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JC ONLINE, 27 de outubro
de 2006
Paralisação
Pernambuco: Continua greve dos trabalhadores
da construção civil
A greve dos operários da construção
civil em Pernambuco chega ao seu terceiro dia nesta quinta-feira (26)
com adesão de quase 95% dos canteiros de obra no Grande Recife.
A categoria reivindica reajuste salarial
de 15%, menor desconto na folha do preço do almoço e
construção de habitações para abrigar trabalhadores
que vêm do interior para trabalhar na capital.
De acordo com o diretor do Sindicato
dos Trabalhadores Civis José Humberto, as negociações
com o Sindicato da Indústria da Construção Civil
(Sinduscon) estão suspensas e ainda não se tem uma previsão
para retomada do diálogo.
O reajuste apresentado pelo Sinduscom é de
2,86%, enquanto os trabalhadores pedem o mínimo de 15%. Segundo
o presidente do entidade, Gabriel Neves, o valor pedido é irreal.
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CORREIO WEB / DISTRITO FEDERAL,
27 de outubro de 2006
Falta de transporte obriga construção
civil do DF a ‘importar’ trabalhadores
A falta de linhas de ônibus em Águas
Claras força o setor da construção civil do Distrito
Federal, um dos maiores empregadores da economia local, a buscar funcionários
no estado vizinho de Goiás. Levantamento do Sindicato da Indústria
da Construção Civil do DF (Sinduscon-DF), mostra que o
valor gasto com transporte de um empregado que trabalha em Águas
Claras e mora em Samambaia, por exemplo, é até 52,27% maior
do que o gasto com o trabalhador que mora em Águas Lindas de Goiás.
Tudo porque não existem ônibus
diretos de algumas cidades do DF para Águas Claras. É o
caso de Gama, Novo Gama, Taguatinga Sul e Norte, Ceilândia e Samambaia.
O morador dessas cidades é obrigado a pegar dois ônibus,
no mínimo, para chegar em Águas Claras. “Se por um
acaso tiver que escolher entre dois funcionários, com a mesma
qualificação, vou optar por quem tem mais facilidade de
transporte”, diz o proprietário da Soltec Engenharia, Adalberto
Cleber Valadão.
Atualmente, um operário que mora
em Samambaia e trabalha em Águas Claras tem um custo mensal de
R$ 220 com transporte, contra R$ 105,60 de quem mora em Águas
Lindas de Goiás, que possui ônibus direto para Águas
Claras. Segundo o Sinduscon, em determinados casos, o valor que se paga
a mais com as passagens chega a representar 25% do salário do
funcionário. A estimativa do sindicato é que pelo menos
3 mil trabalhadores da construção civil estejam nessa situação.
Lotados e precários
“As linhas que vêm de Águas
Lindas estão sempre lotadas, com o pessoal espremido na porta
do ônibus. Eu moro na Colônia Agrícola, em Vicente
Pires, e gasto 30 minutos para chegar na obra. Hoje, vou de lotação.
Mas, antes, tinha que pegar dois ônibus para chegar no trabalho”,
afirma o pedreiro Fernando de Carvalho, 44 anos. Ele torce para que o
problema seja resolvido logo. A ausência de transporte noturno
também causa transtorno. “Hoje, o metrô pára às
19h. Se eu tenho um serviço que se estende até às
20h, ele não sai porque o funcionário não tem como
voltar para casa”, diz o presidente da Comissão da Indústria
Imobiliária do Sinduscon, Júlio Cezar Peres. O Sinduscon
prepara um estudo para apresentar à Secretaria de Transportes
do DF. “Na próxima semana, apresentaremos a demanda completa
pelo serviço”, diz.
Na opinião de Peres, mais
linhas resolveriam não apenas o problema dos trabalhadores,
que gastariam menos tempo com a locomoção, mas também
das empresas, que teriam custo menor e maior agilidade nos trabalhos.
De acordo com ele, em torno de 40 empresas atuam na região,
considerada o maior canteiro de obras da América Latina. Procurada
pela reportagem, a Secretaria de Transportes não se manifestou
sobre o assunto.
