 |
AGÊNCIA DIAP DE NOTÍCIAS,
04 de outubro de 2006
Bancada Sindicalista
Levantamento parcial revela diminuição
da Bancada Sindicalista
Levantamento parcial da assessoria do
DIAP revela a diminuição da Bancada Sindicalista no Congresso
recentemente eleito, em comparação ao atual grupo de parlamentares
que priorizam as questões trabalhistas no Parlamento Federal.
A bancada oscilou de 73 para 58 representantes.
Na eleição de 1998, foram
eleitos 44 parlamentares sindicalistas ou com fortes vínculos
com o movimento sindical. Em 2002, talvez como reflexo da eleição
de Lula para a Presidência da República, a bancada sindical
registrou aumento expressivo. A representação sindical
soma hoje 73 nomes, sendo 68 deputados e cinco senadores.
A redução de representantes
do movimento sindical no Congresso é facilmente detectada na relação
de deputados federais que não conseguiram se reeleger. Expoentes
da bancada sindicalista não conseguiram renovar seus mandatos
para a 53ª Legislatura.
Os exemplos mais emblemáticos da
derrota eleitoral de 27 representantes da bancada sindical são
os deputados Cláudio Magrão (PPS/SP), Dra. Clair (PT/PR),
Medeiros (PL/SP), Luciano Zica (PT/SP), Maninha (PSOL/DF) e Sérgio
Miranda (PCdoB/MG), além da senadora Heloísa Helena (PSOL/AL).
A nova composição da bancada
sindical reúne 38 deputados reeleitos e 15 novos deputados. No
Senado, a representação continua com cinco nomes. São
os mesmos quatro senadores com mandato até 2011 que ganham o reforço
do atual deputado Inácio Arruda (PCdoB/CE), que acaba de ser eleito
para o Senado.
Integram a bancada sindical, para efeito
deste levantamento, os deputados e senadores que tiveram militância
ou mandato sindical e possuem fortes ligações com suas
categorias de origem. Não foram considerados como sindicalistas,
os profissionais que prestam serviços aos sindicatos, como jornalistas
e professores, assim como não integram a bancada os parlamentares
com origem nos movimentos popular e estudantil, embora mantenham uma
estreita relação com o movimento sindical.
A composição da bancada
sindical é majoritariamente petista. Dos 58 parlamentares sindicalistas,
45 são filiados ao PT. Os outros partidos com representação
na bancada sindicalista são o PCdoB (7), PDT (3), PPS (1), PMDB
(1) e PSOL (1).
A grande novidade da bancada é o
metalúrgico e sindicalista Paulinho (PDT/SP), da Força
Sindical, que faz ferrenha oposição ao Governo Lula. Em
relação aos novos integrantes da bancada, grande parte
deles não são estreantes na Câmara porque já exerceram
mandatos federais anteriormente: Augusto Carvalho (PPS/DF), Dado (PDT/SP),
Dutra (PT/MA), Edmilson Valentim (PCdoB/RJ), Giovanni Queiroz (PDT/PA),
João Paulo Cunha (PT/SP), Magela (PT/DF) e Paulo Rocha (PT/PA).
Bancada
sindicalista na Câmara dos Deputados a partir de 2007 (53)
Bancada
sindicalista no Senado a partir de 2007 (5)
Integrantes
da bancada sindicalista que não retornão ao Congresso
em 2007 (27)
|
UOL ECONOMIA, 04 de outubro
de 2006
Horas trabalhadas na indústria
e nível de emprego aumentam em agosto, nota CNI
BRASÍLIA - As horas trabalhadas
na produção da indústria nacional subiram 0,11%
em agosto em relação a julho, descontados os fatores
sazonais. Em números sem ajuste sazonal, houve incremento de
3,47% de um mês para outro, informou hoje a Confederação
Nacional da Indústria (CNI). Na comparação com
agosto de 2005, a elevação foi de 1,69%. Nos oito primeiros
meses deste calendário, as horas trabalhadas avançaram
1,05% ante período correspondente do exercício anterior.
O total de pessoal ocupado na indústria
do país ampliou-se em 0,21% entre julho e agosto, em termos
dessazonalizados. Sem descontar influências sazonais, o pessoal
empregado cresceu 0,17% ante o sétimo mês de 2006. Na
comparação com agosto do ano passado, houve alta de 2,28%
no indicador que trata do pessoal empregado. No período de janeiro
a agosto, o contingente de trabalhadores na indústria de transformação
ampliou-se em 1,60% em relação ao mesmo período
de 2005.
A CNI destaca que o emprego industrial
vem crescendo há nove meses consecutivos, com tendência
de expansão até o fim do ano. Tal comportamento surpreende
uma vez que, historicamente, ocorre uma defasagem entre o aumento da
atividade industrial e a geração de postos de trabalho. " Em
2006, essa defasagem não ocorreu " , salienta a entidade.
Além disso, a alta de 2,28% em
agosto é o maior taxa de crescimento entre igual mês de
2006 e o do exercício anterior.
|
UOL ECONOMIA, 04 de outubro
de 2006
Vendas da indústria brasileira
caem em agosto, mas emprego cresce pelo 9º mês
Da Redação
Em São Paulo
As vendas da indústria brasileira
recuaram 1,13% em agosto na comparação com julho deste
ano, considerando-se os indicadores dessazonalizados —isto é,
que descartam fatores específicos de cada época, como datas
comemorativas, em que os negócios crescem, por exemplo.
Por outro lado, o nível de emprego
no setor industrial cresceu pelo nono mês consecutivo. O número
de empregados na indústria aumentou em 0,21% na comparação
com julho, e 2,28% em relação a agosto de 2005. Esta foi
a nona expansão mensal da taxa de emprego apurada pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI), que realiza o estudo.
Descartando-se o ajuste sazonal relativo
entre julho e agosto últimos, a CNI informa que houve crescimento
de 8,78% nas vendas reais nessa mesma comparação. Também
na comparação do mês retrasado frente a agosto de
2005, registrou-se elevação de 3,91% nas vendas industriais.
No acumulado dos oito primeiros meses
de 2006, houve queda nas vendas de 0,08% ante o mesmo período
do ano passado.
De acordo com a CNI, o recuo de 1,13%
nas vendas, descontados os efeitos sazonais e de calendário, se
deve à valorização do real frente ao dólar,
que reduz o faturamento das exportadoras. A entidade explica em relatório
que a taxa média de câmbio em agosto ficou em R$ 2,16, ante
os R$ 2,19 em julho e R$ 2,25 em junho.
Na média, de janeiro a agosto deste
ano, o real valorizou-se 14% ante igual período de 2005, "o
que influenciou o desempenho desfavorável das vendas industriais
na comparação anual" , ou seja, a queda de 0,08%.
Já no crescimento de 8,78% teve
impacto do efeito sazonal uma vez que as vendas aumentam em agosto para
atender às encomendas de consumo de fim de ano. Também
sentiu o efeito calendário, já que agosto contou com 23
dias úteis em relação aos 21 dias úteis de
julho, o que não ocorria desde 2000.
Para os economistas da CNI, a "tendência é de
expansão moderada" nas vendas da indústria em 2006.
A pesquisa é realizada mensalmente
em 12 Estados, com cerca de 3.000 empresas.
|
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 04 de outubro de 2006 | Dinheiro
Final de ano ajudará pouco,
diz indústria
CNI prevê crescimento apenas moderado
nos próximos meses e culpa concorrência dos importados
e efeito tardio da queda do juro | Para o setor, aumento do consumo
com o Natal será suprido principalmente com itens chineses;
em agosto, vendas voltaram a ter queda
CLÁUDIA DIANNI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A atividade industrial vai crescer moderadamente
até o fim do ano, o que não garante aumento de faturamento,
segundo informe divulgado ontem pela CNI (Confederação
Nacional da Indústria). Isso por causa da demora do governo em
começar a reduzir a taxa básica de juros e porque a valorização
do real tem prejudicado as vendas das empresas que exportam, de acordo
com a avaliação da entidade.
Os economistas da CNI prevêem que
o habitual aumento do consumo de fim de ano será suprido principalmente
por importações; portanto, a demanda não deve produzir
impacto relevante na produção nacional.
