 |
DEPACOM, 20
de novembro de 2006
Siticom Rio Negrinho inaugura sede recreativa
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Rio Negrinho, Santa Catarina, presidido pelo
companheiro LUIZ CARLOS SCHUKOSKY, inaugurou no último dia 18 de
novembro (sábado), sua sede recreativa. Estiveram presentes na solenidade
os senhores JOSÉ CALIXTO RAMOS, presidente da CNTI, ALTAMIRO PERDONÁ,
Presidente do DEPACOM e da FETICOM/SC, e GERALDO RAMTHUN, presidente da
FETRACONSPAR, além de diversos dirigentes sindicais da região.
Mais de 1.000 trabalhadores compareceram a inauguração.
|
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
19 de novembro de 2006 | Direito e Justiça
Unidade e emoção marcam
8º Congresso da CNTI
Edésio Passos [19/11/2006]
“A unidade dos industriários
pelo fortalecimento da CNTI e muita emoção marcaram os
trabalhos do 8.º Congresso Nacional dos Trabalhadores Industriários
do Plano da CNTI, em especial as comemorações dos sessenta
anos da entidade. Nossa Federação e Sindicatos Filiados
tiveram presença destacada nos debates, além de apresentar
proposições que abordam temas da atualidade nas relações
de trabalho em nosso país”, afirmou o presidente da Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário do Estado do Paraná Geraldo Ramthun.
Para o presidente da CNTI José Calixto Ramos “nossa luta
histórica impediu até aqui a destruição
de nossas entidades, mas é preciso fortalecer e aprofundar ainda
mais a nossa mobilização em defesa de nossos sindicatos,
federações, confederações e das próprias
centrais, como instrumentos de organização construídos
com trabalho e com o suor de diversas gerações de trabalhadores”.
O evento foi realizado de 24 a 26 de outubro, no Centro de Treinamento
Educacional da CNTI, em Luziânia (GO), sendo 1.300 representantes
de 601 sindicatos e de 57 federações debatendo sobre
Organização Sindical, Previdência Social, Conjuntura
Econômica e questões específicas das 15 categorias
profissionais que integram a Confederação. As propostas
aprovadas constarão do plano de ações de fortalecimento
das entidades. Como síntese dos trabalhos foi aprovada a “Carta
de Luziânia”, com o seguinte teor.
Carta de Luziânia
“Os trabalhadores industriários
do Plano da Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Indústria CNTI, reunidos em o VIII Congresso Nacional dos Trabalhadores
Industriários do Plano da CNTI, realizado na Fazenda Taveira,
município de Luziânia, Estado de Goiás, nos dias
24, 25 e 26 de outubro de 2006, após proveitoso trabalho em
que foram discutidos os problemas da classe e alguns nacionais, estes
por dever de cidadania, proclamam a Carta de Luziânia com as
seguintes conclusões, sugestões e observações:
1 Reafirmam a confiança
ilimitada dos trabalhadores no futuro do Brasil, esperando que, em
breve possam contar com uma pátria inteiramente livre, independente
e capaz de proporcionar máximo de bem estar social a todos os
seus habitantes;
2 Reafirmam a defesa
do art. 8 da Constituição Federal e proclamam que o movimento
sindical deve manterse unido e forte, repudiando qualquer desmembramento,
ou outra forma, que importe enfraquecimento das entidades sindicais;
3 Esperam de todas
as autoridades constituídas a garantia de que os direitos já conquistados
pelos trabalhadores sejam mantidos e assegurados, evitando, ou extirpando,
qualquer tentativa, de ordem interna ou externa, no sentido de reduzi-los
ou eliminá-los;
4 Defendem a manutenção
de um estado de direito marcado pelos princípios da liberdade,
harmonia e prosperidade, sem quaisquer tentativas que importem tratamento
desigual e discriminatório, em prejuízo do povo;
5 Esperam que os Poderes
Públicos funcionem de modo harmônico e independente, como
previsto na Lei Maior, sem qualquer ingerência de um em outro,
de tal forma a preservar a confiança e esperança de todos
em suas atuações, como princípio basilar de convivência
social;
6 Que os trabalhadores,
tal como os outros segmentos da sociedade, sejam ouvidos, por intermédio
de suas entidades de classe e demais órgãos de que participem,
em todos os assuntos que envolvam seus interesses;
7 Que a liberdade e
autonomia sindical previstas na Constituição Federal,
sejam efetivamente asseguradas e colocadas em prática, de tal
modo que os assuntos relativos aos trabalhadores sejam por eles resolvidos,
via de sua entidades de representação, sem ingerência
de terceiros, notadamente de agentes do Poder Público;
8 Os trabalhadores
devem-se unir em defesa de seus legítimos interesses individuais
e coletivos, tomando posições que possam evitar que os
maléficos efeitos da globalização cheguem a ponto
de contribuir para o empobrecimento geral do povo e o crescimento do
desemprego;
9 Repudiam quaisquer
atos, de autoridades governamentais ou de terceiros, que, direta ou
indiretamente possam importar prejuízos aos trabalhadores e
suas entidades de classe;
10 Esperam que o Ministério
Público Federal, em especial o Ministério Público
do Trabalho não exorbite de suas atribuições institucionais
para investir contra os direitos dos trabalhadores, seja individualmente,
seja por suas entidades de classe;
11 Confiam que novo
governo a instalar-se no país não venha a tomar qualquer
providência que possa acarretar danos aos trabalhadores, sejam
eles econômicos ou sociais;
12 Que qualquer reforma
da Previdência Social que venha a ser feita não siga o
caminho já delineado de reduzir ou extinguir direitos dos trabalhadores;
13 Finalmente, confiam
que todos os líderes sindicais conscientizem-se da importância
da unicidade sindical, como forma mais adequada a um país de
dimensões continentais como é o Brasil, e trilhem o caminho
certo da união de todos, evitando qualquer ato que importe desagregação.
Luziânia (GO), 26 de Outubro de 2006”.
Trabalhos e Teses
A Fetraconspar Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário do Estado do Paraná apresentou e foram
aprovadas cinco teses sobre Plano de Ação, Combate à Informalidade,
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, JRPS e CRPS e Tripartismo.
As conclusões de cada uma das propostas são as seguintes:
(1) Plano de
Ação: “É de extrema urgência
darmos uma resposta pontual a cada tentativa de supressão
de direitos, e para isso, a CNTI deverá envidar esforços
para que as resoluções do 8.º Congresso Nacional
sejam implementadas através de um plano de ação
da Diretoria, seus Departamentos e Conselho de Representantes. Propomos:
(a) Na proposta orçamentária para o exercício
de 2007, deverão ser observadas as deliberações
do 8.º Congresso Nacional (b) As entidades sindicais do plano
da CNTI, a cada três meses, receberão informações
sobre a implementação e andamento das propostas aprovadas
no 8.º Congresso Nacional (c) Todas as deliberações
dos congressos das categorias do plano da CNTI, deverão automaticamente
ser incorporadas nas atribuições da Confederação”.
(2) Combate à Informalidade: “a)
A CNTI realizará uma campanha visando estimular o combate a
informalidade, nos moldes da experiência realizada no Estado
do Paraná, a fim de divulgar a experiênciae estabelecer
formas concretas de combater a informalidade na indústria; b)
Realizar seminário para estabelecer formas de tirar do papel
a lei 9.983, de 14 de julho de 2000, que criminaliza a falta de registro
em carteira;c) Fazer articulações no congresso nacional
e apresentar projeto de lei com objetivo de alterar a orientação
jurisprudencial n.º 191 do TST, que dá tratamento diferenciado
para os trabalhadores de obras de pessoas físicas; d) Orientar
as entidades sindicais através das secretarias regionais, a
intervir diretamente para combater a informalidade nas atividades industriais”.
(3) FGTS: “Que
a CNTI em conjunto com as confederações co-irmãs
e centrais sindicais interessadas, apresentam projeto de lei, através
de parlamentares, para que a taxa de juros sobre o saldo do FGTS, seja
equivalente a remuneração das cadernetas de poupança”.
(4) JRPS e CRPS: “(a)
Que a CNTI em conjunto com as confederações co-irmãs
e centrais sindicais interessadas, gestionem a Previdência Social,
para que adote critérios com publicação no Diário
Oficial da União, sobre a apresentação de listas
tríplices pelas entidades sindicais, para os CRPS e as JRPS.
(b) Paralelo a isso, que apresente projeto de lei, através de
parlamentares, para disciplinar a matéria definitivamente”.
(5) Tripartismo: “(a)
A CNTI fará gestão junto ao Ministério do Trabalho,
para que o governo mantenha e impulsione as ações tripartite
(governo, trabalhadores e empregadores) para as discussões relativas à saúde
e segurança nas atividades ligadas a indústria; (b) Realização
de concurso público para reposição do quadro de
servidores do Ministério do Trabalho; (c) Dotação
orçamentária específica para saúde e segurança
no trabalho, principalmente para ações tripartites; (d)
Assegurar que todas a mudanças relacionadas a área de
saúde e segurança sejam realizadas, precedida de um amplo
debate tripartite; (e) Cobrar do Ministério do Trabalho, Ministério
da Saúde e Ministério da Previdência, a elaboração
de plano de trabalho interministerial especifico para as categorias
onde a incidência de acidentes e doenças do trabalho sejam
mais freqüentes”.
Construção e Mobiliário
Além das cinco teses aprovadas
pelo plenário do Congresso da CNTI, esclareceu Geraldo Ramthun
que o grupo de trabalho integrado pelos dirigentes das entidades representativas
dos trabalhadores nas indústrias da construção
e do mobiliário aprovou trinta e quatro proposições
integradas no plano geral de trabalho da entidade nacional. Destacamos
algumas dessas proposições:
(1) saúde: promover ampla discussão
com o Ministério do Trabalho, Emprego e Ministério da
Saúde e Entidades Profissionais sobre a implementação
do Plano Nacional de Saúde do Trabalhador
(2) concursos: elaborar Projeto de Lei
que contemple que os concursos públicos para preenchimento do
quadro de Auditores Fiscais de Engenharia e Medicina do Trabalho, após
realizados e os candidatos aprovados, sejam lotados nos Estados, só podendo
ser transferidos após sua substituição
(3) subdelegacias: gestionar para criar sub-delegacias do ministério
do trabalho, por região, em cada estado, para um atendimento mais próximo
aos trabalhadores, com estrutura mínima em seus quadros de profissionais
ligados à área de saúde, segurança e medicina do
trabalho: médicos do trabalho e engenheiro de segurança do trabalho
(4) centros de referência: criação de centros de
referências em saúde do trabalhador no âmbito do SUS, conforme
determina a Lei 8080/90 nos municípios e estados para assistência
ao trabalhador acometido de acidentes ou doenças ocupacionais, para
desenvolvimento de ações de vigilância nos locais de trabalho
e criações, através de comitês bipartite ou tripartite(governo
e trabalhadores ou governo, trabalhadores e patrões), para dar total
transparência nas ações
(5) contratações: a administração
pública fica obrigada a comunicar aos sindicatos da categoria
profissional correspondente, quando da contratação de
empresas para realização de obra ou serviço. O
sindicato terá plenos poderes para fiscalizar o cumprimento
das obrigações trabalhistas pelas empresas contratadas.
