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Agência Diap, 21
de novembro de 2006
Dirigente Sindical
Comissão de Trabalho agenda
apreciação de projeto que protege sindicalista
A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados agendou reunião
para esta quarta-feira, 22/11, a partir das 10h, destinada a apreciar uma pauta
de 25 proposições.
Destacamos na pauta, entre outras proposições,
o PL 5.710/01, do deputado Fernando Ferro (PT/PE), que acrescenta dispositivo à CLT
a fim de dispor sobre a indenização em caso de rescisão
do contrato de empregado eleito para cargo de dirigente sindical ou
suplente. O projeto tem parecer favorável do relator, deputado
Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP).
Outras proposições importantes
para os trabalhadores são: PL 3.035/04, que altera a Lei 10.779,
de 25/11/03, para dispor sobre a habilitação do pescador
artesanal ao benefício do seguro desemprego durante o período
de defeso. A relatora, deputada Dra. Clair (PT/PR), emitiu parecer
favorável à matéria; PL 6.126/05, dos deputados
Roberto Gouveia (PT/SP) e Dra. Clair (PT/PR), que regulamenta a negociação
coletiva de trabalho no setor público. A proposição
conta com parecer favorável do deputado Cláudio Magrão
(PPS/SP).
Isonomia
Também na pauta o PL 6.259/05,
dos deputados Inácio Arruda (PCdoB/CE) e Daniel Almeida (PCdoB/BA),
que dispõe sobre a isonomia salarial, benefícios e vantagens
dos empregados do Banco do Brasil S/A, da Caixa Econômica Federal,
Banco do Nordeste S/A e Banco da Amazônia S/A, ingressos a partir
da Resolução nº 9, de 30 de maio de 1995, e nº 10,
de 08 de outubro de 1996, do Conselho de Coordenação
e Controle das Estatais - CCE/DEST. O relator, deputado Luciano Castro
(PL/RR), emitiu substitutivo a favor da aprovação da
matéria.
Interiorização da
Justiça
De autoria do Superior Tribunal de Justiça
foi incluída na pauta a apreciação do PL nº 5.829/05,
que dispõe sobre a criação de 400 Varas Federais
destinadas precipuamente à interiorização da Justiça
Federal de primeiro grau e à implantação dos Juizados
Especiais Federais no País. O relator é o deputado Henrique
Eduardo Alves (PMDB/RN), que emitiu parecer favorável ao projeto.
Telefonia Social
Destacamos ainda a inclusão na
pauta do PL 5.055/01, de autoria do ex-deputado e atual prefeito de
São Paulo Gilberto Kassab, que institui a tarifa social de telefonia
para consumidores residenciais de baixa renda. O projeto também
tem como relator o deputado Henrique Eduardo Alves, que emitiu parecer
pela aprovação da matéria nos termos do substitutivo
adotado pela Comissão de Ciência e Tecnologia.
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Nova Central, 21 de novembro de 2006
Ministério Público
tem pouca estrutura para investigar violações dos
direitos trabalhistas
A falta de servidores é o principal problema enfrentado atualmente pelo
Ministério Público do Trabalho para executar suas atribuições,
que vão desde de investigações relacionadas à discriminação
no mercado de trabalho e ocorrência de utilização de mão-de-obra
infantil e trabalho escravo. Hoje, a média nacional é de 2,5
servidores para cada procurador. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o índice é ainda
menor, ficando em 1,7 por procurador.
Os dados constam no Diagnóstico Ministério Público do
Trabalho, divulgado em Brasília. O estudo reúne um conjunto de
informações sobre diversos aspectos da instituição
como distribuição de procuradores por estado, salários
e orçamento e despesas do órgão. Essa á a primeira
vez que é feito um levantamento sobre o Ministério Público
do Trabalho. O documento foi elaborado pela Secretaria de Reforma Judiciária
com o Apoio das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e
da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANTP).
Para o vice-procurador-geral do Trabalho, Otavio Lopes, a instituição
tem capacidade de oferecer mais serviços à população.
Contudo, o número reduzido de servidores impede esse crescimento. Segundo
ele, entre os quatro órgãos do Ministério Público
da União, o Ministério Público do Trabalho é o
que tem o maior déficit de servidores.
De acordo com Lopes, a tendência para os próximos anos é diminuir
ainda mais o número de servidores. O vice-procurador-geral explicou
que existe uma lei que cria maior número de cargos para procuradores
até 2008 e o aumento de servidores não será proporcional
a esse crescimento.
" A conseqüência é que o procurador, muitas vezes, quer
atuar, realizar um trabalho mais não tem estrutura. Não tem o serviço
de apoio para agilizar o trabalho", afirmou. "Até a realização
de uma audiência nós hoje temos dificuldades. Ao mesmo tempo que
o procurador está fazendo uma pergunta ele também está digitando
a ata de audiência", exemplificou Lopes.
Conforme o diagnóstico, o Ministério Público do Trabalho
possui 645 cargos de membros, dos quais 516 estão ocupados por 365 procuradores
do trabalho, 127 procuradores regionais e 24 subprocuradores-gerais. Dentre
as procuradorias regionais, apenas a da 14ª Região, que abrange
os estados de Rondônia e Acre, possuiu todos os cargos preenchidos. Em
relação aos salários, o levantamento mostra que houve
um aumento equivalente a 97% no período entre 2001 e 2005. Em 2001,
o vencimento médio de um procurador era de R4 10.288, valor que em 2005
chegou a mais de R$ 21 mil.
