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JORNAL O GLOBO ONLINE,
29 de setembro de 2006
Construção civil diminuiu
número de vagas em agosto
RIO - O setor da construção
civil abriu 38% menos vagas em agosto, em relação a julho,
de acordo com estudo feito pelo Sinduscon-Rio, o sindicato da indústria
da construção civil. Em julho, pelo Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho
e Emprego, foram abertas 24.640 vagas com carteira assinada pelo setor.
Em agosto, a criação baixou
para 15.283 postos. Assim, a participação no conjunto
de atividades econômicas nas vagas totais abertas baixou de 16%
para 12% de um mês para o outro:
— Embora reduzindo o ritmo de
abertura de postos de trabalho, o resultado de agosto ainda reflete
o ambiente favorável da construção civil este
ano, principalmente, devido ao crescimento expressivo do crédito
imobiliário — disse Antônio Carlos Mendes Gomes,
diretor-executivo do sindicato.
No ano, foram abertas 118.839
vagas na construção, uma alta de 30% sobre o mesmo
período do ano passado, quando foram criados 91.206 postos.
Nos últimos 12 meses, essa criação de emprego
foi mais que o dobro que o mesmo período do ano passado: 112.686
contra 51.912.
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JORNAL DA CIDADE DE BAURU,
29 de setembro de 2006
Construção civil tem
30% de informais
Para sindicatos patronal e dos empregados,
irregularidades motivam acidentes de trabalho; total de mortes caiu
em Bauru
Lucien Luiz
Quase a metade dos profissionais que atuam
na construção civil em Bauru e região não
tem registro em carteira de trabalho. O Sindicato dos Trabalhadores da
Construção Civil do município estima que 30% dos
8.500 operários do setor em Bauru e região prestam serviços
na informalidade.
Segundo Cláudio da Silva Gomes,
presidente da instituição, a região de Bauru apresenta
o menor índice de serviços informais no Estado na área
de construção civil. “A média nacional é de
70%. Nós estamos abaixo dela, principalmente pela fiscalização
conjunta entre o Sindicato dos Trabalhadores e o Ministério do
Trabalho”, destaca.
Ralph Ribeiro Júnior, presidente
do Sindicato das Indústrias da Construção Civil
(Sinduscon) em Bauru e região, considera que a informalidade prejudica
o desenvolvimento do setor.
“Esse é o grande mal da construção
civil. Essas empresas não recolhem nenhum tipo de imposto, contratam
pessoal por preço abaixo do mercado, competindo deslealmente com
quem está na formalidade”, avalia.
Além das irregularidades trabalhistas,
as firmas informais também não oferecem condições
de trabalho para os funcionários, especialmente no que diz respeito à segurança.
Gomes acredita que 50% dos empregados na construção civil
em Bauru e região trabalham sem os equipamentos de segurança
necessários e previstos em lei.
“As empresas que já têm
tradição no setor da construção civil (as
formais) oferecem os equipamentos e exigem que o funcionário use.
Mas atualmente, temos um grande número de empreiteiros que atuam
na informalidade e, como conseqüência, improvisam tudo, inclusive
a forma de trabalho dos operários”, comenta.
Ontem, por exemplo, o pintor Ademir Rodrigues
Falcão, 47 anos, despencou de um andaime de sete metros de altura
depois de esbarrar a ferramenta metálica que usava no fio de alta
tensão (leia ao lado).
De acordo com informações
dos operários que presenciaram o acidente, ele não usava
equipamentos de segurança, o que foi confirmado pelo Sindicato
dos Trabalhadores da Construção Civil e pelo Corpo de Bombeiros.
Atualmente, de acordo com o Sindicato
dos Empregados da Construção Civil, Bauru possui cerca
de 350 canteiros de obras, entre construções de grande
e pequeno porte. Segundo o presidente da entidade, a fiscalização
nesses locais é constante e diária, porém nem sempre é possível
dar conta de toda a demanda.
“Bauru é uma cidade que cresce
muito e, por isso, tem muita construção, inclusive de pequeno
porte, cujas empresas estão na informalidade. Isso faz com que
muita coisa escape da nossa vigilância”, ressalta.
Na opinião de Ribeiro, presidente
do Sinduscon, as empresas informais são reflexo da alta carga
tributária praticada no País. “Com uma menor carga
tributária, é óbvio que ninguém estaria nessa
realidade. Mas os tributos são tão altos que os empresários
preferem correr riscos na informalidade”, observa.
O Sinduscon realiza em toda a sua área
de abrangência na região de Bauru o programa Segurança
no Trabalho. Até agora, segundo Ribeiro, são dez empresas
que voluntariamente participam.
Acidentes fatais
Nos últimos cinco anos, conforme
o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, o número
de acidentes fatais no setor, em Bauru e região, declinou de quatro
para dois, anualmente. Nesse período, 12 operários morreram.
Onze foram vítimas de queda após receberem descarga elétrica
de fio de alta tensão.
Ralph Ribeiro, presidente do Sindicato
das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon) de
Bauru e região, diz que o setor seguiu essa tendência de
queda em todo o País. De acordo com ele, de 2004 para 2005 ocorreram
54% menos acidentes fatais nas empresas associadas ao Sinduscon.
Cláudio da Silva Gomes, presidente
do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Bauru
e Região, lembra que em muitos casos, são os trabalhadores
que dispensam o uso dos equipamentos de segurança.
