Informativo Eletrônico n.º 268   -   Ano 03   -   Curitiba (PR), 20 de outubro de 2006.



Diário Vermelho, 20 de outubro de 2006

Caged: País já criou 1,3 milhão de empregos só este ano

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de setembro, divulgado nesta quinta-feira (19) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, confirma a expansão do emprego com carteira assinada. A geração de 176.735 vagas em setembro eleva o total, este ano, para 1.383.805 novos postos de trabalho.

A Região Nordeste foi a que mais gerou empregos, em setembro: 80.913 postos de trabalho, resultado do crescimento e do desenvolvimento regional. Em seguida, as regiões que mais criaram empregos foram Sudeste ( + 57.463 postos ), Sul (+ 21.309), Norte (+ 9.166) e Centro-Oeste (+ 7.884). Os destaques entre os estados foram São Paulo, com a criação de 50.372 postos de trabalho; Alagoas, com a geração de 27.689 postos; e Pernambuco, com a abertura de 27.469 vagas.

As regiões metropolitanas dos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo geraram 73.506 empregos celetistas. Os destaques foram a Grande São Paulo (+ 28.950) e o Grande Rio de Janeiro (+ 11.672).

Em setembro, os melhores resultados de geração de emprego ficaram nas áreas urbanas, em razão da influência do setor agrícola que registrou queda ser menor nesses espaços geográficos. Quanto aos municípios do interior dos estados, os que mais se sobressaíram foram os de São Paulo (+21.422 postos ou +0,49%) e Pernambuco (+19.843 postos ou + 7,73%).

Atividades econômicas - O crescimento do emprego celetista ocorreu em quase todos os setores da atividade econômica. Em primeiro lugar ficou a indústria de transformação, que registrou expansão em 11 dos 12 segmentos que integram o setor. Foram gerados 81.981 postos, com destaque para o ramo da indústria de produtos alimentícios, responsável pela abertura de 52.041 vagas. O único ramo que apresentou queda foi o da indústria da borracha, fumo e couros, com o fechamento de 2.911 vagas. Esse resultado deve-se a fatores sazonais relacionados ao fumo no estado do Rio Grande do Sul.

O setor de serviços ocupou o segundo lugar na geração de empregos: 54.552 postos criados, com destaque para os serviços de alojamento e alimentação (+ 19.574). Em seguida, o setor que mais cresceu foi o comércio, com a abertura de 46.381 postos. Entre os setores econômicos, o único que registrou queda foi o agrícola, que eliminou 21.229 postos de trabalho.

 

ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 20 de outubro de 2006 | Economia
Nível de emprego na construção cresceu 9,3% em 2006
No mês de agosto, setor empregou 1,5 milhões de trabalhadores, maior índice desde o mesmo mês de 1995
Chiara Quintão

SÃO PAULO - O nível de emprego na construção civil cresceu 1,14% em agosto, na comparação com o mês de julho, segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e da FGV Projetos, realizado a partir de dados do Ministério do Trabalho. Em 2006, o nível de emprego na construção brasileira cresceu 9,3%, segundo o Sindicato.

Em agosto, o setor empregou 1,525 milhão de trabalhadores formais. De acordo com a pesquisa, foi o maior número de funcionários desde agosto de 1995.

Dos 17,2 mil novos empregados em agosto, 60% foram contratados em obras de edificações e 5,3% em obras de infra-estrutura. Segundo o SindusCon-SP, os dados reiteram a expectativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Setor aumente 5,1% em 2006.

No acumulado de 12 meses, o aumento foi de 9,2%. No Estado de São Paulo, o número de empregados do setor aumentou 6,5% em 2006 e 7,6% em 12 meses. No mês de agosto, o crescimento em São Paulo foi de 1,37% em relação a julho. Na capital, o aumento do nível de emprego na construção civil foi de 2,3% em agosto.


JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 20 de outubro de 2006
Construção civil espera crescer 5%

Entre os anos de 1976 e 1982, o mercado da construção civil chegou a ser responsável por 16% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Hoje, representa perto de 13% do PIB e emprega 13% da população economicamente ativa do país - ou nove milhões de pessoas. A previsão do setor da indústria da construção civil é de que o crescimento deste mercado em 2006 chegue a 5%. Porém, fatores como os altos investimentos de empresas estrangeiras dos ramos imobiliário e de construção civil, além do pacote de incentivo ao financiamento da casa própria lançado pelo governo federal, revelam a possibilidade do setor reviver seus melhores dias nos próximos anos.

''As empresas de construção civil se mantiveram estáveis nos últimos quatro anos. Se o período não foi de grande crescimento, serviu para que muitos se consolidassem no mercado'', comenta o presidente do Sinduscon Norte do Paraná, Junker Grassioto. Ele cita como prova disso a entrada de investimentos de grandes empresas estrangeiras no setor, que passaram a ver a construção civil brasileira como um investimento de baixo risco e, após um período de entrada e observação de tendências, devem fazer grandes aplicações.

O governo federal preparou um pacote de incentivos para tentar facilitar o acesso à casa própria. Entre crédito do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas construírem imóveis para seus funcionários e financiamento a construtoras, o governo usou a Caixa Econômica Federal para lançar uma linha de financiamento habitacional que permite que o comprador saiba o valor da prestação durante todo o processo de financiamento. A modalidade tem juros prefixados de 11,9% a 14,5 ao ano e, no caso da Caixa, não há cobrança de Taxa Referencial (TR) - que modificaria o valor da parcela a cada 90 dias.

Para Grassioto, também é importante que todos os profissionais e acadêmicos se preparem diante destas novas perspectivas. É por isso que o Sinduscon Norte do Paraná, em conjunto com o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL), está organizando o 5º Congresso Paranaense do Ambiente Construído (Copac). Com palestras entre os dias 24 e 27 de outubro, no Centro de Eventos do Catuaí Shopping,

Serviço

As inscrições para o 5º Copac podem ser realizadas no Departamento de Estruturas do Centro de Tecnologia e Urbanismo da UEL, na secretaria do Sinduscon Norte do Paraná (Avenida Maringá, 2400) ou pelo endereço eletrônico www.sinduscon-nortepr.com.br. O valor é de R$ 20 para o público em geral, R$ 15 para associados ao Sinduscon ou CEAL e R$ 10 para estudantes. Mais informações pelo telefone (43) 3327-6777.


Nova Central, 20 de outubro de 2006
COMPOSIÇÃO DO CONGRESSO NACIONAL
DIAP espera um novo Congresso mais neoliberal
Estudo do DIAP prevê um Congresso mais neoliberal, mais propenso a reformas e flexibilização de direitos. Empresários e profissionais liberais são as categorias com mais parlamentares.

Antônio Augusto de Queiroz - O DIAP, após exaustivo levantamento, mapeou o perfil sócio-econômico dos deputados eleitos em 2006. Pelo levantamento, conclui-se que a futura Câmara dos Deputados será composta predominantemente por deputados com graduação superior, com idade entre 30 a 60 anos, com experiência política anterior em cargo público, com formação em profissões liberais e fonte de renda não-assalariada. Diferentemente da conformação partidária, que pouco mudou, o perfil sócio-econômico poderá alterar o comportamento político e ideológico da nova Câmara. Em termos de escolaridade, a futura Câmara será das mais instruídas.

Pelos menos 413 (80,5%) dos 513 deputados têm curso superior completo. Em relação aos demais (100), pelo menos 37 (7,2%) têm formação superior incompleta; 51 (10%) cursaram o ensino médio e 12 (2,3%) o ensino fundamental. A julgar pelo grau de instrução, a Câmara não fica nada a dever aos parlamentos de países mais desenvolvidos culturalmente. No quesito idade, a Câmara também pode ser vista como experiente, considerando que 493 deputados têm idade superior a 31 anos. De acordo com a faixa etária, o DIAP identificou 20 deputados com idade entre 21 e 30 anos; 229 com idade entre 31 e 50 anos; 172 com idade entre 51 e 60 anos; e 92 com idade superior a 61 anos. Apesar da elevada renovação, da ordem de 48%, na verdade houve uma circulação no poder.

