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JORNAL GAZETA DO POVO,
09 de outubro de 2006 | Economia
CRESCIMENTO
Construção civil ganha
ritmo
A construção imobiliária
(residencial e não-residencial) em Curitiba totalizou 5,4 mil
unidades no primeiro semestre deste ano, e confirmou a tendência
de crescimento registrada ao longo do ano passado. Segundo dados do
Sindicato da Construção Civil (Sinduscon – PR),
foram construídos na capital 611.488 metros quadrados nos seis
primeiros meses do ano – área 45% maior que a registrada
no mesmo período de 2005.
O setor ainda não se recuperou,
no entanto, da seqüência de quedas entre os anos de 2001
e 2003. Em 2000, foram construídos 1,63 milhão de metros
quadrados. No fim de 2003 o total não passou de 620 mil metros
quadrados.
Mesmo se mantiver o ritmo de crescimento,
o setor não deve chegar ao pico atingido em 2000, mas deve superar
com folga os 948 mil metros quadrados construídos em 2005, segundo
dados do Sinduscon.
“Depois de tantos altos e baixos,
de 2005 para cá o mercado vem registrando uma curva de crescimento
não só no volume de empreendimentos, mas também
na valorização dos preços”, diz o diretor
de novos negócios da Gafisa, Antônio Ferreira. “E
há exemplos em outros países de que a baixa na taxa de
juros eleva a atividade da construção civil. Por isso
estamos otimistas.” (CS)
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Diário Vermelho, 9
de outubro de 2006
Debate prenuncia 2º turno acalorado
entre Lula e Alckmin
Pegou fogo o primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e
Geraldo Alckmin (PSDB), realizado pela TV Bandeirantes na noite deste domingo
(08/10). Bloco a bloco, os dois presidenciáveis trocaram acusações,
provocações e ironias, deixando no ar um clima permanentemente
tenso.

Debate teve cinco blocos e 2h30min
Na opinião do presidente nacional
do PCdoB, Renato Rabelo, presente ao debate, os candidatos se enfrentaram
''em pé de igualdade''. O embate serviu mais para Lula ''desmascarar
a bandeira da ética'' tão propagada pela candidatura tucana.
''Alckmin não conseguiu responder sobre suas 69 CPIs, um assunto
abafado na mídia'', destaca Renato, que integra a coordenação
da campanha Lula.
Segundo ele, as questões sobre corrupção foram bem encaradas
pelo presidente. ''Lula deixou claro que seu governo é que realmente
está apurando - e também alertou que os escândalos de corrupção
vêm do governo FHC''. Nos bastidores do debate, apoiadores lulistas também
analisavam como positivo o desempenho de Lula. De acordo com a Bandeirantes,
o Ibope apontou 14,2 pontos de audiência (20 no auge) durante a exibição.
Tom elevado
A promessa de que se debateriam propostas,
sem ataques, ficou para trás já na primeira intervenção.
Alckmin começou atacando Lula de forma indireta, destacando a
presença de Heloísa Helena e Cristovam Buarque nos três
debates do primeiro turno. Repetiu que cortará ''gastos de corrupção'',
enxugará ministérios e cortará cargos de confiança.
Na sua vez, Lula partiu para o revide. Seu governo, disse o presidente, teve
de primeiramente superar a herança maldita do PSDB. Feito o ajuste,
o governo conseguiu avanços, como ao proporcionar mais crescimento.
Alckmin cobrou de Lula a origem do dinheiro do Dossiê Serra. A resposta
foi que ninguém mais do que ele, Lula, foi prejudicado pelo dossiê.
A Polícia Federal, acrescentou, está investigando o caso.
Questionado pelo tucano sobre a ''necessidade'' de saber a todo custo de mais
informações, o presidente teve seu primeiro grande momento no
debate. ''Provavelmente o governador tenha saudade do tempo da tortura'', disparou
Lula, que disse ser presidente, não policial. Ironizando as acusações
de que ''não sabe de nada'', ele perguntou se Alckmin sabia do histórico
de acusações contra Barjas Negri, ex-ministro da Saúde
de FHC.
E Lula melhora
Um pouco nervoso e acuado no primeiro
bloco, Lula voltou mais confiante no segundo, questionando, mais uma
vez, o motivo pelo qual o governo tucano engavetou todas as 69 CPIs requeridas
na Assembléia Legislativa de São Paulo. Saindo pela tangente,
Alckmin questionou por que Lula estava lendo e disse que a instalação
das comissões não dependia dele, mas de plenária
da própria Assembléia Legislativa.
Na réplica, porém, Lula disse que, diferentemente do tucano,
não tinha tanto tempo para ficar decorando números e textos.
''Parece que o candidato (Alckmin) fez curso de psicodrama, de tão fixado
que é'', zombou. O candidato do bloco PSDB-PFL procurava, em cada intervenção,
repisar palavras como ''corrupção'' e ''ética''. O presidente
apontou que não dá para investigar de antemão - mas ponderou
que sempre demitiu seus ministros quando soube de envolvimento.
Ao tratarem de programas sociais, Alckmin pareceu mais calibrado na fala, embora
tenha apresentado números mais modestos. O tucano aproveitou um deslize
de Lula, que se atrapalhou ao ler dados de iniciativas do governo tucano em
São Paulo. Foi a vez de o presidenciável conservador subir o
volume: disse que a mentira está ''entranhada no PT e no Lula''. O presidente
solicitou direito de resposta. Após longa demora, o jornalista e mediador
do debate, Ricardo Boechat, em dia pouco inspirado, informou que a produção
do programa não atenderia ao pedido.
Num de seus melhores momentos, Lula cobrou a presença de Fernando Henrique
Cardoso no palco e revelou o caráter entreguista das gestões
tucanas. Em seguida, levantou os escândalos da Febem, palco de constantes
rebeliões. Alckmin direcionou a resposta para os investimentos tucanos
em educação. Na réplica, em vez de pressionar mais, Lula
foi no embalo do discurso sobre ensino e perdeu uma oportunidade de tocar em
assuntos sensíveis ao candidato tucano.
Mais tensão
Só no terceiro bloco Lula tocou
no assunto mais delicado do currículo de Alckmin - os ataques
criminosos do PCC (Primeiro Comando da Capital). O presidente mencionou
que, após 12 anos de gestão tucana, o PSDB não conseguiu
evitar a escalada do crime organizado - o que anularia a tese do ''choque
de gestão''. Lula também acusou a contradição
entre as estatísticas decoradas por Alckmin e a realidade do estado
de São Paulo, citando cortes efetuados pelos tucanos em segurança
pública.
O tucano conseguiu esfriar a prometida polêmica, apostando em seu tradicional
e fastidioso discurso de redução de vários índices
de criminalidade. Ao abordar política externa, Alckmin qualificou de
''fracasso'' a atuação do governo federal. Lula respondeu que
o Brasil conquistou ''autoridade moral'' e ampliou os canais de negociação.
Mas o tucano voltou a desqualificar Lula - um ''presidente fraco'', nas palavras
agressivas do tucano - e disse que um brasileiro deve defender, antes de tudo,
o Brasil.
A réplica foi à altura. De acordo com o presidente, o Brasil,
apesar das acusações tucanas, tem superávit comercial
até com um país tão poderoso quanto a China. Lula se disse
sensível a ponto de não fazer como o presidente americano, George
W. Bush, que invade o Iraque para ampliar o domínio econômico
dos Estados Unidos. ''Bush pensa como você'', disse Lula a Alckmin.
Dois temas que prometiam polêmica - questão energética
e estradas - também apareceram no terceiro bloco. Mas o vaivém
de informações, o excesso de dados expostos, acabou por neutralizar
o impacto das intervenções. Os dois presidenciáveis se
acusaram de omissão em políticas públicas, e o imbróglio
não surtiu resultado para nenhum lado.
A vez dos jornalistas
O quarto bloco do debate - com jornalistas
perguntando a candidatos - gerou controvérsia. Alckmin foi poupado
ao ser inquirido em áreas de menor impacto, como maioridade penal
e corte de gastos. Lula, por sua vez, teve de enfrentar dois jornalistas
na ofensiva.
Franklin Martins pôs em xeque o desconhecimento de Lula sobre casos de
corrupção no Planalto. Sua pergunta: quem garante que, uma vez
reeleito, Lula não se surpreenderá novamente com denúncias
de corrupção. A ''lógica da ética'', repsondeu
o presidnete Lula, é investigar depois que soube. Seu governo foi o
mais investigativo da história, o que fica claro na atuação
da Polícia Federal.
Mais incisivo ainda foi José Paulo de Andrade, que se inflamou ao cobrar
''a volta de valores'' como ''trabalho, dignidade, honestidade, ética,
civismo''. O tom duro obrigou Lula a elaborar mais a resposta. Alckmin, sem
dúvida, foi melhor nesse bloco. Até porque Lula chegou a se equivocar
ao dizer que, em São Paulo, o governo tucano não havia vendido
aviões nem helicópteros. Mesmo quando Alckmin tratou de redução
de verbas publicitárias, faltou a Lula explicar mais sobre o caso da
Nossa Caixa, que a maioria da população desconhece.
O último round
No bloco decisivo, ao reclamar das acusações
de que privatizaria a Petrobrás, Alckmin acusou Lula de ''irresponsabilidade''
e chamou o presidente de ''arrogante, irônico e desrespeitoso''.
O petista arrancou risos ao pedir para o tucano se acalmar. ''O nervosismo
não faz seu gênero, governador''. E foi categórico
em afirmar que as privatizações realizadas por FHC levam
a crer, sim, que as estatais restantes correm o risco de serem vendidas
em caso de vitória alckminsta
Lula fechou sua participação explicando que quer se reeleger
para dar continuidade ao trabalho do governo federal. ''As bases estão
levantadas'', afirmou. Após enumerar obras como pólos petroquímicos,
a Transnordestina e o biodiesel, Lula destacou a importância de investimentos
em emprego e da educação para melhorar as condições
de vida. Alckmin enfocou o desenvolvimento econômico, prometendo geração
de emprego, sobretudo a partir da iniciativa privada. Baseou sua argumentação
no princípio da ''mão firme'' e da responsabilidade. A exemplo
de Lula, não finalizou de forma chamativa, repetindo muito de seus dizeres
no debate.
''No sentido mais geral, Lula teve bom ritmo e foi à luta, ainda mais
quando procurou dizer quem eram os tucanos'', diz Renato Rabelo. Sem um grande
vencedor, o primeiro debate deixa indícios de um acalorado segundo turno.
Funcionou também como aperitivo para os próximos confrontos na
TV - que ocorrem nas redes Gazeta (17/10), Record (data a confirmar) e Globo
(27/10). Da Redação,André Cintra
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Nova Central, 09 de outubro
de 2006
Maioria dos jovens de baixa renda só trabalham,
diz Dieese
Apenas 23,5% dos jovens de baixa renda de São Paulo conseguem conciliar
estudo e trabalho, enquanto 76,5% só trabalham, segundo estudo do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A pesquisa "A Ocupação dos Jovens nos Mercados de Trabalho
Metropolitanos" concluiu que jovens de famílias de baixa renda
encontram mais dificuldades para estudar e trabalhar ao mesmo tempo.
O levantamento, divulgado em setembro,
analisa a inserção da população jovem no
mercado de trabalho nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte
(MG), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA) e São Paulo
e no Distrito Federal. Segundo a economista do Dieese Patrícia
Lino Costa, o estudo dividiu os jovens em quatro grupos, de acordo com
a renda familiar. Na região metropolitana de São Paulo,
por exemplo, o primeiro grupo compreende aqueles cujas famílias
têm renda mensal de até R$ 500. O segundo é formado
por jovens de renda familiar entre R$ 500 e R$ 1 mil; o terceiro, entre
R$ 1 mil e R$ 2 mil; e o quarto, maior que R$ 2 mil.
Integrante da equipe técnica responsável
pelo levantamento, a economista explicou que esses valores variam de
acordo com a renda média da região metropolitana. O estudo
apontou que entre os jovens de famílias com renda mais alta, o
percentual dos que somente trabalham cai para 59,2%, contra 40,8% que
dividem o tempo entre os livros e o emprego.
"Quando o corte é por renda
familiar, percebe-se que a questão do desemprego na juventude é intimamente
ligada à da distribuição de renda e da pobreza.
