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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 26 de outubro de 2006 | Economia
Produção e faturamento
retomam crescimento, diz CNI
Crescimento vem após 6 trimestres
oscilando entre recuo e estabilidade
Renata Veríssimo
BRASÍLIA - A Sondagem Industrial
relativa ao terceiro trimestre de 2006, divulgada nesta quarta-feira
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI),
mostra que a produção industrial retomou crescimento
no período, após seis trimestres oscilando entre recuo
e estabilidade. A produção industrial atingiu 53,2 pontos
na sondagem, ultrapassando a barreira dos 50 pontos, o que indica evolução
positiva do indicador. Os valores abaixo de 50 pontos sugerem desaceleração
da atividade. No segundo trimestre de 2006, a sondagem indicou 48,2
pontos no indicador da produção industrial. O faturamento
da indústria no terceiro trimestre atingiu 53,1 pontos, ante
48,4 pontos no segundo trimestre.
Segundo a CNI, o crescimento no terceiro
trimestre da produção industrial deveu-se quase que exclusivamente às
grandes empresas. As pequenas e médias continuam excluídas
do processo de recuperação da atividade industrial. A
sondagem ainda demonstra uma leve melhora na evolução
do emprego, que atingiu 50,2 pontos ante 48,5 pontos no segundo trimestre.
O nível de utilização da capacidade instalada
elevou-se para 73% no terceiro trimestre deste ano ante 71% no segundo
trimestre. O aumento do indicador nesta época, segundo a CNI, é usual
e reflete o maior dinamismo na produção industrial com
objetivo de atender o aumento da demanda no fim de ano.
Exportações
O melhor desempenho da indústria
no terceiro trimestre de 2006 não aumentou o otimismo dos empresários
do setor para os próximos seis meses. A sondagem mostra que
caíram os indicadores relacionados à expectativa do faturamento,
do número de empregos, das exportações e da compra
de matérias-primas, e que os empresários esperam uma
queda das exportações nos próximos seis meses.
O indicador caiu de 49,6 pontos, registrados no segundo trimestre,
para 46,9 pontos, no terceiro. "O índice se afastou da
linha dos 50 pontos e volta a apontar pessimismo por parte dos empresários,
após três trimestres de expectativa de estabilidade",
diz o documento divulgado pela CNI. Valores acima de 50 pontos, na
sondagem, indicam expectativas positivas. Abaixo de 50 pontos, pessimismo.
Em relação ao faturamento,
o indicador caiu de 57,9 pontos, registrados no segundo trimestre,
para 53,9 pontos, no terceiro. Segundo a CNI, os números indicam
um crescimento menor nesse trimestre, apesar do crescimento das vendas
tradicionalmente registrado no período de fim de ano.
O indicador foi influenciado pelo resultado
das pequenas e médias empresas. As grandes empresas continuam
mostrando otimismo, embora também tenham apontado uma média
inferior à do segundo trimestre. A sondagem industrial mostra
também que o indicador da expectativa de número de empregados
continua apontando estabilidade. Caiu de 49 pontos, no segundo trimestre,
para 48,7 pontos, no terceiro. Em relação às expectativas
de compra de matérias-primas nos próximos seis meses,
houve um recuo de 59,2 pontos para 51 pontos. Segundo a CNI, como o
indicador está próximo dos 50 pontos, revela que a expectativa é de
manutenção dessas compras nos próximos seis meses.
Crescimento fraco
O coordenador de pesquisa da CNI, Renato
da Fonseca, avaliou que o resultado da sondagem mostra que a economia
não deve crescer fortemente no último trimestre, de forma
a reverter as expectativas de crescimento do PIB para este ano. Segundo
Fonseca, as estimativas de crescimento do PIB devem continuar nas taxas
atuais. "A Sondagem Industrial não mostra uma expectativa
de recuperação estupenda no último trimestre,
de modo a reverter as expectativas do PIB, que já foram revistas
para baixo", disse. Ele, no entanto, estima uma recuperação
da atividade industrial para pequenas e médias empresas.
Fonseca acredita que a recuperação
que ocorreu com as grandes empresas no terceiro trimestre deve puxar
o desempenho das pequenas e médias, no último trimestre,
já que muitas delas são fornecedoras para as grandes
empresas. Ele também destacou que os setores mais afetados pelo
câmbio são os que apresentaram desempenho negativo na
produção industrial. Segundo a pesquisa da CNI, os setores
de couro, madeira, vestuário e equipamentos hospitalares e de
precisão são os que tiveram a menor evolução
da produção no terceiro trimestre, enquanto os setores
de álcool, limpeza, perfumaria, farmacêuticos e químico
tiveram um melhor desempenho.
Fonseca destacou que o único
fator que pode afetar essa expectativa de melhora para pequenas e médias
empresas, no último trimestre, é a expectativa das grandes
empresas de menor crescimento no faturamento, no último trimestre,
indicando uma posição mais cautelosa em relação
aos investimentos e à compra de matérias-primas.
O coordenador da CNI alertou que, se
o real continuar valorizado em relação ao dólar
por muito mais tempo, isso pode gerar uma mudança na cultura
exportadora das empresas adquirida nos últimos anos. Segundo
Fonseca, as empresas têm reduzido a margem de lucro para continuar
vendendo ao mercado externo. O coordenador disse acreditar, no entanto,
que, se houver melhora na demanda interna, as empresas podem repensar
a estratégia e começar a se retirar do mercado externo.
Ele lembrou que muitas empresas
decidiram exportar em função de um baixo crescimento
da economia doméstica, mas podem agora adotar movimento contrário,
já que o mercado externo não é mais tão
lucrativo. O coordenador admitiu, porém, que essa mudança
não é uma decisão fácil, porque abandonar
o mercado externo significa não retomar as exportações
tão cedo. Ao mesmo tempo, Fonseca questionou a capacidade
das empresas de se manterem exportando por muito mais tempo com câmbio
valorizado.
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MONITOR MERCANTIL, 26 de
outubro de 2006
Construção civil do Rio
contrata mais em setembro
Revertendo a desaceleração
apontada em agosto, o mês de setembro trouxe bons números
para a Construção Civil, no Estado e no Município
do Rio. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério
do Trabalho e Emprego (Caged), analisados pelo Departamento Técnico
do Sinduscon-Rio, apontam que, em setembro, foram abertos 2.760 novos
postos de trabalho, contra 1.562 de agosto. No acumulado do ano, o número
chega a 15.518, contra 5.872 registrados no mesmo período em 2005.
"Estes novos postos de trabalho abertos
na Construção Civil do Rio, no mês de setembro de
2006, constituem um recorde na série histórica do Caged,
iniciada em maio de 1999", comenta Antônio Carlos Mendes Gomes,
diretor-executivo do Sinduscon-Rio. Desde maio, em apenas três
oportunidades o saldo mensal no Estado superara 2 mil novos postos de
trabalho - abril de 2001 (2.075), junho de 2001 (2.303) e janeiro de
2006 (2.376).
Nos últimos 12 meses, o saldo atual,
no estado, é de 12.286, saldo muito favorável quando comparado
com os 12 meses consolidados em setembro de 2005, que indicavam perda
de 1.406 postos. No município, os últimos 12 meses apontam
a abertura de 7.805 novos postos, contra o fechamento de 179 na consolidação
de setembro/2005.
