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Diário Vermelho, 17 de novembro de
2006
Reforma da Previdência: os velhos à beira
do penhasco
Quebradeira dos fundos de pensão é um
alerta aos trabalhadores sobre o papel do Estado na economia.
Por Osvaldo Bertolino
O primeiro fundo de pensão que se tem notícia foi criado nos Estados
Unidos em 1759 e funcionava para garantir o sustento das viúvas e dos
filhos de pastores presbiterianos que faleciam. Mais de um século depois,
em 1875, a American Express Company estabeleceu um embrião do que viria
a ser o plano corporativo formal. Por aquele modelo, só tinham direito
a receber aposentadoria os homens acima de 60 anos, com mais de 20 anos de casa
e que fossem considerados incapazes de continuar trabalhando. Mas foi só depois
da Segunda Guerra Mundial que a prática se tornou uma referência
entre as companhias. Nesse princípio efetivo, o papel de destaque coube à General
Motors. Em 1950, ela lançou as bases de seu fundo. Para aquele momento,
foi uma revolução.
O plano já era administrado por profissionais e o patrimônio líquido
podia ser investido em ações de outras empresas. Hoje, a General
Motors possui o maior fundo dos Estados Unidos, somando US$ 87 bilhões.
O tamanho dos recursos é diretamente proporcional ao tamanho do problema
(o que leva a crer que o tempo trabalha contra esse tipo de aposentadoria). Em
2003, o déficit chegou a US$ 19 bilhões. A empresa teve de lançar
títulos no mercado e vender uma subsidiária para diminuir o rombo.
Hoje, o déficit está na casa do bilhão de dólares,
mas o problema continua. Para cada funcionário na ativa da General Motors,
existem 2,5 aposentados.
Garantia de pé-de-meia
As notícias informam que a lista de falências influenciadas pelo
desequilíbrio dos fundos de pensão é imensa. US Airways,
Polaroid, TWA e Bethlehem Steel, para citar alguns exemplos, tiveram de encerrar
suas atividades depois de enfrentar problemas com o gerenciamento de seus planos.
Em algumas montadoras de automóveis, as primeiras a implementar esse modelo,
o custo dos fundos já representa uma despesa adicional de US$ 1.300 por
cada veículo fabricado. Nos outros setores, o panorama é o mesmo.
Só no ano passado, as empresas norte-americanas dizem que desembolsaram
quase US$ 200 bilhões por causa dos fundos de pensão.
É tão evidente que esse modelo está sucumbindo que a quantidade
de fundos à disposição dos funcionários caiu bruscamente
nos últimos 15 anos. Nesse período, o número de planos de
previdência administrados por empresas recuou de 113 mil para 32 mil. Mas
por que o plano de previdência das empresas, antes aclamado como garantia
de pé-de-meia na velhice, vem dando tão errado? E ainda por cima
nos Estados Unidos? A primeira razão é conjuntural. A maioria desses
fundos sofreu com trapalhadas na administração dos recursos (e
não se trata aqui de considerar casos de corrupção ou desvio
de dinheiro). A maioria desses gestores fez apostas que se revelaram um fiasco
ao longo do tempo.
Origem estrutural
No ano 2000, um pedaço considerável dos recursos dos fundos (estimados
em US$ 6,5 trilhões) ajudava a turbinar ações de empresas
de internet. Com o estouro da bolha naquele ano, alguns desses fundos chegaram
a perder 30% de patrimônio. Foram os casos de Ford, Boeing, DuPont e Lockheed
Martin, companhias que estão hoje no ranking das dez situações
mais problemáticas do país. A situação se complicou
ainda mais quando o banco central norte-americano, o Fed, resolveu apostar numa
política de queda dos juros. Os fundos tinham quantidades colossais de
papéis atrelados a essas taxas.
A outra razão, essa de origem estrutural, é a mesma que vem corroendo
o sistema de aposentadoria em vários países: o envelhecimento acelerado
da população. No caso norte-americano, a longevidade dos aposentados
está impondo um peso adicional ao sistema. Na década de 50, a expectativa
de vida de um trabalhador assalariado era de 67 anos. Hoje, ela está em
76. Os cálculos anteriores previam que um aposentado viveria em média
mais sete anos depois de começar a receber o benefício. Hoje, esse
período está em 16 anos.
Panorama de Bush
Ou seja: os benefícios necessários para custear esse trabalhador
mais que dobraram. Como a expectativa de vida continua a crescer e os índices
de natalidade continuam a cair, as administrações dos fundos de
previdência têm o desafio de lidar com uma discrepância cada
vez maior entre o número de trabalhadores na ativa e os que estarão
recebendo o benefício. De acordo com a Organização das Nações
Unidas (ONU), havia em 1950 uma dúzia de pessoas na ativa para cada aposentado.
Hoje, segundo os últimos dados disponíveis, essa proporção é de
9 para 1. Por volta do ano 2050, um curto espaço de tempo em termos atuariais,
essa proporção será de 4,5 trabalhadores para 1 aposentado.
Nos Estados Unidos, o tema foi abordado pelo presidente George W. Bush em discurso
ao Congresso dos Estados Unidos. O panorama apresentado pelo presidente norte-americano
foi trágico. Segundo os dados de Bush, o sistema de seguridade social
dos Estados Unidos irá à falência em 13 anos se não
sofrer revisões. Para resolver o problema, Bush sugeriu a criação
de contas pessoais para cada cidadão gerenciar sozinho o que ele chamou
de “seu próprio pé-de-meia”.
O assunto também é discutido no Japão, onde o governo quer
reformular o sistema público de Previdência. Está em estudo
um projeto de lei que aumenta os impostos sobre as pensões em 20% e reduz
os benefícios em 15%. Na França, país com tradição
de benefícios sociais muito forte, o governo também mexeu no vespeiro
há pouco tempo. O presidente Jacques Chirac sancionou novas leis que aumentaram
o tempo de contribuição dos trabalhadores e foi duramente contestado.
Será que há solução viável para essa equação
sem uma redefinição do papel do Estado na economia?
Castelinho de cartas
Em artigo publicado no jornal Valor Econômico — e reproduzido aqui
no Vermelho no dia 14 de novembro —, intitulado “Vícios e
virtudes da economia globalizada”, Luiz Gonzaga Belluzzo diz que diante
da proximidade da insolvência dos sistemas privados de aposentadoria é lícito
suspeitar que “a única reforma possível da seguridade social
no mundo vai contemplar métodos muito antigos de aposentadoria: atirar
os velhos ao penhasco”.
