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Agência Câmara,
10 de novembro de 2006
Câmara aprova depósito
prévio para recurso trabalhista
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
(CCJ) aprovou, na terça-feira (7), em caráter conclusivo, substitutivo
ao Projeto de Lei 4734/04, do Executivo, que torna obrigatório o depósito
judicial prévio para que o empregador interponha recurso contra decisão
da Justiça do Trabalho. O relator, deputado Maurício Rands (PT-PE),
acatou substitutivo aprovado anteriormente pela Comissão de Trabalho,
de Administração e Serviço Público.
Pelo projeto aprovado, o depósito
prévio deverá ser equivalente ao valor da indenização
trabalhista decidida pela Justiça. O limite é de 60 salários
mínimos para o recurso ordinário e de 100 salários
mínimos para o recurso de revista. O texto do relator Maurício
Rands faz uma série de alterações de técnica
legislativa no projeto, de forma a adequar sua redação à Lei
Complementar 95/98, que estabelece normas para a elaboração
e a consolidação das leis.
Tramitação
O PL 4734/04 tramita apensado
ao PL 3165/04, do deputado Costa Ferreira (PSC-MA). A proposta do
deputado maranhense, que exige depósito prévio no valor
total da condenação para interposição
de recurso judicial, foi rejeitada. Se não houver recurso
parlamentar em contrário, o PL 4734/04 seguirá para
o Senado.
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Agência Câmara,
10 de novembro de 2006
Salário mínimo poderá ser
reajustado para R$ 400 em março
A Comissão Mista do Salário Mínimo aprovou, nesta quarta-feira
(8), recomendação aos poderes Executivo e Legislativo para que
o salário mínimo seja reajustado para R$ 400 em 2007. Também
foi aprovada a antecipação da data de reajuste de maio para janeiro.
Na proposta orçamentária do governo federal para o próximo
ano, porém, a forma de cálculo prevista elevará o salário
mínimo de R$ 300 para R$ 375.
O relator da comissão, senador
Paulo Paim (PT-RS), afirmou que essa divergência não impede
que a recomendação seja atendida e o salário mínimo
seja de R$ 400. "No ano passado, a proposta orçamentária
chegou ao Congresso com previsão de um salário mínimo
de R$ 320 e saiu com R$ 350. Tudo depende de vontade política
do Congresso e do governo e também do movimento sindical",
argumentou Paim.
Antecipação
A antecipação da correção
do salário mínimo, de maio para o mês de março,
já acontecerá em 2007. Em 2008, o reajuste será em
fevereiro; e, em 2009, em janeiro. O objetivo é fazer coincidir
a época da discussão dos aumentos e a do Orçamento,
de onde vêm os recursos para custear as despesas com o reajuste
da folha de pagamentos e da Previdência Social. A proposta foi
apresentada pelo vice-presidente da comissão mista, deputado Walter
Barelli (PSDB-SP), e aprovada pelos demais integrantes. Segundo o deputado,
a decisão é resultado de ampla discussão em audiências
públicas promovidas pela comissão com segmentos sindicais
e patronais em todas as regiões do País.
Arrecadação
A comissão recomendou ainda a aprovação
de dispositivo da Proposta de Emenda à Constituição
da Minirreforma Tributária (PEC 285/04) que prevê a elevação
de 22,5% para 23,5% da arrecadação tributária, cujo
destino é o Fundo de Participação dos Municípios
(FPM). O objetivo é aumentar os recursos disponíveis para
o pagamento do salário mínimo nas cidades mais pobres do
País. A PEC, de autoria do Poder Executivo, tramita na Câmara.
Também foi recomendada a aprovação
do Fundeb (PEC 536/97) e da PEC do senador Paulo Paim que busca impedir
o bloqueio ou contingenciamento de dotações do orçamento
da seguridade social.
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PERNAMBUCO.COM, 10 de novembro
de 2006
Emprego na construção
civil é o maior desde 1995
SÃO PAULO - O nível de emprego
na construção civil brasileira voltou a subir, sendo o
maior desde maio de 1995. Ao final de setembro, o número de empregados
formais no setor somava 1,54 milhão de trabalhadores, um acréscimo
de 0,95% em relação ao nível de agosto e um crescimento
de 10,3% ao longo do ano de 2006, segundo pesquisa do SindusCon-SP e
da FGV Projetos, com base nos dados do Ministério do Trabalho.
Basicamente, esse crescimento se deveu à expansão
do segmento imobiliário e, em segundo lugar, ao aumento de obras
públicas por conta do período eleitoral — analisa
o presidente do SindusCon-SP, João Claudio Robusti.
Agora, estamos na expectativa da prometida
expansão na infra-estrutura — acrescenta.
Apenas em setembro, o saldo (contratações
menos demissões) na construção civil brasileira
foi de 14.451 postos de trabalho a mais. No ano, o setor já absorveu
mais 143,8 mil trabalhadores. Nos 12 meses terminados em setembro, o
saldo positivo é de 124 mil postos de trabalho (+8,76%).
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CIDADEBIZ, 10 de novembro
de 2006
Indústria prioriza investimentos
para expandir a capacidade de produção
Estudo da CNI mostra que apenas 36% das
empresas levaram a cabo seus projetos para 2006 Redação
Somente 36% das indústrias completaram
os projetos planejados para 2006, enquanto 21% adiaram ou cancelaram
os planos. As outras 43% cumpriram parcialmente os projetos. Os dados
são da Sondagem Especial da Confederação Nacional
da Indústria.
Conforme a pesquisa, os setores em que
mais adiaram os investimentos planejados foram os de calçados,
madeira e móveis. Entre as indústrias calçadistas,
apenas 10% cumpriram os projetos de investimentos para 2006. No setor
de madeira, esse índice foi de 18% e, no de móveis, de
25%.
O estudo revela ainda que os investimentos
se concentraram na expansão da capacidade de produção.
Quase 60% das empresas aumentaram os parques fabris entre 2004 e 2006,
com destaque para as indústrias dos setores de álcool,
farmacêutico, papel e celulose, máquinas e materiais elétricos,
veículos e limpeza e perfumaria. Mais de 70% das indústrias
que atuam nessas atividades ampliaram a capacidade de produção
entre 2004 e 2006.
Na avaliação dos empresários,
a atual capacidade de produção será suficiente para
atender o consumo no próximo ano. Somente 16,1% das empresas acreditam
que seu parque industrial é insuficiente para suprir a demanda
em 2007.
"A percepção de folga
no parque produtivo ocorre, ainda que os investimentos previstos para
2006 ficassem aquém do planejado. Ou seja, os empresários
acreditavam em uma expansão de demanda que não se concretizou",
analisa o estudo.
A pesquisa da CNI foi feita entre os dias
3 e 20 de outubro com 1.581 indústrias, das quais 1.366 eram de
pequeno e médio porte e 215 de grande porte.
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Agência Câmara,
10 de novembro de 2006
Comissão aprova espera de no
máximo meia hora em bancos
A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou o Projeto de Lei Complementar
336/06, do deputado Carlos Souza (PP-AM), que estabelece normas para o atendimento
ao consumidor nas agências bancárias. A proposta foi aprovada
na forma do substitutivo do relator, deputado Fleury (PTB-SP), que mantém
o tempo máximo de 30 minutos para o atendimento ao consumidor previsto
no projeto original. O controle do tempo de espera será feito mediante
distribuição de senha, de acordo com a chegada do cliente ao
banco. A comissão acatou emenda do deputado Paes Landim (PTB-PI) que
estende a regra a órgãos públicos em geral, hospitais,
postos de saúde, cartórios, companhias aéreas e empresas
de telefonia.
O substitutivo elimina, porém,
a exigência de condições para o atendimento a portadores
de necessidades especiais (já previstas na legislação)
e a obrigatoriedade de instalação de cadeiras nas agências. "A
adoção de cadeiras apresentaria limitações
impostas pelas diversas dimensões das agências e dos postos
de atendimento bancário", explicou Fleury.
