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DEPACOM, 25 de outubro de 2006
8º Congresso Nacional dos Trabalhadores Industriários
Mais de Mil Dirigentes Sindicais Industriários participam de congresso
em Luziânia/GO
Começou ontem, 24/10, no Centro de Treinamento Educacional da
CNTI, o 8º Congresso Nacional dos Trabalhadores Industriários
do Plano da CNTI, onde estão presentes mais de 1000 dirigentes
sindicias.


Segundo o Vice-Presidente do DEPACOM,
Geraldo Ramthun, seiscentos e um sindicatos encontram-se no congresso
além de cinqüenta
e sete federações do plano da CNTI. O grupo da Construção
e do Mobiliário é a maior bancada. Durante o dia de ontem
tivemos diversas conferências abordando assuntos de interesse dos
industriários dentre eles, conjuntura nacional, sindicalismo brasileiro
e previdência social.
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JC ONLINE, 25 de outubro
de 2006
Reivindicações
Trabalhadores da construção
civil fazem paralisação no Recife
A partir desta terça-feira (24),
os trabalhadores da construção civil do Recife entram em
greve. A categoria reivindica reajuste salarial de 15%, além de
menor desconto no preço do almoço e pedem a contrução
de habitações para abrigar trabalhadores que vêm
do interior para trabalhar na capital.
Nesta manhã, cerca de cinco ônibus
saíram da Rua da Concórdia, no Centro do Recife, para mobilizar
toda a categoria.
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores
Civis José Humberto afirmou que cerca de 80% dos trabalhadores
já aderiram à paralisação, que deve atingir
a construção das grandes obras no Recife. O diretor disse
ainda que não estão previstas rodadas de negociação
para este dia, mas que elas devem acontecer nestas quarta (25) ou quinta-feira
(26).
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INFOMONEY, 25 de outubro
de 2006
Construção Civil: o boom
imobiliário está mesmo chegando?
SÃO PAULO - A economia brasileira
vem apresentando crescimento abaixo dos demais países emergentes
e ainda é dona da taxa de juro real mais alta do mundo.
Nessas condições, será que
o mercado imobiliário pode atingir o tão esperado boom
no próximo ano?
Segundo análises da corretora Ativa
e do banco Bradesco, a resposta para esta pergunta é sim.
A junção de fatores como,
crescimento na produção de insumos típicos da construção
civil, maior oferta de crédito, desoneração tributária,
melhor renda e emissões de ações de empresas do
setor, desenham um futuro muito promissor para a atividade.
Sinais do aquecimento
Vamos aos pontos: segundo dados da Pesquisa
Mensal de Comércio (PMC), elaborada pelo IBGE, a produção
de insumos do setor de construção civil vem crescendo consecutivamente
nos últimos quatro meses.
O crédito imobiliário também
cresceu, sendo que sua oferta mais do que dobrou entre janeiro e setembro
(105%) deste ano, segundo dados da Associação Brasileira
das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip).
Além disso, o Governo Federal anunciou
medidas para incentivar o setor, como o fim da obrigatoriedade da aplicação
da Taxa Referencial (TR), o limite de 12% nas taxas de juros e a possibilidade
de utilizar o crédito consignado para financiar imóveis.
R$ 3,2 bilhões captados no mercado
financeiro
As empresas do setor de construção
civil, corretoras, imobiliárias, captaram R$ 3,2 bilhões
com emissões de ações neste ano. Segundo a Comissão
de Valores Mobiliários (CVM), a oferta de ações
representou 26,5% do total das realizadas neste ano.
Esta grande captação, segundo
o Bradesco, confirma as expectativas de investimentos das empresas. Apesar
de alguns mercados estarem saturados, como o Rio de Janeiro e São
Paulo, os investidores estão buscando novas áreas de crescimento.
A Ativa, inclusive, afirma considerar
difícil um eventual excesso de oferta, dado o elevado déficit
habitacional do país, de cerca de 7 milhões de residências
(números de 2000).
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 25 de outubro de 2006 | Economia
Setor têxtil volta a ter superávit
em setembro
As exportações somaram US$
174,6 milhões e as importações, US$ 171,2 mi
Paula Puliti
SÃO PAULO - Depois de quatro meses
consecutivos de saldo negativo, a balança comercial do setor têxtil
voltou a apresentar superávit comercial em setembro, de US$ 3,4
bilhões. Segundo a Associação Brasileira da Indústria
Têxtil e do Vestuário (Abit), que compilou os dados do Ministério
do Desenvolvimento (MDIC), as exportações somaram US$ 174,6
milhões e as importações, US$ 171,2 milhões.
Ainda assim, no ano até setembro
o setor acumula déficit de US$ 69 milhões, que substituiu
o superávit de US$ 409 milhões registrado pelo setor no
mesmo período do ano passado.
O setor têxtil e do vestuário
será um dos três beneficiados (junto com calçados
e móveis) pela ampliação da linha de capital de
giro do Banco do Brasil, com recursos do FAT, que o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, disse na segunda-feira que vai anunciar ainda nesta semana
para atender a setores com dificuldades por conta do câmbio.
De acordo com a Abit, o desempenho positivo
de setembro está relacionado à exportação
de fibras de algodão. Não fosse esse item, o setor teria
apresentado déficit de cerca de US$ 30 milhões. Na comparação
com setembro de 2005, as vendas externas recuaram 19,2%. No acumulado
de janeiro a setembro, a queda foi de 3,64% sobre o mesmo período
do ano passado. Já as importações cresceram 26,9%
em setembro ante setembro de 2005. No acumulado do ano, o incremento
foi de 37,4%.
O setor de vestuário continua a
apresentar resultados ruins. Em valores, o setor exportou de janeiro
a setembro deste ano US$ 206 milhões, ou 20,1% menos que no mesmo
período de 2005.
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ESTADÃO.COM
/ SÃO PAULO, 25 de outubro de 2006 | Economia
Alta no preço dos alimentos eleva inflação
em outubro
IPCA-15 ficou em 0,29% no mês; carnes
tiveram alta de 3% e impulsionaram a taxa
Jacqueline Farid
RIO - A inflação medida pelo Índice de Preços
ao Consumidor Ampliado-15 (IPCA-15) subiu para 0,29% em outubro, depois
da alta de 0,05% em setembro, segundo divulgou nesta terça-feira
o IBGE. A taxa ficou perto do teto das estimativas dos analistas ouvidos
pelo AE Projeções, que estavam entre 0,20% a 0,30%, mas
ficou acima da mediana das estimativas, que eram de 0,25%.
Os alimentos, com aumento de 0,47% em outubro, ante
-0,06% em setembro, representaram o principal impacto de alta para
a taxa de outubro. Até outubro
de 2006, o IPCA-15 acumulou variação de 2,22%, e nos últimos
12 meses, de 3,41%
A alta nos preços dos alimentos no índice de outubro foi
pressionada especialmente pelo item carnes, com alta de 3%. No caso do
frango o aumento foi ainda maior, de 7,12%. Segundo o documento de divulgação
do IBGE, o período de entressafra pressionou a elevação
nos preços das carnes.
Além disso, foram destaque no grupo dos alimentícios as
altas no tomate (21,46%), feijão carioca, aumento de 4,85% e a
batata inglesa, crescimento de 3,89%. Houve queda de preços em
outros alimentos como açúcar cristal, baixa de 5,36% e
refinado, redução de 2,72%, feijão preto, queda
de 3,32% e cenoura, que registrou baixa de 6,50%.