Tanto que os jovens de família de baixa renda têm muito
mais dificuldade para continuar estudando", observou. "A escolaridade
mais freqüente é o ensino fundamental incompleto".
Segundo ela, as diferenças se traduzem
na renda média dos jovens, que é de R$ 240 para os das
famílias de baixa renda e de R$ 700, no caso da família
com maior renda. Neste caso, acrescentou a economista, o diferencial
está na própria formação desse jovem: "no
preparo que ele teve, como o conhecimento de outras línguas" e
no fato de conseguir fazer uma faculdade.
" Então, ele tem possibilidade de escolher a carreira que quer".
Na avaliação de Costa,
para diminuir essas diferenças é preciso focar em políticas
públicas para o segmento dos jovens de família de baixa
renda, principalmente para que eles possam permanecer na escola. "É importante
que ele saia dessa escolaridade média do ensino fundamental
incompleto e se mantenha na escola para que possa fazer o ensino médio
e, até mesmo, uma faculdade. Porque isso muda a inserção
dele no mercado de trabalho e também ajuda a formar um cidadão
melhor". Ela destacou, ainda, a importância do ensino técnico,
em que o jovem tenha a oportunidade de aprender uma profissão
antes de terminar os estudos.
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Folha
de São Paulo, 07 de outubro de 2006
Lula lidera o 2º turno com vantagem
de sete pontos
Petista tem 50% do total de votos, contra 43%
de Alckmin, revela Datafolha
Dos eleitores de Heloísa Helena (PSOL) no
primeiro turno, 48% dizem que pretendem votar em Alckmin e 32%, em
Lula
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) saiu na frente com vantagem de sete pontos percentuais
sobre seu adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), no segundo turno
da eleição presidencial. Segundo nova pesquisa Datafolha,
Lula tem 50% das intenções de voto e Alckmin, 43%, considerando
o total de votos (inclui indecisos e os que devem votar em branco ou
anular). A pesquisa captou 3% que planejam votar em branco ou anular
e 4% de indecisos.
A margem de erro é de dois pontos
percentuais, para mais ou para menos. Na prática, para que Alckmin
possa vencer a eleição no dia 29, Lula precisaria perder
nas próximas semanas pelo menos metade dessa diferença
de sete pontos que os separam. Em disputa de segundo turno, em geral
cada ponto perdido por um candidato significa ponto ganho para o outro.
Vence quem tiver mais de 50% dos votos válidos. Nesse levantamento,
Lula tem 54% dos válidos e Alckmin, 46%.
Os eleitores do ex-candidato derrotado Cristovam Buarque (PDT), que teve 2,42%
do total de votos no primeiro turno, se dividiram em partes iguais entre Lula
e Alckmin nas intenções de voto para o segundo turno (39% para
cada lado).
Já entre os que declararam ter
votado em Heloísa Helena (PSOL), que teve 6,27% do total de
votos no primeiro turno, 48% dizem que pretendem votar em Alckmin e
32%, em Lula. Entre os que votaram em branco, anularam ou não
votaram no primeiro turno, mas que pretendem fazê-lo no segundo,
as intenções de voto estão divididas (31% para
Lula e 32% para Alckmin).
Polarização
As intenções de voto para
o segundo turno confirmaram a divisão do eleitorado brasileiro.
Entre os eleitores com renda até dois salários mínimos,
59% votam em Lula e 34%, em Alckmin. Entre os que ganham mais de dez
mínimos, Alckmin tem 69% e Lula, 24%. Entre os com ensino fundamental,
57% estão com Lula e 36%, com o tucano -contra 56% para Alckmin
e 35% para Lula entre os que têm o ensino superior. Entre os
que se declaram brancos, 51% votam em Alckmin; 42%, em Lula. Entre
os negros, 63% preferem Lula e 29%, Alckmin.
Regionalmente, a pesquisa, feita em
parceria com a TV Globo, mostra que as maiores divisões no eleitorado
permanecem no Sul (pró-Alckmin) e Nordeste e Norte/Centro-Oeste
(Lula). Na região Sudeste, Lula (45%) e Alckmin (47%) estão
empatados dentro da margem de erro.
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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 07 de outubro
de 2006
Sistema S perderá R$ 600
mi com lei da microempresa
Essa é a estimativa de Sesc, Senac,
Sesi, Senai e Sebrae, se pequenas empresas não contribuírem
mais para o sistema
Em tramitação no Congresso, projeto de lei, apoiado pelos empresários,
resulta em renúncia fiscal da ordem de R$ 5,3 bi em 2007
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O fim da contribuição das micro e pequenas empresas para o
Sistema S, previsto no projeto da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, deve
resultar em uma perda de receita da ordem de R$ 600 milhões anuais
em ao menos cinco entidades que formam esse sistema: Sesc, Senac, Sesi, Senai
e Sebrae.
A previsão é que o projeto de lei,
já aprovado na Câmara no mês passado, entre em votação
no Senado na próxima semana.
Com bilhões em recursos que recebem por ano, as nove entidades privadas
que compõem o Sistema S desenvolvem políticas sociais voltadas
para aprendizagem, cultura e bem-estar do trabalhador.
São elas: Sesc e Senac (ligadas ao comércio), Sesi e Senai
(indústria), Sest e Senat (transporte), Senar (agricultura), Sebrae
(micro e pequenas empresas) e Sescoop (cooperativas).
Os recursos são obtidos a partir de um percentual recolhido sobre
a folha de pagamento de todas as empresas que atuam no mercado formal.
O projeto de lei em tramitação no Congresso promove uma espécie
de reforma tributária para o setor, com renúncia fiscal estimada
em R$ 5,3 bilhões no próximo ano, e é apoiado pelos
empresários.
O alvo da insatisfação das entidades que formam o Sistema S
-principalmente do comércio- é o parágrafo 3º do
artigo 13, que isenta as micro e pequenas empresas do pagamento das contribuições
sociais.
Desde a implementação do Simples, em 1997, a Receita Federal
entende que as empresas de pequeno porte não precisam contribuir para
as entidades, como forma de reduzir a carga tributária. Essa isenção
não está explícita na lei, o que dá margem a
disputas judiciais. O Sesc em São Paulo já obteve liminar na
Justiça contra o fim da cobrança da contribuição.
Se aprovado o fim da cobrança na nova Lei Geral da Micro e Pequena
Empresa, o impacto deve ser maior no setor do comércio e nas regiões
mais pobres do país, segundo informam as entidades.
O Sesc, que prestou 533,2 milhões de atendimentos em educação,
saúde e cultura só no ano passado, estima que a mudança
implica perda de 20% de sua receita -o que deve afetar a prestação
de serviços para cerca de 5 milhões de trabalhadores. Por ano,
a entidade atende 18 milhões de pessoas no país.
" Nesse afã de promover a desoneração tributária,
vão prejudicar um serviço social que funciona e dá certo
há 60 anos, desde que foi criado na era Vargas", afirma Maron Emile
Abi-Abib, diretor do Departamento Nacional do Sesc.
No Senac, a avaliação é a mesma. "É fato
que a carga tributária cresceu nos últimos 30 anos, mas acabar
com as contribuições sociais é o mesmo que dar o banho
e jogar a criança fora, como diz o ditado", diz Sidney Cunha,
diretor nacional do Senac. Por ano, a entidade capacita cerca de 900 mil
jovens em suas 454 unidades no país.
Os Estados dependentes de micro e pequenas empresas são os que mais
vão sentir os efeitos da perda de arrecadação, na avaliação
de Antonio Carlos Brito Maciel, diretor-superintendente do Sesi, que estima
perda de R$ 85 milhões anuais.
" Em São Paulo, o maior peso da arrecadação para o
Sesi vem de algumas grandes indústrias, que representam mais de 80% da
arrecadação. As pequenas indústrias são muitas, mas
têm menor participação na arrecadação do Estado.
No Piauí, entretanto, as micro e pequenas indústrias têm
maior representação na arrecadação, o que significa
que o Estado sentirá mais o efeito da nova legislação. Não
são só os trabalhadores da indústria que vão perder
atendimento, mas a comunidade."
Na avaliação do Simpi, sindicato que reúne as micro
e pequenas indústrias, qualquer tipo de isenção tributária é bem-vinda
para o setor. "Mas não é bandeira do Simpi acabar com
a contribuição para o Sistema S", afirma Marcos Tavares
Leite, assessor jurídico do Simpi.
Para Bruno Quick, gerente de políticas públicas do Sebrae,
a perda de arrecadação com o fim das contribuições
deve ficar entre 5% e 9% (entre R$ 40 milhões e R$ 70 milhões
anuais), mas essa perda deve ser compensada com o aumento concedido aos salários
em 2006.
As contribuições para manter o Sistema S somaram, no ano passado,
R$ 4,397 bilhões, segundo informa a Receita Federal. O valor é suficiente
para bancar, por exemplo, seis meses do programa Bolsa Família.
O fim da contribuição ao Sistema S freqüenta as propostas
de reforma tributária desde a Constituição de 88. É sempre
uma das primeiras idéias lembradas para reduzir a carga sobre as empresas
-e sempre desperta oposição de sindicatos e confederações
patronais.
Críticas
Mas o sistema também já foi alvo de críticas do TCU (Tribunal
de Contas da União) por ser considerado uma "caixa-preta",
sem transparência nas contas. O TCU já apontou irregularidades
em unidades do sistema. Os problemas apontados vão desde a ausência
de licitação para a execução de obras e contratação
de pessoal sem concursos até desvios de recursos e concessão
irregular de bolsas de estudo.
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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 07 de outubro
de 2006
Lei pretende reduzir a burocracia
e a tributação
Empresas e Sistema S defendem apenas
mudanças pontuais no projeto
Limites para enquadramento no Simples são ampliados, mas alíquota
também sobe, gerando críticas
DA REPORTAGEM LOCAL
A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa tem apoio de empresários e do
Sistema S. Isso porque a legislação, segundo avaliação
de representantes das empresas e dos S, tem a intenção de diminuir
a burocracia e adequar a carga tributária para aumentar a formalização
das empresas e dos empregados. Mas há críticas sobre alguns pontos,
que devem ser corrigidos, segundo informam.
" Toda a legislação está ancorada numa crença
de que o Brasil precisa diminuir a burocracia e adequar a carga tributária
de modo que isso incentive a formalização das empresas e dos empregados
e, como conseqüência, estimule a economia brasileira como um todo",
afirma Bruno Quick, gerente de políticas públicas do Sebrae.
Na sua avaliação, o que a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa
pretende é "estabelecer um círculo virtuoso de crescimento
no país, promover a competitividade entre as empresas para gerar mais
emprego e renda. A nova lei está toda coerente", afirma Quick.
Marcos Tavares Leite, assessor jurídico do Simpi (sindicato que reúne
micro e pequenas indústrias), afirma que os empresários apoiaram
quase todos os pontos da nova lei.
" Discordamos de alguns itens, como o que coloca todos os sócios
como responsáveis solidários por qualquer dívida da empresa,
que atribui a responsabilidade do sócio como sendo ilimitada, mesmo que
ele tenha 1% a 2% do capital da empresa. Isso contraria normas de direito comercial
e direito societário brasileiro, contraria o Código Civil Brasileiro.
Mas achamos que essas questões serão corrigidas", afirma.
William Pesinato, diretor titular do Departamento de Micro e Pequena Indústria
do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), diz
que "é melhor a lei do jeito que está do que não
ter a lei". Mas alguns pontos, para ele, desagradaram aos empresários.
O projeto de lei amplia os limites de enquadramento para fins de tributação
federal, no caso de empresas optantes pelo Simples, de R$ 240 mil para R$ 2,4
milhões de faturamento bruto anual. "Só que a alíquota
de imposto para os optantes pelo Simples subiu de 9,5% para 14,5%. Essa alíquota
subiu demais." (FF e CR)

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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 07 de outubro
de 2006
Projeto recebe o apoio dos grandes
partidos
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apoiado em peso pelo lobby empresarial, o projeto da Lei Geral da Micro e Pequena
Empresa vai ampliar o modelo do Simples, implantado em 1997. Prestes a ser
aprovado pela quase unanimidade do Congresso, o projeto deve seguir para a
sanção presidencial.
