 |

SECRETARIA
DE RELAÇÕES DO TRABALHO
COORDENAÇÃO-GERAL
DE RELAÇÕES DO TRABALHO
PORTARIA
Nº 3, DE 9 DE NOVEMBRO DE 2006.
Altera
a Portaria nº. 1, de 25 de maio de 2006, que aprovou
Ementas Normativas da Secretaria de Relações
do Trabalho. O SECRETÁRIO DE RELAÇÕES
DO TRABALHO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, no
uso das atribuições previstas no art. 17 do
Decreto nº. 5.063, de 3 de maio de 2004 e no Anexo VII,
do art. 1º da Portaria nº. 483, de 15 de setembro
de 2004; resolve:
Art.
1º A Ementa nº. 2 do Anexo da Portaria
nº. 1, de 25 de maio de 2006, passa a vigorar com
a seguinte redação:
“EMENTA
Nº. 2 HOMOLOGAÇÃO. APOSENTADORIA.
É devida
a assistência prevista no § 1º, do art. 477,
da CLT, na ocorrência da aposentadoria espontânea
acompanhada do afastamento do empregado. A assistência
não é devida na aposentadoria por invalidez.
Ref.: art. 477, § 1º, da CLT; art. 4º, da IN
nº. 3, de 2002; STF RE 449.420-5/PR”
Art.
2º Ficam revogadas as Ementas nº.
15 e 30 do Anexo da Portaria nº. 1, de 25 de maio
de 2006.
Art.
3º Esta Portaria entra em vigor na data
de sua publicação.
MARIO
DOS SANTOS BARBOSA
|
|
Diário Vermelho, 12
de novembro de 2006
Prefeitura de São Paulo é nova
meta de Alckmin
O candidato derrotado do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin,
quer mesmo disputar a Prefeitura de São Paulo em 2008. Desde que foi
batido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da
eleição, no fim de outubro, Alckmin trabalha em silêncio
na tentativa de manter o vínculo com os políticos que o apoiaram
na campanha deste ano e preservar sua influência na máquina do
partido. "Eu vou trabalhar para organizar o PSDB", diz.
Seu problema é que, no
meio do caminho, existem o governador eleito de São Paulo,
o também tucano José Serra, e o prefeito da capital
paulista, Gilberto Kassab (PFL). Serra pode dar apoio a um eventual
projeto de reeleição de Kassab, que herdou sua cadeira
quando ele renunciou para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes
e em quem confia com uma intensidade rara.
Além disso, Serra parece não ter apagado da memória a
determinação com que Alckmin se lançou contra ele na disputa
dentro do partido pela candidatura ao Palácio do Planalto, no primeiro
semestre deste ano. Com o controle das máquinas da prefeitura e do governo
nas mãos de Serra, Alckmin passou a ser refém do futuro governador.
Até seus aliados admitem que, sem caneta para nomear e demitir, tornou-se
difícil para o candidato derrotado à Presidência manter-se
como cardeal do PSDB.
O próprio Kassab tratou de mandar um recado claro de que sua aliança
com Serra supera até mesmo o fato de ambos pertencerem a partidos diferentes. "Mais
que o PFL, meu projeto é o Serra", avisou. O problema no horizonte
do prefeito é que a sua popularidade no momento não recomenda
a aventura eleitoral. As pesquisas a que tucanos e pefelistas vêm tendo
acesso não apresentam Kassab como um político conhecido nem aparentemente
capaz de empolgar o eleitorado paulistano - sobretudo numa disputa que pode
ter no outro pólo a ex-prefeita Marta Suplicy (PT).
De qualquer forma, sua presença no xadrez da escolha dos candidatos
força Alckmin a sentar à mesa de negociação. "É importante
que Kassab esteja no páreo. Ele é nosso e faz o que a gente quer.
Se Serra disser que ele tem de disputar, ele disputa. Se Serra falar para não
disputar, ele também vai entender", diz um tucano que prefere não
se identificar.
|
Diário Vermelho, 12
de novembro de 2006
Maioria do PMDB quer colaborar com
Lula, diz Temer
O presidente do PMDB, Michel Temer (SP) gasta boa parte do seu tempo em consultas
ao partido, para saber que posição adotar em relação
ao governo. Um dos apoiadores mais destacados do presidenciável derrotado
Geraldo Alckmin, Temer reconhece: "O PMDB está disposto a colaborar
com o presidente Lula, essa é a intenção. Tenho conversado
com todos e a tendência maior é partir para o apoio ao governo."
Temer condicionou uma deliberação
oficial do PMDB a um contato com Lula. O presidente já recebeu
vários líderes peemedebistas depois de eleito. Privilegiou
o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), do mesmo grupo dos senadores Renan
Calheiros (AL) e José Sarney (AP). Temer aguarda a sua vez: "Estamos à espera
do presidente Lula. Aguardamos uma conversa com ele. O tempo é do
presidente. O tempo é todo dele".
O deputado falou à Agência Nordeste (assinantes). Ele descartou
a hipótese de renunciar à presidência do PMDB, como desejam
os lulistas de primeira hora do partido. Na última semana, chegou-se
a difundir a informação de que Temer receberia um "prêmio" caso
se dispusesse à renúncia. O governo estaria disposto a indicá-lo
para o posto de ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
O advogado Temer dá de ombros para a oferta velada. "É inviável",
diz ele. "Isso já foi insinuado antes e eu não quis".
Ele diz que a idéia de negociar politicamente uma indicação
para o Judiciário é "um pensamento inadequado". Ou
seja, se quiser negociar institucionalmente com o PMDB, Lula terá mesmo
que incluir Temer no rol de negociadores. O presidente do PMDB se diz aborrecido
com a ênfase que se vem dando à discussão por cargos nos
entendimentos do partido com o governo. "Isso é péssimo.
O assunto me aborrece muito. Pode observar, eu nem falo nisso. Ocupar cargos
no governo é uma das conseqüências da coalizão política,
não essa tão comentada por todos, mas aquela que determina a
divisão de responsabilidades".
|
Nova Central, 11 de novembro
de 2006
Deputados deverão reajustar seus
salários em 90,7%
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), decidiu levar a voto
até o final de dezembro uma proposta pouco palatável. Prevê o
aumento do salário dos deputados. O auto-reajuste deve elevar os vencimentos
de cada um dos 513 deputados de R$ 12.847 para R$ 24.500 –um acréscimo
de 90,7%. Pressionado pelos colegas, Aldo Rebelo vinha empurrando a demanda
com a barriga. Quando questionado, dizia: “O assunto não está em
pauta.” O burburinho dos corredores, porém, cavou um lugar para
o tema na pauta de Aldo, que tenta viabilizar-se como candidato à reeleição
para o cargo de presidente.
Em conveniente surdina, Aldo iniciou na última semana uma série
de contatos aos líderes partidários e a políticos influentes
de todas as legendas. Informou que vai levar a proposta de aumento à mesa
diretora da Câmara, a quem cabe submeter o tema ao plenário. Antes,
sente o pulso dos colegas. Busca uma maneira de apresentar o reajuste à opinião
pública.
Uma vez aprovado na Câmara, o aumento será imitado pelo Senado.
A maioria dos 81 senadores também deseja ver os contracheques tonificados.
A providência se espalhará em seguida, num inevitável efeito
cascata, pelas assembléias legislativas e câmara de vereadores
de todo país.
A última vez que os congressistas se auto-concederam um reajuste foi
em 2003. Daí a pressão. Desconsidera-se, porém, o fato
de que, antes de renunciar para fugir a uma cassação de mandato,
o ex-presidente Severino “Mensalinho” Cavalcanti aprovara uma verba
de representação de R$ 15 mil para cada deputado. Foi, na prática,
um aumento disfarçado.
É um dinheiro que o parlamentar usa como bem entende. Paga o combustível
do carro, as despesas de escritórios nos Estados, a contratação
de consultorias etc. Verificou-se que, para comprovar as despesas, muitos deputados
levaram à contabilidade da Câmara recibos fictícios e notas
fiscais frias.
De resto, o debate não leva em conta que os congressistas são
beneficiários de outras vantagens indiretas: além do salário
de R$ 12.847 e da verba de representação de R$ 15 mil, cada um
recebe R$ 3.000 para despesas com moradia –há quem prefira ocupar
apartamentos funcionais—; R$ 4,3 mil para gastos com correspondências
e telefonia; e até R$ 16,5 mil para compra de passagens aéreas.
Tudo somado, cada parlamentar custa ao erário R$ 51.647. Sem contar
o dinheiro repassado para a contratação de assessores de gabinete.
Uma verba que alguns não se pejam de desviar para o próprio bolso.
Considerado isoladamente, o vencimento de R$ 24.500 com que os congressistas
pretendem se premiar não constituiria necessariamente um absurdo. É quanto
ganham os ministros do STF. É menos do que recebem muitos executivos
de empresas estatais e privadas. O que confere ares de acinte ao reajuste é a
combinação da remuneração indireta com a sucessão
de escândalos que o Congresso vem produzindo –de mensalões
a sanguessugas.
Aldo Rebelo encomendou um estudo para embasar a proposta de aumento. Pretende
submetê-lo à mesa diretora entre o final deste mês e o início
de dezembro. Dias atrás, em encontro com um grupo de parlamentares,
no seu gabinete, Aldo disse que está considerando três hipóteses:
1) a consolidação de toda a verba destinada a cada gabinete,
que passaria a ser gerida livremente pelos parlamentares; 2) a incorporação
da verba de representação ao salário; 3) a concessão,
pura e simplesmente, do reajuste, mantendo intocados os demais benefícios.
A última hipótese é a que mais agrada à maioria
da Casa. Por ora, apenas dois partidos ameaçam reagir: PPS e PV. O que
não representaria uma barricada capaz de deter o exército pró-aumento.
|
Congresso em Foco, 12 de novembro
de 2006
Aldo diz que não disputará reeleição
para a Câmara
Segundo a Agência Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados,
Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse neste domingo que não disputará a
reeleição para o cargo porque isso significaria apresentar candidatura,
iniciativa que não tomará. "Na Câmara, há muitos
nomes capazes de unificar a instituição, de propor uma agenda
que dê à Casa o papel de destaque e a importância que ela
deve ter no debate e na busca de soluções para os desafios que
o país enfrenta e enfrentará no próximo ano", afirmou
Aldo, conforme matéria da repórter Flávia Albuquerque,
da agência oficial de notícias do governo federal.
Aldo Rebelo assumiu hoje interinamente,
pela primeira vez, a Presidência da República. Lula transmitiu
o cargo no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, pouco antes de
seguir para Brasília, de onde embarcaria rumo a Venezuela. O vice-presidente,
José Alencar, está impossibilitado de substituir Lula porque
se encontra em tratamento de saúde nos Estados Unidos, onde se
submeterá a uma cirurgia na próxima terça-feira,
dia 14.
Primeiro comunista a assumir a Presidência
no país, Aldo se impôs um comportamento discreto. A transferência
do cargo foi feita em cerimônia rápida e simples, à qual
somente os cinegrafistas tiveram acesso. Lula, que lhe desejou boa sorte,
volta amanhã mesmo da Venezuela. "Eu sei que essa responsabilidade
tem uma dimensão muito importante, resultado da vida democrática
madura que o nosso país está alcançando", disse
Aldo.
