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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 23 de outubro de 2006 | Brasil
Lula nega dividir o país
e diz que rico não precisa do Estado
Presidente afirma que tem consciência
do que São Paulo representa na economia | Exposição
de "Lulinha" deixa petista abatido; aliados avaliam que
investigações sobre negociação do dossiê não
ameaçam sua vitória
MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL
Na reta final de campanha, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva negou ontem que, durante o processo
eleitoral, tenha dividido o país entre "ricos e pobres".
Porém, entre elogios ao Estado de São Paulo e afirmações
de que governa e governará para 190 milhões de brasileiros,
o presidente também alegou que "rico não precisa
do Estado brasileiro" e que seus adversários têm
um projeto político "para atender apenas aos interesses
da elite".
"Aí eles inventaram: o Lula
quer dividir o Brasil entre pobres e ricos. Eu não quero dividir
coisa nenhuma. Eu já nasci pobre. (...) Eu não dividi
não. Eles é que dividiram. (...) Se dependesse de mim,
só tinha rico", disse em comício na Cidade Tiradentes,
região da periferia na zona leste de São Paulo.
O presidente estava ligeiramente abatido.
Segundo aliados, Lula ficou bastante irritado com a publicação
da foto do filho, Fábio Silva, na capa da revista "Veja".
O presidente considera que a campanha passou a expor sua família.
Lula evitou a imprensa ontem.
Sobre o caso dossiê, o presidente
e a coordenação de campanha avaliaram, em conversas reservadas,
que o relatório da Polícia Federal não trouxe
revelações capazes de alterar a perspectiva de vitória
no segundo turno. Foram descobertas ligações telefônicas
do ex-ministro José Dirceu e do chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto
Carvalho, a Jorge Lorenzetti, considerado o "mentor" da compra
do dossiê. Lorenzetti integrou a campanha de Lula.
Em comício de aproximadamente
20 minutos, Lula mostrou preocupação em enfatizar que
não trata São Paulo com preconceito, apesar de seus aliados
já terem feito reiteradas críticas à "elite
paulistana", a quem se referiram como golpista. Geraldo Alckmin
(PSDB) teve ampla vantagem sobre Lula em São Paulo, com 54%
a 37% dos votos válidos.
"Tenho consciência do que
São Paulo representa na economia nacional. Tenho consciência
de que o presidente da República precisa governar o Brasil para
190 milhões de habitantes. (...) E tenho clareza (...) que a
gente precisa estar cuidando sempre dos mais necessitados. Porque o
rico não precisa do Estado brasileiro. Quem precisa do Estado
brasileiro é o povo pobre deste país", afirmou.
O petista passou a fazer promessas nos
comícios. Disse que num segundo mandato vai criar 300 mil vagas
nos ProUni (bolsas para universitários carentes). Prometeu criar
postos da Caixa Econômica Federal em todos os Estados do país
para atender os prefeitos e garantiu que "nenhuma empresa será privatizada
no país".
Pobres e banqueiros
Segundo Lula, "a verdade nua e
crua é que no programa político da elite (...) o pobre
não está incluído". "Pobre só tem
importância em época eleitoral. Em época eleitoral,
pobre vale mais do que banqueiro."
O tom messiânico é mantido
nos comícios. Para Lula, "foi Deus que garantiu o segundo
turno", o que permitiu uma comparação para "o
povo entender" a diferença entre os dois projetos. "De
um lado, o projeto que só tem como interesse atender a elite.
De outro lado, o projeto que quer governar para todos, mas sabe que
quem merece atenção especial é o povo pobre",
afirmou.
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo
(PC do B-SP), também fez um rápido discurso antes do
comício de Lula. Afirmou que Alckmin parece "personagem
da propaganda daquele Itaú Personalité". "O
público dele é do torneio de tênis na Costa do
Sauípe", ironizou.
Em seguida, Lula concordou com o aliado: "Esse é um
país de todos. Não é o país de jogadores
de tênis apenas".
Ao final do comício, Lula disse
que os adversários deveriam "rezar" para que ele vença
a eleição, porque ele deixaria "o Brasil muito melhor".
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 23 de outubro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES / PRESIDÊNCIA
Alckmin diz que, se perder, não
será conivente com impunidade
Declaração destoa da adotada
por parte da oposição que prega diálogo em
eventual governo Lula | Em entrevista ao programa "Roda Viva",
da TV Cultura, tucano diz que corrupção na atual
gestão é comandada a partir de dentro do Planalto
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
O candidato do PSDB a presidente, Geraldo
Alckmin, deu ontem, pela primeira vez, sinais de que seu partido, caso
ele seja derrotado domingo que vem, não abandonará o tom áspero
das cobranças de esclarecimentos no caso do dossiê feitas
até agora por sua campanha.
No programa "Roda Viva" (TV
Cultura), questionado sobre um suposto "terceiro turno" das
eleições se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) vencer, Alckmin respondeu: "O que o PT não pode exigir
da oposição é impunidade. Querer que a oposição
seja conivente com a impunidade não pode".
A declaração contraria os
interesses dos coordenadores da campanha de Lula neste segundo turno
e também de parte da oposição. Ambos pregam um "diálogo" ou
uma "concertação" pela governabilidade caso o
presidente seja reeleito, o que implicaria um abrandamento dos ânimos
no caso das investigações quanto à origem do dinheiro
que seria utilizado por ex-petistas na compra de um dossiê contra
tucanos.
Após a gravação do
programa, Alckmin evitou comentar uma possível vitória
de Lula, mas disse que "quem ganha governa, quem perde fiscaliza".
Segundo ele, se vencer a eleição domingo, o PSDB não
contará com a ajuda do PT, pedirá apenas uma "oposição
madura".
Planalto
Na entrevista ao "Roda Viva",
gravada durante a tarde e que foi ao ar excepcionalmente na noite de
ontem, em razão do debate de hoje na TV Record, o tucano acusou
o Palácio do Planalto de comandar a corrupção no
país. O chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, é o
mais recente personagem do escândalo do dossiê.
"É um governo em que a corrupção
acontece comandada dentro do Palácio do Planalto e ninguém
[na Presidência] vê. Nem a velhinha de Taubaté acredita
nisso", afirmou.
O tucano também incluiu em sua
pauta de campanha a investigação do Tribunal de Contas
da União e do Ministério Público, revelada pela
revista "Veja", que aponta superfaturamento em obras federais
no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
"O que a gente sabe [sobre os escândalos] é a
ponta de um iceberg. Veja agora o escândalo dos aeroportos, o finger
de R$ 700 mil foi de 2 milhões", disse.
Em seguida, ele comentou uma entrevista
de Lula na qual o presidente teria dito que o governo foi "grosseiro" com
o caseiro Francenildo Costa, que teve seu sigilo bancário violado
no escândalo que culminou com a demissão do ex-ministro
da Fazenda Antonio Palocci.
"Crime virou grosseria, olha o nível
de tolerância que o governo está chegando."
Alckmin foi pouco questionado sobre casos
de corrupção e desvios éticos envolvendo o PSDB.
Em um desses momentos, ele saiu em defesa de sua filha, Sofia, que trabalhou
na butique de luxo Daslu, acusada de sonegação fiscal.
Sofia foi até a Secretaria de Estado
dos Negócios da Fazenda tratar de questões do interesse
da loja. "Ela não pediu [nada], ela era empregada da loja,
não era sócia. Foi publicamente até uma repartição
pública", disse o tucano.
Segundo ele, o tema não o incomoda. "Não
tenho nenhum problema de abordar questões de família, sou
republicano."