Em agosto, as vendas da indústria
recuaram 1,13% em comparação com julho; no ano caíram
0,08%. A taxa média do câmbio em agosto foi de R$ 2,16 ante
R$ 2,19 em julho e R$ 2,25 em junho. Na comparação entre
as médias de janeiro a agosto de 2006 e 2005, o real se valorizou
14%.
De acordo com o economista-chefe da CNI,
Flávio Castelo Branco, como cerca de 25% do faturamento das empresas
se refere a lucros obtidos com exportação e as vendas estão
sendo menos remuneradas por causa do dólar fraco, o faturamento
tem sido afetado, apesar da manutenção da produção.
As horas trabalhadas no mês passado
tiveram aumento de 0,11%, ou seja, mantiveram-se praticamente estáveis
em relação a julho. Mas no ano, as horas trabalhadas subiram
1,05%. Na avaliação da CNI, a geração de
emprego tem surpreendido, pois tem crescido, ainda que modestamente,
desde dezembro do ano passado. Em agosto, o indicador da CNI que mede
o emprego cresceu 0,21% com relação a julho e 2,28% na
comparação com agosto de 2005. Na média dos oito
primeiros meses, o emprego cresceu 1,60%.
Segundo Castelo Branco, o desempenho da
indústria poderia estar melhor se o governo tivesse decidido iniciar
antes a trajetória de redução da taxa de juros -que
começou em setembro do ano passado- e se a redução
tivesse ocorrido em um ritmo mais acelerado.
"Os juros poderiam ter caído
mais e a inflação não precisava ter ficado abaixo
da meta. O resultado disso foi o sacrifício do crescimento econômico",
disse. Na semana passada, a CNI baixou de 3,7% para 2,9% a projeção
de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano. O Banco
Central aposta em crescimento de 3,5%.
O BC espera um crescimento de 4,2% no
consumo doméstico neste ano, impulsionado sobretudo pela alta
do consumo das classes mais populares, resultado do aumento do salário
mínimo -que reajusta também benefícios do INSS-,
de programas sociais como o Bolsa Família e do crédito
consignado.
"Com certeza vai haver um aumento
da parcela dos produtos importados nas prateleiras neste fim de ano.
As importações neste ano devem crescer 16,5% e devem responder
por boa parte do aumento do consumo das famílias", disse
Paulo Mol, economista da CNI. Neste ano, as importações
já subiram 24%. As compras de bens de consumo importados cresceram
42% no ano e 55% somente em setembro.
Produtos "populares"
De acordo com o presidente da Associação
Brasileira dos Importadores de Produtos Populares, Gustavo Dedivits,
o câmbio tem impulsionado a importação de produtos
populares. "No ano passado importamos 120 milhões de produtos
e neste ano esperamos importar 200 milhões", disse. Segundo
ele, 80% dos produtos são comprados da China.
|
TRIBUNA CATARINENSE, 04 de
outubro de 2006
Custo da construção
em SC cai em outubro
No período, valor do CUB teve redução
de 0,12%
Após dois meses de estabilidade,
o valor do Custo Unitário Básico (CUB) médio habitacional
em Santa Catarina para o mês de outubro teve redução
de 0,12%, apurou a pesquisa mensal divulgada pelo Sindicato da Indústria
da Construção Civil da Grande Florianópolis (Sinduscon/Fpolis).
Com esta variação, o CUB passa a valer R$ 895,86, apresentando
um acumulado de 4,36% no ano e 3,78% nos últimos 12 meses.
A pesquisa apurou que tanto a mão-de-obra
(0,74%) quanto os materiais (2,02%) apresentaram uma leve queda nos custos.
Já entre os 40 itens de material monitorados, 18 tiveram aumento
nos preços enquanto outros 9 apresentaram redução.
A variação entre os produtos foi maior no Tubo PVC Esgoto
D=100mm, no Azulejo Branco Extra (15 x 15 cm) e na Cerâmica Esmaltada
(7,5 x 15 cm), que tiveram aumento de 5,21%, 4,70% e 4,53%, respectivamente.
Lideraram a queda no preço o Vidro Liso 3mm (4,23%), a Porta Almofada
Maciça (4%), o Vidro Liso Transparente 4mm (3,26%) e o Cimento
Portland 32 (2,86%).
De acordo com o Sinduscon da capital,
o Custo Unitário Básico (CUB) da construção
civil representa o custo parcial da construção, pois não
leva em conta custos adicionais de uma obra, como terreno, elevadores,
fundações especiais, ligações de água,
luz e esgoto, telefonia e remuneração de serviços
de engenharia. A variação do CUB vem sendo utilizada como
indicador dos custos do setor da construção civil (indicador
setorial) há mais de 20 anos em Santa Catarina. Um dos objetivos é o
de disciplinar o mercado de incorporação imobiliária,
servindo como um parâmetro na determinação dos custos
dos imóveis.
Como fica o valor do CUB em outubro/2006:
Valor do CUB (Médio) Habitacional:
R$ 895,86
Variação% (no mês): (0,12)
Variação% (no ano): 4,36
Variação% (12 meses): 3,78
|
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 04 de outubro de 2006 | Dinheiro
Fabricante da Coca é autuada
em R$ 18 mi
Fazenda paulista vê sonegação
fiscal da Cia. de Bebidas Ipiranga, que nega as acusações
e deve recorrer da decisão | Segundo o fisco, companhia
usou expediente ilegal para não pagar tributo integral sobre
lata de refrigerante, mas apenas do líquido
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
A Secretaria da Fazenda do Estado de Paulo
autuou em mais de R$ 18 milhões por sonegação fiscal
a Refrescos Ipiranga Indústria e Comércio, que pertence à Cia.
de Bebidas Ipiranga, fabricante de Coca-Cola em Ribeirão Preto
(SP). A empresa nega sonegação e deve recorrer (leia texto
na pág. B3).
No dia 5 de setembro, o Tribunal de Impostos
e Taxas (TIT) da Fazenda paulista manteve auto de infração
aplicado no ano passado à empresa por falta de recolhimento de
ICMS sobre etapas de comercialização do refrigerante. Essa
autuação é referente ao ano de 2001. E a Ipiranga
recebeu autos de infração semelhantes a esse referentes
aos anos de 2002 e 2003. Os autos de infração atualizados
referentes aos três anos, segundo a Folha apurou, são de
R$ 50 milhões.
Para o fisco paulista, a Ipiranga foi
orientada a abrir uma outra empresa, que operou no mesmo endereço,
para possibilitar que o ICMS do refrigerante, recolhido pelo fabricante,
tivesse como base apenas o valor do líquido, e não o do
produto já envasado (lata cheia).
A Refrescos Ipiranga Indústria
e Comércio, constituída em 2000, encomendava a produção
do refrigerante para a Cia. de Bebidas Ipiranga, que devolvia o produto
para a Refrescos Ipiranga, encarregada de vender a bebida. Isso aconteceu
até março de 2003, quando a operação foi
interrompida.
Com essa prática, no entender do
fisco paulista, houve uma redução artificial do preço
do produto utilizado para retenção de ICMS da indústria.
Como é a fabricante que recolhe o imposto, ela o fazia sobre um
valor bem menor do que o vendido pela empresa que comercializava o refrigerante.
Fiscais da Fazenda constataram que, em
2001, o imposto retido pela Ipiranga era sobre R$ 1,88 (por uma caixa
de 12 latas de Coca-Cola de 350 ml), quando o valor comercializado por
essa mesma caixa de 12 latas de 350 ml era de R$ 6,51.
Em dezembro de 2003, a Cia. de Bebidas
Ipiranga incorporou todas as operações da Refrescos Ipiranga,
tornando-se, portanto, uma única empresa, situação
que perdura até hoje, segundo informa a companhia.
Para o fisco, está claro que a
Ipiranga tem de devolver aos cofres públicos o que deixou de pagar
de ICMS com a operação. Tanto que a decisão do TIT,
publicada ontem no "Diário Oficial" do Estado, que manteve
o auto de infração foi por unanimidade (6 a 0).