Questionado sobre a formação
do segundo governo Lula, o deputado respondeu que o assunto está a
cargo do presidente, que saberá conduzir a questão. E acrescentou: "Todos
nós torcemos para que seja bem-sucedido, porque seria bom para
o país e para a população que o presidente consiga
formar um governo que lhe dê sustentação no Congresso
e tenha bom diálogo com a oposição".
|
Folha de São Paulo, 11 de novembro de
2006
Maiores doadoras a eleitos no Congresso
são empreiteiras
Empresas do setor destinaram R$ 24,1 milhões
a 254 deputados e 15 senadores | Siderúrgicas e mineradoras
vêm atrás; grupo Vale do Rio Doce contribuiu com R$
6,8 milhões para campanhas vitoriosas ao Legislativo
SILVIO NAVARRO, LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Empreiteiras de diversos Estados do país
foram as principais doadoras das campanhas vitoriosas ao Congresso Nacional
entre as empresas cujo ramo de atividade pode ser identificado nas prestações
de contas dos eleitos entregues à Justiça Eleitoral. No
total, 254 deputados e 15 senadores declararam terem recebido ao menos
R$ 24,1 milhões desse setor.
O número de eleitos que recebeu
alguma quantia de construtoras representa quase metade das vagas que
estavam em disputa para a Câmara (513) e o Senado (27). Essas doações
abrangem praticamente todos os partidos cujos eleitos entregaram a contabilidade à Justiça
Eleitoral dentro do prazo. Os números mostram preferência
das empreiteiras por três siglas: PMDB, PT e PSDB, justamente as
maiores bancadas da Casa a partir do ano que vem. Os eleitos por essas
siglas receberam cerca de R$ 12 milhões das construtoras.
Encabeçam a lista das empreiteiras
que mais desembolsaram a Camargo Corrêa (R$ 2,2 milhões),
a Construtora OAS (R$ 1,9 milhão) e a Barbosa Melo (R$ 1 milhão).
A maioria dos deputados que recebeu dinheiro da OAS é de São
Paulo. O levantamento do perfil dos doadores por bancada foi feito pela
Folha a partir da base de dados brutos e parciais do Tribunal Superior
Eleitoral. Como o tribunal não exige que a prestação
de contas informe a natureza do ramo empresarial, só foi possível
analisar aquelas em que a atividade está explícita. Daí a
explicação para os doadores da maior parte dos recursos
não terem sido rastreados. Na maioria dos casos, a contabilidade
informa apenas se tratar de pessoa jurídica, mas não diz
a natureza da ocupação.
Na Câmara, dos 513 eleitos, 18 não
prestaram contas ao tribunal. No Senado, todos os 27 senadores entregaram
os relatórios. Segundo o TSE, entretanto, qualquer dado ainda
pode ser corrigido ou somado. De acordo com os dados fornecidos pelo
TSE, os 495 deputados eleitos que prestaram contas informaram terem arrecadado
um total de R$ 249 milhões. No Senado, os 27 que assumem mandato
no ano que vem disseram ter recolhido R$ 37,4 milhões.
Outros doadores
A análise mostra que outros doadores
majoritários foram mineradoras, metalúrgicas, siderúrgicas,
bancos, petroquímicas, usinas de álcool e açúcar,
empresas ligadas ao agronegócio e pecuária, além
da Bolsa de Valores de São Paulo. As mineradoras investiram ao
menos R$ 8 milhões, com destaque para subsidiárias da Vale
do Rio Doce -Caemi, Urucum e Mineradoras Brasileiras Reunidas- que, juntas,
financiaram parte das campanhas de 51 deputados e três senadores,
com investimento de R$ 6,8 milhões. A Companhia Brasileira de
Metalurgia e Mineração doou R$ 1,1 milhão para 12
deputados e dois senadores. A CSN doou R$ 500 mil ao ex-ministro Ciro
Gomes (PSB-CE).
As siderúrgicas identificadas desembolsaram
R$ 10,4 milhões na eleição de parlamentares. Os
maiores financiadores nessa área foram o grupo Gerdau, com R$
2,4 milhões, e a Belgo, com R$ 1,1 milhão. Uma das maiores
contribuições individuais foi a da empresa Centroalcool
para o deputado Roberto Balestra (PP-GO). Ele recebeu R$ 1,1 milhão.
Balestra é agropecuarista e até fevereiro deste ano foi
secretário de Agricultura de Goiás. O levantamento da Folha
identificou um total de R$ 33,5 milhões repassados para os congressistas
eleitos por meio de comitês financeiros ou diretórios partidários.
Esses dados não são abertos na contabilidade dos parlamentares
e constam apenas da prestação isolada de cada comitê.
|
Folha de São Paulo, 11 de novembro de
2006
Folha filtrou oito áreas
de financiadores
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para apontar o perfil dos doadores dos parlamentares, a Folha filtrou oito áreas
de atividade com maior ocorrência na base de dados brutos que foi fornecida
pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esses ramos são, tradicionalmente,
os principais financiadores de candidatos em eleições no país.
No entanto, só foi possível selecionar as empresas cujas áreas
de atuação estavam explícitas pelo nome declarado à Justiça
pelo candidato.
Ou seja, como o Tribunal Superior Eleitoral não exige que o candidato
informe a natureza da ocupação das empresas, a origem do maior
volume de doações não é especificada -consta apenas
como pessoa jurídica.
O material bruto foi entregue pelo Tribunal Superior Eleitoral na terça-feira à noite.
A Folha solicitou o auxílio do tribunal para analisar os dados, mas
não conseguiu o contato com os técnicos durante toda a semana.
O tribunal também chegou a divulgar na quinta-feira o total arrecadado
e gasto por todos os que concorreram a algum cargo no país, mas não
detalhou como ocorreu a captação desses recursos.
|
Folha de São Paulo,
11 de novembro de 2006
BOLSA FAMÍLIA
Oposição vai tentar aprovar
no Senado 13ª parcela do benefício
FERNANDA KRAKOVICS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Papel central nas eleições
presidenciais deste ano, o Bolsa Família agora tranca a pauta
de votações do Senado e vem causando constrangimento ao
governo. A base aliada terá de tomar a impopular medida de negar
a concessão de uma 13ª parcela do benefício aos assistidos
pelo programa. O objetivo da oposição é caracterizá-lo
como eleitoreiro. Em setembro, o senador Efraim Morais (PFL-PB) apresentou
projeto de lei criando a medida. O objetivo era provar que a oposição
não queria acabar com o Bolsa Família, como dizia a campanha
petista. A matéria tramita em regime de urgência.
"Quando a questão é eleitoral
o governo pensa de uma forma e quando é social, de outra. Neste
ano eles aumentaram o número de famílias atendidas de 8
milhões para 11 milhões e reajustaram o valor do benefício
em 33%. Agora se recusam a dar aos pobres um direito que os trabalhadores
têm", afirmou o líder do PFL, senador José Agripino
(RN). O PFL obstruiu a sessão da última quarta-feira, condicionando
a votação de três medidas provisórias à apreciação,
primeiro, do projeto de lei. A matéria tem que ser votada na próxima
sessão.
O líder do governo, senador Romero
Jucá (PMDB-RR), disse que a proposta é inconstitucional. "Refuto
aqui as colocações de que eu estaria prejudicando a população
do país. O que estamos fazendo é discutir um projeto que
tem vício de origem, porque gera despesa permanente para o Executivo
e não tem previsão orçamentária." Uma
alternativa para minimizar o desgaste é aprovar um requerimento
retirando a urgência do projeto. "O Bolsa Família foi
a grande arma do PT. O presidente, só na Bahia, lançou
1,5 milhão de famílias. Elas têm direito ao abono
natalino", provocou Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
|
Folha
de São Paulo, 12 de novembro de 2006
ONGs "ineptas" recebem 54% dos
repasses ao setor, diz TCU
Entre 1999 e 2005, dez entidades receberam R$
150,7 milhões do governo federal | Ministro do Planejamento admite
que mecanismos de controle de convênios precisam ser mais rigorosos
e defende transparência
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Organizações não-governamentais
sem condições ou sem capacidade para executar convênios
com a União receberam mais da metade -54,5%- das verbas federais
destinadas a atividades para as quais faltam braços ao Estado,
estima relatório de auditoria recém-aprovado do TCU (Tribunal
de Contas da União), com base em amostra que para o órgão
representa o padrão de comportamento dessas entidades. O TCU
analisou detalhadamente 28 convênios celebrados com dez ONGs.
Eles cuidam da prestação de serviços na área
de saúde indígena à concessão de bolsas
de estudo, passando pela capacitação do programa Primeiro
Emprego e pela compra de ambulâncias.
Os convênios analisados receberam
R$ 150,7 milhões dos cofres públicos entre 1999 e 2005.
O Siafi (sistema informatizado de acompanhamento de gastos federais)
mostra que entidades privadas sem fins lucrativos movimentam quantias
bilionárias de tributos arrecadados no período. Desde
2001, com exceção de 2003 (ano de drástica redução
de gastos não-obrigatórios), essas entidades vêm
recebendo mais de R$ 2 bilhões por ano, em valores corrigidos
pela inflação. O total de convênios é um
mistério. Lideram os repasses os ministérios da Saúde
e o de Ciência e Tecnologia.
Sem controle
A relação entre o Estado
e as ONGs, de acordo com o TCU, é pautada pela quase absoluta
falta de controle, com conseqüente perda aos cofres públicos
e à população. "O que está ocorrendo é uma
verdadeira terceirização da execução das
políticas públicas para organizações da
sociedade civil, daí descambando para toda sorte de ilícitos
administrativos, tais como a burla da exigência de concurso público
e de licitações, o uso político-eleitoreiro dos
recursos transferidos, o desvio de recursos para enriquecimento ilícito,
entre muitos outros", diz a auditoria relatada pelo ministro Marcos
Bemquerer Costa, à qual a Folha teve acesso.
O relatório determina a adoção
de providências pelos ministérios do Planejamento e da
Justiça. O TCU cobra a divulgação, pela internet,
de todos os convênios para repasses de recursos públicos
a entidades privadas, assim como do cadastro completo das entidades
de interesse público (as Oscips) ou de utilidade pública.
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse que as recomendações
do TCU serão acatadas pelo governo porque "há interesse
em haver total transparência" no trato dos recursos públicos
destinados às ONGs. Segundo ele, é preciso melhorar os
mecanismos de controle desses convênios.
"Queremos restringir o acesso de
recursos públicos apenas a quem tem condições",
disse ele, ainda sem conhecer os detalhes da auditoria. O TCU recomendou
ao Tesouro Nacional que adote critérios "aferíveis
e transparentes" para a escolha de entidades que receberão
dinheiro público. Durante a auditoria, constatou-se que os planos
de trabalho das ONGs não seguem regras determinadas pelo Tesouro.
Em geral, os objetos dos convênios não são definidos
com precisão, as metas são vagas e as irregularidades
incluem ainda superfaturamento de preços e notas fiscais frias.
Além disso, foram detectadas falhas na avaliação
que antecede a aprovação dos convênios. Há situações
em que os pareceres dos órgãos públicos simplesmente
inexistem.
É o caso de convênio entre
o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)
e a Associação de Plantas do Nordeste, em que não
houve análise técnica. A ONG atuou como mera intermediadora
de recursos públicos, já que não executaria atividades
de pesquisa para as quais foi contratada pelo Ministério de
Ciência e Tecnologia. Em cinco convênios auditados da Funasa
(Fundação Nacional de Saúde), faltaram certidões
que atestassem situação regular com o Fisco.