Punição aos bancos
No que se refere às penalidades
adotadas em caso de descumprimento das regras, o substitutivo retira
a possibilidade de cassação da autorização
de funcionamento do banco, prevista no texto original. "O fechamento
definitivo de uma agência implicaria mais prejuízos à população",
avaliou Fleury. Advertência, multa e suspensão do exercício
de cargos são as punições previstas no substitutivo.
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Diário
Vermelho, 10 de novembro de 2006
Relatório do Pnud mostra que Brasil
reduziu desigualdade e pobreza
O
Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) 2006 mostra o Brasil
como exemplo de melhoria na distribuição de renda. Segundo
o documento, nos últimos cinco anos, o Brasil — um dos países
mais desiguais do mundo — tem combinado um sólido desempenho
econômico com declínio na desigualdade de rendimentos e
na pobreza. Hoje, o Brasil é o 10º mais desigual numa lista
com 126 países e territórios. Ele está melhor que
Colômbia, Bolívia, Haiti e seis países da África
Subsaariana, aponta o relatório do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
De acordo com o documento, os avanços ainda tiraram o Brasil
da penúltima posição no ranking de distribuição
de renda da América Latina — no último relatório,
só a Guatemala estava em situação pior. Apesar de
os progressos terem permitido que o indicador brasileiro superasse o
colombiano, duas colocações foram ganhas graças à intensa
ampliação do fosso de renda entre pobres e ricos na Bolívia
e à entrada do Haiti no ranking. A Guatemala passou da primeira
para a sétima posição na lista dos piores da região,
superando até o Chile.
Educação
O desempenho brasileiro é avaliado no relatório principalmente
com base no índice de Gini — indicador de desigualdade
de renda que varia de 0 a 1, sendo 0 em uma situação
na qual toda a população possuísse uma renda equivalente,
e 1 se apenas uma pessoa detivesse toda a riqueza do país. No
relatório, o índice do Brasil é 0,580, menor que
o da Colômbia (0,586, 9ª no ranking dos piores) e pouco
maior que os de África do Sul e Paraguai (0,578, empatados na
11ª colocação). O documento destaca o programa Bolsa
Família como um dos responsáveis pelos avanços
do Brasil.
As notas conquistadas na área da educação ficaram
inalteradas e a expectativa de vida registrou um pequeno aumento, de
70,8 anos em 2003 para 70,8 anos em 2004. O PIB, por sua vez, apresentou
um crescimento de 3,1%. Essa marca, porém, desvia totalmente
do padrão apresentado nos últimos anos. De 1990 a 2004,
a média de crescimento foi de 1,2%.
As 416 milhões de pessoas mais pobres do mundo todo têm
uma renda equivalente à das 500 pessoas mais ricas, informou
o Pnud. ''A acumulação de riqueza no nível mais
alto da distribuição mundial de renda foi mais nítida
que a redução da pobreza no nível mais baixo'',
diz o relatório do Pnud. Os dados afirmam que todas as regiões
do mundo, com exceção da África subsaariana, vêm
reduzindo os seus níveis de pobreza desde 1990. As pessoas que
vivem com menos de US$ 1 por dia passaram de 28 para 21%. Hoje, elas
são 1 bilhão em todo o planeta.
População
mundial
A terça parte dos pobres vive na África subsaariana e
representa quase metade da população da região.
''A África subsaariana é a única região
que verifica o crescimento tanto da pobreza quanto do número
absoluto de pessoas pobres'', acrescenta o Pnud. Entre as metas de
desenvolvimento do milênio está a redução
do total de pobres à metade, até 2015. ''Mas os dados
nacionais mostram que os objetivos não serão atingidos'',
diz o relatório.
O documento afirma que nove de cada dez cidadãos dos países
da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômicos (OCDE) estão entre os 20% mais ricos da população
mundial. Em contraste, um em cada dois habitantes da África
subsaariana está entre os 20% mais pobres. A renda média
dos 5 bilhões de habitantes do mundo todo é de US$ 5.533
anuais. Porém, só 20% chegam a esse patamar. ''A globalização
abriu espaço para um debate sobre as tendências da distribuição
de renda mundial. Algumas vezes se perde de vista a desigualdade profunda,
assim como a capacidade de redução da pobreza associada à maior
igualdade'', afirma. Com agências
Fonte
Gráfico: Gazeta do Povo
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10 de
novembro de 2006 | Brasil
RELATÓRIO
Gasto com saúde e educação é baixo
Rio de Janeiro – O desempenho mediano do Brasil em desenvolvimento humano é em
boa parte explicado pelo pequeno gasto público, quando comparado com
países desenvolvidos, em educação e saúde. O relatório
mostra que o país gasta mais com serviços da dívida (8,9%
do PIB) do que com educação (4,1% do PIB) e saúde (3,4%
do PIB) juntos.
No caso da saúde, o gasto público
do país é inferior ao privado (de 4,2% do PIB). Além
disso, de 175 países para os quais há comparação
do gasto público em saúde em relação ao PIB,
o Brasil é o 69.º de maior gasto.
O valor de 3,4% é bastante inferior
ao verificado entre os países que mais gastam, mas é superior
ao de nações em desenvolvimento como África do Sul,
Chile, México e China.
A posição do país
no ranking dos que mais investem publicamente em educação é ainda
pior: 81.º de um grupo de 124. Os dados mostram, no entanto, que
outros países com melhores indicadores educacionais do que o
Brasil estão investindo menos: é o caso de Chile, Argentina
e Uruguai. “Há uma posição prevalente entre
economistas de que não precisamos gastar mais em educação.
No entanto, a infra-estrutura das escolas ainda não está completa”,
diz Francisco Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10 de
novembro de 2006 | Brasil
DIFERENÇAS
Muita água e pouco
esgoto
Brasília e Rio de Janeiro – O Brasil tem indicadores semelhantes
ao de países com alto desenvolvimento humano no ranking que mostra a
taxa da população com acesso a água potável – fica
próximo da Coréia do Sul. No entanto, na coleta de esgoto, o
país volta para patamares de desenvolvimento médio, atrás
do Paraguai.
Enquanto 90% da população
brasileira tem acesso a água, no acesso ao esgotamento adequado
a taxa de atendimento é de 75%. Ambos evoluíram de 1990
a 2004, mas em ritmos diferentes: a cobertura cresceu, respectivamente,
8,4% e 5,6%. Em relação ao saneamento, o país
está em 67.º lugar entre 149 nações analisadas.
O relatório aponta, porém, que parte significativa do
déficit brasileiro nesse setor se refere à falta de atendimento
aos mais pobres.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10 de
novembro de 2006 | Brasil
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Acesso a água e saneamento
esbarra na falta de vontade política e má gestão
Brasília – A maior barreira para resolver o problema de acesso
a água e saneamento em países em desenvolvimento é a falta
de vontade política aliada à má gestão. É o
que sustenta o Relatório de Desenvolvimento Humano 2006, apresentado
pelas Nações Unidas sob o título “Além da
escassez: poder, pobreza e a crise mundial da água”.
Segundo especialistas, o mundo já dispõe
de tecnologia, meios financeiros e capacidade para acabar com o déficit,
que não é pequeno. Segundo o relatório, em pleno
século 21, um em cada cinco habitantes de países em desenvolvimento
não tem acesso a água potável. Isso representa cerca
de 1,1 bilhão de pessoas. Quase a metade da população
desses países – 2,6 bilhões – não dispõe
de saneamento básico.
O reflexo é que 1,8 milhão
de crianças morrem de diarréia por ano – segundo
lugar nas causas de mortalidade infantil, atrás de aids e conflitos.
Além disso, doenças parasitárias atrasam a aprendizagem
de 150 milhões de crianças, população superior à do
Japão.
