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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 06 de novembro de 2006 | Dinheiro
Autônomos podem pagar menos ao
INSS
Alíquota cairia de 20% para 11%, segundo
regra incluída na Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas,
que vai ao Senado nesta semana | Contribuição mínima
seria reduzida de R$ 70 para R$ 38,50; para se enquadrar, trabalhador
não pode ter registro em carteira
ELLEN NOGUEIRA
DO "AGORA", ENVIADA ESPECIAL A BRASÍLIA
A promessa de baixar a alíquota da
contribuição ao INSS para os trabalhadores autônomos,
hoje em 20%, vem desde 2003, mas agora parece que vai sair do papel.
Sem alarde, o governo incluiu na Lei Geral
das Micro e Pequenas Empresas uma regra que reduz a contribuição
desses trabalhadores para 11% sobre o rendimento mensal. O projeto já foi
aprovado pela Câmara dos Deputados e deve ser votado com urgência
pelo Senado -amanhã, a Casa já retoma as votações.
A queda da alíquota deverá fazer
mais trabalhadores contribuírem para a Previdência Social,
espera o governo. Isso aumentaria a arrecadação. "Temos
hoje mais de 70 milhões de trabalhadores entre 16 e 59 anos de
idade, dos quais 28 milhões estão fora do sistema. Desses
28 milhões, 14 milhões ganham mais do que um salário
mínimo [R$ 350]. Então, eles podem contribuir para o INSS",
disse o ministro da Previdência Social, Nelson Machado.
Segundo ele, a medida já será colocada
em prática assim que o Senado aprovar o projeto. "A lei está na
pauta para ser aprovada pelo Senado nos próximos dias. Se for
aprovada, entra em vigor imediatamente", afirmou o ministro.
Ele explicou como é e como seria
a sistemática. "Se o trabalhador informal, o que trabalha
por conta própria, como o camelô, fizer uma contribuição
hoje, ela é de 20%. Se você imagina que o salário é de
R$ 350, 20% é muito. Será criada uma nova categoria de
segurado, que não terá direito à aposentadoria por
tempo de contribuição, só por idade, mas que pagará alíquota
de 11%", disse.
Com a mudança, a contribuição
mínima de um autônomo, com base no salário mínimo
de R$ 350, cairá de R$ 70 para R$ 38,50. Já a maior, com
base no teto do INSS, de R$ 2.801,82, diminuiria de R$ 560,36 para R$
308,20 -nesse caso, é a mesma que é paga por um trabalhador
registrado.
Condições
Para pagar alíquota menor, o trabalhador
não pode ter registro em carteira, ou seja, deve trabalhar por
conta própria.
É importante salientar que,
se as regras passarem no Congresso, só haverá aposentadoria
por idade (60 anos para mulher e 65 para homens) no caso desse tipo
de contribuição.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 05 de novembro de 2006 | Dinheiro
Governo estuda aposentadoria com
idade mínima
Especialista sugere 60 anos (homem) e 55
(mulher) para benefício por tempo de contribuição;
ministro quer debate | Em 2030, país deverá ter o
dobro dos idosos de hoje, segundo o Ipea, fato que deverá pressionar
ainda mais as despesas do INSS
ELLEN NOGUEIRA
DO "AGORA", ENVIADA ESPECIAL A BRASÍLIA
As contas não fecham. A Previdência
Social deve terminar o ano com rombo de R$ 41 bilhões. Segundo
especialistas, é preciso adotar mudanças urgentes para
que os empregados que entram hoje no mercado de trabalho possam ter,
no futuro, a garantia de uma aposentadoria digna.
E a principal mudança (a idade
mínima para se aposentar) começará a ser discutida
em 2007 e tem o aval do governo, segundo o ministro da Previdência,
Nelson Machado.
"Imagino que a discussão vá se
aprofundar em 2007 e acho que teremos de discutir uma coisa ou outra:
se for para eliminar o fator previdenciário, é preciso
impor a idade mínima [para as aposentadorias por tempo de contribuição]."
O fator previdenciário, muito criticado
e alvo de modificações em projetos no Congresso, começou
a ser aplicado em dezembro de 1999. Ele funciona como um redutor (0,5%
ao mês), com base na expectativa de vida do trabalhador. Ele foi
aplicado por cinco anos, de forma que, em novembro de 2004, seus efeitos
se tornaram plenos, reduzindo os benefícios em pelo menos 30%.
Quanto mais cedo se aposenta, menor é o
benefício do trabalhador. Só que, mesmo assim, segundo
o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o brasileiro
ainda se aposenta cedo: média de 52 anos no caso das mulheres
e de 57 anos para os homens.
"Como estamos vivendo mais, até acho
natural que se discuta qual é a idade em que se possa efetivamente
entrar em gozo da aposentadoria", afirma Machado.
Para Fábio Giambiagi, economista
do Ipea e autor do livro "Reforma da Previdência" (Editora
Campus/Elsevier), a idade mínima para se aposentar por tempo de
contribuição deve ser de 55 anos para as mulheres e 60
para os homens. "Há países europeus que adotaram 65
anos para ambos."
Com a evolução da expectativa
de vida do trabalhador brasileiro, a idade mínima aumentaria.
Hoje, para se aposentar por idade, é preciso ter 65 anos (homens)
e 60 anos (mulheres).
Mas o que preocupa é que, segundo
o Ipea, a população com mais de 60 anos em 2030 deve ser
o dobro da atual. Significa dizer que, dentro de 24 anos, 17% da população
brasileira será de idosos (hoje, está em 8,9%). Ou seja,
além da maior expectativa de vida de seus segurados, o INSS terá de
pagar benefícios para mais aposentados e por mais tempo.
"As coisas mais importantes neste
momento são a ampliação da gestão, a inclusão
previdenciária e o crescimento econômico. Tem também,
em algum momento, a discussão da idade. Para mim não é tabu.
O tema precisa ser bem discutido", diz o ministro.
Como é hoje
Para se aposentar por tempo de contribuição,
basta contribuir para o INSS por 35 anos (homens) e por 30 anos (mulheres).
Os professores contribuem por 30 anos; as professoras, por 25 anos. Hoje,
não há idade mínima.
Como o brasileiro começa a trabalhar
cedo, ele também se aposenta cedo. O problema é o tempo
de pagamento do benefício. A mulher que se aposenta com 52 anos
de idade tem expectativa de vida de mais 28,6 anos, segundo o IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística). Já o homem que
se aposenta com 57 anos deve viver mais 21,2 anos. É por todo
esse tempo que o INSS deve pagar benefícios, e o sistema não
está preparado para isso.
Idades iguais
Outra mudança na aposentadoria
que deveria ser adotada, segundo especialistas, é o fim da diferença
de idade entre homens e mulheres.
"Aos poucos, essa diferença
de cinco anos adotada hoje deve ir diminuindo", afirma o advogado
Wladimir Novaes Martinez, especialista em legislação previdenciária.
A diferença se explica porque a
mulher, além do trabalho, teria os afazeres domésticos.
Mas, com a vida moderna e a melhor divisão de tarefas da casa
entre mulher e homem, as coisas mudaram um pouco. "Por isso, é preciso
diminuir essa diferença de idade aos poucos." Martinez diz
que um período de 15 anos, por exemplo, seria razoável
-a cada três a diferença cairia um ano.
Outra sugestão de Martinez é criar
um seguro-desemprego mais longo para os trabalhadores com mais de 45
anos. "É muito difícil voltar ao mercado com essa
idade. Muitos optam pela aposentadoria para ter renda fixa. Se houvesse
um seguro-desemprego mais longo, o trabalhador teria mais tranqüilidade
para procurar emprego."
O especialista em finanças públicas
Raul Velloso diz que a idade mínima deve ser uma medida urgente.
Para ele, outro item que deveria ser revisto é a fórmula
para calcular a aposentadoria. "O benefício hoje é alto
em relação à contribuição, pois é preciso
considerar também as pensões e os auxílios."
Adriano Biava, professor do Departamento
de Economia da FEA/USP, diz que tudo deve ser bem discutido. "O
governo deve ouvir trabalhadores, patrões e especialistas antes
de adotar qualquer medida."
Mínimo influencia
O déficit da Previdência é muito
influenciado pelo valor do salário mínimo, já que,
dos 24,3 milhões de benefícios pagos no país,
16,4 milhões (67,4%) valem até R$ 350.
Economistas são unânimes em dizer que as aposentadorias não
deveriam ser indexadas ao mínimo. Segundo Velloso, se fosse apenas aplicada
a inflação para o reajuste dos benefícios, de 1999 até 2006
a economia seria de R$ 17 bilhões.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 05 de novembro de 2006 | Brasil
ENTREVISTA D. CLÁUDIO HUMMES
D. Cláudio diz que buscou
harmonia entre progressistas e conservadores
Recém-nomeado para o Vaticano, cardeal
defende que a igreja seja mais eficiente e que leve em conta o
progresso da ciência
NEM CONSERVADOR nem progressista. Eficiente.
Esse discurso e essa prática incomuns na Igreja Católica
levaram d. Cláudio Hummes, 72, a ser nomeado, na última
terça, para um posto-chave na estrutura do Vaticano, após
oito anos à frente da Arquidiocese de São Paulo: o de cardeal
prefeito -uma espécie de "ministro" do papa- da Congregação
para o Clero, encarregada de mais de 400 mil padres em todo o mundo.
Na entrevista, diz que a igreja deve ser
mais eficiente e dá exemplos da preocupação com
o tema num balanço de sua atuação em São
Paulo, como na crise da PUC. Apresentando-se como um gestor tão
preocupado com os resultados como com as políticas empregadas,
traça sua diferença em relação a religiosos
ligados às CEBs (Comunidades Eclesiais de Base).
O fato de destoar é comum na sua
trajetória. Quando foi bispo da Diocese de Santo André nos
anos 70 e conheceu o então sindicalista Luiz Inácio Lula
da Silva (de quem é amigo), d. Cláudio era tido como progressista
que, diferente dos seus pares, não discordava do Vaticano em termos
de doutrina. Com o passar dos anos, tornou-se o moderado adepto da boa
gestão. Leia trechos da entrevista. 0 (LEANDRO BEGUOCI E RAFAEL
CARIELLO)
FOLHA - Como foi substituir
d. Paulo Evaristo Arns, que teve uma atuação marcante à frente
da Arquidiocese de São Paulo?
DOM CLÁUDIO HUMMES - Desde o início,
disse que não vinha para ser outro d. Paulo, por mais que houvesse
expectativas. Eu reconhecia o grande trabalho de d. Paulo. Com muito
respeito, queria continuar aquilo que achava que deveria, mas também
tomando a liberdade de trazer novas iniciativas.
FOLHA - Com d. Paulo, a igreja
apoiou as CEBs, os progressistas. Hoje, percebe-se um equilíbrio
entre eles e os movimentos mais conservadores, como a Renovação
Carismática Católica. O sr. se preocupou em harmonizar
essas forças?
D. CLÁUDIO - Sim. Desde o começo.
Não quero fazer comparações nem comentários
sobre d. Paulo, que admiro muito e sempre admirei. Mas sempre achei
que era muito importante dar espaço a todos dentro da igreja.
Queria que todos se aceitassem. Como se diz no jargão, desde
o extremo, digamos, mais conservador, até o outro, digamos,
mais progressista.
FOLHA - O sr. sofreu alguma
pressão para manter ou mudar a atuação da arquidiocese?
D. CLÁUDIO - Não, embora a
gente soubesse, claro, que havia desejos diferentes dentro da arquidiocese.
FOLHA - Qual avaliação
o sr. faz dessa harmonização?
D. CLÁUDIO - Depois de dois anos,
os bispos-auxiliares que tinham trabalhado com d. Paulo receberam suas
dioceses e eu pude escolher. Bem, escolher, não. Pude propor
a escolha de novos auxiliares, porque quem escolhe é sempre
o papa. Mas pude propor nomes para os novos auxiliares. E essa equipe
foi muito boa, muitos deles com ligações pastorais já antigas,
com movimentos ou então com pastoral social. Senti que houve
uma aceitação grande de que se desse chance a todos eles.
Os movimentos, por exemplo, têm
dado um primeiro impulso missionário porque vêm com esse
intuito de converter pessoas ou trazer católicos afastados para
dentro da igreja. Eles têm nos ajudado a pensar sobre a evasão
de católicos para outras igrejas.
Aqueles que tinham mais contato com as
questões sociais também ajudaram. Porque tudo isso continua
a funcionar, existe uma multidão de CEBs trabalhando. Continuamos
como igreja junto dos pobres.
FOLHA - Além da abertura,
o que mais o sr. criou na arquidiocese?
D. CLÁUDIO - Criamos os Seminários
da Caridade para tentar revisitar a sociedade toda, mas sobretudo
a periferia pobre. Fizemos isso não apenas de uma forma amadorística,
improvisada. Queríamos fazer uma aproximação
mais científica, mais objetiva. Por isso procuramos parcerias
com universidades, técnicos, sociólogos, com a prefeitura,
para que eles nos dissessem como a igreja poderia contribuir mais.
Esse seminário construiu mapas
da pobreza em São Paulo, oito mapas que depois foram publicados
em vários subsídios. Depois, foram levados às nossas
comunidades para que elas analisassem tudo de novo, as suas obras sociais.
FOLHA - E os centros de apoio
ao trabalhador?
D. CLÁUDIO - Isso surgiu porque vimos
que uma das grandes causas da pobreza era a falta de emprego. E isso
estava um pouco dentro da minha história, desde o ABC.
Decidimos então criar também
um centro de atendimento ao trabalhador que fosse uma intermediação
de mão-de-obra. Abrimos unidades na periferia para estarmos mais
perto desses desempregados, mas tudo com uma estrutura tecnológica
nova, modernizada.
Fizemos parceria com o governo federal
para que ele arcasse com os custos, e nós, com o trabalho. Isso
já foi no final do governo Fernando Henrique Cardoso, que nos
acolheu muito bem. Depois o Lula se entusiasmou muito. O Banco do Brasil
financiou os custos.
FOLHA - É muito novo
esse uso da técnica científica na igreja?
D. CLÁUDIO - É novo usar um trabalho científico
que não seja apenas reunir a comunidade na periferia, perguntar o que
pensam e depois tirar conclusões.
FOLHA - Isso que o sr. está descrevendo é a
proposta das CEBs?
D. CLÁUDIO - Sim.
FOLHA - O sr. deu um "choque
de gestão" nas CEBs?
D. CLÁUDIO - Sim, a gente teve que
fazer um pouco isso, o que certamente ajudou a avançar na
contribuição à periferia.
FOLHA - O sr. acha que a igreja
tem que se preocupar com eficiência?
D. CLÁUDIO - Tem. A igreja deve
ser eficiente no sentido de ter um juízo formado a partir
de bases objetivas, científicas.
Tem de levar em conta o progresso da ciência,
das técnicas para solucionar os problemas.
Isso aconteceu nos seminários aqui
de São Paulo, como também na PUC. Toda a crise em torno
da PUC aconteceu quando fomos torná-la mais moderna na sua administração,
mas sem perder a sua excelência acadêmica, porque a PUC é uma
grife acadêmica.
A PUC vai ganhar com uma administração
mais moderna, mais eficiente, menos perdulária e menos dispersa.
Essa preocupação de dar um instrumental mais científico,
mais moderno, mais técnico, isso a igreja tem que vir assimilando,
e ela está fazendo.
Embora a gente não deva entender
que os resultados na igreja sejam obtidos só com eficiência.
Porque vida de fé e a adesão a Jesus Cristo é também
um processo pessoal que você às vezes não atinge
e nem deve pretender atingir com a eficiência científica
e tecnológica.
FOLHA - O papa Bento 16 diz
que é preciso buscar a verdade, condenando o relativismo.
Como o sr. conciliou essa postura com a abertura da arquidiocese
para várias correntes?
D. CLÁUDIO - Hoje, falta uma paixão
pela verdade nas questões que são exatamente as questões
mais profundas do ser humano, as questões mais fundamentais
do sentido da existência. A igreja sempre diz isso: nós
devemos progredir no conhecimento da verdade.
A igreja não pára em um
certo momento e se petrifica. A igreja fala de uma evolução
dos dogmas. Quando novas coisas são vistas, elas devem ser integradas
nessa verdade fundamental que já se conquistou.
FOLHA - Isso aconteceu no
caso dos divorciados?