Uma das entidades contratadas, a Urihi
-Saúde Yanomami, teria sido criada, segundo o TCU, só para
receber e gerenciar dinheiro (R$ 33,8 milhões) da Funasa. Na
avaliação dos auditores, dada a quantidade e a semelhança
das falhas nas primeiras fases dos convênios, elas não
se limitam a irregularidades formais. Seriam omissões, "ou
até mesmo ações deliberadas para dificultar a
efetividade do controle nas fases subseqüentes".
|
Folha
de São Paulo, 12 de novembro de 2006
Pastas ligadas a movimentos sociais devem
ficar com PT
Ministérios servem para acomodar esquerda
petista
EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No momento em que sinaliza a perda de
espaço do PT em seu novo governo, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva avisou aos petistas que um grupo de ao menos cinco cargos "periféricos" de
primeiro escalão serão mantidos de qualquer forma sob
o comando do partido. São ministérios e secretarias ligadas
a movimentos sociais. Anteontem, reunido na Câmara, o PT prometeu
disputar espaço político na Esplanada e que, no mínimo,
quer manter a atual participação no primeiro escalão
do segundo mandato de Lula. Hoje, dos 34 ministros, 16 são filiados
ao PT.
Nas contas do Palácio do Planalto,
pelo menos cinco deles estão num grupo informalmente conhecido
como "porteira fechada", ou seja, que estão fora das
articulações com outras siglas aliadas, como PMDB, PP
e PSB. Serão de novo preenchidos por integrantes do PT. No grupo
estão dois ministérios (Desenvolvimento Agrário
e Meio Ambiente) e três secretarias especiais (Direitos Humanos,
Políticas para as Mulheres e Igualdade Racial).
Em conversas reservadas, o presidente
avalia que ceder tais pastas para outros partidos seria como desvincular
do PT a bandeira de determinados temas apontados como históricos
de defesa do partido. Lula, inclusive, criou tais secretarias e não
cedeu às pressões para extingui-las em troca do enxugamento
na máquina. Além disso, possui nesses ministérios
e nessas secretarias especiais a possibilidade de acomodar algumas
tendências da esquerda do partido, como é hoje o caso
da DS (Democracia Socialista) no Ministério do Desenvolvimento
Agrário, antes com Miguel Rossetto e agora com Guilherme Cassel.
No momento de formar o primeiro escalão
do novo mandato, pesa ainda a favor da manutenção dos
petistas a dívida de Lula com os movimentos sociais, que saíram às
ruas para apoia-lo em meio à crise do mensalão, quando
a oposição cogitava um processo de impeachment contra
ele. Na hipótese de entregar a pasta da reforma agrária,
por exemplo, abriria o risco de descolar do Planalto a boa relação
que tem com os sem-terra. Nas conversas sobre o novo mandato, o Ministério
das Cidades, hoje com o PP, aparece na lista de pedidos dos petistas.
Nos termos ouvidos pela Folha
em conversas com integrantes do governo, além das "porteiras
fechadas", há também aqueles ditos como da "cota
pessoal" do presidente, onde o PT teria também prioridade.
Entram nesse grupo Casa Civil, Fazenda, Planejamento, Previdência,
Educação, Relações Institucionais, Desenvolvimento
Social, Secretaria Geral e Trabalho, todos hoje nas mãos de
petistas.
|
Folha
de São Paulo, 12 de novembro de 2006
Jovens chegam ao mercado de trabalho sem
qualificação
Da população de 15 a 25 anos, 37%
não completaram nem o ensino fundamental | Dos jovens que não
concluíram o ensino, 23% já deixaram estudo; mercado exclui
quem tem menos de oito anos de escolaridade
ANTÔNIO GÓIS
DA SUCURSAL DO RIO
O Brasil não pode deixar de investir no futuro,
mas ainda tem contas a acertar com o passado. É o que mostra
estudo realizado pela economista Sonia Rocha, do Instituto de Estudos
do Trabalho e Sociedade. A partir da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios), do IBGE, ela mostra que 37% dos jovens de 15
a 25 anos não completaram nem o ensino fundamental. É essa
a população que, apesar de todos os esforços que
levaram o país a praticamente universalizar o acesso ao ensino
fundamental na década passada, está entrando no mercado
com baixa qualificação. A escolarização
precária acaba sendo também mais um entrave para o desenvolvimento.
Rocha mostra que, desses jovens que não concluíram
o fundamental, 23% já não mais estudam. Na maioria dos
casos, vão acabar encontrando a mesma dificuldade pela qual
passou Marcos Vinícius Amaral, 22, para achar um emprego. Ele
abandonou a escola quando cursava a quinta série para ajudar
o pai a cuidar dos irmãos. Amaral chegou a trabalhar como garçom
e tentou vaga em restaurantes apostando nessa experiência. "Mas
me disseram que não me aceitariam sem o ensino fundamental.
Por isso, voltei a estudar", diz ele.
Para Rocha, os dados deixam claro que ainda temos um
imenso passivo educacional e que é urgente garantir que esses
jovens tenham, ao menos, o ensino fundamental completo: "O mercado
está excluindo o trabalhador com menos de oito anos de escolaridade.
A tendência é que o ensino médio completo venha
brevemente a ser o nível mínimo de escolaridade aceito
pelo mercado formal".
A economista defende que, visto que é praticamente
inviável qualificar todos os trabalhadores adultos -a média
dessa força de trabalho é de só 6,6 anos de estudo-,
o melhor caminho seria ter como meta que todos os jovens de até 25
anos consigam ao menos completar o ensino fundamental. "Essa situação
já é crítica e tende a só se agravar, criando
um extraordinário ônus econômico e social."
Uma das razões que levaram o país a não
aproveitar na totalidade os benefícios da quase universalização
do ensino fundamental foi que, uma vez na escola, parcela significativa
desses jovens não aprendeu. Como resultado disso, muitos abandonaram
os estudos no meio do caminho após repetirem sucessivamente
de ano. Isso pôde ser comprovado com a divulgação,
neste ano, da Pnad de 2005. Ela mostrou que desde 2003 vem aumentando
o percentual de jovens de 15 a 17 anos fora da escola, interrompendo
uma curva de melhoria nesse indicador que vinha desde a década
passada.
|
Folha
de São Paulo, 13 de novembro de 2006
TENDÊNCIAS/DEBATES
Impasse na luta contra o trabalho escravo
WALTER NUNES
A competência para julgar
o crime de redução à condição análoga à de
escravo deve ser da Justiça Federal. Cabe ao STF decidir rapidamente
A PARTIR de 1995, o Brasil, com o apoio
de diversas entidades da sociedade civil -entre elas, a Ajufe (Associação
dos Juízes Federais do Brasil)-, vem desenvolvendo intenso trabalho
para erradicar o trabalho escravo. Foram criados o Grupo Especial de
Fiscalização Móvel (no âmbito do Ministério
do Trabalho) -que cuida, com o apoio da Polícia Federal, de
libertar os trabalhadores encontrados em situação de
escravidão- e o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
(no Ministério da Justiça), que deve propor mecanismos
para garantir maior eficácia na prevenção e repressão
ao trabalho escravo. A par disso, em 2003, o governo federal lançou
um Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.
A posição transparente
adotada pelo Brasil de admitir, em 2004, na ONU, a existência
de um número de 25 mil trabalhadores escravos e o seu efetivo
engajamento no combate a essa prática desumana fizeram com que,
já a partir de abril de 2002, a OIT (Organização
Internacional do Trabalho) colocasse em execução o projeto
de cooperação técnica "Combate ao Trabalho
Escravo no Brasil".
Devido a esse trabalho desenvolvido
pelo governo federal em conjunto com entidades não-governamentais,
o país foi citado como referência no relatório
global da OIT do ano de 2005 -"Uma Aliança Global Contra
o Trabalho Forçado". Há, porém, diversos
fatores que dificultam a luta contra esse tipo de criminalidade. No
Brasil, o entrave que atualmente mais preocupa diz respeito à questão
processual atinente ao órgão jurisdicional competente
para julgar os casos de trabalho escravo.
Precedentes do STJ (Superior Tribunal
de Justiça) confirmam a competência da Justiça
Federal, afirmando que "o delito de redução à condição
análoga à de escravo (...) se enquadra na categoria dos
crimes contra a organização do trabalho, de competência
da Justiça Federal", "pois vai além da liberdade
individual". Todavia, a questão não está pacificada:
pende de conclusão no STF (Supremo Tribunal Federal) o julgamento
do RE 398.041, com o qual, aí sim, na qualidade de órgão
jurisdicional que detém a última palavra para definir
questões de natureza constitucional, será definido o
assunto.
Por enquanto, quatro ministros votaram
no sentido de que a matéria é da alçada da Justiça
Federal, porém, houve pedido de vista. A indefinição é maléfica
para o combate ao trabalho escravo, pois, conforme a decisão
do STF, ou os processos até agora julgados pela Justiça
Federal ou os apreciados pela Justiça estadual serão
considerados nulos, o que levará ao reconhecimento da prescrição
de muitos dos delitos praticados.
Não se pode deixar de observar
que a competência da Justiça Federal é firmada
tendo em conta as nuanças de ordem política interna e
internacional. O fato mesmo de o Brasil ser uma República Federativa
implica o dualismo judicial, com a coexistência de órgãos
jurisdicionais federais e estaduais. A competência federal tem
como critério não apenas os crimes contra os bens, serviços
e interesses da União e entidades federais mas também
os crimes contra os interesses da República Federativa do Brasil
perante a ordem internacional.
Em todos os casos em que o Brasil se
compromete perante a ordem internacional a combater determinado crime,
a hipótese deve recair no rol dos casos que estão afetos à jurisdição
da Justiça Federal, pois essa é a forma de o Estado federativo
deixar claro que efetivamente irá, no plano interno, envidar
os esforços necessários para honrar o compromisso assumido
no estrangeiro.
Por isso mesmo, entre outras hipóteses,
mantendo a tradição de nosso sistema, a Constituição
de 1988 insere na competência da Justiça Federal o julgamento
dos crimes contra a organização do trabalho. Se há um
plano estratégico definido pelo governo federal em atenção
a compromissos assumidos com organismos internacionais de combate ao
trabalho escravo, com a conseqüente criação de órgãos
federais específicos para atuar nessa área, resta claro
que, mesmo que não se considere o crime de redução à condição
análoga à de escravo como crime contra a organização
do trabalho, não há como negar que delito dessa natureza
malfere, concretamente, interesse da República Federativa do
Brasil e serviço confiado a órgãos federais.
Daí por que a competência,
de uma forma ou de outra, nos termos da Constituição, é da
Justiça Federal. Urge que seja encerrado aquele julgamento pelo
STF, a fim de que seja definido o segmento do Judiciário competente,
evitando, assim, não só a morosidade mas também
a própria impunidade de crime da mais alta gravidade, que afronta
a dignidade humana, espinha dorsal de todo sistema jurídico
democrático. WALTER NUNES DA SILVA JÚNIOR, 43, juiz federal,
doutor em teoria constitucional do processo penal e professor de direito
penal da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, é presidente
da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil).
|
Folha
de São Paulo, 13 de novembro de 2006
Lula conta com PMDB para ter apoio recorde
na Câmara
Governo espera obter maior base de apoio formal
e aposta na migração entre siglas | Computadas as bancadas
eleitas em outubro, petista contaria com apoio de 63% da Câmara;
FHC assumiu os dois mandatos com 65%
RANIER BRAGON, SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O segundo mandato do governo Lula poderá ser
respaldado pela maior base de deputados na Câmara dos últimos
20 anos. Para que isso se concretize, o governo espera contar com 90%
da bancada do PMDB e deve se beneficiar de uma prática que condenava
na oposição: a migração de deputados entre
as legendas. Líderes de partidos governistas dizem, abertamente,
que vão inflar suas bancadas com a adesão de deputados
eleitos que esperam apenas a diplomação pela Justiça
Eleitoral para abandonar o barco da oposição. PSDB e
PFL, que elegeram juntos 131 deputados, já admitem que terão
cerca de 120.