Estado grave
Ademir Rodrigues Falcão, 47 anos,
caiu de uma altura de aproximadamente sete metros quando pintava a fachada
de um supermercado na rua 1.º de Agosto, ontem de manhã.
Conforme informações dos trabalhadores que presenciaram
o acidente, Falcão sofreu a queda porque recebeu uma descarga
de energia do fio de alta tensão da rua. Ele teria encostado,
acidentalmente, uma ferramenta num dos cabos de energia.
Os operários também disseram
que o pintor não usava nenhum tipo de equipamento de segurança,
o que foi confirmado pelo Corpo de Bombeiros e pelo Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Civil de Bauru e Região.
Falcão, até ontem à tarde,
estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de
Base, em Bauru. Conforme o médico João da Fonseca Júnior,
o pintor sofreu queimaduras em 50% do corpo, teve traumatismo craniano
e ainda quebrou o braço direito. Ele respirava por aparelho, mas
estava consciente.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 29 de setembro de 2006 | Dinheiro
Maioria dos pisos é de 1,5 salário mínimo
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Sete em cada dez pisos salariais
negociados nos acordos coletivos firmados no primeiro semestre variaram de
1 a 1,5 salário mínimo
(R$ 350 a R$ 525), segundo estudo divulgado pelo Dieese.
O piso é o menor valor estipulado como remuneração
para uma categoria ou empresa e pode ser definido segundo critérios
que combinam valor, função, atividade, carga horária,
e outros.
O levantamento do Dieese mostra que cresceu a proporção
de pisos na faixa de 1 a 1,5 salário mínimo em relação
a igual período de 2005. De janeiro a junho de 2005, 53,4% dos
pisos em 240 acordos ficaram nessa faixa. O percentual foi de 68,7% nas
211 negociações salariais estudadas neste ano.
"A valorização do salário mínimo tem
um efeito arrastão nos pisos profissionais. O mínimo é um
referencial para as negociações dos reajustes dos trabalhadores
e ajuda a elevar o valor para as remunerações inferiores.
Por isso, o movimento sindical tem dado atenção especial à recuperação
do poder de compra do mínimo", diz José Silvestre
de Oliveira, supervisor do Dieese em São Paulo.
Nos últimos dois anos, o salário mínimo,
hoje em R$ 350, teve ganho real de 22%.
Na média das negociações,
o valor nominal do piso aumentou de R$ 470,18 para R$ 485,65. Na comparação
com o mínimo, porém, o valor passou de 1,69 salário
mínimo para 1,52 mínimo.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 29 de setembro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula boicota debate na Globo e diz
no ABC que governar com elite é "fardo"
"
Eu não poderia deixar de vir aqui por nada desse mundo", diz
presidente em comício em São Bernardo | Petista também
faz ataques a imprensa e diz que um dia publicará um livro com
maldades escritas contra ele durante o seu governo
DA REPORTAGEM LOCAL
Em seu último comício de campanha, em São Bernardo
do Campo (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não
mencionou sua ausência no debate na TV e voltou ao seu tema preferido
nos últimos dias: criticar a imprensa e a "elite".
"Vocês não sabem o fardo que é governar um
país com uma parte pequena da elite preconceituosa, como a que
temos no Brasil. Preconceituosa, que coloca veneno todos os dias",
afirmou o presidente.
Lula falou do seu tempo de sindicalista, das "biritas" que
os "companheiros" tomavam em sua casa, arrancando risadas e
aplausos do público. São Bernardo é o berço
político do petista. "Eu não poderia deixar de vir
aqui por nada desse mundo", disse, sem se referir ao debate na TV
Globo que ocorria simultaneamente.
Em 35 minutos de discurso, o presidente não mencionou diretamente
a crise do dossiê e recuou do tom de vitória em primeiro
turno, quando disse que iria "matar" as eleições
no domingo. "Se tudo acontecer, como eu penso que vai acontecer,
nós ganharemos as eleições no domingo pela competência.
Com muita humildade e respeito aos meus adversários."
Bastante sorridente, Lula usou de ironia para criticar
a imprensa, de quem disse receber um "tratamento requintado" com gentilezas
e carinhos, e se referiu aos jornalistas como "operários
da comunicação de boa índole". Nesse momento,
ele revelou sua intenção de escrever um livro de desabafo.
"Eu, quando puder, vou publicar um livro sobre alguns articulistas
nesses quatro anos de governo. Vou publicar para ver a quantidade de
maldade que fizeram comigo, a quantidade de coisas que fizeram com a
minha família, e eu, em nenhum momento, reagi", disse.
Misturando elite com a imprensa, o presidente afirmou
que o preconceito contra ele é "questão de pele".
Lula também voltou a criticar o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso, dizendo que o tucano gostaria que só a população
que vota "neles" tivesse direito a voto. Ainda sobre o ex-presidente,
o petista disse ter herdado um país "que diziam quebrado" e
que FHC esperava voltar ao governo "como salvador da pátria" após
seu insucesso no governo.
O presidente abriu seu discurso reclamando da falta
de iluminação
da praça onde foi realizado o comício. Disse que hoje conversaria
com o prefeito de São Bernardo, William Dibb (PSB). "Muito
estranho que só na praça tenha faltado energia. Isso é um
pouco da realidade da política brasileira."
