urnas.“A
divisão de algumas seções aumentou o número de urnas
e também houve aumento de 4,5% no número de eleitores em relação à eleição
passada”, explicou.
Urnas apuradas
O TSE espera que, até a meia-noite de domingo, quase todas as urnas estejam
apuradas. Na primeira parcial após o encerramento da votação, às
19h, a expectativa é que a apuração seja de pelo menos 30%
das urnas. “Temos tudo para chegar à meia-noite com 90% das urnas
apuradas”, garantiu Athayde Fontoura Filho.
O diretor do TSE explicou que divulgação dos votos nos estados,
para o cargo de governador, vai começar às 17h, quando termina
a votação. Para presidente, a divulgação começará às
19h, por causa do fuso horário. Em alguns estados, como o Acre, o atraso
em relação ao horário de Brasília chega a duas
horas.
Ele informou também que as urnas passaram de 320 mil em 2002 para 380
mil atualmente. O tribunal preparou 50 mil urnas reservas, em caso de emergência.
A preparação para o pleito já está quase concluída:
90% das urnas já foram carregadas e distribuídas para os cartórios
eleitorais. Por medida de segurança, o transporte será feito de
sábado para domingo. A maior dificuldade é em relação à região
amazônica, onde o transporte das urnas pode levar até dois dias.
Ao todo, três milhões de pessoas vão trabalhar nestas eleições,
direta ou indiretamente – 1,6 milhão serão mesários
e 13 mil pessoas foram contratadas só para este pleito.
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G1, 28 de setembro de 2006
DOSSIÊ: JUSTIÇA DECRETA
QUEBRA DE SIGILO DE 6 SUSPEITOS
A Justiça Federal decretou a quebra do sigilo bancário
e telefônico do ex-assessor especial do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva Freud Godoy e de outros cinco petistas diretamente envolvidos
na compra e divulgação do dossiê que se destinava
a prejudicar candidatos do PSDB. Ontem, a Justiça já havia
determinado a prisão temporária dos seis, mas a Polícia
Federal deixou de cumprir a ordem por causa da lei eleitoral que proíbe
prisões nos cinco dias que antecedem as eleições
e até 48 horas depois do pleito, a não ser em flagrante.
A quebra de sigilo permitirá à PF e ao Ministério Público
identificarem toda a cadeia de comando envolvida no levantamento de fundos, compra
e divulgação do dossiê anti José Serra. Os outros
alvos da quebra de sigilo são o ex-chefe do serviço de inteligência
da campanha à reeleição de Lula, a chamada Abin do PT,
Jorge Lorenzetti; o ex-chefe de gabinete do
Ministério
do Trabalho Oswaldo Bargas, coordenador da área de trabalho e emprego
da campanha de Lula; o ex-diretor de Gestão e Risco do Banco do Brasil
Expedito Afonso Veloso; o ex-agente federal Gedimar Passos e o empresário
Valdebran Padilha.
A ordem de prisão, se for mantida, somente poderá ser cumprida
a partir da zero hora de quarta-feira, dia 4 de outubro. Isso porque a ordem
judicial chegou na madrugada de ontem à Superintendência da PF em
Cuiabá, uma hora e meia depois de a proibição entrar em
vigor, por imposição da Lei Eleitoral.
* Grifos nosso
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Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho |
27/09/2006
CNJ responde à consulta do TST sobre
acumulação de aposentadoria
O magistrado pode acumular subsídios de sua atividade
ou proventos de sua aposentadoria com recursos decorrentes de pensão
parlamentar, desde que a aposentadoria em cargo parlamentar, federal
ou estadual, tenha ocorrido até outubro de 1997. A acumulação
de remuneração ou aposentadoria de magistrado com aposentadoria
concedida pelo INSS decorrente de atividade privada está sujeita
ao teto salarial do funcionalismo público.
A afirmação é do Conselho Nacional de Justiça (CNJ),
em resposta a consulta formulada pelo ministro Rider Nogueira de Brito, vice-presidente
do Tribunal Superior do Trabalho, então no exercício da Presidência.
O relator da consulta, conselheiro Alexandre de Moraes, explicou em seu voto
que a pensão parlamentar de congressista federal concedida pelo extinto
Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC) se enquadra nas exceções
previstas nas resoluções do CNJ relativas ao teto remuneratório
(Resoluções nºs 13 e 14/2006).
Porém, a Lei nº 9.506/1997, que extinguiu o IPC, veda expressamente
a possibilidade da acumulação da aposentadoria a partir da extinção
do IPC com a do regime de previdência social do servidor público,
civil ou militar. Tal disposição foi confirmada pela nova redação
do artigo 40, § 6º da constituição Federal, após
a Emenda Constitucional nº 20/98. O conselheiro ressaltou que o IPC se
caracterizava como entidade fechada de planos de previdência.