Concluíram que a empresa que encomendou
a fabricação e o envasamento é considerada fabricante
pela legislação e por isso deve reter o ICMS relativo à substituição
tributária.
A Cia. de Bebidas Ipiranga informa que
considera seu procedimento correto, tanto que deve recorrer à Justiça
para se livrar do auto de infração.
Entende a empresa autuada que "não
fabrica o refrigerante que comercializa. Para ela, "o ICMS exigido
só se aplica aos casos de saída do estabelecimento fabricante
localizado no Estado de São Paulo, face à interpretação
literal da legislação vigente. Portanto, não há que
se falar em ausência de recolhimento de imposto pela autuada Refrescos
Ipiranga".
Para o advogado Douglas Yamashita, sócio
da Advocacia Rodrigues do Amaral, especializado na área tributária,
a questão é polêmica, já que tanto o fisco
como a empresa têm bons argumentos.
A Ipiranga está correta, na sua
análise, quando diz que, pela legislação atual,
o fabricante é que está sujeito à substituição
tributária (retenção do ICMS) e que, portanto, a
encomendante, no caso, a Refrescos Ipiranga, não estaria sujeita
a ela.
Já o fisco tem a seu favor, diz
o advogado, o artigo 264, parágrafo 1º, do regulamento do
ICMS, que diz que a responsabilidade pela retenção do imposto é do
destinatário, do encomendante, que, no caso é a Refrescos
Ipiranga.
"Se as duas empresas tiverem de fato
o mesmo endereço, os mesmos empregados, os mesmos clientes e os
mesmos diretores, na mesma época, elas dividiam o mesmo patrimônio.
Se for esse o caso, haveria indícios de unidade econômica
[art. 126, III, do CTN] que permitiria a desconsideração
da personalidade jurídica das duas empresas para considerá-las
como uma única e o entendimento do fisco estaria correto",
afirma Yamashita.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 04 de
outubro de 2006 | Brasil
SEGUNDO TURNO-Lula e Alckmin conquistam
primeiros apoios. PMDB está dividido
Segundo Turno: Com quem eu
vou
Brasília – No segundo dia depois do primeiro turno das eleições,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB)
fecharam vários acordos para reforçar suas campanhas no segundo
turno. Os dois candidatos concentraram parte das negociações
com líderes do PMDB, partido que está dividido.
O candidato peemedebista ao governo do
Rio de Janeiro, senador Sérgio Cabral (PMDB), declarou apoio a
Lula, enquanto que a governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), e o
ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) vão reforçar a candidatura
de Alckmin.
Alckmin recebeu ainda o apoio do governador de Santa Catarina e candidato à reeleição
pelo PMDB, Luiz Henrique. Já Esperidião Amin (PP), que foi governador
do estado por duas vezes, vai apoiar Lula.
Além do PMDB, os dois presidenciáveis
disputam “palmo a palmo” os apoios do PDT, do candidato derrotado
no primeiro turno Cristovam Buarque. O senador Jefferson Peres (PDT-AM),
que foi candidato a vice de Buarque, disse que vai defender na reunião
nacional que o partido dê apoio a Alckmin. Peres disse que o partido
pode decidir pelo apoio a Lula “se ele fizer uma espécie
de mea culpa, uma mudança de 180 graus”.
Outro pedetista que está na lista
de apoiadores de Alckmin é Osmar Dias, candidato do PDT ao governo
do Paraná.
“Parceiro”
Em contrapartida, Lula fechou acordo com
o governador eleito do Amapá, Waldez Góes (PDT). “Voto
no Lula e farei campanha. Tenho nele um parceiro”, declarou Góes.
A cooordenação de campanha
de Lula comemorou também a confirmação de que o
governador reeleito do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), que obteve 65%
dos votos válidos, vai trabalhar pela reeleição
do presidente.
Entre segunda-feira e ontem, Lula
disparou telefonemas até mesmo para adversários. O petista
cumprimentou, por telefone, os tucanos José Serra, eleito governador
de São Paulo, e Aécio Neves, reeleito governador de Minas
Gerais.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 04 de
outubro de 2006 | Brasil
Irregularidades
Comitês de combate à corrupção
da OAB e da CNBB protocolam primeiras denúncias
por O GLOBO ONLINE
Os comitês organizados nos estados pela Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB) e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começaram
a divulgar nesta segunda-feira os primeiros relatórios de denúncias
recebidas de eleitores e observadores sobre irregularidades cometidas por candidatos
e partidos durante as campanhas e ao longo da eleição, no último
domingo. As denúncias estão sendo encaminhadas pelos Comitês
de Combate à Corrupção Eleitoral ao Ministério
Público ou aos Tribunais Regionais Eleitorais para a montagem do devido
processo e tomada de providências cabíveis.
Em Goiânia, por exemplo, as
entidades denunciaram no último sábado ao Ministério
Público Eleitoral (MPE) do estado 54 casos de irregularidades
em campanha. Ao todo, desde o dia 12 de setembro, o órgão
foi informado de 123 supostas irregularidades, que teriam desrespeitado
a lei eleitoral. Agora, as denúncias da OAB e da CNNBB serão
verificadas pela Polícia Civil de cada estado.
|
DCI – DIÁRIO,
COMÉRCIO E INDÚSTRIA, 04 de outubro de 2006
Um roteiro para quem chega
Fernando Albino
É preciso elaborar com urgência
uma pauta de prioridades jurídico-institucionais para os que tomam
posse em janeiro
Quase 126 milhões de eleitores
foram chamados a eleger presidente, 27 senadores, 513 deputados federais,
27 governadores, 1.045 deputados estaduais e 24 deputados distritais,
o que envolveu 91.244 locais de votação, com 380.945 urnas
eletrônicas. Em algumas horas, a grande maioria dos votos estava
apurada, em uma demonstração de que o Brasil possui procedimentos
eleitorais eficazes, rápidos e transparentes.
A partir de janeiro de 2007, quando os
eleitos tomarão posse, se inicia uma nova legislatura de quatro
anos, com uma grande renovação parlamentar. Mas os partidos
políticos serão em menor número, em decorrência
das exigências de índices mínimos de votação,
o que contribuirá para o aperfeiçoamento da representação
popular.
Trata-se agora de elaborar uma pauta de
prioridades jurídico-institucionais, sempre com vistas ao aperfeiçoamento
da democracia e ao desenvolvimento econômico. Para tanto, podem-se
eleger alguns temas que merecem imediata atenção. O primeiro
deles é exatamente o da reforma política, com o aprofundamento
da legitimidade dos mandatos. Dois itens merecem reformulação:
o número de deputados federais por estados e o voto distrital.
Desde a Constituição de 1967 os estados mais populosos
estão prejudicados em sua representação, pois o
número de deputados está limitado a um máximo, o
que não reflete a importância de certos estados, especialmente
São Paulo, Rio e Minas . O próximo Congresso precisa ter
coragem para corrigir essa defasagem.
O outro item é o da introdução
do voto distrital, puro ou misto. O ideal seria o sistema puro de voto
distrital, onde cada deputado representa o seu distrito, fazendo com
que o eleitor tenha sempre o “seu” deputado, podendo fiscalizar
seus atos e cobrar as suas reivindicações. Quando muito,
o sistema misto, onde metade dos candidatos é escolhida pelo distrito
e a outra pelos critérios atuais.
O segundo tema é o da reforma trabalhista.
O Brasil possui uma legislação trabalhista ultrapassada,
burocrática, paternalista e desligada da realidade do mercado
de trabalho. A livre contratação entre empregado e empresa
deve prevalecer sobre a intervenção do estado. O diálogo
entre capital e trabalho deve sobrepujar a estrutura superada de sindicatos
patronais e trabalhistas. Essa renovação contribuirá para
gerar mais empregos.