Lula ainda fez criticas à polícia, dizendo que ela "de
vez em quando, continua enganando a sociedade dizendo coisas que não
são verdade". No palco, estavam os deputados José Mentor
e Professor Luizinho (PT-SP), ambos absolvidos pela Câmara no escândalo
do mensalão. Ao lado, o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto,
circulava entre os convidados da Presidência.
Sobre o debate, apenas o vice-presidente da República, José Alencar,
falou com a imprensa. Disse que foi uma escolha pessoal do presidente. "Lula
tem muita experiência em debates. Se ele tivesse ido, com certeza,
teria vencido o debate. Posso lhe garantir", afirmou. (ROGÉRIO
PAGNAN, MATHEUS PICHONELLI E FLÁVIA MARREIRO)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 29 de
setembro de 2006 | Brasil
ICHIRO GUERRA
A carta à Globo
“ Venho agradecer, respeitosamente, o convite desta emissora para participar
do debate sobre as eleições presidenciais, marcado para hoje.
Sou um dos políticos que mais participaram
de debates eleitorais neste país. No entanto, é fato público
e notório o grau de virulência e desespero de alguns adversários,
que estão deixando em segundo plano o debate de propostas e idéias,
para se dedicar, quase exclusivamente, aos ataques gratuitos e agressões
pessoais.
Tenho demonstrado, em toda a minha vida,
compromisso com os princípios democráticos e disposição
para enfrentar qualquer tipo de debate. Somente na TV Globo, participei
de três entrevistas ao vivo no “Jornal Nacional”, no “Jornal
da Globo” e no “Bom Dia Brasil” com perguntas livres
e contundentes. O tom polêmico destas entrevistas, e a maneira
como me comportei, demonstram que não tenho receio de enfrentar
o debate franco e democrático.
Não posso, porém, render-me à ação
premeditada e articulada de alguns adversários que pretendiam
transformar o debate desta noite em uma arena de grosserias e agressões,
em um jogo de cartas marcadas.
Aproveito para reafirmar o meu respeito à TV
Globo e parabenizá-la pelo trabalho isento que vem fazendo na
cobertura destas eleições.”
Luiz Inácio Lula da
Silva
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 29 de setembro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006 / DEBATE
Para Alckmin, "Lula fujão" falta para evitar explicações
Lula repete atitude de FHC em 1998, quando
tucano era líder e concorria à reeleição
| No Rio, o presidenciável voltou a criticar "operação
tartaruga da Polícia Federal" na investigação
do caso do dossiê contra tucanos
CRISTINA TARDÁGUILA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO
O
candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, afirmou
ontem em nota que o adversário petista, Luiz Inácio Lula
da Silva, é "fujão" e "evita debate para
não ter de explicar os escândalos" do mensalão,
dos sanguessugas, dos vampiros e do dossiê contra tucanos.
Para o tucano, "o petista foge da discussão, ignora a opinião
pública e se nega a explicar a corrupção em seu
governo". "Sabendo que sua atitude é vergonhosa, Lula
só avisou a emissora [TV Globo] no início da noite. O petista
já havia fugido dos debates nas TVs Band e Gazeta", afirma
a nota.
Antes do debate, Alckmin fez campanha ontem no calçadão
de Copacabana (zona sul do Rio) sob os gritos de "chega de cuecão,
agora é Geraldão", entoados apenas por seus próprios
cabos eleitorais.
Na frente do hotel Copacabana Palace, Alckmin falou
sobre "uma
grande operação tartaruga" na investigação
da compra do dossiê que envolveria ele e o candidato de seu partido
ao governo de São Paulo, José Serra, no escândalo
dos sanguessugas e disse que acredita no envolvimento de mais pessoas
no caso. "Triste é que, 13 dias depois, ninguém sabe
quem são os donos das contas. Não sabem quem é o
dono do dólar, como é que o dólar entrou no país.
A culpa disso é obvio que é do governo e dessa história
de ter que deixar tudo para depois da eleição. O que tem
a ver eleição com problema criminal?" Segundo Alckmin,
que não citou nomes, há mais envolvidos.
"Tem muito mais gente envolvida nisso. Até agora, só tem
seis ou sete assessores do Lula, a direção do PT, a campanha
toda do Lula, pegando do coordenador da campanha e presidente do partido,
ao churrasqueiro, ao diretor do Banco do Estado de Santa Catarina e o
diretor do Banco do Brasil". O candidato afirmou estar confiante
de que haverá segundo turno. "É impossível
com 35% não ter segundo turno. E mais, continuamos crescendo." Questionado
sobre possíveis alianças em eventual segundo turno, Alckmin
disse só estar "otimista" e que seria "deselegante" com
candidatos especular agora com coisas à frente. Há um ditado
que diz "só tire as sandálias na hora que chegar à beira
do rio", e vai ser assim".
Com sua ausência, Lula repetiu a atitude de Fernando Henrique
Cardoso em 1998, quando o tucano concorreu à reeleição. À época,
o ex-presidente, então favorito nas pesquisas, disputava o segundo
mandato e se recusou a debater. O petista criticou o tucano e disse que
parte da mídia ignorava a eleição.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 29 de setembro de 2006 | Brasil
80% afirmam já ter decidido
em quem votar
DA REPORTAGEM LOCAL
A pesquisa Datafolha realizada anteontem
revela que 80% dos eleitores entrevistados pelo instituto afirmaram já ter
decidido em quem irão votar para presidente no domingo. Outros
19% ainda podem mudar de escolha e 1% não sabe.
