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CPN - Comitê Permanente Nacional
Aprovada a criação
do Comitê Local de Segurança e Saúde no Trabalho
O
companheiro Jorge Moraes, diretor da FETRACONSPAR e representante
da CNTI junto ao CPN - Comitê Permanente Nacional, esteve
em São Paulo, no último dia 25/10, onde participou
de reunião, em que foi apresentado e aprovado, a criação
do Comitê Local de Segurança e Saúde no Trabalho.
O art. 5º foi vetado.
Acesse
o documento.
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Folha de São Paulo,
29 de Outubro de 2006
Lula é reeleito com mais de 58 milhões
de votos
Lula vence Alckmin e se reelege presidente
CRIS GUTKOSKI
DA REDAÇÃO, EM SÃO PAULO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou seu segundo
mandato neste domingo, 29 de outubro, reelegendo-se em segundo turno.
Com mais de 58 milhões de votos, venceu Geraldo Alckmin (PSDB),
que no primeiro turno havia conquistado uma supreendente soma de 41,6%
dos votos válidos. A popularidade de Lula sobreviveu a um ano
e meio de ataques diários da oposição, ao seu
governo e ao seu partido, o PT, desde que foi deflagrada a chamada "crise
do mensalão" no Congresso.
Dada a ampla vantagem, a reeleição foi proclamada pelo
presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, ainda antes das 20h.
Lula ganha um novo mandato embalado por uma avaliação
positiva recorde de seu governo: 53% de ótimo ou bom, em outubro,
segundo o Datafolha. Em seu último comício, na periferia
de São Paulo, na noite de quarta-feira (dia 24), o presidente-candidato
amparou-se nas estatísticas para desabafar: "Quero ver
alguém sair com a avaliação que nós estamos
hoje em final de mandato, depois de a gente apanhar quatro anos da
imprensa brasileira, quatro anos em que as coisas boas que nós
fazíamos não apareciam nos jornais".
No primeiro pronunciamento após eleito, em São Paulo,
Lula agradeceu a reeleição "às pessoas que
confiaram, ao povo brasileiro que em vários momentos foi instado
a ter dúvida contra o governo". Segundo o presidente, a
população soube diferenciar o que era ou não verdade
e avaliou as melhorias nas condições de vida. "E
contra isso não há adversário", disse Lula. "O
povo sentiu na mesa, no prato e no bolso a melhora de vida".
As "coisas boas" apareceram numa eficiente propaganda gratuita
para rádio e TV e, no segundo turno, nas perguntas e respostas
de Lula em quatro confrontos televisivos com Alckmin. Alçado
ao segundo turno menos por méritos próprios do que por
falhas graves dos adversários, autores do escândalo do
dossiê, Alckmin errou o tom da agressividade no primeiro debate
na TV, na Rede Bandeirantes, em 8 de outubro, e viu estancar a sua
curva ascendente nas pesquisas de intenção de voto. Também
o apoio recebido de Anthony Garotinho (PMDB) no Rio foi interpretado
como uma contradição no discurso em prol da ética
do tucano.
Por meses, a reeleição de Lula era dada como certa ainda
no primeiro turno, quando mais um escândalo envolvendo assessores
do partido do presidente prolongou a campanha. Em 14 de setembro, a
Polícia Federal desmontou um esquema para compra de dossiê contra
o então candidato a governador José Serra (PSDB), cujos
desdobramentos incluíram prisões, interrogatórios
e revelação de nomes da campanha petista que levaram à queda
do coordenador e presidente do PT, Ricardo Berzoini.
Lula classificou a operação de "abominável" na
manhã de sábado, dia 16, em visita ao Pará. Em
entrevista ao Bom Dia Brasil, disse que os petistas interessados no
dossiê andavam mexendo "com bandidos" e que "mexer
com bandido não dá certo". Feito uma fortaleza que
a oposição tenta minar desde meados de 2005, quando foi
revelado o esquema do mensalão na Câmara dos Deputados,
Lula sobreviveu a mais um escândalo.
Exército de um homem só
"A verdade nua e crua é que nós conseguimos, com
muita humildade, desmoralizar aqueles que nós sucedemos, aqueles
que pensavam que sabiam tudo", disse o presidente em comício
em São Bernardo do Campo, nas vésperas do primeiro turno,
na mesma noite em que era duramente criticado por Alckmin, Heloísa
Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT) por se ausentar do debate na
Rede Globo.
Acompanhada de uma série de números oficiais sobre geração
de empregos, aumento e distribuição da renda, diminuição
da pobreza e acesso a universidades privadas para estudantes carentes,
a frase de Lula sintetiza uma das razões da reeleição.
O seu governo teve desempenhos melhores do que o de Fernando Henrique
Cardoso (PSDB) em diversas áreas.
No horário gratuito deste ano, Lula dava depoimentos sozinho
no cenário. Um quadro bem distinto do de 2002, quando o candidato
aparecia na TV rodeado de grupos de notáveis, colaboradores
de seu programa de governo. A solidão de Lula na propaganda
fala também de suas sucessivas perdas na equipe de governo e
no comando do PT. Saíram Oded Grajew, Frei Betto, Ricardo Kotscho,
esses antes dos escândalos.
Em 2005, foram substituídos na cúpula petista o presidente
José Genoino, o secretário Silvio Pereira, o tesoureiro
Delúbio Soares. Lula ainda perdeu seu ministro da Casa Civil,
José Dirceu, depois cassado pela Câmara, e seu ministro
da Fazenda, Antonio Palocci, suspeito de quebra de sigilo bancário.
Na reta final antes do primeiro turno, precisou dispensar Berzoini
do comando da campanha.
Como provaram as urnas neste domingo, o presidente
agora reeleito não perdeu a popularidade nem os votos dos eleitores. O petismo
deu lugar ao movimento batizado de "lulismo", que procura
dissociar o presidente de seu partido de origem. Lula só lembrou
de convocar a militância do PT (a famosa infantaria que de 1982
a 2004 foi às ruas com bandeiras vermelhas para carregar candidatos
em apuros) quando as coisas apertaram no final do primeiro turno.
Seu último comício, na periferia de São Paulo,
reuniu cerca de 4.000 pessoas. Em 2002, os comícios de Lula
nas capitais reuniram dezenas de milhares de pessoas.
Avaliação positiva recorde
Em termos de aprovação popular, o primeiro mandato de
Lula teve um pico de avaliação positiva em agosto de
2006, com 52% de "ótimo/bom", um recorde histórico
nas pesquisas do Datafolha.
O recorde foi quebrado em outubro, dias antes
da eleição:
53% de "ótimo/bom". O pior momento foi o final de
2005, ano da crise política e da instalação de
CPIs para investigar denúncias de corrupção, quando
a avaliação "ruim/péssimo" chegou a
29%, ultrapassando por um ponto percentual a de "ótimo/bom" (28%).
"Lula é imbatível porque não é uma
pessoa, é um mito. O mito do presidente-obreiro, filho de catadores
de cana, o que lhe assegura, independentemente do que faça ou
deixe de fazer, a condição de herói popular, dentro
e fora do Brasil", escreveu Hélio Jaguaribe na Folha, em
17 de setembro, no artigo "Mais um quadriênio perdido".
O sociólogo referia o estatuto de conto de fadas que envolve
a biografia de Lula, do menino pobre que foge da seca no Nordeste,
se submete a provas e enfrentamentos de toda a ordem em São
Paulo e conquista o final feliz da eleição para presidente
em 2002, após as derrotas de 1989, 1994 e 1998.
Jaguaribe apoiou Alckmin. Diferentemente dele,
há um batalhão
de economistas, sociólogos e cientistas políticos que
detecta na reeleição de Lula os efeitos não do
sonho ou do mito, mas de seu contrário, o da vida real melhorando
aos poucos. Duplicando a trajetória do "herói" principal,
histórias de ascensão social mereceram destaque na propaganda
gratuita.
Desde os brasileiros que comemoravam "mais acesso a arroz e feijão" até os
assalariados que ganharam bolsa do Prouni para estudar em universidades
privadas. "Quem fez isso antes? Ninguém fez. O meu filho
hoje em dia é um universitário", disse uma mãe
em lágrimas, e como ela centenas de milhares de brasileiros
estão vendo pela primeira vez um integrante da família
freqüentar as salas do ensino superior.
O próprio Lula se encarrega de recordar a subversão
histórica que foi a eleição de um operário-presidente,
o primeiro civil a ocupar o Palácio do Planalto sem diploma
universitário.
"A minha classe, vocês sabem, não estava escrito
que era pra gente chegar à Presidência", ele reiterou
em comício em São Bernardo. "Vocês não
sabem o que é o fardo de governar o país com uma parte
pequena da elite preconceituosa, como a que temos no Brasil.
Nós chegamos lá e tem
gente que não nos perdoa, às
vezes me provocando o tempo inteiro para ver se eu fico nervoso, se
eu reajo". Foi a quinta campanha de Lula à Presidência.
Somando os turnos de 1989 (dois), 1994 (um), 1998 (um), 2002 (dois)
e 2006 (dois), uma parte considerável do eleitorado votou em
Lula neste domingo pela oitava vez em 17 anos.



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Folha
de São Paulo, 30 de outubro de 2006
ELEIÇÕES 2006 – PRESIDÊNCIA
Ministros decretam fim da "era Palocci"
Tarso aponta "preocupação
neurótica com a inflação" na gestão
do ex-ministro da Fazenda, e Dilma Rousseff diz que período acabou
| "Não acredito que um ministro como Tarso Genro possa fazer
reparo à política econômica do presidente Lula",
afirmou Palocci
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO
ALEGRE
DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Antecipando a abertura oficial da temporada
de disputa de forças dentro do governo pela definição
da nova política econômica no segundo mandato do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Tarso Genro (Relações
Institucionais) afirmou, ontem, que "acabou a era Palocci no Brasil".
Ele se referia ao ex-ministro da Fazenda, que comandou a economia durante
três anos, e provocou a ira de parte do PT ao implementar uma
política de contenção de gastos e juros altos
similar ao receituário dos tucanos que comandaram o país
nos oito anos anteriores.
A votação mal tinha começado
quando Genro fez as declarações em Porto Alegre, enfatizando
que os próximos anos serão marcados pelo fim de uma política
econômica ""monetarista e conservadora" e o começo
de um ""governo desenvolvimentista". ""Até posso
dizer que, no primeiro ano do governo, ele [Palocci] prestou bons serviços.
Mas taxas baixas de crescimento, preocupação neurótica
com a inflação sem pensar em distribuição
de renda e desenvolvimento, isso terminou", afirmou.
O contra-ataque de Antonio Palocci veio
logo após a declaração de Genro. "Nunca existiu
uma "era Palocci". Não acredito que um ministro como
o Tarso Genro possa fazer qualquer reparo à política
econômica do presidente Lula, que tem sido vitoriosa", disse
o ex-ministro, ao votar, em Ribeirão Preto. Já a ministra
Dilma Rousseff (Casa Civil), maior defensora de mais flexibilidade
na economia, disse que "a política [econômica] tinha
um sentido bastante claro e foi importante". E acrescentou: "O
primeiro momento acabou. Tivemos um período e passamos por ele".
O ministro Luiz Marinho (Trabalho) foi
ainda mais enfático: "O Palocci já foi. Precisamos
concluir a transição para retomar o crescimento. Palocci
foi um craque, mas precisamos entrar numa nova fase, que é a
do crescimento". Palocci, apesar de ter saído do governo
enfraquecido por denúncias de corrupção e pela
violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo
Costa, retornou à cena política ao ser eleito deputado
federal por São Paulo. Antes mesmo disso -já durante
a sua campanha para Câmara-, ele dava sinais de que estava na
disputa pelo poder ao defender, em reuniões com analistas financeiros,
o nome do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para o lugar
do ministro Guido Mantega (Fazenda).
Mantega tenta ficar no cargo com
o apoio de Genro e Dilma e ontem disse que o governo vai entrar "em
uma nova fase". "Vai ficar mais claro o caráter
desenvolvimentista, com crescimento maior da economia. O desenvolvimentismo
virá à tona, com crescimento acima de 5%, geração
de mais empregos. Isso ficará mais marcado".
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Folha
de São Paulo, 30 de outubro de 2006
ELEIÇÕES 2006 – PRESIDÊNCIA
Lula sinaliza que pode conduzir reforma
sozinho
Presidente reeleito não quer antecipar
disputas por vagas nos ministérios | Guido Mantega deve ser mantido
no ministério da Fazenda. Ministro disse que está sendo
fritado por colegas do partido
MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL
Nas duas semanas que antecederam o segundo
turno, os ministros e parlamentares que acompanharam o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva em viagens pelo Brasil garantem que não
ouviram dele sequer uma palavra sobre a composição do
novo governo. O presidente deu apenas duas sinalizações.
A primeira, que não quer antecipar disputas por vagas nos ministérios
e que, por isso, vai conduzir o processo sozinho, com calma, até dezembro.
A segunda: mandou um aviso ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, de
que não há nenhuma razão para que ele se sinta
incomodado com as especulações sobre seu afastamento.
