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Nova Central, 1 de novembro
de 2006
Horário de verão começa
neste próximo domingo
O horário de verão deste ano começa à 0h do dia
5 de novembro, próximo domingo, e vai até a 0h de 25 de fevereiro
de 2007, de acordo com decreto publicado no Diário Oficial da União.
Na data, moradores dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná,
São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal devem adiantar o relógio
em uma hora.
O horário de verão,
que geralmente começa em outubro, vai iniciar mais tarde neste
ano, devido ao segundo turno das eleições, que ocorreu
no último domingo. No mesmo período de 2005 a 2006, a
prática de adiantar os relógios acarretou numa redução
média de 4 a 5% no consumo em horário de pico, nas regiões
que adotaram o horário de verão.
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Congresso em Foco, 1 de novembro
de 2006
Eleições 2006: o day after
Campanha contra Lula o transformou em
mártir
Márcia Denser
A grande imprensa contribuiu involuntariamente
para reeleger Lula ao fazê-lo de saco de pancadas, pensa Márcia
Denser. O segundo turno dessas já históricas eleições
de 2006 deixa um saldo importante, de forma que, fazendo uma espécie
de balanço, gostaríamos de apontar algumas conclusões:
(1) Assim como a esquerda revelou-se corrupta,
tanto ou mais que a direita, esta, por sua vez, perdeu a vergonha ou "má consciência" de
se assumir como direita, defendendo com unhas e dentes seus interesses
e privilégios de classe, aliciando um coro de adeptos ferozes
entre as classes médias onde é mais espessa a inconsciência
perversa, burra e antidemocrática, com tolerância zero à opinião
discordante. Mas a esquerda, por outro lado, prossegue reincidindo em
velhos erros históricos, tais como o divisionismo, a exemplo de
Heloísa Helena e Cristovam Buarque, e divisionismo burríssimo
porque se repete sempre e sempre, feito cachorro que morde o rabo, impedindo-a
eternamente de se tornar hegemônica. Finalmente, todas essas questões
indicam que o confronto esquerda e direita talvez já não
funcione mais como referencial político imediato, pois apesar
de continuar em movimento, ele agora parece girar em falso.
(2) Porque, em menor escala, a polarização
que se verifica em nossa sociedade, representada pela oposição
Lula X Alckmin, reflete a "mudança de paradigma", tão
discutida na universidade, a indicar que o mundo não mais se divide
em direita e esquerda, socialismo e capitalismo etc., pois desde o colapso
da União Soviética e do socialismo real e graças à difusão
ao "pensamento único", o conflito verticalizou-se, repartindo-se
em Norte-Sul, os de cima e os debaixo, pobres e ricos, centro e periferia,
os países ricos do hemisfério Norte e os países
pobres do hemisfério Sul, o últimos constituindo o G-20,
composto por países como Brasil, China, Índia etc., em
oposição ao G-8, o jet set do planeta.
(3) A síndrome que podemos chamar
de "watergatização" da grande mídia, ou
seja, "vamos derrubar o governo Lula porque temos poder para isso",
como observou o jornalista Luís Nassif, desta vez não funcionou:
a grande imprensa bateu tanto em Lula que literalmente o "martirizou".
Cada vez que ela proclamava a vitória de Alckmin nos debates,
dias depois era desmentida pelas pesquisas de opinião. Mas a falta
de respeito, desconsideração e preconceito para com Lula
(vide o famoso pontapé na capa da Veja) , na linha " mesmo
presidente da República, ele continua pobre e ignorante",
pesaram definitivamente na balança.
(5) A questão do confronto entre
indivíduos, conforme a abordagem da imprensa burguesa - que, histórica
e estrategicamente, não contrapõe idéias ou movimentos
ou causas coletivas, apenas pessoas - foi outro tiro pela culatra. Segundo
o jornalista Flávio Aguiar, não se tratou apenas de um
confronto psicológico. Lula destruiu o ethos da candidatura Alckmin.
Este se viu obrigado a trair seu ideário, sendo advertido pelos
próprios aliados. Mas a pecha de privatista foi fatal.
(6) Porque à mídia conservadora,
que louvou as privatizações como "o que de melhor
foi feito na economia brasileira durante o governo FHC", escapou
um pequeno detalhe, que agora ficou claro: 70% da população
disse não às privatizações. Antes, Alckmin
jurou que não privatizaria a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa
Econômica Federal, enquanto as privatizações do Metrô paulistano
e da Nossa Caixa prosseguem a todo vapor, encobertas por uma mídia
que hipocritamente silencia a respeito.
(7) E mais: Alckmin chegou a posar como
antiprivatista (quando esta coluna desde janeiro deste ano já havia
assinalado essa questão em seu programa, segundo declarações
do próprio ex-governador), adotando para si todos os programas
do adversário, como o Bolsa Família, pretendendo até ampliá-los
(sic). Diante dessa, Nassif não resistiu: "Bom, se ele vai
adotar os mesmos programas do Lula então mantenha-se o original!".
Assim, a candidatura Alckmin sucumbiu às suas próprias
contradições.
(8) Ainda segundo Flávio Aguiar,
Lula conseguiu ocupar todo o espaço político, neutralizando
a aversão que os rentistas tinham (e têm) por ele, bem como
os banqueiros. Manteve o apoio de vários setores dos trabalhdores
organizados, atraindo as bases empobrecidas no Nordeste que no passado
eram massa de manobra do PFL, além de parte considerável
do eleitorado de classe média. Para Aguiar, essa é a principal
razão do ódio que se percebe em muitos eleitores anti-Lula:
eles tiveram de "optar" por um candidato sem carisma e cuja
campanha não os satisfazia. Essa ocupação do espaço
político também faz entender o despeito dos próprios
ex-petistas que optaram pelo voto nulo e assim "se anularam" do
cenário político.
(9) Por derradeiro conclui-se que um certo
modo de vida abominávelmente paulistano - careta, conservador,
que não bebe, não fuma etc. e come frutos do mar à provençal
com guaraná, que é o "núcleo duro conceitual" expresso
no picolé de chuchu diet - definitivamente não é exportável
para o resto do Brasil, graças a Deus, aleluia!