No município, o saldo acumulado é de
8.772 novos postos, mais que o dobro dos 3.658 apurados de janeiro a
setembro de 2005. Só em setembro foram abertos 1.750 novos postos
na cidade.
No interior a tendência de aumento
também permanece. Até setembro de 2006 o acumulado registra
a criação de 6.746 novos postos, resultado muito favorável,
já que em 2005, no mesmo período, via-se o fechamento de
2.214 postos de trabalho. Os municípios do interior que mais contribuíram
para esse crescimento foram Caxias (2.557 novos postos), Macaé (1.450),
Campos (1.065), Araruama (560) e São Gonçalo (546).
No mesmo período, os municípios
que tiveram as maiores perdas de postos de trabalho foram Volta Redonda
(-315), Itaboraí (-244), Queimados (-203), Niterói (-168)
e Três Rios (-140). Nos últimos 12 meses, foram abertos
4.481 novos postos, contra a perda de 1.227 postos na consolidação
de setembro de 2005. Em relação ao mês anterior,
houve pequena desaceleração: 1.010 novos postos em setembro/2006
contra 1.075 registrados em agosto/2006.
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JORNAL VALOR ONLINE, 26 de
outubro de 2006
Setor imobiliário pode fazer
PIB crescer 4%
epois de anos de estagnação,
o mercado imobiliário tem a possibilidade de crescer a taxas expressivas,
devido à combinação de regras que favorecem a expansão
dos financiamentos e da expectativa de continuidade de queda dos juros
e da manutenção da inflação baixa. Um estudo
da MCM Consultores estima que medidas como a possibilidade de se realizar
empréstimos com juros prefixados com recursos da caderneta de
poupança, num ambiente macroeconômico favorável,
podem fazer os empréstimos habitacionais atingir R$ 300 bilhões
em quatro anos, o equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje,
esse número está na casa de 3% do PIB. Se concretizado,
esse salto pode levar o Brasil a crescer mais 4% ao longo desse período,
avalia a MCM.
"A dinamização do mercado
imobiliário pode ser uma das chaves para o Brasil começar
a decolar", diz o economista-chefe da MCM, Celso Toledo. Ele destaca
a importância do segmento para a economia, lembrando que a construção
civil tem uma capacidade de geração de empregos muito expressiva.
No setor, de janeiro a setembro foram criados 131,4 mil postos com carteira
assinada, 22% acima dos primeiros nove meses de 2005. "O volume
de empregos gerados é ainda maior se considerarmos os setores
correlacionados na cadeia da construção, ainda que seja
difícil mensurar esse total", aponta um relatório
dos economistas do Bradesco.
A MCM calculou o potencial de crescimento
tomando por base as famílias com renda acima de cinco salários
mínimos que alugam imóveis, supondo que 30% da renda será usada
para pagar o empréstimo. Com juros de 14% ao ano, trocar o aluguel
pelo financiamento vale a pena para quem paga um aluguel equivalente
a 0,9% do valor do imóvel, fazendo as contas na ponta do lápis.
Na maior parte dos casos, porém, o aluguel equivale a 0,5% a 0,75%
o valor do imóvel. Uma queda dos juros para 12% ao ano já seria
interessante do ponto de vista financeiro para quem paga um aluguel de
0,75% o valor do imóvel.

O crescimento de 12 pontos percentuais
do crédito habitacional, de 3% para 15% do PIB, se traduziria
num crescimento de 4% ao longo de quatro anos porque cada R$ 3 investidos
em capital fixo costumam levar à produção de R$
1, diz o economista Genílson Santana, um dos autores do estudo.
A MCM considera que os recursos recebidos por bancos e construtoras serão
reemprestados ou direcionados para novos investimentos, e não
para o consumo.
Com lembram os analistas do Bradesco,
o bom desempenho da construção é fundamental para
o investimento no país, uma vez que responde por cerca de 60%
da formação bruta de capital fixo (FBCF) - os restantes
40% se referem a máquinas e equipamentos.
Santana ressalta a importância para
o setor imobiliário de outras regras definidas ao longo dos últimos
anos, como a questão da alienação fiduciária,
que permite a retomada do imóvel em caso de inadimplência,
e o patrimônio de afetação, que separa o patrimônio
do empreendimento imobiliário do da construtora ou incorporadora.
Com essas medidas, bancos e mutuários têm mais segurança
para emprestar e para entrar em financiamentos longos. Mas apenas normas
institucionais corretas não adiantariam, explica. Sem um cenário
macroeconômico favorável, a MCM não apostaria num
panorama tão positivo.
As perspectivas econômicas são
realmente favoráveis para o setor. A inflação está se
consolidando em patamares baixos e os juros devem seguir em queda, afirma
Santana. "Pela primeira vez em muito tempo os bancos têm disposição
para emprestar a taxas prefixadas e por prazos longos", diz o presidente
em exercício do Secovi (sindicato da habitação)
de São Paulo, Ricardo Yazbek. Segundo ele, os juros ainda estão
elevados, mas caíram bastante e devem continuar em queda. De setembro
de 2005 para cá, a taxa Selic recuou de 19,75% para 13,75% ao
ano.
Yazbek lembra que já há operações
com juros inferiores a 12% ao ano, como os da Caixa Econômica Federal.
Na semana passada, a Caixa lançou uma linha de crédito,
de R$ 1 bilhão, para financiamento habitacional com juros a partir
de 11,9% ao ano. "A prestação começa a caber
no bolso de mais gente", afirma ele, que considera possível
o crédito habitacional atingir 15% do PIB no Brasil como prevê a
MCM, ainda que talvez num prazo um pouco maior que quatro anos.
Yazbek nota que o crédito habitacional
no Brasil é irrisório, na casa de 3% do PIB. Em países
como os EUA, o número é de 75% do PIB. Mesmo em países
latino-americanos o volume é muito maior que no Brasil, atingindo
17% do PIB no Chile e 11% do PIB no México.
Neste ano, o setor imobiliário
mostra um bom desempenho, devendo ser fundamental para a construção
civil fechar o ano com crescimento de 5,1%, nas projeções
da economista Ana Maria Castelo, da GV Consult. Os empréstimos
com recursos da caderneta de poupança totalizaram R$ 6,7 bilhões
de janeiro a setembro, 105% acima do registrado no mesmo período
do ano passado. O número de unidades financiadas no período
também disparou, atingindo 82 mil, 112% acima do que ocorreu nos
primeiros nove meses de 2005.
Para ela, o setor vive o melhor momento
desde o começo do Plano Real, justamente pela combinação
de regras adequadas , inflação baixa e juros cadentes.
Ana Maria estima um crescimento de 5,1% para a construção
neste ano, em boa parte devido ao bom resultado dos empréstimos
habitacionais. Mesmo assim, ela é cautelosa e prefere não
fazer previsões muito otimistas para os próximos anos.
Há alguns pontos sobre os quais
ainda há interrogações, diz Ana Maria, como a reação
da Justiça quando houver questionamentos sobre a execução
do imóvel como garantia dos empréstimos. Além disso,
ela lembra que boa parte do déficit habitacional se concentra
nas camadas de renda mais baixa, inferior a cinco salários mínimos.