O item cigarro teve variação de 2,91% em outubro, por
conta do reajuste ocorrido em algumas regiões em 7 de outubro.
Houve alta também em artigos de vestuário, aumento de 0,80%
e na taxa de água e esgoto, que teve crescimento de 1,08%, com
o reajuste ocorrido na região metropolitana de São Paulo
desde 31 de agosto.
O IPCA-15 continuou sendo pressionado pelos salários dos empregados
domésticos, que tiveram aumento de 1,39%, que mostraram variação
inferior à de setembro ,quando cresceram 1,97%.
Os combustíveis, continuaram em queda no índice de outubro,
quando a gasolina sofreu redução de 0,43% e álcool
teve queda de 4,77%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de
outubro de 2006 | Brasil
PESQUISA-Petista abre 21 pontos de vantagem
sobre o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin
A 5 dias das eleições,
Datafolha mostra crescimento de Lula
São Paulo – O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
oscilou a margem de intenções de voto para cima um ponto percentual – passou
de 57% para 58% na contagem dos votos totais e colocou 21 pontos porcentuais
sobre o candidato Geraldo Alckmin (PSDB), que oscilou para baixo, descendo
de 38% para 37%, na pesquisa Datafolha divulgada ontem no Jornal Nacional (Rede
Globo). Apesar da relativa estabilidade dos candidatos, as pequenas oscilações
ajudaram a situar Lula ontem – a cinco dias das eleições – com
uma vantagem confortável.
Na contagem dos votos válidos,
Lula tem agora 61% (60% na pesquisa anterior) e continua à frente
do candidato Geraldo Alckmin, que tem 39% (40% na anterior). Depois de
recomeçada a campanha no segundo turno, Lula subiu sucessivamente
na contagem dos votos totais de 50% (na pesquisa divulgada no dia 6),
para 51% (dia 11), 57% (dia 17) e, finalmente, 58%, agora. Em sentido
contrário, Alckmin só fez cair: partiu de 43% (no dia 6),
caiu para 40% (dia 11), 38% (dia 17) e, agora, tem 37%.
Ao medir a evolução da avaliação do governo Lula,
o Datafolha confirmou uma tendência que se desenhava desde o início
do segundo turno – de que a propaganda eleitoral de Lula está servindo
como propaganda de seu governo e ajuda a elevar os índices da avaliação
positiva, no julgamento popular. A avaliação positiva (ótimo+bom)
oscilou de 51% para 53% e a avaliação negativa (ruim+péssimo)
ficou estável em 15%.
Em sentido inverso, a pesquisa também
mostra inversão da tendência que apareceu em todo o primeiro
turno. Naquela fase das eleições, Alckmin sempre mostrou
capacidade bem maior que a de Lula para agregar novos votos nas simulações
de segundo turno.
Na pesquisa Datafolha anunciada em 18
de julho, Lula venceria o primeiro turno por 44% a 28% e, na simulação
de segundo turno, teria 50% a 40%; note-se que, nessa simulação
de segundo turno, Lula agregou apenas 6 pontos porcentuais a mais do
que seu resultado de primeiro turno, enquanto Alckmin aumentou 12 pontos
Na pesquisa Datafolha divulgada a 8 de
agosto, Lula ampliou a sua vantagem e venceria o primeiro turno por 47%
a 24%; mas nem por isso melhoria muito a sua situação na
simulação de segundo turno: ele ganharia por 54% a 37%,
agregando apenas 7 pontos porcentuais a mais, enquanto Alckmin, mesmo
com viés de queda, agregou mais 13 pontos.
Na pesquisa anunciada em 12 de setembro,
Lula melhorou ainda mais a sua intenção de voto: foi para
50%, enquanto Alckmin subiu para 28%. Na simulação de segundo
turno, Lula ficaria com 55% (agregando apenas 5 pontos porcentuais a
mais que no primeiro turno) e Alckmin arrebanharia 38%, com 10 pontos
a mais
Já em 27 de setembro, Lula
teve 49% e Alckmin, 33% na simulação de primeiro turno;
na simulação de segundo turno, o petista acrescentaria
mais escassos 3 pontos porcentuais a sua votação, chegando
a 52%, enquanto o tucano subiria mais 8 pontos, atingindo os 41%.


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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
25 de outubro de 2006
Voto Obrigatório
- Quando o dever assegura um direito
O dever justifica a obrigatoriedade
e, independentemente da vontade do indivíduo, garante
seu direito de participar do processo eleitoral
France Presse

Votar, para o cidadão, configura-se como um compromisso e uma
responsabilidade em relação à sociedade em que vive
e da qual obtém benefícios
Celso Pacheco

Para o professor Striquer, mais do que a obrigatoriedade do voto, deve-se
questionar ‘‘qual o melhor meio de se obter um governo legítimo’’
O cidadão tem um compromisso e uma responsabilidade em relação à sociedade
em que vive, já que desfruta de benefícios como educação,
sistema de saúde, estradas e energia elétrica. O voto seria
uma das formas de se cumprir com essa responsabilidade. A questão,
que tem dividido opiniões, é se isso seria um dever, o
que justificaria a obrigatoriedade, ou um direito do indivíduo,
o que lhe permitiria participar ou não do processo eleitoral,
de acordo com sua vontade.
Para o professor Marcos Antônio
Striquer Soares, que dá aulas de Direito Constitucional
na UEL e de Direito Eleitoral na Unifil, o que deve ser questionado é qual
o melhor meio de se obter um governo legítimo.
''Se o voto se torna facultativo,
o índice de participação tende a cair muito,
principalmente em um país onde a ideologia deu lugar ao
apego aos bens materiais'', alerta, citando como exemplo a eleição
dos conselhos tutelares do município, cujo índice
de participação é extremamente baixo.
O docente lembra que o governo
muitas vezes precisa tomar atitudes impopulares, com as quais
a sociedade nem sempre concorda, e uma baixa participação
pode comprometer a legitimidade desses atos. ''Hoje, um presidente é eleito
com mais de cinquenta milhões de votos, então a
força de quem assume o poder é muito grande. Isso
não ocorreria com um baixo índice de participação
popular, situação em que ficaria muito difícil
governar'', ressalta.
''Já o voto obrigatório
concede legitimidade a quem assume, mas o problema é que
muitas vezes é uma legitimidade manipulada'', afirma.
Para ele, um exemplo dessa manipulação seriam os
programas populares e assistencialistas que não têm
muito compromisso com o governo - atitudes que podem gerar uma
manipulação de determinadas classes sociais, comprometendo
a qualidade do voto.
Pesando os dois lados, o professor
diz não conseguir tomar uma posição em relação
ao tema. ''O voto facultativo não é uma saída,
assim como o obrigatório também não é.
Existe apenas uma forma de resolver essa questão, que é melhorar
a qualidade da democracia por meio de uma educação
de qualidade. Sem isso, pode esquecer.''
Para Striquer, também
seria necessária uma ampla reforma política,
que acabasse com o número excessivo de cargos de livre
nominação e com as emendas individuais no orçamento,
entre outras ações. Ele salienta, porém,
que é preciso cuidado para não adotar medidas
que acabem por retardar o processo de crescimento democrático.