* A escritora paulistana
Márcia Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977),
O Animal dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado
(1984), Diana caçadora (1986), Toda Prosa (2002) e Caim (2006).
Participou de várias antologias importantes no Brasil e no
exterior. Organizou três delas - uma das quais, Contos eróticos
femininos, editada na Alemanha. Mestre em Comunicação
e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura
brasileira contemporânea, jornalista e publicitária.
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Folha de São Paulo, 1 de novembro de
2006
Lula pede entendimento e diz ter "plena
legitimidade"
Presidente afirma que nome de seu segundo
mandato será "desenvolvimento" | Petista diz que
continua empenhado "em que os órgãos de investigação
e da Justiça apurem todas as denúncias de corrupção"
EDUARDO SCOLESE
PEDRO DIAS LEITE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No momento em que setores da oposição
descartam um entendimento com o governo, o presidente reeleito Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou ontem, em pronunciamento em cadeia de rádio
e TV, que a votação que obteve nas urnas no domingo lhe
dá "plena legitimidade ao exercício do poder".
O petista admitiu porém que há "questões éticas
a discutir e superar". "Uma votação maciça,
como a que tivemos, eu e o meu companheiro José Alencar, dá plena
legitimidade ao exercício do poder, mas não resolve, num
passe de mágica, os problemas nacionais. Volto a afirmar que o
nome do meu segundo mandato será desenvolvimento (...).
E é em torno desta proposta, capaz
de unir todos os brasileiros e brasileiras, que venho pedir o esforço
e o entendimento nacionais." Lula disse que alguns afirmavam que
a disputa presidencial "iria dividir o Brasil em dois, e isso não
ocorre". "A exposição franca dos problemas mostrou,
para toda a sociedade, que ainda existem Brasis profundamente desiguais.
E o quanto é urgente e necessário que as desigualdades
sociais e regionais diminuam", disse.
No pronunciamento de seis minutos, gravado
no início da tarde de ontem, o presidente disse que entre os desafios
que o Brasil tem a vencer está o "atraso político".
Na mesma linha, sem mencionar diretamente crises que abalaram seu governo,
como a crise do dossiê e o mensalão, citou as questões "éticas" a
serem superadas. "O Brasil tem ainda uma enorme dívida social
a resgatar, um grande atraso político a vencer e questões éticas
a discutir e superar. No que depender de mim, vou acelerar a solução
de todas as pendências e estimular democraticamente os outros Poderes
a fazerem o mesmo".
E completou: "Continuarei empenhado
em que os órgãos de investigação e da Justiça
apurem todas as denúncias de corrupção e que os
culpados sejam exemplarmente punidos". O presidente falou sobre
a importância do "diálogo" com todos os setores
nacionais, num tom mais direto do que o adotado na entrevista concedida
no domingo. "Como homem de diálogo que sempre fui, estendo
mais uma vez as mãos para o entendimento e a concórdia.
Conclamo toda a sociedade, a começar pelas lideranças políticas
e movimentos sociais, a unirmos o Brasil em torno de uma agenda comum
de temas de interesse geral."
A seguir, Lula falou sobre o apoio que
terá da maioria dos governadores eleitos, um quadro mais favorável
do que encontrou no início de seu primeiro mandato, em 2003. O
petista terá o apoio de pelo menos 16 dos 27 governadores. "É um
chamamento maduro e sincero feito por um presidente que está saindo
de uma vitória expressiva nas urnas, que conta com o apoio majoritário
dos governadores eleitos e que terá uma base sólida no
Congresso Nacional", afirmou.
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PERNAMBUCO.COM, 01 de novembro
de 2006
Pernambuco: Grevistas da construção
civil visitam obras
Os trabalhadores da construção
civil, em greve desde a terça-feira da semana passada, realizam
hoje o que chamam de operação pente-fino. Eles prometem,
durante todo o dia, visitar diversos canteiros de obras na Região
Metropolitana do Recife com o objetivo de aumentar a adesão ao
movimento. De acordo com a direção do sindicato, cerca
de duas mil pessoas estão envolvidas na ação.
No início da manhã, os grevistas
saíram em caminhada da sede do sindicato, na Rua da Concórdia,
em direção a algumas obras no centro. Segundo a presidente
do sindicato, Ducilene Moraes, a classe patronal não tem avançado
nas negociações. Na reunião realizada ontem pela
manhã na Delegacia Regional do Trabalho, os patrões teriam
oferecido um aumento de 4%, enquanto a categoria pede 18%.
De acordo com Ducilene, à tarde,
por telefone, os empresários sugeriram um reajuste de 4,29% com
a compensação dos dias parados. A líder sindical
disse que a medida não será aceita uma vez que a classe
cumpriu todas as exigências legais: “A categoria quer um
reajuste decente e a greve é um direito constitucional. Eles estão
pouco ligando para o atraso na entrega das obras.”
Da Redação do PERNAMBUCO.COM
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JORNAL BOM DIA, 01 de novembro
de 2006
Bauru/SP: Em outubro, vagas ocupadas
na construção civil crescem 42%
Redução dos preços de
materiais, além de facilidades para crédito, incrementam
o setor
O número de trabalhadores ocupados
na construção civil de Bauru cresceu 42% na comparação
de outubro deste ano com o mesmo mês de 2005 para cá. Saltou
de 6 mil para 8,5 mil. Os dados são do Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e Mobiliário
de Bauru e Região.
Segundo Cláudio da Silva Gomes,
presidente da entidade, o levantamento engloba empregados com registro
em carteira, autônomos e também quem está no mercado
informal.
Gomes atribui o crescimento à redução
dos preços dos materiais de construção, especialmente
após a diminuição do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados), e a maiores facilidades para obtenção
de crédito.
Ele afirma que o acréscimo não é reflexo
de grandes obras, mas de pequenas, como reformas. “É visível
o aumento. Em qualquer rua da cidade há três”, diz.
A tendência apontada por Gomes,
no entanto, choca-se com pesquisa mensal do Sinduscon (Sindicato da Indústria
da Construção Civil).