As empresas que obtiverem financiamento, para a realização
de obras ou serviços, terão os repasses suspensos em
caso de inadimplência referentes às obrigações
trabalhistas, fundiárias e previdenciárias
(6) aposentadoria: A CNTI elaborará projeto de lei que permita
aos trabalhadores de todos os grupos do plano da CNTI, obter aposentadoria
especial, devido a penosidade do trabalho, e nas situações de
turno de revezamento
(7) redução da jornada de trabalho: pesquisa
através de universidades ou DIEESE para levantar a jornada de
trabalho média, incluídas as horas extras dos trabalhadores
brasileiros; com base no levantamento, estabelecer jornada de trabalho
que garantisse emprego para todos os desempregados do Brasil; com essa
proposta, divulgar à sociedade, envolvendo a mídia, propondo
um Pacto Nacional para acabar com o desemprego.
Edésio Passos é consultor
jurídico de entidades sindicais de trabalhadores e ex-deputado
federal (PT/PR).
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
|
Diário Vermelho, 19
de novembro de 2006
PPS se une a PHS e PMN e cria a Mobilização
Democrática
O PPS (Partido Popular Socialista), que nasceu em 1992 após a extinção
do antigo PCB (Partido Comunista Brasileiro), se fundiu neste domingo (19/11)
com outros dois partidos políticos, criando a nova Mobilização
Democrática (MD). O antigo PPS aprovou hoje em um congresso em Brasília
a fusão com o PHS (Partido Humanista da Solidariedade) e com o PMN (Partido
da Mobilização Nacional).
O novo partido terá – a partir
de fevereiro de 2007, quando começa a nova legislatura – um
senador (de um total de 81), 27 deputados federais (de 513), 81 deputados
estaduais, 2 governadores, 367 prefeitos e cerca de quatro mil vereadores.
A fusão com as duas pequenas formações foi fruto
de uma estratégia adotada pelo PPS para não perder os benefícios
que a legislação concede aos partidos políticos
no Brasil, como propaganda gratuita no rádio e na televisão,
o direito de indicar membros para as comissões legislativas e
o financiamento público das campanhas eleitorais.
O PPS corria o risco de perder tais garantias
devido à cláusula de barreira, uma lei que entrou em vigor
este ano, que estabelece que apenas os partidos que receberem mais de
5% do total dos votos nas eleições para o Congresso serão
reconhecidos com direitos plenos. O partido não obteve essa porcentagem
de forma isolada nas eleições de outubro, mas conseguiu
superar a barreira ao somar seus votos com os do PHS e do PMN, algo que é permitido
por lei.
|
Diário Vermelho, 18
de novembro de 2006
Morre o senador Ramez Tebet (PMDB-MS)
O senador Ramez Tebet (PMDB-MS) morreu na
noite desta sexta-feira (17/11), por volta das 23h30, em Campo Grande
(MS). Tebet estava em sua casa, com os quatro filhos e a esposa.

Tebet deixa esposa e quatro filhos
O senador sofria de câncer no fígado
e havia sido internado no final de outubro no hospital Albert Einstein,
em São Paulo, por causa de uma infecção causada
por reações alérgicas após trocar a medicação
utilizada na quimioterapia. A situação estava sob controle
e, há uma semana, ele foi liberado do hospital para continuar
o tratamento em sua casa, em Campo Grande. Na ocasião, Tebet acreditava
que poderia voltar a trabalhar no Senado na próxima semana.
Na sexta-feira, porém, o quadro
se agravou. Ele voltou a sentir problemas respiratórios. Alguns
anos atrás, Tebet havia lutado e superado um tumor no pulmão.
Ele também já havia sofrido com um câncer na bexiga.
Durante a sexta-feira, Tebet permaneceu sem falar e respondendo apenas
a alguns estímulos. Embora conseguisse respirar sozinho, ele era
auxiliado por um aparelho para eliminar a secreção pulmonar.
Segundo sua assessoria de imprensa, tratava-se de uma medida para dar
mais conforto ao paciente.
Tebet completou 70 anos no último
dia 7 de novembro. Ele cumpria seu segundo mandato como senador pelo
PMDB e ficaria na Casa até o fim de 2011. Ele será substituído
por seu primeiro suplente, Valter Pereira de Oliveira (PMDB). O corpo
do senador será enterrado neste sábado em sua cidade
natal.
|
Nova Central, 18 de novembro
de 2006
Doações revelam "troca
de favores" entre deputados e empresas
Levantamento das doações empresariais na última campanha
eleitoral revela um conflito de interesses nas atividades de pelo menos 36
deputados federais reeleitos, de um total de 279. Eles relataram projetos de
lei ou integraram CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito)
e comissões do Congresso cujos temas são de interesse de parte
de seus doadores.
O lobby da indústria do fumo, de
fabricantes de armas e munições, de empresas de combustíveis,
da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), de bancos,
de siderúrgicas, de cervejarias e de empresas de celulose e papel,
entre outros, deixou suas pegadas nas prestações de conta
entregues pelos candidatos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
"Paguei um ônus tão
grande por ser líder da bancada da bala, eu acho que muita gente
se surpreendeu com a doação que eu tive. Eu mesmo esperava
mais", disse o deputado Alberto Fraga (PFL-DF), que recebeu R$ 282,5
mil das empresas de armamento Taurus e CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos).
Isso não o impediu de relatar projetos relacionados ao setor,
como o que trata da exigência de exame psicológico para
o ato do registro de uma arma de fogo.
Não há vedação
legal específica para esse tipo de contribuição
de campanha. O Código de Ética da Câmara dos Deputados
proíbe ao parlamentar, em seu artigo 5º, sob pena de cassação
do mandato, "relatar matéria submetida à apreciação
da Câmara, de interesse específico de pessoa física
ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento
de sua campanha eleitoral".
O texto não trata, portanto, da
atividade parlamentar em comissões, de inquérito ou não,
e também não veda a operação no sentido contrário
(receber doação após ter relatado matéria
de interesse do doador). A prática incluiu parlamentares de todos
os principais partidos (PT, PSDB, PMDB, PFL, PP, PTB e PC do B).
Gasolina
"Se houver impedimento jurídico,
eu devolvo o dinheiro", disse o deputado e ex-ministro dos Esportes
Carlos Melles (PFL-MG), que recebeu R$ 30 mil da companhia Petróleo
Ipiranga e, no entanto, havia sido o relator da CPI dos Combustíveis
que, até outubro de 2003, investigou concorrentes diretas da Ipiranga.
A mesma quantia foi doada pela Ipiranga para outro titular da comissão,
o deputado Paes Landim (PFL-PI).
Também criada em 2003, a CPI da
Serasa guarda outras coincidências. Três integrantes --dois
suplentes e um titular-- receberam doações da própria
Serasa. Ao final, a CPI não pediu nenhuma investigação
criminal contra a Serasa, seguindo o parecer do relator, o então
deputado Gilberto Kassab (PFL-SP), hoje prefeito de São Paulo.
Integrante de outra CPI, a dos Correios,
o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) também não viu problema
em aceitar uma doação de R$ 35 mil do banco BMG. Junto
com o banco Rural, o BMG foi investigado como uma das fontes do valerioduto,
ao conceder empréstimos financeiros nunca pagos pelo publicitário
Marcos Valério de Souza. "Nunca investiguei o BMG",
alegou o pedetista, que, como parlamentar, tinha acesso qualificado aos
bastidores da comissão.
Bola e motocicleta
Capitã da chamada "bancada
da bola", a CBF (Confederação Brasileira de Futebol)
investiu R$ 50 mil na campanha vitoriosa do deputado José Rocha
(PFL-BA). Ele é membro suplente da Comissão de Turismo
e Desporto da Casa, onde tramitam matérias de interesse imediato
da CBF. Projetos de lei que tramitam pela Câmara podem ser abortados
ou inflados em comissões pelas quais passam antes de ir a votação
no plenário.
Um exemplo de como os interesses das empresas
se manifestam num membro de comissão é o do deputado Alberto
Lupion (PFL-PR), presidente da Comissão de Agricultura.
Embora seja relator de um projeto que
muda o Estatuto da Terra para permitir o uso de títulos de dívida
agrária para pagamento de dívidas bancárias por
produtores rurais --projeto de interesse da bancada ruralista--, Lupion
recebeu R$ 625 mil de empresas ligadas ao agronegócio. O valor
representa 80% de tudo o que ele arrecadou na campanha. "Temos conscientizado
nosso segmento de que quem não trabalha para os deputados do setor
está trabalhando contra si mesmo", disse o deputado ruralista.
No terreno das comissões, o deputado
Walter Pinheiro (PT-BA) agrega outro exemplo. Recebeu R$ 10 mil da empresa
Algar, controladora da empresa de telefonia CBTC, que atua em Minas Gerais.
Pinheiro é titular da comissão que estuda a tarifa de telefonia
fixa e relator de um projeto que trata de incentivos fiscais a operadoras
que invistam em projetos de tecnologia.
O deputado federal Ciro Nogueira (PP-PI),
corregedor da Câmara dos Deputados, é caso único,
no grupo de 36, que relatou um projeto de interesse da empresa doadora
pertencente ao próprio parlamentar.
Nogueira registrou doações
de R$ 180 mil da empresa "Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas".
O parlamentar dono da empresa foi, contudo, o relator de um projeto que
tratava da velocidade máxima para motocicletas, além de
outras alterações no Código de Trânsito.
|
Congresso
em Foco, 18 de novembro de 2006
Exclusivo: o raio-x das doações
eleitorais em 2006
A lista dos financiadores dos deputados eleitos, os gastos por partido
e estado
e quem fez as campanhas mais caras e mais baratas
O preço da eleição
Com campanhas entre R$ 5 mil e R$ 2,9 milhões,
os deputados eleitos declararam ter gastado, em média R$ 507 mil.
Veja quem gastou mais
Soraia Costa, Edson Sardinha, Renaro
Cardozo e Ricardo Taffner
Levantamento feito pelo Congresso em Foco,
a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que o
mandato de quatro anos na Câmara custou, em média, R$ 507.891,05
para cada um dos deputados federais eleitos em outubro.
Entre os 513 eleitos para a nova Câmara,
59 declararam ter arrecadado e gastado mais de R$ 1 milhão. Desses,
oito conseguiram levantar mais de R$ 2 milhões em recursos. Em
2002, quando as 20 campanhas mais caras arrecadaram R$ 20,3 milhões,
apenas cinco candidatos declararam receitas e despesas acima de R$ 1
milhão.
Neste ano, as 20 campanhas mais abastadas
gastaram praticamente o dobro de recursos do que quatro anos atrás
- R$ 40.177.087,03. Entre as candidaturas mais ricas, nove são
de tucanos. O seleto grupo dos 20 candidatos que mais arrecadaram e gastaram
na última eleição é composto ainda por três
peemedebistas, dois petistas e um representante do PPS, do PCdoB, do
PP, do PL, do PDT e do PTB.
A pesquisa levou em consideração
as despesas e as receitas declaradas pelos 494 deputados eleitos cujas
prestações de contas estão disponíveis na
página do TSE na internet. Juntos, eles informaram ter gastado
R$ 250.898.177,26 ao longo de toda a campanha. Até o fechamento
desta edição, ainda não haviam sido divulgadas as
despesas e as receitas de 19 parlamentares.
