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ADMINISTRADORES.COM, 24
de outubro de 2006
Brasileiros estão cada vez mais
insatisfeitos com salário e com falta de reconhecimento do
desempenho
De acordo com o estudo realizado pela
Market Analysis, instituto de pesquisa de mercado e opinião
pública, o descontentamento dos brasileiros no ambiente de trabalho
tem aumentado de forma significativa e o maior vilão continua
sendo o salário. Realizada com 400 adultos residentes nas cinco
principais capitais do país, a pesquisa detectou que 67% mostraram-se
descontentes com a remuneração atual – um aumento
de 16% se comparado ao último levantamento realizado há três
anos.
Em 2003, outro estudo da Market Analysis,
com o mesmo perfil de público e metodologia, indicou satisfação
geral bem maior. "Para dar uma idéia, há três
anos, a questão do salário dividia os trabalhadores:
51% declaravam-se insatisfeitos. O crescimento no número de
insatisfeitos é assustador se comparado ao da pesquisa de três
anos atrás", destacou Paloma Zimmer, analista de projetos
da Market Analysis. A insatisfação gerada pela falta
de reconhecimento do desempenho do empregado foi o fator que mais evoluiu:
praticamente dobrou entre 2003 e 2006, passando de 18% para 42%.
Sinal dos tempos de outsourcing e corte
de despesas, a possibilidade de perder o emprego também obteve
um crescimento considerável, equivalente a 17% em três
anos. Hoje, perto da metade dos trabalhadores (45%) não acredita
que tem emprego garantido.
Por outro lado, mesmo com a multiplicação
de tarefas e a correria no âmbito de trabalho, o brasileiro tem
conseguido conciliar sua vida pessoal sem afetar a profissional e vice-versa.
Entre os engajados no mercado, esse item é o que menos gera
insatisfação (36%).
Reconhecimento
A classe operária (identificada
por exercer função não-especializada) é a
que se sente menos valorizada quando o assunto é reconhecimento
alcançado por meio do desempenho. Um em cada dois trabalhadores
que se dizem insatisfeitos ocupam cargos não-especializados
e outro terço deles têm cargos administrativos ou que
exigem mão-de-obra especializada, porém, longe dos cargos
de chefia ou responsabilidade maior.
O quadro é diferente no topo
da pirâmide trabalhista: apenas 7% das pessoas que ocupam cargos
gerenciais consideram não receber o devido reconhecimento pelas
atividades desenvolvidas. Surpreendentemente, aqueles que exercem papéis
de maior peso nas organizações são os que menos
reclamam dos excessos da vida profissional sobre a pessoal: somente
dois entre cada dez.
Apesar de se sentirem reconhecidos pelas
atividades que exercem e de possuírem o que muitos chamam de
qualidade de vida – conciliar bem vida pessoal com profissional – as
pessoas que ocupam cargos de chefia reclamam do salário que
recebem (59%) e de possuírem relativa insegurança quanto
ao emprego (41%).
Equilíbrio entre vida pessoal
e profissional
Levando em conta toda a população
inserida no mercado de trabalho, os homens estão mais satisfeitos
quando o assunto é equilíbrio entre a vida profissional
e a pessoal. Um total de 70% deles se diz satisfeito, enquanto entre
as mulheres a amostra se mostrou relativamente dividida.
As diferenças não ficam
apenas entre os perfis demográficos dos entrevistados. O porte
da empresa onde o indivíduo trabalha também exerce influência:
quanto menor o porte da empresa, menor é a satisfação
dos seus colaboradores quanto ao equilíbrio entre sua vida profissional
e pessoal. A diferença chega a 21% quando se compara empresas
sem fins lucrativos e empresas de médio a grande porte. A insatisfação
dos envolvidos em empresas de pequeno porte também é mais
intensa com relação ao seu salário.
Assim, pode-se concluir com base no
estudo, que as práticas motivacionais no ambiente de trabalho
não devem ser as mesmas, pois os trabalhadores possuem desejos
e necessidades diferentes uns dos outros. Ilude-se quem pensa que a
satisfação do colaborador depende integralmente do salário
recebido pelas atividades desempenhadas pela pessoa.
O estudo revela que medidas simples,
aplicadas ao dia-a-dia do funcionário, podem agregar muito à sua
motivação. Os resultados também sugerem que as
ações de motivação ou melhoria do clima
organizacional, tomadas sem um planejamento prévio com base
nas necessidades dos funcionários, podem ser um fracasso.
Paloma Zimmer
Market Analysis
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GAZETA MERCANTIL, 24 de outubro
de 2006 | Economia
Informalidade pode diminuir com Simples
Trabalhista
Uma solução para reduzir
a informalidade no País seria o estabelecimento de um "Simples
Trabalhista" para as micro e pequenas empresas, onde está o
foco da informalidade, de acordo com o especialista em relações
de trabalho, José Pastore. De acordo com ele, já existe
um Projeto Complementar, enviado por Lula ao Congresso, propondo que
essas empresas contribuam com apenas 0,5% do Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS). Para os trabalhadores por conta própria,
ele sugere a criação de um regime especial de previdência
social, que forneça proteção na área de saúde
e aposentadoria. Essa reforma, de acordo com ele, deveria ser feita de
forma gradual.
