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Diário Vermelho,
8 de novembro de 2006
Quem quer a reforma da Previdência
Social?
Neste primeiro artigo sobre o conceito de
reforma da Previdência Social, o tema é abordado como
o centro da política econômica conservadora que ganhou
força no Brasil nos últimos anos
Por Osvaldo Bertolino
“Quase tive um ataque quando li
aquilo! Estou histérica.'' Assim a economista Maria da Conceição
Tavares resumiu seus sentimentos em relação ao documento “Política
Econômica e Reformas Estruturais”, divulgado pelo Ministério
da Fazenda no dia 10 de abril de 2003. Embora assinado pelo então
ministro Fazenda, Antônio Palocci, a economista, em entrevista
ao jornal Folha de S.Paulo, preferiu atribuí-lo ao secretário
de Política Econômica, Marcos Lisboa. Ex-aluno seu, Lisboa
foi definido por Maria da Conceição Tavares como ''um
bom menino que adorava fazer modelos matemáticos e adora até hoje''.
A economista é um símbolo
do pensamento econômico progressista. Lisboa, um economista neoliberal,
era diretor de ensino de pós-graduação da Fundação
Getulio Vargas (FGV) antes de assumir seu posto no governo. Ele não
partilha das idéias de sua antiga professora na Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A bronca de Maria da Conceição
Tavares verbalizou o desconforto que os conselheiros de Palocci causavam.
Curiosamente, Palocci assinou a introdução de um documento
denominado “Ruptura Necessária”, aprovado em dezembro
de 2001 no 12° Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT),
para servir de base ao programa de governo do então candidato
Luiz Inácio Lula da Silva.
Idade mínima
Nesse documento está o pensamento econômico clássico progressista,
assim como no texto mais amplo intitulado “Um Outro Brasil É Possível”,
publicado pelo Instituto Cidadania, a ONG de Lula, em meados de 2001. Para
o documento da dupla Lisboa-Palocci, no entanto, o governo deveria reconhecer
que o Estado brasileiro gasta muito e mal. Segundo eles, a maior parte do dinheiro
público não vai para os pobres. Ao contrário, com freqüência
vai para os mais ricos, como no caso dos recursos da Previdência Social.
Daí a necessidade de cobrar contribuição dos inativos
e promover mais restrições às concessões de benefícios.
Essa era a única saída que a área econômica do governo
aceitava para o ''déficit'' da Previdência Social.
O governo se livrou de Palocci — ufa! —, mas não se livrou
dessa idéia. Nesta semana, o noticiário econômico disse
que ganha força no governo a proposta de “especialistas” em
defesa da aposentadoria por tempo de contribuição com base na
idade mínima de 55 anos (para mulheres) e 60 (para homens). Ou ainda
63 (para elas) e 65 (para eles). Hoje, independente da idade, mulheres podem
se aposentar com 30 anos de contribuição à Previdência
e homens, com 35. Para professoras, a aposentadoria pode ser pedida com 25
anos de contribuição. Já os professores têm o mesmo
direito com 30 anos de Previdência — exceto os universitários.
Fator previdenciário
Os neoliberais defendem também alterações no fator previdenciário,
usado para calcular a renda, considerando o tempo de contribuição
ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e a idade de cada um, além
da expectativa de vida nacional, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatísticas (IBGE). O ministro da Previdência, Nelson Machado,
defendeu a idéia. ''Acho que teremos de discutir uma coisa ou outra:
se for para eliminar o fator previdenciário, é preciso impor
a idade mínima'', disse o ministro, em entrevista ao jornal Agora, de
São Paulo.
Nelson Machado afirmou que o governo começará a discutir esses
assuntos em 2007. O fator foi criado há sete anos para regular a aposentadoria
de acordo com a expectativa de vida dos trabalhadores — quanto mais cedo
se aposentam menor o valor do benefício. Essa tese é defendida
pelo economista neoliberal Fábio Giambiagi, autor do recém-lançado
livro Reforma da Previdência.
Os neoliberais também defendem a desvinculação do aumento
do salário mínimo do reajuste de 16 milhões de benefícios
regulados pelo mesmo valor do piso nacional. Eles sugerem o fim dessa equiparação.
Em pouco tempo, haveria aposentados ganhando abaixo do mínimo de recolhimentos
para a Previdência. Eles discutem ainda as mudanças nas aposentadorias
rurais por idade, totalmente subsidiadas pelo INSS, concedidas a quem tem 55
anos (mulher) ou 60 (homem). A idéia seria reduzir esse ''privilégio''
em relação ao trabalhador urbano.
Aspecto conceitual
O problema é apresentado como um Titanic, o coração do
déficit público brasileiro. O mantra foi formulado na “era
FHC”. ''A grande fragilidade do Real foi a ausência de um ajuste
fiscal profundo desde o início'', diz o economista Edmar Bacha, associado
ao banco BBA e um dos integrantes do grupo que se reuniu, sob o comando do
então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), André Lara Resende, para estudar o “problema” da
Previdência. Era uma imposição do acordo com o Fundo Monetário
Internacional (FMI). ''Se o governo não conseguir resultados profundos
nesse campo, só há duas soluções possíveis:
calote na dívida ou volta da inflação, que, aliás, é um
tipo de calote'', diz Bacha. Para ele, trata-se de um jogo de matar ou morrer.
A questão é saber quem mata e quem morre.
Um primeiro aspecto do problema é puramente conceitual. O que é uma
contribuição previdenciária? É um seguro que as
pessoas pagam ao longo da vida pelo ''risco'' de sobreviverem após seu
período no mercado de trabalho. O benefício deveria ser calculado
levando-se em conta o desenvolvimento econômico do país e o volume
de renda gerado durante o período em que o trabalhador esteve na ativa. É um
conceito social. Mas, para o pensamento neoliberal, a contribuição
previdenciária deve ser um conceito de ''mercado'', como se o trabalhador
fosse um acionista de uma empresa. A diferença, básica e fundamental, é que
um produz valor e recebe pouco, e outro não produz valor e recebe muito.
Aí entra o papel do Tesouro nacional, assunto que será tratado
no próximo artigo.
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Nova Central,
8 de novembro de 2006
Supersimples volta à pauta de votações
do Senado
O Senado retomou ontem, 07/11, as votações no Plenário.
Foi agendada a apreciação do Estatuto Nacional da Microempresa
e da Empresa de Pequeno Porte (PLC 100/06 - Complementar), também
conhecido como "Supersimples", e de quatro medidas provisórias.
O projeto de lei que cria o "Supersimples" foi apontado pelo
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), como matéria
prioritária na pauta de votações. O conteúdo
do projeto enfrenta resistência de aprovação tanto
por parte dos empresários quanto pelos assalariados, que temem
com sua aprovação a flexibilização de direitos
trabalhistas e previdenciários.
O texto, aprovado na Câmara e pronto para ser votado no Senado,
ao reunir em um único diploma legal as obrigações
tributárias, trabalhistas e previdenciárias, além
do acesso a crédito e ao mercado para as microempresas empresas
de pequeno porte, extrapola seu objetivo inicial que é o de instituir
um regime único de arrecadação de impostos e contribuições
da União, dos Estados e do Distrito, o que representa graves ameaças
aos trabalhadores.
Flexibilização
Entre as ameaças, destacamos alterações na legislação
previdenciária e, principalmente, a simplificação
das relações de trabalho com a instituição
de regras que flexibilizam a fiscalização do trabalho,
o reconhecimento pleno dos acordos celebrados no âmbito das comissões
de conciliação prévia e a redução
dos depósitos prévios para interposição de
recurso na Justiça do Trabalho.