A experiência norte-americana serve de alerta (a propósito, importantíssimo).
A principal medida discutida por lá é a mesma que se discute por
aqui. Ou seja: a troca do modelo de benefício definido pela contribuição
definida (foi o que Bush sugeriu). Apostar na aposentadoria por esse meio é o
mesmo que dar um tiro no escuro. No Brasil, a maior parte dos recursos dos fundos
está aplicada em renda fixa. Entre 1994 e 2003, esse tipo de investimento
subiu de 29% para 62% na carteira dos fundos brasileiros. Se o Banco Central
(BC) mantiver a política de baixa dos juros, o castelinho de cartas dos
fundos de pensão pode vir abaixo. O próximo artigo volta à crise
dos fundos de pensão.
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Nova Central, 17 de novembro
de 2006
Encontro discute integração
trabalhista no Mercosul
Brasília recebe nos dias 23 e 24 de novembro o Fórum Permanente
de Cortes Supremas do Mercosul e Associados, encontro que reúne os presidentes
das supremas cortes judiciárias dos países que fazem parte do
Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul), além de países associados
e convidados. Entre os temas abordados, está edição do
evento destaca as relações trabalhistas no âmbito do Mercosul.
Embora tenha sido criado há 15
anos, para o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Vantuil
Abdala, o Mercosul não conseguiu avançar muito no que se
refere a direito dos trabalhadores. “Há princípios
gerais quanto à dignidade do trabalhador, segurança no
trabalho, não discriminação, mas nenhuma norma específica”.
De acordo com o jurista Jorge Fontoura,
o que dificulta essa regularização são as diferentes
leis de cada um dos países. “O Brasil e o Uruguai têm
uma postura jurídica e a Argentina e o Paraguai já têm
outra postura. É necessário que em um futuro não
muito distante nós unifiquemos essas posturas, principalmente
constitucionais, se quisermos aprofundar a integração”.
Segundo Fontoura, o encontro mostra justamente "os poderes judiciários
dialogando e se aproximando no sentido de interagirem em prol da integração”,
concluiu.
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CFT/PR, 17 de novembro de
2006
Para o El País, ser deputado
no Brasil é muita sorte
Um dos mais respeitados jornais da Europa, o diário espanhol El País
destacou, em sua edição de ontem, “a sorte de ser deputado
no Brasil”. O jornal afirma que os parlamentares brasileiros estão
entre os mais bem pagos do mundo. A reportagem ressalta que “entre salário
e diárias, cada deputado pode chegar a receber R$ 92,9 mil mensais”.
O jornal compara os rendimentos dos parlamentares
brasileiros com o salário mínimo do trabalhador, observando
que o elevado valor recebido por um congressista acontece “em um
país onde o salário mínimo é de cerca de
R$ 350 por mês”. O valor levantado pelo jornal espanhol inclui
salário e todas as verbas adicionais a que os parlamentares têm
direito.
De acordo com cálculo do jornal
espanhol, os deputados recebem R$ 92,9 mil entre salário e pagamentos
extra: R$ 12,4 mil de salário, R$ 50 mil para pagar assessores,
R$ 3 mil para habitação em Brasília, R$ 4,2 mil
para envio de correspondência, R$ 15 mil para indenizações,
R$ 15 mil para pagar um escritório em sua base eleitoral e R$
8,3 mil para passagens de avião.
O diário europeu também
destaca que o Congresso coloca à disposição dos
parlamentares brasileiros um livro - Manual do gabinete parlamentar -
de 330 páginas com informações de uso exclusivo
dos deputados.
El País também lembra que,
apesar do valor alto que os parlamentares recebem, o presidente da Câmara,
Aldo Rebelo (PCdoB), apresentou projeto que aumenta em 100% o salário
dos deputados, de R$ 12,4 mil para R$ 24,2 mil, equiparando-o ao que
ganham membros do Supremo Tribunal Federal.
A Camara dos Deputados abriga um contingente
de 513 deputados federais, o que multiplicando o valor que cada deputado
recebe por ano por este número, chega a uma pequena fortuna. Para
fazer frente a esta demanda, a Câmara Federal tem um orçamento
que faz inveja à maioria dos prefeitos. O orçamento previsto
para 2007, de R$ 3,387 bilhões, só é inferior ao
de três capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro
e Belo Horizonte.
Todo este recurso será usado
para pagar pessoal, arcar com a manutenção da Casa e
investir em obras. Esta é uma das razões, além
do prestigio político e ser o segundo na sucessão presidencial,
que faz o cargo de presidente da Câmara ser tão cobiçado.
A disputa pelo cargo tem outros componentes. Cabe ao presidente da
Câmara, por exemplo, aceitar ou recusar o pedido de abertura
de processo de impeachment do presidente da República, que não
pode ser feito por partidos - deve partir de representantes da sociedade
civil ou de parlamentares.
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Folha
de São Paulo, 17 de novembro de 2006
Após ouvir Lula, PT admite perder
espaço para PMDB
Presidente do partido diz que o importante não
são cargos, mas influência no governo
Lula vê aliança com PMDB como essencial
para fazer frente à oposição PSDB-PFL e diz que
PT terá de se adaptar a um governo de coalizão
Alan Marques/Folha Imagem

O presidente Lula recebe o embaixador do Kuait, Waleed Ahmad M. Al-Kandari,
no Planalto
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em uma reunião de duas horas
e meia com uma comissão de petistas, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse que o partido terá de se adaptar a um governo
de coalizão, pois vê uma aliança com o PMDB como
essencial para evitar que o governo fique vulnerável à dupla
oposicionista PSDB-PFL.
O primeiro encontro de Lula, depois da vitória no segundo turno, com
representantes de todas as alas do partido deixou claro um temor crescente
dos petistas nas últimas semanas: não só vai ser muito
difícil aumentar a participação do PT no primeiro escalão
como existe risco de perda de poder.
Uma das grandes preocupações
do PT, hoje, é justamente perder espaço para o PMDB,
partido que, apesar de dividido, possui uma ala que dá apoio
irrestrito ao presidente e almeja mais cargos. Dos 34 cargos com status
de ministro no governo, 16 estão nas mãos de petistas
e 2 com o PMDB. Segundo relato de participantes do encontro Lula disse,
mais de uma vez, estar apostando tudo nessa coalizão com o PMDB.