Já para Márcio Pochmann,
professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o principal
problema das pequenas empresas no Brasil é a falta de mercado.
Na sua avaliação, a solução seria viabilizar
o aumento da produção desses empreendimentos, através
de maior crescimento da economia. "Esse tipo de proposta não
vai trazer soluções duradouras. Outras experiências
nesse sentido, como o estabelecimento de contratos por prazo determinado,
que reduzem custos trabalhistas não deram certo no País",
enfatizou.
José Pastore e Márcio Pochmann
participaram hoje do 3º Seminário "Inserindo o Brasil
no Mundo", na sede da Federação do Comércio
do Estado de São Paulo (Fecomércio). (Nanci Santana - InvestNews)
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SITE NCST, 24 de outubro
de 2006
Em terceiro debate pela TV, Alckmin
retoma tom agressivo e Lula se mantém irônico
O candidato à Presidência
da República, Geraldo Alckmin (PSDB), recuperou o estilo agressivo
no debate entre presidenciáveis na TV Record e procurou explorar
os escândalos de corrupção ocorridos no governo petista.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição,
rebateu os ataques com ironia e destacou como "trunfo" a apuração
dos casos em CPIs e pela Polícia Federal.
Em todo o confronto, Alckmin procurou
convencer que o país poderia avançar mais, com maior geração
de empregos, sob seu comando, e usou como argumentos a situação
do setor agrícola. Lula rebateu o adversário à altura.
Insistiu nas realizações de seu governo, mas repetiu que
não estava satisfeito com o crescimento da economia, mas que o
país estava preparado para progredir mais.
Esse foi o terceiro debate entre os candidatos à Presidência,
após os confrontos do dia 8, na TV Bandeirantes, e no dia 20,
do SBT. Mais um debate está previsto para o dia 27, na TV Globo.
No confronto desta noite, as regras permitiram um confronto mais direto
entre os candidatos, que puderam escolher livremente os assuntos para
discutir.
Segundo a TV Record, o Ibope do programa
oscilou entre 16 e 17 pontos na média, com picos de 19 pontos.
Cobranças
Lula devolveu as cobranças de Alckmin
sobre o governo federal com uma notícia pinçada do noticiário
dessa semana sobre o governo paulista. Ele questionou Alckmin sobre a
informação de que seu sucessor, Claudio Lembo estaria interrompendo
obras para cobrir um rombo de R$ 1,2 bilhão. Alckmin rebateu dizendo
que "[São Paulo têm] Contas rigorosamente em dia [há 12
anos]".
O tucano voltou à carga, criticando
a política econômica, que estaria estimulando a desindustrialização. "O
seu próprio companheiro de chapa [o vice-presidente José Alencar]
está pensado em construir uma fábrica na China", disse
o tucano, associando a intenção de Alencar à alta
carga tributária, falta de logística e segurança.
Lula respondeu dizendo que "a economia
brasileira está longe de ser perfeita, mas é injustiça
não dizer que eles [o PSDB] quebraram a economia brasileira duas
vezes. Só em um dia saíram [das reservas brasileiras] US$
10 bilhões". O petista destacou o pagamento da dívida
com o FMI (Fundo Monetário Internacional), que teria proporcionado
ao país mais autonomia.
Campanha
Os candidatos, por várias vezes,
excederam o tempo destinado às perguntas e réplicas, em
uma demonstração do grau de nervosismo deste confronto.
No quarto bloco, por exemplo, Alckmin
excedeu o tempo da primeira questão para perguntar se, na campanha,
a mentira era válida, em referência às afirmações
de que o tucano acabaria com o Bolsa Família e a Zona Franca de
Manaus, por parte da campanha de Lula.
O mediador Celso Freitas tentou interromper
Alckmin, mas Lula, ironicamente, ofereceu 30 segundos ao tucano para
que completasse a pergunta e replicou falando sobre o avião presidencial: "Eu
disse que tem história dentro do PSDB que me induz a acreditar
que vocês vão privatizar. O cara [Alckmin] diz que vai privatizar
o meio de transporte dele. Um avião que é da instituição
da Presidência da República, não é do Lula".
Política externa
Lula perguntou duas vezes a Alckmin qual
seria sua proposta sobre política externa.
Depois de criticar a postura brasileira
quanto à Bolívia e a Petrobras, o tucano disse que iria "colocar
o interesse nacional, à frente dos interesses ideológicos".
O petista replicou que esta é "a
primeira vez que o Brasil tem uma política externa altiva. Depois
que criamos o G-20 [grupo que reúne países em desenvolvimento],
poucas reuniões do mundo acontecem sem que o Brasil seja convidado".
Geraldo Alckmin tentou, ainda, atacar
a política petista no Nordeste, dizendo que Lula reduzira R$ 500
milhões de investimentos na região.