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 23 de outubro de 2006 | Brasil
Presidente estuda "flexibilizar" gastos
sociais
Resposta de Lula à Folha indica
que governo federal não descarta reduzir vinculações
de gastos para educação e saúde | Ministro
Paulo Bernardo já defendeu ampliação da DRU
para até 30%, o que traria a redução dos gastos
sociais; FMI defende a flexibilização
FABIANE LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), que colou em seu adversário Geraldo Alckmin (PSDB)
os riscos dos cortes em áreas sociais e da privatização,
não descarta dar fim às vinculações de receitas à Saúde
e Educação para dar maior flexibilidade ao Orçamento.
Questionado pela seção "Candidatos
em 20 pontos" da Folha sobre a manutenção das vinculações
em Saúde e Educação, Lula afirmou, logo após
o primeiro turno: "A mudança nos dispositivos constitucionais
não é uma prioridade, mas isto pode ser discutido dentro
de um programa de melhora da qualidade do gasto primário, desde
que se garanta um crescimento real mínimo destes gastos por habitante".
devido aos sucessivos descumprimentos
das regras das vinculações. A União é obrigada
a gastar 18% da receita de impostos em Educação, e Estados
e municípios, 25%. Na Saúde, o Orçamento da União
está atrelado ao crescimento do PIB, e Estados e municípios
devem aplicar, 12% e 15% da receita de impostos, respectivamente.
Hoje os dois setores já perdem
com a DRU (Desvinculação das Receitas da União),
que permite ao governo federal liberdade para gasto de 20% da arrecadação
de impostos. Só a Educação tem prejuízo anual
estimado de mais de R$ 4 bilhões com o artifício, criado
no governo Fernando Henrique Cardoso com outro nome.
No caso da Saúde há o problema
da falta de regulamentação da vinculação,
que leva a manobras como a inclusão de gastos sociais e outros
programas na conta do setor. Lula, no último ano, incluiu o Bolsa
Alimentação e o Farmácia Popular como gasto em saúde.
"Ele cogita a possibilidade de desvincular.
Qual seria o mecanismo para obrigar a gastar, seria pela vontade [do
próprio governo]?, questionou Áquilas Mendes, vice-presidente
da Associação Brasileira de Economia da Saúde e
membro da comissão de financiamento do Conselho Nacional de Saúde, órgão
de controle social do Ministério da Saúde.
"A história do financiamento
da saúde sempre foi de gangorra. Isso mostra que o governo Lula
não reconhece o papel do Estado em um compromisso financeiro com
essas áreas. Hoje temos R$ 40 bilhões, quando, se mantido
o que aprovamos na Constituição de 88, seriam R$ 70 bilhões",
declarou.
Com a fala, Lula ressuscita argumentos
de seu ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que defendia um novo
modelo de gasto social, baseado no aumento da despesa total, no lugar
das vinculações. E também sinaliza para o FMI, que
cobrou a flexibilização do Orçamento.
O ministro do Planejamento de Lula, Paulo
Bernardo, defendeu no início do mês a ampliação
da DRU, gradativamente, para 25% ou até 30%. Dias depois, em cerimônia
do Dia dos Professores com a presença de Lula, a presidente da
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação,
Juçara Dutra Vieira, reclamou da posição de Bernardo. "Alertamos
que a educação só será prioridade se não
nos subordinarem às políticas fiscais", disse a presidente
da CNTE, entidade ligada à CUT, que apóia Lula: "Não
entendemos [a fala de Lula] como ameaça, mas como possibilidade.
E para essa possibilidade não há acordo". A campanha
do PT alegou que "as frases às vezes são colocadas
de maneira que não se dá expressão total" e
que "essa discussão [sobre desvinculação] não
existe dentro da campanha e nem mesmo dentro do governo".
A assessoria destacou que "em 2005
o governo aplicou R$ 41,8 bilhões na saúde", contra "R$
35,8 bilhões em 2003".
Alckmin
Alckmin, em resposta ao questionamento
sobre a manutenção da vinculação, disse que
não mexerá nas regras e que vai regulamentar a vinculação
da Saúde. O ex-governador, no entanto, teve uma queda de braço
no ano passado com as universidade estaduais paulistas: vetou emenda à Lei
de Diretrizes Orçamentárias que garantiria 10% do ICMS
do Estado às entidades de ensino. "Ficaram os 9,57%",
diz o presidente da Adusp, César Minto.
As entidades cobram que a vinculação
ao ICMS vire lei e não dependa dos orçamentos de cada governador.
Além disso, reclamam de isenções do imposto concedidas
nos últimos anos. "Mais do que o discurso [de Lula], no caso
de Alckmin temos elementos concretos para avaliá-lo", afirma
José Marcelino Pinto, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências
e Letras da USP de Ribeirão Preto.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 22 de outubro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006 / CÂMARA
Um terço da nova Câmara é de
milionários
Levantamento da Folha mostra que 165 dos
deputados eleitos neste mês declararam patrimônio superior
a R$ 1 milhão |Cientista político diz que número
de ricos pode ser maior porque nem todos listam bens patrimoniais
de forma completa
THIAGO REIS
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DA AGÊNCIA FOLHA Um em cada três
deputados federais eleitos é milionário. Levantamento feito
pela Folha mostra que, dos 513 parlamentares que assumem o cargo em 2007,
165 declararam ter patrimônio superior a R$ 1 milhão.
São 49 milionários eleitos
a mais do que em 2002 (quando foram eleitos 116 milionários).
Dos 165 deputados com mais de R$ 1 milhão, 74 são novatos
e 91 estão na atual legislatura.
O patrimônio médio do parlamentar
eleito também aumentou: foi de R$ 2,2 milhões para R$ 2,5
milhões. No total, os 513 parlamentares têm juntos R$ 1,2
bilhão -R$ 128 milhões a mais que os eleitos para a Câmara
há quatro anos.
Levando em conta o rendimento médio
mensal do brasileiro (R$ 527, de acordo com o IBGE), seria preciso trabalhar
mais de 392 anos para acumular R$ 2,5 milhões.
Camilo Cola (PMDB-ES), 83, dono da viação
Itapemirim, é disparado o mais rico dos deputados, com um patrimônio
declarado de R$ 259 milhões. O segundo é Odílio
Balbinotti (PMDB-PR), que declarou ter R$ 123 milhões.
Para o cientista político Fernando
Abrucio, da FGV-SP, é impossível saber se as declarações
são realmente compatíveis com a realidade.
Apesar dos números, segundo ele,
muitos podem ter declarado menos do que têm. "No Brasil, não
pega bem ser rico. É um país com alto índice de
desigualdade. As pessoas não querem se declarar ricas. Mas não
acho que seja algo singular dos políticos."
A bancada que terá o maior número
de milionários é a do PFL: 38. Depois, vem o PMDB, com
37. O PSDB terá 21. As três legendas têm também
o maior patrimônio declarado -total e médio. O PT terá seis
milionários e é, pela média, o 16º partido
em patrimônio.
Apesar do aumento do patrimônio
dos deputados, Abrucio acredita que a minirreforma eleitoral -que proibiu
showmícios e outdoors- coibiu o abuso econômico e diminuiu
a influência do dinheiro nestas eleições. "O
que favoreceu mais foi ser conhecido pelo grande público e ter
forte base social."
Devido à crise ética gerada
pelo escândalo do mensalão e pela máfia dos sanguessugas,
o cientista político coloca em dúvida o aumento de milionários. "Talvez
haja mais gente [que já tinha mais de R$ 1 milhão] declarando
suas contas agora."
A maior parte dos deputados federais milionários é do
Sudeste (62). São Paulo está em primeiro na lista, com
29. Minas Gerais vem logo atrás, com 25. O Rio tem seis e Espírito
Santo, dois.
O Amapá é o único
Estado que não possui nenhum deputado com mais de R$ 1 milhão
em patrimônio declarado.
Sem patrimônio
Dos 513 deputados eleitos, sete declararam
não ter nenhum bem. À Folha, quatro desses deputados justificaram
o patrimônio nulo dizendo que são seus parentes quem detêm
os bens. Só três dizem não ter nenhum bem em seus
nomes.