Antes de seguir ao Planalto, os petistas
se reuniram para elaborar uma pauta que apresentariam a Lula. Definiram
que a questão dos cargos do partido seria tratada de forma sutil,
a fim de não pressionar o presidente. No início da conversa,
porém, Lula se antecipou. Disse aos petistas que esse assunto,
por conta do potencial polêmico, seria tratado exclusivamente
com Tarso Genro (Relações Institucionais).
Ontem mesmo Tarso ligou para o presidente
do PMDB, Michel Temer, para marcar para a próxima quarta-feira
um encontro com Lula, dando início às conversas institucionais
para o governo de coalizão. Após o encontro de ontem,
os petistas adotaram um discurso de que o importante não é a "visão
geométrica do espaço" na máquina pública,
mas sim o tamanho de sua influência nos rumos do segundo mandato.
"O tamanho da participação
no governo, contrariamente ao que alguns podem supor, não é um
tamanho que possa se medir com fita métrica, não pode
se medir com aritmética vulgar. Mede-se concretamente pela presença
das posições políticas essenciais de um determinado
partido ou de um conjunto de partidos", afirmou o presidente interino
do PT, Marco Aurélio Garcia, que falou em nome da comissão
depois da reunião.
"Isso não é um terreno
que vai ser dividido em termos de hectares ou metros quadrados. Vai
ser dividido em torno da formação de uma base sólida
de governo, programática, em torno de pessoas qualificadas." Bem-humorado,
mas firme na condenação aos erros de seu partido, o presidente
também cobrou "renovação" e "recuperação" da
legenda. Segundo os participantes, Lula disse que o "PT não
tem direito de errar mais. Até quando acerta apanha. Imagina
quando erra".
De acordo com a senadora Ideli Salvatti
(SC), o presidente chegou a insinuar a hipótese de tomar posse
sem ter escolhido sua nova equipe. "O presidente disse que, diferentemente
da outra vez, quando tinha que tomar posse com todos os ministros,
agora não precisa fazer isso até 1º de janeiro de
2007."
Além de Garcia, Tarso e Ideli,
participaram do encontro o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral),
Jilmar Tatto (terceiro vice-presidente do PT), Maria do Rosário
(segunda vice), Joaquim Soriano (secretário-geral-adjunto),
Paulo Ferreira (tesoureiro), Renato Simões (secretário
de Movimentos Populares) e Valter Pomar (secretário de Relações
Internacionais). Na conversa, Lula disse que pretende mudar sua relação
com o partido. "O nosso diálogo será aberto",
teria dito.
Afirmou que a prova disso será sua
presença na reunião do Diretório Nacional do
PT, nos dias 25 e 26 deste mês, em São Paulo. Lula evitou
falar sobre Ricardo Berzoini, afastado da presidência do PT
em razão do caso do dossiê. (EDUARDO SCOLESE, FÁBIO
ZANINI, PEDRO DIAS LEITE E FERNANDA KRAKOVICS)
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Folha
de São
Paulo, 17 de novembro de 2006
São Paulo perde espaço no
PIB nacional
Dados do IBGE de 2004 mostram que Estado tinha
33,7% da economia do país
em 2000 e 30,9% quatro anos depois
Migração da indústria de alimentos para novos centros,
expansão agrícola e benefícios fiscais elevam peso
de outras regiões
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
A economia do país prossegue num processo acelerado de desconcentração,
puxado pela perda de peso do Estado de São Paulo no PIB (Produto
Interno Bruto) nacional. Maior do país, o PIB paulista, que já chegou
a representar 33,7% em 2000, correspondia a 30,9% da economia brasileira
em 2004. Em 2003, o percentual era de 31,8%, segundo o IBGE.
Em contrapartida, economias do Sul, do Centro-Oeste,
do Nordeste e do Norte ganharam terreno. A situação tende, porém,
a mudar quando computados dados de 2005 e 2006, segundo o economista
Sérgio Vale, da MB Associados. É que a crise no campo,
que se irradiou para o comércio e parte da indústria, afetou
o desempenho do Sul e do Centro-Oeste. Norte e Nordeste, por sua vez,
continuaram provavelmente avançando, estima Vale, com o aumento
da renda proporcionado por programas de transferência (como o Bolsa
Família), a expansão da indústria e da fronteira
agrícola.
Em 2000, 4,6% do PIB era gerado na região Norte. Em 2004, subiu
para 5,3%. No Nordeste, no mesmo período, foi de 13,1% para 14,1%;
no Sul, de 17,6% para 18,2%; no Centro-Oeste, de 7% para 7,5%. Apesar
da desconcentração, a região Sudeste ainda representava
54,9% do PIB em 2004 -o percentual era de 57,8% em 2000.
O PIB paulista perde espaço desde 1990 (quando era 37% do do
país), mas a tendência se acelerou de 2000 em diante. Entre
as razões, Frederico Cunha, gerente das contas regionais do IBGE,
cita a abertura de novas empresas em outros pólos econômicos,
os incentivos fiscais de alguns Estados e a migração de
indústrias de bens de consumo (especialmente alimentos) para mais
perto dos mercados consumidores. Ressalta ainda o efeito da expansão
da fronteira agrícola para o Centro-Oeste e o Nordeste, atraindo
a agroindústria.
"Muitos Estados, especialmente os do Nordeste, estão se
integrando ao mercado consumidor, o que leva as empresas, principalmente
de bens de consumo não-duráveis, a se instalar na região",
concorda o economista Edgar Pereira, do Iedi (Instituto de Estudos para
o Desenvolvimento Industrial).
Diferentemente de São Paulo, não houve perda em outros
Estados em que a economia também é dinâmica. Segundo
maior PIB do país, o Rio, que perdeu terreno na década
de 1990, manteve praticamente inalterada sua participação
-12,5% em 2000 para 12,6% em 2004. Foi efeito do crescimento da indústria
do petróleo, diz o IBGE. Em Minas, o peso passou de 9,6% para
9,4%. Os dois Estados, avalia Vale, devem manter seu peso graças à expansão
da exploração de petróleo e minério de ferro. "Sem
dúvida, no Sudeste, São Paulo é o que tende a perder
mais em 2005 e 2006."