Computadas as bancadas eleitas em outubro,
o governo Lula contaria com o apoio formal de 63% da Câmara,
ou 325 dos 513 votos. Esse número não significa transferência
automática de votos, já que "traições" nas
bancadas são comuns, mas assegura margem confortável
para aprovar projetos. Esse cenário é possível
contando o apoio de metade da bancada do hoje oposicionista PDT e a
adesão de 90% do PMDB, que terá 89 deputados.
O presidente Lula precisaria, então,
de poucos "neoaliados" para superar o melhor índice
de apoio de um governo novo nos últimos anos, tomando como base
de comparação os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso,
que começou as legislaturas com respaldo de cerca de 65% dos
deputados. Uma maioria robusta é crucial para o governo, entre
outras coisas, por um simples motivo: em 2007, Lula terá que
aprovar a prorrogação ou "eternização" de
dois instrumentos considerados pelos últimos governos como essenciais à administração,
a CPMF (o "imposto" do cheque) e a DRU (Desvinculação
das Receitas da União, que permite maior liberdade na execução
orçamentária). Como significam emendas à Constituição, é necessário
o voto de pelo menos 60% dos deputados para aprovação.
Troca-troca
"A expectativa é que cheguemos à posse
com 40 deputados", afirma o líder do PL, Luciano Castro
(RR), que espera, com isso, um crescimento de quase 100%, já que
os liberais elegeram 23 deputados. Em 2002, o partido de Valdemar Costa
Neto (SP) elegeu 26 deputados, tomou posse com 33 e chegou ao seu auge
com 53 deputados, em junho de 2005, quando foi atingido em cheio pelo
escândalo do mensalão. "Tem deputado com a ficha
de filiação já assinada, só não
estamos divulgando porque eles estão pedindo reserva por enquanto",
completa Castro.
O PL se uniu ao Prona, que elegeu dois
deputados, para criar o Partido da República. A fusão
depende ainda de homologação da Justiça Eleitoral.
PL, PTB e PP foram os partidos usados no começo do governo Lula
para receber os deputados que aderiam ao governo. A medida foi estimulada
pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, que teve
o mandato cassado. Os oposicionistas PFL e PSDB, que elegeram 154 deputados
em 2002, chegaram a perder mais de 40 integrantes durante a legislatura.
Com o mensalão, o governo mudou
a indicação do destino a seus neoaliados para legendas
como o PSB. "Um partido que atingiu a cláusula de barreira
[regra que desidratará legendas pouco votadas] é normalmente
procurado. As pessoas estão esperando a diplomação,
como é exigido, para definir os rumos, mas é óbvio
que há conversas nesse sentido", disse o líder do
PSB, Alexandre Cardoso (RJ).
Oposição
A perspectiva de não contar com
o simbólico um terço da Casa -número mínimo
para pedir uma CPI, por exemplo- preocupa a oposição.
Com 65 eleitos, o pior desempenho desde 1994, o PFL já espera
perder até dez deputados, alguns deles por conta do futuro secretariado
do governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB). "Se
não acontecer nenhum desvio, podemos recuperar e chegar a 60
com os suplentes dos secretários", diz o líder do
PFL na Casa, Rodrigo Maia (RJ).
No caso do PSDB, a expectativa é que
o partido perca deputados no Ceará e na Paraíba devido
a turbulências internas no partido. "O PSDB deverá ter
pouca alteração, mas isso não quer dizer que não
haverá gente que entre ou saia", diz o líder da
legenda, Jutahy Jr. (BA). Mais uma vez, o retrospecto mostra que o
governo não terá dificuldade em inchar sua base de apoio.
Levantamento feito pela Folha mostra
que deputados federais trocaram de partido nos últimos anos
em uma velocidade média de uma migração a cada
cinco dias. Desde 1995, há na Câmara dos Deputados o registro
de 754 movimentações dos parlamentares saindo de uma
legenda e ingressando em outra, um frenético "troca-troca" iniciado
na metade da década de 80. Um outro fator benéfico ao
governo é a tendência de a base governista crescer nos
primeiros meses da nova gestão.
|
Folha
de São Paulo, 13 de novembro de 2006
Trabalhadores são maioria entre
os pobres no Brasil
Participação dos ocupados entre
os que ganham menos sobe de 43,3% para 52% | Já os inativos (aposentados
e quem recebe verba social) diminuíram participação
relativa no total dos pobres de 56,7% para 48% desde 90
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Quem trabalha ou procura emprego no
Brasil dos últimos anos empobreceu. Quem já se aposentou
ou é beneficiado por programas sociais ou vinculados à Previdência
conseguiu se proteger mais que os ativos.
Nos últimos anos, o país sofreu uma inversão. As pessoas
inativas (aposentados, beneficiários da Previdência, deficientes,
crianças no Bolsa Família etc.) diminuíram sua participação
relativa no total da população pobre. No início dos anos
90, os inativos pobres eram maioria: 56,7% do total dos pobres no país.
Hoje, são minoria: 48% -considerando "pobre" quem ganha até meio
salário mínimo.
Os trabalhadores foram no caminho inverso.
Sua participação relativa na população
pobre subiu significativamente, de 43,3% para 52% -sobretudo entre
os desempregados. Enquanto no passado a situação da pobreza
relacionava-se mais com o segmento inativo da população
(crianças, idosos, deficientes), ter ou procurar uma ocupação
hoje não garante mais superar a miséria. Segundo o economista
Marcio Pochmann, da Unicamp e autor de estudo que chegou a essa conclusão,
a piora na condição da população ativa
se deu principalmente pelo baixo crescimento econômico nos últimos
anos, pelo aumento do desemprego e pela precarização
do mercado de trabalho.
"A situação da pobreza
só não se tornou mais desfavorável devido aos
avanços nas políticas sociais, em grande medida depois
da Constituição de 1988, que expandiu o gasto social",
afirma Pochmann. Outros economistas, no entanto, avaliam que a forte
expansão desses gastos sociais também é um dos
motivos do baixo crescimento. Para repassar dinheiro aos inativos,
o Estado precisa onerar os ativos e o setor produtivo como um todo,
cobrando cada vez mais impostos. Isso emperraria os investimentos produtivos
e o crescimento.
Enquanto a carga tributária aumentou
mais de dez pontos percentuais nos últimos dez anos, os gastos
com benefícios assistenciais e subsidiados saltaram 1.362%,
de R$ 5,2 bilhões por ano em 1987 para R$ 76 bilhões
no ano passado.
Já os gastos com inativos e pensionistas da Previdência subiram
310% no mesmo período, passando de R$ 10,4 bilhões para R$ 42,6
bilhões. Hoje, esses benefícios, mais os pagamentos da Previdência
a quem recebe mais de um salário mínimo, correspondem a 60% do
gasto não-financeiro da União. Há 15 anos, eram 22,3%.
"O maior aumento nesses gastos é recente.
Nos benefícios maiores a aposentados com dinheiro retirado do
setor produtivo, equivale a dizer que o Brasil aumentou o investimento
no passado, quando deveria ser o contrário", afirma Sérgio
Vale, da MB Associados. O especialista em contas públicas Amir
Khair afirma, porém, que o maior vilão da história
do baixo crescimento do Brasil é o juro alto, não os
programas sociais que seguraram o empobrecimento dos inativos.
"Embora venha se tornando uma crença,
a idéia de que a redistribuição da renda via programas
sociais emperra o crescimento não se confirma à medida
que se observa um aumento da atividade econômica justamente nas
regiões onde há mais atendidos por esses benefícios.
O problema é o juro", diz. Em 2005, o Brasil se comprometeu
com R$ 160 bilhões para pagar e refinanciar sua dívida
pública, na casa do R$ 1 trilhão. O valor representa
a metade do que o país gasta com benefícios assistenciais,
segundo cálculos do economista Raul Velloso.
"O corte de apenas um ponto
percentual na taxa Selic [o juro básico] representa uma economia
de R$ 10 bilhões por ano para o setor público",
diz Khair. O valor é maior do que o gasto previsto em 2006
com o Bolsa Família (R$ 8,5 bilhões). Pochmann concorda
que o aumento dos gastos sociais também travou os investimentos
públicos, mas pondera que a maior "asfixia" ocorreu
pela "financeirização" da economia por conta
dos juros elevados.
|
Folha de São Paulo,
13 de novembro de 2006
Desemprego e precarização
do trabalho explicam o empobrecimento dos ativos
DA REPORTAGEM LOCAL
No período em que houve uma "metamorfose" na
composição da pobreza no Brasil, a taxa de desemprego no
maior mercado de trabalho do país, a cidade de São Paulo,
subiu de 8% para 16%, tendo batido em 20% no final dos anos 90. Ao longo
do período, o rendimento médio de quem ficou no mercado
de trabalho ocupado caiu um terço, tanto em São Paulo como
nas principais regiões metropolitanas do país. Segundo
Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos),
a atual "crise estrutural" no mercado de trabalho faz com que
os trabalhadores aceitem valores mais baixos e vagas precárias
-daí o empobrecimento dos ativos.
Isso explicaria em boa medida o fato de
quase 90% das vagas formais hoje criadas pagarem só até R$
700 ao mês.
Ao usar o salário mínimo como critério para medir a pobreza,
também é preciso levar em conta tanto seu aumento real quanto
o seu poder de compra. Por causa da queda nos preços dos alimentos e
dos aumentos reais dados ao mínimo no governo Lula (25% acima da inflação),
o salário mínimo, que comprava apenas 70% de uma cesta básica
ao final do governo FHC, hoje paga duas. Como muitos dos benefícios
assistenciais e previdenciários são indexados ao mínimo,
a correção do poder de compra dos inativos foi maior do que para
quem ficou no mercado.
|
Folha de São Paulo,
13 de novembro de 2006
BENEFÍCIOS
Autônomo que pagar menos ao INSS
só se aposentará por idade
DO "AGORA"
Somente os trabalhadores autônomos
que quiserem se aposentar por idade poderão reduzir de 20% para
11% a contribuição ao INSS a partir de julho de 2007. A
aposentadoria por idade é concedida aos homens aos 65 anos e às
mulheres aos 60. Essa redução valerá caso a Lei
Geral das Micro e Pequenas Empresas, na qual a regra está incluída,
passe na Câmara. Ela deveria começar a vigorar em janeiro,
mas como também há redução no pagamento de
tributos de empresas, os Estados pediram mais tempo para não perder
receita. O Senado, então, aprovou o projeto com vigência
a partir de julho. Com a mudança, a Câmara deve votar novamente
o projeto ainda neste ano.
Segundo a lei, o autônomo (trabalhador
sem carteira assinada) poderá contribuir com menos à Previdência
Social a partir de julho de 2007. Mas quem paga 20% hoje e quiser obter
a aposentadoria por tempo de contribuição (30 anos para
a mulher e 35 para o homem) não poderá reduzir a alíquota
-terá de manter os 20% sobre a remuneração mensal,
respeitado o mínimo de R$ 350 (R$ 70) e o máximo de R$
2.801,82 (R$ 308,20). Se o trabalhador contribui hoje com 20% e pretende
se aposentar por idade, sua contribuição ao INSS poderá cair
para 11%. Mas ainda é preciso ver como será a regulamentação
do projeto que diminui a alíquota.