Adriana Ito
Reportagem Local
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 25 de outubro de
2006
Obrigatoriedade do voto permite a equidade
Apesar de haver mais de duzentos países
no mundo, apenas 58 deles são democráticos. Entre eles,
o voto é compulsório em 24, como Bélgica, Austrália,
Costa Rica e Uruguai. A informação é da doutora
em ciência política Luzia Helena Herrmann de Oliveira, do
departamento de Ciências Sociais da UEL.
A professora realizou uma pesquisa sobre
o assunto, que resultou no artigo ''Voto obrigatório e equidade''.
Em seu trabalho, Luzia identificou que as pessoas que se mostraram menos
dispostas a votar, caso o voto fosse facultativo, têm, em sua maioria,
características sociais e econômicas parecidas. ''São
muito jovens ou os mais idosos, e as pessoas que têm menor poder
aquisitivo e nível de escolaridade. Enfim, os que não estão
completamente integrados à sociedade'', enumera.
A favor do voto compulsório, a
pesquisadora argumenta que, sem a obrigatoriedade, essas pessoas que
já não se sentem integradas passariam a se sentir mais
alheias ainda em relação à política, o que
acabaria por excluir uma grande parcela de brasileiros. ''As pessoas,
independentemente de sua escolaridade ou nível social, são
igualmente cidadãs; elas apenas não tiveram as mesmas oportunidades.
E se isso ocorreu foi porque a própria sociedade não proporcionou
essas oportunidades. O voto, então, é o único meio
que lhes permite se igualar às outras, com o mesmo poder de participação'',
alega. Para a professora, quem não deseja participar do processo
político também tem seus meios, anulando ou votando em
branco, por exemplo.
Luzia considera que também é preciso
desenvolver a percepção do que é a democracia,
incentivar a participação e melhorar o sistema político.
''Uma possível solução seria integrar essas pessoas
por meio de uma educação de qualidade e do acesso à informação.
Não é anulando a participação política
que o problema vai se resolver. Pelo contrário, só vai
piorar.''(A.I.)
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
25 de outubro de 2006
Voto facultativo politizaria debate
eleitoral
''O ponto fundamental da legitimidade do voto é a qualidade, e não
a quantidade'', defende o advogado Newton Moratto, em favor do voto facultativo.
Para ele, sem a obrigatoriedade, só votariam as pessoas interessadas
no processo, o que não significa necessariamente que elas sejam as mais
instruídas. ''Costuma-se acreditar que as classes de menor poder aquisitivo
e menos instruídas não vão participar, mas isso é subestimar
essas pessoas. Você parte do pressuposto de que o outro não está apto
a votar'', alega.
Para o advogado, da forma como é realizada
hoje, a votação é aleatória, já que
boa parte dos eleitores não refletiu sobre o assunto - o que tornaria
o sistema igualmente excludente. ''Falta informação e conscientização'',
critica, acrescentando que as pessoas não se sentem representadas
pelo sistema atual, e que muitos se arrependem da escolha pouco tempo
depois das eleições, justamente por não ter avaliado
antes de votar. ''Dessa forma, não há legitimidade.''
O voto facultativo, segundo Moratto, politizaria
mais o debate eleitoral. ''Os partidos teriam de convencer o eleitor
por meio de propostas concretas, e assim, levá-lo a votar. Além
disso, haveria uma mudança no comportamento da população,
com uma reflexão e um interesse maior, resultando em mais consciência
política'', justifica, ressaltando que os resultados não
seriam imediatos, e que seria preciso um trabalho de médio a longo
prazo, além de uma reforma política e uma melhora no sistema
educacional.
Ele afirma não ser possível
fazer previsões sobre índices de participação
sem implementar o voto facultativo de fato. ''Não adianta fazer
pesquisa agora, porque muita gente vai pensar só na questão
de se livrar do incômodo que é ser obrigado a ir votar.
Seria preciso primeiro deixar de entender isso como uma obrigação'',
explica.(A.I.)
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AGÊNCIA DIAP, 25 de
outubro de 2006
A importância do 2º turno
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
A eleição em 2º turno,
no cenário político atual, foi o que de melhor poderia
ter acontecido ao país. A decisão em 1º turno, por
uma pequena margem de votos, suscitaria toda ordem de questionamento,
prolongando a crise política que já se arrasta há quase
dois anos.
O sufrágio em 2º turno, uma
nova eleição, é bom para o país, para os
candidatos e para os eleitores, porque tem o mérito de permitir
o debate de idéias, de legitimar o pleito e pacificar o país,
eliminando o risco de divisão e confrontos entre as forças
políticas.
Para o país porque: i) confere
maior legitimidade ao pleito, ii) retira da oposição o ímpeto
de questionar o resultado eleitoral, iii) força os candidatos
a assumirem compromisso em torno de idéias, programas e políticas
públicas, e iv) os perdedores tendem a reconhecer o resultado,
evitando conflitos regionais ou setoriais.
Para os candidatos porque: a) possibilita
a oportunidade de expor suas idéias e programas para os eleitores,
b) dá a chance de mostrar suas qualidades e expor os defeitos
do adversário, com igual tempo nos debates e no horário
eleitoral gratuito, e c) cria condições para formar alianças
e tentar o apoio de setores que lhes foram hostis no 1º turno.
Para os eleitores porque: i) dá a
chance de conhecer melhor cada candidato, suas idéias, programas
e visão política e ideológica, ii) não dará carta
branca ao eleito, que terá que assumir compromisso tendo como
referências propostas concretas, e iii) força os candidatos
a considerarem seus pleitos entre os compromissos e programas.
Até para o presidente Lula, no
caso de reeleito, o 2º turno terá sido providencial para
sua governabilidade. Sua eventual eleição em 1º turno,
ainda que tivesse carta branca em relação ao programa de
governo, provocaria uma série de questionamentos éticos,
econômicos e regionais, que o 2º turno permitirá aliviar
de modo substantivo.
Em conclusão, pode-se inferir que
os dois principais méritos do 2º turno, depois da legitimação
da eleição, são: a) os compromissos em torno dos
programas de governo, b) o banho de humildade a que se submete o candidato
favorito no 1º turno, e c) o senso de realidade a que são
submetidos a equipe e os partidos da coligação vitoriosa.
Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e Diretor de Documentação do DIAP – Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de
outubro de 2006 | Economia
NEGÓCIOS-Valor de operação
pode chegar a US$ 17,5 bilhões, a maior já realizada
por empresa brasileira. ações da companhia disparam
após a conclusão da aquisição
Com a compra da mineradora Inco, Vale
se torna a 2.ª maior do mundo
Rio de Janeiro – A Companhia Vale do Rio Doce fechou ontem a compra do
controle da mineradora canadense de níquel Inco por US$ 13,2 bilhões
(R$ 28,4 bilhões). O negócio torna a mineradora brasileira a
segunda maior do mundo, atrás da australiana BHP-Billiton.
A Vale adquiriu, em oferta pública
na Bolsa de Toronto, 75,66% das ações da Inco. Os demais
acionistas da companhia têm até 3 de novembro para vender à Vale
seus papéis ao preço oferecido (86 dólares canadenses
ou cerca de R$ 165), o que pode elevar o valor da aquisição
para US$ 17,5 bilhões, se a aceitação for de 100%.