O terceiro tema é o da clara opção
pela economia de mercado, com todas as suas conseqüências,
por meio de uma série de medidas microjurídicas. Estímulos à poupança
por intermédio do mercado de capitais (e não pelos bancos
oficiais), estruturação das agências reguladoras
e redução de poder dos ministérios naqueles setores
econômicos conhecidos como “serviços públicos”,
modernização do sistema jurídico da concorrência,
com clara definição de regras e procedimentos, independência
do Banco Central para a formulação de uma política
monetária desvinculada das pretensões do Poder Executivo,
liberdade cambial, de fluxo e de preço, privatização
do setor securitário, implantação de um novo relacionamento
entre poder concedente e concessionários no âmbito dos serviços
públicos e liberalização do trânsito internacional
de bens, serviços e pessoas.
O quarto tema é o da reforma da
previdência, com o reforço de mecanismos de mercado. Está evidenciado
pelos números atuais que o déficit da previdência
torna insustentável o equilíbrio das contas públicas,
o que impede a redução de juros e tributos. Por outro lado,
o envelhecimento da população obrigará o sistema
a aumentar os seus desencaixes. Somente a transferência de parcelas
substanciais do sistema para o mercado propiciará a sua viabilidade.
O quinto tema é o da reforma fiscal.
O Brasil possui uma das mais altas cargas tributárias do mundo
e certamente a maior dentre os países emergentes. Essa distorção
gera duas outras: o alto índice de inadimplência, que obriga
a sucessivos planos de renegociação, e a constante tentação
da informalidade, com o estímulo à corrupção.
Torna-se urgente reduzir gradativamente e buscar eliminar as chamadas
contribuições (CPMF, PIS, Cofins, Cide) e restaurar um
sistema que alcance sempre por meio de impostos a agregação
de riqueza. O primeiro passo é reduzir os gastos públicos.
A tarefa é grande e complexa, mas
não impossível, se houver vontade política e união
de esforços. Certamente serão necessárias alterações
da Constituição (mas não uma nova Constituição,
o que é absolutamente inadequado), a edição de algumas
leis complementares e de muitas leis ordinárias e, ainda, a produção
de muitos decretos regulamentares, estes pelo Poder Executivo, sem a
interferência do Congresso. Existem hoje, no parlamento, projetos
aproveitáveis. Com alterações, negociadas entre
os partidos políticos, torna-se possível a sua rápida
votação ainda em 2007. Com isso, o Estado poderá ter
recursos para investir em educação e saúde.
Os próximos anos não serão,
ao que tudo indica, muito brilhantes na economia internacional. Portanto,
não esperemos a mesma bonança dos últimos quatro
anos. Hora de fazer o dever de casa e preparar o País para taxas
de crescimento menos medíocres do que as atuais.
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 04
de outubro de 2006
Brasil perde US$ 3,5 bi ao ano com
corrupção
Prejuízo foi calculado por economista
da Fundação Getúlio Vargas com base em dados
do Banco Mundial
São Paulo - O brasileiro paga
caro pelo aumento da corrupção no País. Segundo
estudo feito pelo coordenador da Escola de Economia de São
Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos
Fernandes, a perda de produtividade provocada por fraudes públicas
no Brasil atinge a casa de US$ 3,5 bilhões por ano. ''Da
mesma forma que estradas e portos bem estruturados melhoram a produtividade
do País, instituições ineficientes diminuem
o ganho da nação'', afirma Fernandes.
Ele explica que o prejuízo foi
calculado com base em dados do Banco Mundial (Bird) sobre educação
e investimentos de 109 países, além de índices de
percepção de corrupção da organização
não-governamental Transparência Internacional. Na avaliação
do professor da FGV -que lançou ontem o livro Ética e Economia,
em São Paulo -, com as péssimas qualidades das leis, da
governabilidade e do ambiente de negócios, as empresas hesitam
em investir no País e deixam de criar emprego e renda para a sociedade.
Para ter idéia do que significa
a perda de produtividade provocada pela corrupção no Brasil,
basta comparar o volume de dinheiro empenhado pelo governo no Ministério
dos Transportes. Até agosto, foram cerca de R$ 5,3 bilhões
em obras de infra-estrutura de transportes, como estradas, hidrovias,
ferrovias e portos - bem abaixo da perda de produtividade anual calculada
em US$ 3,5 bilhões, ou R$ 7,5 bilhões convertidos pelo
dólar de R$ 2,17.
Fernandes completa ainda que em apenas
dois escândalos recentes da história do Brasil - o superfaturamento
do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo pelo juiz
Nicolau dos Santos Neto e o dos sanguessugas, a população
perdeu cerca de US$ 150 milhões. ''Com esse dinheiro seria possível
construir 200 mil casas populares e abrigar 800 mil pessoas'', calcula
o professor.
Segundo ele, muito dinheiro que poderia
ser investido na precária infra-estrutura do País é desviado
pela corrupção. Com isso, o Estado perde força e
suas políticas de investimentos são enfraquecidas. Resultado
disso pode ser verificado no Índice de Competitividade Global
2006-2007 do Fórum Econômico Mundial. Números divulgados
na semana passada mostram que o Brasil caiu nove posições
no ranking internacional, de 57 para 66 colocação, ficando
abaixo dos demais países que formam o chamado Bric (Rússia, Índia
e China).
De acordo com o Fórum, o desempenho
do Brasil se deve especialmente a dois fatores: indicadores macroeconômicos
e institucionais. ''A corrupção traz efeitos graves para
a competição dos mercados'', afirma o diretor-executivo
da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo.
Segundo ele, o efeito disso para a população é lamentável,
já que menos investimentos significam menos emprego, renda e piora
do bem-estar da população. ''O custo social é grande,
pois priva as pessoas de uma melhor qualidade de vida e de liberdade
de escolha'', diz Fernandes.
O economista Reinaldo Gonçalves,
professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acrescenta
ainda que a corrupção aumenta o risco e a incerteza no
ambiente de negócios do País. ''Para se proteger disso,
os preços dos bens e serviços acabam embutindo o custo
da corrupção, como se fosse um imposto'', reclama.
Para o professor, além de
aumentar as incertezas, as fraudes públicas elevam as práticas
oportunistas. ''Como alguns cometem atos ilícitos e não
são punidos, os outros também adotam armas corruptas
para competir.'' Na avaliação dele, há uma fragilidade
sistêmica no Brasil, um processo de ''africanização''.
Renée Pereira
Agência Estado
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 04 de
outubro de 2006 | Mundo
CONSTITUIÇÃO-Divergência
na condução da Assembléia Constituinte mobiliza
quatro governadores bolivianos
Bolívia “rica” fala
em separatismo

La Paz – Líderes de grupos civis
e empresariais e governadores de quatro dos nove departamentos
(equivalentes a Estados) da Bolívia divulgaram ontem um
manifesto no qual ameaçam realizar um plebiscito em suas
regiões para se converterem num Estado independente.
A consulta seria levada adiante caso o
governo do presidente Evo Morales insista em manter o caráter “originário” e “fundacional” da
Assembléia Constituinte, dando poderes totais à entidade,
acima dos três poderes da república.
Os quatro departamentos – Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando – abrangem
a região mais rica do país e abrigam a maior parte das reservas
de gás natural da Bolívia. Unidos, os quatro departamentos formam
uma espécie de meia-lua geográfica, mas não têm
território contínuo.
Praticamente no nível do mar – em
contraposição aos demais departamentos do país,
nos Andes –, as quatro regiões votaram pelo “sim” no
plebiscito sobre autonomia que se realizou paralelamente à eleição
da Assembléia Constituinte, em 2 de julho.
“Convocaremos um referendo em nossos
departamentos para consultar a vontade de nossos povos sobre se estão
dispostos a aceitar a pretensão (do governo de Evo) de se ‘fundar’ um
novo Estado sem que sejam respeitadas as decisões democráticas
de todos os bolivianos”, diz o manifesto, referindo-se às
afirmações do governo de que pretende “refundar a
Bolívia” a partir da promulgação da nova Constituição.
O Movimento ao Socialismo (MAS), partido
de Evo, tem a maior bancada da Constituinte, mas não tem votos
suficientes para aprovar os artigos da futura Carta por maioria de dois
terços. No entanto, conseguiu aprovar uma norma no regimento da
assembléia que permite a aprovação de projetos por
50% dos votos mais 1, causando forte reação da oposição.