Dos 244 novos deputados, assim classificados aqueles que não foram reeleitos, pelos menos 200 deles já exerceram algum mandato ou cargo público em algumas das três esferas de governo (federal, estadual ou municipal) ou em algum dos poderes Legislativo e Executivo. Os efetivamente novos, entendidos como aqueles que nunca exerceram qualquer função pública, estão restritos a três categorias de eleitos: os comunicadores (apresentadores de TV, radialistas, artistas e cantadores), os bispos e pastores evangélicos e finalmente os parentes de políticos tradicionais. Em termos de profissão, a categoria que lidera a composição da futura Câmara é formada por profissionais liberais. São 265 ao todo, sendo 87 advogados, 54 médicos, 47 engenheiros, 20 economistas, 15 administradores, 10 jornalistas, 6 contadores, 4 sociólogos, 3 arquitetos, 3 farmacêuticos, 3 médicos-veterinários, 2 cirurgiões-dentistas, 2 assistentes sociais, 2 historiadores, 1 fisioterapeuta, 1 psicólogo, 1 enfermeiro, 1 biomédico, 1 geógrafo, 1 geólogo e 1 representante comercial.

A segunda maior representação na Câmara é formada pelos empresários, no total de 121, distribuídos do seguinte modo: 97 urbanos, sendo 83 empresários, 11 comerciantes e três industriais, mais 24 produtores rurais, sendo 9 empresários, 8 pecuaristas, 6 agropecuaristas e 1 cacauicultor. O terceiro grupo profissional é constituído dos assalariados urbanos, incluindo os trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público, que somam 87 deputados.

Por ocupação, eles estão assim distribuídos: 32 professores, 22 servidores públicos, 9 radialistas, 5 bancários, 3 delegados, 3 policiais, 2 técnicos em edificações, 2 promotores de justiça, 1 comerciário, 1 procurador de Justiça, 1 procurador de estado, 1 gerente, 1 técnico em contabilidade, 1 inspetor de polícia, 1 analista financeiro, 1 técnico agropecuário e 1 defensor público. O quarto grupo é constituído por operários urbanos e rurais, no total de 19, assim distribuídos: 7 metalúrgicos, 7 agricultores, 1 técnico químico, l técnico em telecomunicações, 1 técnico em artes gráficas, 1 ferroviário e 1 industriário.

O quinto e último grupo é de natureza diversa, formado 1 deputada de profissão indeterminada, 5 estudantes, 3 bispos evangélicos, 2 cantores, 2 padres, 2 sacerdotes, 2 líderes comunitários, 1 especialista em política de segurança pública, 1 atleta, 1 teólogo e 1 músico. Regionalmente, três aspectos chamam a atenção na nova composição da Câmara. O primeiro é o fato de o PSDB, partido de perfil social-democrata, ter voltado a ser um partido paulista, onde elegeu um quarto de sua bancada. O segundo é a constatação de que o PFL também manteve concentração estadual, sendo a Bahia seu principal reduto.

E terceiro é o fato de os estados com forte vocação agrícola terem elegido muitos parlamentares vinculados ao setor, fortalecendo a bancada ruralista. A conformação ideológica da nova Câmara, a julgar pela formação e fonte de renda, tende a ser menos social-democrata e mais liberal, o que aumenta a pressão por reformas liberalizantes. A redução da bancada de trabalhadores e o aumento das bancadas de empresários e profissionais liberais, por exemplo, abrem espaço para novas tentativas de propostas em bases neoliberais, como a flexibilização da legislação trabalhista, entre outras. Antônio Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e Diretor de Documentação do DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.

 

Nova Central, 20 de outubro de 2006
Aumenta o uso da arbitragem trabalhista para solução de conflitos

A arbitragem trabalhista está se expandindo como instrumento utilizado para a solução de conflitos individuais decorrentes da relação de emprego, dispensando o Poder Judiciário. Um exemplo disso é que mais de 70% dos cerca de 20 mil procedimentos realizados pelo Conselho de Arbitragem do Estado de São Paulo (Caesp) desde 2002 têm sido relacionados a litígios trabalhistas. Entre os clientes do Caesp estão diversas faculdades privadas da capital paulista e a companhia aérea GOL, que tem resolvido os litígios com seus funcionários por meio da arbitragem.

A principal vantagem obtida pelas empresas e trabalhadores através da utilização desse instituto é a rapidez na solução dos conflitos, pois enquanto um processo trabalhista pode levar até seis anos para ser resolvido, um procedimento arbitral pode resolver-se em até 1 mês. De acordo com Geórgia Moraes de Souza, advogada da Caesp, a maior parte dos litígios são resolvidos em cerca de 11 dias. Além disso, Geórgia Souza aponta a economia representada pelo procedimento arbitral diante do judicial. Ela informa que em causas envolvendo até R$ 12 mil, o custo da arbitragem fica em R$ 480, enquanto para casos acima daquele limite, o custo fica em 4% do valor da causa.

"Para as empresas, o procedimento arbitral é bastante vantajoso, pois permite evitar a esfera judicial e não cabe recurso contra a decisão arbitral e não há a necessidade de se constituir um advogado", afirma Geórgia Souza. Além disso, a advogada conta que, como meio de evitar que sejam prejudicados, os trabalhadores passam por um atendimento jurídico com um advogado dativo da Câmara, "o que tem gerado bons resultados".

"O carro-chefe do Caesp é o setor trabalhista", afirma Lídia Faria, advogada do Conselho Arbitral. Segundo ela, nos últimos três anos, pouco mais de 300 empresas, de pequeno, médio e grande porte procuraram o Caesp para estabelecê-lo como câmara arbitral de resolução de seus problemas com os empregados. De acordo com Faria, em 99% dos casos os funcionários aceitam acordos prevendo a resolução de conflitos pela via arbitral.

De acordo com dados da Caesp, os principais problemas levados à câmara arbitral dizem respeito a demandas por horas extras e solicitações de equiparação salarial. Segundo Nelson Mannrich, sócio para a área trabalhista do escritório Felsberg, Pedretti, Mannrich e Aidar Advogados e professor de Direito do Trabalho da Universidade de São Paulo (USP) e do Mackenzie, não há expressa previsão na Constituição Federal nem na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sobre a arbitragem trabalhista para litígios individuais, existindo tal disposição apenas em leis esparsas. Com isso, há uma resistência por parte de juízes e de advogados.

Resistências

Segundo Mannrich, apesar do crescimento da arbitragem, a Justiça do Trabalho não prestigia essa prática, além de haver uma certa resistência por parte dos advogados trabalhistas. "O que há é uma falta de cultura para a aplicação da arbitragem trabalhista combinada com um defeito de técnica legislativa (ausência de previsão legal expressa)", afirma. Ele aponta que a concepção cultural predominante nos meios trabalhistas é de que, ocorrendo um conflito, somente o Estado poderá resolvê-lo.

Mannrich explica que a oposição da Justiça do Trabalho à arbitragem se baseia na interpretação de que os direitos do trabalhador seriam indisponíveis (não sujeitos a renúncia) e que, assim, não poderiam ser sujeitos à arbitragem, a qual só pode resolver conflitos sobre bens jurídicos disponíveis. "É aí que entra o papel do legislador. A lei deveria prever o que é passível de arbitragem".

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Mogi e Região possuía um núcleo de arbitragem e conciliação prévia há cerca de dois anos, mas teve que encerrá-lo em razão de problemas com o Ministério Público e com a Justiça do Trabalho, afirma Eleno Bezerra, presidente do sindicato, da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e vice-presidente da Força Sindical.


Segundo Bezerra, a idéia da resolução por via extra-judicial dos conflitos trabalhistas é muito boa para os trabalhadores, que recebem os valores devidos mais rapidamente, contudo somente poderá funcionar se houver uma reforma da justiça do Trabalho.

Fonte: DCI


Congresso em Foco, 20 de outubro de 2006
Debate entre lordes
No SBT, Lula ressalta avanços sociais e ações do seu governo. Alckmin defende mudanças administrativas e crescimento econômico
Sylvio Costa *

No SBT, Lula ressalta avanços sociais e ações do seu governo. Alckmin defende mudanças administrativas e crescimento econômico . Se você tem vivas na memória as imagens do quentíssimo encontro entre os presidenciáveis promovido dia 8 pela TV Bandeirantes e por acaso não viu o debate realizado hoje (19) à noite pelo SBT, procure imaginar mais ou menos o inverso do que ocorreu 11 dias atrás.

Restringidos pela regra do programa, que impedia ofensas pessoais e procurava estimular a discussão de idéias, os candidatos Lula (PT) e Alckmin (PSDB) enfrentaram-se no SBT num clima de respeito mútuo, deixando de lado as trocas de acusações para se concentrar na avaliação do que cada um fez como gestor público (na Presidência da República e no governo de São Paulo) e no debate de propostas de ação.