Ainda segundo o estudo, as mulheres são maioria no Ministério
Público do Trabalho. Elas correspondem a 54,4% e os homens a 45,6%.
Mas considerando o cargo de procurador, os homens têm presença
maior, com 50,4% enquanto as mulheres chegam a 49,6%. Em relação
a raça, o maior número de membros é da cor branca (83,6%),
pardos (12,3%), negros (2,1%), amarelos (1,4) e descendentes de índio
(1%).
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Folha de São Paulo,
21 de novembro de 2006
MINISTÉRIO PÚBLICO
Estudo vê falta de procuradores
do Trabalho
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério Público do
Trabalho aparece, em um diagnóstico inédito, como uma instituição
com pouco dinheiro e poucos funcionários. Pesquisa realizada pelo
Ministério da Justiça com apoio das Nações
Unidas mostra que há hoje 0,28 procurador do trabalho para cada
100 mil habitantes -a proporção de juízes do trabalho é de
1,45 magistrado para 100 mil habitantes. O diagnóstico aponta
um déficit de 2,58 servidores para cada procurador. Em 2005, dos
R$ 452,2 milhões de recursos, 83,1% foram destinados aos gastos
com pessoal e 2,3% em informática. Das 24 Procuradorias Regionais
do Trabalho no país, dez têm mais de 20% das vagas ainda
não preenchidas -a média nacional é de 80% de vagas
ocupadas.
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Congresso em Foco, 21 de
novembro de 2006
Tales Faria: Já vi esse filme!
"Tem cheiro de que vai dar errado"
Lula pode se dar mal ao deixar o ministério
para depois e empurrar os aliados com a barriga, analisa Tales Faria.
O presidente Lula disse que quer saber
primeiro com quem conta no Congresso - ou seja, qual a sua base parlamentar
- para depois definir seu novo ministério. Alguém precisa
dizer urgentemente ao presidente que a base que ele tem é exatamente
a mesma base que tinha pouco antes das eleições: uma porcaria
de base, que não serve para nada!
Lula tem hoje um pedaço do PMDB,
nacos maiores dos pequenos partidos de esquerda e pequenos pedaços
dos partidos médios, como PP, PTB etc. Além de uma oposição
renhida do PFL e do PSDB. Foi essa base que levou o presidente a chegar às
eleições em meio a uma tremenda crise. O eleitorado não
se deixou levar pela onda de denúncias porque, no frigir dos ovos,
a economia foi bem.
Sei lá. Começo a desconfiar
de que o presidente se embriagou com seus 58 milhões de votos
e volto a dizer o que já havia dito em outro artigo aqui neste
site: ele venceu as eleições, mas o eleitorado quer que
mude sua forma de agir. E Lula não está parecendo disposto
a mudar. Essa história de deixar o ministério para depois,
cozinhar os aliados e prometer pagar depois que receber é conversa
para boi dormir. Quando Lula chegou ao poder, no início do primeiro
mandato, ainda deu para convencer alguns parlamentares com isso. Depois,
não mais.
Lula não cumpriu as promessas de
cargos e benesses àqueles que votassem com o governo. Foi deixando
de cumprir, deixando de cumprir e perdendo votos no Congresso, continuou
prometendo e não cumprindo até que perdeu a credibilidade.
No final, não teve o PMDB, ficou com uma série de nacos
fisiológicos de várias legendas sustentadas pelo tal do
mensalão.
Até que um de seus aliados, chamado
Roberto Jefferson - a quem fora prometido o paraíso -, achou que
também estava sendo enrolado e resolveu virar a mesa. Quando se
levantou o tapete da base governista, só se encontrou lixo, severinos
cavalcantis, marcos valérios, luizinhos, zezinhos, joões
paulos...
Será que é preciso recontar
essa história toda ao presidente? Ele vai continuar achando que
dá para governar mais quatro anos enrolando, empurrando a base
com a barriga? Ali no Congresso, costuma-se dizer que os ingênuos
ficaram para as últimas suplências. Não tem um bobo!
A turma sabe que Lula sai das eleições de bem com a opinião
pública. Ele fala grosso e a turma não bate de frente.
Espera as votações.
No início, a tal base de espertos
deixa aprovar algumas coisinhas, depois muda um projeto um pouquinho,
muda outro um pouco mais, e recusa a aprovação de outro
adiante. Até o governante aprender que tem que negociar. É o
jogo do estica-e-puxa. Fizeram isso com Lula no primeiro mandato. Ele
acabou deixando que sujassem sua biografia e lhe tirassem do governo
seus maiores amigos.
O presidente veio para o segundo mandato
com 58 milhões de votos, mas agora, sem seus maiores amigos e
com menos PT do que já teve um dia, está menos protegido.
Acenou que aprendera a lição e que começaria o segundo
mandato sem o jogo do estica-e-puxa, mas sim jogando limpo e às
claras com sua base parlamentar. Agora voltou a agir como no passado.
Sei não, isso tem cheiro de que vai dar errado... * Tales Faria
dirige, em Brasília, as sucursais do Jornal do Brasil e da Gazeta
Mercantil. Antes, foi diretor da revista IstoÉ e repórter
especial de política de O Globo e da Folha de S. Paulo, também
em Brasília, e dirigiu a sucursal da Folha no Rio de Janeiro.
