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Agência Câmara,
23 de novembro de 2006
Câmara aprova Supersimples
e envia projeto a sanção
O Plenário da Câmara concluiu
nesta quarta-feira a votação do projeto de lei que
cria o Supersimples após analisar as emendas do Senado ao
Projeto de Lei Complementar 123/04, do deputado Jutahy Júnior
(PSDB-BA). Os deputados acataram, por 323 votos a favor e nenhum
contra, o parecer do relator da matéria na comissão
especial, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-SP). O projeto irá à sanção
presidencial.
O Supersimples é um regime diferenciado
de tributação para as micro e pequenas empresas em relação
aos tributos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos
municípios. Além dos benefícios tributários,
o projeto prevê ainda a adoção de facilidades de
acesso ao crédito, diminuição da burocracia e
preferências nas licitações públicas. Esse
tratamento diferenciado abrange também obrigações
previdenciárias a cargo do empregador.
Poderão recolher o tributo único
as microempresas com receita bruta anual igual ou inferior a R$ 240
mil, assim como as empresas de pequeno porte com receita bruta anual
superior a R$ 240 mil e igual ou inferior a R$ 2,4 milhões.
Entre as emendas aprovadas está a que estabelece o início da
vigência do novo sistema em 1º de julho de 2007 e não mais
em 1º de janeiro do próximo ano. A mudança foi feita a pedido
da Secretaria da Receita Federal e dos fiscos estaduais para que seja possível
a implantação de um sistema específico para o controle
e a fiscalização do novo regime.
O novo imposto será recolhido
com um único documento de arrecadação e valerá como
pagamento dos seguintes tributos: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica
(IRPJ); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
(CSLL); Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição
para os Programas de Integração Social e de Formação
do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep). O ICMS
e o ISS também são abrangidos pelo Simples Nacional,
com algumas exceções. O mesmo ocorre com a contribuição
para a Seguridade Social a cargo da pessoa jurídica, que tem
como exceções 16 tipos de serviços.
Alíquotas
As alíquotas, tanto para as microempresas
quanto para as de pequeno porte, variam de acordo com 20 faixas de
enquadramento da receita bruta em 12 meses e de acordo com o tipo de
empreendimento. Para o comércio, a menor faixa, de receita bruta
até R$ 120 mil, pagará 4% de imposto; a maior faixa,
com receita bruta de um centavo acima de R$ 2,28 milhões a R$
2,4 milhões, pagará 11,61%. No caso da indústria,
as alíquotas variam, nas mesmas faixas, de 4,5% a 12,11%.
Para o setor de serviços, o projeto
institui três tabelas. A primeira, válida para atividades
como creche, pré-escola, agências de turismo ou agências
lotéricas, impõe tributação de 6% a 17,42%.
A segunda tabela, para serviços como produção
cultural e artística, transporte municipal de passageiros e
escolas de línguas, terá alíquotas de 4,5% a 16,85%.
A terceira tabela, destinada a serviços como academias, elaboração
de softwares e escritórios de contabilidade, apresenta alíquotas
diferenciadas segundo a relação proporcional de profissionais
contratados e a receita bruta anual.
As alíquotas podem variar de
4% a 13,5% nas 20 faixas de tributação para as empresas
cujo custo com a folha de salários seja maior ou igual a 40%
da receita. Para as empresas com percentuais menores, há outros
três índices de tributação (14%, 14,5% e
15%), válidos para qualquer faixa. A cada mês, o contribuinte
deverá somar as receitas brutas dos últimos doze meses
e verificar em que faixa se enquadra para pagar o tributo com a alíquota
correspondente.
Se a micro ou pequena empresa ultrapassar,
no ano de início de atividades, o limite de R$ 200 mil de receita
bruta multiplicado pelo número de meses em funcionamento nesse
período, ela será excluída do Simples Nacional,
com efeitos retroativos ao mês de início de suas atividades.
O projeto permite, entretanto, que a retroatividade não seja
aplicada se o excesso de receita não for superior a 20% desse
limite.
Até R$ 36 mil anuais
Para o empresário individual
com receita bruta anual no ano anterior de até R$ 36 mil, o
estatuto concede outros benefícios por dois anos, como contribuir
para a Seguridade Social com alíquota menor (11%), dispensa
de pagamento do salário-educação e do imposto
sindical e dispensa do pagamento de contribuições na
demissão sem justa causa e da contribuição adicional
sobre a remuneração do empregado. O empresário
enquadrado nessa situação também não precisará pagar
as contribuições às entidades privadas de serviço
social (Sistema S).
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Nova Central,
23 de novembro de 2006
49,7% dos trabalhadores da indústria estão acima do peso
e 23,6% sofrem de hipertensão, revela estudo
Pesquisa divulgada hoje pelo Sesi (Serviço Social da Indústria)
afirma que quase a metade dos trabalhadores da indústria (49,7%)
está acima do peso ideal. Os trabalhadores considerados obesos são
13,5%. Além disso, 26,3% sofrem de hipertensão arterial,
7,7% têm colesterol alto e 2,9% são portadores de diabetes.
Os números foram considerados "preocupantes" pela epidemiologista
e coordenadora do Perfil Epidemológico de Fatores de Risco em
Trabalhadores da Indústria, Sandra Fuchs. Ela afirmou, entretanto,
que os números são melhores que nos Estados Unidos, onde
66% dos adultos têm excesso de peso e 31% são obesos. "Mas
o industriário brasileiro está se alimentando mal e engordando",
alertou.
A pesquisa incluiu 4.818 trabalhadores de cinco
Estados (Alagoas, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do
Sul e Tocantins. Conforme
o estudo, 69,1% dos entrevistados comem menos que uma porção
de fruta por dia, 54,2% ingerem menos que uma porção de
verduras, 48,6% consomem menos que uma porção de legumes
e 34,9% bebem menos que um copo de leite por dia. Além disso,
15,8% são fumantes.
A pesquisa servirá de subsídios para os projetos de promoção
da saúde dos empregados da indústria, que devem incentivar
a modificação de hábitos ruins.