Ele dispararam críticas um contra o outro, mas de uma maneira que, comparada ao que se viu no debate do dia 8, conferiu ao embate características de um confronto entre lordes. Que, por sinal, se cumprimentaram cordialmente no início e no fim do debate. Ao longo de 90 minutos, Lula ressaltou as realizações do seu governo, prometeu fazer mais em um eventual segundo mandato e procurou explorar aspectos que considera incoerentes no discurso do seu adversário. Já Alckmin manteve o tom de crítica à administração petista, mas de modo bem mais suave que o adotado na Band, e sempre tentando pôr em destaque três compromissos básicos: com a ética, o crescimento econômico e a melhoria da gestão.

Alckmin aposentou a agressividade que, segundo a avaliação da maioria dos analistas, teria lhe garantido a vitória no programa da Bandeirantes. A conclusão é discutível, já que o candidato desde então não pára de despencar nas pesquisas de intenção de votos (apesar de também não haver segurança sobre a relação entre uma coisa e outra).

Lula, desta vez, demonstrou maior firmeza e, em várias oportunidades, dedicou-se - embora de modo menos incisivo - ao esporte exercitado por Alckmin no debate anterior: apontar as perguntas não respondidas pelo adversário. O debate acabou exatamente às 22h37, pelo horário de Brasília. Várias vezes, os candidatos extrapolaram o tempo a que tinham direito, levando a mediadora, a apresentadora Ana Paula Padrão, a interrompê-los. Isso aconteceu 12 vezes com Alckmin e cinco com Lula.

Como fizemos com o debate na Bandeirantes, selecionamos os principais trechos do programa do SBT. Também nos manteremos fiéis à linha de não apontar vencedores. Um bom resumo do que aconteceu segue adiante, cada um que chegue à conclusão que aparecer melhor apropriada.

Veja a seguir os principais momentos do debate, bloco a bloco.

Primeiro bloco

No primeiro bloco, foram sorteados três temas sobre os quais os candidatos deveriam discorrer. O primeiro deles foi agricultura. O presidente Lula destacou os investimentos do governo no setor agrícola. O petista disse que investiu no último plano de safra R$ 60 bilhões, "o maior volume dos últimos 30 anos", e ressaltou que os investimentos que fez no setor foram muito superiores ao do governo anterior. Lula reforçou ainda que atendeu, dentro das possibilidades, todos os pedidos do ex-ministro Roberto Rodrigues.

"A agricultura é um dos pilares do desenvolvimento do país. O problema é que a agricultura passa por crises cíclicas", afirmou, reconhecendo que o setor agrícola enfrentou "problemas sérios" nos últimos dois anos, que ele atribuiu em parte ao aumento da oferta mundial de alimentos.

O ex-governador Geraldo Alckmin criticou as medidas de Lula para a agricultura. Disse que o setor sofreu "a maior crise dos últimos 40 anos", causada pela "omissão do atual governo" e "por um conjunto de problemas trazidos pelo governo Lula". Entre os problemas, o tucano citou a volta da aftosa, a quebra de produção e a paralisia do segmento de produção de máquinas agrícolas.

"O candidato Alckmin comete injustiças graves. Tive como ministro da Agricultura um amigo meu e um amigo dele, uma das pessoas mais competentes do país e que é agricultor. Tudo o que foi pedido pelo Roberto Rodrigues nós fizemos. Acontece que nem sempre o Tesouro tem dinheiro para resolver os problemas na hora certa", afirmou Lula.

O segundo tema do primeiro bloco foi a corrupção. Alckmin foi o primeiro a falar. O tucano disse que "o governo precisa dar o exemplo para a sociedade. Tem que ser aquele em que a população se espelha". "O que vimos no governo Lula não foram fatos isolados, o que já seria grave. Foi uma questão endêmica, que começou com o caso Valdomiro, passando pelo mensalão, Visanet, o escândalo da Secom, Getech e culminando com a questão do dossiê", disse o tucano.

Ele cobrou a origem do R$ 1,7 milhão apreendido pela Polícia Federal com petistas, no hotel Íbis Congonhas, em São Paulo, e ressaltou que já se passaram 34 dias desde que o esquema foi desmontado. Lula rebateu as críticas dizendo: "Esta campanha vai se tornar a campanha de uma nota só. Se as coisas estão aparecendo é porque o governo está apurando".

O terceiro assunto foi a saúde. Lula citou dados de investimentos do governo nessa área e afirmou que pretende estender à saúde pública o tratamento de oftalmologia. Entre outros números, o presidente disse que aumentou os investimentos em saúde de R$ 28 bilhões para R$ 44,3 bilhões por ano; elevou de 4 mil para 14 mil o total de agendes de saúde bucal; e ampliou em 57% o total de agentes comunitários de saúde, que chegou a 26 mil.

Alckmin rebateu: "A saúde vai muito mal, ela piorou no atual governo. As santas casas estão quebradas porque a tabela do SUS não é corrigida. Arrecadou R$ 30 bilhões da CPMF, não repassou nenhum centavo para as prefeituras, nenhum centavos pros estados". Segundo o presidenciável tucano, o atual governo "abandonou os mutirões de saúde da gestão passada, a Aids piorou no governo Lula, o programa dos genéricos foi abandonado e os hospitais do Rio entraram em colapso". Ele completou: "Pra mim não tá bom. Vou melhorar e corrigir a saúde".

Lula rebateu as afirmações: "Não está bom para o Alckmin porque ele não utiliza a saúde publica, certamente ele usa o convênio médico. Eu sei o que é a saúde pública porque convivo com ela. Estamos longe da saúde que desejamos para nossos filhos, mas o que estamos fazendo na saúde jamais foi feito", afirmou o petista.

Segundo bloco

No segundo bloco, assim como no terceiro, os candidatos fizeram perguntas entre si.

Questionado por Lula sobre suas propostas para a área de segurança, o presidenciável do PSDB afirmou que o problema da violência nas grandes cidades se deve principalmente ao tráfico de drogas e ao contrabando de armas, assuntos da responsabilidade do governo federal, que é incapaz de controlar as fronteiras nacionais. Ele prometeu, se eleito, equipar a Polícia Federal para protegê-las.

"A cidade de São Paulo não tem mais preso em cadeia. Investimos em policiais, fiz a minha parte. Mas por trás da questão de segurança tem o trafico de drogas. O que nos temos é uma omissão do governo federal, que tem a polícia de fronteira, que tem a missão de combater o trafico de drogas, de armas e não faz", afirmou.

Segundo Alckmin, o governo, em vez de investir, cortou verbas da segurança. "O que o governo atual fez com a segurança foi cortar todas as verbas, reduziu à metade o fundo de segurança e o fundo penitenciário. Eu vou assumir como responsabilidade do governo federal. Se esse é um problema do Brasil todo, é um problema do presidente. Vou criar o Ministério da Segurança Pública", declarou.

Lula rebateu as afirmações e ironizou: "Pelo amor de deus. Que o povo de São Paulo não ouça, que vai pensar que vai ter um PCC no Brasil inteiro. Eu não posso ficar chutando, tenho que dizer números exatos", comentou. "Temos 17 mil km de fronteira seca e 86% das armas apreendidas são fabricadas no país, não são contrabandeadas. Propusemos um sistema de integração e só São Paulo não aceitou. Só aceitou agora com o [governador Cláudio] Lembo".

Alckmin devolveu a provocação de Lula e afirmou que, em São Paulo, "não tem nenhum líder do crime organizado que não esteja preso em penitenciária de segurança máxima". "O que eu lamento é que os criminosos do colarinho branco estejam soltos, sem responder à Justiça", declarou. Segundo Alckmin, Lula também falhou no campo das iniciativas legais: "A legislação é muito fraquinha com o crime organizado e dura com o pequenininho".

Outro tema abordado durante o segundo bloco foi a educação. Lula perguntou a Alckmin: "Você disse que a educação será um dos pilares do seu governo, mas de acordo com os resultados do Enem [programa federal de avaliação do ensino médio] seu governo no estado de São Paulo foi um desastre. A reprovação triplicou no ensino médio, duplicou no ensino fundamental e São Paulo ficou em oitavo lugar na avaliação do Enem. Qual é a sua proposta para a educação?"

"O candidato Lula está fazendo a mesma pergunta do último debate", observou Alckmin. Ele acrescentou que o sistema de ensino de São Paulo não foi avaliado, foram avaliados os alunos que fizeram o exame. "Faz a prova quem quer. Enquanto o governo federal tinha quatro horas-aula elevamos para seis horas-aula. Levamos a Universidade de São Paulo para a zona leste. Aumentamos o número de Fatecs. E não estou aqui para discutir São Paulo, porque em São Paulo já ganhamos as eleições com José Serra. Estou aqui para discutir o Brasil. No Brasil, temos 2,5 milhões de crianças de sete a 14 anos fora da escola, 250 mil a mais no trabalho infantil. O senador Cristovam Buarque, um dos mais respeitados mestres, foi demitido do Ministério da Educação por telefone. O Fundeb por quatro anos não saiu do papel". E completou: "Vou priorizar creches e fazer a universalização do ensino médio".