Analistas esperam que adesão seja quase total, já que o
preço oferecido é superior ao de mercado. A aquisição
concluída pela Vale é a maior já realizada por uma
empresa brasileira, segundo a consultoria KPMG.
A Inco é a segunda maior mineradora de níquel do mundo e tem
as maiores reservas mundiais do metal – em forte alta no mercado internacional.
Faturou US$ 4,7 bilhões nos nove primeiros meses de 2006. No ranking
mundial das mineradoras, a empresa, proprietária de três minas
no Canadá e uma na Indonésia, aparece em 12.º lugar.
O grande atrativo da oferta da Vale foi
o pagamento aos acionistas em dinheiro. Assim, a brasileira desbancou
as concorrentes Phelps Dodge (EUA) e Teck Cominco (Canadá), que
entraram antes na disputa. A Teck chegou a apresentar proposta superior à da
Vale, mas a maior parte da oferta era em ações. Os executivos
da Inco recomendavam aos acionistas a proposta da Teck. Só depois
de mais de um mês do lançamento da oferta da Vale, em 11
de agosto, passaram a apoiá-la.
A reação do mercado, apesar
de o crescimento da dívida da Vale com a aquisição
ter acarretado o rebaixamento de sua avaliação de risco. “A
conclusão do negócio foi muito boa para a companhia. Recomendamos
a compra das ações da Vale”, disse a analista Cristiane
Vianna, da corretora Ágora. Os papéis ordinários
da Vale subiram 4,63% ontem. Os preferenciais subiram 3,34%.
A Vale viu na Inco a oportunidade de diversificar
sua atividades e concorrer mais de perto com outras mineradoras, passando
a atuar no mercado níquel, do qual a canadense detém 19%
das vendas mundiais.
“A combinação de Vale
e Inco representa uma grande oportunidade para criação
de valor e na criação de uma líder global na indústria
de metais e mineração”, disse Scott Hand, presidente
da Inco, em comunicado. A direção da Vale disse que só irá se
pronunciar sobre a aquisição hoje.
Além da dura negociação
para convencer os gestores da Inco que sua oferta era a melhor, a Vale
teve de ceder ao governo do Canadá, que impôs condições
para aprovar o negócio. A Vale se comprometeu a não demitir
funcionários da Inco nos próximos três anos e a
não reduzir o quadro de funcionários a menos de 85% do
atual. Assegurou ainda que a sede dos negócios de níquel
da companhia (batizada de CVRD Inco) ficará no Canadá,
que irá gerir também os projetos em andamento no Brasil.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de
outubro de 2006 | Economia
NEGÓCIOS
Brasileira será a maior
investidora entre latinos
Genebra – A aquisição da Inco pela Companhia Vale do Rio
Doce deve fazer com que a empresa brasileira suba no ranking das principais
companhias do mundo e passe a ser provavelmente a maior investidora latino-americana
no exterior nas próximas classificações publicadas pela
ONU. No ranking publicado na semana passada pelas Nações Unidas,
a Vale aparecia como a 25.ª maior companhia de países emergentes
com investimentos no exterior, totalizando até então US$ 4 bilhões
em ativos no mundo.
A líder na região era a
Cemex, do setor de construção no México, com US$
13 bilhões no exterior e na sexta colocação geral
entre as empresas de países emergentes. A Petróleos de
Venezuela ocupava o nono lugar, com US$ 8,8 bilhões, enquanto
a Petrobrás vinha na 12.ª colocação, com investimentos
de US$ 6,2 bilhões.
No total, a ONU estima que as empresas
de países emergentes investiram US$ 120 bilhões no mundo
em 2005, um recorde. Em vendas, somam US$ 1,9 trilhões. Das cem
primeiras companhias, porém, 77 delas são da Ásia.
Não por acaso, as cinco primeira do ranking também são
asiáticas: Hutchison Whampoa de Hong Kong, com US$ 67 bilhões
em ativos, seguido pela Petronas da Malásia, Singtel de Cingapura,
a coreana Samsung e a CITIC da China.
Essas empresas ainda estão longe
das líderes dos países ricos, como a americana General
Electric, com US$ 448 bilhões em ativos no exterior, seguida pela
britânica Vodafone, as americanas Ford e General Motors.
Entre as empresas mundiais que mais investem
em pesquisa, a Vale ainda aparece na 260.ª posição,
de acordo com dados da Comissão Européia. A empresa de
mineração gastou 234 milhões de euros em 2005 em
desenvolvimento, um incremento de 47% em relação aos investimentos
no setor em 2004.
Apesar do salto da Vale, o setor privado
do Brasil e a América Latina não conseguem acompanhar o
grau de internacionalização das empresas asiáticas.
Se entre 1980 e 1990 o Brasil era quem mais investia no exterior entre
os emergentes, o país foi amplamente superado pelos asiáticos
e perdeu a liderança na última década.
Hoje, o Brasil está na sexta colocação
em termos de estoque de capital no exterior e, dos US$ 72 bilhões
que dispõe no exterior, 65% estão em paraísos fiscais.
No total, a América Latina investiu US$ 33 bilhões no exterior
em 2005, 19% a mais que em 2004 -- ainda metade do que foi investido
pela Ásia.
O investimento da Vale na Inco, porém,
segue uma tendência de uma participação cada vez
maior de empresas de países emergentes no cenário econômico
mundial. Atualmente, as empresas de países emergentes investem
no exterior dez vezes mais do que faziam em 1990, com um estoque total
de US$ 1,4 trilhão.
Em 1990, apenas 19 empresas de países
emergentes faziam parte da Lista Fortune das 500 maiores companhias
do mundo. Hoje, são 47. A estratégia seguida por muitos
delas é a internacionalização como forma de sobreviver à concorrência,
seja no setor de mineração, serviços ou tecnologia.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de
outubro de 2006 | Economia
SEU BOLSO-Total de empréstimos concedidos
pelos bancos subiu 12,5% em 2006 e chegou a 33% do PIB
Juro ao consumidor cai pelo sétimo
mês
O juro médio cobrado pelos bancos caiu pelo sétimo mês
consecutivo e atingiu 41,5% ao ano em setembro, mantendo-se no menor patamar
desde junho de 2000, quando teve início a série histórica
do Banco Central. O recuo entre agosto e setembro foi de 0,4 ponto porcentual
e, desde o início do ano, a queda acumulada chegou a 4,4 pontos. Os
dados foram divulgados ontem, pelo Departamento Econômico do Banco Central.
O juro para pessoa física recuou
apenas 0,1 ponto porcentual entre agosto e setembro, e segue no menor
nível desde julho de 1994, quando o Banco Central começou
a publicar dados sobre essa modalidade. Os juros do crédito consignado,
que tem desconto na folha de pagamento do cliente, também tiveram
leve queda no mês passado, de 34,9% para 34,7% ao ano. No caso
das empresas, a taxa anual caiu de 27,9% para 27,3%, patamar mais baixo
desde outubro de 2002.
A redução dos juros ao longo de 2006 é reflexo, principalmente,
do afrouxamento da política monetária do BC, que desde setembro
do ano passado vem diminuindo a taxa básica de juros (Selic), que serve
de referência para os empréstimos. No entanto, o juro cobrado
de empresas e consumidores não recuou tanto quanto a Selic. Em 2006,
a taxa básica caiu de 18% para 13,75% ao ano, o que equivale a um recuo
de quase 24%. Enquanto isso, o juro médio cobrado pelos bancos recuou
menos de 10%.