D. CLÁUDIO - Hoje se sabe que muitos
casamentos nunca existiram em termos católicos. O que estamos
fazendo é encaminhar esses casais aos tribunais eclesiásticos
para examinar caso a caso. Isso antigamente não existia. Agora,
um casamento que foi válido no começo nunca poderá ser
invalidado pela igreja. A igreja ajuda esses casais a entender que
eles não estão fora da igreja, embora não possam
comungar. Mas eles podem participar do restante.
FOLHA - Entre os motivos apontados
para a ida do sr. ao Vaticano está a diminuição
do número de homossexuais na arquidiocese. Essa foi uma preocupação
do sr. quando virou arcebispo de São Paulo?
D. CLÁUDIO - A orientação
da igreja é que nós devemos fazer uma seleção
rigorosa. A igreja respeita quem tem essa tendência porque isso,
em geral, não depende de escolha. A igreja respeita isso e tudo
mais, mas ela não aceita a prática do homossexualismo.
Tenho que ter isso claro quando faço
a seleção para o seminário. Procuramos orientar
os que têm tendência ao homossexualismo para que procurem
outra vocação. Porque muitas vezes lá adiante haverá problemas
de novo. Então, na verdade houve essa redução.
FOLHA - Que é a avaliação
do sr. sobre o governo Lula?
D. CLÁUDIO - Penso que o Lula não
podia deixar de fazer uma consolidação da economia.
Exatamente para não ficar um país
excluído dessa grande globalização, por mais que
isso também custasse um certo preço. Preço até mesmo
social.
E aí foi o nosso grande sofrimento
das opções. Você tinha um preço imediato,
social, mas que depois você podia ganhar de forma melhor. Claro
que todos nós lamentávamos os custos, um desemprego grande.
Acho que agora Lula pode construir mais,
depois de, como ele mesmo diz, ter feito a base mais sólida. Mas
deve fazer com certa ousadia, com certa coragem. Ele deve construir algo
mais que simplesmente uma assistência aos pobres, porque o povo
quer trabalho, e dar trabalho é o maior desafio de Lula. O Bolsa
Família é um programa que deve ser continuado enquanto
houver pobres. Mas o que não pode é ser transformado em
uma cultura assistencialista.
FOLHA - No auge dos escândalos
de corrupção do governo, Lula lhe ligou para se aconselhar?
D. CLÁUDIO - Nunca houve telefonema
entre nós sobre essas questões. Mas tenho estado com
ele algumas vezes, o tenho encorajado sim, claro.
Ele sabe que uma coisa é a igreja,
e outra é o governo. Lula sempre disse isso. Eu discursei na assembléia
de fundação da CUT, mas, na fundação do PT,
não fui. Lula mesmo dizia para eu não ir porque o PT não
quer a igreja como braço nem quer ser braço da igreja.
FOLHA - Como o sr. viu os
escândalos do governo?
D. CLÁUDIO - O Lula é um
homem muito ético. Tudo indica que ele não participou
diretamente do que houve. Essa é uma convicção
que tenho por aquilo que eu conheço do Lula.
Isso não significa que ele não
deva responder por certas coisas, porque há responsabilidades
comuns que vêm pelo cargo que ocupa. Todos nós ficamos extremamente
chocados. Os problemas foram uma enorme decepção para mim.
FOLHA - Os adversários
de Lula dizem que a sua votação mostra que o povo tolera
a corrupção. O que o sr. acha dessa idéia? Está errada?
D. CLÁUDIO - Não. A questão ética
tem que ser trabalhada sempre, e se trabalha com exemplo, com discurso,
teorizando a questão. Não creio que houve no Brasil,
de repente, um retrocesso. Nós nos demos conta de que há um
caminho a ser feito nessa questão de uma consciência ética
maior. Houve abusos de alguns setores.
Nós vimos os políticos
dando um péssimo exemplo à sociedade. Isso é grave.
Também esperamos que haja uma apuração plena de
tudo isso. Que haja punição, porque a impunidade mostra
que não se dá atenção à ética.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 05 de novembro de 2006 | Cotidiano
DANUZA LEÃO
Carta a d. Marisa
Seria bacana termos uma primeira-dama engajada
em algum projeto social, fosse ele qual fosse
D. MARISA, a senhora deve estar muito
feliz; seu marido ganhou as eleições, e será presidente
por mais quatro anos. Parabéns.
Imagino que quando ele foi eleito pela
primeira vez, deve ter sido difícil para a senhora; seria para
qualquer mulher. Se habituar a uma nova vida, ter que fazer coisas em
que nunca pensou; por outro lado, não poder mais fazer um monte
de coisas às quais estava habituada, ter que obedecer ao protocolo,
andar cercada por seguranças, não poder entrar num shopping
-a senhora deve ser louca por um shopping, não?- e tendo que ter
uma vida privada quase secreta, já que a imprensa está sempre
de olho.
De olho para falar da cor do esmalte de
suas unhas, do penteado, do botox que botou -ou não-, e correndo
sempre o risco de alguém de sua intimidade ser indiscreta e contar
o que a senhora come no café da manhã, se faz dieta, se
fuma, enfim, todas essas coisas que qualquer mulher tem liberdade para
fazer, menos a primeira-dama.
Devem ter sido quatro anos difíceis,
mas já passaram.
Agora a senhora tem mais quatro pela frente;
quais são seus planos?
Não seria hora de fazer alguma
coisa além de ficar sentada naquela cadeirinha, nas cerimônias
oficiais, enquanto seu marido discursa? Ah, d. Marisa, esse país é cheio
de problemas, e a senhora poderia ajudar em alguma coisa. Já existe
o Bolsa Família e o Fome Zero, mas ainda há muita coisa
a ser feita.
Não digo que a senhora seja a mulher
mais poderosa do país, mas é casada com o homem mais poderoso,
por isso pode decidir fazer o que quiser, e terá toda a ajuda
de que precisar. Ajuda financeira, e ajuda de centenas de mulheres que
adorariam colaborar com qualquer coisa que a senhora inventasse fazer.
Capacidade a senhora tem: não me
esqueço de um programa de televisão onde a vi fazendo sanduíches
para vender nas assembléias de metalúrgicos, anos antes
de sonhar onde iria chegar.
Esse tipo de coisa a senhora não
precisa mais fazer, mas existem outras que não seriam nenhum sacrifício,
e que poderiam fazê-la até muito feliz por estar ajudando
o governo de seu marido. Porque botar uma camiseta, sorrir e aplaudir,
convenhamos, é muito pouco.
Fazer o quê? Não falta quem
lhe diga. Seu marido tem um monte de assessores, todos prontos para ter
50 idéias geniais para que a senhora faça alguma coisa
que melhore a vida de quem precisa. A senhora é forte, decidida,
e não tem sentido passar mais quatro anos trocando de terninho
para acompanhar o presidente nas viagens, sorrindo para os fotógrafos,
não dizer nada sobre assunto algum, e não fazer rigorosamente
nada.
Não que a senhora tenha obrigação,
mas seria bacana termos uma primeira-dama engajada em algum projeto social,
fosse ele qual fosse.
Mas se a senhora quiser continuar a viver
a vidinha que vive há quatro anos, poderia pelo menos - pela imagem,
d. Marisa, pela imagem - visitar às vezes um hospital público
(sem avisar, para ver a fila na porta), uma creche, uma escola, para
mostrar que se interessa pelos mais necessitados, e que seus próximos
quatro anos não serão mais apenas umas férias passadas
entre o Alvorada e a Granja do Torto, além de viajar pelo mundo
no seu luxuoso jatinho. Pense nisso, d. Marisa. Pegaria muito bem.
danuza.leao@uol.com.br
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Agência Diap, 06
de novembro de 2006
Os movimentos sociais e o 2º Governo
Lula
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
O presidente Lula, se realmente quiser
aprovar uma agenda social no seu 2º mandato, vai precisar do apoio
e mobilização dos movimentos sociais. É que o
discurso do presidente no segundo turno da eleição, pelo
menos no plano retórico, ficou à esquerda do Congresso
eleito em outubro de 2006, e o seu partido, o PT, que lhe dará sustentação,
além de ter perdido quadros à esquerda, terá sua
participação reduzida no novo mandato.
A postura passiva dos movimentos sociais
no 1º mandato, como que atendendo ao apelo do presidente no sentido
de que “voltem para casa e me julguem depois”, possibilitou
avanços importantes da direita no governo de coalizão.
Se repetir esse padrão haverá risco de retrocesso em
face do perfil socioeconômico e da correlação de
forças no novo Congresso. Assim, em lugar da submissão
e apoio acrítico, o governo vai precisar de ação
e suporte político para aprovar as políticas públicas
que foram apresentadas durante a campanha, especialmente no 2º turno
da eleição.
Aparentemente, e esta é a análise
presente na grande imprensa, não houve mudanças significativas
na configuração partidária que resultou das urnas
no pleito de 2006, mas um exame cuidadoso no interior dos partidos
evidencia um crescimento expressivo dos setores liberais e com visão
social conservadora e isto aconteceu em todos os partidos, inclusive
nos considerados de esquerda e centro-esquerda.
Apenas para ilustrar houve um crescimento
expressivo dos parlamentares que não dependem de renda assalariada,
particularmente da bancada empresarial e dos profissionais liberais;
um fortalecimento, com a chegada de novos quadros, da bancada ruralista,
inclusive do pessoal vinculado ao agronegócio; e uma redução
da bancada sindicalista e da representação dos trabalhadores,
do setor público e privado, notadamente dos trabalhadores rurais.
O temor dos setores de mercado de que
o presidente Lula pudesse dar uma guinada em termos de atuação,
com movimentos semelhantes aos vizinhos Venezuela e Bolívia,
fica completamente afastado com essa nova composição
do Congresso. O novo Congresso, a julgar por sua composição
ideológica no interior dos partidos, com parlamentares de perfil
neoliberal infiltrados nos partidos, inclusive nos de centro-esquerda
e até de esquerda, não permitirá mudança
importante de rumo, como, por exemplo, ampliação do gasto
social ou eventual valorização do papel do Estado na
economia.
A relação dos movimentos
sociais com o governo do presidente Lula no 2º mandato, diferentemente
do 1º, terá que se dar em novas bases, em face do perfil
socioeconômico e da correlação de forças
no novo Congresso, onde as forças conservadoras ganharam grande
impulso.
Por tudo isso, os movimentos sociais,
como grupos de pressão, devem pautar suas relações
com os governos pela autonomia e independência, mas exigindo
o cumprimento dos compromissos de campanha, que coincidem com a agenda
política, econômica, social e ideológica dos setores
organizados.
Como disse em artigo anterior sobre
o tema, as decisões de governos, invariavelmente sofrem pressão
e influência das forças políticas, econômicas
e sociais, e os movimentos sociais que deixarem de se mobilizar em
favor de seus pleitos, desejos e aspirações, estarão – direta
ou indiretamente – renunciando à razão de sua existência.
No presidencialismo brasileiro – que
exige a formação de coalizões partidárias
para assegurar maioria no Congresso – o Chefe do Poder Executivo
não toma decisões por lealdade à origem profissional
ou amizade, mas em razão da correlação de força,
de disputas e de penosas negociações com as forças
políticas, econômicas e sociais.
Portanto, na conjuntura que se vislumbra,
o apoio acrítico e também a inércia chegam a ser
mais nocivos que a oposição intransigente. O apoio dos
movimentos sociais sempre deve ter como contrapartida o compromisso
com o ideário defendido pelo segmento que representa, sob pena
de o movimento ser anulado, tragado, cooptado ou de virar platéia,
torcida ou massa de manobra do governante.
No 1º mandato, muitos setores do
movimento social, imaginando estar ajudando o Presidente, deixaram
de pressioná-lo e, em alguns casos, passaram a considerar como
oposição críticas corretas às políticas
governamentais, abrindo uma avenida para que os setores conservadores
pressionassem e arrancassem do Governo decisões que jamais conseguiriam
caso os setores sociais estivessem disputando o conteúdo dessas
políticas, fazendo o contraponto.
O 2º mandato do presidente Lula,
conquistado com um discurso eleitoral vigoroso, principalmente para
o segundo turno, polarizado pela defesa das ações em
prol dos mais pobres e as críticas às privatizações
tucanas, mobilizou os movimentos sociais. Agora é a oportunidade
de definir posições, firmar convicções
e defender a implementação da agenda que mobilizou milhões
de trabalhadores deste país na eleição, notadamente
no 2º turno.
O recado das urnas foi claro: apoio à ampliação
dos programas sociais, ao crescimento econômico, à geração
de emprego e renda, mas com mudanças na gerência e mais
transparência e ética na ação administrativa.
Ou o movimento social age com inteligência, estratégias
e táticas bem definidas, ou corre o risco de perder de novo
para os setores conservadores. Antônio
Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e
Diretor de Documentação do DIAP – Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar.
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Diário Vermelho, 6
de novembro de 2006
Pulso telefônico aumentou 400%
após a privatização
Segundo dados da própria Agência
Nacional de Telecomunicações, o pulso que custava 3
centavos em 1997, antes da privatização do setor, hoje
custa em média 15 centavos
Em dez anos o preço do pulso
telefônico aumentou 400% no país. Segundo dados da própria
Anatel (Agência Nacional de Telecomunica-ções),
o pulso que custava 3 centavos em 1997, antes da privatização
do setor, hoje custa em média 15 centavos. Este é um
dos resultados mais visíveis da entrega da telefonia ao cartel
estrangeiro.
Além disso, hoje o que mais pesa no bolso do consumidor é a assinatura
básica, cujo pagamento mensal é obrigatório mesmo que
não se tire o telefone do gancho. E, caso o consumidor não pague
a assinatura básica - que antes da privatização não
existia -, ele deixa de ter disponibilizado o acesso ao telefone. Só para
se ter uma idéia, em 1994 o usuário pagava R$ 0,44 pela disponibilidade
e manutenção do terminal telefônico, incluindo ainda uma
franquia de 90 pulsos. Hoje paga R$ 37,00 em média pela assinatura básica,
acompanhado por um aumento da franquia que passou para 100 pulsos.
Paga-se mesmo sem utilizar
“ A telefonia é um serviço público essencial, assim
deve ser disponibilizado de forma universal à população.
Obrigar o consumidor a pagar um valor fixo mensal, independente do uso, para
ter acesso ao serviço de telefonia, é uma prática abusiva,
proibida pelo Código de Defesa do Consumidor”, denunciou Marcos
Diegues, gerente jurídico do Idec, lembrando que há cinco anos
o setor ocupa o segundo lugar no ranking de reclamações. Só perde
para os planos de saúde.
Além disso, ao contrário do que diziam os defensores da privatização,
a entrega do patrimônio público não significou a universalização
do serviço. Atualmente, 60% da população das classes D
e E não tem telefone. Isso representa 40 milhões de pessoas em
2 mil municípios brasileiros. Além do preço cada vez mais
inacessível das ligações, pela lógica do cartel
não se prioriza as pequenas localidades, que não dão o
lucro exorbitante que é possível obter facilmente nos grandes
centros urbanos. O resultado desse processo é que 11 milhões
de linhas telefônicas foram desabilitadas de 2003 para cá.
Serviços precários
O processo de desestatização, ao invés de promover uma
suposta competitividade do setor de teles conduziu à monopolização
por empresas privadas, principalmente estrangeiras, que impõem preços
extorsivos em troca de serviços cada vez mais precários.
Monopolização patrocinada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Os custos de investimento e a manutenção de capacidade ociosa
do setor acabaram sendo bancados pelo próprio Estado.
O BNDES destinou US$ 6 bilhões para financiar a expansão das
redes entre 1998 e 2001 que, pelo contrato de privatização, deveria
ser de responsabilidade das concessionárias. A conta foi transferida
mais uma vez para o cidadão, que pagou triplamente: para a construção
do sistema telefônico que antes da entrega do setor já era um
dos mais avançados do mundo; para o BNDES financiar a compra e a expansão;
e ainda tem que arcar com tarifas abusivas, que estão entre as mais
altas do mundo.
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Nova Central, 6 de novembro
de 2006
Queda da desigualdade de renda no
País desacelera, mostra estudo
A queda da desigualdade de renda no país --um dos maiores trunfos exibidos
por Luiz Inácio Lula da Silva na campanha da reeleição--
perdeu fôlego a partir de 2004, na segunda metade do mandato do presidente.
A disparidade dá sinais de resistir sobretudo nas principais regiões
metropolitanas, onde já há indicações de concentração
de renda em 2005.
Esse fenômeno de queda da desigualdade
mais lenta no país foi confirmado pela mais recente Pnad (Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada pelo IBGE duas
semanas antes do primeiro turno da disputa pelo Planalto.