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Folha
de São Paulo, 21 de novembro de 2006
Governo já reduz previsão
para o mínimo em 2007
Com crescimento baixo, proposta no Orçamento
cai de R$ 375 para R$ 367 | Valor final ainda será negociado no
Congresso e com centrais sindicais, que querem R$ 420; redução
economizaria R$ 1 bilhão
LEANDRA PERES, CLÁUDIA
DIANNI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O baixo crescimento da economia levou
o governo a reduzir a previsão do valor do salário mínimo
no ano que vem, de R$ 375 para R$ 367. É a primeira vez que
o governo, em vez de elevar o mínimo, propõe um corte
em relação à proposta de Orçamento enviada
ao Congresso Nacional. Com isso, o governo espera economizar R$ 1 bilhão
para outros gastos. De acordo com o ministro Paulo Bernardo (Planejamento),
o governo não está propondo reduzir o valor do salário
mínimo, apenas aplicando a regra de correção fixada
na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
"É uma imposição
da LDO [proposta ao Congresso e ainda não aprovada]. Nós
temos de reajustar pela inflação e pelo crescimento da
economia, e o dado efetivamente dá um salário mínimo
de R$ 367 para 2007", disse Bernardo. O governo, que previa expansão
do PIB neste ano de 4,5%, reduziu a estimativa para 3,7%. Questionado
se o novo valor era a proposta do governo, Bernardo: "Nossa proposta é que
seja cumprida a LDO". A justificativa técnica do ministro,
no entanto, não significa que a previsão do mínimo
para 2007 (está hoje em R$ 350) será mesmo efetivada.
O governo terá que negociar a aprovação do novo
valor num momento em que sua base de apoio no Congresso está desarrumada.
As centrais sindicais dizem que vão
lutar por um salário mínimo de R$ 420. As dificuldades
já começaram com o próprio relator do Orçamento.
O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) disse que manterá em seu relatório
um mínimo de R$ 375 e também quer corrigir a tabela do
IR. "Mesmo que tenha tido um novo parâmetro de R$ 375 para
R$ 367, eu ainda devo manter no meu relatório, se não
tiver nenhuma outra forma de aumentar além dos R$ 375, pelo
menos, esse valor. Espero convencê-los a corrigir a tabela do
IR, no mínimo, pela inflação."
A proposta do governo de um mínimo
mais baixo que o enviado originalmente para o Congresso foi apresentada
ontem em reunião dos ministros Bernardo e Guido Mantega (Fazenda)
com Raupp. De acordo com o projeto de LDO, que ainda não foi
sequer aprovado pelos parlamentares, o reajuste anual do mínimo
deve equivaler à soma da inflação e do crescimento
per capita do PIB no ano anterior. Como neste ano tanto a inflação
quanto o crescimento da economia devem ficar abaixo do projetado, o
valor do mínimo previsto para 2007 terá que ser reduzido.
Ganho real
Bernardo insistiu em que haverá, "como
em todos os anos anteriores", ganho real no mínimo. Neste
ano, a correção real foi de 13%. Se prevalecer a proposta
do Executivo, o ganho acima da inflação será de
2,27%. O único acordo entre o governo e o relator do Orçamento
foi sobre as medidas de cortes de impostos que a equipe econômica
está preparando para apresentar a Lula ainda nesta semana. Raupp
vai aguardar o anúncio do pacote do governo e incorporar as
desonerações ao projeto de Orçamento de 2007.
Apesar de tanto o governo quanto o relator
insistirem em que o projeto pode ser votado ainda neste ano, as chances
são pequenas. Mantega disse a Raupp que o pacote fiscal e de
redução de tributos deve ficar pronto em duas semanas.
Com isso, a discussão do Orçamento fica adiada para dezembro.
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Folha de São Paulo,
21 de novembro de 2006
Pacote deverá incentivar habitação
e saneamento
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de levar um puxão de orelha
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por apresentar um pacote "tímido" para
o crescimento da economia, o ministro Guido Mantega (Fazenda) decidiu
incluir os setores de habitação e de saneamento entre os
que serão estimulados pelo pacote de cortes de gastos e incentivos
ao investimento.
Entre as medidas em estudo está a criação de um fundo
de investimento cuja captação é direcionada para financiar
obras de habitação e de saneamento. A proposta, apresentada pela
Abdid (Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias
de Base), prevê a isenção do Imposto de Renda para quem
comprar cotas desses fundos.
Outra alternativa é a criação
de um fundo de investimento composto por 80% dos recursos do patrimônio
líquido do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
para financiar projetos de infra-estrutura de modo geral. Mantega não
deu detalhes das medidas em estudo, mas disse que a proposta sobre os
fundos de investimento está praticamente decidida. Ele não
falou em oferecer isenção, mas disse que o governo pretende
reduzir o IR e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido) nas operações. "Já encampei
a proposta. O presidente também gosta da proposta. Esta será uma
das medidas que serão implementadas", disse Mantega.
Grande potencial
Para o ministro, os fundos têm potencial
muito grande para financiar a infra-estrutura porque, com a queda da
taxa de juros fixada pelo Banco Central, os investidores vão procurar
alternativas mais rentáveis para aplicar seus recursos. A redução
da tributação faria desses fundos um investimento ainda
mais atraente. Segundo a Folha apurou, as medidas na área de saneamento
passam por mudanças nos limites estabelecidos pelo CMN (Conselho
Monetário Nacional) para que os bancos possam investir nesse setor.
A idéia é flexibilizar as
exigências para que as prefeituras e os governos estaduais possam
obter empréstimos para financiar obras de água e esgoto.
