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Agência Diap, 19
de outubro de 2006
Dança das cadeiras e a correlação
de forças na Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados que emergiu das urnas em outubro de 2006, apesar
de renovada em torno de 48%, não sofreu grande mudança do ponto
de vista partidário em relação às bancadas atuais
assim como não houve alteração substancial da correlação
de forças tendo por parâmetro o pleito de 2002.
Os partidos que mais perderam, tendo
por referência as bancadas atuais, foram os três com maior
número de parlamentares envolvidos nos escândalos do mensalão
e das sanguessugas: PTB, PL e PP. O PTB perdeu 21 cadeiras, despencando
de 43 para 22 deputados; o PL reduziu 14 vagas, desabando de 37 para
23 deputados, e o PP nove, caindo de 50 para 41.
Os ganhadores, ainda segundo a composição
atual, foram o PMDB, que ampliou sua bancada em dez deputados, passando
de 79 para 89; o PSDB, que pulou de 57 para 66 deputados; o PPS, que
saltou de 15 para 22 deputados e o PV, que aumentou sua bancada de
sete para 13 parlamentares.
Tendo por referência a eleição
de 2002, os principais perdedores foram o PFL, que elegeu 19 deputados
a menos, desabando de 84 para 65 deputados; o PP, que ficou menor em
12 cadeiras, despencando de 53 para 41 deputados; o PT, que caiu de
91 para 83 deputados; o PTB, que diminuiu sua bancada de 26 para 22
deputados; o PSDB, que desceu de 71 para 66; o PL, que reduziu sua
bancada de 26 para 23 parlamentares; e o PTB e o Prona, que perderam
quatro vagas cada, caindo, respectivamente, de 26 para 22 e de seis
para dois.
Os partidos que mais ganharam em relação à eleição
anterior foram o PV, que ampliou sua bancada em oito deputados, saltando
de cinco para 13 parlamentares, o PSC, que também ganhou oito
novos membros, pulando de um para nove deputados; o PPS, que subiu
de 15 para 22 deputados; o PSB, que ganhou reforço de cinco
novos membros, passando de 22 para 27; e o PDT, que aumentou sua bancada
de 21 para 24 parlamentares.
No espectro ideológico, tendo
como parâmetro o resultado das eleições de 2002,
houve um pequeno crescimento da esquerda e centro/esquerda (PT, PSB,
PDT, PPS, PCdoB, PV e Psol), apesar da redução em oito
nomes da bancada do PT. No saldo geral, a esquerda e centro/esquerda
cresceram 19 cadeiras, passando de 166 para 185, graças ao ganho
de cadeiras do PPS, PV, PSB e PDT. O centro (PMDB, PSDB e PMN) caiu
de 160 para 157. A centro-direita (PFL, PL, PTB, PSC, PTC, PHS, PAN
e PRB) ficou menor, caindo de 137 para 126. A direita (PP, Prona, e
PTdoB) também sofreu redução, caindo de 59 para
44 deputados.
A correlação de forças
em relação ao Governo Lula, tendo como parâmetro
a eleição de 2002, oscilou de 318 para 298, considerando
que um eventual segundo Governo Lula mantenha na base: PT, PMDB, PSB,
PP, PL, PTB e PCdoB. Na oposição de centro-esquerda (PPS,
PV, PDT e Psol) houve crescimento, passando de 41 para 62, mas na de
centro/centro-direita (PSDB/Prona e PFL) houve redução
de 161 para 133, além de ter ficado concentrada regionalmente,
respectivamente em São Paulo e na Bahia.
Num cenário de eleição
de Geraldo Alckmin, a julgar pela vocação governista
de partidos como o PMDB, PP, PTB e PL, a maioria será folgada,
já que contará, além do PFL e do PSDB, com o apoio
do PPS e do PV, totalizando 341 parlamentares. Portanto estarão
não oposição apenas os partidos de esquerda/centro-esquerda:
PT, PSB, PCdoB e PDT, que somam 172 deputados.
Em conclusão, pode-se afirmar
que, mesmo tendo havido a substituição de 244 dos atuais
513 deputados, a composição partidária e a correlação
de forças da futura Câmara se manterá praticamente
inalterada. As principais alterações, que serão
objeto de outro artigo, ficaram por conta do perfil sócio-econômico
da Câmara dos Deputados. Antônio
Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e
Diretor de Documentação do DIAP – Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar.
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SÓ NOTÍCIAS
/ MATO GROSSO, 19 de outubro de 2006
Siticom deve entregar denúncias
ao Ministério Público do Trabalho em Sinop
O Siticom (Sindicato dos Trabalhadores
na Indústria, Construção e Mobiliário) em
Sinop, deve entregar, até o final desta semana, ao Ministério
Público do Trabalho, quatro notificações de condições
irregulares de serviço na construção civil. De acordo
com o presidente Vilmar Galvão, denúncias sobre o não
pagamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), falta
de registro e segurança foram encaminhadas por funcionários
do setor ao sindicato.
“Já conversamos com várias
empresas do segmento no município sobre estas questões.
Mas, algumas ainda não se preocuparam com o trabalhador, e por
isso vamos procurar o órgao”, destacou ao Só Notícias.
Ainda segundo Galvão, a construção civil é um
dos setores que ultimamente vem apresentando mais problemas.
As denúncias serão
encaminhadas ao ofício do órgão, instalado no
município no último dia 11 de outubro.
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Nova Central,
19 de outubro de 2006
Taxa Selic cai para 13,75% ao ano
O juro básico da economia brasileira sofreu o 11º corte consecutivo
nesta quarta-feira, anunciou o Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central (BC). A Selic caiu de 14,25% para 13,75% ao ano
- o corte de 0,50 ponto percentual já era esperado pelo mercado,
de acordo com levantamento divulgado pelo BC na última segunda-feira.
A redução é sem viés, ou seja, não há expectativas
de alteração da nova taxa até a próxima reunião
do Copom.
Este foi o penúltimo encontro do Copom este ano para definir
o rumo dos juros. O último está marcado para 28 e 29 de
novembro e a projeção é de um novo corte de 0,25
ponto percentual. A estimativa é de que a Selic fechará 2006
em 13,50% e estará em 12,50% em dezembro do ano que vem. Segundo
o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão
Quadros, uma redução maior na Selic neste momento, há apenas
11 dias da eleição para Presidência, poderia ter
interpretações variadas e colocar em risco a reputação
do BC. "O BC já deu provas de independência, não
vai correr risco de perder a reputação", disse o economista
em entrevista à agência Reuters nesta quarta-feira.
Topo do ranking
Mesmo com o novo corte da Selic, o Brasil ainda
lidera o ranking mundial de juros reais, com 9,3% ao ano - descontando
a inflação
projetada para os próximos 12 meses. Segundo a UpTrend Consultoria
Econômica, em reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo
de hoje, a taxa básica brasileira teria de sofrer redução
de 3,75 pontos percentuais para que o País deixasse o primeiro
lugar da lista.
A Turquia, que aparece como segunda colocada, conta
com juros reais de 6,2% ao ano. Se o Copom optasse por cortar a taxa
Selic em 1 ponto
percentual (para 13,25% ao ano), ainda assim os juros reais do Brasil
ficariam em 8,8% ao ano, os mais altos do planeta. Quando é levada
em consideração apenas a taxa de juro nominal, o Brasil
desce à terceira posição. Turquia e Venezuela aparecem
em primeiro e segundo lugares, com juros nominais de 17,50% e 16,11%,
respectivamente.
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Folha de São Paulo,
19 de outubro de 2006
De sindicalistas a analistas
RICARDO ANTUNES
Nos escândalos do governo do PT,
um traço persiste e inquieta: a presença de lideranças
que nasceram com o "novo sindicalismo"
"Como é difícil aspirar
o fim sem desprezar o meio! Alguns até confundem os meios com
o fim, desfrutam daqueles perdendo este de vista" (Goethe, "As
Afinidades Eletivas")
NOS INÚMEROS escândalos que
vexaram o governo do PT, há um traço persistente e inquietante:
a presença de lideranças que nasceram com o "novo
sindicalismo". Delúbio, Okamotto, Gushiken, Lorenzetti, Bargas
e Berzoini, todos, sem exceção, iniciaram suas carreiras
nos degraus do sindicalismo. Quase todos galgaram os andares superiores
da CUT (Central Única dos Trabalhadores) militando ativamente
na tendência Articulação Sindical, que há muito
controla com mão-de-ferro a central.
Todos saltaram de postos sindicais para
atividades diretamente políticas -como assessores, como parlamentares
ou até mesmo como ministros de Estado. Se incluirmos os conselhos
das estatais e dos fundos de pensão, aí o espaço
seria insuficiente para listar tantos nomes. Se o envelhecido "novo
sindicalismo" tem uma história diferente do que se conheceu
como "aristocracia operária" nos países centrais,
como explicar, então, a sua conversão de sindicalistas
a "analistas simbólicos", analistas de "risco e
mídia"? Como explicar o salto tão bem-sucedido?