Sobrou dinheiro
Apesar do grande volume de recursos investidos,
os eleitos não podem se queixar da falta de dinheiro para conquistar
a simpatia do eleitorado. Pelo contrário, a julgar pela prestação
de contas. Juntos, declararam ter arrecadado R$ 252.573.886,71 - ou seja,
R$ 1,67 milhão a mais do que gastaram. Mesmo os envolvidos com
os escândalos dos sanguessugas e do mensalão arrecadaram
bem mais do que nas eleições passadas.
Segundo a legislação eleitoral,
essa diferença, também conhecida como "sobra de campanha",
tem de ficar com os partidos, "de forma integral e exclusiva",
para "criação e manutenção de instituto
ou fundação de pesquisa e de doutrinação
e educação política".
A exemplo da semana passada, quando divulgou
a relação completa dos financiadores da eleição
dos 27 senadores que começam o mandato no ano que vem, o Congresso
em Foco publica hoje, após exaustivo levantamento, a lista dos
financiadores das campanhas dos deputados eleitos. Seja na corrida à Câmara,
seja na disputa ao Senado, a maior parte dos recursos saiu de tradicionais
doadores, como empreiteiras, mineradoras, metalúrgicas, siderúrgicas,
bancos, usinas de álcool e açúcar e empresas ligadas
ao agronegócio, além do caixa dos próprios partidos,
abastecidos com recursos públicos do fundo partidário.
PSDB gastou mais
De todas as 21 legendas que conquistaram
ao menos uma cadeira na Câmara, nenhuma teve candidatos com mais
recursos financeiros do que o PSDB. Os 63 deputados eleitos pelo partido
cujas declarações estão disponíveis na internet
foram, de longe, os que mais investiram na campanha, tanto em números
absolutos quanto proporcionalmente. Os dados de outros três eleitos
pelo PSDB não haviam sido lançados no site do TSE até o
fechamento desta edição.
Os tucanos declararam ter gastado R$ 51.126.062,91
para se elegerem. Para cada um deles, a eleição custou,
em média, R$ 811.524,81. Bem mais do que os R$ 555.386,42 declarados
por cada um dos 83 peemedebistas cujas contas estão disponíveis
na internet. Dono da maior bancada na nova Câmara, com 89 assentos,
o PMDB teve, proporcionalmente, a quarta campanha mais cara.
Proporcionalmente, ficou atrás
do PTB e do PPS. A eleição dos 22 petebistas saiu, em média,
a R$ 609.371,35. No caso do partido presidido pelo deputado Roberto Freire
(PE), esse valor alcançou a marca de R$ 572.699,99. Assim como
o PSDB e o PPS, outro partido de oposição cujos candidatos
investiram pesado na eleição foi o PFL. Em termos absolutos,
os 65 pefelistas eleitos gastaram R$ 33.345.839,18 - o terceiro maior
volume no ranking partidário. Na média, com R$ 513.012,91
por cadeira conquistada, a legenda aparece na sexta posição,
logo atrás do PL.
Custo/benefício
Além festejar o aumento do número
de assentos na Câmara, o PT também pode comemorar o fato
de ter sido o partido grande que teve a melhor relação
custo/benefício na eleição de seus deputados. Na
média, a campanha dos 80 petistas cujas declarações
estão disponíveis na internet custou R$ 179.725,70, quase
cinco vezes menos do que a média dos tucanos eleitos.
Proporcionalmente, só cinco pequenas
legendas conquistaram cadeiras gastando menos dinheiro por candidato
eleito do que o PT: o PRB, o Psol, o PTdoB, o PTC e o Prona. Os dois
representantes do Prona no novo Congresso - o veterano Dr Enéas
(SP) e a novata Suely (RJ) - declararam ter gastado, juntos, R$ 14.598,64.
Menos de um centavo por voto
Mesmo tendo ficado longe dos mais de um
milhão de votos que, em 2002, o levou à condição
de fenômeno eleitoral, Enéas voltou a se destacar este ano
como o eleito que menos gastou por voto. Com os R$ 6.004,80 declarados
como despesas, cada um dos 386.905 votos recebidos por ele em outubro
saiu a menos de um centavo de real.
"Enéas já tem o eleitorado
dele, não faz santinho, não faz comício, não
tem cabo eleitoral. A campanha foi feita só na TV. O único
gasto foi com a produtora", explicou Aryone Altino Franco, chefe
de gabinete do deputado reeleito. Destaque este ano, Clodovil Hernandes
(PTC-SP) também não ficou atrás na economia. O apresentador
de TV e estilista viu cada um dos 493.951 votos que recebeu em outubro
sair por R$ 0,029, em relação aos R$ 14.378,36 investidos
na campanha.
A campanha mais barata do país
entre os deputados eleitos, no entanto, não foi de nenhuma figura
conhecida nacionalmente, mas do até agora anônimo Marcos
Antônio (PSC-PE). Único financiador de sua corrida ao Congresso,
ele tirou do próprio bolso R$ 5,7 mil, conquistou 62.019 votos
e ainda conseguiu deixar uma sobra de R$ 120 no caixa.
Os gastadores
Na outra ponta, numa eleição
para todos os gostos e todos os bolsos, alguns se destacaram por não
medir recursos para conseguir o mandato. É o caso, por exemplo,
do novato Rocha Loures (PMDB-PR). Cada um dos 89.204 recebidos pelo deputado
eleito demandou um investimento de R$ 32,76 na campanha. Foi o voto mais
caro da eleição para a Câmara. O peemedebista, que é filho
do presidente da Federação das Indústrias do Paraná,
declarou à Justiça Eleitoral ter gastado R$ 2.923.137,58
para conquistar o primeiro mandato federal.
O industrial declarou ter tirado do próprio
bolso nada menos que R$ 1,129.943,16 para a sua campanha. Outros R$ 1,5
milhão saíram de uma de suas empresas, a Nutrimental S/A
Indústria e Comércio de Alimentos, fabricante da barra
de cereais Nutry.
Entre os demais 512 eleitos, só um
- curiosamente, também do Paraná - declarou ter gastado
mais do que Loure. Dono da campanha mais dispendiosa na Câmara,
o empresário Alfredo Kaefer (PSDB) foi também o que mais
investiu recursos próprios na campanha. Dos 2.949.964,25 gastos
em sua eleição, nada menos que R$ 952 mil saíram
das contas do próprio candidato.
Outra parte do dinheiro veio de empresas
pertencentes ao deputado eleito. Só a Diplomata S/A Industrial
e Comercial repassou R$ 1.581.479,09 à candidatura do tucano,
o maior financiamento individual registrado na campanha.
Perfil empresarial
A explicação para tantos
gastos, segundo a assessoria de imprensa do deputado eleito, é que
Kaefer nunca foi político e, por isso, precisou investir mais
na divulgação de suas propostas para ser conhecido pelo
eleitorado. Além disso, ressaltou a assessoria, mais de 700 pessoas
foram contratadas para trabalhar na campanha do tucano.
"Tradicionalmente os políticos
de carreira também têm gastos elevados na primeira candidatura,
porque estão colocando um nome que não tem chamamento junto à comunidade",
disse a assessoria de Kaefer. "Fizemos uma campanha com perfil empresarial.
O número de contratações, na verdade, foi menor
que o de outras campanhas, mas nem todos declararam tudo", observou
o assessor.
Ratinho
Além de ter as duas campanhas mais
caras para a Câmara, o Paraná também proporcionou
outra curiosidade. Eleito com a terceira maior votação
do estado, o deputado estadual paranaense Ratinho Júnior (PPS)
foi o que declarou ter desembolsado maior volume de recursos próprios:
R$ 1,94 milhão. Isso sem contar nos R$ 970 mil doados pelo pai,
o apresentador de TV Carlos Roberto Massa, o Ratinho, ex-deputado federal
pelo PRN.
"Essa lei nova é uma lástima
para todos os candidatos. Proibiram os showmícios e os outdoors,
que eram maneiras fáceis de se divulgar a campanha. Com isso,
tivemos que gastar mais em cabos eleitorais", disse Ratinho Júnior.
O deputado eleito não esconde seu sonho de ser um governador um
dia e diz que o dinheiro aplicado agora em sua campanha foi apenas um
investimento em sua carreira política.
"Na minha prestação
de contas coloco tudo. Tem candidatos que fazem caixa dois. Se há deputados
que gastam menos, quero que me ensinem economizar, porque precisei de
todo o dinheiro investido", afirmou ele.
Muito dinheiro, pouco voto
Mas não foi em todos os casos que
a destinação de grandes recursos resultou em fartura de
votos nessa eleição. Dos cinco candidatos a deputado que
declararam ter gastado maior volume de recursos nessa eleição,
apenas Alfredo Kaefer e Rocha Loures conseguiram se eleger.
Apesar dos R$ 2.790.209,39 investidos
em sua campanha, o também paranaense Wilson Picler (PDT) não
conseguiu votos suficientes para garantir um mandato na Câmara.
O mesmo aconteceu com o atual suplente de deputado Márcio Fortes
(PSDB-RJ). O ex-vice presidente do PSDB e ex-presidente do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não se elegeu,
mesmo tendo feito a quarta campanha mais cara do país, gastando
R$ 2.643.500.
Dono da quinta campanha mais cara entre
todos os candidatos que disputaram uma vaga à Câmara, Eduardo
Alves de Moura (PPS-MT) também naufragou com os R$ 2.320.997,88
investidos em sua candidatura.
Mau negócio
Para consolo dos que gastaram muito mas
não conseguiram uma vaga na Câmara, a candidata que mais
investiu na corrida ao Senado também fracassou nas urnas. A prefeita
de Boa Vista, Teresa Jucá (PPS-RR), gastou R$ 5.155.481,60 para
convencer o menor eleitorado do país a lhe garantir uma cadeira
ao lado do marido no Senado, o líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR).
Mas os 233.596 eleitores de Roraima não
se sensibilizaram com a campanha de Teresa e reelegeram Mozarildo Cavalcanti
(PTB). Pior para o suplente dela, o empresário José Abdala
Filho, que destinou nada menos do que R$ 5,1 milhões de suas próprias
finanças para, até aqui, o frustrado sonho de ser senador.
|
Congresso
em Foco, 18 de novembro de 2006
O mapa econômico das campanhas
Variação do custo do voto para
eleitos, entre um estado e outro, chega a seis vezes. Goiás teve
a maior média de receitas e despesas
Soraia Costa, Edson Sardinha e
Ricardo Taffner
A variação do custo do
voto entre os eleitos para a Câmara desafiou o poder econômico
das unidades federativas e as divisas geográficas. Em quatro
estados, cada voto conquistado pelos deputados eleitos custou mais
de R$ 10. Em outros cinco, a média foi de pouco mais de R$ 2.
Curiosamente, os extremos dessa tabela, cuja diferença chega
a seis vezes, são ocupados por dois estados do Norte. Na média,
cada voto saiu por R$ 5,71 para os deputados eleitos.
Roraima, estado que tem o menor eleitorado
do país, foi o que produziu o voto mais caro - R$ 13,94. Já a
nova bancada do Amazonas (R$ 2,36) foi a que gastou menos por voto,
seguida por quatro bancadas nordestinas: Paraíba (R$ 2,37),
Ceará (R$ 2,71), Rio Grande do Norte (R$ 2,77) e Maranhão
(R$ 2,88).
Outros dois estados do Norte aparecem
no topo do ranking do voto mais caro: Amapá (R$ 10,99), em segundo,
e Tocantins (R$ 10,30), na quarta posição. A estimativa
feita pelo Congresso em Foco levou em conta a votação
obtida pelos deputados eleitos em cada unidade da federação
e o total de despesas por eles declarado à Justiça Eleitoral.