Atualmente, o Simples é um tributo que substitui seis tributos federais
cobrados das médias e grandes empresas -Imposto de Renda, CSLL (Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido), Cofins (Contribuição para
o Financiamento da Seguridade Social), PIS/Pasep, IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados) e contribuição previdenciária patronal.
A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa cria o Simples nacional, batizado de
Supersimples, que substituirá também o ICMS (estadual) e o ISS
(municipal).
O ponto polêmico do projeto é o fim da contribuição
das micro e pequenas empresas para o Sistema S, formado por Sesc e Senac (ligadas
ao comércio), Sesi e Senai (indústria), Sest e Senat (transporte),
Senar (agricultura), Sebrae (micro e pequenas empresas) e Sescoop (cooperativas).
Sesc e Senac querem a supressão do parágrafo que isenta as empresas
da contribuição social. A outra alternativa em discussão é incluir
o Sistema S na partilha dos recursos do Supersimples.
Qualquer alteração do texto, porém, levará o projeto
de lei de volta à Câmara, o que atrasará sua aprovação
e tornará mais difícil pôr em vigor as novas regras no
próximo ano, devido ao prazo necessário para as adaptações
dos fiscos.
Todos os maiores partidos -de governo e oposição- apóiam
o projeto. Se o lobby do Sistema S fracassar no Congresso, restará a
possibilidade de um veto parcial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Formado torneiro mecânico pelo Senai, o presidente Lula já se
declarou mais de uma vez contrário à extinção do
Sistema S.
(GUSTAVO PATU)
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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 07 de outubro
de 2006
Atividades culturais dão
visibilidade
DA REPORTAGEM LOCAL
As atividades culturais são as que dão mais visibilidade às
entidades do Sistema S. Nas 13 unidades do Sesc na cidade de São Paulo,
por exemplo, cerca de 23 mil pessoas por dia assistem às sessões
de cinema, aos shows musicais e aos espetáculos de dança e de
teatro.
Para alguns artistas, o Sesc (Serviço Social do Comércio) é mais
importante para o setor que o Ministério da Cultura. "O Sesc é praticamente
um ministério que produz, mantém e incentiva a cultura, a arte
e o conhecimento", diz a artista plástica Maria Bonomi, 71.
Em 2006, o Sesc SP trabalha com orçamento de R$ 340 milhões. É mais
da metade do que tem o MinC (R$ 534 milhões) para o país.
" Não há dúvida de que o Sesc tem papel preponderante.
Sua visão de política cultural é das mais razoáveis,
porque compreende que incentivo fiscal não é política pública,
que arte não é mercadoria", diz Nei Piacentini, presidente
da Cooperativa Paulista de Teatro.
Para o compositor, violonista e cantor Luiz Tatit, o Sesc mudou a vida cultural
da cidade desde os anos 80. Ele cita o exemplo do Sesc Pompéia, projeto
arquitetônico de Lina Bo Bardi. "Quase tudo começou lá,
e depois foi se ampliando para outras unidades. O Sesc abriu espaços
qualitativos e quantitativos", afirma.
O Sesi (Serviço Social da Indústria) também tem grande
atuação na área cultural. No primeiro semestre, o projeto
Viagem Teatral apresentou 286 peças a 53 mil espectadores. Já o
projeto Exposição Itinerante organizou 60 mostras, visitadas
por 256 mil pessoas.
Na cidade de São Paulo, a principal unidade é o Centro Cultural
Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo), na avenida Paulista. O complexo envolve o Teatro Popular do Sesi, onde
está em cartaz a peça "Timão de Atenas", de
Shakespeare, que desde agosto foi vista por 6.409 espectadores em 14 sessões
gratuitas e 11 com ingressos pagos.
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Folha
de São Paulo, 08 de outubro de 2006
Massa dos que ganham até R$ 700
dá vantagem a Lula
Petista supera Alckmin entre os 47% com renda
familiar até dois salários mínimos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva larga
na frente no segundo turno da eleição presidencial empurrado
pelos eleitores mais pobres. Das quatro faixas de renda pesquisadas
pelo Datafolha, é apenas na mais baixa, aquela dos que têm
renda familiar de até R$ 700, que o petista consegue superar
Geraldo Alckmin. Para além das divisões estritas de renda,
Lula e Alckmin também dividem o país quando se trata
da cor declarada dos eleitores e da escolaridade. Brancos, ricos e
com nível superior pendem para Alckmin. Pretos, pobres e eleitores
com somente o nível fundamental apóiam, majoritariamente,
o presidente Lula.
FLÁVIA MARREIRO, RAFAEL
CARIELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
São os eleitores com renda familiar
de até dois salários mínimos que garantem a liderança
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante de Geraldo Alckmin
(PSDB) registrada na primeira pesquisa sobre a disputa presidencial
feita no segundo turno, nas últimas quinta e sexta-feira, pelo
Datafolha. Se Lula, no total de entrevistados, tem 50% das intenções
de voto contra 43% das preferências para Alckmin, ele no entanto
só mantém a dianteira em apenas uma das quatro faixas
de renda pesquisadas.
Entre os que têm renda mais baixa,
o petista registra 59% das intenções de voto, contra
34% para Alckmin. Já entre os eleitores que compõem a
faixa dos 2 aos 5 salários mínimos, o tucano aparece
com 49%, e Lula, 45%. Entre 5 e 10 salários mínimos,
o candidato do PSDB tem 51%, e o do PT, 41%. Na faixa dos que têm
renda de mais de 10 salários, Alckmin aparece com 69%, contra
24% de Lula. Isso termina por criar, segundo Mauro Paulino, diretor-geral
do Datafolha, "o pleito, desde a volta das eleições
diretas, em que mais claramente os diferentes estratos do eleitorado
tomam posição".
Segundo o Datafolha, os eleitores com
renda de até dois mínimos representam 47% do total. Considerando-se
tal fatia, o instituto calcula que 28 pontos dos 50% das intenções
de voto para por Lula provêm dos eleitores de renda mais baixa;
16 pontos dos que ganham entre 2 e 5 salários, quatro pontos
dos que têm renda entre 5 e 10 salários, e um ponto dos
que ganham mais de dez salários.
No caso de Alckmin, dos seus 43%, 16
pontos vêm dos que ganham até dois salários mínimos.
Dezessete pontos dos eleitores que têm renda entre 2 e 5 salários
mínimos. Cinco dos que recebem entre 5 e 10 salários.
E três pontos dos que ganham acima de 10 salários. De
certo modo, Lula tinha razão ao dizer que pode "andar pelas
pernas" do povo. Descontados os pontos acrescentados ao seu percentual
pelos mais pobres, ele totalizaria 22% dos votos. Feito o mesmo exercício
hipotético com Alckmin, o tucano se sairia com 27%.
Na divisão por regiões
-em que no primeiro turno Alckmin ganhava no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste-,
considerada a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou
para menos, o tucano sai na frente no Sul (57% contra 33% de Lula),
empata no Sudeste (47% contra 45%), mas perde no Nordeste (onde o presidente
tem 67%, e o tucano, 28%) e no Norte e Centro-Oeste, onde, considerados
juntos, Lula tem 50% dos votos, e Alckmin, 44%.
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Folha
de São Paulo, 08 de outubro de 2006
Fiesp prepara "guerrilha" no
Congresso
Empresários monitoram mais de 2.300 projetos
e criam "ministério sombra" para sugerir propostas a
congressistas e ao governo
Entidade empresarial lança portal na internet
para disponibilizar on-line informações a respeito da
tramitação de projetos
Eduardo Knapp/Folha Imagem

Empresários avaliam resultado da eleição, na Fiesp, na
quinta
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
A Fiesp (Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo) montou uma estratégia
de guerrilha para acompanhar a tramitação, no Congresso,
de projetos de interesse do setor empresarial. Terminadas as eleições
legislativas, várias entidades empresariais também já se
mobilizam nesse sentido. A intenção é aproveitar
os primeiros seis meses do próximo governo (seja ele qual for)
para forçar a aprovação de matérias que
desonerem o setor produtivo.
No final da tarde de quinta-feira, em
uma sala escura com projeções de mapas com os resultados
das urnas, a Fiesp realizou a primeira reunião do recém-criado
Comitê de Assuntos Legislativos e Políticos. Um grupo
de dez empresários acompanhou minuciosamente a divisão
das novas bancadas no Congresso e definiu projetos prioritários.
Na mesma reunião, a Fiesp finalizou
o lançamento de um portal na internet que disponibilizará aos
seus 132 sindicatos (150 mil indústrias) informações
on-line sobre projetos em tramitação na Câmara.
Pelo sistema, o empresário pode se cadastrar e receber, via
e-mail, notícias sobre o andamento de um projeto de seu interesse.
Com a ajuda do escritório da entidade em Brasília, os
empresários poderão fazer contato direto com os congressistas
envolvidos na tramitação. O sistema já está monitorando
o encaminhamento de 2.329 projetos na Câmara e no Senado.
"Não queremos mais chorar
leite derramado ou bomba já estourada. Vamos fazer uma guerra
para levar à frente nossa obsessão com o crescimento
econômico", afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que
coordenou a primeira reunião do comitê na quinta-feira
-acompanhada pela Folha. Nesse sentido, a Fiesp também acaba
de decidir que abrirá ao público em geral, com o acesso
via internet, todas as imagens e discussões de suas reuniões
semanais de diretoria, realizadas às segundas-feiras e que tratam
de assuntos públicos ou de interesse da entidade.
Nos últimos meses, vários
projetos aprovados ou em fase final no Congresso saíram da Fiesp
ou tiveram forte contribuição da entidade. Entre eles,
a Lei Geral da Pequena e Média Empresa, a chamada "MP do
Bem", que aperfeiçoou o Simples e uma série de desonerações
de tributos. Na prática, a Fiesp criou, nos últimos meses,
uma espécie de "ministério sombra" suprapartidário
para elaborar projetos e sugestões para o governo, com cobranças
pontuais sobre as comissões parlamentares envolvidas em cada
um deles.
O mais recente, o Conselho Superior
do Agronegócio, será coordenado por Roberto Rodrigues,
ex-ministro da Agricultura do governo Lula. O Conselho de Assuntos
Jurídicos tem como titular o ex-ministro do STF Sydney Sanches;
o de Economia, o ex-ministro Antonio Delfim Netto; e o de Responsabilidade
Social, o ex-ministro de FHC Paulo Renato (Educação),
entre outros.
No total, entre diretorias, conselhos e comitês, a Fiesp reuniu 3.000
colaboradores não-remunerados que ajudam a formular essas políticas.
Outras entidades
Outras entidades empresariais, como
a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e o
Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), também
estão fechando pautas e estudos para cobrar ou subsidiar o Congresso
e o governo a partir de 2007. "A articulação já começa
com o desenho do novo Congresso", afirma Armando Monteiro Neto,
recém-reeleito presidente da CNI e deputado federal pelo PTB-PE.
"Esperamos que o Congresso seja
mais propositivo e menos passivo em relação ao Executivo
e que esteja particularmente preocupado com reformas como a tributária
e a previdenciária", afirma Newton de Mello, presidente
da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria
de Máquinas e Equipamentos). Outras federações
de indústrias, como a Fiep, do Paraná, finalizaram suas
pautas e já encaminharam as demandas aos candidatos à Presidência
e ao Congresso. O principal é perseguir políticas "pró-crescimento" e
um viés "menos financeiro" no governo, que deveria
contemplar uma ampliação do CMN (Conselho Monetário
Nacional), hoje dominado na prática pela Fazenda e pelo Banco
Central.
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Folha
de São Paulo, 09 de outubro de 2006
ELEIÇÕES 2006 / ESTADOS
Nanicos crescem e encolhem bancadas de
PT, PSDB e PFL
Dez siglas, como PV e PHS, ampliaram em 64 o
número de seus filiados no Legislativo comparado com o que têm
hoje
Para analistas, decepção com PT fez
vários eleitores "órfãos da esquerda",
e escândalos afetaram as legendas mais tradicionais
THIAGO REIS
JOÃO CARLOS MAGALHÃES DA AGÊNCIA FOLHA
Dez partidos considerados nanicos ganharam,
nestas eleições, 64 cadeiras a mais do que possuem hoje
nas Assembléias Legislativas do país, encolhendo as bancadas
das grandes legendas (PT, PSDB e PFL). Só o PMDB ganhou um deputado
e foi para 166. Dentre os grandes, o PT foi o partido que mais perdeu
vagas nos Legislativos estaduais: 12. Hoje, tem 138 parlamentares.