Para essa população, são necessários subsídios
oficiais para a compra da casa própria, opina.
O diretor de economia do Sindicato
da Indústria da Construção Ciivl (Sinduscon) de
São Paulo, Eduardo Zaidan, diz que, enquanto não houver
aumento de renda consistente, é difícil apostar numa
situação muito promissora para mercado imobiliário.
Ele reconhece que as condições hoje são bem melhores
que há alguns anos, mas afirma que o cenário ainda é bem
mais fraco que o dos anos 80, quando chegaram a ser financiadas 660
mil unidades por ano.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 26 de outubro de 2006 | Economia
Antecipação do 13º derruba
superávit primário em setembro
Desempenho diminui o acumulado em 12 meses
para 4,28% do PIB
Fábio Graner e Gustavo Freire
BRASÍLIA - O superávit primário
do setor público consolidado em setembro somou R$ 4,575 bilhões,
diminuindo o acumulado em 12 meses de 4,45% do Produto Interno Bruto
(PIB) em agosto para 4,28% - R$ 87,530 bilhões - em setembro.
A redução no número se deu pelo déficit do
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no mês, de R$ 8,567
bilhões, em decorrência da antecipação de
50% do 13º salário pago a aposentados e pensionistas. O saldo
negativo da Previdência consumiu praticamente todo o superávit
do governo federal, de R$ 8,67 bilhões, nas contas do governo
central, que contribuiu com R$ 65 milhões para os números
do setor público.
O resultado no mês ficou em linha
com as estimativas dos analistas consultados pela AE, que iam de R$ 3,6
bilhões a R$ 7,2 bilhões, com mediana de R$ 5,5 bilhões.
Em setembro do ano passado, o superávit foi de R$ 7,570 bilhões.
O Banco Central registrou déficit de R$ 39 milhões. Os
governos regionais apresentaram superávit de R$ 1,994 bilhão,
sendo R$ 1,726 bilhão referente aos governos estaduais. As empresas
estatais tiveram superávit de R$ 2,516 bilhão, com a maior
parte dessa economia sendo das estatais federais, que tiveram superávit
de R$ 2,265 bilhões.
De janeiro a setembro de 2006, a economia
do setor público para pagamento de juros foi de R$ 80,526 bilhões,
o correspondente a 5,29% do PIB do período. Nos nove primeiros
meses do ano passado, o superávit foi de R$ 86,502 bilhões,
o equivalente a 6,11% do PIB daquele período.
No acumulado de 2006 até setembro,
o governo central contribuiu com superávit de R$ 49,424 bilhões.
Nesse resultado, o governo federal contribuiu com saldo positivo de R$
83,663 bilhões, enquanto o INSS apresentou déficit de R$
34,080 bilhões e o BC apresentou déficit de R$ 158 milhões.
Os governos regionais nos nove primeiros meses do ano apresentaram superávit
de R$ 16,061 bilhões, sendo R$ 13,836 bilhões só dos
governos estaduais. As empresas estatais em geral contribuíram
neste ano com superávit de R$ 15,041 bilhões, sendo R$
9,689 bilhões das estatais federais e R$ 5,328 bilhões
das estatais estaduais.
Déficit nominal
O déficit nominal do setor público
em setembro ficou em R$ 6,414 bilhões, segundo informou nesta
quarta-feira o Departamento Econômico (Depec) do Banco Central.
O valor é superior aos R$ 2,387 bilhões de déficit
registrado em agosto. Em setembro do ano passado, o déficit nominal
foi de R$ 6,891 bilhões. Entre janeiro e setembro, o déficit
nominal está acumulado em R$ 41,127 bilhões, o que corresponde
a 2,70% do PIB. Em igual período do ano passado o déficit
nominal estava em R$ 33,647 bilhões, o que equivalia 2,38% do
PIB.
No período de 12 meses até setembro,
o déficit nominal está acumulado em R$ 71,121 bilhões,
que correspondem a 3,48% do PIB. Em agosto, o déficit acumulado
em 12 meses estava em R$ 71,597 bilhões, o equivalente a 3,52%
do PIB. No ano passado, o déficit nominal foi de R$ 63,641 bilhões,
que equivalia a 3,28% do PIB.
Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico
(Depec) do Banco Central (BC), afirmou que manteve sua projeção
de déficit nominal do setor público em 3,50% do Produto
Interno Bruto (PIB) para 2006.
A estabilidade da previsão ocorreu
a despeito da queda da estimativa do crescimento do PIB em 2006 de 4%
para 3,50% e da redução das previsões de mercado
para a taxa de câmbio no fim do ano de R$ 2,20 para R$ 2,17.
A projeção de déficit
nominal embute uma expectativa de que os gastos com juros em 2006 ficarão
em torno dos 7,75% do PIB. Em 2005, o déficit nominal do setor
público havia ficado em 3,28% do PIB e as despesas com juros corresponderam
a 8,11% do PIB.
Dívida
A dívida líquida do setor
público em setembro ficou em 50,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
De acordo com o BC, o porcentual corresponde a R$ 1,030 trilhão.
O Depec revisou, ao mesmo tempo, a dívida líquida de agosto
de 50,3% do PIB para 50,1% do PIB. Em agosto, a dívida líquida
estava em R$ 1,033 trilhão. No ano, a dívida líquida
teve uma queda acumulada de 1,4 ponto porcentual do PIB.
"Contribuíram para a redução
da dívida líquida do superávit primário,
com 3,9 pontos porcentuais do PIB; o ajuste decorrente da valorização
cambial de 7,1% acumulada no ano, com 0,3 ponto porcentual; o crescimento
do PIB valorizado, com 3,2 pontos porcentuais; e as receitas de privatizações
com 0,1 ponto porcentual", afirma a nota divulgada pelo Depec.
No sentido oposto, os juros nominais e
o ajuste de paridade da cesta de moedas que compõe a dívida
externa líquida contribuíram para aumentar a dívida
em 5,9 pontos porcentuais e 0,2 ponto porcentual do PIB, respectivamente.
O Depec também informou que a dívida bruta do governo geral
(governo federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) fechou
setembro em R$ 1,511 trilhão. O valor corresponde a 72,7% do PIB.
Em agosto, a dívida bruta estava em R$ 1,472 trilhão, que
correspondiam a 71,4% do PIB.
Altamir Lopes, afirmou que a relação
dívida-PIB deve fechar o mês de outubro em 50,1%, valor
estável em relação a setembro, que foi o melhor
resultado, desde abril de 2001, quando ficou em 49,95%. Para 2006, o
chefe do Depec manteve a projeção de que a relação
dívida-PIB fechará em 50,5%.
Juros
A apropriação de juros nominais
pelo setor público,em setembro, somou R$ 10,989 bilhões.
Desse total, R$ 7,678 bilhões foram referentes ao governo central
e R$ 3,465 bilhões dos governos regionais. As empresas estatais
tiveram um ganho, com juros, de R$ 154 milhões. No acumulado de
janeiro a setembro, a apropriação de juros somou R$ 121,653
bilhões, o equivalente a 7,99% do PIB do período. No acumulado
do ano, o governo central contribuiu com R$ 99,543 bilhões e os
governos regionais com R$ 23,559 bilhões.
