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Folha de São Paulo,
18 de outubro de 2006
FERNANDO RODRIGUES
O "sindicato" está de
volta
BRASÍLIA - PTB e PL são provas vivas da pré-história
da democracia brasileira. Rejeitados nas urnas, esses partidos vão mandar
como nunca no ano que vem. Para desgraça das instituições,
tudo será maquinado dentro da lei. O PTB saiu na frente. Incorporou
o PAN, cuja votação para deputado federal foi de 264.682 votos
em todo o país (0,3% do total).
Com essa insignificância de votos
a mais, o PTB pulou de meros dois minutos semestrais na TV e dois minutos
no rádio para expressivos 3.360 minutos (56 horas!). Roberto
Jefferson dará a palavra final sobre o conteúdo dessa
minutagem, certamente superior à de marcas famosas de sabão
em pó. Jefferson foi cassado. Admitiu ter manipulado ilegalmente
milhões de reais. Agora, preside o PTB novamente. A lei permite.
Não pode se eleger vereador, mas comandará 23 deputados
federais, o tempo de TV da sigla e o dinheiro público que sua
agremiação receberá do fundo partidário
-mais de R$ 10 milhões.
Caso ainda mais esdrúxulo é o
de Valdemar Costa Neto, do PL. Admitiu ter recebido dinheiro sujo.
Renunciou para não ser cassado. Foi eleito novamente deputado
federal e manda na sua sigla. O PL, como o PTB, também foi rejeitado
nas urnas. Tem direito a dois minutos por semestre, em rádio
e em TV. Pretende pular para a categoria dos grandes depois de incorporar
nanicos como PSC, PTC, PT do B e Prona. Tudo legal.
A não ser que a lei seja
alterada, nada impedirá traficâncias de anomalias da
democracia como PL e PTB. Até porque o PT, partido-mãe
do sindicato do mensalão, usufrui dos mesmos direitos. E,
quando Lula fala de reforma política, só menciona inutilidades,
como o fim da reeleição e o aumento do mandato para
cinco anos. Prejudicar os amistosos PL e PTB, nem pensar.
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ADMINISTRADORES.COM, 18 de
outubro de 2006
João Pessoa sedia debate nacional
sobre Construção Civil
O turismo que gera renda e desenvolvimento é considerado
também um dos impulsos para a indústria da construção
civil na Paraíba. Além de se encantar com as belezas locais,
o turista é um potencial investidor em imóveis e terrenos
no Estado, alugando-os para temporadas, estabelecendo pontos de negócios
e comprando residências.
É nesse contexto que a cidade de
João Pessoa (PB) sedia o 78º Encontro Nacional da Indústria
da Construção (Enic), de 18 a 20 de outubro, no Hotel Tropical
Tambaú. Realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção
Civil (Sinduscon) de João Pessoa, em parceria com o Sebrae na
Paraíba, o encontro debaterá tendências do mercado
imobiliário, tendo como eixo o tema ‘Desenvolvimento sustentável:
assim se constrói o Brasil’.
Considerado o principal evento da construção
civil no País, o Enic abrange toda a cadeia produtiva, abordando
assuntos de interesse da construção comercial e residencial,
dos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura (Crea), corretores
e atividades relacionadas à construção. Os enfoques
de discussão são os cenários político e econômico
no País e como eles afetam o setor. A expectativa é de
que mil pessoas de todo o País participem do evento.
Segundo a análise do vice-presidente
da Sinduscon/JP, Irenaldo Quintans, a indústria da construção
civil é o principal termômetro dos indicadores econômicos,
pois, para todo investimento em negócios, a infra-estrutura é o
primeiro requisito. Com relação à recente visibilidade
do turismo em João Pessoa, ele considera que a cidade passa por
um momento positivo por ter entrado com força nos roteiros nacionais
e internacionais.
“A atividade turística e
a infra-estrutura da cidade têm crescimentos que andam de mãos
dadas. O turista sai da posição de visitante para investidor,
adquirindo um flat, um imóvel ou um terreno. Isso cria um fluxo
de receita nova para um estado que não tem vocação
industrial, mas que pode explorar outras qualidades, investindo em novas
alternativas para a construção civil”, comenta Irenaldo
Quintans.
Perspectivas
Mesmo com as boas perspectivas para o
mercado, os construtores ainda lidam com dificuldades. A mais freqüente é a
burocracia enfrentada na aprovação de um projeto e na liberação
de crédito para executá-lo. De acordo com Irenaldo, a justificativa
para isso vem de um fato curioso. Acredita-se, em geral, que as construtoras
são megacorporações, porém, no Brasil, 90%
delas são micro e pequenas empresas que necessitam de instituições
de fomento ao crédito. “Mas, a aprovação recente
de medidas de desoneração tributária pode indicar
uma boa surpresa para o próximo ano”, complementa.
Paralelamente ao 78º Enic, será realizada
uma ‘Mostra de Produtos da Construção Civil’,
que terá a participação das maiores empresas fornecedoras
de materiais, máquinas e equipamentos, prestadoras de serviços
e demais parceiros do setor, o que proporcionará oportunidades
de realização de negócios para expositores e participantes
em geral.
O Encontro Nacional da Indústria
da Construção é uma promoção da
Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC). Os interessados em participar podem efetuar suas inscrições
pelo site www.sindusconjp.com.br .
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Folha
de São
Paulo, 18 de outubro de 2006
Petista ganha pontos em todas as faixas de eleitores, especialmente no
Sudeste
Evolução de Lula equivale a ter conquistado mais do que todos
os votos obtidos por Heloísa Helena e Cristovam Buarque no primeiro
turno
FERNANDO CANZIAN - DA REPORTAGEM
LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou de 11 para
19 pontos sua vantagem sobre o ex-governador de São Paulo Geraldo
Alckmin (PSDB) na corrida presidencial. Segundo pesquisa Datafolha realizada
ontem e anteontem em todo o país, Lula tem agora 57% das intenções
de voto, contra 38% de Alckmin, considerando o total de votos declarados
em cada candidato. Em uma semana, o petista subiu seis pontos, enquanto
Alckmin oscilou negativamente dois -levando em conta a margem de erro
do levantamento, de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Lula ganhou vários pontos em praticamente todos os segmentos
do eleitorado, seja na estratificação por renda, sexo,
idade ou escolaridade. Mas o que mais contribuiu para abrir a atual dianteira
foi seu desempenho no Sudeste, que concentra 44% dos eleitores do Brasil
e, em menor escala, no Sul, com 15% dos eleitores. Considerando os votos
válidos, Lula subiu de 56% para 60%, enquanto Alckmin caiu de
44% para 40%. Vencerá a eleição no próximo
dia 29 quem tiver mais de 50% dos votos válidos.
A distância entre os dois adversários nos votos válidos,
que era de 12 pontos há uma semana, foi ampliada agora para 20
pontos. Na primeira pesquisa realizada depois do primeiro turno, no início
deste mês, essa diferença era de só oito pontos.
Na prática, Lula tem hoje o mesmo patamar que o levou à vitória
na eleição de 2002 contra o também tucano José Serra.
Na época, Lula foi eleito com 61,3% dos votos válidos,
enquanto Serra teve 38,7%.