Em 2007, terá 126. O PFL perdeu sete (de 126 para 119); o PSDB,
três (de 151 para 148).
Os dez partidos que ampliaram seus representantes por todo o país são
PRP, PTN, PAN, PT do B, PHS, PRTB, PSC, PSDC, PTC e PV.
Para o analista político Marco
Antonio Teixeira, da FGV-SP (Fundação Getúlio
Vargas), uma das principais causas para a votação expressiva
nos partidos nanicos foi o esforço deles em romper a cláusula
de barreira. "Houve uma priorização no sentido de
tentar fazer o maior número de parlamentares possível
para sobreviver." Segundo ele, no entanto, houve também
os "puxadores de votos". Ele cita o caso de Fernando Gabeira
(PV), que foi o deputado federal mais bem votado do Rio, mas que pediu
e conseguiu votos para deputados estaduais de São Paulo.
O PV, aliás, foi o que mais cresceu
entre os partidos pequenos. Ganhou 20 novos deputados estaduais em
dez Estados. Em sete deles, o partido não possui nem sequer
um representante hoje. "Houve uma campanha ostensiva para aumentar
o voto na legenda. Além disso, muita gente ficou órfã da
esquerda, decepcionada com o que o PT fez. É normal que os votos
da centro-esquerda migrem para o PV", diz o cientista social Claudio
Couto, da PUC-SP.
Os dois concordam ainda que os últimos
escândalos afetaram de fato os grandes partidos. "O mensalão,
os sanguessugas e a não-cassação dos parlamentares
contribuem para um desgaste muito grande da classe política.
Quem tende a ser mais atingido por esse tipo de coisa são os
partidos de maior visibilidade", diz Couto.
O PMDB foi o único que quase
manteve o número de deputados estaduais -ganhou um. Para Teixeira,
isso ocorreu porque o partido não tem "identidade". "Não
dá para saber onde ele é situação e onde é posição." Os
dez partidos pequenos que ganharam as cadeiras não conseguiram
ultrapassar a cláusula de barreira. Mas a tendência é a
fusão. O PAN, por exemplo, já se uniu ao PTB. "O
eleitor, do ponto de vista da identidade partidária, acaba assimilando
muito mais a pessoa do que o partido. Ele votou nos [candidatos do]
Peroba e não no PAN", afirma Teixeira.
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REVISTA ISTO É, 09 de
outubro de 2006
Eleições presidenciais
O Brasil escolhe o seu caminho
Por Aziz Filho e Marco Damiani
Existem dois homens que buscam um mesmo destino. Entre eles está a escolha
de 126 mi lhões de eleitores no próximo domingo 29. Ambos cavalgam
a promessa de conduzir o País, até 2010, pela seara do crescimento.
Guardam poucas semelhanças e acumulam inúmeras diferenças.
Nenhum deles gosta de definir para si um campo ideológico. Todos vêem
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com seu discurso voltado para
os pobres, como um homem de esquerda. Mas ele próprio é o primeiro
a recusar o rótulo. Os adversários apregoam a Geraldo Alckmin
e suas bandeiras conservadoras a marca de ser de direita ou, com boa vontade,
de centro. Na semana passada, porém, ele afirmou que está à esquerda
de seu adversário. “A verdade é que ambos têm inspiração
social-democrata”, dirime o historiador Daniel Aarão Reis Filho,
da Universidade Federal Fluminense. “Lula é um reformador moderado,
enquanto Alckmin só agora começa a mostrar sensibilidade às
políticas sociais.”
Retirante e operário, “Lula é o único presidente
que consegue enxergar o Brasil de baixo para cima”, de acordo com a definição
do brazilianista inglês Kenneth Maxwell. Interiorano e médico, “Alckmin é um
extrato pronto e acabado da classe média ilustrada”, segundo o
professor Carlos Lessa, ex-reitor da UERJ. Capaz de fazer aparições
oficiais, como governador de São Paulo, em que pronunciava discursos
com apenas três ou quatro palavras, no quesito empolgação
Alckmin perde por larga distância para Lula. Falastrão, no mais
das vezes o presidente não consegue subir a um púlpito e sair
de lá antes de uma boa meia hora. Alckmin costuma escolher as palavras
antes de falar, Lula fez dos tropeços no português um estilo de
discursar. No entanto, foi ele quem se mostrou o mais calado e retraído
no momento seguinte ao resultado do primeiro turno. De seu reduto, o tucano
apresentou uma euforia e loquacidade poucas vezes manifestada.
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Geraldo Alckmin: contido,
estuda e reflete antes de agir
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Luiz Iinácio Lula da Silva:
expansivo, usa de intuição e arrojo
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“ Enquanto Lula é expansivo e arrojado na
intuição, Alckmin é contido e parece sofrer antes
de tomar decisões”, compara o cientista político
paulista João Guilherme Vargas Neto. O presidente é capaz
de brincar com o fato de ter tido seu dedo mínimo esquerdo decepado
num torno. Não se conhecem do pretendente quaisquer comentários
jocosos sobre si mesmo. No poder, Alckmin gosta de mergulhar na leitura
de relatórios detalhados. Lula pediu logo no começo do
seu governo para que tudo lhe chegasse de forma esquemática. O
presidente acostumou-se a ouvir posições contraditórias
de ministros até chegar o seu momento de intervir. O ex-governador
especializou-se em comandar ele mesmo os debates com seus secretários.
No Palácio dos Bandeirantes, desde seu tempos de vice-governador,
Alckmin usava uma cadeira de couro cru, reta, sem apoios para os braços.
Lula, em Brasília, mandou comprar uma poltrona anatômica,
curvilínea. Um notebook constantemente consultado apóia
a memória do postulante. Dicas de assessores ao pé do ouvido
salvam o presidente de embaraços. A uma gripe, Lula recorre a
remédios tradicionais. Alckmin é adepto da homeopatia.
No Brasil de Lula, movimentos sociais como o MST e entidades sindicais como
a CUT tem franco acesso ao Palácio do Planalto. No País de Alckmin,
a preferência será por associações beneficentes
e pela Força Sindical. O senador Antônio Carlos Magalhães
será um dos maiores opositores do primeiro e um grande adulador do segundo.
O deputado federal eleito Ciro Gomes espera desde já ter o apoio de
Lula à sua própria sucessão. Para 2010, Alckmin é o
candidato de Alckmin. O câmbio, com Lula, flutua de tal modo que o real
fique valorizado diante do dólar. O dólar, com Alckmin, tende
a se fortalecer diante da moeda nacional. A atual diretoria do Banco Central
assumiu com uma taxa de juros de 25,5% ao ano. Na semana passada, A Selic estava
em 14,25%, o que Alckmin considera muito alto. Ele promete baixar os juros,
o presidente avisa que já baixou, e um não crê no outro.
Lula, nas armadilhas da ecomomia, sai-se com o mantra de que criou 100 mil
novos empregos a cada mês de sua gestão. O adversário rebate
dizendo que o presidente não soube aproveitar melhor os bons ventos
da economia mundial nos últimos quatro anos.
“ Um traço de união entre eles é que falam em altas
taxas de crescimento da economia, mais investimentos no social e em infra-estrutura
com redução dos gastos públicos, diminuição
de impostos, recuperação da renda e aumento das exportações”,
diz o presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, Geraldo Tadeu Monteiro. “Só que
não explicam exatamente como irão fazer tudo isso.” Ele vê amplas
diferenças entre Lula e Alckmin no plano pessoal. “O presidente é uma
figura popular, gosta de churrascadas, nunca teve família bonitinha e
não tem medo de nada. Alckmin tem a aparência da elite, do genro
que toda mãe quer, é clean, certinho. Não dá para
tirar a barba de Lula nem para Alckmin ficar barbudo”.
O filósofo Leandro Konder ressalta que os dois contendores do segundo
turno
não têm inclinações autoritárias. Mas vê distinções
entre eles à luz da história. Mais baixo e mais roliço
que Alckmin, Lula está mais, também na política, para
Getúlio Vargas. “Lula pode se credenciar, como GV, como um segundo ‘pai
dos pobres’, mas a diferença é que Getúlio tinha
consciência mais nítida do que iria fazer, enquanto Lula vai levando
de forma empírica, com palavras mais abstratas, mas sempre prometendo
melhorar a vida do chamado povão.” O tucano, segundo Konder, já se
encaixaria, física e politicamente, ao figurino de Juscelino Kubitschek. “O
ideal dele é ser o segundo JK, mais moderno, adaptando o desenvolvimentismo à exigência
de equilíbrio financeiro dos novos tempos, gerando cidadania através
do crescimento econômico.” No próximo dia 29, entre homens
tão diferentes, o Brasil escolherá o seu destino.




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JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de
outubro de 2006 | Brasil
PARLAMENTO
Comando do Congresso vai mudar
Brasília – Assim que assumirem os mandatos, em 1.º de fevereiro,
os novos deputados e senadores retornarão aos tempos de campanha, mas,
desta vez, a maioria como eleitor. A Constituição determina que
no dia da posse, os novos parlamentares definam quem comandará a Câmara
e o Senado. A urgência faz com que as negociações excluam
os novatos.
Ao contrário do presidente da República,
que assume o cargo no dia 1.º de janeiro, no Congresso a transição
ocorre um mês depois. Por isso, as articulações para
definir quem comandará as duas Casas nos próximos dois
anos já começaram e envolvem principalmente os deputados
e senadores que foram reeleitos.
Na Câmara, alguns nomes já estão colocados para disputar
o comando da Casa. O atual presidente, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), que
pode se reeleger porque se inicia uma nova legislatura, é um deles.
Fiel ao presidente Lula, Aldo pode ser uma opção do petista se
reeleito. Também estão em campanha, por enquanto discreta, os
deputados Eunício Oliveira (PMDB-CE) e o presidente nacional do PMDB,
deputado Michel Temer (SP). Eunício teria chances no caso de o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva vencer as eleições, já Temer é mais
afinado com os tucanos.
No Senado, as apostas recaem sobre
o atual presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do senador
José Sarney (PMDB-AP). Por enquanto, porém, como no Senado
não houve quebra da tradição, a vaga cabe ao PFL,
que elegeu a maior bancada.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de outubro de 2006
| Brasil
ELEIÇÕES-“Herdeiros” de
políticos conquistam 46 cadeiras no Legislativo
“ Bancada dos parentes” é forte
no Congresso
ABR

O deputado ACM Neto (PFL-BA) foi reeleito com apoio de peso
de seu avô, o senador Antônio Carlos Magalhães.
São Paulo – Levantamento
preliminar feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
(Diap) mostra que 46 dos deputados federais e senadores eleitos guardam
algum grau de parentesco com figuras tradicionais da política.
O Diap considerou como políticos
tradicionais aqueles que detêm ou detiveram cargo eletivo em todos
os níveis, ou ainda que exerçam cargo de gestão,
como ministros ou secretários estaduais.
Os vínculos familiares são mais comuns nas bancadas do Norte
e Nordeste. Nestas regiões, foram eleitos 26 parentes de políticos.
Só no Rio Grande do Norte, foram 5 e na Bahia, outros 4.
Fora do Norte – Nordeste, o Rio
de Janeiro é o estado que mais elegeu parentes. Foram 4 deputados
federais.
Não foram incluídos na lista
nomes como o do senador José Sarney, reeleito senador pelo Amapá.
O senador foi considerado pelo Diap como a referência para estabelecer
os vínculos com outros candidatos de menor expressão. No
Maranhão, estado natal do senador, foi eleito o seu filho, Sarney
Filho (PV).
Segundo os técnicos do Diap, esse
fenômeno reforça a tese da circulação no poder,
ou seja, de que a política nacional circula em torno de poucos
nomes, sejam eles políticos que mantêm-se no cenário
revezando-se em diferentes cargos ou seus parentes, “herdeiros” eleitorais
e políticos.
Ainda de acordo com a organização,
a “bancada dos parentes” comprova que o sobrenome é um
fator que pode definir a eleição de um candidato.
Boa parte das relações familiares
são facilmente identificadas pelo eleitor, através do sobrenome.