Fartura goiana
O terceiro lugar dessa lista particular
ficou com Goiás, onde cada voto saiu por R$ 10,99 e também
foi registrada a maior média de arrecadação e
gastos da nova bancada na Câmara. Dos 16 deputados goianos cujas
prestações de contas estavam na página do TSE
até o fechamento desta edição, oito declararam
ter arrecadado mais de R$ 1 milhão.
Três deles, aliás, estão entre os 20 eleitos que fizeram
as campanhas mais caras do país. Em Goiás, os eleitos gastaram,
em média, R$ 1.006.642,10. Só a empresa JBS S/A, que faz parte
do Grupo Friboi e fabrica produtos de limpeza e higiene, investiu R$ 1,745
milhão na eleição de oito dos 17 parlamentares do estado,
destinando recursos para quatro partidos (PMDB, PSDB, PTB e PP).
Voto a R$ 5 em SP
Dono do maior eleitorado e da maior
bancada no Congresso, São Paulo foi de longe o estado onde houve
mais recursos para a campanha à Câmara. Os 70 deputados
paulistas eleitos declararam ter gastado R$ 56.265.146,63. Na média,
cada um investiu R$ 803.787,81 para se eleger.
O voto conquistado pelos representantes
do estado mais rico do país saiu por R$ 5,2. Das 20 campanhas
mais caras do país para deputado, nove eram de lá. A
caminho do segundo mandato, Walter Feldman (PSDB) fez a terceira campanha
mais cara entre os 513 eleitos, declarando despesas de R$ 2.724.079.
Campanhas caras no PR
Logo depois dos paulistas, os paranaenses
despontam como a terceira bancada que gastou, em média, mais
recursos para se eleger. Os deputados eleitos pelo Paraná declararam à Justiça
Eleitoral, em média, gastos de R$ 739.165,33.
Ao todo, os 30 paranaenses arrecadaram R$ 22.148.571,81. As três campanhas
mais caras do país para a Câmara foram realizadas no estado: Alfredo
Kaefer (PSDB), Rocha Loures (PMDB-PR) e Wilson Picler (PDT). Mesmo com dinheiro
em caixa, o pedetista não conseguiu se eleger.
Economia no RS
Cada voto conquistado pelos paranaenses
eleitos custou, em média, o dobro do alcançado pelos
gaúchos. Enquanto no Paraná, a relação
entre os gastos de campanha dos eleitos e a votação por
eles conquistada foi de R$ 6,6, esse valor não passou de R$
3,32 no Rio Grande do Sul.
Os 30 gaúchos cujos dados estão
no site do TSE declararam ter investido R$ 11.298.969,19 na campanha
eleitoral. A campeã de votos e caçula da bancada, a vereadora
Manuel D'Ávila (PCdoB), de 25 anos, gastou, por exemplo, R$
359.536,25, valor pouco abaixo da média dos colegas de seu estado,
que foi de R$ 376.632,31.
Contraste em Pernambuco
No Nordeste, a campanha mais cara foi
a de Pernambuco. Entre os 24 eleitos pelo estado cujas prestações
de conta estão disponíveis na internet, a média
de gastos foi de R$ 638.530,57 - mais do dobro, por exemplo, do que
a registrada no Maranhão, a menor da região, com R$ 273.657,11.
Cada voto dos eleitos pela bancada saiu,
em média, a R$ 5,80. Na Paraíba, esse valor não
passou de R$ 2,37. O contraste entre os gastos declarados entre os
deputados de Pernambuco é gritante. De um lado, o deputado Armando
Monteiro Neto (PTB), que fez a 12ª campanha mais cara entre os
eleitos de todo o país: R$ 1.878.943,35. De outro, o novato
Marcos Antônio (PSC), aquele que declarou ter gastado menos entre
os 513 - apenas R$ 5,7 mil.
Menos gastos no RJ
No Sudeste, as campanhas mais econômicas
foram as do Rio de Janeiro. Cada um dos 46 eleitos pelo estado declarou
ter gastado, em média, R$ 374.167,17 ao longo da campanha. Para
os eleitos pela bancada fluminense, cada voto custou R$ 4,01.
Nenhum dos deputados do Rio aparece
na lista dos que fizeram as 20 campanhas mais caras do país.
O que declarou mais gastos foi Leonardo Picciani (PMDB) - R$ 1.098.239,00.
Por outro lado, dois integrantes da bancada aparecem entre os dez mais
econômicos, de acordo com as declarações prestadas
ao TSE.
Apresentada como candidata do
Dr. Enéas (Prona-SP), a novata Suely (Prona) recebeu 23.459
votos gastando R$ 8.593,84 do diretório partidário.
Já o polêmico deputado Jair Bolsonaro (PP) declarou
ter investido R$ 19.974,81 na campanha, que lhe valeu 99.700 votos.
|
STJ, 20 de novembro de 2006
DECISÃO
Ação de cobrança
de contribuição sindical anterior à emenda constitucional
continua na Justiça estadual
A ação de cobrança proposta pela Confederação
Nacional de Agricultura – CNA relativa a débitos de anuidades
da contribuição sindical rural, anterior à promulgação
da Emenda Constitucional nº 45/2004, deve continuar a tramitar na Justiça
estadual. A decisão é do ministro João Otávio de
Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao declarar competente
o juízo de Direito da 1ª Vara Cível de Dracena (SP) para
julgar a ação.
Segundo o ministro, proferida a decisão
de mérito, em sede de apelação, pelo Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo em data anterior à promulgação
da EC nº 45/2004, com trânsito em julgado ao despacho denegatório
dos recursos especial e extraordinário, o prosseguimento da ação
deve permanecer no âmbito da Justiça estadual.
Conflito
O conflito foi estabelecido entre o juízo
da Vara do Trabalho de Dracena (SP) e o juízo de Direito da 1ª Vara
Cível de Dracena, nos autos de ação de cobrança
proposta pela CNA relativa a débitos de anuidades da contribuição.
Tendo por parâmetro a reforma do Judiciário realizada pela
EC nº 45/2004 e julgados do STJ, o juízo de Direito, declarando-se
absolutamente incompetente para apreciar a ação, determinou
a remessa dos autos do processo à Justiça trabalhista daquela
cidade.
O juízo da Vara do Trabalho de
Dracena (SP) suscitou o conflito, concluindo que as modificações
inseridas pela emenda constitucional alcançam os processos em
curso, desde que ainda não proferida sentença de mérito
pela Justiça estadual.
|
Folha de São Paulo,
18 de novembro de 2006
Pretos e pardos só são
maioria do mercado na construção civil e como domésticos
DA SUCURSAL DO RIO
Apenas em duas atividades os pretos e
pardos são a maioria dos trabalhadores: a da construção
civil, tipicamente masculina, e de domésticas, composta majoritariamente
por mulheres. Em comum, as duas têm rendimentos baixos.
Os pretos e pardos são 55,4% dos ocupados na construção
e 57,8% dos trabalhadores domésticos. Na indústria, onde estão
os maiores rendimentos, são 39,3% e 60% de brancos.
Apesar de serem a maioria na construção
civil, os pretos e pardos recebem 41,9% menos que os brancos empregados
naquela atividade. A renda média era de R$ 714,45 -a dos brancos
estava em R$ 1.369,25. No caso das domésticas, a diferença
de renda era menor: as pretas e pardas ganhavam R$ 354,94, 12,4% menos
que as brancas (R$ 405,39). Na indústria, os pretos e pardos recebiam
47,8% menos -R$ 714,45, enquanto o rendimento dos brancos era de R$ 1.369,25.
Por ramos de atividade, o IBGE não
separa as informações por funções, o que
poderia explicar a diferença de rendimento. Mas um outro dado
sugere que os brancos se ocupam nos cargos de menor qualificação.
No grande grupo dos profissionais (inclui todos com ensino superior),
os brancos eram 79,9%. Os pretos e pardos, 17,9%. No de técnicos
de nível médio, os brancos eram 64,7%, e os pretos e pardos,
34,4%.
Conforme cai a exigência de formação
profissional, sobe a participação dos pretos e pardos:
na categoria de comerciários e prestadores de serviços,
eles eram a maioria -51,7%, ante 47,8% dos brancos. Para Maria Lúcia
Vieira, economista da Coordenação de Trabalho e Rendimento
do IBGE, uma das hipóteses para a diferença de rendimento
são as profissões escolhidas. Mesmo com nível superior,
diz, os pretos e pardos podem fazer, por exemplo, enfermagem ou assistência
social, cuja renda é mais baixa, e os brancos, medicina.
A maior diferença de renda apareceu
na categoria de serviços prestados a empresas, que inclui de terceirizados
de segurança e limpeza a corretores e bancários e na qual
os pretos e pardos correspondiam a 34,6% dos empregados. Eles ganhavam
51% menos que os brancos. A remuneração no comércio
era 46,4% menor -na categoria, representavam 41,1%.
Entre todas as pessoas empregadas, os
brancos correspondiam a 57,3%, contra 41,9% dos pretos e pardos. Tal
situação se reflete nas categorias de ocupação:
os brancos eram a maioria entre os carteira assinada, sem-carteira e
por conta própria. Mas, entre os registrados, havia uma diferença
mais expressiva: 59,7% de brancos, ante 39,8% de pretos. Nos sem-carteira,
eram 54,5% e 44,6%, respectivamente. Os pretos e pardos com registro
em carteira ganhavam 43,4% menos do que os brancos.
|
Folha de São Paulo,
19 de novembro de 2006
ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES
Reforma trabalhista
EM ARTIGO anterior, focalizei uma reforma difícil, mas urgente e necessária
-a tributária. Neste, tratarei de outra igualmente importante -a trabalhista.
Em relação às nações mais desenvolvidas
do mundo, o Brasil é um país de baixos salários. Mas,
em relação aos países emergentes da Ásia e da Europa
Central e do Leste, o custo do trabalho no Brasil é alto, e isso se
deve, principalmente, aos elevados encargos sociais, que somam mais de 100%
do salário.
Ademais, no Brasil, sobra a mão-de-obra
pouco qualificada e falta a especializada. É só crescer
4% ou 5% e o país apresenta uma grave falta de pessoal qualificado.
Para complicar, a nossa lei trabalhista é a mesma para as mais
diferentes situações, valendo tanto para uma grande montadora
de automóveis como para uma pequena quitanda.
A imposição das mesmas despesas a todas as empresas gera efeitos
perversos tanto na pequena como na grande. Na primeira, surge a terrível
informalidade, que atinge mais de 50% da força de trabalho.
Na segunda, reduz-se a sua competitividade,
afetando os novos investimentos e o emprego. Neste campo, o diagnóstico
também é claro. O Brasil precisa simplificar o enorme cipoal
de leis relativas à contratação e à descontratação
do trabalho. Para as micro e pequenas empresas, que constituem a maioria,
os custos de demissão são insuportáveis e apavoram
os empresários a ponto de preferirem arriscar na informalidade
do que contratar na legalidade -prática nefasta para os trabalhadores
e para a Previdência Social, que nada recolhe dessas empresas e
dos empregados.
Mas simplificar não significa
desregulamentar. O trabalho precisa ser regulamentado. A melhor regulamentação é a
que combina a disciplina garantida pela lei com a disciplina garantida
pelo contrato. Aqui é que está o núcleo da questão.