É preciso reconhecer que muitos
deles foram forjados nas vivas lutas sociais durante a ditadura militar.
Alguns vinham da militância de base, próximos da esquerda
católica; outros saíram das diferentes correntes marxistas,
em dissensão com os partidos comunistas; outros, ainda, se postulavam
como "sindicalistas autênticos", recusando qualquer vinculação
política; enfim, era variada a gama de sindicalistas. Foi neste
mesmo solo que floresceu o mais importante de todos, Luiz Inácio
Lula da Silva, o agora presidente Lula, o metalúrgico, que, inicialmente,
também recusava a política para fazer sindicalismo.
Mas, se a origem dos sindicalistas foi
diversa, a Articulação Sindical foi, pouco a pouco, moldando-os.
Os que vieram da esquerda foram se esquecendo do passado militante. Quem
pode imaginar que Gushiken fazia trepidar os palanques, citando Trótski
com um vigor nada zen, atormentando a vida dos banqueiros? Os chamados "sindicalistas
autênticos" foram deixando para trás a espontaneidade
de suas lutas, foram se tornando homens da máquina sindical (depois
do partido), tão mais pragmáticos quanto mais alçavam
vôos na hierarquia, tão mais cordiais quanto maiores eram
as vantagens materiais.
Abandonaram a política de formação de classe e de base
-histórica em todo sindicalismo crítico e de esquerda- pela prática
do sindicalismo negocial, maneiroso para fora e mandonista para dentro.
Apreenderam, nos infindáveis convênios,
cheios de recursos, com parcelas do sindicalismo internacional, como
envelhecer precocemente. Combinaram, com sapiência, o pragmatismo
sindical com a política aparelhista dentro da estrutura.
Tendo sempre como lema a recusa da reflexão -de novo, Lula é a
expressão típica-, vivenciaram as múltiplas vantagens
da ascensão. Trocaram a riqueza da espontaneidade pela leveza da praticidade.
Paralelamente à depressão ideo-política, dava-se a ascensão
da "nova corporação".
O velho corporativismo getulista era substituído pelo neocorporativismo
da fase lulista. A chamada "república dos sindicalistas" deixava
para trás os reais interesses do trabalho, mantendo, no entanto, os
pilares herdados do sindicalismo atrelado ao Estado. Pudemos então presenciar,
com a desmontagem da Previdência pública e o fortalecimento dos
fundos de pensão, o reencontro simbólico, agora no mesmo palanque,
de Gushiken, Berzoini e os banqueiros.
Quem lembra da CUT em sua origem -de base,
socialista e pluralista- e vê hoje seu núcleo dirigente
atrelado e atolado nos cargos do governo, dependente dos fundos públicos
para sobreviver, olhando com volúpia para os fundos de pensão,
sabe do que estamos falando. Esse solo, no qual pragmatismo, ascensão
social, vantagens materiais, aparelhos sindicais e partidários,
tesourarias, recursos, dólares, mandonismo e burocratismo foram
cimentados e incentivados pelo "culto do líder", gerou
uma gama de "pequenos chefes", amigos do rei que tudo fazem
para agradá-lo e servi-lo de todos os modos e de todas as maneiras.
Até quando a atual campanha eleitoral já estava praticamente
ganha, foi preciso forjar um dossiê para que a vitória fosse
acachapante. Deu no que deu. Curta foi sua trajetória, de sindicalistas
a analistas.
RICARDO LUIZ COLTRO ANTUNES, 49, é professor
titular de sociologia do trabalho do Instituto de Filosofia e Ciências
Humanas da Unicamp (Universidade de Campinas). É autor, entre
outras obras, de "Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil" (Boitempo).
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Folha
de São Paulo, 19 de outubro de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PESQUISA
Eleitor repele críticas a rival
na televisão
Pesquisa Datafolha mostra que para 44%
dos brasileiros atacar o adversário no horário eleitoral é "nada
importante"
Mais ligado a tática que eleitores
desprezam, Alckmin vê aprovação ao seu programa
na TV cair no segundo turno
PAULO COBOS
DA REPORTAGEM LOCAL
Atacar o adversário. A
tática que muita gente próxima a Geraldo Alckmin
(PSDB) quer como prioridade para o horário eleitoral na
TV não é bem vista pelos eleitores brasileiros.
Isso é o que mostra pesquisa nacional do Datafolha, realizada
nos dias 16 e 17 passados. O levantamento tabulou dados sobre
a propaganda na televisão e foi o primeiro desse tipo
após o início do programa presidencial do segundo
turno. E ele é cruel para os partidários da tática
da "pancada". O Datafolha perguntou aos entrevistados
o grau de importância de sete aspectos na publicidade da
TV dos candidatos.
E o item "crítica
em relação ao adversário" perdeu até para
o quesito "bem-humorada". Só 10% dos entrevistados
dizem que o ataque ao rival é muito importante. Outros
19% classificaram isso como importante. O bom humor teve, respectivamente,
13% e 33%. Já os que dizem que a crítica é nada
importante são 44%. Os aspectos que mais se aproximam
disso são novamente o bom humor e a emoção/comoção,
ambos com 20%.
Para o eleitor, o mais importante
no horário eleitoral é que ele seja verdadeiro
e claro quanto às propostas de governo. Ambos são
classificados como muito importante por 56% dos entrevistados.
Na campanha para o segundo turno, principalmente a partir do
debate na TV Bandeirantes, quando partiu para o ataque contra
Lula, Alckmin subiu o tom em relação aos escândalos
do governo petista. Desde o começo da campanha do tucano
seus organizadores se dividem entre os que pregam uma campanha
mais positiva, como o marqueteiro Luiz Gonzaga, e os que preferem
atacar Lula e seu governo, como lideranças do PFL, aliado
do PSDB na campanha presidencial 2006.
Pela pesquisa do Datafolha, os
eleitores na propaganda do segundo turno mostram que o lado "brigador" de
Alckmin tem mais peso. O instituto perguntou aos entrevistados
qual candidato se destaca mais em cada um dos sete aspectos da
propaganda na TV. No impopular item críticas ao adversário,
Alckmin foi indicado por 64% das pessoas, e Lula por 26%. Já no
ponto clareza nas propostas de governo, o petista venceu por
52% a 39%.
Com esse roteiro, o tucano viu
a avaliação da sua propaganda na televisão
piorar. Após os dias iniciais dos programas no primeiro
turno, 59% dos que haviam assistido seu programa o classificam
como ótimo ou bom. Agora, são 53%. A avaliação
do programa de Lula ficou dentro da margem de erro (2 pontos
percentuais). Passou de 62% para 60%. No Nordeste, o desempenho
de Lula é aprovado por 67%. No Sul, Alckmin tem 63%. Na última
pesquisa de intenção de voto do Datafolha, realizada
nos mesmos dias, Lula tem uma vantagem de 19 pontos sobre Alckmin.
Audiência
Em relação a levantamento
realizado também logo após o início da propaganda
na televisão no primeiro turno, a audiência aumentou.
Agora, tanto no caso de Lula quanto no de Alckmin 51% dos entrevistados
disseram já ter assistido em algum dia a propaganda dos
candidatos. No primeiro turno, esses índices eram de 46%
para o petista e 43% para os tucanos.
A pesquisa ouviu 7.133 eleitores em 348 cidades de 24 Estados e no Distrito
Federal.
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Folha
de São Paulo, 19 de outubro de 2006
Sindicalista é preso por tiros
em funeral
Líderes peronistas trocam acusações
por atos de violência no translado do corpo de Perón,
em Buenos Aires
BRUNO LIMA
DE BUENOS AIRES
O dirigente sindical argentino
Hugo Moyano, presidente da CGT (Confederação Geral
do Trabalho) e responsável pela organização
do segundo funeral do ex-presidente Juan Domingo Perón
-realizado anteontem em meio a tiros, pedradas e saldo de 50
feridos-, disse que pessoas se infiltraram no evento para armar
confusão e impedir a participação do presidente
Néstor Kirchner, que esperava ser a maior estrela viva
da festa peronista. Ficou provado, porém, que o homem
que atirou contra a multidão que esperava a chegada do
corpo, era Emilio Quiroz, sindicalista da CGT. O funcionário,
flagrado por uma rede de TV, entregou-se ontem, foi preso e indiciado
por tentativa de homicídio.