Em 2004, a economia paulista cresceu 6,4%, mais
do que o PIB nacional, cujo crescimento foi de 4,9%. O motivo foi o
desempenho da indústria
naquele ano -expansão de 10,8%, a melhor marca desde o início
da série da pesquisa do IBGE, em 1985. Em 2004, o PIB paulista
somou R$ 546,607 bilhões, de um valor total de R$ 1,767 trilhão
no Brasil. Os maiores crescimentos do PIB, em 2004, aconteceram no Amazonas
(11,5%) e em Mato Grosso (10,2%), sob efeito da indústria da zona
franca e da agropecuária, respectivamente. Afetado pela estiagem
que também prejudicou os Estados do Sul, Mato Grosso do Sul foi
o único com taxa negativa (-0,8%). Na seqüência, os
piores desempenhos ficaram com Paraíba (1,6%) e Rio de Janeiro
(1,9%) -no segundo caso, sob efeito da queda de 3% da produção
de petróleo, a primeira desde 1990.
Em razão da seca, Rio Grande do Sul e Paraná também
cresceram abaixo da média em 2004 -3,4% e 3,2%, respectivamente.
Pereira, do Iedi, ressalta que "um cenário de forte crescimento
econômico, como foi o de 2004, beneficiou as economias menores
e favoreceu o processo de desconcentração regional".
Acre e Tocantins são dois exemplos, com altas acima da média
-5,7% e 5,5%.
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Folha
de São Paulo, 17 de novembro de 2006
Força Sindical já quer negociar
multa do FGTS para aposentados
Metalúrgicos da central devem encaminhar
pauta aos sindicatos patronais
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Os metalúrgicos da Força
Sindical querem negociar com os sindicatos patronais o pagamento da
multa de 40% do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
aos aposentados que foram demitidos sem justa causa e não receberam
o benefício quando se desligaram das empresas em que atuavam.
Na próxima terça-feira, representantes de 135 sindicatos
dos metalúrgicos filiados à central e de nove federações
estaduais se reúnem para discutir o assunto em São Paulo.
Essas entidades representam 1,1 milhão de trabalhadores no país.
A reivindicação dos metalúrgicos
se baseia em recente decisão da SDI-1 (Seção Especializada
em Dissídios Individuais) do Tribunal Superior do Trabalho,
que, pela primeira vez, reconheceu o pagamento da multa integral de
40% do FGTS em um processo movido por um eletricitário gaúcho. "Com
essa discussão, queremos evitar uma avalanche de processos na
Justiça para requerer o benefício", afirma Eleno
Bezerra, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos
da Força Sindical e presidente do sindicato da categoria em
São Paulo.
A proposta dos metalúrgicos é negociar
formas de pagamento para incentivar as empresas a pagar rapidamente
o benefício. "Em vez de entrar em uma briga jurídica
de anos, as empresas poderiam pagar os maiores valores de forma parcelada,
como ocorreu com o acordo para pagar as perdas econômicas dos
planos Collor e Verão, por exemplo", afirma.
Levantamento
A partir da próxima semana, os
sindicatos começam a fazer um levantamento para identificar
quantos trabalhadores aposentados que foram demitidos teriam direito à multa
do FGTS. "Não há como estimar. Só no caso
das montadoras, por exemplo, houve centenas de adesões a programas
de demissões voluntárias. Os primeiros a saírem
nesses pacotes sempre são os aposentados", afirma o sindicalista.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 17 de novembro de 2006 | Economia
Lula não descartou reforma da
Previdência, diz Mantega
Assunto desagrada ao presidente, pois teme
desapontar população de baixa renda, da qual teve 70%
dos votos válidos no 2º turno. Ele ainda avalia medidas
Adriana Fernandes e Renata Veríssimo
BRASÍLIA - Apesar da resistência
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em acrescentar ao pacote
fiscal em debate medidas de reforma da Previdência, como a desvinculação
do piso previdenciário do salário mínimo, a proposta
de reforma da Previdência não está descartada. De
acordo com o ministro da Fazenda, Lula "não disse nem que
quer nem que não quer. Ele falou que quer examinar a fundo com
o ministro da Previdência". O assunto desagrada ao presidente,
pois teme desapontar população de baixa renda, da qual
teve 70% dos votos válidos no 2º turno.
Mantega deixou claro que não há definição
no governo sobre a necessidade de envio de uma nova reforma estrutural
da Previdência ao Congresso. "Vamos discutir com o ministro
da Previdência qual é a saída para a Previdência",
afirmou. Segundo ele, o governo analisa estudo apresentado pelo setor
privado que mostra que é possível reduzir as despesas da
Previdência em até R$ 50 bilhões no período
de 3 a 4 anos.
O ministro disse ainda que a discussão
sobre a necessidade ou não de nova reforma da previdência
ainda vai começar. "A discussão da Previdência
ainda não começou. É uma discussão que vai
começar", afirmou o ministro. Por isso mesmo, ressaltou,
não está definida a desvinculação do salário
mínimo dos benefícios da previdência.
Mantega disse que o ministro da Previdência,
Nelson Machado, também já recebeu estudo do setor privado
que mostra que é possível reduzir até R$ 50 bilhões
as despesas da previdência no período de três a quatro
anos, apenas com mecanismos de gestão, sem a necessidade de uma
reforma previdenciária.
Gastos sociais e investimentos
Ele afirmou também que as medidas
de gestão em análise pelo governo prevêem a redução
de gastos de naturezas distintas. Segundo ele, a idéia é limitar
o crescimento de algumas despesas para que elas tenham um ritmo de expansão
menor do que o crescimento do PIB.
Outros gastos, segundo o ministro, como
passagens aéreas e diárias, serão reduzidos. "Esse
tipo de gasto, que não afeta o serviço público,
as realizações sociais e os investimentos, serão
reduzidos. Estamos fazendo um grande esforço para identificá-los",
explicou o ministro.
"Outros gastos de maior porte vão
respeitar regras. De modo que no longo prazo o crescimento desses gastos
seja menor que o crescimento do PIB e, assim, vão caindo em relação
ao PIB", afirmou Mantega, que chegou há pouco ao Ministério
da Fazenda. Ele passou a manhã em São Paulo, onde teve
compromissos.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
17 de novembro de 2006 | Economia
Pacote tributário tem que reduzir
preço
ASÍLIA – O secretário
da Receita Federal, Jorge Rachid, afirmou ontem que um dos critérios
de análise para possíveis desonerações tributárias
em estudo no pacote do governo é o grau de repasse para os preços
finais dos produtos.