"Eu acho estranha essa pergunta",
respondeu Lula. "Se tem uma região que nós atendemos
com a maior ênfase [foi o Nordeste], que é a mais pobre
do Brasil. E não foi como favor. Foi como um erro histórico.
Porque nordestino é visto aqui como pedreiro, e nordestino também
quer ser engenheiro".
Tiro no pé
Geraldo Alckmin tentou, ainda, atacar
a política petista no Nordeste, dizendo que Lula reduzira R$ 500
milhões de investimentos na região.
A tática, no entanto, teve resultado
duvidoso, já que aquela é a região onde o petista é mais
forte.
"Eu acho estranha essa pergunta",
respondeu Lula. "Se tem uma região que nós atendemos
com a maior ênfase [foi o Nordeste], que é a mais pobre
do Brasil. E não foi como favor. Foi como um erro histórico.
Porque nordestino é visto aqui como pedreiro, e nordestino também
quer ser engenheiro."
Lula completou dizendo que "o
Nordeste brasileiro tem crescido acima da média nacional".
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 24 de outubro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006 / DEBATE
Tucano e petista distorcem dados
sobre o crescimento
Omissões e erros comprometem análises
sobre desigualdade social e "receita" para crescer |
Lula exagera papel de seu governo na redução da pobreza;
Alckmin se contradiz ao defender corte de gastos públicos
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com discurso aparentemente esgotado na
altura do terceiro e penúltimo debate do segundo turno das eleições,
os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin
(PSDB) priorizaram duas mistificações sobre o baixo crescimento
econômico do país.
O primeiro, mesmo reconhecendo que o crescimento é insatisfatório,
apresenta como compensação uma supostamente inédita
redução da desigualdade social no país. O segundo
atribui todo o problema a uma mera "receita errada" escolhida
pelo governo petista.
Pelos dados do IBGE, a desigualdade social
vem caindo lenta, mas continuamente, desde 1993 no país. Um estudo
da Fundação Getúlio Vargas apontou que a miséria
caiu 14,8% nos primeiros três anos do governo Lula (que, no debate,
falou em 19,3% e 20%), contra 23,02% no governo Fernando Henrique Cardoso.
Na média anual, os resultados são quase idênticos:
5,2% do petista contra 5,1% do tucano.
Lula usou o debate para se apresentar
como o candidato dos pobres e chegou ao ponto de dizer, usando seu bordão
preferido, que, "pela primeira vez", os pobres podem freqüentar
o Palácio do Planalto. Um imaginário grande aumento dos
gastos sociais contraporia o crescimento atual ao da época dos
militares -quando, segundo o presidente, taxas de crescimento de 10%
ao ano (as taxas, na verdade, chegaram a 14%) não reduziram a
pobreza.
É falso. O crescimento econômico
da era do "milagre econômico" elevou, de fato, a desigualdade
social, mas reduziu a pobreza. Em outras palavras, houve aumento da renda
dos mais pobres, mas a renda dos mais ricos aumentou mais.
Alckmin voltou a culpar, pelo baixo crescimento,
o aumento de gastos, da carga tributária e dos juros -o que tem
lógica pela teoria econômica, mas está longe de ser
só uma escolha do governo Lula. Os gastos públicos, em
especial com benefícios previdenciários, crescem por imposições
constitucionais.
O tucano pregou os tradicionais cortes
no número de ministérios e de cargos comissionados (que
insistiu serem 40 mil, o dobro do número real), além do
combate à corrupção, providências que dariam
resultados medidos na casa dos milhões de reais. Mas defendeu
a extensão do reajuste do salário mínimo a todos
os aposentados, o que elevaria a despesa anual em mais de R$ 10 bilhões.
Sua proposta de corte de gastos,
que no início da campanha ainda exibia ao menos uma meta numérica,
se tornou ainda mais vaga. No máximo, o candidato cita a suposta
economia de R$ 4 bilhões obtida em seus anos de governador com
o pregão eletrônico. O dado consiste apenas na comparação
entre os preços obtidos nos leilões informatizados para
compras do governo e os chamados preços de referência,
uma estimativa de valor feita antes do pregão.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 24 de outubro de 2006 | Brasil
Candidatos mencionam 147 números
DA REDAÇÃO
Os presidenciáveis brindaram o
eleitor ontem com uma avalanche de números. Foram citados 147
no debate.
O petista Luiz Inácio Lula da Silva,
logo após a saudação inicial, já registrou
que era o décimo debate de que participava. Mas, no primeiro bloco,
ele citou metade dos 32 dados numéricos citados pelo tucano Geraldo
Alckmin -que chegou a mencionar 11 em apenas uma resposta.
No segundo bloco, Lula mencionou 30 números,
contra 26 do adversário. E aproveitou para ironizar o fato de
Alckmin ter dito, pela terceira no encontro, que ele cortara R$ 1,6 bilhão
na saúde. Apesar de ter dito menos números, o tucano os
citou em todas intervenções.