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Nova Central, 23 de novembro
de 2006
Varig promove leilão para quitar
dívidas trabalhistas
A Varig planeja organizar na próxima terça-feira no Copacabana
Palace, no Rio de Janeiro, um leilão de suas obras de arte, entre quadros
e esculturas. O objetivo é amortizar sua dívida trabalhista,
atualmente em R$ 500 milhões. O valor estimado com a venda é de
R$ 1,6 milhão. Entre as obras, estão quadros de Di Cavalcanti,
Tomie Ohtake, Rubens Gerchman e Juarez Machado. O acervo completo da Varig
tem cerca de 250 obras que estavam nas salas VIPs de aeroportos de todo o mundo.
Um segundo leilão está marcado para o dia 13 de dezembro, no
Salão Ícaro. Neste evento, pretende-se leiloar o restante das
obras.
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Folha de São Paulo,
23 de novembro de 2006
TENDÊNCIAS/DEBATES
A reforma da Previdência Social
FABIO GIAMBIAGI
O mais espantoso é que não
há nada na proposta de reforma previdenciária que possa
sequer remotamente ser julgado como drástico
NO FILME "Uma verdade inconveniente",
produzido a partir da catequese do ex-vice-presidente dos EUA acerca
dos efeitos de longo prazo da poluição sobre o clima, em
determinado momento, Al Gore diz: "As futuras gerações
um dia se voltarão para nós e nos perguntarão: onde
vocês estavam quando tudo isso acontecia? Por que vocês não
acordaram?".
O paralelo com a nossa Previdência é evidente:
o gasto do INSS era de 2,5% do PIB em 1988, está a caminho de
8% do PIB e o próprio governo, mesmo com hipóteses otimistas,
projeta um agravamento da situação nos próximos
20 anos, conforme explicitado no anexo da LDO de 2006. Afirmar que uma
reforma previdenciária não é importante equivale
a ignorar o aquecimento da Terra. O Brasil está fracassando como
nação. Somos uma espécie de versão cordial
do Iraque. Lá, o futuro está sendo dinamitado na base de
atentados. Aqui, nós estamos comprometendo o Brasil dos nossos
filhos com um drama em três atos.
No primeiro, tivemos uma campanha eleitoral
lamentável, onde nada relevante para o país foi discutido
a sério. No segundo, estamos assistindo a uma disputa pelo poder
na formação do ministério na qual a última
coisa que os aliados discutem são as políticas públicas.
No terceiro, o governo dirá que tem maioria para governar por
quatro anos, mas não para fazer grandes reformas. Assim, a despesa
do INSS em 2010 deverá ser maior que a de 2006, que é maior
que a de 2002, quando foi maior que a de 1994. A Previdência é irmã do
binômio carga tributária alta/investimento baixo, que tem
sido a bola de chumbo presa aos pés da economia nos últimos
dez anos.
O mais espantoso do caso é que
não há nada na proposta de reforma previdenciária
que possa sequer remotamente ser julgado como drástico. A
proposta contempla, basicamente, três elementos:
a) indexação de
todas as aposentadorias ao INPC;
b) adoção de uma
idade mínima de aposentadoria por tempo de contribuição
de 60 anos para os homens e de 55 para as mulheres;
c) redução da diferença
de requisito para aposentadoria entre homens e mulheres de cinco para
dois anos.
A primeira medida é questionada
pelo fato de que implicaria deixar de dar aumentos reais para o piso
previdenciário. O problema é que, nos próximos 25
anos, o número de idosos vai crescer 4% ao ano. Estou entre aqueles
que entendem que, na próxima década, o Brasil poderá crescer
acima de 4%. Entretanto, apostar que, por 25 ou 30 anos, o Brasil terá,
na média, um crescimento maior que 4% ao ano é uma temeridade.
Temos, então, um problema aritmético:
se tanto o PIB como o número de aposentados crescerem 4% ao ano
e, além disso, dois de cada três aposentados -que ganham
o piso- tiverem aumentos reais, como ocorreu nos últimos 12 anos,
a relação entre o gasto do INSS e o PIB deverá continuar
aumentando. A idéia de que haveria uma outra solução
representada pelo ataque às fraudes é ofensiva ao presidente
Lula por uma questão de lógica: esse pode ser um bom argumento
no primeiro ano de governo, mas não no quinto!
A idade mínima proposta, primeiro,
começaria a vigorar só em 2010; segundo, é cinco
anos inferior à que vale para a aposentadoria por idade; terceiro,
corresponde a uma regra muito mais suave do que a que vigora em diversos
países; quarto, já vigora para o funcionalismo público
desde 2003. Em matéria de rigor, é uma proposta benevolente.
Já a redução da diferença de requisito de aposentadoria
entre homens e mulheres também começaria a vigorar daqui a alguns
anos, aproximaria o Brasil da tendência observada em um vasto número
de países e se daria ao longo de 15 anos, mediante a diminuição
da diferença dos atuais cinco anos para dois na base da redução
de um ano a cada cinco anos.
Tenho defendido essas idéias, e
o argumento que sempre escuto é: "Não há condições
políticas". Da mesma forma, no Oriente Médio, também
não há condições para acabar com a guerra.
Qual é o nosso pensamento, entretanto, quando lemos que, todo
dia, as bombas matam 50 ou 100 pessoas no Iraque? É algo como: "Xiitas
e sunitas deveriam se entender de alguma forma".
Agora, pergunto ao leitor: o que o mundo
pode pensar sabendo que, no Brasil, aqueles que se aposentam por tempo
de contribuição o fazem a uma média de 55 anos,
sendo 52 anos para as mulheres -de classe média!-, em um país
em que a falta de recursos já causou um colapso energético,
agora ameaça causar um apagão aéreo e não
há "condições políticas" de mudar
nada? Há algo de errado com nossas políticas (e nossos
políticos). FABIO GIAMBIAGI, 44, mestre em economia pela UFRJ
(Universidade Federal do Rio de Janeiro), é economista do BNDES
e autor do livro "Reforma da Previdência".
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de novembro de 2006 | Brasil
PREVIDÊNCIA-Medidas para melhoria
das contas do INSS estão em estudo
Governo estuda implantar idade
mínima para aposentadoria
Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em meio às
discussões de medidas de melhoria das contas do Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS), avalia não apenas o choque de gestão – proposto
em estudo do consultor Vicente Falconi –, mas também uma mudança
estrutural nas regras: a imposição de idade mínima para
a aposentadoria, tanto para homens como para mulheres.
