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DEPACOM, 14 de novembro de 2006
Siticom Rio Negrinho inaugura sede recreativa
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Rio Negrinho, Santa Catarina, presidido
pelo companheiro Luiz Carlos Schukosky, inaugura no próximo
dia 18 de novembro, sua sede recreativa. A solenidade de apresentação
acontece às 10:30 horas. Melhores informações
poderão ser obtidas pelo fone: (47) 3644-2304, ou pelo
e-mail: siticomrn@netuno.com.br.
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Diário Vermelho, 13 de novembro de 2006
Reforma da Previdência: a crise
dos fundos de pensão
O debate sobre a solução
para as aposentadorias está subordinado ao modelo econômico
de cada país.
Por Osvaldo Bertolino
Que a população do mundo está envelhecendo não é novidade
nenhuma. Atualmente, cerca de 9% dos habitantes da Terra têm mais de
60 anos. Nos próximos 20 anos, a parcela dos sexagenários deverá praticamente
dobrar, passando para 16%. O que muitos não sabem é que a longevidade
nos países pobres, como o Brasil, está se dando num passo mais
rápido do que nas nações industrializadas.
Em países como a França
e a Bélgica foram necessários 100 anos para que o conjunto
de pessoas acima de 60 anos dobrasse de 9% para 18% da população.
O Brasil, que iniciou no final dos anos 60 um processo de declínio
acelerado de sua taxa de natalidade, deverá chegar ao ano 2026
com 31,8 milhões de pessoas — ou seja, 18% da população — com
mais de 60 anos.
Mais tarde, quando os jovens que hoje
trabalham se aproximarem da idade de aposentadoria — por volta
do ano 2030 —, 80% dos idosos do mundo estarão concentrados
nos atuais países pobres. Essa alteração do perfil
demográfico no mundo é vista com um nó górdio
que precisa ser desatado. O desafio é saber como a parcela cada
vez menor de jovens fará para prover, no futuro, o sustento da
parcela cada vez maior de idosos da população. Nos sistemas
de retenção na fonte, como é o caso do Brasil, à medida
que as populações envelhecem a tendência é subirem
as taxas de contribuição e diminuírem os benefícios.
Hoje, a arrecadação sobre
a folha de pagamento é superior a 25% em países como Brasil,
Hungria, Egito, Rússia e Itália. Na década de 50,
para cada aposentado brasileiro havia oito trabalhadores na ativa contribuindo
para a Previdência Social. Hoje, a proporção já é de
2,3 para 1. É evidente que o país terá de discutir
formas de financiar a Previdência Social que passarão obrigatoriamente
pelo conceito de gastos do Tesouro Nacional. O fato é que os sistemas
de amparo financeiro à aposentadoria estão em crise em
todo o mundo. Se a situação é crítica na
América Latina e no Leste Europeu, os problemas também
se avolumam nos países-membros da OCDE. Em alguns países
ricos, os gastos públicos com a previdência já ultrapassam
15% do Produto Interno Bruto (PIB).
Proposta do Banco Mundial
No caso dos Estados Unidos, as projeções mostram que, pelo sistema
atual, não haverá dinheiro para pagar aposentados e pensionistas
após 2029. Problemas semelhantes existem em praticamente todo o mundo.
A divergência aparece quando as soluções são propostas.
O assunto tem a ver com o modelo econômico de cada país. Por isso,
precisa ser debatido em âmbito nacional, levando-se em conta as particularidades
de cada nação, e não como “uma tendência mundial” — como
insistem os liberais. Um dos principais proponentes de soluções é o
Banco Mundial. A reforma que essa instituição propõe assenta-se
em três pilares: redistribuição, poupança e seguro.
O primeiro pilar seria uma poupança compulsória, à base
de contribuições, gerida pelo Estado. O objetivo é assegurar
um rendimento mínimo para os aposentados de baixa renda. O segundo pilar,
formado também por contribuições compulsórias dos
trabalhadores, seria gerido pela iniciativa privada, mediante planos de poupança
individuais e fundos de pensões privados. O valor dos benefícios
a ser distribuídos dependeria dos resultados obtidos pelos administradores
da poupança. Por fim, seria criada uma poupança voluntária,
gerida pelo setor privado, para quem quiser uma proteção adicional
quando se aposentar. Segundo o Banco Mundial, o peso maior deve ser do setor
privado, que teria poderes para escolher os melhores investimentos disponíveis
no mercado — ações, bens imobiliários ou ativos
em moeda estrangeira —, coisa que o sistema estatal não poderia
fazer.
Retrato alarmante
Essa propaganda tem impulsionado, de forma exponencial, o crescimento da previdência
privada no Brasil. Os planos individuais, regulamentados há apenas pouco
mais de uma década, romperam os R$ 100 bilhões de patrimônio
no primeiro trimestre de 2006. ''As perspectivas de crescimento são
enormes'', diz Osvaldo do Nascimento, presidente da Associação
Nacional da Previdência Privada (Anapp). ''Cada vez mais pessoas vão
tentar garantir seu futuro com a previdência privada, pois sabem que
não dá para contar com a previdência do governo'', afirma
ele. A questão é saber se essa é uma saída aceitável
para o problema. Motivos para descontentamento com a atual situação
da Previdência existem de sobra.