"Essas coisas não
acontecem por acaso. Querem apontar contra Kirchner para frear
a mudança e a justiça", disse ontem o presidente,
segundo a agência France Presse. Pessoas próximas
do governo relacionaram o episódio a setores peronistas
ligados ao ex-presidente Eduardo Duhalde -o único dos
líderes do Partido Justicialista (peronista) que conseguiu
anteontem brilhar com Perón, ao comparecer a uma bênção
ao corpo na CGT.
Estragos
O Museu Histórico 17 de
Outubro, onde agora descansa Perón, que presidiu por três
vezes a Argentina, amanheceu arrasado após o ato que pretendia
homenagear o general. Em 17 de outubro de 1945, Perón,
que havia sido preso pelo governo militar, foi libertado após
forte pressão popular. Foi quando ele fez seu primeiro
discurso na Casa Rosada e ficou conhecido nacionalmente. O 17
de Outubro é a principal data peronista, o Dia da Lealdade.
A sede do museu, a bela quinta de 19 hectares que pertenceu a
Perón na cidade de San Vicente (sul de Buenos Aires),
refúgio do general, cheia de áreas verdes e estradinhas
rodeadas por eucaliptos, computava ontem os prejuízos.
Foi feita perícia para
identificar os responsáveis pelo vandalismo, que destruiu
parte do mausoléu de US$ 1,1 milhão e até um
carro Fiat da coleção de Perón. Peças
que pertenceram ao general foram roubadas. A Folha visitou o
local anteontem e assistiu a brigas e atos de violência
entre sindicalistas que deixaram pelo menos 50 feridos. Antes,
havia um grande palco montado e pessoas distribuindo santinhos
do presidente Néstor Kirchner e do governador da Província
de Buenos Aires, Felipe Solá, que buscam a reeleição
em 2007. Estava tudo pronto para o palanque de Kirchner. Com
a violência, o presidente não compareceu ao funeral.
Desde anteontem, o clima era de
ressaca moral em Buenos Aires. O motorista do táxi que
transportou a reportagem após a visita a San Vicente dirigiu
parte do tempo chorando -disse que era "raiva", pois
era "uma vergonha para a Argentina o mundo inteiro assistir
esse espetáculo". Ele não quis se identificar.
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Folha
de São
Paulo, 19 de outubro de 2006
FOMENTO
FAT terá extra de R$ 1,25 bi ainda
neste ano
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O
governo aprovou a liberação de R$ 1,25 bilhão
adicional, ainda neste ano, para programas de geração de
emprego e renda do FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador). Os recursos
foram aprovados ontem em reunião do Codefat (Conselho Deliberativo
do FAT). Do aporte adicional, R$ 550 milhões irão para
o FAT Giro Setorial, que atende à demanda por capital de giro
das empresas, principalmente dos setores que mais têm reclamado
de perdas por causa da valorização do câmbio, como
o calçadista e o têxtil. O FAT Infra-Estrutura ficará com
mais R$ 350 milhões, e o Proger Urbano, linha de financiamento
de capital de giro para micro e pequenas empresas, a mesma quantia.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 19 de
outubro de 2006 | Brasil
ESCÂNDALO-Polícia Federal
investiga Turcão, bicheiro que atua na Baixada Fluminense
Dinheiro de dossiê passou
por bancas de jogo do bicho do Rio
São Paulo – A Polícia Federal descobriu que R$ 5.000 dos
R$ 1,1 milhão que seriam utilizados por emissários petistas para
comprar o dossiê contra tucanos passaram por bancas de jogo do bicho
no Rio de Janeiro.
Segundo as investigações
da PF, o dinheiro teria transitado, pelo menos em algum momento, por
bancas ligadas a Antônio Petrus Kalil, localizadas na Baixada Fluminense,
no Rio de Janeiro. Não significa, porém, que seja ele o
fornecedor do dinheiro.
Conhecido como Turcão, Kalil é apontado pelos investigadores
como um bicheiro antigo, cujos negócios hoje são tocados por
prepostos e familiares. Segundo a PF, como ele tem um grande capital de giro,
também atua como uma espécie de ressegurador de bancas menores
a fim de garantir o pagamento de eventuais ganhadores.
Nesta linha, abre-se para a investigação
a possibilidade de que o jogo do bicho tenha sido utilizado para reunir
parte ou a integralidade dos reais que seriam utilizados para comprar
o dossiê.
A PF chegou ao nome de Turcão por
meio do trabalho de informantes. A eles foram apresentadas pedaços
de fitas de calculadora encontrados em meio ao dinheiro. Uma das fitas
tinha a inscrição “Caxias 118”. Os papéis
também tinham um carimbo em comum.
Os reais foram apreendidos por policiais
no dia 15 de setembro em um hotel, em São Paulo, quando os emissários
petistas se preparavam para fechar a negociação com prepostos
da família Vedoin, que comanda a máfia dos sanguessugas.
Ao ler anotações inscritas
nas cintas, os informantes associaram o dinheiro aos negócios
de Turcão, cuja atuação hoje se concentra em Niterói.
A PF agora tenta apurar de qual banca
teria saído o dinheiro. Se de alguma de propriedade de Turcão
ou de outra que tenha se valido dos seus serviços como garantidor
de pagamentos de prêmios.
Terça-feira, a PF cumpriu ações
de busca e apreensão de documentos em escritórios que seriam
comandados por Turcão no Rio. O resultado do trabalho não
produziu informações relevantes.
Hoje a PF pedirá à Justiça
Federal em Mato Grosso mais tempo para investigar o caso e também
apresentará um relatório parcial da investigação,
que completa 34 dias.
No documento, o delegado Diógenes
Curado Filho, que preside a investigação, resume as providências
tomadas pela PF até o momento e indica as razões pelas
quais precisa de mais tempo para o trabalho.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 19 de
outubro de 2006 | Brasil
CAMPANHA-Candidato tucano diz que se presidente
for reeleito, no dia seguinte começa a disputa por 2010
Para Alckmin, 2.º governo
Lula não sai
Brasília – Em situação
desfavorável nas pesquisas eleitorais, o candidato tucano
ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin, alertou ontem que
se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito o
governo “acaba antes de começar”.
“Já começa a discutir
2010 no dia seguinte”. Um eventual segundo mandato de Lula significaria,
segundo ele, o país perde mais quatro anos. “Para quê perder
quatro anos?”, perguntou, durante sabatina na Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB). Lula não compareceu ao debate e recebeu críticas
do presidente da entidade, Roberto Busato. “Estranhamos e lamentamos
a decisão do presidente Lula, que foi um amigo desta casa, que
lhe deu guarida e abrigo quando ele foi perseguido”, disse.
Ao destacar os riscos da reeleição de Lula, Alckmin se baseou
em sua própria experiência à frente do governo paulista. “Já fui
reeleito, reeleição é um pouquinho mais ou menos do mesmo.
Se Lula fosse reeleito, com todo respeito, acaba antes de começar. No
dia seguinte já está todo mundo: ‘Vamos pensar no futuro’”,
prosseguiu, fazendo um longo e crítico diagnóstico da situação
do governo. Para sustentar que a reeleição é ruim para
o Brasil, completou: “Um time novo pode fazer muito mais para o país”.
Nesse raciocínio, considerou que as reformas e o ajuste fiscal poderiam
ser feitos mais facilmente com uma nova equipe.
“Petização”
Na ausência de Lula, que avisou
há três dias que não participaria do debate, Alckmin
aproveitou para bater no governo e no PT, atacando sobretudo o que vem
chamando de “petização” do ministério
e das empresas estatais, ou seja, o “aparelhamento” partidário
da administração pública. “O que se sabe,
pela imprensa, é só a ponta de um iceberg. É inacreditável
a privatização que foi feita do aparelho do Estado brasileiro
pelo PT e seus aliados. Uma coisa triste. O Brasil regrediu, do ponto
de vista de gestão pública e do bem comum”, prosseguiu
o candidato. E enfatizou: “Eu não vou permitir a partidarização
pois as instituições públicas são do Brasil
não do PT”.
Polarização
O tucano engrossou o coro de Roberto Busato
que adverte sobre os riscos do clima de polarização entre
ricos e pobres, um discurso que vem sendo feito por Lula na campanha. “O
governo não pode estimular uma divisão do Brasil. Lula
está dividindo o Brasil e este não é o caminho”,
alertou Alckmin. “Aliás, o presidente Lula foi muito injusto
quando criticou São Paulo que o acolheu. Nós temos que
ver a visão do país todo. Temos que unir o Brasil”
Segundo Alckmin, esse discurso de Lula
tentando criar dois Brasis, o dos pobres e dos ricos seria uma “fantasia” pois,
na sua avaliação, ele não tem um projeto para o
país. “Aí fica criando boatos e fantasias. O fato é que
o país piorou”, disse, salientando problemas na educação,
saúde e segurança pública, além da falta
de investimentos.