Uma das explicações para
isso é a diferença entre a taxa que o banco paga para captar
dinheiro e a taxa que ele cobra do cliente. Essa diferença, chamada
de “spread”, caiu apenas 1 ponto porcentual desde janeiro.
De agosto para setembro houve alta, de 27,5 para 27,8 pontos porcentuais.
“A carga tributária sobre
operações financeiras é alta, assim como a inadimplência.
Isso força os bancos a se precaver frente à possibilidade
de não-pagamento”, explica Luiz Afonso Cerqueira, vice-presidente
de finanças do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças
(Ibef-PR). Mas existe outro motivo para o spread ser tão alto:
a baixa concorrência do setor bancário. “São
poucos grandes bancos que dividem entre si o mercado, em condições
muito parecidas de crédito”, diz Cerqueira.
Crédito
Em setembro, o total de empréstimos
concedidos pelos bancos aumentou 1,3% sobre agosto, atingindo R$ 682,9
bilhões no acumulado do ano – volume 12,5% superior ao do
mesmo período de 2005. O crédito concedido em 2006 equivale
a 33% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Essa proporção
vem crescendo – em agosto era de 32,8% e, há um ano, estava
abaixo de 30% –, o que é um indicador positivo para a economia.
Para o economista Carlos Cleto, professor
da Unifae, as taxas de juros tendem a continuar caindo e o volume de
empréstimos, subindo – o que se reflete em aumento do consumo
pelos cidadãos e dos investimentos por parte das empresas. Ademir
Clemente, professor de Ciências Contábeis da Universidade
Federal do Paraná, acredita que as seguidas reduções
dos juros devem provocar um movimento consistente de novos investimentos,
e sem que ocorram bolhas de consumo, que poderiam provocar inflação. “Mesmo
que o Banco Central tenha reduzido a Selic com muita lentidão,
o resultado acabou sendo positivo”, avalia.
No entanto, adverte Cleto, da Unifae,
o maior acesso ao crédito também pode se refletir em
aumento da inadimplência. Segundo o Banco Central, a inadimplência
de pessoas físicas e empresas subiu 0,2 ponto porcentual de
agosto para setembro. Desde o início do ano, a inadimplência
das pessoas físicas subiu de 6,7% para 7,8%, enquanto a proporção
de empresas que não estão pagando suas dívidas
subiu de 2% para 2,7%.
Fernando Jasper

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JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de
outubro de 2006 | Economia
FINANCIAMENTO
Consumidor só vê a
parcela
Os consumidores não costumam pensar nos juros embutidos no preço
a prazo, mas prestam muita atenção no acréscimo que o
crediário representa no preço à vista, o que na prática
dá na mesma. Um casal formado pelo metalúrgico Ronilson Parcones
e pela operadora de telemarketing Claudinéia dos Santos age desta maneira.
Passeando em diversas lojas de eletrodomésticos e móveis da rua
Barão do Rio Branco, no centro de Curitiba, os dois procuravam um aparelho
de som que custasse por volta de R$ 600. No entanto, para conseguir levar o
produto para casa, o casal teria que apelar para a compra parcelada. “O
bom é que dá para pagar um valor fixo mensalmente”, explica
Claudinéia. Mas há uma diferença: o valor fica em média
50% mais caro, como mostra a pesquisa do BC. “Não olhamos os juros,
que têm uma letrinha muito pequena, mas o preço fica uns R$ 300
mais caro”, continua a consumidora. Porém, olhando as parcelas
de aproximadamente R$ 80, os dois se animam mais. “Dá para empurrar
com a barriga”, justifica Parcones, sobre como encaixa o gasto no orçamento.
Marco Sanchotene
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de
outubro de 2006 | Economia
CONSIGNADO
Cai taxa máximo para
aposentado
Brasília – O Conselho Nacional de Previdência Social reduziu
de 2,86% para 2,78% ao mês o teto para os empréstimos com desconto
direto no benefício para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS). A medida entrará em vigor a partir da publicação
no “Diário Oficial” da União, o que deverá ocorrer
até a próxima semana. Para a redução, o conselho
levou em conta a redução da taxa básica de juros promovida
pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do BC. A Selic
caiu meio ponto porcentual em cada encontro e hoje está em 13,75% ao
ano. De acordo com o Ministério da Previdência, para determinar
o teto de 2,78%, foi feita a divisão de 1 ponto porcentual por 12 meses,
o que resulta na queda de 0,08 ponto porcentual. Essa é a segunda vez
que o conselho sugere um corte no teto dos juros ao INSS. A primeira havia
ocorrido em julho. O teto havia sido definido em 2,9% no final de maio com
o objetivo de reduzir os juros praticados ao aposentado, que tem as parcelas
descontadas na folha de pagamento. As estatísticas mostram que os aposentados
com menor poder aquisitivo são os que mais utilizam os empréstimos
com desconto em folha de pagamento.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de
outubro de 2006 | Economia
COMBUSTÍVEIS-Início de produção
em novos poços permitiu que marca fosse alcançada
Petrobrás bate novo
recorde com extração de 1,9 milhão de barris
A Petrobrás anunciou ontem que atingiu um novo recorde diário
de produção ao extrair, na segunda-feira, 1,913 milhão
de barris de petróleo no Brasil. Esse recorde superou em 30 mil barris
o anterior, de 1,882 milhão de barris, alcançado no final de
maio deste ano.
A marca foi alcançada principalmente
devido à manutenção da produção nos
campos terrestres e da entrada em produção de três
novos poços interligados à plataforma P-50, no campo de
Albacora Leste, na Bacia de Campos.
Com eles, a P-50 já atingiu uma produção de aproximadamente
150 mil barris diários. Está em fase adiantada a ligação
de outros quatro poços à mesma plataforma, quando a P-50 deverá atingir,
nas próximas semanas, a sua capacidade máxima de produção,
programada para 180 mil barris por dia.
Esse resultado é mais um passo
decisivo para que a Petrobrás alcance a meta de 2 milhões
de barris por dia, prevista para o fim do ano, com a entrada em operação
de mais duas plataformas na Bacia de Campos: a P-34, no campo de Jubarte,
que deverá ocorrer em novembro, com potencial de 60 mil barris
por dia; e o FPSO Cidade do Rio de Janeiro, no campo de Espadarte, em
dezembro, com capacidade para produzir até 100 mil barris.
Preço baixo
O presidente da gigante do setor petrolífero
British Petroleum, John Browne, disse ontem que a indústria petrolífera
registrará um excesso de produção “em alguns
anos”, o que fará o preço do barril do petróleo
Brent, explorado no mar do Norte, cair para US$ 40.
“Os gastos mundiais na exploração
e produção continuam aumentando, o que reforça o
consenso de que as capacidades excedentes de produção voltarão
a ficar, em alguns anos, em seu nível habitual de três milhões
de barris por dia”, disse Browne.