Entre os três primeiros colocados,
Heloísa Helena (PSOL) é a candidatada com mais eleitores
que demonstram menor grau de decisão quanto ao voto: 34% deles
afirmam que ainda podem mudar de idéia até domingo. Outros
65% dizem estar totalmente decididos.
Dos eleitores que declararam intenção
de votar em Lula (PT), 84% afirmaram que já estão totalmente
decididos. Entre os eleitores de Geraldo Alckmin (PSDB), esse percentual
chega a 80%. O cenário é desfavorável à candidatura
do tucano, já que ele e os demais concorrentes precisam tirar
pontos do presidente para levar a disputa para o segundo turno.
De acordo com o último levantamento
do instituto, o petista tem 53% dos votos válidos e venceria a
eleição domingo.
Segundo Alessandro Janoni, diretor de
pesquisas do Datafolha, "tanto em um segmento como no outro, o grau
de cristalização, de fixação do voto, está muito
próximo", o que diminui a margem para grandes mudanças
de última hora.
Mas ele ressalta que a fixação
do voto não é definitiva.
No conjunto dos eleitores de Lula, apenas
15% mantêm aberta a possibilidade mudar de candidato. Desse grupo,
52% dizem que, em caso de mudança, o mais provável beneficiado
seria o tucano. Dos que votam em Alckmin, 20% admitem essa possibilidade
de troca.
Os eleitores que têm intenção
de votar em Lula são os que mais demonstram conhecer o número
que devem digitar na urna eletrônica para confirmar o voto domingo.
Quando indagados a respeito, 73% responderam corretamente. Outros 25%
não sabem responder, e 3% citam números errados.
Entre os eleitores de Alckmin, 65% respondem
corretamente, 32% preferem não arriscar um palpite, 2% dão
respostas incorretas.
Espontânea
O percentual dos que dizem, espontaneamente,
que vão votar em Lula, oscilou de 40% para 41%, enquanto o dos
que declararam voto no tucano foi de 21% para 24%. "A espontânea
reflete o voto mais cristalizado, porque a primeira pergunta feita ao
entrevistado", diz Janoni.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 29 de setembro de 2006 | Dinheiro
BC reduz previsão de PIB de
4% para 3,5%
Estimativa diverge da Fazenda e do Planejamento,
que vêem expansão
de 4%, e do mercado financeiro, que espera 3% | Diretor do BC diz que diferenças "são
fatos da vida'; desempenho fraco da agricultura e da indústria
seguram a economia
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Banco
Central reduziu de 4% para 3,5% sua estimativa para o crescimento esperado
para a economia brasileira neste ano. De acordo com o BC, a
expansão do segundo trimestre ficou abaixo do esperado e, por
isso, foi preciso revisar as contas para todo o ano de 2006.
O novo número diverge das previsões do mercado financeiro
(média de 3,09%) e de outras áreas do governo: Fazenda
e Planejamento dizem que esperam alta de 4% do PIB.
Ao anunciar a nova estimativa, porém, o diretor de Política
Econômica do BC, Afonso Bevilaqua, minimizou a discrepância
com os números do Planejamento, anunciados na segunda-feira. "A
interpretação dos indicadores é diferente para cada
analista. São fatos da vida essas diferenças", disse.
Segundo o diretor do BC, o ministério apenas
reduziu em 0,5 ponto percentual -de 4,5% para 4%- sua estimativa para
o crescimento deste
ano, do mesmo jeito que o BC fez -de 4% para 3,5%-, devido ao fraco desempenho
da economia no segundo trimestre deste ano.
Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, repetiu ontem sua previsão
de 4% para o PIB e disse que "é natural que o BC seja mais
conservador" (leia texto na pág. B3).
Mantega e o presidente do BC, Henrique Meirelles,
travam uma disputa por poder na área econômica e, segundo
a Folha apurou, ambos desejam ocupar a Fazenda num eventual segundo
mandato de Lula.
Juros
Bevilaqua também negou que o crescimento deste ano vá ser
mais fraco do que o esperado devido a uma eventual demora do BC em reduzir
os juros. "É maior do que o crescimento médio registrado
na última década, mas é menor do que aquele que
todos nós nesta sala e fora desta sala gostaríamos que
fosse", disse o diretor do BC.
A taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano, tem sido reduzida
pelo BC desde setembro do ano passado, quando estava em 19,75%. Ainda
assim, a queda
dos chamados juros reais -descontada a inflação- foi mais
moderada. Juros altos inibem o consumo e os investimentos.
Nas contas do BC, os juros reais se encontram, hoje,
em cerca de 9,1% -considerando as projeções do mercado financeiro para os
juros e para a inflação nos próximos 12 meses. Entre
janeiro e setembro deste ano, a taxa real média foi de 10%, enquanto
a média entre 2004 e 2005 foi de 11,5%.
De qualquer forma, Bevilaqua diz que o corte nos
juros feito até agora
ainda não surtiu efeito por completo na economia, o que abriria
a possibilidade de um desempenho melhor de agora em diante.
Entre os motivos do crescimento mais fraco do segundo
trimestre, o diretor do BC apontou, entre outros, a Copa do Mundo -que
fez com que muitas
empresas interrompessem suas atividades em dias de jogos do Brasil- e
a greve dos fiscais da Receita Federal -que teria atrapalhado o fluxo
de comércio exterior no país.
Boa parte da revisão feita pelo BC se deve a uma redução
na estimativa de crescimento da indústria, que caiu de 5,4% para
4%. O setor responde por cerca de 35% do PIB do país.