Os 40% de Alckmin captados pela pesquisa estão bem próximo
do total de votos válidos obtidos por ele no primeiro turno (41,64%).
Já os 60% de Lula estão bem acima dos 48,61% que ele teve
em 1º de outubro. Obviamente, não são os mesmos eleitores
que migraram diretamente para o petista, mas a evolução
de Lula equivale a ter conquistado mais do que todo o eleitorado que
votou em Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT) no primeiro
turno. Juntos, os dois tiveram 9,49% dos votos válidos.
"A exemplo do primeiro turno, Lula tem a eleição
nas mãos novamente. Só fatos muito contundentes o farão
perder", afirma Mauro Paulino, diretor do Datafolha. Dias antes
do primeiro turno, Lula viu evaporar sua folga em relação
a Alckmin por conta da crise provocada pela compra de um dossiê por
petistas contra adversários tucanos. Em termos quantitativos,
o maior crescimento de Lula ocorreu no Sudeste. O petista subiu sete
pontos na região com mais eleitores no país, enquanto Alckmin
caiu quatro.
Há uma semana, os dois estavam empatados no Sudeste com 45% das
intenções de voto cada. Agora, Lula tem 52% e o tucano,
41%. Lula também subiu cinco pontos no Sul (para 43%), enquanto
Alckmin perdeu quatro (passando a 50%). Entre os eleitores com até o
ensino fundamental (cerca de 50% do eleitorado do país), Lula
ganhou mais seis pontos, passando a 63%. Alckmin oscilou negativamente
dois, para 32%. Houve ainda ganhos entre os eleitores com ensino médio
e superior. Lula também ganhou pontos acima da margem de erro
do levantamento entre os eleitores de todas as faixas de renda. Seu melhor
desempenho foi entre os que recebem entre 2 e 5 salários mínimos,
onde subiu oito pontos, enquanto Alckmin perdeu quatro.
Fonte do Gráfico: Gazeta do Povo
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Folha
de São Paulo, 18 de outubro de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Alckmin procura demonstrar confiança
Tucano fica sabendo o resultado do Datafolha
em ato de campanha e tenta manter os correligionários entusiasmados
| Estafe do PSDB e candidato ficaram decepcionados com pesquisa, pois
sondagens diárias da sigla sinalizavam queda da vantagem de
Lula
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
Geraldo Alckmin recebeu o resultado
do Datafolha durante um compromisso de sua campanha, em São
Paulo, ontem à noite. O tucano se esforçou para demonstrar
confiança, na tentativa de manter acesa a chama das cerca
de 2.000 pessoas presentes ao evento -segundo os organizadores. Ao
discursar, Alckmin lançou mão de frases como "nós
somos de chegada" e "diziam que não ia haver segundo
turno, mas nós conseguimos". Em outro momento, ele chegou
a afirmar: "A boca do jacaré está se fechando,
está diminuindo a diferença [nas pesquisas eleitorais]".
Após o evento, questionado
pelos jornalistas sobre o resultado do Datafolha, o tucano foi breve. "Pesquisa
não se comenta. Estamos trabalhando, lutando, acho que as
coisas estão caminhando bem. Há um entusiasmo ainda
maior nas ruas e nós vamos chegar lá (...) Eu acho
que tem pesquisas e pesquisas. Vamos aguardar mais um pouquinho",
afirmou o candidato, que também aproveitou para criticar o
adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
Alckmin disse que o petista não
governa para os mais pobres. "Quem ganhou dinheiro [com o atual
governo] foi banqueiro. Foi a "Bolsa Juros'", disse o tucano,
em um referência direta ao programa de transferência
de renda Bolsa Família. E completou: "Essa história
de que é candidato dos pobres é gogó. Até porque
eu sou mais pobre do que ele." A Folha apurou com assessores
da campanha que Alckmin e seu estafe ficaram decepcionados com o
resultado do Datafolha. As sondagens diárias do partido apontavam
a chance de um estreitamento da distância entre ele e Lula.
Reservadamente, os tucanos creditaram
a larga vantagem do presidente Lula ao sucesso da estratégia
adotada pelo PT, de criticar as privatizações e de
dizer que o eleitor não deve trocar o certo pelo duvidoso.
Também afirmaram que Alckmin, por sua vez, ainda não
encontrou um discurso capaz de convencer os indecisos. Nos bastidores
do evento, tucanos e aliados menos otimistas diziam que só um
fator externo pode mudar o rumo da eleição, aumentando
as chances de Alckmin. O presidente do PMDB, Michel Temer, que
discursou antes de Alckmin também tentou animar a militância. "Não
vamos nos impressionar com nenhuma pesquisa."
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Folha de São Paulo,
18 de outubro de 2006
PARÁ
Fazendeiro é condenado por trabalho
escravo
DA AGÊNCIA FOLHA
A Justiça Federal em Marabá (PA)
condenou o fazendeiro Aldimir Lima Nunes a nove anos de prisão
e multa por submeter seis trabalhadores a condição análoga à escravidão.
De acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho),
essa é a primeira condenação à prisão
por trabalho escravo no país. Nunes, conhecido como Branquinho,
também foi condenado por irregularidades no transporte de trabalhadores,
desrespeito às leis trabalhistas, falsificação de
documentos públicos e crimes ambientais.
A multa aplicada foi de 240 salários
mínimos. O regime determinado para a prisão foi o semi-aberto.
Nunes não pode recorrer da sentença em liberdade pois já teve
prisão preventiva decretada e passou parte do processo foragido.
Seu advogado, Olivaldo Ferreira, disse que está aguardando definição
de parentes do fazendeiro para recorrer da decisão.
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Folha
de São Paulo, 18 de outubro de 2006
Brasil permanece no topo do ranking dos
juros reais
Se a taxa básica cair 0,50 ponto hoje,
como espera o mercado, juro real será de 9,3% | Taxa básica
teria de cair 3,75 pontos para que o país deixasse a liderança
do ranking mundial para a Turquia, com juros de 6,2%
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Independentemente de o Copom confirmar
ou surpreender o mercado financeiro com sua decisão sobre a
nova taxa básica, a ser anunciada hoje, o Brasil se manterá como
o campeão mundial dos juros reais. A esmagadora maioria dos
investidores e analistas espera que a taxa Selic caia dos atuais 14,25%
para 13,75%. Com isso, os juros reais -calculados descontando a inflação
projetada para os próximos 12 meses- ficarão em 9,3%.
Segundo a UpTrend Consultoria Econômica, que realizou o levantamento,
a taxa básica brasileira teria de sofrer redução
de 3,75 pontos percentuais para que o país deixasse a liderança
do ranking mundial. A Turquia, que aparece como segunda colocada, conta
com juros reais de 6,2% ao ano.
Se o Copom (Comitê de Política
Monetária do Banco Central) decidisse impressionar o mercado
e optasse por cortar a taxa Selic em 1 ponto percentual (para 13,25%
ao ano), os juros reais ficariam em 8,8%, ainda disparados os mais
elevados do planeta. Apesar de a taxa básica estar em processo
de redução, o setor produtivo costuma estar mais preocupado é com
os juros reais na hora de planejar seus investimentos futuros. Como
a inflação está em queda, os juros reais acabam
por sentir menos o impacto da redução da Selic.