Com a mudança, o objetivo
do Ministério da Previdência Social é fazer com
que mais trabalhadores sem carteira assinada passem a contribuir. Isso
porque 20% é considerada uma alíquota muito alta -para
quem ganha um salário mínimo, o pagamento mensal hoje
fica em R$ 70. Com a mudança, e o pagamento de 11%, esse valor
cairá para apenas R$ 38,50.
|
Folha de São Paulo,
13 de novembro de 2006
VEÍCULOS
Porte de IPVA e seguro deixa de ser
obrigatório
DA REPORTAGEM LOCAL
Os motoristas não precisam mais
portar os comprovantes de pagamento do IPVA e do seguro obrigatório.
A regra está em vigor desde sexta-feira. A determinação
consta da resolução nº 205, do Conselho Nacional de
Trânsito. Assim, os motoristas terão de portar apenas a
Carteira Nacional de Habilitação e o Certificado de Registro
e Licenciamento de Veículo (CRLV). Devido à dificuldade
na fiscalização, não será mais permitido
o uso de cópia autenticada do CRLV -só do original. As
cópias autenticadas serão admitidas até 15 de abril
de 2007. Quem não tiver o original do CRLV cometerá infração
leve, estando sujeito à multa de R$ 53,20 e três pontos
na carteira. Além disso, poderá ter o veículo retido
pela fiscalização de trânsito.
|
JORNAL O ESTADO DE SÃO
PAULO, 13 de novembro de 2006 | Economia
Dez megaprojetos de infra-estrutura
exigem R$ 40 bi
Falta de investimentos, questões
judiciais e burocracia emperram obras essenciais para o País
voltar a crescer
Renée Pereira
O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva não cansa de falar que o Brasil caminha rumo a um crescimento
de 5% ao ano. Mas até agora não deu as pistas de como vai
derrubar um dos principais obstáculos a esse objetivo: o sucateamento
da infra-estrutura do País. Levantamento feito pelo Estado com
especialistas do setor mostra que apenas dez megaprojetos considerados
prioritários para a aceleração do crescimento exigem
investimentos na casa dos R$ 40 bilhões. Isso sem contar a concessão
das rodovias federais, que representará uma injeção
de recursos de R$ 19,6 bilhões, no prazo de 25 anos.
Entre os projetos que precisam sair do
papel estão empreendimentos como as Hidrelétricas de Belo
Monte e Rio Madeira, Ferrovia Norte-Sul, BR-163 e melhorias no Porto
de Santos, o maior da América Latina. A maioria estava na lista
de promessas de campanha nas eleições de 2002, renovadas
em 2006. Alguns continuam empacados por questões ambientais ou
judiciais. Outros sofrem com a burocracia dos órgãos públicos
e com problemas de gestão. E todos enfrentam a falta de capacidade
de investimento do Estado, estrangulado pelos gastos na máquina
pública. Na média, os investimentos federais no setor limitam-se
a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB).
De acordo com dados da Associação
Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib),
o País precisa de R$ 87,7 bilhões de investimento por
ano, ou 4,25% do PIB de 2005, que foi de R$ 1,93 trilhão. A
expectativa da entidade era chegar em 2006 a 3,3% do PIB, incluindo
dinheiro público e privado. Mas certamente será mais
um ano de frustração.
|
ESTADÃO.COM
/ SÃO PAULO, 11 de novembro de 2006 | Economia
Setor industrial deve investir R$ 380
bi nos próximos 4 anos
Esses investimentos garantiriam expansão
do PIB em cerca de 1,4% ao ano
Alaor Barbosa
RIO - O setor industrial brasileiro
tem projetos de investimentos já identificados
no valor de R$ 380 bilhões para o quadriênio 2007-10, conforme
levantamento realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), na publicação "Visões do
Desenvolvimento", divulgada nesta sexta-feira.
A efetivação desses investimentos garantiria expansão
do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 1,4% ao ano no período,
conforme o estudo, que é assinado por Ernani Teixeira Torres Filho,
superintendente da Secretaria de Assuntos Econômicos, e Fernando
Pimentel Puga, assessor da presidência do banco estatal de fomento.
Os autores consideram o montante "surpreendente" e representaria
um crescimento de 13% ao ano nos investimentos, em relação
ao período 2002-05.
Quase metade desses investimentos (R$ 183,6 bilhões) será no
segmento de petróleo e gás, especialmente da Petrobras,
o que ilustra a forte concentração dos setores que deverão
liderar a expansão da indústria brasileira no período.
Outro segmento com forte expansão é o de mineração
e metalurgia, com R$ 52,7 bilhões, onde se destacam os projetos
da Cia Vale do Rio Doce. Esses dois segmentos responderão por
62,15% do montante previsto para o período, conforme o estudo.
Os outros setores identificados pelo BNDES são os de siderurgia
(R$ 37,1 bilhões, ou 9,76%); papel e celulose (R$ 16,9 bilhões,
ou 5,26%); petroquímico (R$ 17,6 bilhões, ou 4,63%); automotivo
(R$ 28,5 bilhões, ou 7,5%); eletroeletrônico (R$ 15,6 bilhões,
ou 4,10%); fármacos (R$ 4,6 bilhões, ou 1,21%) e o sucroalcooleiro
(R$ 20,5 bilhões, ou 5,39% do total).
Pontos em comum
Uma das principais característicos desses segmentos, conforme
aponta o estudo, é que são de "caráter autônomo",
ou seja, independem dos condicionantes macroeconômicos domésticos,
como renda, juros e câmbio. "São predominantemente
intensivos em capital e com investimentos concentrados em projetos de
longa maturação", observam os autores. Além
disso, os preços são determinados em moeda estrangeira,
fixados de acordo com os mercados internacionais.
Outra característica é que as empresas "são
internacionalizadas e muitas são classificadas como ´grau
de investimento´ (investment grade) pelo mercado financeiro internacional".
Outra característica comum é que o aumento da produção
está basicamente voltado para a exportação, argumentam.
Em outros casos, como os siderúrgicos e de papel e celulose,
o Brasil está sendo objeto de instalação de plantas
novas (greenfield) destinadas a exportação, substituindo
unidades que estão sendo fechadas em países da Europa e
da América do Norte. Como o Brasil tem forte competitividade nesses
segmentos, tem conseguido atrair investidor internacional. Segundo o
BNDES, no caso da siderurgia, o Brasil tem o mais baixo custo do mundo
e no caso de papel/celulose o País só perde para a Indonésia.
Destaque para Petrobrás
O estudo do BNDES mostra que o grupo Petrobras será o principal
vetor da expansão nos próximos anos, somando-se os investimentos
na exploração/produção de petróleo
e no segmento petroquímico. Na área de petróleo
e gás, os investimentos em exploração e produção
devem permitir a produção de 1,9 milhão de barris/dia
em 2006 para 2,4 milhões em 2010.
Somando-se esses investimentos, que responderão por 48,29% do
total, aos da área petroquímica (4,63%), obtém-se
53% do total. A ´lógica´ para o projeto petroquímico
a ser instalado no Rio de Janeiro (Comperj) é o aproveitamento
do excedente do petróleo pesado da bacia de Campos, redirecionando-o
para a indústria petroquímica nacional.
No segmento sucroalcooleiro, o BNDES identificou
89 projetos de novas unidades, das quais 51 já estão em andamento. "A tendência é que
o Brasil se torne um líder mundial no segmento de derivados de
etanol, incluindo produtos formados a partir do álcool da cana-de-açúcar,
onde o Brasil tem nítidas vantagens comparativas", observa.
|
DCI – DIÁRIO,
COMÉRCIO E SERVIÇOS, 13 de novembro de 2006
Trabalhador sem vínculo empregatício
pode ter benefícios
Trabalhadores sem vínculo empregatício
poderão ter direitos assegurados na Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) caso o Projeto de Lei nº 7.176/2006,
de autoria do deputado Paes Landim (PTB-PI), seja aprovado. Segundo o
projeto, esses profissionais terão direito a vale-transporte e
ao pagamento do 13º salário, que será calculado proporcionalmente
ao número de meses trabalhados.
De acordo com o texto, os trabalhadores
sem vínculo empregatício são aqueles que têm
o pagamento fixado por hora ou por dia e que não prestam serviço
ao mesmo patrão por mais de dois dias na semana ou por 36 dias
no ano, como os diaristas ou eventuais prestadores de serviços
a diversos patrões, intermediados por sindicatos.
Autônomos que não trabalham
em horários fixos ou que não tenham acordo de exclusividade
de serviço também estão nessa categoria, assim como
os profissionais liberais que prestam serviços técnicos
e recebem por tarefa executada ou por tempo à disposição
do patrão.
Colaboradores com menos de 24 anos (se
forem estudantes) ou mais de 60 anos e que não trabalham para
o mesmo empregador por mais de 22 horas por semana também são
considerados sem vínculo empregatício, de acordo com a
proposta.
O deputado Paes Landim diz estar atento
ao crescimento do mercado de trabalho informal no País e para
a sua da falta de regulamentação, mas reconhece que o vínculo
empregatício é um entrave à contratação
do jovem e do idoso. “É preciso, porém, assegurar
direitos mínimos e possibilitar emprego para o jovem e para o
idoso que quiserem obter uma renda mínima, estimulando ainda sua
contratação por empresas, instituições e
pessoas físicas”, argumenta.
Empréstimo em folha
Aqueles trabalhadores regidos pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) poderão fazer empréstimos consignados
em folha para a compra de imóveis, segundo prevê o Projeto
de Lei nº 7.177/2006, do deputado José Divino (sem partido-RJ).
De acordo com a proposta, os imóveis
podem ser novos ou usados e devem estar em situação legal
no Sistema Financeiro da Habitação, no Sistema Brasileiro
de Poupança e Empréstimo e no Sistema de Financiamento
Imobiliário.
José Divino afirma que a
aprovação do projeto resultará na diminuição
dos encargos financeiros para os mutuários e beneficiará a
indústria da construção civil, “geradora
de empregos para a mão-de-obra não qualificada”.
|
JORNAL ÚLTIMO SEGUNDO,
13 de novembro de 2006
Renda dos 500 mais ricos é igual à dos
416 milhões mais pobres
As 416 milhões de pessoas mais
pobres do mundo todo têm uma renda equivalente à das 500
pessoas mais ricas, informou hoje o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
O dado consta do relatório anual
sobre o desenvolvimento humano apresentado hoje pelo Pnud na Cidade do
Cabo. O documento inclui os índices que determinam o desenvolvimento
de cada nação, tanto em renda quanto nos níveis
de educação e de saúde, entre outras variáveis.
"A acumulação de riqueza
no nível mais alto da distribuição mundial de renda
foi mais nítida que a redução da pobreza no nível
mais baixo", diz o relatório do Pnud.
Os dados afirmam que todas as regiões
do mundo, com exceção da África subsaariana, vêm
reduzindo os seus níveis de pobreza desde 1990. As pessoas que
vivem com menos de US$ 1 por dia passaram de 28 para 21%. Hoje, elas
são 1 bilhão em todo o planeta.
A terça parte dos pobres vive na África
subsaariana e representa quase metade da população da região.
"A África subsaariana é a única
região que verifica o crescimento tanto da pobreza quanto do número
absoluto de pessoas pobres", acrescenta o Pnud.
Entre as metas de desenvolvimento do milênio
está a redução do total de pobres à metade,
até 2015. "Mas os dados nacionais mostram que os objetivos
não serão atingidos", diz o relatório.