A partir do Caged (Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados), do Ministério do Trabalho, a entidade indica
queda de 14,17% na quantidade de empregos com carteira assinada na cidade.
Em agosto do ano passado, Bauru tinha
5.894. No mesmo mês de 2006, contava apenas 5.059.
IPI tem impacto pequeno
O diretor regional do Sinduscon, Ralph
Ribeiro Júnior, avalia que o impacto da redução
do IPI não foi como se imaginava. “Nem toda queda foi repassada
aos consumidores”, destaca.
Para ele, no preço final dos produtos,
a redução foi de somente cerca de 1%.
O dirigente diz que as dificuldades para
se obter empréstimos ainda são grandes e não há política
habitacional para pessoas de baixa renda. Também vê as altas
taxas de juros como inibidoras à expansão do mercado.
Ele acredita que o quadro tende a piorar,
pois muitas obras estão em conclusão e novos investimentos
devem atrasar devido a fatores como carga tributária e juros.
‘Não tem como ficar parado’
José Carlos Braz é serralheiro
há 33 anos. Atualmente, trabalha na ampliação de
uma loja no centro de Bauru. Braz afirma que tem notado o aumento da
demanda, pelo menos em sua área. “Tem muito serviço
por aí. Não tem como ficar parado”, garante.
O designer Ricardo César Rodrigues
Alves faz projetos para reformas.
Alves também vê este mercado
aquecido com a redução de impostos sobre materiais de construção.
Ele comenta que no final de ano, principalmente
o comércio faz reformas em preparação às
festas natalinas. As residências, diz, costumam fazê-las
depois do início do ano.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 01 de novembro de 2006 | Economia
Confiança da indústria
cai 2,2% em outubro
Aumentou em outubro o número de indústrias
que esperam produzir menos
Alessandra Saraiva
RIO - O Índice de Confiança
da Indústria (ICI), indicador-síntese da Sondagem Conjuntural
da Indústria de Transformação, caiu 2,2% em outubro
ante setembro, segundo informou a Fundação Getúlio
Vargas (FGV). Na comparação com outubro do ano passado,
o ICI cresceu 5,2% em outubro deste ano. De acordo com a avaliação,
a expectativa de aumento de produção das empresas caiu.
Essa é a primeira edição
do indicador, calculado com base na sondagem, que completa 40 anos este
mês. De acordo com a FGV, o índice é composto por
seis quesitos da sondagem.
Em comunicado, a FGV esclarece que houve
melhora nas avaliações sobre a situação presente
e deterioração das expectativas em relação
aos próximos meses.
O ICI é composto por dois indicadores:
O Índice da Situação Atual, que ficou praticamente
inalterado, com alta de 0,1% em outubro ante setembro; e o Índice
de Expectativas, que teve queda de 4,5% no mesmo período de comparação. "Entre
as perguntas do índice relacionadas ao presente, houve evolução
favorável nas avaliações feitas pelas empresas industriais
a respeito do nível de demanda global. A proporção
das que o consideram forte aumentou de 16% em setembro para 18% em outubro;
a parcela das que o avaliam como fraco manteve-se em 10%", detalhou
a FGV.
Ainda segundo a fundação,
quanto às expectativas, os piores resultados ocorreram nas previsões
em relação ao volume de produção no trimestre
seguinte. "Houve diminuição de 39% para 36% (de setembro
para outubro) na parcela de empresas que prevêem ampliação
nos próximos três meses. Já a proporção
dos que programam redução elevou-se de 13% para 20%",
informou a FGV.
A Sondagem da Indústria Nacional
de Transformação consultou 1.051 empresas entre os dias
2 e 27 de outubro. Realizada desde 1966, a sondagem tinha periodicidade
trimestral; com a elaboração do ICC, que será mensal,
essa pesquisa também será anunciada todo mês. Mas
somente serão divulgados os resultados considerados "principais" pela
FGV. Além disso, serão anunciadas informações
adicionais, que serão selecionadas a critério da fundação.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 01 de novembro de 2006 | Economia
Atividade na indústria paulista
cai 0,6% em setembro
Na série sem ajuste sazonal, o recuo
foi de 2,3%
Paula Puliti
SÃO PAULO - Depois de uma inesperada
alta (0,9%) em agosto, o Indicador do Nível de Atividade (INA)
da indústria paulista, calculado pela Fiesp e pelo Ciesp, voltou
a cair em setembro. O indicador caiu 0,6% em setembro ante agosto com
ajuste sazonal. Na série sem ajuste sazonal, o recuo foi de 2,3%.
Na comparação com setembro do ano passado, o INA subiu
4,7% e nos noves primeiros meses do ano, o indicador subiu 3,7% sobre
o mesmo período de 2005.
No ano passado, o INA cresceu 3,7% sobre
o ano de 2004. O nível de utilização da capacidade
instalada em setembro caiu para 81,9% em setembro ante 82,3% em agosto.
Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas
Econômicas da Fiesp, Paulo Francini, o dado de agosto mostra a
continuidade de uma marcha já prevista para o comportamento da
indústria paulista, que é de fechar o ano com a modesto
incremento de 3% a 3,2% ante 2005. No ano passado, o crescimento da atividade
industrial paulista foi de 3,7% contra 2004. E em 12 meses encerrados
em setembro, o indicador registra alta de 2,9%.
Francini disse que, mesmo com ajuste sazonal,
o que pesou mais para jogar o INA de volta ao patamar negativo foi o
número de dias úteis de setembro (20), inferior aos 23
dias de agosto. Ele ressaltou que novembro e dezembro são meses
de tradicional queda na produção, por isso o INA deve desacelerar
até o fim do ano. Segundo ele, não fosse essa diferença
de dias, o indicador provavelmente teria variado 0%.
Para o diretor de Economia do Ciesp, Boris
Tabacof, a produção industrial vem sendo fortemente abatida
pelo ingresso cada vez maior de produtos importados da China e pela sustentação
das exportações por preço e não por quantidade
vendida ao Exterior. Para ele, o segundo mandato do governo Luiz Inácio
Lula da Silva deve discutir prioritariamente como continuar a segurar
a inflação e, ao mesmo tempo, elevar o nível de
crescimento do País. "A indústria tem esperança
de que as autoridades, nesse segundo mandato, olhem para a questão
do crescimento", completou Francini.