Uma pesquisa recente do governo mostrou um retrato alarmante — apenas
1% dos trabalhadores consegue manter uma renda satisfatória com a aposentadoria.
A maioria sobrevive com ajuda de parentes e amigos ou precisa continuar trabalhando
de alguma forma. Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria Target, de
São Paulo, 4,4% da população ganham hoje na ativa acima
de trinta salários mínimos. No entanto, cerca de 90% dos aposentados
pelo INSS recebem até dois salários mínimos mensais. Os
outros 10% recebem de três a dez. É fácil imaginar o que
aconteceu com o nível de vida dos aposentados que pertenciam à faixa
de maior poder aquisitivo quando estavam na ativa.
Evolução político-econômica
Projeções indicam que apenas 0,9% da população
brasileira terá renda suficiente ao atingir os 60/65 anos para poder
usufruir uma vida agradável, sem preocupações financeiras
e sem ter a obrigação de trabalhar. Os restantes 99,1% irão
depender de familiares ou do recebimento de alguma pensão, em geral
insuficiente para sobreviver com dignidade. Há 19 milhões de
pessoas recebendo algum tipo de benefício do Instituto Nacional de Seguridade
Social (INSS) — 70% delas têm direito a até R$ 300 por mês.
Individualmente, é pouco. Somados, os benefícios representam
quase R$ 170 bilhões por ano. A propaganda liberal bate incansavelmente
na tecla de que a Previdência não tem tanto dinheiro, e o resultado é um
déficit estimado, neste ano, em R$ 32 bilhões.
O carro-chefe da previdência
complementar no Brasil são os fundos de pensão fechados,
responsáveis por 70% do mercado. A pergunta que deve ser feita é:
até que ponto o segurado pode ter a garantia de que o contrato
entre as partes será cumprido e de que não irá ocorrer
algo semelhante ao que aconteceu no passado com os montepios? O fato
de as empresas de previdência privada ser hoje ligadas em sua
maioria a grandes grupos financeiros não dá essa segurança.
E mais: os proventos dependerão de fatores imponderáveis,
que podem ser resumidos às incertezas quanto a evolução
político-econômica do país. As experiências
de outras nações que promoveram essas mudanças
não são nada animadoras.
Sinais de corrosão
Na Espanha, quem se aposenta antes dos 65 anos vê sua pensão sofrer
descontos pesados. Já a Suécia preferiu mudar a fórmula
de cálculo da aposentadoria — em vez de pagar uma média
sobre os salários dos últimos anos de contribuição,
como acontece no Brasil, os benefícios são estabelecidos por
uma média de todo o tempo de contribuição. Mas foi o vizinho
Chile que adotou a reforma mais radical. O então presidente, general
Augusto Pinochet, privatizou todo o sistema em 1981 e os trabalhadores passaram
a depositar 10% do salário bruto em fundos de pensão privados.
Mas o pior exemplo é dos Estados Unidos.
Lá, onde o sistema já funciona há tempo suficiente para
conferir seus efeitos, os sinais são de corrosão. Hoje, oito
em cada dez fundos de pensão do país apresentam déficits
em suas contas. Mais da metade opera em estado grave. Eles já têm
mais obrigações financeiras do que seu patrimônio líquido.
O rombo total representa algo como 80% do PIB brasileiro. A soma de todos os
prejuízos reunidos dá um buraco de mais de US$ 450 bilhões
no sistema de previdência privada dos Estados Unidos. Como resultado
prático dessa quebradeira, a diferença entre aquilo que os norte-americanos
esperavam receber na aposentadoria e sua remuneração real é de
25% — para menos, é claro. Volto ao tema no próximo artigo.
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Nova
Central, 14 de novembro de 2006
Economia brasileira crescerá 5%
apenas em 2017, revela estudo
O Brasil não crescerá 5% nos próximos anos, por problemas
no setor elétrico e pela baixa taxa de investimento, avaliam economistas
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo do Ipea traça
cenários macroeconômicos para o Brasil de 2007 a 2018. Pelas projeções,
apenas em 2017 o País cresceria 5%, desde que fizesse uma ampla lição
de casa, que inclui as reformas trabalhista, previdenciária e judiciária,
além de políticas de comércio exterior. O Ipea também
propõe o aperfeiçoamento do regime de metas de inflação.
"A tarefa do próximo governo será,
portanto, a de criar as condições para que, na década
de 2011-2020, o País possa ter um crescimento da ordem de 4,5%
a 5% ao ano", segundo o documento do órgão ligado
ao Ministério do Planejamento.
O texto para discussão "Uma agenda para
o crescimento econômico e a redução da pobreza",
divulgado nesta segunda-feira, surge na véspera da apresentação
ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva de um pacote
com medidas fiscais e tributárias preparado pela equipe econômica.
O objetivo das medidas é justamente garantir crescimento do
Produto Interno Bruto (PIB) de 5% a partir de 2007.
O desempenho da economia este ano vai ficar aquém
do projetado inicialmente pelo governo e também pelo mercado,
que reduziu sua previsão de aumento do PIB para 2,97%. "Após
dois anos respeitando a meta (de inflação) de 4,5% em
2007 e 2008, o próximo governo deveria avançar gradualmente
no caminho da desinflação e operar com metas ligeiramente
menores em 2009 e 2010. Indo mais além, propõe-se definir
como objetivo de longo prazo da política monetária uma
inflação da ordem de 3% ao ano", sugerem os economistas
do Ipea.