“É preciso analisar os setores
em que a desoneração mais se traduz em redução
de preço e não se transforma em margem de lucro”,
disse o secretário. “O corte de imposto tem de chegar até o
comprador do produto.”
Ele explicou que a Receita Federal tem
critérios para analisar quais setores tendem a repassar mais para
os preços os cortes de tributos.
Sem se referir a segmentos específicos,
Rachid disse que um dos fatores que fazem a redução de
impostos resultar em preços mais competitivos é o nível
de concorrência entre as empresas – quanto mais acirrada
a disputa no mercado, mais a redução da carga de impostos
tende a ser repassada ao consumidor.
Rachid afirmou que nos estudos sobre desoneração
tributária o governo analisa qual medida trará maior retorno
econômico em termos não só de crescimento econômico,
mas também de geração de emprego e renda.
“Temos de ver qual desoneração é melhor
para a economia. Essa é a discussão. Estudamos qual setor
produtivo que a redução de tributos é mais interessante
em termos de geração de emprego e renda”, disse o
secretário. “Avaliamos qual o retorno que a medida trará”,
completou.
Nesse sentido, o secretário repetiu
o que já foi confirmado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega,
e citou o segmento de bens de capital como um dos potenciais beneficiários
de desonerações.
“É um segmento que gera emprego
e renda”, disse. “Mas ainda não há nada certo,
estamos na fase de estudos e não há nenhuma definição.”
As propostas para ajuste fiscal e corte
de impostos apresentadas pelo ministro da Fazenda Guido Mantega ao presidente
Lula na terça-feira estão na direção certa,
mas não são suficientes para levar o país a crescer
5% no ano que vem e atrair investimentos, como quer o governo.
Essa é a avaliação
de representantes de indústrias e economistas sobre o pacote,
que inclui redução gradual da CPMF e isenção
de PIS e Cofins para compra de máquinas – em estudo.
“Somos a favor de qualquer medida
que reduza impostos. Mas não quer dizer que essas medidas e outras
pontuais vão dar enormes condições de investimentos
ao país”, diz Humberto Barbato, diretor do Centro das Indústrias
do Estado de São Paulo.
Para Newton de Mello, presidente da Abimaq,
associação da indústria de máquinas, o pacote é bem-vindo,
pois o país possui uma das cargas tributárias mais elevadas
do mundo.
“Mas não é suficiente.
A indústria brasileira está perdendo competitividade devido à valorização
do real. O país precisa de medidas que inibam a entrada de capital
especulativo.”
O Brasil, na opinião de David Kupfer,
coordenador do Grupo de Indústria do Instituto de Economia da
UFRJ, precisa de uma reforma tributária completa para ter reflexo
nos investimentos, na produção e no emprego.
“O país precisa ter uma estrutura
tributária diferente da atual, baseada mais no valor agregado
e menos na folha de salários dos empregados.”
Roberto Padovani, sócio-diretor
da consultoria Tendências, diz que medidas pontuais têm pouco
efeito no cenário econômico. “Não vou mudar
projeção de crescimento do país em 2007 por conta
dessas medidas.”
Para o Brasil crescer mais, na sua avaliação,
o governo deve reduzir a taxa de juros, ter regras claras para os investimentos
de longo prazo e fazer ampla reforma tributária. (Agência
Estado e Folhapress)
Base de sustentação
será importante para aprovar medidas
BRASÍLIA – O presidente Lula
contabiliza a maioria nominal do Congresso em sua base de sustentação,
mas nem por isso está dispensado de articular o apoio de parlamentares
ao programa econômico que pretende implementar para acelerar o
crescimento.
Líderes governistas e aliados advertem
que a capacidade do Planalto de aprovar medidas de seu interesse dependerá da
habilidade política que o presidente mostrar na montagem do governo
de coalização.
A dificuldade do governo será inversamente
proporcional ao grau de satisfação dos aliados na partilha
dos cargos, especialmente o PMDB, que é majoritário na
Câmara e no Senado.
“A maioria nominal do Congresso
o presidente conquistou, assim como o fez no primeiro mandato”,
observa o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). “O que ele precisa
agora é assegurar uma maioria antecipadamente comprometida com
o que vem pela frente”, completa o parlamentar. (Agência
Estado)
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GAZETA DO SUL, 17 de novembro
de 2006
RS: Estado susta efeito de termo que
proibia contratação de cooperativas de mão-de-obra
Estão sustados os efeitos do Termo
de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Estado do Rio Grande
do Sul, através da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e o Ministério
Público do Trabalho, que previa que o poder publico estadual se
abstivesse de contratar e manter cooperativas de mão-de-obra para
a prestação de serviços. O termo não foi
ratificado pelo governador Germano Rigotto.
Em contrapartida, o governador assina,
no próximo dia 22, com a Organização das Cooperativas
do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs) Termo de Cooperação
Técnica que regulamentará, para fins de habilitação
e concorrência, a participação das cooperativas em
procedimentos licitatórios, no âmbito da administração
pública direta e indireta do Estado. A parceria vem ao encontro
da Lei 11.995, de 30 de outubro de 2003, que cria o Cadastro Geral das
Cooperativas do Estado, organizado e mantido pelo Gabinete de Reforma
Agrária e Cooperativismo (Grac), e do Decreto 43.876, de 14 de
junho de 2005, que o regulamenta e condiciona a regularidade ao registro
junto à Ocergs.
Segundo o titular do Grac, secretário
Lademiro Dors, a cooperação entre Estado e Ocergs faz parte
de uma série de ações para garantir direitos e oportunidades às
cooperativas, sem que estas possam ser utilizadas de forma inescrupulosa
para burlar direitos trabalhistas, através de organizações
de fachada. "O certificado emitido pelo Grac é um atestado
de que a cooperativa cumpre as exigências legais e sociais que
a sociedade e os princípios do cooperativismo implicam, referendando
a sua seriedade e compromisso", explica o secretário. De
acordo com Dors, poderão ser discutidas normas mais rígidas
para a regularização de cooperativas de trabalho. Ele também
afirmou que irá procurar o Ministério Público do
Trabalho para discutir a questão e auxiliar na busca de alternativas
que inibam fraudes sem prejudicar o setor cooperativista.