A deputada eleita Iris Machado (PMDB-GO),
63, não é titular de nenhum bem, mas o marido -o prefeito
de Goiânia (GO), Iris Rezende (PMDB),- tem R$ 6,3 milhões.
O casamento dos dois políticos é baseado no regime de comunhão
de bens.
É o caso também do deputado
cearense Raimundo Gomes de Matos (PSDB), 55, que diz que seus bens estão
todos no nome da mulher. "Foi uma decisão de foro íntimo",
afirma. Os bens da mulher, segundo ele, estão avaliados em cerca
de R$ 500 mil.
Já Fernando Bezerra Coelho Filho
(PSB-PE), 22, diz que ainda mora na casa do pai, o atual prefeito de
Petrolina, Fernando Bezerra Coelho (PSB). Por isso, afirma ser dependente
dele. "Esse é meu primeiro emprego. O carro que dirijo, por
exemplo, é do meu pai", disse o parlamentar.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 22 de outubro de 2006 | Dinheiro
Governo conta com PIB contra rombo
no INSS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo conta com uma melhora momentânea
na situação econômica e com medidas de gestão
para justificar o adiamento de um problema que só cresce: o déficit
da Previdência. O discurso oficial é que não será preciso
iniciar a reforma no próximo governo, mas especialistas avaliam
como imperativa a necessidade de começar a mudar as regras o quanto
antes. Caso contrário, o governo só estará adiando
o problema para outras gestões.
Para defender seus argumentos, o governo
mostra números que supostamente lhe dão mais tranqüilidade
no curto prazo. Em 1998, havia 1,99 pessoa contribuindo para cada uma
que recebia aposentadorias ou pensões da Previdência. Em
2004, o índice subiu para 2,33.
O alívio para a administração
do explosivo déficit, que soma R$ 34,185 bilhões neste
ano até setembro (34,4% a mais do que no mesmo período
de 2005), no entanto, é considerado algo momentâneo pelos
especialistas e uma oportunidade para realizar as mudanças necessárias.
E o motivo é simples. Para os críticos,
há um problema estrutural e uma tendência: o envelhecimento
da população inverterá a relação entre
o total de contribuintes e o de beneficiados. Por isso, é preciso
ter um sistema que não dependa da conjuntura econômica e
esteja preparado para o desafio do amadurecimento da população.
Nesse momento, as pessoas que estão
contribuindo agora para o sistema vão sair do mercado e não
serão substituídas na mesma proporção por
novos contribuintes. Essa é a tendência mundial.
Para o economista Guilherme Loureiro,
da consultoria Tendências, mesmo com a perspectiva do governo de
ligeira melhora no curto prazo das contas da Previdência, não
fazer uma reforma no próximo governo é empurrar o problema
para daqui a, no máximo, nove anos. Segundo ele, o aumento do
déficit da Previdência conseguirá ser compensado
na contabilidade do setor público como um todo com aumento de
arrecadação e cortes de outras despesas até 2015.
A partir daí, diz, a situação ficará insustentável.
"A dinâmica de longo prazo
da Previdência é determinada pelo crescimento da população
idosa, que vem subindo mais do que o número de contribuintes",
diz. "O crescimento da relação contribuintes e beneficiários,
hoje, é atípico e está influenciado por uma conjuntura
favorável de redução do desemprego", completa.
Elevar a arrecadação
O discurso do governo, porém, não
tem o mesmo sentido de urgência e o foco não está na
estruturação do modelo previdenciário no país,
mas em formas de elevar a arrecadação. "Há um
movimento de formalização do mercado de trabalho que ajuda
na busca do equilíbrio. O déficit está subindo,
mas lentamente", afirma o secretário de Previdência,
Helmut Schwarzer.
"Podemos melhorar na gestão
de benefício, na arrecadação e na desoneração
da folha de pagamento", diz, em referência a mudanças
que viriam numa reforma tributária, que reduziria os custos
das empresas e contribuiria para acelerar a formalização
de vagas no mercado de trabalho, aumentando o número de contribuintes
para a Previdência.
(SHEILA D'AMORIM e CLÁUDIA DIANNI) /
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REVISTA ISTO É, 23
de outubro de 2006
O poder do presidente
País está maduro e, qualquer
que seja o eleito,terá que promover reformas e investir em
infra-estrutura para pôr o Brasil na rota do crescimento
Por Hugo Studart e Rudolfo Lago
O Brasil está a poucos dias de
fazer uma escolha crucial para o seu futuro. Depois de uma longa ditadura
militar, do trauma de ter o primeiro presidente eleito após 28
anos de arbítrio apeado do poder por um processo de impeachment,
de sobreviver à hiperinflação e de viver a experiência
de ser governado por um trabalhador, o País está maduro
o suficiente para escolher seu caminho de desenvolvimento. No domingo
29, ao apertar a tecla “confirma” das urnas eletrônicas,
os 126 milhões de eleitores estarão dizendo quem será o
timoneiro eleito para fazer o Brasil entrar definitivamente na nova rota,
assegurando distribuição de renda, empregos, ajuste fiscal
e reformas políticas indispensáveis. Caberá necessariamente
ao futuro presidente, seja ele quem for, reduzir o tamanho do Estado,
controlar as despesas públicas com mão de ferro e assim
se livrar dos vícios de administrações ineficientes,
perdulárias e eternizadoras de privilégios. O futuro exige
um Estado moderno, ágil, com capacidade de investimento em infra-estrutura
e alta competitividade. Ingredientes fundamentais para a receita de um
crescimento consistente. E, embora o presidencialismo brasileiro assegure
muitos poderes ao presidente da República, não são
poucos os desafios impostos àquele que será escolhido.
Se há um consenso nos discursos
de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Geraldo Alckmin (PSDB)
ele está na conclusão de que o principal desafio do próximo
governante será eliminar os gargalos provocados pela estrutura
precária das estradas, portos, aeroportos, hidrelétricas,
etc., do País. Apenas na área da agricultura, estima-se
que os gargalos de infra-estrutura aumentam em cerca de 30% o preço
final de cada produto. O problema é que o tamanho da demanda por
obras de infra-estrutura é tão grande que não há dinheiro
para fazer tudo. De acordo com levantamento feito pelo Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social, para eliminar todos os gargalos,
seria necessário fazer-se 100 grandes obras que custariam R$ 400
bilhões. Extrapola em muito o que há de recursos para investimentos.
O Ministério do Planejamento estima que há 19 obras de
emergência, que precisam começar agora. Mas mesmo para elas
não há dinheiro suficiente: elas custariam R$ 40 bilhões.
Apenas para recuperar os 84,4 mil quilômetros de rodovias – 75%
delas estão em estado deficiente – seriam necessários
R$ 20 bilhões, segundo a Confederação Nacional de
Transportes (CNT).
No Brasil, presidencialista por opção
dos brasileiros, o presidente da República tem poderes que extrapolam
o próprio presidencialismo. Ele pode, por exemplo, trabalhar com
Medidas Provisórias (MPs), atributo que permite ao chefe do Executivo
fazer as vezes do Legislativo. Com elas, o presidente impõe regras
de vigência temporária para toda a sociedade e cria um forte
constrangimento para o Legislativo. As MPs passam a valer a partir do
momento em que são editadas e, para rejeitá-las, teria
que ser revisto tudo o que aconteceu no País durante suas vigências.
Usar esse artifício tem sido uma constante no presidencialismo
brasileiro. Foi dessa maneira que Fernando Collor de Mello confiscou
a poupança de todos. Durante seus oito anos de mandato, o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso editou 263 Medidas Provisórias. O presidente
Lula, por sua vez, nos últimos três anos assinou 186 MPs.
E isso não vai mudar. Tanto Lula como Alckmin em nenhum momento
da campanha discutiram a possibilidade de restringir o uso das Medidas
Provisórias.