O documento afirma que nove de cada dez
cidadãos dos países da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE) estão
entre os 20% mais ricos da população mundial. Em contraste,
um em cada dois habitantes da África subsaariana está entre
os 20% mais pobres.
A renda média dos 5 bilhões
de habitantes do mundo todo é de US$ 5.533 anuais. Porém,
só 20% chegam a esse patamar.
"A globalização
abriu espaço para um debate sobre as tendências da distribuição
de renda mundial. Algumas vezes se perde de vista a desigualdade profunda,
assim como a capacidade de redução da pobreza associada à maior
igualdade".
|
CONSULTOR JURÍDICO,
12 de novembro de 2006
Esclerose múltipla
Cargas tributária e burocrática
impedem justiça social
por Rodrigo Haidar
As altas cargas tributária e burocrática
do Brasil são os principais fatores que impedem que se atinja
um equilíbrio social no país. Recentemente, o Banco Mundial
revelou que o brasileiro gasta 2.600 horas anuais com burocracia – ou
seja, apenas para conseguir cumprir suas obrigações com
o Estado. “O segundo lugar neste ranking às avessas gasta
2.260 horas”, revelou na sexta-feira (10/11) o tributarista Ives
Gandra da Silva Martins, em palestra no IX Congresso Brasiliense de Direito
Constitucional, em Brasília.
Na conferência Democracia e Direitos
Sociais, Ives Gandra discutiu o impacto do que chamou de “um dos
sistemas mais esclerosados do mundo” nos direitos sociais. “O
Brasil vai perder o trem da história se não criar condições
de investimento ao menos semelhantes às dos outros países
em desenvolvimento”, afirmou o advogado. “Não podemos
falar em justiça social apenas com políticas assistencialistas.”
Ives Gandra sustentou que a busca da igualdade
social está intimamente ligada ao desenvolvimento do país.
O desenvolvimento, por sua vez, está ligado à capacidade
de atrair investimentos. E aí é que mora o problema brasileiro.
Pode-se considerar atraente um país onde uma empresa leva até 150
dias para abrir as portas (no caso de São Paulo), enquanto no
mundo a média é de 30 dias? Ou onde a carga tributária
passa de 37% do PIB?
“Eu sou contrário à anistia
por princípio. É uma injustiça com quem paga seus
impostos regularmente. Mas sou obrigado a reconhecer que é a única
solução para não liquidar empresas e deixá-las
gerando empregos”, afirmou o advogado.
Como exemplo de política de inclusão
de empresas – e consequentemente de inclusão social – Ives
Gandra citou a criação do sistema de recolhimento por lucro
presumido, que reduziu a carga tributária, “trouxe a maioria
das empresas para a formalidade e aumentou muito o universo de contribuintes”.
De acordo com o advogado, exemplos de
racionalização não faltam. Segundo ele, os dez novos
países do Leste Europeu que se somaram ao bloco da União
Européia, com burocracia e carga tributária menores, estão
criando condições infra-estruturais de atrair investimento
num movimento irreversível.
A receita para o Brasil é reduzir
carga tributária, burocracia, os encargos sociais, previdenciários
e redesenhar a máquina pública. “A previdência
do trabalhador governamental é um doze avos da previdência
do governador governamental.”
O professor de Direito Constitucional
colombiano Rodolfo Arango deu um exemplo de como o Judiciário
pode ajudar definir os alcances das garras do poder público. Segundo
Arango, há cerca de três anos, a Corte Constitucional da
Colômbia considerou inconstitucional uma reforma tributária
que aumentou muitos impostos, inclusive de produtos de necessidades básicas.
De acordo com a decisão, a reforma
não poderia sobreviver por que violava direitos fundamentais,
como o do bem estar de indivíduos. Os juízes entenderam
que a reforma deveria ser progressiva: ou seja, deveria taxar mais quem
tem mais dinheiro. Mas, ao contrário, a reforma feita pelo Parlamento
da Colômbia onerava mais os menores contribuintes.
“A decisão da Corte Constitucional é um
exemplo de superação da concepção original
da democracia representativa, do princípio de que o legislador
tem a procuração ilimitada do cidadão”, disse
Arango.
Completaram a conferência o professor
paranaense Jacinto de Miranda Coutinho e o espanhol Gerardo Pisarello.
Ambos discorreram sobre a efetividade da Democracia frente às
desigualdades sociais. A conclusão foi a mesma: não adianta
ter liberdade sem acesso aos recursos básicos de que as pessoas
precisam para garantir o exercício de seus direitos sociais.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
11 de novembro de 2006
Justiça que funciona
CNJ defende conciliação
para desafogar Judiciário
por Gláucia Milicio
Enquanto nos países desenvolvidos
o percentual de acordos em conflitos é de 80% a 82%, em países
subdesenvolvidos é de 30% a 35%, apontam pesquisas de entidades
internacionais. Para incentivar a resolução de litígios
por meio da conciliação, no Brasil, o Conselho Nacional
de Justiça instituiu o dia 8 de dezembro como o Dia Nacional da
Conciliação. A intenção é estimular
juízes e mostrar à população a importância
da conciliação na solução de conflitos que,
geralmente, demoram anos para serem julgados.
De acordo com o coordenador executivo
do projeto, desembargador Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, a data
servirá para conscientizar a população que causas
simples não precisam, necessariamente, chegar aos fóruns.
Ele diz que o movimento mostrará que a própria Justiça
está se mobilizando para criar meios alternativos de solução.
Segundo o desembargador, na Europa, cada juiz é auxiliado por
cerca de mil conciliadores. No Brasil, a prática de conciliar
está se tornando comum, mas ainda perde para os países
desenvolvidos com apontam as pesquisas.
O juiz André Goma explica que a
diferença de percentuais de acordos entre países desenvolvidos
e subdesenvolvidos acontecem por que os primeiros investem mais em cursos
de capacitação para futuros conciliadores e como conseqüência
os casos são rapidamente resolvidos. No Brasil, segundo ele, faltam
recursos ou até mesmo interesse dos governantes em investir em
cursos para ensinar as técnicas necessárias nos processos
autocompositivos para conciliar.
Ele citou, também, outros motivos
para o baixo índice de conciliação brasileira. Um
deles é que alguns tribunais têm dificuldade em organizar
um trabalho voluntário em grande escala. Outro motivo é que
alguns juízes mais conservadores não admitem ser auxiliados
por um conciliador.
Os advogados não se incomodam com
a atuação dos conciliadores, segundo pesquisa do Tribunal
de Justiça do Distrito Federal e seu serviço de mediação
forense. Constatou-se que é uma satisfação para
o advogado quando os conciliadores conseguem resolver os conflitos de
seus clientes, pois eles conseguem receber seus honorários em
um prazo menor.
De acordo com a desembargadora Maria Lúcia
Pizzotti, coordenadora do Projeto de Conciliação do Fórum
João Mendes, em São Paulo, os advogados estranhavam a prática
de conciliar apenas no começo por não estarem acostumados
com a nova cultura. “Mas hoje ele retorna ao Tribunal com uma porção
de pedidos por acreditar neste trabalho”, diz.
Casos encerrados
Em outubro, o Projeto de Atendimento Diferenciado
do Tribunal de Justiça de São Paulo, o Expressinho, fez
272 audiências e teve um índice de 85,66% de acordos. Os
atendimentos referem-se às empresas Eletropaulo, Embratel, Sabesp,
Telefônica e Unibanco, que têm parceria com o Tribunal no
projeto.
O Expressinho foi implantado em 2004.
O objetivo é resolver conflitos de forma rápida e sem que
haja a necessidade de entrar com uma ação judicial. Esse
sistema contribui para evitar a sobrecarga de processos judiciais, que
até agora já passam de 15,3 milhões em andamento
no estado de São Paulo.
Ele recebe processos em qualquer
fase da tramitação, das varas cíveis centrais
da capital. Os casos tratam de cobrança, reparação
de danos causados em acidentes de trânsito, indenização
por dano moral, execução, despejo por falta de pagamento,
além de questões que envolvem direitos patrimoniais.
Atualmente, São Paulo tem 76 setores de conciliação.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
13 de novembro de 2006
É legítimo
MP pode propor ação para
assegurar salário mínimo
O Ministério Público do
Trabalho tem legitimidade para ajuizar Ação Civil Pública
contra empregador para assegurar o valor do salário mínimo
aos funcionários. O entendimento é da Seção
Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do
Trabalho. Os ministros reconheceram ação proposta pelo
MP contra o município de José Freitas (PI).
De acordo com os autos, a prefeitura contratava
funcionários sem concurso e pagava salários abaixo do mínimo
legal. Com a decisão, o processo volta à Vara do Trabalho
de origem para que seja julgado.
Tanto o Tribunal Regional do Trabalho
da 22ª Região (Piauí) quanto a 2ª Turma do TST
entenderam que o MP não tem legitimidade para agir em defesa de
interesses individuais de categoria profissional. O caso, então,
foi para a SDI-1. A questão motivou um intenso debate. Saiu vencedora,
ao final, a corrente favorável à legitimidade.
Em 1997, o MP ajuizou Ação
Civil Pública contra o município por ter encontrado irregularidades
contra os servidores. O objetivo da ação era impedir que
o município contratasse trabalhadores sem concurso público
e pagasse salário inferior ao mínimo legal.
Além disso, o MP pretende obrigá-lo
a registrar os funcionários em carteira de trabalho, recolher
contribuições previdenciárias e FGTS, conceder férias,
pagar gratificação natalina e salário-família,
pagar diferenças salariais e seus reflexos e ainda fixar multa
por descumprimento das obrigações de fazer.
A discussão
O ministro Aloysio Corrêa da Veiga,
relator do processo no TST, não reconheceu a legitimidade do MP
para propor a ação. Para ele, na ação não
estava presente o interesse social relevante. Ele ressaltou que na ação “busca-se
tutelar pagamento de verbas salariais, em relação a interesse
particular, quando o bem a ser tutelado encontra-se na esfera patrimonial
individual do trabalhador”.
O representante do Ministério Público
presente à sessão, Ricardo José Macedo de Britto
Pereira, observou que o objetivo da Ação Civil Pública é fazer
com que o empregador pague as diferenças de salário mínimo
e outras parcelas trabalhistas, “todas elas previstas na Constituição
como direitos fundamentais dos trabalhadores”.
Na defesa, o procurador reconheceu que
existe a preocupação do TST de impedir que o Ministério
Público ocupe o espaço que deve ser preenchido pelos sindicados.
Mas destacou que “sindicato e Ministério Público
são instrumentos para a realização de um valor maior,
que é o valor social do trabalho, a dignidade do trabalhador”.
O ministro Lélio Bentes Corrêa
abriu divergência. Para ele, a ação é típica
de direitos individuais homogêneos. Segundo o ministro, o fato
de o salário mínimo ser um direito previsto na Constituição
impediria as partes até mesmo de contratar salários inferiores. “Daí já resultaria
de antemão demonstrada a natureza indisponível do direito
e seu interesse social”, afirmou.
Lélio Bentes observou que a jurisprudência
trabalhista caminha no sentido de ampliar a definição de
interesse social para dar efetividade a prestações jurisdicional.
Ele citou ações promovidas pelo Ministério Público
contra empregadores que exploram trabalho escravo.
“Se admitirmos que o combate ao
trabalho escravo tem interesse social mas que as parcelas devidas pelo
empregador são interesse meramente individual, chegaríamos
ao paradoxo de estabelecer a imediata cessação do ato que
infringe a lei e exigir de cada empregado que ajuíze posteriormente
uma ação individual, quando a atuação do
Ministério Público pode, de imediato, remediar a situação”,
afirmou.