Para as empresas, a proposição promove a dispensa da afixação
de quadro de trabalho em suas dependências; da anotação
de férias dos empregados nos livros e fichas de registro; da posse
de livro de “inspeção de trabalho”; e de comunicar
ao Ministério do Trabalho a concessão de férias
coletivas.
Medidas Provisórias
Antes do Supersimples, os senadores deverão apreciar quatro medidas
provisórias que aguardam leitura em Plenário. Chamamos
atenção para a MP 312/06, que prorroga para 2008 o prazo
para os trabalhadores rurais vinculados ao extinto Fundo de Assistência
ao Trabalhador Rural (Funrural) requererem aposentadoria por idade.
As outras três MP´s, de nºs 310, 311 e 313, abrem créditos
extraordinários em favor, respectivamente, da Empresa Brasileira
de Hemoderivados e Biotecnologia (R$ 14,87 milhões); dos Ministérios
da Justiça e da Integração Nacional (R$ 208 milhões);
e do Ministério da Integração Nacional em favor
das vítimas da estiagem na Região Sul (R$ 10 milhões).
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ESTADÃO.COM
/ SÃO PAULO, 08 de novembro de 2006 | Nacional
Lei das Pequenas Empresas entra em vigor em julho de 2007
Governo e Estados entraram em acordo para adiar
o início da lei,
por não haver "condições técnicas" de
implementar o imposto único nacional para as empresas FABIO GRANER
BRASÍLIA - O relator do projeto de lei complementar que define
a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (que cria o Super Simples),
senador Luiz Otávio (PMDB-PA), informou nesta terça-feira
que o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz, órgão
que reúne as secretarias estaduais de Fazenda) e o Ministério
da Fazenda entraram em acordo para que o início da vigência
desta lei seja adiado de 1º de janeiro de 2007 para 1º de julho
do mesmo ano.
Segundo ele, na reunião realizada na sede do Ministério
da Fazenda, os representantes do Confaz afirmaram que não tinham "condições
técnicas" de implementar o Super Simples, o imposto único
nacional para as micro e pequenas empresas, em tão pouco espaço
de tempo, sobretudo por conta da dificuldade de fazer a partilha dos
recursos arrecadados. Por conta disso, de acordo com Otávio, os
Estados pleitearam que o início da Lei Geral, que pode ser votada
ainda nesta terça pelos senadores, fosse adiado para 2008.
A Fazenda não concordou, mas, pelo fato de a Receita Federal
também ver dificuldades técnicas para implementar o sistema único
de cobrança em cerca de 60 dias, topou adiar a data inicial para
julho de 2007. O acordo, entretanto, precisa ser aceito pelos senadores,
a quem cabe votar o projeto.
Se a data de vigência da lei for alterada, a matéria volta
para a Câmara dos Deputados, atrasando ainda mais sua tramitação.
Otávio não sabe dizer se os senadores vão abraçar
a decisão. "Isso vai depender da reunião de líderes
que vai ser realizada nesta tarde", disse o senador, lembrando que
havia consenso na Casa para aprovar a matéria e que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva também quer a votação
do texto.
Se os senadores não mudarem o texto, os Estados e o governo federal
vão ter que se adaptar mesmo com o prazo considerado exíguo.
Ele admitiu que o adiamento, se levado a cabo, vai atrapalhar as empresas. "Vai
prejudicar as empresas que perderão um semestre sob o novo sistema",
afirmou. O acordo entre Fazenda e Estados é uma reviravolta na
tramitação da Lei Geral. Quando entrou para a reunião
no ministério, Otávio informou à imprensa que a
reunião tinha apenas o objetivo de "fazer alguns ajustes
de redação", que não mudariam o conteúdo
do texto.
Entre esses ajustes está a correção da composição
de algumas alíquotas das faixas de enquadramento do Simples, cujos
tributos somados dão mais do que a alíquota definida para
a faixa. O problema ocorre, por exemplo, na faixa de empresas com até R$
120 mil de faturamento, que vão pagar 4% de imposto. Mas os tributos
que compõem a faixa somados dão 4,19%.
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Folha
de São Paulo, 8 de novembro de 2006
Lula diz que errou na relação
com Congresso
Para presidente, relação distante
com Legislativo no primeiro mandato prejuticou aprovação
de projetos prioritários do governo
Ao líder do PTB na Câmara, deputado
José Múcio, Lula promete ter ao menos uma reunião
mensal com líderes partidários a partir de 2007
EDUARDO SCOLESE, PEDRO DIAS LEITE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em um dia de intensas articulações
políticas no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva admitiu ontem que errou em sua relação
com o Congresso nos últimos quatro anos e afirmou que nenhum
dos ex-ministros que deixaram o governo para se candidatar terão
vaga no primeiro escalão do segundo mandato petista. Em conversas
reservadas com integrantes de PMDB e PTB, o presidente disse que nos
primeiros quatro anos de gestão se manteve distante do Legislativo,
o que prejudicou o governo na aprovação de projetos prioritários
e também nas investidas para barrar investigações
em CPIs, por exemplo.
Ao admitir tais falhas, Lula prometeu
que num segundo mandato a relação com o Congresso será diferente.
Ao líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio
(PE), Lula prometeu que, a partir de 2007, fará pelo menos uma
reunião mensal com líderes do Congresso, incluindo, se
necessário, os oposicionistas. O Planalto confirmou a idéia.
No encontro com o petebista, Lula usou termos como "diminuir a
distância" e "estreitar" o caminho entre Executivo
e Legislativo.
Ontem, Lula deu início oficialmente
a conversas com representantes de outros partidos para a montagem da
base aliada no Congresso e às costuras para a formação
da equipe ministerial do segundo governo. O ministro Tarso Genro (Relações
Institucionais), responsável pela articulação
política do governo, está de licença para descansar
por 10 dias. Além de Múcio, passaram pelo Planalto o
governador reeleito do Paraná, Roberto Requião (PMDB),
e o senador paraibano José Maranhão (PMDB), derrotado
na disputa pelo governo do Estado. As negociações devem
prosseguir pelas próximas semanas ainda.
Nas conversas, segundo a Folha apurou,
Lula mostrou-se decidido em não trazer de volta à Esplanada
aqueles que deixaram o cargo, no final de março passado, para
disputar as eleições em seus Estados, como José Fritsch
(PT-SC), Miguel Rossetto (PT-RS), Saraiva Felipe (PMDB-MG) e Agnelo
Queiroz (PC do B-DF). A um interlocutor ouvido ontem pela reportagem,
Lula disse que quem deixou o governo para disputar as eleições
não volta mais. A única exceção deve ser
Ciro Gomes (PSB), deputado federal eleito no Ceará, ex-ministro
da Integração Nacional e que aparece como cotado para
a Saúde.
Sobre a escolha de sua nova equipe de
ministros, Lula foi além. Disse que montará uma equipe
que tenha capacidade administrativa, deixando em segundo plano petistas
e candidatos derrotados nos Estados. Nos mesmos contatos políticos,
Lula foi pragmático, ao tratar da necessidade de uma ampla base
de apoio no Congresso. Segundo o líder petebista na Câmara,
o presidente foi direto ao assunto, ao afirmar que precisa dos votos
da legenda para apoiar projetos do governo. O PTB respondeu positivamente
ao presidente. "Vamos ajudar na governabilidade", disse Múcio,
ao ser questionado sobre o fato de o presidente da sigla, o deputado
cassado Roberto Jefferson, ser contrário ao apoio do PTB ao
segundo mandato.
Alma lavada
Ontem, tanto nas conversas políticas
como em contatos com auxiliares diretos, Lula repetiu estar de "alma
lavada" por conta do recado que deu um dia antes aos banqueiros
em evento promovido em São Paulo pela revista "Carta Capital".