Ao rebater o que ele classificou
de “mentiras e boatos” espalhados por seu adversário
de que, se eleito, privatizaria empresas estatais, Alckmin disse também
que, com esse discurso Lula tenta “tirar o foco da corrupção
no governo”. “Estão querendo distrair um pouco aí com
coisas que são mentirosas. De onde tiraram que vou privatizar
o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobras?”,
acrescentou.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 19 de
outubro de 2006 | Brasil
CONGRESSO-Remuneração dos
parlamentares pode subir para R$ 24,5 mil
Deputados pressionam por aumento
de salários
Brasília – O presidente
da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), admitiu ontem
que enfrenta pressões para reajustar os salários
dos deputados. Ele negou, no entanto, que a medida esteja em discussão
no Congresso. Pela legislação, os salários
dos deputados e senadores são fixados de uma legislatura
para a outra.
“É natural que os deputados
reivindiquem a melhoria dos seus salários. Nós temos ouvido
essas reivindicações, mas elas não são o
parâmetro para decidirmos’, afirmou.
A pedido de Aldo e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), uma
comissão de técnicos das duas Casas estuda a aplicação
do teto salarial no Legislativo. Uma das propostas é a equiparação
salarial dos parlamentares com a dos ministros do Supremo Tribunal Federal
(STF). Nesse caso, os congressistas teriam seus vencimentos elevados de R$
12.847,20 para R$ 24.500 – um reajuste de 90,7%.
Custos
O presidente da Câmara sinalizou
que se houver a equiparação virá acompanhada de
medidas para reduzir os custos dos parlamentares. “O reajuste pode
ser examinado no conjunto das medidas que a Câmara deva adotar
para ampliar a racionalização dos custos e dos gastos da
Casa”, afirmou. Uma das propostas é elevar os salários,
mas acabar com verbas indenizatórias, extra salários, que
hoje somam R$ 15 mil.
Aldo evitou comentar se é favorável
ao reajuste, embora tenha observado que “os parlamentares ganham
menos que os ministros do STF e os jornalistas”. E manteve o suspense
ao ser questionado se irá seguir os seus antecessores que concederam
reajustes para a nova legislatura.
“Não podemos nos basear na
tradição. Ela existe para que em algumas circunstâncias
possam ser mantidas ou rompidas. (O reajuste) depende dos estudos e dos
elementos que tenhamos para discutir”, afirmou.
Segundo a assessoria jurídica da
Câmara, o último reajuste dado aos deputados e senadores
foi em 2003, quando os salários passaram de R$ 8 mil para R$ 12.847,20.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 19 de
outubro de 2006 | Economia
IMPOSTOS
Receita tem arrecadação
recorde
Brasília – A arrecadação
de impostos e contribuições federais cobrados pela
Receita Federal atingiu em setembro R$ 33,805 bilhões, valor
recorde histórico para o mês. O resultado superou
as estimativas dos analistas, que apontavam para uma faixa entre
R$ 29 bilhões e R$ 32,5 bilhões.
De acordo com dados da Receita Federal,
a arrecadação de setembro teve crescimento real (com correção
pelo IPCA) de 17,10% sobre setembro do ano passado e de 10,20% na comparação
com agosto deste ano. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a
arrecadação federal totaliza R$ 286,634 bilhões,
com expansão real de 4,60% em relação ao mesmo período
de 2005.
As receitas administradas pela Receita
Federal somaram em setembro R$ 32,291 bilhões, enquanto as demais
receitas (taxas e contribuições controladas por outros órgãos)
totalizaram R$ 1,514 bilhão. As receitas administradas tiveram
crescimento real de 15,49% em relação a setembro do ano
passado e as demais receitas, um aumento real de 66,57%.
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ESTADÃO.COM /SÃO
PAULO, 19 de outubro de 2006 | Economia
Senado aprova 12 Medidas Provisórias
As medidas beneficiam cerca de 90% dos funcionários
do Executivo federal e as empresas devedoras da Receita Federal e
da Previdência, que readquiriram o direito de parcelar suas
dívidas em 11 anos
Sergio Gobetti
BRASÍLIA - O Senado aprovou na
terça-feira um pacote de 12 medidas provisórias, incluindo
a MP do "Refis 3" (anistia fiscal) e outras oito MPs de aumento
salarial para os servidores, todas editadas no final de junho pelo presidente
Lula. As medidas beneficiam cerca de 90% dos funcionários do Executivo
federal e as empresas devedoras da Receita Federal e da Previdência,
que readquiriram o direito de parcelar suas dívidas em 11 anos.
No caso dos reajustes, o Ministério
do Planejamento estima que o impacto total sobre a folha de pagamento
vai superar os R$ 10 bilhões anuais até o final de 2007.
Além das oito MPs de salário votadas nesta terça,
uma nona - que beneficiava professores universitários e funcionários
do Banco Central - já havia antes sido convertida em lei.
Durante os três primeiros anos de
governo, Lula manteve os salários dos servidores sob relativo
controle, concedendo reajustes isolados, que mantinham a despesa crescendo
sempre abaixo da inflação, o que ajudou no ajuste fiscal.
Entre 2002 e 2005, por exemplo, a despesa de pessoal caiu de 5,28% para
4,77% do Produto Interno Bruto (PIB). Com o pacote pré-eleitoral,
entretanto, os gastos voltaram a crescer acima do PIB, devendo se aproximar
em 2007 do patamar de 2002.
Entre as MPs aprovadas, há duas
medidas que ampliam o Orçamento da União com os chamados "créditos
extraordinários" e uma outra que beneficia os anistiados
políticos. No caso do Refis 3, apelidado assim por se tratar da
terceira versão do programa de parcelamento de débitos
fiscais, o texto da MP foi aprovado pelo Senado com modificações,
como a reabertura do prazo de adesão, e terá de retornar à apreciação
na Câmara. Se não forem aprovados pelos deputados até o
próximo dia 27, a MP e o projeto de conversão devem caducar,
mas sem prejuízo para todos os devedores que já tinham
aderido dentro do prazo previsto inicialmente, de 15 de setembro.
Ao contrário das versões
anteriores, o Refis 3 não concede perdão às multas
e prevê a correção das parcelas das dívidas
pela taxa básica de juros da economia, a Selic, maior do que
a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), aplicável aos antigos
débitos do Refis 2.
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ESTADÃO.COM /SÃO
PAULO, 19 de outubro de 2006 | Economia
Falta de acordo com EUA leva Brasil
a pedir ajuda à OMC
O País deve apelar por uma intervenção
do diretor-geral da organização, Pascal Lamy, no caso
envolvendo os subsídios ao algodão dados pelo governo
americano
Jamil Chade
GENEBRA - O Brasil não chega a
um acordo com os Estados Unidos e deverá apelar por uma intervenção
do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio
(OMC), Pascal Lamy, no caso envolvendo os subsídios ao algodão
dados pelo governo americano. O País conseguiu abrir uma nova
disputa há 20 dias na entidade máxima do comércio,
mas não consegue agora chegar a um acordo com os americanos sobre
quem deveriam ser os árbitros que julgariam a questão.
Para analistas em Genebra, o comportamento
americano de evitar que a escolha dos árbitros seja feita tem
como objetivo atrasar ainda mais uma decisão sobre o caso, que
já dura meses. Pelas regras da OMC, os países têm
20 dias para entrar em um entendimento sobre quem seriam os juízes
da disputa. Sem um acordo, caberá ao diretor da entidade dar uma
solução à escolha dos árbitros.
Em 2005, o Brasil venceu a disputa contra
os subsídios da Casa Branca na OMC. Pela decisão da entidade,
os Estados Unidos seriam obrigados a reformar seu sistema de apoio ao
algodão. Washington garante que fez sua parte, mas o governo brasileiro
estima que apenas 15% dos subsídios ilegais foram retirados. Sem
nenhum sinal por parte dos americanos de que iriam rever seus demais
subsídios, o Brasil então lançou uma nova queixa.
A meta será a de conseguir um laudo
da OMC sobre o caso antes que o Congresso americano vote uma nova Farm
Bill, lei agrícola americana que estipula os subsídios
até 2011. Se a OMC julgar que a Casa Branca de fato não
tomou medidas suficientes para cortar os subsídios, a esperança
dos diplomatas brasileiros é de que os parlamentares americanos
sejam obrigados a aprovar níveis mais baixos para seus subsídios
no início de 2007.
Para Lamy, o ressurgimento de disputas
na OMC é "natural" diante da falta de avanços
nas negociações da Rodada Doha, suspensas em julho diante
da falta de um acordo exatamente por causa dos subsídios agrícolas. "Alguns
podem tentar atingir, por disputas, o que não conseguiram por
meio de negociações", afirmou Lamy, que ainda alerta
que as disputas não devem ser "politizadas". Em sua
avaliação, porém, há limites para o que um
país pode conseguir via disputas.