Já o conjunto das empresas
estatais do setor público teve um ganho, com juros de R$ 1,449
bilhão. Esse desempenho das estatais se deve essencialmente às
empresas federais, que ganharam R$ 3,098 bilhões com juros,
enquanto as estatais estaduais tiveram que pagar R$ 1,479 bilhão.
As estatais municipais pagaram juros de R$ 169 milhões. No acumulado
dos últimos 12 meses, encerrados em setembro, a apropriação
de juros foi de R$ 158,650 bilhões (7,76% do PIB), sendo R$
127,706 bilhões do governo central, e R$ 32,394 bilhões
dos governos regionais. As empresas estatais nos 12 meses encerrados
em setembro, tiveram um ganho de R$ 1,450 bilhão com juros.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 26 de outubro de 2006 | Economia
Grande SP tem menor taxa de desemprego
em nove anos
Índice ficou em 15,3% da PEA; 107
mil postos de trabalho foram criados
Jander Ramon
SÃO PAULO - A taxa de desemprego
na Grande São Paulo ficou em 15,3% da População
Economicamente Ativa (PEA) em setembro, resultando na menor taxa para
este mês desde 1997. Em agosto, o desemprego atingia 16% da PEA
na região. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira pela Fundação
Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (DIEESE), que estimam o contingente de desempregados
dos 39 municípios da região em 1,54 milhão de pessoas.
Conforme a Pesquisa de Emprego e Desemprego
(PED), medida pelas duas instituições, o contingente de
desempregados diminuiu em 64 mil pessoas em setembro, resultado da criação
de 107 mil ocupações, enquanto 43 mil pessoas entraram
no mercado de trabalho.
A PED destaca a geração
de 80 mil postos de trabalho na indústria, alta de 5% sobre agosto,
além do aumento de 17 mil cargos no comércio, o que representa
uma elevação de 1,3% em relação ao mês
anterior. Também foi destacada a relativa estabilidade em serviços,
com a geração de 15 mil vagas, e em outros setores, concentrado
em construção civil e serviços domésticos,
que teve a eliminação de 5 mil cargos, queda de 0,5% em
relação a agosto.
A pesquisa identificou também crescimento
do rendimento médio real do total de ocupados e também
entre assalariados. Entre julho e agosto, o rendimento dos ocupados cresceu
2,2% correspondendo a R$ 1.147, ao passo que, entre assalariados foi
de 2%, correspondendo a R$ 1.206.
A queda da taxa de desemprego foi considerada
positiva pelos técnicos da Fundação Seade e do Dieese,
porém com algumas ressalvas. "Devemos lembrar que a taxa
de ocupação somente em setembro retomou o mesmo patamar
que era verificado no final de 2005 e no início de 2006",
ponderou o gerente de análise de PED, pela Fundação
Seade, Alexandre Loloian. "Enfrentamos um período muito longo
de corte da ocupação e só agora parece haver recuperação",
acrescentou.
A avaliação dos técnicos é de
que o crescimento da ocupação tem sido acompanhado pelo
aumento da renda dos trabalhadores da Grande São Paulo, o que
tem provocado aumento do consumo, sobretudo de bens-duráveis e
semiduráveis, caso dos segmentos de vestuário e têxtil
e de alimentação. "A sensação que temos é que
com a renda maior, o mercado se aquece, e como a maior parte dos empregos
criados são com registro em carteira, existe a possibilidade de
endividamento e isso criou uma expectativa de melhora da economia no
fim do ano", avaliou Loloian. Assim, pôde ser justificado
o crescimento de 80 mil postos de trabalho na indústria paulista
em setembro.
Trajetória
Segundo os técnicos, o desemprego
deverá manter trajetória de queda na Grande São
Paulo no período de outubro a dezembro, puxado, principalmente,
pelo aumento da ocupação, mesmo que a PEA também
venha a subir no mesmo período. Eles projetaram ainda a continuidade
do aumento do rendimento médio, conforme o já constatado
no período de julho a agosto."A perspectiva é de que
a renda suba, talvez não no ritmo verificado entre julho e agosto,
com alta de 2,2% no conjunto dos ocupados, mas mantendo uma trajetória
positiva", afirmou o diretor-técnico do Dieese, Clemente
Ganz Lúcio.
Por conta das festas de fim de ano, os
técnicos das duas instituições estimaram elevação
da ocupação no Comércio e, em menor escala, na Indústria.
Isso porque, no setor industrial da Grande São Paulo, o nível
de ocupação verificado em setembro estava no mesmo patamar
do de janeiro deste ano, que, por sua vez, era menor do que o verificado
em dezembro de 2005. "A indústria antecipou um pouco, em
setembro, as contratações de fim de ano. Mas, se considerarmos
o patamar que já existiu nesta indústria no ano passado,
podemos esperar ainda algum crescimento nos próximos meses, ou
que, pelo menos, seja estacionado o patamar de ocupação
atual", pontuoue Loloian.
Também foi informada uma expectativa
positiva para o setor de Serviços e o conjunto dos Outros Setores,
centrados principalmente em Construção Civil e Serviços
Domésticos. A avaliação dos especialistas é que
o movimento de expansão de renda, acompanhado pelo crescimento
da renda no final de ano, trazida, principalmente pelo pagamento do 13º salário,
confirme a sazonalidade verificada no mercado de trabalho da Grande São
Paulo, demandando maior quantidade de prestação de serviços.
"Se analisarmos o comportamento
sazonal histórico, a indicação que temos é que
o desemprego cairá em outubro, novembro e dezembro e poderá cair
um pouco ou se estabilizar em janeiro, já que, principalmente
o Comércio, mantém parte dos contratados em regime temporário
para atender os consumidores que procurarão as queimas de estoques,
os chamados saldões", disse Ganz Lúcio. "O
desemprego só deve aumentar em fevereiro, ainda em patamares
inferiores aos encontrados em fevereiro de 2006", acrescentou.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 26 de outubro de 2006 | Dinheiro
81% da receita federal vem do Sul e Sudeste
Estudo revela que regiões respondem pela maior parcela da carga
tributária, embora concentrem só 57% da população
| Mesmo perdendo espaço no PIB nacional, São Paulo ainda
responde por quase 41% de todos os tributos federais pagos em 2005
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
De cada R$ 100 que a Receita Federal
arrecada anualmente, mais de R$ 81 saem dos sete Estados que compõem as regiões Sul e Sudeste.
No ano passado, essas regiões contribuíram com 81,48% de
toda a arrecadação administrada pela Receita, segundo o
estudo "Arrecadação tributária para a União
por Estados e por regiões do país", divulgado ontem
pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).
Em valores, as duas regiões pagaram R$ 296,711 bilhões
dos R$ 364,136 bilhões arrecadados no ano. Apesar de arrecadar
mais de 81%, as duas regiões concentram apenas 57,2% da população
brasileira.
A participação daqueles Estados no bolo tributário
cresceu nos últimos dois anos, após quedas também
por dois anos. Era de 80,85% em 2001, de 80,03% em 2002, de 79,23% em
2003, de 80,64% em 2004 e de 81,48% no ano passado.