No que diz respeito à possibilidade de acumulação de proventos
de magistrado, ativo ou inativo, com aposentadoria concedida pelo INSS oriunda
de atividade privada, a resposta do CNJ foi favorável, desde que seja
obrigatoriamente respeitado o limite constitucional do teto remuneratório
do serviço público (artigo 37, XI), equivalente ao subsídio
dos ministros do Supremo Tribunal Federal, conforme determina o artigo 40, § 11,
da Constituição Federal.
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Vendedor ganha dano moral por pagar “prenda” ao
não cumprir cota
A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho restabeleceu
sentença da Vara do Trabalho de Conselheiro Lafaiete (MG) que
concedeu indenização por dano moral a um vendedor da empresa
Irmãos Farid Ltda. submetido a situações consideradas
vexatórias quando não cumpria cotas de venda estabelecidas
pela empresa, revendedora de bebidas e refrigerante.
O vendedor trabalhou para a distribuidora de 1998 a 2003. Após a demissão,
pleiteou diversas verbas na Justiça do Trabalho, entre elas a indenização
por dano moral. Na reclamação trabalhista, informou que a empresa
o obrigava “a pagar flexões, correr em volta da praça e,
ainda, usar o capacete morcego, isso tudo diante de todos os vendedores, por
ter sido classificado como o pior resultado, o que provocava revolta e indignação
entre os empregados”. Testemunhas explicaram que “o vendedor morcego
era aquele que não cumpria o objetivo, e usava um capacete”. Fotos
juntadas ao processo comprovam o procedimento.
A sentença condenou a empresa à indenização por
dano moral no valor de 50 salários mínimos. “Por tudo o
que consta dos presentes autos, dúvidas não restam do comportamento
execrável, asqueroso, repugnante da empresa, submetendo o trabalhador à humilhação
pública, sempre que não cumprisse as metas estabelecidas”,
afirmou o juiz da Vara do Trabalho. “Para completar a situação
absurda, quando os vendedores atingiam as metas, cabia aos gerentes e supervisores
a deplorável tarefa, ficando livres apenas do ‘capacete de morcego’.” O
juiz registrou ainda que não se tratava de uma situação
esporádica, pois, no mesmo mês, havia realizado duas audiências
com reclamações idênticas.
O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais), porém,
reformou a sentença e excluiu a condenação por dano moral. “Pode-se
dizer tratar-se de uma brincadeira de mau gosto, mas apontar para ato de humilhação,
com a idéia de rebaixamento moral, de vexame, afronta ou ultraje à dignidade
das pessoas dos empregados, vai uma distância muito grande”, afirmou
o acórdão. O TRT ressaltou ainda que as brincadeiras não
eram impostas pela empresa. “Tudo leva a crer que tal ‘criação’ partiu
dos próprios empregados, como uma motivação e incentivo
para as vendas”, diz a decisão regional, assinalando que a situação
era bastante diferente daquelas impostas aos cadetes das Forças Armadas, “onde
o exagero chega às seqüelas físicas”, e dos trotes
universitários, “pois nestes há, sim, o nítido objetivo
de rebaixar moralmente a pessoa”.
Ao recorrer ao TST, o trabalhador insistiu que a empresa o obrigava a pagar
as “prendas” e pediu a elevação da indenização
para 300 vezes o valor da última remuneração. Para a relatora
do recurso de revista, ministra Maria Cristina Peduzzi, constatou “a
presença de todos os elementos hábeis a justificar a punição
da empresa”. A interpretação do TRT de que as “prendas” eram
criadas pelos próprios vendedores, sem imposição da empresa,
não a isenta da responsabilidade. A Súmula nº 341 do Supremo
Tribunal Federal, mencionada pela relatora, diz que “é presumida
a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto”.
No entendimento da ministra Cristina Peduzzi, o dano causado por um empregado,
desde que verificado no exercício das funções que lhes
foram confiadas, é de responsabilidade do empregador, independentemente
de qualquer questionamento sobre a culpa deste último. “Trata-se
de hipótese de responsabilização objetiva por ato de terceiro”,
afirmou em seu voto. “A circunstância de as prendas serem preparadas
e realizadas pelos próprios empregados não isenta a responsabilidade
da empresa. A participação de gerentes constitui indício
de que esta era conivente com tais práticas”, concluiu.
Com relação ao pedido de elevação do valor da indenização,
a Turma, seguindo o entendimento da relatora, concluiu que o valor fixado – 50
salários mínimos – é suficiente para reparar o dano
sofrido, atendendo também ao caráter pedagógico da penalidade,
e considerou excessivo o valor pedido. (RR 328/2004-055-03-00.0)

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