O Levantamento de Conjuntura, que também
faz parte do indicador, foi negativo em oito dos nove componentes que
formam o INA. As vendas reais, por exemplo, recuaram 1% em setembro.
Francini ressaltou, ainda, que os números
de setembro de 2006 (+4,7%) estão melhores em relação
a setembro de 2005 porque o nono mês do ano passado foi muito ruim
para a indústria paulista. Na mesma base de comparação,
as vendas reais subiram 9%.
O destaque negativo do indicador em setembro
foi o componente indústria automobilística, cujo INA caiu
4,9% ante agosto (com ajuste) e 9% (sem ajuste), possivelmente por conta
de greve na Volks. As vendas no varejo têm crescido, segundo a
entidade, com o volume de veículos importados em franca expansão.
Fiesp e Ciesp revisaram para cima
o INA de agosto sobre julho, de 0,6% para 0,9% na série com
ajuste e de 5,2% para 5,9% sem ajuste. Em 2006, o INA ficou negativo
quatro meses na base com ajuste: janeiro (-1,9%); abril (-2,4%) junho
(-0,8%) e setembro (-0,6%).
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ADMINISTRADORES.COM, 01 de
novembro de 2006
Leis não impedem discriminação
no trabalho
A legislação brasileira
não está atualizada de acordo com os novos conceitos de
discriminação, que definem situações extremamente
delicadas para vários trabalhadores. "Além disso,
os mecanismos de combate à discriminação no trabalho
também deveriam ser reforçados e integrados, tanto os legais
e administrativos, bem como as políticas de ação
afirmativa", ressalta o juiz do trabalho Firmino Alves de Lima.
O juiz, que defendeu uma dissertação
de mestrado sobre o tema na Faculdade de Direito da USP, conta que sua
pesquisa surgiu a partir de situações reais de discriminação
vistas nos processos trabalhistas. Firmino comparou os mecanismos antidiscriminatórios
existentes no Brasil, Estados Unidos e na União Européia.
Ele também acompanhou os diários do Congresso Nacional,
para analisar como as leis relacionadas ao assunto foram propostas e
seu caminho até serem aprovadas ou não, além de
tratados internacionais e estatísticas sobre o tema.
O sistema jurídico é deficiente
em avaliar situações de discriminação. Segundo
o juiz, "a lei cita os casos mais comuns, mas ela pode existir por
vários motivos - como a opção sexual, atuação
sindical, posição política ou até por causa
de um time de futebol -, sem deixarem de ser atos discriminatórios".
No trabalho, a discriminação pode se manifestar, por exemplo,
na negação de uma promoção ou na própria
recusa na admissão de um candidato a vaga de emprego, devido a
motivos diversos dos aspectos profissionais. A grande dificuldade para
a justiça é conhecer o que verdadeiramente norteou essa
escolha.
Lima explica a dificuldade da jurisprudência
brasileira (tendência de decisões de outros tribunais) em
julgar casos de discriminação, uma vez que a matéria é pouco
tratada. Os casos mais comuns são de discriminação
aos portadores do vírus HIV. No entanto, nossos tribunais não
tem utilizado as disposições da Lei 9.029/95, que também
poderia ser aplicada para esses casos.
Outro problema da jurisprudência
do País, na opinião de Lima, é querer que o funcionário
prove a existência de discriminação contra ele. Segundo
o pesquisador, nos Estados Unidos e na União Européia é o
empregador que deve provar que não houve discriminação.
Esses países também prevêem
medidas contra formas de discriminação indireta, que não
são expressamente consideradas pela lei brasileira. O juiz cita
como exemplo uma empresa européia que pagava um suplemento na
aposentadoria somente para os trabalhadores de período integral.
As funcionárias mulheres acabavam prejudicadas, já que
devido a sua dupla jornada (casa e trabalho), a maioria delas trabalhava
em período parcial. A decisão entendeu que essa era uma
forma de discriminação indireta, que ocorre mesmo sem ter
a intenção discriminatória. A empresa teve de mudar
seu procedimento.
Ações afirmativas
As políticas de ação
afirmativa também são mecanismos importantes para prevenir
e coibir a discriminação. Lima explica que não se
trata apenas de cotas. Muitas ações podem atuar de forma
afirmativa, como as promoções em favor de grupos historicamente
discriminados. Nos Estados Unidos, o Estado não contrata empresas
que não tenham ações afirmativas e não faz
empréstimos financeiros a empresas judicial ou administrativamente
reconhecidas como praticantes de discriminação. No Brasil,
a proposição inicial da Lei 9.029/95 previa proibições
de contratação pelo governo, no entanto tais proibições
acabaram não sendo aprovadas.
Outras medidas poderiam ser criadas nesse
sentido, como acordos coletivos de trabalho entre empresários
e sindicalistas e convênios do governo com entidades do terceiro
setor. O objetivo dessas políticas, tanto públicas quanto
empresariais, é proporcionar condições de ascensão
social a parcelas mais discriminadas da população. O pesquisador
também lembra que o assédio moral e sexual é considerado,
nos Estados Unidos e na Europa, um ato discriminatório e que pode
ter, entre seus motivos, várias modalidades de preconceito.
Lima ressalta ainda a importância
de que o combate à discriminação seja feito em
vários níveis diferentes e que toda a sociedade reconheça
a existência do preconceito e a necessidade de combatê-lo. "É um
problema de toda a sociedade e não apenas do governo",
diz o pesquisador que vai lançar, em novembro, sua pesquisa
em livro pela editora LTr. (Agência USP de Notícias)
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CORREIO DA BAHIA – BA,
01 de novembro de 2006
Fim da contribuição sindical
Como exemplo de exclusão de direitos
trabalhistas no primeiro mandato do presidente Lula, Cezar Britto
citou a perda da preferência do direito do trabalhador em caso
de falência da empresa
Da Redação
O secretário geral do Conselho
Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, defendeu
ontem, durante a sessão plenária da entidade, realizada
em Salvador, o fim da contribuição sindical obrigatória
para o trabalhador. Segundo ele, essas contribuições, somadas às
revertidas ao Sistema S (Sesc, o Senac, Senai), oneram tanto o trabalhador
quanto a folha das empresas brasileiras, impedindo um ritmo crescente
de novas contratações.