Os técnicos ainda não encontraram
o consenso nas discussões, mas o nível de resistência à adoção
de uma idade mínima já está menor. A medida seria
implementada de forma gradual, sem sustos para os contribuintes do INSS
e sem estimular uma corrida aos benefícios.
A necessidade de o governo ter de enfrentar, em algum momento, a discussão
de mudanças estruturais na Previdência é considerada até mesmo
no estudo de Falconi, segundo técnicos.
Atualmente, as aposentadorias são
concedidas por tempo de contribuição, que já foi
prolongado, no governo passado, com a adoção do fator previdenciário.
Por meio desse fator, quanto maior tempo o trabalhador se mantiver no
mercado de trabalho maior será o valor de sua aposentadoria. O
limite imposto por Lula é que nenhuma medida prejudique a classe
média e as classes de menor renda, que garantiram sua reeleição.
Nos estudos sobre idade mínima,
está em análise a criação de um mecanismo
de ajuste periódico desse limite à expectativa de vida
da população. A idéia é que esses ajustes
sejam mecanismos de longo prazo – por exemplo, dez anos – e
sempre relacionados ao censo populacional do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, a expectativa de vida
do brasileiro é de 70,8 anos. A discussão do tema no governo,
porém, ainda é preliminar.
Embora o governo tenha uma idéia
de onde quer chegar com o pacote fiscal – conter gastos correntes
e elevar investimentos –, a verdade é que ainda não
se tem clareza sobre que medidas devem ser adotadas. “O presidente
nos informou que pretende anunciar as medidas ainda este ano. Estou imaginando
que o presidente deve anunciar lá pelo dia 15 de dezembro”,
disse Paulo Bernardo, ministro do Planejamento.
Na questão da Previdência,
esse panorama também persiste nas discussões, embora
se tenha reduzido a resistência a propostas como a fixação
de idade mínima. A preocupação dos técnicos é com
o modelo de transição. “Sair do sistema atual para
um com limites maiores de aposentadoria exige fazer uma transição,
que é um debate delicado. Esse é o maior problema”,
disse um integrante da equipe econômica, lembrando que a mudança
de regras, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, provocou uma
corrida à aposentadoria que elevou o déficit num primeiro
momento.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23 de
novembro de 2006 | Brasil
OPINIÃO
Mudar a Previdência é uma
decisão política
Podem mudar os governos, mas um tema persegue as administrações
públicas: a necessidade de reformar a Previdência Social. Agora,
retorna à pauta com a divulgação de que o governo federal
estuda reintroduzir uma idade mínima para aposentadoria no INSS. Confirma-se,
assim, um ciclo recorrente no sistema previdenciário, o de ajustes freqüentes,
mas de pouca eficácia para garantir o equilíbrio no futuro.
Reformar o sistema previdenciário é uma
decisão politicamente difícil, considerando os desgastes
que pode trazer para os governos. Em vários momentos da História
foram apresentadas soluções para a Previdência Social,
mas as dificuldades surgiram ou na aprovação dos projetos
no Congresso ou na capacidade de gerenciar a implantação
das medidas. Ou seja, além de boas idéias também
tem que haver eficiência gerencial.
Claro que idade mínima é um
dos fundamentos do regime. No caso das aposentadorias do Regime Geral,
ela deixou de existir com a adoção do fator previdenciário,
onde serão levados em conta a idade do segurado, o tempo de contribuição
e a expectativa de sobrevida do beneficiário. Agora, volta a ser
discutida, assim como a igualdade para a aposentadoria entre homens e
mulheres. Vale lembrar que, em 70% dos países, a Previdência
não faz distinção entre os sexos neste quesito.
A idade mínima é um
aspecto estrutural a ser considerado para o equilíbrio do sistema.
Mas há, ainda, a questão do gerenciamento, com redução
de fraudes, desvios e corrupção; da melhoria da arrecadação;
da reestruturação do sistema de perícias médicas,
pela importância na geração de novos benefícios;
e, sobretudo, o avanço do mercado informal. Um sistema no qual
quem trabalha paga a conta de quem está inativo, não
pode ter futuro se a metade da força de trabalho do país
está na informalidade.
Reinhold Stephanes é deputado federal
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23 de
novembro de 2006 | Brasil
OPINIÃO
O que esperar da próxima
reforma
Em um ambiente democrático, é muito difícil aprovar mudanças
constitucionais na Previdência que mexam com as expectativas de direito.
Portanto, uma reforma deve procurar preservar as conquistas já alcançadas,
especialmente em um país como o Brasil, que em cinco anos passou por
duas reformas. O fator previdenciário é um exemplo de uma conquista
atuarial a ser preservada.
A próxima reforma visará aos
trabalhadores do setor privado filiados ao INSS. Para equacionar o problema
do déficit crônico e crescente é necessário
um pacote de medidas profundas, de caráter estrutural. Exigirão
esforços políticos enormes, pois trata-se de medidas necessárias,
porém impopulares. Dentre as possíveis, destaco a adoção
imediata de uma idade mínima para aposentadoria, igual à do
setor público (60/55), além do aumento gradativo dessa
idade mínima para 65 anos, com equiparação para
ambos os sexos para quem se aposentar daqui a 15 anos, por exemplo. Apenas
o Brasil, o Irã, o Iraque e o Equador não têm idade
mínima.
Outro ponto importante diz respeito a
desvincular o benefício mínimo de aposentadoria do salário
mínimo. Não há sentido em dar aumentos reais se
o segurado, enquanto trabalhador, não contribuiu para essa parcela
da aposentadoria. Deve ser só a correção monetária,
para preservar o valor e o poder de compra.
Creio ainda que não é viável
o INSS pagar benefícios superiores a cinco salários mínimos.
O ideal seria limitar as aposentadorias ao equivalente a três
salários e, para além disso e até dez salários,
obrigar o trabalhador a contribuir para a previdência privada
capitalizada, permitindo, inclusive, a utilização de
parte do FGTS. Os encargos sobre folha seriam recalculados.
Renato Follador é especialista em
Previdência.