No entanto, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar chama
a atenção para casos em que esta identificação
do parentesco fica prejudicada.
Um exemplo emblemático é o
da filha do ex-presidente do PP e deputado cassado Pedro Correa. O
ex-deputado é de Pernambuco, mas sua filha, Aline Correa, também
do PP, foi eleita deputada federal por São Paulo. Seu desempenho
não foi excelente, mas Aline foi eleita graças à grande
votação de Paulo Maluf, o candidato mais votado no estado.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de
outubro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
Confira quem é quem
Acre
Senador Tião Viana (PT/AC) - reeleito - irmão do governador do
Acre, Jorge Viana;
Alagoas
Deputado Maurício Quintella Lessa (PDT/AL) - reeleito - primo do governador
de Alagoas, Ronaldo Lessa;
Deputado Olavo Calheiros (PMDB/AL) - reeleito
- irmão do deputado federal Renildo Calheiros e do senador Renan
Calheiros;
Amapá
Deputada Janete Capiberibe (PSB/AP) - nova - mulher do ex-governador João
Capiberibe;
Bahia
Deputado ACM Neto (PFL/BA) reeleito - neto - do senador Antônio Carlos
Magalhães;
Deputado Fábio Souto (PFL/BA) -
reeleito - filho do governador da Bahia, Paulo Souto;
Deputado Paulo Magalhães (PFL/BA)
- reeleito - sobrinho do senador Antonio Carlos Magalhães;
Deputado Sérgio Carneiro (PT/BA)
- novo - filho do senador eleito pela Bahia, João Durval, e irmão
do prefeito de Salvador, João Henrique;
Ceará
Deputado Léo Alcântara (PSDB/CE) - reeleito - filho do governador
do Ceará, Lúcio Alcântara;
Deputado Guimarães (PT/CE) - novo
- irmão do deputado federal eleito por São Paulo, José Genoino;
Distrito Federal
Deputado Tadeu Filippelli (PMDB/DF) - reeleito - genro do ex-governador do
Distrito Federal e senador eleito por Brasília, Joaquim Roriz;
Espírito Santo
Deputada Rita Camata (PMDB/ES) - nova - esposa do senador pelo Espírito
Santo, Gerson Camata;
Goiás
Deputada Dona Iris (PMDB/GO) - nova - esposa do prefeito de Goiânia, Íris
Rezende;
*Deputado Tatico (PTB/GO) - reeleito -
pai do deputado federal Enio Tatico;
*Tatico mudou o domicílio eleitoral do Distrito Federal para o Estado
de Goiás
Minas Gerais
Deputada Maria Lúcia Cardoso (PMDB/MG) - reeleita - esposa do ex-governador
de Minas Gerais, Newton Cardoso;
Deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB/MG) - novo
- filho do deputado federal Ibrahim Abi-Ackel;
Maranhão
Deputado Sarney Filho (PV/MA) - reeleito - filho do senador reeleito pelo Amapá,
José Sarney;
Deputado Clóvis Fecury (PFL/MA)
- reeleito - filho do ex-deputado federal e atual suplente da senadora
Roseana Sarney, Mauro Fecury;
Deputada Nice Lobão (PFL/MA) -
reeleita - esposa do senador pelo Maranhão, Edison Lobão;
Mato Grosso
Senador Jaime Campos (PFL/MT) - novo - irmão do ex-senador Júlio
Campos;
Deputada Thelma de Oliveira (PSDB/MT)
- reeleita - esposa do ex-governador Dante de Oliveira;
Pará
Deputada Elcione Barbalho (PMDB/PA) - nova - ex-esposa do deputado reeleito
pelo Pará, Jader Barbalho;
Paraíba
Senador Cícero Lucena (PSDB/PB) - novo - sobrinho do ex-senador Humberto
Lucena (falecido) e casado com a atual vice-governadora do estado, Lauremília
Lucena;
Deputado Efraim Filho (PFL/PB) - novo
- filho do senador pela Paraíba, Efraim Morais;
Pernambuco
Deputada Ana Arraes (PSB/PE) - nova - mãe do deputado federal e candidato
ao governo de Pernambuco, Eduardo Campos;
Deputado Fernando Bezerra Coelho Filho
(PSB/PE) - novo - irmão do ex-deputado federal Clementino Coelho
e sobrinho do ex-deputado federal Osvaldo Coelho;
Deputado Renildo Calheiros (PCdoB/PE)
- reeleito - irmão do deputado federal Olavo Calheiros e do senador
Renan Calheiros;
Rio de Janeiro
Deputado Leonardo Picciani (PMDB/RJ) - reeleito - filho do deputado estadual
e presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Janeiro, Jorge
Picciani;
Deputado Brizola Neto (PDT/RJ) - novo
- neto de Leonel Brizola;
Deputado Felipe Bornier (PHS/RJ) - novo
- filho do deputado federal reeleito Nelson Bornier;
Deputado Rodrigo Maia (PFL/RJ) - reeleito
- filho do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia;
Paraná
Deputado Ratinho Junior (PPS/PR) - novo - filho do apresentador de televisão
e ex-deputado federal Carlos Massa, o Ratinho;
Rio Grande do Norte
Senadora Rosalba Ciarlini (PFL/RN) - nova - cunhada do ex-deputado federal
Betinho Rosado;
Deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN)
- reeleito - filho do ex-governador Aloísio Alves e primo do senador
Garabaldi Alves;
Deputado Fábio Faria (PMN/RN) -
novo - filho do deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa
do Estado do Rio Grande do Norte, Robinson Faria;
Deputado Felipe Maia (PFL/RN) - novo -
filho do senador José Agripino Maia;
Deputada Sandra Rosado (PSB/RN) - reeleita
- esposa do ex-deputado federal Laíre Rosado;
Rio Grande do Sul
Deputada Luciana Genro (PSol/RS) - reeleita - filha do ministro Tarso Genro;
Rondônia
Deputada Marinha Raupp (PMDB/RO) - reeleita - esposa do senador Valdir Raupp;
Santa Catarina
Deputada Angela Amin (PP/SC) - nova - esposa do ex-senador, ex-governador e
candidato ao governo de Santa Catarina, Espiridião Amin;
Deputado Paulo Bornhausen (PFL/SC) - novo
- filho do senador e presidente do PFL, Jorge Bornhausen;
Deputado Celso Maldaner (PMDB/SC) - novo
- irmão do ex-senador Cassildo Maldaner;
Sergipe
Deputado Valadares Filho (PSB/SE) - novo - filho do senador Antonio Carlos
Valadares;
São Paulo
Deputada Aline Correa (PP/SP) - nova - filha do ex-presidente do PP e deputado
federal cassado Pedro Correa;
Deputado Zarattini (PT/SP) - novo
- filho do ex-deputado federal Carlos Zarattini.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de
outubro de 2006 | Economial
PARALISAÇÃO
Greve dos bancários
chega ao 3.º dia útil
Continua hoje a greve dos bancários iniciada na quinta-feira, com o
fim do atendimento nos caixas. Os profissionais pedem reajuste salarial de
7,05% e participação nos lucros e resultados dos bancos (PLR)
de 5%, mais um salário e R$ 1,5 mil. As instituições aceitam
conceder apenas o INPC dos 12 meses, que ficou em 2,85% e PLR de 80% do salário
mais R$ 823.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
08 de outubro de 2006
Aposentados podem sacar quota de abono
salarial
São Paulo - Os aposentados que ainda recebem anualmente os rendimentos
do PIS podem sacar o saldo total da conta vinculada ao abono salarial. A aposentadoria é um
dos casos em que lei autoriza a retirada.
O saldo da conta do PIS é chamado
de cota. Essa quota é formada pelo montante depositado pelo governo
até 1989, referente ao benefício.
Na época, o PIS não era
pago diretamente ao trabalhador, como acontece hoje. O abono era depositado
em uma conta, que não podia ser movimentada, a não ser
em determinados casos.
Todos os trabalhadores inscritos no PIS
até 4 de outubro de 1988 têm a conta. Do saldo dela, é que
saem os rendimentos pagos todo ano. Segundo dados da Caixa Econômica
Federal, responsável pelo gerenciamento do PIS, cerca de 30,5
milhões de trabalhadores e aposentados já receberam ou
ainda devem receber seus rendimentos de 2006. Todos têm a conta
do PIS e, mais cedo ou mais tarde, sacarão sua cota.
A gerente de Serviços Sociais da
Caixa, Sandra Durão, diz que, no casos dos aposentados, o saque
da cota é simples.
Segundo Sandra, para os aposentados
por tempo de trabalho ou por idade sacarem a cota, é necessário
que levem ao banco sua certidão de aposentadoria emitida pelo
INSS, além de seus documentos pessoais.
Folhapress
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 09 de outubro de 2006 | Economia
Indústria brasileira cresceu
3,1% ao ano desde 2000, diz BNDES
Os números constam de estudo do economista
Fernando Pimentel Puga, assessor da presidência do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
Adriana Chiarini
RIO - A indústria brasileira cresceu
3,1% ao ano entre 2000 e 2005, acima da média anual de 2% da América
Latina, mas bem abaixo das de 10,6% da Ásia (excluindo Japão)
e de 5,9% do Leste Europeu no mesmo período. Os números
constam de estudo do economista Fernando Pimentel Puga, assessor da presidência
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Puga usou dados do Banco Mundial sobre a produção física
da indústria em 64 países.
Na América Latina, o maior crescimento
industrial ocorreu no Chile e no Peru, ambos com média de 4% ao
ano, influenciado pela alta de preços do cobre, produto importante
em ambos. O pior desempenho industrial na região foi o do México,
com aumento de apenas 0,32% ao ano no período.
Puga observou "forte semelhança" entre
o comportamento da produção do México e a dos Estados
Unidos, cuja média foi de 0,87% ao ano. "De 1995 a 2000,
quando a indústria mexicana cresceu 7,3% ao ano, a americana se
expandiu 5,0% ao ano", registrou o economista destacou, no boletim "Visão
do Desenvolvimento", publicado pelo BNDES. Nos países desenvolvidos,
o crescimento médio anual da indústria foi de apenas 0,6%
de 2000 a 2005.
Puga comentou que o Brasil, ao contrário
dos países dos Leste Europeu, não se beneficia da proximidade
de países desenvolvidos que facilite a entrada de investimento
estrangeiro direto - fator determinante para a expansão industrial
naqueles países. Também considera que o Brasil também
não foi tão favorecido pela alta de preços de commodities
quanto o Chile.
Porém, com base nos resultados
da indústria chinesa (que cresceu 14,2% ao ano em média),
o economista recomenda para o Brasil: apoio a investimentos em infra-estrutura;
melhoria no sistema tributário; eliminação de entraves
na burocracia e estímulos ao investimento e à absorção
ou ao desenvolvimento de tecnologias. Esses, considera, "são
importantes elementos na implementação de um processo de
emparelhamento do Brasil com os países desenvolvidos".
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 08 de outubro de 2006 | Economia
Inflação acelera em setembro
e fica em 0,21%
O resultado veio ligeiramente acima do teto
das estimativas dos analistas, que variavam entre 0,11% e 0,20%
Jacqueline Farid
RIO - A inflação oficial
do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) subiu em setembro. O resultado foi de 0,21%, ante 0,05%
em agosto, e ficou ligeiramente acima do teto das estimativas dos analistas
ouvidos pelo AE-Projeções, que variavam entre 0,11% e 0,20%,
e bem acima da mediana, de 0,14%.
O "salto" na inflação
medida pelo IPCA em setembro ocorreu por causa de reajustes "super
concentrados e muito pontuais", segundo observou a coordenadora
de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos.
"A fisionomia de comportamento dos
preços manteve-se inalterada, há vários itens com
preços estáveis e vários itens em queda", disse
Eulina, acrescentando que "para frente não se espera surpresas,
a inflação está bem comportada".
Eulina argumenta que apenas quatro itens
contribuíram com mais da metade (0,14 ponto percentual) da inflação
de setembro. São eles empregados domésticos (0,06 ponto),
cigarros (0,02), taxa de água e esgoto (0,03) e vestuário
(0,03).
A metodologia do IBGE faz com que o reajuste
do salário mínimo ainda esteja sendo absorvido no item
salário dos empregados domésticos no cálculo do
IPCA.