O índice mais popular para medir
a desigualdade de renda, chamado de Gini, registrou queda de 0,6% entre
2004 e 2005. Foi o pior desempenho desde 2001. O número corresponde
a menos da terça parte do 1,9% de queda da desigualdade medido
no ano anterior, mostra estudo de Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas
Sociais da Fundação Getúlio Vargas, a partir dos
dados da Pnad.
Também com base em análise
dos dados da Pnad, Ricardo Paes de Barros, pesquisador do Ipea (Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada), identificou no mesmo período
o aumento da disparidade em 0,9% no conjunto das principais regiões
metropolitanas.
"A Pnad mostrou isso, e o ministério
está em busca de explicação para o fato", reagiu
Rosani Cunha, secretária de Renda da Cidadania do Ministério
do Desenvolvimento Social, responsável pelo Bolsa Família,
o principal programa de transferência de renda do governo.
"É difícil dizer por
que desacelerou a queda da desigualdade, vejo a coisa estagnada, mas
não dá para dizer que o modelo se esgotou, simplesmente
não sei responder", pondera Ricardo Paes de Barros, do Ipea.
Hipóteses
Há várias hipóteses
em estudo para explicar o freio na queda da desigualdade que vinha se
verificando desde 2002:
1) Em 2005, diferentemente de 2004, o
aumento da renda dos mais pobres teria sido acompanhado de um aumento
maior da renda dos mais ricos;
2) Por um problema metodológico,
a Pnad de 2004 teria superestimado o papel dos programas de transferências
de renda e, conseqüentemente, a própria queda da desigualdade.
Por ora, não há consenso sobre as causas do fenômeno nem
sobre o prognóstico para 2006. A nova Pnad só será divulgada
em setembro de 2007.
"[O prognóstico] não
passaria de uma especulação", argumenta Rosani Cunha.
O Bolsa Família aumentou em 1,8 milhão o número
de famílias beneficiárias dos pagamentos entre R$ 15 e
R$ 95 por mês e os benefícios vinculados ao salário
mínimo tiveram aumento acima da inflação. Mas isso
pode não ter sido suficiente para aumentar mais a renda da fatia
mais pobre, analisa.
"A desigualdade ainda cai, mas num
ritmo menor", especula Marcelo Neri, da FGV. Num exercício
limitado às seis principais regiões metropolitanas --São
Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre--
e aos rendimentos do trabalho, Neri constatou um aumento de 0,29% da
miséria, entre junho de 2004 e junho de 2005.
"Por enquanto, eu ainda apostaria
que haverá uma queda maior em 2006", arriscou o pesquisador
do Ipea Sergei Soares, que organiza seminário para discutir estratégias
para os próximos quatros anos.
Metrópoles
Em meio a generalidades lançadas
no debate eleitoral e sem alarde, o programa da campanha de Lula já dava
conta de onde mora o problema. O documento dedicado ao Desenvolvimento
Social reconhece a dificuldade de reduzir a pobreza nas grandes cidades,
onde o programa Bolsa Família registra impacto menor.
"Mantida essa tendência, é de
se esperar que a queda nos níveis de pobreza continue a se dar
de forma mais lenta nas grandes cidades, levando à persistência
de um quadro já bastante crítico de exclusão social,
vulnerabilidade familiar e violência, que marca a vida cotidiana
das periferias das metrópoles brasileiras", diz o texto.
Entre as soluções estudadas
pelo governo para o segundo mandato, foi descartada a concessão
de um valor maior do benefício do Bolsa Família para as
regiões metropolitanas.
Os benefícios terão reajuste
geral entre 8% e 18% em 2007, estima Rosani Cunha. O desafio do programa,
diz, é encontrar as famílias pobres das regiões
metropolitanas ainda excluídas do Bolsa Família, como os
moradores de rua.
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Folha de São Paulo,
2 de novembro de 2006
Trabalho infantil cresce pela primeira
vez em 15 anos, diz IBGE
Após 14 anos de queda, a taxa de ocupação de crianças
e jovens de 5 a 15 anos no Brasil aumentou de 2004 para 2005. A informação é da
secretária-executiva do Fórum Nacional de Prevenção
e Erradicação do Trabalho Infantil, Isa Maria de Oliveira, que
se baseia em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios),
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A pesquisa mostra que, em 2005, aproximadamente
2,9 milhões de pessoas nesta faixa etária trabalhavam no
país. Segundo Isa, o número de adolescentes e crianças
que trabalham cresceu em 120 mil no ano passado.
O Piauí, nos dois anos, foi
o Estado com mais trabalho infantil, com 17,11% de taxa de ocupação
entre pessoas de 5 a 15 anos. Na outra ponta, aparece o Distrito Federal,
onde a taxa de ocupação é de 1,64%. "No DF,
tem um percentual baixo, mas você não vê medidas
efetivas para retirar as crianças do trabalho infantil nas ruas,
bares, feiras", afirma.
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Folha
de São Paulo, 2 de novembro de 2006
Lula enquadra ministros e pede silêncio
sobre economia
Presidente reúne Dilma e equipe econômica
e defende corte de gastos para baixar juros | Petista não gostou
de falas sobre "fim da era Palocci", a quem atribui a criação
das condições para que país passe a crescer 5% ao
ano
VALDO CRUZ, DIRETOR-EXECUTIVO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
KENNEDY ALENCAR, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Numa reunião em que determinou
aos ministros "silêncio" e "fim de bate-boca" sobre
a política econômica, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva decidiu realizar corte de gastos a partir de 2007 como
forma de levar a queda mais rápida da taxa básica de
juros -a Selic, hoje em 13,75% ao ano. Lula disse ainda que a política
econômica implementada pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci
era uma decisão sua e que ela criou as condições
para que seja de 5% ao ano a meta de crescimento anual do PIB (Produto
Interno Bruto) no segundo mandato.
O presidente disse que foi fundamental
a contribuição de Palocci, que fez uma política
econômica avalizada por ele, ainda que com algumas discordâncias
pontuais. Segundo relato obtido pela Folha, o presidente disse que,
no primeiro mandato, foram "levantadas as paredes" e agora
era o momento de "colocar o telhado". Dizendo que era hora
de "fazer o Brasil crescer", Lula recomendou descanso a todos
no feriado. Pediu ainda a todos que esfriassem a cabeça, porque
ele voltará "quente" na semana que vem. O presidente
viajou para a Bahia, onde passará o feriado de Finados.
Na prática, Lula optou pelo meio-termo
na polêmica entre seus ministros sobre o rumo da economia, como
antecipou a Folha no domingo. O grupo de Dilma defende um corte mais
forte nas taxas de juros para sobrar recursos no orçamento,
reduzindo o corte de gastos em outras áreas. Já a ala
do ministro Paulo Bernardo (Planejamento) e do presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles, prega um ajuste fiscal como precondição
para aumentar a velocidade de queda da Selic. Na reunião, o
presidente afirmou que combinaria as duas linhas, sem jamais permitir
que a inflação suba.
Sem Tarso
Dilma, Meirelles e Bernardo participaram
da reunião, que contou ainda com Guido Mantega (Fazenda) e Luiz
Fernando Furlan (Desenvolvimento). Tarso Genro (Relações
Institucionais), que no domingo da eleição disse que
chegara ao final a "era Palocci", não participou do
encontro por Lula. O presidente não gostou da declaração.
A reunião de ontem de manhã no Palácio do Planalto
tinha como objetivo afinar o discurso econômico.
Lula, então, combinou as visões
dos dois grupos. O governador eleito de Sergipe, Marcelo Déda
(PT), que se encontrou com Lula à tarde, deu uma declaração
que resume a decisão do presidente: "Responsabilidade fiscal
e responsabilidade social são mais do que uma rima. São
solução". Na reunião com os ministros e o
presidente, Furlan disse que deveriam ser aceleradas as concessões à iniciativa
privada para que assumam rodovias e ferrovias.
Segundo ele, há medidas que devem
ser aceleradas para fazer o país crescer independentemente dos
juros. O ministro do Desenvolvimento também pregou a adoção
de mais medidas de desoneração (diminuição
de impostos) dos setores produtivos. Voltou a frisar que isso não
dependia de queda dos juros.
Onde cortar
Na reunião, foram discutidas
propostas de corte de gastos. A Fazenda prega um plano de redução
anual das despesas de custeio entre 0,1% e 0,2% do PIB . Cada 0,1 ponto
percentual do PIB corresponde a R$ 2,3 bilhões. O Planejamento
gostaria de um corte entre 0,2% e 0,3% do PIB também anual.
Essa redução seria por um período longo, e o presidente
a discutiria com os governadores eleitos e líderes partidários
com os quais se reunirá a partir da semana que vem.
No Palácio do Planalto,
avalia-se que o escândalo dos sanguessugas -a denúncia
de que deputados teriam recebido propina para fazer emendas ao Orçamento
para a compra de ambulâncias por prefeituras-, além
de caso policial, mostrou que há desperdício de recursos
no Ministério da Saúde. Ou seja, superfaturamento.
Apesar de ser uma área social, na qual seria polêmico
realizar cortes, o governo avalia que a Saúde é uma
pasta na qual seria possível passar um pente-fino em algumas
despesas, reduzindo assim os gastos.
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Folha
de São
Paulo, 2 de novembro de 2006
TRABALHO
Organização sindical global é criada
em Viena
DO "FINANCIAL TIMES"
Sindicatos de todo o mundo lançaram ontem uma nova organização
coletiva cujo objetivo é defender os direitos dos trabalhadores
na era da globalização, marcada por grande queda no número
de trabalhadores sindicalizados. A Confederação Sindical
Internacional (International Trade Union Confederation, ou Ituc), cujo
congresso de fundação se iniciou ontem em Viena (Áustria),
reúne federações sindicais que representam 168 milhões
de trabalhadores em 154 países dos cinco continentes.
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JORNAL ÚLTIMO SEGUNDO,
06 de novembro de 2006
Confederação Sindical
Internacional discutirá globalização com a OMC
A Confederação Sindical
Internacional (CSI), integrada por mais de 300 sindicatos, discutirá os
problemas da globalização com a Organização
Mundial do Comércio (OMC) em Viena nesta quinta-feira, um dia
depois de sua criação.
Os sindicalistas, que na quarta-feira
criaram esta nova organização para lutar contra a globalização
e pôr um fim a décadas de disputas internas, participarão
de um debate com Pascal Lamy, o diretor-geral da OMC, uma instituição
que representa esta política que a nova CSI quer transformar.
Graças a uma videoconferência
de Boston, Pascal Lamy participará do debate juntamente com o
diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), o chileno Juan Somavia.
O britânico Guy Ryder, futuro diretor
desta nova organização sindical, declarou na quarta-feira
que o objetivo da CSI é "mudar as regras da globalização" a
favor dos trabalhadores.
O novo gigante sindical é formado
por 306 sindicatos de 154 países e representa 168 milhões
de trabalhadores, mas não conta com o apoio de sua rival, a Federação
Sindical Mundial (FSM, comunista).
A FSM, que conta com 145 sindicatos e
42 milhões de trabalhadores no mundo, afirmou que estava defendendo
uma "linha de classe" ao se distanciar da CSI e criticou outros
sindicatos por ter feito "compromissos e concessões" para
aderir à mesma.
O resultado foi que Ryder rejeitou toda "relação
proveitosa" entre a CIS e a FSM.
A FSM "não partilha do nosso
conceito de um sindicalismo independente, nem de um sindicalismo democrático" e
esta posição "não é negociável",
disse Ryder.
Os planos da CSI consistem em organizar
campanhas em todo o mundo sobre assuntos como os direitos dos trabalhadores,
a negociação coletiva e a aplicação de normas
trabalhistas adotadas por parte das companhias multinacionais.
No entanto, para alcançar estes
objetivos, a organização quer dialogar diretamente com
as principais organizações.
"Devemos levar adiante um diálogo
com instituições internacionais como a Organização
Internacional do Trabalho e a Organização Mundial do Comércio
para mudar suas políticas", insistiu Ryder.
"Ao mesmo tempo, devemos ser capazes
de mobilizar os sindicatos nacionais" para garantir um diálogo
equilibrado entre o novo organismo e as organizações internacionais,
acrescentou.
A criação de um novo organismo
foi uma demonstração de solidariedade sindical diante da
globalização, da abertura dos mercados, do aumento da concorrência
e das interrupções do trabalho para muitos assalariados.
Duas grandes centrais rivais, a Confederação
Mundial do Trabalho (CMT, cristã) e a Confederação
Internacional de Sindicatos Livres (CISL, reformista e laica), foram
dissolvidas na terça-feira, permitindo a criação
da CSI.
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Folha
de São Paulo, 3 de novembro de 2006
Mensaleiros fizeram campanhas milionárias
Dos 7 que conseguiram a reeleição,
2 tiveram arrecadações superiores a R$ 1 milhão
e outros 4 arrecadaram em média R$ 700 mil
Sandro Mabel (PL-GO) foi o que mais arrecadou entre
eles, R$ 1,6 milhão; João Paulo Cunha (PT-SP) foi o segundo,
com R$ 1,3 milhão
LETÍCIA SANDER, SILVIO
NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar de disputarem a eleição
desgastados pelo maior escândalo do governo de Luiz Inácio
Lula da Silva, a maior parte dos chamados mensaleiros teve arrecadação
quase milionária, segundo dados divulgados ontem pelo TSE (Tribunal
Superior Eleitoral). Dos 7 que conseguiram a reeleição,
2 tiveram arrecadações superiores a R$ 1 milhão
e outros 4 arrecadaram montantes de, em média, R$ 700 mil.
Além desses sete, o ex-presidente
do PT José Genoino, afastado do cargo por conta do mensalão,
obteve receita de R$ 742.661 para sua campanha. Até o fechamento
desta edição, o TSE não havia disponibilizado
a prestação de contas do reeleito Pedro Henry (PP-MT).
O campeão de arrecadação entre os chamados mensaleiros é o
deputado Sandro Mabel (PL-GO). Suas doações somam R$
1.677.699. Ele gastou ainda mais -R$ 1.788.812-, valor superior ao
da maioria das campanhas ao Senado.
Mabel e os outros deputados negam qualquer
envolvimento com o mensalão e rejeitam o rótulo de mensaleiros.
Contra eles foi aberto processo no Conselho de Ética. No caso
de Mabel, ele foi absolvido pelos membros do conselho e, depois, em
votação na Câmara. Em segundo lugar no ranking
das arrecadações aparece o petista João Paulo
Cunha (SP), com um total de R$ 1.359.044. Mesmo com o valor expressivo
que conseguiu trazer para o caixa de campanha, João Paulo terminou
com déficit: gastou R$ 1.594.209.
Já Paulo Rocha (PT-PA) foi o
que conseguiu menos dinheiro para a campanha entre os chamados mensaleiros
reeleitos. Ele juntou R$ 594.172. E gastou cerca de R$ 140 mil a mais.
Outro petista que teve arrecadação quase milionária
foi José Mentor (PT-SP), R$ 914.040. O deputado Professor Luizinho
(PT-SP) gastou R$ 861.875 mas não conseguiu se reeleger. Entre
os que não foram reeleitos, ele é o líder de arrecadação:
conseguiu exatos R$ 848.560. Para o ex-ministro do TSE Torquato Jardim,
o alto volume de gastos na campanha deveria reabrir a discussão
sobre o modelo eleitoral. "Os marqueteiros diziam que brindes
e outdoors representavam 32% dos gastos. Com a minirreforma eleitoral
de maio, o custo das campanhas deveria cair."
Apenas três dos mensaleiros que
enfrentaram as urnas em outubro tiveram caixa de menos de R$ 500 mil
na campanha: João Magno (PT-MG), Josias Gomes (PT-BA) e Romeu
Queiroz (PTB-MG). Os três não foram reeleitos. Dos 19
parlamentares inicialmente citados nas denúncias do mensalão,
12 decidiram tentar um novo mandato. Destes, Paulo Rocha, José Borba
(PMDB-PR) e Valdemar da Costa Neto (PL-SP) renunciaram para escapar
da cassação. Os outros nove foram absolvidos das acusações.
As arrecadações
dos deputados conhecidos como mensaleiros ficaram bastante próximas
-e muitas vezes foram superiores- ao que conseguiram levantar alguns
dos campeões de votos na disputa por uma vaga na Câmara.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), líder de votos no Rio,
juntou R$ 503 mil. Paulo Maluf (PP-SP), mais votado em São
Paulo, somou R$ 819.808. O segundo maior votado em São Paulo,
o estilista e apresentador de TV Clodovil Hernandes (PSC), conseguiu
vencer a eleição gastando míseros R$ 14.378.