O Brasil precisa de uma reforma trabalhista que mantenha os direitos
conquistados ao longo dos anos e, ao mesmo tempo, abra a possibilidade
de realizar outras transações para aqueles que estão
dispostos a assim proceder.
Para que não se aviltem as condições do trabalho, essas
transações precisam contar com a participação de
sindicatos legítimos e que recolham a opinião dos representados
pelo voto secreto e bem pensado e que sejam capazes de distinguir o momento
de avançar do momento de moderar. É o mundo da negociação
que, entre nós, está atrofiado -para não dizer inerte.
|
Folha
de São Paulo, 19 de novembro de 2006
Primeira parcela do 13º salário
tem de ser paga até o dia 30
Valor corresponde à metade do salário
do trabalhador em outubro; Dieese estima que a economia receberá R$
53 bi
Primeira parcela não tem descontos; segunda é paga até 20
de dezembro, com abatimento da contribuição ao INSS e do IR, se
for o caso
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
As empresas têm mais 11 dias -até 30
deste mês- para pagar a primeira parcela do 13º salário
(também chamada de gratificação natalina) deste
ano a seus empregados. O pagamento também é devido aos
empregados domésticos, aos trabalhadores rurais e aos avulsos.
Os aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)
já receberam a metade no início de setembro. Segundo o
Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos),
o pagamento do 13º salário injetará R$ 53 bilhões
na economia do país neste ano. Devem receber a gratificação
cerca de 60,7 milhões de trabalhadores -incluindo os dos mercado
formal, os domésticos e os beneficiários do INSS.
O cálculo do Dieese considera que
cerca de R$ 34,5 bilhões serão pagos neste mês e
em dezembro, ou seja, 65% dos R$ 53 bilhões. A diferença
corresponde a pagamentos já feitos em meses anteriores, como o
adiantamento aos aposentados do INSS (o valor pago no início de
setembro, com os benefícios referentes a agosto, foi de R$ 5,79
bilhões) e os valores pagos pelas empresas quando os funcionários
tiram férias. Por região, a Sudeste receberá a maior
parcela, com R$ 29,88 bilhões, segundo o Dieese. A seguir vêm
a região Sul, com R$ 8,77 bilhões, a Nordeste, com R$ 7,72
bilhões, a Centro-Oeste, com R$ 4,46 bilhões, e a Norte,
com R$ 2,21 bilhões.
Por Estado, São Paulo receberá a
maior parcela, com R$ 18,23 bilhões, valor que beneficiará 16,5
milhões de pessoas. O total que entrará na economia paulista
representa 34% de todo o país, segundo o Dieese. Na média,
cada trabalhador no Estado receberá R$ 1.105, valor inferior apenas
aos R$ 1.878 pagos no Distrito Federal.
Valor da parcela
A primeira parcela do 13º equivale à metade
do salário do trabalhador em outubro, desde que ele tenha sido
registrado até 17 de janeiro deste ano, inclusive. É que,
pela legislação, o período de 15 ou mais dias é considerado
mês integral. Um trabalhador registrado em 10 de janeiro deste
ano terá direito ao 13º integral. Se seu salário mensal é de
R$ 2.400, ele terá direito de receber esse valor, sendo a metade
(R$ 1.200) no final deste mês.
Os empregados registrados de 18 de janeiro
deste ano em diante receberão o 13º proporcionalmente ao
número de meses trabalhados (cada mês corresponde a 1/12
avos do salário do trabalhador). Quem já recebeu a primeira
parcela com o pagamento das férias não terá nada
para receber no dia 30 deste mês. A multa pelo atraso ou falta
de pagamento é de R$ 170,25 por empregado prejudicado.
Sem descontos
A primeira parcela do 13º não
tem nenhum desconto, qualquer que seja o valor pago. Mas as empresas
são obrigadas a depositar, até 7 de dezembro, os 8,5% do
FGTS (8% para o empregado e 0,5% para custeio do pagamento dos expurgos
dos planos Verão e Collor 1). A segunda parcela do 13º será paga
até 20 de dezembro. Ela corresponde ao salário do trabalhador
em dezembro menos o que foi pago na primeira parcela ou nas férias.
A segunda parcela do 13º salário tem também os descontos
da contribuição à Previdência Social (7,65%,
8,65%, 9% ou 11%, conforme o salário; o desconto máximo é de
R$ 308,20, ou seja, 11% de R$ 2.801,82) e do Imposto de Renda na fonte
(desde que o valor tributável seja superior a R$ 1.257,12).
O FGTS sobre a segunda parcela será pago
pelas empresas até 5 de janeiro de 2007, com os 8,5% do salário
de dezembro. Esse será o último pagamento com 8,5%, pois
a partir de janeiro (recolhimento em fevereiro) a alíquota volta
a 8%. O IR sobre o 13º salário é calculado separadamente
dos demais rendimentos do mês. Isso quer dizer que o 13º é tributado
exclusivamente na fonte, com base na tabela mensal. Assim, o valor recebido
pelo contribuinte não integra sua renda anual para efeito de cálculo
do IR devido. Da mesma forma, o valor retido na fonte (quando for o caso)
não poderá ser restituído na declaração.
Domésticos
Os empregados domésticos
recebem o 13º da mesma forma que os trabalhadores assalariados.
Assim, no dia 20 de dezembro, quando for paga a segunda parcela, o
empregador poderá fazer os descontos para o INSS e para o IR
(se for o caso). Os abatimentos são feitos sobre o valor total
do 13º, mas separadamente do salário referente a dezembro.
A contribuição ao INSS sobre o 13º poderá ser
recolhida juntamente com a do salário de novembro. Nesse caso,
o empregador poderá usar apenas uma guia e pagar as duas contribuições
até o dia 20 de dezembro. No campo "competência" da
guia será informado 11/2006.
|
Folha
de São Paulo, 20 de novembro de 2006
Brecha legal oculta doadores de R$ 66 mi
para campanhas
Doações de empresas não
são identificadas se feitas aos partidos em vez de aos candidatos
Dos recursos recebidos por Humberto Costa (PT),
que concorreu ao governo de Pernambuco, 68% são de doadores
desconhecidos
RUBENS VALENTE
LEANDRO BEGUOCI DA REPORTAGEM LOCAL
Graças a uma brecha na lei eleitoral,
os partidos esconderam os verdadeiros doadores de R$ 66,2 milhões
que abasteceram as campanhas em todo o país nas últimas
eleições. O valor supera as contribuições
realizadas por empreiteiras e por outros setores da economia que puderam
ser identificados em levantamento feito pela Folha. As doações
ocultas ocorrem quando empresas, em vez de encaminhar recursos diretamente
para os candidatos, o fazem para os partidos, que os repassam aos políticos.
Desta forma, é o partido, e não
a empresa, que aparece como doador na prestação de contas
de cada um dos candidatos beneficiados. O diretório nacional
do PT foi o campeão na prática das contribuições
ocultas -destinou R$ 8.875.976,00 (12% do total) para campanhas a cargos
diversos em 19 Estados diferentes do país. O principal beneficiado
foi o candidato derrotado ao governo de Pernambuco Humberto Costa,
ex-ministro da Saúde. Ele recebeu R$ 3,65 milhões, cerca
de 41% do total que o diretório nacional mandou para os Estados.
Como o candidato declarou receita total de R$ 5,32 milhões,
o eleitor ficou sem saber de onde vieram 68% dos recursos captados
pela campanha do candidato.
A Folha procurou o ex-ministro, mas
foi informada pela assessoria de imprensa do petista de que ele está de
férias e não poderia ser localizado. Entre os petistas
mais aquinhoados, abaixo de Costa aparece o ex-presidente nacional
da sigla, o candidato a deputado federal Ricardo Berzoini (SP), que
recebeu R$ 499,7 mil. A candidata derrotada ao Senado pelo Paraná,
Gleise Hoffmann (PR), mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo
(PT-PR), obteve R$ 430 mil do diretório nacional.
Omissão da lei
Em entrevista à Folha há duas
semanas, o tesoureiro nacional do PT, Paulo Ferreira, afirmou que o
dinheiro repassado pelo diretório nessas eleições
se refere a doações recebidas de empresários já com
a indicação de quem deveria ser o verdadeiro beneficiário.
Assim, não teria ocorrido privilégio a Costa, Berzoini
e outros candidatos -seriam eles os reais destinatários das
contribuições feitas ao PT.
Graças à omissão
da lei, os nomes dos doadores não constam das prestações
de contas protocoladas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e só deverão
ser informados à Justiça em abril de 2007, prazo legal
para os partidos apresentarem seus balanços do ano de 2006.
O diretório nacional do PFL distribuiu R$ 5,78 milhões
a candidatos diversos, principalmente para o candidato vitorioso ao
governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que ficou
com R$ 3,57 milhões (62% do total). É, assim, ignorada
a origem de 44% do valor que Arruda declarou ter captado (total de
R$ 8,05 milhões).
O comitê único do PFL de
Santa Catarina, Estado do presidente nacional da sigla, senador Jorge
Bornhausen, foi o segundo maior destino dos recursos, com R$ 535 mil.
O diretório nacional do PSDB distribuiu R$ 3,7 milhões
sem origem identificada. O maior destino, com R$ 850 mil, foi o comitê único
do partido no Amazonas, terra do senador Arthur Virgílio (PSDB-MA),
candidato derrotado ao governo e líder da sigla no Senado. O
comitê da campanha de José Serra (PSDB-SP) veio logo atrás,
com R$ 729 mil.
Entre os diretórios regionais,
o PT também está à frente. O regional de São
Paulo repassou R$ 5,32 milhões a diversos candidatos. Do total,
a campanha do deputado federal João Paulo Cunha recebeu R$ 681
mil.
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 20 de novembro de 2006 | Economia
Governo vai propor cortes no Legislativo
e Judiciário
Lula deverá levar aos novos governadores
propostas para conter esses gastos. Segundo o Estado, despesa pulou
de R$ 15 bi, em 1996, para R$ 47 bi, em 2005
Sérgio Gobetti
BRASÍLIA - O crescimento acelerado
das despesas do Judiciário, do Legislativo e do Ministério
Público está assombrando os Estados e a União, e
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá propor aos
novos governadores a criação de dispositivos legais para
conter esses gastos, conforme noticia o Estado neste domingo.
Esses órgãos já custam
mais de R$ 47 bilhões anuais aos cofres estaduais e federal, segundo
levantamento do jornal nos balanços orçamentários
de 2005. Em 1996, esse valor era de R$ 15 bilhões - houve crescimento
de 213% contra inflação de 86%.
Na União, a folha de pessoal dos
tribunais, da Procuradoria-Geral da República e do Congresso representa
20% da despesa total com o funcionalismo federal, que neste ano deve
chegar a R$ 106 bilhões. Em 1996, esse gasto significava 12% da
despesa total.
A falta de controle na evolução
desses gastos é uma das lacunas da Lei de Responsabilidade Fiscal
que o governo tentará solucionar com os governadores. Além
de autonomia para elaborar seus próprios orçamentos, muitos órgãos
de Judiciário, Legislativo e Ministério Público
estão liberados para gastar mais do que atualmente.