A falta de vontade estaria ligada ao fato
de os mais afetados serem pobres. Mais de 660 milhões de pessoas
sem saneamento vivem com até US$ 2 (ou R$ 4,40) ao dia. “Tal
como a fome, é uma urgência silenciosa suportada por pessoas
carentes e tolerada por aqueles que dispõem de recursos, tecnologia
e poder político para acabar com ela”, diz o texto.
Diante desse quadro, o relatório
aponta a necessidade “urgente” de um Plano de Ação
Global, sob liderança do G8 – grupo dos sete países
mais ricos e a Rússia. O documento exemplifica que seriam necessários
mais US$ 10 bilhões anuais (R$ 22 bilhões) para que os
países cumpram até 2015 os Objetivos do Milênio ligados à área.
Mantida a tendência atual, 55 países
não cumprirão até 2015 a meta de reduzir pela metade
a proporção da população sem água,
e 74 não atingirão para saneamento. A carência desse
serviço também é um dos fatores que ajudam a explicar
estatísticas de falta às aulas. Isso porque o aluno fica
constantemente doente ou utiliza seu tempo em busca de água.
Segundo o documento, pessoas carentes
são forçadas a pagar um preço mais alto pela água
potável, por terem de lidar com um leque de prestadores de serviço
para obter o produto.

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Diário
Vermelho, 10 de novembro de 2006
Informalidade: pretexto para atacar a
Previdência Social
O argumento dos neoliberais sobre o impacto da
informalidade nas contas da Previdência Social é mais um
aspecto do falso debate a respeito das contas públicas
Por Osvaldo Bertolino
No seu discurso de posse no Ministério da Fazenda, Antônio Palocci
disse que o Brasil não podia mais “conviver com uma sociedade
com duas classes de trabalhadores”. Por isso, segundo ele, era inadiável
uma reforma que estabelecesse para os funcionários públicos regras
de aposentadoria similares aos dos demais trabalhadores brasileiros. Como se
observa facilmente, ele não estava preocupado com os trabalhadores.
Muito menos com a clássica definição de cidadania: os
direitos civis, políticos e sociais. Direitos civis são todos
aqueles em que se baseiam as liberdades individuais, e cuja vigência é (ou
deveria ser) assegurada por um Judiciário ágil e democrático.
Direitos políticos são aqueles que conferem a cada cidadão
uma parcela de influência na formação do poder político.
E, finalmente, os direitos sociais: um mínimo de bem-estar econômico,
seguridade social e a participação mais plena possível
na herança cultural da sociedade.
Palocci, um sofista contumaz, estava defendendo o rebaixamento desses direitos — o
que de fato acabou acontecendo. O governo do presidente Fernando Henrique Cardoso
(FHC) iniciou o trabalho, ao fazer alterações profundas nas aposentadorias
do setor privado. Na gestão de Palocci, ele impôs essa agenda
e o Congresso Nacional, com apoio do Palácio do Planalto, fez uma reforma
igualmente radical para acabar com “as duas classes de trabalhadoras”.
Hoje, novamente esta velha tese liberal volta à tona. A campanha diz
que sem desregulamentação das relações de trabalho
as empresas cada vez mais optam pela informalidade. Os trabalhadores informais
muitas vezes não pagam nenhum tipo de imposto. Pior para as contas do
Estado, especialmente para a Previdência Social.
Setor agrícola
O Brasil tem 75 milhões de trabalhadores, segundo a Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). Desses, apenas 5 milhões são servidores
públicos. Dos demais, cerca de 29 milhões já estão
filiados ao INSS. Cerca de 40 milhões estão fora, em decorrência
da informalidade, da ausência de registro ou do tipo de atividade econômica
que praticam. O menor percentual de contribuintes está no setor agrícola
(12,2%), que emprega dois em cada dez trabalhadores brasileiros. Na indústria,
que responde por 14,1% das vagas, o índice de contribuintes é de
64,7%. Em compensação, as aposentadorias e pensões rurais
respondem por dois terços do “déficit” — segundo
o critério utilizado pelo governo. Na cidade, a relação
contribuição-benefício está praticamente em 90%.
No meio rural, despenca para 12%.
Apesar de ainda baixo, é importante lembrar que o percentual de trabalhadores
que contribuem para a Previdência vem crescendo ao longo dos últimos
anos. De acordo com os dados da Pnad, são três anos consecutivos
de crescimento, saindo de 45% em 2002 para 47,8% no ano passado — uma
elevação de 6,2%. O índice chegou a oscilar em torno de
42% no início dos anos 90. O número absoluto de contribuintes
saltou de R$ 35,5 milhões em 2002 para R$ 40,8 milhões em 2005,
uma alta de 15%. No mesmo período, o número de brasileiros empregados
cresceu menos, 8%. Na década passada, quando a informalidade tomou conta
do mercado de trabalho brasileiro, parecia que o fim do emprego formal, com
carteira assinada, estava próximo. Era uma tendência da “era” FHC.
Mão-de-obra terceirizada
No entanto, nos últimos três anos contabilizados pela Pnad o emprego
com carteira assinada cresceu no país — desde janeiro de 2003,
foram criadas 4,6 milhões de vagas com carteira assinada. “A vantagem é que
o debate sobre a informalidade difundiu entre as pessoas a importância
do sistema previdenciário. As pessoas passaram a ter mais acesso às
informações, mais consciência da importância de contribuir
para a Previdência”, diz o secretário de Políticas
de Previdência Social, Helmut Schwarzer. Segundo ele, a fiscalização
sobre os sonegadores aumentou, seja pela eficiência do Estado, seja por
mudanças na legislação. Schwarzer cita, por exemplo, a
mudança que obrigou as empresas a recolher a contribuição
previdenciária de trabalhadores terceirizados.
Antes, as empresas terceirizavam a mão-de-obra para fugir do imposto.
Agora, essa vantagem acabou. “Nossas estimativas indicam que 3 milhões
de pessoas foram formalizadas em virtude dessa mudança na legislação”,
afirma Schwarzer. Ele ressalta que, mesmo na agricultura, onde a informalidade é muito
alta, o índice de trabalhadores que contribuem para a Previdência
vem crescendo. “O agronegócio injeta um fluxo de renda muito forte
nas regiões rurais. Essa renda acaba ajudando na construção
de uma série de atividades produtivas nessas regiões, muitas
delas com empregos formalizados”, diz ele. “Esse segmento é deficitário
em qualquer país, devido aos conta-própria e à agricultura
familiar. Sempre haverá um forte desequilíbrio”, explica
o secretário.
Baixa renda
Esses números mostram que a tese da desregulamentação
das relações de trabalho não melhoram as contas da Previdência.
Os neoliberais querem combater o trabalho informal acabando com direitos trabalhistas.
Querem, assim como Palocci, acabar com a diferença entre “duas
classes de trabalhadoras” nivelando a de cima com a debaixo. A informalidade — um
eufemismo para ilegalidade — representa uma das principais barreiras
a ser vencida nessa batalha. A massa de mão-de-obra rural temporária,
por exemplo, é estimada em 4,2 milhões de trabalhadores — número
equivalente àqueles com ocupação permanente. Mas, para
isso, os trabalhadores não podem abrir mão de suas conquistas
históricas. Além da formalidade, o aumento dos salários
será peça chave para melhorar as contas da Previdência.
Os números da Pnad mostram que os trabalhadores de baixa renda não
têm incentivos para contribuir com a Previdência — o piso
previdenciário é igual a um salário mínimo. À medida
que cresce a renda do trabalhador, aumenta o percentual de contribuintes em
relação ao pessoal empregado. Para se ter uma idéia da
disparidade, enquanto entre quem ganha até meio salário mínimo
o índice de contribuintes é de apenas 2,1%, entre quem recebe
acima de 20 mínimos esse percentual sobe para 87,1%. Na faixa de renda
de até um salário mínimo (que engloba três em cada
dez trabalhadores brasileiros), o percentual de contribuintes é de 22,6% — metade
da média nacional. Esses e muitos outros absurdos podem ajudar na compreensão
de uma verdade simples e cristalina: a Previdência é um mecanismo
de distribuição de renda e não pode ser transformada em
uma máquina que devora recursos arrecadados pelos trabalhadores para
bancar privilégios do setor privado. O próximo artigo começará a
abordar os fundos de pensão.