Segundo a Folha apurou, Lula avalia que, entre os banqueiros, houve
aqueles que se mobilizaram em prol do tucano Geraldo Alckmin.
No discurso de anteontem à noite,
diante de representantes da instituições financeiras,
Lula disse que "com o mesmo carinho que olha para um [Jorge]
Gerdau e o chama de companheiro, esse presidente da República
tem coragem de olhar para um Roberto Setubal [Itaú] e chamá-lo
de companheiro".
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Folha
de São
Paulo, 8 de novembro de 2006
Produção industrial recua e provoca revisão
do PIB
Com fraco desempenho do setor, projeção de crescimento agora é de
no máximo 3%
Efeitos do câmbio e greve em montadoras afetaram resultados do
segmento em setembro, após dois meses de expansão, aponta
IBGE
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Depois de dois meses consecutivos de expansão (0,7% em julho
e agosto), a indústria pisou no freio em setembro, e a produção
caiu 1,4% em relação ao mês anterior na comparação
livre de influências sazonais. Trata-se da maior retração
desde julho de 2005 --2,8%. No terceiro trimestre, houve expansão
de 0,4% ante o segundo trimestre. Foi a quarta taxa positiva seguida
nesse tipo de comparação. Em relação ao terceiro
trimestre de 2005, o incremento foi de 2,7%, na 12ª variação
positiva consecutiva.
O fraco desempenho da indústria no período fez economistas
revisarem para baixo suas projeções para o PIB (Produto
Interno Bruto) deste ano. As expectativas apontam para uma expansão
de 2,8% a 3%. "Os 3% passaram a ser o teto diante do resultado ruim
do terceiro trimestre", disse Solange Srour, economista-chefe da
Mellon Global Investments.
Segundo o IBGE, a intensidade da queda foi determinada
por greves em montadoras, que levaram a uma retração de 9,3% na produção
do ramo de veículos automotores. Dos 23 ramos pesquisados, 12
registraram queda de agosto para setembro. Outros destaques negativos
foram: fumo (-26,6%), produtos químicos (-3,2%) e outros equipamentos
de transporte (-11,8%).
Por trás do baixo nível de atividade, porém, também
há o câmbio. Percebe-se seu reflexo negativo especialmente
na categoria de bens de consumo duráveis, cuja produção
caiu 4,4% em setembro e 1,7% no terceiro trimestre. "Em setembro
repete-se o patamar de que a indústria fica num sobe-e-desce.
A diferença é que o saldo desses movimentos vinha mostrando
tendência de suave crescimento. Com o recuo de setembro, vê-se
clara estabilidade", disse Sílvio Sales, chefe da Coordenação
de Indústria do IBGE.
Na avaliação de Sales, o melhor desempenho relativo do
comércio e taxas maiores de expansão de importações
do que de exportações revelam o impacto negativo do câmbio
sobre a atividade industrial. "Além da greve de setembro,
há um conjunto de fatores. Parte da explicação se
deve à perda de ritmo das exportações de duráveis,
principalmente da indústria automobilística. Outro fator é a
chegada de bens importados, principalmente entre os eletroeletrônicos,
e o fato de que o segmento de duráveis nos últimos três
anos acumula crescimento de 44% [de janeiro de 2004 a setembro de 2006]."
Em setembro, houve greve em três montadoras: Volkswagen/Audi,
Renault e Volvo. Naquele mês, as vendas de veículos recuaram
9,3%, de acordo com a Anfavea. Solange Srour, da Mellon, diz que fica
nítido que as vendas do varejo estão sendo supridas pelo
mercado externo, quando são observados os dados de importações,
o que explica o descompasso entre o consumo e a produção.
De janeiro a setembro, as importações, em volume, subiram
14,6%. Já as exportações, aumentaram apenas 3,7%.
No caso dos bens duráveis, houve incremento de 79,8% no volume
importado.
Aparente contradição
Divulgadas ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria),
as vendas reais do setor cresceram 1,82% em setembro na comparação
ajustada sazonalmente com agosto. Apesar da aparente contradição
com a produção, o crescimento das vendas revela um ajustamento
de estoques, o que abre espaço para aumento futuro de produção,
diz Sales, do IBGE. Em setembro, o desempenho dos bens de capital também
decepcionou. A queda de 2,1% praticamente "devolveu" o crescimento
de 2,8% registrado no mês de agosto.

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Folha de São Paulo,
8 de novembro de 2006
Brasil é o pior em ranking
mundial de impostos
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
O Brasil aparece no último lugar
em ranking divulgado ontem pelo Banco Mundial sobre o tempo gasto pelas
empresas para manter em dia suas obrigações tributárias.
Segundo o relatório, as empresas brasileiras consomem, em média,
2.600 horas cuidando do emaranhado tributário do país.
O penúltimo colocado do ranking de 175 países é a
Ucrânia, com 2.185 horas gastas anualmente. Entre os que têm
sistemas de tributação mais simples, destacam-se os Emirados Árabes
(12 horas) e Cingapura (30 horas).
O relatório do Banco Mundial foi
realizado em conjunto com a empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers,
que forneceu os dados relativos aos sistemas tributários dos países
e a respeito de como as empresas lidam com eles no dia-a-dia. Na captação
dos resultados, houve entrevistas diretas com os administradores das
empresas que compõem a amostra da pesquisa. Na lista de 175 países,
o Brasil também aparece como um dos locais onde as empresas mais
pagam impostos como proporção do lucro líquido que
obtêm nas suas operações comerciais.
Segundo o relatório, na média,
as empresas brasileiras pagam o equivalente a 71% do total do seu lucro
líquido anual em impostos. A divisão é a seguinte:
22,4% em impostos diretos, 42,1% em tributos relativos à mão-de-obra
e 7,2% em outras taxas e contribuições. O Banco Mundial
salienta que a América Latina figura entre as regiões onde
prevalecem os sistemas tributários mais complexos. Uma das exceções é o
Chile, onde a carga de impostos equivale a apenas 26% do total do lucro
líquido aferido pelas empresas.
Estudo realizado pelo IBPT (Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário) estimou que as empresas
brasileiras gastam cerca de R$ 20 bilhões ao ano para cumprir
a burocracia exigida pelas autoridades fiscais no pagamento de mais de
60 impostos, taxas e contribuições a União, Estados
e municípios, um "caos tributário". A emergente
China, por exemplo, tem apenas 25 impostos e uma carga tributária
equivalente a cerca de 17% do PIB (Produto Interno Bruto), contra cerca
de 38% no Brasil, segundo o IBPT.
Atualmente, vigoram no Brasil cerca
de 3.000 normas tributárias, que são atualizadas ao ritmo
de 300 modificações anuais. Segundo a OAB (Ordem dos
Advogados do Brasil), o segmento de planejamento tributário é o
que mais cresce e gera empregos hoje no país na área
do direito. A pesquisa do Banco Mundial demonstrou, no entanto, que
mais elevados ou em níveis menores, os impostos são os
grandes inimigos dos empresários no mundo: 90% dos executivos
entrevistados colocam os tributos como um dos cinco maiores obstáculos
para os negócios.
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Folha de São Paulo,
8 de novembro de 2006
Recursos do FGTS terão juro
menor para construtoras
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As construtoras terão dinheiro
mais barato nos empréstimos para construção de moradias
com financiamento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
a partir do ano que vem.
A decisão, tomada ontem pelo Conselho Curador, veio acompanhada de um
aumento de R$ 1,2 bilhão no orçamento do fundo, que totalizará R$
11,2 bilhões em 2007. A partir do ano que vem, as empresas pagarão
juros de 6% ao ano acima da TR (Taxa Referencial, que corrige a caderneta de
poupança) caso queiram construir para famílias com renda de até R$
3.900 por mês. Em projetos para mutuários com renda acima desse
valor, as construtoras pagarão juros de 8% ao ano. Hoje, essas duas
linhas custam 9,39% ao ano acima da TR.
