 |
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 01 de outubro de 2006 | Dinheiro
Projeto de lei dará mais de
R$ 1 bi do FAT a qualificação
Ao menos 8% dos recursos do fundo seriam
investidos em ações para o emprego | Objetivo é determinar
em lei percentual mínimo para verbas em programas para qualificar
mão-de-obra e de recolocação no mercado
JULIANNA SOFIA
IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério do Trabalho prepara
um projeto de lei para garantir que ao menos 8% dos recursos do FAT
(Fundo de Amparo ao Trabalhador) sejam investidos no Sistema Público
de Emprego, que reúne programas de qualificação
de mão-de-obra e recolocação do trabalhador no
mercado. A determinação em lei do percentual permitirá que
mais de R$ 1 bilhão seja aplicado anualmente nessas ações.
A estimativa do ministério é que,
neste ano, sejam destinados R$ 550 milhões do FAT ao conjunto
dos programas. "É preciso definir em lei, como estão
definidos na legislação percentuais para gastos na saúde
e na educação. Temos de fazer a discussão com
o Congresso. A gente quer ter isso [8%] como parâmetro legal",
afirmou à Folha o secretário de Políticas Públicas
de Emprego do ministério, Remígio Todeschini.
Segundo o secretário, a proposta
deve ser encaminhada ao Congresso Nacional depois das eleições.
Nos cálculos do vice-presidente do Codefat (Conselho Deliberativo
do FAT) e representante da Força Sindical no órgão,
Luiz Fernando Emediato, o limite mínimo de 8% corresponde neste
ano a R$ 2,4 bilhões.
Embora atualmente não haja uma
previsão legal, o Codefat tradicionalmente define no orçamento
anual do fundo 8% da receita do FAT para o Sistema Público de
Emprego. O problema é que geralmente esses recursos são
bloqueados pela equipe econômica como uma das formas de atingir
a meta de superávit primário (receitas menos despesas,
exceto os juros da dívida).
Conseguem escapar dos cortes apenas
as despesas obrigatórias com pagamento de seguro-desemprego
e abono salarial -benefícios do Sistema Público de Emprego
que são custeados com recursos do FAT.
"O projeto de lei é uma
boa idéia, mas muito complicado. É só o governo
parar de atrapalhar que fica mais simples", disse Emediato, referindo-se
aos cortes orçamentários.
A opinião é compartilhada
pelo representante da CNC (Confederação Nacional do Comércio)
no Codefat, Roberto Nogueira Ferreira, que se disse "perplexo" com
a idéia. "Chegaria a ser divertido se não fosse
trágico. O orçamento feito no conselho acaba sendo uma
peça de ficção. Será que o próprio
governo precisa fazer projeto de lei para que esse percentual seja
aplicado? Gestões internas acabariam facilmente com o problema."
O próprio secretário é crítico
sobre o uso do dinheiro do fundo no ajuste fiscal. "O FAT contribui
fortemente para o ajuste fiscal. É preciso concentrar mais os
recursos do fundo para que sejam fortalecidas as políticas de
emprego para ampliar as metas de geração de vagas no
país", afirmou Todeschini.
Emediato acrescentou que já sugeriu
ao conselho entrar na Justiça questionando a intervenção
do governo nas decisões do Codefat. "O Codefat é um órgão
tripartite e paritário [governo, trabalhadores e empresários].
Reúne-se e aprova um orçamento. O Planejamento reduz
o valor na proposta orçamentária. Depois de aprovado
o Orçamento no Congresso, o governo ainda corta de novo os recursos."
Pressão
No ano passado, durante o 2º Congresso
Nacional do Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda, representantes
dos governos federal, estadual e municipal, trabalhadores e empresários
traçaram como meta tornar obrigatórios os gastos com
o Sistema Público de Emprego.
Também foi definido no encontro
que uma legislação específica deve ser criada
para fixar um percentual mínimo de 8% para aplicação
em ações e programas. Esse limite deveria ser atingido,
progressivamente, em um prazo de cinco anos e incidiria sobre as receitas
primárias do FAT, que vêm da arrecadação
do PIS/Pasep.
Todeschini lembra que, além dos
cortes orçamentários, o dinheiro do FAT hoje é sujeito à DRU
(Desvinculação de Recursos da União). Ou seja,
20% dos recursos do fundo são desvinculados de sua destinação
original e aplicados em outras áreas. "A questão é que
isso [DRU] vem de pai para filho desde o início do século
passado", declara o secretário.
A estimativa do Ministério do
Planejamento é que sejam arrecadados R$ 23,010 bilhões
com as contribuições destinadas ao FAT neste ano. Desse
total, R$ 4,602 bilhões devem ser desvinculados pela DRU.
Com o fim dessa prática, explica
Todeschini, seria possível destinar mais que R$ 1 bilhão
por ano para os programas de intermediação e qualificação
de trabalhadores. Isso porque o percentual de 8% incidiria sobre uma
base maior de recursos do fundo.
|
A VOZ DA CIDADE / RJ, 30
de setembro de 2006 | Economia
Nível de emprego na construção
civil deve aumentar entre 15% e 20%
VOLTA REDONDA - A poucas semanas da eleição,
o governo federal anunciou um pacote de medidas para baratear o preço
dos imóveis. A iniciativa, além de favorecer a população
de baixa renda, deverá aquecer o setor da habitação
e elevar o número de postos de trabalho na construção
civil. Segundo estimativas do Sindicato das Indústrias da Construção
Civil do Sul Fluminense (Sinduscon), o nível de emprego no segmento
deve crescer entre 15% e 20% nos próximos dois anos, período
previsto para que as medidas do governo tomem fôlego e os futuros
mutuários se ajustem às mudanças. Hoje, o setor
emprega entre quatro mil e seis mil trabalhadores na região. Com
a projeção, entre 600 e 700 postos de trabalhos deverão
ser gerados no período.
Na avaliação do presidente
do Sinduscon, Mauro Campos, esses números são animadores
tendo-se em vista o fraco desempenho do segmento nos últimos anos.
Era um desejo antigo dos empresários
do setor e a perspectiva é muito boa para 2007 e 2008. Em termos
habitacionais, acredito que vá se aquecer pela geração
de novos negócios e empregos. Todos os setores sairão ganhando”,
opina o presidente do sindicato, referindo-se a possíveis aumentos
da arrecadação por parte do governo, com novos impostos,
crescimento das vendas de materiais de construção civil
e unidades habitacionais devido à oferta de linhas de financiamento.
Contudo, Mauro Campos alerta que apesar
de as expectativas serem positivas com a flexibilização
no setor de habitação, há um problema que poderá prejudicar
o setor: o baixo salário do trabalhador.
Ainda que haja crescimento na produção,
há pouca demanda, porque o salário do trabalhador continua
o mesmo, por isso é necessário que haja políticas
públicas também voltadas para a melhoria do poder aquisitivo
da população”, ressalta.
Uma das novidades do pacote de habitação
lançado pelo governo é a possibilidade de que o BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financie empresas
para que elas construam imóveis para seus funcionários. “Com
isso, o risco do negócio será do empresário, mas
com o incentivo de bancos públicos e privados há uma maior
segurança ao setor”, comenta. Mauro Campos.
Outra medida é a fixação
da TR (Taxa Referencial). No pacote, o governo permitirá apenas
que os bancos que desejarem deixar de indexar seus empréstimos
a essa taxa possam fazer isso utilizando recursos da caderneta de poupança
para oferecer o crédito.