A British Petroleum explora o produto
no mar do Norte, mas também participa do mercado do petróleo
cru leve West Texas, produzido nos Estados Unidos e comercializado
na Bolsa Mercantil de Nova York. Em julho, os contratos do barril desse
tipo de petróleo atingiram o recorde de US$ 78,40. Desde então,
o preço vem caindo até o patamar atual de US$ 58. Na
semana passada, o preço do barril para entrega em novembro chegou
a cair para US$ 56.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25 de outubro de 2006
| Economia
MICROCRÉDITO
Caixa espera 1,5 milhão
de adesões
Brasília – A Caixa Econômica Federal (CEF) espera atrair
1,5 milhão de pessoas para sua nova linha de crédito voltada
para a população de baixa renda. A nova linha, lançada
ontem, faz parte do programa de microcrédito da instituição
e tem como diferencial o pagamento parcelado mensal do empréstimo por
meio de boletos bancários. Segundo a presidente da CEF, Maria Fernanda
Ramos Coelho, a utilização de carnês é muito importante
para essa parcela da população, que acredita ser mais fácil,
com os boletos, fazer uma programação financeira de suas contas. “Foi
essa a nossa percepção depois de três anos trabalhando
nesse segmento”, disse. A nova linha estará disponível
apenas para os clientes da Caixa que mantêm contas simplificadas há mais
de 90 dias e contra os quais não haja nenhum tipo de restrição
cadastral. O banco tem hoje cerca de 4,5 milhões de contas desse tipo.
Os empréstimos terão prazos de quatro a 12 meses, com taxas de
juros de 2% ao mês, em valores que vão de R$ 200 a R$ 600. O saldo
atual de empréstimos desse tipo é de R$ 600 milhões. Desde
abril de 2003, a Caixa já aplicou R$ 1,3 bilhão no programa.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25
de outubro de 2006 | Mundo
IMPASSE-Caracas pede que La Paz concorra
a vaga temporária no Conselho de Segurança
Bolívia é o
Plano B de Chávez na ONU
La Paz – A Bolívia será candidata, em substituição à Venezuela,
a ocupar uma vaga rotativa no Conselho de Segurança (CS) da ONU, revelou
ontem o presidente Evo Morales. “Somos candidatos ao Conselho de Segurança
e talvez possamos chegar a um consenso. Certamente nossos embaixadores vão
estar mobilizados nas Nações Unidas”, afirmou Morales,
revelando que a candidatura boliviana responde a um acordo com presidente venezuelano
Hugo Chávez.
“Na noite passada, me telefonou
o embaixador da Venezuela (Julio Montes) e depois o comandante Chávez.
Ele me disse que, como não conseguiram os dois terços dos
votos para o Conselho de Segurança”, cedia seu lugar à Bolívia.
Ontem, a Venezuela havia rejeitado a retirada
simultânea de sua candidatura e a da Guatemala à vaga não-permanente
no CS da ONU, sugerida na véspera em uma reunião do Grupo
Latino-Americano e do Caribe (Grulac).
Após 35 rodadas, na semana
passada, nenhuma das duas nações conseguiu os dois terços
necessários para obter a vaga. A Assembléia Geral deve
se reunir hoje para uma nova rodada de votações.
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SITE NCST/PR,
25 de outubro de 2006
A partir de hoje idosos já poderão viajar gratuitamente em ônibus
interestaduais
A partir desta quarta-feira
os idosos com mais de 60 anos e renda inferior a dois salários mínimos poderão viajar em ônibus
interestaduais sem pagar pela passagem em todas as empresas de transporte
rodoviário de passageiros. Entretanto, eles terão que pagar
tarifas de embarque e de pedágio.
A diretoria da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres)
aprovou hoje a resolução que regulamenta o Estatuto do
Idoso para o serviço de transporte rodoviário interestadual
de passageiros, norma que faltava para a aplicação do decreto
presidencial assinado na semana passada. A resolução será publicada
amanhã no "Diário Oficial" da União.
O órgão regulador definiu na resolução os
procedimentos a serem adotados pelos idosos e as empresas para a aplicação
da lei. O Estatuto prevê que duas vagas sejam oferecidas gratuitamente
em cada veículo do serviço convencional em todos os horários.
Esses assentos deverão ficar reservados até três
horas antes da partida do ônibus. Caso eles estejam ocupados, a
empresa terá que oferecer desconto mínimo de 50% do valor
da passagem para outros assentos.
Para ter acesso ao benefício, o idoso deverá adquirir
um "bilhete de viagem do idoso" e comparecer ao terminal de
embarque 30 minutos antes da hora marcada para a partida.
No caso da aplicação do desconto de 50% para viagens com
distância inferior a 500 quilômetros, o idoso deverá adquirir
a passagem com um prazo máximo de seis horas antes da partida.
Nas viagens com distância superior a 500 quilômetros, o prazo
de antecedência é de 12 horas.
Revisão tarifária
Para evitar a contestação da regra, como ocorreu no passado,
a ANTT prepara uma resolução que deverá incorporar às
tarifas das passagens de ônibus interestaduais os eventuais custos
extras que as empresas tenham ao transportarem gratuitamente idosos com
mais de 60 anos.
A resolução, segundo a ANTT, irá "estabelecer
a revisão da planilha tarifária para a recomposição
do equilíbrio econômico-financeiro das empresas", caso
os benefícios concedidos aos idosos causem comprovadamente desequilíbrio
dos contratos.
A aplicação do Estatuto do Idoso (que é de outubro
de 2003) para o transporte gratuito em ônibus interestaduais havia
sido suspensa pela Justiça no caso das empresas associadas à Abrati
(Associação Brasileira das Empresas de Transporte Rodoviário
Terrestre de Passageiros), que questionou a ausência de uma fonte
de recursos para financiar o benefício aos idosos.
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CONSUTOR
JURÍDICO,
25 de outubro de 2006
Pernas próprias
Recurso não está condicionado
ao pagamento de multa
O recebimento
de recurso não está condicionado ao pagamento
de multa pela utilização de embargos considerados protelatórios.
O entendimento é da 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
que acolheu o Recurso de Revista da Cebrace Cristal Plano, empresa localizada
no interior paulista.
Depois de ser condenada, a empresa recorreu com
Embargos Declaratórios
alegando omissão na sentença. A peça processual
foi negada pela primeira instância, que classificou os embargos
como protelatórios e determinou a aplicação de multa
de 1% sobre o valor da causa. O valor atribuído à causa
foi de R$ 200 mil, o que resultou numa multa de R$ 2 mil.
A empresa entrou, então, com Recurso Ordinário no Tribunal
Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas, SP). Quando
foi providenciar o pagamento das custas processuais, a defesa da Cebrace
não incluiu o valor correspondente à multa. A constatação
levou o TRT a considerar insuficiente a quitação das custas
e a declarar a extinção da causa por deficiência
no pagamento dos encargos processuais.
A empresa recorreu, então, ao TST. Alegou violação
ao artigo 538, parágrafo único, do Código de Processo
Civil. O dispositivo estabelece que “quando manifestamente protelatórios
os embargos, o juiz ou o tribunal, declarando que o são, condenará o
embargante a pagar ao embargado multa não excedente de 1% sobre
o valor da causa. Na reiteração de embargos protelatórios,
a multa é elevada a até 10%, ficando condicionada a interposição
de qualquer outro recurso ao depósito do valor respectivo”.
A violação à norma processual foi reconhecida pelo
ministro João Oreste Dalazen, relator do recurso. “Esse
dispositivo não atribui a juiz ou tribunal a prerrogativa de condicionar
a interposição de qualquer outro recurso a pagamento da
mencionada multa, ainda que em manifesto intuito procrastinatório
(protelatório) da parte embargante”, considerou o relator.