"Esse é mais um estímulo
que estamos dando para que o mercado produza habitações
novas e para uma faixa de renda onde há espaço ainda não
preenchido", explicou a secretária Nacional de Habitação,
Inês Magalhães. O governo acredita que a redução
de juros poderá chegar aos mutuários na forma de imóveis
mais baratos. Não há, no entanto, nenhuma garantia de que
isso acontecerá na prática.
O orçamento de 2007 destina R$
6,4 bilhões para a construção de moradias para famílias
com renda de até R$ 3.900, metade dos quais têm que ser
destinados a imóveis novos. Outros R$ 450 milhões estão
assegurados para a construção de moradias para quem ganha
mais de R$ 3.900 mensais.
O setor de saneamento terá garantidos
R$ 2,7 bilhões, e projetos de infra-estrutura urbana, outros
R$ 450 milhões. Além disso, o FGTS terá disponível
R$ 1,2 bilhão para subsidiar a compra de casas para famílias
com renda de até R$ 1.875 ao mês. Em 2006, o orçamento
do FGTS foi de R$ 10 bilhões, dos quais R$ 6,3 bilhões
já foram contratados.
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Folha de São Paulo,
8 de novembro de 2006
IMPOSTO DE RENDA
Consulta a lote de restituições
já está liberada
DA REPORTAGEM LOCAL
A Receita Federal libera hoje às
8h a consulta ao sexto lote de restituições do IR das pessoas
físicas. Para saber se teve o nome incluído no lote, o
contribuinte pode acessar a página da Receita na internet (receita.fazenda.gov.br)
ou ligar para o telefone 0300-789-0300. Foi liberado 1,225 milhão
de declarações, das quais 1,095 milhão com restituição,
no total de R$ 950 milhões. Outros 79,42 mil contribuintes tiveram
imposto a pagar, no valor de R$ 57,33 milhões. O dinheiro estará disponível
para saque no dia 16 deste mês e virá corrigido em 8,04%,
referentes à Selic acumulada entre maio e outubro e 1% deste mês.
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Pernambuco.com, 08 de novembro
de 2006
Pernambuco: Trabalhadores da construção
civil chegam a acordo
Trabalhadores da construção
civil do Estado voltam ao serviço nesta terça-feira (07),
após negociação que assegurou um aumento de 5% no
piso salarial da categoria e de 3,5% para quem recebe acima do mínimo.
Com isso, o menor valor de um profissional
passa de R$ 547,10 para R$ 574,20. O acordo foi fechado nesta segunda-feira
(06), que durou cerca de três horas na Delegacia Regional do
Trabalho (DRT).
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JORNAL A TARDE / BAHIA, 08
de novembro de 2006
Informalidade contribui para acidentes
na construção civil
A utilização inadequada
de equipamentos, o excesso de informalidade no setor e a negligência
de empresas e operários têm sido os principais motivos para
acidentes de trabalho na construção civil da Bahia. Um
estudo realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria
da Construção Civil e Madeira do Estado da Bahia (Sintracom)
mostra que, de janeiro de 2004 a novembro de 2006 foram registrados 163
acidentes de trabalho na construção civil da Bahia. Das
163 ocorrências, 14 tiveram vítimas fatais. “O número
de acidentes é muito maior, mas não temos acesso aos dados
em todo o Estado”, conta o presidente do Sintracom, Florisvaldo
Bispo.
Dados do sindicato apontam que as principais
ocorrências de acidentes de trabalho são queda, soterramento
e desabamento. “A maioria dos incidentes é causada por descuido
da própria empresa, que contrata funcionários inadequados
e sem treinamento. Além disso, muitas vezes falta acompanhamento
técnico de um engenheiro na obra”, diz.
A Delegacia Regional do Trabalho (DRT)
recomenda que as empresas promovam ações de prevenção
de acidentes. “A obrigação da construtora não é somente
fornecer o equipamento ao operário. Ela tem que orientar o trabalhador
e fiscalizá-lo”, afirma o chefe do setor de saúde
e segurança da DRT na Bahia, Maurício Nolasco.
De acordo com Nolasco, a empresa deve criar um ambiente de trabalho que não
ofereça riscos para o trabalhador. Caso isso não seja possível,
como na maioria dos casos na construção civil, a orientação é que
se faça uma proteção coletiva dos operários. O
terceiro passo, é a proteção individual através
de equipamentos.
O excesso de jornada de trabalho também
pode ser um fator decisivo: “Quando o funcionário trabalha
sob pressão e além da conta, é grande o risco de
uma deficiência de atenção e até auditiva.
A tendência é que ele acabe operando os equipamentos de
maneira inadequada“, diz Nolasco.
O presidente do Sindicato da Indústria
da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon), Vicente Mattos,
afirma que as empresas do ramo estão fazendo um trabalho conjunto
para diagnosticar as causas e evitar os acidentes. “Temos desenvolvido
ações em parceria com o Sesi (Serviço Social da
Indústria). Recomendamos para que as empresas façam um
trabalho diário de alerta com os trabalhadores”, diz.
De acordo com Mattos, o Sinduscon tem
feito um trabalho de prevenção e treinamento. Até agosto
de 2006, foram contempladas 162 empresas, 97 canteiros e mais de 8 mil
trabalhadores “Falhas existem dos dois lados. Mas, quando se trabalha
com um segmento de risco, como é o caso, podem acontecer fatalidades”,
afirma Mattos.
Informalidade prevalece no setor -
Apesar do setor da construção civil ser um dos mais importantes
em geração de emprego e participação no PIB,
a grande maioria dos trabalhadores atua sem carteira assinada. Um estudo
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Dieese – mostra
que, na Bahia, apenas 20,2% dos funcionários do setor são
regularizados. Cerca de 43% trabalham por conta própria, enquanto
31,6% trabalham sem carteira assinada. “A situação
se agrava por conta da alta rotatividade do segmento. Os trabalhadores
mudam de empresa constantemente e isso contribui para que o setor tenha
uma informalidade acima da média”, diz o supervisor técnico
do Dieese, Ranieri Muricy.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios – PNAD – o setor da construção
civil é um dos que mais emprega, sendo responsável por
6,5% dos ocupados no Brasil e 5,5% na Bahia. São cerca de 330
mil trabalhadores no estado, sendo metade da Região Metropolitana
de Salvador. Além disso, apenas 23% dos trabalhadores do setor
contribuem para a previdência social. “Na informalidade e
sem contribuir para a previdência, o funcionário não
tem garantias constitucionais em caso de acidente. Ele vai ter uma dificuldade
imensa para conseguir uma aposentadoria”, diz Muricy.
Para Vicente Mattos, a rotatividade é uma
característica própria do segmento da construção
civil. “O que não aceitamos é a informalidade, que é uma
prática condenável. Quando há uma contratação
formal do funcionário, o índice de acidentes é muito
menor”, argumenta.
Fiscalização deficiente -
Segundo Maurício Noscalo, a DRT conta hoje com um déficit
de fiscais na Bahia. São cerca de 130 ficais do trabalho para
cobrir os 417 municípios do estado. Além disso, são
somente 22 especializados em saúde e segurança do trabalho. “Hoje,
na Bahia, nós estamos vivenciando um acréscimo no número
de obras, principalmente me Salvador. Isso dificulta bastante o trabalho
de fiscalização, já que não contamos com
um número ideal de fiscais”, argumenta Nolasco. “A
maioria das vezes nós recebemos as informações de
acidentes do sindicato ou da própria imprensa”, diz.