"Dificilmente o resultado será o
mesmo que a reforma de um sistema", afirmou o diretor, fazendo referência às
negociações que estipulariam novos tetos para os subsídios
e que seriam válidos para vários setores e países.
Congresso
Enquanto as disputas recomeçam
em Genebra, diplomatas e o próprio Lamy aguardam até o
final das eleições legislativas nos Estados Unidos em novembro
para tentar relançar as negociações.
Países como o Brasil esperam que
Washington possa fazer uma nova oferta de cortes de subsídios
após a definição das eleições. Para
o diretor da OMC, o período após as eleições
americanas será a "oportunidade" para tentar retomar
o processo, mas alerta que não há nada garantido que isso
signifique uma flexibilização da posição
americana. "Não acredito que as eleições, mesmo
se gerem uma mudança de representação no Congresso,
modificarão de uma forma importante a posição dos
Estados Unidos nas negociações", advertiu.
Para Lamy, apesar de todas as declarações
políticas dos países de que apóiam a retomada do
processo, as posições de cada governo ainda não
foram flexibilizadas. "Se voltarmos às negociações
como estamos, um novo impasse está garantido", afirmou. "O
desafio para a retomada não é técnico, mas político.
Precisamos traduzir nossas declarações de preocupação
em ações concretas", disse. Segundo ele, Brasil, Índia,
Estados Unidos e Europa precisam superar suas diferenças no que
se refere à agricultura. Se isso não ocorrer, o acordo
não poderá ser fechado em 2007.
Bilaterais
Lamy ainda deixou claro sua preocupação
com os discursos de americanos e europeus sobre o fato de que buscarão
acordos bilaterais com vários países nos próximos
meses para compensar a falta de avanço da Rodada Doha. "Esses
acordos podem ser um complemente à abertura de mercados, mas jamais
um substituto", alertou. Há duas semanas, Bruxelas anunciou
que iniciaria uma nova geração de acordos comerciais com
parceiros como China, Índia e outros mercados emergentes, como
o Mercosul.
Segundo Lamy, temas como os subsídios
agrícolas da Europa ou Estados Unidos não conseguirão
ser tratados em negociações regionais.
Lamy ainda garante que os europeus
não conseguirão atender todas suas necessidades apenas
com esses acordos bilaterais. Lamy ainda aponta que um mecanismo de
supervisão desses acordos deverá ser aprovado pela OMC
nas próximas semanas. O diretor da OMC ainda apontou que nem
sempre esses acordos bilaterais respeitam as leis da entidade máxima
do comércio. "A proliferação de acordos pode
complicar o ambiente do comércio", apontou.
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ESTADÃO.COM /SÃO
PAULO, 19 de outubro de 2006 | Economia
Emprego na indústria paulista
cresce em setembro
Foram criados no mês 5,974 mil postos
de trabalho, ante 4,257 mil vagas verificadas em setembro de 2005
Paula Puliti
SÃO PAULO - O nível de emprego
na indústria paulista apurado pelo Ciesp teve alta de 0,28% em
setembro ante agosto, o que representa a criação de 5,974
mil postos de trabalho. O resultado é o melhor resultado da pesquisa
nos últimos quatro meses e superior ao verificado em setembro
de 2005, quando foram criadas 4,257 mil vagas.
No acumulado do ano até setembro,
o emprego industrial paulista subiu 2,96% sobre o total fechado de 2005,
o que significa a criação de 61,935 mil postos de trabalho.
O resultado significa que foram abertos 5,538 mil empregos a menos do
que no mesmo período do ano anterior. Na pesquisa anterior, o
nível de emprego havia registrado a primeira queda no ano, de
-0,13% em relação a julho.
De acordo com o economista-chefe do Ciesp,
Carlos Cavalcanti, apesar do número de setembro, a projeção
de incremento do emprego industrial da entidade para o ano não
será alterada, permanecendo entre 0,5% e 1% ante 2005. A expectativa
do economista é que outubro seja um mês "morno" para
a criação do emprego, que deve se situar entre variação
zero e 0,1%. "Não há qualquer sinal que justifique
pensarmos em uma alta maior do que essa para outubro", ressaltou,
lembrando que novembro e dezembro são tradicionalmente meses ruins
para a atividade e o emprego industrial.
Para Cavalcanti, a principal explicação
para o resultado positivo de setembro está ligada ao desempenho
do varejo. Ele citou dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), que mostraram que as vendas
do varejo cresceram 2,6% em agosto, na margem. Isto significa, de acordo
com ele, que houve desova de estoques do comércio, o que teria
ampliado as encomendas do varejo à indústria para o período
de fim de ano.
Segundo o diretor do Departamento de Economia
do Ciesp, Boris Tabacof, o desempenho do emprego e da atividade industrial
em 2006 já está dado. Agora, a atenção dos
empresários se volta para 2007. Conforme destacou o diretor do
Ciesp, as exportações se configuram como um grave problema,
já que o aumento do faturamento não está sendo acompanhado
pelo incremento do volume vendido ao exterior.
De acordo com a pesquisa, o resultado
de setembro foi puxado pelos setores de Metalurgia (0,56%); Máquinas
e Equipamentos (0,63%); e Confecções de Artigos do Vestuário
(0,69%). Na ponta negativa, os destaques foram Artigos de Borracha (-0,68%);
Produtos Alimentares (-0,45%) e Material de Transporte (-0,07%).
Praticamente 70% dos setores pesquisados
contrataram, enquanto pouco mais de 30% demitiram. O resultado do levantamento
do Ciesp vai na mesma linha do apurado pela Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que apontou
alta de 0,26% no emprego industrial em setembro ante agosto.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
19 de outubro de 2006 | Economia
Dívida tributária será cobrada
on-line
BRASÍLIA – O governo inaugurou
ontem um sistema que reduzirá a papelada e tornará mais ágil
a cobrança de dívidas tributárias pela Justiça.
A partir de agora, os procuradores da Fazenda Nacional poderão
dar entrada nas ações de cobrança por meio eletrônico
sem a necessidade de ir pessoalmente aos tribunais para ajuizar as ações
em papel.
No lançamento do novo sistema,
foram ajuizadas as duas primeiras ações virtuais na presença
do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Superior Tribunal
de Justiça (STJ), Raphael de Barros Monteiro. “É uma
montanha de papel que vai desaparecer. Vamos preservar a Mata Atlântica”,
afirmou Mantega.
“O sistema beneficia o contribuinte
porque aumenta a arrecadação e, assim, nós podemos
fazer novas medidas de redução tributária de maneira
mais rápida”, destacou o ministro. Hoje, quando um contribuinte
deixa de pagar tributos, ele é primeiro cobrado pela Receita.
Nessa etapa, ele pode discutir se a cobrança
está correta ou não, recorrendo ao Conselho de Contribuintes.
Terminada essa etapa, a cobrança é transferida
para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que pode iniciar
um processo de cobrança por via judicial, etapa que está sendo
convertida em um processo eletrônico.
Em vez de levar a papelada ao tribunal
e iniciar a cobrança, um processo que leva de três a quatro
dias, agora o procurador pode ajuizar a ação por meio do
novo sistema, batizado de Sistema de Execução Fiscal e
Defesa Virtual (EFDV).
O sistema de execução fiscal
permite que todo o trâmite judicial se faça por meio digitalizado
desde a citação do devedor até o pagamento da dívida.
O procurador-geral da Fazenda Nacional, Luis Inácio Adams, disse
que em seis meses todas as ações devem ser enviadas aos
tribunais por meio eletrônico.
Ele, no entanto, não soube
dimensionar a economia de tempo que o novo sistema vai proporcionar
na tramitação das ações na Justiça.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
19 de outubro de 2006
Verbas de plano de demissão
voluntária tem caráter indenizatório, diz STJ
O pagamento decorrente de adesão
a PDV (plano de demissão voluntária) constitui verba de
caráter indenizatório. Portanto, não se deve incidir
pensão alimentícia sobre o valor. A decisão é da
6ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que deu provimento
a recurso em mandado de segurança de um trabalhador gaúcho,
que teve 35% dos valores recebidos por sua demissão voluntária
descontados para o pagamento de pensão alimentícia.
De acordo com a assessoria de imprensa
do STJ, o secretário de Administração e dos Recursos
Humanos do Estado do Rio Grande do Sul determinou o desconto de 35% do
valor das verbas pagas ao trabalhador no PDV para o pagamento de pensão
alimentícia, acordada com a ex-esposa. Inconformado, o empregado
ingressou na Justiça com mandado de segurança contra o
ato da secretaria gaúcha.