No terceiro bloco, caiu o número
de citações para 35 no total. Mas, pela quarta vez, Alckmin
-que citou menos dados (15, contra 20 de Lula) mencionou o crescimento
de 2% do Brasil.
No seguinte, as considerações
foram mais genéricas e foram citadas quatro cifras e oito dados
estatísticos.
No bloco final, quando não
houve perguntas, eles não citaram números. (LUÍS
FERRARI)
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 24 de outubro de 2006 | Dinheiro
Pequenos e médios empresários
elevam confiança média dos industriais, diz CNI
DA FOLHA ONLINE
Os empresários da indústria
brasileira estão mais otimistas neste final de ano. Segundo a
CNI (Confederação Nacional da Indústria), o Índice
de Confiança do Empresário Industrial registrou 55 pontos
em outubro, acima dos 52,7 pontos em igual período do ano passado
e dos 52,9 em julho último.
Os indicadores variam de zero a cem pontos,
e valores acima de 50 pontos indicam expectativas positivas.
"A pequena variação
do índice sugere que não deverá ocorrer mudança
no ritmo de crescimento da produção industrial", informou
a CNI, acrescentando que a elevação do índice se
deve principalmente ao aumento da confiança entre as pequenas
e médias empresas.
O índice de confiança no
desempenho da economia entre as pequenas e médias empresas atingiu
53,2 pontos em outubro, contra 51,5 em igual mês de 2005 e 50,6
pontos em julho.
Nas grandes empresas, entretanto, o índice
de confiança ficou em 58,4 pontos, praticamente estável
em relação a julho (57,6), e com crescimento na comparação
com o mesmo mês do ano passado (55,1).
Para os executivos de pequenas e médias
empresas, a visão menos negativa das condições atuais
se deve, principalmente, à avaliação das condições
dos negócios de suas próprias empresas. O índice
de condições atuais da própria empresa passou de
43,2 pontos em julho para 48,6 pontos em outubro, bem próximo
da estabilidade.
Renato da Fonseca, gerente-executivo da
Unidade de Pesquisa, Avaliação e Desenvolvimento da CNI,
destaca, entretanto, que as perspectivas em relação às
exportações continuam ruins por causa da desvalorização
do dólar em relação ao real. Além disso,
a expansão moderada do emprego e da renda é insuficiente
para alimentar previsões mais otimistas sobre o crescimento do
consumo.
Para Fonseca, "o ritmo de redução
dos juros é lento e demorará a produzir efeitos mais positivos
na economia".
Nos últimos dois anos, o melhor índice
de confiança dos empresários industriais calculado pela
CNI foi registrado em janeiro de 2005, quando estava em 64,9 pontos.
A pesquisa da CNI foi feita entre
os dias 3 e 20 de outubro com 215 empresas de grande porte e 1.366
pequenas e médias indústrias. O levantamento é realizado
trimestralmente.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 24 de outubro de 2006 | Economia
Inflação desacelera na
terceira semana de outubro
IPC-S ficou em 0,14%; cinco dos sete grupos
analisados apresentaram deflação
Alessandra Saraiva
RIO - O Índice de Preços
ao Consumidor Semanal (IPC-S) de até 22 de outubro subiu 0,14%,
ante aumento de 0,18% apurado no indicador anterior, apurado até 15
de outubro, segundo informações da Fundação
Getúlio Vargas (FGV).
A taxa anunciada nesta segunda-feira ficou
no piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela
Agência Estado, que esperavam um resultado entre 0,14% a 0,18%,
e abaixo da mediana das expectativas, que estavam em 0,17%.
De acordo com a FGV, a taxa menor do indicador
foi influenciada por desacelerações e quedas de preços
em cinco dos sete grupos que formam o IPC-S, na passagem do índice
de até 15 de outubro para o indicador de até 22 de outubro.
Este é o caso de Habitação,
que teve redução de 0,22% para 0,15%; Vestuário,
baixa de 1,32% para 1,26%; Educação, Leitura e Recreação,
queda de 0,21% para 0,09%; Transportes, baixa de -0,27% para -0,35%;
e Despesas Diversas, que apresentou redução de 0,42% para
0,32%.
Os únicos grupos a registrarem
aceleração ou alta expressiva de preços, no mesmo
período, foram Alimentação, alta de -0,01% para
0,04%; e Saúde e Cuidados Pessoais, crescimento de 0,39% para
0,42%.
Por produtos, as altas de preço
mais expressivas foram registradas nos preços de limão,
aumento de 18,07%; batata-inglesa, alta de 8,86%; e tomate, crescimento
de 12,10%.
Já as quedas de preços
mais significativas foram registradas em mamão da amazônia
- papaya, redução de 41,76%; manga, queda de 17,62%;
e álcool combustível, baixa de 5,63%.
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JORNAL O VALOR ONLINE, 25
de outubro de 2006
Superávit comercial acumulado
no ano alcança US$ 36,702 bilhões
BRASÍLIA - A balança comercial
acumula no ano até o dia 22 de outubro saldo positivo de US$ 36,702
bilhões, fruto de exportações de US$ 109,112 bilhões
e as importações de US$ 72,410 bilhões. As informações
são da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério
do Desenvolvimento (Secex).