Segundo o estudo, só o Estado de São Paulo contribui com
mais de 40% de tudo o que é arrecadado pelo fisco federal. No
ano passado, os paulistas pagaram 40,85% de todos os tributos arrecadados
pela Receita (esse valor exclui a contribuição ao INSS
e o FGTS).
Mas a participação paulista era bem maior há cinco
anos. Em 2001, São Paulo recolhia 45,63% da receita. Em 2002,
caiu para 44,58%, mas em 2003 foi a 45,18%. Em 2004 houve forte retração,
para 40,87%, índice que permaneceu estável no ano passado.
Esses números comprovam a perda de espaço do Estado de
São Paulo no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Segundo os
dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
a participação paulista no PIB caiu de 32,6% em 2002 para
31,8% em 2003 -último dado divulgado. Em 1985, a participação
paulista era de 36,1%.
Segundo o advogado Gilberto Luiz do Amaral, presidente
do IBPT e um dos coordenadores do estudo, a guerra fiscal entre os
Estados é um
dos motivos que levaram São Paulo a perder espaço no PIB
do país (guerra fiscal é a concessão de incentivo
a empresas, por um Estado, que pode prejudicar os demais). "A guerra
fiscal fez São Paulo perder investimentos e, em conseqüência,
participação no PIB", diz Amaral.
As demais regiões, embora concentrem 42,8% da população
nacional, respondem por pouco mais de 18% da receita tributária.
O Centro-Oeste arrecada 11,02%, o Nordeste, 5,59%, e o Norte, 1,91%.
Por Estado
O estudo traz a carga tributária per capita brasileira e por
Estado. No caso, a receita total é dividida pelo número
de habitantes do país e de cada Estado.
A carga tributária per capita nacional vem crescendo a cada ano.
De R$ 1.087 em 2001, ela chegou a R$ 1.977 no ano passado -o aumento
foi de 82% no período de cinco anos. Como comparação,
a inflação medida pelo IPCA foi de 50,60%; pelo INPC, foi
de 54,54%.
O principal motivo para o expressivo salto na carga
tributária
per capita nacional foram os aumentos principalmente nas contribuições
federais, como PIS, Cofins e contribuição social o lucro
das empresas.
Por unidade da Federação, a maior carga tributária é paga
pelos moradores do Distrito Federal. Eles desembolsaram R$ 15.144 no
ano passado, segundo o estudo do IBPT. Em 2001, pagavam R$ 8.709.
Esse expressivo valor em comparação aos demais Estados
tem uma explicação, segundo o estudo: os órgãos
e empresas públicas federais centralizam todo o recolhimento dos
tributos em Brasília.
A seguir, vêm os moradores do Rio de Janeiro, com R$ 5.320, e
os de São Paulo, com R$ 3.678. Em 2001, os paulistas pagavam mais
(R$ 2.272) do que os fluminenses. (R$ 2.188).
Amaral diz que essa inversão de posições ocorreu
devido ao crescimento da exploração de petróleo
no Rio de Janeiro e à expansão dos setores de telecomunicações
e de energia.
GRÁFICO: JORNAL GAZETA DO
POVO / PARANÁ.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 26 de outubro de 2006 | Dinheiro
Entre as capitais, moradores de Vitória são
os que pagam mais
DA REPORTAGEM LOCAL
Apesar de São Paulo ser o Estado que mais paga tributos federais,
não foram os moradores da capital paulista os que tiveram a maior
carga tributária per capita em 2005 quando a divisão é feita
por capitais.
Segundo outro estudo do IBPT, os moradores de Vitória (capital
do Espírito Santo) assumiram no ano passado a liderança
nesse quesito. Até 2004, os moradores da cidade de São
Paulo eram os líderes.
No ano passado, os moradores de Vitória pagaram R$ 681,32 cada
um à Receita Federal, valor 25,78% maior do que os R$ 524,70 de
2004, ano em que estavam em segundo lugar no ranking por capitais. A
carga tributária por capitais inclui tributos como o ISS (serviços),
IPTU (imóveis), ITBI (sobre a transferência de imóveis
e terrenos), taxas, Imposto de Renda na fonte dos servidores municipais
e a contribuição previdenciária desses mesmos servidores.
Segundo Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT,
essa liderança é conseqüência
da grande arrecadação do ISS (Imposto Sobre Serviços)
registrada na cidade. Motivo: expansão das atividades ligadas à mineradora
Vale do Rio Doce e aos setores de gás, de telecomunicações
e serviços portuários. Com o aumento da receita municipal,
a carga tributária per capita cresce pelo fato de que a capital
capixaba tinha apenas 313,3 mil habitantes ao final do ano passado -o
número corresponde a 1,27% da população total do
país que reside nas capitais.
Os moradores de São Paulo estão em segundo lugar, mas
respondem por 39,84% de toda a arrecadação municipal das
capitais. No ano passado, cada um dos 10,928 milhões de moradores
da capital paulista desembolsou R$ 614,69 para pagar tributos, ou mais
13,48% do que os R$ 541,66 de 2004.
Na média, cada um dos 41,473 milhões de moradores das
capitais do país pagou R$ 406,57 à Receita Federal, ou
seja, 10,93% mais dos que os R$ 366,51 de 2004. O resultado foi uma arrecadação
de R$ 16,861 bilhões pagos por todos os moradores das capitais.
(MC)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 26 de
outubro de 2006 | Economia
CARGA TRIBUTÁRIA
Mantega afirma que houve
aumento
O ministro da Fazenda Guido Mantega admitiu ontem que houve aumento da carga
tributária no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Confesso
em público que houve um aumento da carga tributária”, disse
o ministro durante apresentação em evento sobre crédito
promovido em São Paulo pelo Centro das Indústrias do Estado de
São Paulo (Ciesp). Mantega afirmou que houve um aumento no PIS/Cofins
sobre produtos importados, equivalente a 0,80% do Produto Interno Bruto (PIB)
e elevação de 0,08% do PIB desse mesmo tributo para a indústria
nacional. Mas depois voltou atrás e falou em brincadeira.
O ministro destacou que o governo Lula
desonerou setores da economia e planeja um programa de redução
de tributos, que passa pela aprovação da Lei Geral de Pequenas
e Micro Empresas que tramita no Congresso. “Os tributos continuam
altos e precisam ser reduzidos, mas temos que baixar impostos que têm
impacto mais positivo na economia.”
Nos três primeiros anos do
governo, a carga tributária só caiu em 2003, ano em que
a economia quase não cresceu, e chegou a 37,37% no ano passado.
Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT),
os impostos, taxas e contribuições pagas pelos brasileiros
no primeiro semestre deste ano corresponderam a 39,41% do PIB.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 26 de
outubro de 2006 | Economia
TRIBUTOS
Nordeste, com 27,7% da população,
contribui só com 5,6% da receita
A região que menos contribuiu para os cofres do governo federal em 2005
foi o Norte, responsável por 1,91% da arrecadação da Receita
Federal (RF) e 2,83% do montante recolhido pelo Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), o equivalente a R$ 3,284 bilhões.
Em 2001, os valores ficaram em 2,10% e
2,33% respectivamente. A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) para a população da região
em 2005 é de 7,98% do total brasileiro.