Para o Ibef (Instituto Brasileiro de
Executivos de Finanças), o Copom vai cortar a Selic em 0,50
ponto. Na opinião de Walter Machado de Barros, presidente do
Ibef/SP, "os juros permanecerão em patamar ainda muito
alto, levando em consideração que a inflação
está controlada e terminará o ano até abaixo do
centro da meta, de 4,5%". Barros diz que um novo corte de 0,50
ponto "não deixará dúvida de que cresceremos
menos neste ano".
Em novembro, menos
Pesquisa realizada pela Febraban (Federação
Brasileira de Bancos) com 49 instituições bancárias
mostrou que a projeção média é que a taxa
Selic estará em 13,49% no fim deste ano. Assim, se o Copom decidir
cortar a Selic em 0,50 ponto hoje, haverá espaço para
a taxa cair apenas mais 0,25 ponto na última reunião
do ano, que ocorrerá no fim de novembro. "O Copom dará prosseguimento
ao processo de flexibilização da política monetária,
devendo confirmar a expectativa do mercado de novo corte de 0,50 ponto
na taxa básica de juros, para 13,75% ao ano, sem viés
e, provavelmente, por decisão unânime", afirma Elson
Teles, economista-chefe da Concórdia.
No começo do mês, o mercado
financeiro estava dividido entre a possibilidade de o Copom cortar
a taxa básica em 0,25 ou 0,50 ponto na reunião que termina
hoje. Mas, com os dados de inflação mostrando que os
preços estavam menos pressionados que o esperado, as expectativas
se centraram na queda de 0,50 ponto. Na BM&F, a projeção
do contrato DI que vence no fim deste mês caiu de 13,96% há duas
semanas para 13,75% no pregão de ontem.
Folga
Na comparação com outros
países latino-americanos, o Brasil está bem à frente
no quesito juros reais. Os mais próximos a aparecerem no ranking
são o México (com taxa real de 2,8% ao ano) e o Chile
(com 2,1% anuais). Quando é levada em consideração
apenas a taxa de juro nominal, o Brasil desce à terceira posição.
Turquia e Venezuela aparecem em primeiro e segundo lugares, com juros
nominais de 17,50% e 16,11%, respectivamente. Os juros na Turquia sofreram
fortes elevações nos últimos meses, com o país
atravessando um período de pressão inflacionária
acima do desejado pelo governo.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 18 de outubro de 2006 | Economia
Falha deixa 105 mil contribuintes
fora do 5º lote do IR
O número representa 7,31% do total
de 1,435 milhão de pessoas cujos nomes foram divulgados no
site da Receita
Renata Veríssimo
BRASÍLIA - Uma falha no sistema
do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), empresa
responsável pelo processamento das declarações do
Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), deixou 105 mil contribuintes
fora do quinto lote de restituição. A Receita Federal informou
nesta terça-feira que o número de contribuintes representa
7,31% do total de 1,435 milhão de pessoas cujos nomes foram divulgados
no site da Receita entre 6 e 10 de outubro.
Essas pessoas terão que aguardar
o sexto lote, que será pago no dia 16 novembro. A Receita informou
que os valores das restituições não pagas em outubro
serão corrigidos com base na taxa básica de juros, a
Selic (atualmente em 14,25%), acumulada entre maio e outubro e mais
1% em novembro. Para os demais contribuintes incluídos no quinto
lote, o dinheiro já está disponível nos bancos
desde segunda-feira.
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The New York Times, 18 de
outubro de 2006
Em meio a boom tecnológico, Índia
tem mais empregos do que trabalhadores
Somini Sengupta
em Tiruchengode, Índia
No momento em que as suas empresas do
setor de tecnologia prosperam com a tendência à terceirização,
a Índia se depara com um desafio inesperado. Em um país
que já foi tido como fonte inesgotável de engenheiros fluentes
em inglês, dispostos a receber baixos salários e prontos
para trabalhar, uma carência de mão de obra paira no horizonte.
A Índia ainda produz uma grande
quantidade de engenheiros. Segundo as últimas estimativas, são
quase 400 mil profissionais por ano. Mas a competência desses trabalhadores
está sendo colocada em dúvida.
Um estudo encomendado pelo grupo comercial
Associação Nacional de Companhias de Software e Serviço,
ou Nasscom, revelou que apenas um em cada quatro engenheiros tem condições
de ser contratado por empresas de tecnologia. Os outros demostraram deficiências
nas habilidades técnicas exigidas, na fluência em inglês
ou na capacidade de trabalhar em equipe ou de fazer apresentações
orais básicas.
Essa lacuna em termos de habilidades é um
reflexo da exigüidade de educação superior de alta
qualidade na Índia e do ritmo estonteante de crescimento da economia
do país, liderada pelo setor de serviços, e que em termos
de expansão só perde para a China. Somente as exportações
na área de softwares acusaram uma expansão de 33% no ano
passado.
Os sistemas universitários de poucos
países seriam capazes de acompanhar tal demanda, e a Índia
está sem dúvida enfrentando problemas nessa área.
As melhores e mais seletivas universidades do país geram um número
demasiadamente pequeno de graduados, e as novas faculdades particulares
estão produzindo profissionais de qualidade duvidosa.
Muitos temem que este problema seja um
sinal da existência de gargalos em outras partes da economia. Isso é algo
que já se observa no setor de tecnologia da informação.
Com a expectativa de que os empregos do
setor tecnológico quase dobrem de número, chegando a 1,7
milhão nos próximos quatro anos, as companhias estão
se empenhando em encontrar novos talentos no campo da engenharia e em
atualizar as instituições de ensino superior que produzem
esses profissioinais.
Algumas companhias treinam por conta própria
membros do corpo docente, oferecem cursos voltados para as necessidades
do setor e melhoram a qualidade dos laboratórios e das bibliotecas
das faculdades. Essas empresas não perdem tempo para serem as
primeiras a escolher os futuros engenheiros antes mesmo que estes terminem
seus cursos. E com tal objetivo elas estão se voltando para faculdades
pequenas e remotas das quais ninguém ouviu anteriomente falar.
As mais bem sucedidas instituições
tecnológicas do país não podem mais se dar ao luxo
de realizar recrutamentos apenas nas mais prestigiadas universidades
indianas. E elas tampouco podem achar que os recém-graduados estejam
prontos a trabalhar instantaneamente nas suas unidades de produção.
A maioria das companhias exige que todos os novos funcionários
passem por um treinamento interno com duração de dois a
seis meses.
E o excesso de demanda começa a
gerar efeitos nos patamares mais baixos da escala funcional. Os salários
iniciais na indústria de software tiveram um aumento médio
de 10% a 15% nos últimos anos. E a Nasscom prevê uma carência
de 500 mil profissionais do setor de tecnologia por volta de 2010.
Não há dúvida de
que a carência de mão-de-obra é um problema causado
pela prosperidade, e esse problema começa a se fazer sentir em
todos os nichos da economia do setor de serviços. A ICICI, a maior
empresa de serviços financeiros do país, anunciou planos
para a contratação de 40 mil empregados nos próximos
três anos.