“O Brasil não tem salários
caros. O que temos é encargos sociais muito caros. Esse encargo é que
tem que ser combatido. É preciso acabar com os penduricalhos que
existem no salário do brasileiro, até porque esses penduricalhos
estão sendo arrecadados, também, em outros tipos de impostos”.
Cezar Britto afirmou que, no segundo mandato
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, espera avanços
em termos de direitos para os trabalhadores brasileiros e não
uma redução ou exclusão de direitos. Ele lembrou
que o Brasil tem uma legislação de direitos mínimos:
salário mínimo, horas extras no mínimo e férias
no mínimo.
“Se já é mínimo,
não se pode mexer nessa questão. O que temos que mexer é nos
encargos”, afirmou o secretário geral da OAB nacional. “Esse é exemplo
que o governo tem que dar a partir de janeiro: tirar o apetite que tem
por impostos e transformar esse apetite em uma outra forma de saciar,
que é saciar o desejo de mudança da sociedade”, complementou.
Como exemplo de exclusão
de direitos trabalhistas no primeiro mandato do presidente Lula, Cezar
Britto citou a perda da preferência do direito do trabalhador
em caso de falência da empresa. “O que se quer é que,
efetivamente, o Brasil seja competitivo, mas a competitividade não
deve advir às custas do trabalhador”, ressaltou. “Sempre
se espera que a reforma trabalhista que se anuncia não venha
para reduzir ou retirar direitos dos trabalhadores, mas para garantir
que o trabalho seja fator de dignidade humana”.
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JORNAL GAZETA DIGITAL / MATO
GROSSO, 01 de novembro de 2006
Sindicato é condenado a devolver
contribuições
Assessoria
Em decisão definitiva proferida
pela Justiça do Trabalho de Mato Grosso, o Sindicato dos Empregados
no Comércio de Cuiabá foi condenado a devolver tudo o que
arrecadou com a cobrança de contribuições assistenciais,
descontados de trabalhadores não sindicalizados.
A vitória foi obtida mediante Ação
Civil Pública, interposta pelo Ministério Público
do Trabalho de Mato Grosso, junto a 9ª Vara do Trabalho na capital,
a pedido de empregados que se sentiram lesados com a cobrança,
Considerada ilegal, que vinha sendo feita diretamente na folha de pagamento,
sem a devida autorização do trabalhador.
De acordo com o MPT, o sindicato determinou
o desconto de 4% do salário dos comerciários , independente
deles serem sindicalizados. Essa medida fere a CLT que prevê tal
desconto, desde que autorizado pelo trabalhador anteriormente a data
do desconto.
Diante da afronta a legislação
trabalhista e a própria constituição, a qual prevê a
liberdade de filiação a sindicatos, o Ministério
Público do Trabalho pediu na justiça que o sindicato deixasse
de inserir tal desconto para não sindicalizados em acordos coletivos,
convenções coletivas ou em deliberações de
assembléia geral, a aplicação de multa no valor
de 60.000,00, por descumprimento, além da devolução
dos valores arrecadados com a cobrança indevida.
No primeiro julgamento os pedidos do MPT
foram atendidos pelo juiz Luis Aparecido Ferreira Torres, da 9ª Vara
Federal do Trabalho, e, posteriormente, em decisão final, pelo
juiz do trabalho substituto, Alex Fabiano de Souza.
Na decisão, o sindicato foi condenado
ao pagamento de custas pelos reclamados, no importe de R$3.000,00, calculados
sobre o valor de R$150.000,00, provisoriamente atribuídos à condenação,
a não celebrar cláusulas em acordos coletivos, convenções
coletivas ou mesmo em deliberações de assembléias,
prevendo cobrança de contribuição assistencial de
empregado não sindicalizado, bem como a devolver aos empregados
não sindicalizados os valores recebidos a título de contribuição
assistencial ou similar.
Autor: Nadja Vasques
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JORNAL DA CIDADE DE BAURU,
01 de novembro de 2006
Juíza proíbe sindicato
de descontar contribuições
Patrícia Zamboni
A juíza Regiane Cecília
Lizi, titular da 2.ª Vara do Trabalho de Bauru, proibiu, por meio
de liminar, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e a Companhia
de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) de
pressionar seus funcionários a se filiar ao Sindluz ou a quaisquer
outros sindicatos da categoria dos eletricitários. Em sua decisão
ela também proíbe o Sindluz de descontar as contribuições
assistencial e confederativa dos trabalhadores.
A decisão da juíza veio
em resposta a alguns dos pedidos feitos pelo procurador do Ministério
Público do Trabalho (MPT) em Bauru Luís Henrique Rafael
em uma ação civil pública protocolada por ele no último
dia 16, conforme divulgado pelo JC. Além desses dois pedidos acatados
pela juíza, ele também solicitou a extinção
do sindicato por considerar, após dois anos de investigações,
que trata-se de “um sindicato de fachada” que não
representa a categoria.
O pedido de extinção
da entidade sindical e outras solicitações feitas pelo
procurador serão apreciados pela Justiça após
a apresentação de defesa das empresas, o que ocorrerá durante
audiência marcada para o dia 29 de novembro, às 9h30.
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CONSULTOR JURÍDICO,
01 de novembro de 2006
Sem prejuízo
Depositário infiel não
pode se indenizado por prisão
Prisão de depositário infiel
não gera dano moral. O entendimento é da Seção
Especializada em Dissídios Individuais 1 do Tribunal Superior
do Trabalho. A Seção confirmou a inviabilidade do pedido
de indenização por dano moral formulado por um ex-empregado
da Santa Cruz Construtora de Obras. O relator do caso foi o ministro
Carlos Alberto Reis de Paula.
A SDI manteve o acórdão
firmado pela 4ª Turma do TST. O trabalhador alegou que houve dano
provocado por sua prisão como depositário infiel dos bens
da construtora.