Disparidade
No entanto, o Nordeste é a região
onde a diferença entre população e arrecadação é maior.
A região tem 27,7% da população total, mas contribuiu
com apenas 5,59% do total arrecadado pelo país no ano passado.
Em 2001, este valor ficou em 5,76%.
Conforme o presidente do IBPT, o grande
abismo entre total arrecadado e o número de pessoas se deve às
diferenças entre as regiões. “O Sul tem o maior equilíbrio
entre os setores agropecuário, industrial e de serviços,
enquanto o Sudeste tem maior quantidade de pessoas trabalhando, o que
representa mais Imposto de Renda. O índice de sonegação
e evasão fiscal é menor nestas regiões do que no
Norte e no Nordeste”, justifica.
Industrialização
Ainda de acordo com Amaral, as diferenças
podem ser explicadas pela alta concentração de indústrias
nas regiões Sul e Sudeste, enquanto no restante do país
predomina a atividade agropecuária.
Além disso, as companhias
dos setores petrolífero, energético e de telecomunicações
estão concentradas nestas partes do país. “A indústria
tem receita maior e carrega mais tributos.” Pesa no cálculo
também o fato de haver maior concentração deemprego
formal no Sul e no Sudeste. (MS)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 26 de
outubro de 2006 | Economia
CONTRIBUIÇÃO
Média per capita é de
R$ 1,9 mil
O estudo do IBPT divulgado ontem também chegou à arrecadação
de tributos federais per capita, o que reforça a tese de que o Sudeste
contribui muito mais do que a média nacional. O Sul, nesta comparação,
fica um pouco abaixo do valor mediano, enquanto o Centro-Oeste fica bem acima
por ter o Distrito Federal, que reúne a arrecadação de
quase todas as empresas públicas e órgãos federais, como
Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Central, entre outros.
Enquanto em 2005 a média de arrecadação por brasileiro
ficou em R$ 1.977,02, no Norte do país este valor ficou em R$ 472,43,
e no Nordeste, em R$ 399,03. No Sudeste, o mesmo número registrado foi
de R$ 3.268,36, uma variação de 88% em relação
ao Nordeste, enquanto o da região Centro-Oeste foi de R$ 3.081,36. Cada
habitante do Sul respondeu por R$ 1.491,73 enviados aos cofres públicos
no ano passado. (MS)
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
26 de outubro de 2006
Desemprego e Renda têm queda
em setembro, segundo IBGE
Thais Leitão / Agência
Brasil
Rio de Janeiro - O índice
de desemprego ficou em 10% em setembro, nas seis maiores regiões
metropolitanas do país. O resultado mostra queda de 0,6 ponto
percentual em relação a agosto. Na comparação
com o mesmo mês de 2005, a taxa ficou estável, em 9,6%.
Os números fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada nesta
quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). De acordo com a entidade, o recuo entre agosto e setembro é fruto
da queda de 5,3% na procura por trabalho e pelo aumento de 1,2% no contingente
de ocupados.
Esses movimentos - que segundo o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, indicam
um resultado positivo - foram motivados pelo momento eleitoral e pela proximidade
das festas de fim de ano.
“ O aumento da ocupação era percebido nos últimos
meses, mas não era suficiente para absorver a demanda. Agora, a demanda
continua, com 10% da população economicamente ativa procurando
trabalho, mas tanto o momento eleitoral como a época do ano propiciam
o aumento de contratações para a produção que será escoada
no fim do ano", observou. "Esses fatores impulsionaram o nível
da ocupação. Como conseqüência, a demanda por ocupação
em parte foi atendida”.
Em contrapartida, o rendimento médio dos ocupados ficou em R$ 1.030,20,
com queda de 0,8% em relação a agosto e elevação
de 2,7%, na comparação com setembro de 2005.
“ A queda do rendimento entre os meses de agosto e setembro pode ter sido
causada pelas novas contratações, principalmente de trabalhadores
com salários mais baixos”, explicou Azeredo.
Em setembro, o número de pessoas ocupadas chegou a 20,7 milhões,
crescendo 1,2% em relação a agosto e 3,1% na comparação
com setembro de 2005. A quantidade de pessoas desocupadas, que totalizou 2,3
milhões, teve queda de 5,3% frente agosto e aumento de 7,1% em relação
ao mesmo mês do ano passado.
O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado também
aumentou entre os meses de setembro de um ano e outro. A alta foi de 5,6%,
o que representa cerca de 455 mil pessoas a mais no mercado de trabalho formal.
O Rio de Janeiro registrou a menor taxa de desemprego apontada pela pesquisa
no mês de setembro: 7,5%. Em São Paulo, região com maior
representatividade no levantamento, a taxa foi de 11,1%. Salvador apresentou
o maior índice, com 13,6%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 26 de
outubro de 2006
Cnt/Sensus mostra Lula 24 pontos à frente
de Alckmin
por CBN/O GLOBO ONLINE
A três dias da eleição, a pesquisa CNT/Sensus divulgada
nesta quinta-feira confirma a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva sobre o tucano Geraldo Alckmin apontada pelo instituto Datafolha.
Segundo o Sensus, Lula tem 57,5% das intenções de voto, contra
33,5% de Alckmin, ou seja, uma vantagem de 24 pontos. Eleitores indecisos somam
5,9%, enquanto votos brancos e nulos aparecem com 3,3%. Levando-se em conta
somente os votos válidos, Lula aparece com 63,2% dos votos, contra 36,8%
de Alckmin.
A pesquisa Datafolha divulgada na terça-feira
mostrava Lula com 58% dos votos totais e o tucano com 37% (22 pontos
de diferença). A 87ª pesquisa CNT/Sensus ouviu duas mil pessoas
em 195 municípios, no período de 23 a 25 de outubro. A
pesquisa está registrada no TSE sob o número 23.029, de
18 de outubro.
- Acredito que essa é uma eleição
definida. As diferenças estão se alargando. Os votos espontâneos
e os estimulados são muito próximos, o que significa a
consolidação da opinião do eleitor. Acredito que
a vantagem de Lula se deve à percepção das pessoas
de que a sua vida melhorou, se comparada ao governo anterior. A população
sente que houve benefícios econômicos e escolheu pela continuidade
- avaliaRicardo Guedes, coordenador da pesquisa.
Mais cedo, em entrevista à rádio
CBN, o candidato a vice de Alckmin, senador José Jorge (PFL-PE),
afirmou, no entanto, que está "bastante esperançoso" com
uma "virada" até domingo.
- A questão das pesquisas é muito
relativa. Não dá para a gente desanimar e ficar de cabeça
quente por causa de pesquisa - afirmou.
A pesquisa CNT/Sensus - a primeira do
instituto a ser divulgada no segundo turno - mostra também que
o percentual de rejeição de Alckmin é maior que
o de Lula. O ex-governador paulista é rejeitado por 45% dos eleitores,
enquanto o presidente, por 33,6%. Na pesquisa espontânea - quando
o entrevistador não apresenta o nome dos candidatos - Lula aparece
com 53,9% e Alckmin com 31,4%.