O TJ-RS (Tribunal de Justiça do
Rio Grande do Sul) negou provimento à solicitação
do empregado, sob a alegação de que "havendo determinação
judicial de desconto em folha, a discussão a respeito da natureza
da verba paga ao aderente do plano, ou seja, se sobre ela deve ou não
efetivado o desconto determinado, deve ser solucionada no juízo
competente, que é o de alimentos". Para o tribunal, se a
questão ainda estava dependente de decisão judicial, não
havia ilegalidade no ato do secretário.
O advogado do trabalhador recorreu ao
STJ, alegando que a decisão que fixou os alimentos determinou
o desconto sobre os rendimentos líquidos do servidor, ou seja,
os valores recebidos por ele no desempenho de suas função
ou atividades empregatícias. "Não foi pactuado que
indenizações de caráter patrimonial, como a do PDV,
sofressem a incidência de desconto alimentar", alegou em sua
defesa.
A 6ª Turma deu provimento ao recurso
por considerar ilegal o ato praticado pela secretaria. "Evidenciado
o ato ilegal da autoridade coatora, que reteve os referidos valores sem
prévia determinação do juiz de alimentos, e o direito
líquido e certo do impetrante, o presente recurso deve ser conhecido
e a segurança concedida, para que haja a liberação
do valor descontado indevidamente a título de alimentos",
afirmaram os ministros.
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FISCOSOFT.COM, 19 de outubro
de 2006
Aposentadoria por Invalidez: Documentos
necessários para requerer
Legislação concede adicional
de 25% para quem comprove necessidade de assistência permanente.
O segurado da Previdência Social
deve ficar atento às exigências de documentação
quando for requerer a aposentadoria por invalidez. Dependendo da categoria
do contribuinte, há diferenças entre os documentos exigidos.
E a legislação também contempla aqueles que necessitam
de assistência permanente, que podem requerer adicional de 25%
sobre o valor de seu benefício, desde que comprovada a situação.
A legislação previdenciária
define cinco categorias de contribuintes: trabalhador avulso, empregado
doméstico, segurado especial e contribuintes individuais e facultativos.
Os documentos exigidos para a concessão do benefício variam
a depender da atividade exercida. Os documentos comuns a todos são
o Número de Identificação do Trabalhador (NIT) ou
do Pis/Pasep, atestado médico, exames laboratoriais, atestado
de internação hospitalar, atestado de tratamento ambulatorial,
dentre outros que comprovem o tratamento médico; documento de
identificação (cédula de identidade e/ou Carteira
de Trabalho e Previdência Social) e CPF.
Já os documentos específicos
são:
Trabalhador avulso: certificado
do Sindicato de Trabalhadores Avulsos ou do órgão gestor
de mão-de-obra e certidão de nascimento dos filhos menores
de 14 anos.
Empregado doméstico: inscrição
do contribuinte individual/empregado-doméstico.
Contribuinte individual e facultativo: todos
os comprovantes de recolhimento à Previdência Social (guias
ou carnês de recolhimento de contribuições, antigas
cadernetas de selos) e registro de firma individual/contrato social,
se for o caso.
Trabalhador rural: documentos
de comprovação do exercício de atividade rural e
do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Independentemente da categoria, todos
devem apresentar os formulários de Comunicação de
Acidente de Trabalho (CAT), em caso de solicitação de aposentadoria
por invalidez por acidente de trabalho. E quem se fizer representar,
deve fazê-lo por meio de procurador, o qual precisa comparecer
a uma de nossas agências, munido de formulário de procuração,
identidade e CPF.
A legislação prevê,
ainda, um adicional de 25% sobre o valor do benefício previdenciário
para os aposentados por invalidez que necessitem de assistência
permanente, de um enfermeiro, por exemplo. Esses, devem apresentar atestados
médicos que comprovem cegueira total, perda de nove dedos das
mãos ou paralisia de dois membros superiores ou inferiores, perda
dos membros inferiores, quando não for possível o uso de
prótese, perda de uma das mãos e de dois pés, ainda
que a prótese seja possível, e a perda de um membro superior
e outro inferior, quando a prótese for impossível. Pessoas
com alteração das faculdades mentais com grave perturbação
da vida orgânica e social, doença que exija permanência
contínua no leito e incapacidade permanente para as atividades
da vida diária também têm direito a esse adicional.
Para ter direito à aposentadoria
por invalidez, o trabalhador tem que contribuir para a Previdência
Social por, no mínimo, 12 meses. Se for por acidente de trabalho,
não é exigida a carência, basta estar inscrito na
Previdência Social.
Inscrição on line
e outras informações sobre documentos e formulários
para o requerimento desses e outros benefícios podem ser obtidas
no atalho "Benefícios", na página principal
do sítio da Previdência Social (www.previdencia.gov.br).
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EXPRESSO DA NOTÍCIA,
19 de outubro de 2006 | Previdência
Justiça permite acumular pensões
por morte rural e urbana
Não há impedimento legal à acumulação
dos benefícios de pensão por morte rural e urbana. A conclusão,
da Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais do Ceará, foi
mantida no dia 16 pela Turma Nacional de Uniformização
da Jurisprudência dos JEFs, em sessão de julgamento realizada
no Conselho da Justiça Federal (CJF), em Brasília. A autora
recebia pensão pela morte de seu filho, ex-trabalhador urbano,
e obteve o direito de cumular o benefício com a pensão
pela morte de seu marido, ex-trabalhador rural.
A Turma Nacional não acolheu o
pedido de uniformização interposto pelo Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS), que pedia a reforma da decisão da TR-CE,
sob o argumento de que ela contrariava jurisprudência dominante
do Superior Tribunal de Justiça (STJ) relativa a essa matéria.
Segundo o INSS, o entendimento do STJ seria no sentido de que a legislação
especial não autoriza a cumulação de pensão
por morte do marido, ex-trabalhador rural, com proventos de aposentadoria
rural por idade, recebidos pela esposa.
De acordo com o relator do processo na
Turma Nacional, juiz federal Hélio Ourem, não há semelhança
fática entre os acórdãos do STJ e da TR-CE, uma
vez que a decisão desta última analisou a cumulatividade
de pensão por morte rural do marido e urbana do filho, enquanto
o acórdão do STJ cuida da inacumulabilidade de pensão
por morte rural e aposentadoria por tempo de serviço rural. Por
essa razão, o pedido da autarquia não foi conhecido.
Além disso, o juiz Hélio
Ourem citou jurisprudência do STJ que coincide com o entendimento
da TR-CE, segundo a qual “não havendo vedação
legal para a percepção conjunta de pensão de natureza
rural, proveniente da morte do cônjuge, com pensão de natureza
urbana, decorrente do falecimento do descendente, faz jus a parte autora
ao restabelecimento do benefício” (Resp 666749/SP, 5ª Turma,
relatora ministra Laurita Vaz, julgamento em 08/11/2005).
Processo nº 2003.81.10.000176-0/CE
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 19 de outubro de 2006 | Dinheiro
Decreto permite que idoso viaje de
graça em ônibus interestadual
Decreto assinado hoje pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva voltou a regulamentar a possibilidade
de que maiores de 60 anos viajem de graça em ônibus interestaduais,
trens e barcos.
Para viajar de graça ou com desconto,
entretanto, o idoso deve ter uma renda mensal de até dois salários
mínimos (hoje R$ 700). A comprovação dessa renda
pode ser feita com o carteira do trabalho ou o holerite (no caso de idosos
que ainda trabalham), com comprovantes emitidos pelo Ministério
da Previdência (no caso daqueles que têm aposentadoria ou
pensão do INSS) e por meio de um certificado do conselho de assistência
social de seu município (no caso de pessoas sem renda).
Esse benefício está previsto
no Estatuto do Idoso, já havia sido regulamentado por Lula, mas
estava embargado por liminar concedida pela Justiça às
empresas de ônibus.
Por esse motivo, o governo decidiu editar
um novo decreto que atendeu parcialmente reivindicação
das empresas e colocou limites para que os idosos viajem de graça.
Segundo o decreto assinado hoje por Lula
no Palácio do Planalto, cada ônibus poderá transportar
apenas dois idosos de graça --restrição que já estava
prevista no decreto anterior.
Além desse limite, os idosos que
queiram viajar nos demais assentos terão que arcar com o custo
de 50% da tarifa e deverão comprar a passagem com seis horas ou
menos de antecedência em caso de viagens inferiores a 500 km e
com 12 horas ou menos para viagens mais longas que 500 km.
Com essas restrições de
horário, o governo tem o objetivo de limitar o prejuízo
das empresas de ônibus, que alegavam ter perdas quando muitos idosos
viajavam no veículo, já que sobrava menos espaço
para transportar passageiros que pagavam a tarifa cheia.
Se comprovarem que tiveram prejuízo
com a medida, as empresas também poderão pedir uma compensação
tarifária à ANTT (Agência Nacional de Transportes
Terrestres).