Essa folga existe porque os limites de
gasto com pessoal foram originalmente fixados, em 2000, acima do que
já se despendia na época, como proporção
das receitas de impostos. No caso dos Estados, 49% para o Executivo,
6% para o Judiciário, 3% para o Legislativo e 2% para o Ministério
Público.
Como a arrecadação aumentou
acima da inflação, o espaço para reajuste de salários
também aumentou. O que deveria ser um teto para as despesas se
transformou numa espécie de piso - principalmente nos demais Poderes,
menos pressionados a adotar sacrifícios do que o Executivo.
Mas alguns órgãos judiciários
e legislativos dos Estados não estão respeitando nem esses
limites. De acordo com outro levantamento do Estado, existem ao menos
11 Assembléias ou Tribunais de Contas em que o teto legal está sendo
ultrapassado. O mesmo começa a ocorrer nos Judiciários,
como em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul.
Especialista em contas públicas,
o economista José Roberto Affonso avalia que boa parte desse problema
poderia ter sido evitado se o governo já tivesse criado o Conselho
de Gestão Fiscal, um órgão de fiscalização.
Sem o conselho, os próprios tribunais de contas fazem suas regras
de interpretação.
No governo federal, entretanto, não
há mobilização para aprovar no Congresso o projeto
que cria o conselho. Em vez disso, discute-se uma fórmula de mudar
a lei para aliviar a situação dos Estados endividados e,
ao mesmo tempo, conter os gastos dos demais Poderes.
Apesar das dificuldades de impor uma trava
para as despesas do Judiciário e do Legislativo, o Planalto avalia
que há um ambiente político mais favorável a isso,
já que há governadores de todos os partidos interessados
na medida. Os especialistas consideram que há pelo menos dois
problemas comuns a todos os Estados: o peso crescente do gasto dos demais
Poderes e o engessamento do orçamento, em função
das vinculações constitucionais de receitas.
A vinculação pode ser resolvida
com a renovação do dispositivo constitucional que libera
dessas amarras ao menos 20% das receitas governamentais. No caso dos
demais Poderes, a negociação é mais complicada.
Em 14 Estados, o custo de manutenção de Judiciário,
Legislativo e Ministério Público já consome mais
de 11% da receita. Em 2000, a média era de 7%.
|
DIÁRIO ONLINE, 20
de novembro de 2006
SP: Setor imobiliário deve receber
R$ 40 bilhões
O total de recursos investidos no mercado
imobiliário neste ano deve somar R$ 40 bilhões, nas contas
do presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da
Construção), Paulo Safady Simão. São R$ 9
bilhões provenientes da caderneta de poupança, R$ 5 bilhões
de financiamentos das próprias construtoras e R$ 26 bilhões
de recursos da autoconstrução (consumidor que constrói
por conta própria) para erguer novas unidades habitacionais no
país.
Segundo o presidente do CBIC, nunca houve
tantos recursos para habitação. Para este ano, a expectativa
de crescimento do PIB da construção civil é de 5,1%.
No primeiro semestre, o acréscimo foi de 4,7%, bem superior aos
2,2% registrados no mesmo período de 2005, observa a consultora
da FGV Projetos, Maria Antonieta Lins.
A exuberância da construção
civil imobiliária já tem impacto direto no emprego. Em
setembro, o nível de emprego na construção civil
brasileira atingiu o maior nível desde maio de 1995, segundo o
SindusCon-SP.
O número de empregados formais
atingiu 1,54 milhão de trabalhadores, com alta de 0,95% ante agosto.
No ano, a alta acumulada é de 10,3% na comparação
com mesmo período de 2005.
O presidente da entidade, João
Claudio Robusti, destaca que a expansão do emprego ocorreu por
conta do segmento imobiliário, seguido pela obras públicas
em razão das eleições.
Varejo – A boa fase do setor levou
algumas redes de materiais de construção a acelerarem seus
planos de expansão. A Telhanorte, por exemplo, do grupo francês
Saint-Gobain,vai investir R$ 100 milhões na abertura de cinco
lojas no ano que vem em novos Estados.
A rede varejista vai fechar o ano com
25 pontos-de-venda em São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
De janeiro a outubro, o faturamento das revendas de materiais de construção
cresceu 4,5% em relação o mesmo período do ano passado,
segundo a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes
de Material de Construção). A expectativa do setor é fechar
o ano com uma expansão de 5,5% nas vendas.
Bancos – Com a estabilidade da economia,
financiamentos de longo prazo e a perspectiva de redução
dos juros básicos e, portanto, dos ganhos de tesouraria das instituições
financeiras, o apetite dos bancos pelo mercado imobiliário cresceu.
O Bradesco, por exemplo, deve superar
neste ano a meta inicial de destinar R$ 2 bilhões para o crédito
imobiliário, segundo o diretor de Empréstimos e Financiamentos,
Alexandre Gluher.
De janeiro a setembro, já foram
emprestados R$ 1,6 bilhão para consumidores e empresas. No ano
passado foram R$ 700 milhões.
|
DIÁRIO
ONLINE, 20 de novembro de 2006
Atividade vive bom momento
Da AE
Há muitos anos a construção civil imobiliária
não vivia um momento tão favorável como agora. Construtoras,
incorporadoras, lojas de materiais de construção e até agências
de publicidade especializadas são unânimes em afirmar que
estão batendo recordes de vendas. O consumidor, por sua vez, beneficiado
pelo crédito farto e fácil, está indo às
compras e trocando o aluguel pelo financiamento de longo prazo com parcelas
fixas.
Números do Secovi de São Paulo, o sindicato da habitação,
atestam o bom momento da indústria. De janeiro a setembro, 11,2%
dos imóveis lançados na cidade foram vendidos, ante 8,2%
no mesmo período de 2005. A previsão do vice-presidente
de Incorporação do Secovi-SP, João Crestana, é fechar
o ano com velocidade de vendas de 12%, a maior taxa desde 1994, quando
o indicador foi de 11,7%. Naquele ano, marcado pelo início do
Plano Real, as vendas foram impulsionadas por financiamentos de prazos
longos feitos pelas construtoras.
A construtora e incorporadora Company, por exemplo,
atingiu até o
terceiro trimestre deste ano o maior nível de vendas da história
da empresa dos últimos 25 anos, diz o gerente de Incorporação,
Fábio Romano.
"Houve um crescimento extraordinário nos negócios",
diz o executivo. Entre julho e setembro, a receita líquida atingiu
R$ 96,2 milhões, crescimento de 231% ante o mesmo período
de 2005. Segundo Romano, a facilidade de financiamento provocou uma drástica
mudança no mercado de locação, que perdeu fôlego
diante da facilidade de comprar a casa própria.
De olho nesse novo mercado, a empresa, até então especializada
em alto padrão, começou a produzir imóveis para
a classe média. Até agora, já está acertado
para 2007 o lançamento de 4 empreendimentos, com 3 e 4 dormitórios
, cuja unidade custa até R$ 400 mil. “Existe excesso de
produto de alto padrão”, afirma.
Outro indicador que confirma o entusiasmo do setor é o volume
de publicidade. Maurício Eugênio, que dirige uma agência
de publicidade especializada em imóveis que leva seu sobrenome,
deve fechar este ano cuidando da publicidade de cerca de 150 lançamentos
no País. "É um volume recorde em 18 anos da agência",
diz o diretor. Até o fim de dezembro, a agência ainda vai
fazer publicidade de 30 lançamentos. “Não vamos ter
férias.”
A maior parte dos lançamentos deste ano (70%) é de apartamentos
de 100 a 200 metros quadrados, voltados para a classe média alta,
com preço entre R$ 250 mil e R$ 400 mil. "Para 2007, as construtoras
estão preparando lançamentos mais em conta, que custam
cerca de R$ 90 mil", diz Eugênio.
|
JORNAL DA PARAÍBA,
19 de novembro de 2006
Construção civil aposta
no turismo da PB
Depois de acompanhar de perto duas décadas
de pujança na expansão turística dos Estados vizinhos,
empresários e entidades de classe da construção
civil da Paraíba afirmam que o litoral paraibano terá mais
uma oportunidade para se tornar de direito e de fato a “bola da
vez” do turismo. Segundo a Associação Brasileira
da Indústria de Hotéis (ABIH-PB), a teia de setores que
se beneficiam com a expansão do setor atinge nada menos que 54
atividades econômicas.
Ancorados pela promessa do segundo governo
Lula para sair do baixo crescimento econômico do País nos últimos
anos, os setores da construção civil e do turismo apostam
no diferencial do “destino em descoberto” do litoral paraibano
como forma de trazer “dinheiro novo” para o Estado nos próximos
anos.
Mas antes, segundo os empresários
do setor, é preciso que o setor público desate alguns “nós” e
propicie melhoria na infra-estrutura física (aeroporto, porto
e estradas), além de atrair mais investimentos externos para expandir
a rede hoteleira do litoral como forma de absorver a demanda crescente
de turistas nos próximos anos.
Outros empecilhos citados pelos empresários
e entidades são as cobranças comuns do setor produtivo
para alavancar o crescimento do país que de tão repetitivas
já viraram lugar-comum: as reduções da carga tributária
e da taxa de juros, que continuam asfixiando o crescimento econômico
do país.
As experiências positivas e negativas
do desenvolvimento turístico dos Estados vizinhos contribuem como
lição para evitar erros desnecessários. “Já tivemos
vários exemplos na própria Região Nordeste que quando
o crescimento turístico acontece antes da infra-estrutura, normalmente
cresce de forma desordenada, quando não é um desastre. “Apesar
de tardio, João Pessoa tem mais uma oportunidade de se espelhar
nos exemplos tanto de sucesso como do malfadado do turismo predatório”,
avalia o economista Irenaldo Quintans, presidente eleito do Sindicato
da Indústria da Construção Civil e do Mobiliário
de João Pessoa (Sinduscon), que está articulando com outras
entidades da construção civil do Nordeste a vinda de turistas
europeus para fazer da Paraíba o “segundo lar”. “Quando
o turista passar uma ou duas vezes férias na Paraíba e
se encontrar um lugar propício irá investir no mercado
imobiliário, e aí entra o link com a construção
civil. Isso já é comum em alguns Estados nordestinos e
do Sul do País”, frisou.
Segundo o economista, “a Paraíba
já perdeu muito tempo em relação aos Estados concorrentes
e precisa otimizar o tempo sem ficar olhando para trás como o
projeto Costa do Sol atual Pólo Turístico Cabo Branco”.
Quintans citou ainda a questão política como uma das ferramentas
necessárias “Governo, prefeitura, senadores e deputados
precisam entender que a disputa eleitoral já passou e precisam
agora se esforçar para buscar investimentos públicos federais
para o Estado “, lembrou.
Para se ter uma idéia do
peso dos investimentos externos dos Estados vizinhos, o Ceará,
por exemplo, irá receber mais de 420 milhões de dólares
somente dos portugueses neste ano, segundo dados da Câmara Portuguesa
de Comércio do Ceará. No Estado cearense, além
de empreendimentos na rede hoteleira e do próprio turismo de
negócios, a aquisição de imóveis por portugueses
aposentados tem sido também uma verdadeira febre no litoral.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
20 de novembro de 2006
Pedido de reintegração
TST não examina fundamento de
demissão por juta causa
O Tribunal Superior do Trabalho não
pode examinar o fundamento que norteou a demissão por justa causa.