O presidente do Sintracom, Florisvaldo
Bispo, admite que o trabalho do sindicato também é limitado. “Ainda
estamos muito restritos à Salvador e região metropolitana.
Temos dificuldade de registrar ocorrências do interior. A maioria
das construções é feita por pequenas empresas, que
não assinam carteira dos funcionários nem são cadastradas
junto ao sindicato patronal”, revela.
Como proceder em caso de acidente - Em
caso de acidentes com funcionários na construção
civil, o trabalhador ou família deve contactar o sindicato ou
a Delegacia Regional do Trabalho.
“Orientamos as famílias
a denunciar o caso no Ministério Público, para os processos
serem julgados e os culpados punidos”, diz o presidente do Sintracom,
Florisvaldo Bispo. Já a DRT procura instaurar um processo administrativo
para investigar o caso. De acordo com Maurício Nolasco, assim
que recebem informações sobre acidentes de trabalho,
dois auditores são encarregados para a investigação.
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EM PAUTA.NET / RIO GRANDE
DO NORTE, 08 de novembro de 2006
RN: Delegacia Regional do Trabalho
tem dado atenção redobrada junto ao setor da construção
civil
Trabalho não falta para os que
estão atuando na construção civil em Mossoró.
Com tantos empreendimentos sendo construídos e planejados, toda
a mão-de-obra disponível nessa área vem sendo utilizada
pelas empresas.
Entretanto, se por um lado vêm aumentando
as oportunidades para os que estão no setor, por outro, aumentam
também as responsabilidades no caso das empresas em relação à segurança
de todos os trabalhadores, pois maiores são os riscos de acidentes
no local de trabalho.
A Seção de Inspeção
do Trabalho (SEINT) da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) tem dado
atenção redobrada junto ao setor da construção
civil em todo o Rio Grande do Norte, diante do número de empreendimentos
de construção, que dobraram de um ano para o outro, aumentando
os riscos no que se refere à segurança e regularização
de trabalhadores.
Porém, é nas obras de pequeno
porte, conforme a Seint, onde costuma ocorrer a maioria dos acidentes,
diferentemente de empresas que já estão mais estruturadas,
porque estas contam com programas de segurança e saúde
no trabalho.
Segundo o presidente do Sindicato dos
Trabalhadores na Construção Civil de Mossoró e Região,
Ivonildo Martins Fernandes, a preocupação com a orientação
vem sendo constante junto aos trabalhadores, até porque neste
ano pelo menos quinze casos de acidentes – graves, médios
e leves – já foram registrados - um aumento significativo.
Para Ivonildo Martins, o número
de acidentes envolvendo os trabalhadores da construção
civil cresceu na mesma proporção que as oportunidades de
trabalho. No caso dos acidentes graves, a maioria se mostraram inevitáveis,
inesperados. Mas ele faz um alerta para os trabalhadores.
“A gente tem pedido que os trabalhadores
se mantenham atentos, porque a distração propicia um acidente.
A desatenção tem provocado acidentes menores, mas que retiram
os trabalhadores das obras”, ressalta Ivonildo Martins.
Empresas
Por outro lado, a responsabilidade das
empresas também vem sendo cobrada. Segundo Ivonildo Martins, as
empresas possuem técnicos de segurança do trabalho, mas
muitas não têm dado palestra orientando e relembrando os
cuidados que se precisa ter no local de trabalho, com cursos de segurança
pelo menos duas vezes ao mês.
“Isso tem servido de alerta para
que as empresas e os trabalhadores tenham cuidados. Muitas empresas deveriam
ter a cada 20 trabalhadores um técnico de segurança na
sua obra, dar curso de como evitar acidentes, fazendo aquela orientação
direta. Outras empresas não têm as comissões de prevenção
de acidentes (CIPA) que ajudam a evitar possíveis acidentes”,
ressalta ele.
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JORNAL DO COMMERCIO / MANAUS,
08 de novembro de 2006
Bom relacionamento com chefe faz trabalhador
mais feliz, aponta estudo
Todos sabem a importância de se
conviver em um ambiente de trabalho saudável. E, uma pesquisa
realizada por um jornal americano, o ‘Gallup Management Journal’,
confirmou essa teoria. O estudo apontou que um bom relacionamento com
o gestor ou chefe, aumenta a felicidade e contribui para um maior engajamento
dos trabalhadores. Quanto melhor a relação com os superiores,
mais os funcionários tendem a se comprometer com as tarefas.
O ‘Gallup Management Journal’ avaliou
trabalhadores norte-americanos para pesquisar sua percepção
de como a felicidade e o bem-estar afetam seu desempenho no trabalho.
A pesquisa foi reveladora.
Para 77% dos funcionários engajados,
os supervisores têm um papel crucial no bem-estar e no envolvimento
do funcionário. Os dados mostraram, ainda, que 45% dos trabalhadores
engajados disseram que uma boa parte de sua felicidade vem da vida profissional,
contra apenas 19% dos desengajados e 8% dos ativamente desengajados.
Tais resultados mostram uma relação direta entre a felicidade
do funcionário e o desempenho no trabalho.
O estudioso do comportamento humano e
palestrante Carlos Hilsdorf, explica como alguns atos interferem diretamente
em nossas ações e na forma como agimos e interagimos no
ambiente.
"Por felicidade no trabalho devemos
entender a obtenção frequente de momentos de prazer e alegria
dentro do universo de pressão que caracteriza o ambiente corporativo.
Nesse contexto o prazer em aprender e relacionar-se com as demais pessoas
da equipe e da empresa são fundamentais. A obtenção
deste prazer e desta alegria são resultantes de uma gestão
de pessoas inteligente, incluindo uma atenção especial
ao clima e atmosfera organizacional", argumentou.
Para Hilsdorf, um bom ambiente de trabalho
está relacionado diretamente a uma boa liderança. "Um
bom líder torna o trabalho uma fonte de prazer e de realização
profissional e pessoal, além de adaptar as práticas organizacionais às
constantes mudanças de cenário. Cabe às lideranças
o papel estratégico de estabelecer o clima e atmosfera necessária
para que ocorram as mudanças organizacionais, buscando eliminar
todas as barreiras que fortalecem a resistência à mudança,
tão característica do comportamento humano".
Empresas que compreendem as interligações
entre o estresse do trabalhador e sua saúde e bem-estar podem
ajudar seus funcionários a gerenciar o estresse e encontrar o
equilíbrio entre sua vida pessoal e profissional. Quando isto é posto
em prática, a produtividade e o comprometimento melhoram consideravelmente.
Carlos Hilsdorf é economista, conferencista
e profundo pesquisador do comportamento humano. Consultor e autor do
sucesso editorial ‘Atitudes Vencedoras’ (editora Senac SP),
que já está em sua 10ª edição e foi
eleito pela revista ‘Veja’como uma das melhores obras do
gênero.
Empresas como a Petrobras, Volkswagen,
AmBev, Fiat, Nestlé, Gerdau, Itaú, Unilever, Ford, Pepsi,
Bradesco, Volvo e outras, já utilizaram a habilidade interpessoal,
somada ao aspecto lúdico de suas palestras para a motivação
e a otimização dos relacionamentos humanos entre os seus
funcionários.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 08 de novembro de 2006 | Economia
Inflação mais alta e
indústria mais fraca mexem com mercado
Bolsa opera em queda, descolada das bolsas
de Nova York. Dólar fechou quase estável, apesar da
expectativa de entrada de moeda com anúncio de captação
SÃO PAULO - O mercado acionário
refletiu nesta terça-feira um certo pessimismo com o comportamento
da inflação e atividade industrial. Às 17h, o Ibovespa
- índice que mede o desempenho das ações mais negociadas
na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - está em baixa
de 0,68%, descolado das bolsas em Nova York que operam em alta.