No período, a média diária
de vendas ao exterior é de US$ 540,2 milhões e a de compras,
de US$ 358,5 milhões.
Em janeiro, a balança comercial
acumulou saldo de US$ 2,820 bilhões, com US$ 9,271 bilhões
em exportações e US$ 6,451 bilhões em importações.
No mês de fevereiro, o superávit
comercial foi de US$ 2,806 bilhões, após vendas de US$
8,75 bilhões e compras de US$ 5,944 bilhões.
O superávit atingiu recorde de
US$ 3,635 bilhões no mês de março, resultado de exportações
de US$ 11,366 bilhões e de importações de US$ 7,731
bilhões.
Em abril, foram US$ 9,803 bilhões
em vendas e US$ 6,729 bilhões em compras do exterior, produzindo
saldo positivo de US$ 3,074 bilhões.
No quinto mês de 2006, a balança
comercial teve superávit de US$ 3,017 bilhões, sendo que
as exportações somaram US$ 10,275 bilhões e as importações,
US$ 7,258 bilhões.
Em junho, as vendas externas atingiram
US$ 11,435 bilhões e as compras chegaram a US$ 7,363 bilhões,
resultando em um saldo comercial superavitário de US$ 4,072 bilhões.
O superávit comercial em julho
foi de US$ 5,635 bilhões, fruto de exportações de
US$ 13,622 bilhões e importações de US$ 7,987 bilhões.
Em agosto, a balança comercial
apresentou saldo positivo de US$ 4,515 bilhões, decorrente de
vendas de US$ 13,642 bilhões e compras de US$ 9,127 bilhões.
No nono mês, o saldo comercial
ficou positivo em US$ 4,427 bilhões, em razão de exportações
de US$ 12,548 bilhões e importações de US$ 8,121
bilhões.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24 de
outubro de 2006 | Economia
CONTAS PÚBLICAS-Governo aumenta
parcela de títulos com remuneração prefixada
Dívida interna sobe
2,2% para R$ 1,062 trilhão
Brasília – A dívida
interna em títulos públicos federais deu um salto
de R$ 22,85 bilhões em setembro e alcançou a marca
de R$ 1,062 trilhão, valor 2,2% superior ao de agosto. Somente
a correção dos papéis pelos juros teve impacto
de R$ 12,16 bilhões no mês, sendo o restante do crescimento
provocado pela emissão de novos títulos pelo Tesouro
Nacional. Em todo o ano, os juros pagos somaram R$ 105,9 bilhões,
volume maior do que os R$ 82,2 bilhões de crescimento no
saldo da dívida de janeiro a setembro. Essa diferença
mostra que, no ano, o Tesouro resgatou liquidamente R$ 23,7 bilhões
em títulos.
O forte crescimento da dívida interna,
entretanto, foi acompanhado de uma melhora no seu perfil. A parcela de
papéis com remuneração prefixada (cuja taxa de juros é definida
no momento da venda do título) passou de 31,49% para 32,83% do
total da dívida, atingindo o maior nível da série
histórica iniciada em 1999. O indicador está dentro da
banda estabelecida pelo Tesouro em sua estratégia para 2006, que
vai de 28% a 37%.
“Estamos tentando melhorar o perfil da dívida incrementando a participação
de títulos prefixados”, disse o coordenador-geral da Dívida
Pública, Ronnie Tavares. Os prefixados são considerados títulos
de melhor qualidade porque conferem maior previsibilidade para a administração
da dívida pública.
A contrapartida ao aumento na participação
de títulos prefixados foi a redução da parcela atrelada à taxa
básica de juros, a Selic, que passou de 46,14% para 44,79% do
total. Sem considerar as operações de swap (em que o governo
fica credor em dólar e devedor em juros), a parcela vinculada à Selic
caiu de 42,50% para 41,46%, próximo do piso da meta estabelecido
no Plano Anual de Financiamento da Dívida (PAF), de 39%. Esses
títulos são considerados de pior qualidade porque o juro
pago varia conforme a definição da taxa básica pelo
BC.
Mas a melhora no perfil da dívida
teve como efeito colateral uma piora no importante indicador de prazo
médio, que caiu de 29,84 meses para 29,65 meses. Quanto maior
o prazo médio, melhor é a percepção em torno
da capacidade de o governo pagar sua dívida. Desde fevereiro,
o Tesouro patina na casa dos 29 meses, sem conseguir superar a marca
de 30 meses que é o piso previsto no PAF.