Indagada sobre até quando o salário
dos empregados domésticos, principal impacto na inflação
de setembro, terá efeito sobre o IPCA, a coordenadora do IBGE
mostrou a série histórica do ano passado, que mostra aumentos
nesse grupo até dezembro.
Em agosto de 2006, o reajuste dos salários
dos empregados domésticos tinha sido de 2,26%, após 1,18%
em julho e antes dos 1,97% de setembro. Desde janeiro do ano passado,
houve variação positiva nos salários das domésticas
em todos os meses de apuração da taxa.
De acordo com a metodologia do IBGE, a
base de cálculo para esse grupo é a Pesquisa Mensal de
Emprego (PME) do próprio instituto. O cálculo é feito
a partir dos salários habituais e não inclui bônus
ou 13º salário.
No ano passado, quando o reajuste do salário
mínimo foi de 15,38%, o pico do aumento dos salários das
domésticas foi em agosto, assim como ocorreu neste ano (reajuste
do mínimo de 16,67%) até o momento.
Os produtos alimentícios registraram
alta de 0,08% em setembro, enquanto os não alimentícios
apresentaram variação de 0,24%. No ano até setembro,
o IPCA acumula alta de 2% e, em 12 meses, de 3,70%.
Acumulado
O IPCA acumulado de janeiro a setembro
deste ano, de 2,0%, é o menor acumulado neste período desde
1998, segundo mostra a série histórica do IBGE. A taxa
acumulada em 12 meses, de 3,70%, é a menor em 12 meses desde junho
de 1999. "O cenário é bem confortável para
a inflação", avalia a coordenadora do instituto.
"Observados os 12 meses, está bastante
evidenciado que os números têm uma tendência de queda
desde o início do ano e não há nada que aponte para
a reversão dessa tendência", disse Eulina. Segundo
ela, "dada a evidência da série (histórica da
inflação), as indicações são que os
números caminham para algo (em 12 meses até o final do
ano) pelo menos menor que 3,70%", afirmou.
Segundo Eulina, o dólar é o
principal fator de contribuição para conter a inflação
neste ano, com efeito nos preços dos produtos alimentícios
e em outros itens importantes nas despesas das famílias, como
artigos de higiene pessoal, artigos de limpeza e eletrodomésticos.
Ela lembra que o grupo dos alimentos está com
preços estáveis há três meses e, em setembro,
apesar da pressão pontual de itens como carnes e tomate, a maior
parte dos alimentícios registrou queda de preços.
Além do impacto nos alimentos,
sob efeito do dólar e da safra, a moeda americana foi a principal
responsável pela deflação no mês em itens
como artigos de higiene pessoal (-0,25%), artigos de limpeza (-0,43%)
e eletrodomésticos (-0,55%).
INPC
O Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para a camada
de renda mais baixa da população, ficou em 0,16% em setembro,
ante -0,02% em agosto e acumula alta de 1,32% no ano e de 2,86% em 12
meses.
O INPC deverá ficar mais uma vez
abaixo do IPCA em 2006, repetindo o que já ocorreu nos dois anos
anteriores. O IPCA se refere às famílias com renda de um
a 40 salários mínimos, enquanto o INPC abrange a população
com rendimento de um a seis salários mínimos.
De janeiro a setembro deste ano, enquanto
o INPC acumulou alta de 1,32%, o IPCA chegou a 2,0%. Segundo Eulina,
a diferença entre os dois índices ocorre especialmente
porque os produtos alimentícios, que estão contribuindo
muito para conter a inflação em 2006, tem peso ainda mais
forte no INPC do que no IPCA.
Em 2005, o IPCA fechou o ano em
5,69% e o INPC, em 5,05%. Em 2004 o IPCA ficou em 7,60% e o INPC em
6,13%.
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JORNAL GAZETA DE LIMEIRA,
07 de outubro de 2006
GREVE
Trabalhador que recebe em cheque fica “sem
salário”
Trabalhadores que recebem os salários
em bancos enfrentaram ontem verdadeiras maratonas de filas para receber
o dinheiro nos caixas eletrônicos, onde a demora foi de mais duas
horas. Depois a fila foi nas casas lotéricas para quitar as dívidas.
Já a grande parcela de funcionários de empresas que fazem
o pagamento em cheque, não conseguiu fazer a troca nos bancos
por causa da greve e ficou “sem salário”.
O eletricista Maurício Aparecido
Cecílio foi um dos trabalhadores prejudicados com a paralisação
que entrou ontem no segundo dia. “Eu tenho uma hora de almoço
que perdi sem conseguir trocar o cheque no banco. Acho que pelo menos
este serviço deveria funcionar hoje (ontem), afinal eu trabalhei
o mês inteiro, tenho contas para pagar e agora estou sem nenhum
dinheiro no bolso”, desabafou.
Outro trabalhador que recebeu em cheque,
Leonardo de Oliveira, estava com medo de depositar o cheque e ele não
ser compensado com a greve.
Quem recebe em caixa eletrônico
também enfrentou problemas. O caseiro Manoel Francisco Santos
ficou duas horas na fila e mesmo assim não conseguiu sacar todo
o salário. “O caixa eletrônico tem limite”,
declarou.
Depois de permanecer duas horas na fila
e também não sacar o valor integral da aposentadoria, a
dona de casa Elza Ferreira Machado precisou enfrentar outra fila na casa
lotérica. “Minhas contas vencem hoje (ontem) e não
posso adiar o pagamento”, declarou. As filas nos caixas eletrônicos
ficaram para fora e até dobravam esquinas, o que aconteceu também
nas casas lotéricas.
Como não havia nem mesmo funcionários
dando orientações aos usuários dos caixas eletrônicos
e ninguém estava organizando as filas, muitos idosos ficaram por último
e passaram quase duas horas em pé sob o sol. “As pernas
dóem, mas eu preciso do dinheiro”, afirmou Alzira Xavier,
66 anos.
Para evitar transtornos para os usuários,
algumas empresas chegaram a liberar grupos de funcionários antes
do horário de almoço para receber, evitando o horário
de pico.
Recadastramento
Ontem também foi dia de recadastramento
para aposentados que tinham benefícios com final 0 e 5. Para evitar
ainda mais transtornos, a diretora do Sindicato dos Bancários
de Limeira, Dalva Radeschi, disse que a entidade negociou com alguns
bancos para que liberassem apenas o funcionamento de um caixa no interior
da agência para efetuar o pagamento de aposentadorias e o recadastramento,
mas nem todas as agências adotaram este procedimento.
Movimento Continua
Durante todo o dia vários grupos
de funcionários estavam concentrados na Praça Dr. Luciano
Esteves discutindo os rumos do movimento. Mas, de acordo com Dalva, apenas
a agência do Bradesco funcionou na região central. Nos bairros
não houve atendimento. “Apenas as agências da Prefeitura,
da Santa Casa e da Unicamp permaneceram abertas”, disse.
Como a Federação Nacional
dos Bancos (Fenaban) não apresentou nenhuma nova proposta, o movimento
continua por tempo indeterminado. Os bancários querem aumento
real de 7,05%, além de outras reivindicações como
mais contratação de funcionários. Mas a proposta
da Fenaban é de reajuste de 2,85%, participação
nos lucros de 80% dos salários, adicional de R$ 823 e, no caso
de instituições financeiras que aumentarem ganhos em 20%
na relação com 2005, a proposta inclui um adicional de
R$ 750. (ESS)
Greve já afeta economia, diz
Acil
A greve dos bancários já está prejudicando
o desempenho da economia limeirense, segundo o presidente da Associação
Comercial e Industrial de Limeira (Acil), Renato Maluf. Ele criticou
a atitude do sindicato que escolheu exatamente a semana de pagamento
para iniciar o movimento. “Muitos trabalhadores não conseguiram
trocar os cheques. Além de estarmos em plena semana de pagamento,
estamos a seis dias do Dia da Criança”, declarou.
Outra agravante, segundo Maluf, é que
muitas empresas não conseguem efetuar as transações
entre si, como pagamentos e trocas de cheques. “Isso atrapalha
muito os negócios. Além disso, como o patrão que
não consegue receber de seus clientes vai pagar os seus funcionários?”,
questionou. Ele teme que o movimento continue na próxima semana,
como está previsto, e atrapalhe ainda mais o desempenho do comércio
e das indústrias. (ESS)
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JORNAL BOM DIA / BAURU, 08
de outubro de 2006
Real forte acelera importação
e reduz ritmo das exportações
De janeiro a agosto, compras do exterior crescem 49,9%; resultado das vendas é menor,
24,5%
O real valorizado frente ao dólar provocou uma aceleração
maior nas importações do que nas exportações na
região de Bauru.
As compras do exterior cresceram 49,9%
de janeiro a agosto de 2006 em comparação com o mesmo período
do ano passado e totalizaram R$ 235,8 milhões contra R$ 157,5
milhões de 2006.
As vendas, no mesmo intervalo, subiram
de R$ 901 milhões para R$ 1,1 bilhão, acréscimo
de 24,5%.
O levantamento se refere à balança
comercial da área de abrangência da Delegacia da Receita
Federal em Bauru, que tem 50 cidades, entre elas, Marília, Lins,
Jaú, Pederneiras, Botucatu, Avaré e Lençóis
Paulista.
A queda da moeda americana foi mais sentida
pelos bauruenses. As exportações caíram 4,6%. De
R$ 56,8 milhões em 2005 foram para R$ 54,2 milhões.
As importações, por sua
vez, imprimiram mais velocidade: 42,3%. Foram de R$ 25,2 milhões
para R$ 35,8 milhões.
Maria de Lourdes Almeida Robles, chefe
da seção de controle aduaneiro da Receita no município,
vê o ritmo maior de importações como reflexo do dólar
desvalorizado em relação à moeda brasileira.
“As empresas aproveitam para investir
em bens de capital e matérias-primas. Por outro lado, o produto
brasileiro fica mais caro no mercado externo”, opina.
Carga tributária é excessiva
O professor de Direito Internacional,
Daniel Freire e Almeida, entende que não é somente o dólar
que afeta os negócios com o exterior.
“O fator cambial influencia muito
nas tratativas de importação e exportação.
Mas entram também outros aspectos, como qualidade, inovação
tecnológica e proximidade”, destaca.
Para Almeida, quando esses fatores são
positivos, se o real está muito valorizado, são anulados.
Além disso, o professor elenca
como empecilhos para a competitividade dos produtos nacionais: carga
tributária excessiva, debilidade na logística e transporte,
pedágios e burocracia em excesso.
Ajuste na política cambial
Para o diretor regional do Ciesp (Centro
das Indústrias do Estado de São Paulo), Ricardo Coube,
a importação deve ser vista de duas maneiras. Quando se
refere à compra de bens de capital para a indústria, é positiva.
Porém, quando é para substituir produtos nacionais por
estrangeiros, é negativa.
“Nós estamos exportando empregos
para a China, por exemplo”, enfatiza.
Em relação às diferenças
de ritmo na região, Coube diz que algumas cidades têm empresas
que importam para depois exportar. No médio prazo, devem sofrer
as conseqüências na mesma intensidade que Bauru, lamenta o
empresário, cobrando ajuste na política cambial.
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CIDADE VERDE.COM / PIAUÍ,
09 de outubro de 2006
Mesmo devendo ao INSS, trabalhador
tem direito a se aposentar se provar contribuições
Contribuintes da Previdência Social
que passam por dificuldades e deixam de pagar alíquota do INSS
por alguns meses acabam gerando “buracos” de contribuição
que só atrapalham na hora da aposentadoria.
A situação piora quando
o segurado é empresário ou prestador de serviço.
Neste caso, é obrigado a recolher, mas nem sempre o faz. E, mesmo
quando atinge o total de anos necessários para requerer o benefício
por tempo de contribuição (30 anos, mulher, e 35, homem),
o INSS exige primeiro o pagamento da dívida em aberto. Sem ter
como pagar, muitos vêem o sonho de pendurar as chuteiras se distanciar.
O que a maioria não sabe é que,
mesmo quando há dívida acumulada por vácuos de contribuição,
o requerimento do benefício não pode ser recusado pelo
INSS. Todo e qualquer segurado tem esse direito, ainda que o processo
venha a ser negado. Depois disso, ele pode ingressar com recurso.