O pacote também prevê a
liberação de verbas a construtoras para financiar a comercialização
dos imóveis. O dinheiro virá da Caixa Econômica
Federal. A taxa de juros para empreendimentos com unidades residenciais
de valor até R$ 130 mil será de TR mais 9,56% ao ano.
Para empreendimentos de unidades residenciais cujo valor estiver na
faixa entre R$ 130 mil e R$ 350 mil será de TR mais 11,38% ao
ano.
|
JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 02 de outubro de 2006
TSE confirma 2º turno entre Lula
e Alckmin
Os eleitores brasileiros voltam às urnas no próximo dia
29. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição,
teve 48,79% dos votos e não conseguiu encerrar as eleições
neste domingo. Com 98,06% das urnas apuradas, o candidato do PSDB, Geraldo
Alckmin, recebeu 41,43% dos votos e vai ser o adversário de Lula
no próximo turno das eleições 2006.
A candidata do
PSOL, Heloísa Helena,
teve 6,85% dos votos, enquanto o representante do PDT, Cristovam Buarque,
recebeu 2,67%. O TSE (Tribunal
Superior Eleitoral) registrou 2,73% de votos em branco e 5,7% de votos
nulos.
O quadro acima repete as eleições de 2002, quando Lula
também enfrentou um tucano em dois turnos: o ex-ministro da Saúde
José Serra (que venceu hoje a eleição para governador
de São Paulo).
No primeiro turno da eleição de 2002,
Lula teve 46,44% dos votos contra 23,20% de Serra e o derrotou no segundo
turno com 61,27%
dos votos ante 38,73% do tucano.
Até a penúltima pesquisa divulgada pelo Datafolha, no
dia 27 de outubro, Lula tinha 53% dos votos válidos e Alckmin,
35%. Levantamento divulgado ontem pelo instituto, entretanto, já indicava
a possibilidade de segundo turno, com o petista aparecendo com 50% dos
votos válidos e o tucano, com 38%.
Para que um candidato
seja eleito sem a necessidade de realização
de um segundo turno, ele precisa ter 50% mais um dos votos válidos.
Pesquisa do Ibope e do Vox Populi, também divulgadas ontem, apontaram
a mesma tendência do levantamento do Datafolha.
Trajetória
O rescaldo da crise do "mensalão", de 2005, tinha levado
Lula praticamente "à lona", segundo registravam as primeiras
pesquisas eleitorais de 2006, quando marcou suas menores taxas de intenção
de voto.
Nos dois primeiros meses do ano, sua preferência eleitoral caiu
abaixo de 40%, chegando ao "vale" de 33%, segundo a pesquisa
Datafolha dos dias 1º e 2 de fevereiro.
O período coincidiu com a disputa acirrada dentro do PSDB para
decidir quem seria o presidenciável do partido que disputaria
uma eleição aparentemente "ganha" contra um presidente
abalado por uma crise que monopolizou os jornais pelo segundo semestre
de 2005.
Ironicamente, a disputa foi vencida pelo candidato
que sempre teve as perspectivas mais baixas de voto: Geraldo Alckmin,
que até março
mal havia atingido a casa dos 30%.
Lula, no entanto, mostrou uma capacidade de recuperação
que surpreendeu seus adversários e já no final de fevereiro
havia voltado à casa dos 45% de intenção de voto.
Em maio já havia atingido os 49% --segundo pesquisa Vox Populi
dos dias 27 e 28-- e era somente uma questão de tempo para consolidar
sua posição de virtual eleito no primeiro turno.
Esse patamar confortável de votos
possíveis foi mantido
praticamente durante todo o ano e só foi melhorando próximo à reta
final. Já em agosto, vários analistas políticos
cravavam sua vitória neste ano por ampla margem contra seus adversários,
repetindo o desempenho de Fernando Henrique Cardoso, que venceu no primeiro
turno (54,27% dos votos válidos) em 1994 e em 1998 (53,06% dos
votos válidos).
Na visão dos analistas políticos, o programa "Bolsa-Família" de
Lula teve em sua campanha o mesmo efeito do "Plano Real" para
FHC em 1994 e das turbulências econômicas (e da "necessidade" de
continuidade para combatê-las) para o tucano quatro anos depois.
Lula também agiu para "eclipsar" o efeito "mensalão".
Saiu do Palácio do Planalto e rodou o país, em eventos
que priorizaram o contato popular e para as imagens dos telejornais.
Deu certo: durante meses, Lula entrou diariamente no "Jornal Nacional" em
eventos públicos, seja participando de cerimônias ou inaugurando
obras mal saídas do chão.
Dossiê muda perspectivas
A condição aparentemente imbatível do candidato-presidente
somente foi abalada quando explodiu o último escândalo ocorrido
em seu governo: o chamado "dossiêgate".
A tentativa frustrada de compra de um dossiê contra políticos
tucanos por integrantes do PT monopolizou os jornais na reta final de
campanha e assombrou a virtual vitória de Lula no primeiro turno.
Analistas políticos duvidavam, no entanto, que o novo escândalo
político sobrepujasse o carisma do presidente-operário,
sustentado por um amplo programa de benefícios sociais e por uma
retórica popular reconhecida até por seus adversários.
A escalada do "dossiêgate", no entanto, teve o efeito
de minar a "blindagem" de Lula. Seus adversários, principalmente
o tucano Geraldo Alckmin, exploraram os detalhes do noticiário
e lembraram do "mensalão", em um efeito de acumulação
que, aparentemente, convenceu o eleitorado.
O quadro, no entanto, continua favorável ao petista e árduo
para o tucano. Embora a ida ao segundo turno possa ser considerada uma "derrota" para
o PT, que sempre apostou na vitória já no domingo, Lula
mantém uma boa vantagem sobre Alckmin, o que, possivelmente, prefigura
uma repetição de 2002.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 02 de
outubro de 2006 | Brasil
SÃO PAULO
Maluf, Russomanno, Clodovil
e Enéas na liderança
Com 58,84% das urnas apuradas, quem liderava a preferência do eleitor
em São Paulo para o mandato de deputado federal era Paulo Maluf (PP),
com 3,64% dos votos; Celson Russomanno (PP), com 2,77%; Clodovil (PTC), com
2,46%; e Enéas (Prona), com 1,93% dos votos.
Depois de perder as quatro últimas
eleições que disputou, Paulo Maluf lidera a votação.
Ele diz que não teme ser impugnado caso ganhe. “Absolutamente,
porque a injustiça que cometeram contra mim ficou caracterizada
pela decisão do Supremo’’, diz.
Prefeito de São Paulo entre 1993 e 1996, Maluf é réu em
processos criminais por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação
de quadrilha. Responde ainda em ações cíveis por improbidade
administrativa (má gestão pública).
Ao ser eleito, o ex-prefeito ganha foro
privilegiado nos processos criminais. As ações que hoje
são movidas pela Procuradoria Regional da República paulista
passarão para a Procuradoria Geral da República, em Brasília.
As ações cíveis não mudam de instância.
Clodovil Hernandez, 70 anos, já foi
estilista, apresentador de TV, fez musical, teve câncer de próstata
e foi operado. Agora, deve ter uma das maiores votações
do país como deputado federal pelo Partido Trabalhista Cristão
(SP). Como se sente? “Não tenho sensação nenhuma.
Já sou uma vedete. Já tenho fama há muito tempo.
Pra mim, é só um emprego a mais’’, afirma o
novo deputado federal.