Segundo a pesquisa, a maior vantagem do
petista sobre o tucano se dá entre a população com
renda mais baixa e menos escolaridade. Entre os eleitores com até a
quarta série do ensino fundamental, Lula tem 63,5% das intenções
de voto, contra 26,5% de Alckmin. Essa faixa representa 35% do eleitorado.
Já entre os eleitores com nível superior, que corresponde
a 11% do eleitorado, Alckmin tem 53,2% e Lula, 35,8%.
Entre os eleitores com renda de até um
salário-mínimo, Lula tem 69,7% das intenções
de voto e Alckmin, 22,66%. O tucano vence entre os eleitores que ganham
mais de 10 salários-mínimos. Entre os que ganham entre
10 e 20 salários, Alckmin tem 47,9% e Lula, 42,9%. Acima de 20
salários, a diferença aumenta: Alckmin tem 55,7% e Lula,
31,4%.
Entre os eleitores com ensino médio
completo, Lula aparece com 52,8% das intenções, contra
38,6% de Alckmin. Entre os eleitores que concluíram a oitava série,
o presidente tem 63,9% e o tucano, 28,6%.
A pesquisa Datafolha divulgada na
terça-feira mostrava Lula com 58% dos votos totais e o tucano
com 37% (22 pontos de diferença). Já na última
pesquisa realizada pelo Ibope , no dia 20, Lula liderava a disputa
com 62% dos votos válidos, contra 38% de Alckmin. Enquanto levantamento
divulgado pelo Vox Populi , no último dia 17, mostrava vantagem
de 20 pontos do petista sobre o tucano.
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AGÊNCIA
CÂMARA, 26 de outubro de 2006
Trabalhador temporário poderá ter
seguro-desemprego
A Câmara analisa o Projeto de Lei 7479/06, do deputado Ricardo
Izar (PTB-SP), que garante a empregados agrícolas e urbanos contratados
por prazo determinado e a trabalhadores temporários urbanos o
direito a receber seguro-desemprego.
De acordo com a proposta, o número de parcelas a que o desempregado
terá direito variará de acordo com a quantidade de meses
trabalhados. Quem esteve empregado por 9 meses nos 12 anteriores ao fim
do contrato receberá duas parcelas. Receberá três
parcelas quem tiver trabalhado por 12 meses nos 18 anteriores. Já que
trabalhou 15 meses nos 24 anteriores ao fim do contrato terá direito
a receber quatro parcelas. O período trabalhado não precisa
ser contínuo.
Na opinião de Ricardo Izar, o fato de o trabalhador temporário
saber a data em que terminará seu contrato não impede que
ele tenha os mesmos problemas que qualquer outro desempregado. Daí a
necessidade, segundo ele, do seguro-desemprego para essa categoria. "No
caso dos trabalhadores rurais, a situação se agrava em
função de sua modéstia situação socioeconômica",
afirma Izar.
Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e foi apensada ao PL
3118/04, do deputado Paulo Bauer (PSDB-SC), que garante aos trabalhadores
rurais o pagamento do seguro-desemprego por dois meses, de forma alternada
ou contínua, a cada período aquisitivo de oito meses.
Os textos serão analisados pelas comissões de Agricultura,
Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Trabalho,
de Administração e Serviço Público; de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-7479/2006
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SITE NCST, 26
de outubro de 2006
TST explica multa sobre o FGTS prevista na CLT
A
mera alegação da empresa sobre a existência
de controvérsia em torno das parcelas devidas ao empregado
e sobre a configuração da relação de
emprego não afasta a multa prevista pela CLT (artigo 477,
parágrafo 8º) quando há atraso na quitação
das verbas rescisórias. Decisão neste sentido foi tomada
pela Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, conforme voto
do ministro Alberto Bresciani, relator de um agravo de instrumento
em recurso de revista negado a uma empresa do interior paulista.
“Note-se que a discussão há de ser razoável,
sob pena de se premiar o empregador que, voluntariamente, lesa o
patrimônio jurídico de seu empregado”, afirmou
Alberto Bresciani, ao afastar o recurso formulado pela empresa Sondamar
Poços Artesianos Ltda., que sofreu a multa ao ser condenada
a indenizar um ex-empregado.
Segundo a CLT, as verbas rescisórias devem ser pagas até o
primeiro dia útil imediato ao término do contrato;
ou até o décimo dia, contado da data da notificação
da demissão, quando da ausência do aviso prévio,
indenização do mesmo ou dispensa de seu cumprimento.
A inobservância da regra acarreta o pagamento de multa e indenização
do trabalhador no valor equivalente a seu salário.
A punição foi imposta pela primeira instância
trabalhista e confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas – SP). O entendimento foi o da inexistência
de controvérsia capaz de afastar a incidência da penalidade
prevista no artigo 477 da legislação trabalhista.
“Ao contrário do que alega a empresa, em contestação,
há o reconhecimento expresso do período de trabalho
alegado na ação, havendo, inclusive, recibo de pagamento
de salários de todo o período descrito”, registrou
o TRT/15ª.
A defesa da Sondamar alegou, contudo, a inviabilidade
da multa, em face da existência de controvérsia sobre a relação
de emprego, que teria ocorrido no caso.Segundo a empresa, tal fato
afastaria a incidência da punição legal.
O relator do agravo, contudo, observou a ausência de correspondência
entre o afirmado no recurso pela empresa e o que foi registrado nos
autos. A decisão regional indicou que a empregadora não
negou a existência da relação de emprego e, diante
da inexistência de anotação da CTPS do empregado,
atribuiu o fato à culpa do trabalhador. Também não
houve justificativa patronal para o não pagamento integral
das parcelas decorrentes da dispensa imotivada (aviso prévio
e multa do FGTS).
“Não houve, em verdade, controvérsia, quer quanto
ao vínculo, quer quanto à modalidade de dissolução
contratual”, sustentou Alberto Bresciani. “O caso, diante
de tais parâmetros, não admitiria, com efeito, a menor
dúvida quanto à configuração de relação
de emprego e da dispensa imotivada”, concluiu. (AIRR 1802/2001-051-15-40.1)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/10/2006
Aposentadoria espontânea: TST cancela
OJ 177
O Pleno do Tribunal Superior do Trabalho
decidiu hoje (25), por unanimidade, cancelar a Orientação
Jurisprudencial nº 177, que trata da extinção do contrato
de trabalho com a aposentadoria espontânea.
O texto integral da OJ 177 dizia que “a
aposentadoria espontânea extingue o contrato de trabalho, mesmo
quando o empregado continua a trabalhar na empresa após a concessão
do benefício previdenciário. Assim sendo, indevida a multa
de 40% do FGTS em relação ao período anterior à aposentadoria”.
O cancelamento foi proposto pela Comissão
de Jurisprudência do TST, diante de duas decisões recentes
do Supremo Tribunal Federal em ações diretas de inconstitucionalidade
(ADI). No julgamento das ADIs nº 1770 e 1721, o STF considerou inconstitucionais
os parágrafos 1ª e 2ª do artigo 453 da CLT, entendendo
que a previsão de extinção do contrato de trabalho
com a aposentadoria espontânea “viola os preceitos constitucionais
relativos à proteção e à garantia à percepção
dos benefícios previdenciários.”