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AGÊNCIA DIAP, 27 de
outubro de 2006
Comemoração
CNTI comemora 60 anos de fundação;
DIAP é homenageado
A Confederação Nacional
dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) comemorou nesta quarta-feira,
25 de outubro, 60 anos de fundação. Durante o ato, o DIAP
foi homenageado pela atuação em prol dos trabalhadores
da indústria, bem como pela permanente defesa dos interesses dos
assalariados de nosso país.
Além do DIAP, foram homenageados
os deputados Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP) e Sérgio Miranda
(PDT/MG), bem como a presidente do Tribunal Regional do Trabalho da
10ª Região, em Brasília, juíza Flávia
Simões Falcão, e diversas federações e
confederações de trabalhadores. Para o DIAP, é motivo
de orgulho ter a CNTI como entidade filiada há 21 anos. Desde
o dia 04 de março de 1985, a Confederação Nacional
dos Trabalhadores na Indústria é parceira incondicional
do DIAP na defesa dos interesses, aspirações e desejos
dos trabalhadores por melhores salários, condições
de trabalho e de vida. Parabéns!
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 27 de outubro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006 / PESQUISA
Lula mantém vantagem de 24 pontos,
aponta Ibope
Presidente tem 62% dos votos válidos contra 38% de Alckmin; só 12%
admitem mudar | No total dos votos, petista oscilou um ponto para cima
e chegou a 58%, enquanto tucano passou de 36% para 35% das intenções
de voto
DA REDAÇÃO
Pesquisa
Ibope divulgada ontem pelo "Jornal Nacional" mostra
estabilidade na disputa eleitoral e confirma a tendência de vitória
de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição do
próximo domingo.
No levantamento, feito na terça e quarta-feira desta semana,
o presidente manteve 62% dos votos válidos contra 38% do tucano
-24 pontos de diferença. A margem de erro é de dois pontos
percentuais para mais ou para menos.
Na pesquisa estimulada, Lula está com 58% dos votos contra 35%
de Alckmin. Ainda estão indecisos 4% dos eleitores e votariam
em branco ou nulo 3% dos entrevistados.
Em relação à última
pesquisa, Lula oscilou um ponto para cima, enquanto Alckmin oscilou
um ponto para baixo.
A pesquisa também avaliou o grau de decisão do voto. Só 12%
dos eleitores disseram que ainda podem mudar, e 86% dizem já ter
feito a escolha definitiva.
O Ibope ouviu 3.010 eleitores em 202 municípios brasileiros.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número
23.351/2006.
Também foram divulgadas ontem pesquisas do Vox Populi e do CNT/Sensus.
Na primeira, Lula manteve os 61% a 39% nos votos válidos que obtivera
na semana passada.
O Sensus fez sua primeira pesquisa do segundo turno
-Lula venceria com 63,2% dos votos válidos, contra 36,8%. Os
dois levantamentos foram registrados no TSE.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de
outubro de 2006 | Brasil
RETA FINAL
Presidente tem vantagem entre
pobres
Brasília – A pesquisa CNT/ Sensus revelou que o eleitorado mais
pobre é quem deve garantir a vitória do presidente Lula no domingo.
Lula tem a maioria dos votos dos brasileiros com apenas o primeiro grau completo,
que representam 60,9% do eleitorado, e que ganham de um a cinco salários
mínimos. Já Alckmin lidera entre os eleitores com curso superior – que
representam 11% do eleitorado – e os que ganham acima de dez salários
mínimos.
Lula também tem a preferência
do eleitorado nordestino (74,8%) e das regiões Norte e Centro
Oeste (58,3%). Alckmin não vence hoje, segundo a Sensus, em nenhuma
região, mas empata com o petista no Sul, onde ambos têm
45% das intenções de votos.
Na avaliação do diretor
do instituto Sensus, Ricardo Guedes, a eleição está definida. “Qualquer
coisa que aconteça não mudará mais o resultado da
eleição. As diferenças estão se alargando’’,
justificou.
O presidente Lula tem um índice
de rejeição bem menor do que seu adversário: 33,6%
contra 45% de Alckmin.