O governo, porém, não pretende mudar a LRF (Lei de Responsabilidade
Fiscal) para viabilizar essas operações. Mantega teve ontem
reuniões com os ministros Nelson Machado (Previdência),
Luiz Marinho (Trabalho) e Márcio Fortes (Cidades) discutindo a
nova versão do pacote de estímulo à economia que
será apresentada ao presidente Lula amanhã.
Segundo ele, a ousadia exigida pelo presidente
já tomou a forma de novas medidas de desoneração,
mas fez questão e acrescentar que o governo não abrirá mão
da responsabilidade fiscal para fazer cortes nos impostos.
Ousadia "casada"
"Não dá para ter ousadia
só na renúncia fiscal, pois você desequilibra as
contas públicas. Esse é o problema. A ousadia tem de estar "casada" com
outras medidas [de redução de gastos] de modo que o equilíbrio
se mantenha", explicou Mantega. "O presidente Lula já deu
sua aprovação para criar o fundo de investimento com recursos
do patrimônio líquido do FGTS, e também já temos
o aval do conselho curador do FGTS", disse Marinho.
Segundo ele, falta o presidente
decidir se a proposta terá forma de projeto de lei ou de medida
provisória. O patrimônio líquido do FGTS é de
R$ 20 bilhões. De acordo com Fortes, o valor inicial do fundo
deve ser de R$ 5 bilhões e pode crescer até alcançar
o teto de 80%, ou seja, R$ 16 bilhões. Fortes quer que os projetos
de saneamento tenham prioridade.
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Folha de São Paulo,
21 de novembro de 2006
TRABALHO
PDV da Volks tem adesão de 1.060
pessoas
DO "AGORA"
O PDV (Plano de Demissões Voluntárias)
da Volkswagen aberto na unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo,
recebeu a inscrição de 1.060 funcionários até ontem,
segundo a comissão de fábrica. No entanto, a montadora
e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC não confirmam o número.
Ainda são necessárias 240 adesões para que seja
alcançada a meta de dispensa de 1.300 até hoje, fim da
primeira etapa do acordo feito entre o sindicato e a montadora. Quem
aderir ao PDV até as 17h de hoje deve receber 1,4 salário
por ano trabalhado. Ao todo, a Volks espera demitir 3.600 dos 12,4 mil
funcionários até dezembro de 2008. (CINTHIA FANIN)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21 de
novembro de 2006 | Brasil
PREVIDÊNCIA-Guido Mantega discute
formas para acertar as contas
Idade da aposentadoria poderá ser
discutida
Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem
que a prioridade para as melhorias das contas da Previdência será discutir
o programa apresentado pelo empresário Jorge Gerdau ao presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e elaborado pelo consultor Vicente Falconi. Pela
proposta, Falconi apresenta uma série de medidas de gestão que,
segundo ele, permitirão a redução das despesas da Previdência
em R$ 50 bilhões no período de 3 a 4 anos. Questionado se o governo
estaria aberto a discutir mudanças na idade mínima para acesso à aposentadoria,
o ministro disse que está aberto a discutir tudo, mas acrescentou: “Não
sei se essa é a prioridade”.
Mantega reuniu-se ontem com o ministro
da Previdência, Nelson Machado, para começar a discutir
medidas que permitam equilíbrio nas contas da Previdência.
Entre as medidas, Mantega citou as propostas apresentadas por Falconi. “Se
elas são eficazes, será a descoberta da América”,
brincou Mantega, acrescentando depois: “O que queremos é que
essa despesa tenha sustentabilidade”, referindo-se às despesas
da Previdência.
Ao final do encontro, Machado evitou fazer declarações sobre
as medidas em estudo. “A questão da melhora da gestão ainda
está sendo analisada”, resumiu o ministro, que saiu apressadamente
do ministério acompanhado do Secretário de Previdência
Social, Helmut Schwarzer.
O ministro também explicou que
o objetivo das medidas de gestão das contas da Previdência
Social é o de dar sustentabilidade às despesas. “Até para
garantir que o aposentado possa receber sua aposentadoria no futuro”,
explicou. Ele afirmou que o equilíbrio das contas públicas
não será afetado pelas medidas que estão sendo preparadas,
por determinação do presidente Lula.
Mantega contou que, na sexta-feira
passada, dia 17, viajou com o presidente Lula e o empresário
Jorge Gerdau, quando discutiram a proposta de Falconi. O ministro disse
que pelo menos uma parte das medidas deverá ser adotada pelo
governo. Mantega elogiou Falconi e disse que ele é “respeitado
como especialista em reengenharia de gestão”.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21 de
novembro de 2006 | Brasil
CONGRESSO
Reajuste dos aposentados está na
pauta
Brasília – O feriado da semana passada esvaziou o Congresso Nacional
e adiou para esta semana as votações das medidas provisórias
(MPs) que trancam as pautas da Câmara e do Senado. Na Câmara, os
governistas têm a missão de tentar aprovar a medida provisória
316 – que concede reajuste de 5,01% aos aposentados e pensionistas do
INSS que recebem mais de um salário mínimo. O problema é que
a oposição ameaça aprovar um destaque à MP que
aumenta o reajuste para 16,67%. Além da MP dos aposentados, outras sete
medidas provisórias trancam a pauta de votações da Câmara.