Ele diz que a primeira coisa que
fará em Brasília será conhecer sua sala e sua
mesa. “Não tenho projetos. Não nasci lá dentro,
vou ter de aprender tudo’’, diz.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 02 de
outubro de 2006 | Brasil
CONGRESSO-PFL deve ficar com a maior bancada
no Senado e o PMDB terá mais deputados na Câmara
Collor volta como senador e Suplicy passa apertado
por Afif
Fernando Collor está de volta. O velho caçador de marajás
foi eleito senador por Alagoas. O ex-presidente vai ocupar a vaga de Heloísa
Helena (PSol), que preferiu disputar a presidência do que tentar a reeleição
ao Senado. Collor vai retornar a Brasília quase 15 anos depois de ser
afastado por impeachment, acusado de corrupção quando era presidente
da República.
Em São Paulo, Eduardo Suplicy (PT)
venceu, mas enfrentou um competidor difícil: Guilherme Afif Domingos
(PFL). O pefelista liderou boa parte da apuração, mas Suplicy
superou o adversário e vai para o seu terceiro mandato de senador
por São Paulo.
As 27 vagas para o Senado foram definidas. Entre os eleitos estão o
ex-presidente José Sarney (PMDB), que vai cumprir o terceiro mandato
pelo Amapá, o gaúcho Pedro Simon, que também vai para
o terceiro mandato pelo PMDB do Rio Grande do Sul, e Alvaro Dias, pelo PSDB
do Paraná.
Com a escolha dos nomes, o Senado será mais
equilibrado em sua composição partidária. Atualmente,
dos 81 senadores, 44 são de partidos aliados, e 37, de oposição.
Os contrários ao governo Lula devem ganhar ao menos duas cadeiras.
O grande derrotado nas eleições de ontem, que renovam em
um terço (27 cadeiras) o Senado, é o PMDB. O partido elegeu
menos senadores que o PFL. Foram 4 contra 6. E divide a condição
de detentor da maior bancada, status que, em tese, permite indicar o
próximo presidente da casa. A disputa ocorrerá em fevereiro.
Hoje com 20 senadores, o PMDB deve conseguir
eleger quatro representantes para a próxima legislatura, contra
nove do partido que deixarão o Congresso. Ficaria com 15 cadeiras.
Pode ganhar mais duas de acordo com o resultado no segundo turno para
os governos do Maranhão e de Santa Catarina, pois seria beneficiado
com a entrada de suplentes de senadores que sairiam. Apenas no melhor
dos cenários superaria o PFL, pois chegaria a 18 com o retorno
do licenciado Gerson Camata à casa.
Beneficiado na eleição,
o PFL hoje tem três cadeiras a mais. Conseguiu eleger seis senadores,
contra quatro que deixarão a casa. Mas pode perder um, em caso
de vitória de Roseana Sarney no Maranhão.
Já na Câmara
O PMDB deve ultrapassar o PT e se transformar
no maior partido da Câmara dos Deputados. Envolvida na sucessão
de escândalos que atingiu o governo, a legenda do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva deve, na melhor das hipóteses, manter
os 81 representantes.
Mesmo se o PT tiver menos deputados do
que atualmente, Lula não deve ver alterações significativas
na sua base de apoio na Câmara, caso seja reeleito. O encolhimento
do partido e de outros aliados, como PTB, PP e PL, deve ser compensado
pelo crescimento do PMDB, PSB e PC do B, avalia Antônio Augusto
de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
Hoje, o presidente conta com o apoio
de 327 deputados, distribuídos no PT, PMDB, PP, PTB, PL, PSB
e PC do B. O número não leva em conta dissidências
nessas siglas. O cenário mais pessimista para o governo, segundo
o Diap, é a eleição de 300 deputados aliados.
O otimista aponta para 340, o suficiente para aprovação
de emendas constitucionais, que exigem 308 votos.
Ricardo Marques de Medeiros e agências

|
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
01 de outubro de 2006
Voto e suas limitações,
a igualdade política e a transformação social
Edésio Passos
Um dos fundamentos do Estado Democrático
de Direito de nossa República Federativa é o pluralismo
político, que possibilita a ampla expressão político-ideológica
do povo brasileiro, além de assegurar que o poder emana do povo
por meio de representantes eleitos ou diretamente, como determina nossa
Carta Magna (art. 1.º e seu parágrafo único). Essa
soberania popular “será exercida pelo sufrágio
universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos”,
na forma fixada pelo art. 14 da CF/88. Neste sentido, o direito constitucional
do voto se sustenta na igualdade política um voto a cada um
sem qualquer discriminação. Este sistema, alcançado
mediante lutas seculares, possibilita a manutenção da
soberania popular. Por isso, o exercício desse direito é o
desafio de nosso tempo, face as limitações determinadas
pelo poder econômico. O voto é, ainda, instrumento para
a transformação social. Na medida em que se vota face
a realidade específica, em todos os seus aspectos, do político
ao econômico, do social ao cultural, a manifestação
individual, ao ser somada, se transmuda em uma vontade coletiva, majoritária,
que indica o sentido da ação político-administrativa.
Mas o voto, em si, é apenas um dos instrumentos democráticos
e, assim, insuficiente se considerado isoladamente. Após a decisão
de natureza político-eleitoral, a mobilização,
organização e educação da sociedade constituirão
outros instrumentos democráticos que serão garantia da
soberania definida pelo voto e a possibilidade da transformação
social desejada. Se no primeiro plano participação político-eleitoral
cada um pode manifestar sua vontade livremente ao votar, no segundo
plano, o processo de mobilizar-se e organizar-se, nossa sociedade ainda
carece de avanços consideráveis. Por isso, a consciência
política não se define apenas pela decisão unilateral
do voto, mas, e especialmente, pela capacidade que teremos em exigir
as transformações necessárias à efetivação
de uma sociedade efetivamente democrática e igualitária.
As limitações do processo eleitoral e as alternativas de construção
de uma nova civilização são abordados em texto de 2002
por Michael Löwy e Frei Betto: “Há outro valor que, desde
1789, é inseparável dos outros três: a democracia. Não
só no sentido limitado que esse conceito político tem no discurso
liberal/democrático a livre eleição de representantes
a cada tantos anos, na realidade deformada e viciada pelo controle que exerce
o poder econômico sobre os meios de comunicação. Essa democracia
representativa também fruto de muitas lutas populares, e constantemente
ameaçada pelos interesses dos poderosos, como o demonstra a história
da América Latina de 1964 a 1985 é necessária, mas insuficiente.
Necessitamos de formas superiores, participativas, que permitam à população
exercer diretamente seu poder de decisão e controle, como no caso de
orçamento participativo do município de Porto Alegre e do Estado
do Rio Grande do Sul. O grande desafio, do ponto de vista de um projeto de
sociedade alternativa, é estender a democracia para o terreno econômico
e social. Por que permitir, nesse campo, o poder exclusivo de uma elite que
recusamos na área política? Uma democracia social significa que
as grandes opções socioeconômicas, as prioridades de investimentos,
as orientações fundamentais da produção e da distribuição
são democraticamente discutidas e decididas pela própria população,
e não por um punhado de exploradores ou pelas supostas “leis do
mercado” (ou, ainda, variante que já foi à falência,
por um birô político onipotente)”.