A Associação de Varejistas
da Índia anunciou em julho passado que a sua indústria
de rápida expansão necessitará de quase 115 mil
trabalhadores nos próximos seis meses. A Reuters anunciou neste
mês que o Google está tendo dificuldades para encontrar
trabalhadores indianos proficientes nas tecnologias de linguagem e de
software utilizadas na última geração de websites.
Neste ano a maior companhia de software
da Índia, a Tata Consultancy Services, pretende agregar 30 mil
indivíduos à sua força de trabalho, que atualmente é de
72 mil pessoas. Uma demonstração disso foi o fato de, em
uma tarde recente, um grupo de quatro funcionários da companhia
ter visitado as salas de uma faculdade fundada por um magnata local do
setor têxtil nesta pequena cidade no sul da Índia.
A equipe veio a Tiruchengode com o objetivo
de selecionar a sua próxima geração de programadores
de software e de avaliar como, no curto prazo, a companhia poderia ajudar
a faculdade a produzir rapidamente uma quantidade maior dos profissionais
dos quais ela necessita. "Esses são os caras que vão
criar o meu Windows 2010", brincou um dos recrutadores.
"Não podemos nos dar ao luxo
de desperdiçar talentos", declarou A.K. Pattabiraman, um
membro da equipe.
Eles fizeram várias perguntas aos
professores e administradores: Quantos membros do corpo docente têm
doutorado? Por que tantos alunos têm matérias pendentes
ao ingressarem no seu quarto e último ano? Que programas eles
usam para o curso de mecatrônica - uma combinação
de mecânica, tecnologia da informação e eletrônica?
Eles avaliaram a capacidade dos alunos
de raciocinar e falar, apresentando tópicos para debates, como
democracia versus ditadura, assim como questões de testes de ciências,
perguntando, por exemplo, o que aconhtece com uma vareta de ferro colocada
em um recipiente contendo ácido nítrico. Os recrutadores
examinaram os materiais existentes na biblioteca e no laboratório
de língua inglesa da universidade.
O exercício fazia parte de um processo
elaborado por parte da companhia para determinar se este campus, a Faculdade
de Educação Técnica K.S. Rangasamy, poderia ser
agregado ao grupo de faculdades que é alvo de campanhas de recrutamento.
No passado a Tata Consultancy Services
precisava apenas atuar nas principais faculdades de engenharia do país:
os nove campi do Instituto Indiano de Tecnologia e em alguns outros,
nos quais a admissão é muito mais difícil do que
o ingresso nas universidades norte-americanas de elite que compõe
a Ivy League (Harvard, Brown, Cornell, Yale, Princeton, Universidade
da Pensilvânia, Dartmouth e Columbia).
Atualmente a lista inclui 209 instituições,
muitas das quais, como esta, são faculdades particulares recém-inauguradas
que surgiram com o objetivo de atender às aspirações
de uma nova geração de estudantes. Rangasamy, o fundador
da faculdade, é ele próprio um produto da expansão
econômica indiana. As suas fábricas produzem toalhas de
mesa e lençóis para a K-Mart e o Marriott.
Rangasamy só cursou a escola até a
quarta série e não fala uma só palavra em inglês.
Mas o aglomerado de faculdades que ele criou educa quase 12 mil alunos.
Desses, quase 3.600 estudam engenharia de software, e a maioria deles,
segundo autoridades acadêmicas, são os primeiros em suas
famílias a frequentar uma instituição de ensino
superior.
O endosso da Tata Consultancy sem dúvida
se constitui em um prêmio para a faculdade, e o campus foi adornado
com flores e faixas saudando a equipe de funcionários da companhia.
Ser certificado como integrante do grupo de faculdades aprovadas pela
companhia significaria que os alunos teriam uma chance de conseguir um
emprego mesmo antes da formatura, além de outros benefícios
para a instituição - treinamento do corpo docente, material
gratuito para os cursos, oportunidades de pesquisas para professores
e alunos.
O número de intituições
técnicas de pesquisa na Índia, incluindo faculdades de
engenharia, mais do que triplicou nos últimos dez anos, segundo
o Conselho Indiano de Educação Técnica. A maioria
delas é particular.
Um novo tipo de instituição
emergiu para oferecer àqueles que terminaram de se formar e estão
ingressando em uma carreira treinamento intensivo em língua inglesa
e instrução nas disciplinas técnicas exigidas no
local de trabalho. Tais instituições são chamadas
de "escolas de acabamento", e a Nasscom estará criando
a sua própria até o início do ano que vem.
Mas no final do processo a faculdade de
Rangasamy acabou não atendendo aos requisitos da companhia. A
equipe encontrou deficiências na maneira que matérias básicas
são lecionadas e constatou que os alunos apresentam um nível
de qualidade médio.
A educação superior só é disponível
para uma pequena parcela da juventude da Índia. Apenas 10% dos
indianos com idades entre 18 e 25 anos estão matriculados na faculdade,
segundo estimativas oficiais. Quase 40% dos indianos com mais de 15 anos
são analfabetos.
A indústria está promovendo
um intenso lobby no sentido de permitir que haja investimento privado
na educação superior indiana. A Índia continua sendo
um dos países que mais envia estudantes estrangeiros aos Estados
Unidos e, cada vez mais, a outros países, como Austrália
e Canadá.
Nandan M. Nilekani, diretor-executivo
da Infosys, um dos maiores provedores indianos de tecnologia e serviços
administrativos para companhias ocidentais, afirma que a situação
representa uma encruzilhada para o seu país. Com mais da metade
da sua população com menos de 25 anos, ele diz que a Índia
poderia educar os seus jovens e criar oportunidades de emprego para eles,
ou então ficar com uma grande e potencialmente inerte reserva
de jovens desqualificados e incapazes de encontrar trabalho. "Esta é uma
oportunidade de ouro", diz ele. "E tal oportunidade poderá ser
desperdiçada caso não adotemos as medidas certas."
De fato, apesar de serem tão cobiçados,
vários dos indianos recém-contratados pela Infosys não
puderam contar com uma educação em artes liberais. Eles
escrevem programas de computador desde que ingressaram no segundo grau,
passaram por concursos disputadíssimos para se tornarem engenheiros
e há anos se fixaram somente na indústria de software.
Porém, eles estão ganhando
salários que seriam inimagináveis na época dos seus
pais. Naini Gomes, 22, obteve um emprego na Infosys ao final do seu terceiro
ano de faculdade. Isso não é algo incomum no seu campus,
uma faculdade de engenharia muito conceituada em Bangalore. "Todos
já tinham oferta de pelo menos dois empregos", explica Gomes.
A verdade é que o excesso de oportunidades é capaz
de produzir uma enervante auto-confiança nos indianos da geração
de Gomes.
"Do jeito que o setor de tecnologia
da informação está prosperando, este é o
local certo para se estar", afirma Chinmay Nanavati, um jovem recém-recrutado,
de 22 anos. "Neste momento estou satisfeito com a forma como as
coisas estão trasncorrendo. Elas transcorrem do jeito que eu quero."