“Dessa forma, a interposição de embargos de declaração,
sem reiteração, ainda que nele se divise intuito manifestamente
procrastinatório, não autoriza o juízo a condicionar
a interposição de qualquer recurso a pagamento do respectivo
valor da multa.”
O TST afastou a deserção e mandou os autos ao Tribunal
Regional do Trabalho, que terá de examinar o Recurso Ordinário
da empresa.
RR 894/1998-023-15-00.2
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JORNAL PERNAMBUCO.COM, 25
de outubro de 2006
Trabalhador chamado de macaco será indenizado
A 4ª Turma do Tribunal Regional do
Trabalho (TRT) de São Paulo decidiu manter a sentença da
23ª Vara do Trabalho, que condenou uma empresa de instrumentos musicais
a pagar 30 salários contratuais por danos morais ao ex-funcionário
R.M., que era chamado de “macaquinho” por seu diretor constantemente.
R.M. trabalhou na empresa por dois anos
e entrou com ação alegando que o diretor chamava de macaco
os vendedores que não atingiam as metas que ele queria e classificava
de “deus” os que obtinham melhores resultados.
A advogada de R.M. , Vânia Aleixo
Pereira, explica que o diretor era estrangeiro, nascido no Japão,
e sempre se referia aos brasileiros como macacos.
"Quando o funcionário ia mal,
o diretor fazia um relatório dizendo que ele era fraco, inábil
ou emocional. Se ia bem, era deus ou rei", relata.
Segundo a Juíza Relatora, Vilma
Mazzei Cappatto, as frases lançadas durante o período contratual
ofenderam a honra do reclamante, submetendo-o a constrangimentos e humilhações
pelo preconceito revelado, mesmo o ex-funcionário sendo de pele
branca.
A empresa ainda pode recorrer, mas o TRT
a condenou a subir a indenização de 10 para 30 salários
contratuais.
Entre os ex-colegas de trabalho que testemunharam
a favor de R.M. estava Carlos Alberto dos Santos, que também foi
funcionário da fabricante de instrumentos musicais. Algum tempo
depois da audiência, Santos pediu uma carta de recomendação à empresa
para o ingresso em um novo emprego numa companhia concorrente.
"Como ele é portador de câncer
e era um dos melhores vendedores da ex-equipe, a carta seria bem apropriada",
diz a advogada Vânia, que também cuida do processo.
A advogada conta que, como resposta, Santos
recebeu uma carta caluniosa que o acusava de ter desviado R$ 200 mil
dos caixas da empresa, chamando-o de “vagabundo e bandido”.
Santos processou a empresa por calúnia e o TRT-SP a condenou a
pagar R$ 300 mil ao ex-funcionário.
A empresa argumentou que a responsabilidade
pelo dano foi de outro empregado interno. Mas o TRT-SP responsabilizou
a companhia pelo dano moral, já que peritos constataram que o
e-mail saiu dos computadores da fabricante.
"A lei determina que a empresa é responsável
pelos atos praticados por seus empregados, já que a mesma tem
como coibir a propagação do e-mail", diz Vânia.
Além disso, a juíza Vânia
Paranhos considerou estranho o remetente do e-mail ter sido demitido
posteriormente com todos os direitos trabalhistas e prêmio.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/10/2006
Comércio aos domingos só com
acordo e autorização oficial
A Seção de Dissídios
Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho decidiu, por maioria
de votos, que, quando há lei municipal proibindo a abertura do
comércio aos domingos, somente negociação específica
e autorização da prefeitura da cidade permitem o seu funcionamento.
A decisão da SDC reformou cláusulas do dissídio
coletivo em que são partes o Sindicato do Comércio e o
Sindicato dos Empregados no Comércio de Conselheiro Lafaiete (MG).
O relator do processo na SDC, ministro
João Oreste Dalazen, esclareceu que, embora a Lei nº 10.101/2000
(artigo 6º) tenha autorizado expressamente o trabalho aos domingos
no comércio varejista em geral, determinou que sejam observadas
as leis municipais que regulam o funcionamento do comércio em
face das peculiaridades locais. A lei faz alusão ao artigo 30
(inciso I) da Constituição Federal, que atribui ao município
competência para legislar sobre assuntos de interesse local.
A Lei nº 4.440/2001, do Município
de Conselheiro Lafaiete, estipula a abertura e o fechamento dos estabelecimentos
industriais e comerciais da cidade. Para o comércio funcionar
aos domingos, as entidades de classe deverão, juntas, elaborar
uma proposta e encaminhá-la à prefeitura. O prefeito municipal
poderá atender à solicitação das classes
interessadas, “desde que haja prévio acordo entre os sindicatos
de classes”, assinado e protocolado com 48 horas de antecedência,
o que não ocorreu no caso julgado pela SDC.
O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(Minas Gerais) já havia decidido no sentido de que não
há expediente comercial aos domingos, “salvo negociação
coletiva específica”. No TST, o entendimento foi mantido
pelo ministro Dalazen. “A meu juízo , permite-se o trabalho
no comércio aos domingos, contudo, cumpre observar normas de proteção
ao trabalho, acordo ou convenção coletiva de trabalho,
bem assim o horário fixado em lei municipal para a abertura do
comércio”, alertou.
O sindicato patronal pediu ainda a reforma
da cláusula do dissídio que tratou do piso salarial dos
comerciários. Afirmou que o piso de R$ 317,00 estava acima do
salário mínimo regional (R$ 300,00) e pediu sua redução.
A Lei nº 10.192/2001 não permite que o reajuste seja feito
com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor. O
relator explicou que, no caso, “o TRT de Minas fixou o reajuste
salarial em patamar independente, com o escopo de manter a paridade existente
na convenção coletiva de trabalho”. Segundo ele,
não houve atrelamento do reajuste com o INPC, mas sim o cálculo
equivalente à diferença de R$ 17,00 entre o salário
mínimo regional e o mínimo fixado para a categoria.
O relator considerou o critério, “de
modo a recompor o poder aquisitivo da categoria profissional, mas sem
o atrelamento a índices de preços”. O piso salarial
da categoria foi fixado, no TST, em R$ 304,00 - valor inferior aos
14,45% concedidos pelo TRT/MG, mas superior aos 6,6% oferecidos pelo
sindicato patronal. O relator complementou a decisão, afastando
a validade da cláusula que disciplinou a forma de remuneração
do trabalho aos domingos, alegando que esta implicaria uma autorização
implícita à prestação de serviço
em dia em que o comércio não pode funcionar na localidade”.
RODC- 678/2005-000-03-00.9)
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25/10/2006
TST admite validade em acordo coletivo superior
a dois anos
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, acompanhando o voto da juíza convocada Maria do Perpétuo
Socorro, reconheceu a validade de acordo coletivo de trabalho com prazo
de vigência superior a dois anos. O instrumento coletivo firmado
pelo Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Portuários
de Imbituba (SC) previa a garantia de emprego pelo prazo de cinco anos
a todos os trabalhadores sindicalizados da Companhia Docas de Imbituba.
O empregado foi contratado pela Companhia
Docas, em setembro de 1999 para execução de serviços
portuários, e dispensado do emprego, sem justa causa, em maio
de 2002. Em novembro do mesmo ano, ajuizou reclamação trabalhista
pleiteando indenização referente ao período em que
teria direito à garantia no emprego, com base no acordo coletivo
de trabalho firmado por seu sindicato de classe.