Neste horário, o índice
Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas
na Bolsa de Nova York - opera em alta de 0,61% e a Nasdaq - bolsa que
negocia ações do setor de tecnologia e Internet - está em
alta de 0,86%.
No mercado cambial, os negócios
oscilam entre as pressões opostas das expectativas de fluxo positivo,
por um lado, e das atuações do Banco Central (BC) na compra,
por outro. A emissão de bônus da República em dólar
com prazo de vencimento em 2017, com o objetivo de atender o mercado
asiático e criar um papel de 10 anos, foi bem recebida, mas teve
efeito neutro nos negócios. O dólar comercial encerrou
o dia cotado a R$ 2,1380 na ponta de venda dos negócios, em leve
alta de 0,05% em relação aos últimos negócios
de ontem.
Expectativa sobre juros
A má notícia da inflação
veio do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna
(IGP-DI) de outubro, que subiu 0,81%, muito acima das estimativas entre
0,45% e 0,55%. Já a produção industrial de setembro
caiu 1,4% ante agosto (quando o mercado esperava um resultado entre -1,2%
e -0,2%) e cresceu apenas 1,3% ante setembro do ano passado (as estimativas
variavam entre uma alta de 1,4% e 3%).
A combinação negativa
entre inflação acima do esperado e atividade mais fraca
do que as previsões aumentou as dúvidas do mercado doméstico
de juros quanto a uma nova queda de 0,50 ponto porcentual na Selic,
a taxa básica de juros da economia, ao final do mês, na última
reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom). Além disso, colocam em dúvida a capacidade de
o governo acelerar o ritmo de crescimento como pretende.
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ESTADÃO.COM
/ SÃO PAULO, 08 de novembro de 2006 | Economia
Metade dos países são ´inadequados´ para
empresas
A avaliação foi feita pela consultoria
Control Risks
LONDRES - Cerca de
metade dos países do mundo - entre eles o
Brasil - não fornece um ambiente estável para a atividade
de companhias, conforme análise do estudo Control Risks 2007.
A avaliação, publicada nesta terça-feira, foi feita
pela Control Risks, uma consultoria que faz avaliações
de risco para empresas. Segundo o estudo, 96 dos 198 países analisados
(49%) foram classificados como tendo risco “médio, alto
ou extremo” para a instalação de empresas estrangeiras,
sob o ponto de vista da segurança e de estabilidade política.
O Brasil foi classificado como tendo risco "médio",
tanto politicamente quanto sob o ponto de vista da segurança.
Melhores e piores
Um país considerado “adequado” pelo estudo é aquele
com um governo politicamente estável, com instituições
fortes e níveis de crime e violência irrisórios.
Os países que figuram como tendo risco “insignificante” sob
os dois aspectos são Andorra, Finlândia, Ilhas Virgens Britânicas,
Ilhas Turks e Caicos, Islândia, Noruega, Liechtenstein e San Marino.
Segundo a Control Risk, a Somália é o país que
mais combina riscos para a implantação de negócios
no planeta. O país africano é o único considerado
como extremamente instável politicamente. Sob o ponto de vista
da segurança, a Somália também é tida como
tendo um risco extremamente alto, ao lado de Afeganistão, Burundi,
República Democrática do Congo, Costa do Marfim, Iraque,
Paquistão e Sri Lanka.
A avaliação da Somália na condição
mais hostil possível se deve ao fato de o país praticamente
não ter um governo central de fato, vivendo confrontos entre facções
diversas pelo comando do território, sem a possibilidade de dar
garantias à instalação de companhias estrangeiras
ou de seus funcionários.
Países-chave
Para a consultoria, “Estados Unidos, China e Rússia devem
enfrentar decisões fundamentais para seus ambientes de negócios
no próximo ano”. Entra as decisões apontadas pelo
relatório está uma eventual mudança na política
americana em relação à sua política para
o Oriente Médio, onde se discute uma aproximação
de Irã e Síria na busca de um equilíbrio para a
região, enquanto na China, a política de livre mercado
deve ser reavaliada pelo governo chinês, levando a uma maior “responsabilidade
social” do processo. Na Rússia, a expectativa é de
que o presidente Vladimir Putin entre no último ano de seu mandato
buscando um controle ainda maior sobre a economia, especialmente sobre
os recursos naturais.
Desafios
De acordo com o estudo, no próximo ano, problemas como fornecimento
de energia e crime transnacional devem ser desafios tão grandes
para os negócios como assuntos que conquistam mais espaço
na mídia - como ameaças terroristas e de eventuais epidemias
globais. Em relação à energia, os acontecimentos
na Rússia, Venezuela e Nigéria serão decisivos,
dada a dependência que muitos países têm em relação à produção
de petróleo dessas nações.
O crescimento do crime praticado na internet e as
infrações
de direitos intelectuais são os motivos pelos quais o Control
Risk 2007 coloca o crime transnacional como um dos principais obstáculos
a ser superado. Embora o terrorismo siga como uma ameaça concreta,
o relatório fala sobre o “impacto desproporcionado e pernicioso
[do terrorismo] sobre as decisões políticas e comerciais
no mundo”.
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CONSULTOR JURÍDICO,
08 de novembro de 2006
Menos rigor
Ação sem comprovante
de custas deve ser julgada
A Justiça não pode exigir
da parte um documento que deixou de existir em um incêndio dentro
do próprio Judiciário. O entendimento é da ministra
Rosa Maria Weber Candiota, da 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
Ela determinou o julgamento de um processo destruído no incêndio
ocorrido no prédio do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(Rio de Janeiro), em 2002.
Entre os documentos, foi perdido o comprovante
de pagamento de custas processuais. Por isso, a segunda instância
se negou a analisar o caso.
Rosa Weber considerou que “se deve
considerar a boa fé das partes, não sendo possível
delas exigir o que materialmente não existe”. A relatora
afirmou que o TRT chegou a homologar a restauração do processo
para depois exigir a peça. Assim, o que houve foi excesso de exigências,
prejudicando a parte, segundo ela.
Histórico
O processo foi movido por um funcionário
do extinto Banerj, com pedido de reconhecimento do direito às
horas extras. Em 2000, a 70ª Vara do Trabalho do Rio não
concedeu o pedido. Ele entrou com Recurso Ordinário no TRT. Porém,
em 2002, um incêndio destruiu as peças do processo. Depois
de restaurado, o TRT julgou a ação extinta. Motivo: faltava
a comprovação do pagamento das custas processuais.
De acordo com a CLT, a guia de recolhimento
de custas processuais é uma peça essencial ao exame do
Recurso Ordinário e deve ser apresentada por quem propõe
a ação. Sem ela, o processo é considerado deserto
e extinto, impedindo-o de avançar para o grau de recurso no Tribunal.
A ministra discordou da decisão
da segunda instância e afirmou que o próprio TRT declarou
regular a restauração, mesmo com a ausência do comprovante
do recolhimento das custas. A restauração dos autos de
que trata o artigo 1.066 do Código de Processo Civil foi tida
como boa e homologada pela 5ª Turma julgadora do próprio
tribunal.
Rosa Weber explicou, ainda, que se os
autos estavam no TRT fluminense quando ocorreu o incêndio, presume-se
regular o preparo, até por que não houve argüição
de deserção.
“Ora, se o próprio Tribunal
Regional julgou boa e regular a restauração efetuada, a
despeito da ausência da cópia do comprovante do recolhimento
das custas, entendo que não poderia se valer de excessivo rigor
em prejuízo do reclamante, quando do julgamento do recurso ordinário”,
afirmou. Ela acrescentou que “o incêndio ocorrido no TRT
do Rio em 2002 deve amenizar o rigor da lei neste caso”.