No campo fiscal, as principais premissas do Ipea são
preservação da meta de superávit primário
consolidado em 4,25% do PIB de 2007 a 2009, com redução
suave a partir de 2010, até chegar a pouco mais de 2% do PIB
em 2018. O Ipea também sugere a queda gradual da taxa real de
juros incidente sobre a dívida pública, de 8,5% no ano
que vem para 4,5% no final do período englobado na análise.
O instituto indica ainda, entre outras coisas, necessidade de ajuste
das despesas correntes em 0,1 ponto percentual do PIB, conforme previsto
na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2007.
Se as sugestões forem adotadas, pelos cálculos
do Ipea, a dívida líquida do setor público cairia
de 50% do PIB em 2006 para 43% do PIB no final do próximo governo
(2010) e apenas 20% do PIB no final da projeção. O Ipea
defende ainda a prorrogação da Contribuição
Provisória por Movimentação Financeira (CPMF),
que expira no final de 2007, mas com alíquotas declinantes até um
limite inferior de 0,01%, apenas com fins de fiscalização.
O instituto considera importante a extensão da
Desvinculação de Receitas da União (DRU), mas
com percentuais crescentes, até 35 por cento contra os atuais
20%, "para permitir uma maior liberdade alocativa ao governo,
de modo a melhorar a estrutura de despesas".
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STF, 14 de novembro de 2006
Sindicato cearense pede anulação
de ato do TCU que suspendeu pagamento de vantagem a aposentados e
pensionistas
O Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado
do Ceará (Sintsef-CE) impetrou Mandado de Segurança (MS) 26228,
com pedido de liminar, contra ato administrativo que suspendeu, desde outubro,
o pagamento de vantagem pecuniária a alguns servidores aposentados e
pensionistas, vinculados à Coordenação Regional da Fundação
Nacional de Saúde (Funasa) daquele estado. O ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Sepúlveda Pertence é o relator do mandado de segurança.
O Sintsef-CE questiona ato do Tribunal
de Contas da União (TCU) que recentemente revogou os efeitos de
uma decisão da justiça trabalhista de setembro de 1994.
Nela, o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-7)
havia confirmado a sentença de primeiro grau que condenou a Funasa
a reajustar os vencimentos dos representados pelo sindicato a partir
de fevereiro de 1989, no percentual de 26,05% da URP (Unidade de Referência
de Preços), indexador monetário vigente em fevereiro de
1989.
No mandado de segurança, o sindicato
diz que pareceres de TCU têm opinado no sentido de que a vantagem
sob questionamento “não configura uma incorporação
definitiva do percentual, ainda que a sentença procedente, e transitada
em julgado, deixe claro exatamente o contrário”.
“O impetrante pleiteia que os pareceres
do TCU sejam desconsiderados, visto que este Tribunal não pode
interferir na esfera judicial da maneira que tenta proceder”, afirma. “A
sentença transitou em julgado há doze anos, fornecendo à parte
vitoriosa a certeza de que estaria amparada pela segurança jurídica
de um ato processual perfeito e acabado, ato que o TCU tenta violar,
ferindo a coisa julgada, protegida no artigo 5º, inciso XXXVI, Constituição
Federal”, completa a entidade sindical.
O Sintsef-CE alega que não houve
garantia à ampla defesa, ao devido processo legal e ao direito
de petição na decisão da Corte de Contas, que pegou
os servidores de “surpresa com a notícia da perda de um
direito oriundo de decisão judicial”.
Dessa forma, o sindicato requer a concessão
de liminar para sustar os efeitos da decisão do TCU até o
julgamento final do mandado de segurança. Busca-se, ainda em caráter
liminar, suspender de forma preventiva o andamento de todos os processos
administrativo de seus associados na Corte de Contas referentes a esse
reajuste de 26,05%.
No mérito, a entidade pede que
seja julgado procedente o pedido para anular as decisões do TCU
e, também, a abstenção de fiscalizar outros atos
de concessão de reajuste de aposentadorias ou pensões de
seus associados referente a esse percentual . O ministro Sepúlveda
Pertence concedeu o pedido de assistência judiciária gratuita,
previsto na Lei 1.060/50, requerido pelas pessoas representadas pelo
sindicato.
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Folha
de São
Paulo, 14 de novembro de 2006
Lula critica elite, imprensa e banqueiros
e elogia Chávez
Presidente diz que ele e o venezuelano são vítimas de "preconceito" e "incompreensões" |
Mesmo após afirmar que não daria palpite na política
da Venezuela, petista tratou colega como reeleito em comício para
20 mil pessoas PEDRO DIAS LEITE
ENVIADO ESPECIAL A CIUDAD GUAYANA
Em um comício para cerca de 20 mil pessoas, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em Ciudad Guayana, na Venezuela,
que ele, assim como seu colega Hugo Chávez -que teria sido "agredido" por
um certo "tipo de meio de comunicação"- é vítima
de "preconceito" e "incompreensões".
Mesmo após dizer que não daria "palpite" na
política venezuelana, o brasileiro fez campanha para Chávez,
tratou o venezuelano como reeleito, se comparou mais de uma vez ao amigo
e afirmou haver um grupo de governantes alinhados eleitos na América
Latina -que, na sua opinião, ganhou mais um aliado, o sandinista
Daniel Ortega, que voltará ao poder na Nicarágua após
16 anos.