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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 27 de outubro de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula e Alckmin distorcem estatísticas
Presidenciáveis, que fazem o último debate hoje na TV, usam
ao menos seis formas diferentes de manipular informações
| Além de citar números falsos, candidatos expõem
cifras para gerar conclusões erradas e dados que não têm
como passar por checagem
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Se pouco
ou nada revelaram sobre seus planos de governo, Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), que fazem hoje seu quarto
e último debate, mostraram nesta campanha amplo domínio
da técnica de manipular dados e conceitos estatísticos
para impressionar as platéias.
Da enxurrada de números exibidos no segundo turno, uma pequena
parcela é simplesmente falsa. A maior parte é enganosa:
as cifras têm conexão com a realidade, mas são apresentadas
de forma a sugerir conclusões erradas -seja para exagerar os feitos
de quem as cita, seja para maximizar os defeitos do oponente.
Do grosseiro ao sofisticado, os debates anteriores mostraram os truques
mais comumente usados pelos rivais:
1) Ignorar o processo histórico - Há indicadores em permanente
melhora e em permanente piora nos últimos anos. O salário
mínimo, por exemplo, cresce acima da inflação desde
o Plano Real. "O salário mínimo tem hoje o maior poder
de compra dos últimos anos", gaba-se Lula -e o mesmo poderia
ser dito no governo tucano. A carga tributária, igualmente, subiu
sem parar no período. "Nunca se pagou tanto imposto como
agora", ataca Alckmin -e o mesmo poderia ser dito no governo tucano.
2) Comparar valores distantes no tempo - A inflação e
a expansão da economia ajudam a produzir a ilusão de grandes
aumentos do gasto público, mesmo quando a despesa ficou estável
ou até caiu. Lula não perde a oportunidade de medir o aumento
dos gastos em saúde em bilhões de reais, enquanto Alckmin
faz o mesmo com os gastos com juros, ao acusar o adversário de
distribuir uma "Bolsa Banqueiro".
Medidas como percentuais do PIB (Produto Interno Bruto), as duas despesas
mostram estabilidade nos governos tucano e petista.
3) Misturar metodologias -Para exibir a cifra de
7,6 milhões
de empregos supostamente criados em seu governo, Lula utiliza uma combinação
de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios)
e dos dois levantamentos oficiais do trabalho formal. Misturam-se, assim,
informações obtidas por critérios, periodicidade
e abrangência diferentes.
Já a campanha de Alckmin, quando quer apresentar a tese de que
o crescimento econômico em São Paulo superou a média
nacional, mistura dados apurados pelo IBGE e pela Fundação
Seade -o primeiro mediu um resultado melhor em 2003, mas não tem
dados para 2004 e 2005.
4) Usar conceitos para confundir - Acompanhadas
de números, expressões
como pessoas desempregadas e carga tributária podem produzir argumentos
enganosos.
As estatísticas não consideram desempregadas as pessoas
que desistiram de procurar trabalho. Se o mercado melhora e elas voltam
a buscar uma vaga, o desemprego aumenta -ainda que tenha crescido a taxa
de empregados. Alckmin usou o fenômeno para transformar em má uma
boa notícia para Lula.
A carga tributária é a arrecadação de impostos,
taxas e contribuições dividida pela renda nacional. Lula,
criticado por elevar tributos, apontou o aumento da carga paulista no
governo tucano, mas isso não necessariamente significa que houve
elevação de impostos.
5) Usar falsas relações de causa e efeito - Sempre que
sua política externa é atacada, Lula cita a duplicação
das exportações em seu governo. Uma coincidência
de eventos não significa, necessariamente, que um foi responsável
pelo outro.
Nesse caso, basta notar que as exportações cresceram em
todo o mundo a partir do final de 2002, e países como o Chile,
de política externa totalmente diferente da brasileira, registraram
altas ainda maiores nas vendas externas.
6) Citar números que não podem ser negados nem confirmados
- O exemplo mais claro é a economia de R$ 4 bilhões que
Alckmin diz ter obtido ao longo de sua gestão com o pregão
eletrônico, mecanismo informatizado pelo qual o governo seleciona
seus fornecedores.