Para o secretário-executivo do
Ministério da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, no entanto,
as empresas poderão até ter ganho com o novo decreto porque
seu público potencial será aumentado.
Ele afirmou que em média as empresas
viajam com apenas 63% dos assentos ocupados e que os idosos poderão
ajudar a diminuir essa ociosidade, ainda que tenham direito a pagar apenas
50% das tarifa.
Procurada, a assessoria da Abrati
(Associação Brasileira das Empresas de Transporte Rodoviário
Terrestre de Passageiros) informou que não se pronunciaria sobre
o novo decreto porque ainda não conhecia seu conteúdo.
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CONSULTOR JURÍDICO,
19 de outubro de 2006
Preço do ruído
Empregado que perde audição
deve ser indenizado
A redução da capacidade
auditiva do empregado, causada por culpa da empresa, gera dano moral.
O entendimento foi reafirmado pela 4ª Turma do Tribunal Superior
do Trabalho. Os ministros condenaram a Rffsa — Rede Ferroviária
Federal — e a ALL — América Latina Logística
do Brasil a pagar R$ 32,8 mil pelos danos causados a um ex-funcionário
que perdeu parte da audição.
O trabalhador foi contratado em 1983 pela
Rffsa como operador de locomotiva e promovido posteriormente a ajudante
de maquinista. Ele foi demitido sem justa causa em 1999, dois anos depois
da sucessão da empresa pela ALL.
Em 2000, entrou com reclamação
trabalhista contra as empresas. Pediu indenização por danos
morais porque sua capacidade auditiva estava reduzida. Alegou que era
submetido a altos índices de ruídos, muitas vezes superior
a 110 decibéis, sem que lhe fosse fornecido equipamentos de proteção
individual.
A primeira instância aceitou o pedido
e as empresas foram condenadas, solidariamente, a pagar $ 32,8 pelos
danos morais. Ambas recorreram ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR), sem sucesso.
Houve, então, o apelou ao TST.
A Rede Ferroviária Federal e a América Latina Logística
do Brasil sustentaram não haver comprovação dos
prejuízos psicológicos ao empregado, que também
não sofreu perda da capacidade de trabalho. Alegaram, ainda, que
a condenação por dano moral é limitada aos casos
de ofensa à honra, à boa fama, ao decoro e à dignidade
do ser humano, como manda o 5º, inciso X, da Constituição
Federal.
O relator, ministro Antônio Barros
Levenhagen, entendeu correta a decisão do Tribunal paranaense.
Ressaltou que a norma constitucional apontada pela empresa merece interpretação
mais elástica, para incluir entre os bens protegidos não
só a honra e a imagem no seu sentido mais estrito, mas também
as seqüelas psicológicas causadas pelo ato ilícito.
“Constatado ter o recorrido sofrido
perda auditiva em conseqüência das condições
insalubres de trabalho, em função da qual se extrai notório
abalo psicológico e acabrunhamento emocional, além de irrefutável
depressão por conta do confinamento das possibilidades de inserção
no mercado de trabalho, impõe-se a conclusão de achar-se
constitucionalmente caracterizado o dano moral”, justificou o ministro.
A decisão foi acompanhada
pela maioria dos integrantes da 4ª Turma do TST. Ficou vencido
o ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho.
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CONSULTOR JURÍDICO,
19 de outubro de 2006
Jornada de trabalho
Empresa tem de pagar hora extra para
vendedor externo
Vendedor externo tem direito a receber
horas extras. O entendimento é do Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região (Campinas, SP) mantido pela 5ª Turma do
Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros não acolheram o recurso
da empresa Schering-Plough que se negava a enquadrar o vendedor na regra
do artigo 62, inciso I, da CLT, para lhe pagar as horas extras.
O artigo estabelece que estão fora
do regime de oito horas “os empregados que exercem atividade externa
incompatível com a fixação de horário de
trabalho, devendo tal condição ser anotada na Carteira
de Trabalho e Previdência Social e no registro de empregados”.
A empresa foi condenada pelo TRT de Campinas
a pagar horas extras a um empregado que trabalhava como vendedor, em
serviço externo, porque não aceitou enquadrá-lo
nas regras da CLT. Para os juízes, em muitas situações,
a atividade externa inviabiliza o controle da jornada, porém,
a função desempenhada pelo vendedor não era incompatível
com a fixação de horário de trabalho.
“O trabalhador subordinava-se ao
cumprimento de uma meta diária estabelecida pela empregadora,
que de antemão sabia a programação de visitas do
empregado e diariamente, via internet, recebia o relatório das
visitas efetivadas, de forma que conhecia perfeitamente o tempo dedicado
pelo empregado a seus serviços”, registrou a decisão
regional.
No TST, a empresa alegou que a decisão
de segunda instância violou o artigo 62, inciso I, da CLT, e que
o trabalhador não conseguiu comprovar seu direito. O relator,
ministro Brito Pereira, ressaltou a incidência da Súmula
126 do TST sobre o caso, já que o exame das alegações
patronais implicaria na reapreciação dos fatos e provas,
hipótese vedada pela jurisprudência do Tribunal.
“Infere-se que o Tribunal Regional,
soberano na apreciação de fatos e provas, foi contundente
no sentido de que o reclamante não estava enquadrado na regra
do artigo 62, inciso I da CLT, pois ficou evidenciado que a empresa fiscalizava
o serviço externo e controlava a jornada diária do trabalhador”,
concluiu o relator.
RR 620/2002-086-15-00.3
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CONSULTOR JURÍDICO,
19 de outubro de 2006
Vai e vem
Banco tem de comprovar necessidade para
transferência
É obrigatória a comprovação
da necessidade de serviço para que a transferência de local
de trabalho de um funcionário seja considerada válida,
sob pena de caracterizar-se como medida abusiva. A decisão é da
2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que manteve entendimento
do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba. Pela decisão,
o Banco do Brasil terá de restringir a transferência de
seus funcionários.
A ação contra o banco foi
proposta pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários
de Campina Grande e Região. Em princípio, a instituição
alegou ilegitimidade do sindicato para propor ação em nome
de seus empregados. Sobre essa preliminar, o relator, ministro Renato
de Lacerda Paiva, concluiu que “a substituição processual
pelo sindicato profissional é legítima e, neste caso, trata-se
de direitos individuais homogêneos”.
Segundo o banco, o TRT paraibano não
poderia ter reconhecido a legitimidade do sindicato. Isso porque, segundo
a defesa, não há previsão legal que autorize a substituição
processual para demandas como a examinada: declaração da
abusividade das transferências de locais de trabalho. O ministro
rejeitou o argumento e ressaltou que a solução adotada
pelo TRT coincidiu com o posicionamento do Supremo Tribunal Federal e
do TST sobre o tema. Segundo os dois órgãos, a legitimidade
do sindicato para a substituição processual é ampla.
Reconhecida a legitimidade, o Banco do
Brasil sustentou que, embora esteja incluído na administração
pública indireta, sujeita-se ao regime próprio das empresas
privadas, inclusive quanto às regras de transferência de
locais de trabalho. Também alegou que as transferências
decorreram da necessidade de remanejamento de pessoal, provocada pela
implantação de plano de demissão voluntária.
A 2ª Turma do TST, ao acompanhar
decisão do TRT, ressaltou que o banco precisa comprovar que a
transferência do funcionário será essencial. O TRT
paraibano destacou que a CLT disciplina o tema e estabelece a transferência
como exceção, e não regra, exceto para ocupantes
de cargos comissionados e para aqueles cujos contratos tenham a transferência
como condição implícita ou explícita.
O ministro Renato Paiva observou que os
autos não indicaram que os trabalhadores afetados pelas transferências
ocupassem cargos de confiança nem que seus contratos tivessem
cláusula expressa de transferência.
RR 654.348/2000.0
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
18/10/2006
Turmas do TST retiram de pauta processos
sobre OJ 177
Seguindo o procedimento adotado pela Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1), as seis Turmas
do Tribunal Superior do Trabalho retiraram de pauta os processos que
tratam da continuidade ou não do contrato de trabalho quando o
trabalhador se aposenta espontaneamente mas continua a trabalhar. As
decisões do TST seguiam a Orientação Jurisprudencial
177, segundo a qual a aposentadoria extingue o contrato de trabalho.
Na semana passada, porém, o Supremo
Tribunal Federal julgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI 1721) e considerou inconstitucional o parágrafo 2º do
artigo 453 da CLT. O parágrafo diz que a aposentadoria de empregado
que não atingiu 35 anos de serviço, se homem, ou 30, se
mulher, acarreta a extinção do vínculo de emprego.
Os processos sobre a matéria
serão retirados de pauta até que o Pleno do TST decida
sobre o cancelamento ou a reformulação da OJ 177, diante
da decisão em sentido contrário do STF.