"Vim aqui em 2003. "Hace" três anos, esta ponte
estava apenas começando. Depois fui a Caracas e vi a televisão.
E voltei ao Brasil dizendo a mim mesmo que jamais tinha visto um comportamento
de um tipo de meio de comunicação agredindo um presidente
da República como tu foste agredido.
Eu jamais imaginei que isso pudesse acontecer no
Brasil. E aconteceu o mesmo", discursou Lula em português, enquanto um brasileiro
fazia a tradução simultânea para o espanhol. "A
coisa que mais consolidou a minha consciência de que nós
estávamos certos é que o povo reagiu no momento certo",
disse o presidente.
No discurso, Lula voltou a atacar as elites, criticar
os banqueiros e dizer que governa para o povo mais pobre. "Sei que tem eleições
dia 3 [de dezembro]. Não sou venezuelano, não posso dar
palpite na política da Venezuela. Não vou falar por uma
questão muito simples. Aqui neste país acontece exatamente
o mesmo que acontece no Brasil", disse, aos gritos de "Lula,
Lula, Lula".
"Eu conheço o tipo de críticas que fazem a você, é a
mesma crítica que faziam a mim. Os banqueiros ganharam muito dinheiro
no Brasil e sem dúvida ganham muito aqui também. Alguns
empresários ganham muito dinheiro aqui, como ganharam muito dinheiro
lá. Mas, se tiverem de fazer uma opção entre você e
um outro lá que seja mais próximo deles, não tenha
dúvida de que o preconceito fará com que eles estejam do
lado de lá", disse Lula.
Inauguração
Antes do discurso, Lula desfilou em carro aberto
com Chávez sobre
a ponte de 3,2 quilômetros sobre o rio Orinoco. A obra foi construída
pela empreiteira Odebrecht. "Desde julho eu estava para vir aqui
para a inauguração da ponte, por conta da legislação
brasileira [que proíbe esse tipo de ato durante a campanha eleitoral]",
disse Lula. Questionado se na Venezuela podia fazer o que não
pôde no Brasil, afirmou que "deve permitir, senão não
estaríamos aqui".
Apesar do comício eleitoral que se seguiria, Chávez afirmou
que aquilo não era campanha, mas "integração,
estratégia". "Aqui, como no Brasil, muitas vezes somos
vítimas de incompreensões, de pessoas que governaram os
nossos países durante séculos e séculos e que não
aceitam alguém que pense diferente, que queira cuidar do povo.
Eles se habituaram a governar o país para 30% da população",
disse o petista.
Gabrielli
Eduardo Campos (PSB), governador eleito de Pernambuco
que acompanhou o presidente na viagem à Venezuela, disse ontem que Lula sinalizou
que vai manter o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli. Isso
ocorreu quando ele conversou com Lula, no final de outubro, sobre um
projeto em Pernambuco entre a estatal brasileira e a venezuelana. Lula
o teria orientado a discutir a questão com Gabrielli, o que Campos
considerou um sinal de que ele ficará no cargo.
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Folha de São Paulo,
14 de novembro de 2006
CAMPO MINADO
Acusado de matar sindicalista é condenado
no PA
DA AGÊNCIA FOLHA
A Justiça do Pará condenou
na noite de ontem Wellington de Jesus Silva, acusado de assassinar o
sindicalista José Dutra da Costa em 2000, a 30 anos de prisão.
A pena foi reduzida a 29 anos em razão de Silva ter menos de 21
anos na época do ocorrido. Por sete votos a zero, os jurados rejeitaram
a tese de negativa de autoria, defendida pelos advogados do acusado,
e consideraram que o crime foi praticado mediante recompensa, por motivo
fútil e mediante dissimulação. Silva foi preso em
flagrante no dia do assassinato (21 de novembro). O julgamento durou
11 horas.
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Folha
de São Paulo, 14 de novembro de 2006
China prevê expansão de 9,5%
em 2007
Investimentos e exportações devem
desacelerar; no entanto, superávit comercial continuará em
alta e poderá chegar a US$ 180 bi
Crescimento de 2006 deverá ser de 10,5%;
estudo propõe que parte das reservas internacionais seja usada
na compra de petróleo e metais
CLÁUDIA TREVISAN
DA REPORTAGEM LOCAL
A economia chinesa deverá crescer
9,5% em 2007, segundo estimativa de um centro de estudos ligado ao
governo. Se confirmado, o índice representará uma ligeira
desaceleração em relação a 2006, quando
a expansão deverá atingir 10,5%. A previsão é bastante
superior à meta de crescimento médio anual de 7,5% adotada
no Plano Qüinqüenal para o período 2006-2010, aprovado
pelo Congresso Nacional do Povo em março.
Na China, a economia real tem superado
com freqüência as estimativas oficiais. No início
de 2005, o governo previu expansão de 8% do PIB, e o índice
acabou sendo de 9,9%. No ano anterior, a meta foi de 7%, e o crescimento,
de 10,1%. A estimativa de expansão de 9,5% em 2007, mais próxima
da realidade, é do Centro de Informação Estatal, órgão
de pesquisa ligado à poderosa Comissão Nacional de Desenvolvimento
e Reforma, responsável pelo planejamento chinês.