O Cadastro Geral das Cooperativas, implantado
no atual governo, está em pleno andamento, com 241 cooperativas
regulares. Iniciado através de convênio com a Junta Comercial
do Rio Grande do Sul, onde os registros existentes ultrapassam a casa
dos 4 mil, ele é obrigatório para que as entidades se relacionem
com o Estado, além de ser uma forma de traçar rumos e direcionar
ações voltadas para o setor. "Esta é apenas
uma das iniciativas tomadas pela gestão do governador Germano
Rigotto, que tornou o cooperativismo a sua 'menina dos olhos', com a
criação de uma secretaria, um conselho estadual e legislação
específicos para as cooperativas, sendo pioneiro no Brasil",
disse o secretário.
Lademiro Dors fez questão de lembrar
a importância do cooperativismo para a geração de
trabalho e renda, que impactuam também em segmentos da sociedade
que costumam enfrentar maior dificuldade em encontrar ocupação,
como deficientes físicos, que podem associar-se a cooperativas
e ter sua força de trabalho reconhecida.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 17 de
novembro de 2006 | Paraná
INFÂNCIA-Índices positivos
de reciclagem de lixo escondem trabalho infantil
Um Brasil para se orgulhar
e outro para se envergonhar
O Brasil se orgulha de ser o quarto país do mundo na reutilização
do plástico e o líder no ranking da reciclagem de latas de alumínio,
bem à frente de países como Estados Unidos, Dinamarca, Noruega
e Suíça. O reaproveitamento de latas, por exemplo, chegou a 96,2%
no ano passado, índice de dar inveja a qualquer país desenvolvido.
Mas esses números escondem uma realidade vergonhosa que coloca o Brasil
na ponta de outro ranking, este nada elogiável. Parte dos seus 130 mil
sucateiros é composta de crianças. No Paraná, 13.º no
quadro nacional do trabalho infantil, uma parcela do total de 175.727 trabalhadores
mirins atua como catadores de lixo. Há cinco anos eles eram 3.370 no
estado. Hoje ninguém sabe ao certo quantos são.
Relatório de 2001 da Procuradoria
Regional do Trabalho, com sede em Curitiba, trazia Londrina em primeiro
lugar com 145 crianças atuando de forma irregular nas ruas como
carrinheiros, seguida de Campo Mourão, com 109 catadores infantis,
e da capital, com 108. Ao todo, eram 3.370 meninos e meninas abaixo de
14 anos em 177 municípios. O estudo foi feito pela procuradora
do Ministério Público do Trabalho e do Núcleo de
Combate a Exploração do Trabalho Infantil no Paraná,
Margareth Matos de Carvalho, cruzando dados do Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil (Peti), do Unicef e dos conselhos tutelares.
Ponta do iceberg
Apesar do esforço, o documento
ainda não conseguiu retratar a questão em toda sua dimensão.
Os carrinheiros infantis são a ponta de um iceberg de problemas
que tem crescido no Brasil. Após 14 anos de queda, a taxa de ocupação
de crianças e jovens de 5 a 15 anos aumentou de 2004 para 2005,
conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Há que se ponderar que o aumento se deveu, em partes, à inclusão
de crianças que trabalham na área rural da região
Norte do país e que não apareciam nas pesquisas anteriores.
No ano passado havia 2,9 milhões
de pessoas nesta faixa etária trabalhando no país, acréscimo
de 120 mil de um ano para o outro. Neste cômputo entra todo tipo
de trabalho infantil, do malabares nos faróis à atividade
no meio rural. De todos os paranaenses de 5 a 15 anos, 8,56% trabalham.
O Piauí lidera o ranking com 17,11%, mas em números absolutos
fica atrás do Paraná, com 116.649 crianças trabalhando.
Minas Gerais tem o maior número absoluto (301.411), mas proporcionalmente
fica em 17º lugar, com 8,01% do total de crianças trabalhando.
No Brasil, 7,8% de toda a população
entre 5 e 15 anos trabalham, o que corresponde a um número absoluto
de 2.934.724 de meninos e meninas. O trabalho é permitido no país
a partir dos 16 anos, ainda assim na condição de aprendiz
para os maiores de 14 anos. No caso de crianças que catam lixo
nas ruas, essa atividade é considerada trabalho infantil na sua
pior forma, porque a criança está sujeita a uma série
de riscos. Desde 2000, o Brasil é signatário da Convenção
182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que
trata das piores formas de trabalho infantil, se comprometendo a eliminá-la.
No contrafluxo dos números, um
estudo do Ministério do Desenvolvimento Social diz que a prática
tem diminuído. Uma das causas seria o Peti, criado em 1996, que
hoje distribui 1,1 milhão de benefícios às famílias
que mantêm os filhos de 7 a 15 anos na escola. O valor é de
R$ 40 para crianças da área urbana e R$ 20 para as da zona
rural. A meta é retirá-los de trabalhos perigosos, penosos,
insalubres e degradantes, oferecendo atividades artísticas, esportivas
e educacionais no contraturno escolar. O Paraná tem 47.820 crianças
incluídas no Peti, mas não há limite para novas
inclusões, diz o secretário de estado do Trabalho e Ação
Social, Émerson Nerone.
Para Nerone, se há incidência
de crianças na coleta de lixo reciclável é porque
os pais desconhecem o Peti. A inclusão é feita pelos municípios.
Em Curitiba, há 3.874 crianças incluídas no programa,
1.953 em Londrina e 340 em Campo Mourão, as três que despontavam
no relatório da Procuradoria Regional do Trabalho. Aqueles números,
porém, já mudaram. De acordo com a secretária municipal
de Assistência Social de Londrina, Maria Luiza Amaral Rizotti,
hoje não há mais crianças nos lixões e raramente
se vê alguma acompanhando os pais carrinheiros. Na cidade, 25 mil
famílias estão incluídas em algum programa social,
entre eles o Peti e o Bolsa-Família.
“Formiguinha”
Não é pouca coisa o trabalho
dos carrinheiros. O Brasil recicla 127,6 mil toneladas do material por
ano, de acordo com a Associação Brasileira de Alumínio
(ABA) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas
de Alta Reciclabilidade (Abralatas). Só no caso das latinhas,
a reciclagem ajuda o setor a poupar cerca de R$ 30 milhões por
ano.