O Tribunal Superior do Trabalho já julgou
casos semelhantes de processos destruídos por ocasião do
incêndio no TRT do Rio de Janeiro, em 2002. Com a decisão,
a 6ª Turma do TST determinou o retorno do processo para o Tribunal
Regional do Trabalho para julgar o recurso como entender de direito.
RR 1.750/1999-070-01-00.8
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JORNAL GAZETA DO POVO, 08 de
novembro de 2006 | Economia
SALÁRIOS
Maioria dos brasileiros vai
usar o 13.º para quitar dívidas
São Paulo – Mais da metade dos brasileiros pretende usar o 13.º salário
para pagar dívidas já contraídas, informa uma pesquisa
realizada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças
Administração e Contabilidade (Anefac). O abono, geralmente, é pago
em duas partes, nos dias 30 de novembro e 20 de dezembro.
No ano passado, a pesquisa revelou que
58% dos assalariados pretendiam usar o abono para quitar os débitos
e, em 2004, a intenção foi manifestada por 60%. Este ano
está em 63%.
O coordenador da pesquisa, Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac, orienta
que o consumidor pague todas as dívidas, principalmente as que têm
encargos maiores, como cartão de crédito e cheque especial, que
podem somar juros mensais de 10,35% e 7,97%, respectivamente.
Dos entrevistados pela pesquisa, apenas
15% pretendem usar o dinheiro do 13.º para a compra de presentes
e outros 11% querem poupar os recursos para pagamentos dos impostos que
vencem em janeiro, como Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e Imposto
sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
A pesquisa aponta também que 4%
pretendem usar parte do 13.º para compra ou reforma de casa e 5%
já receberam o abono ou anteciparam junto aos bancos. Apenas 2%
pretendem poupar a parte que sobrar.
Para Oliveira, após quitar
as dívidas, o consumidor deve tentar reservar os valores necessários
para as despesas do início do ano e para os gastos do Natal
que vão vencer em janeiro.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 08 de
novembro de 2006 | Economia
IGP-DI
Matérias-primas aceleram inflação
Rio – O IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade
Interna) elevou-se 0,81%, em outubro, segundo dados da Fundação
Getúlio Vargas (FGV). A taxa é quase quatro vezes maior que a
registrada em setembro (0,24%) e está acima da expectativa de analistas
de mercado, que projetavam expansão de 0,36%, segundo o Boletim Focus
divulgado ontem pelo Banco Central.
O índice acumula alta de 2,95%
nos dez primeiros meses do ano, e 3,34%, nos últimos 12 meses.
O IGP-DI é calculado com base nos preços coletados entre
os dias 1.º e 31 do mês de referência. O IPA (Índice
de Preços por Atacado) subiu de 0,28% para 1,16% puxado pelas
Matérias-Primas Brutas que dispararam para 5,10%, após
elevar-se 1,29%, no mês anterior. Os principais acréscimos
vieram de produtos como a soja em grão (0,94% para 9,16%), milho
em grão (4,08% para 11,07%) e aves (1,50% para 9,00%).
Em sentido oposto, atenuando a aceleração do grupo, estiveram:
café (em grão) (2,02% para 0,85%), laranja (11,70% para 9,83%)
e mandioca (aipim) (3,10% para 0,01%). No estágio dos Bens Finais, a
taxa avançou de -0,35%, em setembro, para 0,39%, em outubro. A principal
contribuição para a aceleração partiu do subgrupo
alimentos processados, que avançou de -0,62%, em setembro, para 1,61%,
em outubro.
Já o IPC (Índice de Preços
ao Consumidor) registrou variação de 0,14%, abaixo da apurada
no mês de setembro, de 0,19%. As maiores contribuições
para a desaceleração foram a taxa de água e esgoto
residencial (3,28% para 0,00%) e a tarifa de telefone móvel ou
celular (0,55% para 0,27%). Além disso, a taxa foi influenciada
pela queda dos itens álcool combustível (-2,45% para -5,56%)
e gasolina (-0,02% para -0,53%).
O INCC (Índice Nacional de
Custo da Construção) avançou de 0,11%, em setembro,
para 0,21%, em outubro. Dois dos três índices componentes
do INCC registraram acréscimos em suas taxas de variação:
Materiais (0,17% para 0,35%) e Serviços (0,25% para 0,37%).
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 08 de novembro de
2006
Livro desvenda a lei trabalhista
Obra tem por objetivo atingir os pequenos
empresários com a 'tradução' dos termos jurídicos
para uma linguagem clara e simples
Cesar Augusto

Vieira: ‘‘A maioria das pessoas acredita que a legislação
do trabalho é a favor do empregado, mas não é.
A lei defende o empregador’’
Quem acredita que a legislação
trabalhista foi feita para favorecer plenamente o empregado está equivocado.
Pelo menos é a opinião de Henrique Gambaro Vieira,
bacharel em Direito, autor do livro ''Do empregador ao empregado
- o direito do trabalho como ferramenta defensiva'', obra lançada
recentemente em Londrina. ''O livro traz uma mudança de
paradigma, a maioria das pessoas acredita que a legislação
do trabalho é a favor do empregado, mas não é.
A lei defende o empregador'', afirma. Vieira é formado em
Administração de Empresas e Direito e atua como professor
dos cursos de Administração, Direito e Marketing.
Segundo ele, o Direito do Trabalho apenas devolve ao trabalhador
os direitos que foram usurpados pelo empregador. ''Aos empregadores cabe
o cumprimento da lei, que é simples de ser cumprida não é complicado,
mas exige trabalho'', salienta. Para isso, Vieira recomenda às
empresas que montem uma gestão preventiva para o cumprimento efetivo
da lei. Segundo ele, é preciso definir critérios para a
operação do negócio. Desde a contratação
deve-se traçar o perfil ideal do funcionário para que o
escolhido esteja, em alguns aspectos, em conformidade com as atividades
desenvolvidas pela empresa. Um outro ponto é a preocupação
com os recursos humanos.
''Da mesma forma que o empresário
se preocupa com os recursos materiais de seu negócio (máquinas,
local, matéria-prima) deve também se atentar ao seu recurso
mais importante, que é o humano. Todas as máquinas são
iguais, o que difere um trabalho de outro na questão da qualidade é o
ser humano que a opera'', observa o professor. Ele acrescenta que os
empregadores também devem definir normas e procedimentos que sejam
claros à conduta de cada funcionário dentro da empresa.
''Se a empresa tem um regulamento claro e todos os colaboradores conhecem
as regras fica mais fácil dar uma advertência. Demitir por
justa causa é muito fácil, desde que esteja tudo claro
no regulamento'', observa.
Por isso, ele também defende que
os funcionários sejam constantemente treinados, que o empresário
dê um feedback regular à sua equipe e que o empregador solicite
idéias aos colaboradores para envolvimento deles nas decisões
sobre suas funções. Além disso, é preciso
criar canais de comunicação fáceis e eficientes.
A adoção desses procedimentos garantiria motivação
aos trabalhadores e conhecimento das normas e objetivos da empresa. ''Funcionário
não é inimigo, é recurso e se você (empregador)
der combustível para o seu recurso ele vai te dar dinheiro'',
comenta Vieira.
Desconhecimento - O professor afirma que
o objetivo do livro é atingir micro e pequenos empresários
que, em sua maioria, desconhecem a legislação trabalhista.
''O problema maior é o pequeno (empresário), que tem boa
fé, e acredita que esteja fazendo tudo certo. Somente depois de
uma demanda trabalhista é que ele vai ver que estava tudo errado
e, com isso, ele pode perder muito dinheiro e, talvez, tenha até que
fechar a empresa'', salienta. Ele acrescenta que toda a decisão
tomada dentro da empresa tem que ser pensada, principalmente, nos reflexos
que ela pode trazer futuramente.