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18/10/2006
TST converte demissão por justa causa
em rescisão imotivada
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, acompanhando o voto do ministro João Oreste Dalazen,
confirmou decisão do TRT da 15ª Região (Campinas/SP)
que considerou não haver justo motivo para a demissão de
empregado do HSBC Bank Brasil S.A - Banco Múltiplo, dispensado
do emprego pela emissão de cheques sem fundo.
O empregado foi contratado pelo banco
em julho de 1994, como técnico de agência de caixa, com
salário de R$ 836,32. No dia 6 de junho de 2001, enquanto ainda
trabalhava na empresa, ajuizou reclamação trabalhista pleiteando
pagamento de horas extras e diferenças de salário por ocupar
dupla função.
No dia 26 de junho de 2001, o bancário
complementou a reclamação alegando que a empresa, após
tomar ciência do ajuizamento da ação trabalhista,
passou a pressioná-lo, tratando-o com rigor excessivo, dando causa à rescisão
indireta do contrato de trabalho.
Em contestação, o banco
afirmou que a dispensa se deu por justa causa, no dia 13 de junho, porque
o empregado teria emitido, em curto prazo de tempo, quatro cheques sem
fundo, nos valores de R$ 17,00; R$ 30,00; R$ 50,00 e R$ 60,00. Disse
que a rescisão se deu conforme o estabelecido no artigo 518 da
CLT, que considera justa causa, para efeito de rescisão de contrato
de trabalho do empregado bancário, “a falta contumaz de
pagamento de dívidas legalmente exigíveis”.
Segundo o banco, o empregado se recusou
a assinar a comunicação de dispensa, e por isso foram chamadas
duas testemunhas para atestar a recusa. O banco alegou, ainda, que o
empregado, ao ajuizar a reclamação trabalhista, agiu ciente
de que seria demitido pela quebra da fidúcia, porém “preferiu
esconder o fato da justiça”, mascarando uma rescisão
indireta do contrato de trabalho.
O juiz de primeiro grau considerou justa
a causa da rescisão. Fundamentou o voto no sentido de que a emissão
contumaz de cheques sem fundo era motivo suficientemente grave para sustentar
a demissão. Salientou, ainda, que não houve prova das alegadas
perseguições sofridas pelo empregado. Em contrapartida,
condenou o Banco ao pagamento das horas extras pleiteadas.
Insatisfeitas, ambas as partes recorreram
da decisão. O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
entendeu que não houve motivo para a rescisão indireta,
mas que também não era o caso de demissão por justa
causa.
Disse o acórdão que, segundo
as regras traçadas pelo Banco, o empregado deve ser advertido
por escrito sempre que cometer faltas no exercício da função
e que o banco, desobedecendo as próprias regras, deixou de advertir
o empregado, preferindo demiti-lo. Por tal motivo, o TRT reformou a decisão,
transformando a demissão em dispensa imotivada, com o pagamento
de todas as verbas rescisórias, como FGTS e aviso prévio.
Manteve a decisão quanto ao direito do empregado às horas
extras.
O banco recorreu ao TST por meio de recurso
de revista, alegando que houve confissão por parte do empregado
acerca da emissão dos cheques devolvidos sem provisão de
fundos, restando violado o artigo 508 da CLT. O relator do processo,
ministro João Oreste Dalazen, não conheceu do recurso.
Segundo o voto, o TRT reconheceu que o autor da ação emitiu
os cheques sem fundo, porém consignou que o banco descumpriu norma
interna que estabelece que o empregado deve ser advertido por escrito
nos primeiros dois cheques, o que não ocorreu.
O ministro entendeu que o HSBC pretendia,
com o recurso, revolver matéria que envolve fatos e provas,
o que é vedado na atual fase recursal, conforme entendimento
predominante do TST, previsto na Súmula n° 126, que diz
ser “incabível o recurso de revista ou de embargos para
reexame de fatos e provas”. (RR-318/2001-124-15-00.6).
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18/10/2006
Adicional noturno incide sobre período
trabalhado após as 5h
O empregado submetido à jornada
de trabalho noturna integral – entre as 22h de um dia e as 5h do
seguinte – tem direito ao respectivo adicional (de pelo menos 20%)
também sobre as horas que excederem ao período legal. Esse
entendimento, consolidado no item II da Súmula 60 do Tribunal
Superior do Trabalho, foi aplicado por sua Terceira Turma ao deferir
recurso de revista, conforme voto do ministro Alberto Bresciani (relator),
a um grupo de ex-empregadas do Hospital Fêmina S/A, localizado
em Porto Alegre (RS).
De acordo com a redação
do item jurisprudencial (Súmula nº 60, II), “cumprida
integralmente a jornada no período noturno e prorrogada esta,
devido é também o adicional quanto às horas prorrogadas.
Exegese do artigo 73, parágrafo 5º, da CLT”.
Apesar da previsão, o Tribunal
Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul) entendeu
que o pagamento do adicional noturno sobre as horas excedentes às
5h da manhã era indevido. No caso, as autoras do recurso atuavam
em regime de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, sempre das
19h de um dia até as 7h da manhã do dia seguinte.
“Assim, no horário de 5h às
7h, as trabalhadoras estavam submetidas à prorrogação
da jornada noturna, pelo que, neste interregno, também é devido
o pagamento de adicional noturno, nos moldes do que preceitua o verbete
da jurisprudência”, esclareceu o ministro Alberto Bresciani
ao reconhecer, na decisão regional, contrariedade à Súmula
nº 60 do TST.
A constatação levou
ao deferimento do recurso de revista a fim de restabelecer sentença
de primeira instância (Vara do Trabalho da capital gaúcha),
que havia condenado o Hospital a pagar o adicional noturno sobre as
horas trabalhadas após as 5h da manhã. (RR 832/2004-011-04-00.0)
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18/10/2006
TST nega exame de rescisória motivada
por questão processual
Uma questão processual que não
esteja diretamente ligada ao mérito da decisão não
pode ser objeto de ação rescisória, instrumento
que permite à parte pedir a desconstituição de decisão
já sob o efeito da coisa julgada. Com base nesse entendimento,
manifestado pelo ministro Emmanoel Pereira (relator), a Seção
Especializada em Dissídios Individuais – 2 (SDI-2) do Tribunal
Superior do Trabalho determinou a extinção de um processo
movido pelo Banco Itaú S/A contra o Sindicato dos Empregados em
Estabelecimentos Bancários de Bagé (RS).
“O TST vem admitindo a possibilidade
de uma questão processual ser objeto de ação rescisória,
desde que seja pressuposto de validade de uma sentença que houvesse
enfrentado o mérito da causa”, afirmou o relator ao afastar
o pedido do Itaú.
A demanda processual girou em torno do
pagamento de diferenças do Plano Collor, requeridas judicialmente
pelo sindicato em nome da categoria bancária (substituição
processual). A ação foi julgada procedente e, em seguida,
passou-se à sua execução, o que permitiu o levantamento
dos valores depositados pelos substituídos processuais (bancários).
Simultaneamente, contudo, em outro processo,
o Banco Itaú obteve julgamento favorável em ação
rescisória em que o pagamento foi considerado improcedente. Com
a decisão, o título executivo foi desconstituído
e o Itaú buscou a restituição dos valores pagos.
A instituição financeira
tentou, então, aplicar o resultado da ação rescisória
no processo em execução. A tentativa patronal ocorreu por
meio de agravo de petição formulado contra o Sindicato
dos Bancários de Bagé. A iniciativa foi considerada inviável
pela 1ª Vara do Trabalho de Bagé e levou a uma ação
rescisória negada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(Rio Grande do Sul).
De acordo com o TRT gaúcho, a reformulação
da decisão tornou-se impossível devido a uma questão
de natureza processual. O pedido de restituição dos valores
não poderia ser dirigido contra o sindicato, considerado como
parte ilegítima para figurar como réu de execução
destinada ao ressarcimento do dinheiro. Apenas os beneficiários,
ou seja, os bancários poderiam ser executados, pois eles receberam
as diferenças.
O posicionamento regional levou à interposição,
sem êxito, do recurso ordinário em ação rescisória
no TST. Em seu voto, o ministro Emmanoel Pereira frisou que “somente é passível
de desconstituição a decisão que tenha definido
o mérito da causa, configurando, assim, a impossibilidade jurídica
do pedido de rescisão em que apenas foi indeferida a execução
direta contra o sindicato representativo da categoria profissional para
o recebimento de valores indevidamente recebidos pelos substituídos
processuais”.
O relator registrou, ainda, que a decisão
do TRT gaúcho também afirmou a necessidade do ajuizamento
de uma ação própria para obter a restituição
dos valores levantados pelos trabalhadores, a fim de preservar o princípio
da ampla defesa. (ROAR 658/2003-000-04—00.0)

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