Em resposta a Alckmin, Lula disse que o Enem avalia o nível dos alunos, sim, mas exatamente para verificar a qualidade do ensino que eles estão recebendo. "Nós, que não temos toda a sapiência que o candidato Geraldo Alckmin tenta demonstrar, aumentamos o número de universidades". Quanto ao Fundeb (novo fundo de financiamento da educação básica, mais amplo que o Fundef, criado por Fernando Henrique), afirmou que "só não foi aprovado porque o PSDB não quis votar porque parece que ele não quer votar nada que ajude o atual governo".

Alckmin questionou o presidente sobre o estudo publicado pela revista londrina The Economist no qual o Brasil ficou em último lugar dentre 27 países emergentes analisados. Alckmin quis saber do presidente em qual posição o Brasil havia sido classificado.

Em resposta, Lula disse: "O candidato Geraldo Alckmin é um daqueles brasileiros que acreditam que o que dá no New York Times é verdade e o que deu no jornal local não vale, é colonizado". Para o presidente "não há, em nenhum momento da história brasileira, um momento como este para o crescimento". Como exemplos do crescimento do país, Lula destacou: "A exportação é recorde, temos a maior geração de empregos dos últimos dez anos, melhor distribuição de renda, 19% das pessoas saíram da linha da pobreza, a construção civil está vivendo o melhor momento dos últimos 20 anos". Lula complementou: "A economia brasileira não está como eu queria, no ápice, mas está preparada para dar o próximo salto para o crescimento".

"O Brasil cresceu 2,3% no ano passado, só não foi pior que o Haiti", lembrou Alckmin. Mencionando as difíceis condições em que recebeu o país, Lula declarou: "Fico triste de comparar com o Haiti".

Em seguida, questionou o candidato do PSDB sobre um dos principais pontos explorados neste segundo turno pela campanha petista: as privatizações. Lula afirmou que, no governo passado, "praticamente tudo foi privatizado" e pergunto: "Sem que a gente fique nervoso aqui, só para discutir, qual é a sua visão sobre a privatização?"

Alckmin respondeu que as privatizações foram benéficas para o país e disse que, quando bem feitas, geram resultados positivos para a sociedade. "O candidato não reconhece nada do que foi feito antes dele, tem os olhos no passado. Eu tenho os olhos voltados para o futuro. A privatização teve avanço, como a telefonia. Quem tinha telefone antigamente? US$ 3 mil um telefone. Hoje, 90 milhões de brasileiros tem um celular, fora a telefonia fixa. Aliás, se tivesse errado, ele devia ter reestatizado", replicou Alckmin.

Lula rebateu dizendo que o governo anterior vendeu R$ 200 bilhões em empresas estatais e só conseguiu aumentar a dívida pública. Ele questionou ainda a destinação dos recursos obtidos com a venda de companhias como a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional. "Onde foi parar esse dinheiro?", indagou.

Alckmin respondeu que "não tem problema privatizar" se for feito da forma correta. "O que não pode é mentira, dizer que eu vou privatizar o banco do Brasil, a Caixa Econômica e a Petrobras". O tucano afirmou ainda que o país "andou para trás" porque, quando Lula assumiu, havia 8 milhões de desempregados no país e agora existem 9 milhões. "Ele acha que está bom o Brasil crescer 2%. Aliás, disse que não tem pressa. Eu tenho pressa para crescer. Vou cortar gastos, vou diminuir juros e reduzir impostos para crescer", afirmou.

Lula retrucou dizendo que criou muito mais empregos que seu antecessor, o também tucano Fernando Henrique Cardoso.

Alckmin retomou o debate em torno da saúde pública e disse que a saúde vai mal, embora não faltem recursos nos cofres da União. Ele alega que o governo não aplica na área, como deveria fazer, os recursos da CPMF. Frisou, ainda, que é usuário da rede pública de saúde: "Fui operado três vezes. Nas três vezes, na Santa Casa de Pindamonhangaba. Quando preciso, me consulto no Incor, que é um hospital público aqui de São Paulo e uma referência em serviços de saúde". O tucano prometeu aumentar os investimentos no setor e priorizar o atendimento às mulheres. "Acho que a saúde vai mal e pode melhorar muito. E não é por falta de dinheiro. Vou trabalhar na questão da saúde da mulher. Está aumentado o câncer de mama e falta mamógrafo", afirmou o tucano.

Lula replicou dizendo que o adversário não reconhece os avanços do atual governo, mas que a população nunca recebeu atendimento como agora. "Eu não posso esperar nunca que meu adversário reconheça alguma coisa. Obviamente ela precisa melhorar, mas a verdade é que nunca esteve como agora", disse.

O presidente, numa referência ao prefeito do Rio, César Maia (PFL), complementou: "Se a saúde do Rio não está tão boa, é porque a pessoa que está lá te apoiando não aceitou nem as ambulâncias que mandamos para eles. Não queria que os hospitais tivessem uma ajuda de R$ 330 milhões para melhorar os serviços de emergência".

Terceiro bloco

No terceiro bloco do debate, Lula tentou capitalizar a ligeireza com que Alckmin atravessou o tema da privatização no bloco anterior: "As perguntas sobre privatização ele não gosta de responder, nem vou perguntar mais", ironizou. Em seguida, perguntou qual era a posição de Alckmin em relação ao programa Luz para Todos. Ele afirmou que, enquanto estava à frente do governo de São Paulo, Alckmin foi o único governador que deixou de cumprir o acordo de colaboração e repasse de verbas para o programa (que prevê contrapartida correspondente a 10% dos custos).

Segundo Lula, só "agora que o Cláudio Lembo botou no orçamento do ano que vem" a contrapartida estadual para o programa. Ele ressaltou que o governo federal implementou o programa em São Paulo mesmo sem a participação financeira do estado. "Sonho entrar para a história do país como o presidente que apagou o último candeeiro", disse

Alckmin respondeu: "O Luz para Todos é o Luz no Campo que o presidente Fernando Henrique fez e que nós vamos manter e ampliar. Mas já que tocamos na questão do campo quero perguntar ao Lula: todos os governos que passaram fizeram irrigação. O governo FHC foi o que mais fez, o Itamar, o Collor. O governo Lula foi o único que não fez".

Lula rebateu: "Eu acho que Alckmin se faz de desentendido quando pergunto. O Luz no Campo não tem nada a ver com o Luz para Todos. O Luz no Campo era um programa tão pequeno, e era pago. O Luz para Todos é gratuito. É um programa que tira a população rural do século XVIII. Foi um acordo entre o governo federal e os governadores e em São Paulo não tivemos o apoio do então governador Alckmin". Na tréplica, Alckmin insistiu na questão da irrigação.

O presidente Lula reforçou que o país nunca aliou crescimento econômico com desenvolvimento social. Ele ainda afirmou que a sociedade sabe quando um candidato tem só discurso ou faz algo de fato.

"O Brasil já teve um momento em que a economia cresceu 10% ao ano e a questão social era zero nesse país. Nós estamos provando que é possível a gente crescer com distribuição de renda. Aliás, os indicadores mostram a diminuição da pobreza no país. É por isso que existe um fenômeno na sociedade de perceber quando alguém faz só discursos ou faz algo. A economia brasileira só pode crescer se tiver base concreta pra crescer. Nós criamos a base para ela crescer de 5% a mais de 5% ao ano", afirmou Lula.

Alckmin contra-argumentou: "Não é possível acharmos que o Brasil está condenado a crescer 2%. Alguma coisa está errada. O mundo cresce 5%. Sobre a saúde, acho que o Lula não sabe o que é um hospital público para achar que está tudo uma maravilha. E não adianta querer transmitir responsabilidade para o prefeito do Rio, César Maia, porque a maior parte da rede hospitalar do Rio de Janeiro é do governo federal".

Alckmin também questionou Lula sobre o dinheiro destinado ao pagamento de dívidas. "Eu queria perguntar para Lula: R$ 329 bilhões foram gastos com juros, R$ 138 bilhões a mais que no governo Fernando Henrique em igual período, mesmo sem nenhuma crise no cenário mundial e o lucro dos bancos foi o triplo do verificado no período FHC..." A pergunta foi interrompida pela mediadora, a jornalista Ana Paula Padrão, porque o candidato tucano ultrapassou seu tempo.