Os governistas querem liberar a pauta para que a Câmara possa votar,
em segundo turno, a lei geral das micro e pequenas empresas – aprovada
esta semana pelo Senado Federal. Também esperam por votação
na Câmara a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do voto aberto e
a regulamentação do Fundeb.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21 de
novembro de 2006 | Economia
PESQUISA
Previsão para a inflação
sobe
Brasília – O mercado financeiro aumentou, segundo pesquisa divulgada
ontem pelo Banco Central (BC), suas projeções para a inflação,
ao mesmo tempo em que diminuiu a previsão para o Produto Interno Bruto
(PIB) de 2006.
As projeções para
o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a
inflação oficial do país – para 2006 subiram
de 3,05% para 3,08%, a quarta elevação consecutiva. Para
o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a previsão do
mercado foi reduzida de 2,97% para 2,95%. Com a nova redução,
as estimativas de expansão do PIB ficaram ainda mais abaixo
dos 3,5% projetados pelo Banco Central. As estimativas de aumento da
produção industrial em 2006, em contrapartida, subiram
de 3,12% para 3,16%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21 de
novembro de 2006 | Economia
BALANÇA COMERCIAL
Superávit chega a
R$ 40 bilhões
Brasília – O saldo da balança comercial está próximo
dos US$ 40 bilhões. No acumulado do ano até a terceira semana
de novembro, o superávit comercial – saldo positivo entre exportações
e importações – estava em US$ 39,875 bilhões, crescimento
de 2,1% sobre o mesmo período do ano passado (US$ 39,057 bilhões).
As vendas de produtos ao exterior
acumulam uma alta de 16,2%. Já as compras de produtos importados
têm aumento de 24,8%. A previsão do governo é de
um saldo comercial de US$$ 44 bilhões neste ano.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21 de
novembro de 2006 | Economia
INDÚSTRIA-Empresários fecham
negócios durante congresso em Curitiba
Setor madeireiro busca meios
para fugir da crise
Yukio Tsuzuki e Yasuhiro Tsumoto desembarcaram em Curitiba nesta semana para
comprar piso de madeira. Se tudo der certo, devem fechar acordo para o envio
de 10 mil metros cúbicos de compensado por mês. Para conhecer
várias empresas de uma vez só, eles vieram durante o 3.º Congresso
Internacional de Produtos de Madeira Sólida de Florestas Plantadas,
aberto ontem pela Associação Brasileira da Indústria de
Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), que tem sede na capital.
A japonesa Toyo Tex, empresa para a qual
a dupla trabalha, acaba de romper o contrato com fornecedores da Malásia
e Indonésia. Naqueles países, que somam junto com a China
cerca de 40% do comércio mundial de compensados, a Toyo Tex enfrentou
fortes barreiras ambientais de organizações contrárias
ao comércio de madeira tropical. Um sinal de que o Brasil, que
respondia em 2004 por 9% do fornecimento de compensados, pode expandir
as vendas externas mesmo em meio a uma das piores crises de rentabilidade
por que passa a indústria nacional.
Com o real valorizado desde 2004, o setor de madeira processada perdeu metade
da receita. Durante quase dois anos, os contratos foram valendo cada vez menos
em reais, e o custo de produção deixou de compensar a exportação.
Ainda no ano passado, a serraria Battistella, de Rio Negrinho (Sul do estado),
praticamente parou a produção dos compensados que exportava para
a Europa.
O Paraná deve fechar 2006 com queda
de 30% na produção, de acordo com o presidente da Abimci,
Luiz Barros. A crise de rentabilidade foi agravada pela retração
no mercado imobiliário dos Estados Unidos, que era um comprador
importante.
“Vamos discutir alternativas”,
diz Barros. Uma delas é investir em produtos de mais valor, com
acabamento melhor, e em novas tecnologias, como na manufatura de móveis
e compensados de eucalipto – o produto buscado pela Toyo Tex.
Outro problema é que espécies
nativas, como paricá e teca, começam a ser plantadas no
Norte do país. “É possível que empresas paranaenses
transfiram investimentos para lá”, diz Barros.
Os produtores também colocam em
discussão a demanda por uma política governamental mais
favorável. “Além de mais financiamentos de longo
prazo – o pinus leva 20 anos para crescer – queremos menos
pressão ambiental.” Segundo Barros, o governo ainda não
entendeu o potencial que o país tem no mercado de madeira.
O pedido pela política governamental
poderia ter sido feito pessoalmente, mas o diretor do Programa Nacional
de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, que deveria abrir
o congresso, não chegou a Curitiba. Antônio Carlos do
Prado não pôde embarcar por conta dos atrasos nos aeroportos.
Helena Carnieri
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FOLHA WEB / RORAIMA, 21 de
novembro de 2006
RR/Setor Elétrico: Trabalhadores
ameaçam entrar em greve
Os trabalhadores da Eletronorte e Boa
Vista Energia aprovaram um indicativo de greve por tempo indeterminado
para o dia 27 de novembro. A greve seria contra a alteração
do texto dos seis itens das cláusulas do Acordo Coletivo 2006/2007.
Uma paralisação de 24 horas ocorreu na terça-feira,
14. Na noite de ontem, os trabalhadores se reuniram no Sindicato dos
Urbanitários e decidiram pelo indicativo de greve.
O presidente do sindicato, João
do Povo, explicou que a greve será votada no dia 27, na próxima
assembléia. “Se as cláusulas alteradas não
se adequarem com aquilo que estamos pleiteando, a partir do dia 27 entraremos
em greve, por tempo indeterminado. A decisão será após
uma assembléia entre os trabalhadores”, disse ao confirmar
que segue para Brasília, no dia 23, para tomar conhecimento das
negociações.