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Folha
de São Paulo, 23 de novembro de 2006
PMDB diz "sim" a Lula e deve
ampliar espaço no governo
Temer diz que "amplíssima" maioria
apoiará presidente; 6 senadores ficam na oposição
| Logo após o encontro com Temer, petista liga para os senadores
Renan Calheiros e José Sarney, que comandam a ala governista do
partido
Jorge Araujo - 25.out.2006/Folha Imagem

Entre Alckmin e Serra, Temer, que apoiou o tucano ao Planalto
PEDRO DIAS LEITE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após reunião de quase
duas horas no Palácio do Planalto, o PMDB anunciou ontem que
vai aderir ao "governo de coalizão" de Luiz Inácio
Lula da Silva. Aliado de Geraldo Alckmin (PSDB) na eleição,
o presidente do PMDB, Michel Temer, disse que o apoio integral do partido
ao governo deve ser formalizado em até duas semanas. Segundo
o peemedebista, uma "amplíssima" maioria do partido
vai aderir a Lula. "Não gostaria mais de fazer essa distinção
entre governistas e oposicionistas. Acho que há uma interação
do PMDB em busca de apoio a esses projetos. Pelo menos do nosso ângulo,
vamos tentar evitar essa rotulação de governista, não-governista",
disse Temer, que fez oposição a Lula no primeiro mandato.
À noite, Lula disse que a "reunião
foi histórica": "Todo mundo sabe que nós queríamos
fazer uma política de alianças mais forte com o PMDB
desde 2002. Todo mundo sabe que tivemos problemas internos no PMDB
que não permitiram". Segundo Lula, Temer lhe disse que "havia
disposição do PMDB, como partido político, de
trabalhar com o governo".
O apoio de todo o PMDB ao governo é algo que foi tentado por todos os
presidentes desde a redemocratização, mas jamais existiu de fato.
Hoje só a ala liderada por Renan Calheiros e José Sarney apóia
o governo. O PMDB está rachado.
Logo após a conversa institucional
com o presidente do PMDB, Lula ligou para Renan e Sarney: "O Lula
achou muito bom o encontro. Ele disse que colheu a impressão
de que todos querem colaborar. Eu tenho estimulado todos esses movimentos
de interlocução das diferentes correntes do partido com
o governo", disse Renan. O presidente do Senado não quis
acompanhar Temer.
Com o anúncio da adesão
ao governo, Temer vai convocar uma reunião da Executiva do partido
para terça-feira. A Executiva deve então aprovar a reunião
de um órgão mais amplo, o Conselho Nacional do Partido. É dessa
reunião que pode ocorrer, num prazo de uma a duas semanas, a
formalização do apoio ao governo. A adesão não
significa o fim dos problemas específicos. Temer já esclareceu
que o apoio não tem relação com a disputa do comando
da Câmara e do Senado, em fevereiro: "Onde o PMDB fez maioria,
não deve abrir mão da presidência".
O discurso depois da reunião
era o de que não foram discutidos cargos no governo, mas ficou
claro nas entrevistas -tanto de Temer e dos deputados do PMDB que o
acompanharam, quanto do ministro das Relações Institucionais,
Tarso Genro- que o apoio passa pelo loteamento dos ministérios.
Na reunião, Lula apresentou uma "agenda mínima de
coalizão", com sete pontos, que vão da reforma política
a uma renegociação da dívida dos Estados, passando
por um crescimento de 5% ao ano no próximo mandato. Temer afirma
que esse é um dos motivos que devem levar o partido a se unir. "Não
me recordo de uma conjugação de forças políticas
no passado que se ancorasse numa proposta de projetos para o país.
Isso facilita muito a presença do PMDB, porque uma das coisas
que o PMDB não deseja é ser apodado de fisiológico. É apoio
em troca de projeto", disse Temer.
Apesar do discurso, deve haver
uma mudança significativa do que foi o primeiro mandato de
Lula quando, mesmo com o poder de indicar os ministros, os partidos
não tinham direito a preencher todos os postos -sempre havia
petistas em cargos estratégicos. Agora, a idéia é que
o ministério seja todo entregue aos partidos. O acordo com
o PMDB deve aumentar o descontentamento do PT, que teme perder espaço
para o partido no "governo de coalizão". Dos 34
cargos com status de ministro no governo, 16 estão nas mãos
de petistas. O PMDB promete apoiar unido o governo, mas seis de seus
senadores já avisaram que não participarão do "governo
de coalizão". Temer levou esse informe a Lula, que vai
chamar os seis para conversar. No entanto os senadores afirmaram
que serão "não-alinhados". Colaborou
FERNANDA KRAKOVICS, da Sucursal de Brasília.
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Folha
de São Paulo, 23 de novembro de 2006
Minoria no Congresso quer barrar aumento
de salário
Deputado e senadores criam comitê suprapartidário
para impedir o reajuste | "Está sendo passada uma idéia
para a sociedade de que todos defendem esse aumento. Não é verdade",
afirmou Fernando Gabeira
FÁBIO ZANINI, ETÍCIA
SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Deputados e senadores que são
contra o aumento salarial para parlamentares criaram ontem um comitê suprapartidário
para resistir à proposta. O núcleo fundador do movimento é composto
pelos deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Raul Jungmann (MD-PE) e
pelos senadores Jefferson Péres (PDT-AM) e Heloísa Helena
(PSOL-AL). "Está sendo passada uma idéia para a
sociedade de que todos os deputados e senadores defendem esse aumento.
Mas não é verdade", declarou Gabeira. O plano dos
parlamentares é ampliar o grupo com representantes de outros
partidos. Segundo Gabeira, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) já aderiu.
"Vamos formar um movimento de resistência",
disse. Outra idéia é procurar entidades da sociedade
civil e divulgar o movimento pela internet. Os parlamentares que organizam
o comitê dizem que, antes de haver aumento de salários, é preciso
descobrir maneiras para reduzir os custos administrativos do Congresso.
O reajuste , que geralmente ocorre a cada final de legislatura, é sempre
um fator de desgaste dos parlamentares. Neste ano, a situação
se agravou em razão da crise de credibilidade por que passa
o Congresso, abalado pelos escândalos do mensalão e sanguessugas.
Há diversas propostas em debate
no Congresso para aumentar os salários. A mais radical, uma
reivindicação histórica do chamado "baixo
clero", equipara os salários dos deputados, hoje de R$
12.847, aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, de R$ 24.500.