Sem dúvidas a reciclagem é importante
para o meio ambiente, mas o trabalho dos catadores, adultos e crianças,
está mais ligado à exclusão social do que à consciência
ambiental, diz a socióloga Isa Maria de Oliveira, do Fórum
Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil. Neste contexto,
a mão-de-obra infantil realimenta um ciclo vicioso em que a
maior vítima é a própria criança. O trabalho
põe em risco sua escolaridade e amanhã ela será um
adulto sem perspectiva de inclusão social. Nas ruas, aponta
Isa, há ainda os riscos de aliciamento pelo tráfico de
drogas ou pelas redes de exploração sexual para fins
comerciais.
Mauri König
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JORNAL GAZETA DO POVO, 17 de
novembro de 2006 | Paraná
DURA ROTINA
Irmãos dividem os sonhos
e o trabalho no lixo
Matheus da Silva Souza tem só 6 anos de idade, mas já é operário
de uma das maiores indústrias do Brasil, a da reciclagem. Segue os passos
do irmão Guilherme, de 16 anos, que desde os 7 anos trabalha catando
lixo nas ruas de Curitiba e aos 13 já tinha o próprio carrinho,
puxado pela égua Branca. Pagou tudo em 12 vezes de R$ 150. Caçula
de seis irmãos, Matheus quer ser policial quando crescer.
Os dois irmãos moram no bairro
Sítio Cercado e cruzam a cidade recolhendo papelão, latas,
plástico e vidro para vender a um intermediário que revenderá para
a indústria recicladora. Segundo Guilherme, dá para tirar
uns R$ 600 por mês, pouco menos do que o pai ganha como caminhoneiro.
Com o dinheiro, ele compra roupa, algumas coisas de uso pessoal e o resto
dá para a mãe, uma diarista que não tem renda fixa.
Guilherme estuda à noite e Matheus, de manhã.
Outros dois irmãos, Fernando
e Thaís, de 17 e 12 anos, respectivamente, trabalham de segunda
a sexta-feira na coleta de lixo reciclável. Levam tudo para
um intermediário no bairro Parolin, onde moram. Ela puxa o carrinho
lotado enquanto ele ajuda empurrando. Na rua, os carros passam raspando.
Certa vez, um motorista alcoolizado destruiu o carrinho de Fernando,
mas ninguém ficou ferido. Eles enfrentam os perigos das ruas
para ajudar em casa. A mãe é diarista e o pai, pintor
de parede. Fernando largou os estudos no ano passado, na 7.ª série,
e Thaís estuda à tarde na 4.ª série, depois
de reprovar um ano. (MK)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 17 de
novembro de 2006 | Paraná
INFÂNCIA-Resistência dos pais
afeta educação dos filhos
Criança no lixo nunca
mais
A organização não-governamental Instituto Lixo e Cidadania
foi criada há três anos para ajudar carrinheiros a se cotizarem
em pequenas cooperativas. A ONG acompanha de perto 14 associações
já estabelecidas e 18 possíveis miniusinas de material reciclado
em vilas de Curitiba e da região metropolitana. Por alto, são
500 envolvidos no arrastão. Parte do programa, orçado em R$ 13
mil por mês, é financiado pela Itaipu Binacional e num barracão
de parede rente à sede do projeto, na Vila das Torres, já se
pode ver os primeiros resultados. Ali, 12 famílias de papeleiros formam
uma espécie de núcleo modelo do que a atividade um dia pode se
tornar.
Organizar os catadores de papel não é tarefa
para amadores. O grupo, estimado em 2,3 mil pessoas na capital paranaense,
acumulou um patrimônio de vícios incompatíveis com
o rigor das cooperativas. Homens e mulheres do carrinho – já parte
da paisagem urbana – costumam fazer seu próprio horário,
esticando ou encurtando o expediente ao sabor das necessidades. Também
gostam de receber o mais rápido possível pelo que acumularam,
vendendo o peso de um dia para o atravessador mais próximo. Para
o que não precisam muito esforço, já que o quilo
costuma custar míseros R$ 0,12. Chegar às 30 toneladas/mês
mínimas exigidos para venda direta, a preços mais justos – próximos
de R$ 0,38 –, só se for juntando montanhas de papel com
os vizinhos. Mas a proposta ainda esbarra na cultura de liberdade quase
riponga do setor.
A rotina sem lei e sem ordem, contudo,
costuma castigar não só os trabalhadores – cujos
rendimentos, estimam os ongueiros, não ultrapassam R$ 150 por
mês – mas também seus filhos. “A concorrência é grande.
Tem muito carrinheiro na praça. Há uma relação
de amor e ódio com a profissão, o que atrapalha as tentativas
de organização”, diz Marilza Aparecida de Lima, 35
anos, ex-papeleira, atualmente educadora social na Lixo e Cidadania.
Desconfiança
Em miúdos, o modelo socializado
costuma ser visto com rabo de olho, mesmo com promessa de renda maior.
Para quem puxa papel rua acima, rua abaixo, a suspeita de que vai dividir
ganhos com quem carregou menos peso que ele inviabiliza qualquer negócio.
A desconfiança aumenta à medida que o carrinheiro associa
disciplina e compromisso com a idéia de voltar a ter patrão.
Nada feito – mesmo que isso implique em levar mulher, filho e cachorro
sobre duas rodas.
Não por menos, uma das tarefas
mais ingratas dos profissionais do terceiro setor como Marilza é convencer
a não colocar as crianças no caos da vida carrinheira,
quase sempre sem sucesso. Vira e mexe os pequenos são carregados
para o asfalto, ajudando na catação, ao preço de
abandonar a escola, perder a vaga na creche e estar sujeito a todos os
perigos da rua. Que não são poucos.
O Instituto Lixo e Cidadania ainda não
tem um levantamento exato das condições familiares das
pessoas com quem atua, o que inclui a quantidade de pequenos que sai
de casa todos os dias atrás de papel, plástico e afins.
O momento tem sido de aproximação, em especial com os 300
jovens e adolescentes que marcam presença nos projetos da ONG,
de uma oficina de serigrafia à panificadora que ao final de cada
tarde abastece a turma que pegou no batente.
A pedagoga e ex-conselheira tutelar
Sueli Elizabeth Westarb, 53 anos, faz o que pode para reduzir a lotação
infantil nas carrocinhas. Criou o bordão “criança
no lixo nunca mais”, chama atenção, aconselha,
oferece oficinas de cooperativismo e associativismo, além de
almoço à bagatela de R$ 1 – para que os papeleiros
comecem a labuta mais cedo, garantia de que vão chegar em casa
na hora de colocar as rebentos para dormir na hora adequada.