Além de Roraima, a greve deve ocorrer
em âmbito nacional de forma simultânea em toda região
Norte, Maranhão, Mato Grosso e Brasília. João do
Povo ressaltou a necessidade de mais informações sobre
as negociações para os trabalhadores terem mais conhecimento
do que está ocorrendo em Brasília. “Retorno no dia
24 e trarei todas as informações, e daí serão
mediadas as informações para decidirmos em assembléia
a greve geral, por tendo indeterminado”.
Entre os seis itens do texto das cláusulas
a serem corrigidas estão: hora extra, gratificação
de férias, auxílio alimentação, implantação
do Sistema de Carreira por Habilidade e Competência, rescisão
contratual e data base de vigência. O acordo foi assinado em agosto
e o texto original não foi respeitado.
“As negociações tiveram
poucos avanços, principalmente na disparidade entre novatos e
antigos. Porém, em alguns detalhes tivemos êxito e houve
mudanças, mas ainda não está com o que almejamos”,
comentou ao destacar que um dos pontos mais polêmicos ficou no
item do reajuste salarial e disparidade entre antigos e novatos. “Os
novatos ganham um percentual inferior aos antigos. Isso, para nós,
não é bom, porque a nossa base em Boa Vista é composta
na sua maioria por novatos”, destacou.
“Hoje todos os trabalhadores estão
optando por fazer greve, se por ventura as coisas não ficarem
devidamente como esperemos”, declarou. A possível greve
deve trazer prejuízo aos consumidores, caso o corpo técnico
da Eletronorte e Boa Vista Energia paralisem.
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JORNAL O ESTADO DO MARANHÃO,
21 de novembro de 2006 | Geral
Maranhão lidera trabalho escravo
no país
Dados do Ministério do desenvolvimento
revelam que o estado está à frente no ranking de
exportação de mão-de-obra escrava
Dados do Ministério do Desenvolvimento
Agrário (MDA) assinalam que 40% dos trabalhadores escravizados
no Brasil são maranhenses. No país, ainda existem 25 mil
trabalhadores em regime de trabalho escravo. O Maranhão lidera
o ranking nacional de exportação de mão-de-obra
escrava. Esses números foram apresentados ontem pelo consultor
jurídico do MDA, Carlos Henrique Kaipper, na abertura do seminário “Trabalho
Escravo – Vamos abolir esta vergonha”, no auditório
do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-16ª Região).
Além de ser o primeiro da lista
na exportação de mão-de-obra escrava, o Maranhão
ainda aparece com 10% dos fazendeiros escravagistas no país, na
chamada “Lista Suja”. A lista formulada pelo Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE) apresenta o nome de empregadores explorando
mão-de-obra escrava em propriedades rurais.
“Nós temos um plano específico
para a erradicação do trabalho escravo no país e
o Maranhão está no plano desde o princípio. No seminário,
faremos um diagnóstico das ações, pois a incidência
desse tipo de crime no estado ainda é significativa, e queremos
acabar com essa situação de uma vez por todas”, declarou
Kaipper.
Trabalhadores
Nos últimos quatros anos, 1.300
trabalhadores em condições análogas ao trabalho
escravo foram libertados no estado. De acordo com Carlos Henrique Kaipper,
os trabalhadores foram resgatados em propriedades com atividade na pecuária,
na cultura da soja e nas carvoarias.
“No Maranhão, nós
encontramos essas três situações. O trabalhador estava
na pecuária, nas fazendas de soja ou nas carvoarias. A situação
do Maranhão é complicada, pois, além de fornecer
a mão-de-obra, também passou a se utilizar da mão-de-obra
escrava, e as novas fronteiras agrícolas são propícias
para esse tipo de crime”, afirmou Kaipper.
Tocantins. Metade dos trabalhadores que
são aliciados no estado vai trabalhar na pecurária. Já os
piauienses são os que mais vêm para as propriedades escravagistas
no estado. O vizinho Piauí é o segundo estado exportador
de mão-de-obra para o trabalho escravo.
“Três fatores são responsáveis
por essa situação: pobreza, a ganância dos escravagistas
e a impunidade. Isso faz com que os trabalhadores nesses estados estejam
muito vulneráveis”, disse Kaipper.
O superintendente regional do Incra, Raimundo
Monteiro, afirmou que é necessário começar a expropriar
e confiscar as terras onde for flagrada a exploração de
mão-de-obra escrava.
“A exemplo do que já ocorre
com as terras onde a plantação de culturas usadas como
drogas, é preciso desapropriar e confiscar essas terras onde é flagrada
a utilização da mão-de-obra escrava. O Incra está trabalhando
para que possamos desapropriar essas terras para fins de reforma agrária”,
disse Monteiro.
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AGÊNCIA BRASIL, 21
de novembro de 2006
OIT aponta aumento na contribuição
previdenciária de trabalhadores negros
Roberta Lopes
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Pesquisa da Organização
Internacional do Trabalho sobre Trabalho Decente e Desigualdade Racial
no Brasil, divulgada hoje (17), apontou que a contribuição
previdenciária de mulheres e homens negros em 2005 foi praticamente
igual, em torno de 43%, no período de 1992 a 2005. Mulheres e
homens brancos pagaram 57,9% e 57,5%, respectivamente.
Entre as mulheres negras, a contribuição
para a Previdência cresceu 27,6% e entre os homens, 16,4%. No caso
dos trabalhadores brancos, o crescimento foi de 11,4% para as mulheres
e de 2,61% para os homens.