Portanto, não pode acolher pedido de reintegração
ao cargo e indenização por danos morais. Com esse entendimento,
os ministros da 6ª Turma do TST rejeitaram recurso apresentado por
uma ex-funcionária da Caixa Econômica Federal.
Em 1976, ela foi contratada pela Caixa.
Em 2000, após a instauração de um inquérito
administrativo que constatou que a então funcionária teve
uma falta grave, foi demitida. Segundo a acusação da Caixa,
a bancária, que exercia a função de gerente-geral, “concedeu
empréstimos a pessoas com quem mantinha estreitos laços
de amizade, em valores superiores aos solicitados, tomando para si os
recursos, além de abrir e movimentar contas por meio de assinaturas
falsas”.
Ela ajuizou ação na Justiça
trabalhista. Sustentou que não poderia ter sido demitida, uma
vez que estava em licença para tratamento de saúde. Segundo
ela, a demissão foi arbitrária porque não teve direito
de defesa e o inquérito administrativo prosseguiu à sua
revelia. Pediu reintegração ao emprego e indenização
por danos morais, no valor de 200 salários mínimos.
O banco ressaltou que podia comprovar
os atos ilícitos praticados por ela. A defesa argumentou que,
por se tratar de empresa pública federal que explora atividade
econômica, seus empregados estão sujeitos ao regime das
empresas privadas. Segundo a CEF, seus funcionários não
têm direito à estabilidade, como o servidor público.
Por isso, sustentou ser incabível o pedido de reintegração.
Alegou ainda que os danos morais não
ficaram caracterizados e negou que tenha havido cerceamento de direito
de defesa, na medida em que a empregada chegou a contratar três
advogados para sua defesa no inquérito administrativo.
Em primeira instância, o pedido
foi julgado improcedente. Segundo o juiz, não ficou configurado
o dano moral e o afastamento para tratamento de saúde não
abona sua conduta, no máximo, impediria sua punição
imediata. “Essa deve ser a melhor conduta do empregador: aguardar
o término da suspensão para efetivar a resolução
contratual. Isso não significa que a punição aplicada
se revestiu de nulidade e autorizaria a reintegração ao
emprego”, concluiu o ministro, ao julgar o processo extinto.
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas manteve a sentença. Novo recurso foi ajuizado pela bancária.
O Recurso de Revista foi trancado no TRT por não haver demonstração
de ofensa à lei ou à Constituição Federal.
Ela apresentou Agravo de Instrumento,
que também não foi conhecido, por não preencher
os pressupostos de admissibilidade previstos no artigo 896 da CLT. O
relator, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, destacou que não
há como se concluir pela ofensa à Constituição
Federal. Segundo ele, conforme foi entendido na segunda instância, “não
foi sonegado à recorrente o direito ao contraditório e à ampla
defesa, tendo em vista as oportunidades que lhe foram asseguradas”.
AIRR-1022/2001-084-15-40.2
|
CONSULTOR JURÍDICO,
20 de novembro de 2006
Caráter privado
Empregado de cartório não
concursado é regido pela CLT
Se não é concursado, empregado
de cartório deve se submeter às regras da CLT. A decisão é da
3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que analisou recurso
interposto pelo Cartório de Notas da Capital de São Paulo.
Em 1994, o empregado foi admitido, sem concurso público, para
exercer o cargo de auxiliar cartorário. Consta nos autos, que
o seu salário era pago pelo titular do cartório. Ele trabalhou
até abril de 1999, quando morreu.
O pai do trabalhador, seu único
dependente, recorreu à Justiça trabalhista. Pediu o reconhecimento
do vínculo de emprego com registro na carteira de trabalho, pagamento
de FGTS, 13° salário, férias, multa do artigo 477 da
CLT referente ao atraso no pagamento das verbas rescisórias e
expedição de ofício ao INSS e DRT para comunicação
do não cumprimento por parte do cartório das obrigações
previdenciárias.
O cartório admitiu que o contratou
para jornada de oito horas diárias, com salário de R$ 1,1
mil. Informou que, após a morte do empregado, as verbas rescisórias
ficaram à disposição, mas não foram procuradas
pelos interessados. Argumentou ainda que exerce um serviço público,
porém em caráter privado, conforme previsto no artigo 236
da Constituição Federal, regulamentado pela Lei 8.935/94.
Consta nos autos, que o empregado foi
contratado sob as Normas de Pessoal na Corregedoria-Geral do Estado de
São Paulo, com inscrição na Carteira de Aposentadoria
dos Servidores da Justiça, no Instituto da Previdência do
Estado de São Paulo (IPESP), conforme legislação
em vigor à época da contratação.
A defesa do cartório ressaltou
que o regime celetista só foi introduzido nas serventias extrajudiciais
não oficiais a partir da Lei 8.935/94, que conferiu aos funcionários
estatutários o direito de opção para o regime da
CLT. O empregador juntou aos autos documento que atesta a opção
do empregado pelo regime estatutário.
A 11ª Vara do Trabalho de São
Paulo julgou improcedente a ação. O pai do trabalhador
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo), que reformou a decisão. Para o TRT-SP, se o empregado
não foi admitido por concurso público e não sendo
o Estado titular da relação jurídica, não
há como reconhecer a relação estatutária.
Segundo o TRT, não importa a opção feita pelo empregado.
Os autos retornaram à Vara para análise dos pedidos feitos
pelo espólio.
O cartório interpôs recurso
ao TST. A relatora, ministra Maria Cristina Peduzzi concordou com a decisão
do TRT paulista. Segundo ela, o titular do cartório é o
responsável pela contratação, remuneração
e direção da prestação dos serviços,
equiparando-se ao empregador comum. “Os trabalhadores contratados,
mesmo anteriormente à edição da Lei 8.935/94, vinculam-se
ao titular da serventia, estando a relação laboral submetida às
normas da Consolidação das Leis do Trabalho”, concluiu.
RR 950/2001-011-02-00.6
|
CONSULTOR JURÍDICO, 20 de novembro
de 2006
Hora de reformar
Legislação trabalhista barra
crescimento do emprego
A legislação trabalhista não é boa e
impede o crescimento do emprego formal. Mas isso não significa que
não tenha de haver lei que proteja os direitos de trabalhadores.
A proteção deve ser mantida, inclusive no texto constitucional. Trocando
em miúdos, a CLT clama por reforma. Isso é o que se conclui da pesquisa
da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que ouviu mais de
3 mil juízes de todo o país, na parte que toca à Justiça do Trabalho
e à legislação trabalhista.
Quase metade dos juízes entrevistados (46%) afirmou que a legislação trabalhista
tem impacto negativo no desenvolvimento do país e mais da metade (56%) acha
que ela impede o crescimento formal de empregos. Mas os mesmos juízes afirmam
que a legislação deve proteger direitos como férias, número de horas trabalhadas,
piso salarial, repouso semanal, horas extras, entre outros pontos. E defende
a ampliação da competência da Justiça do Trabalho.
Para Cláudio José Montesso, vice-presidente da Associação Nacional dos
Magistrados do Trabalho (Anamatra), não questiona o mérito das opiniões de
seus colegas. Prefere analisar a metodologia aplicada. Para ele a pesquisa
pecou porque a maioria dos entrevistados é de juízes estaduais, que respondem sem qualquer conhecimento técnico ou científico
do tema. “Invertendo a lógica, seria o mesmo que juízes do trabalho afirmarem
que a legislação penal é a causa da criminalidade crescente”, afirma. Nada
mais razoável que um juiz discuta legislação, diga-se de passagem.
De acordo com o juiz trabalhista, seus colegas da Justiça
comum “desconhecem a realidade dos trabalhadores do país, as inúmeras
mazelas que encontramos em todos os lugares, seja na exploração
de mão-de-obra escrava, seja na utilização de mão-de-obra infantil
e outras formas de precarização das condições de trabalho”. Sobre
os altos encargos trabalhistas cobrados no país, um dos mais altos
do mundo, citados insistentemente por empresários como causa de
corte de postos de trabalho, Montesso afirmou que, em contrapartida, “o
Brasil possui uma das mãos-de-obra mais baratas do mundo”.
A diretoria da Anamatra afirma estar preocupada com o que será feito com o
resultado da pesquisa. “A AMB trabalhará para a flexibilização do Direito do
Trabalho no Congresso Nacional? Defenderá que nesse país de mão-de-obra tão
explorada, onde ainda vicejam focos de absoluta ausência de garantias mínimas
para os trabalhadores, inclusive com trabalho escravo, deva haver legislação
menos protetiva?”, questionou o juiz Cláudio Montesso.
Veja os números da pesquisa
sobre Justiça e legislação trabalhista
Qual
o seu grau de concordância em relação às afirmações segundo as quais
a existência da legislação trabalhista provoca impactos negativos no
desenvolvimento do País, impede a vinda de empresas estrangeiras e
o crescimento do emprego formal?
|
|
Concordo
(%)
|
Discordo
(%)
|
Sem
Opinião
(%)
|
|
Impactos negativos no desenvolvimento do País
|
46,3
|
47,6
|
6,1
|
|
Impede a vinda de empresas estrangeiras
|
37,5
|
52,6
|
9,9
|
|
Impede o crescimento do emprego formal
|
56
|
37,6
|
6,4
|
De
seu ponto de vista, há necessidade de uma legislação que proteja
o trabalhador no que diz respeito aos seguintes aspectos:
|
|
Favorável
(%)
|
Indiferente
(%)
|
Contrário
(%)
|
Sem
Opinião
(%)
|
|
Férias
|
89,2
|
2,8
|
4,5
|
3,4
|
|
Número de horas trabalhadas
|
84,8
|
5,1
|
6,5
|
3,6
|
|
Piso salarial
|
82
|
5,8
|
9,7
|
3,6
|
|
Repouso semanal remunerado
|
86,7
|
4,6
|
5,3
|
3,3
|
|
Pagamento de horas extras
|
86
|
4,9
|
5,5
|
3,6
|
|
Garantia de emprego e estabilidade
|
61,6
|
8,4
|
26,5
|
3,5
|
|
Participação nos lucros e nos resultados da empresa
|
71,9
|
13,6
|
10,9
|
3,6
|
Qual
sua opinião em relação aos parâmetros de contratos de emprego? Deveriam
respeitar a autonomia das partes; deveriam ter a tutela sindical
ou a autonomia das partes com a interferência estatal?
|
Contratos
|
Favorável
(%)
|
Indiferente
(%)
|
Contrário
(%)
|
Sem
Opinião
(%)
|
|
Autonomia das partes
|
36,9
|
3,1
|
46,6
|
13,4
|
|
Autonomia das partes,
com tutela sindical
|
41,8
|
8,5
|
35,3
|
14,4
|
|
Autonomia das partes,
com interferência estatal
|
48,1
|
6,3
|
32,9
|
12,7
|
De
seu ponto de vista, a estrutura sindical deveria estar sujeita a
limites impostos pelo Estado ou deveria ser definida pela autonomia
das categorias econômicas e profissionais? Marque um ponto na escala,
sendo que, quanto mais próximo de (1), maior deveria ser a sujeição
ao Estado e, quanto mais próximo de (10), maior deveria ser a autonomia
das categorias.
|
1
|
2
|
3
|
4
|
5
|
6
|
7
|
8
|
9
|
10
|
|
5,6
|
3,1
|
5,8
|
3,6
|
21,2
|
6,5
|
10,9
|
17,9
|
8,3
|
17,0
|
Qual é a
sua opinião em relação aos seguintes temas:
|
Temas
|
Favorável
(%)
|
Indiferente
(%)
|
Contrário
(%)
|
Sem Opinião
(%)
|
|
|
Retirar do texto
constitucional os direitos trabalhistas
|
23,5
|
3,9
|
70,1
|
2,4
|
|
Ampliar a competência
da Justiça do Trabalho, segundo estabelecido pela Emenda Constitucional
no 45
|
59,9
|
9,0
|
25,0
|
6,2
|
|
Atribuir à Justiça
do Trabalho competência ara julgar questões trabalhistas relativas
ao funcionário público
|
49,4
|
5,1
|
42,3
|
3,0
|
|
Atribuir à Justiça
do Trabalho competência para conhecer das matérias relativas
a crimes praticados nas relações de trabalho
|
46,1
|
4,4
|
47,2
|
2,3
|
|
Atribuir à Justiça
do Trabalho competência para conhecer das matérias relativas
a crimes praticados durante a tramitação do processo de trabalho
|
51,8
|
4,2
|
42,0
|
2,0
|
|
Instituir critérios
mais flexíveis para a demissão de funcionários públicos
|
55,2
|
3,6
|
38,1
|
3,2
|
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA, 19
de novembro de 2006
Peti melhora comportamento e fala
das crianças
A assistente social Valéria da Costa informa que o Cais atende hoje
142 crianças carentes do município, sendo que 132 já participavam
das atividades do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil
(Peti), do governo federal.