A defesa do trabalhador alegou que a decisão
da 4ª Turma do TST violou o artigo 5º, inciso X, da Constituição
Federal. O dispositivo estabelece que “são invioláveis
a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado
o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente
de sua violação”.
A alegação não foi
aceita pelo SDI-1. “Frise-se que o reclamante (trabalhador), chefe
do departamento pessoal, cooperou com as irregularidades cometidas pela
empresa, mormente, quando se ofereceu para ser fiel depositário
de bens que sabia inexistentes”, afirmou a 4ª Turma. O acórdão
foi reproduzido pelo ministro Carlos Alberto.
O relator dos Embargos também considerou
que as circunstâncias do caso não autorizaram a aplicação
da garantia constitucional ao ex-empregado da construtora. O ministro
Carlos Alberto esclareceu que “a caracterização do
dano moral requer, necessariamente, a existência de prova inequívoca
de prejuízo à imagem, à honra ou à boa fama
da pessoa, do ponto de vista pessoal, familiar e social”, o que
não ocorreu.
EARR 61.083/2002-900-09-00.8
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CONSULTOR JURÍDICO,
01 de novembro de 2006
Má-fé em ação
TST critica argumento de empresa e
aplica multa
Afirmar que há nos autos documento
que não foi juntado configura litigância de má-fé.
O entendimento é da 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
Os ministros condenaram a empresa Ultrapetro Indústria e Sistema
ao pagamento de multa por litigância de má-fé e indenização.
Motivo: a empresa afirmou, de forma incisiva, que a guia para depósito
recursal estava nos autos quando na verdade não estava. A multa
foi arbitrada em 1% e a indenização em 20%, ambas sobre
o valor atualizado da causa.
A ação trabalhista foi ajuizada
por um engenheiro mecânico contratado pela empresa em 1991, com
salário de R$ 641 e dispensado sem justa causa em 1995. Na Justiça,
ele pediu pagamento de diferenças salariais e horas extras. A
ação foi considerada procedente pela primeira instância.
A empresa foi condenada a pagar as verbas trabalhistas ao empregado.
As custas processuais foram fixadas em R$ 15 mil.
A empresa recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região, São Paulo, que manteve a
decisão. Um novo recurso foi ajuizado, mas a empresa não
juntou aos autos o comprovante do pagamento de depósito recursal
no valor de quase R$ 7 mil. Foi aí que a Ultrapetro entrou com
o Agravo de Instrumento, insistindo que a guia estava nos autos.
De acordo com entendimento do TST, pacificado
pela Súmula 128, a parte recorrente está obrigada a efetuar
o depósito legal, integralmente, em relação a cada
novo recurso interposto, sob pena de deserção. A exigência
somente é dispensada quando os depósitos de recursos anteriores
atingem o valor total da condenação, o que não ocorreu
no caso.
“O procedimento da agravante de
alegar constar guia de depósito recursal e certidão de
arquivamento desta, quando, em verdade, não consta das peças
trasladadas, não pode ser tolerado, pois traduz injustificada
resistência ao andamento do processo, provocando incidente claramente
infundado e recurso manifestamente protelatório”, afirmou
o ministro Horácio Pires, relator do caso.
A multa por litigância de má-fé tem
fundamento no artigo 14 do Código de Processo Civil, que imputa às
partes litigantes a obrigação de expor os fatos em juízo
conforme a verdade; proceder com lealdade e boa-fé; não
formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são
destituídas de fundamento; não produzir provas, nem praticar
atos inúteis ou desnecessários à declaração
ou defesa do direito.
AIRR-53.179/2002-902-02-40.8
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JORNAL GAZETA DO POVO, 01 de
novembro de 2006 | Brasil
Lula fala em desenvolvimento, estende
as mãos e pede esforço para o entendimento nacional
por O GLOBO ONLINE
Após a batalha eleitoral, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula
da Silva, estendeu nessa segunda-feira a bandeira branca para a oposição
conclamando "toda a sociedade, a começar pelas lideranças
políticas para nos unirmos em torno de uma agenda comum". Em pronunciamento
oficial na TV na noite desta segunda-feira, Lula disse que só com a
união de todos será possível aprovar as refomas que, na
sua opinião, o país necessita.
- O nome do meu segundo mandato será o
desenvolvimento com distribuição de renda e educação
de qualidade. Venho pedir um esforço e entendimento nacionais.
Como homem de diálogo que sempre fui, estendo mais uma vez as
mãos para o entendimento e a concórdia. Esse é um
chamamento maduro e sincero feito por um presidente que saiu de uma vitória
expressiva nas urnas, conta com o apoio majoritário dos governadores
e terá uma base sólida no Congresso.
De acordo com o presidente, somente com
a união de todos será preciso fazer as mudanças "com
a velocidade que o Brasil precisa".
- É preciso contar com o empenho
e a vontade dos setores sociais para agilizar a votação
de matérias importantes como o Fundo Nacional de Educação
Básica e a lei geral das micro e pequenas empresas, que vai diminuir
os impostos e a reforma tributária, que tornará mais justa
a cobrança dos tributos.
No pronunciamento, Lula ainda agradeceu
aos 120 milhões de eleitores que foram as urnas e disse que "encerrada
a disputa eleitoral, o que interessa é a vitória do Brasil".
O presidente ainda comemorou o que considerou "uma
das eleições mais transparentes e democráticas" e
sem que houvesse qualquer turbulência na economia.
- Isso ocorreu por causa do amadurecimento
das instituições, a ação e a vigilância
do povo. Um fator inédito e decisivo é que pela primeira
vez a disputa aconteceu sem abalo econômico, seja antes, durante
ou depois. Essa estabilidade precisamos manter e ampliar.
Lula disse também que as eleições
não dividiram o Brasil como "alguns afirmaram" e prometeu
combater firmemente a corrupção, um dos maiores problemas
que enfrentou no seu primeiro mandato.
- Temos uma enorme dívida social,
um atraso a vencer e questões éticas a discutir e superar.
Precisamos acelerar todas as pendências e estimular os outros poderes
a fazer o mesmo. Estamos empenhados para que os órgãos
de justiça apurem todas as denúncias de corrupção
e os culpados sejam presos.