Mantega fez chegar aos ouvidos de Lula
seu descontentamento com as últimas notícias de que pode
ser substituído por Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras,
ou por Fernando Pimentel, prefeito de Belo Horizonte. O ministro disse
que está sendo fritado por colegas do partido. Lula o tranqüilizou.
Auxiliares próximos de Lula ponderam que Mantega pode até ser
remanejado no governo -ele já foi ministro do Planejamento e
presidente do BNDES-, mas as chances de sair são remotíssimas. "Sou
prefeito e quero ficar até o final do mandato. Não vejo
nenhuma vantagem em substituir o Guido no ministério",
disse Pimentel. Reservadamente, petistas acham que a verdadeira disputa
não acontecerá na Fazenda, mas no Banco Central, onde
há pressão para a queda de Henrique Meirelles.
A composição de um novo
governo terá que levar em conta muitas variáveis. Em
primeiro lugar, a situação do PMDB nos Estados. Outra
peça do jogo é a sucessão às presidências
da Câmara e do Senado. Se forem reconduzidos ao posto Renan Calheiros
e Aldo Rebelo, por exemplo, Lula poderá acomodar o deputado
eleito Ciro Gomes (PSB-CE) em um ministério. O grupo político
da ex-prefeita Marta Suplicy (PT-SP) acha temerário que ela
ocupe um ministério, apesar de ser cotada.
Reservadamente, o próprio Lula
já manifestou preocupações em levar Marta para
a Esplanada. Os aliados da ex-prefeita acham que Marta terá desgastes,
o que atrapalha o seu projeto mais ambicioso: a disputa pela prefeitura
de São Paulo em 2008. O presidente estará atento, ainda, às
fusões entre as legendas. Um aliado de Lula disse, por exemplo,
que não é tão simples assim imaginar o presidente
retirar o ministério dos Transportes do PL para cedê-lo
ao PMDB.
E explica a razão: ao se fundir
com o Prona e o PT do B, o partido passa a ter uma bancada de 26 deputados
e três senadores, uma equação política que
Lula não poderá desprezar no Congresso. Por outro lado,
PSB e PC do B passam a ter mais força política, enquanto
PP e PTB perdem o posto de aliados relevantes. O PSB elegeu 27 deputados
e três governadores (Cid Gomes, no Ceará, Vilma Farias,
no Rio Grande do Norte, e Eduardo Gomes, em Pernambuco).
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Folha de São Paulo,
30 de outubro de 2006
Chapa Serra-Aécio é óbvia
para 2010, diz Maia
MÁRIO MAGALHÃES
DA SUCURSAL DO RIO
A chapa "óbvia" a ser
lançada pelo PSDB na próxima eleição reunirá o
governador eleito de São Paulo, José Serra, para presidente
e o governador reeleito de Minas, Aécio Neves, para vice. É a
opinião manifestada no começo da noite de ontem pelo prefeito
do Rio, Cesar Maia (PFL), cujo partido costuma se aliar aos tucanos.
O motivo seria pragmático: "O PSDB precisa demais da proximidade
do poder. Sem isso, esvazia. O partido só existe em São
Paulo. Se você tirar São Paulo da última campanha
municipal e da de 2006, é a quarta força nacional, lá embaixo",
disse à Folha.
"Essa distância do governo
federal, do poder nacional durante muito tempo é grave para o
PSDB", sustenta Maia. "Eles vão para a chapa que for
vitoriosa. Podem se prevenir, acabando com a reeleição
[para presidente] e, com isso, facilitando formar uma chapa Serra-Aécio
Neves. A própria idade do Serra [ajuda]." Serra terá 68
anos na campanha de 2010. Maia quer dizer que o ex-prefeito de São
Paulo toparia acabar com a reeleição e desistir de eventual
segundo mandato presidencial porque o próximo pleito seria a última
chance de alcançar seu sonho. Seria importante se associar a Aécio
(hoje com 46 anos), que tem ambições presidenciais.
O cenário desenhado por Cesar Maia
representaria o retorno simbólico da "política do
café-com-leite". Antes da Revolução de 1930,
oligarquias de São Paulo e de Minas compuseram dobradinhas de
presidente e vice no governo. A chapa puro-sangue do PSDB não
seria empecilho à aliança com o PFL. Com o fim da norma
que impede alianças nos Estados em caso de coligação
nacional com outras siglas, o partido terá candidato em primeiro
turno, na previsão de Maia (e como ele defende).
Em um segundo turno entre as forças
que têm polarizado as disputas para presidente (PT e PSDB), o PFL
caminharia com o PSDB, de acordo com Maia. O prefeito descarta um "terceiro
turno" ou a possibilidade de Lula ser alvo de processo de impeachment: "No
Brasil só há impeachment com o país ou o governo
em crise". Ele espera outra coisa: "Não muda nada. Lula
governará com total tranqüilidade para fazer o feijão-com-arroz.
Todos aqueles com expectativa de reformas ou coisas substantivas podem
esquecer".
Maia avalia que o maior erro de Geraldo
Alckmin -apoiado por ele- foi interromper a campanha de rua após
o primeiro turno. Mas o erro do PSDB viria de trás. "No fim
de outubro de 2005, eles não imaginavam uma eleição
competitiva", afirma. A opção por um candidato com
menor intenção de votos (Alckmin) em vez de um mais forte
(Serra) decorreria da análise do PSDB de que Lula estava liquidado.
Sobre a sua própria candidatura
presidencial, Maia afirma que dependerá do sucesso do nome que
lançar para a sua sucessão em 2008. Ele não crê que
tenha sido derrotado no Rio, onde apoiou Denise Frossard (PPS): "Na
capital ela venceu no primeiro turno". É o mesmo que diz
sobre uma adversária, a petista Marta Suplicy: "Se ela
perde a eleição para prefeita [de São Paulo],
está fora [da corrida de 2010]".
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Folha
de São Paulo, 30 de outubro de 2006
ELEIÇÕES 2006 - LEGISLATIVO
Bancada governista aumenta na Câmara
Lula contabiliza, em tese, 303 votos das 513
cadeiras; mas número ainda é insuficiente para aprovar
as reformas prometidas | Presidente tem a seu favor mais da metade dos
27 governadores eleitos, o que, segundo governistas, deve facilitar segundo
mandato
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A vitória de Luiz Inácio
Lula da Silva dá ao petista fôlego para compor uma grande
base de apoio político a seu favor nos Estados (terá o
suporte de mais da metade dos 27 governadores eleitos) e no Congresso.
Diferentemente de quatro anos atrás, o presidente agora já conta
desde o início com parte considerável do PMDB ao seu
lado. Em 2002, Lula saiu das urnas praticamente solteiro em termos
de grandes apoios. Tinha ao seu lado apenas o PT (a maior bancada naquela
eleição) e outros partidos menores (PC do B, PL, PDT,
PPS, PSB e PMN). Começou então seu primeiro mandato,
em 2003, com menos de 200 deputados formalmente a seu favor.
O vento agora mudou, mas mesmo com todo
o cenário favorável os resultados que emergiram das urnas
ainda indicam haver um número insuficiente de deputados governistas
para aprovar as reformas prometidas por Lula. Se quiser alterar a Constituição,
o petista precisará ampliar sua base de apoio para um nível
mais confortável na Câmara, a mais complicada das duas
Casas do Congresso.
Mesmo que tenha o apoio de 100% dos
partidos cujos deputados eleitos majoritariamente são a seu
favor, Lula contabiliza 303 votos na Câmara. Para aprovar uma
emenda constitucional, são necessários três quintos
das 513 cadeiras -ou seja, 308 apoios. A rigor, nenhum governo se arrisca
nem sequer a colocar em votação uma emenda constitucional
sem ter uma lista de pelo menos 330 votos prometidos.
A expectativa dos governistas é que
o segundo mandato de Lula seja facilitado pela ajuda dos governadores
aliados.
Os comandantes estaduais ficariam responsáveis por monitorar as bancadas
nas suas jurisdições em votações importantes. No
Planalto, rejeita-se o rótulo de "política dos governadores",
algo tentado em administrações anteriores sem sucesso. Mas é a
esse modelo que todos se referem sobre a maneira de conduzir o processo congressual
daqui para a frente.
As experiências recentes, entretanto,
indicam que o Palácio do Planalto acaba sempre sendo a principal
força indutora na construção de uma base de apoio
sólida no Congresso -distribuindo cargos federais nos Estados
ou liberando verbas do Orçamento para os congressistas amigos.
A partir de amanhã, os operadores políticos de Lula vão
trabalhar de três formas: 1) buscar apoio formal dos governadores
para arrancar apoios generalizados de bancadas de deputados federais
a partir dos Estados; 2) garantir uma taxa de adesão alta nas
bancadas dos partidos que já são aliados (sobretudo no
PMDB) e 3) drenar deputados da oposição e de partidos
que hoje se apresentam como indecisos (os principais são PDT
e PSC).
Base volúvel
Quando se compara o total de deputados
a favor do Palácio do Planalto hoje (330) em comparação
com as bancadas que saíram das urnas (303), nota-se uma queda
de 27 cadeiras (8,2%). As maiores fontes de desidratação
da base de apoio formal a Lula estão em três partidos:
PTB, PL e PP. São justamente as três siglas que estiveram
envolvidas mais diretamente, junto com o PT, nos escândalos do
mensalão e dos sanguessugas. Juntas, essas agremiações
saíram da eleição com 43 deputados a menos do
que têm no momento. Já o PT, que tem hoje 81 deputados,
conseguiu ficar até um pouco maior nas urnas -com 83 cadeiras.
O que o governo espera nos próximos
três meses, antes da posse do novo Congresso (que só ocorre
em 1º de fevereiro de 2007), é que os partidos aliados
a Lula passem a cooptar quadros entre os indecisos e partidos oficialmente
na oposição ao Planalto. Foi assim na virada de 2002
para 2003, quando 37 deputados mudaram de partido antes mesmo de tomar
posse. Há quatro anos, o PTB saiu de 26 deputados eleitos em
2002 para expressivos 41 no dia da posse, em 1º de fevereiro 2003.
O PL pulou de 26 para 34 cadeiras na Câmara.
Em certa medida, esse movimento já começou
também agora com a onda de fusões e incorporações
de partidos. O PL associou-se ao Prona (dois deputados eleitos) e transformou-se
no PR (Partido da República). O PTB absorveu o PAN (um deputado
eleito), mantendo o mesmo nome. Na área oposicionista, o PPS
(ex-PCB) anunciou uma nova agremiação, a Mobilização
Democrática, que será formada em conjunto com o PMN (três
deputados eleitos) e PHS (dois deputados).
Como a "aquisição" de
deputados pelos governistas é um assunto tratado com muita reserva
-é esse o "DNA" do escândalo do mensalão-,
poucos no campo lulista se arriscam a falar abertamente a respeito.
No anonimato, petistas ilustres fazem algumas previsões sobre
a migração de deputados até o início do
ano. Acham que o PMDB deve ficar com algo entre 100 e 110 cadeiras
na Câmara. Esperam que seja o partido âncora de Lula nos
próximos quatro anos.
O último partido a registrar
cem deputados na Câmara foi o PSDB, em setembro de 2001. Com
a derrota dos tucanos na disputa pelo Planalto, em 2002, os pessedebistas
protagonizaram um encolhimento contínuo, chegando a ter menos
de 50 deputados no ano passado. Hoje, estão com 58 (embora tenham
saído das urnas em 2002 com 71 cadeiras). A partir do ano que
vem, se não sofrerem um ataque especulativo dos governistas,
tomam posse 66 deputados do PSDB.
Os governistas acreditam que a sangria
no PSDB e no PFL continuará em marcha batida, tal como nos últimos
quatros anos. O PFL, que elegeu 65 deputados, é sempre apontado
como o principal alvo a ser atingido. A sigla está fragilizada
porque em 2007 ficará sem um de seus principais redutos, a Bahia,
com a derrota do atual governador, Paulo Souto, justamente para o PT,
que elegeu Jaques Wagner -13 dos pefelistas eleitos para a Câmara
são baianos, o que equivale a 20% das cadeiras da legenda em
2007. (FERNANDO RODRIGUES)
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Agência Senado, 29
de Outubro de 2006
Eleições 2006
PMDB e PFL deverão ser as maiores
bancadas do Senado

Com o resultado do segundo turno das eleições, o PMDB e o PFL
aparecem como os partidos que devem iniciar, em fevereiro, a sessão
legislativa de 2007 com o maior número de senadores, seguidos pelo PSDB
e o PT. Mas o quadro partidário para a definição final
das bancadas do Senado ainda não está fechado, pois a lei permite
que parlamentares, por meio de negociação política, possam
migrar de legenda.
No quadro desenhado apenas pelas urnas,
os demais partidos que vão compor o Senado, segundo o maior número
de senadores, são, pela ordem, PDT, PTB, PSB, PL, PCdoB e PPS,
PRB, PP, PRTB e PSOL. Os cinco últimos serão representados
na Casa por um único senador.
Dois senadores com mandato até 2011
e que venceram eleições governamentais no primeiro turno
(respectivamente, Paulo Octávio, do PFL, eleito vice-governador
do Distrito Federal, e Teotonio Vilela, do PSDB, eleito governador de
Alagoas) deverão ser substituídos, no início de
2007, por seus suplentes, que são do mesmo partido do titular.