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Diário
Vermelho, 10 de novembro de 2006
Everaldo Augusto:
O sindicalismo mundial e a fundação
da CIS
Confira o artigo de Everaldo Augusto, um dos
delegados presentes ao congresso fundador da CIS (Confederação
Internacional Sindical). A nova entidade do sindicalismo mundial já nasce
permeada de polêmicas.
SINDICALISMO INTERNACIONAL
CIS, UNIDADE PELA METADE E AO LARGO DA GLOBALIZAÇÃO
Por Everaldo Augusto*
Neste mês de novembro o mapa sindical mundial sofreu uma mudança
significativa. A CMT (Confederação Mundial do Trabalho), fundada
em 1920, de orientação cristã, e a CIOSL (Confederação
Internacional de Sindicatos Livres), criada em 1949 como instrumento da guerra
fria pró-Inglaterra, de orientação liberal, se fundiram
e criaram a CIS (Confederação Internacional Sindical), que pretende
se colocar como representação unitária, plural e democrática
dos trabalhadores em âmbito mundial.
Para o velho sindicalismo burocrático, vinculado aos interesses dos
organismos internacionais do capital e defensor do plurisindicalismo, este
fato já está dado, restando apenas às outras correntes
de pensamento aderirem à CIS. Para outros, de matiz esquerdista, mas
sedentos em serem reconhecidos pelos primeiros como força secundária,
a unidade internacional dos trabalhadores tomou novos e promissores rumos a
partir do Congresso fundador da CIS. Para aqueles de origem na esquerda, mas
que estão se aproximando agora deste campo das antigas CIOSL/CMT, a
fusão foi apenas um primeiro passo rumo à unidade, outros passos
serão necessários, portanto.
Contudo, para uma parte significativa do movimento sindical independente, classista
ou alinhado à FSM (Federação Sindical Mundial), entidade
que representa sindicatos de orientação nacionalista, anti-imperialista
e comunistas, a questão da unidade, da pluralidade ideológica
e da democracia continuam em aberto, em busca de solução. Para
estes sindicatos, democracia, pluralidade e unidade, continuam sendo problemas
candentes dos trabalhadores, fundamentais para uma resposta de conjunto da
classe diante da ofensiva do capital contra os direitos sociais e trabalhistas
e essencial para se contrapor à guerra e conquistar a paz no mundo.
Congreso da CIS
Cerca de 2 mil delegados de todos os
continentes se reuniram em Viena, capital da Áustria, de 1º a
03 de novembro, no Congresso de fundação da nova Central
sindical internacional. Ali estavam, do lado da CMT, 144 organizações,
que reivindicavam representar 17 milhões de filiados, e do lado
da CIOSL, 241 organizações, 215 confederações,
que reivindicavam representar cerca de 150 milhões de filiados.
Pelo que se vê, foi um Congresso de porte, não só pelos
números apresentados, mas também pela representação
em si. Estavam ali sindicatos de todos os continentes, com diferentes práticas
sindicais, com diferenciado grau de organização e de formas de
abordagem dos problemas dos trabalhadores. Foi também um importante
evento internacional, sobretudo, pelo contexto em que estava sendo realizado.
Contexto, no qual, a globalização neoliberal já demonstrou
o seu caráter nocivo para os povos, que provoca pobreza e exclusão
social de um lado e concentração extrema da riqueza do outro
lado, cuja característica principal é a onda regressiva e destrutiva
contra o trabalho em escala mundial.
Ainda que o Congresso tivesse por finalidade fundar a nova Central, seria natural,
diante desse contexto político, econômico e social, como seria
natural em qualquer outro evento internacional da mesma natureza e no mesmo
contexto, que fosse aberto um debate acirrado sobre as saídas, do ponto
de vista dos trabalhadores, para enfrentar e derrotar as estratégias
dos oligopólios em âmbito mundial e dos governos locais. Assim
como seria natural também, o Congresso apresentar alternativas para
a construção de um novo modelo econômico, social e político,
baseado no desenvolvimento, na distribuição de riqueza, na valorização
do trabalho e no aprofundamento da democracia.
Infelizmente, pode-se dizer, ou como já era esperado, como diriam os
céticos, tal debate não ocorreu, salvo em alguns discursos, sobretudo
de delegados da América Latina ou da África. A orientação
geral do Congresso foi se limitar a fazer um diagnóstico superficial,
baseado na adjetivação da mundialização do capital
e de levantar premissas genéricas sobre trabalho decente e contra a
pobreza. Não se discutiu a origem da degradação do trabalho
e não se apresentou um plano de ação concreto para as
Centrais e Confederações implementarem em cada país. Desse
ponto de vista, os delegados voltaram desarmados para seus locais de origem,
o que é grave, já que cada vez mais a situação
política exige respostas globais dos trabalhadores frente a ofensiva
do capital. Resta a expectativa que estas e outras questões sejam analisadas
na próxima reunião do Conselho de setenta membros aprovado pelo
Congresso, onde algumas Centrais proporão medidas concretas, como a
realização de um dia mundial de protesto e luta pelos direitos
sociais.
Não há, contudo, nenhuma garantia que este Conselho tomará medias
desta natureza devido à correlação de forças nele
existente, onde permanece a hegemonia política-ideológica da
antiga CIOSL, agora piorada com a chegada da turma da CMT, que alguns consideram
ainda mais à direita.
"Unidade pela metade"
Se não houve a discussão
sobre a plataforma de ação comum, pois o debate sobre
a globalização deu-se apenas em painéis com duas
mesas formadas por sindicalistas europeus e americanos, ongs e representantes
de organismos multilaterias como a OMC e OIT, a unidade tão
aclamada pelos oradores oficiais também deixou a desejar. Mesmo
que, durante e após o Congresso, representantes da nova Central
tenham se esforçado em apresentar a fusão como significado
de unidade, é inegável que a ausência da FSM e
de organizações sindicais da China, do Vietnã e
outras Centrais da Ásia, assim como de diversas outras Centrais
independentes das Américas e de outros continentes era algo
notável sem grande esforço.
Prevaleceu em boa parte dos delegados, em particular, entre aqueles das Centrais
e Confederações mais à esquerda, a idéia que a
unidade ali apresentada estava pela metade. "Não se pode omitir
a existência de outro campo importante do movimento sindical que não
estava ali presente", diziam eles nas conversas paralelas. Independente
de críticas à FSM, diversos sindicalistas europeus, berço
na nova Central, admitiam que a unidade apresentada ali apresentada era apenas "o
primeiro passo" e que o modo excessivamente formal do Congresso fundador
da CIS, será substituído, no futuro, por um processo de explicitação
de divergências.
A novidade apresentada no Congresso da CIS foi a filiação de
oito Centrais sindicais independentes, ex-filiadas ou aliadas da FSM, dentre
elas merecem destaque a CGT Francesa, a CUT Colômbia e a CAT, Argentina.
A esse respeito foi dito ainda em plenário por Emílio Gablagio,
ex-secretário geral da CES (Confederação Européia
de Sindicatos), que a CGTP Portugal, CGTP Peru e PIT-CNT Uruguai estão
em vias de conversação para aderirem à CIS.
O sítio da nova Central (www.ituc-cis.org) informa que a CIS representa
168 milhões de trabalhadores, de 154 paises, agrupados em 306 organizações
sindicais. Guy Ryder, inglês, profissional sindical, que começou
a carreira como assessor do departamento internacional do TUC (Trade Union
Congress), ex-secretário geral da CIOSL, será o novo secretário-geral
da CIS. A presidente será a australiana Sharan Burrow, esta uma sindicalista
de origem. * Everaldo Augusto é da executiva nacional da CUT e da CSC.
Foi delegado ao Congresso fundador da CIS.