Outro setor que deve segurar o PIB é o do agronegócio.
O BC citou o fraco desempenho das produções de leite e
de aves como o fator que mais pesou na revisão das projeções.
Pelos novos cálculos, o setor deve crescer 3% neste ano, e não
3,6%, como anteriormente previsto.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 29 de setembro de 2006 | Dinheiro
Inflação menor que
prevista gera crítica a BC
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O comportamento da inflação
neste ano tem sido tão favorável que o Banco Central já diz
que não existe nenhuma chance de o IPCA (Índice de Preços
ao Consumidor Amplo) ficar acima dos 6,5% fixados como teto da meta pelo
governo. Pelo contrário, o BC vê uma possibilidade de aproximadamente
20% de a alta dos preços ficar abaixo dos 2,5% do piso da meta.
Os números foram apresentados ontem
pelo diretor de Política Econômica do BC, Afonso Bevilaqua.
Segundo ele, caso a taxa Selic caia para 14% ao ano até dezembro
-está hoje em 14,25%- e a cotação do dólar
se estabilize em R$ 2,20, o IPCA deve ficar em 3,5%. O centro da meta é de
4,5%, com intervalo de dois pontos para cima ou para baixo.
O diretor do BC nega, porém, que
o fato de a expectativa de inflação estar abaixo do centro
da meta seja um sinal de que o BC foi excessivamente conservador nos
juros. "Não dá para controlar a inflação
ponto por ponto. Se o BC tivesse esse controle, ela nunca sairia dos
4,5%."
Analistas divergem na avaliação
sobre a política do BC. Para o economista Reinaldo Gonçalves,
da UFRJ, "uma política monetária como essa arrebenta
qualquer economia". Ele classificou o BC de "paranóico
e irresponsável" por fixar os juros tendo como base só a
inflação, sem considerar também o nível de
atividade. "Muitos países crescem mais com a inflação
igual à nossa."
Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do
BC e economista da Confederação Nacional do Comércio,
afirmou que, de fato, a economia poderia ter crescido mais caso os juros
tivessem caído mais rapidamente. Mas ressaltou que a inflação
deste ano surpreendeu e ficou bem abaixo do esperado. "A previsão
de inflação do BC não foi das melhores", disse.
Raciocínio semelhante foi feito
por Joel Bogdanski, economista do Itaú. Para ele, o comportamento
da inflação neste ano teria permitido uma queda mais forte
nos juros, mas era difícil para o BC fazer esse tipo de avaliação
com as informações que estavam disponíveis meses
atrás. "Sabendo como foi o passado, é fácil
falar."
Bogdanski disse, porém, que as
decisões do BC poderiam ter sido melhores se as reuniões
do Copom (Comitê de Política Monetária) ainda fossem
uma vez por mês, e não a cada 45 dias, como começou
a ocorrer neste ano. "Seria mais condizente com a realidade do Brasil",
disse.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 29 de setembro de 2006 | Dinheiro
Produção da indústria
de SP tem alta de 0,6%
KAREN CAMACHO
DA FOLHA ONLINE
O nível de atividade da indústria
de transformação do Estado de São Paulo teve alta
de 0,6% em agosto na comparação com julho, segundo dados
com ajuste sazonal, que elimina características específicas
de cada mês. A informação é de pesquisa divulgada
por Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo)
e Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo).
Sem ajuste sazonal, a produção
industrial de agosto sobre julho registrou alta de 5,2%. Na comparação
com agosto de 2005, ela cresceu 3,2%. Com o resultado do mês passado,
a indústria paulista acumula no ano crescimento de 3,3% no nível
de atividade em relação ao mesmo período de 2005.
O desempenho de julho foi revisado
pelas entidades. Inicialmente, a pesquisa apontou queda de 0,3%, com
ajuste sazonal, do INA (Indicador do Nível de Atividade). Porém,
dados revisados pela Fiesp e pelo Ciesp mostram que houve estabilidade
na comparação com junho.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 29 de setembro de
2006
Riqueza do país soma R$ 508,7
bi no 2º trimestre
Números do Produto Interno Bruto
foram divulgados ontem; desaceleração da economia põe
em risco as metas de crescimento para este ano
Rio de Janeiro - O Produto Interno Bruto
(PIB) brasileiro, soma das riquezas produzidas por um país, totalizou
R$ 508,7 bilhões no segundo trimestre do ano, segundo dados divulgados
ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nos primeiros três meses deste ano,
o PIB somou R$ 478,9 bilhões. No segundo trimestre de 2005, alcançou
R$ 480,1 bilhões. Há cerca de um mês, o IBGE havia
divulgado que a economia brasileira registrou uma expansão de
apenas 0,5% no segundo trimestre em relação aos três
primeiros meses deste ano.
O resultado fraco foi puxado pela indústria
e pôs em risco, segundo diversos analistas, a meta do governo Lula
para a expansão econômica deste ano, de 4%. Ontem o Banco
Central reduziu sua previsão de alta do PIB para 3,5%.
Entre abril e junho, o consumo das famílias
significou R$ 282,2 bilhões, segundo o IBGE. Os investimentos
representaram R$ 102,2 bilhões e o consumo do governo somou R$
94,2 bilhões. Os impostos foram responsáveis por R$ 54,9
bilhões.
Na análise por setores, a indústria
contribuiu com o equivalente a R$ 184,4 bilhões. Já a agropecuária
e os serviços somaram 37,9 bilhões e R$ 252,9 bilhões,
respectivamente.