Segundo o estudo, o ritmo de expansão
dos investimentos vai ser menor no próximo ano. Principal motor
da expansão chinesa, os investimentos deverão ter alta
de 20% e atingir US$ 1,68 trilhão em 2007. Nos primeiros nove
meses de 2006, o índice cresceu 27,3%. Apesar da desaceleração,
os investimentos continuarão a representar mais de 50% do PIB,
uma relação altíssima para os padrões internacionais.
No Brasil, o indicador está em torno de 20% do PIB.
Outro pilar do crescimento, as exportações
terão crescimento de 15%, prevê o estudo. O índice é 9,5
pontos percentuais inferior à previsão de expansão
em 2006, quando as vendas externas deverão atingir US$ 960 bilhões
e as importações, US$ 810 bilhões. Mesmo com queda
nas exportações, o superávit comercial deverá ter
expansão, passando de algo em torno de US$ 150 bilhões
neste ano para US$ 180 bilhões em 2007.
A OMC (Organização Mundial
do Comércio) avalia que a China deverá assumir no próximo
ano a segunda posição entre os maiores exportadores do
mundo, acima dos Estados Unidos e atrás da Alemanha. O crescente
superávit comercial fortalece a pressão internacional
para que a China valorize sua moeda, o yuan. Além disso, aumenta
o enorme volume de reservas internacionais, que já ultrapassaram
a marca de US$ 1 trilhão.
O Centro de Informação
Estatal sugere no estudo que o governo utilize parte das reservas para
comprar recursos estratégicos para o desenvolvimento do país,
como petróleo e metais, quando os preços internacionais
estiverem favoráveis.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 14 de novembro de 2006 | Economia
Acesso a bancos será difícil
enquanto houver pobreza
Idéia foi defendida na 40ª Assembléia
Anual da Federação Latino-Americana de Bancos. Governo
acenou com a chance de reduzir impostos, sem dar detalhes
Adriana Chiarini e Jacqueline Farid
RIO - Enquanto houver pobreza, a falta
de acesso de parte da população ao sistema bancário é um
problema que não terá uma solução completa.
A avaliação é da coordenadora do Comitê Latino-americano
de Assuntos Financeiros (CLAAF), Liliana Rojas-Suárez, que participa
nesta segunda-feira da 40ª Assembléia Anual da Federação
Latino-Americana de Bancos (Felaban), no Rio. "Todo mundo sabe que
os países pobres tem menos bancarização e é ingênuo
achar que vai ser diferente", afirmou.
De acordo com ela, os obstáculos
para o acesso aos serviços bancários são tanto de
oferta quanto de demanda. "Os pobres demandam menos produtos bancários",
disse. Em apresentação no evento, ela listou uma série
de dificuldades à bancarização, incluindo grande
dívida pública em poder dos bancos (principalmente no México
e no Brasil), fatores institucionais e até culturais.
"Um menino de 10 anos nos Estados
Unidos entende perfeitamente o conceito de taxa de juros, de escolhas
intertemporais, de que tem que se consumir menos agora para ter mais
depois, porque isso tudo faz parte da cultura dele", disse, comparando
que o mesmo não acontece com um menino de 10 anos da América
Latina.
O presidente da Febraban, Marcio Cypriano,
que abriu a 40ª Assembléia Anual da Felaban, ressaltou que
o desenvolvimento econômico sustentável "é a única
receita para redução da pobreza de forma crescente e consistente".
Segundo ele, a inclusão bancária é parte importante
desse processo, como "prática da responsabilidade social
dos bancos, com acesso da população de baixa renda a produtos
bancários". Cypriano avalia que a América Latina tem "avançado
com rapidez" na inclusão bancária.
Liliana apontou também fatores
que dificultam a bancarização por aumentar riscos e custos,
como os relacionados à Justiça em causas de execução
de garantias, os tetos para taxas de juros vigentes em países
como o Chile e os impostos sobre transações financeiras,
como a CPMF do Brasil.
Na abertura do evento, o presidente da
Felaban, Juan Antonio Niño, também defendeu o fim de todos
os impostos sobre movimentação financeira, como a CPMF
no Brasil, adotados nos países da região. Lembrando que
esses impostos aumentam o custo da transação financeira,
Niño disse que tributos desse tipo diminuem a possibilidade de
aumentar a bancarização.
Governo acena com possibilidades
Já o secretário do Tesouro
Nacional, Carlos Kawall, acenou com uma possibilidade de reduzir a carga
tributária e melhorar a qualidade dos impostos, inclusive quanto à CPMF
que, reconheceu, onera as transações financeiras. Citou
também como distorções no sistema tributário,
sem detalhar, a estrutura do ICMS e a tributação sobre
investimento privado.
"Temos uma carga tributária
excessiva. Trinta e sete por cento do PIB é alto até para
países desenvolvidos. Temos que olhar e refletir", afirmou
Kawall na Assembléia da Felaban. Contudo, o secretário
foi vago e não falou em decisões nem em prazos, mas defendeu
a diminuição de gastos públicos, afirmando que "qualquer
redução da carga tributária tem que ser custeada
com a redução do gasto do governo".