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Folha
de São Paulo, 10 de novembro de 2006
Contribuição patronal ao
INSS pode mudar
Proposta em estudo pela equipe econômica
prevê mudança gradual para reduzir custo sobre a folha de
pagamento | Intenção da medida é estimular contratação
e formalização de vagas; não deve haver mudança
para os trabalhadores
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os ministérios da Fazenda, do
Planejamento e do Desenvolvimento incluirão entre as medidas
do pacote de desoneração que apresentarão na próxima
semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva proposta de mudança
na contribuição patronal à Previdência Social
para que o recolhimento passe a ser feito também com base no
faturamento da empresa, e não apenas na folha de pagamentos,
como acontece hoje.
Mas, para evitar perdas de arrecadação,
os ministros vão propor uma mudança gradual. A idéia é que
um valor equivalente a cinco pontos percentuais da contribuição
atual passe a ser calculado com base no faturamento. Assim, o empregador
continuaria pagando uma parte da contribuição sobre a
folha de pagamento (15%) e outra sobre o faturamento.
Para isso, o governo terá que
fixar uma outra alíquota, que será obrigatoriamente inferior à atual,
pois o faturamento tem valor muito superior ao da folha de pagamentos.
Com o tempo o recolhimento sobre a folha cairia, e a parcela com base
no faturamento cresceria. A Folha apurou que essa foi a fórmula
encontrada para garantir que não haverá perda de arrecadação
para o governo ou aumento de tributação para os empregadores.
A atual equipe econômica avalia que, se fizer essa alteração
de uma só vez, corre o risco de fixar uma alíquota muito
elevada e, com isso, aumentar o imposto pago pelos empregadores em
vez de desonerar a folha, como quer.
Se o governo conseguir realmente estimular
a contratação com carteira assinada por meio dessa medida,
poderá até mesmo ter algum ganho de arrecadação.
Isso acontecerá porque o número de trabalhadores que
passarão a recolher sua parte à Previdência aumentará,
e as regras de contribuição do empregado não devem
mudar.
Segundo a regra atual, os empregadores
têm que pagar ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) 20%
do valor da folha de pagamentos. Assim, se há nova contratação
ou formalização, aumenta o pagamento de impostos das
empresas. Essa fórmula é considerada um desestímulo
ao trabalho com carteira assinada.
Espera-se que, com a medida, os setores
que precisam de muita mão-de-obra tenham um ganho significativo.
Quem pagará a conta de manter o recolhimento no nível
atual serão setores pouco intensivos em pessoal mas com faturamento
elevado, caso das indústrias financeira e de tecnologia.
A proposta de mudar a maneira de calcular a contribuição patronal
ao INSS não é nova. O governo Lula chegou a aprovar na reforma
da Previdência de 2003 um artigo que permite ao governo fazer essa alteração.
Mas, nas discussões internas,
nunca se chegou a um consenso sobre a alíquota que deveria ser
cobrada para não haver risco de perda de arrecadação.
Com isso, o assunto acabou abandonado.
Além disso, a Receita considerou pouco prudente mudar a contribuição
do INSS no mesmo momento em que a Cofins era alterada. No início do
governo Lula, a Cofins deixou de ser cumulativa, e as empresas puderam escolher
o recolhimento sobre o valor agregado.
Se o presidente aprovar a proposta
da equipe econômica -que ainda não tem seus cargos assegurados
no segundo mandato-, será preciso aprovar apenas um projeto
de lei ordinária para que a mudança comece a valer.
Para isso, basta que o governo consiga maioria simples no plenário
da Câmara e do Senado.
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Folha
de São Paulo, 10 de novembro de 2006
Centrais querem elevar mínimo a
R$ 420
Reivindicação equivale a aumento
de 20%, maior que o concedido neste ano; governo defende valor próximo
de R$ 375
Aumento de R$ 70 causaria impacto de R$ 14 bi no
Orçamento, segundo Dieese; entidades também querem correção
da tabela do IR
Alan Marques - 21.set.06/Folha Imagem

Marinho (Trabalho), que defende alta do mínimo para R$ 375
KAREN CAMACHO, ANA PAULA RIBEIRO
DA FOLHA ONLINE, EM SP E EM BRASÍLIA
As principais centrais sindicais vão
negociar com o governo o reajuste do salário mínimo dos
atuais R$ 350 para R$ 420 no próximo ano, com antecipação
para março. O reajuste, de 20%, seria maior que o concedido
na última negociação, quando o mínimo subiu
de R$ 300 para R$ 350 -16,6%, uma das maiores altas da história.
Em 2005, no entanto, as centrais pediram alta de 33%, de R$ 300 para
R$ 400. Cerca de 25 milhões de brasileiros recebem um salário
mínimo. Entre eles, 16 milhões de aposentados, que devem
causar impacto de R$ 14 bilhões por ano ao Orçamento
se o mínimo for a R$ 420, de acordo com estimativa do Dieese.
Já o governo sinalizou que novamente
a proposta inicial das centrais não será aceita. O ministro
Luiz Marinho (Trabalho) disse em Brasília que o governo vai
discutir um valor próximo ao que consta do Orçamento
de 2007 enviado ao Congresso, que é de R$ 375. "O que devemos
discutir com as entidades é o que está em torno da proposta
orçamentária e buscar interagir da forma que fizemos
nos anos passado e retrasado", disse o ministro, que se reúne
com as centrais ainda neste ano.
Ele afirmou que o mínimo de R$ 375 repõe a inflação
e que nos últimos anos os aumentos já levaram a uma recuperação
do valor do salário, mas que entende que os sindicatos busquem agregar
um ganho real.
Em reunião de representantes
da CUT, da Força Sindical e da CGT, em São Paulo, as
centrais também decidiram que vão defender uma correção
de 7,77% para a tabela do Imposto de Renda no próximo ano. O
percentual da correção, segundo as centrais, equivale à defasagem
da tabela do IR em relação à inflação
durante o governo Lula. As centrais apontaram, ainda, defasagem de
39,52% no governo Fernando Henrique Cardoso.
"Para negociar o mínimo,
vamos realizar reuniões nos Estados no dia 29 e, em 6 de dezembro,
faremos uma marcha em Brasília", disse João Carlos
Gonçalves, o Juruna, secretário da Força.
Neste ano, a marcha deverá ser mais modesta que as realizadas nos anos
anteriores, sem carreatas partindo de outros Estados. Em compensação,
as centrais decidiram fazer uma mobilização unificada.
O presidente da CUT, Artur Henrique,
disse que a reivindicação do mínimo de R$ 420
pode ser atendida pelo governo. "É preciso colocar na pauta
do país o crescimento da economia, e, quanto mais distribuição
de renda, mais a economia vai se desenvolver", disse.
Corte de gastos
Lula ainda não se manifestou
sobre o mínimo, mas tem feito promessas de cortar gastos e aumentar
investimentos. Por isso, o mercado financeiro espera um reajuste menor.
O Congresso também está dividido. Senadores e deputados
da Comissão Mista Especial de Salário Mínimo devem
enviar projeto que propõe elevação a R$ 400 a
partir de março -antecipando em um mês o reajuste, que
neste ano saiu em abril. Já a Comissão de Orçamento
vai analisar projeção do governo de que o mínimo
deverá subir para R$ 375 no próximo ano, uma alta de
7,14%.
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Folha de São Paulo,
10 de novembro de 2006
Lei sepulta FGTS menor para microempresas
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um ensaio de reforma trabalhista discretamente
proposto pelo governo Lula foi derrubado, mais discretamente ainda, pelo
Congresso. A proposta foi sepultada com o acordo que resultou na aprovação
pelo Senado, anteontem, da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que
simplifica a tributação da grande maioria das pessoas jurídicas
do país. Tratava-se da supressão -ou, eufemisticamente,
da flexibilização- de um direito trabalhista. Pretendia-se
reduzir de 8% para 0,5% do salário a contribuição
patronal para o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de
trabalhadores de empresas com renda bruta anual até R$ 36 mil.