“Caso persista o desrespeito à lei
de convocação da Assembléia Constituinte e a intenção
de aprovar uma reforma constitucional à margem dela, expressamos
nossa decisão de não acatar a futura Constituição”,
prossegue o texto do manifesto.
O governador de Santa Cruz, Rubén
Costa, o mais feroz opositor do governo central esquerdista, denunciou “uma
minoria fundamentalista que quer se impor em Sucre”, numa referência
ao MAS.
Peso
Santa cruz, Beni, Pando e Tarija somam
dois terços da área boliviana, 42% do PIB e 85% das reservas
de hidrocarbonetos.
Os dirigentes políticos,
civis e municipais defendem que a reforma constitucional (pela independência)
seja aprovada por 170 dos 255 constituintes.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 04 de
outubro de 2006 | Economia
DECLARAÇÃO
Receita terá de restituir
IR no mesmo ano
Brasília – O Senado aprovou ontem um projeto de lei que obriga
a Receita Federal a fazer a restituição do Imposto de Renda das
pessoas físicas no mesmo ano da declaração do contribuinte.
A partir de entendimento entre os partidos, o texto foi votado pela Comissão
de Assuntos Econômicos em caráter terminativo, ou seja, sem necessidade
de passar pelo plenário da Casa. Falta, porém, a aprovação
da Câmara dos Deputados e a sanção presidencial, ambas
sem prazo definido. Hoje, a restituição do IR já é feita
em lotes ao longo do ano da declaração. Na prática, o
projeto acaba com o atual modelo da malha fina, ou seja, o atraso por tempo
indeterminado na restituição quando a Receita decide investigar
informações prestadas pelo contribuinte. Pela proposta, apresentada
em 2004 pelo senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA), o governo terá até o último
dia útil do ano para fazer todas as restituições. O que
não impede que ela continue investigando uma declaração
e, se irregularidades forem encontradas, cobre a diferença do contribuinte.
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
04 de outubro de 2006
Estudo mostra impacto dos acidentes
nas rodovias
Gastos com acidentes de trânsito
R$ 24,6 bilhões entre 2004 e 2005
Curitiba - Os acidentes de trânsito
em rodovias brasileiras demandaram o montante de R$ 24,6 bilhões,
entre os anos de 2004 e 2005. Os recursos foram para cobrir gastos
com cuidados em saúde, desde os primeiros socorros até o
atendimento em hospitais e tratamentos, remoção das
vítimas, perda de produção e danos aos veículos.
Deste total, R$ 16,5 bilhões são referentes a acidentes
nas rodovias estaduais, enquanto que nas federais o custo foi reduzido
a menos da metade, cerca de R$ 8,1 bilhão.
As informações foram divulgadas,
ontem, durante a apresentação dos resultados finais do
projeto ''Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de Trânsito
nas Rodovias Brasileiras'', em Brasília. O estudo foi encomendado
ao Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) pelo Departamento Nacional de
Trânsito (Denatran) e apresenta os custos dos acidentes no País
de acordo com as classes de rodovias, nas diferentes regiões,
para as diversas categorias de veículo e ainda, segundo a gravidade
do acidente.
A rodovia federal mais perigosa apontada
pelo projeto foi a BR-381, com o total de 7.420 acidentes, 4.113 feridos
e 297 mortos. A rodovia aparece encabeçando a lista porque apresenta
o maior índice de periculosidade (acidentes/quilômetro)
que foi de 8,34. A rodovia com o maior número de mortos foi a
BR-101, com 1,060, seguida pela BR-116 com 1.030. Além disso,
a região que mais gastou dinheiro com acidentes em rodovias federais
foi a Sudeste, cerca de R$ 3,1 bilhão, seguida do Sul, Nordeste,
Centro-Oeste e Norte.
Em 2005, moreram no local do acidente
6.352 pessoas, segundo registros da Polícia Rodoviária
Federal. No entanto, o Ipea também considerou no estudo o número
de pessoas que faleceram em decorrência dos acidentes, subindo
o total para 10.422 mortos.
De acordo com a nota enviada a imprensa
pela assessoria de imprensa do Denatran, a pesquisa vai nortear os órgãos
envolvidos na realização de melhorias, servir de subsídio
para a geração de políticas públicas e para
a execução de projetos e ações diretas para
redução dos acidentes nas rodovias brasileiras.
O projeto, que durou cerca de um
ano e meio para ser concluído, ainda levantou que o custo médio
do acidente com feridos fica em torno de R$ 90 mil, já com vítimas
fatais aumenta para R$ 421 mil.
Flora Guedes
Equipe da Folha
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
04 de outubro de 2006
‘Constituição
Cidadã’ completa 18 anos
Resposta democrática aos 21 anos
de regime militar, a Constituição de 1988 canalizou
as aspirações de uma sociedade ansiosa por mudanças
Arquivo Folha / ABr

Manifestação em Brasília, pelas Diretas Já, movimento
precursor da Constituição

Oswaldo Trevisan, um dos constituintes da Carta de 1988
A elaboração de novas constituições acontece, geralmente,
em momentos de conflito e de profundas transformações sociais
e políticas. Não foi diferente com a de 1988, que completa 18
anos amanhã, dia 5 de outubro. Elaborada como resposta aos 21 anos de
ditadura, impostos pelo regime militar anterior, a Constituição
canalizou as aspirações de uma sociedade ansiosa por mudanças. ‘‘Foi
uma explosão de todo o sentimento de liberdade. Queríamos sanear
todos os setores da atividade humana’’, afirma o empresário
Francisco Leite Chaves, de Londrina, ex-senador e um dos constituintes.
Para o ex-deputado federal, ex-prefeito
e constituinte, Oswaldo Trevisan, de Cornélio Procópio,
o país vivia um momento de mudança dos rumos políticos. ‘‘A
população foi às ruas com a campanha das Diretas
Já. Isso mobilizou todo o povo brasileiro em busca de uma nova
ordem político-constitucional’’, relembra.
Em 1984, o então deputado federal
Dante de Oliveira propôs uma emenda constitucional em favor das
eleições diretas para presidente da República. Rejeitada
pelo Congresso, Tancredo Neves - então governador de Minas Gerais
e um dos líderes da oposição -, lançou-se
candidato a presidente da República pelo colégio eleitoral,
tendo como vice José Sarney. À frente da chapa formada
pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e pelo
Partido da Frente Liberal (PFL), uma dissidência do PDS, Tancredo
venceu a última eleição indireta no país,
no dia 15 de janeiro de 1985, por 480 votos, contra 180 de Paulo Maluf,
candidato da situação. A eleição marcou o
fim do regime militar.
Um dia antes da posse, contudo, Tancredo
Neves foi hospitalizado. Segundo Trevisan, a notícia causou grande
apreensão em Brasília. ‘‘Quem assumiria a presidência?
Ulysses Guimarães, na condição de presidente da
Câmara, ou Sarney, na posição de vice?’’.
O constituinte conta que o incidente só foi resolvido depois que
o então ministro da Justiça, Paulo Brossard, anunciou na
televisão que Sarney deveria assumir a presidência. ‘‘Paralelamente,
os militares também se organizavam. Então, ficou definido,
também no meio militar, que seria o Sarney. Tanto que, naquela
madrugada, o então ministro do Exército, Leônidas
Pires Gonçalves, acordou Sarney com o telefonema: ‘Boa noite,
presidente’ ’’.
‘‘Até o dia 21 de
abril (morte de Tancredo Neves) o país estava em comoção’’,
conta Trevisan. ‘‘Como presidente da República, Sarney
cumpriu o compromisso da Aliança Democrática e convocou
uma Assembléia Nacional Constituinte. Os deputados e senadores
eleitos em 1986 tiveram amplos poderes constituintes, isto é,
o poder de transformar tudo’’, complementa.
Em fevereiro de 1987, sob a presidência
de Ulysses Guimarães, a Assembléia Nacional Constituinte
começou a elaborar a nova carta. ‘‘É importante
lembrar a importância de Ulysses Guimarães. Acho que, se
não tivéssemos a felicidade de escolhê-lo como líder,
tenho minhas dúvidas se o Brasil teria conseguido aprovar a Constituição
de 1988. Ele conduziu todos os trabalhos, do começo ao fim, com
muita competência’’, comenta.