PROVIMENTO DO TRT - O Provimento do TRT/PR SGP/CORREG
1/06, firmado pela juíza presidente Wanda Santi Cardoso da Silva e pelo
juiz corregedor Luiz Eduardo Günther, de 1 de setembro de 2006, “dispõe
sobre o pagamento de honorários periciais, nos casos de necessidade
de prova pericial e concessão de assistência judiciária
gratuita” e visa corrigir distorções existentes sobre a
matéria nos juízos de primeiro grau e disciplina questão
essencial para os trabalhadores que não dispõem de recursos para
pagamento de honorários periciais.
PORTAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO -
Foi lançado no dia 19 de setembro, em Brasília, a versão
inicial do Portal da Justiça do Trabalho, reunindo, em um só endereço
na internet, todas as informações sobre processos trabalhistas,
jurisprudência, noticiário de julgamentos. Segundo o TST, “os
serviços serão disponibilizados em dois ambientes, um de colaboração,
com e-mails, mensagens, agenda pessoal, calendários, conferências
e, outro, ambiente de gestão de conhecimento. A versão do Portal
ocorrerá a 1.º de novembro, mas já pode ser acessado em
http://www.portaljt.gov.br.
RECURSO DE REVISTA -
Em vigor a Lei n.º 11.341, de 7 de agosto de 2006, que estabelece a seguinte
redação ao parágrafo único do art. 541 da CLT: “Quando
o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a
prova da divergência mediante certidão, cópia autenticada
ou pela citação do repositório de jurisprudência,
oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que
tiver sido publicada a decisão divergente, ou ainda pela reprodução
de julgado disponível na internet, com indicação da respectiva
fonte, mencionando, em qualquer caso, as circunstâncias que identifiquem
ou assemelhem os casos confrontados”.
CONGRESSO DA ABRAT -
De 16 a 19 de novembro, no Rio de Janeiro, será realizado o XXVIII CONAT
Congresso Nacional dos Advogados Trabalhistas, organizado pela Associação
Brasileira de Advogados Trabalhistas e pela Associação Norteriograndense
de Advogados Trabalhistas. O primeiro evento foi realizado em Porto Alegre,
em 1978, do qual se originou a criação da ABRAT (informações
02161 33169600).
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - “O
percentual dos honorários de advogado deve incidir sobre o bruto da
condenação, inclusive, sobre o quantum da contribuição
previdenciária e do imposto de renda, e não, apenas, sobre o
líquido da condenação” é o que decidiu o
E. TRT MG-1.ª Turma. Segundo informa a redação do site Espaço
Vital, que publica o acórdão na íntegra, “a decisão
adota interpretação segundo a qual a Lei n.º 1.060/50 (que
institui o pagamento dos honorários) utiliza o termo “líquida” para
significar o valor total da dívida trabalhista apurado em liquidação
(sem exclusão de IR e INSS, que, afinal, fazem parte da condenação)
e não o valor líquido a ser recebido pelos reclamantes” (vide
Proc. TRT MG RO 00190 2006 059 03 00 6).
TST E A SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL -
No site do TST a decisão da 2.ª Turma, tendo como relator o ministro
Renato de Lacerda Paiva, a informação de que “a possibilidade
de substituição processual por parte das entidades sindicais
deve ser aceita de forma ampla: “Com efeito, mesmo para aqueles casos
em que a lei restringiu o seu alcance em favor de grupo de associados (artigo
195, parágrafo 2.º, da CLT), o sindicato substituirá, indistintamente,
os empregados integrantes da categoria que representa, independentemente de
serem associados ou não” (vide TST RR 1570 2001 099 03 00 2).
REVISTA DO TRT -
O n.º 56 da Revista do TRT da 9.ª Região inicia nova etapa
em sua trajetória, agora a cargo da EAJ Escola de Administração
Judiciária. Segundo o Diretor da EAJ, juiz Ney José de Freitas, “a
escolha editorial visa acolher os diferentes olhares que se voltam para o Direito
do Trabalho” e visando que a AEJ possa “utilizar esta Revista como
instrumento de difusão do conhecimento jurídico-trabalhista”.
Já a produção jurisprudencial do TRT será disponibilizada
pelo Boletim de Jurisprudência da EAJ. No número em circulação
encontram-se treze artigos de doutrina de magistrados, advogados e procuradores
do trabalho.
Edésio Passos é advogado e ex-deputado
federal (PT/PR).
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 02
de outubro de 2006
FGTS completa 40 anos de criação
Benefício criado em 1966 veio para
garantir ao trabalhador uma indenização por tempo
de serviço; atualmente alíquota da multa é ponto
de discórdia.
O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS) completa 40 anos de criação neste mês. Criado
em 1966, através da lei 5.107, o FGTS veio para garantir ao trabalhador
uma indenização por tempo de serviço e do direito
da estabilidade. Atualmente, 23 milhões de pessoas têm depósitos
mensais do benefício. Desde a sua criação, o fundo
pagou cerca de R$ 251 bilhões em 370 milhões de saques.
Deste total, 67,6% foram para o trabalhador demitido e outros 14,6% para
os que compraram a casa própria. Durante este período,
o FGTS também financiou projetos de moradia e de infra-estrutura.
O FGTS é um benefício importante
para os trabalhadores e, neste ponto, ninguém discorda. O ponto
de discórdia entre empresários e funcionários é a
alíquota da multa paga sobre o saldo do FGTS no momento da rescisão
contratual. Na demissão sem justa causa, o trabalhador tem o direito
de sacar todo o montante depositado no seu fundo de garantia, mais 40%
de multa sobre o valor do saldo, índice pago pelo empregador.
No entanto, os empresários têm que recolher 50% de multa
enquanto, a diferença de 10%, é abocanhada pelo governo.
Para José Ribeiro, presidente do
Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Auditoria, Perícias
e Contabilidade (Sescap-Ldr), a implantação do FGTS é uma
''grande conquista'' dos trabalhadores, tão importante quanto
as férias e o 13º salário. ''Só que o FGTS
foi desvirtuado da sua finalidade e aplicação. O fundo
foi criado para servir como uma poupança forçada, que serviria
como uma reserva para o trabalhador na aposentadoria, mas há casos
que o empregado, quando vê que o saldo está alto, começa
a forçar a sua demissão para sacar o dinheiro'', observa.
Segundo ele, o pagamento do benefício não gera reclamações
por parte do empresariado.
''A alíquota de 8% de recolhimento
poderia até ser aumentada, mas a multa de 40% quando há demissão
teria que ser tirada. O governo não deveria ficar com os 10% (sobre
a multa paga ao trabalhador), está errado, todo o valor da multa
deveria ficar com o funcionário'', observa Ribeiro. Além
do final da multa, ele sugere o fim do vale-transporte. ''O trabalhador
não quer nada por fora, quer é salário. Todo tipo
de benefício pago pago, o funcionário não entende
que faz parte do rendimento'', afirma.
O presidente do Sindicato do Comércio
Varejista (Sincoval), Uzier de Carvalho, também acredita que o
pagamento da multa em casos de demissão deveria acabar. ''O FGTS é muito
importante na vida do trabalhador, mas a multa onera muito as empresas
e o governo subtrai mais um imposto (ficando com os 10% do total da multa
recolhida)'', avalia. Já o presidente da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha
Loures, lembra que o FGTS beneficia o trabalhador com uma espécie
de poupança durante a aposentadoria, além da possibilidade
de uso para aquisição da casa própria.