A conta do tucano é apenas a diferença entre os preços
obtidos nos pregões e os chamados valores de referência,
que são uma estimativa prévia para o custo da operação.
Economia efetiva haveria se os preços obtidos fossem inferiores
aos de licitações convencionais.
Alckmin também insiste em mencionar a existência de 40
mil petistas empregados no governo federal. Não há nenhuma
estatística sobre a filiação partidária de
empregados em cargos de confiança ou em funções
terceirizadas.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 27 de outubro de 2006 | Dinheiro
Desemprego recua para 10%, mas renda cai
Após seis meses de estagnação, taxa atinge seu menor
patamar desde janeiro, puxada por serviços e pela indústria
| Rendimento médio interrompe trajetória de alta e sofre
queda de 0,8% em setembro, atingindo R$ 1.030,20, diz IBGE
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Após seis meses de relativa estagnação, a taxa
de desemprego finalmente cedeu em setembro: ficou em 10% -em agosto,
era 10,6%. É a menor marca desde janeiro deste ano (9,2%), mas
supera a de setembro de 2005, de 9,6%. Já o rendimento interrompeu
a trajetória de recuperação e caiu 0,8% de agosto
para setembro, segundo o IBGE.
Diferentemente do que ocorreu em outros meses, o mercado de trabalho
gerou, em setembro, vagas em número suficiente para atender
a todos que buscavam um emprego. Resultado: o desemprego caiu. Foram
criados 244 mil empregos de agosto para setembro (alta de 1,2%), mais
do que as 128 mil pessoas que estavam à procura de trabalho
(queda de 5,3%).
Neste ano, porém, a taxa custou a ceder. É que o número
de pessoas empregadas caiu sistematicamente de janeiro a abril, recuperando-se
só a partir de maio. Tal cenário retardou a queda da taxa
de desemprego, fenômeno que tradicionalmente acontece no final
do segundo trimestre (maio ou junho), segundo Marcelo de Ávila,
economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplica). "No
início do ano, o mercado de trabalho mostrava tremenda apatia,
havia grande dificuldade de gerar postos de trabalho, o que começou
a se reverter em maio. Agora, o reaquecimento está muito vigoroso." Segundo
Cimar Azeredo Pereira, gerente da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do
IBGE, havia no início do ano a expectativa de uma taxa de desocupação
mais baixa em 2006 por conta do fato de o desemprego vir de um patamar
menor (fechou 2005 em 8,3%) e da própria melhora do cenário
econômico, com taxas de juros mais baixas.
A perspectiva foi frustrada, diz Azeredo, especialmente
por conta da eleição, que aumentou a procura por trabalho. "O período
eleitoral fez muitas pessoas que estavam fora do mercado de trabalho
buscarem um bico, o que inchou a PEA [População Economicamente
Ativa]", concorda Ávila. Somente em setembro, a PEA, que
abriga os empregados e quem procura por trabalho, cresceu 3,5% ante igual
mês de 2005, atingindo 39,8 milhões de pessoas nas seis
maiores regiões metropolitanas do país.
Para Ávila, a recuperação dos rendimentos neste
ano, que sofreu uma brecada em setembro, também fez mais pessoas
se lançarem ao mercado de trabalho, animadas com a perspectivas
de ganharam mais. Em setembro, a renda média manteve a expansão
(2,7%) sobre o mesmo mês de 2005 e atingiu R$ 1.030,20. Foi a 15ª alta
consecutiva.De agosto para setembro, a queda da renda foi fortemente
influenciada pela perda dos empregadores (4,6%), categoria com pouco
peso na ocupação, mas com alto rendimento (R$ 2.795,80).