"Imagina quanto vocês pagavam quando o juro era 30, 40% e não 13%. É bom o banco ganhar dinheiro porque senão ele quebra e aí sim arrasa com a economia do país. Mas não são só os bancos. Noventa por cento dos acordos salariais dos últimos três anos tiveram aumento acima da inflação. Pela primeira vez em dez anos, o lucro das empresas foi maior que o dos bancos. As pessoas estão comendo mais, vivendo mais. Eu estou convencido de que estamos fazendo a política correta. Os juros estão caindo. As pessoas hoje podem comprar um computador com R$ 50 a prestação. Ainda falta muito para ser feito, mas ninguém fez o que a gente fez. Eu próprio acho que podemos fazer muito mais e vamos fazer. Eu acredito que o povo hoje está mais feliz do que estava antes, no governo de vocês", argumentou Lula.

Em resposta, Alckmin falou olhando para a câmera: "Temos aqui duas visões totalmente opostas. Lula acha que está tudo bem. Lula não tem dinheiro para dar aumento aos aposentados, mas aumentou o gasto com juros".

O presidente provocou o seu adversário: "Mas em campanha política vale tudo mesmo. O candidato falar em aumento para aposentados? Nós demos 5% de aumento para os aposentados e demos um aumento maior para o salário mínimo e o PFL e o PSDB, para fazer demagogia, quiseram estender aos aposentados, uma coisa que eles sabem que a Previdência não tinha condições de pagar".

Lula perguntou a Alckmin como ele "vai fazer todos os cortes de gastos que ele diz que vai fazer para agradar um pequeno setor da elite". O tucano citou dados que apontam redução dos investimentos sociais per capita no governo Lula: "O governo do Lula reduziu na saúde 7,49%, comparado com o governo anterior. Na educação e cultura, foi 5,4%, no saneamento e habitação, 44%. Reduziu tudo. Nós temos uma diferença. Ele vai manter os 34 ministérios, os 40 mil petistas em cargos de comissão, a companheirada. Eu vou fechar as torneiras do desperdício, vou fazer mais com o dinheiro do povo para o Brasil crescer", replicou Alckmin.

Lula lembrou que o tucano, embora tenha dito que vai cortar ministérios, prometeu criar o Ministério da Segurança Pública. E disse que, mais importante do que cortar gastos, é fazer o país crescer.

"Eu acho que o Brasil não tem como cortar como vocês dizem, falar é fácil, tem que ver na hora de fazer. É preciso ter crescimento econômico, que somente nós vamos fazer. Porque no período em que vocês governaram, oito anos, não aumentou a renda como aumento conosco, não cresceu como cresceu conosco e não baixou tanto a inflação como baixou conosco", disse Lula.

O presidente afirmou que o orçamento de quatro secretarias com status de ministério (entre elas, Igualdade Racial, Políticas para a Mulher e Pesca) representa relativamente pouco no conjunto dos gastos federais (em torno de R$ 100 milhões), "mas o retorno para a população é inestimável". Alckmin provocou e disse que o Aerolula, comprado por R$ 150 milhões, custou mais que quatro ministérios.

"O governante precisa dar exemplos. Eu aprendi a fazer com gastos de melhor qualidade, gastar naquilo que interessa para o povo. É possível cobrar menos imposto e o Brasil crescer mais. O Brasil tá perdendo tempo", emendou o tucano.
Alckmin acusou Lula de não regulamentar a emenda constitucional número 29 para poder reduzir os investimentos na saúde. "Embora tenha a CPMF, no ano passado deixou de investir na saúde R$ 1,6 bilhão", acusou o tucano. Lula provocou o adversário: "O Alckmin faz parte de um tipo de gente que acha que investir em comida para o povo não é investir em saúde".

O presidente citou dados comparativos entre o governo atual e a gestão passada e destacou o trabalho feito na área de assistência odontológica pública. "No Brasil, tratamento odontológico não existia para pobre, pobre arrancava dente. Agora, nós estamos permitindo que o pobre tenha ortodontia para que possa ter todos os dentes na boca", afirmou.

Alckmin insistiu na tecla do corte de gastos no setor. "Retirar R$ 1,6 bilhão da saúde não está correto. Governar é escolher. Não dá para tirar recurso da saúde, quando a população precisa do SUS. A primeira tarefa que vou fazer é retomar o investimento na saúde", disse Alckmin.

O presidente rebateu e disse que o atual governo faz o que deveria ter sido feito "20 ou 30 anos atrás". "Você que é médico sabe. Uma pessoa gastava R$ 130 para comprar insulina. Agora gasta R$ 13. Está economizando um terço do salário mínimo para poder, quem sabe, no fim do ano tirar umas férias", finalizou Lula, referindo-se à Farmácia Popular.

Quarto bloco

No quarto e último bloco, os candidatos puderam fazer, rapidamente, suas considerações finais. Lula foi o primeiro a falar:

"De um lado nós temos um candidato e um partido que depois de governar oito anos o Brasil e um estado 12 anos não fez grandes mudanças. Do outro, temos um governo que em quatro anos promoveu a redução da miséria e da desigualdade, a criação de oportunidades de trabalho e a formalização de empregos. Com a redução da fome, 8,4 milhões saíram da miséria. O salário mínimo não comprava uma cesta básica, agora dá pra comprar 1,6 cesta básica.

Ajudamos a reduzir o analfabetismo. Ampliamos o Bolsa Família para 11 milhões de famílias. Estamos aumentando a comercialização de biodiesel. Os números fluem na boca de muitas pessoas e cada um diz o que quer, mas o passado condena alguns e absolve outros. Tenho o sonho de transformar o Brasil no país mais democrático do mundo em termos de acesso a universidades. Porque sei a diferença que ter emprego, ter renda, faz na vida de uma pessoa. Estamos criando oportunidades para melhorar a capacitação dos profissionais e aumentar o número de trabalhadores com carteira assinada".
Para concluir, Lula pediu aos brasileiros que votassem na educação. "No emprego, na educação e na saúde" e que dessem a ele a oportunidade de governar por mais quatro anos.

Geraldo Alckmin, por sua vez, disse: "O PT teve a sua oportunidade, quatro anos, e o que nós vimos? Sob o ponto de vista ético, um descalabro. Sob o ponto de vista da gestão, a saúde piorando, a educação piorando, a segurança pública piorando. Sob o ponto de vista do crescimento, o Brasil perdeu a oportunidade de crescer e cresceu 2 % ao ano. Não vou permitir nas empresas estatais a privatização para o partido, como o PT fez. Governo é para servir o povo. Vamos trabalhar pelo emprego, este é o grande programa brasileiro. Governo só gera emprego de forma complementar, quem gera empregos são os empresários. Tem que baixar juros, incentivar o país a crescer.

Quero dar oportunidade para que os jovens tenham oportunidade de independência. Vamos trabalhar para pôr o Brasil na linha certa. O Brasil está com a receita errada, nós vamos trabalhar para que tenha a receita certa. O Brasil pode mais e merece mais". * Com Rodolfo Torres, Soraia Costa e Diego Moraes

Folha de São Paulo, 20 de outubro de 2006
VOX POPULI:
Pesquisa dá 20 pontos de vantagem para petista
Pesquisa Vox Populi divulgada ontem pela TV Bandeirantes mostra Lula com 20 pontos de vantagem sobre Alckmin na corrida presidencial. O candidato petista subiu de 51% para 57% das intenções de voto, já o presidenciável tucano caiu de 41% para 37%. Nos votos válidos, Lula tem 61% contra 39% do tucano. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é 22.612/2006.

 

ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 20 de outubro de 2006 | Economia
Déficit da previdência cresce 43,7% em 2006 até setembro

No mês de setembro, com a antecipação do 13º salário, o rombo da Previdência apresentou crescimento de 207% em relação a setembro do ano passado, já que este foi o primeiro ano em que o pagamento foi feito neste mês
Fabio Graner

BRASÍLIA - O regime geral de Previdência Social registrou em setembro déficit de R$ 8,566 bilhões. O valor é 175,9% superior (em termos reais pelo INPC) ao registrado em agosto deste ano e 207% maior do que o déficit apurado em setembro de 2005. No acumulado deste ano até setembro, o saldo negativo foi de R$ 34,185 bilhões, com aumento de 34,4% ante janeiro a setembro de 2005. Considerando a CPMF, o déficit acumulado no ano até setembro foi de R$ 28,093 bilhões, com aumento real de 43,7%.

A disparada nas despesas com benefícios no mês passado, de acordo com o Ministério da Previdência, refletiu a antecipação em setembro de 50% do 13º salário deste ano. A outra metade será paga em dezembro. O impacto da antecipação foi de R$ 5,8 bilhões. Este foi o primeiro ano em que o governo pagou a antecipação do 13º no mês de setembro. Trata-se do cumprimento de acordo com os sindicatos e aposentados durante a negociação do salário mínimo, no primeiro semestre.