Um aumento de 91%. Numa linha intermediária, o PT propõe
um reajuste de cerca de 30%, que seria suficiente para repor a inflação
dos últimos quatro anos. "Seria um aumento razoável,
que atende à dignidade dos deputados, sem hipocrisia. Seria
um ponto de equilíbrio", disse o líder do PT na
Câmara, Henrique Fontana (RS).
O impacto da proposta do líder
petista seria de cerca de R$ 30 milhões por ano, se for considerada
apenas a variação nos vencimentos dos deputados. Há um
problema adicional, no entanto, que é o efeito cascata que o
aumento traria para deputados estaduais, vereadores e funcionários
em cargos de confiança no Legislativo. A maior parte do orçamento
da Câmara é destinada aos salário dos funcionários
e servidores. Para este ano, estão previstos gastos de R$ 2,25
bilhões com pessoal. Deste valor, R$ 1,6 bilhão já foram
executados. O orçamento da Câmara neste ano é de
R$ 2,97 bilhões.
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Folha de São Paulo,
23 de novembro de 2006
FGTS custeará fundo para infra-estrutura
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA
O governo criará, por medida provisória,
um fundo de infra-estrutura com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço), segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda).
Inicialmente, o fundo terá patrimônio de R$ 5 bilhões.
Ele poderá chegar a até 80% do seu patrimônio líquido,
que está em torno de R$ 20 bilhões. Hoje, esses recursos
estão totalmente aplicados em títulos públicos.
A idéia já foi aprovada pelo Conselho Curador do FGTS,
em agosto. A MP será editada e depois passará por votação
na Câmara dos Deputados e no Senado para finalmente ser convertida
em lei.
O governo prepara uma série de
medidas para alavancar a infra-estrutura do país. "O presidente
quer que a gente elimine os pontos de estrangulamento da infra-estrutura
e que não haja nenhum ponto de atravancamento para o crescimento
do país", disse o ministro. Mantega disse ainda que a equipe
econômica continua estudando medidas para as áreas fiscal
e tributária. Na área fiscal, ele voltou a afirmar que
será feito um ajuste de despesas no longo prazo para evitar que
os gastos públicos cresçam acima do PIB. O superávit
primário será mantido em 4,25% do PIB nos próximos
anos.
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Folha de São Paulo,
23 de novembro de 2006
TRABALHO
Indústria de SP cria 1.303
vagas em outubro
DO VALOR ONLINE
O nível de emprego da indústria
paulista aumentou 0,06% em outubro ante setembro, segundo o Ciesp (Centro
das Indústrias de São Paulo). Foram geradas 1.303 vagas.
Em outubro de 2005, foram fechados 962 postos. Considerando os dez primeiros
meses do ano, o crescimento do nível de emprego foi de 3,02%,
com 63.238 novas vagas. O número é menor do que o do mesmo
intervalo de 2005, quando foram geradas 66.511 vagas. No acumulado de
12 meses encerrados em outubro, a indústria paulista abriu 37.755
postos de trabalho.
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JORNAL INFOMONEY PESSOAL,
23 de novembro de 2006
Salário mínimo abaixo
de R$ 375 é rejeitado por relator da proposta
SÃO PAULO - O senador Valdir Raupp
(PMDB-RO), relator da proposta orçamentária para 2007,
afirmou que não vai aceitar a proposta do governo de diminuir
o reajuste do salário mínimo de R$ 375 para R$ 367.
Segundo Raupp, o aumento já foi
anunciado aos quatro cantos do País e ficaria muito ruim para
o Congresso reduzi-lo. "A nossa vontade era chegar até a
um pouco mais", acrescentou o senador.
Redução do aumento
Conforme divulgou a Agência Câmara,
o governo enviou um ofício à Comissão Mista de Orçamento
solicitando a redução do reajuste previsto (para R$ 375),
por causa da revisão para baixo do crescimento econômico
estimado deste ano.
Apesar de menor, o novo valor proposto
está dentro do que prevê a Lei de Diretrizes Orçamentárias
de 2007 (reajuste do mínimo deve pelo menos alcançar a
variação do crescimento mais a inflação),
o que daria algo em torno de R$ 365.
Oposição vai brigar
por um valor maior
Como a Comissão Especial Mista
do Salário Mínimo já havia aprovado uma recomendação
de aumento para R$ 400, a oposição acredita que a mudança
do governo pode ter apenas a função de
criar uma dificuldade a mais para um valor superior aos R$ 375.
De acordo com o deputado Cláudio
Cajado (PFL-BA), integrante da Comissão, a oposição
vai brigar por um valor maior. "Isso é um absurdo, porque
o trabalhador, a classe menos favorecida, sempre acaba pagando o pato.
Não vamos admitir isso", disse.
Já o deputado Eduardo Valverde
(PT-RO) acredita que o valor do salário mínimo ainda
pode ser maior, caso os parlamentares indiquem fontes de recursos para
cobrir os gastos com benefícios previdenciários.
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AGÊNCIA ESTADO.COM
/ SÃO PAULO, 23 de novembro de 2006 | Economia
Déficit da Previdência
diminui 5,6% em outubro
Déficit totalizou R$ 3,043 bilhões;
arrecadação foi a segunda maior da história
Adriana Fernandes
BRASÍLIA - O déficit da
Previdência em outubro totalizou R$ 3,043 bilhões, com queda
de 5,6% em relação ao resultado obtido no mesmo período
do ano passado. Na comparação com setembro, quando o déficit
havia totalizado R$ 8,603 bilhões, houve um recuo de 64,6%. As
despesas haviam saltado em setembro porque o governo gastou com a antecipação
do pagamento da primeira parcela do 13º salário dos benefícios
de 2006.
Em outubro, a arrecadação
líquida da Previdência totalizou R$ 10,314 bilhões,
segundo maior valor da série histórica. Já as despesas
da Previdência totalizaram R$ 13,357 bilhões para pagar
os benefícios previdências e as sentencias judiciais.
No ano, o déficit da Previdência
soma R$ 37,375 bilhões, com acréscimo de 29,9% em relação
ao mesmo período do ano passado. A arrecadação
líquida no ano é de R$ R$ 96,364 bilhões, e as
despesas somam R$ 133,740 bilhões.