Setorialmente, o emprego cresceu mais na indústria (1,9%, ou
66 mil novos postos) e em serviços prestados a empresas (4,18%,
ou 118 mil), também sob impacto da maior atividade fabril. Segundo
Fábio Romão, economista da LCA, boa parte do crescimento
da ocupação em setembro foi provocada pelo aquecimento
sazonal da indústria, que já prepara sua produção
destinada a atender às encomendas de final de ano e contribuiu
positivamente para a redução do desemprego. "A novidade
em setembro é que o emprego industrial veio bem, o que ainda não
havia acontecido neste ano e acabou por se refletir na taxa de desocupação",
disse Romão.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 27 de outubro de 2006 | Dinheiro
Renda não recupera nível
de 2002
Aumento da formalização é o ponto forte do governo
Lula na área do trabalho, segundo analistas | Mudança de
metodologia nos cálculos do IBGE impede comparação
com dados de emprego durante o governo de Fernando Henrique
DA SUCURSAL DO RIO
No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição,
a taxa de desemprego média ficou em 11,1%, considerando os resultados
dos nove primeiros meses de cada ano. Já o rendimento, apesar
da reação recente, não voltou aos níveis
de 2002 -há queda de 7,7% em relação a setembro
daquele ano, segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística).
Uma comparação com o governo do tucano Fernando Henrique
Cardoso fica prejudicada, pois o IBGE só possui dados a partir
de março de 2002, quando foi introduzida a nova Pesquisa Mensal
de Emprego, cujas alterações metodológicas a tornaram
incomparável com os levantamentos anteriores.
Na média de março a setembro de 2002, a taxa de desemprego
foi de 12%. Em setembro de 2002, a renda caíra 1,4% ante agosto
-a comparação anual só se tornou possível
a partir de 2003.
Na média de janeiro a setembro deste ano, a taxa de desemprego
ficou em 10,2% -em igual período de 2005, havia sido de 10%. "A
taxa de desocupação está praticamente no mesmo nível
de 2005, o que é positivo", ressalta Cimar Azeredo Pereira,
gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.
O economista Fábio Romão, da LCA, disse que sob o governo
Lula o mercado de trabalho teve um desempenho melhor do emprego e menos
favorável do rendimento, que ainda não recuperou todas
as perdas.
Em setembro de 2002, o rendimento médio era
de R$ 1.116,51. Estava, em setembro deste ano, em R$ 1.030,20.
Para Marcelo de Ávila, do Ipea, a queda na
renda em 2003 levou a um ingresso forte de pessoas no mercado de trabalho
em busca de recompor
o rendimento familiar, o que resultou num crescimento do desemprego.
Nos nove primeiros meses de 2003, a taxa de desocupação
chegou a 12,4%, num ano de crescimento econômico de apenas 0,5%.
Ela baixou para 11,9% no mesmo período de 2004.
Formalização
O economista Romão, da LCA, destacou ainda a evolução
positiva do nível de formalização do mercado de
trabalho: "Sem dúvida, foi um ponto favorável. Não
que tenham sido criados muitos postos formais. O que houve principalmente
foi a substituição de vagas informais, sem carteira, por
empregos formais. Isso é bom, já que se trata de um emprego
de mais qualidade".
Pelos dados do IBGE, a participação dos empregados com
carteira no setor privado saltou de 40,6% em 2002 para 41,2% em igual
mês de 2006. Ainda que com menos intensidade, também subiu
o peso dos sem carteira -de 14,9% para 15,2%. O total de trabalhadores
por conta próprias recuou de 19,2% para 19%.
Em setembro deste ano, o nível de ocupação -ou
seja, o percentual empregados em relação ao universo total
de pessoas com idade para trabalhar (10 anos ou mais), bateu a maior
marca da nova pesquisa do IBGE, atingindo 52,1%.
Refletindo muito mais o avanço geral do nível de escolaridade
do brasileiro, cresceu também nos últimos anos a participação
das pessoas com mais de 11 anos de estudo inseridas no mercado de trabalho.
Entre os ocupados, essa taxa passou de 45,8% para os atuais 52,1%.