Outra particularidade do poder do presidente
do Brasil está na liberdade de gastar o dinheiro do Orçamento.
Nos Estados Unidos e na maior parte dos países presidencialistas,
o Orçamento é impositivo. Significa que a lei orçamentária
aprovada por deputados e senadores precisa ser executada integralmente.
No Brasil é diferente. O Orçamento é apenas autorizativo.
Determina um limite de gastos, mas o presidente gasta o quanto quiser.
Há algumas vinculações e fundos específicos,
mas mesmo nesses casos o presidente tem possibilidade de manobras. O
fato de poder gastar mais ou menos dá ao governante um imenso
poder de barganha. É por isso que desde a redemocratização
todos os presidentes trocaram apoio no Congresso pela aprovação
de emendas ao Orçamento. Neste ano, no total, o Orçamento
foi de R$ 1,6 trilhão, dos quais apenas R$ 24,4 bilhões
para investimentos, ou seja, para novos programas e obras. “Temos
no Brasil um presidencialismo extremamente forte, no qual o presidente
alia instrumentos comuns dos sistemas presidencialistas a outros mais
típicos do parlamentarismo, com um grande poder de alterar o Orçamento
ao seu bel-prazer e com uma estrutura de Estado bastante centralizada,
que gera uma relação de dependência muito grande
dos Estados e municípios”, avalia o cientista político
Cristiano Noronha, da empresa de consultoria Arko Advice. “O presidente
brasileiro pode muito”, conclui Noronha.
Dito assim, pode parecer que depende apenas
de uma canetada do presidente, de um ato de vontade, resolver todos os
graves problemas de infra-estrutura do País. “O presidente
brasileiro pode, de fato, ter prerrogativas grandes, mas vivemos numa
democracia e por isso são grandes os seus limites e os instrumentos
de controle que existem para evitar que se extrapole esse poder”,
alerta o diretor de documentação e analista do Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto
de Queiroz. Segundo ele, uma grande amarra do presidente está no
fato de o País viver o que se chama de “democracia de coalizão”:
como nenhum partido é capaz de exercer o poder sozinho, é preciso
negociar com o Congresso para aprovar emendas e projetos de lei. “Há uma
agenda legislativa para os próximos anos que inclui reforma política,
com a extinção da reeleição, reforma tributária,
ajustes importantes na Previdência, que não poderá ser
aprovada sem uma profunda negociação entre quem estiver
no governo e quem estiver na oposição. E o clima que resultará da
eleição está longe de ser de conversa e negociação.
Será preciso habilidade e inteligência”, comenta o
analista do Diap. Ou seja: o poder é grande, mas, se não
for bem exercido, pode comprometer o futuro de crescimento e desenvolvimento.
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REVISTA ISTO É, 23
de outubro de 2006
Eleições
A economia de cada um
Lula e Alckmin têm muitas coisas em comum
na condução econômica, menos uma: o tamanho da tesoura
nos gastos públicos
Por Milton Gamez
Colaborou Hugo Studart
O Brasil precisa de um ajuste fiscal.
Se você tem menos de 30 anos e não se interessa por economia,
as chances de continuar a ler uma reportagem que começa com esta
frase são mínimas. Tudo bem, a discussão sobre as
contas públicas não é muito empolgante para a maioria
das pessoas, especialmente na ausência de líderes capazes
de despertar um País inteiro para o tema usando apenas três
palavras, como fez o presidente eleito Tancredo Neves, em 1984: “É proibido
gastar.” Mas, antes de virar a página e conferir nesta edição
especial de ISTOÉ o que aconteceu no País nas últimas
três décadas, prepare-se para voltar aqui de novo. Será um
alívio refletir sobre o tipo de problema econômico que domina
o atual debate eleitoral.
Hoje, já não se fala em
inflação galopante, congelamento de preços, tablita,
confisco da poupança, moratória da dívida, ciranda
financeira e disparada do dólar – temas que incomodaram
milhões de brasileiros nos anos 80 e 90 do século passado.
O País evoluiu e, na falta de curandeirismo e planos mirabolantes,
os eleitores vão ter de escolher entre as propostas pouco emocionantes
do petista Luiz Inácio Lula da Silva e do tucano Geraldo Alckmin
para manter a estabilidade e acelerar o crescimento da economia nos próximos
quatro anos. Um pouco mais do mesmo, talvez? Melhor assim.
Tanto Lula como Alckmin prometem manter
os três pilares da política econômica, herdados do
governo de Fernando Henrique Cardoso: câmbio flutuante, sistema
de metas de inflação e austeridade fiscal. Ambos concordam
que o Brasil precisa crescer mais e que é possível fazer
isso sem ameaçar as conquistas dos últimos anos, sobretudo
a baixa inflação (a previsão é de 3% a 4%
este ano), que impede a corrosão dos salários. Os dois
desejam taxas de juros menores e um real mais competitivo. Gerar mais
empregos e investimentos é senso comum. Melhorar a infra-estrutura
e ampliar a geração de energia, idem. Aumentar a competitividade
das empresas nacionais e a inserção do País no comércio
internacional, ibidem. Então, quais serão as principais
diferenças econômicas entre um governo de Lula, em segundo
mandato, e o do estreante Alckmin? A resposta pode estar no ajuste fiscal.
Seu tamanho e a forma como ocorrer poderão determinar o andamento
de todas as demais questões aqui mencionadas.

Aos fatos. Este ano, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 3,5%. É pouco
para um país como o Brasil, que está bem atrás dos índices
atingidos por economias emergentes e relevantes na arena internacional, como
China e Índia. Em seu programa de governo, Lula fala em acelerar o desenvolvimento,
mas não promete taxas de crescimento específicas. Alckmin diz
que “é perfeitamente possível crescer de 5% a 6% ao ano
sem comprometer a estabilidade doméstica”, mas também não
se arrisca a definir metas. O presidente e o ex-governador de São Paulo
aceitam a premissa de que gastos públicos excessivos e sem receitas
apropriadas são inibidores do crescimento no longo prazo: para financiar
as despesas com a máquina pública e a dívida mobiliária,
o Estado suga os recursos do setor privado, praticando juros altos em seus
títulos, elevando a carga tributária a níveis insuportáveis
e alimentando um círculo econômico vicioso. “O governo não
pode gastar mais do que arrecada”, preconiza Alckmin.
Hoje, o déficit nominal da União
(inclui despesas com juros) é da ordem de 2,6% do PIB. Somente
com os salários e as aposentadorias do funcionalismo, o governo
gasta R$ 100 bilhões por ano, 12 vezes o gasto do Bolsa Família.
Os gastos com os servidores inativos somam R$ 42,5 bilhões, cifra
equivalente ao déficit da Previdência Social. Em proporção
ao PIB, as despesas federais crescem sem parar desde 1999 e chegaram
a 22,7% do PIB em agosto. Alckmin não dá os detalhes de
como pretende lidar com o desafio de diminuir as despesas do governo
e promete um “choque de gestão” que dê conta
do recado. Nessa área, seu guru é Yoshiaki Nakano, ex-secretário
do governo paulista, que fez o ajuste fiscal na gestão Mário
Covas. Mas bastou Nakano acenar com um corte de gastos da ordem de 3,4%
do PIB (R$ 66 bilhões) para a campanha eleitoral esquentar e Alckmin
desautorizá-lo publicamente. “Não vai cortar. Isto
não consta do meu programa. No meu governo, só falo eu”,
esbravejou.