A regra estava quase escondida em projeto
anunciado com alarde há dois anos por Lula. Batizado de Pré-Empresa,
o texto tinha o objetivo de trazer para a formalidade as empresas de
fundo de quintal existentes aos milhões. Mas, desde então,
a propaganda oficial sempre preferiu destacar o alívio tributário
proporcionado pelo texto. Não é difícil entender
o desconforto do governo petista com a proposta, cujo DNA é liberal.
Lula, na época, ainda incluía a trabalhista entre as cinco
reformas que pretendia fazer em seu mandato -as demais seriam a previdenciária,
a tributária, a política e a agrária. O fracasso
da primeira tentativa ajuda a explicar o arrefecimento do impulso reformista.
Tucanos e empresários
No Congresso, a proposta ganhou o apoio
do lobby empresarial e foi encampada pelo PSDB, que tomava a frente na
elaboração de nova lei para as micro e pequenas empresas.
O texto do governo acabou incluído no projeto da Lei Geral das
Micro e Pequenas Empresas, relatado pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).
Eram tempos em que o governo Lula assumia mais abertamente a adoção
da agenda liberal e mantinha canais de negociação com os
tucanos -o período em que o ex-ministro Antonio Palocci Filho
(Fazenda) dava as cartas.
O cenário era outro neste ano,
quando, no meio da campanha eleitoral, a Lei Geral foi votada na Câmara.
Mesmo minoritária, a oposição de esquerda conseguiu
tirar do texto a "flexibilização" do FGTS, sem
que o governo ou os tucanos e pefelistas tivessem ânimo de lutar
pela medida.
No acordo fechado com os governadores para aprovar a Lei Geral no Senado, ficou
acertado que não haveria mais alterações substantivas
no texto além da data de entrada em vigor da nova legislação.
Com isso, pouco restou do projeto da Pré-Empresa,
badalado por Lula na campanha. Na parte tributária, a pessoa jurídica
com renda bruta anual até R$ 36 mil foi enquadrada, como as demais
micro e pequenas, nas regras do Supersimples (imposto que substituirá seis
tributos federais, um estadual e um municipal). Do texto original do
Executivo, as empresas de fundo de quintal mantiveram a isenção
da contribuição sindical. Seus donos poderão, ainda,
contribuir com 11% de sua renda para a Previdência, em vez dos
20% cobrados dos demais não-assalariados, desde que abram mão
do direito de se aposentar por tempo de contribuição.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 10 de novembro de 2006 | Nacional
Deputados receberam em média
R$ 780 mil para serem eleitos
Apenas as contas para os cargos legislativos
foram analisadas; candidatos à Presidência e aos Governos
Estaduais têm até dia 28 para entregar balanço
Paulo R. Zulino
SÃO PAULO - De acordo com levantamento
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram necessários, em média,
R$ 780,69 mil em doações para eleger um deputado federal.
O resultado foi divulgado depois do levantamento para apurar os valores
totais das receitas e despesas declaradas pelos candidatos nas prestações
de contas entregues à Justiça Eleitoral. O mesmo cálculo
apontou que a eleição de um senador demandou R$ 2,95 milhões.
No caso dos deputados estaduais/distritais,
estima-se que a arrecadação média para eleger um
membro de Assembléia Legislativa tenha sido de R$ 397,08 mil.
De outro lado, considerando-se as despesas, estima-se que cada candidato
tenha gasto, em média, R$ 395,64 mil para ser eleito.
Foram eleitos 1.059 deputados estaduais/distritais
em todo o País. Os números apontaram que a receita arrecadada
para as campanhas de deputados estaduais e distritais aproximaram-se
dos valores das campanhas para deputado federal.
Candidatos a deputado estadual/distrital,
de todas as unidades da federação, arrecadaram R$ 420.511.258,43,
enquanto candidatos a deputado federal tiveram receita de R$ 400.496.958,81.
Já os candidatos ao Senado Federal, que concorreram às
27 vagas disponíveis no pleito, arrecadaram R$ 79.886.012,61.
O balanço do TSE levou em conta
apenas as prestações de contas dos candidatos a deputado
federal, deputado estadual/distrital e a senador. Valores referentes
aos governadores e candidatos a presidente serão totalizados após
a entrega de todas as prestações de contas, cujo prazo
limite é 28 de novembro.
Os candidatos a deputado federal por São
Paulo foram os que mais arrecadaram recursos para a campanha: R$ 102.536.398,49.
Já os que arrecadaram menos recursos foram os de Rondônia,
com R$ 937.158,21. Os gastos dos deputados chegaram a R$ 399.192.043,38.
O valor total das despesas dos candidatos
ao Senado de todo o Brasil chegou a R$ 79.206.580,20. Os candidatos de
Minas Gerais a senador foram os que mais gastaram: R$ 7.995.286,54. Os
candidatos do Acre foram os que tiveram a menor despesa - 43.037,27.
Depois, vêm os do Mato Grosso do Sul, com R$ 126.987,92, e os do
Maranhão, com R$ 220.117,80.
Sobras de campanha
De acordo com o artigo 27 da Resolução
22.250/2006 do TSE, que disciplina a prestação de contas,
ao final da contabilização de receitas e despesas dos recursos
provenientes da campanha eleitoral, os partidos devem declarar na prestação
de contas à Justiça Eleitoral eventuais sobras de recursos
financeiros.
As sobras, após julgados todos
os recursos, devem ser transferidas aos partidos. No caso de coligação,
são divididas entre os partidos que a compõem.
A lei especifica que tais sobras devem
ser utilizadas pelos partidos, de forma integral e exclusiva, na criação
e manutenção de instituto ou fundação de
pesquisa destinados à doutrinação e educação
política. As sobras dos recursos financeiros são definidas
pela Justiça Eleitoral como a diferença positiva entre
os recursos arrecadados e as despesas realizadas em campanha e também
como recursos provenientes de origem não identificada.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
10 de novembro de 2006 | Cidades
Quadrilha dá rombo de R$ 1 mi
em INSS
CYNTHIA CASTRO
A Polícia Federal (PF) de Belo
Horizonte está desarticulando uma quadrilha responsável
por dar um desfalque de pelo menos R$ 1 milhão no Instituto Nacional
de Seguridade Social (INSS).
Ontem, seis mandados de busca e apreensão
em residências e escritórios contábeis – na
capital, Igarapé e Ribeirão das Neves – foram cumpridos
na Operação Vesúvio.
Ninguém foi preso, mas a PF recolheu
um vasto material em residências e estabelecimentos comerciais
com fortes indícios de fraudes em aposentadorias e auxílio-doença.
Até agora, seis pessoas são
acusadas de participar da quadrilha. A polícia também investiga
o envolvimento de pelo menos cem segurados. O principal suspeito de chefiar
o esquema, segundo a PF, é o empresário Diógenes
Moreira Gonçalves, 56.
Ele é proprietário de algumas
empresas que forneciam atestados falsos de trabalho a pessoas que queriam
se aposentar. Já está certa a participação
de 11 empresas no esquema.
“Elas inseriam um contrato falso
na carteira de trabalho de uma pessoa, com o objetivo de conseguir uma
aposentadoria por tempo de serviço.
Mas, na verdade, essa pessoa nunca havia
trabalhado para a empresa”, explicou o delegado Robinson Fuchs
Brasilino, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários
(Deleprev).
Em muitos casos, também eram usados
atestados médicos falsos, indicando principalmente alguma doença
psiquiátrica. A PF estima que os prejuízos podem ultrapassar
R$ 1 milhão.
Entre os seis acusados de integrar a quadrilha,
estão a mulher e a irmã de Diógenes, uma contadora
e outras duas mulheres que seriam agenciadoras – entravam em contato
com pessoas, geralmente desempregadas, “convidando-as” a
participar do esquema.
O empresário Diógenes já havia
sido preso pelo mesmo motivo em setembro deste ano, ao tentar sacar um
benefício em Betim, mas depois de dois meses foi liberado por
ordem judicial.