José Carlos Fernandes
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JORNAL GAZETA DO POVO, 17 de
novembro de 2006 | Paraná
PSICOLOGIA
Baixa-estima é problema
Uma das estratégias de convencimento da ONG para tirar as crianças
das ruas foi colocar uma psicóloga para atender os carrinheiros, já que
as evidências mostram que a baixa-estima dos pais é o principal
motivo para que não se preocupem com a situação da garotada.
A segunda é a escolaridade pequena e, por acréscimo, a pouca
valorização do estudo. “Muitos estão resolvidos
em relação ao que escolheram. Arrumamos creche, mas eles não
querem, pois os horários não coincidem”, lamenta a pedagoga
Sueli Westarb.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 17 de novembro de 2006
| Economia
RECEITA 1
Declaração
de isento do IR termina dia 30
A Receita Federal alerta para o encerramento do prazo para Declaração
de Isento do Imposto de Renda deste ano, no dia 30 de novembro. A declaração é necessária
para fazer a renovação do Cadastro de Pessoa Física (CPF).
Quem não entregar a declaração ficará com o CPF
em situação pendente. Após dois anos, a inscrição é suspensa.
A previsão da Receita Federal é receber 63 milhões de
declarações.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 17 de novembro de 2006
| Economia
RECEITA 2
Deve declarar quem recebeu
até R$ 13,9 mil
É obrigado a apresentar a declaração quem recebeu até R$
13.968,00 em 2005 e não teve seu CPF incluído na declaração
de Imposto de Renda de parentes. A declaração pode ser feita nas
casas lotéricas, Banco do Brasil e nos correspondentes bancários
da Caixa e BB. Nesses locais é cobrada taxa de R$ 1,00. O documento pode
ser entregue nos Correios, ao custo de R$ 2,40, ou gratuitamente pela internet
na página da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br).
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
17/11/2006
Ministro do TST expõe tese sobre
efeitos da aposentadoria
O ministro Milton de Moura França,
do Tribunal Superior do Trabalho, concluiu seu voto sobre os efeitos
jurídicos gerados pelo reconhecimento de que a aposentadoria espontânea
não leva à extinção do contrato de trabalho.
Segundo a tese de Moura França, o empregado que, apesar da aposentadoria,
permanece em atividade não possui, após sua dispensa, o
direito ao cálculo da multa de 40% sobre a totalidade do FGTS.
Em tal situação, a incidência da multa só alcançaria
os depósitos correspondentes ao período trabalhado após
a aposentadoria.
Esse posicionamento consta do voto vencido
que o ministro do TST juntará ao acórdão da primeira
decisão tomada pela Seção Especializada em Dissídios
Individuais – 1 (SDI-1) do TST após o cancelamento da Orientação
Jurisprudencial nº 177. Esse item da jurisprudência do TST
previa que a aposentadoria espontânea extinguia o contrato de trabalho.
A relatoria do acórdão, com a tese vitoriosa, caberá ao
ministro Carlos Alberto Reis de Paula.
“Atento ao fato de que, lamentavelmente,
ainda vivemos em um País com grande número de desempregados,
a preservação do emprego não deve acarretar maiores
encargos além daqueles normalmente impostos aos empregadores,
razão pela qual creio que a imposição da multa de
40% sobre os depósitos do FGTS, relativos ao período anterior à aposentadoria,
constitui encargo que fere o equilíbrio dos interesses em jogo
e, por isso mesmo, deve ser afastada”, argumenta Moura França.
O entendimento defendido pelo ministro
não é compartilhado pela maioria dos outros integrantes
do TST que já se manifestaram sobre o tema. Para a corrente majoritária,
uma vez reconhecido o fato de que a aposentadoria espontânea não
extingue o contrato, o trabalhador nessa condição terá direito à incidência
da multa sobre a totalidade dos depósitos do FGTS após
sua dispensa sem justa causa.
O posicionamento de Moura França
coincide com o já manifestado pelo vice-presidente do TST, ministro
Rider Nogueira de Brito, e integrantes da Quarta Turma do Tribunal, presidida
por Moura França. Para eles, não há incompatibilidade
entre a unicidade do contrato e a solução que restringe
o cálculo da multa ao período após a aposentadoria. “O
empregado que permanece na empresa, depois de aposentado, o faz em função
de uma peculiaridade que gera uma relação jurídica
contratual com caraterísticas próprias”, diz Moura
França.
As interpretações do TST
sobre o tema decorrem de recente julgamento de duas ações
diretas de inconstitucionalidade em que o Supremo Tribunal Federal (STF)
declarou expressamente que a aposentadoria não extingue o contrato
de trabalho. Nos julgamentos, o Supremo limitou-se a considerar inconstitucionais
os parágrafos 1º e 2º do artigo 453 da CLT, o que tornou
claro o caráter uno do contrato de trabalho. O STF não
foi expresso, contudo, em relação à multa de 40%
do FGTS.
Da decisão tomada pelo STF, restou
intacta a parte principal (“caput”) do artigo 453 da CLT,
onde há referência à contagem do tempo de serviço
do empregado readmitido a fim de garantir-lhe a soma dos períodos
de trabalho anteriores, ainda que não contínuos. Essa referência
legal, segundo Moura França, não pode ser interpretada
como garantia de incidência mais abrangente da multa de 40%.
“A interpretação literal
não é a das mais adequadas e quase sempre não é o
melhor caminho para a solução das causas”, afirma. “É preciso
que o aplicador da lei procure, sempre que possível, extrair da
lei a interpretação que melhor compatibilize os interesses
conflitantes”, acrescenta ao defender um tratamento diferenciado
para o tema.
Outro argumento refere-se aos empregados
com tempo de serviço anterior à opção pelo
FGTS e aqueles que não optaram por esse sistema. Quando de sua
aposentadoria voluntária, esses trabalhadores nunca receberam
a indenização por antigüidade prevista no artigo 477
da CLT. “Razoável que seja dado o mesmo tratamento aos regidos
pelo FGTS, em idêntica situação, porque indenização
por antigüidade e FGTS, guardam absoluta identidade jurídica
em seus fins”, conclui Moura França.
(E-ED-RR 709374/2000.3)

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