Todos os dados foram obtidos pela Folha na prestação
de contas oficial dos candidatos entregues ao TSE.
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Folha
de São Paulo, 4 de novembro de 2006
"Brasil não quer liderar nada",
diz Lula a jornais europeus
Presidente reafirma que América do Sul é prioridade
em sua política externa | Petista diz que quer ter uma "relação
privilegiada" com os EUA e a União Européia, mas que "aliança
preferencial" com vizinhos é importante
DA REDAÇÃO
Embora tenha declarado desejar ter uma
relação "privilegiada" com os Estados Unidos
e a União Européia, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva reafirmou, em entrevista a três jornais europeus, que
a prioridade da política externa no seu segundo mandato continuará sendo
a América do Sul.
Lula ressaltou, porém, que o Brasil "não quer liderar nada",
mas sim ser parceiro dos demais países do bloco.
"Se para nós é importante
uma aliança preferencial com a América do Sul, é porque
somos um país rico, mas não podemos crescer com países
pobres ao redor", disse o presidente ao espanhol "El País",
ao francês "Le Figaro" e ao italiano "La Repubblica".
A entrevista foi feita antes da viagem
de Lula à base da Marinha na praia de Inema, na Bahia, para
descansar no feriado de Finados. Os três jornais a publicaram
ontem, com direito a chamadas em suas primeiras páginas. Leia,
a seguir, os principais trechos.
AMÉRICA DO SUL
Temos de pensar em quem está mais
próximo de nós, quais são as semelhanças
dos países da América do Sul e do Brasil, e o que podemos
fazer para nos ajudar mutuamente. Se para nós é importante
uma aliança preferencial com a América do Sul, é porque
somos um país rico, mas não podemos crescer com países
pobres ao redor. Sabemos como ajudar esses países porque somos
a maior economia da América Latina e temos obrigações
perante nossos vizinhos. Eliminamos do nosso dicionário qualquer
pretensão de hegemonia. O Brasil não quer liderar nada,
e sim ser parceiro de todos os países e trabalhar em harmonia
para que possamos ver o continente crescer.
HUGO CHÁVEZ
A relação da Venezuela
com os EUA não é a mesma relação do Brasil
com os EUA. As necessidades da Venezuela não são as mesmas
do Brasil. Por que comparar países distintos? Creio que Chávez
seja bom para a Venezuela. É o presidente que mais se preocupou
com os pobres nos últimos 30 anos. O mesmo ocorre com o Evo
Morales, que defende as necessidades da Bolívia.
Chávez trabalha em função da realidade política
da Venezuela e eu, da do Brasil. Quando se trata de política externa
na América do Sul, nós pensamos da mesma forma. Mas quando se
trata de relações estratégicas, ele pode pensar uma coisa,
e eu, outra.
EUA E UNIÃO EUROPÉIA
Queremos uma relação
privilegiada com a Europa, e também quero manter uma relação
privilegiada com os EUA. É uma relação estratégica,
porque se trata do nosso maior parceiro comercial. Mas precisamos
nos abrir a novos espaços no mundo globalizado e não
podemos depender de apenas uma economia ou duas. O Brasil quer ter
um papel muito forte no plano internacional e quer que se firme um
acordo entre o Mercosul e a União Européia. Embora
essas coisas sejam difíceis, acabam tendo solução,
porque o Brasil e a Europa compartilham interesses estratégicos
comuns. Estou convencido de que o Brasil está no caminho correto
em sua política externa.
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Folha
de São Paulo, 5 de novembro de 2006
Caixa é suspeita de uso irregular
do FGTS
TCU vai investigar uso de dinheiro do próprio
fundo para pagar condenações judiciais, incluindo honorários
de advogados | Segundo secretário do Conselho Curador do fundo,
banco age de forma correta ao pagar indenizações, pois é só prestador
de serviços
FÁTIMA FERNANDES , CLAUDIA
ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
O Tribunal de Contas da União
(TCU) investiga suspeita de uso irregular de dinheiro do FGTS (Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço) pela Caixa Econômica
Federal, administradora do fundo.
A investigação foi aberta a partir de denúncia feita ao
Ministério Público Federal junto ao TCU de que a Caixa utiliza
dinheiro do próprio FGTS para pagar condenações judiciais,
incluindo honorários de advogados, que chegam a ser milionárias.
Para a Caixa, o uso dos recursos está correto.
Contas vinculadas
O FGTS tem hoje cerca de R$ 176,7 bilhões
em ativos -desse total, R$ 127,9 bilhões correspondem à soma
das contas vinculadas dos trabalhadores. Ações judiciais
contra a Caixa -e que envolvem o FGTS- não podem onerar o próprio
fundo, segundo denúncia de advogados feita ao MPF. Se uma ação
ganha na Justiça pede a reposição de perdas da
inflação (desconsideradas por planos econômicos)
nas contas do FGTS, quem tem de pagar essa correção aos
trabalhadores é a Caixa, que, por sua vez, deve ser ressarcida
pela União, segundo entendem alguns advogados. O FGTS é a
vítima, e não o réu, nessas ações.
A suspeita de que a Caixa utiliza os
recursos do próprio FGTS para pagar condenações
judiciais e honorários de advogados estaria em processos que
estão na Justiça. Para evitar o pagamento de quantias
até milionárias a advogados, a Caixa cita em ações
que a quitação desses valores iria lesar os cofres do
Fundo de Garantia. A Caixa confirma isso à Folha.
"Pedi uma investigação
urgente do TCU para verificar a legalidade do uso de dinheiro do FGTS
para pagar condenações judiciais e honorários
advocatícios. É legítimo tirar recursos do fundo?
Em princípio, não. Mas estou provocando o TCU para obter
uma resposta, já que as quantias são vultosas. Essa situação
que me foi apresentada merece fiscalização, ainda que
o resultado seja confirmar os procedimentos da Caixa como legítimos",
afirma Lucas Rocha Furtado, procurador-geral junto ao TCU. Uma equipe
já foi designada pelo TCU para fazer a investigação.
Advogados que fizeram a denúncia
ao MPF entendem que a Caixa está autorizada a usar dinheiro
do próprio fundo para ressarcir somente os trabalhadores lesados
pelos expurgos dos planos econômicos Plano Verão e Plano
Collor 1 que aderiram ao acordo proposto pelo governo e assinaram o
termo de adesão, como prevê a lei complementar nº 110,
de 2001. Cita o artigo 4º da lei: "Fica a Caixa Econômica
Federal autorizada a creditar nas contas vinculadas do FGTS, a expensas
do próprio fundo, o complemento de atualização
monetária (...) desde que o titular da conta vinculada firme
o termo de adesão...".
Até junho deste ano, a Caixa
já depositou R$ 37,4 bilhões para 38,2 milhões
de pessoas em razão do acordo previsto na lei complementar nº 110,
segundo informações do banco. "Há um entendimento
de que a Caixa não estaria autorizada a utilizar os recursos
do fundo para pagamento de suas condenações judiciais,
muito menos de honorários advocatícios, e que essa lei
estaria sendo utilizada como pano de fundo para movimentação
das contas pela Caixa", afirma Furtado.
Paulo Eduardo Cabral Furtado, secretário-executivo
do Conselho Curador do FGTS e representante do governo no fundo, diz
que a Caixa usa dinheiro do fundo para pagar condenações
judiciais e honorários de advogados e que está correta
ao agir dessa forma.
Prestadora de serviços
"A Caixa é simplesmente
uma prestadora de serviços. As ações são
contra a Caixa, porque o fundo não tem personalidade jurídica",
afirma. Advogados consultados pela Folha entendem que o assunto é polêmico.
A Caixa está errada, dizem, se utilizar recursos das contas
vinculadas dos trabalhadores, formadas com recursos dos próprios
trabalhadores e das empresas. Isso seria ilegal, crime, considerado
apropriação indébita de dinheiro.
A Caixa age de forma correta se
pagar as condenações judiciais e os honorários
advocatícios com dinheiro de uma outra conta do FGTS -a do
patrimônio líquido do fundo-, na análise de parte
dos especialistas. "Em momento algum a Caixa pode tirar dinheiro
da conta vinculada do trabalhador para pagar custas com advogados.
Isso tem de sair, entendo, do patrimônio do FGTS", afirma
o consultor Mario Avelino, presidente do Instituto FGTS Fácil.
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Folha
de São
Paulo, 6 de novembro de 2006
Governadores se unem para cobrar preço
do apoio a Lula
Para aprovar emendas como prorrogação da CPMF, eleitos fazem
reivindicações | Entre agenda comum estão itens como
regulamentação dos repasses da Lei Kandir e partilha entre
os Estados da receita das contribuições CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
É suprapartidário. Conscientes da dependência do
governo federal para aprovação de projetos fundamentais
no Congresso, como a prorrogação da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira), governadores
eleitos e reeleitos já apresentam a pauta de reivindicações.
Num momento de transição do governo de Luiz Inácio
Lula da Silva, organizam almoços e encontros para a definição
de uma agenda comum de medidas que aliviem os cofres dos Estados.
Na lista, antigas cobranças: a partilha da receita das contribuições
-hoje concentrada nas mãos da União-, a criação
de um fundo de desenvolvimento dos Estados e a regulamentação
dos repasses da Lei Kandir (que compensa os Estados por perdas sofridas
com a desoneração das exportações). Em troca,
acenam com apoio político para aprovação de duas
emendas constitucionais -com exigência de dois terços do
Congresso- essenciais para o governo: a prorrogação da
CPMF e da DRU [Desvinculação das Receitas da União].
Só nos nove primeiros meses deste ano, a CPMF - já popularmente
batizada de imposto sobre cheque- garantiu R$ 23,3 bilhões à União.
A DRU, por sua vez, confere ao governo flexibilidade para usar, livremente,
20% das receitas "carimbadas" (cuja arrecadação
têm um destino obrigatório, como para saúde e educação).
Asfixia fiscal
Os dois têm de estar aprovados até o fim do ano que vem.
E é nesse momento que governadores se unem para tentar se livrar
da asfixia fiscal de que tanto reclamam. O governador reeleito de Minas
Gerais, Aécio Neves (PSDB), aposta, por exemplo, na associação
com São Paulo e Rio Grande do Sul para conquistar vitórias
no Congresso. "Acredito na possibilidade de atuação
conjunta das nossas bancadas", afirma Aécio, que já tem
almoços com o peemedebista Paulo Hartung (ES) e o também
tucano José Serra (SP) programados para as próximas semanas.
Entre as sugestões de Aécio está o repasse integral
dos recursos do imposto sobre combustível (Cide) para os Estados.
Até setembro, foram arrecadados R$ 5,8 bilhões com a Cide.
Pela proposta do tucano, a União transferiria o dinheiro e os
Estados assumiriam a conservação das estradas. Cético
quanto à possibilidade de costura de um novo pacto federativo,
o governador eleito de São Paulo, José Serra, defende a
descentralização fiscal, a destinação dos
recursos do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio
do Servidor Público) para treinamento e Previdência Social
do servidor nos Estados e o fim da guerra fiscal.
Recém-eleita governadora do Rio Grande do Sul, a deputada Yeda
Crusius (PSDB) resume: "Não dá para tirar a CPMF.
E a DRU é o que tem liberado o governo federal a fazer o que ele
quer. Mas fazer o que ele quer tem que ser partilhado. Tanto CPMF como
DRU, tem que ser pactuado. O que ele vai fazer do Orçamento? Vai
me dar infra-estrutura? É uma negociação boa",
disse ela, numa referência à oportunidade de diálogo
com o governo.
Dizendo-se disposta a articular a bancada da Amazônia, a senadora
e governadora eleita do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), apresenta
suas propostas ao presidente nesta semana. Além de defender a
regulamentação do modelo de repasse dos recursos da Lei
Kandir e a criação de um fundo de desenvolvimento dos Estados,
ela tem um pedido específico: aporte de recursos para a companhia
de saneamento do Pará.
"Minha equipe de transição já está funcionando.
Quando eu for [apresentar as propostas] para o Lula já vou estar
com relatório mais concreto do Orçamento", explicou
Ana Júlia.
Reforma
Para o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), reeleito,
Lula tem legitimidade para liderar as reformas, inclusive a adoção
de medidas impopulares, mas necessárias, como a reforma da Previdência. "A
campanha já acabou. Tem que fazer as reformas. O resto é conversa
fiada", prega Hartung, segundo o qual "sozinho, o PT não
faz [as mudanças necessárias]. E, se não fizer em
2007, não fará em 2008", afirma Hartung.
Para o governador reeleito, antes de pensar em reforma
tributária,
o governo precisa cortar gastos. Porque "a reforma tributária
só vale a pena se for para reduzir a carga tributária".
O futuro governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), também defende
a redução da carga tributária. No entanto, destaca
que o compromisso do governo tem que ser pelo crescimento. "Hoje
só existe meta de inflação no país. Precisamos
ter também uma meta de crescimento", afirma.
Irmão do ex-ministro Ciro Gomes, Cid diz que "uma inflação
de 6% ao ano não é problema para o Brasil". As taxas
de juros aplicadas no país, sim. Cid propõe investimentos
em infra-estrutura nos Estados. Para o Ceará, os alvos seriam
o turismo e o agronegócio. O governador de Tocantins, Marcelo
Miranda (PMDB), também pede investimentos em infra-estrutura.
Além disso, reivindica o pagamento de uma dívida que a
União teria com o Estado de Tocantins desde 1988, quando foi criado.
São R$ 800 milhões.
"O Governo do Estado já está pleiteando, junto ao
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão,
cerca de R$ 500 milhões dessa dívida e queremos que sejam
incluídos R$ 150 milhões desse montante já no Orçamento
do ano que vem", disse o governador. Ele evocou sua parceria com
Lula: "O presidente sempre foi muito atencioso para com os nossos
pleitos e acreditamos que essa parceria será fortalecida, até porque
o que for melhor para o Brasil deverá ser também para o
Tocantins, que se juntou ao resto do país para reeleger o presidente
Lula".
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JORNAL DA TARDE, 05 de novembro
de 2006 | Economia
Mais empregos no interior
Mercado formal nas pequenas cidades cresceu
o dobro em relação ao das metrópoles brasileiras
Marcelo Rehder, marcelo
A criação de postos de trabalho
com carteira assinada cresce mais nas pequenas cidades brasileiras do
que nas médias e grandes. De acordo com a Relação
Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério
do Trabalho, o emprego formal nos municípios com até 50
mil habitantes cresceu 50,1% nos últimos seis anos - mais que
o dobro da taxa registrada nas grandes metrópoles (acima de 400
mil habitantes), de 21,5%. Nas cidades com mais de 50 mil e até 400
mil moradores, o aumento foi de 43,2%.
Considerada um censo do mercado de trabalho
formal, pelo fato de ser feita a partir de declarações
detalhadas entregues anualmente pelas empresas, a Rais contabilizou 33,2
milhões de empregos com carteira assinada em todo o País
no ano passado, ante 24,9 milhões em 1999. A diferença,
de 8,3 milhões, representa crescimento de 33,3% entre os dois
períodos.
“A ampliação acelerada
do emprego formal nas pequenas cidades está associada à despesa
pública”, diz o economista Márcio Pochmann, pesquisador
do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho (Cesit), da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), autor do estudo sobre a evolução
do mercado formal nas cidades brasileiras.
Para o economista, boa parte dos empregos
foi aberta nas pequenas cidades graças aos efeitos da descentralização
dos gastos na educação e na saúde e dos programas
de transferência de renda, como os da Previdência Social
e, mais recentemente, o Bolsa Família.
Entre 1999 e 2005, o chamado gasto social
teve aumento real de 8%: passou de R$ 257,3 bilhões para R$ 280
bilhões, em valores atualizados pelo Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA).
“Isso significa uma injeção
de renda nos municípios, que evidentemente é direcionada
para o consumo, movimentando a economia local”, diz Pochmann.
Não é por obra do acaso
que o varejo têm crescido muito mais no Norte e Nordeste do que
em qualquer outra região do País.
Segundo levantamento feito pela consultoria
MB Associados com base em dados do IBGE, as vendas acumuladas em 12 meses
até agosto cresceram 16,8% no Norte e 14,3%, no Nordeste.