No mês passado, a arrecadação líquida da Previdência foi de R$ 10,420 bilhões, valor 3,8% superior ao verificado em agosto deste ano e 15,8% acima do resultado de setembro de 2005. Na outra ponta, as despesas com benefícios previdenciários somaram R$ 18,986 bilhões no período, com uma expansão real de 44,5% sobre agosto último e de 61% ante setembro de 2005.

De acordo com o secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer, a arrecadação no mês passado foi recorde. Segundo ele, o forte crescimento foi determinado pelo ingresso de recursos do chamado Refis-3 - programa para pagamento de impostos atrasados. "As empresas aproveitaram o Refis 3 para colocar sua vida em dia", afirmou Helmut.

Segundo Schwarzer, da mesma maneira que o déficit subiu muito em setembro, a tendência é que haja uma forte queda em dezembro. Isso porque no último mês do ano, apesar das despesas subirem, também há um incremento significativo na arrecadação, já que há efeito do pagamento de 13o das empresas nas contribuições recolhidas pelo INSS.

Governo vê possibilidade de melhora

Schwarzer afirmou que existe espaço para uma melhora na gestão da Previdência, que tenha impacto positivo no controle do déficit previdenciário, antes que se venha a fazer uma discussão sobre nova reforma.

Segundo ele, é possível melhorar cada vez mais a arrecadação, por meio não só da formalização do mercado de trabalho, que vem ocorrendo em virtude do crescimento da economia, mas também por ganhos de eficiência na máquina arrecadadora. "Temos capacidade de, com esforço de gestão, controlar o fluxo de financiamentos da Previdência Social", disse.

O secretário afirmou que também ainda há espaço para melhorar a concessão de benefícios, eliminando fraudes e concessões indevidas. Com isso, é possível, segundo ele, evitar um crescimento explosivo no déficit previdenciário. O secretário ressaltou que a expansão no déficit previdenciário nos últimos anos é decorrência de uma política de redistribuição de renda, que tem beneficiado a sociedade como um todo.

Helmut disse ainda que a reforma realizada em 2003 na previdência do setor público já surte efeito nas contas. Segundo ele, o déficit na Previdência pública está estabilizado. Em 2003, foi de R$ 46 bilhões, o equivalente a 3% do PIB. Em 2005, ficou em R$ 45,9 bilhões, ou 2,4% do PIB. Com isso, todo o déficit previdenciário, que inclui o regime geral da Previdência Social, e a previdência do setor público, caiu de 4,7% do PIB para 4,3% do PIB em 2005. "Isso é reflexo da reforma de 2003", disse ele.

 

SÓ NOTÍCIAS / MATO GROSSO, 20 de outubro de 2006
Geral
Ministério do Trabalho organiza reunião para debater construção civil em Sinop

Uma reunião técnica entre o Siticom (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria, Construção e do Mobiliário) de Sinop, engenheiros, proprietários de empresas ligadas à construção civil, técnicos de segurança, entre outros profissionais, deve ser marcada para o próximo dia 24 de novembro para discutir a problemática da construção civil. O encontro é organizado Ministério do Trabalho.

Conforme o presidente do sindicato, Vilmar Galvão, o segmento é um dos setores que mais apresenta problemas no município. Em muitos casos, destaca, “eles estão na segurança do trabalhador, não assinatura do registro profissional entre outras características”, declarou Galvão, ao Só Notícias.

A construção é um dos setores que mais emprega profissionais no município. Mesmo assim, o número que atua sem o registro no Ministério do Trabalho é baixo. De acordo com os dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego, durante o mês de agosto apenas 36 foram contratados formalmente.


CONSULTOR JURÍDICO, 20 de outubro de 2006
Use com moderação
Penhora online deve ser usada como última alternativa

O uso da penhora online é facultativo e só deve ser autorizado depois de esgotados todos os meios para a localização de bens do devedor. O entendimento é da 4ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que confirmou decisão da 5ª Vara de Fazenda Pública do DF.

Os desembargadores reconheceram que, embora “célere e eficaz”, o meio virtual de penhora de valores não deve ser utilizado de forma deliberada.

O pedido de penhora online foi feito pela Advocap — Associação dos Advogados da Terracap. O TJ distrital, no entanto, entendeu que não há comprovação nos autos de que foram esgotados todos os meios para localização de bens da devedora Maria Inês da Silva Souza.

Os desembargadores esclareceram que a penhora online depende de cadastramento prévio e fornecimento de senha do juiz, de caráter pessoal e intransferível. A segurança das informações trocadas entre a Justiça, o Banco Central e as instituições financeiras é garantida por meio da tecnologia de criptografia de dados.

Polêmica do bloqueio

A penhora online é utilizada pela Justiça Trabalhista já há quatro anos e meio. Ainda hoje, é constantemente criticada por advogados, que sustentam que o sistema permite o bloqueio indiscriminado de contas das empresas.

Segundo advogados, não são poucos os casos de empresas que se viram encurraladas com faturas e salários pendentes porque tiveram várias contas bloqueadas pelo sistema, quando apenas um dos bloqueios seria suficiente para satisfazer a execução.

Mesmo assim, os números mostram a crescente utilização da penhora online. Desde 2002 e até janeiro deste ano, o Bacen-Jud executou 609 mil ordens judiciais. E, no pouco tempo de uso da segunda versão — em testes desde julho de 2005, mas aberto aos juízes em novembro — já foram executadas 72 mil ordens.

Processo: 2006.00.200.802-77


CONSULTOR JURÍDICO, 20 de outubro de 2006
Limpeza interna
Lixo domiciliar apresenta menos risco do que lixo urbano

Recolher lixo domiciliar não dá direito a adicional de insalubridade em grau máximo. O entendimento é da 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que não acolheu o recurso de uma empregada do Departamento Municipal de Habitação, de Porto Alegre. Ela fazia a limpeza dos banheiros na empresa. A Turma esclareceu que “esta atividade [limpeza interna] não se confunde com aquela desempenhada pelos garis”.

Os ministros esclareceram que o adicional de insalubridade em grau máximo destina-se aos trabalhadores em limpeza urbana, que trabalham na coleta e industrialização do lixo, mas não àqueles que trabalham na limpeza das dependências de empresa de coleta de lixo urbano.

O relator do recurso, ministro Horácio Raimundo de Senna Pires, ressaltou que não há comparação entre o serviço realizado nas dependências do Departamento Municipal de Habitação com o trabalho feito nas ruas. “Não se pode considerar o trabalho dos profissionais de limpeza, como a empregada, que não trabalham nem em coleta, nem em industrialização de lixo urbano, mas com lixo domiciliar, como insalubre em grau máximo”.

A empregada foi contratada para as tarefas de limpeza geral das suas instalações, incluindo os banheiros. Após três anos, foi direcionada para a cozinha e, depois de cinco anos, retornou ao serviço de higienização dos banheiros. Sua pretensão era receber o adicional no grau máximo, alegando que tinha contato com agentes biológicos.

A 18ª Vara do Trabalho de Porto Alegre reconheceu o direito ao adicional em grau médio. O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul) manteve a tese e esclareceu que as circunstâncias de trabalho da empregada autorizam o enquadramento das atividades exercidas em grau médio, e não em grau máximo.

Segundo a Orientação Jurisprudencial 170 do TST, a limpeza em residências e escritórios e a sua respectiva coleta de lixo não podem ser consideradas insalubres, ainda que constatadas por laudo pericial, porque não se encontram dentre as classificadas como lixo urbano na Portaria do Ministério do Trabalho.

O relator esclareceu que lixo urbano não é aquele que se recolhe de um prédio comercial ou residencial, “mas aquele lixo complexo e indefinido que as cidades contêm”.

RR 725.313/2001.09)


JORNAL GAZETA DO POVO, 20 de outubro de 2006 | Paraná
SEGURANÇA-No Paraná, operação resultou na prisão de oito pessoas e em várias apreensões
Presos 60 acusados de lesar a Previdência em R$ 200 milhões

Sessenta pessoas acusadas de envolvimento num esquema que teria lesado a Previdência social em aproximadamente R$ 200 milhões foram presas ontem dentro da Operação Anos Dourados, desencadeada pela Polícia Federal, Ministério da Previdência Social e Ministério Público Federal. Com a operação, foram suspensos 1.561 benefícios, evitando o pagamento mensal de cerca de R$ 4 milhões.