''Em janeiro próximo, o governo
termina de pagar aos trabalhadores as diferenças do FGTS acumuladas
durante os planos Collor e Verão. Portanto, esperamos que o
governo suspenda, a partir daquele mês, a contribuição
extra de 0,5% mensal e os 10% a mais nas multas rescisórias,
criadas por decreto para fazer caixa para pagar os trabalhadores'',
comenta Rocha Loures. Ele acrescenta que o Conselho Temático
de Relações do Trabalho da Fiep já analisou a
questão e a entidade deverá solicitar à Confederação
Nacional da Indústria (CNI) para formalizar o pedido da suspensão
da cobrança ao governo federal.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 02
de outubro de 2006
Multa da rescisão onera empresas
O advogado Ed Nogueira de Azevedo Júnior lembra que a atual proposta
de reforma trabalhista não traz alteração na forma de
recolhimento do FGTS. ''O empresariado tem a proposta de acabar com a multa
da rescisão contratual porque reduziria os custos, mas os sindicalistas
acreditam que isso estimularia as rescisões'', diz. Segundo ele, o recolhimento
do benefício onera as empresas, mas isso é repassado pelas empresas
no custo final de seus produtos. ''O que fica caro é a rescisão
dos contratos. Em épocas de crise, muitos empresários não
conseguem rescindir os contratos por causa do pagamento da multa'', observa.
Para onerar menos as micro e pequenas
empresas na rescisão dos contratos, a sugestão do advogado é que
fosse aumentada a alíquota de recolhimento do Simples. ''Assim,
esse índice contemplaria a multa na rescisão contratual
da mesma forma como já ocorre com o seguro-desemprego'', exemplifica.
Atualmente, todos os trabalhadores com registro em carteira de trabalho
têm direito ao FGTS e a alíquota de recolhimento é de
8% sobre o rendimento. Somente os trabalhadores domésticos não
têm direito ao FGTS. (F.M.)
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 02
de outubro de 2006
Benefício substituiu estabilidade
O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) foi criado para substituir
uma outra lei: a que garantia estabilidade no emprego aos funcionários
com mais de dez anos de casa ou indenização pagamento de indenização
de um salário por ano, em casa de rescisão contratual. ''Na prática
o que percebíamos é que ninguém passava de dez anos em
um emprego, mas o ponto positivo do FGTS é a obrigação
que as empresas têm que recolher o encargo mensalmente'', afirma João
Batista da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário
de Londrina (Sinttrol).
No entanto, a sua avaliação
o ''ideal'' é que, além do FGTS, houvesse mais uma garantia
contra as demissões imotivadas. ''O FGTS do jeito que está só beneficia
o empregador, que tem o poder de determinador qual funcionário
poderá sacar o seu fundo nos casos da demissão e, nesse
ponto, ele funciona como mais um instrumento de dominação
capitalista. Acredito que o sindicato da categoria ou o própria
trabalhador pudessem ter também essa prerrogativa ao pedir desligamento
da empresa'', salienta Silva.
Já Antônio Soares da
Silva, secretário de Política Sindical do Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do
Mobiliário de Londrina (Sintracon), também acredita que
o saque do benefício poderia ser mais flexível. ''É um
grande benefício para os trabalhadores e não pode acabar'',
comenta. Já o presidente do Sindicato dos Bancários,
Geraldo Fausto dos Santos, afirma que o FGTS é um facilitador
para as demissões. ''É muito pouco para quem perde o
emprego, favorece mais as empresas porque não tem mais a estabilidade.
Teríamos que ter é a garantia de emprego'', diz. (F.M.)
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 01 de outubro de 2006 | Economia
Financiamento em dólares à exportação
cresceu 28%, diz BNDES
Em reais, o crescimento, contabilizado até os últimos
dias de setembro, foi de 12%
Paula Puliti
SÃO PAULO - O presidente do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), Demian Fiocca,
disse nesta sexta-feira que o financiamento à exportação
pelo BNDES cresceu, em dólares, 28% em 2006, até os últimos
dias de setembro, ante o mesmo período do ano passado. Em reais,
esse crescimento foi de 12%. Segundo o economista, os números
são preliminares porque ainda faltam contabilizar os números
desta sexta. Mas ele acredita que essas variações serão
confirmadas.
Fiocca citou os valores durante seu pronunciamento
na cerimônia do prêmio Análise-FIA de Comércio
Exterior, na capital paulista, para contestar a opinião corrente
entre analistas de que a pauta de exportações brasileiras
está concentrada. "Esses números mostram que há falta
de sintonia sobre o que acontece com o comércio exterior. Os números
do BNDES mostram que esse não é o retrato que o BNDES tem
do comércio exterior. O Brasil tem diversificado sua pauta exportadora",
afirmou.
O presidente do BNDES afirmou ainda que,
neste terceiro trimestre, os desembolsos totais do banco cresceram 17%
sobre o período julho-agosto-setembro do ano passado. No trimestre
anterior, a alta havia sido de 9%, mas, no primeiro trimestre, houve
queda de 20% nos desembolsos totais sobre o mesmo período do ano
passado.
"Com as variações do
terceiro trimestre, ficou comprovado que o que aconteceu nos primeiros
meses deste ano foi um ponto fora da curva e não uma tendência
de queda de investimentos. O setor privado continua investindo fortemente,
sobretudo a indústria e os setores de infra-estrutura e insumos
básicos", disse o economista, ressaltando que a expectativa
para o quarto trimestre é de incremento dos desembolsos, em relação
ao mesmo período do ano passado.
China
Fiocca disse "sentir que logo teremos
boas notícias sobre a questão cambial". Mas emendou,
logo em seguida, que a novidade não virá da política
monetária brasileira, mas da China. O economista está seguro
de que em algum momento Pequim terá de valorizar sua moeda, o
yuan, porque o mecanismo que sustenta a moeda no atual patamar é absolutamente
artificial.
Para ele, as empresas brasileiras que
mais reclamam do câmbio, tanto para exportação quanto
para importação, são aquelas expostas ao desafio
mundial representado pela China. Trata-se, no entanto, de uma competitividade
artificial, à base de compra forte de reservas, sobre a qual as
economias e as instituições de todo o mundo estão "de
olho".
Ele lembrou que a competitividade da China
sobre a brasileira não é absoluta, mas artificial, porque
o Brasil tem melhores infra-estrutura, ambiente de negócios e
melhores governabilidade e instituições que as chinesas.
O presidente do BNDES argumentou,
sobre a artificialidade do câmbio chinês, que há 15
anos a China tinha saldo anuais em conta corrente que variavam entre
déficit de US$ 10 bilhões e superávit de US$ 15
bilhões. Em 2001, registrou superávit de US$ 17 bilhões
e, em 2005, de US$ 160 bilhões. "Não há como
dizer que o câmbio não é artificial, pois se fosse
flutuante, o yuan teria se valorizado com tanta entrada de dólares.
Em algum momento, a China terá de fazer uma correção
cambial", finalizou.
|
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 30 de setembro de 2006 | Dinheiro
Sindicalistas travam luta em greve
dos bancários
Oposição diz que paralisação
atinge 80 mil em 13 Estados; CUT não confirma | Para bancos,
movimento é esparso e parcial; em Brasília, sindicato
estima adesão de 70% dos 20 mil bancários
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Às vésperas das eleições,
dirigentes de sindicatos dos bancários do país travam uma
guerra de números -e de poder no movimento sindical- na paralisação
feita pelos funcionários do setor por aumento salarial.
Integrantes da Conlutas (ligados ao PSTU)
e sindicalistas do PSOL, que fazem parte do movimento nacional de oposição
bancária, estimam que a greve por tempo indeterminado, iniciada
em algumas regiões do país na última quarta-feira,
atinge 80 mil funcionários em 17 cidades de 13 Estados.