Sete senadores, com mandato até 2011,
disputaram o segundo turno das eleições para os governos
do Maranhão (Roseana Sarney - PFL), Pará (Ana Júlia
Carepa - PT), Paraíba (José Maranhão - PMDB), Rio
de Janeiro (Sérgio Cabral - PMDB), Rio Grande do Norte (Garibaldi
Alves Filho - PMDB), Santa Catarina (Leonel Pavan - PSDB, vice-governador)
e Paraná (Osmar Dias - PDT).
Três foram eleitos: Ana Júlia
Carepa, a ser substituída por José Nery, do PSOL; Sérgio
Cabral (PMDB), pelo Rio de Janeiro, que deixará em seu lugar
no Senado o também peemedebista Regis Fichtner; e Leonel Pavam
(PSDB), eleito vice-governador de Santa Catarina e que será substituído
por Neuto de Conto, do PMDB. Os senadores que foram eleitos ou reeleitos
este ano - um total de 27, representando um terço da Casa -
cumprirão mandato no período de 2007 a 2014.
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Agência Senado, 29
de Outubro de 2006
Eleições 2006
PMDB fez o maior número de governadores

Nas eleições de 2006, o PMDB sai como o partido que elegeu o
maior número de governadores: foram sete ao todo. A legenda havia feito
quatro governadores no primeiro turno (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Espírito
Santo e Tocantins). No segundo turno, o partido conquistou os governos de mais
três estados: Rio de Janeiro, Paraná, e Santa Catarina.
O PSDB não ficou muito atrás.
Somando os dois turnos, o partido elegeu seis governadores: em Minas
Gerais, Alagoas, São Paulo, Roraima, Rio Grande do Sul e Paraíba.Já o
PT conquistou os governos de cinco estados: Bahia, Acre, Piauí,
Pará e Sergipe. O PSB elegeu três governadores: Ceará,
Pernambuco e Rio Grande do Norte.
PPS e PDT conquistaram, cada um,
os governos de dois estados. O PPS venceu as eleições
no Mato Grosso e em Rondônia. O PDT elegeu governadores no Amapá e
no Maranhão. Já o PFL elegeu o governador do Distrito
Federal e o PP venceu as eleições em Goiás.

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Diário Vermelho, 27 de outubro de 2006
Relações de trabalho:
o que o Estado tem a ver com isso?
A queda da taxa de desemprego, anunciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) e pela Fundação Seade-Dieese, é mais
uma dessas notícias que jogam água no fogaréu ateado pela
campanha da direita contra o presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Por Osvaldo Bertolino
A taxa de desemprego, diz o IBGE, ficou em 10% em setembro, uma queda de 0,6
ponto percentual em relação ao mês anterior. Já a
pesquisa da Fundação Seade-Dieese apurou que o índice
de desemprego foi de 16% para 15,3% da População Economicamente
Ativa (PEA) na Região Metropolitana de São Paulo. É o
menor índice para esse mês desde 1997, quando a taxa ficou em
15,9%. Desta vez, o índice é o menor para o mês de setembro
desde 1996, quando a taxa foi de 14,8%. São dados que podem representar
importantes sinais de mudanças nas relações sociais brasileiras.
O Brasil, é certo, ainda está longe de resolver o crônico
problema das relações de trabalho. Afinal, são 8 milhões
de brasileiros desempregados e 47 milhões trabalhando na informalidade.
O Brasil também é, de acordo com pesquisa da organização
Gallup Organization, a terra da insatisfação para quem já conseguiu
espaço e salário. O estudo ouviu 1.012 pessoas em 11 regiões
e mostra que 78% dos trabalhadores brasileiros não estão “engajados” em
seu trabalho — o que, segundo a Gallup, pode causar um custo produtivo
ao país de até R$ 88 bilhões anuais. Destes 78%, 61% se
encaixaram na categoria ''não engajados'', ou seja, não psicologicamente
envolvidos com a empresa e prontos a deixar o cargo caso recebam proposta de
outra empresa.
Os 17% restantes estão desencantados com o trabalho e deixam clara sua
insatisfação — são os ''ativamente desengajados''.
Somente 22% dos trabalhadores brasileiros afirmaram estar satisfeitos com o
que fazem. E, por isso, de acordo com a pesquisa, são mais dedicados
e produtivos. Mas o Brasil não é o único a sofrer do mal
do desalento no trabalho, e pode até comemorar dados mais positivos
do que os de Inglaterra e Alemanha, por exemplo, onde apenas 19% e 13% dos
trabalhadores, respectivamente, são engajados. Outros, no entanto, como
Estados Unidos (28% de engajados) e o nosso vizinho Chile (25% de engajados)
apresentam taxas maiores de trabalhadores dedicados.
Crise metropolitana
O motivo de tanto descaso, diz a Gallup, é o gerenciamento ineficiente
de pessoas. Aqueles que não se comprometem com suas tarefas geralmente
o fazem por não receberem reconhecimento e atenção quando
dão opiniões, e também por não terem idéia
de como podem desenvolver a carreira profissional na empresa. A pesquisa mostrou,
por exemplo, que 84% dos trabalhadores que pedem demissão deixam o emprego
por não conseguirem manter um bom relacionamento com seu gerente direto.
Há, nesses números, verdades, mas é importante analisá-los
também pelo ponto de vista do trabalho. Num país como o Brasil,
o fato de uma pessoa conseguir alguma ocupação, mesmo com a ineficiência
gerencial e os baixos salários, já é motivo de grande
satisfação.
A miséria entre os brasileiros caiu de 28,2% da população
em 2003 para 22,7% em 2005, mostrou pesquisa divulgada em setembro pela Fundação
Getúlio Vargas (FGV). De acordo com o estudo, realizado com base na
Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio (Pnad), do IBGE, esta é a
maior queda no nível de pobreza no Brasil dos últimos dez anos.
A redução da miséria foi motivada, segundo o coordenador
da pesquisa, Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais
da FGV, por fatores como a retomada da oferta de empregos, programas de distribuição
de renda e aumento nos gastos previdenciários. Ainda de acordo com o
estudo, a miséria nas metrópoles também caiu entre 2003
e 2005, de 22% para 16% da população, o que mostra uma certa
reversão da crise metropolitana que está associada a piores indicadores
de desemprego.
Renda se desconcentrando
A Pnad também mostra que o rendimento médio real do brasileiro
cresceu 4,6% na passagem de 2004 para 2005. O nível de ocupação
registrou resultado positivo no ano passado, atingindo uma parcela de 57% do
total da população em idade ativa — o maior patamar nos últimos
dez anos. A alta no rendimento registrada entre 2004 e 2005 não foi
suficiente para apagar as retrações dos anos anteriores. O valor
alcançado no ano passado ainda foi 15,1% inferior ao rendimento apurado
em 1996, segundo o IBGE. Entre os homens, o crescimento da renda em 2005 foi
de 3,9%; para as mulheres, o valor teve acréscimo de 6,3%. Outro indicador
também apontou melhora da situação para a mão-de-obra
feminina: enquanto em 2004 a renda conseguida pelas trabalhadoras representava
69,5% da dos homens em 2004, a proporção subiu para 71,2% em
2005.
A pesquisa do IBGE também mostrou que a renda vem, lentamente, se desconcentrando.
''Do total das remunerações de trabalho, os 10% ocupados com
os maiores rendimentos detinham 47,1% em 1995 e 44,7% em 2005, enquanto os
10% ocupados com os menores rendimentos ficaram com 1,0% em 1995 e 1,1% em
2005'', diz o Instituto. Nos domicílios brasileiros, o IBGE apurou que
o rendimento médio mensal ficou em R$ 1.524 em 2005. Na análise
agregada de todas as fontes de renda de um mesmo domicílio, a quantidade
de moradias com rendimento de até 1 salário mínimo ficou
em 13,1%, e a dos que estavam na faixa de 20 salários mínimos,
em 3,3%. A população ocupada cresceu 2,9% em 2005 na comparação
com 2004, o que significa a entrada de mais 2,5 milhões de pessoas no
mercado de trabalho.
Privilégio de poucos
Essa melhora no nível de vida dos trabalhadores resulta em muitos ganhos.
O primeiro deles é o fato de mais gente sair daquela condição
de cidadão encurralado. Não por acaso, os apologistas do consumo
no Brasil têm sido basicamente aqueles que podem exercer seu inchado
poder de compra sem tomar conhecimento das fronteiras nacionais. O resto da
população, mantida em situação vulnerável,
ignora os benefícios de uma economia baseada no consumo. Os grupos monopolistas
repartem os compradores entre si, marcando-os com seus ícones e confinando-os
em seus lotes. Mais do que isso: o capital, ao produzir e vender, se imagina
fazendo um favor aos trabalhadores. Um disparate.
Este talvez seja o ponto principal para um debate que poderia ajudar a debelar
vários vícios longamente incrustados no panorama nacional. A
elevação do nível de consumo funcionaria como o estopim
econômico de transformações sociais. E seria bem-vindo
por isso. As travas brasileiras em relação ao consumo está no
fato de que ele, enquanto acesso a benesses materiais, sempre foi privilégio
de poucos. Vivemos por muito tempo sob uma doutrina econômica que impediu
o florescimento de um mercado consumidor forte no país. As empresas
não precisavam abrir o leque da sua produção, nem vender
mais barato, nem alargar sua carteira de clientes para obter lucros excelentes.
Cidadão mais seletivo
Se o Estado frear esses abusos, permitindo um mínimo de distribuição
da riqueza — idéia proscrita nos círculos que detêm
o capital — o consumo se transformará em pré-requisito
para que o capital se remunere. O lucro estará cada vez mais atrelado à satisfação
e ao poder de compra dos consumidores, bem como à inclusão dos
excluídos na ala economicamente ativa da sociedade. A obviedade da importância
de um mercado doméstico robusto para o desenvolvimento econômico
do país finalmente ganhará assento no debate nacional. É fundamental
querermos de verdade que essa realidade aconteça por aqui. A engrenagem
que a gera é econômica — não depende de um deus nem
da bondade de um líder. Depende, sim, do que o governo está disposto
a fazer para que ele se realize.
O Brasil só começará a mudar quando as empresas que tratam
seus públicos como gado começarem a perdê-los para uma
política que os entenda e os atenda. O alcance das mudanças trazidas
pelo consumo romperá os limites da esfera econômica. Um consumidor
com maiores opções é, por tabela, um cidadão mais
seletivo e mais rigoroso. O miserável, por não consumir, não
desenvolve nenhum senso crítico. Recebe o que lhe dão e está bem
assim. Seja um produto defeituoso, seja um candidato vil. O cidadão
afeito ao consumo exerce seu direito de escolha, com parcimônia e rigor,
não apenas na hora de desembolsar seu dinheiro para adquirir um produto
ou contratar um serviço mas também na hora de exigir direitos,
votar, cobrar desempenhos. Isso vale também para as relações
de trabalho. No Brasil, o capital imagina que tem o seguinte pacto com o trabalho:
eu emprego você e você faz sacrifícios para manter o emprego.
Safanões
e sopapos
De modo geral, essa crença e a pressão das fileiras de desempregados
e subempregados têm permitido que um lugar na economia formal seja visto
como um favor concedido pelo capital ao trabalho. A manutenção
do emprego é o único estímulo concedido pelos patrões
aos trabalhadores no país. Os gerentes médios atuam como feitores:
domesticam a plebe; supervisionam a execução das tarefas, a conservação
das instalações e dos instrumentos; coíbem os atrasos
e o descanso. São, enfim, os encarregados de arrancar no chicote o cumprimento
das metas estabelecidas de produção e de custo. Ainda há muita
gente, milhões de patrícios, trabalhando pela comida ou por pouco
mais do que isso. Não é de espantar que, em média, os índices
de insatisfação no ambiente de trabalho no Brasil sejam altos
e os índices de produtividade, baixos.
Em um ambiente baseado em safanões operacionais e em sopapos administrativos,
forja-se uma força de trabalho descontente e desencantada. No Brasil,
a troca do passado pelo futuro nas relações entre capital e trabalho
passará necessariamente pelo abandono da relação capataz-peão — muito
presente nas empresas nesses tempos de neoliberalismo. Se a história
ainda serve como guia, a defesa da essência da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) e dos seus aprimoramentos — destacadamente
a Constituição de 1988 — é a principal bandeira
que precisa ser fincada nesse campo de batalha.
Crise do liberalismo
É preciso perceber, evidentemente, que nem tudo nessa legislação é acerto.
Mas é preciso perceber também que nem tudo é fracasso. O
fundamental é entender que nossas leis trabalhistas são a síntese
do embate entre capital e trabalho que atravessou todo o século 20 e refletem
nossas vitórias e derrotas. Até os anos 40, os trabalhadores empregaram
lutas heróicas e, aos trancos e barrancos, foram arrancando conquistas
aqui e acolá. Pode-se afirmar que as refregas das três primeiras
décadas daquele século representaram verdadeiras aulas de organização
em sindicatos e federações, e inculcaram a primeira noção
de força nos trabalhadores brasileiros.