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CONSULTOR JURÍDICO,
14 de novembro de 2006
Preço do risco
Bancário ganha indenização
por carregar dinheiro a pé
Bancário que carrega alta quantia
de dinheiro a pé tem direito de receber indenização
por danos morais, “só por ter colocado em risco sua integridade
física”. O entendimento é da 3ª Turma do Tribunal
Superior do Trabalho. Com a decisão, o Banco do Estado do Pará continua
obrigado a pagar R$ 50 mil como indenização para um funcionário.
O relator do processo, ministro Carlos
Alberto Reis de Paula, explicou que “a indenização
por danos morais foi deferida como conseqüência da prática
de ato ilícito”. O ministro ressaltou que o banco não
poderia atribuir ao bancário “a responsabilidade pelo transporte
de valores sem qualquer esquema de segurança, colocando em risco
a sua integridade física”.
O empregado ocupou as funções
de caixa e de coordenador do posto de atendimento bancário de
julho de 1977 a maio de 2001. Transportava entre R$ 10 mil e R$ 40 mil,
a pé, aproximadamente três vezes por semana, do posto de
atendimento até a agência do banco. Com o fim do contrato
de trabalho, o bancário ingressou com ação trabalhista
na 16ª Vara do Trabalho de Belém com pedido de indenização.
Alegou que sofreu dano moral. A primeira instância não acolheu
o pedido.
O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região
(Pará e Amapá) reformou a sentença. Considerou que “o
simples fato de o bancário transportar valores ensejaria pagamento
de indenização”. O TRT fixou a indenização
em R$ 50 mil. “É certo que o ato causou ao bancário
grande abalo emocional, não só pela guarda do patrimônio
do empregador, bem como pelo medo de ver sua integridade física
e, até mesmo sua vida, ameaçadas.”
O ministro Carlos Alberto reafirmou a
tese regional de que “a exposição do empregado ao
perigo constante das ruas, exigindo-lhe o transporte de altas quantias,
a pé, sem qualquer esquema de segurança, é, no mínimo,
ato abusivo e logicamente ilegal”.
De acordo com o relator, o artigo 159
do antigo Código Civil diz respeito ao dano decorrente da prática
de ato ilícito, que exige a verificação de culpa
e avaliação de responsabilidade. “No caso, pelo quadro
fático-probatório traçado pelo Regional, ficou configurado
o dano.” O ministro esclareceu ainda que “a indenização
foi deferida em decorrência de exposição desnecessária
da integridade física do reclamante, ante a ausência de
segurança”.
AI RR – 299/2002-006-08-00.7
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CONSULTOR JURÍDICO,
14 de novembro de 2006
Piadinhas do chefe
Trocadilhos ou comentários não
geram danos morais
por Adriana Aguiar
Fazer comentários e piadas sobre
os últimos colocados em vendas dentro de uma empresa não
ameaça a gravidade psíquica que gere dano moral. O entendimento é do
juiz Carlos Francisco Berardo, da 90ª Vara do Trabalho de São
Paulo. Ele rejeitou recurso de Marta Mendes da Silva, ex-funcionária
da Drogasil.
A trabalhadora alegou que sofria constrangimento
moral por que o gerente da loja a chamava de Martaruga. Para ela, o apelido
caracteriza uma notória humilhação e não
apenas um trocadilho.
Segundo uma testemunha, o gerente não
discriminava empregados quando fazia piadas sobre os últimos colocados
ou chamava a atenção na frente dos clientes.
Para o juiz, o procedimento “realmente
era expansivo e, talvez, a cautela recomendasse que fosse comedido em
suas observações. Mas não caracteriza — até aonde
a prova autoriza interpretar — , ofensa moral”.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de
novembro de 2006 | Brasil
GOVERNO-Chefe de Assuntos Estratégicos
da presidência pertenceu ao “núcleo duro” do
Planalto
Desgastado, Gushiken sai e abre
espaço para reforma ministerial
Brasília – Alvo de investigação no Tribunal de Contas
da União (TCU), o chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos
(NAE) do governo, Luiz Gushiken, pediu demissão do cargo. O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva aceitou.
Tão poderoso quanto o ex-ministro
José Dirceu (Casa Civil) nos dois primeiros anos do governo de
Luiz Inácio Lula da Silva, mas muito desgastado depois do escândalo
do mensalão e das suspeitas levantadas pela CPI dos Correios de
irregularidades na distribuição da propaganda do governo
e de interferência indevida nos fundos de pensão, Gushiken
foi afastado pelo presidente da Secretaria da Comunicação
de Governo em 2005. Passou a se dedicar a assuntos estratégicos.
Nos bons tempos, compunha o chamado “Núcleo Duro” – que
praticamente dava a linha política do governo Lula.
Esse grupo era formado por Gushiken, José Dirceu,
Antônio Palocci (Fazenda) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência).
Do núcleo, sobrou apenas Dulci, já que Gushiken parou de
freqüentar o gabinete do presidente Lula.
Luiz Gushiken foi o coordenador de três
das cinco campanhas de Lula. Foi convidado a participar da campanha da
reeleição, mas disse não. Esperou o resultado do
segundo turno da eleição e, no dia 30, avisou às
pessoas próximas a ele que deixaria o governo. Na última
sexta-feira encaminhou a carta de demissão a Lula, dividida em
duas: uma para o amigo Lula e outra para o presidente.