Em Curitiba, única cidade do Paraná atingida pela operação, foram cumpridos oito mandados de prisão temporária (dos 9 expedidos), 17 mandados de busca e apreensão e 17 de arresto (apreensão de bens de devedores). Aqui, foram presos um funcionário de cartório e um proprietário de escritório de contabilidade, além de empresários e intermediários. Os mandados também foram cumpridos em Goiás, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, onde se concentrou a maioria das prisões.

As investigações, iniciadas em fevereiro deste ano, indicam que o grupo agia há cinco anos e que cerca de uma centena de pessoas está envolvida no esquema. A fraude consistia na criação de vínculos empregatícios fictícios para simular um período de contribuição inexistente, com o fim de obter o benefício previdenciário. Os fraudadores utilizavam-se de empresas, em nomes das quais emitiam informações falsas à Previdência. Com a operação, 1.318 vínculos empregatícios que seriam utilizados ilegalmente pela quadrilha no futuro foram “congelados”. “Não podemos dar mais detalhes de como era o esquema de aliciamento dos beneficiários para não atrapalhar as investigações que continuam”, comentou o delegado e coordenador das ações no Paraná, Wagner Santana da Veiga.

Centro de operações

Nos quatro estados investigados, foram expedidos 69 mandados de prisão temporária (nove portanto ainda não foram cumpridos), 18 de arresto e 95 de busca e apreensão. Os mandados foram expedidos pelo juiz Elmo Gomes de Souza, da Vara Federal de Nova Friburgo. Um vereador, um assessor parlamentar, advogados, contadores, cartorários e intermediários foram presos, além de 46 servidores da Previdência Social, entre eles dois médicos peritos. Foi determinado o arresto e seqüestro de bens (carros, imóveis, embarcações e aeronaves) dos investigados. Malotes, mochilas e caixas com documentos foram apreendidos.

O centro das operações foi o estado do Rio de Janeiro, onde a polícia agiu em 12 cidades – Niterói, Nova Friburgo, Teresópolis, Araruama, Itaguaí, São Gonçalo, Maricá, Magé, Volta Redonda, Belford Roxo, Nilópolis e Japeri –, cumprindo 51 mandados de prisão (dos 59 expedidos) e 76 de busca e apreensão. Em Gramado, no Rio Grande do Sul, foi cumprido um mandado de busca e apreensão. Em Caldas Novas, no estado de Goiás, foram cumpridos um mandado de prisão temporária, um mandado de busca e apreensão e um mandado de arresto.

“As investigações continuam. Nos próximos dias pretendemos identificar mais envolvidos e efetuar mais prisões”, disse Veiga. Segundo ele, os presos estão sendo acusados de formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica, entre outros crimes.

O nome da operação – Anos Dourados – deve-se ao fato de a maioria dos investigados e dos beneficiários ter nascido nas décadas de 40 e 50. Além disso, “dourado” significaria o dinheiro subtraído da parcela mais carente da população. A operação teve a participação de 420 policiais federais, além do apoio de 20 analistas da Previdência Social.mys Cabral, com agências.

 

JORNAL GAZETA DO POVO, 20 de outubro de 2006 | Paraná
SEGURANÇA
Cuidados

A maior parte dos 1.561 benefícios suspensos dentro da Operação Anos Dourados é de pessoas que se envolveram intencionalmente no esquema. Mas algumas teriam sido utilizadas apenas como “laranjas”, para acobertar atividades ilegais de terceiros. Confira algumas dicas que podem evitar que isso aconteça:

• Não utilize o trabalho de intermediários para ter acesso aos serviços e benefícios previdenciários. Eles cobram taxas ilegais por serviços gratuitos, prometendo obter facilidades, acelerar o andamento de processos e entrar com pedidos de revisão de valores.

• Para pedidos de aposentadoria, auxílio-doença ou amparo assistencial basta procurar diretamente uma agência da Previdência Social.

• O INSS não se responsabiliza por documentos entregues a terceiros.

• A Previdência não tem funcionários autorizados a procurar os segurados em suas casas para oferecer serviços, como aumento do valor de benefícios, regularização de débitos, requisição de revisões e recursos, pedido de aposentadorias e pensões .

• Nunca forneça seus dados a desconhecidos, para evitar o risco de ter o seu benefício fraudado ou ser envolvido em operações ilegais.

• Nunca forneça seu cartão magnético ou senha do banco a terceiros.

• Alguns serviços da Previdência Social podem ser obtidos pela internet (www.previdencia.gov.br) ou pelo PREVFone (0800 78 0191). Entre os serviços disponíveis estão a inscrição de contribuintes, o requerimento de auxílio-doença, o salário-maternidade para autônomos, facultativos e domésticos e a pensão por morte para os dependentes do segurado que já recebia benefícios do INSS.

Fonte: Ministério da Previdência.


JORNAL GAZETA DO POVO, 20 de outubro de 2006 | Paraná
SEGURANÇA
Fraudes envolvendo o INSS tornaram-se comuns

O caso mais famoso de fraude contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi aplicado entre os anos de 1990 e 1991 por uma quadrilha do Rio de Janeiro formada por 20 pessoas, entre elas a juíza Jorgina de Freitas. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, cerca de R$ 112 milhões foram desviados da Previdência pelo grupo. O caso ficou conhecido em todo o país como o “Escândalo da Previdência”.

Jorgina foi julgada e condenada a 14 anos de prisão em 1992 e teve seus bens leiloados. Ela só foi realmente presa, no entanto, em 1998, após ser extraditada da Costa Rica, onde se escondia. Depois de diversos pedidos de habeas-corpus, Jorgina foi transferida do presídio Nelson Hungria e atualmente se encontra no presídio Talavera Bruce, no bairro do Bangu, no Rio de Janeiro. A instituição não sabe informar qual a data prevista para a sua saída.

A partir da descoberta do Escândalo da Previdência, outros casos de fraudes contra o INSS foram identificados em todo o país. Entre fevereiro e maio de 2005, um grupo de 13 auditores acusados de produzir um rombo de aproximadamente R$ 3 bilhões na Previdência Social foi preso no Rio de Janeiro. A auditora fiscal Maria Auxiliadora de Vasconcellos fazia parte do grupo e, sozinha, teria causado ao INSS um prejuízo de cerca de R$ 9 milhões, recebendo propina para que declarasse que certas empresas não deviam à Previdência.

Já no Paraná, em abril do mesmo ano, a Polícia Federal prendeu uma quadrilha que atuava em Foz do Iguaçu. O grupo usava nomes de pessoas falecidas para receber benefícios do INSS, além de utilizar declaração falsas de proprietários rurais para conseguir aposentadorias para trabalhadores que não tinham direito ao benefício.

O caso mais recente de golpe na Previdência no estado foi o de uma quadrilha de Ponta Grossa descoberta pela Polícia Federal em janeiro deste ano. O grupo fornecia Certidões Negativas de Débito sem pagamento do respectivo imposto no INSS.


Notícias do Tribunal Superior do Trabalho

20/10/2006
Pagamento fora do prazo garante remuneração de férias em dobro

A inobservância do prazo legal para o pagamento da remuneração de férias acarreta seu pagamento em dobro. Com esse esclarecimento do ministro Alberto Bresciani (relator), a Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho deferiu recurso de revista a uma trabalhadora catarinense e reconheceu-lhe o direito ao recebimento em dobro da parcela, de acordo com a previsão do artigo 137 da CLT. A decisão unânime modificou acórdão firmado anteriormente pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina), favorável à Teka – Tecelagem Kuehnrich S/A.

Segundo a legislação trabalhista, cabe ao empregador conceder férias, em um só período, dentro dos 12 meses subseqüentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito (artigo 134 da CLT). Caso o prazo para a concessão não seja observado, a mesma CLT estabelece o pagamento em dobro das férias (artigo 137).

No caso concreto, a empregada demonstrou que, apesar de suas férias relativas ao período aquisitivo 2001-2002 terem sido concedidas na época correta (entre 04-08-2003 a 02-09-2003), não foi obedecida a previsão do artigo 145 da CLT. A norma estabelece que o pagamento da remuneração das férias seja efetuado até dois dias antes de seu início.

A inobservância da regra do artigo 145 levou a trabalhadora a ingressar em juízo a fim de obter o pagamento dobrado de suas férias. Num primeiro exame, a 3ª Vara do Trabalho de Blumenau não reconheceu o direito da autora da ação e, posteriormente, o TRT catarinense negou seu pedido. “O atraso na remuneração de férias regularmente usufruídas não enseja a aplicação da cominação prevista no artigo 137 da CLT”, registrou o órgão de segunda instância.