Outro indicador importante de solvência
que teve piora foi o de dívida a vencer em até 12 meses,
que passou de 39,19% para 39 99%. O objetivo do governo é encerrar
o ano com esse índice dentro do intervalo de 31% a 36% do total
da dívida.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24 de
outubro de 2006 | Economia
CONTAS PÚBLICAS
Proporção da
dívida em relação ao PIB deve se manter estável
A dívida superior a R$ 1 trilhão acumulada pelos governos federal,
estadual e municipal é resultado do acúmulo nas contas públicas
desde o início da administração pública brasileira. “É a
diferença entre o quanto se arrecadou e o quanto se gastou nos últimos
400 anos”, explica o professor de economia José Pio Martins, do
Centro Universitário Positivo (Unicenp). E como o governo continua gastando
mais do que arrecada, a saída é emitir títulos públicos
para cobrir este déficit. “Se levarmos em conta que o gasto nas
três esferas de governo é de 42% do PIB e a arrecadação
está na faixa de 39% do PIB, é preciso arrumar um jeito de cobrir
estes 3%”, acrescenta o professor José Luiz Oreiro, da Universidade
Federal do Paraná (UFPR).
Com a taxa básica de juros em patamar
elevado (a Selic atualmente está em 13,75% ao ano), crescimento
econômico baixo (a previsão do mercado financeiro é de
3% este ano) e superávit primário mediano (em torno de
4,5%), a dívida pública não deve ter grandes reduções
em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
“Se o juro cair bastante, o superávit
do governo pode pagar todos os juros”, afirma Pio Martins. A saída,
acredita Oreiro, seria uma coordenação das ações
do Tesouro Nacional, responsável pelo superávit primário,
e do Banco Central, que fixa a taxa de juros. “Mas essa coordenação
não ocorreu em nenhum momento do governo Lula”, afirma o
professor da UFPR.
É a relação
dívida/PIB, segundo Oreiro, que deve ser observada para se verificar
a capacidade que o governo tem de pagar o que deve. “Sob este
aspecto, a dívida diminuiu bastante em 2004, um pouco em 2005
e quase nada em 2006”, afirma o professor. Para Pio Martins,
a atual política para redução da dívida
não é “nem eficiente nem ineficiente”. “É o
que dá para fazer hoje. Nem o Partido dos Trabalhadores teve
coragem de mexer no que o Malan [ministro da Fazenda no governo FHC]
estava fazendo”, diz.
Felipe Laufer
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24 de
outubro de 2006 | Economia
EMPRÉSTIMOS
Consignado deve ter taxa reduzida
hoje
A cinco dias das eleições, o Conselho Nacional de Previdência
Social (CNPS) reúne-se em Brasília e deve reduzir o valor máximo
de juros cobrados nos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas.
O teto está fixado hoje em 2,86% ao mês e deve cair para 2,78%,
se prevalecer a tendência das últimas duas reuniões do
conselho. Se confirmada a redução, será o terceiro corte
que o conselho determina neste ano.
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AGÊNCIA SENADO, 24
de outubro de 2006
Raupp propõe que trabalhadores
não paguem imposto de renda por hora extra
Aguarda entrada na pauta da Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE), onde será analisado em decisão
terminativa, projeto de lei (PLS 109/06) que poderá assumir caráter
relevante no contexto de tramitação da proposta orçamentária
de 2007, além de interessar a todos os trabalhadores, tanto aos
do setor privado quanto aos servidores públicos.
A matéria, elaborada pelo senador
Valdir Raupp (PMDB-RO), relator-geral do Orçamento, estabelece
que caberá ao Poder Executivo estimar o montante de renúncia
fiscal decorrente da isenção do Imposto de Renda sobre
remuneração de serviços extraordinários -
tarefas realizadas além da jornada legal a que se obriga o servidor
no exercício do seu cargo - prevista na Lei 7.713/88. Pelo projeto,
ainda competirá ao Executivo fazer com que essa previsão
acompanhe o demonstrativo do projeto de lei orçamentária.
Na justificação do projeto,
Raupp explica que a Constituição é clara quanto à necessidade
de o excesso de trabalho ser compensado com uma remuneração
mais digna, por gerar desgaste físico e mental, e quanto ao fato
de essa remuneração extraordinária não corresponder
a novas riquezas ou geração patrimonial, mas, sim, a uma
espécie de reparação por perda de direitos e oportunidades.
No entanto, prossegue o senador, o fisco
federal, apoiado em entendimento jurisprudencial consolidado, faz incidir
o imposto sobre a renda na remuneração pelo serviço
extraordinário, ou seja, a verba compensatória passa a
ser qualificada pela administração tributária como
aquisição de disponibilidade econômica.
"A remuneração extraordinária,
todavia, não gera riqueza, mas apenas indeniza o trabalhador ou
o servidor pela troca de seu período de descanso ou lazer por
horas de labor excepcional. E a indenização não
pode ser tributada. O caráter indenizatório dessa remuneração é evidente,
sobretudo porque o empregador é quem adota e exige o prolongamento
da jornada. Ademais, eventual negativa do empregado em acatar a determinação
pode ocasionar represália e até mesmo a sua despedida sem
justa causa, se estiver trabalhando no setor privado", afirma Raupp.
O inciso XIV do artigo 7o da Constituição
enuncia ser direito dos trabalhadores urbanos e rurais a remuneração
do serviço extraordinário superior à remuneração
do período normal em, no mínimo, 50%. Por sua vez, o parágrafo
3o do artigo 39 da Carta Magna estende o mesmo direito aos ocupantes
de cargos públicos.