Reforma
Com o afastamento, o ex-ministro abre
espaço para o presidente Lula fazer a reforma ministerial do segundo
mandato.
“Com a nova fase que se configura
na vida política do país delineia-se uma ampla renovação
de dirigentes na administração pública federal,
movimento natural e positivo para o seu segundo mandato”, diz a
carta enviada a Lula.
O cargo será ocupado interinamente
por Oswaldo Oliva Neto, 53 anos, irmão do senador Aloízio
Mercadante (PT-SP). Oliva Neto é o atual secretário-geral
do NAE e coordenador dos trabalhos de planejamento estratégico
do órgão desde agosto de 2003.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de
novembro de 2006 | Brasil
GOVERNO
Carta de demissão
“Encerro a presente etapa com
minha missão cumprida, razão pela qual formalizo
meu pedido de exoneração, estando plenamente satisfeito
com as mudanças que ajudei a implementar na Secom. O NAE
está organizado e elaborou com extrema dedicação
o Projeto Brasil 3 Tempos, o qual deverá oportunamente ser
apreciado.
(...)
Com a nova fase que se configura na vida
política do país, delineia-se uma ampla renovação
de dirigentes na administração pública federal,
movimento natural e positivo para o seu segundo mandato.”
Luiz Gushiken, em trecho da carta que enviou ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de
novembro de 2006 | Brasil
GOVERNO
Primeiro comunista na Presidência,
Aldo defende fim da guerra fiscal
São Paulo – O presidente em exercício, Aldo Rebelo, defendeu
ontem o fim da guerra fiscal no país. Em palestra proferida na Fundação
Mário Covas, em São Paulo, Rebelo destacou que é fundamental
acabar com a guerra fiscal, reduzir a carga tributária e realizar o
pacto federativo como alavanca para que o Brasil seja mais competitivo.
“Precisamos enfrentar a dura concorrência
internacional”, argumentou.
Ao falar sobre a necessidade de realização
de um pacto federativo, bandeira levantada por alguns líderes
tucanos, tais como o governador reeleito de Minas Gerais, Aécio
Neves, ele destacou: “Só alcançaremos a alavanca
da competitividade pelo pacto federativo, que dê a César
o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”
Depois da palestra na fundação,
Rebelo destacou a crença na colaboração que o PSDB
pode dar às reformas que o Brasil precisa.
“O PSDB teve um papel construtivo
na solução da guerra fiscal no país, pois fez concessões
importantes na redução da sua fatia na carga tributária.
Eu acredito que o PSDB terá uma posição construtiva
nas matérias de interesse do país e do povo brasileiro”,
afirmou.
O presidente em exercício foi evasivo
ao falar da presidência da Câmara dos Deputados, uma vez
que, de acordo com informações de bastidores, ele almeja
ser reconduzido para o segundo mandato na direção da Casa.
Rebelo afirmou apenas que o PMDB tem direito de reivindicar a presidência
e admitiu: “Nenhum governo hoje pode fazer maioria sem a participação
do PMDB.”
Sobre a interinidade no governo, Rebelo
disse que a breve passagem no cargo é um testemunho de que a democracia é possível
no Brasil. “Sou apenas um cidadão a quem a Constituição
atribui a função de substituir o presidente da República”,
disse. O presidente disse que a atitude ideal de um substituto do presidente
reeleito Luiz Inácio Lula da Silva na função deve
ser a máxima discrição.
Rebelo também desejou que o vice-presidente
reeleito, José Alencar, que está em tratamento médico
nos Estados Unidos, se restabeleça rapidamente.
Na conferência, o presidente falou
para uma platéia composta, basicamente, de líderes tucanos.
A ex-primeira-dama do estado de São Paulo Lila Covas também
estava presente no evento. Depois dessa agenda, Rebelo seguiu para um
almoço com empresários e líderes políticos,
a maioria formada por tucanos, na sede social do Jockey Clube da capital.
O centro da cidade, onde fica a sede social
do Jockey Clube, viveu um momento de pequeno tumulto, com a chegada da
comitiva presidencial, e alguns curiosos acreditavam que era Lula quem
vinha para o evento.
A agenda de Rebelo no município
havia sido fechada há algum tempo, antes de ele saber da interinidade
na administração federal.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de
novembro de 2006 | Economia
COMÉRCIO EXTERIOR
Balança tem superávit
de US$ 774 mi
A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 774 milhões
na segunda semana do mês (dias 6 a 12). As vendas de produtos ao exterior
somaram US$ 3,121 bilhões e as compras, US$ 2,347 bilhões. No
acumulado do mês, o superávit comercial – saldo positivo
entre exportações e importações – está em
US$ 1,264 bilhão. No ano, o saldo da balança comercial está em
US$ 39,155 bilhões, um crescimento de 2,7% sobre o mesmo período
do ano passado (US$ 38,133 bilhões).
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
14/11/2006
Receber férias com atraso dá direito
a pagamento em dobro
A finalidade das férias é permitir
ao trabalhador o descanso anual em condições e ambiente
diferentes daqueles em que costuma executar suas tarefas e em que vive
de forma cotidiana, a fim de preservar sua saúde física
e mental. O pagamento com atraso da remuneração relativa
ao período das férias subverte essa finalidade, e por isso
deve gerar o direito ao recebimento em dobro por parte do trabalhador.