Ontem, a maioria dos documentos suspeitos
foi encontrada na casa dele, no bairro Castelo, Pampulha. Mais de 30
cheques, com valores como R$ 700 e até R$ 5.000, foram apreendidos.
Uma agenda telefônica e uma lista
com mais de 40 nomes serão investigadas porque podem conter os
dados das pessoas que seriam beneficiadas com as aposentadorias.
Em um contracheque apreendido em nome
da mulher de Diógenes constava o valor de R$ 6.200. Na casa da
contadora, acusada de participar do esquema, foram apreendidos documentos,
um revólver calibre 22 e 14 cartuchos.
A mulher, que prestou depoimento, alegou
que o revólver era do marido. Ele não tem o porte de arma.
Como não havia mandado de prisão expedido pela Justiça
e não houve flagrante, ninguém foi preso ontem.
A operação faz parte
das ações da força-tarefa coordenada pela delegada
Cristina Camatta. Participam do trabalho o INSS e o Ministério
Público Federal.
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CONSULTOR JURÍDICO,
10 de novembro de 2006
Trabalho na Anatel
Ministro nega liminar para suspender
ação trabalhista
O Supremo Tribunal Federal decidiu que
só não devem ser julgados pela Justiça do Trabalho
processos que envolvam estatuários e servidores. A regra não
se aplica a processos de trabalhadores temporárias de autarquias
da União, que são de competência trabalhista.
A interpretação é do
ministro Cezar Peluso, que negou liminar para suspender ação
de uma ex-funcionária da Anatel que tramita na 18ª Vara do
Trabalho de Porto Alegre. O entendimento do ministro contraria decisão
da ministra Cármen Lúcia que, nesta semana, suspendeu um
processo de uma outra ex-funcionária da Anatel que tramitava na
Justiça Trabalhista.
Neste caso em que Cezar Peluso é relator,
a Anatel sustentou que a vara do trabalho não tem prerrogativa
para decidir processo que não é regido pela CLT. Para isso,
baseou-se na Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.395.
Na ocasião, o Supremo decidiu que não é da “competência
da Justiça do Trabalho a apreciação de causas que
sejam instauradas entre o poder público e seus servidores, a ele
vinculados por típica relação de ordem estatutária
ou de caráter jurídico-administrativo”.
Para o ministro, essa decisão não
se aplica ao caso por que o processo é referente a típica
reclamação trabalhista. Segundo ele, a decisão do
Supremo só impede que a Justiça do Trabalho julgue demandas
fundadas em relações estatutárias ou jurídico-administrativas
entre o poder público e seus servidores e não vínculo
jurídicos de outra natureza, como é o caso.
RCL 4.723
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CONSULTOR JURÍDICO,
10 de novembro de 2006
Alegação de pobreza
Advogado não consegue benefício
de Justiça gratuita
O Tribunal Superior do Trabalho rejeitou
recurso de um advogado que pedia assistência judiciária
gratuita. O advogado, condenado em reclamação trabalhista
ajuizada por um servente de pedreiro, apresentou Agravo de Instrumento
no TST, contra a decisão de primeira instância, mantida
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (Alagoas).
O servente trabalhou para o advogado entre
2003 e 2005 e alegou que não recebeu seus direitos trabalhistas.
O advogado, em sua defesa, sustentou que nunca houve vínculo empregatício.
Ele relatou que comprou lote em condomínio residencial fechado
e contratou um engenheiro para a construção da casa. O
engenheiro, conforme o advogado, indicou o empreiteiro e o mestre-de-obras,
a quem cabia convidar e dispensar os membros de sua equipe, dependendo
da empreitada e do volume de trabalho.
Como o empregador não compareceu à audiência
de conciliação, foi condenado à revelia ao pagamento
dos direitos trabalhistas do servente, no valor de R$ 2 mil. Quando recorreu
da condenação, o advogado deixou de efetuar o depósito
recursal e aproveitou para pedir o benefício da Justiça
gratuita.
Alegou que, como pessoa física,
não possuía o valor necessário, nem tinha “a
possibilidade de levantá-lo sem prejuízo de seu sustento
e de sua família, tendo em vista os compromissos e as dívidas
contraídas na construção de sua residência”.
Para comprovar, anexou extratos de conta bancária, que registravam
saldo negativo na véspera da interposição do recurso.
A alegação de pobreza foi
contestada pelo servente de pedreiro, que contra-arrazoou o recurso,
alegando deserção (o recurso é considerado deserto
quando a parte que recorre não efetua o depósito).
O TRT-AL rejeitou o pedido de Justiça
gratuita, por concluir que as informações contidas no processo
eram incompatíveis com a declaração de pobreza firmada
pelo advogado. “Como aceitar o estado de pobreza afirmado pelo
recorrente, quando dos autos constam informações de que é proprietário
de empreendimento imobiliário, em condomínio localizado
em área nobre desta cidade de Maceió.”
No TST, o juiz convocado José Ronald
Cavalcante Soares, ressaltou que, embora o TRT-AL esclarecesse que “a
concessão da gratuidade judiciária requer apenas que a
parte requerente declare seu estado de necessidade, entendeu que, no
caso dos autos, a situação acerca da situação
econômica do recorrente não viabiliza o deferimento do pedido,
e não conheceu o recurso por considerá-lo deserto.”
A 6ª Turma, por unanimidade, negou
provimento ao agravo porque não ficou demonstrada nenhuma violação
legal ou divergência jurisprudencial. “Na verdade, o recorrente
busca tão-somente rediscutir o indeferimento da gratuidade judiciária,
em indisfarçável procura de levar à revista de fatos
e provas, o que é vedado pela jurisprudência do TST (Súmula
126)”, concluiu o relator.
AIRR 964/2005-006-19-40.0
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CONSULTOR JURÍDICO,
10 de novembro de 2006
Folgas da toga
Juízes dizem que tiram férias
para trabalhar
por Aline Pinheiro
Pegou mal, nos meios judiciais, a reportagem
sobre as folgas do Judiciário, publicada pela Consultor Jurídico
na quarta-feira, 1º de novembro, (Judiciário Folgado — Para
cada dia de trabalho, Judiciário descansa outro ). Juízes,
desembargadores e associações de classe se levantaram,
durante esta semana, para justificar a quantidade de folgas previstas
no calendário da Justiça. A atividade do juiz é estressante;
juiz está sempre levando trabalho para casa, dizem uns e outros,
mas ninguém ou muito poucos contestaram os números que
indicam que, para cada dia trabalhado, a lei prevê um dia de folga
no Judiciário.
“Não sou folgado”,
diz Ricardo Castro Nascimento, vice-presidente da Associação
dos Juízes Federais do Estado de São Paulo, mais ofendido
com o título do que com o conteúdo da reportagem. Nascimento,
que preferiu falar em nome próprio e não representando
a associação, sustentou que “a única diferença
entre os juízes e trabalhadores comuns é que, por lei,
o juiz tem 60 dias de férias”.
A reportagem da ConJur destacou que os
cerca de 180 dias de férias e folgas que favorecem juízes,
desembargadores e ministros do Judiciário estão previstos
em lei. Não há ilícito em desfrutá-los. São
60 dias de férias, mais 18 dias de recesso de fim de ano, mais
18 feriados, além do descanso semanal. É o que prevê a
legislação.
Os números variam de ano para ano.
E variam também da Justiça Federal para a Justiça
Estadual, bem como da primeira para a segunda instância ou para
os tribunais superiores. Mas no cômputo geral, a legislação
prevê cerca de 50 dias de trabalho a mais para os trabalhadores
comuns. Para eles, há 30 dias de férias e 11 feriados,
mais o descanso semanal.