Tradução: Danilo Fonseca
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
18 de outubro de 2006 | Economia
Consumo de energia cresce 4,3% em todo
o país em agosto
RIO DE JANEIRO - O consumo de energia
elétrica no Brasil cresceu 4,3% em agosto, em comparação
com o mesmo período do ano passado.
De acordo com dados divulgados hoje, no
Rio, pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério
de Minas e Energia, a elevação foi puxada pela classe comercial
de consumidores, que responde por 15,2% da eletricidade demandada no
país.
Segundo a assessoria de imprensa da EPE,
foi o terceiro maior nível de crescimento do consumo de energia
no país este ano.
Os meses de fevereiro, com 5,5%, e março,
com 6,5%, foram os que tiveram maior incremento do consumo, o que, de
acordo com a assessoria, justifica-se pelas altas temperaturas.
O boletim mensal de Estatística
e Análise do Mercado de Energia Elétrica da EPE mostra
que a classe comercial de consumidores ficou acima da média nacional,
com taxa de crescimento de 6,4%, destacando-se a Região Sudeste,
onde o consumo subiu 7,1% em relação a agosto de 2005.
A capital paulista liderou o ranking,
com elevação do consumo de 9%. A classe de consumidores
formada pelo setor rural, poder público e iluminação
pública teve crescimento de 5,2%, seguida das classes industrial
(3,8%) e residencial (3,4%). (Com Agência Brasil)
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
18 de outubro de 2006
Sem aviso prévio, corte de energia
por falta de pagamento é ilegal
O corte de energia elétrica sem
aviso prévio para usuários inadimplentes é ilegal.
A decisão é da 1ª Turma do STJ (Superior Tribunal
de Justiça), que manteve decisão do Tribunal de Justiça
de Alagoas obrigando a Ceal, companhia energética daquele Estado,
a restabelecer o fornecimento de energia de um condomínio com
300 apartamentos, em Maceió, que havia atrasado no pagamento.
De acordo com a assessoria do STJ, a empresa
alegou que o Condomínio Residencial Artemísia, era um devedor
freqüente, e que já chegou a ser condenado em ação
de cobrança de débitos. Além disso, o condomínio
teria declarado ser objetivamente devedor ao ingressar com a ação
judicial —no caso, um mandado de segurança—, o que
legitimaria a interrupção no serviço.
No entanto, em primeira instância,
o condomínio foi obrigado a garantir o restabelecimento de energia,
pois os artigos 22 e 42 do CDC (Código de Defesa do Consumidor)
impediriam a suspensão, uma vez que o fornecimento é considerado
essencial e, por isso, de prestação contínua. O
Tribunal de Justiça negou o apelo da Ceal, sob o argumento de
que se faz necessário que os consumidores sejam avisados previamente
sobre a suspensão, o que não teria ocorrido nesse caso.
No recurso apreciado pelo STJ, o
relator, ministro Teori Albino Zavascki, destacou que essa regra do
código não é absoluta, e deve sim, ser conjugada
com a Lei 8.987/95, que dispõe sobre o regime de concessão
e permissão da prestação de serviços públicos.
Em seu artigo 6º, em caso de inadimplência, a lei possibilita
a interrupção somente após aviso prévio.
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GAZETA DE LIMEIRA, 18 de
outubro de 2006
Pioneira no País, Escola
do Trabalhador vai combater desemprego em Limeira
Com o objetivo de oferecer orientação
vocacional e qualificação para estudantes e trabalhadores
que estão fora do mercado, Limeira terá a partir de 2007
a primeira Escola do Trabalhador do País. O anúncio foi
feito pelo prefeito Silvio Félix (PDT) durante o Seminário
Regional de Orientação, Formação e Certificação
Profissional. Atualmente 22,5 mil pessoas estão desempregadas
na cidade, 15% da população economicamente ativa.
Inédito no País, o seminário
que termina hoje, visa discutir as estratégias que serão
utilizadas a partir do funcionamento da Escola do Trabalhador. A iniciativa
envolve a Prefeitura, Secretaria de Educação e Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), com apoio da Unesp.
Segundo Fernando Arantes, coordenador
do Grupo Gestor de Projetos Educacionais da Unicamp, a iniciativa consiste
em oferecer orientações para estudantes do Ensino Médio
e qualificar trabalhadores que já estejam no mercado, mas não
são certificados. Ele explicou que, como o tema já foi
debatido pela instituição através do Seminário
Internacional, a Unicamp irá oferecer todo o respaldo acadêmico
ao projeto da Prefeitura.
Segundo Félix, a iniciativa terá três
principais etapas. A primeira consiste na qualificação
dos professores, a segunda em orientações dadas aos alunos
e a terceira na certificação. O projeto começa no
próximo ano letivo nas escolas, mas será desenvolvido na
própria Escola do Trabalhador, que irá funcionar no prédio
da antiga Machina São Paulo. “Nós fizemos um investimento
de R$ 400 mil”, afirmou.
Segundo o secretário de Educação,
Antonio Montesano Neto, a idéia é oferecer testes vocacionais
e orientação profissional aos estudantes do Ensino Médio
inicialmente. “É preciso que eles tenham um contato mais íntimo
com o mercado de trabalho. Desta forma poderemos diminuir o abismo entre
educação e mercado de trabalho”, explicou. Para isso
estão programadas excursões, visitas às empresas
e palestras com profissionais.
A intenção, segundo o prefeito, é preparar
jovens que realmente atendam às necessidades do mercado. “Ao
termos profissionais capacitados em Limeira, teremos mais chances de
atrair empresas para a cidade”, declarou. O prefeito mencionou
que uma empresa da região Sul está interessada em abrir
uma filial em Limeira, o que geraria 100 empregos diretos, mas exige
que todos os profissionais tenham algum tipo de formação
técnica. “Infelizmente esta é uma realidade ainda
muito distante para a maioria dos trabalhadores”, declarou.
Qualificação
Outro órgão que apóia
a iniciativa é o Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), representado pelo sindicalista
Arthur Bueno de Camargo. Segundo ele, uma grande preocupação é em
relação ao número de pessoas desempregadas na cidade
que equivale a 15% da população economicamente ativa, que
chega a 150 mil trabalhadores. “Nesta esfera existem os trabalhadores
que ainda não tiveram o primeiro emprego, mas há uma parcela
significativa daqueles que já atuaram, mas por falta de reciclagem
estão fora do mercado”, declarou.
Daí a importância da discussão
e das ações também envolverem representantes de
escolas públicas e técnicas, entidades de trabalhadores
e patronais de Limeira, sindicatos e Posto de Atendimento ao Trabalhador
(PAT).
Com a integração de todos
os setores, o coordenador do Grupo Gestor de Projetos Educacionais da
Unicamp citou ainda que a Escola do Trabalhador (denominação
sujeita a alterações) poderá ter um banco de dados
ligando ofertas do mercado e trabalhadores que atendam às exigências.
O local também poderá servir de subsídios para a
elaboração de grades curriculares de escolas técnicas. “A
meta é formar profissionais que se adaptem às necessidades
do mercado”, enfatizou.