A taxa de investimento correspondeu a
20,1% do PIB no segundo trimestre. Trata-se da maior taxa desde 1997
para esse trimestre. No mesmo período do ano passado, havia sido
de 19,9%. Já a taxa de poupança chegou a 23,2% do PIB,
o que representa uma queda de 0,7 ponto percentual em relação
ao segundo trimestre de 2005 (23,9%).
Impostos - O total de tributos pago pelos
contribuintes brasileiros aos três níveis de governo alcançou
novo recorde no primeiro semestre do ano. A carga tributária foi
de 39,79% do PIB, segundo cálculos feitos pelo Instituto Brasileiro
de Planejamento Tributário (IBPT).
Com base nesse percentual já alcançado,
o IBPT prevê que a carga tributária baterá novo recorde
neste ano, superando em cerca de um ponto percentual a de 2005, de 37,82%
do PIB. Nos últimos 12 meses até junho, a carga fiscal
está em 38,18% - também novo recorde.
O IBPT chegou aos 39,79% dividindo o PIB
do semestre, de R$ 987,12 bilhões, pelos R$ 392,78 bilhões
da receita tributária total. O instituto calculou que a arrecadação
tributária cresceu R$ 33,09 bilhões em valores nominais
no semestre (alta de 9,20%). Em valores reais (descontada a inflação
pelo IPCA), o aumento foi de 5,04%, ou R$ 18,85 bilhões.
A maior parte do aumento nominal do bolo
tributário (R$ 33,09 bilhões) foi abocanhada pela União
(governo federal), que ficou com R$ 22,50 bilhões. A seguir vieram
os Estados, com R$ 8,73 bilhões, e os municípios, com R$
1,87 bilhão.
A carga tributária per capita
subiu 8,97%, para R$ 2.133 no semestre - ou R$ 176 a mais do que no
mesmo período de 2005. No ano, deverá ser de R$ 4.380
(mais R$ 393 em relação a 2005), estima o IBPT. Os contribuintes
pagaram R$ 2,17 bilhões em tributos por dia, R$ 90,42 milhões
por hora, R$ 1,5 milhão por minuto ou R$ 25,11 mil por segundo.
Folhapress
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 29 de setembro de
2006
FGTS
As empresas em débito com o Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço interessadas em parcelar a dívida
em condições especiais devem ficar atentas ao período
dado pela Caixa Econômica Federal. O prazo termina hoje. Podem
ser parcelados quaisquer valores com o FGTS, independente do mês
a que se refiram. Os formulários a serem preenchidos pelos solicitantes
estão disponíveis nas agências da Caixa e no site
(www.caixa.gov.br), que também traz a relação de
documentos que a empresa tem que apresentar.(Graffo/São Paulo)
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
29 de setembro de 2006
Trabalhadores recorrem mais à Justiça
Rio de Janeiro - No ano passado, quase 2 milhões de trabalhadores procuraram
a Justiça para garantir seus direitos. O número foi 9% maior
do que em 2004, de acordo com a estatística anual realizada pelo Tribunal
Superior do Trabalho (TST). Pelas contas do tribunal, esses processos e as
negociações que terminaram em acordo entre empregados e empregadores
resultaram em pagamentos que ultrapassam os R$ 7 bilhões.
Para o presidente da Associação
Nacional de Magistrados do Trabalho (Anamatra) José Nilton Pandeló,
o brasileiro está mais consciente de seus direitos e mais perto
da Justiça. Segundo ele, entre 2003 e 2005, quase 250 varas do
Trabalho foram implantadas em todo o País. ''O Estado na figura
do juiz está mais próximo do cidadão, mais próximo
do conflito. Isso explicaria o significativo aumento dos trabalhadores
que buscaram a justiça trabalhista'', afirmou.
Apesar dos aspectos positivos, Pandeló afirmou
que a maior procura pelos tribunais também foi estimulada por
falhas da legislação brasileira. O presidente da Anamatra
alertou que as deficiências na fiscalização de leis
trabalhistas podem abrir brechas para medidas ilegais, como a terceirização
de pessoal para eliminar gastos.
''A contratação de
mão-de-obra, por exemplo, por intermédio de uma outra
empresa deve ser usada para garantir maior eficiência à produção.
O problema é que, atualmente, diversos grupos econômicos
optam pela terceirização com o objetivo de reduzir custos,
como gastos com pagamento de funcionários'', explica. Na avaliação
do juiz, mesmo nessas condições, é a empresa principal
que deve ser responsabilizada pelos direitos trabalhistas.
Agência Brasil
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 29 de setembro de 2006 | Dinheiro
Parcela fixa para comprar casa começa
em outubro
Para Febraban, modalidade pode deter 20%
da carteira imobiliária em 5 anos | Hoje, essa linha de
crédito não pode usar recursos da poupança
e cobra em média 18% ao ano; expectativa é que nova
regra reduza taxa
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os bancos devem começar a oferecer
os financiamentos habitacionais com prestações fixas no
mês que vem. De acordo com o diretor de Crédito Imobiliário
da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), Natalino
Gazonato, as instituições financeiras estavam esperando
apenas a publicação, feita ontem pelo governo, da taxa
de juros prefixada que será usada nessas operações
para lançar novos produtos no mercado.