(PEDRO SOARES)
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 27 de outubro de 2006 | Dinheiro
Aumenta confiança do consumidor
na economia, diz FGV
Í
ndice avança 5% de setembro para outubro; avaliação
melhora tanto para a situação presente como para os próximos
seis meses | Sondagem, realizada em sete capitais, apura aumento na proporção
dos que pretendem gastar mais com bens duráveis
DA FOLHA ONLINE, NO RIO
A confiança do consumidor na economia brasileira aumentou 5%
entre setembro e outubro, de acordo com dados divulgados pela FGV (Fundação
Getulio Vargas).
Dois meses antes do Natal,
o Índice de Confiança do Consumidor,
que é composto por cinco itens contidos na Sondagem de Expectativas
do Consumidor, passou de 103,1 para 108,3 -a leitura era de 100 quando
a pesquisa começou a ser feita, em setembro de 2005.
O consumidor melhorou sua
avaliação tanto da situação
presente como para as expectativas econômicas em relação
aos próximos seis meses.
O Índice da Situação Atual elevou-se de 99,8 para
105,8, uma alta de 6%. Em setembro, a economia deu sinais de reação.
O desemprego caiu para 10% da população economicamente
ativa, contra 10,6% em agosto. Trata-se do menor índice desde
janeiro.
Com isso, a proporção de consumidores que avaliam a situação
econômica da cidade em que residem como "boa" elevou-se
de 8,9% para 12,3%, enquanto a dos que a julgam "ruim" reduziu-se
de 47,2% para 42,7%.
Já o Índice de Expectativas para a economia avançou
de 104,9 para 109,7, um aumento de 4,6%.
Mais gastos
Houve alta de 12,3% para
14,7% na parcela de informantes que prevêem
gastos maiores com compras de bens duráveis (como veículos
e eletrodomésticos) nos próximos meses e queda de 35,1%
para 30,5% na proporção dos que acham que os gastos serão
menores.
A sondagem de Expectativas
do Consumidor é realizada com base
numa amostra de 2.000 domicílios em sete das principais capitais
brasileiras. A coleta foi realizada entre os dias 2 e 23.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de
outubro de 2006 | Economia
ESTUDO
Sobe a diferença entre alta
do PIB do Brasil e do mundo
A diferença entre o crescimento do PIB brasileiro e a expansão
média mundial aumentou no governo de Luiz Inácio Lula da Silva
em relação aos dois mandatos do tucano Fernando Henrique Cardoso,
conclui o Grupo de Conjuntura do Instituto de Economia da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ). “Desse ponto de vista, o crescimento está até pior
do que no governo Fernando Henrique”, diz o professor Caio Prates da
Silveira. Ao considerar a estimativa de 3,2% para o PIB brasileiro este ano,
o Brasil deve ter crescimento econômico médio de 2,7% ao ano durante
o governo Lula, inferior em 2,1 pontos percentuais ao da média mundial
para o período, de 4,8%. As contas são feitas com base em dados
do IBGE e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 27
de outubro de 2006
STF muda regra de FGTS para aposentados
Multa de 40% sobre o saldo do FGTS será paga
na totalidade
Curitiba- Ao se aposentar, o trabalhador
tinha o seu contrato de trabalho extinto e, caso continuasse a trabalhar,
considerava-se a existência de um novo contrato. Com isso, a multa
de 40% sobre o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS), paga pelo empregador no caso de demissão sem justa causa,
incidia apenas sobre os depósitos feitos após a aposentadoria,
na vigência do segundo contrato de trabalho. Agora, com o cancelamento
da Orientação Jurisprudencial número 177 do Tribunal
Superior do Trabalho, a multa poderá incidir sobre todos os depósitos
do FGTS.
A Orientação Jurisprudencial
determinava que a aposentadoria espontânea extinguia o contrato
de trabalho mesmo quando o empregado continuasse a trabalhar na empresa
após a concessão do benefício previdenciário.
Com isso, era indevida a multa de 40% do FGTS em relação
ao período anterior a aposentadoria.
O doutor em Direito de Relações
Sociais e professor de Direito do Trabalho da Pontifícia Universidade
Católica do Paraná (PUC-PR), Roland Hasson, lembra que
já havia uma decisão anterior do Supremo Tribunal Federal
(STF) que considerava que a aposentadoria espontânea não
extingue o contrato de trabalho.