Cursos
O prefeito acrescentou que a Escola
do Trabalhador também contará com a realização
de cursos de formação profissional. A idéia é ampliar
o projeto para os pais dos alunos e aos trabalhadores que estão
fora do mercado. Cursos como pizzaiolo e vendedor são alguns
dos 40 que estão previstos. (ESS)
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de outubro de 2006
Jornada de trabalho
Funcionário que trabalha como
caixa não é digitador
Caixa que trabalha em lotérica
não tem jornada de trabalho de seis horas diárias como
o digitador, porque seu trabalho pode ser interrompido diversas vezes.
O entendimento é da 10ª Câmara do Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região (Campinas, São Paulo). O
TRT negou o pedido de horas extras feito por uma funcionária que
trabalhava no caixa da Lotérica Talismã.
A caixa entrou com a reclamação
na 1ª Vara do Trabalho de Araçatuba (SP). Alegou que deveria
trabalhar somente seis horas por dia, porque exercia a atividade de digitadora,
com direito a jornada de seis horas. A primeira instância negou
o pedido. Ela apelou ao TRT. O relator do recurso, juiz Valdevir Roberto
Zanardi, explicou que a função de caixa, bancário
ou lotérico, ainda que compreenda serviços de digitação,
sofre interrupção, o que não acontece com o digitador.
“Os caixas não atuam mecânica
e sistematicamente no processamento eletrônico de dados. Exercem
outras atividades, a exemplo da contagem de dinheiro, atendimento ao
público, conferência de documentos, rendendo pausas não
condizentes com o árduo trabalho do digitador permanente”,
esclareceu Zanardi ao negar o recurso.
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de outubro de 2006
Garantia de boa-fé
Comprador que não sabe sobre
penhora não perde imóvel
Não cabe penhora em bem adquirido
por terceiros com boa-fé. O entendimento é da 1ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho. A Turma desconstituiu a penhora de
um imóvel vendido por um dos sócios da empresa Colina Conservadora
Nacional, sem que a compradora soubesse da existência de ação
trabalhista em fase de execução contra a empresa. O relator
do recurso, ministro Vieira de Mello Filho, considerou não ter
havido fraude na transação.
A ação trabalhista que deu
início ao processo começou na 20ª Vara do Trabalho
de Brasília, em 1998. Na fase da execução da sentença,
a empresa desapareceu de seu endereço. A Vara do Trabalho aplicou
o princípio da despersonificação da pessoa jurídica
e dirigiu a execução para os bens pessoais dos sócios — entre
eles uma loja no Gama (DF), para garantir o pagamento da dívida,
no total de R$ 4 mil.
A loja, porém, havia sido vendida
para uma professora de Sobradinho (DF), em setembro de 2001, por R$ 24
mil. Ao saber da existência da penhora, a professora conseguiu,
por meio de Embargos de Terceiro, a desconstituição. Os
trabalhadores parte na reclamação trabalhista impugnaram
os embargos alegando que a venda da loja tinha como objetivo fraudar
a execução e impedir o pagamento da condenação.
O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região
manteve a penhora por entender presentes os requisitos caracterizadores
da fraude. A professora, então, recorreu ao TST. Explicou que,
quando adquiriu o imóvel, não sabia que seu ex-proprietário
estava sendo executado judicialmente. Alegou, ainda, que “no cartório
competente não havia qualquer anotação de ônus
real, penhora, seqüestro ou arresto”, e que a penhora foi
efetivada depois da compra.
O ministro Vieira de Melo Filho, relator,
acolheu os argumentos. “Não há dúvida de que
a alienação de bens pelo devedor, podendo reduzi-lo à insolvência,
pode gerar a presunção de fraude. No entanto, o direito
não desconsidera a posição jurídica do terceiro
de boa-fé [aquele que adquire o imóvel penhorado].”
De acordo com o ministro, para a caracterização
da fraude, é imprescindível provar que o comprador tinha
ciência da existência do processo judicial contra o vendedor
ou da constrição judicial sobre o objeto da transação,
o que não aconteceu no caso discutido no TST.
“A compradora buscou certificar-se
da idoneidade do bem em aquisição, junto ao registro de
imóveis. Além disso, a execução foi instaurada
contra a empresa, e, no curso do processo, admitiu-se a desconsideração
da personalidade jurídica para, então, voltar-se contra
o sócio. Nessas circunstâncias, a prova da fraude não
se materializa, pois não há como se atribuir ao terceiro
participação nela”, concluiu.
A decisão foi unânime.
A Turma concluiu pela validade da transação de compra
e venda do imóvel, julgando procedente o pedido e desconstituindo
a penhora.
RR 20/2003-004-10-40.7
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de outubro de 2006
Risco do negócio
Vendedor não pode ser responsabilizado
por calote
Patrão não pode descontar
da comissão do vendedor o valor de cheque sem fundo emitido pelo
cliente. O prejuízo neste caso deve ser arcado pelo empresário.
O entendimento é da 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho
e foi firmado no julgamento do recurso movido pela Editora Gráfica
Industrial de Minas Gerais contra decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 3ª Região.
O relator do recurso, ministro Horácio
Senna Pires, explicou que os riscos pelo negócio devem ser suportados
pelo empregador. “O estorno da comissão somente é admitido,
por lei, quando se verifica a insolvência do comprador e não
a mera inadimplência”, afirmou o ministro, citando o artigo
7º da Lei 3.207/57.
O autor da ação vendia assinaturas
de listas telefônicas. Para o TRT mineiro, “o direito à comissão
começa a surgir no momento em que o empregado estabelece o contato
com o freguês”. É nesse sentido a interpretação
dada à expressão “ultimada a transação”,
citada no artigo 466 da CLT.
O ministro Horácio Senna Pires
manteve o entendimento. De acordo com o relator, a lei só possibilita
o estorno da comissão quando o comprador se vê impossibilitado
de pagar o que deve, encerrando a negociação, não
no caso de não pagamento.
“É nula cláusula contratual
prevendo o estorno ou não-pagamento de comissão quando
não efetivado o pagamento da compra pelo devedor”.
RR 734.881/01.1
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de outubro de 2006
Questão de competência
Justiça trabalhista não
julga processo de servidor
A Justiça do Trabalho não é competente
para processar e julgar dissídio instaurado por servidor público
estatutário ocupante de cargo comissionado. O entendimento foi
reafirmado pelo ministro Sepúlveda Pertence, do Supremo Tribunal
Federal, relator de uma Reclamação ajuizado pelo estado
de Sergipe contra a Justiça do Trabalho. Pertence suspendeu o
andamento de um processo em trâmite no Tribunal Regional do Trabalho
da 20ª Região.
A alegação do estado de
Sergipe é que a Justiça trabalhista não é competente
para julgar processo instaurado por servidor ou funcionário comissionado
contra o estado.
De acordo com a defesa sergipana, entender
pela competência da Justiça do Trabalho seria afrontar o
resultado do julgamento pelo STF da Ação Direta de Inconstitucionalidade
3.395. Na ocasião, os ministros suspenderam qualquer interpretação
dada ao inciso I, do artigo 114, da Constituição Federal,
que inclua na competência da Justiça do Trabalho a “apreciação
de causas que sejam instauradas entre o poder público e seus servidores,
a ele vinculados por típica relação de ordem estatutária
ou de caráter jurídico-administrativo”.