Quando o governo do presidente Getúlio Vargas instituiu a CLT, no dia
1º de maio de 1943, ele reuniu em um sistema único todas as leis
trabalhistas aprovadas anteriormente. Grande parte delas são artigos
que devem ser avaliados como importantes conquistas e que nunca foram aceitos
pelo capital. Nesses tempos de mudanças, será preciso um novo
contrato, promovido pelo Estado, que imponha limites aos patrões que
tratam os trabalhadores como insumo ordinário. De certa forma, essa
mudança já vem acontecendo. Mas ainda existe um longo caminho
pela frente: benefícios mais atraentes, sistemas de regulação
mais modernos, estímulos mais eficientes ao aumento da produtividade,
revogação da hierarquia do medo e do mandato dos feitores. Pela
natureza do capital, no entanto, sem o Estado atuando na economia nada disso
será possível.
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Nova Central, 27 de outubro
de 2006
Prona e PL fundem legendas para formar
o Partido da República
O PL (Partido Liberal) e o Prona (Partido de Reedificação da
Ordem Nacional) decidiram nesta quinta-feira fundir as duas legendas e criar
o PR (Partido da República) na tentativa de superar a cláusula
de barreira --que impõe restrições às legendas
que não obtiveram votação superior a 5% em todo o país
e pelo menos 2% em nove Estados brasileiros.
Com a fusão, o PR passa a contar
com 25 deputados federais e três senadores. As legendas devem ganhar
o reforço do PT do B (Partido Trabalhista do Brasil), que pretende
integrar o PR depois de resolver impasses burocráticos. Pelo acordo
firmado entre os partidos, os candidatos do PR vão continuar adotando
o número 22, registrado pelo PL junto ao TSE (Tribunal Superior
Eleitoral).
O PR terá como presidente Sérgio
Tamer, que integra a executiva nacional do PL. O ex-ministro dos Transportes
Alfredo Nascimento (PL-AM) foi nomeado presidente de honra do novo partido.
Segundo o deputado Enéas Carneiro (Prona-SP), o argumento decisivo
para o Prona optar pela fusão foi o aumento expressivo do tempo
no horário eleitoral gratuito de rádio e TV. "A lei
obriga o PL, o Prona e os dois partidos juntos a fazer alianças.
Cada um faz as que lhe convém", disse.
O líder do PL na Câmara,
deputado Luciano Castro (RR), afirmou que um parlamentar do Prona vai
exercer a liderança do PR na Casa Legislativa. Já a vice-liderança
do PR será ocupada por um parlamentar do PL.
Mensaleiros e sanguessugas
Enéas disse não estar "constrangido" de
se unir ao PL mesmo tendo como principal bandeira, na campanha eleitoral,
o fato de integrar um partido que não tem parlamentares envolvidos
nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas --ao contrário
do PL. "Minha postura será a mesma. Quando eu discordar,
terei permissão para manifestar a minha opinião",
disse.
Já o líder do PL afirmou
que a criação do PR não "apaga" o passado
dos liberais no Congresso. "Uma nova sigla nasce pelo entendimento",
resumiu. Castro disse o PR mantém o apoio à reeleição
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e admitiu que o partido
vai reivindicar cargos caso o petista seja reeleito --já que o
PL ocupa atualmente o Ministério dos Transportes. "Ministério é prerrogativa
do presidente. Vamos ser membros participantes da base aliada, e como
aliados devemos participar do governo", afirmou.
Se o tucano Geraldo Alckmin (PSDB)
ganhar as eleições no próximo domingo, Castro
disse que o PR vai ter que decidir em reunião da executiva do
partido o futuro político da legenda. Apesar do anúncio
da fusão, os parlamentares afirmaram que vão protocolar
o pedido de criação do novo partido no TSE somente na
próxima terça-feira. Segundo Castro, o tribunal pode
demorar até dois meses para aceitar o pedido. "De fato,
o novo partido já existe. Mas de direito, só quando o
TSE homologar o registro", disse.
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Agência Brasil, 27 de
outubro de 2006
PPS, PMN e PHS confirmam fusão
para ultrapassar barreira
Roberta Lopes
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Os presidentes do PPS,
do PMN e do PHS assinaram, ontem (26), em São Paulo, um protocolo
de intenções para formalizar o plano de fundir as três
legendas a fim de somar suas votações nas eleições
de 1º de outubro e ultrapassar a barreira de 5%. Juntos, os partidos
têm 5,5% dos votos totais para a Câmara dos Deputados. Caso
a fusão seja aceita pela Justiça Eleitoral, o novo partido
resultante vai contar com 27 deputados e um senador, segundo informações
do PPS.
Segundo o presidente do PPS, Roberto
Freire, a fusão representa a união de partidos que têm
uma história de luta política pela esquerda. “Os
três partidos têm consciência de que o Brasil precisa
mudar e em toda a sua história têm apresentado propostas
democráticas para isso”, afirmou ele. Freire também
disse que ainda não está decidido se os partidos vão
mudar de nome, mas a fusão será chamada de Mobilização
Democrática. Além disso, o presidente do PPS afirmou
que, em agosto de 2007, será realizado um congresso para que
os partidos possam discutir um programa comum.
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Folha de São Paulo,
28 de outubro de 2006
PROPINA:
Sindicalista diz que pagou R$ 20
mil a Bargas
O presidente do Sinvepplas (Sindicato dos Captadores, Promotores e Vendedores
de Plano de Saúde) do Rio de Janeiro, Luciano Ramos Ribeiro, denunciou
ao Ministério do Trabalho o pagamento de R$ 20 mil de propina ao ex-petista
Oswaldo Bargas quando ele era secretário de Relações do
Trabalho do atual governo. Bargas é investigado pela PF por envolvimento
no dossiê contra políticos do PSDB. Por meio de nota, o ministério
acusou Ribeiro de fazer chantagem. Ribeiro disse que o Sinvepplas deu R$ 20
mil a Bargas. Em troca, o então secretário registraria um outro
sindicato dirigido por Ribeiro. O caso teria ocorrido em março de 2004.
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Folha de São Paulo,
28 de outubro de 2006
REFORMAS
Para advogado, é golpe convocar
Constituinte
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente da Academia Brasileira de
Direito Constitucional, Flávio Pansieri, considera "preocupante" o
presidente Lula não ter assumido um compromisso explícito
contra a convocação de Assembléia Nacional Constituinte,
se reeleito. "Entendemos que convocar uma Constituinte não é possível
e qualquer forma de convocação é golpe constitucional." Segundo
ele, "se o presidente eleito levar isso a debate, está incorrendo
em crime de responsabilidade, como atentado à ordem constitucional,
e caberia um processo de impeachment".
A entidade encaminhou, na terça,
uma carta-compromisso aos presidenciáveis. Geraldo Alckmin (PSDB)
assinou o compromisso. O coordenador-geral da campanha de Lula, Marco
Aurélio Garcia, enviou uma resposta por fax. Garcia disse que
Lula sempre foi defensor intransigente da Constituição
de 1988. Segundo ele, Lula considera que qualquer reforma que venha
a ser feita num próximo governo só prosperará com
a participação "de todas as forças políticas
do país e com os mais expressivos setores da sociedade civil".
Segundo Pansieri, a entidade entende que qualquer reforma deve ser
aprovada como emenda constitucional, com aprovação de
maioria qualificada (três quintos). Numa Constituinte, qualquer
tema pode ser aprovado por maioria simples.
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Folha de São Paulo, 29 de outubro de
2006
Empregados são 69% em programas
sociais
Maioria dos adultos atendidos por ações
de transferência de renda em 2004 tinha ocupação,
aponta pesquisa do Ipea | Segundo estudo, 15% eram contratados
com carteira assinada e, ainda assim, tinham renda tão baixa
que os incluía como beneficiários
FLÁVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A CAXAMBU (MG)
Dados de uma pesquisa do Ipea (Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que 69% dos adultos que
recebiam programas de transferência de renda (estaduais, municipais
ou federais) em 2004 estavam trabalhando. Mais: 15% do total já era
empregado formal e ainda assim tinha um nível de renda tão
baixo que o credenciava como beneficiário. A informação
faz parte do trabalho "Proteção Social, Pobreza e
Indigência", da pesquisadora Luciana Jaccoud, e alimenta o
debate sobre as chamadas "portas de saída" e os limites
dos programas sociais. A pesquisa deve ser publicada até o final
do ano num boletim do Ipea. Uma prévia dele foi apresentada no
30º encontro anual da Anpocs (Associação Nacional
de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais),
realizado em Caxambu (MG).
Cuidadosa, Jaccoud frisou que não
se trata de uma análise do Bolsa Família, já que
em 2004 os programas de renda federais ainda não haviam sido totalmente
integrados. Eram, naquele ano, ainda o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação
e o Auxílio-Gás, entre outros, além do Bolsa Família,
que começava a sua expansão.
Mas a pesquisadora diz que os números "não
são um retrato atípico" e que "apontam horizontes
de preocupações". Mostram a situação
do mercado de trabalho brasileiro: "A política social sozinha
não dá conta". É preciso haver, afirma ela,
um debate sobre desenvolvimento econômico e instrumentos que aumentem
a participação da massa salarial na renda total do país.
Bordas da sociedade
"O volume de quem recebe os programas
de transferência de renda é muito grande. Não são
as pessoas que estão nas bordas da sociedade brasileira. Muitas
delas estão trabalhando, até no mercado formal, e ainda
assim não têm renda suficiente", aponta a pesquisadora. "Porta
de saída para mim é quando essas pessoas conseguirem a
renda necessária."
Segundo resultados preliminares da pesquisa,
parte dos 15% dos formais que eram beneficiários dos programas
em 2004 estava "em empregos tradicionais", com carteira assinada,
na construção civil ou no trabalho doméstico regularizado.
Jacoud usou dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios)
realizada em 2004), em que o entrevistado respondia se era beneficiário
de algum programa de transferência de renda.
Ela usa o exemplo da empregada doméstica
que, mesmo trabalhando numa família de classe média, ainda
se credenciava para receber dinheiro federal. "Se ela recebia um
salário mínimo do patrão e tem quatro filhos, a
renda per capita dela girava em torno de R$ 60. Não é razoável.
Ainda assim ela tinha o direito de receber o programa de renda",
afirma.
Impacto
A pesquisadora do Ipea também analisou
o impacto do sistema de proteção social na indigência
e na pobreza do Brasil, com base em dados de 2005, aí já incorporando
os números do Bolsa Família. O sistema inclui, além
do programa, os benefícios de até um salário mínimo
da Previdência Social e os idosos e deficientes que recebem até um
salário mínimo do BPC (Benefício de Prestação
Continuada).
Na simulação da pesquisa,
sem o colchão de renda dos benefícios, a indigência
duplicaria no Nordeste (passaria de 24,1% da população
para 41,3%) e quase triplicaria no Sudeste (dos atuais 5,4% para 14,5%). "O
Bolsa Família é um novo pilar da proteção
social, atende uma população até agora descoberta,
que são os adultos em condição de trabalhar e
praticamente sem renda. Os dados mostram que o sistema de proteção
social tem um impacto extremamente importante. A situação
sem eles seria imensamente pior", afirma.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 28 de outubro de 2006 | Economia
Brasil precisa de reformas e ajuste
fiscal, diz estudo
Avaliação é da Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
João Caminoto
LONDRES - Para alcançar taxas de
crescimento maiores, aproximando-se do desempenho de outros grandes países
emergentes, o Brasil precisa adotar o quanto antes uma agenda ambiciosa
de mudanças, entre elas a melhora da performance fiscal, a implementação
de reformas macro e microeconômicas, além de estimular a
inovação na sua economia. Esse é o diagnóstico
da Organização para Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE), que no próximo mês divulgará pela
terceira vez um detalhado estudo sobre o País num evento que deve
ocorrer no Rio de Janeiro.
A OCDE, cuja sede fica em Paris, reúne
trinta dos países mais industrializados do mundo. Suas avaliações
sobre o Brasil nos últimos anos, apesar de um tom positivo, têm
insistido na necessidade de avanço das reformas e melhor desempenho
fiscal como maneira de colocar o País numa trajetória de
crescimento mais ambicioso e sustentável.
"O Brasil precisa mudar sua marcha
para o longo prazo para obter um crescimento mais compatível com
outros emergentes" disse em entrevista à Agência Estado,
o economista responsável pelo Brasil na OCDE, Luiz de Mello. "É preciso
aumentar o potencial de crescimento, e garantir que ele seja sustentado
como forma de melhorar com mais rapidez a renda da população."
Entre as sugestões da OCDE para
que esse objetivo possa ser alcançado um dos pontos principais é a "consolidação
dos ajustes macroeconômicos" nos próximos anos. Mello
explicou que, no lado fiscal, isso pressupõe a "manutenção
de superávits primários expressivos", ou seja, 4,25%
do PIB. "Trata-se muito mais de uma questão qualitativa do
que quantitativa", disse.
Segundo o economista, o ajuste fiscal
feito nos últimos se ancorou muito mais no aumento da receita
tributária do que no controle de gastos. Para se obter uma trajetória
mais sustentada da redução da relação entre
a dívida e o PIB, o ajuste terá que ser feito pelo racionamento
e melhora dos gastos.", disse. "Cedo ou tarde isso terá que
ser feito", Isso, segundo ele, permitirá ao País elevar
seu volume de investimentos.