Gazonato estima que o empréstimo
com prestações fixas poderá responder por cerca
de 20% do estoque do crédito imobiliário em aproximadamente
cinco anos, caso a economia continue estável, e as taxas de juros,
em queda. Há cerca de R$ 45 bilhões aplicados em financiamentos
imobiliários.
"Os bancos vinham trabalhando [desde
que o governo anunciou o pacote] e estão em condições
de oferecer esse tipo de financiamento já em outubro", diz
Gazonato.
O empréstimo habitacional com prestações
fixas foi criado pelo governo no pacote anunciado no início do
mês, e a fórmula da taxa de juros que será aplicada
nessas operações foi publicada ontem pelo Banco Central.
Ela será uma média da TR (Taxa Referencial, que corrige
a poupança) de 90 dias e terá revisões mensais que,
no entanto, serão aplicadas apenas a contratos novos, não
influenciando o financiamento que já tenha sido concedido.
Hoje, a regra no mercado são operações
com taxa de juros pós-fixadas -a cada mês o valor da prestação é calculado
com base na variação da TR e juros anuais de 12%.
Com isso, quando há aumento na
taxa Selic, a TR sobe, e, com ela, a prestação da casa
própria. No extremo, o mutuário pode acabar com um financiamento
muito acima de sua capacidade de pagamento.
A vantagem nesses financiamentos é que,
em momentos de redução dos juros, como vem ocorrendo desde
setembro do ano passado, a TR também cai e a prestação
mensal diminui.
Os empréstimos com prestações
fixas que já são feitos pelos bancos têm uma taxa
de juros de cerca de 18% ao ano, muito acima do que é cobrado
de quem tem prestações variáveis. É que os
bancos não tinham autorização do governo para usar
recursos da poupança nessas operações. Com o pacote
habitacional, essa regra mudou e as instituições financeiras
poderão cobrar juros mais próximos dos 14% anuais dos financiamentos
pós-fixados.
Para quem tomar um empréstimo na
nova modalidade, a grande vantagem será a previsibilidade nos
pagamentos mensais. Como a taxa de juros que valerá por todo o
período do contrato será definida no momento da assinatura,
o mutuário estará protegido de qualquer oscilação
na taxa de juros. Ele terá ganho se a Selic subir, mas poderá pagar
mais juros do que um mutuário com prestações variáveis,
caso a taxa caia.
O governo aposta que a concorrência
entre os bancos fará surgir um outro tipo de financiamento imobiliário,
ainda mais vantajoso para o mutuário: com taxa de juros fixas,
sem indexação à TR. Na avaliação de
Gazonato, os bancos vão competir pelos clientes que querem comprar
a casa própria e devem, de fato, oferecer vantagens como prazo
mais longo, valor de financiamento mais elevado e até juros mais
baixos.
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AGÊNCIA CÂMARA,
29 de setembro de 2006
Proposta cria pensão alimentícia
para gestante
Tramita na Câmara o Projeto de Lei
7376/06, do Senado, que cria pensão alimentícia para a
mulher grávida, da concepção ao parto. Pela proposta,
o futuro pai deverá compartilhar com a gestante, na proporção
dos recursos dos dois, as despesas adicionais do período de gravidez,
como aquelas relacionadas a alimentação especial, assistência
médica e psicológica, exames complementares, internações,
parto e medicamentos.
O projeto estabelece que, na petição
inicial, necessariamente instruída com laudo médico que
ateste a gravidez e sua viabilidade, a gestante indicará as circunstâncias
em que a concepção ocorreu e as provas que tem para garantir
o que diz. Deverá apontar, ainda, o suposto pai, sua qualificação,
quanto ganha aproximadamente ou os recursos de que dispõe, e expor
suas necessidades.
Provas da paternidade
Após receber a petição,
o juiz designará audiência de justificação
em que ouvirá a gestante e fará uma análise preliminar
das provas da paternidade, podendo tomar depoimento do suposto pai e
de testemunhas e requisitar documentos. Convencido da existência
de indícios da paternidade, o juiz fixará a pensão,
que perdurará até o nascimento da criança. Para
isso, ele deverá considerar as necessidades da gestante e as possibilidades
do futuro pai. Depois que o bebê nascer, a pensão será revertida
em favor do menor até que uma das partes solicite a sua revisão.
Ainda de acordo com a proposta, o suposto
pai será citado para apresentar resposta em cinco dias. Se negar
a paternidade, deverá ser feito o exame pericial pertinente. Em
caso de resultado negativo do exame de paternidade, a autora da ação
responderá pelos danos materiais e morais causados ao réu.
A pensão será devida desde a data da citação
do réu.
Necessidades especiais
O senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA),
autor da proposta, lembra que já há jurisprudência
no Brasil para o pagamento de pensão alimentícia durante
a gravidez, "com vistas a assegurar o mínimo necessário
durante o período da gestação, que é, por
natureza, um período conturbado, em que a mulher possui necessidades
especiais". Para ele, a medida vai permitir que a gestante sem recursos
realize os exames de pré-natal, contribuindo para a melhoria da
sua saúde nesse período e reduzindo a mortalidade infantil.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter
conclusivo e em regime de prioridade, será analisado pelas comissões
de Seguridade Social e Família; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de setembro de 2006
Impugnação precoce
Lula não precisa rever atualização
de salários de 2004
O Supremo Tribunal Federal não
acatou pedido do PSDB para que o presidente Lula fosse obrigado a rever
a remuneração dos servidores públicos federais de
2004.