Segundo Sepúlveda Pertence, “dos
autos, percebe-se que o fundamento da limitação do direito
trabalhista pleiteado na inicial (recolhimento do FGTS) está na
consideração da natureza do vínculo empregatício
estabelecido entre os interessados e o reclamante (se cargo efetivo ou
em comissão)”.
RCL 4.698
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de outubro de 2006
Fora de perigo
Trabalhar em área de abastecimento
não dá adicional
Trabalhar perto de caminhão de
combustível não dá direito a adicional de periculosidade.
O entendimento é da 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
Os ministros isentaram a Infraero de pagar o adicional para uma empregada
que trabalhava próximo ao local onde transitavam caminhões
de abastecimento de aeronaves. Para a Turma, o caso não se enquadra
nas previsões legais e nas normas relativas à concessão
do benefício.
A Infraero foi condenada pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná). A autora
da ação trabalhava na estação meteorológica
do aeroporto, fazendo observações do tempo. De acordo com
a perícia, em condições de tempo bom, a observação
durava dez minutos. Em condições de tempo duvidoso, a funcionária
ficava no ponto de observação por até 20 ou 30 minutos.
O ponto de observação ficava
próximo do local onde trafegam os caminhões que faziam
o abastecimento das aeronaves. A passagem do caminhão era rápida,
durando de dois e três segundos, o que não caracterizaria área
de risco, de acordo com a perícia.
Apesar das constatações
do perito, o TRT entendeu que a empregada tinha direito ao adicional
de periculosidade. “Basta que o empregado ingresse na área
de risco com intermitência, o que se verifica no caso, pois as
observações externas ocorriam a cada hora, e nos dois últimos
anos a cada meia hora. O risco existe mesmo que se restrinja a reduzida
fração de tempo”, afirmaram os juízes.
A Infraero apelou ao TST. O relator, ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, acolheu o recurso. “O conceito de
periculosidade, sabe-se, está vinculado à atividade do
empregado que pela natureza de sua atividade necessite um contato permanente
com substâncias inflamáveis ou explosivas, realçando
a lei a necessidade de que a condição de risco seja acentuado.”
Para o ministro, “apenas não
foi possível depreender que a atividade da trabalhadora, que não
tem qualquer vinculação com a área em que se realiza
a operação de abastecimento, possa ser considerada periculosa”.
RR 5.928/2000-019-09-00.4
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JORNAL GAZETA DO POVO, 18 de
outubro de 2006 | Economia
SETOR IMOBILIÁRIO-Indústria
da construção civil começa a se beneficiar
da redução de IPI de alguns produtos
Consumidor ganha pouco com
redução no imposto do material de construção
Os três pacotes de redução
de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para material
de construção lançados pelo Ministério
da Fazenda este ano beneficiaram mais os fabricantes e construtores
do que as lojas de varejo e o consumidor. As vendas da indústria
no país aumentaram 4,36% de janeiro a setembro em relação
ao mesmo período do ano passado. O presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Materiais de Construção
(Abramat), Melvyn Fox, atribui a alta à desoneração
de alguns produtos pelo governo, cujas vendas cresceram 9,55%.
Para o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), os brasileiros estão
comprando mais devido ao aumento do salário mínimo e a
boas negociações salariais, à queda dos juros e
ao aumento do volume de crédito.
“A redução de IPI foi mais benéfica para a população
de baixa renda”, diz o economista Cid Cordeiro. “Os consumidores
que mais se beneficiaram pelos pacotes foram aqueles com renda de até cinco
salários mínimos”, concorda Fox. Ele lembra que, nessa faixa
de renda, 40% das obras são autoconstruídas – quando o proprietário
compra material no varejo e não contrata construtora.
No caso da Cohab, que tem 105 casas em
construção para famílias com renda até 1,5
salário mínimo na região de Curitiba, o preço
não baixou porque os orçamentos foram feitos no fim de
2005.
Em obras de alto padrão a redução
do IPI também não chegou ao consumidor quando o preço
do imóvel já havia sido fixado. Foi o caso do residencial
Tibet, que deve ser entregue no fim do ano pela Construtora Laguna, no
bairro Batel. Na compra de cerâmica e portas de madeira, fornecidas
por fábricas catarinenses, a empresa economizou entre 3% e 4%. “Esses
itens chegam a representar 10% do valor da obra, mas neste caso o ganho
não foi repassado ao consumidor porque o preço de venda
depende do mercado”, diz o engenheiro responsável, Alexandre
Mora. Segundo ele, deve haver redução de preço em
obras futuras. “Quem mais se beneficia é o consumidor que
compra moradias a preço de custo.”
De acordo com o IBGE, apesar de o varejo
nacional de material de construção ter vendido 2,54% mais
até agosto em relação a 2005, no Paraná houve
queda de 12,92%. “Isso reflete a crise do campo”, diz o presidente
da Anamaco da região de Londrina, Pedro Garcia Joaquim. Ele acredita
que, sem o incentivo do governo, a queda nas vendas poderia ter sido
maior.
Mas, se o aquecimento não
veio, os varejistas comemoram a queda dos preços. Além
da redução de imposto, a redução nas exportações
causada pela desvalorização do dólar faz com que
haja mais produto no mercado, o que acirra a concorrência e força
os preços para baixo. Na rede Bigolin, que tem sete unidades
no estado, o saco de cimento caiu de R$ 20 para R$ 15. “Com oferta
maior, conseguimos negociar melhor”, diz o assessor Nilson Fante.
Helena Carnieri
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JORNAL GAZETA DO POVO, 18 de
outubro de 2006 | Economia
CARGA MENOR
O que ficou mais barato
Os produtos contemplados em setembro com redução de IPI de 10%
para 5% foram chuveiros elétricos e itens de plástico (bidês,
sanitários, caixas de descarga e artigos semelhantes, e revestimentos
de piso e parede). Em fevereiro, quando veio o primeiro pacote, foi zerada
a alíquota de produtos como caixa d’água, portas e janelas
de madeira. Outros tiveram o imposto reduzido de 10% ou 12% para 5%, como tintas,
louças sanitárias e cerâmicas. Em março, foi a vez
de a Câmara de Comércio Exterior reduzir o imposto de importação
de alguns itens da construção civil, entre eles o cimento. O
produto teve sua alíquota reduzida de 4% para zero. A alíquota
da barrilha, insumo usado na produção de vidro, também
foi zerada.
Em junho, caiu o imposto das válvulas,
portas e janelas e seus caixilhos, produtos em alumínio, argamassas
e concretos não-refratários, entre outros.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 18 de
outubro de 2006 | Mundo
DEMOGRAFIA-Americanos atingem marca só superada
por China e Índia
População dos
EUA chega aos 300 milhões
Washington – Estimativas demográficas indicam que os Estados Unidos
chegaram ontem ao marco histórico de 300 milhões habitantes,
uma situação vivida apenas por duas outras nações
do planeta – Índia e China. No Census Bureau, o Departamento de
Recenseamento, em Washington, a notícia do nascimento do americano de
número 300 milhões foi recebida com gritos e aplausos. A barreira
dos 300 milhões foi atingida às 07h45 (horário local),
segundo um cálculo baseado na diferença entre nascimentos (um
a cada 7 segundos), mortes (uma a cada 13 segundos) e o fluxo de imigrantes
(um novo a cada 31 segundos). Isso significa um novo habitante acrescido à população
americana a cada 11 segundos.