Mello disse qualificou como "excelente
o gerenciamento macro-monetário" nos últimos anos. "Nessa área
será preciso reforçar os parâmetros de monitoramento
da economia, fortalecendo ainda mais a confiança nessa área",
disse. Ele não considera a questão da autonomia legal do
Banco Central como um fator crucial. "O importante é que
o BC continue tendo autonomia de fato", disse.
Outro desafio importante nos próximos
anos, segundo a OCDE, será a melhora do ambiente para negócios
no Brasil. Mello explicou que isso vai requerer uma série de
reformas macroeconômicas, como nas áreas tributária
e trabalhista. "Será importante também um aprimoramento
do ambiente microeconômico, um tema que tem sido discutido intensamente
no país nos últimos anos e que precisa ser traduzido
em avanços mais concretos". A OCDE considera que a busca
e o estímulo da inovação no setor privado, como
por exemplo no setor tecnológico, é um fator chave para
o aumento da produtividade e competitividade do setor privado.
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CORREIO DO ESTADO / MATO
GROSSO, 30 de outubro de 2006
O custo trabalhista no Brasil
A Volkswagen anunciou que precisa cortar
em 15% seus custos com mão-de-obra para viabilizar novos investimentos.
A montadora afirma que terá que demitir 3,6 mil funcionários
até 2008.
O caso da Volks é emblemático.
Os custos salariais estão tirando competitividade da produção
nacional.
O grande vilão é o elevado
custo dos encargos sociais incidentes sobre a folha salarial, ainda que
a remuneração do trabalhador brasileiro seja relativamente
baixa. Os gastos patronais com INSS, FGTS, Salário-Educação,
Seguro de Acidentes do Trabalho e o Sistema "S" representam
cerca de 36% dos salários pagos aos trabalhadores. A inclusão
de custos relacionados ao tempo não trabalhado (férias,
13º salário, aviso prévio, etc) faz a despesa de contratação
de um funcionário ultrapassar 100% do salário nominal.
A média dos países conhecidos como tigres asiáticos é de
11%.
O acirramento da concorrência no
comércio internacional e o real valorizado foram determinantes
para que o elevado custo trabalhista no Brasil, levantado no caso da
Volks, se tornasse uma questão em evidência. O problema
está se mostrando dramático em função do
grande diferencial existente entre o custo com mão-de-obra na
economia brasileira comparativamente com outros países emergentes,
sobretudo quando o referencial é a China, economia onde, segundo
a CNI, um funcionário custa para as empresas quase a metade do
que ocorre no Brasil.
No Brasil, formalizar funcionários
para empresas de pequeno e médio porte é uma atitude que
certamente poderá comprometer a sobrevivência da maioria
delas. A saída é a informalidade. Por outro lado, funcionário
sem carteira assinada significa para o Governo que tributos compensatórios
terão que ser extraídos de quem não tem essa alternativa.
A necessidade de desonerar a folha de
salários está se tornando uma unanimidade no país.
O empresário Lawrence Pih, do Moinho Pacífico, destacou
em recente entrevista que a eliminação de contribuições
incidentes sobre a folha de pagamentos deve ser prioridade na agenda
do próximo Governo. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também
enfatizou a necessidade de desonerar a folha de salários em entrevista
para a revista Conjuntura Econômica da FGV. Segundo ele "é preciso
uma reforma tributária que reduza os encargos sociais sobre a
folha de pagamentos".
Porém, o ex-presidente da CUT comete
um equívoco ao propor a substituição das contribuições
sobre a folha de pagamentos por uma incidência sobre o faturamento
(estilo Cofins) ou valor agregado (estilo ICMS). A medida não
resolve o problema da informalidade e da competitividade das empresas,
uma vez que a alíquota necessária seria elevada e o sistema
permaneceria declaratório e, portanto, caro e complexo.
Os encargos sociais trabalhistas devem
ser custeados por toda a sociedade. Não deveria ser suportado
prioritariamente pelo setor produtivo, como ocorre hoje com as contribuições
sobre a folha salarial (e continuaria ocorrendo caso a base fosse substituída
para o valor agregado ou o faturamento).
A saída para a economia brasileira
elevar a oferta de emprego, reduzir a informalidade e os custos das empresas
passa pela desoneração da folha de salários. O Governo
tem que levar adiante uma reforma tributária que substitua as
contribuições incidentes sobre a folha salarial por uma
contribuição sobre movimentação financeira.
Esta alternativa simplifica o sistema, combate a sonegação,
e reduz o custo empresarial.
No Congresso Nacional há um projeto
que caminha nesse sentido. A PEC 256/00, apresentada por mim em conjunto
com outros parlamentares, prevê a substituição do
INSS patronal por um adicional na CPMF. Seria um grande passo para reduzir
custos empresariais, estimular o crescimento da economia e a oferta de
empregos e formalizar postos de trabalho.
Estudo realizado pela Fundação
Getúlio Vargas simula o impacto da substituição
do INSS patronal por um adicional de 0,50% na CPMF para 42 setores produtivos
no Brasil. Atividades como a indústria de artigos de plásticos,
transportes e serviços prestados às empresas teriam redução
da carga tributária em relação ao valor agregado
superior a 7 pontos percentuais. O PIB poderia ter um crescimento adicional
de 1,6% e o nível de emprego de 1,9%.
É preciso uma atitude do Governo
no problema do crescente comprometimento da competitividade das empresas
brasileiras. Não dá para ficar de braços cruzados
vendo milhares de pessoas perdendo seus empregos e a informalidade crescendo.
A PEC 256 é um ponto de partida para se reverter essa situação.
Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque,
doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular
e vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas.
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de outubro de 2006
Contra o feiticeiro
Economista pede R$ 8 milhões
e tem de pagar R$ 160 mil
Um economista entrou com ação
na Justiça do Trabalho e deu à causa o valor de R$ 8 milhões.
Ele alegava receber de sua empresa R$ 7 mil de salário, mais R$
8 mil por fora, e queria que as verbas trabalhistas incidissem também
sobre o “PF”.
Ao dar o valor da causa, não deve
ter ocorrido ao economista a possibilidade de perder a ação.
Pois perdeu. Seu pedido foi negado e o juiz determinou que ele pagasse
custas processuais de 2% do valor da causa: ou seja, R$ 160 mil.
O economista recorreu até ao Tribunal
Superior do Trabalho e, para não pagar as custas da ação,
juntou aos autos uma declaração de pobreza. Os ministros
da 2ª Turma do TST consideraram “nada convincente” a
declaração e mantiveram a decisão das instâncias
trabalhistas de São Paulo.
O relator do caso foi o ministro Luciano
de Castilho Pereira. O ministro manteve decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (São Paulo), que considerou
deserto o recurso por falta de pagamento das custas processuais fixadas
em R$ 160 mil.
O caso
Contratado como superintendente comercial
da empresa Reunidas Transportadora Rodoviária de Cargas em setembro
de 1988, o economista foi demitido em outubro de 2001. Dois meses depois,
entrou com a reclamação trabalhista com o argumento de
que a empresa deixou de pagar o salário “por fora” (em
torno de R$ 8 mil) durante vários meses, além das comissões.
Pediu, entre outras verbas, diferenças de salários, FGTS,
férias, 13°, salário in natura (moradia e veículo)
e participação nos lucros da empresa. Deu à causa
o valor de R$ 8 milhões e pediu os benefícios da Justiça
gratuita.
A empresa, em contestação,
alegou que o empregado era, na verdade, filho de um de seus acionistas
que, quando vivo, administrava a transportadora em todo o Brasil. Informou
que, depois da morte do pai, em setembro de 1998, o economista passou
a ir à empresa esporadicamente — de setembro de 1999 a março
de 2000 apenas compareceu ao trabalho em quatro ocasiões, para
receber salários.
A transportadora alegou ainda que os depósitos
bancários apresentados pelo empregado em juízo como prova
dos salários “por fora” nada mais eram do que simples
acertos de contas entre pai e filho, ou receitas transferidas das filiais
para a sede da empresa, utilizando sua conta bancária. Argumentou,
também, que a utilização de veículo para
o trabalho, fornecido pelo empregador, não constitui salário
in natura.
A Vara do Trabalho julgou o pedido improcedente
por falta de provas e condenou o empregado ao pagamento de custas processuais
de 2% sobre o valor da causa. Ele recorreu e o TRT paulista manteve a
condenação das custas, pois considerou que um economista
dono de loja e de vários imóveis e veículos não
poderia ser considerado juridicamente pobre.
Os juízes destacaram que os benefícios
da Justiça gratuita são destinados a pessoas humildes.
Para o tribunal, o caso em discussão envolve uma “causa
milionária, cenário do qual, certamente, não participam
trabalhadores humildes”.
O caso chegou ao TST. Luciano de Castilho
manteve a decisão do TRT paulista. “Embora a legislação
preveja a presunção de veracidade da declaração
firmada com o intuito de comprovar a pobreza do demandante, na acepção
jurídica do termo, há que se ter em conta que tal presunção
não é absoluta, admitindo prova em contrário. E
esta é justamente a hipótese dos autos, na medida em que
o TRT/SP concluiu que o recorrente não era necessitado, a ponto
de fazer jus ao benefício da justiça gratuita por não
poder demandar sem prejuízo do sustento próprio ou da família”,
destacou.
O ministro Luciano de Castilho salientou
ainda que o reexame da situação econômica do empregado
não é permitido nessa fase processual, conforme prevê a
Súmula 126 do TST.
RR-2.926/2001-052-02-00.7
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de outubro de 2006
Resíduos de viagem
Limpar ônibus dá adicional
de insalubridade máximo
Empregado que limpa banheiro de ônibus
tem direito a receber o adicional de insalubridade em grau máximo.
O entendimento é da 2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
A Turma confirmou o pagamento de adicional de insalubridade para uma
ex-empregada da empresa gaúcha Unesul Transportes.
A transportadora recorreu ao TST contra
a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(Rio Grande do Sul). Além do pagamento do adicional de insalubridade
ao longo de toda a relação de emprego, o posicionamento
regional assegurou a repercussão da parcela sobre o aviso prévio,
13º salário, férias, horas extraordinárias,
FGTS e a respectiva multa de 40%. A decisão regional tomou como
base o laudo pericial que concluiu pela exposição da servente
a agentes biológicos, conforme a previsão do Anexo 14 da
Norma Regulamentar 15 da Portaria 3.214 de 1978 do Ministério
do Trabalho.
“Nos serviços de limpeza
de banheiros (sanitários) de ônibus ocorre a remoção
de resíduos de fezes, urina, sangue, secreções,
escarro e eventualmente vômito, não somente do acento e
bordas da caixa sanitária como no piso muito freqüentemente
respingado. O lixo coletado em sanitários tem sua composição
básica composta por papel contaminado com os resíduos descritos.
Vários agentes patogênicos poderão estar presentes
(bactérias, vírus, fungos, parasitas, etc)”, registrou
o laudo.
No TST, a empresa argumentou violação
ao artigo 191, inciso II, da CLT e contrariedade à Súmula
80 do Tribunal. O dispositivo prevê que “a eliminação
ou a neutralização da insalubridade ocorrerá com
a utilização de equipamentos de proteção
individual ao trabalhador, que diminuam a intensidade do agente agressivo
a limites de tolerância”. O item da jurisprudência
diz que “a eliminação da insalubridade mediante fornecimento
de aparelhos protetores aprovados pelo órgão competente
do Poder Executivo exclui a percepção do respectivo adicional”.
O ministro Renato Paiva, relator, não
reconheceu ofensa à previsão do texto legal e ressaltou
que os aspectos fático-probatórios da causa, inviabilizaram
o seguimento do Recurso de Tevista. Também ressaltou que o TRT
gaúcho, ao adotar o entendimento inscrito no laudo pericial, “deu
a exata subsunção da descrição dos fatos
ao conceito contido no artigo 191, inciso II, da CLT”.
RR 70.705/2002-900-04-00.6
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de outubro de 2006
Papel do sindicato
Fenad é ilegítima para
propor ação contra lei
Entidade que não tem o mesmo poder
de sindicato não pode propor Ação Direta de Inconstitucionalidade.
O entendimento é do Plenário do Supremo Tribunal Federal.
Os ministros, por unanimidade, arquivaram a Ação Direta
de Inconstitucionalidade, proposta pela Federação Nacional
de Administradores (Fenad). A questão foi parar no Pleno porque
a ministra Ellen Gracie, negou a ADI. A federação entrou
então com Agravo de Instrumento.
Ellen Gracie declarou que a Fenad “não
detém a necessária legitimidade ativa para atuar na causa
nos termos do artigo 103, da Constituição Federal”,
porque, de acordo com o entendimento do STF, cabe às confederações
sindicais a proposição do controle concentrado de normas
como as ADIs.
Na ADI, a federação sustentava
a inconstitucionalidade da Medida Provisória 293/06 por violação
aos artigos 8º, inciso III e VI e 62 da Constituição.
A norma dispõe sobre atribuições e prerrogativas
das centrais sindicais no Brasil e, de acordo com a Fenad, ofenderia
o princípio da livre associação profissional e sindical.