Lula encerrou dizendo que pretende conjugar
uma política econômica correta com administração
eficiente e comando político acertado.
- Um comando que diminua a desigualdade,
aprofunde ainda mais a inserção. Podemos a partir de
agora crescer mais rápido, temos tudo para aumentar o emprego,
melhorar a educação, a saúde e fazer isso com
grande responsabilidade fiscal. Só assim vamos entrar definitivamente
na rota de crescimento.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
01 de novembro de 2006
Frei Betto diz que nova gestão
de Lula será mais conservadora
Para ex-assessor do presidente e ex-coordenador
do Fome Zero, petista está refém do PMDB e mantém
postura neoliberal de FHC
Cesar Augusto/23-03-2006

Frei Betto: ''Espero que no segundo mandato ele (Lula) cumpra as promessas
que fez em 2002''
Curitiba - O teólogo e escritor Frei Betto, que foi assessor do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e coordenou a mobilização
do programa Fome Zero, acredita que a segunda gestão Lula será tão
ou mais conservadora que a primeira, porque agora o governo está ''refém''
do apoio do PMDB. Na opinião de Frei Betto, que deixou o governo federal
em dezembro de 2004 por discordar dos rumos da política econômica,
Lula não mudou a postura neoliberal que vigorava nos governos de Fernando
Henrique Cardoso (PSDB) por medo da elite brasileira. ''Mas espero um segundo
mandato mais progressita. Espero que no segundo mandato ele (Lula) cumpra as
promessas que fez em 2002'', emendou. Frei Betto destacou necessidade da reforma
agrária, educação integral e investimentos em saúde.
O teólogo avalia de maneira positiva
a atuação do governo federal na questão social,
mas faz ressalvas. ''Ainda não se encontrou a porta de saída
do Bolsa-Família'', apontou, acrescentando que as famílias
vão precisar de uma fonte de renda. O Bolsa-Família integra
o Fome Zero e é um dos carros-chefe dos programas do governo Lula.
Sua função é de transferência direta de renda,
repassando entre R$ 15,00 e R$ 95,00 para família com renda de
até R$ 60,00 por pessoa ou entre R$ 60,00 e R$ 120,00 por pessoa.
O valor fornecido depende da renda e do número de crianças
na família.
O teólogo esteve em Curitiba ontem
a convite do curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica
(PUC) do Paraná, em parceria com a Comissão Pastoral da
Terra e a Assembléia Popular de Curitiba. À tarde, o escritor
concedeu uma entrevista à imprensa na PUC. À noite, ele
participaria da conferência ''Uma outra democracia é possível''.
Frei Betto acredita que o momento é de
pressionar pela reforma política, que abrange as reformas trabalhista
e sindical. ''Mas não pode ser uma reforma cosmética'',
destacou, explicando que as mudanças precisam ser profundas. Nessa
linha de raciocínio, o escritor comparou o governo a ''feijão''.
''Governo é igual feijão. Só funciona em panela
de pressão.''
Mas a pressão, segundo Frei
Betto, não é necessariamente invasão como a que
ocorreu com o Movimento de Libertação dos Sem-terra (MLST),
no prédio da Câmara Federal. ''É diálogo.
Só chega ao ponto da manifestação popular quando
o governo se fecha para o diálogo'', disse. Frei Betto, que
já morou em favela e assessorou os sem-terra, avalia que o movimento
cumpre uma função social. ''Se não fosse o MST,
a reforma agrária não estaria na pauta do País'',
comentou.
Maria Duarte
Equipe da Folha
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 01
de novembro de 2006
Teólogo defende nova democracia
Curitiba - Opositor do regime militar nos anos de chumbo, Frei Betto defende
uma nova democracia, com o fortalecimento da sociedade civil através
de seus movimentos, de todas as suas formas de organização, como
associações, ONGs, sindicatos. Para ele, falta trabalho de base.
''O governo faz mais pelos empresários porque eles pressionam mais'',
comparou. ''Vamos pressionar, o governo é como feijão, funciona
na panela de pressão'', reiterou.
Na opinião do escritor, o País
não deveria trabalhar com metas de inflação, e sim
com metas de desenvolvimento sustentável.
Sobre as denúncias de corrupção
que atingiram o governo e o PT, Frei Betto citou seu livro ''A Mosca
Azul''. Na publicação, ele analisa a atuação
dos movimentos sociais de esquerda, o que culminou com a chegada do
operário Lula ao poder, 2002. ''Um pequeno grupo do PT se deixou
picar pela mosca azul e se achou sultão. Trocou um projeto de
nação por um projeto de eleição'', criticou.
Na opinião do escritor, as denúncias deveriam ter sido
imediatamente apuradas. (M.D.)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
01/11/2006
Aposentados: 2ª Turma concede 40% sobre
total dos depósitos
A Segunda Turma do Tribunal Superior do
Trabalho deu provimento a recurso de revista de dois ex-empregados das
Indústrias de Papel R. Ramenzoni S/A, que continuaram trabalhando
após a aposentadoria, e determinou que a multa de 40% sobre o
FGTS incida sobre todo o período trabalhado. Foi a primeira decisão
de Turma do TST após o cancelamento da Orientação
Jurisprudencial 177.
O relator do recurso foi o ministro Luciano
de Castilho, corregedor-geral da Justiça do Trabalho. Os trabalhadores
buscavam a reforma de decisão do Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região (Campinas), que manteve a sentença de
primeiro grau, baseada na OJ 177, então em vigor. O entendimento
era o de que a aposentadoria espontânea extingue o contrato de
trabalho, e a multa de 40% sobre o FGTS em relação ao período
anterior à aposentadoria era indevida.
O ministro Luciano de Castilho explicou,
em seu voto que o TST, “em sessão extraordinária
do Tribunal Pleno realizada no ultimo dia 25, decidiu, por unanimidade,
pelo cancelamento da OJ 177 da SDI-1, que previa a extinção
do contrato de trabalho com a aposentadoria espontânea, mesmo quando
o empregado continuava a trabalhar na empresa após a concessão
do benefício previdenciário.”