O programa econômico do tucano fala
em estabelecer metas fiscais claras. O objetivo é “criar
condições para zerar o déficit nominal com corte
de despesas correntes dos governos, incluindo juros, da ordem de 4,4%
do PIB no decorrer do próximo mandato”. Como a despesa de
juros é muito elevada – a meta de economia para o pagamento
do serviço da dívida pública (superávit primário)
tem sido de 4,25% do PIB – e a taxa básica está em
queda lenta, uma boa soma virá dessa conta. Os demais cortes terão
de sair do custeio do governo. Para isso, Alckmin definiu três
diretrizes: evitar desperdícios, eliminando a sobreposição
de projetos e despesas; introduzir princípios de racionalidade
e eficiência na utilização de recursos e cobrança
de resultados; e seguir princípios éticos de gestão.
O candidato da situação
descarta o corte abrupto de despesas. Lula imagina que o peso da máquina
do Estado irá diminuir naturalmente, em conseqüência
dos avanços econômicos obtidos nos últimos anos. “O
importante é que a inflação está sob controle,
a taxa de juros caindo e o crescimento do PIB acelerando”, afirmou
o presidente em entrevista a ISTOÉ Dinheiro. “A conjunção
de fatores favoráveis facilitará a redução
do gasto público em relação ao PIB, sem arrocho
fiscal.” Se for mantido num segundo mandato, seu timoneiro na
Fazenda, o ministro Guido Mantega, promete novas medidas microeconômicas
para estimular o desenvolvimento, na linha dos mini-pacotes editados
recentemente. Adotando, por exemplo, redução de IPI para
automóveis. Mas nada de grandes surpresas ou guinadas drásticas – de
estripulias econômicas, o Brasil está cheio.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23 de
outubro de 2006 | Economia
AMÉRICA LATINA
Dívida maior que 50%
do PIB
Nove dos 19 países da América Latina têm uma dívida
pública correspondente a mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB)
e apenas 25% obtém superávit primário global – saldo
positivo entre receita e despesas, descontados os juros e a correção
monetária. Os países têm aproveitado as condições
favoráveis para aplicar políticas de gestão de passivos,
como resgate de bônus externos (na Argentina, Brasil, México,
Panamá e Peru), troca da dívida interna por externa (Argentina,
Colômbia e Peru), recompra de bônus específicos da dívida
externa dos emergentes (Brasil e Venezuela) e emissão da dívida
externa em moeda local (Brasil e Colômbia).
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
22 de outubro de 2006
TST e a anuência prévia
no dissídio coletivo de trabalho
Edésio Passos
O Tribunal Superior do Trabalho decidiu
sobre a questão da anuência prévia no dissídio
coletivo de trabalho, interpretando a norma do parágrafo 2.º do
artigo 114 da Constituição Federal, nos termos da Emenda
Constitucional n.º 45/2004. A matéria ainda comporta novos
julgamentos, em especial diante das ações diretas de inconstitucionalidade
apresentadas no Supremo Tribunal Federal pelas Confederações
Nacionais de Trabalhadores. Eis o acórdão do processo TST-DC
165049/2005-000-00-00, publicado no Diário da Justiça da
União de 29.09.2006.
Ementa: “DISSÍDIO COLETIVO.
PARÁGRAFO 2.º DO ART. 114 DA CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA. EXIGIBILIDADE DA ANUÊNCIA PRÉVIA. Não
demonstrado o comum acordo, exigido para o ajuizamento do Dissídio
Coletivo, consoante a diretriz constitucional, evidencia-se a inviabilidade
do exame do mérito da questão controvertida, por ausência
de condição da ação, devendo-se extinguir
o processo, sem resolução do mérito, à luz
do art. 267, inciso VI, do CPC.Preliminar que se acolhe.Vistos, relatados
e discutidos estes autos de Dissídio Coletivo n.º TST-DC-165049/2005-000-00-00.4,
em que figuram como Suscitante SINDICATO NACIONAL DOS AERONAUTAS, e como
Suscitada VARIG LOGÍSTICA S/A”.
Inicial: “Na inicial, sustentou
o Autor a inconstitucionalidade da exigência configurada na expressão
comum acordo, inserida no parágrafo 2.º do art. 114 da Constituição
da Constituição da República, pela Emenda Constitucional
n.º 45/2004. Não obstante, considerou preenchido o requisito,
porquanto encaminhada à empresa correspondência requerendo
manifestação expressa sobre as negociações
coletivas intentadas, informando-a de que a ausência de resposta
seria considerada anuência tácita para a propositura da
ação coletiva (fl. 05). O Suscitante informou a existência
de Acordo Coletivo de Trabalho a vigorar até 30.11.2005. Consoante
os fundamentos apresentados, pretendeu a prorrogação dos
seus efeitos, mediante a concessão de medida liminar para evitar
o dano iminente, resguardando a integridade do direito líquido
e certo com a extensão dos efeitos do acordo coletivo de trabalho...
até o julgamento desse dissídio ou a celebração
de novo acordo coletivo de trabalho ou ainda alternativa e sucessivamente
seja determinada a prorrogação dos efeitos do acordo revisando
até a audiência de conciliação a ser realizada
nesse Colendo Tribunal (fls. 04-14). Pelo despacho de fls. 155-156, foi
indeferido o pedido de liminar”.
Conciliação e parecer: “À Audiência
de Conciliação e Instrução, realizada em
20.03.2006 (fl. 194), a empresa Suscitada não compareceu, encerrando-se
a instrução. Pela petição, à fl. 197,
a empresa Suscitada declarou oposição ao ajuizamento do
Dissídio Coletivo e argüiu preliminar de extinção
do processo sem julgamento do mérito, por ausência do requisito
previsto no art. 114 da Constituição da República.
A Procuradoria Geral do Trabalho, no Parecer, às fls. 212-219,
opina pela extinção do processo sem julgamento do mérito,
ou, superada a preliminar, pelo acolhimento parcial das reivindicações. É o
relatório”. VOTO.
“1 - CONHECIMENTO: A profunda reformulação
operada pela Emenda Constitucional n.º 45/2004, no texto do art.
114 da Constituição da República, deixou incólume
o parágrafo 1.º, o qual declara a possibilidade de submeter-se à arbitragem
as pendências verificadas nas negociações coletivas
de trabalho. No âmbito de interesse do Dissídio Coletivo,
cabe realçar-se a alteração introduzida no parágrafo
2.º do mencionado dispositivo constitucional, que passou a apresentar
a seguinte redação, verbis: Recusando-se qualquer das partes à negociação
coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas,
de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica,
podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas
as disposições mínimas legais de proteção
do trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. O parágrafo
em questão, em sua redação anterior, dispunha, verbis:
Recusando-se qualquer das partes à negociação ou à arbitragem, é facultado
aos respectivos sindicatos ajuizar dissídio coletivo, podendo
a Justiça do Trabalho estabelecer normas e condições
respeitadas as disposições convencionais e legais mínimas
de proteção ao trabalho.
Para esboçar-se breve apreciação
sobre o tema, não se dispõe de fundamentação
sedimentada em entendimento jurisprudencial desta Corte, pelo que valho-me
de manifestações doutrinárias. O eminente Ministro
José Luciano de Castilho Pereira, em lúcida abordagem sobre
a atual redação do art. 114 da Constituição,
defende a tese de que a expressão de comum acordo não deve
significar, necessariamente, petição conjunta. Sustenta
que o acordo, considerado no dispositivo, não precisa ser prévio,
podendo revelar-se, sob a forma expressa ou tácita, ante o teor
da resposta do Suscitado, ou da sua ausência, face ao pedido formulado
na inicial. Entende o ilustre Magistrado que, não configurado
o acordo prévio, ou na ausência de manifestação
expressa da parte contrária, junto à inicial, a petição
não deve ser indeferida de plano, podendo-se mandar citar o suscitado
e apenas na hipótese de recusa formal ao dissídio coletivo
a inicial será indeferida (A Reforma do Poder Judiciário,
o Dissídio Coletivo e o Direito de Greve, in Revista do Tribunal
Superior do Trabalho, vol. 71, n.º 1, págs. 31-40). Argumenta
o ilustre Magistrado que, em prevalecendo na jurisprudência o entendimento
contrário quanto à inviabilidade do ajuizamento do dissídio
coletivo, no caso de ausência de manifestação da
parte contrária a instruir a inicial - estar-se-ia fixando a eclosão
da greve como caminho único para a obtenção de pronunciamento
jurisdicional sobre qualquer matéria controvertida decorrente
do impasse nas negociações coletivas; e acrescenta que
essa tendência se revelaria apenas entre os trabalhadores representados
por sindicatos fortes, aptos a promover o movimento grevista, porquanto
em relação àqueles representados por sindicatos
de menor poder de atuação não haveria qualquer solução
viável. Em contraste com o entendimento acima sumariado, cabe
realçar a corrente doutrinária esposada pelo ilustre professor
Amauri Mascaro Nascimento, consoante o texto que transcrevo parcialmente,
a seguir, verbis: A inovação está no ajuizamento
bilateral, de comum acordo, por pedido conjunto das partes para o Tribunal
do Trabalho, submetendo as questões controvertidas para serem
julgadas sob a forma não de laudo arbitral, mas de sentença
normativa.