Com este entendimento, a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho
deu provimento a recurso de revista de uma ex-zeladora da Universidade
do Sul de Santa Catarina (Unisul) e determinou o pagamento em dobro das
férias pagas com atraso, em processo relatado pelo ministro Vieira
de Mello Filho.
A zeladora foi admitida pela Unisul, na
cidade de Tubarão (SC), em julho de 1995. Quase dez anos depois,
em janeiro de 2005, foi demitida sem justa causa e ajuizou reclamação
trabalhista pleiteando diversos direitos. Alegou, entre outras coisas
que, embora o abono de 1/3 fosse pago antecipadamente, sempre recebia
o restante da remuneração quando retornava do período
de férias, pedindo, portanto, seu pagamento em dobro.
O juiz da 2ª Vara do Trabalho de
Tubarão deferiu o pedido fundamentado, principalmente, na economia
e na celeridade processuais. “A prática tem demonstrado
que o indeferimento da pretensão [do pagamento em dobro no caso
de atraso na remuneração de férias] tem levado os
processos até o TST, com provimento favorável aos trabalhadores”,
registrou na sentença.
O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região
(Santa Catarina), porém, ao julgar recurso ordinário da
Unisul, excluiu da condenação a dobra das férias.
O TRT entendeu que, se o empregado goza as férias a que tem direito
sem receber a antecipação (que deve ser paga até dois
dias antes do início, conforme o artigo 145 da CLT), cabe apenas
a aplicação de multa ao empregador.
A zeladora recorreu então ao TST,
insistindo no pagamento em dobro. O ministro Vieira de Mello Filho ressaltou
que a questão reside em saber se o comportamento adotado pela
Unisul, ao pagar as férias após seu efetivo gozo, caracteriza
infração administrativa (artigo 153 da CLT) ou se importa
o pagamento em dobro.
No seu entendimento, a regra do artigo
145 da CLT “não poderá perder de vista a regra constitucional
do artigo 7º, inciso XVII, que assegura a gratificação
antecipada de 1/3 para as férias”. A interpretação
da norma constitucional, juntamente com a da CLT, “retira a possibilidade
de se concluir pela caracterização de mera infração
administrativa, porque a questão refoge ao âmbito da disponibilidade
das partes no contrato de trabalho, e da responsabilidade trabalhista
ou administrativa dela decorrente”, ou seja, a regra da CLT passa
a ter o mesmo status constitucional do abono de 1/3.
Com esta fundamentação,
Vieira de Mello Filho afirma que o pagamento fora do prazo demonstra “desatenção
ao espírito da norma, tornando sem efeito o pressuposto das férias
remuneradas, criado, especificamente, com o intuito de que fosse possibilitado
ao empregado condições financeiras para o gozo de seu período
de descanso da melhor forma que lhe aprouvesse”.
Para o ministro relator, “o desrespeito à ordem
constitucional quanto ao pagamento extemporâneo das férias
conspira contra os valores da preservação da saúde
e segurança no ambiente de trabalho e, para se garantir a efetividade
da norma, impõe-se interpretação de caráter
inibitório” – ou seja, o pagamento em dobro, para
desestimular o empregador a proceder de forma incorreta.
Quanto à interpretação
dada à questão, o relator destacou que o juiz, “sendo
o criador da lei individualizada ao caso concreto, deve encontrar meios
de tornar esta norma eficaz e exeqüível e não, covardemente,
negar-se a cumprir os mandamentos constitucionais sob o argumento de
que não existe legislação integradora dispondo sobre
a matéria”.
Por unanimidade, a Primeira Turma
deu provimento ao recurso e restabeleceu a condenação
ao pagamento da dobra relativa às férias não remuneradas à época
própria, nos termos da decisão da 2ª Vara do Trabalho
de Tubarão. (RR 996/2005-041-12-00.6)
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Presidência
da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI Nº 11.368, DE 9 DE
NOVEMBRO DE 2006.
Prorroga, para o trabalhador rural empregado,
o prazo previsto no art. 143 da Lei nº 8.213, de 24 de julho
de 1991.
Faço saber que o PRESIDENTE DA REPÚBLICA adotou
a Medida Provisória nº 312, de 2006, que o Congresso Nacional
aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente da Mesa do Congresso Nacional,
para os efeitos do disposto no art. 62 da Constituição Federal,
com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, combinado
com o art. 12 da Resolução nº 1, de 2002-CN, promulgo
a seguinte Lei:
Art. 1o Para o trabalhador rural empregado, o prazo previsto no art.
143 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, fica prorrogado
por mais dois anos.
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Congresso Nacional, em 9 de novembro de 2006; 185o da Independência
e 118o da República
Senador RENAN CALHEIROS
Presidente da Mesa do Congresso Nacional
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 10.11.2006.
art.
143 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991
Art. 143. O trabalhador rural ora enquadrado como segurado obrigatório
no Regime Geral de Previdência Social, na forma
da alínea "a" do inciso I, ou do inciso IV ou VII do art.
11 desta Lei, pode requerer aposentadoria por idade, no valor de um salário
mínimo, durante quinze anos, contados a partir da data de vigência
desta Lei, desde que comprove o exercício de atividade rural, ainda
que descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento
do benefício, em número de meses idêntico à carência
do referido benefício.

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