Segundo Leite Chaves, não houve
um anteprojeto, a partir do qual os parlamentares pudessem iniciar os
trabalhos. ‘‘Nada foi seguido. Partimos de uma ampla discussão
e não houve limitação de assuntos. Foi como fazer
um prédio sem andaimes, sem escoras’’, avalia.
Para Trevisan, a Constituição
de 1988 foi inspirada na revolução francesa e nas constituições
de outros países, como Portugal e Alemanha, além de todas
as declarações de direitos. ‘‘Procuramos os
acontecimentos históricos, pois o nosso objetivo era restabelecer
o estado de direito democrático’’, conta.
A Constituição de 1988,
pela primeira vez, incorporou emendas populares. Na opinião de
Trevisan, foi a constituição mais democrática de
toda a história do país. ‘‘Quando íamos
discutir a questão indígena, no dia seguinte os índios
estavam lá. Houve participação de todos os segmentos
da sociedade, não é uma constituição só para
ricos ou pobres, é de todos’’.
Leite Chaves relembra que os parlamentares
trabalharam sob pressão. ‘‘Mulheres jogavam sapatos
na cara de deputados e discutiam. Eram líderes estudantis, juristas, índios,
trabalhadores rurais, sindicalistas, todos envolvidos em uma ampla discussão’’,
relembra, ‘‘a Constituição foi resultado dessas
pressões, numa explosão de soberania’’.
Erica Shimamura
Reportagem Local
ACERTOS E DESACERTOS
Uma das críticas à Constituição
de 1988, segundo Leite Chaves, que foi membro da subcomissão do
Judiciário, é relativa às matérias tratadas. ‘‘A
Constituição terminou escrevendo, em seus princípios,
matérias do direito comum, em vez de tratar somente de matérias
constitucionais. Muita coisa foi colocada que não era matéria
constitucional’’, afirma.
Na visão de Trevisan, as matérias
do direito comum foram tratadas como constitucionais, para garantir maior
segurança a esses direitos. ‘‘Nós constitucionalizamos
o direito do trabalho e o de família, por exemplo, para garantir
segurança a esses direitos. Pois mudar uma lei ordinária’’,
avalia, ‘‘é muito mais fácil do que mudar a
constituição’’.
Batizada de ‘‘Constituição
Cidadã’’ por Ulysses Guimarães, a nova carta
ampliou e fortaleceu a garantia dos direitos individuais, sociais e coletivos;
fixou a independência entre os Três Poderes; estabeleceu
eleições diretas para presidente da República; legalizou
partidos políticos; extinguiu a censura e estendeu o voto aos
analfabetos e aos jovens com mais de 16 anos. Na área trabalhista,
limitou a jornada semanal de trabalho a 44 horas, estabeleceu o seguro-desemprego,
ampliou a licença-maternidade para 120 dias e criou a licença-paternidade.
Leite Chaves aponta o poder de emenda
da Constituição como fator positivo. ‘‘É um
mecanismo que vai adaptando os textos constitucionais à realidade
nacional. Isso é muito mais importante do que uma constituição
rígida como a dos Estados Unidos. As reformas vão nos dando
uma constituição saudável e aceitável. Somos
censurados por isso, quando, na verdade, se não houvesse o poder
de emenda, isso tornaria a Constituição inválida
e inadequada’’.
De modo geral, o ex-senador acredita
que a Constituição de 1988 tornou-se um grande avanço,
pois as liberdades foram amplas. ‘‘Nunca houve Constituição
com tantas virtudes e também com tantos defeitos’’,
considera, ‘‘mas que podem e devem ser modificados por meio
das reformas’’.
Para Trevisan, a carta de 1988 foi uma
grande conquista para o Brasil. No entanto, é necessário
que seja efetivamente cumprida por todos. ‘‘É preciso
conhecer a constituição, pois muitas conquistas foram alcançadas,
mas não estão funcionando porque o povo não cobra
e não conhece esses direitos. Temos de democratizar o conhecimento
da constituição’’, acredita.
De acordo com o ex-ministro do Supremo
Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Mário
da Silva Velloso, ‘‘a Constituição é o
pressuposto de validade e eficácia de toda a ordem normativa instituída
pelo Estado’’. Nessa perspectiva, segundo afirma, a Constituição
de 1988 pode ser considerada ‘‘a mais democrática
que tivemos, sob todos os aspectos’’.
Opinião referendada pelo
professor Zulmar Fachin, presidente do Instituto de Direito Constitucional
e Cidadania - IDCC, para quem ‘‘a Constituição
de 1988 é democrática, humanista e inovadora. Precisa
ser preservada e, acima de tudo, concretizada na vida cotidiana, uma
tarefa que cabe aos governantes e também à sociedade’’.
(E.S.)
|
DCI – DIÁRIO,
COMÉRCIO E INDÚSTRIA, 04 de outubro de 2006
A era dodesemprego
Benedicto Camargo Dutra
Uma das maiores preocupações
da atualidade é a questão do emprego. E trata-se de um
temor real, porque as oportunidades de trabalho, dentro das empresas,
estão de fato diminuindo a cada dia. Contribui para isso o uso
crescente da automação, que reduz a necessidade de mão-de-obra,
e também a acirrada concorrência dos produtos fabricados
em países densamente povoados.
A China, por exemplo, cujo avanço
da produção, em conjunto com o câmbio depreciado
e a mão-de-obra especializada e barata, está competindo
de forma desigual com nações emergentes como o Brasil,
em que o processo industrial estagnou.
Assim, além de perdermos mercado
externo, também somos inundados com produtos industrializados
que apresentam custos menores aos nacionais, o que afeta sensivelmente
a economia como um todo.
Em paralelo, nossos líderes estão
desacreditados porque não demonstram, em atitudes, as promessas
feitas nas épocas de campanha eleitoral. Em conseqüência,
a população passa a ver com simpatia lideranças
informais que conseguem captar seus anseios.
É o que estamos verificando hoje,
no Brasil com as facções marginais adquirindo cada vez
mais prestígio junto à população carente.
Concomitante a essa situação
de inversão de valores, o País registrou o menor crescimento
dentre as economias emergentes e uma lenta redução da pobreza,
o que têm alimentado ainda mais o sentimento de frustração.
Faltam empregos. Faltam oportunidades.
Segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese) cerca de 1,5 milhão de
jovens com idade entre 16 e 24 anos estão desempregados nas grandes
regiões metropolitanas do País.
É uma situação que
aflige.
As pessoas estão descontentes e
assustadas e, com isso, permitem que sentimentos nobres como a generosidade
e a misericórdia deixem de ser cultivados e praticados. Então,
passam a agir de forma insensível, como máquinas sem coração,
dominadas pela frieza do raciocínio. Com a falta de emprego e
dinheiro, o descontentamento faz com que os indivíduos olhem uns
para os outros como se fossem inimigos.
As novas gerações são
as que mais sofrem, sentindo-se sacrificadas pela falta de oportunidades
de trabalho, de perspectivas profissionais e de crescimento pessoal.
Tudo isso contribui para aumentar a sensação de insegurança.
Em paralelo, a parcela da população adulta e economicamente
ativa também teme perder o emprego, o que provoca estresse e ansiedade.
Mas, é preciso agir, adquirir experiência e se atualizar,
mesmo sabendo que as chances de desenvolvimento se reduzem num mundo
onde há um excesso de população desqualificada. É preciso
estar atento e observar onde cada um pode ajudar. Ficar revoltado só agrava
a situação. Necessitamos mudar a atitude minada pelo cenário
de dificuldades e insucessos.
Sempre poderemos alcançar alguma
melhora, desde que haja uma atitude firme de todos para administrar os
problemas existentes, seja no aprendizado, na economia, no meio ambiente.
O que não podemos mais permitir é a continuidade de procedimentos
irresponsáveis e imediatistas, que estão fazendo da Terra
um lugar perigoso e insalubre para a vida.