Para os juízes, essa diferença
tem uma boa justificativa. Dizem que, por exercer uma das mais, senão
a mais estressante das profissões, nada mais justo que o juiz
possa ter um período de descanso maior para repor suas energias. “Acho
razoável os 60 dias de férias. A carga de trabalho do juiz é desumana
e a missão de julgar é algo que desgasta emocionalmente”,
avalia Walter Nunes, presidente da Associação dos Juízes
Federais do Brasil (Ajufe). “Por mais difícil que seja para
a sociedade entender, as férias dos juízes se justificam.”
“Se a lei prevê 60 dias de
descanso, é porque há motivos para isso”, explica
o desembargador Henrique Nelson Calandra, vice-presidente da Associação
Paulista de Magistrados (Apamagis). Um dos motivos que aponta é a
alta taxa de óbitos entre magistrados, reflexo do desgaste imposto
pelo ofício de julgar. Outro motivo é a necessidade de
tranqüilidade para refletir, coisa que juiz encontra com mais certeza
no recesso do lar do que no tribunal. “O juiz precisa de muita
reflexão para decidir um processo que, às vezes, o ambiente
forense não permite”, considera o vice-presidente da Apamagis.
Com ele, concorda o desembargador José Renato
Nalini, do Tribunal de Justiça de São Paulo: “O lugar
menos compatível para decidir é o tribunal. Telefone, visita,
sustentação. Se o juiz tivesse mais tranqüilidade,
as decisões seriam melhores.” Mas, Nalini acredita na necessidade
de um Judiciário operante, seja em casa ou no tribunal. “Sou
daqueles que pensam que a Justiça, qual pronto-socorro, deve funcionar
continuamente”, afirma.
Embora não o digam, alguns juízes
parecem entender que é a própria lei está errada. “A
maioria dos juízes usa os 60 dias de férias para colocar
os processos em dia”, explica Cláudio Montesso, vice-presidente
da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra), apontando um típico caso de desvio de
função das férias. Para ele, o fato de o fórum
estar fechado não significa que o juiz não está trabalhando.
Todos representantes da categoria ouvidos
pela ConJur seguem esta linha de raciocínio. Para eles, juízes
não saem de férias nem ganham feriados. O que eles estão
sempre fazendo, dizem, é levando trabalho para casa na luta insana
de colocar o serviço em dia, seja nas férias, finais de
semana ou feriados.
A desculpa é sincera e abrange
uma parcela considerável de julgadores preocupados em cumprir
sua missão. A única falha nesse tipo de raciocínio é que
ele coloca a decisão de trabalhar dos juízes num campo
totalmente subjetivo. Mesmo porque não há nenhuma lei que
obrigue juiz a levar trabalho para casa.
A verdade objetiva é que, enquanto
a legislação garante até 180 dias sem trabalho por
ano para os juízes que quiserem desfrutá-los, 65 milhões
de processos repousam nas prateleiras dos juízos e tribunais à espera
de julgamento.
Procurado pela Consultor Jurídico,
o CNJ informou que não poderia se manifestar sobre o assunto,
já que só fala sobre temas que estão em sua pauta.
A questão dos feriados e férias, por enquanto, não
está. Já esteve. Foi quando o conselho liberou os Tribunais
de Justiça a regulamentar suas férias coletivas, proibida
pela Emenda Constitucional 45.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/11/2006
TST envia ao Congresso anteprojeto do “Controle
Concentrado”
O Tribunal Superior do Trabalho enviará ao
Congresso Nacional anteprojeto de lei propondo a adoção
do “Controle Concentrado”, que funcionará na Justiça
do Trabalho nos mesmos moldes da Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI) no Supremo Tribunal Federal, apenas sem o caráter constitucional
e sem o efeito vinculante. O envio do anteprojeto foi aprovado por unanimidade
pelo Pleno do TST. De acordo com a proposta, o Tribunal Superior do Trabalho
poderá ser compelido, mediante provocação de entidades
legitimadas, a interpretar o alcance e o sentido de uma norma trabalhista
que esteja recebendo interpretações divergentes em segunda
instância.
De acordo com o anteprojeto, o TST poderá ser
chamado a uniformizar normas de direito material ou processual do trabalho
mediante ação direta, declaratória do seu alcance
e sentido a ser proposta pelo Ministério Público, pelo
Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, por entidades sindicais
e de classe de âmbito nacional e pela Advocacia-Geral da União.
De acordo com o presidente do TST, ministro Ronaldo Lopes Leal, idealizador
da proposta, a interpretação prévia de temas polêmicos
permitirá que as instâncias ordinárias saibam, de
antemão, a posição do TST sobre a questão.
A expectativa é a de que a medida
tenha reflexos no número de recursos que chegam ao TST, ainda
que a súmula oriunda do Controle Concentrado não tenha
efeito vinculante, ou seja, não tenha que ser seguida obrigatoriamente
pelas instâncias ordinárias. A principal diferença
entre o sistema atual de edição de súmulas jurisprudenciais
no TST e o sugerido no anteprojeto de lei diz respeito ao tempo. Atualmente
uma súmula jurisprudencial só é editada pelo TST
depois vários julgamentos repetitivos e muitos anos depois de
surgida a polêmica na segunda instância. Esse atraso faz
com que milhares de processos sobre a questão subam ao TST, vindos
de várias partes do País.
Leia a seguir a íntegra do anteprojeto
de lei que a ser enviado ao Congresso Nacional pelo Tribunal Superior
do Trabalho:
Institui, no âmbito do Tribunal
Superior do Trabalho, o controle concentrado do alcance e do sentido
de norma de direito material ou processual do Trabalho e dá outras
providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço
saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º O Tribunal Superior do Trabalho
poderá proceder à uniformização de normas
de direito material ou processual do trabalho mediante ação
direta, declaratória do seu alcance e sentido.
Art. 2º Podem propor a ação
direta declaratória:
I – o Ministério Público;
II – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
III – as entidades sindicais e de classe de âmbito nacional;
IV – a Advocacia-Geral da União.
Art. 3º é condição
da propositura da ação tramitar em Tribunal Regional do
Trabalho ação em que se objetive, em controle difuso, a
interpretação da respectiva norma material ou processual
do trabalho a ser submetida ao controle concentrado.
Parágrafo único. Proposta
a ação direta declaratória será sustada a
ação que objetive o controle difuso.
Art. 4º Ao julgar a ação
direta declaratória, o Tribunal Superior do Trabalho emitirá,
sobre matéria, súmula especial sem caráter vinculante.
Art 5º. O Tribunal Superior do Trabalho
disporá no seu Regimento Interno sobre a regulamentação
da ação direta declaratória.
Art. 6º Revogadas as disposições
em contrário, esta lei vigorará trinta dias após
a regulamentação a que se refere o art. 5º.
Justificativa
O Tribunal Superior do Trabalho tem por
principal função institucional a uniformização
da interpretação dada pelos diversos Tribunais Regionais
do Trabalho às normas jurídicas de direito material e processual,
nos casos concretos submetidos ao seu julgamento.
A uniformização jurisprudencial,
no entanto, somente pode se realizada quanto as ações judiciais
em que são discutidas questões de direito controvertidas
forem efetivamente submetidas à apreciação desta
Corte Superior pela via recursal, o que, no mais das vezes, só ocorre
vários anos após ajuizamento de tais ações,
haja vista o grande número de processos atualmente em trâmite
na Justiça do Trabalho. Essa sistemática tem propiciado
a proliferação de decisões díspares em relação à mesma
matéria, acarretando um quadro de insegurança jurídica.
A ação de que trata o presente
anteprojeto de lei visa exatamente a possibilitar ao Tribunal Superior
do Trabalho declarar seu posicionamento, em tese, quanto ao alcance e
ao sentido de determinada norma jurídica antes mesmo de as ações
em curso na Justiça do Trabalho serem submetidas ao seu crivo
pela via recursal. Pretende-se, com isso, impedir que sejam proferidas
pelos Tribunais Regionais do Trabalho decisões conflitantes relativamente
a matérias idênticas e, consequentemente, evitar a multiplicação
de recursos de revista calcados em divergência jurisprudencial.

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