Ele destacou que apesar da posição
do TST, não fica garantido para o trabalhador que ele terá a
multa do FGTS paga sobre todos os depósitos. ''Fica a critério
de cada ministro porque não tem uma orientação nova
do TST'', disse. O vice-presidente do TST, ministro Rider Nogueira de
Brito, disse que ''cada ministro decidirá como achar por bem,
até que a Corte possa encontrar novamente um denominador comum
a respeito do tema''.
Hasson lembrou que esta questão
já era discutida pelos advogados trabalhistas antes mesmo da nova
posição do TST. Ele acredita que se as empresas não
respeitarem a postura do tribunal os processos na Justiça devem
se avolumar. Ele defende que haja orientações claras a
respeito deste assunto para que não flutuem a critério
de cada juiz.
A juíza do Tribunal Regional do
Trabalho do Paraná (TRT-PR), Marlene Teresinha Fuverki Suguimatsu,
acredita que a decisão do STF não vai obrigar as turmas
do TST a dar a multa de 40%. Ela acredita que o TST terá que fundamentar
a posição que adotou.
''Muitos empregadores não estavam
pagando a multa de 40% do FGTS sobre a totalidade do saldo do trabalhador.
Acredito que agora haja um acréscimo de ações judiciais
para garantir este direito''. disse.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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AGÊNCIA BRASIL, 27
de outubro de 2006
Inclusão social
Governo anuncia linha de crédito
para catadores de materiais recicláveis
O governo federal anunciou nesta quarta-feira
(25) a criação de uma linha de crédito especial
para projetos de cooperativas de catadores de materiais recicláveis.
Por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) serão financiadas obras, reformas e infra-estrutura
física. Os interessados deverão encaminhar o pedido até o
dia 20 de dezembro.
Conjuntamente com essa medida, o presidente
Lula assinou um decreto instituindo a coleta seletiva nos órgãos
federais e a criação de um grupo de trabalho para elaborar
políticas públicas de inclusão social para moradores
de rua. O GT será composto por representantes dos ministérios
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Saúde, Educação,
Cidades, do Trabalho e Emprego, da Cultura e da Secretaria Especial de
Direitos Humanos.
Para Luiz Henrique da Silva, presidente
da Associação de Catadores de Material Reciclável
(Asmare), a coleta seletiva nos órgãos da administração
pública é "um marco no reconhecimento da categoria,
uma ferramenta poderosa a favor dos catadores". Durante a cerimônia,
ele entregou ao presidente Lula uma escultura feita com materiais recicláveis.
Segundo a Agência Radiobrás,
o presidente do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável,
Sebastião Nicomedes de Oliveira, a ida ao Palácio do Planalto
foi a realização de um sonho que teve um dia, "enquanto
dormia ao relento, olhando o céu estrelado”. Para ele, os
moradores de rua “já podem sonhar com uma vida com menos
perigos e perseguições que sofrem, quando dormem na rua”.
"O palácio do governo deve
ser visitado por reis, presidentes e autoridades, mas também por
pessoas de todos os segmentos sociais", afirmou o presidente Lula.
Segundo o Ministério das Cidades,
existe no Brasil cerca de 1 milhão de pessoas que sobrevive da
coleta de materiais jogados no lixo. Dos 5.564 municípios do país,
65% possuem lixões, mas a coleta seletiva de lixo existe em apenas
327 cidades.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de outubro de 2006 | Nacional
Copel indenizará índios
por uso de recursos naturais
Companhia Paranaense fechou acordo de R$
14 milhões com representantes
Evandro Fadel
CURITIBA - A Companhia Paranaense de Energia
(Copel) fechou nesta terça-feira um acordo com os índios
caingangues e vai pagar R$ 14 milhões como indenização
pelo uso dos recursos naturais da reserva de Apucaraninha, em Tamarana,
a cerca de 330 quilômetros de Curitiba, no norte do Estado.