Os ministros Vantuil Abdala, Milton Moura
França, Carlos Alberto Reis de Paula e Maria Cristina Peduzzi
seguiram o voto do relator, pela ilegitimidade do Ministério Público.
Os ministros João Batista de Brito
Pereira, Horácio Pires, Rosa Maria Weber e Vieira de Mello Filho
adotaram a tese da divergência. Coube ao ministro Rider Nogueira
de Brito, vice-presidente do TST, que presidia a sessão, desempatar
a votação. O ministro chamou a atenção para
o fato de direitos indisponíveis, previstos na Constituição
Federal, estarem sendo reiteradamente desrespeitados.
“Seriam direitos puramente individuais
se não houvesse a repetição da lesão. Mas
em situações como essa, em que o município não
está pagando o salário mínimo, um direito constitucionalmente
assegurado e indisponível, nada mais lógico e previsível
do que uma atuação do Ministério Público
para coibir isto”, concluiu o vice-presidente.
E-RR 411489/1997.1
|
CONSULTOR JURÍDICO,
11 de novembro de 2006
Código Civil
Justiça Trabalhista usa Código
Civil para julgar sociedade
por Adriana Aguiar
Responsabilidade do sócio por dívidas
sociais deve ser analisada pela Justiça do Trabalho que, nestes
casos, deve utilizar o Código Civil, a não ser que a sociedade
seja uma forma de forjar a existência de uma relação
trabalhista. Aí, deve ser aplicada a CLT. O entendimento é do
juiz vice-presidente administrativo do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (São Paulo), Pedro Paulo Teixeira Manus.
O juiz fez uma exposição
sobre o tema Execução de Bens de Sócios e Administradores
Inclusive de Procuradores de Empresas Estrangeiras no II Congresso Brasileiro
de Sociedades de Advogados. O evento ocorre nesta quinta-feira (9/11)
e sexta (10), no Centro Fecomércio de Eventos, em São Paulo.
Foi organizado pelo Sindicato das Sociedades de Advogados (Sinsa) do
estado de São Paulo e Rio de Janeiro, com o apoio do Centro de
Estudos das Sociedades de Advogados (Cesa), da OAB de São Paulo
e da OAB Federal.
Para Manus, a Justiça do Trabalho
tem de usar o Código Civil quando deixa de lado o empregado e
o empregador e trata de sociedade. Segundo o juiz, a tendência
de alguns juízes trabalhistas de ver relação de
trabalho onde não há deve diminuir. “A jurisprudência
vai melhorar neste sentido.”
No caso de uma sociedade legal,
o juiz entende que o Código Civil de 2002 é claro ao
dizer que os bens particulares dos sócios não respondem
pela dívida da sociedade. Mas acrescenta que, se a sociedade
não tem bens suficientes, os sócios que participam do
conselho administrativo da sociedade podem ter de responder pela dívida.
No caso dos sócios que não participam da administração,
a responsabilidade não deve recair sobre eles, segundo Manus.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
13 de novembro de 2006
Hora da verdade
Empresa não pode usar detector
de mentira, decide TRT-SP
Uma empresa pode fiscalizar seus empregados
e proteger seu patrimônio, mas não pode subverter a escala
de valores e, usurpando o poder de Polícia, utilizar de práticas
que infrinjam sofrimento ao trabalhador. A dignidade, o direito à boa
imagem que cada indivíduo detém e resguarda, em relação à sociedade, à família
e a si próprio, não podem ser violentados pela empresa.
Baseados nesse entendimento, os juízes
da 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(São Paulo) condenaram a American Airlines ao pagamento de indenização
de R$ 80 mil por danos morais a uma ex-funcionária.
Segundo a ação, que tramitou
na 1ª Vara do Trabalho de Guarulhos (SP), a funcionária era
submetida rotineiramente a interrogatório pela empresa, que se
utilizava do polígrafo (detector de mentiras) para avaliação
das respostas.
Durante esses interrogatórios,
eram feitas perguntas sobre o uso de drogas, furto de mercadorias da
empresa, relacionamento com traficantes e até da existência
de elo familiar da comissária com traficantes.
Em sua defesa, a American Airlines alegou
que o intuito da empresa, ao utilizar o detector de mentiras, era o de
constatar se a funcionária "contribuíra ou permitira
que entorpecentes ilegais, ou outro tipo de contrabando fossem colocados
em um avião, e se paralelamente, estivera envolvida em furtos
ou impropriedades contra a empresa".
A Justiça de primeira instância
condenou a companhia aérea por dano moral, mas a empresa e a ex-funcionária
recorreram da decisão ao TRT-SP. No tribunal, a empresa tentou
justificar que o uso do detector de mentiras, em situações
especiais, corresponde a instrumento "justificável e conveniente".
No entendimento da juíza Rosa Maria
Villa, relatora do recurso no TRT-SP, entretanto, esse procedimento ofende
o patrimônio moral do empregado. "A primeira consideração
a ser feita é que a recorrida não estava motivada pela
segurança dos passageiros e empregados, eis que o exame do polígrafo
tinha como único intuito preservar seu patrimônio e coibir
o contrabando, inclusive de entorpecentes."
Para ela, "sem muito esforço,
pode-se imaginar a aflição, o medo, a vergonha e o constrangimento
a que era submetida periodicamente a funcionária. Tanto o cinema
quanto a literatura reproduzem situações em que pessoas
inocentes não passam no teste do polígrafo, dando a entender
que o excesso de nervosismo pode comprometer os resultados".
A juíza Rosa Maria Villa reconheceu,
ainda, que a funcionária sofria, de forma rotineira, "atentado
ao patrimônio psíquico, emocional e moral, eis que por um
lado, era questionada sobre a prática de crimes e sobre a inidoneidade
de seus familiares e amigos; por outro lado, temia pelo resultado do
teste e por sua correta interpretação".
A inconveniência da empresa aérea "causa
perplexidade, não medindo atos nem conseqüências, impelida
pelo temor de que seu patrimônio pudesse ser alvo de furtos, e
que pudesse ser responsabilizada pelo transporte de entorpecentes, independentemente
de seu conhecimento", observou a juíza, para concluir, em
seguida, que "o dano moral, no caso, não precisava ser comprovado".
Os juízes da 2ª Turma do TRT-SP
acompanharam a posição da juíza Rosa Maria Villa
e, por maioria de votos, condenaram a American Airlines a pagar uma indenização
no valor de R$ 80 mil por dano moral à ex-funcionária.
Processo 00656200431102001
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 12 de novembro de
2006
Classe média paga 60% da arrecadação
de impostos
Em contrapartida, estudo do IBPT mostra que
esta camada da população está cada vez mais
excluída dos serviços e benefícios públicos
Carllos Bozelli23-05-2006

Em 2006, o brasileiro que, em média, ganha até R$ 3.000 deve
destinar uma parcela de 38,83% dos rendimentos para os impostos.
Rio de Janeiro - Na década de 70, uma típica família de
classe média brasileira comprometia 7% da sua renda, equivalente a 25
dias de trabalho por ano, com a aquisição de serviços
como educação, saúde (planos e despesas), segurança,
previdência privada e pedágio. Em 2006, o custo desses serviços,
que são normalmente fornecidos pelo Estado e, em grande parte, gratuitos,
já comia 31% da renda da classe média, ou o equivalente a 113
dias de trabalho por ano. Esses dados podem ser encontrados no estudo sobre
os dias trabalhados para pagar impostos e a ineficiência do governo,
um trabalho de maio de 2006 do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT). ''A grande injustiça é que a classe média, que
paga mais impostos, quase não utiliza os serviços públicos'',
diz Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT.
Segundo Amaral, a classe média é responsável
por 60% da arrecadação dos impostos das pessoas físicas
no Brasil, embora corresponda a uma parcela muito menor da população.
O estudo do IBPT mostra que, em média, o brasileiro que ganha
até R$ 3.000 deve destinar, em 2006, uma parcela de 38,83% dos
rendimentos para pagar impostos. O grupo com rendimento acima de R$ 10
mil deve gastar 41,53% para o mesmo fim. E a classe média, que
fica no meio, dará a maior contribuição proporcional,
de 42,58%. No caso da saúde e educação, a classe
média tem despesas equivalentes a 24,09% da renda bruta, comparado
com 19,2% dos ricos e 8,9% dos que ganham até R$ 3.000.
O cientista político Ricardo Ismael,
da PUC-Rio, acha provável que a classe média seja cada
vez mais excluída dos serviços e benefícios públicos.
''Há uma tendência de os gastos sociais ficarem mais focalizados
nas camadas mais pobres'', ele diz, citando como exemplo típico
o programa Bolsa Família.
Essa tendência é generalizada
e está presente, por exemplo, na defasagem na correção
da tabela de descontos do Imposto de Renda. Na Previdência, desde
o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, houve um grande aumento
do piso dos benefícios, atrelado ao salário mínimo.
O valor real das aposentadorias acima deste nível, porém,
permaneceu congelado por vários anos, só tendo um pequeno
aumento real, de cerca de 2%, em 2006.
Na verdade, na maior parte dos países
não há aumentos reais de aposentadorias, que são
reajustadas por índices de preços. O problema no Brasil é que,
como há fortíssimos aumentos reais no piso, que hoje já abarca
dois terços dos benefícios, o sistema todo é pressionado.
Assim, a tendência das reformas da Previdência é de
conter as despesas nas faixas superiores das aposentadorias e pensões,
que concentram os benefícios da classe média.
O presidente eleito Luiz Inácio
Lula da Silva descartou, por enquanto, a idéia de impor uma idade
mínima para as aposentadorias do setor privado, mas os especialistas
acham que a medida fatalmente terá de ser tomada no médio
prazo. Ismael prevê que, no futuro, o benefício máximo
da Previdência pública do setor privado encolha para de
3 a 5 salários mínimos, ficando o restante para ser coberto
por planos privados.
O cientista político nota ainda
que o programa de cotas raciais e de renda, que pode vir a abarcar 50%
das vagas universitárias, vai necessariamente restringir a situação
privilegiada da classe média, que consegue estudar gratuitamente
nos melhores cursos graças à maior qualidade da sua educação
básica em escolas particulares. ''A tendência é limitar
o acesso da classe média aos sistemas públicos de saúde,
educação e Previdência'', resume Ismael.
Ele observa, porém, que há um
segmento da classe média relativamente satisfeito, que corresponde
aos que estão ligados às estatais e ao serviço público.
Depois da era de contenção de salários na máquina
e de privatizações, típicas do governo de Fernando
Henrique, Lula tem tratado os funcionários públicos e de
estatais com mais generosidade, numa tendência que se acentuou
neste ano final do seu primeiro mandato.
Em 2006, segundo os cálculos
de Marcos Mendes, consultor legislativo do Senado, Lula realizou um
aumento real dos gastos com o funcionalismo público do Executivo
federal de 11%, praticamente o mesmo que todo o aumento ocorrido nos
dez anos entre 1995 e 2005. E, durante o segundo turno da campanha,
a retórica contra as privatizações e os cortes
de gastos do candidato vitorioso reforçaram a aliança
com a classe média ligada ao Estado. ''Esse pedaço da
classe média continua apoiando Lula, mas aquela que está de
fora está pessimista e cada vez mais preocupada com a mobilidade
social descendente dos seus filhos'', conclui Ismael.