A Contraf-CUT (Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), representante de 140
sindicatos, informa não ter um índice de adesão
ao movimento. No país, são 400 mil funcionários
em campanha salarial.
A disputa se intensificou na terça-feira,
quando os bancários fizeram uma paralisação nacional
por 24 horas.
Após recusar a proposta de reajuste
de 2% feita pelos bancos, o Comando Nacional dos Bancários (formado
por dirigentes ligados à CUT) orientou as entidades a fazer assembléias
na próxima quarta e decretar greve por tempo indeterminado a partir
de quinta.
Enquanto isso, sindicatos de algumas regiões
optaram pela greve ainda nesta semana -seja por pressão dos funcionários
ou da oposição.
Em São Paulo, só aderiu à paralisação
o sindicato de Bauru e região, que representa bancários
de 32 cidades. "O comando de greve é formado por dirigentes
sindicais que são governistas. Além de pactuar com a atual
política econômica, não querem causar problemas no
processo eleitoral. Deveriam respeitar a vontade do trabalhador que está disposto
a fazer greve", diz Marcos Lenharo, sindicalista de Bauru.
Os cutistas devolvem as críticas. "A
oposição tenta se aproveitar de uma insatisfação
política da categoria para tirar proveito [sindical e eleitoral]",
diz Jacy de Melo, presidente do sindicato de Brasília e integrante
do comando de greve.
No Distrito Federal, onde a paralisação
contou com a adesão de 70% dos cerca de 20 mil bancários
da região, a maior parte da direção da entidade é ligada à Articulação
Sindical, corrente majoritária na CUT.
Segundo Melo, a greve atingiu ao menos
40 agências da Caixa Econômica Federal e 60 das 90 agências
do Banco do Brasil no Estado. Para a Caixa, foram afetadas só 34
de suas 2.400 agências. O BB não divulgou balanço. "A
paralisação é esparsa e parcial. São piquetes
localizados para incomodar os clientes", diz Magnus Apostólico,
representante dos bancos.
|
CORREIO WEB, 01 de outubro
de 2006
Salário sustenta o crescimento
do consumo brasileiro
A massa salarial do país cresceu
7% no ano passado, maior avanço em nove anos, e alcançou
R$ 58,6 bilhões, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea). Para 2006, economistas projetam nova expansão
da massa de rendimentos e estimam que, por isso, o peso do consumo familiar
dentro do PIB crescerá pela segunda vez consecutiva, depois das
cinco quedas registradas de 2000 a 2004.
Os cálculos do Ipea foram realizados
com base na recém-divulgada Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD), relativa a 2005. O avanço da massa de salários
decorre do crescimento de 2,46% no total da população ocupada
e de 4,4% do rendimento real mensal (descontada a inflação).
Para esta conta, o Ipea exclui trabalhadores sem remuneração
e pessoal ocupado para consumo próprio.
“Acho que foi um crescimento significativo
para os padrões da última década”, comentou
o especialista da Tendências Consultoria, Guilherme Maia, que projeta
um avanço de 6% para a massa salarial este ano. Ele explica que
o consumo interno está compensando a queda da demanda externa
para o crescimento do PIB – depois de representar 62,3% do PIB
em 1999, o consumo privado despencou para 55,2% em 2004, foi para 55,5%
no ano passado e deverá fechar 2006 em 56,4%, estima.
O cálculo da massa salarial considera
o crescimento do total de pessoas ocupadas e a evolução
do rendimento médio das pessoas que estavam trabalhando. Para
chegar à massa de salários em um mês, multiplica-se
o número de pessoas que trabalhou (80,6 milhões em 2005)
pelo valor do salário médio num mês de cada uma delas
(R$ 727). Daí o valor de R$ 58,6 bilhões, que ultrapassará os
R$ 60 bilhões este ano, caso se confirmem as projeções
de crescimento da massa para 2006.
Em 2005, alguns motivos para o aumento
da massa salarial foram os ganhos reais do poder de compra, com a redução
da inflação, reajustes salariais e o avanço do emprego
formal, cuja remuneração supera a das vagas informais,
aumentando o bolo total de rendimentos. “A política monetária
foi bem sucedida no controle da inflação”, diz o
consultor da Tendências.
Para este ano, outros fatores também
influenciarão os resultados. O consultor do Ipea, Marcelo Ávila,
cita que o reajuste do salário mínimo e do funcionalismo
público ajudará a aumentar a massa de rendimentos, além
dos reajustes do setor privado.
“Foi preponderante o auxílio
governamental”, pondera o especialista da LCA Consultores, Fábio
Romão, citando ganhos gerados pelo mínimo, aumento do funcionalismo,
injeção de recursos na economia, com os programas de transferência
e controle da inflação.
Pesquisa do Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra
que, no primeiro semestre deste ano, 96% dos acordos salariais feitos
no período, conseguiram reajustes iguais ou superiores à inflação
acumulada em cada data-base. (Gazeta de Alagoas)
|
SITE NCST, 02 de outubro
de 2006
Aposentados desde 2000 podem receber
parte do IR de volta
Os trabalhadores que pagaram Imposto de
Renda sobre as férias ou licença-prêmio não
gozadas, quando se aposentaram, devem ter o tributo de volta, segundo
decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) publicada
no "Diário Oficial" da Justiça neste mês.
Desde 27 de abril de 2005, quando foi
publicado o ato declaratório interpretativo SRF nº 5, os
valores podem ser conseguidos administrativamente, com o pedido na própria
Receita Federal.
A resolução do órgão é ainda
mais ampla e garante a devolução do imposto não
apenas na aposentadoria mas também na rescisão de contrato
ou exoneração, no caso de servidores públicos.
Por causa dos prazos legais, o tributo
pago a mais só pode ser recuperado, pela via judicial ou administrativa,
se constou da declaração feita até cinco anos atrás. "Agora,
o pedido pode ser feito para valores recebidos desde 2000, declarados
em 2001", afirmou Valdir Amorim, consultor tributário da
IOB Thomson.
O contribuinte vai alterar os dados fazendo
uma declaração retificadora e colocando os valores recebidos
de férias não gozadas no item "rendimentos não-tributáveis".
"Como as informações
vão ser diferentes daquelas passadas pela fonte pagadora, a Receita
vai chamar o contribuinte [para comprovar que o imposto foi retido indevidamente]",
disse Joaquim Adir, supervisor nacional do IR. Para ser ressarcido, basta
levar o comprovante de rescisão do contrato de trabalho para provar
que as férias foram pagas como indenização.
Para quem ainda vai se aposentar, ou quando
for demitido ou exonerado do emprego, a dica é evitar o problema
e já solicitar à empresa que ela discrimine os valores
para a Receita quando a rescisão do contrato for informada ao órgão
federal.
"Em tese, não é obrigação
do funcionário fazer isso, mas, como ele é o principal
interessado, deve citar o ato declaratório nº 5. Hoje, poucas
empresas fazem essa discriminação", aconselhou o advogado
Anis Kfouri, da Comissão de Assuntos Tributários da OAB
(Ordem dos Advogados do Brasil) em São Paulo.
Apesar desse entendimento, os dez dias
de férias vendidos à empresa, para quem continua no emprego,
não são reconhecidos pela Receita como verba indenizatória
e têm o IR descontado.
Para ter de volta o imposto cobrado sobre
esse pagamento, a única solução é entrar
na Justiça, em uma vara federal, com advogado. Neste caso, o comprovante
de que houve desconto indevido são os holerites dados pela empresa.