No Sudeste, a taxa foi de 7,04%,
enquanto no Centro-Oeste não passou de 4,54% e no Sul ficou
em apenas 0,07%.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
06 de novembro de 2006
Discriminação no trabalho
em razão da situação familiar
Aparecida Tokumi Hashimoto
Há empresas que adotam a política
de não contratar trabalhador(a) que já possui parentes,
consangüíneo ou afim, ou cônjuge/companheiro(a), trabalhando
na mesma empresa, sob a alegação dessa política
ser necessária para evitar favoritismos.
No nosso entender, esse tipo de política
configura prática discriminatória por motivo de estado
civil e situação familiar, posto que limita o acesso ao
emprego não só do cônjuge/companheiro(a), mas, também,
dos pais, irmãos e filhos do trabalhador (familiares), o que é vedado
pela lei. Com efeito. Estabelece o artigo 1º, da Lei 9.029, de 13
de abril de 1998:
“fica proibida a adoção
de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito
de acesso à relação de emprego, ou sua manutenção,
por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação
familiar ou idade, ressalvadas, neste caso, as hipóteses de proteção
ao menor previstas no inciso XXXIII do artigo 7º da Constituição
Federal”.
Para fins laborais, o que interessa é a
qualificação profissional e a capacidade produtiva do trabalhador.
O parentesco (situação familiar) com algum empregado que
trabalha na empresa não pode servir de critério legítimo
para não contratar o candidato que atende a todos os requisitos
exigidos para ocupar um determinado cargo disponível.
Da mesma forma, o trabalhador não
pode ser impedido de concorrer a um posto vago de trabalho só porque
a sua família ou alguns de seus integrantes gozam de má-fama
na sociedade (irmão preso por homicídio, por exemplo).
Os méritos ou deméritos de cada indivíduo são
sempre pessoais, não podendo haver preferência ou desfavorecimento
do trabalhador em razão da sua situação familiar.
E, no curso da relação de
emprego, o empregado não pode ser preterido numa promoção
sob a alegação de que o seu irmão/pai já foi
promovido para um cargo qualquer. Se o empregado tem direito à promoção,
o critério que deve nortear o merecimento à ascensão
funcional é o da competência.
Igualmente, o fato de o candidato ao emprego
ser casado ou viver com alguém que trabalha na mesma empresa não
pode ser motivo para impedir a contratação, por se tratar
de discriminação em razão do seu estado civil.
Pode-se dizer, ainda, que essa prática
atenta contra a inviolabilidade da intimidade e da vida privada do trabalhador,
direito garantido na Constituição Federal (inciso X do
artigo 5º), porque obriga o empregado a revelar quem é sua
companheira ou, pior ainda, a sua opção sexual, no caso
de viver com outra pessoa do mesmo sexo. Essa intromissão na vida
privada do trabalhador é inaceitável. O trabalhador pode
querer manter resguardado o nome do seu(a) companheiro(a).
Regulamento de empresa que veda a contratação
simultânea de casal na mesma empresa também se constitui
abusivo, por violar a função social do contrato e o princípio
da boa-fé. Essa é a opinião de Edilton Meireles,
segundo o qual não há, verdadeiramente, nesse caso, uma
discriminação, mas, sim, abuso:
“Sói ocorrer, no entanto,
a prática de atos que, em si, não revelam a discriminação,
mas constituem, por si só, atos abusivos, em especial por violação à função
social do contrato e ao princípio da boa-fé. É o
que ocorre com o regulamento empresarial que veda a contratação
simultânea de casal na mesma empresa, que já foi tida por
abusiva pela Corte de cassação francesa. Nesta hipótese,
não há, verdadeiramente, uma discriminação
a qualquer pessoa dos cônjuges ou mesmo à pessoa casada
(já que um deles pode ser contratado). Mas estamos diante de uma
situação que não se justifica razoavelmente, daí porque
atinge a função social do contrato”. (Meireles, Edilton,
Abuso do direito na relação de emprego, São Paulo:
LTr, 2004, págs. 187/188)
Há empresas que vedam o casamento
entre seus empregados (ou com pessoa que trabalha em empresa concorrente)
ou obrigam um deles a se desligar da empresa, como condição
indispensável para que o outro mantenha a relação
de emprego, o que também configura prática discriminatória
e abusiva.
Nesse último caso, entendemos que
o rompimento contratual é nulo e o empregado que se desligou tem
direito ao restabelecimento do vínculo empregatício e o
recebimento de todos os consectários legais desde o desligamento
e até a reintegração no emprego. Isso porque o empregador
não pode intervir na vida privada dos seus empregados, impondo
proibições de matrimônio com pessoas que trabalham
para a mesma empresa.
Aliás, é ilícita
qualquer espécie de cláusula regulamentar, inclusive coletiva,
que imponha restrições ao direito da mulher ao seu emprego,
por motivo de casamento ou de gravidez:
“Artigo 391. Não constitui
justo motivo para a rescisão do contrato de trabalho da mulher
o fato de haver contraído matrimônio ou de encontrar-se
em estado de gravidez.
Parágrafo único. Não
serão permitidas, em regulamentos de qualquer natureza, contratos
coletivos ou individuais de trabalho, restrições ao direito
da mulher ao seu emprego por motivo de casamento ou de gravidez”.
A restrição aos direitos
fundamentais, tais como ao trabalho, à vida privada, à intimidade,
a igualdade (não discriminação) só se justifica
se a intenção for a de evitar um dano grave à empresa
e desde que não cause uma grave lesão ao empregado.
Sem dúvida alguma, proibições
desse tipo, constantes de regulamento empresarial, configuram práticas
discriminatórias atentatórias dos direitos e liberdades
individuais: liberdade matrimonial, liberdade de trabalho (de acesso
ao emprego), direito à intimidade e proteção da
vida privada. Configura abuso do direito de não contratar.
Por outro lado, o simples fato de o trabalhador
ser parente dos diretores/gerentes da empresa não pode ser causa
de favorecimento trabalhista, quando verificada situação
de igualdade com os demais empregados. Tanto é assim que, se houver
disparidade salarial, o empregado prejudicado pode se valer de ação
de equiparação de salário para obter o mesmo nível
salarial do parente do diretor.
Toda e qualquer forma de discriminação,
ainda que não citada na Lei 9.029/95 (sexo, origem, raça,
cor, estado civil, situação familiar, idade), viola o direito
fundamental de igualdade e, por isso, pode gerar direito a uma reparação
pecuniária ou a reintegração no emprego.
O direito oferece duas soluções:
nulidade do ato jurídico e reparação pecuniária
ou, então, somente o pagamento da indenização reparatória,
dependendo do caso. Quando é impossível a restituição
ao status quo ante na relação de trabalho, a nulidade do
ato resolve-se com o ressarcimento pecuniário.
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CONSULTOR JURÍDICO,
04 de novembro de 2006
Depois da aposentadoria
Multa de 40% incide sobre depósito
total do FGTS
Maria Fernanda Erdelyi
O Supremo Tribunal Federal decidiu, recentemente,
que aposentadoria espontânea não extingue o contrato de
trabalho. Os ministros declararam inconstitucionais os parágrafos
1º e 2º do artigo 453 da CLT por entender que os dispositivos
violavam preceitos constitucionais relativos à proteção
do trabalho e à garantia ao recebimento dos benefícios
previdenciários.
Por causa da decisão, o Tribunal Superior do Trabalho já cancelou
sua Orientação Jurisprudencial 177, que previa a extinção
do contrato de trabalho com a aposentadoria espontânea. Com a orientação,
a multa de 40% sobre o saldo do FGTS, paga pelo empregador em caso de demissão,
incidia apenas sobre os depósitos efetuados após a aposentadoria.
Com a decisão do STF, embora não haja mais dúvidas quanto
a permanência do contrato depois da aposentaria, ficou a confusão
sobre a multa de 40% sobre o depósito de FGTS em caso de dispensa sem
justa causa ou rescisão indireta. O relator da matéria no Supremo
Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Britto, esclarece a questão. “Embora
não disséssemos: ‘terá de depositar os 40% sobre
o total de depósito em FGTS’, deixamos implícito”,
afirmou o ministro à revista Consultor Jurídico.
De acordo com o ministro, a decisão do STF ainda beneficia o empregado
de pelo menos duas maneiras. A primeira confere a ele o direito de acumular
proventos e salários. A segunda, o direito de, querendo, levantar o
FGTS imediatamente. Britto ressalta, ainda, que a multa rescisória deve
recair sobre os depósitos e não sobre o saldo do FGTS. “Não
se pode dar com uma mão e tomar com outra. O saldo pode minguar na medida
em que o empregado levante o FGTS”, explica.
“ A Constituição é particularmente generosa em matéria
de proteção dos valores do trabalho. Ela protege a iniciativa,
sem dúvida, porém protege ainda mais os valores do trabalho”,
diz Britto.
Posições do TST
Depois da queda da Orientação Jurisprudencial 177 do TST, algumas
turmas do Tribunal já se manifestaram sobre o assunto. A primeira a
dar seu veredicto foi a 2ª Turma. Em julgamento de recurso de revista
de dois ex-empregados das Indústrias de Papel R. Ramenzoni, que continuaram
trabalhando após a aposentadoria, os ministros determinaram que a multa
de 40% sobre o FGTS incida sobre todo o período trabalhado.
Para o relator do caso, ministro Luciano de Castilho, “por conseqüência
lógica, se o empregado continua trabalhando ao se aposentar, é uno
o contrato. E, ao ser despedido, a multa de 40% do FGTS incide sobre todo o
período trabalhado”, concluiu.
A 1ª Turma do TST também já teve oportunidade de apreciar
o tema depois da decisão do Supremo. Em voto relatado pelo ministro
João Oreste Dalazen, condenou uma metalúrgica gaúcha a
pagar multa de 40% do FGTS sobre os depósitos de todo o período
do contrato de emprego a um trabalhador que, mesmo após aposentadoria
voluntária, continuou prestando serviços à empresa.
“ O empregado faz jus à multa de 40% do FGTS sobre os depósitos
de todo o período do contrato de emprego uno, computados o tempo anterior
e o posterior à jubilação espontânea seguida da continuidade
do labor, contanto que, ao final, opere-se a rescisão do contrato sem
justa causa”, disse o ministro Dalazen.
Já a 4ª Turma do TST, em julgamento recente, decidiu, com base
na Lei 5.107/66 (que instituiu o FGTS), que, ainda que o contrato seja único,
a multa de 40% só incide sobre os depósitos efetuados após
a aposentadoria. A 6ª turma do Tribunal foi a única que ainda não
se posicionou quanto ao tema depois da queda da orientação jurisprudencial
177.
A previsão é de que as diferentes interpretações
chegarão pouco a pouco à Seção Especializada em
Dissídios Individuais 1 que deverá propor a edição
de nova Orientação Jurisprudencial na medida em que houver decisões
reiteradas sobre o tema.
De acordo o presidente da 4ª Turma do TST, ministro Milton de Moura França,
os ministros da casa mostram a tendência de manter a multa de 40% sobre
o valor total dos depósitos do FGTS. Moura França, particularmente,
sempre entendeu que a aposentadoria não rompe o contrato de trabalho.
Porém, o ministro ressalta que deve ser observada a natureza e a finalidade
do instituto.
“ Sempre se assegurou o direito a indenização e aos 40% de
multa em casos de rescisão indireta ou dispensa sem justa causa. Podemos
aqui deixar bem nítido dois momentos de uma relação jurídica única:
antes e depois da aposentadoria. No meu entendimento o tempo antes da aposentadoria
não deve ser considerado para efeito da multa de 40%”, afirma Moura
França. Para o ministro a aposentaria não é uma hipótese
que geraria a multa por isso o período anterior a ela não deveria
ser considerado.
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CONSULTOR JURÍDICO,
02 de novembro de 2006
Judiciário folgado
Para cada dia de trabalho, Judiciário
descansa outro
Aline Pinheiro
Quando o Poder Judiciário se une
para gritar contra a sobrecarga de trabalho, a estrutura precária
e a falta de braços, motivos usados para justificar os mais de
60 milhões de processos parados nos tribunais, se esquece de um
pequeno detalhe: a quantidade de dias em que a Justiça simplesmente
não funciona. Subtraídos finais de semana, feriados, férias,
recessos e outras folgas, sobram apenas seis meses por ano para o Judiciário
trabalhar. Dito em outras palavras: para cada dia de trabalho, os membros
do judiciário tem um dia de folga.
A constatação é mais
alarmante quando se pensa que a Justiça é um direito de
todos e que, ao contrário do ditado, tardar significa, muitas
vezes, falhar. Para se ter certeza disso, basta perguntar para João
Gomes de Oliveira, que esperou 30 anos para ser julgado pela tentativa
de homicídio de Adyr Vieira. O crime ocorreu em 1976. O julgamento,
em agosto deste ano da graça de 2006.
Questione também o delegado aposentado
Ronaldo Antônio Osmar, que esperou 19 anos para ser absolvido da
acusação de mandar matar o missionário espanhol
Vicente Cañas. O crime ocorreu em 1987. A absolvição,
na semana passada.
Durante cerca de 180 dias, o Judiciário
em todo o país funciona em esquema de plantão. Apenas medidas
urgentes, como Habeas Corpus e Mandados de Prisão, são
despachadas. De resto, não há sessão, não
há julgamento, não há prazos. Em uma escala coletiva,
sem se ater ao direito individual do cidadão (réu e vítima)
de ver sua causa julgada em tempo hábil, não é exagero
dizer que a lentidão da Justiça prejudica a economia do
país.
O Supremo Tribunal Federal, por exemplo,
tem em suas mãos processo que pede a regulamentação
do direito de greve dos servidores públicos. O Mandado de Injunção,
que vem justamente para suprir essa deficiência do Legislativo,
está suspenso por um pedido de vista do ministro Ricardo Lewandowski
desde junho deste ano. Se o direito de greve do servidor já tivesse
sido devidamente regulamentado, o país poderia ter sido poupado
do caos no tráfego áereo, causado pela greve branca dos
controladores de vôo.
Os descansos — previstos e imprevistos — também
têm impedido que o Supremo decida se as sociedades de profissionais
liberais, como os escritórios de advocacia, têm de pagar
Cofins. Desde 9 de outubro, o voto-vista do ministro Eros Grau está pronto,
mas ele ainda não pôde apresentar no julgamento pela 2ª Turma
do STF.
Um para um
Fora os 11 feriados que qualquer brasileiro
tem, a Lei da Justiça Federal, de número 5.010/66, ainda
prevê 20 dias de recesso no final do ano e mais sete feriados exclusivos.
Existe até um feriado de 1º de novembro que ninguém
sabe dizer a que santo ou a que herói da pátria presta
homenagem. Mas neste dia o Judiciário não funciona (nesta
quarta-feira funciona, mas o dia-santo sem dono foi usado como pretexto
para o não-expediente da sexta-feira).
Outros dois feriados exclusivos do Judiciário
pelo menos têm explicação: não se trabalha
no dia 11 de agosto por ser o dia comemorativo da criação
dos cursos jurídicos no país, ou por ser o Dia do Advogado;
e não se trabalha no dia 8 de dezembro por ser o dia dedicado à Justiça,
conforme previsto no Decreto-Lei 8.292 desde 1945.
A Lei Orgânica da Magistratura estabelece
que os juízes têm direito a 60 dias de férias por
ano (30 a mais do que prevê a CLT). Nessa conta, não entram
os oito dias de folga quando o juiz casa ou quando morre alguém
da sua família. Tampouco os dois anos remunerados que eles têm
para se dedicar exclusivamente aos estudos. Também não
entram os feriados estaduais e municipais. Só na cidade de São
Paulo, são mais dois feriados municipais e um estadual.
Na conta, ainda precisam ser somadas as
emendas dos feriados (sim, juiz também tem direito a feriado prolongado)
e outros imprevistos previstos, como a Copa do Mundo de Futebol, que
tirou da Justiça mais três dias de trabalho (se o Brasil
tivesse chegado à final do campeonato, teriam sido quatro).
Nesta quinta-feira (2/11), dia de Finados,
a Justiça e todos os outros brasileiros descansam. Na sexta (3/11),
a emenda coletiva impera apenas no Judiciário. Nos tribunais superiores,
na Justiça Federal e na Trabalhista, foi feriado na quarta (1/11).
As instituições decidiram, então, transferir a folga
para sexta e desfrutar do descanso de quatro dias (somado o final de
semana).
Na Justiça Estadual, não
há desculpa oficial para o feriado ser prolongado. Mesmo assim,
apenas sete dos 27 Tribunais de Justiça estadaduais e distrital
vão trabalhar. O Judiciário de Santa Catarina é uma
das raras exceções. Como informa o juiz Luiz Fernando Boller,
de Tubarão, o Tribunal de Justiça e 110 comarcas do estado
funcionam normalmente nesta sexta-feira. Os outros decretaram ponto facultativo.