O ministro Vantuil Abdala, presidente
da Comissão de Jurisprudência, ressaltou que decidiu submeter
a matéria ao Tribunal Pleno devido a sua repercussão e
relevância – uma vez que há um grande número
de processos em tramitação em toda a Justiça do
Trabalho tratando do assunto. “A proposta é de cancelamento
puro e simples, sem qualquer tomada de posição quanto ao
mérito”, afirmou.
O ministro Rider Nogueira de Brito, vice-presidente
do TST no exercício da Presidência, explicou que, a partir
do cancelamento, os processos em tramitação relativos a
trabalhadores que se aposentaram mas continuaram a trabalhar – e
discutem na Justiça do Trabalho se a multa de 40% do FGTS deve
incidir sobre todo o período ou apenas sobre os depósitos
posteriores à aposentadoria – serão resolvidos caso
a caso.
“Não podemos nos antecipar”,
destacou. “Uma vez cancelada a OJ, cada ministro decidirá como
achar por bem, até que a Corte possa encontrar novamente um
denominador comum a respeito do tema. A jurisprudência deverá flutuar
até que novamente encontre o seu caminho definitivo, em que
a maioria se expresse em determinado sentido, para que nós,
se for o caso, voltemos a aprovar algo a respeito deste tema”,
assinalou.
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25/10/2006
TST: jurisprudência sobre FGTS após
aposentadoria deve flutuar
Com o cancelamento da Orientação
Jurisprudencial nº 177, decidido ontem (25) pelo Pleno do Tribunal
Superior do Trabalho, as Turmas do Tribunal voltarão a julgar
os processos relativos a aposentados que continuaram trabalhando, agora à luz
do entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal: a aposentadoria
espontânea não extingue o contrato de trabalho.
O STF decidiu neste sentido ao considerar
inconstitucionais os parágrafos 1º e 2º do artigo 453
da CLT. Diante disso, o TST cancelou a OJ 177, que seguia o texto até então
vigente da CLT, segundo o qual, ao se aposentar, o trabalhador tinha
seu contrato de trabalho extinto, e, caso continuasse a trabalhar, considerava-se
a existência de um novo contrato. Com base nisso, decidia-se também
que a multa de 40% sobre o saldo do FGTS, paga pelo empregador em caso
de demissão imotivada, incidia apenas sobre os depósitos
efetuados após a aposentadoria – na vigência do segundo
contrato.
Ontem, na sessão do Pleno que aprovou
por unanimidade o cancelamento da OJ 177, o ministro Rider Nogueira de
Brito, vice-presidente do TST no exercício da Presidência,
destacou o fato de que, a partir de agora, “cada ministro decidirá como
achar por bem, até que a Corte possa encontrar novamente um denominador
comum a respeito do tema”.
O ministro Vantuil Abdala, presidente
da Comissão de Jurisprudência, explica que o cancelamento
não significa uma tomada de posição quanto ao mérito
do assunto. “Cancelamos para que a jurisprudência evolua
naturalmente, de acordo com a convicção de cada ministro”,
afirma. Sua expectativa é a de que uma nova jurisprudência
se consolide dentro de alguns meses.
A OJ 177 foi adotada pelo TST em novembro
de 2000, e desde então, vinha orientando o julgamento da matéria
pelos órgãos julgadores do Tribunal. Recentemente, alguns
processos julgados pelo TST chegaram ao Supremo Tribunal Federal, por
meio de recursos extraordinários, e foram devolvidos para que
o TST os julgasse considerando a unicidade contratual, ou seja, com base
na premissa de que a aposentadoria espontânea não extingue
o contrato.
Nos julgamentos desses retornos de recursos
extraordinários, as Turmas do TST vêm adotando diferentes
posicionamentos. A Quarta Turma, em julgamento recente (RR 616084/1999),
decidiu, com base na Lei nº 5.107/66 (que instituiu o FGTS), que,
ainda que o contrato seja único, a multa de 40% só incide
sobre os depósitos efetuados após a aposentadoria. A Primeira,
Segunda, Terceira e Quinta Turmas, em situações semelhantes,
julgaram no sentido de que a multa deve ser calculada com base no total
dos depósitos do FGTS. Por ser muito muito recente, a Sexta Turma
ainda não julgou recurso que tenha retornado do STF.
Essas diferentes interpretações
irão, gradualmente, chegar à Seção Especializada
em Dissídios Individuais 1, na forma de embargos em recurso
de revista (recursos contra decisões de Turmas, que têm
como um de seus pressupostos justamente a existência de decisões
divergentes entre elas).
Caberá à SDI-1, conforme suas atribuições definidas
no Regimento Interno do TST (artigo 73), julgar esses embargos e, à medida
em que houver decisões reiteradas sobre o mesmo tema, propor a edição
de Orientação Jurisprudencial. A partir daí, as decisões
das Turmas, por disciplina judiciária, seguirão o disposto na
OJ.
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25/10/2006
Aposentadoria: Primeira Turma garante 40%
sobre todo o período
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, em voto relatado pelo ministro João Oreste Dalazen,
condenou uma metalúrgica gaúcha a pagar multa de 40% do
FGTS sobre os depósitos de todo o período do contrato de
emprego a um trabalhador que, mesmo após aposentar-se voluntariamente,
permaneceu prestando serviços ao empregador. O recurso envolve
a OJ 177, cancelada ontem (25), pelo Pleno do Tribunal Superior do Trabalho
em decorrência de recentes decisões do Supremo.
O recurso envolve um trabalhador gaúcho
e a Carlos Becker Metalúrgica Industrial Ltda. O trabalhador recorreu
ao Supremo Tribunal Federal, questionando o entendimento do TST de que
a aposentadoria espontânea extinguia o contrato de trabalho, mesmo
quando o empregado continuava a trabalhar na empresa após a concessão
do benefício previdenciário.
O STF acolheu seu recurso e determinou
que o TST rejulgasse a questão sob nova premissa, ou seja, a de
que a aposentadoria espontânea não extingue o contrato de
trabalho. O entendimento da Suprema Corte é o de que são
inconstitucionais os parágrafos 1º e 2º do artigo 453
da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) porque violam
preceitos constitucionais relativos à proteção do
trabalho e à garantia ao recebimento dos benefícios previdenciários.
Em seu voto, o ministro Dalazen afirmou
que a conclusão do STF é a de que não há lei
que declare a extinção do contrato em face da aposentadoria
espontaneamente requerida pelo empregado que prossegue prestando serviço
ao mesmo empregado. Segundo ele, a Lei nº 8.213/91, que trata da
aposentadoria por tempo de serviço, sugere exatamente o contrário,
em seu artigo 49. O ministro determinou que a multa de 40% alcance todo
o período.
“Entendo que os motivos ora declinados
revelam-se suficientes para concluir que a aposentadoria espontânea
não pode figurar como mais uma modalidade de extinção
do contrato de trabalho, nos casos em que não há solução
de continuidade na prestação de serviços. Em decorrência,
o empregado faz jus à multa de 40% do FGTS sobre os depósitos
de todo o período do contrato de emprego uno, computados o tempo
anterior e o posterior à jubilação espontânea
seguida da continuidade do labor, contanto que, ao final, opere-se a
rescisão do contrato sem justa causa”, concluiu. (RR 2501/2002-900-04-00.2)

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