O exame do tema pelo TST levou, contudo, a outra conclusão. O ministro Alberto Bresciani considerou, inicialmente, a intenção da norma. “O legislador, ao instituir as férias, buscou propiciar um período de descanso que permitisse a recuperação física e mental do trabalhador, favorecendo maior integração social e familiar”, explicou.

Para o alcance de tal meta, frisou o relator, torna-se necessário o pagamento das férias na forma prevista. “A inobservância da regra impede a regular fruição do descanso, ante a insuficiência econômica do empregado”, afirmou Alberto Bresciani, que também esclareceu que a legislação disciplinou as férias com o estabelecimento de prazos para sua concessão (12 meses após o período aquisitivo) e seu pagamento (até dois dias antes do início das férias).

“Desta forma, tendo em vista a dupla obrigação do empregador – conceder e pagar –, com prazos legalmente estipulados, conclui-se que não apenas a concessão fora do prazo enseja o pagamento em dobro das férias, mas também a remuneração fora da norma legal, aplicando-se analogicamente o disposto no artigo 137 da CLT”, concluiu Alberto Bresciani.

Como o pagamento das férias foi feito, ainda que em atraso, a decisão do TST determinou o pagamento de mais uma remuneração à trabalhadora, acrescida do adicional constitucional de 1/3, o que lhe garante a dobra da verba. (RR 4328/2003-039-12-40.4)



Presidência da República
Casa Civil

Subchefia para Assuntos Jurídicos

DECRETO Nº 5.934, DE 18 DE OUTUBRO DE 2006.

Estabelece mecanismos e critérios a serem adotados na aplicação do disposto no art. 40 da Lei no 10.741, de 1o de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe conferem o art. 84, incisos IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto na alínea “e” do inciso XII do art. 21 da Constituição, e no art. 40 da Lei no 10.741, de 1o de outubro de 2003,

DECRETA:

Art. 1o Ficam definidos os mecanismos e os critérios para o exercício do direito previsto no art. 40 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, no sistema de transporte coletivo interestadual, nos modais rodoviário, ferroviário e aquaviário.

Parágrafo único. Compete à Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT e à Agência Nacional de Transportes Aquaviários - ANTAQ a edição de normas complementares objetivando o detalhamento para execução de suas disposições.
Art. 2o Para fins do disposto neste Decreto, considera-se:

I - idoso: pessoa com idade igual ou superior a sessenta anos;

II - serviço de transporte interestadual de passageiros: o que transpõe o limite do Estado, do Distrito Federal ou de Território;

III - linha: serviço de transporte coletivo de passageiros executado em uma ligação de dois pontos terminais, nela incluída os seccionamentos e as alterações operacionais efetivadas, aberto ao público em geral, de natureza regular e permanente, com itinerário definido no ato de sua delegação ou outorga;

IV - seção: serviço realizado em trecho do itinerário de linha do serviço de transporte, com fracionamento do preço de passagem; e

V - bilhete de viagem do idoso: documento que comprove a concessão do transporte gratuito ao idoso, fornecido pela empresa prestadora do serviço de transporte, para possibilitar o ingresso do idoso no veículo.

Art. 3o Na forma definida no art. 40 da Lei nº 10.741, de 2003, ao idoso com renda igual ou inferior a dois salários-mínimos serão reservadas duas vagas gratuitas em cada veículo, comboio ferroviário ou embarcação do serviço convencional de transporte interestadual de passageiros.

§ 1o Para fins do disposto no caput, incluem-se na condição de serviço convencional:

I - os serviços de transporte rodoviário interestadual convencional de passageiros, prestado com veículo de características básicas, com ou sem sanitários, em linhas regulares;

II - os serviços de transporte ferroviário interestadual de passageiros, em linhas regulares; e

III - os serviços de transporte aquaviário interestadual, abertos ao público, realizados nos rios, lagos, lagoas e baías, que operam linhas regulares, inclusive travessias.

§ 2o O idoso, para fazer uso da reserva prevista no caput deste artigo, deverá solicitar um único “Bilhete de Viagem do Idoso”, nos pontos de venda próprios da transportadora, com antecedência de, pelo menos, três horas em relação ao horário de partida do ponto inicial da linha do serviço de transporte, podendo solicitar a emissão do bilhete de viagem de retorno, respeitados os procedimentos da venda de bilhete de passagem, no que couber.

§ 3o Na existência de seções, nos pontos de seção devidamente autorizados para embarque de passageiros, a reserva de assentos também deverá estar disponível até o horário definido para o ponto inicial da linha, consoante previsto no § 2o.

§ 4o Após o prazo estipulado no § 2o, caso os assentos reservados não tenham sido objeto de concessão do benefício de que trata este Decreto, as empresas prestadoras dos serviços poderão colocar à venda os bilhetes desses assentos, que, enquanto não comercializados, continuarão disponíveis para o exercício do benefício da gratuidade.

§ 5o No dia marcado para a viagem, o idoso deverá comparecer ao terminal de embarque até trinta minutos antes da hora marcada para o início da viagem, sob pena de perda do benefício.

§ 6o O “Bilhete de Viagem do Idoso” e o bilhete com desconto do valor da passagem são intransferíveis.

Art. 4o Além das vagas previstas no art. 3o, o idoso com renda igual ou inferior a dois salários-mínimos terá direito ao desconto mínimo de cinqüenta por cento do valor da passagem para os demais assentos do veículo, comboio ferroviário ou embarcação do serviço convencional de transporte interestadual de passageiros.

Parágrafo único. Para fazer jus ao desconto previsto no caput deste artigo, o idoso deverá adquirir o bilhete de passagem obedecendo aos seguintes prazos:

I - para viagens com distância até 500 km, com, no máximo, seis horas de antecedência; e

II - para viagens com distância acima de 500 km, com, no máximo, doze horas de antecedência.

Art. 5o O “Bilhete de Viagem do Idoso” será emitido pela empresa prestadora do serviço, em pelo menos duas vias, sendo que uma via será destinada ao passageiro e não poderá ser recolhida pela transportadora.

§ 1o A segunda via do “Bilhete de Viagem do Idoso” deverá ser arquivada, permanecendo em poder da empresa prestadora do serviço nos trezentos e sessenta e cinco dias subseqüentes ao término da viagem.

§ 2o As empresas prestadoras dos serviços de transporte deverão informar à ANTT e à ANTAQ, na periodicidade definida em seus regulamentos, a movimentação de usuários titulares do benefício, por seção e por situação.

Art. 6o No ato da solicitação do “Bilhete de Viagem do Idoso” ou do desconto do valor da passagem, o interessado deverá apresentar documento pessoal que faça prova de sua idade e da renda igual ou inferior a dois salários-mínimos.

§ 1o A prova de idade do idoso far-se-á mediante apresentação do original de qualquer documento pessoal de identidade, com fé pública, que contenha foto.

§ 2o A comprovação de renda será feita mediante a apresentação de um dos seguintes documentos:

I - Carteira de Trabalho e Previdência Social com anotações atualizadas;

II - contracheque de pagamento ou documento expedido pelo empregador;

III - carnê de contribuição para o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS;

IV - extrato de pagamento de benefício ou declaração fornecida pelo INSS ou outro regime de previdência social público ou privado; e

V - documento ou carteira emitida pelas Secretarias Estaduais ou Municipais de Assistência Social ou congêneres.

Art. 7o O idoso está sujeito aos procedimentos de identificação de passageiros ao apresentarem-se para embarque, de acordo com o estabelecido pela ANTT e pela ANTAQ, em suas respectivas esferas de atuação.

Art. 8o O benefício concedido ao idoso assegura os mesmos direitos garantidos aos demais passageiros.

Parágrafo único. Não estão incluídas no benefício as tarifas de pedágio e de utilização dos terminais e as despesas com alimentação.

Art. 9o Disponibilizado o benefício tarifário, a ANTT, a ANTAQ e o concessionário ou permissionário adotarão as providências cabíveis para o atendimento ao disposto no caput do art. 35 da Lei no 9.074, de 7 de julho de 1995.

Parágrafo único. A concessionária ou permissionária deverá apresentar a documentação necessária para a comprovação do impacto do benefício no equilíbrio econômico-financeiro do contrato, observados os termos da legislação aplicável.

Art. 10. Às infrações a este Decreto aplica-se o disposto no art. 78-A e seguintes da Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001.
Art. 11. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 12. Ficam revogados os Decretos nos 5.130, de 7 de julho de 2004, e 5.155, de 23 de julho de 2004.


Brasília, 18 de outubro de 2006; 185o da Independência e 118o da República.


LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Paulo Sergio Oliveira Passos


Este texto não substitui o publicado no DOU de 19.10.2006