Tem havido uma reação de
alguns sindicatos contra a bilateralidade do impulso processual, e em
alguns casos, com algum tipo de ressonância nos Tribunais, que
já admitiram que o mútuo consentimento existiu se na mesa
redonda da DRT a empresa não impugnou as pretensões ou
se não o fez durante o procedimento de negociação
coletiva, o que vem levando as empresas a reagir, também, de forma
veemente, em prejuízo da facilitação da negociação
coletiva, o que desrecomenda a interpretação ampliativa
que visa a superar o requisito constitucional do mútuo consentimento
que é uma condição da ação, ainda
que se alegar, contra o mesmo, o princípio da inafastabilidade
da jurisdição que não fica afastada, apenas condicionada
ao cumprimento de uma exigência, como tantas outras da legislação
processual (A Reforma do Poder Judiciário e o Direito Coletivo
do Trabalho, in Revista do Tribunal Superior do Trabalho, vol. 71, n.º 1,
págs. 190-197).
Considero que o acordo prévio entre
as partes para o ajuizamento do dissídio não se configura
como típica condição da ação. Caso
típico próximo, é o da exigência, fixada na
Consolidação das Leis do Trabalho, e consagrada na Constituição
vigente, de esgotamento prévio das negociações bilaterais,
para que se ajuíze o dissídio coletivo. A parte autora
sempre poderá demonstrar o impasse nas negociações
coletivas e ingressar em Juízo sponte sua, ainda que se depare
com a absoluta ausência de interesse da parte adversa.
Em outra vertente, tem-se considerado
a semelhança entre a nova postura ensejada pelo parágrafo
2.º do art. 114 da Constituição e dispositivos tidos
como restritivos do acesso direto à tutela jurisdicional. Caso
típico é o da submissão da demanda de natureza trabalhista à Comissão
de Conciliação Prévia, instituída pela Lei
n.º 9.958/2000. Todavia, ainda nesse âmbito, o impasse na
tentativa conciliatória sempre poderá ensejar a declaração
nesse sentido a ser juntada à petição inicial da
eventual reclamação trabalhista (art. 625-D, § 3.º,
da CLT).
Há considerações
sobre a natureza declaratória da ação coletiva do
trabalho, o que afastaria o seu enquadramento entre as ações
de índole contenciosa. Todavia, o fundamento legal da ação
declaratória não favorece esse entendimento, já que
se objetiva basicamente a declaração da existência,
ou não, de relação jurídica, com vistas à garantia
de direito material ou processual, em face do interesse da parte requerida.
O dissídio coletivo de natureza econômica não se
afasta desse cometimento a garantia de interesses das coletividades representadas.
Resta considerar o entendimento de que,
no âmbito do dissídio coletivo, a jurisdição
seria voluntária, como ocorre no Cível, notadamente em
algumas ações do Direito de Família. Todavia, no
contexto da greve, ficariam mal configuradas as hipóteses de instauração
do dissídio, que pode decorrer de iniciativa de qualquer das partes,
ou do Ministério Público, consoante o ordenamento jurídico.
De qualquer forma, a norma em foco, não
obstante o status constitucional, submete-se ao controle da constitucionalidade,
pelo que entendo objetivamente aplicável a literalidade da diretriz
constitucional, até que venha a ocorrer a oportuna manifestação
do Supremo Tribunal Federal (ADIns 3392/10, 3423/10, 3431/10 e 3432/10).
Depreende-se desse entendimento que, na ausência da formalidade
essencial, exigida na Constituição, para a propositura
da ação coletiva - que pode-se evidenciar pela ausência
de petição conjunta ou pela não-apresentação
do documento que expresse a anuência do Suscitado apenas o Autor
poderá ser intimado a comprová-la, no prazo designado, à luz
dos artigos 283 e 284 do CPC.
Não demonstrado o comum acordo,
evidencia-se a inviabilidade do exame do mérito da questão
controvertida, por ausência de condição da ação,
devendo-se extinguir o processo, sem resolução do mérito, à luz
do art. 267, inciso VI, do CPC. Da Preliminar de Extinção
do Processo sem Resolução do Mérito por Ausência
de Formalidade Essencial art. 267, inciso VI, do CPC. Conforme relatado,
a empresa Suscitada manifestou à fl. 197 expressa oposição à propositura
da Ação. Não obstante consignada em petição
sem assinatura, considero-a, adicionalmente, ao entendimento acima configurado
quanto à exigibilidade da concordância expressa das partes
na petição inicial ou em documento a esta anexado para
o ajuizamento do Dissídio Coletivo.
Por esses fundamentos, acolho a preliminar,
para extinguir o processo sem resolução do mérito, à luz
do art. 267, VI, do CPC. ISTO POSTO ACORDAM os Ministros da Seção
Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho,
por unanimidade, acolher a preliminar de ausência de comum acordo,
para extinguir o processo sem resolução do mérito, à luz
do art. 267, inciso VI, do CPC. Brasília, 21 de setembro de 2006.
CARLOS ALBERTO REIS DE PAULA. Relator”.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 23
de outubro de 2006
PIB do Brasil só ganha do Haiti
Ranking da consultoria Austin Rating toma por
base a previsão de crescimento econômico brasileiro de
3% em 2006
São Paulo - Pelo segundo ano consecutivo,
o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil só deve crescer mais
que o do Haiti entre os países da América Latina. O PIB é a
soma das riquezas produzidas por um país. Segundo ranking de
19 países preparado pela consultoria Austin Rating a partir
de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão
Econômica para a América Latina (Cepal), ligada à ONU
e do Banco Central, se em 2006 o Brasil crescer 3% como prevêem
em média as mais de 100 instituições financeiras
consultadas para a elaboração do boletim Focus, só o
Haiti, que continua em guerra civil, terá uma alta menor do
PIB, de 2,3%.
Nesse cenário, o Brasil vai empatar
com o Equador, que também crescerá 3%, e ficará atrás
de países como Paraguai (3,5%), El Salvador (3,5%), Costa Rica
(3,7%) e Bolívia (4,1%).
A situação é semelhante
a do ano passado, quando o PIB brasileiro teve expansão de 2,3%,
superou apenas o Haiti (1,8%) e ficou atrás de El Salvador (2,8%)
e Paraguai (2,9%). O último ano em que o Brasil teve crescimento
significativo foi 2004, de 4,9%.
Na média, a América Latina
deve crescer 4,6% neste ano. A Argentina deve liderar o ranking com uma
alta do PIB de 8%, após ter expansão de 9,2% no ano passado.