Não há expediente, portanto, apenas o famoso plantão.
Em São Paulo, o Tribunal de Justiça ainda foi mais generoso
nas folgas. Na segunda-feira (30/11), ressaca das eleições,
a Justiça paulista não funcionou, como se não tivesse
uma fila de mais de 14 milhões de processos para julgar.
Em muitos casos, a iniciativa privada
pode ser tanto ou até mais generosa com seus trabalhadores. Pode
optar por dar descansos injustificados, aumentar as férias, permitir
que comemorem o dia de São Nunca ou o dia de todos os santos,
que por sinal, antigamente era comemorado com feriado no dia 1º de
novembro.
Nestes casos, quem administra o
negócio calcula os riscos da folga para a atividade e assume
o prejuízo. Na iniciativa pública, o patrão, chefe
ou dono do negócio (ou seja, o contribuinte) nem é consultado
e, muitas vezes, nem comunicado sobre o trabalho daqueles a quem paga
o salário. E além de pagar uma vez, por financiar o serviço
público, o contribuinte acaba pagando outra vez, por não
tê-lo feito.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06 de
novembro de 2006 | Política
ANÁLISE-Dos 21 governadores que se candidataram
ao segundo mandato consecutivo, 15 venceram a disputa
Reeleição confirma
tendência histórica

Mais uma eleição terminada, mais uma reeleição
confirmada. Desde que foi instituída no Brasil, em 1997, a reeleição
no Executivo têm sido uma constante. Entre os presidentes e os governadores
do Paraná, o índice é de 100%. Fernando Henrique Cardoso,
do PSDB, foi eleito presidente em 1994 e reeleito em 1998, assim como Jaime
Lerner, que foi governador do estado no mesmo período. Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) alcançou o posto em 2002 e agora foi reconduzido
ao cargo, da mesma forma que Roberto Requião (PMDB). A situação é semelhante
em outros estados. Em 1998, dos 18 governadores que tentaram a reeleição,
13 conseguiram. Em 2002, foram 10 tentativas e 6 vitórias. Nas eleições
deste ano, dos 21 que se candidataram à reeleição, 15
venceram a disputa.
O professor de Ciência Política
da UFPR Adriano Codato aponta três vantagens para os governantes
na disputa pela reeleição. O primeiro é o controle
que o Executivo tem sobre o orçamento e a aplicação
dos recursos. Em segundo lugar, a superexposição, já que
os quatro anos de mandato representam quatro anos de campanha eleitoral.
Por fim, ele aponta o uso da máquina administrativa à disposição
do governo para as candidaturas.
“O Executivo controla a agenda, o que vai ser feito, o que não vai
ser feito e quando será feito, e em que ritmo será feito; controla
o volume de gastos e a aplicação dos recursos. A vantagem do candidato à reeleição
diante de seus concorrentes é muito grande”, avalia Codato. Além
disso, a maioria do eleitorado tende a uma espécie de conservantismo e
prefere, às vezes, não arriscar, segundo o cientista. “Ele
pensa assim: se o governo está mais ou menos, ou um pouquinho bom, se
melhorou minha vida, para que mudar?”, diz.
Codato compara a tendência de reeleição
para presidente, governo e prefeituras, em contrapartida à taxa
de renovação no Legislativo. “A média histórica
de renovação no Parlamento é de 50%. Os deputados
pegam um pedacinho do orçamento para levar benefícios para
seu reduto eleitoral. Mas esse clientelismo se dá em escala reduzida
e de forma fragmentada em relação ao clientelismo que Executivo
pratica.”
No entanto, Codato diz que situações
como a vitória apertada de Requião neste ano, por apenas
10.479 votos, é reflexo de um sentimento de “antigovernismo”.
O eleitor de Requião é o mesmo de Lula, observa, e os dois
perderam a disputa eleitoral nas áreas onde o agronegócio é forte. “O
problema do câmbio, da política monetária (altos
juros para tomar emprestado e investir) e o problema do emprego (baixo índice
de criação de empregos formais no setor) alimentam e ampliam
o descontentamento do eleitor. Pequenos, médios e grandes proprietários
rurais votam então contra o ‘governo’, sem diferenciar
se estadual, se federal”, pondera.
O consultor Luciano Dias, do Instituto
Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), também menciona
as vantagens de quem está na disputa pelo mesmo cargo. “A
pessoa tem o poder da caneta e maior exposição”,
diz. Ele também aponta para a tendência de conservadorismo
do eleitorado. Para ele, a vantagem é tão grande que a
maioria dos países que adota o sistema impõe um limite
de dois mandatos. Mas ele diz que, se o governante fizer um mandato muito
ruim, os eleitores não vão automaticamente votar nele numa
tentativa de reeleição.
Para o diretor-executivo da ong
Transparência Brasil, Cláudio Abramo, a permanência
do governante é muito comum. “É muito difícil
não ser reeleito”, afirma. Ele diz que é contra
a reeleição no Brasil para cargos executivos. “Ela é prejudicial
por causa da forma em que os apoios políticos são engendrados”.
Rosana Félix
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06 de
novembro de 2006 | Brasil
TRANSPARÊNCIA-Escândalos derrubam
o Brasil em índice internacional
Aumenta a percepção
de corrupção no país
Londres – A percepção da corrupção no Brasil
piorou “significativamente’’ no último ano, segundo
relatório que será divulgado hoje pela Transparência Internacional,
uma organização não-governamental.
O país aparece em 70.º lugar
em uma lista de 163 nações classificadas de acordo com
uma nota que varia de zero a dez, em um documento chamado Índice
de Percepções de Corrupção. O Brasil tem
3,3 pontos, bem mais próximo do último colocado, o Haiti
(1,8 ponto), do que dos três que estão no topo da lista – Finlândia,
Islândia e Nova Zelândia, com 9,6 cada.
Levando em conta apenas os 154 países que aparecem nos índices
dos dois últimos anos, o Brasil caiu cinco posições em
relação ao levantamento de 2005 – passou de 61.º a
66.º.
“Brasil, Cuba, Israel e Estados
Unidos estão entre os países com uma piora significativa
nos níveis de corrupção percebidos’’,
afirma o comunicado oficial da organização.
Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo
da Transparência Brasil, associada à ONG que produz o índice,
afirma que a piora da percepção internacional está ligada
aos escândalos políticos no último ano – como
o do mensalão e o da máfia dos sanguessugas. “Parece-me
que os escândalos do ano passado foram determinantes nessa queda
do Brasil, porque tiveram muita repercussão internacional’’,
disse.
O ranking da Transparência Internacional é feito
anualmente desde 1995, colhendo opiniões de pessoas ligadas direta
ou indiretamente a negócios internacionais sobre a corrupção
nos setores público e privado de um grupo de países.
Apesar de não ser baseado em dados
objetivos e de ter margem de erro de até oito posições
para baixo ou para cima, o índice é um bom indicador da
imagem internacional do país, segundo Abramo. “Se o governo
brasileiro tivesse tomado medidas fortes e bastantes nítidas de
combate à corrupção, isso teria se refletido numa
melhoria de imagem’’, avalia.
Durante a campanha eleitoral, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva repetiu diversas vezes que em seu governo
não foi a corrupção que aumentou, mas sim as divulgações
das medidas de combate. O presidente chegou a dizer que era o único
brasileiro que governou o país e que tinha autoridade para falar
em corrupção, pelo seu trabalho em eliminá-la.
Entre os países da América
do Sul pesquisados, o Brasil aparece em quarto lugar, atrás
do Chile (20.º), do Uruguai (28.º) e da Colômbia (59.º).
O país com a pior percepção de corrupção
no continente é a Venezuela (138.º).
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06 de
novembro de 2006 | Política
PREFEITURAS
Índice é menor
nos municípios
O índice de reeleição entre prefeitos não é tão
alto como nos governos estaduais ou federal. No Paraná, 54,6% dos prefeitos
que tentaram a reeleição em 2004 conseguiram. No Brasil, esse índice
foi de 56,3%, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Administração
Municipal (Ibam). Segundo o coordenador de Articulação Político-Institucional
do órgao, François Bremaeker, a política local tem um
tipo de estratégia diferente das regionais ou nacional. O Brasil tem
5.561 municípios. Para Bremaeker, o número contribuiu para que
a taxa de reeleição não seja muito alta. “Mas tudo
depende do grau de satisfação.” (RF)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06 de
novembro de 2006 | Política
CONGRESSO-Análise
Projeto prevê mandato
maior
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado
aprovou, em agosto, projeto que acaba com a reeleição no Executivo.
O projeto precisa ainda passar por duas votações na Casa e depois
ir ao Congresso. “Quem não está no governo reclama que
quem está se beneficia da máquina”, diz o autor do projeto,
o senador Sibá Machado (PT/AC). Machado também propôs o
mandato geral de cinco anos e unificação de todas as eleições,
de vereadores, governadores, deputados, senadores e presidente. Esse projeto
não foi aprovado na CCJ, mas o senador pretende reapresentá-lo.
(RF)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06 de
novembro de 2006 | Brasil
EMBATE NO CONGRESSO
Deputados votam minirreforma tributária
até o fim do mês
São Paulo – Neste mês, governadores deverão travar
novo embate no Congresso na discussão do que foi batizado de “minirreforma
tributária’’. Segundo o relator da proposta, Virgílio
Guimarães (PT-MG), a intenção é aprovar a emenda
na Câmara ainda em novembro.
A emenda reúne dois pontos que
persistem desde 2003, quando fracassou a negociação da
reforma tributária: a unificação das alíquotas
do ICMS no país e a criação de um fundo nacional
de desenvolvimento.
Para tentar garantir sua aprovação,
atende também a duas reivindicações de prefeitos.
A principal delas é o aumento de um ponto percentual, ou R$
1,4 bilhão ao ano, da fatia do Fundo de Participação
dos Municípios no bolo tributário.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 04
de novembro de 2006
Bolsa Família será reajustado
em 20%
Valor do programa será definido no
primeiro semestre do ano que vem mas número de famílias
atendidas deve ser mantido
Celso Pacheco

A secretária do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
Márcia Lopes, na Redação da FOLHA
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome pretende
reajustar o valor do Bolsa-Família ainda nos primeiros meses de 2007.
A estimativa da secretária executiva do Ministério, Márcia
Lopes, que visitou a FOLHA ontem, é de que o percentual de reajuste
fique em torno de 20%. Em todo o país, o programa atende 11,1 milhões
de família - 465 mil no Paraná -, número considerado o
teto pelo Governo Federal. Tanto que para os próximos anos, o desafio
maior será formalizar um pacto de gestão com os governos estaduais
e construir mecanismos para garantir emprego e renda para quem é beneficiado.
Segundo a secretária, o Governo
investe atualmente R$ 8,3 bilhões no Bolsa-Família. No
Estado, o programa de transferência de renda despeja mensalmente
na economia R$ 26 milhões mensais. Cada família beneficiada
recebe atualmente R$ 65,00 em média. Para Londrina, são
repassados R$ 785,6 mil mensais para atender os 14,5 mil inscritos. O
reajuste, segundo Márcia Lopes, é preciso para ''manter
e garantir o poder de compra dos beneficiados''. 'Vamos utilizar provavelmente
o INPC para calcular esse reajuste ainda no primeiro semestre de 2007'',
apontou. Márcia Lopes explicou que o programa não será ampliado
em números absolutos porque no entendimento do Ministério
ele já atingiu 100% das famílias que necessitam do benefício.
Outra mudança que o Ministério
estuda incorporar ao Bolsa-Família é a fixação
de um prazo máximo de permanência no programa, o que hoje
não existe. A secretária visitou experiências semelhantes
desenvolvidas no México e no Chile, onde os benefícios
são concedidos por períodos que variam entre cinco a até oito
anos, e a idéia é fixar prazos semelhantes.
Márcia Lopes afirmou que o programa
hoje já não sofre mais de deficiências como a falta
de controle das famílias beneficiadas e da frequência escolar
das crianças. O cadastro único implantado pelo Ministério
também organizou os programas de assistência do Governo
e ajudou a diminuir as fraudes. No total, 900 mil famílias que
estavam em duplicidade nas listas foram excluídas. Para exemplificar,
a secretária destacou que há três anos haviam cerca
de 60 mil processos abertos contra prefeituras que não tinham
feito as prestações de conta e hoje caiu para 50 mil. ''São
processos antigos e o importante é que não estamos abrindo
novos'', indicou.
A secretária disse ainda que não
aceita as críticas feitas ao Bolsa-Família porque ele não é o único
programa federal de transferência de renda, não se faz isoladamente
nem resume a política social do Governo. ''O Bolsa-Família é o
resultado da unificação de vários programas similares
mas que tinham um problema de gestão, de participação
dos municípios. Era um programa absolutamente vertical e as Prefeituras
e a sociedade em geral não participavam'', comentou a secretária.
Ela lembrou que organismos internacionais classificam o programa como
um dos 10 maiores do mundo em termos de transferência de renda.
Mesmo admitindo que o programa garantiu
em boa parte a reeleição do presidente Lula, Márcia
Lopes descartou a fama de eleitoreiro do Bolsa-Família. ''É uma
falsa idéia de que o Governo se beneficia com o programa. Na
política, quando não se cumpre, se cobra. Quando se cumpre,
tem compromisso e se faz uma opção de fato para as pessoas
não passarem fome e para a gente deixar de achar normal tudo
isso, vem o jogo pesado tanto por parte dos conservadores, que banalizaram
a pobreza no país, quanto pela oposição'', concluiu.
Luciano Augusto
Reportagem Local
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
04 de novembro de 2006
Liminar derruba benefício
a idosos
Curitiba- Vários idosos ficaram decepcionados ontem ao tentar obter
passagens para viagens interestaduais na Rodoferroviária de Curitiba.
A gratuidade e os descontos previstos em decreto federal de outubro não
foram concedidos devido a uma liminar. Uma decisão da Justiça
Federal, da última quarta-feira, concedeu tutela antecipada à Associação
Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) e suspendeu
as exigências do Decreto nº 5.934/2006. A justificativa da Abrati é que
a concessão dos benefícios poderia gerar desequilíbrio
econômico e financeiro das empresas.
De acordo com o decreto, pessoas com mais
de 60 anos e renda inferior a dois salários-mínimos teriam
direito a duas vagas gratuitas em cada veículo do serviço
convencional de transporte rodoviário interestadual de passageiros
em todos os horários. Para os demais assentos, as empresas deveriam
conceder o desconto mínimo de 50% do valor da passagem.
A Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT) foi notificada oficialmente ontem sobre a liminar e
avisou que vai recorrer da decisão. A representação
da ANTT em Curitiba informou que não estava autuando as empresas
desde quinta-feira devido à liminar. Segundo a agência,
as empresas de viagem da Rodoferroviária deixaram de conceder
os benefícios já à zero hora do dia 2. Ontem, cerca
de 30 idosos fizeram reclamações no escritório da
ANTT em virtude da suspensão do benefício.
A comerciante Rosalba Will esteve na Rodoferroviária
com a mãe, dona Dezolina, 72 anos, para comprar passagens para
o Espírito Santo. ''Nem pedimos o benefício para minha
mãe porque vimos na televisão que tinha sido suspenso. É um
absurdo. Se é lei, tem que cumprir'', disse Rosalba.
Em Londrina, a representação
da ANTT informou que fez um acordo com as empresas para que a gratuidade
e os descontos continuem até que a superintendência da
agência em Brasília enviasse um comunicado sobre a liminar.
Fábio Galão
Equipe da Folha
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
04 de novembro de 2006
Mais de 2 milhões de desocupados
no País
Número de vagas criadas na economia
tem ficado abaixo do número de jovens que chegam anualmente
ao mercado de trabalho
Arquivo Folha

Jovens são os que mais pressionam o mercado de trabalho, segundo o IBGE
Rio de Janeiro- O lento aquecimento que vem ocorrendo no mercado de trabalho
não tem sido suficiente para diminuir o enorme estoque de desempregados
que persiste nas seis principais regiões metropolitanas do País.
O número de vagas criadas na economia tem ficado abaixo do número
de jovens que chegam anualmente ao mercado de trabalho. Segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o total de desocupados
(sem trabalho e procurando emprego) permanece acima de 2 milhões de
pessoas.