O americano de número 300
milhões pode ser também um novo imigrante latino, mesmo
que ilegal, explicaram os especialistas do Census Bureau, ressaltando
que não seria possível identificar precisamente o bebê.
Ao contrário de 1967, quando a marca dos 200 milhões foi atingida,
as autoridades federais não organizaram festas comemorativas. Em vez
disso, propuseram ao país uma reflexão sobre os impactos do crescimento,
especialmente sobre o meio ambiente. “Mais do que qualquer outra nação,
nós contribuímos para a mudança climática”,
reconhece Vicky Markham, diretora do Centro para Meio Ambiente e População.

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JORNAL
DO ESTADO, 18 de outubro de 2006
Consumidor
Casa própria
Nova modalidade oferece riscos
a trabalhador
Associação Nacional
de Mutuários aponta perigo com desconto em folha das parcelas
A Caixa Econômica Federal (Caixa)
lançou na segunda-feira uma nova modalidade de financiamento
para a casa própria, destinada à classe média,
com juros a partir de 11,9% ao ano, sem a incidência a Taxa
Referencial (TR). A linha, que finaciará imóveis de
R$ 130 mil a R$ 350 mil, já está disponível
nas agências da Caixa de todo o País. Ela pode ser usada
para a compra de imóvies novos, usados ou na planta.
Com o fim da TR, os mutuários têm a taxa de correção
do financiamento pré-fixada. No início da negociação,
ao contrários de outras modalidades, já será possível
saber o total que será pago pelo imóvel, independente do tempo
em que haverá parcelas a serem pagas — 15 ou 20 anos.
Para o presidente da Associação Nacional
dos Mutuários (AMN), Luiz Alberto Copetti, apesar dessa
possibilidade, o pacote apresenta riscos ao consumidor. Ele afirma
que com a pré-fixação dos juros, o governo
atende a uma antiga reivindicação que é a
de esclarecer logo no início do financiamento habitacional
quanto será pago pelo imóvel. Mas no caso do consignado,
modalidade em que o valor da prestação é diretamente
descontada do salário, o mutuário poderá ter
problemas.
Copetti lembra que o salário
tem natureza alimentar e não poderia ser usado em compromissos
financeiros. “O prejuízo será maior se tiver
imprevistos como doença na família, não podendo
pagar a prestação mas já virá descontada”,
afirma. A lei 10.820/03 que autoriza o desconto em folha é irrevogável
e irretratável e o agente financeiro não deixará de
descontar a prestação do salário, possibilitando
maior segurança para os bancos.
Sobre as taxa pré-fixadas,
Copetti lembra que é necessário saber qual o plano
de amortização que vai ser usado. “Pelo visto
não muda muito no bolso do mutuário, que acabará pagando
de três a quatro vezes o valor financiado a longo prazo,
sendo que o recurso repassado do governo vindo da poupança
e do fgts são baixos, perto do lucro dos bancos, com dinheiro
do próprio povo”, diz.
“A nossa maior preocupação é de
que forma vai ser corrigido o saldo devedor”, afirma. Copetti
lembra que no pacote esse detalhe não é mencionado
sobre isso, podendo causar um saldo devedor impagável como
nos contratos antigos, chamado resíduo.
O pacote prevê a redução
no IPI, e quem garante que vai ser repassado ao consumidor que é o
mutuário, o beneficio acaba favorecendo as construtoras.
Nos contratos ajustados pela TR, o especialista prevê problemas
com os reajustes pela TR. “Se a TR sofrer aumentos, vai aumentar
a prestação o e o saldo devedor também quando
corrigido pelo mesmo índice”, finaliza Copetti.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
18/10/2006
SDI-1 suspende processos sobre OJ 177
A Seção Especializada em
Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
retirou de pauta os processos relativos à Orientação
Jurisprudencial 177, que trata da extinção do contrato
de trabalho nos casos de aposentadoria espontânea, mesmo quando
o empregado continua a trabalhar. A medida decorre de recente decisão
do Supremo Tribunal Federal que, em julgamento da Ação
Direta de Inconstitucionalidade (ADI 1721), considerou inconstitucional
o parágrafo 2º do artigo 453 da CLT. O dispositivo prevê que
a aposentadoria de empregado que não atingiu 35 anos de serviço,
se homem, ou 30, se mulher, acarreta a extinção do vínculo
empregatício.
O entendimento de que a aposentadoria
extingue o contrato – ou seja, caso o trabalhador continue a trabalhar
considera-se a existência de um novo contrato – é a
base da OJ 177, objeto de diversos questionamentos no TST, em recursos
de revista e embargos, e no STF, por meio de recursos extraordinários.
Um dos pontos sensíveis da questão é o que se refere
ao pagamento da multa de 40% sobre os depósitos do FGTS em caso
de demissão imotivada.
Considerando a existência de dois
contratos, as decisões do TST eram sempre no sentido de que a
indenização incidiria apenas sobre os depósitos
do FGTS realizados a partir da aposentadoria – isto é, relativos
ao segundo contrato. Ao julgar recursos extraordinários contra
essas decisões, porém, o STF entendeu que a aposentadoria
espontânea não extingue o contrato de trabalho, e determinou
que o TST considere a unicidade contratual. A mesma decisão foi
tomada agora no julgamento da ADI 1721.
Mas as decisões das Turmas do TST,
ao julgar recursos que retornaram do Supremo, se dividiram. A Quarta
Turma adotou entendimento no sentido de que, ainda que o contrato seja único,
a multa de 40% incide apenas sobre os depósitos posteriores à aposentadoria.
O fundamento é o de que a finalidade do FGTS e da multa de 40%
sobre o saldo dos depósitos é prover o trabalhador de recursos
financeiros enquanto busca novo emprego. Uma vez contando com os proventos
de aposentadoria, a indenização teria sua finalidade desvirtuada.
A Quinta Turma, por sua vez, determinou,
em casos semelhantes, o pagamento da multa de 40% sobre os depósitos
efetuados em todo o período. A Seção Especializada
em Dissídios Individuais 2 (SDI-2), em julgamento recente de recurso
ordinário em ação rescisória, adotou entendimento
semelhante ao da Quarta Turma, ao considerar que a aposentadoria, embora
não seja causa da extinção do contrato, secciona-o
em dois períodos contratuais distintos.
Na sessão da SDI-1 desta terça-feira
(17), o ministro Aloysio Corrêa da Veiga, relator do primeiro processo
referente ao tema, sugeriu sua retirada de pauta. O ministro Rider Nogueira
de Brito, vice-presidente do TST, presidindo a sessão, propôs
que seja encaminhada ao Tribunal Pleno proposta de cancelamento da OJ
177, para que se examine a matéria sobre outros enfoques que não
o da extinção do contrato de trabalho. Os demais processos
sobre o tema foram, então, retirados da pauta.

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