Para o economista-chefe da Austin Rating,
Alex Agostini, os juros altos ainda são o principal entrave para
a economia. Apesar de a Selic (taxa básica de juros) ser hoje
a menor desde o início das reuniões do Comitê de
Política Monetária (Copom) do Banco Central em 1996, a
taxa nominal de 13,75% ainda representa juros reais de mais de 9%, os
maiores do mundo, devido à queda da inflação para
patamares próximos a 3%.
''A inflação em abril já apontava
para uma situação bem tranquila e o BC continuou a baixar
de forma muito modesta a taxa de juros. Aí o investimento se concentrou
no mercado financeiro, e esse é o grande erro da política
econômica brasileira'', afirmou.
Ele também acredita que outros
problemas pontuais atrapalharam a economia, como a parada de sete plataformas
da Petrobras no segundo trimestre, a greve da Receita Federal, os atentados
do PCC e a Copa do Mundo.
Os juros, segundo Agostini, são
um problema mais grave porque, além de levarem à redução
dos investimentos públicos e privados no setor produtivo, também
reduzem a cotação do dólar, que, por sua vez, baixa
a rentabilidade das exportações.
Já Márcio Pochmann, professor
do Instituto de Economia da Unicamp, afirmou que para ''salvar a década''
e o Brasil crescer entre 5% e 6% ao ano o próximo presidente terá obrigatoriamente
que enfrentar o problema dos juros. Ele, no entanto, criticou o programa
de governo dos dois candidatos a presidente, Luiz Inácio Lula
da Silva e Geraldo Alckmin, por não terem apresentado propostas
concretas para a recuperação da capacidade de investimento
do Estado e a melhora do perfil do gasto público.
Segundo reportagem publicada ontem
pela Folha de S.Paulo, Lula, se reeleito, vai trabalhar para que o
BC reduza a taxa de juros reais para 5% até o final de 2007.
Agostini acredita que, caso a economia mundial continue a crescer sem
turbulências, seria factível alcançar essa taxa
apenas em 2008. Ele disse, no entanto, que nessas condições
qualquer um dos dois candidatos trabalharia para adotar uma política
mais desenvolvimentista.
João Sandrini
Folhapress
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 21 de outubro de 2006 | Dinheiro
HOMENAGEM
BC lança moeda de R$ 2 com
imagem de Santos Dumont
DA FOLHA ONLINE
O Banco Central lançará na
segunda-feira uma moeda de prata com valor de face de R$ 2 em comemoração
ao centenário do vôo do 14-Bis de Santos Dumont. Ela é destinada
a colecionadores, que podem comprá-la por R$ 105. Os Correios
também lançarão selo comemorativo.
A moeda foi desenvolvida pelo Departamento
de Meio Circulante e pela Casa da Moeda, que fabricou 2.000 unidades.
Com 27 gramas, de um lado ela traz a imagem da aeronave e a legenda "Centenário
do Vôo do 14-Bis" e, do outro, Santos Dumont, que fez o primeiro
vôo em 23 de outubro de 1906, em Paris.
O lançamento será feito
pela Força Aérea Brasileira na base aérea de Brasília, às
10h. A entidade vai fazer a entrega da Ordem do Mérito Aeronáutico.
No local, os interessados podem comprar a moeda. Ela também será vendida
pelo Banco Central.
Será lançado também
selo comemorativo em que o artista João Guilherme retrata o
vôo de Santos Dumont. Ao fundo, há a imagem de um foguete
em direção à Lua, que simboliza a evolução
das conquistas espaciais. Foram impressos 5.000 selos, a R$ 0,85 cada
um.
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DIÁRIO DO NORDESTE,
23 de outubro de 2006
SALÁRIO INDIRETO TAMBÉM CONTA
Trabalhador produz mais com ambiente
adequado e benefícios
Trabalhar numa empresa com políticas
internas bem definidas e boa estrutura física pode ser um fator
redutor do estresse no trabalho. É o que indica o estudo realizado
pela psicóloga Cecília Cardoso para sua monografia de conclusão
do curso de Pós-graduação em Psicologia Organizacional
e do Trabalho, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-CE), em parceria com a
Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Segundo ela, as pessoas se sentem mais
seguras e tranqüilas quando trabalham numa organização
que possui plano de carreiras e benefícios, remuneração
com base em programa de cargos e salários, investimento em treinamento,
saúde, cultura, lazer, ambiente adequado e que cultivam o relacionamento
interpessoal das equipes. “Muitas vezes, os trabalhadores são
mais felizes pelos benefícios e políticas da empresa, que
propriamente pela remuneração”, observa.
Cecília Cardoso chegou a tal conclusão
por meio de estudo de caso realizado numa empresa do setor de serviços
que congrega 39 pessoas em seu quadro funcional. O levantamento envolveu
todos os trabalhadores, compreendendo três etapas: mapeamento,
aplicação de questionário e realização
de entrevistas. “Nós mapeamos a pesquisa considerando três
níveis da evolução do estresse: a fase de alarme
ou reação, de resistência e de exaustão. No
começo, o sintoma principal é a tensão muscular,
no segundo nível começam os problemas de memória.
Por fim, o estresse passa a interferir no sono e no humor, gerando irritação
e angústia”, explica.
CURIOSIDADE - De acordo
com a psicóloga, o estresse afeta 60% dos trabalhadores da empresa
pesquisada, sendo que a incidência de mulheres estressadas (68%)
foi pouco mais de duas vezes superior ao índice de homens (32%)
com a doença. “As mulheres assumem três jornadas de
trabalho diária por exercerem vários papéis também
no lar. Biologicamente elas também são mais favoráveis
ao estresse”, justifica.
Para a especialista, a ginástica
no trabalho e as terapias ajudam, mas não são suficientes. “Ações
isoladas não resolvem porque combatem só os sintomas. É preciso
identificar o problema para atuar diretamente na causa. É importante
conhecer a realidade dos colaboradores para investir no melhor direcionamento“,
conclui. (AC)
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
23 de outubro de 2006
MPT entrega carta a Lula e a Alckmin
pedindo combate ao trabalho infantil
O MPT (Ministério Público
do Trabalho), por meio da Coordinfância (Coordenadoria Nacional
de Combate à Exploração do Trabalho da Criança
e Adolescente), entregou aos candidatos à Presidência da
República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin
(PSDB), uma carta para que os dois se comprometam com ações
de combate ao trabalho infantil no próximo mandato.
A carta do MPT traz pelo menos quatro
compromissos principais para o próximo presidente:
1) Desenvolvimento de estratégias
para eliminação das piores formas de trabalho infantil
2) Implementação de um sistema
nacional para monitorar as ocorrências de violação
de direitos da criança e do adolescente
3) Redução das desigualdades
e combate às iniquidades
4) Criação de mecanismos
que privilegiem a colaboração entre União, Estados
e municípios para o combate ao trabalho infantil
Além disso, o MPT também
pede ao próximo presidente que realize investimentos suficientes
para a implementação do Peti (Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil) e outros programas específicos que forem
criados, com a adoção de medidas necessárias para
a inclusão no Plano Plurianual, LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias)
e Orçamento.
Por fim, a Coordinfância pede
aos candidatos que “não meçam esforços para
o resgate de todas as crianças que trabalhem ou exerçam
atividades remuneradas” e promovam campanha de conscientização
sobre a proibição do trabalho doméstico, da exploração
do trabalho infantil, da exploração sexual e males à saúde
causados por drogas e sobre a importância do papel da sociedade
na denúncia de tais atos.
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CONSULTOR JURÍDICO,
23 de outubro de 2006
Contrato de experiência
Empresa é multada por litigância
de má-fé
A Escola de Esportes Andança, de
Joinville (SC) foi condenada a pagar 1% de multa por litigância
de má fé em processo trabalhista. A decisão é do
Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, confirmada pela
6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. O relator do caso foi
o ministro Aloysio Corrêa da Veiga, que rejeitou o Agravo de Instrumento
apresentado pela empresa.