Em contestação, a empresa
alegou que o documento que previa a garantia no emprego até 2005
não tinha validade, pois não foi registrado na Delegacia
Regional do Trabalho, além de superar o prazo de dois anos previsto
no artigo 614 da Consolidação das Leis do trabalho (CLT).
A Vara do Trabalho de Imbituba considerou
válido o acordo firmado, tendo em vista ter sido celebrado pelos
litigantes de maneira voluntária e consensual. Quanto ao prazo
de validade, a sentença registrou que a norma foi elaborada para
proteção do trabalhador, e que a garantia de emprego prevista
era benéfica ao empregado, não havendo porque invalidá-la
com base na CLT.
Insatisfeita, a empresa recorreu da decisão.
O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina)
reformou a sentença. Entendeu que o acordo superior a dois anos
afrontou as disposição do parágrafo 3º do artigo
614 da CLT.
Desta vez, o empregado recorreu ao TST
e novamente a decisão foi alterada. Segundo a relatora do processo,
o acordo coletivo de trabalho, com prazo de vigência de 1º/06/2000
a 31/05/2005, reveste-se de validade, com base no que dispõe o
artigo 7º, XXVI, da Constituição da República,
que consagra o direito dos trabalhadores ao reconhecimento das convenções
e dos acordos coletivos de trabalho.
Segundo Maria do Perpétuo Socorro,
a restrição para firmar instrumento normativo com prazo
de duração superior a dois anos é imperativa somente
quando resultar em prejuízo ao trabalhador, ante a supremacia
do princípio tutelar orientador do Direito do Trabalho sobre preceito
legal isoladamente considerado.
“Ao aplicador da lei cabe
lançar mão do método interpretativo lógico-sistemático
e teleológico, para encontrar o sentido da norma que realize
os fins sociais por ela objetivados”, destacou a juíza.
(RR-1205/2002-043-12-40.0)).
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25/10/2006
TST explica aplicação da
multa do artigo 477 da CLT
A mera alegação da empresa
sobre a existência de controvérsia em torno das parcelas
devidas ao empregado e sobre a configuração da relação
de emprego não afasta a multa prevista pela CLT (artigo 477, parágrafo
8º) quando há atraso na quitação das verbas
rescisórias. Decisão neste sentido foi tomada pela Terceira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, conforme voto do ministro Alberto
Bresciani, relator de um agravo de instrumento em recurso de revista
negado a uma empresa do interior paulista.
“Note-se que a discussão
há de ser razoável, sob pena de se premiar o empregador
que, voluntariamente, lesa o patrimônio jurídico de seu
empregado”, afirmou Alberto Bresciani, ao afastar o recurso formulado
pela empresa Sondamar Poços Artesianos Ltda., que sofreu a multa
ao ser condenada a indenizar um ex-empregado.
Segundo a CLT, as verbas rescisórias
devem ser pagas até o primeiro dia útil imediato ao término
do contrato; ou até o décimo dia, contado da data da notificação
da demissão, quando da ausência do aviso prévio,
indenização do mesmo ou dispensa de seu cumprimento. A
inobservância da regra acarreta o pagamento de multa e indenização
do trabalhador no valor equivalente a seu salário.
A punição foi imposta pela
primeira instância trabalhista e confirmada pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região (Campinas – SP). O entendimento
foi o da inexistência de controvérsia capaz de afastar a
incidência da penalidade prevista no artigo 477 da legislação
trabalhista.
“Ao contrário do que alega
a empresa, em contestação, há o reconhecimento expresso
do período de trabalho alegado na ação, havendo,
inclusive, recibo de pagamento de salários de todo o período
descrito”, registrou o TRT/15ª.
A defesa da Sondamar alegou, contudo,
a inviabilidade da multa, em face da existência de controvérsia
sobre a relação de emprego, que teria ocorrido no caso.Segundo
a empresa, tal fato afastaria a incidência da punição
legal.
O relator do agravo, contudo, observou
a ausência de correspondência entre o afirmado no recurso
pela empresa e o que foi registrado nos autos. A decisão regional
indicou que a empregadora não negou a existência da relação
de emprego e, diante da inexistência de anotação
da CTPS do empregado, atribuiu o fato à culpa do trabalhador.
Também não houve justificativa patronal para o não
pagamento integral das parcelas decorrentes da dispensa imotivada (aviso
prévio e multa do FGTS).
“Não houve, em verdade,
controvérsia, quer quanto ao vínculo, quer quanto à modalidade
de dissolução contratual”, sustentou Alberto Bresciani. “O
caso, diante de tais parâmetros, não admitiria, com efeito,
a menor dúvida quanto à configuração de
relação de emprego e da dispensa imotivada”, concluiu.
(AIRR 1802/2001-051-15-40.1)
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25/10/2006
Desconhecimento da gravidez não
retira direito da empregada
O desconhecimento do estado de gravidez,
por parte do empregador, não afasta o direito da empregada de
receber indenização decorrente da estabilidade. A decisão,
da Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto do ministro
Horácio Senna Pires, confirma a posição majoritária
do TST, fixada na Súmula n° 244.
A empregada foi contratada pela Reichert
Calçados Ltda, em janeiro de 1995, para trabalhar na fabricação
de calçados com salário de R$ 0,84 por hora. Em março
de 1997, foi demitida, grávida, sob alegação de
justa causa. No mês seguinte, ajuizou reclamação
trabalhista, pleiteando o pagamento dos salários relativos ao
período da estabilidade e demais verbas por rescisão imotivada.
A empresa, em contestação,
alegou a desídia (descaso) da empregada como motivo para a despedida.
Disse que ela faltava ao trabalho com freqüência, sem justificativa,
tendo sido advertida por diversas vezes. Alegou, ainda, desconhecer a
gravidez quando ocorreu a despedida, acrescentando que não havia
provas nos autos de que ela estivesse grávida quando foi demitida.
A empresa consignou que o dissídio coletivo da categoria previa
a decadência do direito à estabilidade em caso de não
comunicação da gravidez ao empregador no prazo de 60 dias.
A Vara do Trabalho julgou procedentes
os pedidos da autora da ação, condenando a empresa ao pagamento
dos salários e demais vantagens de todo o período estabilitário.
Converteu a demissão por justa causa em demissão imotivada.
A empresa, insatisfeita, recorreu da decisão.
O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande
do Sul) manteve o que foi decidido pela Vara, utilizando a mesma fundamentação.
Segundo o TRT/RS, não ficou configurado o motivo para aplicação
da pena máxima de demissão à empregada. Quanto à estabilidade,
entendeu que ficou comprovado, por meio de atestado médico e registro
de nascimento da criança, que a empregada estava grávida
quando foi demitida, fazendo jus às verbas pleiteadas.
A empresa apresentou novo recurso, dessa
vez ao TST, questionando sobre a falta de aviso ao empregador da gravidez
da empregada, destacando o pactuado no dissídio coletivo. Recorreu
também quanto à justa causa para a despedida.
O ministro Horácio Pires, julgando
de acordo com a jurisprudência da Corte Superior, não conheceu
do recurso, mantendo a condenação quanto ao pagamento das
verbas relativas ao tempo de estabilidade e à demissão
imotivada. (RR-758.735/01.8)

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