Afinal, se houver uma atitude séria,
no sentido de administrar o planeta, visando a contínua melhoria
das condições de vida, certamente os resultados começarão
a aparecer, principalmente no Brasil, que é um país tão
ricamente dotado pela natureza, mas que até agora não recebeu
os devidos cuidados de seus governantes e de sua população.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 04 de
outubro de 2006 | Mundo
ED CHOATE-Paulista radicado no Tennessee
quer os norte-americanos usando o biodiesel
Brasileiro luta por uma vaga
no Senado dos EUA
Arquivo pessoal

Choate: votos dos desiludidos.
Curitiba – O brasileiro Ed Choate, 56 anos, resolveu se candidatar ao
Senado; não para trabalhar em Brasília, mas em Washington. Filho
de pai norte-americano, Choate tem dupla cidadania, vive há 17 anos
no estado do Tennessee, e concorre a uma vaga na eleição parlamentar
dos EUA, marcada para novembro. Mesmo mergulhado na política norte-americana,
Choate está sempre de olho no que acontece no Brasil e acha que sua
terra natal tem muito a mostrar aos norte-americanos. Como exemplo, ele cita
o uso do biodiesel. “O Brasil quase não importa petróleo.
Por que os EUA não podem fazer o mesmo?,” pergunta o empresário
viúvo, que é pai de quatro filhos e decidiu deixar o Brasil por “medo
da inflação”. Confira a entrevista que Choate concedeu à reportagem
da Gazeta do Povo por telefone.
Gazeta do Povo – Por
que concorrer ao Senado dos EUA?
Ed Choate – É a primeira vez que
estou concorrendo, por vários motivos. Sou republicano,
mas os partidos tradicionais erram tanto em não dialogar,
que resolvi me candidatar como independente. Assim, mesmo que eu
perca, posso dizer tudo o que eu penso. Posso conquistar o voto
dos que estão decepcionados com republicanos e democratas.
Qual são suas chances de se
eleger?
Estou tentando formar o Partido Americano
Conservador Cristão e acredito que tenho chance. Se conseguir
ao menos 23 votos de cada igreja do Tennessee estarei eleito. No total,
preciso de 800 mil votos.
Quem financia a campanha?
Quem se identifica com a minha causa pode
fazer doações de até US$ 200. Pessoas jurídicas
podem doar valores maiores.
Sua proposta para imigração
foi elogiada pela imprensa local. Qual é a idéia?
O problema com os imigrantes nos EUA ocorre
por culpa do governo norte-americano. O governo dos EUA abria as portas,
prendia as pessoas na fronteira, multava e pedia que o imigrante retornasse
em um mês para definir se ficaria ou não no país.
Obviamente, ninguém voltava à fronteira para dar satisfação.
O governo sabia disso, mas o país precisava de mão-de-obra
barata. Os empresários e governo são culpados pela atual
situação. Agora queremos prender e mandar todo mundo embora?
Isso está errado. Minha proposta é a seguinte: primeiro
se fecha toda a fronteira norte-americana com 15 mil militares por três
meses. Depois passa-se a exigir a carteira de identidade emitida pelo
governo dos EUA a todos os ilegais. São necessários três
meses para conseguir essa carteira. Daríamos dois anos para o
imigrante regularizar a sua situação. Neste meio tempo,
a pessoa seria obrigada a aprender a ler e a escrever em inglês.
Caso contrário, seria mandada embora. Todos seriam obrigados a
tirar foto, impressões digitais e a fazer coleta para identificação
do DNA. Outro ponto é a consulta a base de dados criminais. Caso
o imigrante tenha cometido qualquer crime, seria mandado embora. Também
sugiro que os filhos de imigrantes ilegais nascidos nos EUA não
terão mais direito à cidadania. Isso forçaria os
imigrantes a buscarem o green card para que o filho obtenha cidadania.
O senhor também afirma que
os norte-americanos deveriam adotar algumas idéias brasileiras.
Quais?
O Brasil tem muito a oferecer aos EUA.
Se o biodiesel fosse adotado nos EUA, por exemplo, resultaria em menor
dependência do petróleo. Adoraria que os empresários
brasileiros desse setor entrassem em contato comigo para trocarmos idéias.
Admiro os brasileiros pela sua criatividade em produzir inventos com
poucos recursos.
Qual é a sua opinião
sobre o governo Bush?
Vejo que estão falando demais e
não fazem o suficiente. O sistema de saúde é péssimo
e caro. Precisa de uma reforma urgente.
Serviço: Quem quiser entrar
em contato com o empresário pode acessar seu site (www.edchoateforsenate.com)
ou mandar enviar mensagem por e-mail (edchoate@edchoateforsenate.com)
Keyse Caldeira
|
CONSULTOR JURÍDICO,
04 de outubro de 2006
Trabalho de candidato
Licença eleitoral tira direito
de férias de empregado
Servidor público que tira licença
remunerada por mais de 30 dias perde o direito às férias.
O entendimento é da 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
Os ministros negaram a concessão de férias para um funcionário
da Companhia HidroElétrica do São Francisco, que se candidatou
a vereador.
O relator do recurso no TST, ministro
Lélio Bentes Corrêa, esclareceu que o servidor recebe vencimentos
integrais durante todo o período de afastamento, não sendo
necessária a concessão de mais um benefício.
De acordo com o processo, o funcionário
se afastou por três meses (de julho a outubro de 1996) para se
candidatar a vereador em Recife (PE), mas alegou que tinha direito a
férias. O pedido foi negado pela empresa.
Ele entrou com a ação na
Justiça do Trabalho. A primeira instância acolheu o pedido
do servidor. O Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região
(Pernambuco) reformou a sentença. Explicou que o artigo 133 da
CLT é taxativo ao afirmar que não tem direito a férias
o empregado em gozo de licença remunerada.
O entendimento foi mantido pela 1ª Turma
do TST. “Ampliar a extensão das vantagens é uma incongruência”,
concluiu.
RR-758.888/2001.7
|
CONSULTOR JURÍDICO,
04 de outubro de 2006
Hora certa
Médico plantonista não
tem direito a hora extra
Médico plantonista contratado por
valor certo não tem direito de receber horas extras ou adicional
noturno. O entendimento, da 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (São Paulo), é o de que o valor
do plantão remunera integralmente o trabalho prestado. Cabe recurso.
Os juízes negaram o pedido de um
médico plantonista que reclamou o pagamento de horas extras e
de adicional pelo período que trabalhou na UTI do Hospital Príncipe
Humberto, a serviço da São Camilo Assistência Médica.
Depois da rescisão do contrato
de trabalho com o hospital, o médico garantiu o reconhecimento
do vínculo empregatício e demais verbas rescisórias
na 1ª Vara do Trabalho de São Bernardo do Campo. No entanto,
a primeira instância negou o pedido. O médico recorreu ao
TRT paulista.
No tribunal, o relator do processo, juiz
José Ruffolo, manteve a sentença. “O trabalho em
regime de plantão e com remuneração fixa é comum
no meio médico e interessa também aos profissionais, os
quais, normalmente, prestam serviços em diversas entidades e,
portanto, necessitam de horários de trabalho diferenciados.” A
decisão da 5ª Turma foi unânime.
RO 02.201.2003.4610.2004
|
CONSULTOR JURÍDICO,
04 de outubro de 2006
Volta ao trabalho
Portador de doença ocupacional
tem estabilidade
O Tribunal Superior do Trabalho manteve
a ordem de reintegração de um caixa do banco Bradesco,
portador de doença ocupacional. O caso chegou a Seção
de Dissídios Individuais 2 do TST, que confirmou a liminar dada
pela Vara do Trabalho de Santa Cruz do Sul (RS).
O empregado foi demitido do Bradesco,
sem justa causa, em 7 de julho de 2005, depois de 15 anos de serviço.
Durante o período de aviso prévio, ele protocolou na Previdência
Social uma comunicação de acidente de trabalho, relatando
a ocorrência de dores no ombro e braço direitos.
No mesmo período, ajuizou reclamação
trabalhista pedindo reintegração ao trabalho por ser portador
de Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho, doença
adquirida durante o contrato de trabalho. Por isso, de acordo com ele,
tinha direito à estabilidade legal. Pediu, ainda, a condenação
do banco no pagamento dos salários desde o desligamento até a
efetiva readmissão, além de FGTS, 13° salário
e férias.