“O cancelamento”, prosseguiu
o relator, “se deu em virtude do julgamento, pelo Supremo Tribunal
Federal, da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.721-3-DF. É que
ficou decidido pela Corte Suprema que a aposentadoria espontânea
não extingue o contrato do trabalho.”
Em sua conclusão, o ministro
Luciano de Castilho afirmou que, “por conseqüência
lógica, se ao se aposentar o empregado continua trabalhando, é uno
o contrato, e, ao ser despedido, a multa de 40% do FGTS incide sobre
todo o período trabalhado.” (RR 2187/2001 -014-15-00-6)
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01/11/2006
SDI-1 admite mudança no valor da
indenização por dano moral
A Subseção de Dissídios
Individuais – 1 (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho estabeleceu
um importante precedente em torno da possibilidade de o TST examinar
e alterar o valor estabelecido pelas instâncias regionais nas condenações
por dano moral. O tema foi discutido durante o exame de embargos em recurso
de revista formulado por uma ex-professora da Sociedade Unificada Paulista
de Ensino Renovado Objetivo (Supero) contra decisão da Quinta
Turma do TST, que reduziu de R$ 453 mil para R$ 50 mil o valor da indenização
por dano moral imposta à empregadora. A decisão da SDI-1
negou provimento aos embargos da trabalhadora, por seis votos a cinco,
conforme voto do ministro Carlos Alberto Reis de Paula (relator) e manteve
a decisão da Turma.
O processo teve início em fins
de 1988, após a demissão de uma fisioterapeuta contratada
pela Supero em maio de 1997 para a função de professora
assistente III, sob a remuneração de R$ 1.200,00. O desligamento
deu-se por justa causa, uma vez que a profissional, segundo o estabelecimento
de ensino, teria incorrido em negligência, por não desenvolver
trabalhos de pesquisa nem elaborar estudos científicos. Também
foi alegada desídia, indisciplina e insubordinação
pela trabalhadora.
O exame da questão pela primeira
instância (8ª Vara do Trabalho de Campinas - SP) apurou a
inexistência de conduta profissional que se enquadrasse em qualquer
das hipóteses legais para a demissão por justa causa. Ao
contrário, os depoimentos recolhidos revelaram uma empregada assídua,
respeitada, competente, e com bom relacionamento com seus alunos. A descaracterização
da justa causa levou a primeira instância e, depois, o Tribunal
Regional do Trabalho a entender pela ocorrência de dano moral e
fixar o valor da indenização em 3.000 salários mínimos
(R$ 435 mil à época).
No TST, a Quinta Turma examinou recurso
de revista da empresa e concluiu pela ocorrência do dano moral
mas discordou do valor fixado, considerado excessivo. Ao invés
dos R$ 435 mil, optou-se por fixar a indenização em R$
50 mil, quantia equivalente a 40 vezes o valor dos proventos recebidos
no último mês de trabalho pela professora.
Empresa e trabalhadora recorreram à SDI-1,
onde predominou, dentre outros pontos, a discussão em torno da
possibilidade de alteração do valor da condenação
por dano moral. No caso, a polêmica centrou-se em reconhecer ou
não o preenchimento de uma das condições para o
processamento do recurso de revista no TST: a existência de violação
direta e literal a texto de lei. Quando tal requisito processual não é demonstrado
pela parte, o recurso não pode ser “conhecido”, nem
seu mérito examinado.
A defesa da trabalhadora sustentou, nos
embargos em recurso de revista, a inviabilidade do posicionamento adotado
pela Quinta Turma, que alterou o montante da condenação
por entender que houve violação ao artigo 5º, inciso
V, do texto constitucional. O dispositivo prevê que “é assegurado
o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização
por dano material, moral ou à imagem”.
Em seu voto, o ministro Carlos Alberto
reproduziu trecho da decisão da Quinta Turma onde foi dito que “o
montante indenizatório arbitrado pelas instâncias ordinárias
não observou os critérios da proporcionalidade e razoabilidade
previstos no inciso V do artigo 5º da CF/1988, que, por isso, restou
violado em sua literalidade”.
A tese suscitou a divergência de
uma outra corrente na SDI-1. De acordo com os votos discordantes, a previsão
constitucional (artigo 5º, inciso V) não é específico
sobre a fixação do valor do dano moral, apenas prevê o
direito à indenização. A ausência dessa referência
direta inviabilizaria o exame do recurso, segundo o voto do ministro
Lelio Bentes Corrêa, pois inexistente a chamada ”violação
direta ao texto legal”. Em outra manifestação divergente,
o ministro Milton de Moura França sustentou que uma eventual ofensa
ao texto da lei deveria ter sido apontada pela parte em relação
ao dispositivo do Código Civil que trata especificamente dos parâmetros
a serem observados na fixação do valor a ser indenizado
por danos morais.
Prevaleceu, contudo, a tese do relator
dos embargos, que obteve a adesão da maioria dos integrantes da
SDI-1. Para o ministro decano do TST, Vantuil Abdala, a possibilidade
de ressarcimento do dano moral é fundamental para o trabalhador,
o que “recomenda extrema cautela em sua aplicação”.
A possibilidade de adequar o valor da indenização – seja
por seu valor irrisório ou exorbitante – tem sido reconhecida
pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), lembrou Vantuil. “Penso
que devemos adotar a posição de reconhecer a possibilidade
de conhecer o recurso relativamente ao valor da indenização
por dano moral com base no artigo 5º, inciso V, da Constituição”,
afirmou.
Além dos ministros Carlos Alberto
e Vantuil Abdala, a tese majoritária contou com a adesão
do vice-presidente do TST, ministro Rider de Brito, e dos ministros João
Oreste Dalazen, João Batista Brito Pereira e Maria Cristina Peduzzi.
A corrente contrária teve os votos dos ministros Lelio Bentes
Corrêa (o primeiro a divergir), Moura França, Horácio
de Senna Pires, Rosa Maria Weber e Vieira de Mello Filho. O ministro
Aloysio Corrêa da Veiga não participou do julgamento por
encontrar-se impedido.
(EEDRR 530/1999-043-15-00.8)

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