Fernando Dantas
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 12
de novembro de 2006
Modelo econômico é prejudicial
ao segmento
Classe média é hoje a mais
insatisfeita da pirâmide social brasileira e também
a mais sensível aos escândalos de corrupção
Rio de Janeiro - A classe média perdeu mobilidade social, paga a maior
parte dos impostos e gasta cada vez mais com serviços que, teoricamente,
o Estado deveria fornecer. O resultado dessa conjunção de fatores é que
esse segmento da população, que na definição convencional
engloba as classes A e B, excluindo os mais ricos, é hoje o mais insatisfeito
da pirâmide social brasileira. Além de se ver sobretaxada e excluída
das prioridades do Estado, a classe média é particularmente sensível
aos escândalos de corrupção que campearam tanto no Executivo
quanto no Legislativo nos últimos anos - e com particular intensidade
no governo Lula.
Segundo um trabalho de janeiro de 2006
dos economistas Claudio Dedecca e Eliane Rosandiski, da Universidade
de Campinas, 86,1% do aumento dos empregos com carteira assinada entre
2002 e 2004 ocorreu na faixa entre um e dois salários mínimos.
Na faixa de dez ou mais salários mínimos, onde se situa
parte considerável dos integrantes da classe média, houve
um recuo de 10,6% nos postos de trabalho com carteira assinada naquele
período. ''Hoje, o filho da classe média não consegue
emprego para reproduzir o mesmo padrão dos pais'', diz Márcio
Pochman, também da Universidade de Campinas.
Mesmo representando uma parcela relativamente
modesta da população, inferior a 20%, a classe média,
na definição tradicional, é um segmento de grande
importância sócio-econômica. Ela corresponde a praticamente
toda a parcela mais bem educada da população, ocupa a maioria
dos postos de trabalho de maior agregação de valor e gera
mais de 50% da renda nacional. Obviamente, a classe média está no
coração do sistema capitalista brasileiro, e sua insatisfação
e apatia não contribuem em nada para a tão sonhada aceleração
do crescimento econômico.
Alguns economistas apontam que a classe
média brasileira, em termos estatísticos, seria a classe
C, pessoas que tipicamente têm uma renda familiar total de pouco
mais de R$ 1.000,00 e representam de 30% a 35% da população
. ''A classe C é onde o consumo mais cresce'', diz a socióloga
Fátima Pacheco Jordão. Mas é na classe média
no sentido tradicional - isto é, com padrões de consumo
próximos ao mesmo segmento nas economias capitalistas mais avançadas
- que se encontra o grande foco de insatisfação.
Em termos de renda per capita, os 20%
mais ricos no Brasil tiveram uma queda real de 0,5% entre 2001 e 2005.
Essa camada, excluindo a extremidade mais rica, corresponde exatamente à definição
convencional da classe média. A combinação de economia
estagnada, altos impostos e serviços públicos de baixa
qualidade é um forte desestímulo à classe média,
especialmente para os jovens que estão iniciando a vida produtiva.
Pochman nota que de 140 mil a 160 mil jovens de boa formação
educacional deixam o Brasil por ano em busca de melhores oportunidades
profissionais no exterior.
Em relação aos impostos,
levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT) mostra que a classe média gasta 42,6% da sua renda bruta
com tributos, mais do que os pobres e os ricos, e ainda deixa outros
31% em despesas que são tipicamente serviços gratuitos
do Estado, como educação, saúde, segurança,
previdência e pedágios.
Segundo especialistas, as perspectivas
da classe média não são mais animadoras do que a
sua situação presente. Ricardo Ismael, cientista político
da PUC-Rio, nota que o modelo de ajuste do Estado adotado no Brasil desde
o governo Fernando Henrique Cardoso é altamente prejudicial à classe
média. De um lado, a carga tributária vem crescendo incessantemente,
saindo de 25% do PIB em meados da década de 90 para os atuais
38%. A classe média, naturalmente, é a que mais contribui
para pagar essa conta.
Por outro lado, como nota Ismael, ''há uma
tendência, que vem desde o governo FHC, de que os gastos sociais
sejam mais focalizados e que a classe média seja empurrada para
fora do sistema de proteção social''. Em outras palavras,
a classe média é cada vez mais taxada, mas recebe cada
vez menos serviços de volta do Estado.
Fernando Dantas
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 12
de novembro de 2006
Números mostram estagnação
do setor
Rio de Janeiro- Enquanto os pobres brasileiros vivem momentos de acelerada
melhoria econômica, com taxas de crescimento da renda per capita equivalentes à chinesa
no segmento mais baixo da pirâmide social, a classe média do País
está em plena estagnação, inclusive com queda de rendimentos
de 2001 a 2005.
Os números são impressionantes.
O aumento de renda naqueles quatro anos dos 10% mais pobres no Brasil
foi de 35,9%, ou de 7,9% ao ano, ligeiramente inferior aos 8,2% de crescimento
anual da renda per capita chinesa entre 1990 e 2003, um período
de fantástica expansão do gigante asiático. A renda
dos 50% mais pobres subiu respeitáveis 16% entre 2001 e 2005.
A história foi diferente, porém, no caso do rendimento
dos brasileiros com renda familiar per capita superior a R$ 925, que
correspondem aos 10% mais ricos e que na sua grande maioria pertencem à classe
média: neste segmento, houve queda de 1,3% naquele período.
Entre os 20% mais ricos, o recuo foi de 0,5%.
O economista Ricardo Paes de Barros, do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nota que o desempenho
da renda da camada mais rica - equivalente à classe média
no sentido convencional - é similar ao dos países de pior
performance econômica no mundo.
Bolsa Família - As razões
para o crescimento da renda dos pobres são os programas de transferência
como o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo,
as melhorias educacionais e as mudanças no mercado de trabalho.
Já no caso da classe média, há um consenso de que
a estagnação deriva em boa parte do crescimento pífio
do PIB brasileiro nas últimas décadas, com uma média
em torno de 2,5% ao ano.
Para o economista Márcio Pochman,
da Universidade de Campinas, ''um dos aspectos marcantes na crise da
classe média brasileira é o bloqueio da mobilidade social''.
Ele foi um dos organizadores do livro ''Classe Média - Desenvolvimento
e Crise'', lançado este ano, o primeiro da série ''Atlas
da Nova Estratificação Social no Brasil''.
No livro, os autores notam que a
forte industrialização brasileira de 1930 a 1980 levou à emergência
de uma ''classe média assalariada'', formada por gerente, administradores,
burocratas e professores universitários. Ligada a grandes empresas
e ao dinamismo industrial, esse estrato se contrapunha à antiga
''classe média proprietária'', composta por pequenos
proprietários rurais, proprietários de negócios
comerciais e profissionais liberais.(A.E)
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 12
de novembro de 2006
Classe E migra para D e C
São Paulo - A classe E, extrato mais pobre da população,
tende a desaparecer em dois ou três anos caso sejam mantidos os atuais
critérios de classificação socioeconômica utilizados
pelas empresas de pesquisa. Em 2002, ano da eleição do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva para o primeiro mandato, os lares de classe
E representavam 12,7% do total de domicílios urbanos no País.
No final deste ano, devem representar apenas 2,5%, o que corresponde a 1,181
milhão de famílias. Eram 5,024 milhões há quatro
anos. A diferença, que espelha um encolhimento de 76,5%, significou
a ascensão de 3,843 milhões de famílias para as classes
D e C. Para especialistas, o que explica esse movimento é o acesso fácil
ao crédito.
''Está na hora de fazer uma revisão
no critério de classificação socioeconômica
para que ele seja mais compatível com a realidade atual de mercado'',
afirma Marcos Pazzini, diretor da Target Marketing, consultoria especializada
em pesquisa de mercado, responsável pelo estudo sobre a mobilidade
de classes no País. ''Se um dos extratos está sumindo é porque
há alguma coisa errada'', argumenta.
A classe D também encolheu
nos últimos quatro anos. Sua participação no total
de lares brasileiros caiu de 34,4% para 28,9%. A escalada dessas famílias
de classes E e D encorpou a classe C, cuja fatia aumentou de 20,56%
para 39,4% dos domicílios - um salto equivalente a cerca de
4 milhões de famílias. ''Não é que essas
famílias estão mais ricas'', diz Clifford Alexander Young,
diretor-executivo do instituto Ipsos. ''Elas estão é conseguindo
consumir mais graças ao crédito fácil e abundante''.
Young explica que o critério de classificação
socioeconômica no País é baseada na posse de itens
de conforto da população. À medida que as famílias
de classes mais baixas conseguem adquirir bens como TV em cores, geladeira,
carros e aparelhos de DVD, entre outros, acumulam pontos numa escala
que leva a mudança de patamares.(A.E.)
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
13/11/2006
Ajuizamento de ação cautelar
não caracteriza danos morais
O simples ajuizamento de ação
cautelar visando à devolução de quantia depositada
indevidamente na conta corrente do empregado não dá ensejo à indenização
por danos morais. A decisão do Tribunal Regional do Trabalho da
5ª Região (Bahia) foi mantida pela Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, em ação movida por ex-empregado da
Companhia de Seguros Aliança da Bahia.
O empregado foi admitido em 1978 como
procurador financeiro e desligou-se dos quadros da empresa em 2003, por
motivo de aposentadoria por invalidez. Segundo relatou na petição
inicial, um mês após desligar-se da empresa foi surpreendido
com um depósito no valor de R$ 300 mil em sua conta corrente,
quantia esta oriunda dos cofres da empresa.
Conta que no mesmo dia tentou entrar em
contato com o dono da empresa, sem sucesso. No dia seguinte compareceu
ao Banco do Brasil para saber detalhes da operação bancária,
momento em que se deparou com um oficial de justiça cumprindo
uma liminar que determinava a devolução imediata da quantia
depositada incorretamente na conta.
Tomando ciência da ocorrência
de ação judicial para devolução da quantia,
o empregado ajuizou reclamação trabalhista pleiteando indenização
por danos morais. Entendeu que a atitude do ex-empregador atingiu sua
honra, dignidade e honestidade. Disse que não poderia ser o autor
da transferência bancária porque não possuía
a senha disponibilizada pelo banco à empresa.
Por fim, complementou dizendo que nos
25 anos em que trabalhou para a empresa jamais houve qualquer acusação
ou indício de irregularidade em sua conduta. Pediu indenização
de R$ 400 mil por danos morais.
A empresa, em contestação,
alegou que a ação civil proposta para restituição
do valor foi ajuizada porque o empregado, apesar de ter sido procurado
por um dos diretores da empresa para devolver a quantia, não o
fez. Disse, ainda, que o autor da ação apresentou atestado
médico à empresa, quando de sua aposentadoria, acusando
ser possuidor de quadro clínico com “alteração
de consciência”, por isso a empresa decidiu não comunicar
o fato à polícia.
O juiz de primeiro grau entendeu não
configurado o dano moral porque não demonstrada a ocorrência
de ato ilícito por parte do empregador. O aposentado, insatisfeito
com a sentença, recorreu ao TRT/BA, que manteve a decisão.
Foi interposto, então recurso de revista, que ficou trancado no
TRT de origem. O tema chegou ao TST por meio de agravo de instrumento.
O relator do processo no TST, juiz
convocado Ricardo Alencar Machado, negou provimento ao agravo. Segundo
o acórdão, o TRT/BA examinou as provas dos autos concluindo
pela não caracterização do dano moral. Para decidir
de forma diversa, só com o reexame da situação
fática, o que não pode ser feito na atual fase recursal
(Súmula n° 126). (AIRR-526/2004-017-05-40.0)

|