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AGÊNCIA ESTADO.COM
/ SÃO PAULO, 23 de novembro de 2006 | Economia
MPF recomenda fim da cobrança
por cheque de baixo valor
Bancos têm 15 dias para extinguir tarifa
ou podem ser alvo de ação civil pública
SÃO PAULO - O procurador da República
em São Paulo Luiz Fernando Gaspar Costa recomendou aos bancos
ABN Amro, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC,
Itaú, Nossa Caixa, Safra, Santander Banespa e Unibanco que extingam
a cobrança da tarifa por emissão de cheque com valor baixo.
Foi estabelecido prazo de 15 dias para que os bancos cumpram a recomendação
e respondam quais as medidas que tomarão para efetivá-la.
Caso neguem-se a cumprir a recomendação, as instituições
poderão ser alvo de uma ação civil pública.
A tarifa, no entendimento do MPF, diferentemente
da cobrada pela emissão do talão de cheques, por exemplo,
não equivale a uma prestação de serviço. "É apenas
um meio que a instituição financeira encontrou para desestimular
o consumidor a utilizar o cheque em transações de baixo
valor, com evidente interesse arrecadatório", afirma Costa,
da área de direitos do consumidor do MPF em São Paulo.
A tarifa, de R$ 0,50, é a mesma
cobrada em todos os bancos citados. Já o patamar para "cheques
de valor inferior" varia de instituição para instituição,
segundo o Banco Central. A Nossa Caixa cobra a tarifa sobre cheques abaixo
de R$ 20, enquanto na maioria dos bancos, são considerados de
valor inferior os cheques abaixo de R$ 40. Ou seja, se uma pessoa faz
uma compra de cem reais com quatro cheques pré-datados, vai pagar,
nos bancos citados, dois reais de tarifa por emitir cheque de baixo valor.
Para o MPF, a cobrança afronta
o Código de Defesa do Consumidor (CDC), especialmente o direito
básico a ser protegido contra práticas abusivas, em especial
a exigência de vantagem manifestamente excessiva. O mesmo CDC determina
que o poder público desenvolva ação governamental
para coibir e reprimir eficazmente os abusos praticados do mercado.
O procurador afirma que o governo federal
deveria coibir a prática, mas os bancos têm cobrado tais
taxas com autorização do Banco Central, que entende não
haver nenhum problema com a cobrança, uma vez que ela é informada
pelos bancos quando é celebrado o contrato de abertura de conta
e que esses custos estão nas tabelas de serviços bancários
disponíveis nos sites das instituições.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de novembro de 2006 | Economia
PESQUISA-Maior objetivo das classes “D” e “E” é reformar
a casa
Com Lula, baixa renda consome
35% a mais
São Paulo – Nos três anos e meio do mandato do presidente
Lula, o consumo das famílias com rendimento de até quatro salários
mínimos (classes D e E) aumentou 11% e o gasto médio cresceu
35% com produtos dos segmentos de alimentos, bebidas, higiene pessoal e limpeza
no período, porcentual próximo ao verificado nas demais classes. É o
que indica pesquisa da LatinPanel. De acordo com o estudo, as classes D e E
passaram a consumir 27 categorias de produtos em agosto deste ano. No final
de 2002, a cesta de compras dessa classe continha 21 categorias.
De acordo com a LatinPanel, o consumo
incluiu sucos em pó, massas instantâneas, caldos de tempero,
esponjas sintéticas, extrato de tomate, salgadinhos, leite longa
vida e maionese. “Houve uma sofisticação da cesta
de consumo na baixa renda”, afirmou a diretora comercial da LatinPanel
e coordenadora do estudo, Margareth Utimura.
Quando considerada a possibilidade de aumento de renda, o objetivo maior de
consumo do segmento é a reforma da casa e a realização
de compras. De acordo com pesquisa da LatinPanel, a reforma vem em primeiro
lugar, com 29%, e as compras, em segundo, com 23% das respostas. O pagamento
de dívidas responde por 15% da intenções; poupança,
por 11%; e construção, 10%.
Na lista de compras, imóveis
são a primeira opção, com 64%; e eletroeletrônicos,
a segunda, com 33%. A LatinPanel ressaltou a terceira colocação
de alimentos, com 29% das intenções de compra, e o potencial
de crescimento dessa categoria nessa faixa de renda. Entre os itens
de eletroeletrônicos citados estão DVD, TV, som, fogão
e geladeira. Na avaliação da LatinPanel, alguns deles
já podem ser o segundo produto do tipo a ser adquirido pela
família.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
23 de novembro de 2006 | Economia
Alcoa vai demitir 6.700 funcionários
ao redor do mundo
PITTSBURGH (EUA) - A fabricante de alumínio
Alcoa divulgou nesta quarta-feira que irá demitir 6.700 funcionários
como parte de um programa de reestruturação desenvolvido
para aumentar a lucratividade e a eficiência da empresa.
A empresa com sede em Pittsburgh também
anunciou que fechou um acordo para integrar seus negócios de ligas
leves como o Grupo Sapa, parte da norueguesa Orkla, em uma joint venture
que as duas empresas pretendem tornar pública.
A divisão de ligas leves da Alcoa
possui cerca de 6.400 empregados em 22 fábricas em oito países.
Outras três fábricas não incluídas na joint
venture - uma em Ohio, outra na Georgia e a última na Flórida
- serão vendidas.
O fechamento das fábricas e a formação
da joint-venture deve levar a uma redução de custos de
US$ 125 milhões por ano, segundo a própria empresa. As
demissões representam cerca de 5% dos 129 mil funcionários
em 44 países.
Um total de 4.800 empregos serão
eliminados na divisão de autopeças da empresa. Isso inclui
o fechamento das operações de manufaturação
na fábrica de Portugal e a reestruturação das atividades
nos Estados Unidos e México.
As mudanças também
resultarão no fechamento de uma fábrica no Reino Unido
e o corte de cerca de 320 funcionários. Esses empregados foram
notificados na terça-feira sobre a desativação,
segundo o porta-voz da Alcoa, Kevin Lowery.