O relator do agravo, ministro Sepúlveda
Pertence, declarou em seu voto que a legitimidade das entidades sindicais é privativa
das confederações,. Para o ministro “não resta
dúvida que a Fenad, apesar de sua abrangência territorial
se consistem em entidade sindical de segundo grau, visto que o artigo
3º de seu estatuto permite que ela seja filiada a confederação
nacional”.
ADI 3.762
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de outubro de 2006
Ação de servidora
Anatel questiona decisão da
Justiça trabalhista no STF
A Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) recorreu ao Supremo Tribunal Federal para que a Corte reconheça
a incompetência da Justiça do Trabalho para julgar a causa
movida por uma funcionária contratada temporariamente. O relator
da Reclamação é o ministro Cezar Peluso.
O processo teve origem em uma ação
trabalhista ajuizada pela funcionária Rosana da Silva Basílio,
contratada temporariamente pela Anatel entre os anos de 1999 e 2005.
Ao terminar o contrato, a funcionária acionou a Justiça
para ter reconhecida relação de trabalho com a Anatel regida
pela CLT. Caso tivesse o pedido reconhecido, passaria a ter direito a
verbas rescisórias, aviso prévio, seguro desemprego, horas
extras, férias integrais, décimo terceiro salário,
FGTS entre outras vantagens.
A primeira instância da Justiça
do Trabalho acolheu parte do pedido para reconhecer a presença
de vínculo de emprego e condenou a empresa a pagar benefícios
compreendidos entre o período entre 2002 e 2005. Durante esse
processo, a Anatel pediu para o juiz reconhecer a incompetência
absoluta da Justiça do trabalho para julgar o caso, já que
a servidora tinha vínculo de natureza administrativa e não
vínculo celetista. Ainda assim, o juiz entendeu por prosseguir
na instrução do pedido e conceder a liminar deixando para
analisar a incompetência posteriormente.
No STF, a Agência Nacional de Telecomunicação
argumenta que a decisão monocrática não pode ter
efeito, porque desrespeita o entendimento firmado pelo ministro Nelson
Jobim na Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.395, que
determinou a suspensão de toda interpretação atribuída
ao inciso I, do artigo 114 da Constituição Federal, na
redação dada pela Emenda Constitucional 45/2004.
A resolução incluía
na competência da Justiça do Trabalho a apreciação
de causas instauradas entre o poder público e seus servidores.
RCL 4.723
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CONSULTOR JURÍDICO,
30 de outubro de 2006
Manifestação na avenida
Justiça paulista condena sindicato
dos motoristas
A entidade de direito público ou
privado que bloquear o tráfego de veículos de transportes
coletivos está sujeita ao pagamento de multa e indenização,
além de responder pelos prejuízos causados ao consumidor.
O entendimento, unânime, é da 5ª Câmara de Direito
Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo que manteve
a condenação do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores
em Transporte Rodoviário e Urbano de São Paulo.
A decisão confirmou a determinação
de primeira instância e condenou o sindicato a pagar R$ 100 mil
de indenização por ter feito manifestações
e ter bloqueado avenidas importantes da capital paulista em julho e agosto
de 1993. O sindicato também tem de publicar a sentença
judicial em um jornal de grande circulação no prazo de
10 dias, caso contrário pagará multa diária de R$
5 mil.
A primeira das manifestações
ocorreu na manhã de 12 de julho de 1993. O sindicato, com o apoio
de carros da entidade, bloqueou o cruzamento das avenidas Rio Branco
e Ipiranga, na região Central da capital. O bloqueio foi motivado
por uma operação planejada pela entidade contra a privatização
de diversas linhas de ônibus da antiga Companhia Municipal de Transportes
Coletivos (CMTC).
O bloqueio permaneceu das 9h às
12h e o sindicato não fez qualquer comunicação pública
do bloqueio e paralisação. Os passageiros foram obrigados
a abandonar os ônibus e seguir a pé, de metrô ou de
táxi para seus destinos. A manifestação foi dissolvida
pela Polícia Militar.
Não satisfeito com a paralisação,
no dia seguinte o sindicato promoveu novo bloqueio, desta vez das 15h às
16h, no cruzamento da avenida Celso Garcia com a rua João Boemer,
no Brás (zona Leste da papital). Outro bloqueio foi promovido
no dia 14 de julho junto à Ponte do Socorro (zona Sul).
As manifestações prosseguiram em agosto. No entanto o sindicato
adotou como tática o bloqueio dos portões de acesso das garagens
de ônibus.
O Ministério Público ingressou
com ação civil pública e obteve a condenação
da entidade. O sindicato recorreu a todas as instâncias e, agora,
na fase de execução, depois de fazer acordo com o MP, não
cumpriu de todo a condenação. De acordo com o TJ, a entidade
omitiu trechos da sentença e do acórdão na publicação.
O trecho omitido foi o seguinte: “A
publicidade completa a ideologia da restauração da ordem
jurídica. É importante para revelar que não estamos
indefesos diante dos movimentos ilegais e que o juiz está presente,
respondendo aos anseios sociais, um plus na disseminação útil
dos acontecimentos forenses e que servirá para aproximar o podo
ao Judiciário, um passo para o conhecimento que leva a admiração
e ao respeito”.
Votaram os desembargadores Dimas Carneiro
(relator) Francisco Casconi e Silvério Ribeiro.
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CONSULTOR JURÍDICO,
30 de outubro de 2006
Ajuste de conduta
Wal-Mart se livra de multa por não
contratar deficiente
por Priscyla Costa
O Wal-Mart Brasil está livre de
pagar multa por não contratar deficientes físicos. A decisão é do
juiz José Cordeiro Leite, da 1ª Vara do Trabalho de Brasília.
O juiz acolheu o pedido da rede de hipermercados e cancelou a infração
determinada pela Delegacia Regional do Trabalho do Distrito Federal.
O argumento da loja foi de que já existe
um Termo de Ajuste de Conduta firmado com o Ministério Público
do Trabalho da 2ª Região, que concede prazo 36 meses para
a empresa contratar deficientes em todo o território nacional.
Para o juiz, se há já um
acordo firmado, é nulo qualquer auto de infração
que cobre exatamente a mesma coisa.
A Wal-Mart foi representada pelo escritório
pelos advogados Ilário Serafim e Renato Serafim, do escritório
Ilário Serafim Advogados.
Acordo cumprido
A Colgalte-Palmolive é uma das
empresas que já conseguiram se enquadrar na norma que determina
a contratação de pelo menos 2% de funcionários deficientes,
para empresas com mais de 100 empregados.
Em audiência feita nesta quinta-feira
(26/10), a empresa comprovou ter cumprido a reserva legal de contratações.
Considerado o número de empregados que a empresa possui, 180 deveriam
ser portadores de deficiência. A Colgate-Palmolive já contratou
183, entre pessoas com deficiência física, auditiva e visual.
A audiência foi conduzida pela procuradora
do Trabalho em São Paulo Denise Lapolla de Paula Aguiar Andrade.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
28 de outubro de 2006
TST mantém adicional de periculosidade
para caminhoneiro
A SDI-1 (Seção Especializada
em Dissídios Individuais 1) do TST (Tribunal Superior do Trabalho)
manteve a decisão que concedeu adicional de periculosidade a um
caminhoneiro cujo veículo continha tanque suplementar fora das
especificações do fabricante do caminhão. Os ministros
do TST não conheceram recurso da empresa Arcom Comércio,
Importação e Exportação Ltda., que queria
ser dispensada da condenação ao adicional.
Para os ministros, os questionamentos
feitos pela empresa no TST não estavam presentes nas instâncias
anteriores, não entendendo aos requisitos processuais previstos
em lei.
A empresa alegou que o tanque suplementar
continha combustível para consumo próprio, o que não
caracterizaria transporte de combustível e não constava
da classificação do Ministério do Trabalho para
fins de periculosidade. Nesse sentido, a empresa solicitou que o TST
reformulasse a decisão que a condenava ao pagamento do adicional.
Além disso, a empresa alegou que o contato do caminhoneiro com
o combustível era eventual, “somente em caso de emergência”.
Reformulação
A empresa havia conseguido em primeira
instância a desobrigação de pagar o adicional, mas
a decisão foi reformulada pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho)
da 3ª Região (Minas Gerais). O TRT-3 considerou o tanque
suplementar constituía periculosidade, uma vez que sua instalação
se deu sem o controle do fabricante e fora das especificações
técnicas.
A decisão se baseou em laudo pericial
que confirmou a existência de risco no período em que os
tanques-reserva foram removidos, o que obrigava o caminhoneiro a entrar
em área de risco ao transferir combustível para o tanque
principal.
O ministro do TST João Oreste Dalazen
ressaltou que o TRT-3 não examinou a questão com base no
tempo de exposição ao agente de risco, nem considerou a
ausência de previsão nas normas do Ministério do
Trabalho quanto ao pagamento de adicional de periculosidade pelo transporte
de combustível em tanque-reserva —alegações
adotadas pela empresa em seu recurso.
“Como se percebe, a empresa, ao
interpor embargos no intuito de demonstrar afronta ao artigo 193 da CLT
[que considera atividade ou operação perigosa aquelas que
impliquem contato permanente com inflamáveis ou explosivos em
condições de risco acentuado], requer o exame do tema sob
enfoques não tratados pelo TRT, instância soberana na apreciação
do acervo fático-probatório dos autos”, afirmou o
relator.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 30 de
outubro de 2006 | Brasil
RECORTE E GUARDE-Fiscalize o segundo mandato
de Lula a partir das garantias dadas na campanha eleitoral
Prometeu, tem de cumprir
Desenvolvimento com distribuição de renda
• Dar continuidade à recuperação
do salário mínimo com aumentos acima da inflação
e acentuar o crescimento de empregos formais.
• Prosseguir o processo de redução da relação
dívida pública/PIB.
• Aprofundar a redução
da taxa de juros, aproximando-a daquela praticada nos países em
desenvolvimento.
• Prosseguir em programas seletivos
de desoneração tributária, buscando fortalecer a
expansão do sistema produtivo.
Reforma Agrária e Política
Agrícola
• Promover o desenvolvimento da
agricultura nacional, com ampliação de renda e cidadania
no campo, gerando um ambiente de produção e trabalho que
garanta ampliação da renda agrícola, oferta adequada
de alimentos e geração de divisas, com preservação
dos recursos ambientais.
Política Industrial
• Construir o Pólo Petroquímico
e a Siderúrgica do Rio de Janeiro.
• Garantir o fornecimento do gás
que viabilize a construção e a operação da
Siderúrgica do Ceará.
Comércio Exterior
• Fortalecer a política de
exportações, com destaque para os produtos com valor agregado.
(...)
• Ampliar e reforçar no exterior
os entrepostos da APEX no exterior e a Marca Brasil.
• Expandir as linhas de crédito
do PROEX e do BNDES e o seguro às exportações.
• Impulsionar a desdolarização
do comércio com os países da América Latina e estimular
a ampliação do mecanismo de Convênio de Crédito
Recíproco (CCR) e outros instrumentos que permitam o intercâmbio
comercial em moedas estrangeiras.
Educação de Qualidade
• Ampliar, com estados e municípios,
o acesso à educação básica, por meio da universalização
do ensino fundamental de 9 anos (...).
• Estruturar a Rede Nacional de
Formação de Educadores (...). Ampliar, para tanto, a Universidade
Aberta do Brasil, fruto da cooperação entre União,
estados, municípios e universidades federais.
• Aumentar investimentos na educação
especial e indígena (...).
• Aprofundar a ampliação
do ensino superior de qualidade: continuidade do ProUni, criação
de novas universidades e de mais vagas nas universidades federais existentes;
(...), desenvolvimento de Plano Nacional de Pós-graduação
e do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior”.
Cultura
• Criar e implementar mecanismos
de financiamento para estabelecer o Ticket Cultural, como forma democrática
de acesso da população aos bens e serviços culturais.
Trabalho e emprego
• Gerar mais e melhores empregos
(...).
• Incrementar o crédito e
o fomento aos micro-empreendimentos, às cooperativas, às
associações de pequenos produtores e a outras práticas
de economia solidária.
• Manter a prioridade no combate
ao trabalho escravo e infantil, na perspectiva de sua erradicação.
• Ampliar as oportunidades de inserção
de jovens, mulheres e trabalhadores com mais de 40 anos no mercado de
trabalho.
Brasil, potência energética
• Licitar e dar início à construção
das hidrelétricas do Rio Madeira e Belo Monte (...).
• Completar o Programa Luz para
todos, garantindo a totalidade dos brasileiros e o acesso à eletricidade.
• Priorizar a criação
de novas oportunidades na exploração e produção
de gás natural, visando a independência no curto prazo dessa
fonte energética (...).
• Continuar os investimentos na
expansão da malha de gasodutos, com especial ênfase na conclusão
do Gasoduto Coari Manaus e Gasene (em parceria com a China).
• Consolidar os pólos de
biocombustíveis – etanol, biodiesel e H-Bio (...). Incentivar
a exportação da tecnologia de biocombustíveis para
América Latina e África.
Política Mineral
• Dar maior competitividade à indústria
mineral, através de programas de apoio financeiro-tecnológico
para a verticalização e agregação de valor à produção
mineral (...).
Desenvolvimento Regional
• Aprovar projeto de lei em tramitação
no Congresso de recriação da Sudene e Sudam, restaurando
a capacidade de planejamento e articulação regional.