A primeira instância concedeu liminar,
determinando a reintegração do empregado e determinando
que o banco pagasse, retroativamente, a diferença entre o valor
recebido pelo empregado como auxílio-doença e sua remuneração
mensal, sob pena de sofrer multa diária de R$ 300.
O Bradesco recorreu. Solicitou a revogação
da liminar com a suspensão da multa. O Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região (Rio Grande do Sul), por maioria de votos, concedeu
a segurança apenas quanto à multa. Com relação à reintegração
e ao pagamento da diferença de salário, indeferiu o pedido.
No TST, o ministro Renato de Lacerda Paiva,
relator do processo, manteve a decisão do TRT gaúcho. Segundo
ele, não ficou configurado o direito líquido e certo ao
não-cumprimento de obrigação de fazer. A decisão
do ministro, acompanhada por, está de acordo com as Orientações
Jurisprudenciais 64 e 142 da SBDI-2 do TST.
ROMS-2.955/2005-000-04-00.2
|
CONSULTOR JURÍDICO,
04 de outubro de 2006
Jornada de trabalho
Engenheiro que trabalha em banco não é bancário
Empregado de instituição
financeira que desempenha função de engenheiro civil não é bancário.
O entendimento é da 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
A Turma negou o recurso de um engenheiro da Caixa Econômica Federal,
que pedia a equiparação da jornada de seis horas de trabalho.
O relator do caso, ministro Alberto Bresciani,
esclareceu que “os engenheiros são regidos por norma específica,
a Lei 4.950-A/66”. A legislação considera que categoria
diferenciada é a de empregados que exerçam profissões
ou tenham funções peculiares, regidas por estatuto profissional
especial e em condições singulares, como engenheiros, jornalistas,
médicos, entre outras.
O engenheiro pediu na Justiça do
Trabalho o direito de equiparar sua jornada de trabalho à dos
bancários da instituição (de 6 horas diárias).
A jornada do engenheiro foi fixada em oito horas no contrato de trabalho
com a CEF.
A 1ª Vara do Trabalho de Florianópolis
negou o pedido. O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região
(Santa Catarina) manteve a sentença. Ressaltou que é inaplicável
a engenheiro da Caixa a jornada prevista no artigo 224 da CLT.
O empregado recorreu ao TST. A 3ª Turma
não mudou o entendimento das instâncias inferiores. “Os
acordos coletivos de trabalho estabelecem que aos ocupantes de cargos
profissionais, quando sujeitos à dedicação exclusiva
ou jornada diferenciada, aplica-se o previsto nos seus contratos de trabalho”,
explicou o relator.
Alberto Bresciani esclareceu ainda que
não houve violação ao artigo 224 da CLT, “na
medida em que ele se dirige à categoria dos bancários,
e não à dos engenheiros que trabalhem em estabelecimento
bancário”.
AIRR 4.863/2003-001-12-40.2
|
CONSULTOR JURÍDICO,
04 de outubro de 2006
Trabalho no governo
TST adia decisão sobre contratação
de cooperativas
Não foi dessa vez que o Tribunal
Superior do Trabalho decidiu se o governo federal pode contratar cooperativas
de mão-de-obra. O julgamento foi interrompido com o pedido de
vistas do ministro Ives Gandra. Além dele ainda faltam votar os
ministros Gelson de Azevedo, Simpliciano Fernandes, Renato Paiva e Emmanuel
Pereira.
O Sindicato das Cooperativas de Trabalho
do Rio de Janeiro entrou com ação no TST contra o acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF). O acórdão
do TRT manteve acordo entre o Ministério Público do Trabalho
e a Advocacia-Geral da União, pelo qual a União compromete-se
a não contratar cooperativas de mão-de-obra quando envolver
subordinação. O acordo é de 2003.
Nesta terça-feira (4/10), o ministro
Antônio José Levenhagen votou a favor da manutenção
do acordo. Segundo o ministro, o termo assinado entre o MPT e a União
não viola nenhum dispositivo legal e apenas afasta a contratação
das cooperativas fraudulentas, cuja constituição não
se dá por vínculo de solidariedade entre os trabalhadores,
mas por cooptação. Ressaltou ainda que o acordo não
afasta a contratação das genuínas cooperativas.
A Associação Nacional dos
Procuradores do Trabalho e o MPT já entregaram memorial aos ministros
do TST, expondo as razões pelas quais o acordo deve ser mantido. “A
manutenção desse acordo é de fundamental importância
para a administração pública porque evita condenações
decorrentes da sonegação dos direitos trabalhistas pelas
falsas cooperativas. Representa também a luta contra a precarização
das relações de trabalho”.
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
04 de outubro de 2006
Operário morre eletrocutado

Um funcionário da Copel morreu eletrocutado na manhã de ontem
enquanto fazia serviços de rotina no circuito rural de Nova América
da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio). O eletricista
José Teodoro de Lima, 51 anos, era funcionário da Copel há 25
anos e atualmente trabalhava na regional de Cornélio Procópio.
Segundo informações da assessoria
de imprensa da Copel, o acidente ocorreu por volta das 10 horas e Lima
teria falecido ainda no local. Equipe de funcionários da Copel
e uma comissão de técnicos de segurança do trabalho
da empresa passaram a tarde de ontem no local para avaliar a causa do
acidente. Até o final da tarde não havia detalhes de informações
de como Lima teria sido eletrocutado.
Segundo a Copel, o último
acidente envolvendo funcionário da companhia aconteceu há seis
anos. O corpo de Lima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal
(IML) de Londrina.
Fernanda Borges
Reportagem Local
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
04/10/2006
Convenção coletiva não
pode suprimir horas de deslocamento
As horas in itinere (tempo gasto pelo
trabalhador no itinerário para o trabalho) não podem ser
suprimidas do salário, mesmo que haja acordo coletivo nesse sentido.
A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho entendeu que a supressão
desse direito é lesiva aos trabalhadores. O caso julgado pela
Turma, sob a relatoria do ministro Carlos Alberto Reis de Paula, envolve
o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pedra do Fogo e a Agroarte Empresa
Agrícola S.A.
Os empregados abriam mão das horas
extras pagas a título de horas in itinere. O ministro relator
considerou o pacto “ilegal, impertinente e abusivo”, pois “a
transação firmada entre as partes implicou apenas em renúncia
de direitos por parte da classe dos trabalhadores”. O rurícola
foi contratado pela Agroarte para o corte, enchimento e transporte de
cana-de-açúcar das fazendas Cabocla, Capiassu e Santana
(na Paraíba), e Meirim e Muzumbo (em Pernambuco).
O ministro Carlos Alberto manteve o entendimento
do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (Pernambuco)
de que a extrapolação da jornada de tempo em função
do deslocamento obriga a empresa a pagar as horas extras e o respectivo
adicional ao empregado. A decisão do TST baseou-se na comprovação
pelo TRT/PE da dificuldade enfrentada pelo empregado no trajeto da sede
da empresa às fazendas, além do uso de condução
da empresa pela falta de transporte público.
O relator esclareceu que conforme a Súmula
90 do TST, com a nova redação dada pela Resolução
129/2005, “o tempo despendido pelo empregado, em condução
fornecida pelo empregador, até o local de difícil acesso
ou não servido por transporte público regular, é computável
na jornada de trabalho e gera direito às horas in itinere”.
A discussão do tema na Terceira
Turma ressaltou ainda que a Constituição Federal “até permite
a tarifação das horas in itinere, mas não a sua
supressão”. Segundo o relator, embora a Constituição
Federal permita a flexibilização dos direitos, ela não
permite o seu suprimento. “O reconhecimento das convenções
e acordos coletivos de trabalho, previsto no artigo 7º, XXVI, da
Constituição, não autoriza que através destes
instrumentos seja promovida a simples supressão de direitos e
garantias legalmente assegurados”, finalizou o ministro Carlos
Alberto. (AIRR – 397/2005-271-06-40.8)
|