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 23 de novembro de 2006 | Economia
DESENVOLVIMENTO-Fundação Getúlio
Vargas percebe melhora no ânimo das empresas para 2007
Mais otimistas, empresários
prevêem expansão do emprego
Arquivo

Programação de demissões na indústria recuou
A Sondagem da Indústria de Transformação – Quesitos
Especiais, elaborada pela Fundação Getúlio Vargas
(FGV), revela que as projeções dos empresários
brasileiros sobre a economia do país para 2007 são
mais favoráveis que as realizadas no mesmo período
do ano passado. Foram consultas 1.051 empresas.
A pesquisa aponta aquecimento no ritmo de expansão
do emprego industrial em 2007. Em comparação com
as previsões feitas em outubro do ano passado para este
ano, a parcela de empresas que pretendem contratar aumentou de
30% para 40%, enquanto que as que programam demissões diminuiu
de 16% para 10%.
Mesmo assim, diz a FGV, as perspectivas encontram-se ainda aquém do
otimismo verificado em outubro de 2004. As previsões deste ano em relação
ao faturamento indicam haver uma percepção de que o país
não crescerá em 2007 muito mais do que cresceu este ano.
Em relação à situação
atual dos negócios, o resultado mostra que o setor industrial
prevê crescimento de produção e emprego, mas
percebe fatores que podem afetar negativamente sua rentabilidade.
Em comparação com
as previsões do ano passado, a proporção de
empresas que esperam melhora da situação dos negócios
no ano seguinte aumentou de 44% para 47%. Já o grupo de
pessimistas diminuiu sua participação de 13% para
6%.
A parcela de empresas que prevêem
aumento do faturamento, descontada a inflação, reduziu-se
de 72% para 71%. A proporção de empresas que projetam
faturar menos diminuiu de 9% para 5%.
Entre as empresas que prevêem
crescimento do faturamento, 42% prevêem taxas entre 0,1%
e 5%, contra 24% que assinalaram esta mesma faixa em outubro de
2005. Um crescimento entre 5,1% a 10% foi previsto por 37% das
empresas, contra 52% em outubro do ano passado; 16% dos informantes
prevêem aumento entre 10,1% a 20% (19% em 2005); e somente
5% esperam crescer mais de 20%, mesmo porcentual verificado no
ano passado.
Em relação aos investimentos
produtivos, as previsões feitas em outubro deste ano superam
as de outubro do ano passado. A proporção de empresas
que programam aumentar os gastos em 2007 é de 39%, ligeiramente
acima dos 38% que previam o mesmo em 2006. Por sua vez, diminuiu
de 22% para 13% a proporção de empresas projetando
redução dos investimentos.
Exportações e
importações
As expectativas quanto às
exportações da indústria de transformação
são mais otimistas do que as feitas em outubro de 2005.
Empresas que representam 59% do mercado esperam crescimento das
exportações em 2007, parcela superior à de
53% que previram o mesmo no ano passado. A proporção
das que prevêem diminuição das exportações
baixou de 12% para 10%.
Pessimismo no Paraná
As sondagens recentes feitas
pela Federação das Indústrias do Estado
do Paraná (Fiep) indicam um cenário mais pessimista.
De acordo com o presidente da Federação das Indústrias
do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, a
tendência é de que a economia continue a crescer
em ritmo lento, por volta dos 3%. “Quem sabe possa se chegar
a 5%, dependendo da ousadia dos novos gestores da economia”,
afirmou. No entanto, ele diz que ainda é prematuro fazer
previsões para 2007. “Acho que para ter uma noção
mais precisa devemos esperar mais uns 60, 90 dias, após
o Carnaval”, disse.
Colaborou Rosana Félix
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de novembro de 2006 | Economia
DESENVOLVIMENTO
“O Brasil precisa fazer
a lição de casa”
Na avaliação do ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira,
professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), ao contrário
do que aposta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil ainda
tem muito trabalho pela frente se quiser voltar a crescer com vigor – acima
dos cerca de 3%. Na “lição de casa”: políticas
de juros e cambial adequadas e um ajuste fiscal completo. “O país
reúne condições para retornar ao crescimento econômico.
Mas os brasileiros precisam voltar a pensar com a própria cabeça.
Precisam deixar de imaginar que são colônia e fazer tudo que o
Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o Banco Mundial nos sugere”,
disse ontem, em Curitiba, o ex-ministro e professor da Fundação
Getúlio Vargas (FGV-SP).
Bresser participou do seminário “Macroeconomia
da Estagnação Brasileira” promovido pelo Centro de
Pesquisas Econômicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Além do ex-ministro, participaram o chefe da assessoria econômica
da Casa Civil, Antônio José Alves Júnior e o diretor
superintendente do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade
(IBQP) no Paraná, Carlos Artur Krüeger Passos. No centro
da discussão estava a estagnação econômica
brasileira dos últimos 25 anos.
“Durante 14 anos você explicava
isso com a alta inflação e a crise fiscal do estado. Depois,
a inflação foi controlada e falar em crise fiscal já não é mais
razoável, apesar do desequilíbrio que ainda existe. No
entanto, a economia permaneceu estagnada”, destaca o ex-ministro.
Ele acredita que para mudar esse cenário o país precisa
passar por um ajuste fiscal mais duro, reduzir a taxa de juros de forma
mais rápida e, assim, passar a crescer com a própria poupança,
e não mais a externa.
O presidente do Instituto Brasileiro de
Qualidade e Produtividade (IBQP), Carlos Artur Krüeger Passos, acredita
que o crescimento econômico depende da capacidade do país
de “desatar o nó” que reside na política monetária. “Temos
que reduzir a taxa de juros e fazer com que a imensa riqueza acumulada
de forma estéril sob a forma de títulos governamentais
progressivamente se transforme em investimento produtivo.”
O economista José Luís
Oreiro, professor da UFPR, concorda e espera uma taxa de juro real
entre 5% e 6%, com uma taxa Selic entre 10% e 11%, considerando uma
inflação de cerca de 4%, para que se desenhe um cenário
mais favorável ao crescimento. Oreiro defende também
uma interferência mais forte do governo no câmbio. “Para
o país voltar a crescer, é preciso administrar a flutuação
cambial.” Em um câmbio competitivo, segundo Oreiro, o dólar
seria vendido entre R$ 2,50 e R$ 2,60.