Raíssa Abreu / Repórter
da Agência Senado
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FOLHA DE SÃO PEDRO
/ SP, 24 de outubro de 2006
Lei sobre emprego para adolescentes
existe, mas só no papel
Ela existe, e foi uma lei sancionada pelo
então Presidente Fernando Henrique, ainda em 2000. Tinha tudo
para dar certo e se tornar uma forma eficaz de empregar adolescentes,
sem atrapalhar os estudos e evitar a fuga para outros caminhos. Mas infelizmente
a lei não é aplicada, principalmente em nossa região,
onde os jovens são tão carentes de trabalho.
No Brasil, são legalmente permitidos
trabalhos para os adolescentes com idade entre 14 e 18 anos de idade.
Entre os 14 anos e os 16 anos, só é permitido o trabalho
na condição de aprendiz, condição que é regulamentada
por essa mesma lei. Abaixo disto, é proibido por nossa Constituição.
O Projeto Aprendiz vai além disso: é uma
alternativa para as empresas contratem menores de forma legal, respeitados
alguns limites impostos pelo programa. Além de dar oportunidade
e legitimidade para o trabalho, o programa vincula o trabalho com a educação.
Segundo o seu texto, o trabalho do menor não poderá ser
realizado em locais prejudiciais à sua formação,
ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social
e em horários e locais que não permitam a freqüência à escola.
O que é?
O contrato de aprendizagem é um
contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado
(de no máximo 2 anos), em que o empregador se compromete a assegurar
ao inscrito no programa de aprendizagem, uma formação técnico-profissional
metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico,
moral e psicológico. E o aprendiz se compromete a executar, com
zelo e diligência, as tarefas necessárias a essa formação.
Esse contrato segue as normas da CLT,
garantindo ao aprendiz todos os direitos trabalhistas, inclusive o de
receber o salário mínimo hora e o FGTS (Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço).
O projeto garante também a matrícula
e freqüência do aprendiz à escola (caso não
tenha concluído o ensino fundamental), e inscrição
em programa de aprendizagem desenvolvido sob a orientação
de entidade qualificada em formação técnico-profissional
metódica, através de atividades teóricas e práticas,
organizadas em tarefas de complexidade progressiva desenvolvidas no próprio
ambiente de trabalho.
A jornada de trabalho do menor aprendiz é de,
no máximo, 6 horas. Pode-se chegar ao limite de 8 horas diárias,
desde que o jovem tenha completado o ensino fundamental e se na soma
forem computadas as horas destinadas à aprendizagem teórica.
Obrigatoriamente, a empresa deve manter
no mínimo 5% e no máximo 15% de aprendizes, percentual
aplicado sobre o quadro de empregados com funções que exijam
formação profissional, conforme quadro de funções
estabelecido pelo Ministério do Trabalho.
Independentemente do ramo empresarial,
as empresas são obrigadas a manter o aprendiz no seu quadro de
funcionários até o final do contrato de aprendizagem, salvo,
se o funcionário se revelar desidioso, indisciplinado ou insubordinado,
ou, ainda, pedir a rescisão contratual antecipada.
Porém, não se pode confundir
o trabalho de aprendiz com o de estagiário, são duas situações
bem distintas. O aprendizado tem vínculo empregatício e
só é aprendiz quem está matriculado em escola profissionalizante.
O estágio é um complemento do ensino, e serve como aprendizagem
nos aspectos social, profissional e cultural.
Parcialmente
Segundo um levantamento feito pela Delegacia
Regional do Trabalho (DRT) de São Paulo, com base em fiscalizações
realizadas de Outubro de 2004 a Agosto de 2006, constatou-se que felizmente
60% das empresas do estado obrigadas a contratar aprendizes já se
adequaram ao Projeto Aprendiz. Mas ainda faltam 40%, incluindo os municípios
da nossa região.
O programa de fiscalização
não tem caráter de multar as companhias, mas de orientar
para o cumprimento da legislação. As multas previstas em
lei são de R$ 402,53 por vaga não preenchida e de até R$
4.025,30 em caso de reincidência.
Segundo Guido Romera, Presidente da ACASP
(Associação Comercial de Águas de São Pedro),
não há conhecimento de que nenhum estabelecimento comercial
da cidade esteja aplicando o projeto.
Flávio Castelar, presidente da
ACISP (Associação Comercial de São Pedro) está formando
parcerias, para que o projeto comece a ser aplicado na cidade o mais
rápido possível. “A Legião Mirim de São
Pedro, que foi recentemente reativada, já se propôs a cuidar
da parte burocrática e operacional do Projeto Aprendiz, e felizmente
algumas empresas da cidade, já se mostraram dispostas a contratar
aprendizes. Para facilitar ainda mais, o Juiz da Comarca de São
Pedro, se mostrou favorável, visto que o processo de contratação
também passa pelo judiciário. Ou seja, está tudo
caminhando para que dê certo”, afirmou ele.