''Os empregadores têm o paradigma
errado de achar que descumprindo a lei estão economizando, mas
não é isso que ocorre. Nas ações ele terá que
pagar tudo o que ele não pagou mais o advogado'', diz Vieira.
A sugestão de escrever o livro surgiu após ele perceber
o desrespeito às leis trabalhistas por empresas grandes e pequenas.
''A grande empresa descumpre a lei porque tem economia e o pequeno, por
desconhecimento. O empresário e até o empregado têm
medo da lei trabalhista porque não a conhecem, se todos conhecerem
virão que é muito fácil aplicar o Direito do Trabalho'',
observa.
Serviço
- O livro ''Do empregador ao empregado
- o direito do trabalho como ferramenta defensiva'' está sendo
vendido por R$ 20 e pode ser encontrado nas Livrarias Porto ou no site
www.redacional.com. A obra também foi distribuída para
bibliotecas.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
08/11/2006
TST nega efeito retroativo previsto em acordo
coletivo
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho considerou ineficaz a cláusula de um acordo coletivo
que pretendia regular uma situação jurídica anterior
a essa negociação coletiva. O afastamento do efeito retroativo
foi declarado, segundo o voto do ministro Vieira de Mello Filho (relator),
após exame e deferimento de recurso de revista a um ex-empregado
da Chocolates Garoto S/A. A decisão garantiu-lhe o pagamento de
horas extras e adicional pelo trabalho em turnos ininterruptos de revezamento,
além de diferenças salariais decorrentes da redução
indevida do intervalo intrajornada.
“As convenções e acordos
coletivos são instrumentos normativos autônomos, resultantes
de negociação coletiva, por meio da qual se celebra um
pacto de vontade com vigência limitada no tempo, cujas cláusulas
vigoram pelo período respectivo, de modo que, apenas no período
de vigência do acordo coletivo, prevalece a jornada de trabalho
em regime de turnos ininterruptos de revezamento superior àquela
estabelecida no artigo 7º, XIV, da Constituição Federal”,
afirmou Vieira de Mello Filho.
A posição unânime
adotada pelo TST modifica decisão do Tribunal Regional do Trabalho
da 17ª Região (Espírito Santo). O órgão
de segunda instância considerou válida cláusula de
acordo coletivo, assinado em 1996, entre a empresa e o sindicato dos
trabalhadores, que previu efeitos retroativos relativos à fixação
dos turnos ininterruptos em jornada de oito horas. Com isso, nos períodos
em que a negociação coletiva não previu a ampliação
da jornada, entre 1993 e 1996, considerou-se válida a mudança.
A interpretação regional
levou ao não reconhecimento do direito do trabalhador ao pagamento
do período trabalhado além da sexta e da sétima
horas como extraordinários. De acordo com a previsão constitucional
(artigo 7º, inciso XIV), é estabelecida “jornada de
seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento,
salvo negociação coletiva”.
O TRT capixaba também afirmou como
válida a redução do intervalo intrajornada para
trinta minutos, conforme a previsão do artigo 71, parágrafo
3º, da CLT. “O limite mínimo de uma hora para repouso
e refeição poderá ser reduzido por ato do Ministério
do Trabalho, quando, ouvido o Departamento Nacional de Segurança
e Higiene do Trabalho, se verificar que o estabelecimento atende integralmente às
exigências concernentes à organização dos
refeitórios e quando os respectivos empregados não estiverem
sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares”, prevê a
CLT.
Os dois posicionamentos adotados pelo
TRT/ES foram questionados pelo trabalhador em seu recurso de revista.
Argumentou a violação de dispositivos constitucionais e
da legislação trabalhista, como o que limita a vigência
dos acordos e convenções coletivas ao máximo de
dois anos.
Vieira de Mello Filho apontou, inicialmente,
a inviabilidade do efeito retroativo previsto na norma coletiva. “Precedentes
informam que eventual cláusula convencional que pretenda dispor
sobre situação já consumada anteriormente à sua
vigência viola o artigo 5º, XXXVI, da Constituição
Federal, que prevê o princípio do respeito ao direito adquirido
como obstáculo à retroatividade imprimida ao instrumento
normativo no qual ela fora pactuada”, afirmou o relator, ao citar
decisões anteriores do TST.
Em relação ao intervalo
intrajornada, o relator observou que a mesma regra da CLT invocada
pelo TRT/ES para validar sua redução impedia a mudança. “Note-se
que o artigo 71, apesar de admitir a redução do intervalo
intrajornada, estabelece que referida alteração não
será possível quando o empregado estiver em regime de
trabalho prorrogado a horas suplementares”, considerou Vieira
de Mello Filho, a partir da constatação anterior de que
o trabalhador teve sua jornada prorrogada invalidamente.
(RR 701010/2000.4)
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08/11/2006
TST rejeita legitimidade de MPT em ação
de vínculo empregatício
A Sexta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho reafirmou tese de que o Ministério Público do
Trabalho (MPT) não detém legitimidade para recorrer na
defesa de interesse patrimonial privado. O recurso foi movido pelo MPT
contra a Fundação Roberto Marinho e o Instituto Superior
de Administração e Economia (ISAE). O relator do recurso,
ministro Aloysio Corrêa da Veiga, esclareceu que a atuação
do MPT não se justifica em ação de reconhecimento
de vínculo de emprego com empresa tomadora de serviço,
quando a própria trabalhadora já se conformou com a decisão
que negou o pedido.
A professora, contratada pelo ISAE, requereu
na Vara do Trabalho de Chapadinha (MA) o reconhecimento de vínculo
de emprego com a Fundação Roberto Marinho e com a Cooperativa
Globalcoop (terceirizada pelo ISAE). O instituto prestava serviços à fundação
na contratação de professores para atuarem no Projeto Viva
Educação, de ensino à distância destinado
a alunos com defasagem da idade física em relação à escolar.
A Vara do Trabalho julgou improcedente
o pedido da professora e o Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão
(16ª Região) manteve a sentença, que não reconheceu
o vínculo de emprego com a fundação nem com o ISAE,
admitindo apenas “uma relação de cooperada com a
Globalcoop”. A professora não interpôs qualquer recurso
contra a decisão do TRT/MA. O MPT do Maranhão ingressou
com recurso no TST para anular o julgamento realizado pelo Regional.
Em preliminar, o MPT questionou a conduta
dos juízes do TRT do Maranhão quando do julgamento do recurso
ordinário da professora. Segundo o MPT, teria havido “manipulação
de quorum” para que o processo fosse julgado exclusivamente pelos
membros da Corte, excluindo-se os juízes convocados, de forma
a manter a jurisprudência a respeito do tema. Segundo o ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, a questão já foi submetida à Corregedoria
Geral da Justiça do Trabalho, que não verificou qualquer
irregularidade no procedimento.
Segundo a Corregedoria, “o fato
de o Tribunal Pleno entender que o julgamento de determinada matéria,
dada a sua relevância, deva ser feito pelos juízes da Corte,
e não por juízes convocados, não afronta os princípios
do juiz natural, do devido processo legal, da impessoalidade, da celeridade
processual e da legalidade”. No mérito, o recurso discute
exclusivamente interesse patrimonial privado e a decisão do TST
ressaltou que a Orientação Jurisprudencial nº 237
da SDI-1 é clara ao afirmar que o MPT não tem legitimidade
para recorrer na defesa desses interesses, inclusive de empresas públicas
e sociedades de economia mista. (RR 316/2003-006-16-00.3)

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