Sobre a presença de crianças
e adolescentes no mercado de trabalho, os dados apontam que houve redução
na faixa etária de 10 a 13 anos, de 63% para meninos brancos e
negros, de 66,4% para as meninas negras, e de 67,3% para as meninas brancas.
Na faixa etária de 14 a 15 anos
também houve redução. Para os meninos negros, de
55,3% no período de 1992 a 2005. Apesar disso, a presença
deles é maior no mercado de trabalho em relação
aos meninos brancos. Já para as meninas negras, a redução
foi de 54,1%, mas houve um pequeno aumento na presença delas no
mercado de trabalho: de 10,2% em 2005 para 11% em 2006. Para as meninas
brancas, a redução no período 1992 a 2005 foi de
57%.
O relatório da OIT se baseou nos
dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2004),
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e da
Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O estudo avalia a evolução
do emprego no mercado de trabalho e os resultados obtidos com as políticas
públicas de conscientização da sociedade e de inclusão
social.
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de novembro de 2006
Natureza jurídica
TST decide se Correios podem demitir
sem justa causa
O Pleno do Tribunal Superior do Trabalho
discute se funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
podem ou não demitir sem justa causa seus funcionários.
O tema foi encaminhado ao Pleno pela Seção Especializada
em Dissídios Individuais – 1 do TST durante exame de uma
ação em que a maioria dos integrantes do órgão
julgador concluíram que os Correios não poderiam promover
a dispensa imotivada de seus empregados. Este entendimento vai contra à jurisprudência
consolidada pela corte.
A partir da natureza jurídica dos órgãos
públicos e da legislação em vigor, o TST estabeleceu
a Súmula 390 (item I). A dispositivo diz que o servidor celetista
da administração direta, autarquias e fundações
detém a estabilidade prevista no artigo 41 da Constituição
Federal. O dispositivo constitucional prevê que “são
estáveis, após três anos de efetivo exercício,
os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de
concurso público”.
Por outro lado, o item II da mesma súmula
afirma que essa estabilidade não se estende aos empregados de
empresa pública ou sociedade de economia mista, ainda que aprovados
em concurso público. Posicionamento no mesmo sentido está firmado
na Orientação Jurisprudencial 247 da SDI-1, que expressa
a possibilidade de dispensa imotivada do servidor celetista de empresa
pública ou sociedade de economia mista.
Como a natureza jurídica dos Correios é a
de empresa pública, a solução encontrada para os
dissídios entre os seus empregados tem sido, até o momento,
a de reconhecer a possibilidade da dispensa imotivada dos trabalhadores.
O entendimento, contudo, passou a ser questionado por diversos ministros
do TST desde que o Supremo Tribunal Federal definiu o perfil jurídico
da empresa.
Segundo os julgamentos do Supremo, a empresa
detém privilégios processuais além dos que gozam
outras empresas públicas. Apoiado no Decreto-Lei 509/1969, o STF
reconheceu aos Correios imunidade tributária, impenhorabilidade
de seus bens, rendas e serviços, além de privilégios
de foro, prazos e custas processuais, comuns à Fazenda Pública.
O pagamento dos débitos, inclusive os de natureza trabalhista,
deve ocorrer por meio de precatórios.
O reconhecimento das prerrogativas dos
Correios provocou questionamentos no TST, onde diversos ministros têm
se pronunciado sobre a situação peculiar que envolve a
empresa. A análise do tema aponta para um órgão
que possui todos os privilégios de um “ente público
da administração direta” sem os ônus correspondentes
a essa condição. Por outro lado, tal qual uma empresa privada,
pode demitir o trabalhador sem justificativa.
O aspecto trabalhista da questão
já levou integrantes do TST a afirmar que, após a sinalização
do Supremo, os Correios não pode mais ser encarado como empresa
pública, pois teria adquirido natureza de autarquia. Nessa condição,
as demissões dos empregados dependeriam de motivação.
A definição sobre o assunto, ou seja, se a jurisprudência
do TST em relação às empresas públicas deve
ser aplicada aos Correios, caberá ao Pleno do Tribunal.
E-ED-RR 1138/2003-041-03-00.6
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
21/11/2006
JT nega danos morais a aposentado que abriu
mão do plano de saúde
A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, acompanhando o voto da ministra Maria Cristina Peduzzi,
manteve a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região
(Santa Catarina) que negou o pedido de indenização por
danos morais a empregado aposentado da Multibrás S/A Eletrodomésticos
que recebeu dinheiro em troca de seu plano de saúde.
O empregado foi admitido pela Multibrás
em 27 de agosto de 1964, como servente. Em 13 de junho de 2001, aposentou-se,
quando na condição de auditor de qualidade, ou seja, após
36 anos de serviços prestados à mesma empresa.
Segundo o autor da ação,
ao se desligar da empresa, por aposentadoria, entrou para o “Clube
dos Veteranos”, uma congregação que reúne
ex-funcionários da Multibrás com mais de 20 anos de serviço.
Disse que tal clube oferecia aos seus associados o direito à assistência
médica, extensiva aos dependentes, subsídios para medicamentos,
assistência odontológica e seguro de vida, dentre outros.
Em fevereiro de 2003, conforme relata
o aposentado, a empresa suprimiu os benefícios, oferecendo em
contrapartida um valor em dinheiro que não era suficiente para
continuar a custear um plano de saúde. Em janeiro de 2004, ele
ajuizou reclamação trabalhista postulando o restabelecimento
dos benefícios além de indenização por danos
materiais e morais.