Cinthia Scheffer
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 23 de novembro
de 2006
Força defende salário mínimo
de R$ 420
Redação O Estado do
Paraná [23/11/2006]
São Paulo (AE) - As principais
centrais sindicais promoverão uma série de mobilizações
nas principais capitais do país, no próximo domingo,
para reivindicar o aumento do salário mínimo para R$
420 e a correção da tabela do Imposto de Renda, no mínimo,
pela inflação do governo Lula. Esses foram os principais
assuntos discutidos ontem, durante o encontro da Direção
Nacional da Força Sindical, em São Paulo. Segundo o presidente
do sindicato, Paulo Pereira da Silva, Paulinho, é o momento
do Executivo e do Legislativo decidirem quais são suas prioridades.
“ Eu acho que o problema não é dinheiro, o problema é prioridade.
E o governo vai atender de acordo com a pressão. Se nós fizermos
muita pressão poderemos mudar esse argumento do governo, que não
tem recursos, que a previdência está falida”, afirma.
Paulinho criticou, ainda, a intenção do governo de reduzir o
aumento do salário mínimo de R$ 375 para R$ 362: “É a
hora dos deputados e senadores decidirem para onde vai o dinheiro, se vai para
a saúde ou para a educação, se vai para o salário
mínimo ou se vai para o aumento dos deputados e dos juízes”,
dispara.
Dia 6 de dezembro, as centrais pretendem reunir 10 mil trabalhadores em Brasília,
durante a “III Marcha Nacional do Salário Mínimo”.
No mesmo dia, está prevista audiência pública dos sindicalistas
com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara
dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), onde apresentarão a pauta das
reivindicações. Um encontro com o presidente Lula foi solicitado,
mas ainda não está confirmado.
Ainda neste mês, no dia 29, a Força Sindical, a Central Única
dos Trabalhadores (CUT), a Confederação Geral dos Trabalhadores
(CGT), a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e Central Autônoma
dos Trabalhadores (CAT) organizarão atos públicos nas principais
capitais brasileiras.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/11/2006
Prescrição para empregador
cobrar ex-empregado é a trabalhista
O marco inicial da contagem do prazo prescricional
da ação de cobrança ajuizada pelo empregador, com
pretensão de ressarcimento de valores pagos a maior nos cálculos
de indenização decorrente de adesão de ex-empregado
ao PDV, é o do artigo 7º, XXIX, da Constituição
Federal, ou seja, cinco anos, até o limite de dois anos após
a extinção do contrato de trabalho. A decisão é da
Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que acompanhou, por
unanimidade, voto do juiz convocado Ricardo Machado.
A Eletropaulo Metropolitana Eletricidade
de São Paulo S.A ajuizou ação de cobrança
contra seu ex-empregado pleiteando a restituição de valor
pago a maior quando de sua adesão ao Plano de Desligamento Voluntário
(PDV). Para tanto, argumentou que, em se tratando de controvérsia
decorrente de relações de trabalho, a justiça especializada
trabalhista era a competente para julgar a questão.
A sentença de primeiro grau considerou
prescrito o direito da empresa para pleitear a restituição,
pois decorrido o prazo de dois anos da extinção do contrato
de trabalho. Inconformada, a empresa recorreu ao Tribunal Regional do
Trabalho da 2ª Região (São Paulo), que negou provimento
ao recurso ordinário patronal, mantendo a sentença de primeiro
grau quanto à ocorrência da prescrição bienal
do direito empresarial para ajuizamento de ação de cobrança.
A empresa recorreu ao TST defendendo a
tese no sentido de que a prescrição a ser observada é a
de 20 anos, prevista no artigo 422 do Código Civil de 1916. Disse
que a ação de cobrança não discutia verbas
decorrentes do contrato de trabalho, mas sim indenização,
não prevista em legislação trabalhista, paga pela
empresa ao empregado, na forma de transação, por ocasião
de sua adesão ao plano de incentivo à aposentadoria.
O juiz Ricardo Machado, relator
do processo no TST, considerou contraditório o argumento utilizado
pela empresa. Se a Eletropaulo procurou a Justiça do Trabalho
para propor a ação de cobrança, “inaceitável
que pretenda agora afastar a aplicação dos prazos prescricionais
constitucionalmente previstos para o exercício do direito de
ação quanto a créditos resultantes de relações
de trabalho”, destacou o relator. (AIRR-2729/2002-015-02-40.3)
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23/11/2006
TST veda trabalho de menores de 18 em canavial
paranaense
É proibida a contratação
de menores de dezoito anos na lavoura canavieira ou em locais considerados
perigosos e insalubres. Nesse sentido, decidiu a Seção
Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior
do Trabalho, em processo movido contra a Sabarálcoll S/A – Açúcar
e Álcool e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Perobal (PR).
A SDC acolheu recurso do Ministério Público do Trabalho
e declarou nula a cláusula do acordo entre a usina e o sindicato
que permitiu o trabalho para menores com idade entre 16 e 18 anos.
O acordo foi homologado pela 1ª Vara
do Trabalho de Umuarama (PR), com parecer favorável do Ministério
Público local, que opinou pela homologação nos termos
consignados na audiência de primeira instância, “constituindo-se
caráter de sentença normativa”, a qual estabelece
as condições de trabalho em determinado prazo, sem integrar
definitivamente os contratos. Mas o próprio Ministério
Público recorreu ao TST, apontando a cláusula 42ª como
inválida, postulando sua exclusão da decisão normativa
ou sua adaptação, a fim de que fosse proibido qualquer
trabalho insalubre para menores de 18 anos.
O relator do caso no TST, ministro Gelson
de Azevedo, explicou que “a cláusula homologada afronta
o disposto nos artigos 7º, XXXIII, da Constituição
Federal”. A Constituição Federal e a Consolidação
das Leis do Trabalho vedam aos menores de 18 anos o trabalho noturno,
perigoso ou insalubre. A decisão do TST ressaltou que a cláusula
do acordo é ilegal, indo contra o ordenamento jurídico
vigente de trabalho na lavoura canavieira – “atividade considerada
perigosa e insalubre na Portaria nº 20 da Secretaria de Inspeção
do Trabalho e Diretoria do Departamento de Segurança e Saúde
do Trabalho – para menores de dezoito anos”. (RODC 16015/2005-909-09-00.4)

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