Flávio alega que o projeto tem
algumas restrições que tornam sua aplicação
difícil, principalmente em cidades pequenas como a nossa. “O
projeto contempla principalmente médias e grandes empresas. Para
as micro e pequenas, o processo fica difícil”, lamenta ele.
Legião
Carlos Oliveira, reativador e Presidente
da Legião Mirim, adianta: “Vamos dar na própria Legião
cursos profissionalizantes, principalmente para os adolescentes de 14
a 17 anos”. Carlos, afirma que a Legião terá 2 objetivos:
inserir o adolescente no mercado de trabalho, e acompanhar e assistir,
tanto a ele quanto à sua família, durante todo o período
do projeto.
Os interessados em fazer parte do Projeto
Aprendiz podem entrar em contato com a própria Legião Mirim,
pelo telefone: (19) 3483.0308, falar com Gisele ou com o próprio
Carlos.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 24 de outubro de 2006 | Dinheiro
Multa de FGTS de aposentado está indefinida
DO "AGORA"
A Justiça do Trabalho em São
Paulo não tem uma posição definida sobre a base
de cálculo para a multa do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço) para aposentados: se é todo o saldo ou se apenas
o acumulado após a concessão do benefício.
Segundo a vice-presidente judicial do
TRT (Tribunal Regional do Trabalho), Wilma Nogueira de Araújo
Vaz da Silva, o entendimento do tribunal que atende o Estado está "dividido".
Em consulta dos processos já julgados,
a juíza comprova o empate de interpretações: cinco
favoráveis à multa integral e seis decidindo pela multa
parcial -somente com o saldo depois da concessão da aposentadoria.
A discussão sobre o FGTS para os
aposentados começou depois que o STF (Supremo Tribunal Federal)
decidiu que a aposentadoria voluntária não quebra o contrato
de trabalho.
A extinção do vínculo
era o principal argumento para que a multa fosse aplicada apenas sobre
o "segundo contrato", depois da concessão do benefício
-com base de cálculo apenas sobre o saldo parcial.
No TST (Tribunal Superior do Trabalho),
essa é a tese dominante.
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CONSULTOR JURÍDICO,
24 de outubro de 2006
Tanque extra
Carregar combustível reserva
no caminhão dá adicional
Caminhoneiro que carrega no veículo
tanque de combustível reserva para consumo próprio tem
direito de receber adicional de periculosidade. O entendimento é da
Seção Especializada em Dissídios Individuais 1 do
Tribunal Superior do Trabalho.
A SDI-1 manteve a decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais), que condenou
a Arcom Comércio, Importação e Exportação
a pagar o adicional para um caminhoneiro que dirigia o veículo
com tanque suplementar fora das especificações do fabricante.
O relator do caso foi o ministro João
Oreste Dalazen. A empresa alegou que o tanque suplementar tinha combustível
para consumo próprio e que a situação não
caracterizava transporte de combustível, além de não
constar na classificação do Ministério do Trabalho
para fins de periculosidade. O objetivo era que o TST afastasse a condenação
ao pagamento do adicional.
O TRT, no julgamento do Recurso Ordinário,
considerou o tanque suplementar de combustível caracteriza periculosidade,
porque foi instalado sem o controle do fabricante e fora das especificações
técnicas.
O ministro João Oreste Dalazen
manteve a decisão. “O caminhão dirigido pelo trabalhador
sequer se encontrava equipado com tanque-reserva, que fora suprimido
pela empresa. Apenas em período posterior houve a instalação
do tanque complementar, que, por não atender as especificações
técnicas do fabricante do veículo, contribuiu para firmar
o convencimento do Regional quanto ao direito pleiteado”, acrescentou
Dalazen.
E-RR-536.584/99.8
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
24/10/2006
Pleno do TST reúne-se para rever OJ 177
O Pleno do Tribunal Superior do Trabalho
realiza amanhã (25), às 13h, sessão extraordinária.
A finalidade da sessão é rever a Orientação
Jurisprudencial nº 177 da Seção Espercializada em
Dissídios Individuais (SDI-1) do TST, que trata da extinção
do contrato de trabalho nos casos de aposentadoria espontânea,
mesmo quando o empregado continua a trabalhar.
O necessidade de revisão decorre
de duas decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. No julgamento
das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 1770
e 1721, o STF considerou inconstitucionais os parágrafos 1º e
2º, respectivamente, do artigo 453 da CLT, por considerar que a
previsão de extinção do contrato de trabalho com
a aposentadoria espontânea “viola os preceitos constitucionais
relativos à proteção e à garantia à percepção
dos benefícios previdenciários”.
O entendimento de que a aposentadoria
extingue o contrato – ou seja, caso o trabalhador continue a trabalhar
considera-se a existência de um novo contrato – é a
base da OJ 177, objeto de diversos questionamentos no TST, em recursos
de revista e embargos, e no STF, por meio de recursos extraordinários.
Um dos pontos sensíveis da questão é o que se refere
ao pagamento da multa de 40% sobre os depósitos do FGTS em caso
de demissão imotivada.

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