Meio Ambiente
• Reduzir a taxa de desmatamento
anual da Amazônia de demais biomas a níveis médios
inferiores aos do período 2003-2006.
Brasil sem violência
• Intensificar a repressão
ao crime organizado, a vigilância nas fronteiras para impedir o
tráfico de drogas (...).
• Consolidar o Sistema Único
de Segurança Pública (SUSP) (...). Ampliar o efetivo da
Polícia Federal, mantendo sua independência e fortalecendo
sua atuação no controle das fronteiras.
• Consolidar o Sistema Penitenciário
federal, concluindo os presídios de segurança máxima.
Isolar as lideranças do crime organizado nas penitenciárias
federais.
• Investir na formação
de agentes penitenciários federais.
Reforma do Estado
• Combate à corrupção
e transparência.
• Continuar a fortalecer os órgãos
de controle e investigação do Poder Executivo (Controladoria
Geral da União e Polícia Federal) e a articulação
com o Ministério Público, Tribunal de Contas e o Judiciário.
• Promover a análise sistemática
da evolução patrimonial dos agentes públicos.
• Ampliar a transparência,
o controle e a eficiência das compras governamentais, promovendo
o monitoramento sistemático de certames licitatórios, buscando
identificar padrões de comportamento de empresas participantes
e desvios-padrão nos preços de aquisição
de bens e serviços.
Gestão
• Desenvolver processo consistente
de melhoria da qualidade do gasto público, combatendo o desperdício
e a ineficácia.
Previdência
• Avançar na melhoria do
atendimento aos segurados (...).
• Regulamentar a previdência
complementar de servidores públicos, instituída pela Reforma
Previdenciária de 2003.
Saúde
• Universalizar o cartão
SUS, que se constituirá no carro-chefe da informatização
do acesso e dos atendimentos.
• Ampliar o Sistema de Atendimento
Móvel de Urgência (SAMU), estendendo, com o apoio das Forças
Armadas, o atendimento em regiões de difícil acesso.
• Priorizar o acesso aos medicamentos
de alto custo. Ampliar a rede pública e conveniada do Programa
Farmácia Popular do Brasil, com o aumento do elenco de medicamentos
(...).
Desenvolvimento Social
• Manter o Programa Bolsa-Família
(...). Expandir a rede de serviços básicos para os beneficiários
do Bolsa Família (...), que promova a auto-suficiência das
famílias atendidas.
Segurança Alimentar
• O Fome Zero continuará avançando
(...).
Igualdade Racial
• Acelerar a implementação
do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial.
• Garantir a aplicação
da lei que determina o ensino da História da África nos
níveis fundamental e médio, nas redes pública e
privada.
Povos indígenas
• Assegurar o acesso de estudantes
indígenas ao ensino superior, por meio do ProUni e outros programas
de permanência nas universidades públicas.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 30 de
outubro de 2006 | Economia
ESTRATÉGIA-Modelo de gestão
identifica e premia as competências exigidas dos funcionários
Empresas começam a aplicar a remuneração
por resultados
Antonio Costa/Gazeta do Povo

Celi Borges e Cleide Rodriguez experimentam o modelo na Associação
Comercial do Paraná.
No ambiente extremamente competitivo da atualidade, as empresas precisam mostrar
resultados a todo o momento, se quiserem crescer e se tornar sólidas.
Uma boa equipe é um ponto imprescindível no processo, afinal,
são as pessoas que fazem o negócio andar. O grande desafio é descobrir
como manter os funcionários produtivos e comprometidos com os objetivos
da organização. Neste contexto, começa a ganhar força
no Brasil um novo conceito de gestão de pessoas que alia desempenho
com reconhecimento – refletido no salário – e está se
tornando a vedete do setor de recursos humanos de algumas companhias. Trata-se
da gestão por competências, gestão por perfomance ou ainda
remuneração por competências, uma evolução
dos já conhecidos planos de cargos e salários. O custo do programa
pode ir de 0,1% a 1% do faturamento anual da empresa, mas quem o adotou diz
que vale muito a pena.
O consultor e economista Ernesto Afini
Neto, diretor da Quadricom, lembra que a gestão por competências
surgiu nos Estados Unidos, no começo da década de 80, quando
os americanos enfrentaram muita concorrência dos japoneses. “No
Brasil o conceito de remuneração por competências
somente começou a ser discutido em universidades nos anos 90.
Entretanto, grandes grupos multinacionais, principalmente norte-americanos,
já acompanhavam do nascedouro o que ditavam suas matrizes”,
explica. De acordo com ele, a modalidade de gestão é mais
eficiente que a remuneração dos tradicionais programas
de cargos e salários, que são uma forma de remunerar das
empresas burocráticas, onde o funcionário deve manter a
boca fechada, obedecer às ordens cegamente e fazer apenas o que
está escrito em sua descrição de cargo.
O primeiro passo da empresa que quer aplicar este tipo de gestão é definir
o que precisa para cumprir sua missão, o que exige um planejamento estratégico
realista. Depois, ela verifica quais competências, ou habilidades, são
necessárias para tanto e quais competências as pessoas contratadas
possuem. Estas habilidades podem ser conceituais (visão estratégica,
do produto e do negócio), humanas (comportamento, pró-atividade)
ou técnicas (inerente à função do trabalhador).
Passada esta fase, são especificadas
as funções existentes na empresa, que valem pontos, dependendo
da importância que têm, e quais são os pré-requisitos
dos cargos. A partir daí são detectadas as lacunas que
a organização possui e quais treinamentos devem ser feitos
para acabar com isso.
Depois vem o desenvolvimento, como fala
a diretora e consultora da Racional Recursos Humanos, Maria Júlia
Trevizan. “Pegue uma máquina como exemplo. A empresa vê o
que é preciso para operá-la, depois identifica quem pode
operá-la e daí pode treinar alguém ou buscar a pessoa
necessária no mercado.” Mas não adianta querer implantar
o modelo se não houver um bom planejamento estratégico. “A
empresa precisa saber para onde quer ir e qual caminho tomar. Com isso
pode ir alinhando a gestão por competências às mudanças,
porque o mercado muda”, continua.
Segundo a consultora, o custo de implantação
varia conforme o porte da empresa, mas pode ser feito em partes, para
as que não tem o suficiente para investir. Uma companhia média
pode fazer uma análise somente dos cargos de direção,
por exemplo. Para o consultor Afini, o custo vai de 0,1% a 0,2% do faturamento
anual da empresa.
Maria Júlia diz que geralmente
uma consultoria deve ser contratada para colocar a gestão por
competências em prática, porque o departamento de RH da
empresa não consegue dar conta sozinho da tarefa. As vantagens,
no entanto, compensam. “É uma ótima ferramenta de
gestão, pois fica muito claro para o gestor, para o colaborador
e até para o acionista, de como a empresa está indo. O
processo é avaliado a cada momento e pode ser corrigido de maneira
bem rápida”, justifica. Segundo a consultora, os resultados
aparecem em um ano, em média.
Serviço: Quadricom – Tecnologias
de Gestão – (41) 3262-2516 – www.quadricom.com.br;
Racional Recursos Humanos – (41) 3352-2623 – www.racionalrh.com.br.
Marco Sanchotene
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JORNAL GAZETA DO POVO, 30 de
outubro de 2006 | Economia
Estratégia
Aprendizagem melhora ganhos
Uma das maiores vantagens do programa de gestão por competências,
muito visível ao funcionário, diz respeito à remuneração,
que atrela o ganho da pessoa ao seu desenvolvimento profissional – que
deve estar afinado às necessidades da empresa. Ou seja, ambas as partes
ganham. De um lado o funcionário se sente mais motivado para adquirir
conhecimento e melhorar seu trabalho, pois terá um retorno em seu salário.
Do outro, a empresa consegue incentivar seu pessoal a se desenvolver e aumenta
a qualidade do seu serviço, além da competitividade. Dessa forma
os talentos também são retidos.
A estratégia começa no mapeamento
das funções, que dá origem a uma tabela com os níveis
salariais dos cargos. De acordo com o nível de especialidade,
há uma remuneração condizente, também baseada
na realidade do mercado. Nas avaliações anuais, se o funcionário
conseguir aumentar suas competências, ele ganha pontos e pode passar
para outro nível de especialidade, que tem um salário maior.
Assim, ele passa a receber mais.
O sistema também pode estar relacionado
a um programa de metas, para as funções que o permitem.
Desta maneira, um profissional que atinja pelo menos mais de 80% de suas
metas consegue passar de nível se desenvolver suas competências.
Caso contrário, deve haver uma revisão das metas, tendo
em vista que o crescimento em competências, necessariamente, deve
ser acompanhado do desempenho nas metas.
Para o consultor e economista Ernesto
Afini Neto, diretor da Quadricom, os sistemas salariais baseados na
habilidade, especialmente os que consideram várias habilidades,
encorajam os empregados a aprender e executar uma ampla variedade de
tarefas, em lugar de executar apenas as tarefas listadas na descrição
de seus cargos. “As empresas se beneficiam dessa maior flexibilidade,
podendo transferir funcionários de uma função
para outra em caso de absenteísmo, rotatividade e grandes defasagens
de trabalho”, acrescenta.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 30
de outubro de 2006 | Economia
Saiba mais
Passo a passo
Para implantar um programa de gestão por competências, a empresa
deve seguir pelo menos cinco passos:
1.º – A missão
da empresa deve estar claramente definida em seu planejamento estratégico,
para que sejam estabelecidas as competências conceituais, humanas
e técnicas necessárias para tanto.
2.º – A partir
daí, a empresa faz um mapeamento das funções existentes
em seu quadro de pessoal. Cada cargo ganha uma pontuação,
de acordo com o grau de especialização que possui, o que
dá origem a uma tabela com a faixa salarial do profissional, inclusive
de acordo com o que o mercado paga.
3.º – Depois,
a companhia verifica quais competências seus empregados apresentam.
Desta forma, é possível identificar em que campo as pessoas
estão bem e onde elas têm lacunas de conhecimento.
4.º – Passada
esta fase, a empresa consegue implantar treinamentos específicos
para desenvolver seus funcionários, a fim de eliminar suas falhas
de conhecimento. Conhecendo suas lacunas, os empregados também
podem buscar atualização sozinhos.
5.º – Com
avaliações anuais, a empresa mantém o programa
em andamento e vê como está a evolução de
seus empregados. Os que conseguirem diminuir suas falhas são
recompensados com aumento no salário, se ganharem os pontos
necessários para atingir determinada posição na
tabela de funções.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 30
de outubro de 2006 | Economia
ESTRATÉGIA
Empresa ajuda o empregado
a desenvolver potencialidades
Quem está experimentando o modelo de gestão por competências
cita tantas vantagens que parece questão de tempo até que todas
as empresas brasileiras o adotem. No Sebrae Nacional, em Brasília, o
conceito foi implantado em 2002 e depois estendido às unidades estaduais,
que empregam 4 mil pessoas em 24 estados. “Foi muito bom, porque agora
todo mundo sabe o que tem que fazer e quais competências precisa ter,
que devem estar atreladas à estratégia da empresa”, justifica
Maria de Lourdes da Silva, gerente de gestão de pessoas da entidade.
Segundo ela, o processo todo exigiu um investimento de R$ 400 mil.
Para a gerente administrativo-financeira
da Associação Comercial do Paraná (ACP), Celi Borges,
o custo de implantação de um programa desse gênero
gira em torno de 1% do faturamento da empresa. “Não é nada
de astronômico ou fora do normal. Já gastamos até mais
com softwares”, diz. A entidade apostou na novidade no ano passado
e espera concluir a implantação em mais um ano, mas já começa
a colher os frutos. “Agora as pessoas sabem as qualidades que têm
e quais são requeridas, sentem que estão contribuindo,
ficam comprometidas e fazem um trabalho adequado aos objetivos da empresa”,
enumera Celi. Além disso, de acordo com a gerente, o sistema é mais
justo tanto para a empresa quanto para os funcionários, que recebem
melhor feedback (retorno) da chefia e o gestor assume o papel de coach
(treinador) para desenvolver seus subordinados.
A medida foi bem recebida pelos funcionários.
A analista de qualidade Cleide Porto Rodriguez gostou da gestão
por competências, pois agora tem um mapeamento de sua capacidade. “Agora
sei em quais competências sou boa, em quais supero as expectativas
e em quais preciso melhorar. Naquilo que não sou boa, a empresa
não pode exigir muito, até eu me desenvolver”, fala.
Para tanto, a empresa pode bancar cursos e treinamentos, mas Cleide diz
que vai buscar se atualizar por si mesma, com leitura e atividades que
permitam a apreensão de novas habilidades, como ser síndica
do prédio onde mora, para aprender a resolver conflitos. Segundo
a analista, o modelo é superior ao consagrado plano de cargos
e salários, que apenas descreve a atividade do profissional, enquanto
o outro mostra as exigências da empresa em relação
aos empregados, que podem mudar com o tempo. “É muito mais
dinâmico.”