O STJ já tem várias decisões
sobre o assunto favoráveis ao trabalhador. A justificativa é que
a verba é indenizatória, porque, teoricamente, os dias
vendidos deveriam ser usados pelos funcionários para descansar.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
30 de setembro de 2006
Justiça autoriza líder
sindical a entrar no próprio sindicato
O juiz Lúcio Pereira de Souza,
Titular da 2ª Vara do Trabalho da capital, concedeu uma liminar
para que o presidente do Sintratel (Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing
e Empregados em Empresas de Telemarketing da Cidade de São Paulo
e Grande São Paulo), Marcos Roberto Emílio, possa entrar
nas dependências da entidade, localizada no bairro de Santa Cecília,
região central da cidade.
Segundo a assessoria do TRT-SP (Tribunal
Regional do Trabalho de São Paulo), em seu pedido, o sindicalista
explica que, após ter sido eleito no mês de julho, nem ele
nem seus funcionários e membros da diretoria da entidade conseguem
entrar no prédio da entidade e exercer suas atividades. O motivo
seria que eles estariam sendo barrados por um grupo de seguranças
pessoais, contratados por 16 operadores de telemarketing, que são
seus opositores.
Em seu despacho, o juiz Lúcio Pereira
de Souza reconheceu que o sindicalista "é o legítimo
proprietário e possuidor do imóvel referido" e que "a
ameaça, e muito mais, a própria turbação,
já se deu".
Baseado nesse entendimento, o juiz proibiu "qualquer
ato ou manifestação que impeça o livre ingresso
e saída da sede do sindicato-autor, determinando a Polícia
Militar que, em caso de não cumprimento, promova a desobstrução,
utilizando-se a força pública, se necessário, e
prisão de quem se opuser ao cumprimento desta ordem".
|
SITE SUPERIOR TRIBUNAL DE
JUSTIÇA (STJ), 30 de setembro de 2006
DECISÃO
CSN terá de indenizar ex-empregado
por diminuição da capacidade auditiva
A Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN) terá de pagar indenização por danos morais
no valor de R$ 30 mil ao aposentado Sebastião Dias de Oliveira,
do Rio de Janeiro, que teve a capacidade auditiva reduzida após
trabalhar por 25 anos em ambiente de alta poluição sonora
sem equipamento de proteção individual. A decisão é da
Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O aposentado entrou na Justiça
com ação de indenização, afirmando que a
empresa foi negligente quanto à responsabilidade de fornecer e
fiscalizar o uso de equipamentos de segurança necessários à atividade
que desenvolvia. Segundo alegou, a perda auditiva, de caráter
irreversível, só ocorreu por omissão culposa da
empresa.
Em primeira instância, a ação
foi julgada procedente. “Se o autor tinha que adentrar ambientes
barulhentos, a mínima cautela exigível seria o fornecimento
do equipamento de proteção individual. A omissão
da ré importa em culpa grave”, ponderou o juiz. A CSN apelou,
no entanto, e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) deu
provimento à apelação para julgar improcedente a
sentença.
Segundo o TJRJ, sendo os fatos anteriores à Constituição
Federal de 1988, só em caso de dolo ou culpa grave é que
poderia ocorrer a responsabilidade do empregador. “Penso que a
conseqüência dessa omissão já foi reparada,
com a indenização recebida à época, não
se constituindo o fato em dolo ou culpa grave, aceitável a culpa
levíssima, incapaz de gerar nova indenização”,
afirmou o magistrado.
No recurso para o STJ, a defesa do aposentado
alegou que a decisão do TJRJ não interpretou adequadamente
a situação decorrente da prova, e por isso sonegou ao aposentado
o direito ao recebimento de indenização mensal e vitalícia,
consistente na parcela correspondente ao seu trabalho, para o qual ficou
inabilitado. Pediu, ainda, que a indenização por danos
morais fosse aumentada para 500 salários mínimos, em face
da gravidade da lesão sofrida.
A Terceira Turma deu parcial provimento
ao recurso, considerando ter sido demonstrada a conduta culposa, ainda
que em grau leve, o prejuízo e o nexo de causalidade. “A
omissão em questão, sem sombra de dúvida, foi determinante
para o desenvolvimento da ‘hipoacusia bilateral de grau superior’,
que acometeu o ora recorrente, causando-lhe redução em
sua capacidade laborativa, bem como em sua qualidade de vida”,
reconheceu o relator, ministro Castro Filho.
O ministro destacou, porém, que
a ação somente foi proposta após quase quinze anos
do laudo que constatou a incapacidade parcial e permanente e cerca de
dez anos após a aposentadoria. “A despeito da perda auditiva
sofrida, o recorrente continuou em atividade na empresa (...) até atingir
o prazo legal exigido para a aposentadoria (...) razão pela qual
não faz ele jus a qualquer indenização a título
de dano material”, considerou.
O relator reconheceu, no entanto, o direito à indenização
por danos morais. “Conheço do recurso e lhe dou parcial
provimento para condenar a Cia. Siderúrgica Nacional ao pagamento
de danos morais ao autor, ora recorrente, que fixo, em valores definitivos,
em R$ 30.000 (trinta mil reais), acrescidos das custas e honorários
advocatícios, que arbitro em 10% sobre o valor da condenação,
corrigidos a partir dessa data”, concluiu o ministro Castro Filho.
Autor(a): Rosângela Maria
|
CONSULTOR JURÍDICO,
30 de setembro de 2006
Trabalho no carnaval
Recusar-se a trabalhar em feriado não
dá justa causa
Se recusar a trabalhar no feriado de carnaval
não dá justa causa. O entendimento é da 6ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros negaram o recurso da siderúrgica
Krones, que pretendia caracterizar a demissão de uma auxiliar
administrativa. O relator do caso foi o juiz convocado Ronald Cavalcante
Soares.
A Krones questionou as decisões
da 1ª Vara do Trabalho de Diadema e do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (São Paulo). Ambas negaram a instauração
do inquérito judicial necessário à demissão
por justa causa de uma trabalhadora que já havia sido afastada,
mas obteve judicialmente seu direito de reintegração porque
tinha estabilidade provisória.
Depois da reintegração,
a trabalhadora foi convocada para trabalhar em três dias de carnaval.
No primeiro dia, a trabalhadora foi até a empresa, mas acabou
saindo sem dar explicações. A conduta, segundo a Krones,
resultou na prática de insubordinação, prevista
no artigo 482 da CLT.
A caracterização da falta
grave foi afastada pelas duas instâncias trabalhistas. Para o TRT
paulista não ficou demonstrada nenhuma exigência técnica
que autorizasse a convocação da trabalhadora para atuar
nos feriados de carnaval. “Exigir trabalho em dia feriado, sem
que a atividade esteja enquadrada nas exceções da Lei 605/49,
representa abuso de poder do empregador”, registrou.
A empresa recorreu ao TST. Alegou violação
do princípio constitucional da legalidade, além de dispositivos
da CLT e da Lei 605 de 1949 (que trata do repouso semanal remunerado
e das hipóteses de trabalho em feriados).
Os argumentos foram negados pelo juiz
convocado Ronald Soares. Para ele, o TRT paulista “apenas interpretou
a legislação”.