Alerta para quem teve autonomia
Outro problema comum enfrentado pelos
contribuintes da Previdência Social, envolve os autônomos.
Muitas vezes, o segurado começa a contribuir ao INSS por meio
de carnê. Para isso, cria um NIT (Número de Identificação
do Trabalhador). O problema surge, porém, quando esse mesmo trabalhador
consegue emprego de carteira assinada. Na maioria dos casos, o carnê é deixado
de lado. Mas o processo correto é procurar o INSS para dar baixa
nesse registro (o NIT).
Embora passe a contribuir com desconto
em folha de pagamento, o INSS não reconhece automaticamente
que esse trabalhador só mudou a forma de recolher. Ele precisa
comparecer a uma agência para declarar intenção
de não mais recolher via carnê. Do contrário, quando
chegar o momento de se aposentar, pode descobrir que autonomia em aberto
gerou dívida com o INSS. E mesmo que o benefício seja
concedido, o débito poderá vir a ser descontado da aposentadoria,
em parcelas. Por isso, quem tem NIT em desuso deve ir ao INSS buscar
esclarecimentos e regularizar a situação.
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DCI –DIÁRIO,
COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS, 09 de outubro
de 2006
Trabalhador poderá parcelar
férias em até três vezes
Panoramabrasil
O projeto de lei nº 7.386/06, do
Senado, altera o critério de concessão de férias
previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT – Decreto-Lei
nº 5.452/43). De acordo com a proposta, por meio de acordo individual
ou coletivo, as férias anuais poderão ser concedidas em
até três períodos, não inferiores a dez dias
corridos.
A Consolidação das Leis do Trabalho determina que somente em
casos excepcionais as férias podem ser divididas, ainda assim somente
em dois períodos — um deles não inferior a dez dias.
O projeto também estende o direito
a parcelar as férias aos menores de 18 anos. Nesse caso, porém,
faz-se necessário acordo escrito, e os adolescentes devem ser
assistidos por seus responsáveis legais.
Atualmente, a Consolidação
das Leis do Trabalho obriga que as férias desse grupo e dos maiores
de 50 anos sejam concedidas em um único período.
Todo empregado adquire direito a férias
após um ano de trabalho e elas devem ser concedidas nos 12 meses
subseqüentes à aquisição do direito.
Tramitação
Em regime de prioridade, o projeto será analisado
em caráter conclusivo pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
O texto tramita em conjunto com o PL número
5.965/05, que também permite o fracionamento das férias
em três períodos.
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de outubro de 2006
Condição de perigo
Expor trabalhador a risco já garante
adicional
Só o fato de o trabalhador ficar
exposto a um agente perigoso justifica o recebimento de gratificação
por periculosidade. O entendimento é da 3ª Câmara Cível
do Tribunal de Justiça de Goiás. Os desembargadores mantiveram
a decisão da primeira instância que condenou o município
de Doverlândia a restabelecer a gratificação de periculosidade
para o servidor José Inácio Rodrigues, suspensa pelo prefeito
Inácio Divino de Oliveira.
A 3ª Câmara Cível seguiu
o voto do relator, desembargador Walter Carlos Lemes, que classificou
a atitude do prefeito como “abuso de poder público de suprimir
dos proventos do apelado a gratificação do adicional de
periculosidade em flagrante ofensa ao direito líquido e certo
do servidor”.
De acordo com o processo, José Inácio
exercia o cargo de eletricista e recebia o equivalente a 30% do salário
mínimo de adicional, desde abril de 2004. A gratificação
foi excluída de forma unilateral em janeiro de 2005.
Para se defender, o município sustentou
que o cargo de eletricista não se insere no artigo 50, parágrafo
5º, da Lei Municipal 371, como trabalho perigoso para fins de adicional
de periculosidade.
O relator explicou que, inicialmente,
só se deferia o adicional de periculosidade para aqueles que trabalhavam
em sistema elétrico de potência. Porém, o Tribunal
Superior do Trabalho garantiu o direito ao adicional a todos que trabalham
em sistema elétrico de potência em condições
de risco ou que o façam com equipamentos e instalações
elétricas similares.
“Assim, mesmo não sendo eletricista,
ou trabalhando em empresa que não tenha como atividade específica
a produção de energia elétrica, se restar provado
que há risco à vida, decorrente do contato com a energia
elétrica, o direito ao adicional de periculosidade deverá ser
assegurado”, concluiu o desembargador.
Leia a ementa do acórdão
Duplo Grau de Jurisdição.
Mandado de Segurança. Apelação Cível. Decadência.
Inocorrência. Adicional de Periculosidade.
I — Nas relações de
trato sucessivo caracterizada pela periodicidade da prestação
vencimental, não se opera a decadência, vez que tal direito
se renova mensalmente.
II — Caracterizada ofensa a direito
líqüido e certo do impetrante a exclusão da gratificação
de risco de vida percebida pelo servidor, concernente à condição
de periculosidade da atividade exercida por ele. Remessa e apelo conhecidos
e improvidos.
Processo12.854-1/195
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de outubro de 2006
Volta ao trabalho
Telesp é condenada a reintegrar
trabalhador com Aids
O Tribunal Superior do Trabalho determinou
que a Telesp reintegre aos seus quadros um funcionário portador
do vírus da Aids. A decisão é da 1ª Turma.
Os ministros entenderam que sua dispensa foi arbitrária e discriminatória
De acordo com o relator, ministro Lelio
Bentes Corrêa, mesmo que o sistema jurídico não garanta
expressamente a estabilidade do trabalhador ao emprego, o julgador pode
se valer das garantias constitucionais do direito à vida, ao trabalho
e à dignidade para assegurar a reintegração.
O empregado foi admitido pelas Centrais
Telefônicas de Ribeirão Preto (SP), por concurso público,
em 1992. Oito anos depois, quando a empresa já havia sido vendida
para a Telesp foi demitido sem justa causa. Na época, o empregado
estava afastado do emprego (pelo INSS) por motivo de doença, razão
pela qual sua dispensa somente foi efetivada em março de 2001.
No mesmo ano, o empregado ajuizou reclamação
trabalhista solicitando a reintegração ao emprego por dois
fundamentos: por ser funcionário público concursado, com
direito à estabilidade, e por ter sido demitido de forma discriminatória
e arbitrária, tendo em vista que a empresa, no momento da dispensa,
tinha ciência de sua condição de portador do vírus
HIV. Assim, solicitou os salários retroativos desde a dispensa
e indenização por danos morais, no valor de R$ 7,2 mil.
O autor afirmou que, em decorrência
da doença, não conseguiu mais arrumar emprego. Disse também
que a quebra do contrato com a Telesp causou-lhe grandes transtornos,
pois perdeu o direito ao plano de saúde, ficando impossibilitado
de comprar os medicamentos para o controle da Aids, cujos valores eram
muito altos.
A Telesp, em contestação,
alegou que após a privatização das Centrais Telefônicas
de Ribeirão Preto, a empresa passou por um processo de reorganização
de seu quadro de empregados, com implantação do Plano de
Demissão Voluntária, ao qual o autor optou por não
aderir.
Em relação ao pedido de
reintegração, alegou que não existe norma legal
ou convencional que assegure a estabilidade ao portador de HIV. Quanto
ao dano moral, disse que o tema não era de competência da
Justiça do Trabalho.
A 5ª Vara do Trabalho de Ribeirão
Preto entendeu que a dispensa não foi discriminatória,
porque houve a desativação do setor de trabalho do empregado,
atingindo a todos os que atuavam no local. Decidiu, ainda, que não
ficou configurada a conduta ilícita da empregadora a ponto de
justificar o pedido de dano moral.
O empregado recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região, Campinas, que manteve a sentença.
No TST, os ministros da 1ª Turma mudaram o entendimento. Para eles, “em
circunstâncias nas quais o trabalhador é portador do vírus
HIV e o empregador tem ciência desse fato, o mero exercício
imotivado do direito potestativo da dispensa faz presumir discriminação
e arbitrariedade”.
RR-1.404/2001-113-15-00.2
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de outubro de 2006
Descanso imerecido
Licença-prêmio exclui
direito a férias
Empregado que fica afastado do trabalho
por mais de 30 dias, por qualquer motivo, recebendo salário pago
pelo empregador, perde o direito às férias. O entendimento
foi reafirmado pela 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Os
ministros negaram o recurso de uma ex-empregada do município de
Imbituba, em Santa Catarina, que tentava receber em dobro as férias
não usufruídas.
A empregada, contratada para executar
serviço de limpeza, ajuizou reclamação trabalhista
em setembro de 2002 solicitando diferenças salariais, adicional
de insalubridade e pagamento em dobro de férias relativas ao período
aquisitivo de 1998 e 1999, não concedidas pelo município.
Para se defender, o município alegou
que a ex-funcionária usufruiu da licença-prêmio no
período de maio a agosto de 1999, perdendo, assim, o direito às
férias. A Vara do Trabalho de Imbituba afirmou que a concessão
de licença-prêmio não impedia o direito a férias,
por se tratar de direitos distintos, com finalidades e forma de aquisições
diferenciadas.
O município recorreu da decisão.
O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina)
manteve a decisão da primeira instância. Por esse motivo,
o município recorreu ao TST.
O ministro Vieira de Mello Filho, relator,
acolheu o recurso com base no artigo 133, inciso II, da Consolidação
das Leis do Trabalho. Segundo ele, “qualquer que seja a razão,
perde o empregado o direito às férias se no período
aquisitivo esteve afastado por mais de 30 dias, com a percepção
de salário pago pelo empregador, haja vista que atendida a finalidade
social da norma de higiene e saúde relativa ao descanso anual”.
Esta regra não se aplica à licença-médica
superior a 15 dias pois, nesse caso, o salário é pago pelo
INSS.
RR-1.021/2002-043-12-00.5
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CONSULTOR JURÍDICO,
09 de outubro de 2006
Momento de fraqueza
Um único cochilo não é motivo
para justa causa
A punição ao trabalhador
deve ser proporcional à gravidade da infração praticada.
Assim, a demissão por justa causa de vigilante, sem antecedentes,
que cochilou vítima do cansaço ou de medicamentos, é exagerada.
O entendimento é da 6ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (São Paulo).
Contratado como vigilante, o funcionário
da Proctor Segurança e Vigilância, cochilou na viatura,
quando deveria estar fazendo a ronda noturna no prédio da Cargill
Agrícola. Após ser demitido por justa causa, entrou com
ação na 1ª Vara do Trabalho de Guarujá tentando
reverter a medida, mas teve seu pedido negado e recorreu ao TRT paulista.
O vigilante insistiu na alegação
de que, por não estar se sentindo bem naquela madrugada, tomou
um remédio e cochilou por cerca de 15 minutos. A relatora, juíza
Ivani Contini Bramante, observou não haver "notícia
de outra falta do empregado no curso da relação de emprego",
de maneira que a conduta que o levou à demissão foi um
ato isolado.
Para a juíza, "integra o conceito
de justa causa a gravidade da falta praticada. E o fato apontado como
determinante — ter sido encontrado dormindo — não é grave
para gerar a penalidade máxima da dispensa".
Ainda de acordo com a juíza Ivani,
o cochilo poderia ser conseqüência do trabalho noturno, mais
penoso — ou do remédio que ele tomou — e não
por desleixo, negligência ou má vontade. “Tudo leva
a crer que a despedida decorreu de rigor excessivo da reclamada. Por
conseguinte, houve falta disciplinar, mas a punição foi
desproporcional à gravidade do ato praticado.”
Os juízes da 6ª Turma acompanharam
o voto da relatora e condenaram a empresa a pagar ao ex-empregado as
verbas rescisórias devidas pela demissão sem justa causa.
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CONSULTOR JURÍDICO,
09 de outubro de 2006
Trabalho no lixo
Justa causa de acusado de beber em
serviço é revertida
por Adriana Aguiar
A demissão por justa causa sob
a alegação de que o catador de lixo teria bebido em serviço
deve ser revertida. A decisão é do juiz Grijalbo Coutinho,
da 19ª Vara do Trabalho de Brasília. Ele entendeu que a embriaguez
não foi comprovada e que seria até justificável
pelo duro trabalho exercido.