A Herbarium também comemora os
resultados e potenciais do programa adotado há dois anos. “A
competitividade da empresa aumentou, pois à medida que as pessoas
ficam mais competentes, trabalham melhor”, resume a supervisora
de recursos humanos da companhia, Joanita Plombom. De acordo com ela,
o funcionário é incentivado a trabalhar cada vez mais e
melhor, porque tem mais oportunidade na empresa e enxerga melhor sua
própria carreira.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 29 de outubro
de 2006
STF, Aposentadoria Espontânea
e Rescisão do Contrato de Trabalho
Edésio Passos [29/10/2006]
O Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade dos parágrafos
1.º e 2.º do artigo 453 da CLT que tratam da aposentadoria e extinção
do contrato de trabalho. O advogado Nilton Correia, ex-presidente da Abrat
e conselheiro federal da OAB, informa que o STF decidiu, pela inconstitucionalidade,
face as duas ADIs que tratavam da extinção do contrato de trabalho
em face da aposentadoria. Esclareceu que, para as duas, o STF tinha concedido
liminares, pelo que ambos os dispositivos não podem ser aplicados e
agora é de se esperar que o TST reexamine os termos de orientação
sumulada.
A ADI 1.721 foi proposta pelo PT, PDT e PCdoB e trata da inconstitucionalidade
do parágrafo 2.º do art. 453 da CLT. A ADI 1.770 foi proposta pelo
PDT e PCdoB e trata da inconstitucionalidade do parágrafo 1.º do
art. 453 da CLT. Ambas foram julgadas em 11 de outubro e as decisões
foram encaminhadas ao Presidente do Congresso Nacional e ao Presidente da República
visando a imediata aplicação. As ações visaram
a inconstitucionalidade do artigo 3.º da Lei n.º 9.528/1997 que alterou
o artigo 453 da CLT.
Os parágrafos 1.º e 2.º do art. 453 da CLT têm a seguinte
redação: Parág., 1.º. Na aposentadoria expontânea
de empregados das empresas públicas e sociedades de economia mista é permitida
sua readmissão desde que atendidas aos requisitos constantes do art.
37, inciso XVI, da Constituição, e condicionada à prestação
de concurso público. Parág. 2.º. O ato de concessão
de benefício de aposentadoria a empregado que não tiver completado
35 anos de serviço, se homem, ou trinta, se mulher, importa em extinção
do vínculo empregatício”.
Na decisão referente a ADI 1721, o relator Ministro Carlos Britto esclarece
questões relativas à matéria:
Aposentadoria como benefício
“ 19. Sucede que o novidadeiro § 2.º do art. 453 da CLT, objeto
da presente ADI, instituiu uma outra modalidade de extinção do
vínculo de emprego. E o fez inteiramente à margem do cometimento
de falta grave pelo empregado e até mesmo da vontade do empregador. Pois
o fato é que o ato em si da concessão da aposentadoria voluntária
a empregado passou a implicar automática extinção da relação
laboral (empregado, é certo, “que não tiver completado trinta
e cinco anos, se homem , ou trinta, se mulher (...)” (inciso I do § 7.º do
art. 201 da CF)”.
“ 20. Ora bem, a Constituição versa a aposentadoria do trabalhador
como um benefício. Não como um malefício. E se tal aposentadoria
se dá por efeito do exercício regular de um direito (aqui se cuida
de aposentadoria voluntária), é claro que esse regular exercício
de um direito não é de colocar o seu titular numa situação
jurídico-passiva de efeitos ainda mais drásticos do que aqueles
que resultariam do cometimento de uma falta grave. Explico. Se um empregado comete
falta grave, assujeita-se, lógico, a perder o seu emprego. Mas essa causa
legal de ruptura do vínculo empregatício não opera automaticamente. É preciso
que o empregador, no uso de sua autonomia de vontade, faça incidir o comando
da lei. Pois o certo é que não se pode recusar a ele, empregador,
a faculdade de perdoar seu empregado faltoso”.
O direito a aposentadoria e o contrato de trabalho
“ 21. Não é isto, porém, o que se contém no
dispositivo legal agora adversado. Ele determina o fim, o instantâneo desfazimento
da relação laboral, pelo exclusivo fato da opção
do empregado por um tipo de aposentadoria (a voluntária) que lhe é juridicamente
franqueada. Desconsiderando, com isso, a própria e eventual vontade do
empregador de permanecer com o seu empregado. E também desatento para
o fato de que o direito à aposentadoria previdenciária, uma vez
objetivamente constituído, se dá no âmago de uma relação
jurídica entre o “segurado” do Sistema Geral de Previdência
e o Instituto Nacional de Seguridade Social. Às expensas, portanto, de
um sistema atuarial-financeiro que é gerido por esse Instituto mesmo.
Não às custas desse ou daquele empregador. O que já significa
dizer que o financiamento ou a cobertura financeira do benefício da aposentadoria
passa a se desenvolver do lado de fora da própria relação
empregatícia, pois apanha o obreiro já na singular condição
de titular de um direito à aposentadoria, e não propriamente de
assalariado de quem quer que seja. Revelando-se equivocada, assim penso, a premissa
de que a extinção do pacto de trabalho é a própria
condição empírica para o desfrute da aposentadoria voluntária
pelo Sistema Geral de Previdência Social. Condição empírica,
isto sim, é o concurso da idade de nascimento do segurado com um certo
tempo de contribuição pecuniária (incisos I e II do § 7.º do
art. 201 da CF). Quero dizer: a relação previdenciária até que
principia com relação de emprego, sem dúvida (caso dos autos).
Mas a relação de aposentadoria, uma vez aperfeiçoada, se
autonomiza perante aquela. Ganha vida própria e se plenifica na esfera
jurídica do “segurado” perante o sistema previdenciário
em si”.
Efeitos da rescisão do contrato de trabalho
“ 22. Nada impede, óbvio, que, uma vez concedida a aposentadoria
voluntária, possa o trabalhador ser demitido. Mas acontece que, em tal
circunstância, deverá o patrão arcar com todos os efeitos
legais e patrimoniais que são próprios da extinção
de um contrato de trabalho sem justa motivação. Obrigação
patronal, essa, que se faz presente até mesmo na hipótese em que
a aposentadoria do empregado é requerida pelo seu empregador. Note-se:”Lei
n.º 8.213/91, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da
Previdência Social. Art. 51. A aposentadoria por idade pode ser requerida
pela empresa, desde que o segurado empregado tenha cumprido o período
de carência e completado 70 (setenta) anos de idade, se do sexo masculino,
ou 65 (sessenta e cinco) anos, se do sexo feminino, sendo compulsória,
caso em que será garantida ao empregado a indenização prevista
na legislação trabalhista, considerada como data da rescisão
do contrato de trabalho a imediatamente anterior à do início da
aposentadoria”.
Não há extinção automática do contrato de
trabalho
“ 23. Não enxergo, portanto, fundamentação jurídica
para deduzir que a concessão da aposentadoria voluntária ao trabalhador
deva extinguir, instantânea e automaticamente, a relação
empregatícia. Quanto mais que os “valores sociais do trabalho” se
põem como um dos explícitos fundamentos da República Federativa
do Brasil (inciso IV do art. 1.º). Também assim, base e princípio
da “Ordem Econômica”, voltada a “assegurar a todos existência
digna, conforme os ditames da justiça social (...)” (art. 170 da
CF), e a “busca do pleno emprego” (inciso VIII). Sem falar que o
primado do trabalho é categorizado como “base” de toda a ordem
social, a teor do seguinte dispositivo constitucional: “Art. 193. A ordem
social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça
sociais”
“ 24. Daí o seguinte magistério de Maurício Godinho
Delgado, citando José Afonso da Silva: “(...) Finalmente, na leitura
de todos esses dispositivos há que se considerar o estuário cultural
e normativo característico de toda a Constituição, em que
se demarcam o primado conferido ao trabalho e as inúmeras garantias deferidas
a seu titular. Como bem apontado pelo constitucionalista José Afonso da
Silva, o direito ao trabalho “... ressai do conjunto de normas da Constituição
sobre o trabalho”. É que, para a Constituição, a República
Federativa do Brasil tem como seus fundamentos, entre outros, os valores sociais
do trabalho (art. 1.º, IV); a ordem econômica também se funda
na valorização do trabalho (art. 170), ao passo que a ordem social
tem como base o primado do trabalho (art. 193). Tudo isso, inevitavelmente, conduziria
ao necessário reconhecimento do “... direito social ao trabalho,
como condição da efetividade da existência digna (fim da
ordem econômica) e, pois, da dignidade da 3 in Curso de direito do trabalho,
4.ª edição, São Paulo: LTr, 2005, p. 1.114. pessoa
humana, fundamento, também, da República Federativa do Brasil (art.
1.º, III)”.
Garantias constitucionais
“ 25. Nessa ampla moldura, deduzo que uma proposição em contrário
levaria à perpetração de muito mais desrespeito à Constituição
do que prestígio para ela. Quero dizer, o que se ganharia com a tese contrária
seria suplantado, de muito, pelas perdas infligidas ao sistema de comandos da
Constituição-cidadã, a significar, então, postura
interpretativa oposta à preconizada pelo chamado “princípio
da proporcionalidade em sentido estrito”.
“ 26. Seguindo a mesma linha de raciocínio até aqui expendida,
ajunto que a colenda 1.ª Turma deste Supremo Tribunal Federal deu provimento
ao RE 449.420 (Rl. Min. Sepúlveda Pertence), ocasião em que proclamou: “viola
a garantia constitucional o acórdão que, partindo de premissa derivada
de interpretação conferida ao art. 453, caput, da CLT (redação
alterada pela L. 6.204/75), decide que a aposentadoria espontânea extingue
o contrato de trabalho, mesmo quando o empregado continua a trabalhar na empresa
após a concessão do benefício previdenciário” (DJU
de 14.10.2005). 27. Isso posto, meu voto é pela procedência da presente
ADI, para o fim de declarar inconstitucional o § 2.º do art. 453 da
C.L.T”.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
30/10/2006
Sindicato não tem direito a justiça
gratuita
A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho negou provimento (rejeitou) a agravo de instrumento do Sindicato
dos Trabalhadores do Ramo Químico e Petroleiro do Estado da Bahia,
que pretendia obter os benefícios da gratuidade de justiça.
O relator, ministro Alberto Bresciani, fundamentou seu voto na CLT para
explicar que “a concessão de assistência judiciária
a sindicato encontra óbvias restrições no ordenamento
jurídico.”
O sindicato ajuizou reclamação
trabalhista contra a contra Oxiteno Nordeste S.A. Indústria e
Comércio, pedindo o pagamento de horas extras a um grupo de trabalhadores
afiliados, na condição de substituto processual. O pedido
foi julgado improcedente pela 4ª Vara do Trabalho de Camaçari
(BA), cabendo ao sindicato o pagamento de custas, no valor de R$ 400,00.
Em embargos de declaração,
a Vara esclareceu que não houve requerimento prévio no
sentido de se conceder gratuidade de justiça. Além disso,
a legislação relativa ao benefício (Lei nº 1.060/50,
artigo 2º, e Lei nº 5.584, artigo 14) estabelece que, em se
tratando de pessoa jurídica, é necessária a evidência
de comprometimento de suas finanças.
O sindicato recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 5ª Região (Bahia), que manteve o entendimento
e negou seguimento a recurso de revista para o TST, levando o sindicato
a interpor o agravo de instrumento (cuja finalidade é fazer com
que o TST aprecie o recurso de revista “trancado” pelo TRT).
No recurso, alegou que a gratuidade da justiça deve ser ampla,
abrangendo todos aqueles que comprovem insuficiência de recursos,
não importando se pessoa física ou jurídica.
O ministro Alberto Bresciani ressaltou
em seu voto que os artigos 790, parágrafo 3º da CLT e 14
da Lei nº 5.584/70 definem a gratuidade da justiça, claramente,
para as pessoas físicas. “Não há dúvidas,
no entanto, que a jurisprudência, em casos especiais e desde que
efetivamente demonstrada a fragilidade de suas finanças, tem-na
estendido às pessoas jurídicas.”
No caso julgado, porém, o sindicato
atua como substituto processual. “O fato de se dizer pessoa jurídica
sem fins lucrativos não basta para legitimar a pretensão
de se beneficiar da assistência jurídica gratuita”,
observou o relator. A CLT (artigo 514, alínea “b”)
atribui ao sindicato o dever de “manter serviços de assistência
judiciária para os associados”, atribuição
referendada pela Constituição Federal, segundo a qual cabe
ao sindicato “a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais
da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas” (artigo
8ª, III).
Para fazer face às despesas relativas
a suas atribuições legais, os sindicatos contam com a contribuição
sindical obrigatória, com as mensalidades de seus associados e,
eventualmente, com contribuições assistenciais. “O
ordenamento jurídico, ao tempo em que define as atribuições
sindicais, oferece receitas para que tais entidades as atendam”,
lembrou o ministro Bresciani.
“Nesse estado de coisas, a concessão
da gratuidade de justiça aos sindicatos dependeria, na melhor
das hipóteses, de demonstração de franca impossibilidade
de arcar com a responsabilidade legal (e – permito-me acrescentar – de
má gestão de seu orçamento)”, ressaltou. “No
caso, para além de todos os fundamentos lançados pelo sindicato,
não há um só indício de que não pudesse
responder pelas custas que lhe foram impostas”, concluiu. (AIRR
113/2005-134-05-40.0)

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