A reclamação trabalhista
foi movida por uma ex-zeladora da escola. Ela foi contratada em fevereiro
de 2004, mas sua carteira de trabalho só foi assinada um mês
depois. Em maio do mesmo ano, ela foi demitida, mesmo estando grávida,
o que garantiria estabilidade de até cinco meses depois do parto.
A empresa alegou que ela ainda estava no contrato de experiência,
por isso não teria direito ao benefício.
O preposto da escola, em depoimento na
Vara do Trabalho de Joinville, prestou informações relativas
ao horário de trabalho da zeladora, mais tarde desmentidas pelas
outras testemunhas, inclusive em contradição com a defesa
da empresa. A primeira instância constatou a irregularidade na
assinatura da carteira de trabalho e declarou nulo o contrato de experiência,
determinando o pagamento de todos os direitos cabíveis.
No julgamento de Recurso Ordinário,
o Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina acolheu a alegação
de litigância de má-fé formulada pela defesa da ex-zeladora
e condenou a escola ao pagamento de multa de 1% sobre o valor da causa
e à indenização dos honorários advocatícios,
fixados em 15%.
A escola tentou recorrer então
ao Tribunal Superior do Trabalho, mas o TRT negou seguimento ao recurso,
levando-a à interposição do Agravo de Instrumento.
O ministro Aloysio Veiga, porém, observou que nenhuma das decisões
supostamente divergentes apresentadas pela empresa parte da premissa
de que a parte contrária não pode ser indenizada com a
condenação em honorários quando há litigância
de má-fé.
“O acórdão do TRT
nada mais fez do que aplicar a penalidade prevista no artigo 18 do Código
de Processo Civil, que dá poderes ao juiz para condenar o litigante
de má-fé a indenizar a parte contrária dos prejuízos
que sofreu, mais os honorários advocatícios e todas as
despesas que efetuou”, afirmou o relator.
Como a empresa também não
conseguiu demonstrar a existência de violação à jurisprudência
do TST ou a algum dispositivo legal, a 6ª Turma, por unanimidade,
negou provimento ao Agravo de Instrumento.
AIRR 2.760/2004-004-12-40.8
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/10/2006
JT concede pensão vitalícia
a pais de trabalhador atropelado
A Sexta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho negou provimento a recurso da Laginha Agro Industrial S.A.,
da cidade mineira de Ituiutaba, condenada pela Justiça do Trabalho
a pagar pensão vitalícia aos pais de um trabalhador que
morreu atropelado nas dependências da empresa, durante o serviço.
Para alterar a decisão, como queria a Laginha, o TST teria que
reexaminar fatos e provas do processo, procedimento não permitido
pela jurisprudência nessa instância.
O rapaz, de 19 anos, foi admitido em maio
de 2003. Dez dias depois, morreu instantaneamente quando um trator reboque
passou por cima do seu corpo, dentro da usina de álcool da empresa.
Os pais do trabalhador, que dependiam dele para seu sustento, ajuizaram
ação de indenização por danos materiais.
O exame das circunstâncias do atropelamento
levou a Vara do Trabalho de Ituiutaba a concluir que o local onde ocorreu
o acidente não tinha boa iluminação, a sinalização
do solo não era boa e os veículos bloqueavam a passagem
dos trabalhadores. “Num local onde transitam diversas pessoas (trabalhadores)
e ao mesmo tempo veículos, a possibilidade de ocorrência
de acidentes é latente. Medidas de segurança, como as adotadas
após o acidente, eram necessárias desde o início”,
afirmou a sentença.
Em sua defesa, a empresa explicou que
a função do trabalhador era vir até o local onde
ficavam os veículos que chegavam para descarregar cana para a
usina, extrair uma amostra e levá-la para o laboratório,
e que havia próprias para o trânsito. “No dia do acidente,
de forma imprudente, desrespeitando as mais elementares normas de segurança,
no lugar de dar a volta no veículo, utilizando-se da passarela
para voltar ao laboratório, resolveu cortar caminho e atravessou
sob a estrutura inferior do reboque. Não percebeu que o trator
a que estava acoplado o reboque estava sendo movimentado em direção
ao terminal de recepção de cana, provocando o acidente”,
afirmou a contestação da Laginha. “O local não
era e não é uma via pública, não é um
local de passagem de pedestres, mas de circulação de veículos
carregados com cana de açúcar. Um trator não é um
veículo com espelhos, com os itens de segurança comuns
a automóveis e caminhões”, acrescentou.
O juiz de primeiro grau entendeu que ambas
as partes tiveram culpa no acidente e rejeitou o pedido de pensão
mensal, uma vez que a previdência social (INSS) pagaria esse benefício.
O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG), entretanto,
reformou a decisão, condenando a Laginha e, subsidiariamente,
a Moto Mecanização (prestadora de serviços responsável
pelos tratores), a pagar pensão vitalícia mensal, desde
atropelamento, enquanto um dos pais do trabalhador for vivo.
Como o TRT negou seguimento a recurso
de revista da empresa, esta entrou com agravo de instrumento na tentativa
de que o TST julgasse seu recurso. O relator do agravo, juiz convocado
Ronald Cavalcante Soares, constatou porém que o recurso não
conseguiu comprovar qualquer violação de dispositivos
legais por parte da decisão do TRT, nem demonstrar a existência
de decisões divergentes sobre o mesmo tema. “Na verdade,
a empresa busca apenas rediscutir se de fato incorreu em ato ilícito
que resultou na morte do empregado, alegando que não pode ser
responsabilizada pelo acidente ocorrido, sob o fundamento de que a
culpa foi exclusivamente da vítima, em indisfarçável
procura de levar à revisita de fatos e provas”, concluiu.
(AIRR 686/2005-063-03-40.2)
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23/10/2006
Representação de menor pela
mãe dispensa atuação do MPT
A Quinta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho, acompanhando o voto do juiz convocado Walmir Oliveira da Costa,
entendeu desnecessária a intervenção do Ministério
Público do Trabalho em causa envolvendo menor que, na qualidade
de espólio, tem a mãe como sua representante legal.
A viúva e dois filhos menores de
um ex funcionário da Rede Ferroviária Federal S.A ajuizaram
reclamação trabalhista contra a empresa, na qualidade de
espólio, pleiteando horas extras, adicional noturno, adicional
de periculosidade e auxílio alimentação.
O funcionário foi admitido pela
RFFSA em 1981 e dispensado, sem justa causa, em 1998. No ano seguinte,
veio a falecer, vítima de pancreatite aguda. Após ouvidas
as testemunhas, feita a instrução e dada a sentença,
o MPT recorreu da decisão, apresentando preliminar de nulidade
do processo por não ter sido intimado para opinar em questão
que envolve interesse de menor.
O Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região
(Mato Grosso do Sul) rejeitou a preliminar de nulidade processual sob
o argumento de que, em se tratando de menor, se ele for representado
na audiência por seu representante legal – pai ou a mãe
-, não há necessidade da intervenção do Ministério
Público. No caso, o menor foi representado por sua mãe
e inventariante.
Insatisfeito, o MPT recorreu ao TST. O
juiz Walmir Oliveira manteve a decisão do TRT-MS, tomando por
base o disposto no artigo 793 da CLT. Diz o referido artigo que a “reclamação
trabalhista do menor de 18 anos será feita por seus representantes
legais e, na falta destes, pela Procuradoria da Justiça do Trabalho,
pelo sindicato, pelo Ministério Público estadual ou curador
nomeado em juízo.”
Segundo o juiz, no caso dos autos
não ficou configurada a hipótese legal de intervenção
obrigatória do Ministério Público, prevista nos
artigos 82 (inciso I), 84 e 246, do Código de Processo Civil,
dada a existência de norma específica no processo do trabalho
para reger a espécie, no caso o artigo 793 da CLT. (RR-679909/2000.5).

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