Em setembro, atingiu 2,29 milhões
nas seis regiões, que incluem São Paulo, Rio de Janeiro,
Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. ''É um número
muito, muito grande'', avalia o gerente da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo.
''A taxa de desemprego cai pouco porque o estoque (de desocupados) é alto'',
complementa Guilherme Maia, da Tendências Consultoria.
Diante desse quadro, os caminhos apontados
por especialistas para que o governo Lula consiga, no segundo mandato,
reduzir o número de desocupados são aceleração
do crescimento econômico, aumento significativo da taxa de investimento
e eficiência em programas para inserção de jovens
no mercado de trabalho.
Desde março de 2002, quando teve
início a nova série histórica da pesquisa mensal
de emprego do IBGE, o número de desocupados se mantém em
patamar próximo de 2 milhões. Azeredo, Maia e Marcelo de Ávila,
analista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), concordam
que o número de desempregados nas seis regiões não
caiu desse patamar porque não são geradas vagas suficientes
para absorver o crescimento da procura por uma vaga no mercado.
Em setembro deste ano ante igual mês
do ano passado, por exemplo, houve aumento de 628 mil postos de trabalho,
mas ainda assim a população desocupada aumentou em 152
mil pessoas. Isso ocorreu porque a População Economicamente
Ativa (PEA), que inclui ocupados e desocupados, cresceu em 780 mil pessoas
no período.
A expansão da PEA tem ocorrido
por motivos diversos. Em 2003, estava associada à queda no rendimento
e à maior precariedade do mercado de trabalho, que tornaram necessária
a busca de uma vaga por membros secundários da família,
para contribuir com o minguado orçamento doméstico.
Em 2006, o crescimento responde ao aumento
no rendimento médio dos trabalhadores e à maior formalidade
do mercado de trabalho, que está mais atrativo e faz com que pessoas
que já tinham desistido de buscar uma vaga retomem a luta.
Entre os que permanecem em busca
de uma vaga, os jovens são o destaque, segundo avalia Azeredo.
''Os jovens são os que mais pressionam o mercado de trabalho.
Para diminuir o estoque (de desocupados) é preciso atuar em
cima dessa parcela'', disse. Ele exemplifica que, em setembro de 2006,
os jovens de 15 a 24 anos eram 46,6% dos desocupados. Em 2002 eles
eram 44,9% dos desocupados.
Jacqueline Farid
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
04 de novembro de 2006
TI deve gerar 630 mil postos de trabalho
São Paulo - O setor de tecnologia da informação deve gerar
cerca de 630 mil empregos na América Latina até 2009. A previsão
consta da pesquisa ‘‘O Impacto Econômico de TI e do Software
na América Latina’’, feita pelo International Data Corporation
(IDC)). O trabalho aponta o Brasil como um dos destaques em TI na região.
‘‘O Brasil é hoje
o país com maior número de pessoas atuando no segmento.
Ao todo são 892 mil trabalhadores, 47% do total de vagas existentes
em toda a América Latina’’, diz Alexandra Reis, gerentes
de consultoria da IDC. No ranking, México vem em segundo lugar,
e a Argentina, em terceiro.
O estudo mostra também que, nos
13 países analisados, há 1,9 milhão de empregados
em vagas de TI. As maiores oportunidades vêm da área de
software, que representa 69% do mercado (1,3 milhão de vagas).
A participação deve crescer para 74% até 2009 (1,89
milhão de trabalhadores).
Para Luís Marcelo Marrey Moncau,
diretor de marketing e negócios da Microsoft no Brasil, um dos
principais méritos da pesquisa é mostrar que, ao contrário
do que se imagina, a tecnologia não extingue postos de trabalho. ‘‘Ela
gera emprego porque cria novos mercados. São oportunidades para
o país, para as empresas e para os indivíduos. As empresas
acabam lançando produtos novos baseados na tecnologia’’,
diz Moncau.
Para ele, a pesquisa do IDC consegue
medir bem a realidade da tecnologia na região pelo grau de maturidade
que o setor atingiu nos últimos dois anos. ‘‘Da última
vez que houve um estudo, o mercado não era tão sólido’’,
afirma.
Moncau destaca a comunicação
entre empresas, o ‘‘internet banking’’, os cenários
de uso e os ambientes de integração como as áreas
onde o consumo de tecnologia já pode ser considerado muito avançado. ‘‘Mesmo
assim, ainda há espaço para crescer, pela necessidade de
inclusão de novos usuários e da modernização
do parque tecnológico.’’
As áreas consideradas como ‘‘promissoras’’ são
as de soluções de mobilidade (telefonia celular integrada
com correio eletrônico, principalmente) e soluções
na área de gestão (integração de sistemas
para uso corporativo). ‘‘Também vemos demanda forte
na área de games e de multimídia, áudio e vídeo.
As pessoas querem usar o computador pra fazer outras coisas que não
trabalhar.’’
Em 2005, a América Latina gastou
US$ 28 bilhões em TI. A previsão é de que chegue
a US$ 39 bilhões até 2009.
Folhapress
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 03 de novembro
de 2006
Brasil é o 17º. no
ranking de impostos
Redação O Estado
do Paraná
Rio (AE) - O Brasil tem uma das cargas tributárias sobre empresas mais
altas do mundo. A avaliação é da consultoria KPMG, que
ontem publicou seu relatório anual sobre os impostos em 86 países
e apontou que, no Brasil, o imposto médio sobre uma empresa é de
34% sobre a receita anual. Em apenas 16 economias as companhias estão
sujeitas a taxas mais elevadas que no Brasil. O país ainda tem carga
tributária bem acima da média mundial, de 27,1%, e da média
latino-americana, de 28,1%.
Segundo a consultoria, a concorrência internacional fez com que países
reduzissem seus impostos nos últimos 14 anos. Para a KPMG há uma
relação entre o sistema tributário e o desempenho econômico
dos países, já que taxas menores podem dar vantagens competitivas
e garantir crescimento para as economias em desenvolvimento. Não por
acaso, a média dos impostos nessas 86 economias caiu de 38%, em 1993,
para 27,1%, atualmente.
No caso do Brasil, porém, o país passou de taxas médias
de 25%, em 1998, para 33%, em 1999, 37%, em 2000, e 34%, desde 2001. Os impostos
brasileiros sobre o setor privado são superiores ao que se cobra no
Chile, México, Uruguai e equivalentes aos aplicados pela Venezuela.
Na região, a Argentina e a Colômbia cobram taxas superiores às
brasileiras, de 35%.
Na avaliação da consultoria, os impostos são vistos por
empresas multinacionais como o preço que precisam pagar em um país
para usar a infra-estrutura local. Se não há uma boa estrutura
ou se o preço é visto como excessivo, buscam países onde
as taxas são menores. Se em países como Brasil existe a necessidade
de se arrecadar para projetos sociais, os governos precisam deixar claro este
objetivo e mostrar resultados.
Exemplos
Para a KPMG, um dos exemplos de países que reduziram impostos e conseguiram
atrair investimentos é a Irlanda. A carga tributária no país
caiu de 40%, em 1993, para 12,5%, uma dos mais baixas entre os países
ricos. Nesse período, a economia irlandesa chegou a crescer 12%. Hoje,
porém, sofre com a concorrência de países como a Hungria
e a Polônia, que também reduziram seus impostos. Os países
escandinavos também estão entre os exemplos, além da própria
Inglaterra, que foi pioneira ao cortar seus impostos entre 1982 e 1986, de
52% para 35%.
No ranking da KPMG, os paraísos fiscais, evidentemente, lideram a lista
como locais onde os impostos são os menores do mundo. São seguidos
por economias como Macau e Omã, com 12% de impostos além de Lituânia,
Letônia, Romênia, Chile, Chipre, Irlanda e Hungria, com taxas entre
10% e 19%.
O estudo mostra ainda que as principais economias do mundo, como Estados Unidos,
Alemanha ou Japão, cobram algumas das maiores cargas tributárias
do mundo e superiores à do Brasil. Os impostos americanos sobre as empresas
chegam a 40%, assim como no Japão. Na Alemanha, as taxas são
de 38%; na Itália, de 37%.
Apesar de destacar a importância de um país ter impostos adequados às
necessidades de sua economia, a KPMG alerta que uma redução de
carga tributária sozinha não irá gerar o crescimento da
economia no médio prazo. Para isso, as medidas tributárias precisam
ser seguidas de modernização da infra-estrutura e de garantias
legais para os investimentos estrangeiros.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
04 de novembro de 2006
Mais crédito para o setor
habitacional
Redação O Estado
do Paraná
Foto: Arquivo/O Estado

Mais recursos vão estimular novas obras.
A expansão do crédito habitacional deverá elevar os investimentos
em habitação no país para mais de 5,5% do Produto Interno
Bruto (PIB) em 2010, ante os 4,3% atuais. A projeção é do
economista Marcelo Nascimento, do BNDES, que realizou estudo sobre o assunto
em conjunto com o advogado Luciano Coutinho, da Secretaria de Assuntos Econômicos
(SAE) da instituição.
Com isso a taxa de investimento (investimentos sobre o PIB) poderá crescer
somente com a contribuição do setor de construção
residencial, dos atuais 20% para 21,2% em quatro anos O segmento habitacional
responde por cerca de um quarto dos investimentos computados no PIB brasileiro.
A expectativa de Nascimento é que somente o crédito habitacional
no país aumente, nos próximos quatro anos, do equivalente a 1,7%
do PIB para mais de 4%. Os desembolsos para financiamentos neste setor, que
neste ano poderão chegar a R$ 19 bilhões, estarão em pelo
menos R$ 40 bilhões em 2010. Ainda assim, o Brasil estará longe
de países como Estados Unidos (em que o crédito para habitação
corresponde a 65% do PIB), Chile (13%) e África do Sul (24,8%).
Hoje a participação do crédito habitacional no crédito
total no Brasil é da ordem de 5%. No Chile, chega a 21% e nos Estados
Unidos, a 26%. Apesar da “participação exígua”,
Nascimento ressalta que o crédito para habitação no país
vem apresentando uma recuperação mais consistente desde 1997,
quando foi criado o Sistema Financeiro Imobiliário e instituída
a alienação fiduciária dos imóveis.
Mesmo com os avanços graduais ocorridos desde então, somente
nos últimos dois anos, segundo ele, os desembolsos de financiamento
habitacional começaram a crescer de forma significativa. Os desembolsos
acumulados em 12 meses chegaram a R$ 15,6 bilhões em agosto deste ano,
valor 93,9% superior aos R$ 8,05 bilhões acumulados até agosto
de 2005.
A expectativa de Nascimento é que os desembolsos totais em 2006 somem
R$ 19 bilhões, com aumento de mais de 90% em relação a
2005 (R$ 9,9 bilhões). Segundo o economista, por trás dessa expansão
do financiamento residencial estão fatores como cenário macroeconômico
mais favorável, atuação mais intensa dos bancos públicos
especializados na operação do crédito habitacional, extensão
dos subsídios ao financiamento de imóveis para famílias
de baixa renda e melhores condições institucionais para a oferta
de crédito.
Nascimento lembra que, segundo a Fundação Getúlio Vargas
(FGV), o déficit habitacional no Brasil é estimado em oito milhões
de residências, sendo que 84% desse total são referentes a famílias
com rendimentos inferiores a três salários mínimos. De
acordo com ele, a demanda permanece tão elevada por causa da limitação
da renda disponível e as restrições de crédito
imobiliário, dois fatores que têm evoluído positivamente
nos últimos anos, mas que ainda permanecem aquém das necessidades
da construção.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
04 de novembro de 2006
Agenda trabalhista é condição
do apoio de CUT e Força
Agência Estado
As duas maiores centrais sindicais
de trabalhadores do País - a Central Única dos Trabalhadores
(CUT) e a Força Sindical - prometem dar apoio e sustentação
política ao segundo mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva se o governo se comprometer a assumir uma "agenda
dos trabalhadores", envolvendo a aprovação das reformas
sindical, política e tributária, além de promover
mudanças na orientação da política econômica.
O primeiro teste sobre como está a relação do governo
Lula com os sindicalistas virá na primeira semana de dezembro, quando
está prevista mais uma marcha nacional pelo aumento do salário
mínimo, com reivindicação de um mínimo em cerca
de R$ 400, e pela correção da tabela do Imposto de Renda Pessoa
Física (IRPF).
" A CUT aprovou no último encontro nacional uma plataforma dos trabalhadores,
que envolvem propostas para o crescimento econômico, geração
de emprego e distribuição de renda. Todas as medidas governamentais
nesse sentido merecerão nosso apoio", resume o presidente da CUT,
Artur Henrique da Silva Santos. "Nossas propostas englobam a realização
das reformas tributária e política como elementos essenciais para
essa busca do crescimento", adiciona.
Direitos
O vice-presidente da Força Sindical e presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), Eleno José Bezerra,
afirma que os sindicatos ligados à Força apoiarão as reformas
política, tributária e sindical, mas que não aceitarão
tratar de temas como Previdência e legislação trabalhista "se
resultarem em perda de direitos dos trabalhadores".
" Nosso apoio também dependerá da forma com que o presidente
Lula vai propor as reformas. Se ele descer do pedestal, falar com as entidades
representativas dos movimentos sociais e montar um entendimento, apoiaremos.
Se for como neste primeiro mandato, de se discutir tudo no âmbito do Conselho
de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), um ambiente criado apenas
para o presidente receber aplausos, pode esquecer da nossa participação",
anuncia Bezerra.
Segundo o vice-presidente da Força, os primeiros sinais de "arrogância" do
PT indicam que haverá dificuldade para um entendimento entre as forças
políticas. Ao mesmo tempo, ele sugere que o governo adote medidas econômicas
capazes de ampliar o crescimento econômico. "O debate começou
mal dentro do governo. Os ministros da Casa Civil (Dilma Rousseff) e da Fazenda
(Guido Mantega) sugerem a busca de metas de crescimento, indicam mudanças
de rumo, enquanto o presidente do Banco Central (Henrique Meirelles) nega e
diz que nada muda", argumenta Bezerra.
Já o presidente da CUT prefere analisar o tema sob a perspectiva acerto
entre o governo e os movimentos sociais, inclusive porque a central apoiou
a reeleição de Lula. "O fato relevante será a busca
de garantias para que o debate nacional sobre o desenvolvimento seja colocado
e não negligenciado pela oposição. Independentemente de
apoiarem ou não o governo, cobraremos dos parlamentares o comprometimento
com as causas dos trabalhadores" disse Silva.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
05 de novembro de 2006
XXVIII Conat e uma visão otimista
de cidadania
Edésio Passos
O XXVIII Congresso Nacional dos
Advogados Trabalhistas será realizado de 16 a 19 de novembro
no Rio de Janeiro sob o tema “Uma Visão Otimista de Cidadania”.
A cerimônia de abertura tradicionalmente homenageará os
patronos local e nacional e a conferência inaugural será pronunciada
pelo presidente da OAB Roberto Antonio Busato, seguindo-se lançamento
de livro coordenado pela Abrat “A EC/45 numa visão crítica
pelos advogados trabalhistas”. No dia 17, às 9h, conferência
sobre “Responsabilidade civil nas relações de trabalho”,
por João Tancredo; às 10h, painel “As Fases e as
Faces do Direito do Trabalho”, com José Carlos de Assis,
Nalayne Mendonça Pinto e Nilton Correia; às 11h30, o
painel “O Meio Ambiente e a Proteção à Saúde
do Trabalhador”, com Edilene Farias de Oliveira, Paulo Rogério
Albuquerque de Oliveira e Luiz Salvador; às 15h conferência
sobre”. Direito Solidário”, por Aldacy Rachid Coutinho; às
16h, painel “As Atuais Mudanças Processuais e suas Aplicabilidades
no Direito do Trabalho”, com Antônio Fabrício, Marcos
de Oliveira Cavalcante e Marcelo Moura; às 17h, conferência “Constitucionalismo
Solidário”, por Jorge Souto Maior; às 18h, lançamento
do livro do professor Leonardo Rabello; e, em seguida, será realizada
Assembléia da Abrat para eleição da nova diretoria
da entidade. No dia 18, às 10h, painel “Conseqüências
da Modernização no Direito do Trabalho”, com Leonardo
Rabello, Sayonara Grilo Coutinho e Luís Carlos Moro; às
11h30, a posse da nova diretoria da Abrat; e, finalmente, às
12h, conferência de encerramento sobre “O Judiciário
Trabalhista”, pelo ministro do TST Jose Luciano de Castilho Pereira.