AIRR 423/2002-261-02-40.0
|
CONSULTOR JURÍDICO,
30 de setembro de 2006
Defensor dos oprimidos
MPT pode propor ação
para impedir fraude em contratação
Ministério Público do Trabalho
pode propor Ação Civil Pública contra empresa acusada
de contratação fraudulenta. O entendimento, pacífico
na jurisprudência da Justiça do Trabalho, foi reafirmado
pela 4ª Turma do TST.
A ação foi proposta contra
a Sucocítrico Cutrale, depois que um relatório apontou
diversas irregularidades na contratação de mão-de-obra
para colheita de laranja em uma das propriedades rurais da Cutrale.
Os fiscais do trabalho constataram a presença
de vários trabalhadores sem registro na carteira de trabalho.
A empresa alegou que se tratavam de associados de cooperativa de trabalho
rural, porém não comprovou a afirmação. Várias
irregularidades também foram observadas na área de Medicina
e Segurança do Trabalho, como falta de exames médicos e
falta de implementação do Programa de Prevenção
de Riscos Ambientais. Também constatou falta de água potável
para atender aos trabalhadores.
Na via administrativa, o MPT propôs à empresa
a assinatura de um termo de compromisso. A Cutrale não assinou
o documento. O Ministério Público entrou, então,
com a Ação Civil Pública, para obrigar a empresa
a registrar os trabalhadores e a “fornecer aos trabalhadores da
lavoura água potável em condições higiênicas
e em quantidade compatível com o desgaste fisiológico do
trabalho executado”.
A Vara do Trabalho de Ituiutaba (MG) julgou
a ação parcialmente procedente, condenando a empresa a
se abster de fazer novas contratações. A Cutrale recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais).
O TRT mineiro acolheu o recurso da empresa,
reconhecendo a ilegitimidade do MPT. O órgão apelou, ao
TST. O ministro Milton de Moura França, relator do processo, reformou
a decisão, reconhecendo a legitimidade do MPT e determinando o
retorno dos autos ao TRT para apreciação do mérito.
“A contratação de
trabalhadores rurais, via cooperativa de trabalho, que, na verdade, atua
como típica empresa fornecedora de mão-de-obra, sem garantir
aos trabalhadores a proteção decorrente de uma relação
de emprego, contrasta flagrantemente com os princípios constitucionais
que asseguram, expressamente, a busca do pleno emprego, que proclamam
a dignidade da pessoa humana, e afirmam a necessidade de se prestigiar
os valores sociais do trabalho”, entendeu.
RR-775.008/01.2
|
CONSULTOR JURÍDICO,
30 de setembro de 2006
Menos burocracia
Fax pode comprovar pagamento de custas
processuais
É válida a apresentação
por fax dos documentos que comprovam o pagamento do depósito recursal
e custas processuais. O entendimento foi reafirmado pela 2ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros acolheram o recurso do
Banco Santander.
Depois de ser condenado em primeira instância,
a instituição financeira recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul), que manteve
a sentença. O TRT gaúcho considerou o Recurso Ordinário
deserto, ou seja, não reconheceu o pagamento das custas e o depósito
recursal porque a comprovação foi encaminhada por fax.
A defesa do Santander ingressou com Recurso
de Revista no TST. Alegou violação a dispositivos constitucionais,
dentre eles o que assegura o direito à ampla defesa e ao contraditório
(artigo 5º, inciso LV). Também afirmou que o TRT gaúcho
incorreu em “rigor excessivo” ao declarar a deserção
do recurso.
O argumento foi aceito pelo ministro Renato
Paiva, relator. “Com efeito, comprovada nos autos a juntada tempestiva
e correta das guias e juntados os originais no prazo previsto em lei,
merece prosperar a alegação de ofensa ao artigo 5º,
inciso LV, da Constituição Federal”, sustentou o
relator.
Agora, os autos devem retornar ao TRT
gaúcho para que examine o mérito do Recurso Ordinário
do Banco Santander.
RR 252/2002-871-04-00.0
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
02/10/2006
Contribução assistencial de
não associado não é obrigatória
A entidade sindical não pode impor
aos empregados não-sindicalizados o ônus de pagar a contribuição
assistencial, sob pena de ofensa à Constituição
Federal. Por outro lado, não há óbice para que a
assembléia-geral do sindicato institua, livre de intervenção
estatal, contribuição, em valores razoáveis, a ser
paga pelos sindicalizados.
O entendimento constante do voto do ministro
Milton de Moura França foi acompanhado pela totalidade dos ministros
que compõem a Seção de Dissídios Coletivos
(SDC) do Tribunal Superior do Trabalho, em julgamento de recurso ordinário
interposto pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas,
Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Pará.
O Ministério Público do
Trabalho ajuizou ação anulatória, com pedido de
medida liminar, impugnando a Cláusula 19ª - “contribuição
assistencial” da Convenção Coletiva de Trabalho de
2003/2004, por se tratar de desconto compulsório dos salários
dos trabalhadores não-associados. A medida liminar foi parcialmente
concedida, apenas quanto aos não-associados.
O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região
(Pará e Amapá) julgou procedente o pedido do Ministério
Publico do Trabalho, declarando a nulidade total da cláusula,
determinando a ampla divulgação da decisão pelos
sindicatos da categoria.
Insatisfeito, o sindicato profissional
recorreu ao TST pedindo a restauração da cláusula
anulada. O ministro relator deu parcial provimento ao apelo do sindicato,
restabelecendo parcialmente a cláusula, com nova redação,
excluindo a obrigatoriedade de pagamento aos não-associados.
(ROAA-515/2003-000-08-00.7)
|
02/10/2006
TST não reconhece vínculo
de emprego de diarista
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho não reconheceu o vínculo de emprego de diarista
que trabalhava na faxina, duas vezes por semana, em casa de família.
A empregada ajuizou reclamação trabalhista contra a patroa
alegando que fora contratada em março de 1993 para realizar todo
o serviço doméstico, duas vezes na semana, com salário
semanal de R$ 65,00, sendo demitida sem justa causa em abril de 2000.
Disse que não teve sua Carteira
de Trabalho assinada e requereu o pagamento de aviso-prévio, férias
acrescidas de 1/3, 13º salário, multa do artigo 477 (por
atraso no pagamento das verbas rescisórias) e depósito
dos valores correspondentes ao INSS de todo o tempo trabalhado.
A dona de casa, em contestação,
negou o vínculo de emprego alegando que a autora da ação
prestou-lhe serviços exclusivamente de faxina, sendo que algumas
vezes trabalhava dois dias na semana, e, em outras semanas, trabalhava
apenas um dia, sem limitação de horário e sem dias
fixos.
Alegou ainda, que nem sempre o serviço
era realizado pela autora da ação, pois por várias
vezes ela teria mandado a filha trabalhar em seu lugar. A 25a Vara do
Trabalho de Porto Alegre julgou improcedentes os pedidos formulados pela
empregada que, insatisfeita, recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região (Rio Grande do Sul). O acórdão
regional reconheceu a existência de vínculo de emprego entre
as partes, determinando o retorno dos autos à primeira instância
para julgar os pedidos da inicial.
A patroa, por sua vez, apresentou recurso
de revista ao TST. O relator do processo, ministro João Oreste
Dalazen, deu provimento ao recurso. Segundo seu voto, a existência
de continuidade e pessoalidade na prestação do serviço
são requisitos necessários para a configuração
do vínculo de emprego.
A continuidade do serviço é requisito
previsto na Lei n° 5.859/72, que estabelece que “empregado
doméstico é quem presta serviços de natureza contínua
e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família,
no âmbito de sua residência”. (RR-78066/2003-900-04-00.8)

|