O Centro foi construído no antigo
prédio da associação de funcionários da usina,
que foi totalmente reformado e ganhou quadra poliesportiva, campo de
futebol, playground, salão de jogos, refeitório, sala de
televisão e biblioteca, além de salas de música,
dança e informática e o cantinho da beleza para as meninas.
De acordo com a professora Angela Maria
Marana, coordenadora do Cais, os meninos e meninas entre sete e 15 anos
são divididos, conforme a idade, em oito grupos de até 12
crianças e a cada 45 minutos realizam uma atividade diferente,
''até que todos tenham participado de tudo'', assinala.
Ainda segundo Angela, como o centro apenas
começou a funcionar, a coordenação tem avaliado
as demandas e aptidões das crianças para direcionar as
aulas no próximo ano. ''Eles já têm aulas de violão,
capoeira e informática e deverão ganhar professores de
teclado, balé e judô.''
Para Angela, o que mais mudou nas crianças
desde que começaram a participar do Peti foi o comportamento social
e a fala. ''É uma luta diária porque eles voltam do fim
de semana cheios de atitudes e falando palavrões que aprenderam
em casa e nós passamos a semana corrigindo-os. E é assim
toda semana'', conta.
Mais difícil do que ensinar as
crianças é lidar com os pais, assegura a coordenadora.
Para discutir questões que envolvem o convívio familiar,
são oferecidas palestras semanais às crianças e,
ocasionalmente, aos pais. ''A gente percebe qual é a principal
dificuldade deles na semana e agenda um profissional para tratar do tema.''
O que nunca modificou desde o início
das atividades do Peti em São Pedro, em 2002, é a frequência
da criançada. ''Eles nunca faltam'', comemora a coordenadora,
informando que a procura por vagas no programa aumentou com a construção
do Cais. ''A meta é atender 200 crianças'', estima.
''O próximo passo é implantar
o programa Escola de Fábrica, que irá capacitar jovens
de 15 a 23 anos em cursos profissionalizantes e fechar o ciclo assistencial'',
prevê a assistente social Valéria da Costa. (M.G.)
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
17/11/2006
Ministro do TST expõe tese sobre
efeitos da aposentadoria
O ministro Milton de Moura França,
do Tribunal Superior do Trabalho, concluiu seu voto sobre os efeitos
jurídicos gerados pelo reconhecimento de que a aposentadoria espontânea
não leva à extinção do contrato de trabalho.
Segundo a tese de Moura França, o empregado que, apesar da aposentadoria,
permanece em atividade não possui, após sua dispensa, o
direito à multa de 40% sobre a totalidade do FGTS. Em tal situação,
a incidência da multa só alcançaria os depósitos
correspondentes ao período trabalhado após a aposentadoria.
Esse posicionamento consta do voto vencido
que o ministro do TST juntará ao acórdão da primeira
decisão tomada pela Seção Especializada em Dissídios
Individuais – 1 (SDI-1) do TST após o cancelamento da Orientação
Jurisprudencial nº 177. Esse item da jurisprudência do TST
previa que a aposentadoria espontânea extinguia o contrato de trabalho.
A relatoria do acórdão, com a tese vitoriosa, caberá ao
ministro Carlos Alberto Reis de Paula.
“Atento ao fato de que, lamentavelmente,
ainda vivemos em um País com grande número de desempregados,
a preservação do emprego não deve acarretar maiores
encargos além daqueles normalmente impostos aos empregadores,
razão pela qual creio que a imposição da multa de
40% sobre os depósitos do FGTS, relativos ao período anterior à aposentadoria,
constitui encargo que fere o equilíbrio dos interesses em jogo
e, por isso mesmo, deve ser afastada”, argumenta Moura França.
“É preciso que o julgador
tenha a exata dimensão do conflito de interesses e suas repercussões
nas esferas jurídicas dos contendores e procure, sempre que possível,
decidir atento à possibilidade de compatibilizá-los. Estou
convencido de que, na aposentadoria voluntária, há dois
interesses jurídicos dos mais relevantes que não se contrapõem,
mas, ao contrário, podem e devem coexistir. Se é certo
que ao empregador interessa manter aquele profissional experiente, não
menos verdadeiro que ao empregado interessa a preservação
de seu emprego”, explica.
Mas o entendimento defendido pelo ministro
Moura França não é compartilhado pela maioria dos
outros integrantes do TST que já se manifestaram sobre o tema.
Para a corrente majoritária, uma vez reconhecido o fato de que
a aposentadoria espontânea não extingue o contrato, o trabalhador
nessa condição terá direito à incidência
da multa sobre a totalidade dos depósitos do FGTS após
sua dispensa sem justa causa.
O posicionamento de Moura França
coincide também com o manifestado pelo vice-presidente do TST,
ministro Rider Nogueira de Brito, e integrantes da Quarta Turma do Tribunal,
presidida por Moura França. Para eles, não há incompatibilidade
entre a unicidade do contrato e a solução que restringe
o cálculo da multa ao período após a aposentadoria. “O
empregado que permanece na empresa, depois de aposentado, o faz em função
de uma peculiaridade que gera uma relação jurídica
contratual com caraterísticas próprias”, diz Moura
França.
“Desde instituição
do FGTS, a preocupação do legislador foi assegurar ao empregado,
em relação ao seu tempo de casa, os valores depositados
em sua conta vinculada, de forma que, sempre, pudesse a eles fazer jus,
em qualquer hipótese de extinção do contrato de
trabalho, inclusive a aposentadoria, e até mesmo quando dispensado
com justa causa. Ora, se o tempo de casa, em relação aos
empregados sujeitos ao FGTS, foi e é “indenizado” pelos
valores em conta vinculada, o empregado que se aposenta voluntariamente,
e adquire direito à sua movimentação, sem nenhuma
restrição, ao continuar no emprego começa vida nova
em relação ao seu empregador”, acrescenta.
As interpretações do TST
sobre o tema decorrem de recente julgamento de duas ações
diretas de inconstitucionalidade em que o Supremo Tribunal Federal (STF)
declarou expressamente que a aposentadoria não extingue o contrato
de trabalho. Nos julgamentos, o Supremo limitou-se a considerar inconstitucionais
os parágrafos 1º e 2º do artigo 453 da CLT, o que tornou
claro o caráter uno do contrato de trabalho. O STF não
foi expresso, contudo, em relação à multa de 40%
do FGTS.
Da decisão tomada pelo STF, restou
intacta a parte principal (“caput”) do artigo 453 da CLT,
onde há referência à contagem do tempo de serviço
do empregado readmitido a fim de garantir-lhe a soma dos períodos
de trabalho anteriores, ainda que não contínuos. Essa referência
legal, segundo Moura França, não pode ser interpretada
como garantia de incidência mais abrangente da multa de 40% porque “a
interpretação literal não é a das mais adequadas
e quase sempre não é o melhor caminho para a solução
das causas”.
Outro argumento refere-se aos empregados
com tempo de serviço anterior à opção pelo
FGTS e aqueles que não optaram por esse sistema. Quando de sua
aposentadoria voluntária, esses trabalhadores nunca receberam
a indenização por antigüidade prevista no artigo
477 da CLT. “Razoável que seja dado o mesmo tratamento
aos regidos pelo FGTS, em idêntica situação, porque
indenização por antigüidade e FGTS, guardam absoluta
identidade jurídica em seus fins”, conclui Moura França.
(E-ED-RR 709374/2000.3)
|
20/11/2006
TST: prorrogação ilimitada
de cláusula coletiva é inválida
É inválida a cláusula
de acordo coletivo de trabalho que prorroga sua própria vigência
por prazo indeterminado. Sob esse entendimento, manifestado pelo ministro
Renato de Lacerda Paiva (relator), a Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho deferiu recurso de revista a um ex-empregado da Parmalat
Brasil S/A Indústria de Alimentos (em regime de recuperação
judicial). A decisão garantiu o pagamento de horas extras ao trabalhador
e baseou-se em dispositivo da Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) que limita a validade dos acordos coletivos.
Nos termos do artigo 614, § 3º,
da CLT, é de dois anos o prazo máximo de vigência
dos acordos e das convenções coletivas. “Assim, é inválida,
naquilo que ultrapassa o prazo total de dois anos, a cláusula
de termo aditivo que prorroga a vigência do acordo coletivo originário
por prazo indeterminado”, acrescentou o relator do recurso, Renato
Paiva, ao reproduzir em seu voto a jurisprudência do TST sobre
o tema inscrita na Orientação Jurisprudencial nº 322
de sua Seção Especializada em Dissídios Individuais – 1
(SDI-1).
O julgamento do TST cancela decisão
anterior do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas
Gerais), que havia reconhecido a validade de item do acordo coletivo
firmado entre a Parmalat e empregados, em junho de 1997. A cláusula
primeira do acerto fixou prorrogação da jornada em turnos
ininterruptos de revezamento para 7 horas e 20 minutos, de segunda a
sábado, com uma hora de intervalo. O prolongamento da jornada,
segundo a cláusula oitava do mesmo acordo, teria validade indeterminada.
Apesar de reconhecer a limitação
legal, o TRT mineiro entendeu como válida a disposição
da cláusula oitava do acordo coletivo. “Embora os instrumentos
normativos possuam prazo máximo de vigência (dois anos),
não há violação ao parágrafo 3° do
artigo 614 da CLT quando as partes resolvem prolongar ou mesmo indeterminar
o prazo de validade de cláusula convencional, hipótese
em que o ajuste vigorará até que seja modificado por outro
acordo coletivo”, considerou o acórdão regional.
Esse posicionamento do TRT mostrou-se,
contudo, contrário à jurisprudência firmada pelo
TST na OJ nº 322. Diante do limite de vigência das normas
coletivas, a Segunda Turma deferiu o recurso para declarar a nulidade
da cláusula oitava e condenar a empresa ao pagamento como extras
das horas trabalhadas além da previsão legal, com reflexos
em outras parcelas salariais. (RR 549/2002-053-03-00.3)

|