O PSDB buscava, por meio da Ação
Direta de Inconstitucionalidade, obrigar o presidente da República
a cumprir a revisão geral anual da remuneração dos
servidores públicos, conforme prevê o artigo 37, inciso
X, da Constituição Federal. A revisão é preceito
constitucional que deve ser cumprido pelo presidente que, de acordo com
o partido, não remeteu projeto de lei para tratar do assunto em
janeiro de 2004.
Nesta quarta-feira (27/9), o relator,
ministro Carlos Ayres Britto, considerou que, quando a ADI foi ajuizada,
em setembro de 2004, ainda havia prazo para o presidente da República
suprir a suposta omissão apontada pelo PSDB. Para o ministro,
a impugnação contra o presidente da República foi “precoce,
prematuramente ajuizada”.
ADI 3.303
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/09/2006
TST reconhece legitimidade de MPT em ação
civil pública
A Quarta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho (TST) decidiu, por maioria de votos, que o Ministério
Público do Trabalho (MPT) tem legitimidade para propor ação
civil pública pretendendo ver declarada a ilegalidade de contratação
fraudulenta de trabalhadores rurais, via cooperativa, pela empresa Sucocítrico
Cutrale Ltda.
A iniciativa da ação civil
pública por parte do MPT baseou-se em relatório de fiscalização
realizada pela Subdelegacia do Trabalho de Uberlândia, que constatou
diversas irregularidades na contratação de mão-de-obra
para colheita de laranja, em uma das propriedades rurais da Cutrale.
Os fiscais do trabalho constataram a presença
de vários trabalhadores sem registro na Carteira de Trabalho.
A empresa alegou que se tratavam de associados de cooperativa de trabalho
rural, porém não comprovou tal afirmativa. Consta do relatório
que a empresa pagava à cooperativa R$ 0,52 por caixa de laranja
colhida, sendo que deste valor apenas R$ 0,18 eram repassados ao trabalhador “associado”.
Várias irregularidades foram constatadas
também na área de Medicina e Segurança do Trabalho,
tais como falta de exames médicos admissionais, uso de um mesmo
recipiente para beber água pela coletividade dos trabalhadores
e falta de implementação do Programa de Prevenção
de Riscos Ambientais.
Com a finalidade de buscar uma solução
administrativa para os problemas, o MPT propôs à empresa
a assinatura de um termo de compromisso, no qual se comprometeria a contratar
os trabalhadores safristas diretamente ou por meio de empresas prestadoras
de serviço.
A empresa negou-se a assinar o documento
nos termos propostos, dizendo que somente o faria em conjunto com todos
os produtores rurais do Estado de Minas Gerais, sob pena de discriminação
e ofensa ao princípio da igualdade protegido pela Constituição
Federal. Ante à recusa, o MPT propôs a ação
civil pública com o objetivo de compelir a Cutrale a registrar
os trabalhadores contratados nas fazendas Cocal, Rio Verde e Mundo Novo,
de sua propriedade, e a “fornecer aos trabalhadores da lavoura água
potável em condições higiênicas e em quantidade
compatível com o desgaste fisiológico do trabalho executado”.
Em constestação, a empresa
alegou, dentre outros argumentos, a ilegitimidade passiva do MPT para
propor a ação. A Vara do Trabalho de Ituiutaba (MG) julgou
a ação parcialmente procedente, condenando a empresa a
abster-se de fazer contratações nos termos como vinham
sendo firmadas. Insatisfeita, a Cutrale recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais).
O TRT/MG deu provimento ao recurso da
empresa, reconhecendo a ilegitimidade do MPT que, por sua vez, recorreu
ao TST. O ministro Milton de Moura França, relator do processo,
em um minucioso voto, reformou a decisão, reconhecendo a legitimidade
do MPT e determinando o retorno dos autos ao TRT/MG para apreciação
do mérito.
De acordo com o entendimento do ministro
Moura França, “a contratação de trabalhadores
rurais, via cooperativa de trabalho, que, na verdade, atua como típica
empresa fornecedora de mão-de-obra, sem garantir aos trabalhadores
a proteção decorrente de uma relação de emprego,
contrasta flagrantemente com os princípios constitucionais que
asseguram, expressamente, a busca do pleno emprego, que proclamam a dignidade
da pessoa humana, e afirmam a necessidade de se prestigiar os valores
sociais do trabalho”.
Segundo o ministro, o mérito da
questão deve ser examinado pelo TRT porque “a pretensão
do Ministério Público do Trabalho de ver declarada a ilegalidade
desse procedimento fraudatório dos direitos constitucionalmente
assegurados aos trabalhadores, com pedido expresso de cominação
de multa e proibição de contratação de trabalhadores,
via cooperativa, por parte da reclamada, identifica-se como típico
e inconfundível interesse coletivo, na medida em que abrange grupos
de empregados que estão intimamente ligados à tomadora
dos seus serviços por uma relação jurídica
base, sendo adequada a ação civil pública para seu
exame”.
Ainda de acordo com o voto do ministro
Moura França, mesmo que se pudesse vislumbrar que a hipótese é de
direitos individuais homogêneos, como declarou o TRT/MG, ainda
assim, a ação civil pública seria o meio processual
adequado. O ministro embasou seu entendimento em uma decisão do
Supremo Tribunal Federal, que reconhece que os direitos individuais homogêneos
constituem uma subespécie de interesses coletivos. (RR-775.008/01.2).

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