Pelo acordo, 20% serão pagos ainda
este ano e o restante até 2011. O dinheiro vai para um fundo gerido
pelos próprios índios, pela Fundação Nacional
do Índio (Funai) e pelo Copel. Os valores serão utilizados
em projetos socioambientais e de auto-sustentabilidade.
O pagamento deve pôr fim à tensão
entre os índios e os funcionários da Pequena Central Hidrelétrica,
que fica dentro da reserva. Na semana passada, três funcionários
foram mantidos como reféns e impedidos de deixar o local por dois
dias. Houve ameaça de incêndio à usina. Depois, os índios
ainda acamparam em frente às instalações da empresa.
A reunião entre índios
e Copel, com a presença do procurador da República João
Akira Omoto, teve alguns momentos de tensão, e três interrupções
foram feitas para discutir as propostas. O primeiro oferecimento da
Copel foi de R$ 9 milhões, enquanto os índios pediam
R$ 15 milhões.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de outubro de 2006
Penhora dupla
Dívida trabalhista tem prioridade
sobre débito tributário
Quando forem concorrentes, as dívidas
trabalhistas têm prioridade sobre débitos tributários.
O entendimento é da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça,
que rejeitou Recurso Especial movido pela Fazenda Nacional contra a empresa
Promelco Projetos Metálicos e Construções.
Para saldar as dívidas, um imóvel
da empresa foi penhorado em execução fiscal no dia 3 de
março de 1996. O mesmo imóvel foi penhorado em reclamação
trabalhista, 26 dias depois.
No recurso, a Fazenda Nacional argumentou
que a natureza do conflito se dá por concurso de preferência,
que se estabelece pela ordem cronológica de constituição
do crédito. Dessa forma, a Fazenda sustentou que os recursos da
penhora deveriam pagar os impostos que a empresa deve.
O ministro Luiz Fux, relator, tornou sem
valor a execução fiscal para tornar prioritária
a posse do bem em favor dos trabalhadores. Segundo ele, a preferência
de créditos trabalhistas sobre os tributários se aplica
quando houver mais de um credor, quando o devedor não tiver condições
de pagar, quando houver falência, e por último, nos casos
em que o devedor tiver condições de pagar todas as dívidas.
Resp 755.552
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de outubro de 2006
Contribuição compulsória
Confederação dos servidores
reclama imposto sindical
A Confederação dos Servidores
Públicos do Brasil entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade
contra ato que impediu o desconto, na folha de pagamento, da contribuição
sindical da categoria. A entidade questiona, no Supremo Tribunal Federal,
parecer normativo da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério
do Planejamento, Orçamento e Gestão, que dispensou os servidores
do recolhimento da contribuição compulsória.
Segundo o parecer da secretaria, só depois
de edição de lei específica será possível
adotar o recolhimento compulsório. O órgão federal
entendeu que apenas os empregados sujeitos à relação
contratual, e não os servidores públicos — sujeitos
ao Regime Jurídico dos Servidores Federais (Lei 8.112/90) — precisam
fazer a dedução.
A contribuição sindical é o
desconto, na folha de pagamento, de um dia de trabalho por ano. A contribuição,
chamada de imposto sindical, está prevista nos artigos 578 a 610
da CLT. Segundo a legislação, todos os profissionais que
exercem a profissão, sócios ou não dos sindicatos,
têm de pagá-la.
“De fato, preceitua genericamente
o parecer que, salvo advindo lei nova a dispor sobre a obrigatoriedade
do recolhimento de contribuição sindical por servidor público
federal, é inviável a exigência de tal recolhimento
e deve ser desacolhida, conseqüentemente, por carecer de previsão
legal que a ampare, pretensão de entidade sindical nesse sentido”,
afirma a entidade.
A confederação requer a
concessão de liminar para suspender, até o julgamento final
desta ADI, os efeitos do ato impugnado. No mérito, a entidade
pede a procedência da ação a fim de declarar inconstitucional
o parecer normativo.
O ministro Eros Grau, relator da ação,
determinou, com base no artigo 12, da Lei 9.868/99 (Lei das ADIs), que
a matéria seja apreciada diretamente no mérito, pelo plenário
do STF.
ADI 3.805

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