A empresa, em contestação,
alegou que o custeio do plano de saúde e do seguro de vida, bem
como as demais vantagens oferecidas pelo Clube dos Veteranos, eram doações
e, como tais, não tinham caráter obrigacional. Disse que
poderia simplesmente tê-las suspendido, de forma unilateral, porém
não o fez. Ao contrário, ofereceu alternativas: opção
por novo plano de saúde, (um pouco mais barato), ou o pagamento
de R$ 5 mil para o empregado e mais R$ 5 mil para o cônjuge, como
forma de ressarcimento pela suspensão dos benefícios. Segundo
a empresa, o aposentado optou por receber os R$ 10 mil.
O juiz da Vara do Trabalho julgou procedentes
os pedidos, condenando a empresa a restabelecer os benefícios
e a pagar ao autor da ação R$ 10 mil a título de
indenização por danos morais.
Insatisfeita, a empresa recorreu da decisão.
O TRT/SC reformou a sentença, considerando improcedentes os pedidos
do autor da ação. Segundo o TRT/SC, o empregado aceitou
a proposta da empresa e recebeu os R$ 10 mil oferecidos, abrindo mão
do plano de saúde ofertado em substituição àquele
que vinha recebendo. Considerou que não ficou evidenciado o ato
culposo ou doloso que justificasse a condenação imposta à empresa.
O aposentado recorreu ao TST. A
ministra Maria Cristina Peduzzi, relatora do processo, manteve a decisão
do TRT/SC. Segundo ela, analisando as provas dos autos, o Tribunal
concluiu pela não configuração do dano moral e
pela validade da transação entabulada, mediante a qual
o aposentado manifestou interesse em receber recompensa pecuniária,
abrindo mão, em contrapartida, do plano de saúde. “Eventual
modificação do julgado implicaria o revolvimento de fatos
e provas, o que é vedado em sede recursal extraordinária,
nos termos da Súmula nº 126/TST”, destacou o acórdão.
(RR-179/2004-030-12-00.3)
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21/11/2006
Responsabilidade subsidiária abrange
multa do artigo 477 da CLT
A responsabilidade subsidiária
do tomador de serviços pelos débitos trabalhistas também
se estende ao pagamento da multa do artigo 477, parágrafo 8º,
da CLT, devida ao trabalhador quando há atraso na quitação
das verbas rescisórias. Essa possibilidade foi reconhecida pela
Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho durante exame e concessão
de recurso de revista a uma trabalhadora paranaense, conforme voto do
ministro Renato de Lacerda Paiva (relator). A decisão do TST reconheceu
a responsabilidade subsidiária do Instituto de Saúde do
Paraná (ISEPR) em relação à multa do artigo
477 e as previstas em acordo coletivo de trabalho.
O julgamento do TST altera pronunciamento
do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná),
que havia negado a extensão dos efeitos da responsabilidade subsidiária à penalidade
pelo atraso no pagamento da rescisão. A responsabilização
do ente público pelos débitos trabalhistas foi assegurada
pelo TRT paranaense, mas não em relação à multa,
que deveria ser encargo exclusivo da prestadora de serviços, no
caso, a Limptec, empresa que forneceu mão-de-obra para serviços
de limpeza e manutenção.
“Uma vez não pagas as verbas
da rescisão, correta a sentença (primeira instância),
no tocante à condenação ao pagamento da multa do
artigo 477 da CLT e das multas normativas”, decidiu o órgão
regional. “Entretanto, a responsabilidade subsidiária não
engloba os valores decorrentes do inadimplemento dos direitos trabalhistas”,
acrescentou o acórdão, ao afastar a possibilidade de pagamento
da multa pelo órgão público.
O recurso da trabalhadora sustentou que
a decisão regional contrariou a previsão do inciso IV da
Súmula 331 do TST. “O inadimplemento das obrigações
trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária
do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações,
inclusive quanto aos órgãos da administração
direta, das autarquias, das fundações públicas,
das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde
que hajam participado da relação processual e constem também
do título executivo judicial”, prevê o item da jurisprudência
do TST.
A contrariedade foi reconhecida durante
a análise do recurso. O ministro Renato Paiva frisou, inicialmente,
o correto reconhecimento da responsabilidade subsidiária do ISEPR
por todos os créditos trabalhistas devidos pela empregadora (Limptec),
conforme a Súmula 331, IV, do TST. Uma vez constatado o descumprimento
das obrigações trabalhistas, ressaltou o relator, imputa-se
ao tomador dos serviços o dever de pagá-las subsidiariamente
pois, ao escolher empresa com saúde financeira deficiente, mesmo
por meio de processo de licitação regular, atuou com culpa
na escolha e fiscalização.
“Ressalte-se que, com isso, não
se atribui a culpa direta ao tomador de serviços, pelo descumprimento
do prazo para o pagamento das verbas rescisórias, mas tão-somente,
a responsabilidade subsidiária por aquela obrigação,
eis que a Súmula nº 331, IV, do TST não restringe
quanto às obrigações a que deve a administração
pública responder subsidiariamente”, explicou Renato Paiva.
Foi lembrado, ainda, que a responsabilidade
da prestadora de serviços (Limptec) persiste no caso, assim como
o direito constitucional do órgão público de buscar,
em outro processo judicial, seu ressarcimento contra a intermediadora
de mão-de-obra. (RR 1926/2002-900-09-00.7)

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