Aposentadoria e multa do FGTS
(1) O TST cancelou a Orientação Jurisprudencial
n.º 177 que admitia a extinção do contrato de trabalho
face a aposentadoria do empregado, possibilitando o julgamento favorável
ao recebimento da multa de 40% do FGTS sobre o montante depositado no
caso de despedida do trabalhador-aposentado. Das seis turmas do TST,
quatro delas já decidiram favoravelmente em processos que retornaram
do Supremo Tribunal Federal. A Comissão de Jurisprudência
do TST deverá fixar nova Orientação Jurisprudencial
sobre a matéria até fevereiro, restando a decisão
caso a caso até esta definição sumulada.
(2) A 4.ª Turma do TST, em julgamento recente
(RR 616084/1999), decidiu, com base na Lei n.º 5.107/66 que, ainda
que o contrato seja único, a multa de 40% só incide sobre
os depósitos efetuados após a aposentadoria. A 1.ª,
2.ª, 3.ª e 5.ª Turmas julgaram no sentido de que a multa
deve ser calculada com base no total dos depósitos do FGTS.
A 6.ª Turma ainda não julgou recurso que tenha retornado
do STF. Essas diferentes interpretações chegarão à SDI-1,
na forma de embargos em recurso de revista que, conforme o Regimento
Interno do TST (artigo 73), julgará esses embargos e, à medida
em que houver decisões reiteradas, proporá a edição
de Orientação Jurisprudencial.
(3) A 1.ª Turma do TST, relator ministro João
Oreste Dalazen, condenou ao pagamento da multa de 40% do FGTS sobre
os depósitos de todo o período do contrato de emprego
a um trabalhador que, mesmo após aposentar-se voluntariamente,
permaneceu prestando serviços ao empregador. No processo, o
STF acolheu recurso que determinou ao TST reexaminar a questão.
O ministro Dalazen afirmou: “Entendo que os motivos ora declinados
revelam-se suficientes para concluir que a aposentadoria espontânea
não pode figurar como mais uma modalidade de extinção
do contrato de trabalho, nos casos em que não há solução
de continuidade na prestação de serviços. Em decorrência,
o empregado faz jus à multa de 40% do FGTS sobre os depósitos
de todo o período do contrato de emprego uno, computados o tempo
anterior e o posterior à jubilação espontânea
seguida da continuidade do labor, contanto que, ao final, opere-se
a rescisão do contrato sem justa causa”(RR 2501/2002-900-04-00.2).
(4) O advogado e conselheiro federal da OAB Nilton
Correia, após a sessão extraordinária do TST que
cancelou a OJ 177, informou que haverá resistência de
vários ministros daquela Corte em aplicar a decisão do
STF no que se refere aos efeitos do pagamento da multa do FGTS: “vale
dizer que esse tema ainda vai ser debatido por muito tempo...”.
Já o advogado Luis Carlos Moro afirma que “com o fim do
desentendimento sobre a aposentadoria, ganha a lógica. Voltamos
a ter o exato entendimento do que seja a aposentadoria direito previdenciário
decorrente de liame de natureza jurídica previdenciária
entre trabalhador e compulsório instituto de seguridade social
e o júbilo volta a ser do jubilado que, pelo exercício
de um direito, não fica obstado ao exercício de outro,
que com aquele não se comunica, senão remotamente”.
O advogado José Affonso Dallegrave Neto diz “Fico feliz
com a notícia de cancelamento da malsinada OJ 177, máxime
porque em 2002 escrevi um artigo pedindo o cancelamento dela... antes
tarde do que nunca”.
(5) “Rescisória. Aposentadoria. Multa
de 40% sobre o FGTS. Cabimento. Corte rescisório rejeitado sob
o enfoque de que novo contrato passou a existir após a jubilação,
porquanto o desligamento de empresa em data posterior à concessão
da aposentadoria, assegura ao obreiro a multa de 40% do FGTS sobre
os depósitos de toda a contratualidade. Inteligência da
Lei n.º 8.213/91, art.49, b” (TRT PR 06063 2003 909 Ac.
00944/2004, DJPR 23.01.2004, relator juiz Luiz Eduardo Gunther).
Indenização por dano moral
A 1.ª Turma do TRT-MG confirmou a indenização por dano moral
no valor de R$ 75 mil, deferida ao reclamante, vítima de processo degenerativo
da coluna vertebral, que teve o seu quadro consideravelmente agravado pela
presença de riscos ergonômicos no local de trabalho, levando-o à aposentadoria
precoce. Após a crise dolorosa de hérnia de disco sofrida durante
o trabalho, que levou à emissão do CAT pela empresa, o reclamante
ficou dez meses afastado pelo INSS e não voltou mais a trabalhar. O
juiz relator, Manuel Cândido Rodrigues, acatou as conclusões da
perícia técnica, que apontou para o nexo causal entre a incapacidade
e o trabalho desenvolvido para a reclamada. A lombalgia diagnosticada foi caracterizada
pelo perito como “doença do Grupo III de Shiling, onde o trabalho
constitui fator desencadeante ou agravante da patologia pré existente”.
A 1.ª Turma concluiu pela existência de culpa da empresa, ao negligenciar
os cuidados necessários com a segurança e saúde dos seus
empregados. Segundo o relator, “o empregador, por força do contrato
que estabelece com seu empregado, obriga-se a proporcionar-lhe condições
plenas de trabalho, inserindo-se nestas as relativas a segurança. Se
não o faz, incorre em culpa grave, devendo reparar o dano, nos termos
dos artigos 186 e 927 do Código Civil”. Foi deferida ainda ao
reclamante indenização por danos materiais na forma de uma pensão
equivalente ao valor do salário, a ser pago a partir desde o mês
em que se acidentou até o dia em que completar 70 anos de idade. (RO
n.º 01260-2005-099-03-00-1-com informações do TRT-MG).
Anote
A OIT abriu prazo para indicações ao primeiro “Prêmio
Pesquisa sobre Trabalho Decente”, a ser concedido a pessoa por sua destacada
contribuição ao avanço no conhecimento sobre o objetivo
central da OIT de trabalho decente para todos *** O STF iniciou o julgamento
do mandado de injunção 721 referente ao direito à aposentadoria
especial por exercício de atividade considera insalubre ainda não
regulamentada *** A China está elaborando lei para dar mais liberdade
e poder às entidades sindicais de trabalhadores, hoje funcionando vinculadas
ao Estado, visando negociar contratos coletivos de trabalho *** A DRT-PR registrou,
até o mês de setembro, mais de 22 mil trabalhadores sob ação
fiscal em 11.802 empresas, segundo informação do Delegado do
Trabalho Geraldo Serathiuk *** A 21.ª Vara do Trabalho de Brasília
concedeu liminar requerida pela CNTI suspendendo o registro da Confederação
Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Têxtil, Vestuário,
Couro e Calçados *** O Seminário Estadual de Relações
do Trabalho, debatendo políticas públicas de trabalho, emprego
e renda, será realizado dia 7 de novembro no Instituto Brasileiro de
Qualidade e Produtividade (informações 32642246).
Globalização
“ Apesar da promessa de que uma globalização bem administrada
melhoraria a vida de todos, o lado não apregoado da globalização
ao estilo americano é que ela está deixando muitos em situação
pior nos países industriais avançados. Isto tem acontecido mesmo
quando aumenta o crescimento econômico porque a globalização
exerce uma intensa pressão para a redução dos salários
dos trabalhadores não especializados e menos especializados da força
de trabalho” (Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia-2001, em
Cepat Informa, outubro 2006).
O fim da política
“ Portanto, não é o fim da política que estamos presenciando,
mas o seu recomeço. Insisto, não é o fim da política
que estamos assistindo, mas à sua recomposição democrática
num plano superior. Neste, aqueles que não votavam em Lula porque identificavam
nele um igual a si (incapaz), agora votam em Lula porque o julgam um igual a
si (muito capaz). Só isso bastaria para justificar sua reeleição” (Tarso
Genro, “O fim da política”, em “Trabalho em Revista”,
outubro, 2006).
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
06/11/2006
TST extingue processo movido por trabalhadores
terceirizados
A Seção Especializada em
Dissídios Individuais – 2 (SDI-2) do Tribunal Superior do
Trabalho determinou a extinção de processo judicial movido
por um grupo de terceirizados que pretendia desconstituir um acordo firmado,
em juízo, entre o Ibama e o Ministério Público do
Trabalho (MPT) da 10ª Região (Distrito Federal e Tocantins).
Conforme o voto do ministro Emmanoel Pereira (relator), a SDI-2 extinguiu
a causa que lhe foi submetida na forma de um recurso ordinário
em ação rescisória, cujos autores foram considerados
como partes ilegítimas para propor a ação.
A controvérsia teve origem após
a homologação de acordo entre o órgão público
e o MPT no curso de ação civil pública que tramitou
na 15ª Vara do Trabalho de Brasília. As partes firmaram,
dentre outras cláusulas, a contratação de pessoal
pelo Ibama mediante concurso público para a execução
de projetos de cooperação técnica internacional
(cláusula 4ª, letra “b”). Assim, excluiu-se a
possibilidade de aproveitamento de mão-de-obra contratada por
organismos internacionais.
Como conseqüência do acordo,
um grupo que prestava serviços ao Ibama, por meio do Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), foi desligado
a partir de 1º de janeiro de 2004. Decidiram pelo ajuizamento de
ação rescisória contra a homologação
do acordo, o que, segundo eles, representava o único meio possível
para a desconstituição do acerto. Também afirmaram
que a relação jurídica mantida entre eles e a União
foi diretamente afetada pelo acordo.
A causa formulada pelos trabalhadores,
contudo, não ultrapassou uma das etapas iniciais exigidas para
seu julgamento: a demonstração da legitimidade ativa das
partes, ou seja, a possibilidade dos autores, como legítimos interessados,
promoverem a ação judicial. O exame do TST sobre o recurso
ordinário em ação rescisória depende do preenchimento
desse requisito, o que não foi alcançado pelos terceiros.
Emmanoel Pereira esclareceu, em seu voto,
que o artigo 487 do Código de Processo Civil (CPC) relaciona as
partes que detém legitimidade ativa para propor a ação
rescisória: quem foi parte no processo, o sucessor, o Ministério
Público e o terceiro juridicamente interessado. Sobre esses últimos,
o relator frisou a distinção entre “terceiros com
razões jurídicas” e “terceiros que possuem
interesses meramente econômicos”.
“Somente em relação
aos primeiros a lei processual confere legitimidade para a propositura
da ação rescisória”, observou Emmanoel Pereira,
ao apontar a inviabilidade da iniciativa judicial dos trabalhadores.
O relator destacou que os efeitos do acordo
judicial “em nada repercutiu na esfera jurídica dos autores
da rescisória”, uma vez que os termos firmados entre o Ministério
Público do Trabalho e o Ibama (representado pela União)
foi o de não mais permitir a contratação de empregados
sem a realização de concurso público.
“Os trabalhadores, além
de não terem figurado como parte na ação civil
pública cuja decisão visam rescindir, também não
ostentam a condição de terceiros juridicamente interessados
de modo a legitimar sua atuação conforme o artigo 487
do Código de Processo Civil”, concluiu Emmanoel Pereira.
(ROAR 224/2004-000-10-00.9)
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06/11/2006
Ex-sócio é responsabilizado
por débitos de empresa
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão do do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (São Paulo), que determinou o bloqueio
de conta corrente de ex-sócio da empresa Master Planejamento e
Comércio Ltda. A decisão baseou-se no “princípio
da desconsideração da personalidade jurídica” e
responsabilizou o ex-sócio pelo débito trabalhista da empresa
(artigo 50 do Novo Código Civil).
O “princípio da desconsideração
da personalidade ou pessoa jurídica” permite a penhora de
bens pessoais de sócios e de administradores de uma sociedade,
quando não há êxito na execução da
pessoa jurídica. Segundo a relatora do recurso no TST, a juíza
convocada Perpétua Wanderley, “a penhora decorreu da responsabilidade
que lhe foi reconhecida em razão da condição de
sócio durante a tramitação da ação
trabalhista”.
A participação do ex-sócio
na empresa ocorreu no período de julho de 1996 a março
de 1997. Em sua defesa, ele afirmou que não poderia ser responsabilizado
pelos débitos da empresa, após o seu desligamento da sociedade,
e que o bloqueio de sua conta-corrente configure propriedade alegando
ofensa ao direito de propriedade e ao princípio da legalidade,
contidos nos incisos II e XXII, artigo 5º, da Constituição
Federal.
A juíza Perpétua Wanderley
afirmou que não houve ofensa à Constituição. “Os
sócios admitidos na sociedade declararam expressamente que assumiram
todo o ativo e o eventual passivo da sociedade, como impostos, taxas
e débitos trabalhistas”. E ainda, a interpretação
da cláusula contratual, do novo Código Civil e do Código
de Defesa do Consumidor não caracterizaram violação à legislação.
“A questão delineada pela
aplicação da cláusula do contrato social por força
da qual, no momento do ingresso na sociedade, o sócio admitido
reconhecera a responsabilidade pelos débitos existentes e pelo
andamento da ação trabalhista por ocasião da retirada,
determinou a aplicação do princípio da desconsideração
da pessoa jurídica constitui tema de natureza infraconstitucional,
de cujo exame depende a ofensa ao artigo 5º, incisos II e XXII,
da Constituição da República”, concluiu Perpétua
Wanderlei.
Em decisões anteriores, os
ministros do TST ressaltaram que a medida deve ser aplicada apenas
em condições excepcionais. A possibilidade de penhora
dos bens pessoais de sócios está prevista no artigo 50
do novo Código Civil, que diz que “em caso de abuso da
personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade,
ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento
da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber
intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas obrigações
sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios
da pessoa jurídica.” (AIRR 339/2004-302-02-40.9)
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06/11/2006
TST admite indenização substitutiva
da reintegração
O pedido de indenização
substitutiva da reintegração é possível,
mesmo que a reclamação trabalhista tenha sido ajuizada
após o período de estabilidade, porém dentro do
biênio previsto no artigo 7º, XXIX, da Constituição
Federal.
A decisão é da Sexta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, em conformidade com o voto do ministro
Horácio Senna Pires. Segundo ele, a ação ajuizada
após o término da estabilidade não tem o condão
de inverter a ordem de valores, fazendo presumir a má-fé empregado.
O empregado foi contratado pela empresa
Mecânica Kennedy Ltda, situada em Colatina (ES), para trabalhar
como “jateador” em setembro de 1991, com salário de
CR$ 42.000,00.
Em 9 de outubro de 1996, quando recebia
salário de R$ 311,78, ele sofreu um acidente de trabalho, permanecendo
em licença médica até 31 de janeiro de 1997. No
dia 14 de novembro do 1997, quando chegou para trabalhar, foi avisado
que estava sendo demitido, sem justa causa.
Em 30 de abril de 1999, o empregado ajuizou
reclamação trabalhista pleiteando os benefícios
da estabilidade a que teria direito, até o dia 31 de janeiro de
1998.
A empresa, em contestação,
alegou que o empregado deveria ter buscado a reintegração
ao emprego, conforme previsto no artigo 118 da Lei n° 8.213/91, e
não simplesmente ter pedido indenização, passados
16 meses da data de sua dispensa. Alegou, ainda, que a despedida no prazo
da estabilidade não trouxe prejuízos ao autor da ação,
pois ele recebeu cinco parcelas do seguro-desemprego.
A então Junta de Conciliação
e Julgamento de Colatina declarou nula a dispensa, assegurando ao empregado
o pagamento de todas as garantias até a data em que terminaria
o período estabilitário. Insatisfeita, a empresa recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (Espírito
Santo), que manteve a decisão.
A ação chegou ao TST por
meio de recurso de revista. O ministro Horácio Pires, considerou
inalterável a decisão do TRT/ES. Segundo ele, se a ação
trabalhista foi proposta dentro do biênio prescricional, prazo
que, além de tudo, é constitucional, não há que
se penalizar o empregado por isso, ainda que já exaurido o período
de estabilidade previsto no artigo 118 da Lei 8.213/91.
“Deve ser considerado que, não
raro, a tramitação das ações trabalhistas
excedem o prazo de estabilidade e, mais ainda, não existe lei
que imponha ao empregado o ônus de ajuizar a ação
antes de terminado o período de estabilidade a que entende ter
direito”, destacou o ministro. “E mais, não se pode
olvidar o caráter sancionador da medida. Se o empregador, violando
a garantia, despede o empregado estabilizado, a sanção é a
reintegração ou a indenização supletiva,
como foi assegurada”.(RR-777.966/01.4)

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