A empresa alegou que o empregado foi demitido
por chegar embriagado no trabalho. Sustentou ainda que no dia em que
foi demitido brigou com o motorista do caminhão que com quem trabalhava,
o que foi registrado em boletim de ocorrência. Ele se apresentou
ao trabalho supostamente alcoolizado no dia 3 de maio deste ano, mas
o contrato só foi rescindido no dia 30 de abril.
O empregado nega que tenha trabalhado
embriagado. A prova de que o fato teria ocorrido se basearia em duas
testemunhas que são funcionárias da empresa. Elas disseram
que o catador de lixo não estava em estado normal e que parecia
ter tomado alguma bebida alcoólica.
Segundo o juiz, as suposições
não são suficientes para demitir o empregado por justa
causa, “penalidade mais severa aplicável ao empregado, algo
capaz de macular para sempre a sua trajetória de trabalhador”.
Para o juiz, mesmo que o empregado tenha
bebido em serviço, isso não deveria ser levado contra ele. “É penoso
o trabalho de coletor de lixo urbano. Logo, a utilização
de bebida alcoólica pela respectiva categoria profissional deve
ser avaliada dentro deste contexto.” Em vez de punir o empregado
que recolhe lixo por ter bebido uma cerveja ou cachaça durante
o expediente, o juiz entende que a empresa deveria oferecer melhores
condições de trabalho.
O juiz não conheceu a justa
causa, já que a embriaguez não foi comprovada e também
porque “a atividade insalubre desempenhada pelo autor pode levá-lo,
sim, à busca do antídoto contra odores exalados do lixo
transportado, ainda mais quando a empregadora não fornece ao
trabalhador alimentação e bebida não alcoólica
no horário de intervalo”, diz.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
09/10/2006
Justiça do Trabalho anula multa aplicada
por fiscal do trabalho
A Sexta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho negou provimento (rejeitou) a agravo da União Federal
contra decisão da Justiça do Trabalho de Minas Gerais que
anulou multa aplicada a um pequeno escritório de advocacia por
um fiscal da Delegacia Regional do Trabalho. A União alegava que
a anulação de infração pelo Poder Judiciário
seria “invasão de competência no Poder Executivo”,
mas o órgão colegiado do TST considerou não ter
sido demonstrada a existência de decisões em sentido contrário,
requisito para a admissão do recurso.
A ação anulatória
foi movida por uma advogada de Belo Horizonte. Em março de 2000,
um fiscal do trabalho foi a seu escritório, no centro da capital
mineira, fiscalizar sua documentação referente aos livros
e fichas de registro de empregados, livro de inspeção do
trabalho e quadro de horário de trabalho. Como não havia
ninguém para mostrá-los – na ocasião, alegou
a advogada, seu escritório tinha apenas uma empregada, que estava
em licença-maternidade –, o fiscal aplicou multa no valor
de R$ 1.368,61 e concedeu prazo para a apresentação dos
documentos.
A advogada recorreu administrativamente
da multa, mas o recurso foi negado pela seção de multas
da Delegacia Regional do Trabalho (DRT). No dia marcado para a apresentação
dos documentos, ela chegou à DRT duas horas depois do horário
marcado, e recebeu nova multa.
Na ação anulatória,
sustentou ter sido multada duas vezes pela mesma infração: “ao
mesmo tempo em que o fiscal a multou por não ter encontrado no
escritório os documentos referentes ao livro de registro, de inspeção
e outros, marcou prazo para que a autora apresentasse estes mesmos documentos
e multou-a por desobedecer àquele prazo”. Alegou também
ter havido rigor excessivo na aplicação da multa.
A Vara do Trabalho de Belo Horizonte julgou
o pedido procedente. “Qualquer ato público, para que seja
válido, necessita ser adequado, necessário e proporcional
em sentido estrito, cumprindo ao Judiciário verificar a observância
destes três elementos que resumem o princípio da proporcionalidade”,
registrou a sentença. “No caso dos autos, a finalidade da
inspeção foi alcançada. Mesmo com atraso, a autora
compareceu à DRT com os documentos relativos ao registro dos empregados.
A aplicação da multa sacrificou direitos fundamentais mais
importantes do que os direitos que a medida buscou preservar.”
A decisão foi mantida pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais) que, no
julgamento do recurso ordinário, ressaltou que o fim da Administração
Pública não é multar, mas fiscalizar o cumprimento
de normas, no caso, aquela que determina o registro dos empregados. "Restando
demonstrado que a empresa apresentou os documentos solicitados pelo fiscal
no tocante ao registro dos empregados, ainda que com pequeno atraso,
não é o caso de multá-la com base no rigor excessivo
da interpretação do artigo 630, § 4º da CLT”,
registrou o acórdão.
O TRT/MG observou ainda que “a autora é advogada
militante no foro trabalhista da capital, sendo razoável a sua
justificativa para o pequeno atraso no horário marcado para apresentação
dos documentos, não havendo qualquer pessoa designada como preposta
em condições de apresentá-los no horário
previamente marcado pelo fiscal. O importante é que os documentos
existiam.”
A União impetrou então recurso
de revista e, como o TRT/MG negou-lhe seguimento, recorreu por meio de
agravo de instrumento ao TST para que o recurso fosse admitido. Alegou
que a fiscalização de normas do trabalho compete à União,
e que a CLT (artigo 75) estabelece ser competência das Delegacias
Regionais do Trabalho a imposição de penalidades. “A
lavratura do auto de infração constitui procedimento obrigatório
e não mera faculdade conferida ao auditor fiscal”, afirmou
nas razões do recurso.
O relator do agravo na Sexta Turma,
ministro Aloysio Corrêa da Veiga, observou que o TRT/MG negou
provimento ao recurso da União, concluindo ser indevida a aplicação
de multa administrativa com base no rigor excessivo da interpretação
do artigo 630, parágrafo 4º da CLT, tendo ficado comprovado
que a advogada apresentou os documentos solicitados pelo fiscal, ainda
que com pequeno atraso. “Tal decisão não viola
a CLT, como alegado pela União”, afirmou o relator. “A
matéria foi examinada sob o prisma da proporcionalidade na aplicação
da multa, e esta tese não foi confrontada de forma a viabilizar
a admissão do recurso, pela inexistência de decisões
capazes de demonstrar divergência jurisprudencial”, concluiu.
(AIRR 226/2005-110-03-40.7)
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09/10/2006
Prescrição de ação
trabalhista tem regra própria
O arquivamento da reclamação
trabalhista tem o efeito de interromper a contagem do prazo de prescrição
em relação aos pedidos idênticos formulados em outras
ações. Sob esse entendimento, manifestado pelo ministro
Carlos Alberto Reis de Paula (relator), a Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho deferiu, por unanimidade, recurso de revista a uma
trabalhadora mato-grossense, garantindo-lhe a tramitação
de ação que tinha sido considerada prescrita pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 23ª Região (Mato Grosso).
Após desempenhar as funções
de contínua, entre março de 1985 e dezembro de 2000, a
trabalhadora foi dispensada, ao lado de outros empregados, pela Secretaria
Estadual de Saúde. As demissões foram questionadas judicialmente
pelo Sindicato dos Funcionários Públicos da Saúde
e Meio Ambiente de Mato Grosso, que ingressou em juízo em nome
de 264 associados, em dezembro de 2002.
A primeira instância trabalhista
de Cuiabá negou o pedido do sindicato por considerá-lo
ilegítimo para agir como substituto processual de seus filiados
naquela situação específica. A sentença considerou
a ação extinta sem julgamento de mérito, ou seja,
sem que fosse examinado o mérito dos pedidos formulados pela entidade
sindical.
Em julho de 2003, a trabalhadora reivindicou
isoladamente à Justiça do Trabalho sua reintegração
ao emprego e o pagamento de verbas salariais num total de R$ 13 mil.
A iniciativa, contudo, foi considerada prescrita pela primeira instância
e, posteriormente, pelo TRT/MT. Como a ação foi proposta
além do limite constitucional de dois anos (no caso, após
o desligamento da trabalhadora), foi considerada prescrita.
O TRT mato-grossense entendeu que a ação
promovida pelo sindicato não interrompeu o prazo prescricional,
como alegou a defesa da contínua. “Se o processo que pretendia
interromper a prescrição foi extinto sem julgamento do
mérito sem que a outra parte fosse citada na ação,
a prescrição seguiu seu curso normal”, registrou
o órgão de segunda instância.
“Para que se configure a interrupção
da prescrição em razão do ajuizamento de ação
anterior, é necessário que tenha ocorrido citação
válida do demandado”, acrescentou o TRT/MT, ao apontar a
incidência da regra do artigo 202 do atual Código Civil,
que teria aplicação subsidiária ao Direito do Trabalho.
A decisão regional foi reformulada
pelo Tribunal Superior do Trabalho. De acordo com o voto do ministro
Carlos Alberto, a regra estabelecida pela legislação civil
não pode ser aplicada ao processo trabalhista. “O TST, com
base na Súmula nº 268, adota o entendimento de que a ação
trabalhista, ainda que arquivada, interrompe a prescrição
em relação aos pedidos idênticos, não havendo
nenhuma referência à citação válida
como indispensável à interrupção da prescrição”,
considerou Carlos Alberto.
O relator esclareceu ainda que,
no Direito do Trabalho, a causa interruptiva da prescrição
corresponde ao ajuizamento da reclamação. “Na Justiça
Trabalhista a citação é ato de ofício,
promovido pela Secretaria da Vara ou pelo Cartório do Juízo,
tão logo seja apresentada a reclamação, não
havendo, ainda, despacho citatório”, concluiu Carlos Alberto.
(RR 1014/2003-002-23-00.9)
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09/10/2006
Salário atrasado por dois meses
dá direito a rescisão indireta
O atraso no pagamento de salários
por dois meses autoriza a rescisão indireta do contrato de trabalho,
ou seja, permite que o trabalhador ajuize reclamação trabalhista
visando a própria demissão, recebendo todas as verbas daí decorrentes.
O entendimento foi adotado pela Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho
em julgamento de recurso de revista movido por um ex-empregado do Colégio
Anglo-Latino – Sociedade Educadora Anchieta, de São Paulo.
O relator do recurso, ministro Horácio
de Senna Pires, fundamentou seu voto “em face não apenas
da natureza alimentar da contraprestação do trabalho, mas
também e principalmente do princípio da proporcionalidade”.
Ele explicou que, conforme o artigo 482, “i”, da CLT e a
jurisprudência da Justiça do Trabalho, a ausência
do trabalhador por um período de 30 dias já é suficiente
para caracterização da justa causa por abandono de emprego.
No caso, o colégio “descumpriu seu dever elementar de pagar
os salários do empregado” por período duas vezes
superior àquele.
O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(São Paulo) havia negado provimento a recurso ordinário
do trabalhador, que teve o pedido de rescisão indireta negado,
também, pela Vara do Trabalho. Segundo o TRT/SP, “pequenos
atrasos no pagamento de salário e por período não
superior a três meses não justificam a rescisão indireta
do contrato de trabalho”. A decisão regional aplicou o mesmo
entendimento ao não pagamento de outras verbas contratuais, que “igualmente
não se constitui em falta grave do empregador a ensejar a ruptura
do contrato, pois o empregado poderá inclusive pleitear em juízo
a reparação ou o cumprimento de direitos que entende fazer
jus”, e concluiu que “a manutenção do contrato
de trabalho é princípio que se deve observar em benefício
da própria sociedade como um todo.”
Ao recorrer ao TST, o trabalhador alegou
que o colégio atrasava de forma habitual o pagamento de salários,
fato comprovado pelo não pagamento durante dois meses e meio e
pelo débito do salário e de depósitos do FGTS durante
pelo menos quatro meses ao longo de 1999. Insistiu, como fez no recurso
negado pelo TRT/SP, que não é possível cogitar-se
de abandono de emprego, “pois não seria justo exigir do
empregado continuar no emprego sem percepção de salários”.
A Sexta Turma, com base nos fundamentos
expostos pelo relator e em decisões anteriores do TST, deu provimento
ao recurso e julgou procedente o pedido de condenação do
Colégio Anglo-Latino ao pagamento das verbas rescisórias
e demais pedidos formulados pelo trabalhador em sua reclamação
trabalhista, decorrentes do reconhecimento judicial da rescisão
indireta do contrato de trabalho. (RR 6/2000-067-02-00.2)

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